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Mortes por coronavírus na China passam de 50

Glogo - Ciência Segundo informações do governo chinês, 56 pessoas morreram - incluindo a primeira em Xangai - e 1.975 pessoas tiveram diagnósticos da doença confirmados no país. Coronavírus: oficial com máscara protetora verifica temperatura de passageiro em um pedágio entre Xianning e Wuhan, na China, em meio às restrições de circulação de pessoas, que tenta frear a expansão da doença Martin Pollard/Reuters. O número de mortes causadas pelo coronavírus na China chegaram a 56 neste sábado (25), segundo o governo local, incluindo a primeira vítima fatal em Xangai. De acordo com a agência Reuters, 1.975 pessoas já tiveram diagnósticos da doença confirmados no país e 49 estão curadas. Também neste sábado o Canadá registrou seu primeiro caso, segundo autoridades locais. Um homem está em isolamento em um hospital de Toronto, infectado após ter viajado para Wuhan, na China, de onde retornou em 22 de janeiro. Após apresentar febre e sintomas de deficiência respiratória, ele foi submetido a testes e teve o diagnóstico confirmado neste sábado (25). Segundo um comunicado do Sunnybrook Health Sciences Centre, a análise foi confirmada também pelo Laboratório de Saúde Pública de Ontario. Ainda de acordo com o hospital, o paciente está estável e uma equipe foi designada para o seu tratamento. Ainda no sábado, os governos da Malásia e da Austrália registraram cinco casos de coronavírus. Quatro pacientes foram diagnosticados com a doença respiratória no país do sudeste asiático, enquanto o caso australiano se tornou o primeiro na Oceania. Com a confirmação do caso canadense, passam a ser 12 os países em 4 continentes afetados pela infecção que surgiu na China e já matou 56 pessoas desde o início do ano. Na sexta-feira (24), os Estados Unidos confirmaram o 2º caso da doença no país, e a França registrou 3, os primeiros na Europa. Também há casos no Nepal, na Tailândia, Vietnã, Arábia Saudita, Coreia do Sul e Japão (veja mapa abaixo). Funcionário remove lixo hospitalar de centro médico de Wuhan, epicentro da epidemia de coronavírus, na China AP Photo/Dake Kang 56 mortes na China Na China, onde o surto começou e o único país a registrar mortes, o número de vítimas fatais subiu para 56 no sábado. A província de Hubei tinha 13 cidades com restrições de circulação até sexta-feira, o que afeta cerca de 40 milhões de pessoas. Na manhã de domingo (26, horário local), foi anunciado que a cidade de Tianjin também irá interromper a circulação de todos os ônibus intermunicipais para tentar conter a disseminação do vírus. As restrições incluem fechamento de estações de trens, rodoviárias, transportes urbanos e de circulação de carros por algumas estradas. As autoridades ainda não informaram quando essas medidas serão retiradas. Novos hospitais Escavadeiras trabalham em área de hospital em Wuhan, na China STR/AFP A China está em uma corrida científica e estrutural para conter o avanço de novos casos de coronavírus. Além de desenvolver pesquisas para identificar detalhes da cepa do vírus e de impor restrições de circulação e fechamento de pontos turísticos, o país está construindo dois hospitais para tratar exclusivamente dos infectados. Os empreendimentos seguem o modelo de Pequim para tratamento de doenças respiratórias agudas, conhecidas como SARS. O primeiro hospital terá 1 mil leitos, uma área de 25 mil m² e deverá ser inaugurado em 3 de fevereiro. O segundo, anunciado neste sábado, deve ter 1,3 mil leitos e será entregue em 15 dias. Países retiram cidadãos Os Estados Unidos estão organizando um voo charter no domingo (26) para trazer seus cidadãos e diplomatas de volta da cidade chinesa de Wuhan, epicentro do surto de um novo coronavírus, informou o jornal norte-americano "Wall Street Journal" neste sábado (25). O avião, com cerca de 230 pessoas, levará diplomatas do consulado dos EUA, bem como cidadãos norte-americanos e suas famílias, informou o Journal, citando uma pessoa familiarizada com a operação. Além disso, a Peugeot informou que vai repatriar funcionários franceses alocados em Wuhan. Segundo um porta-voz da empresa, 38 pessoas serão evacuadas da região com a colaboração de autoridades chinesas e do consulado geral da França na região. A empresa disse em um comunicado que as famílias retiradas passarão por um período de quarentena em Changsha antes de voltar para o país. O rei Abdullah II, da Jordânia, destinou uma aeronave para evacuar cidadãos de seu país na China. Segundo a rede de notícias CNN, a ação já foi autorizada pelas autoridades chinesas. China suspende viagens turísticas A China vai suspender todas as viagens turísticas que partem do país a partir de segunda-feira (27) para tentar conter o surto de coronavírus. Neste sábado a Associação de Turismo da China anunciou que as viagens em grupo ao exterior estarão suspensas. Segundo a associação, viagens domésticas já estavam sob restrição desde sexta-feira (24). Na China, onde o surto de coronavírus começou, foram registrados ao menos 1.372 casos de infecção e 41 mortes por complicações da doença. Os casos estão concentrados na cidade de Wuhan, na província de Hubei. Casos de coronavírus no mundo Rodrigo Sanches/Arte G1 Veja Mais

China suspende viagens turísticas para o exterior; Xi Jinping diz que coronavírus se espalha de maneira acelerada

Glogo - Ciência Medida deve valer a partir de segunda-feira (27) e impede apenas os deslocamentos organizados por agências de viagens. Passageiros usam máscaras para evitar a contaminação pelo coronavírus em estação ferroviária de alta velocidade, em Hong Kong, nesta quarta-feira (22) Kin Cheung/AP/Arquivo A China vai suspender todas as viagens turísticas que partem do país para tentar conter o surto de coronavírus. O presidente chinês disse neste sábado (25) que o vírus está se espalhando de maneira acelerada e que o país enfrenta uma "situação grave". "Dada a grave situação de uma epidemia que se acelera, é necessário fortalecer a liderança centralizada e unificada do Comitê Central do Partido", disse em coletiva de imprensa Xi Jinping. Segundo o balanço mais recente, foram registrados ao menos 1.372 casos de infecção e 41 mortes por complicações da doença no país. EUA vão retirar cidadãos norte-americanos de Wuhan, na China, diz jornal O que se sabe e o que ainda é dúvida sobre o coronavírus Número de países com casos confirmados Segundo a Associação de Turismo da China, as viagens em grupo ao exterior estarão suspensas a partir de segunda-feira (27). As viagens domésticas já estavam sob restrição desde sexta-feira (24). Coronavírus: Xi Jinping coloca a China inteira em restrição de viagens A região mais afetada têm, desde sexta, restrições de circulação que afetam cerca de 40 milhões de pessoas. As restrições incluem fechamento de estações de trens, rodoviárias, transportes urbanos e de circulação de carros por algumas estradas. As autoridades ainda não informaram quando essas medidas serão retiradas. Coronavírus em 4 continentes Até o momento, além da China, que tem o maior número de confirmações da doença, dez países em quatro continentes já identificaram e isolaram pacientes com coronavírus. Casos de coronavírus no mundo Rodrigo Sanches/Arte G1 Novos hospitais A China está em uma corrida científica e estrutural para conter o avanço de novos casos de coronavírus. Além de desenvolver pesquisas para identificar detalhes da cepa do vírus e de impor restrições de circulação e fechamento de pontos turísticos, o país está construindo dois hospitais para tratar exclusivamente dos infectados. Os empreendimentos segue o modelo de Pequim para tratamento de doenças respiratórias agudas, conhecidas como SARS. O primeiro hospital terá 1 mil leitos, uma área de 25 mil m² e deverá ser inaugurado em 3 de fevereiro. O segundo, anunciado neste sábado, deve ter 1,3 mil leitos e será entregue em 15 dias. Esta reportagem está em atualização. Initial plugin text Veja Mais

Coronavírus chega à Malásia e à Oceania

Glogo - Ciência Primeiro caso foi registrado na Austrália na madrugada deste sábado (25). Na Malásia, 3 pessoas estão com a doença. O novo coronavírus chegou à Malásia e a mais um continente, a Oceania. Três casos da doença respiratória foram confirmados neste sábado (25) no país do sudeste asiático, e outro na Austrália. Com isso, já são 12 os países em 4 continentes afetados pela infecção que surgiu na China e já matou 41 pessoas desde o início do ano. Segundo o ministro da Saúde da Malásia, Dzulkefly Ahmad, as três pessoas com a doença têm nacionalidade chinesa e são a mulher e dois netos de um homem de 66 anos que foi diagnosticado com a infecção em Singapura. Na Austrália, o caso confirmado é de um homem que chegou a Melbourne, no sudeste do país, há uma semana procedente da cidade de Wuhan, epicentro do surto na China. Segundo as autoridades australianas, ele está isolado com pneumonia e seu quadro é estável. Nas sexta-feira (24), os Estados Unidos confirmaram o 2º caso da doença no país, e a França registrou 3, os primeiros na Europa. Também há casos no Nepal, na Tailândia, Vietnã, Arábia Saudita, Coreia do Sul e Japão. Europa registra primeiras infecções por coronavírus e EUA confirmam 2º caso 41 mortes na China Funcionário remove lixo hospitalar de centro médico de Wuhan, epicentro da epidemia de coronavírus, na China AP Photo/Dake Kang Na China, onde o surto começou e o único país a registrar mortes, o número de vítimas fatais subiu para 41 na sexta-feira. São 39 mortos apenas na província de Hubei, que 15 teve casos confirmados em um mesmo dia. Na região, onde fica a cidade de Wuhan, há um total 729 infecções e 4.711 pessoas em observação. A província de Hubei tinha 13 cidades com restrições de circulação até sexta-feira, o que afeta cerca de 40 milhões de pessoas. As restrições incluem fechamento de estações de trens, rodoviárias, transportes urbanos e de circulação de carros por algumas estradas. As autoridades ainda não informaram quando essas medidas serão retiradas. A China está em uma corrida científica e estrutural para conter o avanço de novos casos de coronavírus. Além de desenvolver pesquisas para identificar detalhes da cepa do vírus e de impor restrições de circulação e fechamento de pontos turísticos, o país está construindo um hospital para tratar exclusivamente dos infectados. O empreendimento segue o modelo de Pequim para tratamento de doenças respiratórias agudas, conhecidas como SARS. O hospital terá 1 mil leitos, uma área de 25 mil m² e deverá ser inaugurado em 3 de fevereiro. Escavadeiras trabalham em área de hospital em Wuhan, na China. Nova estrutura de saúde deve ter 1 mil leitos. STR/AFP Initial plugin text Veja Mais

Aeroportos brasileiros passam a ter aviso sonoro sobre o coronavírus

Glogo - Ciência Relatos do coronavírus foram identificados em ao menos onze países, além da China: França, Estados Unidos, Japão, Tailândia, Taiwan, Coreia do Sul, Vietnã, Singapura, Nepal, Arábia Saudita. Especialistas explicam as características do novo coronavírus Os aeroportos da Infraero começaram a veicular nesta sexta-feira (24) um aviso sonoro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre o coronavírus, que já causou 26 mortes na China. O que se sabe e o que ainda é dúvida sobre o novo vírus Novo coronavírus pode ter vindo de cobras vendidas em mercado chinês "Se você tiver febre, tosse ou dificuldade para respirar, dentro de um período de até 14 dias, após viagem para a cidade de Wuhan, na China, você deve procurar uma unidade de saúde mais próxima e informar a respeito da sua viagem", diz o aviso. O alerta indica ainda que os passageiros lavem as mãos frequentemente com água e sabão. E caso não tenham, usem álcool em gel. "Cubra o nariz e a boca com lenço descartável ao tossir ou espirrar. Descarte o lenço no lixo e lave as mãos. Evite aglomerações e ambientes fechados, procurando manter os ambientes ventilados. Não compartilhe objetos de uso pessoal como talheres, pratos, copos ou garrafas. Procure o serviço de saúde mais próximo", completa o alerta. Na lista de aeroportos com o comunicado sonoro estão o de São Paulo (Guarulhos e Congonhas) Rio de Janeiro (Santos Dumont e Galeão), Curitiba, Brasília, Campina Grande, Recife, Porto Alegre, Fortaleza, Vitória, Londrina, Belo Horizonte, Manaus, Belém, Florianópolis, Campo Grande, e Foz do Iguaçu. A relação completa está aqui. Relatos do coronavírus foram identificados em ao menos onze países, além da China: França, Estados Unidos, Japão, Tailândia, Taiwan, Coreia do Sul, Vietnã, Singapura, Nepal, Arábia Saudita. No Brasil, o Ministério da Saúde descartou cinco casos suspeitos. Segundo a pasta, os casos "não se enquadram na definição de caso suspeito da Organização Mundial da Saúde (OMS)". Ciclo do novo coronavírus - transmissão e sintomas Aparecido Gonçalves/Arte G1 Initial plugin text Veja Mais

No Japão, coronavírus impulsiona venda de máscaras e faz comerciante 'proibir entrada' de chineses

Glogo - Ciência País deve sentir impacto no turismo pela diminuição na vinda de chineses, ao mesmo tempo em que teme-se que epidemia alimente xenofobia. Mulher e criança com máscaras no aeroporto internacional de Tóquio; fábrica de máscaras está trabalhando extra para atender demanda EPA As máscaras cirúrgicas do Japão se tornaram um presente popular e um termômetro da preocupação com o novo tipo de coronavírus que já matou 26 pessoas e infectou mais de 800 pacientes na China. Não há vacina para o novo tipo de vírus que provoca pneumonia e sintomas como febre, tosse e dificuldade em respirar. Com o crescente número de casos, muitos chineses e japoneses resolveram acatar as recomendações de autoridades médicas, adotando máscaras para cobrir a boca e o nariz ao tossir e espirrar, além de gargarejo e desinfecção das mãos. A adesão às medidas preventivas obrigou a maior fabricante de máscaras cirúrgicas do Japão, a Unicharm, a trabalhar 24 horas por dia para atender a demanda. Um dia após a confirmação do primeiro caso de infecção no Japão, a empresa recebeu dez vezes mais pedidos do que o normal nas farmácias. O medo de ocorrer surto do coronavírus no Japão levou o dono de uma confeitaria em Hakone (província de Kanagawa) a usar uma aplicativo de tradução e afixar um cartaz manuscrito a tinta vermelha e em chinês com o aviso, em chinês: "Proibida a entrada de chineses. Não quero que espalhem o vírus". O proprietário recebeu muitas críticas da comunidade chinesa após a exposição do caso em redes sociais. Ao jornal Asahi, ele afirmou que pretendia reescrever o cartaz para deixar claro que queria se proteger do vírus, mas evitando ofensas a chineses. No entanto, o episódio foi visto como xenófobo por críticos. Desde maio de 2016, existe uma lei que visa acabar com o discurso do ódio, manifestações xenófobas e publicações na internet que estimulam a aversão contra estrangeiros. Porém, o texto em vigor não prevê punição, apenas solicita às autoridades e à sociedade que combatam esse tipo de comportamento. Em consequência, o proprietário da confeitaria de Hakone não será punido. Ele poderá, no máximo, receber recomendações das autoridades para não fazer mais isso. E mais críticas pelas redes sociais. Epicentro O surto do coronavírus tem seu epicentro em Wuhan, uma megalópole de 11 milhões de habitantes localizada na província de Hubei, centro da China. Os primeiros casos apareceram em meados de dezembro. Em três semanas, o coronavírus chegou à Tailândia, Coreia do Sul, Taiwan, Vietnã, Cingapura e Estados Unidos, Macau e Hong Kong. No Japão, o primeiro paciente confirmado positivo é um homem na faixa dos 30 anos que tinha viajado a Wuhan no final do ano. O governo japonês tem pedido às pessoas para evitar viagens desnecessárias à cidade chinesa, ao mesmo tempo que coleta informações sobre a doença para repassar aos japoneses que moram na China. Quarentena e turismo Aviso no aeroporto de Tóquio alerta para surto de coronavírus em Wuhan, na China Reuters Wuhan e as vizinhas Huanggang e Ezhou estão isoladas, em uma espécie de quarentena e com o serviço de transporte público suspenso. Autoridades pediram à população que não deixem a cidade, a não ser em circunstâncias especiais. A chegada do Ano Novo Lunar chinês aumentou a preocupação no Japão, pois visitar parentes no aguardado feriado que vai de 25 a 30 de janeiro costuma ser um forte argumento para sair de casa. O Japão é um dos principais destinos dos chineses neste período do ano, segundo o Instituto de Pesquisa de Turismo da China (COTRI). Em média, mais de 1 milhão deles costumam viajar para cidades como Kyoto e Tóquio, a passeio e compras, durante o feriado de Ano Novo. O impacto desses turistas na economia local é significativo. Dados do governo japonês revelam que no ano de 2018, o Japão recebeu cerca de 8,4 milhões de visitantes chineses que consumiram o equivalente a US$ 13 bilhões. Se fazer compras em farmácias já era comum, com o surto de coronavírus agora será roteiro obrigatório para adquirir termômetros e muitas máscaras cirúrgicas japonesas. Na quinta-feira (23/1), durante sessão no Parlamento japonês, o primeiro-ministro Shinzo Abe disse que o governo pedirá às companhias aéreas que nos voos da China façam anúncio solicitando aos passageiros que notifiquem a tripulação caso se sintam mal. Por semana, há mil voos ligando Japão e China. A companhia aérea ANA (All Nippon Airways) decidiu cancelar os voos de Narita à cidade de Wuhan e anunciou que a retomada das operações prevista para sábado vai depender do cenário. Há várias medidas preventivas sendo adotadas. Em alguns voos da companhia aérea Spring Airlines Japan, comissários de bordo começaram a distribuir máscaras cirúrgicas aos passageiros desde quarta-feira. No aeroporto de Kumamoto, sul do Japão, em várias partes foram afixados cartazes do Ministério da Saúde alertando para a propagação do coronavírus. Embora não haja voos diretos ligando a região à China, há o temor que pessoas infectadas embarquem em outros aeroportos conectados com Kumamoto, como Taiwan e Hong Kong. E como nas demais regiões, nas lojas de lá também as vendas de máscaras cirúrgicas têm crescido. Veja Mais

EUA confirmam segundo caso de coronavírus

Glogo - Ciência Paciente foi diagnosticado com infecção provocada pelo coronavírus em Chicago; centro de controle de doenças do país investiga 63 casos suspeitos da doença. Amostra laboratorial do coronavírus, que pode causar desde resfriados comuns até SARS e MERS Center for Desease Control and Prevention Os Estados Unidos confirmaram o segundo caso importado de infecção por coronavírus. Nesta sexta-feira (24) o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) informou que um paciente em Chicago, no estado de Illinois (norte do país), foi infectado pela doença que já atingiu mais de 900 pessoas em todo o mundo. China constrói hospital de 1 mil leitos como parte do esforço do país contra o novo coronavírus A paciente, uma mulher de 63 anos, viajou para a cidade de Wuhan, no centro da China. A localidade é considerada o epicentro da doença. No país asiático, ao menos 26 pessoas morreram por uma pneumonia grave causada pelo vírus. Nos EUA, as autoridades investigam 63 casos suspeitos de coronavírus. Segundo a agência de notícias Reuters, 11 casos já foram descartados pelo governo norte-americano. Raio X do novo coronavírus Amanda Paes e Cido Gonçalves/Arte G1 A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu o primeiro alerta da doença em 31 de dezembro de 2019, depois que as autoridades chinesas notificaram casos de uma misteriosa pneumonia na cidade de Wuhan. Foram, então, adotadas medidas como isolamento de pacientes e realização de exames para identificar a origem da doença. Apesar dos números, a OMS afirmou nesta quinta que "ainda é cedo" para declarar emergência internacional devido às infecções do coronavírus. Ciclo do novo coronavírus - transmissão e sintomas Aparecido Gonçalves/Arte G1 Países infectados Ao menos nove países tiveram casos confirmados de infecção por coronavírus. Na quinta-feira (23), Vietnã, Singapura e a Arábia Saudita registraram casos da doença que atingiu mais de 600 pessoas na China e deixou 18 mortos. O ministro da Saúde vietnamita disse na quinta que dois turistas chineses foram diagnosticados com coronavírus enquanto viajavam pelo país do sudeste asiático. Em Singapura, o governo confirmou o primeiro caso da doença no país. Dispersão do novo coronavírus pelo mundo Rodrigo Sanches/Arte G1 Na Arábia Saudita, uma enfermeira de origem indiana foi infectada pelo vírus. Ela estava em observação desde quarta-feira (22), mas nesta quinta o ministro de Relações Exteriores da Índia, Vellamvelly Muraleedharan, confirmou o caso em sua rede social. Japão, Tailândia, Taiwan, Coreia do Sul e Estados Unidos também registraram ao menos um caso de infecção respiratória desde o início do surto. Há ainda casos suspeitos em Hong Kong, nas Filipinas, na Austrália e no Reino Unido. VÍDEOS Surto de coronavírus: China confirma segunda morte fora do perímetro da doença Coronavírus: infectologista explica o que é o vírus, sintomas e prevenção Initial plugin text Veja Mais

Por que o ‘dínamo’ da Lua se apagou, levando o satélite a perder seu campo magnético

Glogo - Ciência Hoje a Lua está indefesa contra a radiação e os fortes ventos solares, mas há bilhões de anos ela possuía um escudo protetor, ainda mais poderoso do que o da Terra. Há bilhões de anos, o núcleo da Lua funcionava como um dínamo que gerava um campo magnético. Getty Images/BBC A vida na Terra é possível graças a um poderoso escudo invisível. É o campo magnético que bloqueia as partículas dos ventos solares que bombardeiam incessantemente nosso planeta. Graças a esse campo magnético também existem as bússolas, um elemento essencial na vida cotidiana. Sirius registra primeiras imagens com luz síncrotron de 4ª geração produzida no Brasil; VÍDEO A Lua, por outro lado, não possui um campo magnético em seu entorno, o que é um imenso desafio caso de uma eventual decisão de colonizá-la. Nosso satélite natural, no entanto, já teve um campo magnético bilhões de anos atrás. Os cientistas acreditam que ele já foi até mais forte do que o atual campo terrestre. Como esse campo magnético funcionou e por que ele praticamente desapareceu? Quando a Lua era 'jovem', a gravidade da Terra agitava seu núcleo o que gerava seu campo magnético Nasa Cavando entre as rochas Em uma pesquisa recente, um grupo de cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) analisou amostras de rochas lunares para encontrar a resposta para essas perguntas. Essas rochas, formadas há bilhões de anos, ainda mantêm traços do campo magnético que as cercava, por isso serviram aos pesquisadores para rastrear a evolução desse campo. A incrível jornada de uma pedra terrestre Cerca de 4 bilhões de anos atrás, o campo magnético da Lua era de 100 microteslas, que é a unidade de medida da densidade do fluxo magnético. Hoje, em comparação, o campo magnético da Terra é de 50 microteslas. Esse elemento no entorno da Lua, no entanto, desapareceu há cerca de 1 bilhão de anos. A Lua está cada vez mais distante da Terra Getty Images/BBC Por que desapareceu? Mas, para saber como ele desapareceu, primeiro os pesquisadores devem ter clareza sobre como surgiu esse campo magnético. A conclusão foi que esse escudo foi gerado por duas causas principais. A primeira é que, quando a Lua era jovem, cerca de 4 bilhões de anos atrás, ela estava muito mais próxima da Terra do que hoje. O campo magnético da Terra está se comportando de maneira imprevista Estando tão próxima, a força gravitacional da Terra teria agitado o núcleo líquido do satélite, o que criaria um poderoso dínamo. O movimento dele poderia gerar as correntes elétricas que formam o campo magnético. À medida que a Lua se afastava — ela ainda está se movendo quase quatro centímetros por ano —, a gravidade que agitava o dínamo perdia poder e foi ficando mais fraca, portanto, o campo magnético também perdeu força. O campo magnético da Terra a protege dos perigosos ventos solares. Getty Images/BBC Mais tarde, devido ao maior afastamento, cerca de 2,5 bilhões de anos atrás, a gravidade da Terra deixou de ter um efeito no núcleo lunar, que começou a se cristalizar. Essa cristalização fez os líquidos se moverem — e isso explica por que o núcleo da Lua continuava produzindo um campo magnético, embora ele seja muito mais fraco. Quando o núcleo se cristalizou completamente, o dínamo finalmente parou de funcionar. A análise das rochas mostrou que, cerca de um bilhão de anos atrás, o campo magnético da Lua era de 0,1 microteslas. Então os especialistas estimam que foi por essa data que ele finalmente desapareceu. Os pesquisadores, no entanto, ainda não sabem se o dínamo parou permanentemente ou se entrou em um ciclo de "pausa ativa" antes de desligar para sempre. VÍDEOS DE ASTRONOMIA Jovem estagiário da Nasa descobre um novo planeta Astrônomos observaram pela primeira vez o 'café da manhã' de um buraco negro Nobel de Física vai para pesquisas sobre o universo Veja Mais

Som da voz de múmia egípcia de 3 mil anos é reproduzido com ajuda de impressora 3D

Glogo - Ciência Pesquisadores da Universidade de Londres usaram tomografias para reproduzir o trato vocal da múmia. Modelo impresso foi aplicado em computador para produzir o som. Pesquisadores da Universidade de Londres divulgaram nesta quinta-feira (23) na revista "Scientific Reports" aquilo que seria um som da voz de um egípcio que viveu há 3 mil anos. Os cientistas realizaram tomografias na múmia selecionada, usaram os dados coletados para fazer uma impressão 3D e usaram o modelo resultante em uma simulação computadorizada. Múmia egípcia de cerca de 2,5 mil anos é identificada no interior do RS Pesquisadores recriam rosto da múmia egípcia de mais de 2,5 mil anos O responsável pelo estudo, David Howard, e a sua equipe conseguiram fazer a reprodução de um som que se assemelha a um "É" longo. (Ouça abaixo) Na divulgação da pesquisa, Howard afirmou que o som que ouvimos é o que seria produzido pelo trato vocal na posição em que ele está no sarcófago: deitado. O professor alerta que o som que eles produziram não é necessariamente o que o egípcio faria caso estivesse vivo, pois na reconstrução que fizeram faltam o palato mole e boa parte da língua. O estudo conseguiu analisar a posição das vias aéreas, ossos e estruturas de outros tecidos moles. O professor contou que antes de fazer este experimento na múmia, o mesmo método foi utilizado em pessoas vivas. O próprio pesquisador foi uma das cobaias da pesquisa, e ele afirma que chegou a resultados muito próximos da realidade. Em 2016, a múmia foi submetida a uma tomografia computadorizada em Leeds. Leeds Teaching Hospitals/Leeds Museums and Galleries via Nature Sobre a múmia A múmia que teve um som da voz recuperada chama-se Nesyamun. Ela foi um religioso mumificado na época do faraó Ramsés XI, que reinou a região do Egito, no início do século XI a.C. Os restos mortais de Nesyamun estão em um sarcófago em exibição permanente no Museu da Cidade de Leeds, na Inglaterra, há quase dois séculos. No artigo que revela a voz do egípcio, os professores contam que no caixão em que a múmia se encontra está o epíteto "maat kheru", que significaria "verdadeiro da voz". Em alguns outros escritos achados no sarcófago, Nesyamun pediu que sua alma receba sustento eterno, que seja capaz de se movimentar livremente, de ver e se dirigir aos deuses. Metodologia para criar a voz Os pesquisadores digitalizaram as tomografias e criaram, em uma impressora 3D, um trato vocal (imagem abaixo). A partir disso, os cientistas usam um aparelho, como se fosse um instrumento musical, que se chama Vocal Tract Organ (Órgão do trato vocal). Este instrumento é capaz de gerar o som como se fosse uma laringe eletrônica. O aparelho pode controlar a intensidade do som, a taxa e a profundidade do vibrato. Os cientistas pontuam que alguns detalhes, como a posição em que a múmia está, podem comprometer a precisão da voz. A esperança é que outros sons possam ser obtidos no futuro. Vista da imagem feitas a partir de tomografias e da reprodução do trato vocal da múmia Nesyamun Reprodução Nature Possibilidades de novas vozes Os pesquisadores acreditam que a descoberta pode trazer ganhos para a gestão de patrimônio e para as experiências em museus, que podem se transformar consideravelmente. Para eles, as vozes podem trazer uma nova forma de interação e aprendizagem para os frequentadores. Os cientistas defendem que a recuperação desta voz pode fazer com que a sociedade tenha um contato direto com o antigo Egito "ouvindo um som de um aparelho vocal que não é ouvido há mais de 3 mil anos, preservado através da mumificação e agora restaurado através desta nova técnica", diz o artigo. Howard confessa que gostaria de fazer o trabalho em outras múmias. "Se tivermos a permissão, podemos fazer exatamente a mesma coisa", afirmou. CCBB do RJ comemora 30 anos com exposição sobre o Egito antigo Veja Mais

Calor de erupção do monte Vesúvio transformou cérebro de vítima em vidro

Glogo - Ciência Encontrado em uma cidade fundada pelos romanos, o cérebro de um homem foi afetado pelo calor extremo. Fragmento encontrado pelos pesquisadores nas ruínas de Herculaneum New England Journal of Medicine/Pier Paolo O calor da mais notória erupção do Monte Vesúvio, na Itália, foi tão extremo que transformou o cérebro da uma das vítimas em vidro, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (23), na revista científica "New England Journal of Medicine". O famoso vulcão teve uma erupção no ano 79 d.C., matando milhares de pessoas e destruíndo assentamentos romanos na região onde hoje fica Nápoles. O vilarejo de Herculaneum e seus habitantes foram soterrados por material vulcânico. O local virou um enorme túmulo, preservando os restos mortais de quem estava por ali. Recentemente, uma equipe de pesquisadores estudou um dos corpos mumificados, desenterrado no vilarejo em uma escavação nos anos 1960, e retirou fragmentos de um material negro e envidraçado do crânio da vítima. Os pesquisadores acreditam que o material negro é formado pelos restos vitrificados do cérebro do homem. O estudo explica que vitrificação é um processo no qual um material, normalmente areia, é aquecido a altas temperaturas e resfriado rapidamente, formando vidro. Fragmento raro "A preservação de um cérebro antigo é algo extremamente raro, muito difícil de encontrar", diz o antropólogo forense Pier Paola Petrone, da Universidade de Nápoles Frederico 2º, principal autor do estudo. "Essa é a primeira vez que encontramos restos de cérebro humano vitrificados por calor." Os pesquisadores acreditam que a vítima era um homem de pouco mais de 20 anos de idade. Ele foi encontrado deitado em uma cama da madeira, enterrado por material vulcânico, em Herculaneum. Ele provavelmente foi morto instantaneamente pela erupção, diz Petrone. Uma análise da madeira queimada encontrada perto do corpo mostrou que a temperatura máxima atingida foi de 520°C. A vítima foi encontrada deitada em uma cama da madeira, enterrada por material vulcânico The New England Journal of Medicina/Dr. Pier Paolo Essa altíssima temperatura significa que "o calor extremo irradiado foi capaz de incendiar a gordura corporal e vaporizar tecidos macios", antes de uma "rápida queda de temperatura". O estudo conclui que houve vitrificação de tecido cerebral humano com base em vários indícios: a detecção de material envidraçado na cabeça da vítima, além de proteínas que existem no cérebro humano e de ácidos graxos que existem no cabelo humano. O material envidraçado não foi encontrado em outros locais do sítio arqueológico. Durante a erupção do Vesúvio, Herculaneum foi enterrada por rios de lava, rápidas correntes de rocha fragmentada, cinzas e gases quentes. O material vulcânico carbonizou e preservou parte da cidade, incluindo os esqueletos de moradores que não conseguiram escapar. Arqueólogos investigam há séculos as ruínas de Herculaneum e de Pompeia — outro vilarejo romano famoso por ter sido destruído pelo Vesúvio. Veja Mais

4 mitos e verdades sobre o que as grávidas podem comer ou beber

Glogo - Ciência Durante nove meses, grávidas devem seguir uma dieta rigorosa. Mas é verdade que não podem consumir alimentos como peixe cru, queijos e cafeína? Recomenda-se que as mulheres grávidas consumam produtos lácteos pasteurizados Getty Images via BBC Não coma peixe ou carne crua. Nem pense em certos tipos de queijos, como gorgonzola, brie ou camembert. Tenha cuidado com ovos. E nem cogite café ou bebidas alcoólicas: são proibidos. Durante 9 meses, as grávidas devem seguir uma dieta rigorosa que, para muitas, significa abrir mão de uma parte importante de seus prazeres à mesa. A possibilidade de adoecer ou pegar um vírus existe e é algo pelo que nenhuma mulher deseja passar na gravidez. Mas, de qualquer forma, há algumas que adotam regras mais flexíveis. O argumento é sempre o mesmo: o médico permitiu que comessem um determinado alimento contanto que venha de uma fonte confiável. Mas, afinal, quais são realmente os alimentos que as grávidas devem evitar? E por quê? 1) Comer carne e peixe crus é proibido? O risco de carne crua é a toxoplasmose, uma doença que pode prejudicar o feto Getty Images via BBC Vamos por partes. Primeiro, o mais óbvio: é seguro comer carne e peixe crus? O Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla em inglês) considera a carne crua arriscada porque representa um risco de contrair toxoplasmose. Davide Casagrandi, obstetra dos Hospitais da University College London (UCLH), explica que a doença é causada pelo protozoário Toxoplasma gondii e pode ser transmitida para o feto. Embora o especialista ressalte que "é uma doença muito rara", ele recomenda cautela. "Quanto mais cozida a carne, melhor", diz ele. Quanto ao peixe cru, a história é diferente. O NHS diz que é seguro comer desde que tenha sido previamente congelado. "Isso ocorre porque, ocasionalmente, os peixes selvagens contêm pequenos vermes parasitas que podem causar doenças. O congelamento mata os vermes e torna seguro o consumo de peixes crus. Cozinhar também os mata", diz Casagrandi. Mesmo assim, o NHS considera seguro comer peixe cru em pratos como o sushi, porque a maioria é feita com "peixe de cativeiro" que, devido aos métodos de criação, dificilmente contém parasitas. A economista americana Emily Oster decidiu fazer uma pesquisa intensa quando estava grávida. A autora do livro Expecting Better, sobre mitos e verdades sobre a gestação, explica que há algumas noções sobre dieta que as gestantes devem respeitar. No caso do peixe cru, Oster afirma que, quando consumido, é "muito raro" contrair uma doença. "Alguns alimentos, como sushi, têm componentes que podem deixar você doente, mas não são especialmente perigosos para o bebê", diz ela. O NHS considera seguro comer peixe cru em pratos como sushi, porque, segundo eles, a maioria é feita com 'peixe de cativeiro' Getty Images via BBC Outros alimentos crus, como ovos, no entanto, devem ser evitados, diz Casagrandi, porque podem provocar como a contaminação por salmonela, que podem prejudicar o feto. Já os vegetais podem ser consumidos crus se forem bem lavados. 2) Queijos podem causar listeriose? Em geral, há um consenso de que as grávidas devem evitar queijos macios com crosta branca, como brie ou camembert. Também não é bom consumir outros queijos macios, como o gorgonzola ou o roquefort. Todos eles são seguros apenas se tiverem sido cozidos, explica o NHS. A razão por trás desta recomendação é a listeriose, uma infecção muito rara, mas que, se adquirida, pode causar danos ao feto. Portanto, recomenda-se consumir apenas queijos "pasteurizados". "Se é pasteurizado e segue todos os padrões internacionais, é seguro. Mas há certos queijos artesanais com os quais é recomendável ter mais cuidado, embora não sejam contraindicados", explica Casagrandi. "A listeriose é relativamente rara. Há mulheres que procuram o médico convencidas de que têm, mas é muito menos frequente do que se imagina." Oster afirma que, de acordo com os resultados de sua pesquisa, é muito raro um queijo conter a bactéria Listeria monocytogenes, que causa a doença. Quanto aos outros tipos de queijo, o NHS diz que grávidas podem comer todos os que são "duros", como parmesão. "Queijos duros não contêm tanta água quanto queijos macios, então, as bactérias têm menos chance de crescer neles", explica o serviço nacional de saúde britânico. 3) A cafeína aumenta o risco de aborto? E bebida alcóolica, pode? Normalmente, grávidas pensam que devem abandonar o prazer de tomar café pela manhã, porque a cafeína aumentaria o risco de aborto, uma ideia que Casagrandi e Oster refutam. O café em doses moderadas não causa danos ao feto, explica obstetra Getty Images via BBC "Os indícios sobre o risco de aborto são bastante fracos. Quando você vê estudos comparativos de mulheres que consumiram café, não há realmente nenhuma prova de que elas tinham um risco maior de aborto, a menos que tenham bebido um grande número de doses (ao dia), como dez ou mais", diz Oster. Casagrandi afirma que não está provado que quantidades pequenas de cafeína prejudicam a gestação. "Ninguém contraindica uma ou duas xícaras por dia, embora seja recomendável não exagerar." Mas o cenário é diferente para as bebidas alcoólicas. "Há um consenso de que você não deve beber ou fumar", diz o obstetra, sobretudo se for em excesso, porque isso pode ter consequências físicas e mentais para o feto. "De acordo com as evidências, beber ocasionalmente não tem as mesmas consequências de quando se bebe demais", diz Oster. 4) Comidas picantes e abacaxi aceleram o parto? Segundo a crença popular, há certos alimentos que podem acelerar o processo de nascimento, como comidas picantes ou abacaxi. Também há outras coisas que podem ajudar, como fazer sexo ou estimular os mamilos. Mas isso é verdade? Segundo Oster, "infelizmente, todas essas coisas são inúteis para acelerar o parto". "Você pode ingerir comida apimentada, mas isso não ajuda", diz ela. Casagrandi diz que não há evidências científicas sólidas que indiquem isso. "É possível, ninguém nega que seja possível, mas nenhum estudo em larga escala foi feito para afirmar que é verdade", diz o obstetra. Veja Mais

Ministério da Saúde diz que está em alerta inicial para coronavírus

Glogo - Ciência Governo de Minas disse ontem que caso suspeito era investigado em BH; Ministério da Saúde nega que caso se enquadre. Ministério da Saúde diz que está em alerta inicial para coronavírus Governo de Minas disse ontem que caso suspeito era investigado em BH; Ministério da Saúde nega que caso se enquadre. Veja Mais

Sobe para 9 o número de países com casos confirmados de coronavírus

Glogo - Ciência Estados Unidos, Arábia Saudita, China e outros países da Ásia registram centenas de casos; transmissão entre humanos causa pneumonia. Passageiros usam máscaras para evitar a contaminação pelo coronavírus em estação ferroviária de alta velocidade, em Hong Kong, nesta quarta-feira (22) Kin Cheung/AP Ao menos nove países tiveram casos confirmados de infecção por coronavírus. Na quinta-feira (23), Vietnã, Singapura e a Arábia Saudita registraram novos casos da doença que atingiu mais de 600 pessoas na China e deixou 17 mortos. O ministro da Saúde vietnamita disse na quinta que dois turistas chineses foram diagnosticados com coronavírus enquanto viajavam pelo país do sudeste asiático. Em Singapura, o governo confirmou o primeiro caso da doença no país. Perguntas e respostas: o que se sabe sobre o coronavírus Rússia trabalha na criação de vacina Após 1º caso, Trump diz que EUA têm plano Na Arábia Saudita, uma enfermeira de origem indiana foi infectada pelo vírus, ela estava em observação desde quarta-feira (22) mas nesta quinta o ministro de Relações Exteriores da Índia, Vellamvelly Muraleedharan, confirmou o caso em sua rede social. Japão, Tailândia, Taiwan, Coreia do Sul e Estados Unidos também registraram ao menos um caso de infecção respiratória desde o início do surto. Há ainda casos suspeitos no México, em Hong Kong, nas Filipinas e na Austrália. A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu o primeiro alerta da doença em 31 de dezembro de 2019, depois que as autoridades chinesas notificaram casos de uma misteriosa pneumonia na cidade de Wuhan. Foram, então, adotadas medidas como isolamento de pacientes e realização de exames para identificar a origem da doença. Quarentena em cidades chinesas A China suspendeu a circulação de trens em mais duas cidades do país para tentar conter uma epidemia de coronavírus. A medida foi tomada nesta quinta-feira (23) nos municípios de Huanggang, onde vivem 7,5 milhões de habitantes, e em Ezhou, com cerca de 1 milhão de moradores. Antes, o governo chinês já havia adotado medidas para isolar Wuhan. As três cidades fazem parte da província de Hubei. Em Huanggang a circulação de trens de longa distância que partem ou chegam à cidade foi interrompida. A medida vale até o final desta quinta e poderá estendida pelas autoridades locais. Do outro lado do rio Yangtzé está a cidade de Ezhou, que também amanheceu com a estação central de trens fechada. O governo da capital chinesa decidiu cancelar as festas populares que estavam previstas para a celebração do Ano Novo chinês que começariam na sexta-feira (25) como medida de proteção diante da epidemia que já deixou 17 mortos no país. Todos os anos, milhares de habitantes de Pequim se espalham por parques e espaços públicos para assistir aos tradicionais bailes do leão e do dragão. Ministério da Saúde descarta caso em MG A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) investiga a suspeita de um caso de coronavírus em Belo Horizonte. A paciente é uma mulher, brasileira, de 35 anos, que veio de Xangai, na China. O Ministério da Saúde, no entanto, disse que, até o momento, não há detecção de nenhum caso suspeito no Brasil de pneumonia "relacionado ao evento na China". A pasta falou também que "o caso noticiado pela SES-MG não se enquadra na definição de caso suspeito da Organização Mundial da Saúde (OMS)". A SES informou que o caso em questão foi notificado ao órgão como suspeito e que as investigações "precisarão seguir o curso definido até sua conclusão". Entenda o que é e como age o coronavírus Initial plugin text Veja Mais

Pequim cancela festas de Ano Novo chinês por conta de epidemia de coronavírus

Glogo - Ciência As festividades aconteceriam na sexta-feira e seguem o calendário lunar; governo regional quer frear novos casos de infecção pulmonar no país que já tem duas cidades em quarentena. Pedestre cobre o rosto com máscara sanitária em frente a decoração do ano novo chinês. Foto de 23 de janeiro de 2018. Miguel Candela Poblacion/Anadolu Agency A prefeitura de Pequim anunciou nesta quinta-feira (23) o cancelamento das populares cerimônias previstas para o Ano Novo chinês, como medida de proteção diante da epidemia provocada pelo novo coronavírus, que já deixou 17 mortos no país. O feriado e as festas começam na sexta-feira (25) e duram uma semana. Todos os anos, milhares de habitantes de Pequim se espalham por parques e espaços públicos para assistir aos tradicionais bailes do leão e do dragão. Perguntas e respostas: o que se sabe sobre o coronavírus Rússia trabalha na criação de vacina Após 1º caso, Trump diz que EUA têm plano Além da concentração na capital chinesa, milhões de viajantes aproveitam o feriado para visitar diversas partes do continente asiático e se encontrar com suas famílias, o que causa um dos maiores movimentos de pessoas do planeta em uma mesma época. No ano passado, a estatal responsável pelos transportes ferroviários do país levou mais de 400 milhões de viajantes no período do Ano Novo lunar, segundo a agência de notícias Xinhua. Cidades em quarentena A China suspendeu a circulação de trens e transportes de massa em ao menos duas cidades do país para tentar conter uma epidemia de coronavírus. A medida foi tomada em Wuhan, epicentro do surto e no município de Huanggang. A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu o primeiro alerta da doença em 31 de dezembro de 2019, depois que as autoridades chinesas notificaram casos de uma misteriosa pneumonia na cidade de Wuhan. Foram, então, adotadas medidas como isolamento de pacientes e realização de exames para identificar a origem da doença. Segundo a agência France Presse, nesta quinta o prefeito de Huanggang suspendeu a circulação de trens da cidade, situada a 70 quilômetros de Wuhan. A medida vale até o final do dia e poderá ser estendida pelas autoridades locais. Cronologia da expansão do novo coronavírus descoberto na China Casos de coronavírus em outros cinco países Além da China, outros 5 países já registraram pacientes afetados pelo vírus, que provoca um tipo de pneumonia: Estados Unidos, Japão, Tailândia, Taiwan e Coreia do Sul Há ainda casos suspeitos no México, em Hong Kong, nas Filipinas e na Austrália. A geolocalização do dos infectados pelo coronavírus. Arte/G1 Ministério da Saúde descarta caso em MG A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) investiga a suspeita de um caso de coronavírus em Belo Horizonte. A paciente é uma mulher, brasileira, de 35 anos, que veio de Xangai, na China. O Ministério da Saúde, no entanto, disse que, até o momento, não há detecção de nenhum caso suspeito no Brasil de pneumonia "relacionado ao evento na China". A pasta falou também que "o caso noticiado pela SES-MG não se enquadra na definição de caso suspeito da Organização Mundial da Saúde (OMS)". A SES informou que o caso em questão foi notificado ao órgão como suspeito e que as investigações "precisarão seguir o curso definido até sua conclusão". VÍDEOS China tem 17 mortes e quase 600 pessoas infectadas pelo coronavírus Caso suspeito de contaminação por coronavírus é registrado em Belo Horizonte Entenda o que é e como age o coronavírus Initial plugin text Veja Mais

A missão espacial que vai criar 'impressão digital' da Terra e ajudar a combater mudanças climáticas

Glogo - Ciência Satélite de projeto liderado pelo Reino Unido tem como objetivo medir a luz refletida na superfície da Terra. Ilustração: Truths trabalhará com outros satélites para calibrar e validar suas observações UKSA/NPL O Reino Unido vai liderar uma missão espacial para fazer uma medida absoluta da luz refletida na superfície da Terra. As informações serão usadas para calibrar as observações de outros satélites, permitindo que seus dados sejam comparados com mais facilidade. Os planos para desenvolvimento da nova sonda, chamada de Truths, foram aprovados em novembro pelos países da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês). O objetivo é que os dados ajudem a reduzir a incerteza nas projeções de futuras mudanças climáticas. Cientistas e engenheiros se reuniram na terça-feira (22) para começar o processo. Representantes da indústria do Reino Unido, Suíça, Grécia, República Tcheca e Romênia se reuniram no centro técnico da Esa, na Inglaterra. A fase inicial do projeto conta com financiamento de 32,4 milhões de euros (R$ 160 milhões). A liderança científica da missão ficará sob responsabilidade do Laboratório Nacional de Física do Reino Unido (NPL, na sigla em inglês). O NPL é o guardião dos "padrões" no Reino Unido — tem as referências para o quilograma, o metro, o segundo e todas as outras unidades usadas no sistema internacional de medição. É nesse laboratório que se mede com precisão, por exemplo, a intensidade de uma fonte de luz — algo que pode ser feito usando um dispositivo chamado radiômetro criogênico. E o objetivo da missão Truths é colocar um instrumento desses em órbita. Mapa da luz Trabalhando em conjunto com uma câmera hiperespectral, o radiômetro fará um mapa detalhado da luz solar refletida na superfície da Terra — e de seus desertos, campos de neve, florestas e oceanos. O mapa deve ter uma qualidade tão boa que é esperado que se torne a referência padrão para todas as outras missões espaciais de imagem, que poderão ajustar e corrigir suas próprias observações. Isso pode simplificar a comparação das imagens de diferentes satélites, não apenas das missões que voam hoje, mas também daquelas que há muito foram aposentadas e cujos dados agora estão em arquivos. Um dos grandes objetivos da missão Truths é, ao medir a luz refletida pela Terra com tanta precisão, estabelecer um tipo de "impressão digital climática" que uma versão futura do satélite, 10 a 15 anos depois, pode refazer. "Ao fazer isso, seremos capazes de detectar mudanças muito antes do nosso sistema de observação atual", explicou Nigel Fox, professor da NPL. "Isso nos permitirá limitar e testar os modelos de previsão climática. Portanto, saberemos mais cedo se as temperaturas previstas que os modelos estão nos dando são consistentes ou não com as observações". Um grande plano de como implementar a missão Truths deve estar pronto até a próxima grande reunião de pesquisadores dos Estados-membros da Esa, em 2022. O trabalho de viabilidade também precisará chegar a um custo total para o projeto, provavelmente por volta de 250 a 300 milhões de euros (R$ 1,2 a 1,4 bilhão). Exceto por obstáculos técnicos, os ministros devem dar sinal verde à missão com um lançamento em 2026. O Reino Unido deve arcar com a maior parte do custo da implementação da missão. "O NPL é notável. Tem o 'tempo padrão' para o mundo, tem o padrão do metro. Gostamos de pensar em nós mesmos liderando na área de mudanças climáticas, por isso devemos fornecer a referência padrão para radiação da Terra", disse Beth Greenaway, chefe de observações da Terra e clima da Agência Espacial do Reino Unido. Truths é um acrônimo, em inglês, para "Radiometria Rastreável de Apoio aos Estudos Terrestres". Será sensível à luz na parte visível e no infravermelho próximo do espectro eletromagnético. A Esa concordou recentemente em implementar outra missão liderada pelo Reino Unido chamada Forum, que mapeará a radiação da Terra de forma mais precisa. Veja Mais

Paciente em MG 'não se enquadra na definição de caso suspeito' de coronavírus, diz ministério

Glogo - Ciência Governo federal diz que não há detecção de nenhum caso suspeito no Brasil de "Pneumonia Indeterminada" relacionado ao evento na China. Entenda o que é e como age o coronavírus O Ministério da Saúde informou em nota que o caso investigado pelas autoridades em Minas Gerais não se enquadra na definição de caso suspeito de coronavírus. Segundo a pasta, até a tarde desta quarta-feira (22) não há detecção de nenhum caso suspeito no Brasil de "Pneumonia Indeterminada" relacionado ao evento na China. Perguntas e respostas: o que se sabe sobre o coronavírus Rússia trabalha na criação de vacina Após 1º caso, Trump diz que EUA têm plano "O caso noticiado pela SES/MG não se enquadra na definição de caso suspeito da Organização Mundial da Saúde (OMS), tendo em vista que o paciente esteve em Xangai, onde não há, até o momento, transmissão ativa do vírus. De acordo com a definição atual da OMS, só há transmissão ativa do vírus na província de Whuan", informou o governo federal. Minas Gerais investiga 1º caso suspeito de coronavírus Caso em Belo Horizonte A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) disse que investiga a suspeita de coronavírus em Belo Horizonte. A paciente é uma mulher, brasileira, de 35 anos, que veio de Xangai, na China. De acordo com a SES, exames capazes de confirmar ou descartar a hipótese estão em andamento. A paciente foi recebida na terça-feira (21) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A paciente desembarcou na capital mineira no dia 18 de janeiro. "Tendo em vista o contexto epidemiológico atual do país onde a paciente esteve, foi considerada a hipótese de doença causada pelo novo coronavírus, que é microorganismo de alerta sanitário internacional, considerando o potencial pandêmico com alto risco à vida e impacto assistencial", informou a nota da SES. A mulher está internada no Hospital Eduardo de Menezes, na Região do Barreiro, em Belo Horizonte. A paciente está clinicamente estável. Segundo a SES, a paciente não esteve na região de Wunhan, megalópole de 11 milhões de habitantes, em que foram registrados os primeiros casos de contaminação. Amostra laboratorial do coronavírus, que pode causar desde resfriados comuns até SARS e MERS Center for Desease Control and Prevention Initial plugin text Veja Mais

A razão pela qual a temperatura do corpo humano diminuiu nos últimos 200 anos

Glogo - Ciência Pesquisa mostra que a nossa temperatura vem caindo a cada decáda desde o século 19. Nova pesquisa afirma que desde 1800 a temperatura corporal vem diminuindo de maneira constante a cada década Getty Images via BBC Enquanto o planeta esquenta, o corpo humano esfria. É o que sugere um novo estudo da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Os autores da pesquisa afirmam que, nos últimos 200 anos, a temperatura do corpo humano vem diminuindo de maneira "substancial e contínua". "Nossa temperatura não é a que as pessoas imaginam", diz Julie Parsonnet, professora de medicina da universidade e coautora do estudo. Esta nova pesquisa afirma que desde 1800 a temperatura corporal vem diminuindo de maneira constante a cada década. De acordo com os pesquisadores, os homens nascidos nos anos 2000 têm uma temperatura 0,59° C mais baixa do que os nascidos no século 19. Já as mulheres que nasceram no fim do século 20 e no início do século 21 têm uma temperatura corporal 0,32° C menor que as que nasceram nos anos 1800. Os pesquisadores analisaram a temperatura corporal de pessoas nascidas desde 1800 Getty Images via BBC Menos quente A ideia de que a temperatura padrão do corpo humano seria de 37° C foi difundida pela primeira vez em 1851 pelo médico alemão Carl Reinhold August Wunderlich. Estudos mais recentes, no entanto, já haviam questionado esse conceito. Um deles, por exemplo, analisou a temperatura corporal de 25 mil britânicos — e descobriu que a média era de 36,6 °C. Na nova pesquisa, Parsonnet e sua equipe analisaram os registros de temperatura de mais de 677 mil pessoas nascidas entre 1800 e o final dos anos 1990 nos Estados Unidos. A análise mostrou que, a cada década nesse período, a temperatura do corpo humano caiu 0,03° C. Isso significa que, em média, a temperatura corporal é hoje 1,6% menor que na era pré-industrial. Qual o motivo? Os pesquisadores afirmam que a queda da temperatura está relacionada à redução do que eles chamam de "taxa metabólica" — em outras palavras, a quantidade de energia que o corpo humano usa para funcionar. Mas por que ocorreu a redução? Os autores acreditam que o motivo está na diminuição, de uma maneira geral, das inflamações no organismo. "Uma inflamação produz proteínas que aceleram o metabolismo e aumentam a temperatura", explica Parsonnet. E, de acordo com os pesquisadores, a menor incidência de inflamações pode estar relacionada ao fato de que, nos últimos 200 anos, os tratamentos médicos e os hábitos de higiene melhoraram significativamente. Os cientistas também indicam que viver em ambientes menos variáveis ​​pode ter diminuído a taxa metabólica. No século 19, por exemplo, não havia bons sistemas de calefação ou ar-condicionado. Hoje, como vivemos em ambientes mais estáveis, o corpo precisa gastar menos energia para manter sua temperatura constante. "Somos simplesmente diferentes do que éramos no passado", diz Parsonnet. O estudo tem a limitação de que levou em conta apenas pessoas de um país desenvolvido — no caso, os Estados Unidos. Os autores argumentam, no entanto, que a descoberta permite entender melhor as mudanças na saúde e na longevidade dos seres humanos nos últimos 200 anos. Veja Mais

Coronavírus na China: perguntas e respostas sobre doença pulmonar que matou nove pessoas e chegou a seis países

Glogo - Ciência Autoridades afirmam que se trata de um novo tipo de conronavírus, mas ainda não descobriram de onde ele vem. China confirma nove mortes provocadas pelo coronavírus; já são 440 casos Um vírus desconhecido pela ciência até há pouco vem causando uma doença pulmonar grave em centenas de pessoas na China, e já foi detectado em outros cinco países. Ao menos nove pessoas morreram em decorrência do vírus, que surgiu em dezembro passado na cidade chinesa de Wuhan. China tem 9ª morte provocada pelo coronavírus; já são mais de 400 casos EUA têm primeiro caso de coronavírus Há centenas de casos confirmados da doença, e o número deve subir, segundo especialistas, para quem o surgimento de vírus que levam pacientes a terem pneumonia é sempre motivo de preocupação. A Organização Mundial da Saúde cogita declarar nesta quarta-feira uma situação de emergência de saúde pública de caráter internacional em torno do vírus, assim como fez com a gripe suína e o ebola. Mas esse é mais um caso de doença "que vem e passa" ou é o primeiro sinal de algo muito mais perigoso? Houve quase 50 casos confirmados do novo coronavírus Getty images via BBC O que é esse vírus? Chamado de 2019-nCoV, o vírus causa febre, tosse, falta de ar e dificuldade em respirar. Amostras do vírus foram coletadas de pacientes e analisadas em laboratório, e autoridades da China e da Organização Mundial da Saúde concluíram que a infecção é um coronavírus. Os coronavírus são uma ampla família de vírus, mas sabe-se que apenas seis deles (com o novo descoberto são sete) infectam humanos. A Síndrome Respiratória Aguda Grave (conhecida pela sigla em inglês Sars), que é causada por um coronavírus, matou 774 das 8.098 infectadas em uma epidemia que começou na China em 2002. "Há uma memória forte da Sars, e é daí que vem muito medo, mas nós estamos muito mais preparados para lidar com esses tipos de doenças", afirmou Josie Golding, da Wellcome Trust, organização não governamental sediada no Reino Unido. Estudantes aguardam para medir a temperatura em medida de controle para o contágio do coronavírus Mers na Coreia do Sul nesta segunda-feira (15) Han Sang-kyun/Yonhap/Reuters A situação é grave? Coronavírus podem causar desde um resfriado comum até a morte do paciente infectado. O novo vírus aparentemente está em algum lugar no meio do caminho entre esses dois extremos. "Quando encontramos um novo coronavírus, buscamos saber quão severos eram os sintomas, e eles são mais parecidos aos de um resfriado, o que gera preocupação, mas não são tão graves quanto os da Sars", afirmou o professor Mark Woolhouse, da Universidade de Edimburgo. De onde ele surgiu? Novos vírus são descobertos a todo momento. Grande parte pula de outras espécies, onde passam despercebidos, para os humanos. "Se tivermos em mente as epidemias passadas, e se este é um novo coronavírus, ele terá vindo de um outro animal", afirmou Jonathan Ball, virologista da Universidade de Nottingham, no Reino Unido. A Sars passou para os humanos a partir de um animal selvagem conhecido como civeta (ou gato-de-algália, parente do guaxinim) — que era considerado uma iguaria na região de Guangdong, na China. Já a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers, na sigla em inglês), que matou 858 dos 2.494 pacientes identificados com a infecção desde 2012, geralmente pula de dromedários. E de que animal ele vem? Uma vez que é identificado o animal reservatório, como é chamado o ser vivo onde um agente infeccioso vive e se multiplica, é muito mais fácil lidar com isso. Os casos têm sido associados ao mercado público de frutos do mar em Wuhan. Ainda que alguns mamíferos aquáticos possam portar o coronavírus, como a baleia-beluga, também são comercializados no mercado outras classes de animais selvagens vivos, o que inclui galinhas, morcegos, coelhos e cobras — e são apontados como fontes mais prováveis. E por que a China? Woolhouse, da Universidade de Edimburgo, afirmou que a China tem mais casos desse tipo por causa do tamanho de seu território, de sua densidade populacional e do contato próximo que algumas pessoas têm com animais infectados. "Ninguém fica surpreso que o próximo surto seja na China ou naquela parte do mundo", disse. Essa doença se alastra facilmente? Autoridades chinesas afirmam que há casos de transmissão do vírus de uma pessoa para outra, envolvendo inclusive profissionais de saúde que foram infectados durante o tratamento de pacientes com a mesma doença. Autoridades de Wuhan afirmaram na segunda-feira (20) que 136 novos casos de 2019-nCoV e uma terceira vítima fatal foram confirmados no fim de semana. Até então, eram 62 casos oficiais. Há uma grande preocupação em torno de novos vírus que infectam pulmões, já que tosses e espirros são meios altamente eficazes de alastramento de uma doença. Ainda é muito cedo, no entanto, para estimar quantas pessoas podem ficar doentes. De acordo com Li Bin, vice-chefe da Comissão Nacional de Saúde, estima-se que quase 2,2 mil pessoas tenham tido contato com pacientes infectados. E não foi identificado nenhum "super espalhador", ou seja, um paciente que tenha transmitido o vírus para mais de dez pessoas. E a doença está se espalhando rapidamente? Estimava-se que o surto fosse limitado, mas novos casos têm sido registrados desde dezembro. Ainda que as notificações estejam concentradas em Wuhan, há casos registrados na Tailândia, no Japão, na Coreia do Sul e nos Estados Unidos. Todos envolvem pessoas que são de Wuhan ou visitaram a cidade chinesa. Especialistas afirmam que deve haver mais casos que ainda não foram identificados — estima-se que a cifra esteja em torno de 1,7 mil pessoas infectadas. Um relatório do Centro do Imperial College de Londres para Análise de Doenças Infecciosas Globais diz: "É provável que o surto em Wuhan de um novo coronavírus tenha causado substancialmente mais casos de infecções respiratórias moderadas e graves do que foi divulgado". Há uma grande preocupação em torno do Ano Novo chinês, no fim de janeiro, período em que centenas de milhões de pessoas viajam. Cingapura e Hong Kong tem escaneado passageiros que chegam de avião de Wuhan, medida que autoridades dos Estados Unidos passaram a adotar desde a última sexta-feira em três grandes aeroportos em San Francisco, Los Angeles e Nova York. No Brasil, o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde informa que não há nenhum caso suspeito, mas a pasta diz que enviou comunicado às representações da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) em portos e aeroportos para que viajantes sejam orientados a tomar medidas de precauções em viagens ao exterior e para a "revisão dos principais aeroportos de conexão provenientes da China para identificação e mensuração dos riscos". Como as autoridades chinesas têm respondido ao surto? Pessoas infectadas têm sido submetidas a tratamentos com isolamento a fim de minimizar o risco de alastramento da doença. Em Wuhan, que é um hub de transportes do país, há quase uma semana as autoridades iniciaram o uso de scanners de temperatura em aeroportos e estações de trem e ônibus. Pessoas com sinais de febre têm sido registradas, recebido máscaras e encaminhadas a hospitais e clínicas. O mercado de frutos do mar local foi fechado para limpeza e desinfecção, e há operações de esterilização e ventilação de transportes públicos. Autoridades chinesas também têm recomendado à população que pare de viajar em direção a Wuhan (ou saindo dela) e evite aglomerações na cidade, onde vivem 11 milhões de pessoas — a título de comparação, o município mais populoso do Brasil, São Paulo, tem 12,3 milhões de habitantes. A orientação em locais de risco é evitar o contato "desprotegido" com animais ou com pessoas com sintomas semelhantes aos de gripe e resfriado. Além disso, recomenda-se que carnes e ovos só sejam ingeridos depois de devidamente cozidos. Quão preocupados estão os especialistas? Por enquanto, a Organização Mundial da Saúde não recomenda restrições em viagens ou no comércio internacional em decorrência do vírus, mas ao mesmo tempo tem oferecido orientação a países para se prepararem. Uma eventual declaração de situação de emergência de saúde pública global pela OMS pode tanto facilitar a coordenação internacional e a arrecadação de verbas para o combate à disseminação de uma doença, por exemplo, quanto dar início a uma série de recomendações que devem ser seguidas pelos países afetados e seus vizinhos. Golding, da Wellcome Trust, afirmou que, por ora, "até termos mais informações, como a fonte, é muito difícil saber quão preocupados nós devemos ficar". Para Ball, da Universidade de Nottingham, "nós devemos nos preocupar com qualquer vírus que chegue aos humanos pela primeira vez, porque ele superou uma primeira grande barreira". "Uma vez dentro de uma célula humana e se replicando, pode começar a gerar mutações que podem permitir que ele se espalhe mais facilmente e se torne mais perigoso." E completa: "Nós não queremos dar ao vírus essa oportunidade". Veja Mais

EUA têm primeiro caso de coronavírus

Glogo - Ciência China e outros países da Ásia registram centenas de casos; transmissão entre humanos causa pneumonia. Amostra laboratorial do coronavírus, que pode causar desde resfriados comuns até SARS e MERS Center for Desease Control and Prevention Os Estados Unidos confirmaram a primeira infecção por coronavírus, de acordo com informações dos Centros de Controle e Prevanção de Doenças (CDC, sigla em inglês), que acompanham o surto no país e no exterior. Quase 300 pessoas apresentaram o vírus na China, com seis mortes devido à doença. Japão, Tailândia, Taiwan e Coreia do Sul também foram afetados. Coronavírus na China: após casos triplicarem, o que se sabe sobre a misteriosa doença Novo vírus que causa doença pulmonar misteriosa gera temor na China De acordo com a imprensa americana, um viajante da China foi diagnostiado em Seattle, cidade dos EUA. A identidade está sendo preservada pelas autoridades de saúde do país. O coronavírus causa um tipo de pneumonia que é transmitida de pessoa para pessoa. A origem do vírus ainda não foi identificada, mas a fonte primária é provavelmente um animal, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). As autoridades chinesas vincularam o surto a um mercado de frutos do mar na cidade chinesa de Wuhan, onde os primeiros casos foram registrados. Empregados de uma companhia sanitária desinfetam chão do aeroporto internacional Gimpo, em Seul Kim Hong-Ju Surto na China A cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, confirmou 258 infecções pelo vírus e seis mortes, disse o prefeito Zhou Xianwang. As autoridades de saúde da China informaram que outros 14 casos foram registrados na província de Guangdong, no sul. Mais cinco infecções ocorreram em Pequim e outras duas em Xangai. "As informações sobre infecções relatadas recentemente sugerem que agora pode haver transmissão humano a humano", disse o diretor regional da OMS para o Pacífico Ocidental, Takeshi Kasai. Os novos casos trouxeram de volta os registros da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), outro tipo de coronavírus que surgiu na China nos anos de 2002 e 2003, resultando na morte de quase 800 pessoas em uma pandemia global. Dois casos já foram identificados na Tailândia, um no Japão e um na Coreia do Sul, enquanto as Filipinas também relataram nesta terça-feira um primeiro caso suspeito. Taiwan, ilha autogovernada que a China reivindica como sua, também confirmou uma infecção pelo vírus, uma mulher que retornou de trabalho em Wuhan. Veja Mais

Farmacêuticas anunciam recall de medicamento para úlcera no estômago

Glogo - Ciência Os laboratórios brasileiros Medley e Aché iniciaram um recolhimento voluntário de remédios com base em cloridrato de ranitidina por conta de uma possível contaminação de N-nitrosodimetilamina, substância que pode causar câncer. Ao menos duas farmacêuticas recolheram medicamentos usados no tratamento de úlcera gástrica por conta da possível contaminação de uma substância de potencial cancerígeno. Nesta segunda-feira (20), a Medley anunciou o recall de remédios a base de cloridrato de ranitidina, que podem estar contaminados com. Em dezembro do ano passado a Aché suspendeu a comercialização e a fabricação de medicamentos com este composto. Em nota publicada na terça-feira (14), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou “fortemente” que as empresas reavaliem os métodos de processamento para evitar a contaminação. Em setembro do ano passado, a agência suspendeu a importação de ranitidina fabricada por um laboratório indiano por conta da detecção de N-nitrosodimetilamina (NDMA) na composição. Medley anunciou o recolhimento de medicamento por possível contaminação com impureza de potencial cancerígeno Reprodução/Medley Segundo a Anvisa, a suspensão de medicamentos contaminados com NDMA é uma medida preventiva, porque estudos em animais classificaram a molécula como um potencial agente cancerígeno. O que vai ser recolhido? Foi anunciado o recolhimento de medicamentos de dois laboratórios brasileiros. A Medley, unidade de negócios de genéricos no Brasil do laboratório francês Sanofi, faz o recolhimento voluntário de Ranitidina 150 mg e 300 mg. (Veja abaixo a lista com os lotes dos medicamentos recolhidos pela farmacêutica). A empresa recomendou que os pacientes entrem em contato com o SAC da empresa pelo telefone 0800 729 8000 de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h. Medicamentos recolhidos pela Medey Já o Aché Laboratórios Farmacêuticos disse em nota que o recolhimento dos medicamentos Label comprimidos, Label xarope e os genéricos de cloridrato de ranitidina foi protocolado na Anvisa em dezembro do ano passado. A empresa disse que segue as solicitações da agência e que acompanha as discussões sobre os riscos da NDMA. A farmacêutica reforçou que os pacientes com estes medicamentos devem entrar em contato com a central de atendimento no telefone 0800-701-6900 ou pelo e-mail cac@ache.com.br. Concentração de nitrosaminas A NDMA é uma molécula do grupo das nitrosaminas. Segundo a Anvisa, elas são impurezas que, a longo prazo, podem aumentar o risco de câncer. A agência alertou em um comunicado que esta impureza pode ser formada em laboratório durante a sintetização de alguns produtos a base de nitritos. A Anvisa pediu que empresas adotem medidas de precaução para a produção de medicamentos livres desta contaminação. Veja Mais

O insolúvel mistério da física: por que os gatos caem sempre de pé?

Glogo - Ciência Tentativas de dar uma explicação científica a essa habilidade, comumente conhecida como reflexo de endireitamento, são quase tão antigas quanto o próprio estudo da física. De alguma forma, ainda é um mistério para a comunidade científica como os gatos conseguem cair de pé Getty Images/ BBC Como os gatos conseguem cair sempre em pé? Esse é um quebra-cabeças que deveria ser fácil de resolver, mas tem tomado muito tempo dos físicos e ainda precisa ser extensivamente estudado. As tentativas de dar uma explicação científica a essa habilidade, comumente conhecida como reflexo de endireitamento de um gato, são quase tão antigas quanto o próprio estudo da física. O primeiro a publicar uma pesquisa sobre o assunto foi o cientista francês Antoine Parent no ano de 1700. Para contextualizar, Isaac Newton ainda estava vivo na época e o grande trabalho dele, Princípios Matemáticos da Filosofia Natural, tinha sido publicado havia apenas 13 anos. Por que achamos que os gatos são ‘antissociais’ Gatos podem superar cães como animais de estimação no Brasil em cinco anos, diz veterinária Veterinários criam hotel exclusivo para gatos O interesse final de Parent não era apenas entender a queda dos felinos, mas também pesquisar como objetos grandes e pesados ​​se movem e giram e, ao mesmo tempo, caem em uma posição de equilíbrio. Quase como uma reflexão tardia, Parent sugeriu que, assim como um objeto pesado poderia tombar com o lado pesado para baixo na água devido ao choque de gravidade e a uma força flutuante para cima, um gato em queda livre poderia ajustar sua coluna para virar-se, movendo seu centro de gravidade sobre o centro de flutuabilidade. Essa ideia está errada, uma vez que a flutuabilidade do ar é muito fraca para afetar um gato durante a queda. Mesmo assim, essa explicação, e outras derivadas dela, permaneceram comuns em livros populares sobre gatos durante a metade do século 19. A comunidade física, no entanto, já havia encontrado outras explicações. No início do século 19, havia um crescente reconhecimento de que certas propriedades fundamentais da natureza são preservadas em qualquer processo físico. Muitas pessoas estão familiarizadas com o conceito de conservação de energia, a ideia de que a energia não é criada nem destruída, mas transformada. Modelo de Rademaker e Ter Braak revelou o movimento mais importante entre aqueles que fazem os gatos caírem em equilíbrio Getty Images/ BBC Por exemplo, quando um carro se move, isso ocorre por conta da conversão da energia química do combustível no movimento mecânico das rodas. Quando o carro para devido à ação dos freios, o movimento se transforma em energia térmica devido ao atrito. Está provado que esse fato é preservado em qualquer processo físico. Para um único objeto em movimento, o impulso é o produto da massa vezes a velocidade, e os objetos mais pesados ​​e mais rápidos têm mais impulso do que os leves e lentos. Outra lei de conservação foi reconhecida em meados do século 19: o princípio de conservação do movimento angular. Uma consequência imediata dessa lei é a observação de que não é possível que um objeto comece a girar sem que outro objeto gire na direção oposta, com a mesma magnitude cinética. Isso é muito fácil de perceber. Se você se senta em uma cadeira com rodas de escritório e vira o corpo para a esquerda, a cadeira gira para a direita. Uma vez que a lei da conservação de energia foi reconhecida, os físicos logo determinaram que um gato simplesmente não poderia girar sobre si mesmo em queda livre assim que começa a cair. O consenso foi de que um gato, no momento em que começa a cair, deve ser empurrado para fora de sua cavidade para criar uma rotação inicial que o faz aterrissar em pé. Mas essa explicação foi derrubada no dia 22 de outubro de 1894, na Academia Francesa de Ciências, pelo fisiologista Etienne-Jules Marey. Ele apresentou uma sequência inédita de fotografias de um gato caindo, tiradas em alta velocidade, mostrando claramente que o gato começa a cair de cabeça para baixo, sem qualquer rotação, mas ainda assim consegue se virar e cair de pé. Fisiologista francês Etienne-Jules Marey derrubou a teoria do movimento angular na queda do gato Getty Images/ BBC A revelação das fotografias levou caos à sala. Um membro da Academia declarou que Marey "havia lhes apresentado um paradoxo científico em contradição direta com os princípios mecânicos mais elementares". Onde os cientistas tinham errado? Eles sucumbiram ao ditado de que "um pouco de conhecimento é algo perigoso". Os físicos, tendo reconhecido recentemente a conservação do momento angular, concentraram sua atenção no estudo de corpos rígidos rotativos, como uma roda de bicicleta ou um planeta que gira. Mas um gato, como muitos de seus parentes, está longe de ser um corpo rígido. Os gatos podem se dobrar, girar e geralmente mover várias partes de seu corpo para obter uma rotação completa, sem nenhum movimento angular. Então, como fazem para cair de pé? Larry, o gato mais famoso do Reino Unido, é o mascote de Downing Street, residência oficial do Reino Unido BBC Para ser justo, os físicos rapidamente reconheceram seu erro e propuseram vários mecanismos pelos quais um gato pode se endireitar usando várias manipulações de partes seu corpo. O mais importante desses mecanismos foi mostrado pelos fisiologistas holandeses G.G.J. Rademaker e J.W. Ter Braak alguns anos depois, em 1935. Na época, a questão do endireitamento de um gato havia sido chegado a pesquisadores do cérebro. Eles queriam entender quais partes do sistema nervoso do gato controlavam esse reflexo. Rademaker e Ter Braak ajudaram a responder a essas perguntas, mas, durante o processo, consideraram as explicações físicas insatisfatórias e decidiram construir suas próprias. Eles imaginaram o gato como se fossem dois cilindros. Se o gato se dobrar pela cintura, ele pode torcer as duas metades do corpo em direções opostas, fazendo com que seus angulares opostos se cancelem em grande parte. Quando se dobra, seu corpo é orientado em uma direção diferente, embora o gato não tenha um momento angular fixo quando começa a cair. Esse movimento, agora conhecido como modelo "dobrar e girar" para endireitar um gato, é possivelmente a manobra mais importante que esse felino realiza durante o endireitamento. Mas a pesquisa sobre a física por trás desse fenômeno não terminou aqui. Rademaker e Ter Braak apresentaram apenas o modelo mais simples de um gato em rotação. Eles capturaram a essência do movimento, mas não todos os detalhes. O que podemos aprender com os gatos em queda? No final dos anos 1960, o mistério voltou a gerar interesse porque a Nasa (agência espacial americana) queria ensinar seus astronautas a girar em ambientes flutuantes. Desta vez, o desafio foi assumido pelos engenheiros da Universidade Stanford, que usavam simulações em computador para redefinir o modelo dos fisiologistas. No entanto, não está claro se alguma vez os astronautas tentaram executar o movimento "dobrar e girar" no espaço. Hoje, as pesquisas sobre o movimento dos gatos continua em outro campo de estudo: a robótica. Os engenheiros têm sido frequentemente inspirados pela natureza para projetar robôs melhores. E os gatos fornecem uma estratégia para fazer com que o robô caia de pé — minimizando os danos físicos provocados pela queda. Vários protótipos de gatos robóticos foram criados, mas nenhum deles conseguiu adaptar sua queda para chegar ao chão em pé, independentemente de sua posição inicial. Então, como o gato faz isso? Parece que a resposta é bastante complicada. Gato aguarda para adoção em Resende, em imagem de arquivo Divulgação/PMR Embora o "dobrar e girar" seja a manobra mais importante, o gato usa claramente diferentes movimentos para girar da maneira mais rápida e eficiente. Embora os físicos muitas vezes busquem a solução mais simples para um problema, a natureza busca o mais eficaz, independentemente de quão complicado seja. O instinto dos físicos de procurar soluções simples ainda leva a discrepâncias. Em resposta a um artigo científico recente que apresentei sobre a matemática do reflexo dos gatos durante sua queda, um crítico argumentou que o modelo "dobrar e girar" deve estar errado, porque ele viu um vídeo no YouTube de um gato caindo e o animal não parecia se mover dessa forma. Os gatos são conhecidos por serem os guardiões dos segredos, e seu reflexo no endireitamento continua sendo um mistério para muitos cientistas até hoje. VÍDEO Em dezembro, o programa Estúdio I, da GloboNews, mostrou o caso de um gato com próteses que faz sucesso nas redes sociais. Confira: Gato com próteses vira estrela nas redes sociais Veja Mais

Canadá registra primeiro caso de coronavírus

Glogo - Ciência Homem teve diagnóstico confirmado pelo Laboratório de Saúde Pública de Ontario e está internado em isolamento. Doença já atingiu pessoas em 12 países em 4 continentes e matou 42 pessoas na China. Coronavírus: oficial com máscara protetora verifica temperatura de passageiro em um pedágio entre Xianning e Wuhan, na China, em meio às restrições de circulação de pessoas, que tenta frear a expansão da doença Martin Pollard/Reuters. Um homem está em isolamento em um hospital canadense infectado com o coronavírus, após ter viajado para Wuhan, na China. Após apresentar febre e sintomas de deficiência respiratória, ele foi submetido a testes e teve o diagnóstico confirmado neste sábado (25), se tornando o primeiro caso no Canadá. Segundo um comunicado do Sunnybrook Health Sciences Centre, a análise foi confirmada também pelo Laboratório de Saúde Pública de Ontario. Ainda de acordo com o hospital, o paciente está estável e uma equipe foi designada para o seu tratamento. Também neste sábado, os governos da Malásia e da Austrália registraram cinco casos de coronavírus. Quatro pacientes foram diagnosticados com a doença respiratória no país do sudeste asiático, enquanto o caso australiano se tornou o primeiro na Oceania. Com a confirmação do caso canadense, passam a ser 12 os países em 4 continentes afetados pela infecção que surgiu na China e já matou 41 pessoas desde o início do ano. Na sexta-feira (24), os Estados Unidos confirmaram o 2º caso da doença no país, e a França registrou 3, os primeiros na Europa. Também há casos no Nepal, na Tailândia, Vietnã, Arábia Saudita, Coreia do Sul e Japão (veja mapa abaixo). Funcionário remove lixo hospitalar de centro médico de Wuhan, epicentro da epidemia de coronavírus, na China AP Photo/Dake Kang 42 mortes na China Na China, onde o surto começou e o único país a registrar mortes, o número de vítimas fatais subiu para 42 no sábado. São 39 mortos apenas na província de Hubei, que 15 teve casos confirmados em um mesmo dia. Na região, onde fica a cidade de Wuhan, há um total 729 infecções e 4.711 pessoas em observação. A província de Hubei tinha 13 cidades com restrições de circulação até sexta-feira, o que afeta cerca de 40 milhões de pessoas. As restrições incluem fechamento de estações de trens, rodoviárias, transportes urbanos e de circulação de carros por algumas estradas. As autoridades ainda não informaram quando essas medidas serão retiradas. Novos hospitais Escavadeiras trabalham em área de hospital em Wuhan, na China STR/AFP A China está em uma corrida científica e estrutural para conter o avanço de novos casos de coronavírus. Além de desenvolver pesquisas para identificar detalhes da cepa do vírus e de impor restrições de circulação e fechamento de pontos turísticos, o país está construindo dois hospitais para tratar exclusivamente dos infectados. Os empreendimentos segum o modelo de Pequim para tratamento de doenças respiratórias agudas, conhecidas como SARS. O primeiro hospital terá 1 mil leitos, uma área de 25 mil m² e deverá ser inaugurado em 3 de fevereiro. O segundo, anunciado neste sábado, deve ter 1,3 mil leitos e será entregue em 15 dias. Países retiram cidadãos Os Estados Unidos estão organizando um voo charter no domingo (26) para trazer seus cidadãos e diplomatas de volta da cidade chinesa de Wuhan, epicentro do surto de um novo coronavírus, informou o jornal norte-americano "Wall Street Journal" neste sábado (25). O avião, com cerca de 230 pessoas, levará diplomatas do consulado dos EUA, bem como cidadãos norte-americanos e suas famílias, informou o Journal, citando uma pessoa familiarizada com a operação. Além disso, a Peugeot informou que vai repatriar funcionários franceses alocados em Wuhan. Segundo um porta-voz da empresa, 38 pessoas serão evacuadas da região com a colaboração de autoridades chinesas e do consulado geral da França na região. A empresa disse em um comunicado que as famílias retiradas passarão por um período de quarentena em Changsha antes de voltar para o país. O rei Abdullah II, da Jordânia, destinou uma aeronave para evacuar cidadãos de seu país na China. Segundo a rede de notícias CNN, a ação já foi autorizada pelas autoridades chinesas. China suspende viagens turísticas A China vai suspender todas as viagens turísticas que partem do país a partir de segunda-feira (27) para tentar conter o surto de coronavírus. Neste sábado a Associação de Turismo da China anunciou que as viagens em grupo ao exterior estarão suspensas. Segundo a associação, viagens domésticas já estavam sob restrição desde sexta-feira (24). Na China, onde o surto de coronavírus começou, foram registrados ao menos 1.372 casos de infecção e 41 mortes por complicações da doença. Os casos estão concentrados na cidade de Wuhan, na província de Hubei. Casos de coronavírus pelo mundo Arte/G1 Veja Mais

As teorias que veem o Big Bang não como o início, mas uma 'transformação' do Universo

Glogo - Ciência Este evento é amplamente aceito como sendo o começo de tudo o que vemos ao nosso redor, mas outros modelos que estão ganhando força entre cientistas sugerem uma explicação diferente. O Universo que podemos ver atualmente é composto de aglomerados de partículas, poeira, estrelas, buracos negros, galáxias e radiação NASA/JPL-CALTECH/ESA/CXC/STSCI A história tradicional do Universo tem começo, meio e fim. Tudo começou com o Big Bang, 13,8 bilhões de anos atrás, quando o Universo era pequeno, quente e denso. Em menos de um bilionésimo de bilionésimo de segundo, aquele pequeno Universo se expandiu para mais de bilhões de vezes seu tamanho original por meio de um processo chamado "inflação cósmica". A seguir veio "a saída graciosa", quando a inflação parou. O Universo continuava se expandindo e esfriando, mas a uma fração da taxa inicial. Nos 380 mil anos seguintes, o Universo foi tão denso que nem a luz foi capaz se mover através dele — o cosmos era formado por um plasma opaco e superquente de partículas dispersas. Quando as coisas finalmente esfriaram o suficiente para os primeiros átomos de hidrogênio se formassem, o Universo rapidamente se tornou transparente. A radiação irrompeu em todas as direções, e o Universo estava a caminho de se tornar a entidade irregular que vemos hoje, com vastas faixas de espaço vazio pontuadas por aglomerados de partículas, poeira, estrelas, buracos negros, galáxias, radiação e outras formas de matéria e energia. Em algum momento, esses pedaços de matéria se afastarão tanto que desaparecerão lentamente, segundo alguns modelos matemáticos. O Universo se tornará uma sopa fria e uniforme de fótons isolados. Não é um final particularmente dramático, embora satisfatório. Mas e se o Big Bang não foi realmente o começo de tudo? Talvez tenha sido um ponto de virada em um ciclo contínuo de contração e expansão. Ou poderia ser mais como um ponto de reflexão, com uma imagem espelhada do nosso Universo expandindo-se para o "outro lado", onde a antimatéria substitui a matéria e o próprio tempo flui para trás. Ou ainda um momento de transição em um Universo que sempre esteve — e sempre estará — em expansão. Todas essas teorias estão fora da cosmologia convencional, mas são apoiadas por cientistas influentes. O crescente número dessas teorias concorrentes sugere que agora é hora de deixar de lado a ideia de que o Big Bang marcou o início do espaço e do tempo. E até mesmo de que possa haver um fim. A teoria da inflação cósmica é falha? Muitas teorias concorrentes sobre Big Bang resultam de uma profunda insatisfação com a ideia de inflação cósmica. "Tenho que confessar que nunca gostei da inflação desde o início", diz Neil Turok, ex-diretor do Instituto Perimeter de Física Teórica em Waterloo, no Canadá. "O paradigma inflacionário falhou", acrescenta Paul Steinhardt, professor de ciências na Universidade Princeton, nos Estados Unidos, e proponente do modelo de que o Big Bang foi um ponto de virada em um ciclo contínuo de contração e expansão do Universo. "Sempre considerei a inflação uma teoria muito artificial", diz Roger Penrose, professor emérito de matemática na Universidade de Oxford, no Reino Unido. "A principal razão pela qual essa teoria não morreu ao nascer é que era a única coisa que as pessoas podiam pensar para explicar o que chamam de 'invariância em escala das flutuações de temperatura do fundo cósmico de micro-ondas'." O Fundo Cósmico de Microondas (ou CMB, na sigla inglês) tem sido um fator fundamental em todos os modelos do Universo desde que foi observado pela primeira vez em 1965. É uma fraca radiação ambiente encontrada em todo lugar no Universo observável que remonta àquele momento em que o Universo tornou-se transparente. O CMB é uma importante fonte de informações sobre como era o Universo primitivo. É também um mistério tentador para os físicos. Para todas as direções que os cientistas apontam um radiotelescópio, o CMB parece ser o mesmo, mesmo em regiões que aparentemente nunca poderiam ter interagido entre si em nenhum momento dos 13,8 bilhões de anos de história do Universo. "A temperatura do CMB é a mesma em lados opostos do céu, e essas partes do céu nunca teriam entrado em contato", diz Katie Mack, cosmóloga da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. "Algo teria que conectar essas duas regiões do Universo no passado. Algo tinha que fazer com que essa parte do céu tivesse a mesma temperatura que essa outra parte do céu." Sem algum mecanismo para uniformizar a temperatura no Universo observável, os cientistas esperariam variações muito maiores entre diferentes regiões. A inflação oferece uma maneira de resolver esse "problema de homogeneidade", com um período de expansão tão intensa e rápida que que quase tudo acabou indo parar muito além da região a qual podemos observar e com o que podemos interagir. Nosso Universo observável se expandiu de uma minúscula região homogênea dentro daquela confusão quente primordial, produzindo o CMB uniforme. Outras regiões além do que podemos observar podem ser bem diferentes. "A inflação parece ser algo que tem apoio suficiente dos dados para que possamos tomá-la como padrão", diz Mack. "É o que ensino nas minhas aulas. Mas sempre digo que não sabemos ao certo se isso aconteceu. Mas parece se ajustar bem os dados e é o que a maioria das pessoas diria ser mais provável." Mas sempre houve deficiências com a teoria. Em especial, não há um mecanismo específico para desencadear a expansão inflacionária ou uma explicação testável de como a saída graciosa poderia acontecer. Uma ideia apresentada pelos defensores da inflação é que partículas teóricas compuseram algo chamado "campo de inflação" que impulsionou a inflação e depois se decompôs nas partículas que vemos ao nosso redor hoje. Mas, mesmo com ajustes como esse, a teoria da inflação faz previsões que, pelo menos até agora, não foram confirmadas. Ela diz que o espaço-tempo deve ter sido distorcido por ondas gravitacionais primordiais que ricochetearam pelo Universo com o Big Bang. Mas, embora certos tipos de ondas gravitacionais tenham sido detectadas, ainda não foi encontrada nenhuma destas primordiais para dar suporte à teoria. A física quântica também leva a teoria da inflação a lugares confusos. Prevê-se que as raras flutuações quânticas façam com que a inflação divida o espaço em um número infinito de remendos com propriedades totalmente diferentes — um "Multiverso" no qual literalmente ocorre tudo que seja imaginável. "A teoria é completamente inconclusiva", diz Steinhardt. "Só podemos dizer que o Universo observável pode ser assim ou assado ou qualquer outra possibilidade que você possa imaginar, dependendo de onde estivermos no Multiverso. Não é descartado nada que seja fisicamente concebível." Steinhardt, que foi um dos arquitetos originais da teoria inflacionária, enfim se cansou da falta de capacidade de previsão e de testabilidade. "Realmente precisamos imaginar que existe um número infinito de universos confusos que nunca vimos e nunca veremos para explicar o Universo simples e notavelmente suave que observamos?", ele questiona. "Eu digo que não. Temos que procurar uma ideia melhor." Um ponto de virada e o 'Universo Espelho' O problema pode ter a ver com o próprio Big Bang e com a ideia de que houve um começo no espaço e no tempo. A teoria de que o Big Bang pode ter sido um ponto de virada vai de encontro à imagem de um Universo quente e denso que começou a se expandir e esfriar 13,8 bilhões de anos atrás. Mas, em vez de ser o começo do espaço e do tempo, esse foi um momento de transição de uma fase anterior, durante a qual o espaço estava se contraindo. Em um salto, em vez de uma explosão, diz Steinhardt, partes distantes do cosmos teriam muito tempo para interagir umas com as outras e formar um único Universo suave, no qual as fontes de radiação CMB teriam a chance de se equilibrar. De fato, é possível que o tempo tenha sempre existido. "E se um salto aconteceu no nosso passado, por que não poderia haver muitos deles?", diz Steinhardt. "Nesse caso, é plausível que exista um em nosso futuro. Nosso Universo em expansão pode começar a se contrair, retornando a esse estado denso e iniciando o ciclo de novamente." Steinhardt e Turok trabalharam juntos em algumas versões anteriores deste modelo, nas quais o Universo encolheu a um tamanho tão pequeno que a física quântica sobrepôs a física clássica, deixando as previsões incertas. Mais recentemente, porém, outra colaboradora de Steinhardt, Anna Ijjas, desenvolveu um modelo em que o Universo nunca fica tão pequeno a ponto de a física quântica predominar. "É uma ideia bastante prosaica e conservadora, descrita em todos os momentos por equações clássicas", diz Steinhardt. "A inflação diz que há um Multiverso, que há um número infinito de maneiras pelas quais o Universo pode surgir e que vivemos naquele que é suave e plano. Isso é possível, mas não provável." Neil Turok também vem explorando outra alternativa mais simples à teoria inflacionária, o "Universo Espelho". Ele prevê que outro universo dominado pela antimatéria, mas governado pelas mesmas leis físicas que as nossas, está se expandindo para o outro lado do Big Bang — uma espécie de "antiuniverso", se você preferir. "Deduzo uma coisa das observações dos últimos 30 anos, que é que o Universo é incrivelmente simples", diz ele. "Em grande escala, não é caótico. Não é aleatório. É incrivelmente ordenado e regular e requer muito poucos números para descrever tudo." Com isso em mente, Turok não vê lugar para um Multiverso, outras dimensões ou novas partículas para explicar o que pode ser visto quando olhamos para o céu. O Universo Espelho oferece explicação para tudo isso — e também pode resolver um dos grandes mistérios do Universo. Se você somar toda a massa conhecida em uma galáxia — estrelas, nebulosas, buracos negros e assim por diante —, o total não cria gravidade suficiente para explicar o movimento dentro de galáxias e entre elas. O restante parece ser composto por algo que não podemos ver: matéria escura. Esse material misterioso é responsável por cerca de 85% da matéria no Universo. O modelo do Universo Espelho prevê que o Big Bang produziu uma partícula conhecida como "neutrinos destros" em abundância. Embora físicos de partículas ainda não as tenham observado diretamente, eles têm certeza de que existem. E são elas que compõem a matéria escura, de acordo com aqueles que apoiam a teoria do Universo Espelho. "É a única partícula nessa lista (de partículas no modelo padrão) que possui as duas propriedades necessárias que ainda não foram observadas diretamente e pode ser estável", diz Latham Boyle, um dos principais defensores da teoria do Universo Espelho e colega de Turok no Instituto Perimeter. A teoria dos ciclos cosmológicos Talvez a alternativa mais desafiadora ao Big Bang e à inflação seja a teoria de "Cosmologia Cíclica Conforme" (CCC), de Roger Penrose. Como a teoria do ponto de virada, ela envolve um universo que pode ter existido para sempre. Mas, no CCC, ele nunca passa por períodos de contração, apenas se expande. "A opinião que tenho é que o Big Bang não foi o começo", diz Penrose. "A imagem completa do que sabemos hoje em dia, toda a história do Universo, é o que eu chamo de 'era' em uma sucessão de eras." O modelo de Penrose prevê que grande parte da matéria no Universo acabará sendo arrastada para buracos negros ultramassivos. À medida que o Universo se expandirá e esfriará para quase zero absoluto, esses buracos negros "ferverão" por meio de um fenômeno chamado Radiação Hawking. "É preciso pensar em termos de anos de googol, o que significa um número 1 com 100 zeros", diz Penrose. "Esse é o número de anos para que os buracos negros realmente grandes finalmente desapareçam. E então você terá um Universo dominado por fótons (partículas de luz)." Penrose diz que, nesse ponto, o Universo começará a ter uma aparência semelhante à de seu início, preparando o cenário para o início de outra era. Uma das previsões do CCC é que pode haver um registro de uma era anterior na radiação cósmica de fundo que originalmente inspirou o modelo de inflação. Quando buracos negros hipermassivos colidem, o impacto libera uma enorme quantidade de energia na forma de ondas gravitacionais. Quando finalmente evaporam, liberam uma enorme quantidade de energia na forma de fótons de baixa frequência. Ambos os fenômenos são tão poderosos, diz Penrose, que podem "irromper para o outro lado" de uma transição de uma era para outra, cada uma deixando seu próprio tipo de "sinal" incorporado no CMB como um eco do passado. Penrose chama os padrões deixados para trás pela evaporação dos buracos negros de "Pontos Hawking". Nos primeiros 380 mil anos da era atual, esses seriam apenas pequenos pontos no cosmos, mas à medida que o Universo se expandisse, eles apareceriam como "manchas" no céu. Penrose tem trabalhado com cosmólogos poloneses, coreanos e armênios para verificar se esses padrões podem realmente ser encontrados por meio da comparação de medições do CMB com milhares de padrões aleatórios. "A conclusão a que chegamos é que vemos esses pontos no céu com 99,98% de confiança", diz Penrose. O mundo da física permaneceu, no entanto, amplamente cético em relação a esses resultados até o momento e houve um interesse limitado entre os cosmólogos em tentar replicar a análise de Penrose. É improvável que possamos observar diretamente o que aconteceu nos primeiros momentos após o Big Bang e muito menos nos momentos anteriores. O plasma opaco superaquecido que existia nos primeiros momentos provavelmente obscurecerá para sempre nossa visão. Mas existem outros fenômenos potencialmente observáveis, como ondas gravitacionais primordiais, buracos negros primordiais, neutrinos destros, que podem nos fornecer algumas pistas sobre quais teorias sobre o Universo estão corretas. "À medida que desenvolvemos novas teorias e modelos de cosmologia, elas nos dão outras previsões interessantes que podemos investigar", diz Mack. "A esperança não é necessariamente que vejamos o começo de tudo diretamente, mas que talvez, de alguma forma, possamos entender melhor a estrutura da própria física." Até lá, a história do Universo, seu início e se tem um fim, continuará sendo debatida. Veja Mais

Sobe para 41 o número de mortos em surto de novo coronavírus na China

Glogo - Ciência Província de de Hubei reúne a maioria das vítimas. Mais de 4 mil pessoas estão em observação. Coronavírus: oficial com máscara protetora verifica temperatura de passageiro em um pedágio entre Xianning e Wuhan, na China, em meio às restrições de circulação de pessoas, que tenta frear a expansão da doença. Martin Pollard/Reuters. O total de mortes causadas pelo novo coronavírus na China subiu para 41 nesta sexta-feira (24). De acordo com a agência estatal chinesa CGTN, agora são 39 vítimas apenas na província de Hubei, que teve casos confirmados no dia. Apenas na província, onde fica a cidade de Wuhan, há 729 casos confirmados e 4.711 pessoas em observação. Homens idosos e com problemas de saúde são mais da metade dos mortos por coronavírus O que se sabe e o que ainda é dúvida sobre o novo vírus que surgiu na China A província de Hubei tinha 13 cidades com restrições de circulação nesta sexta, o que afeta cerca de 40 milhões de pessoas. As restrições incluem fechamento de estações de trens, rodoviárias, transportes urbanos e de circulação de carros por algumas estradas. As autoridades ainda não informaram quando essas medidas serão retiradas. A China está em uma corrida científica e estrutural para conter o avanço de novos casos de coronavírus. Além de desenvolver pesquisas para identificar detalhes da cepa do vírus e de impor restrições de circulação e fechamento de pontos turísticos, o país está construindo um hospital para tratar exclusivamente dos infectados. Escavadeiras trabalham em área de hospital em Wuhan, na China. Nova estrutura de saúde deve ter 1 mil leitos. STR/AFP Primeiros casos na Europa Mais cedo, foram confirmados os primeiros casos do novo coronavírus na Europa, na França. Ao todo, o pais confirmou três pacientes, dois deles nas cidades de Paris e Bordeaux. Não foram divulgados detalhes sobre o terceiro infectado. Nesta sexta, também foi divulgada a constatação de um novo caso nos EUA, chegando a dois infectados. Estados Unidos confirmam o segundo caso de novo coronavírus no país Initial plugin text Veja Mais

Novo coronavírus chega à Europa com confirmação de dois casos na França; Nepal também entra na lista

Glogo - Ciência Paris e Bordeaux são as primeiras cidades do país com novo vírus. Doença atinge centenas na China e em outros 9 países. Imagem de pesquisa sobre o coronavírus Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China A França confirmou dois casos de coronavírus – os primeiros da Europa – nesta sexta-feira (24), nas cidades de Paris e Bordeaux. O Nepal também registrou sua primeira infecção. O paciente internado em Bordeaux tem 48 anos e passou por Wuhan. Ele apresentou sintomas aos médicos na quinta-feira (23) e, desde então, está internado em um quarto isolado em um hospital da cidade. Ele esteve em contato com cerca de 10 pessoas depois de sua chegada na França. Ainda há poucas informações sobre o caso detectado em Paris. Ciclo do novo coronavírus - transmissão e sintomas Aparecido Gonçalves/Arte G1 A China é o país mais afetado, com 26 mortes contabilizadas. A agência estatal CGTN divulgou um balanço que eleva para 894 os casos confirmados da doença no país asiático. O governo chinês destacou que 35 pacientes diagnosticados com a infecção estão recuperados e receberam alta. Os EUA também confirmaram o segundo caso na manhã desta sexta-feira, desta vez em Chicago. A paciente, uma mulher de 63 anos, viajou para Wuhan, epicentro da doença. O que se sabe e o que ainda é dúvida sobre o novo vírus que surgiu na China Raio X do novo coronavírus Amanda Paes e Cido Gonçalves/Arte G1 Novo hospital Os chineses estão em uma corrida científica e estrutural para conter o avanço de novos casos. Há pesquisas sendo desenvolvidas para identificar detalhes da cepa do vírus, um hospital sendo construído para tratar exclusivamente dos infectados e restrições de circulação e fechamento de pontos turísticos. Na região metropolitana de Wuhan, cidade epicentro da doença, as autoridades estão construindo um novo hospital que será dedicado ao tratamento do coronavírus, segundo o Xinhua News. O empreendimento segue o modelo de Pequim para tratamento de doenças respiratórias agudas, conhecidas como SARS. O hospital terá 1 mil leitos, uma área de 25 mil m² e deverá ser inaugurado em 3 de fevereiro. Foto aérea mostra escavadeiras no canteiro de obras do novo hospital dedicado a pacientes do novo coronavírus em Wuhan. STR/AFP As autoridades esperam que o novo hospital dedicado somente a casos de pneumonia viral de origem desconhecida seja concluído em tempo recorde. Segundo a agência de notícias estatal, equipes de operários trabalham 24 horas por dia na obra. Em 2003, o hospital erguido em Pequim para os casos de SARS ficou pronto em apenas uma semana. Pesquisas O Ministério de Ciência e Tecnologia da China lançou oito projetos de pesquisa de emergência para ajudar a lidar com o mais recente surto de coronavírus no país. Além disso, o governo criou um sistema nacional com informações de pesquisas a respeito da doença. Imagens microscópicas eletrônicas do coronavírus, primers e sondas para detecção de vírus estão disponíveis no site, de acordo com a rede de notícias Xinhua. Initial plugin text Veja Mais

“Nunca vi a sopa de morcego”, diz brasileiro em Wuhan, foco de novo coronavírus

Glogo - Ciência A comunidade brasileira na cidade epicentro do vírus tem cerca de 70 pessoas. O mercado de frutos do mar de Wuhan Huanan, onde se suspeita que a nova cepa de coronavírus teria começado a se espalhar. O estabelecimento está fechado desde 21 de janeiro de 2020 Dake Kang/AP Estrangeiros que vivem na cidade de Wuhan se habituam a cada dia ao alerta mundial provocado por um novo coronavírus na China. O estudante brasileiro Heros Fernandes Martines, 23 anos, mora na localidade há mais de um ano e tem evitado sair de casa, para se proteger. “Tenho ficado só dentro de casa mesmo, me virando com macarrão instantâneo e outras comidas que tenho guardadas”, conta o paulista à RFI, ressaltando que sai às ruas apenas para comprar mantimentos. “Quando eu preciso sair, visto a máscara recomendada – afinal nem todas são seguras.” O protocolo aconselhado pelas autoridades chinesas inclui ainda medidas frequentes como desinfetar as mãos e a moradia, verificar regularmente a própria temperatura e cozinhar bem os alimentos. A comunidade brasileira na cidade é reduzida, de cerca de 70 pessoas. Homens idosos e com problemas de saúde são mais da metade dos mortos por coronavírus Coronavírus: saiba quais são os sintomas Apesar de o número de contaminados (pelo menos 830) e de mortos (26) subir todos os dias, Heros demonstra confiança na gestão da crise pelo governo local. “Não me sinto no escuro. A gente recebe mensagens a toda a hora, com as últimas informações”, indica. “O fato de a cidade estar em quarentena me deixa um pouco desconfortável. Mas, no fundo, acho que é melhor assim, para impedir que o vírus se espalhe ainda mais.” Já a hipótese evocada por cientistas da Academia Chinesa de Ciências de Pequim para explicar a doença, de que a nova cepa tenha se originado no consumo de carnes de animais selvagens como morcegos e cobras, provoca risos no estudante de mandarim. “Nunca vi essa sopa de morcego. Vi algumas fotos e vídeos e nem imaginava que tinha isso aqui”, comenta Heros. “A maior parte da crença popular sobre a alimentação chinesa é bem estereotipada. Nunca vi carne de cachorro, nada disso.” Transporte interrompido Acredita-se que o novo tipo de vírus tenha se originado em um dos 'mercados molhados' de Wuhan, onde são vendidos animais vivos Getty Images O expatriado francês Nicolas Duyé, demonstra mais preocupação: qualquer refeição feita fora de casa se tornou motivo de desconfiança. “No restaurante da minha empresa, os funcionários estavam fazendo e servindo a comida sem máscaras”, relata, à RFI. “O que eu mais queria era poder voltar para a França, porque quanto mais ficamos aqui, mais chances temos de ser contaminados. Tentamos partir na quinta-feira, de carro, mas fomos barrados pela polícia quando chegávamos à estrada”, afirma. O transporte público foi interrompido na cidade e não há previsão de retorno. Além disso, Wuhan é dividida em três setores e, a partir da meia-noite desta sexta-feira (24), vai ficar mais difícil se deslocar de uma área para a outra. Túneis foram fechados e haverá medições de temperatura nas pontes, para poder atravessar de uma região à outra. A megalópole tem 11 milhões de habitantes. Wuhan vira “cidade fantasma” A estudante cabo-verdiana Lilian Barros também tem tomado precauções extraordinárias com a alimentação: ela só compra comida em lugares de confiança e cozinha tudo em casa. “Há um clima de medo porque a situação está piorando a cada dia. Estão todos preocupados em se prevenir”, diz a jovem. “Todas as atividades previstas para a celebração do Ano Novo chinês foram canceladas, para evitar a concentração de pessoas. Estamos como numa cidade fantasma: todo mundo só sai para necessidades básicas.” Lilian percebe uma movimentação excepcional nos centros de saúde de Wuhan: um hospital de campanha, pré-fabricado, está sendo construído em tempo recorde na cidade. A expectativa é de que o local possa começar a funcionar a partir do dia 3 de fevereiro, com vagas para mil pacientes. Medida semelhante já havia sido tomada em 2003, durante a epidemia de Sars, que causou mais de 700 mortes. Em apenas uma semana, o estabelecimento já podia receber doentes. Brasileira na China do surto de coronavírus no país Veja Mais

'Ser um nutricionista gordo não é atestado de incompetência'

Glogo - Ciência Nutricionista Erick Cuzziol, de 37 anos, relata dificuldades que enfrentou na trajetória profissional por ser gordo; mas quando resolveu se apresentar nas redes como 'o nutricionista gordo', as coisas começaram a mudar. Erick Cuzziol passou a adotar o nome "Nutricionista Gordo" após receber diversas críticas em razão de seu peso Arquivo Pessoal Desde pequeno, Erick Cuzziol, de 37 anos, enfrentou uma intensa luta contra a balança. Ao longo da vida, recorreu a diversas dietas restritivas que o fizeram mal. Em razão da sua própria história, decidiu cursar nutrição. Na universidade, descobriu sobre o preconceito enfrentado por pessoas gordas que são nutricionistas. No ano passado, decidiu adotar, nas redes sociais, o nome "Nutricionista gordo". Em conversa com a BBC News Brasil, ele conta sobre a sua vida e os motivos que o levaram a passar a falar abertamente sobre o modo como o seu peso é encarado na profissão. Mais da metade da população brasileira está acima do peso, diz Ministério da Saúde Obesidade é doença e pode ser causada por vários fatores Abaixo, o relato de Cuzziol sobre a sua história: "Comecei a engordar aos sete anos. Na adolescência, cheguei aos 114 quilos. Fiz dietas malucas e tomei medicação, que me prejudicaram ainda mais. Quando parava com os remédios e voltava a comer sem restrições, engordava ainda mais, porque tinha compulsão alimentar. Isso me deixava muito triste. Sofri muito bullying na infância e adolescência nas escolas em que estudei, em São Paulo (SP) — onde nasci e moro até hoje. Fiz dietas que me fizeram muito mal. Muitas vezes, parecia que eu iria desmaiar por ficar muito tempo sem comer. Na vida adulta, desisti das dietas. Decidi cursar nutrição, até mesmo para ter respostas sobre essa minha eterna luta contra o meu peso. O que eu não imaginava, na época, era que muitas pessoas que faziam nutrição vendiam a própria imagem como se fosse qualidade do trabalho deles. Por isso, muitos acreditam que é necessário que o profissional seja magro. É um padrão social, que muitos creem ser fundamental para a profissão. Certa vez, um aluno do curso pediu para a professora comentar sobre o quanto era um absurdo que um nutricionista fosse gordo. Mas ela deixou muito claro que o peso não é algo que interfere em nossa capacidade e ainda disse que uma das melhores nutricionistas que conhece é gorda e produz estudos indispensáveis para a nutrição. Fiz o meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre transtornos alimentares, pois sempre considerei um assunto muito importante e pouco debatido na época, em 2008. Era um tema muito mais voltado para a psicologia do que para a nutrição, mas sempre acreditei que deveria incluir as duas áreas. Não é possível trabalhar a alimentação unicamente, muitas vezes é necessário um trabalho interdisciplinar. Foi justamente enquanto estudava sobre os transtornos que descobri a minha compulsão alimentar. Quando me formei e fui procurar emprego, descobri outra realidade: a desvalorização e desrespeito ao nutricionista, tanto em questões trabalhistas como em oportunidade e mercado de trabalho. Eu ainda tinha outro problema: o meu peso. Na época, eu estava com 140 quilos." Preconceito contra profissionais gordos Diferentes pesquisas apontam que profissionais de saúde que estão acima do peso podem ter menos credibilidade para alguns pacientes. O assunto é debatido há anos. Um estudo de 2013, intitulado "O efeito do peso corporal dos médicos nas atitudes dos pacientes: implicações para a seleção do médico, confiança e adesão ao aconselhamento médico", do International Journal of Obesity, do periódico Nature, abordou a temática. A pesquisa concluiu que prestadores de serviço com sobrepeso ou obesos podem ser alvos de maiores desconfianças e os pacientes atendidos por eles podem se sentir menos inclinados a seguir os conselhos desses profissionais. Para Cuzziol, os nutricionistas gordos estão entre os profissionais que enfrentam mais dificuldades para conquistar a confiança dos pacientes. Em nota à BBC News Brasil, o Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) afirma que a discussão referente ao peso de nutricionistas não faz parte das orientações da entidade e o assunto não é debatido pelos membros da instituição. "Não existe posicionamento sobre isso", informa o conselho, que disse não ter um representante para conversar com a reportagem sobre o assunto. "A missão institucional do conselho é contribuir para a garantia do direito humano à alimentação adequada, fiscalizando, normatizando e disciplinando o exercício profissional do nutricionista e do técnico em Nutrição e Dietética (TND) para uma prática pautada na ética e comprometida com a segurança alimentar e nutricional, em benefício da sociedade", diz trecho de nota encaminhada pelo CFN à reportagem. Depressão profunda e bariátrica "Depois de formado, tive dificuldades para encontrar emprego. Entrei em depressão profunda. A minha família ficou muito preocupada com a minha situação. Engordei cada vez mais e cheguei aos 192 quilos. Cheguei a tentar o suicídio. Decidi fazer a bariátrica. Cuzziol começou a engordar aos sete anos e passou a sofrer bullying na escola Arquivo Pessoal Sou favorável a essa cirurgia, mas acredito que ela precisa ser feita com mais cautela, em casos de emergência, quando realmente não existem alternativas. Até porque é um procedimento com o qual a pessoa vai ter de lidar com uma série de situações, ao longo da vida, que não possuía anteriormente. No meu caso, passei a ter problemas para absorver o cálcio. Por isso, até hoje tomo suplementos específicos. Emagreci 70 quilos depois da bariátrica, que fiz em 2010. As pessoas enxergam a cirurgia como uma solução para todos os problemas, o que não é verdade. Depois do procedimento, mantive uma boa alimentação e suplementação adequada, mas não me tornei uma pessoa magra, principalmente porque estava desempregado e sem condições para fazer acompanhamento com um profissional para me orientar nas atividades físicas. Hoje, se analisarmos pelo Índice de Massa Corporal (IMC), sou uma pessoa obesa. Levo um estilo de vida onde tenho como me movimentar e cuido da minha alimentação. Mas existe uma questão de metabolismo, que me prejudica e me impede de emagrecer. Não posso reduzir ainda mais a minha alimentação, principalmente depois da bariátrica, porque posso passar por adoecimento por desnutrição. O meu peso é preocupante? Sim. Mas posso fazer duas coisas: conviver com isso e manter a qualidade de vida que tenho ou desregular essa qualidade buscando reduzir cada vez mais o peso. É importante dizer que não tenho colesterol, não tenho diabetes, não tenho nada. Uma das coisas que mais me incomodam é que a obesidade ainda é pregada como forma de comportamento. Parece que as pessoas são gordas porque não têm vergonha na cara, não se esforçam e não se dedicam a emagrecer. Mas para uma pessoa gorda emagrecer, é preciso gastar. A sociedade brasileira ainda não entendeu, mas o mercado do emagrecimento é muito caro. A obesidade é uma doença, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Mas defini-la como doença dá uma margem muito grande para quem quer se aproveitar disso para tentar vender algo. O obeso é uma pessoa que está em uma condição que precisa de cuidado grande com alimentação e outros fatores, mas não recebe o mesmo apoio, por exemplo, que uma pessoa com diabetes. Se partirmos do ponto de que a obesidade é uma doença, então qualquer pessoa obesa deveria ter acesso a tratamento gratuito, com uma equipe interdisciplinar, senão corre o risco de cair em inúmeros tratamentos enganosos. Mas se a obesidade é uma doença, por que ela ainda é tão desrespeitada na sociedade? Talvez, o melhor seja considerarmos a obesidade como uma condição, em vez de tratá-la como doença, até mesmo porque não há tratamento adequado na saúde pública. Um problema é que, muitas vezes, os médicos associam qualquer problema de saúde de uma pessoa obesa ao peso dela. É preciso investigar a origem daquele problema. Se estiver relacionado à obesidade, é fundamental fazer o tratamento necessário e o profissional de saúde precisa entender que o sobrepeso não é algo que depende só daquela pessoa. A carreira na nutrição Depois da bariátrica, continuei a busca por um emprego. Em algumas vagas, as pessoas me olhavam estranhamente. Chegaram a me questionar: como você vai convencer as pessoas sendo nutricionista e gordo? Isso me deixava arrasado. Os empregos que consegui foram aqueles que ninguém queria, como em um presídio e em uma rede de hipermercados que passava por uma onda de demissões para conter gastos. Cuzziol afirma que já percebeu que pacientes ficaram incomodados em razão do peso dele. Porém, segundo ele, há aqueles que o procuram justamente por ser um profissional gordo Arquivo Pessoal Entre os conhecidos, minha profissão foi, muitas vezes, motivo de gargalhadas: quando eu contava que era nutricionista, algumas pessoas riam, como se fosse uma piada, por eu ser gordo. Quando a gente pesquisa sobre a obesidade, descobre que há diversos fatores para isso, que nunca param de crescer. As pessoas podem continuar obesas, em muitos casos, mesmo quando mudam a alimentação. A gente tem como manter o controle do peso, mas infelizmente não há 100% de solução para resolver o sobrepeso ou obesidade. Entre os fatores para a obesidade há itens como o metabolismo, genética ou outras questões relacionadas a hábitos de vida dessa pessoa. O crescimento do número de pessoas obesas é uma resposta ao estilo de vida atual. As pessoas têm buscado alimentos prontos, por conta da correria do dia a dia. Isso não é o correto. Mas as pessoas precisam entender que a melhor saída para a obesidade é muito mais do que dizer que basta apenas a pessoa 'tomar vergonha na cara para emagrecer'. A obesidade no Brasil De acordo com a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2018, divulgada pelo Ministério da Saúde em julho passado, os números de obesos no Brasil cresceram 67,8% nos últimos treze anos — saltou de 11,8% em 2006 para 19,8% em 2018, dado mais recente. Os dados da pesquisa apontam crescimento em um número que estava estabilizado nos últimos anos. Desde 2015, a prevalência da obesidade na população brasileira havia se mantido em 18,9%. O levantamento apontou que o crescimento da obesidade foi maior entre os adultos de 25 a 34 anos — 84,2% — e de 35 a 44 anos — 81,1%. Nutricionista gordo "Eu encaro que uma dieta saudável é uma que possua alimentos simples, como arroz, feijão, pão e verduras, sem que a pessoa deixe de comer corretamente. Hoje em dia, a cada hora surge um modismo diferente de dietas. As pessoas cada vez menos procuram aquilo que é natural. Em meu consultório, muitos pacientes relatam que buscam comidas em aplicativos de alimentação no almoço ou no jantar. No fim de 2017, comecei a atender em clínicas, pois antes não atuava em consultórios. Decidi fazer isso quando começou a vir à tona a discussão sobre gordofobia, porque me senti mais confiante para trabalhar diretamente com os pacientes. Nutricionista afirma que seu peso não pode ser considerado "atestado de incompetência" Arquivo Pessoal Acho a discussão sobre a gordofobia muito importante. Mas o movimento que discute o tema tem alguns pontos que não acho tão saudáveis. Alguns debates costumam ser agressivos e cheios de 'verdades'. Para um assunto que está começando a ser discutido, não é possível ser cheio de 'verdades'. É preciso haver descobertas e todo mundo se ajudando. Sou a favor do emagrecimento, desde que aconteça de maneira saudável. Mas o fato de emagrecer tem que ser secundário a outros fatores. A pessoa precisa começar a aprender a escolher os alimentos. O foco é prezar por uma melhor alimentação, que não seja uma dieta restritiva ou que proíba alimentos simples como pães. O emagrecimento pode ser consequência. Quando um paciente me procura pedindo para emagrecer, eu não prometo isso. Prometo melhora nutricional, que pode culminar em um emagrecimento. Mas se a pessoa focar no peso, teremos problemas, porque ela pode não focar na importância do alimento. Já perdi pacientes por causa do meu peso. O problema é que eles nunca deixam claro que estão desconfortáveis por serem atendidos por um nutricionista gordo. Se disserem, ok, eu devolvo o dinheiro da consulta sem problema algum (Cuzziol atende em uma clínica particular em São Caetano do Sul, em São Paulo). Há pouco mais de um ano, depois dos inúmeros comentários sobre o meu peso, decidi usar isso na minha profissão. Nas redes sociais, me tornei o 'Nutricionista gordo'. Estava cansado de explicar que ser nutricionista e ser gordo não é um crime. Muitos ironizam esse fato e acham que é um atestado de incompetência. Quando mudei meu nome nas redes, muitos pacientes passaram a me procurar justamente por causa do modo como me defino, por se sentirem mais à vontade. Me impressiona que isso atinge bastante gente, até mesmo alunos de nutrição e medicina, principalmente aqueles que também são gordos. Uma médica gorda me procurou e me contou que sofre gordofobia no serviço. Ela me perguntou como eu lido com isso, porque é algo que a incomoda muito. Pode ser muito difícil para algumas pessoas mudarem seus conceitos sobre o fato de um nutricionista ser gordo. Mas é importante entender que isso não é um atestado de incompetência. O importante é compreendermos que uma alimentação saudável não se resume à busca pelo emagrecimento. Além disso, acho fundamental que as pessoas entendam que a obesidade precisa ser vista com mais respeito." VÍDEOS Estudo mostra que subnutrição e obesidade são problemas mundiais Obesidade é doença e pode ser causada por vários fatores Veja Mais

Coronavírus deixa 30 milhões de pessoas em 10 cidades na China com restrição de circulação

Glogo - Ciência Vírus já matou 25 pessoas e tem mais de 800 casos confirmados. Restrições incluem fechamento de estações de trens, rodoviárias, transportes urbanos e de circulação de carros por algumas estradas. Ao menos dez cidades na província de Hubei, na China, estão com restrições de circulação nesta sexta-feira (24), o que afeta cerca de 30 milhões de pessoas, de acordo com a rede de notícias CNN. A medida de emergência foi tomada pelas autoridades chinesas para tentar frear a epidemia de coronavírus, que já matou 25 pessoas e tem mais de 800 casos confirmados. Já o jornal americano The New York Times fala que há restrições em 13 cidades, afetando 35 milhões de pessoas. É na província de Hubei que está Wuhan, cidade considerada epicentro da doença. Wuhan está sob quarentena. As outras cidades afetadas pela medida são Ezhou, Huanggang, Chibi, Xiantao, Zhijiang, Qianjiang, Huangshi, Xianning e Yichang. As restrições incluem fechamento de estações de trens, rodoviárias, transportes urbanos e de circulação de carros por algumas estradas. As autoridades ainda não informaram quando essas medidas serão retiradas. Nesta quinta, Pequim anunciou que cancelou as comemorações do Ano Novo chinês, tradicional festividade que deveria começar nesta sexta e duraria uma semana. A iniciativa pretende desestimular a circulação de pessoas pelo país, que poderia colocar possíveis doentes em contato com pessoas saudáveis. (Esta reportagem está em atualização) Veja Mais

Coronavírus: saiba quais são os sintomas e como os países afetados tentam se proteger

Glogo - Ciência Mais de 800 pessoas foram infectadas pela nova versão do vírus, com 25 mortes até esta quinta-feira. China é o país com a maioria dos registros entre os nove países com casos confirmados. Brasileiro em Pequim relata isolamento por causa do coronavírus: ‘Clima apocalíptico' O 2019-nCoV, novo vírus da família dos coronavírus, atingiu mais de 800 pessoas desde a primeira detecção, em 31 de dezembro. A doença tem sintomas similares a outras síndromes respiratórias e, em casos, pode desencadear pneumonia e insuficiência renal. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 25% dos casos notificados são considerados graves. Ciclo do novo coronavírus - transmissão e sintomas Aparecido Gonçalves/Arte G1 O que se sabe e o que ainda é dúvida sobre o coronavírus Cronologia da expansão do novo coronavírus descoberto na China Wuhan, epicentro do coronavírus, é isolada e tem transporte público, trens e voos cancelados Até a quinta-feira (23), foram registrados casos na China e em outros oito países: Estados Unidos, Japão, Tailândia, Taiwan, Coreia do Sul, Vietnã, Singapura e Arábia Saudita. Na China, havia registro da doença em ao menos 14 localidades: Liaoning, Tianjin, Shandong, Pequim, Hubei, Chongquing, Sichuan, Hunan, Yunnan, Macau, Guangdong, Jiangxi, Zheijang e Wuhan. Há ainda casos suspeitos em Hong Kong, nas Filipinas e na Austrália. Raio X do novo coronavírus Amanda Paes e Cido Gonçalves/Arte G1 A transmissão de pessoa para pessoa foi "provada", admitiu o cientista chinês Zhong Nanshan à rede estatal CCTV em 20 de janeiro. O que ainda precisa ser esclarecido, de acordo com o infectologista Leonardo Weissmann, é a capacidade de transmissão. "O vírus é da mesma família dos coronavírus, mas, por ser novo, não se sabe quão contagioso ele é. Sabemos só que as pessoas foram até o mercado da China. Mas qual é o nível de contágio? Pode ser só via aérea, secreções?" – Leonardo Weissmann, infectologista. Weissmann lembrou o caso do sarampo. Apesar de ser um vírus diferente, os cientistas sabem que um paciente pode transmitir para até outras 20 pessoas, o que o torna um vírus bastante contagioso. Sobre o 2019-nCoV, não há ainda uma estatística do tipo, nem taxa de letalidade prevista pelos cientistas. Perfil Homens idosos e com problemas de saúde são mais da metade dos mortos. A idade média das vítimas é de 75 anos, segundo o Comitê Nacional de Saúde da República Popular da China. Para o infectologista da Universidade Federal de São Paulo, Celso Granato, o fato de quase todas as vítimas serem homens pode ser explicado por fator cultural. "Como o início da infecção está relacionado ao mercado de frutos do mar de Wuhan, pode ser que homens frequentem mais esses locais na China." Incubação prolongada Ainda de acordo com o órgão chinês, a maioria das vítimas passou mais de uma semana internada até morrer. Pelo menos duas vítimas ficaram no hospital por um mês ou mais e somente dois morreram apenas quatro dias depois de serem diagnosticados. O tempo de tratamento desde o surgimento dos sintomas até a morte é algo que chama a atenção para o infectologista. "Um mês de tratamento é muito tempo para uma doença respiratória viral. O tempo de incubação do vírus da gripe, por exemplo, é de 24 a 48 horas." Porém, o tempo de incubação prolongada "não quer dizer que o coronavírus é um vírus mais fraco que os que têm tempo de incubação menor", explica Granato. Chega a 18 o número de mortos pelo novo coronavírus que surgiu na China Como se proteger Por enquanto, o Brasil não tem casos confirmados. O Ministério da Saúde descartou cinco casos sob suspeita em Minas Gerais, Distrito Federal, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os países com registros oficiais da doença têm recomendado algumas medidas: Uso de máscara descartável, com troca a cada duas horas Lavar as mãos Em caso de suspeita, ficar em casa e evitar locais de grande circulação Cobrir a boca e o nariz ao espirrar com um lenço, depois descartá-lo no lixo e lavar as mãos Limpar e desinfetar objetos e superfícies frequentemente Tratamento Por enquanto, não há um tratamento específico para o coronavírus, nem uma vacina para a prevenção. A maioria das pessoas – 4% dos infectados morreram até então no surto – irá se recuperar por conta própria. Os sintomas podem ser aliviados com algumas medidas, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, sigla em inglês): Uso de análgésicos para dor e febre Uso de umidificador de ambiente e banho quente para aliviar a dor de garganta e tosse Ingestão de bastante líquido Initial plugin text Veja Mais

Coalizão internacional cria fundo de apoio para pesquisas de vacinas contra o coronavírus

Glogo - Ciência Organização vai financiar três programas contra o surto de pneumonia grave. Órgão regulador russo também havia anunciado pesquisas. Passageiros usam máscaras para evitar a contaminação pelo coronavírus em estação ferroviária de alta velocidade, em Hong Kong, nesta quarta-feira (22) Kin Cheung/AP A Coalizão de Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi) – grupo internacional para o controle de doenças – anunciou um fundo para apoiar três programas de desenvolvimento de vacinas contra o 2019-nCoV, o novo coronavírus. Sem uma forma de imunização disponível, 9 países já foram afetados pelo surto que começou na China. Mais de 600 casos foram registrados, com 18 mortes. O que se sabe e o que ainda é dúvida sobre o coronavírus Cronologia da expansão do novo vírus descoberto na China Na quarta-feira (22), a Rússia, por meio de seu órgão regulador, também havia anunciado que está trabalhando no desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus. De acordo com a Cepi, o objetivo inicial é encontrar candidatos para os testes clínicos o mais rápido possível. Os esforços reunirão a farmacêutica americana Inovio, a Universidade de Queensland, a empresa de biotecnologia Moderna e o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA (NIH). "Devido à rápida disseminação global do vírus 2019-nCoV, o mundo precisa agir rapidamente e em unidade para combater a doença. Nossa intenção com este trabalho é alavancar nossas pesquisas com o coronavírus Mers e em plataformas de resposta rápida para o desenvolvimento mais rápido da vacina do novo 2019-nCoV", disse Richard Hatchett, diretor-executivo do Cepi. O coronavírus Mers, citado por Hatchett, faz parte da mesma família do 2019-nCoV, responsável pelo surto atual. O novo vírus representa a primeira doença de destaque desde a criação do Cepi em Davos em 2017. Em abril de 2018, a coalização anunciou um acordo de parceria no valor de U$ 56 milhões para candidatos à produção de vacinas contra o Mers, entre outras doenças infecciosas. Ciclo do novo coronavírus - transmissão e sintomas Arte/G1 Estudo chinês O novo coronavírus surgido na China pode ter vindo de cobras, animais silvestres que são reservatório do vírus, afirma um estudo da Universidade de Pequim e da Universidade de Bioengenharia de Wuhan. Os primeiros pacientes infectados tiveram contato com carne de animais silvestres vendida no mercado de frutos do mar da cidade de Wuhan. A primeira infecção do novo coronavírus em humanos teria ocorrido depois do contato de frequentadores e trabalhadores do mercado com a carne de cobras. Cobra chinesa (Bungarus multicinctus) que pode ter carregado a nova cepa do coronavírus LiCheng Shih/CCBY2.0 "Muitos pacientes foram potencialmente expostos a animais silvestres no mercado atacadista de frutos do mar de Huanan, onde também eram vendidos aves, cobras, morcegos e outros animais silvestres", diz o estudo. "O surto de pneumonia viral em Wuhan está associado ao histórico de exposição ao reservatório de vírus no mercado atacadista de frutos do mar de Huanan, sugerindo uma possível zoonose. O mercado de frutos do mar também vendia animais vivos, como cobras, marmotas, morcegos, pássaros, sapos, ouriços e coelhos" , aponta trecho do estudo Situação do coronavírus na China Guilherme Luiz Pinheiro/Arte G1 Vírus infecta também animais O coronavírus é uma família de vírus que pode infectar seres humanos e muitas espécies animais diferentes, incluindo suínos, bovinos, cavalos, camelos, gatos, cães, roedores, pássaros, morcegos, coelhos, furões, roedores, cobras e outros animais selvagens. Para achar o possível hospedeiro dessa nova versão do vírus, chamada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2019-nCoV, os pesquisadores realizaram uma análise filogenética de 276 genomas de possíveis animais hospedeiros, coletadas de um banco internacional de dados. OMS sobre o coronavírus: ‘Ainda é cedo para ser considerado uma emergência internacional’ Os genomas, que eram de animais tanto da China como de outros continentes, foram comparados com os traços localizados nas amostras coletadas em pessoas infectadas. "Os resultados de nossa análise sugerem que a cobra é o reservatório de animais silvestres mais provável responsável pelo atual surto de infecção por 2019-nCoV", conclui o estudo. A transmissão teria começado entre espécies de serpentes e de serpentes para humanos. Análises anteriores também mostraram que o sequenciamento genético do vírus vinha de morcegos, mas foi descartada a possibilidade deles serem a fonte direta. Em vez disso, o coronavírus recém-descoberto provavelmente pulou de cobras para humanos - especificamente de uma espécie conhecida como "Chinese Krait" ou cobra chinesa (Bungarus multicinctus). Coronavírus: infectologista explica o que é o vírus, sintomas e prevenção OMS descarta emergência Após dois dias de discussões, a comissão especial da Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu que "ainda é cedo" para declarar emergência internacional devido às infecções do coronavírus. "Não se engane. Esta é uma emergência na China, mas ainda não se tornou uma emergência de saúde global", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. "No momento, a OMS não recomenda restrições mais amplas a viagens ou ao comércio. Recomendamos a triagem na saída nos aeroportos como parte de um conjunto abrangente de medidas de contenção." Até o momento, a OMS usou a denominação "emergência de saúde pública de interesse internacional" apenas em casos raros de epidemias que exigem uma vigorosa resposta internacional, como a gripe suína H1N1 (2009), o zika vírus (2016) e a febre ebola, que devastou parte da população da África Ocidental de 2014 a 2016 e ainda atinge a República democrática do Congo desde 2018. Initial plugin text Veja Mais

O objeto giratório mais rápido do mundo, que pode revelar segredos da física quântica

Glogo - Ciência Um pequeno dispositivo, que gira a 300 bilhões de rotações por minuto, promete ajudar nos avanços da física e da mecânica quântica. O rotor nanométrico gira a uma velocidade de 300 bilhões de rotações por minuto Jaehoon Bang/Universidade Purdue Qual é o objeto que gira mais rápido? Um liquidificador, o pneu de um carro de corrida, a turbina de um avião? Esqueça todos eles. Um novo dispositivo criado por cientistas da Universidade Purdue, nos EUA, deixa para trás qualquer um dos concorrentes em um teste de velocidade de rotação. Trata-se de uma pequena partícula que gira a 300 bilhões de rotações por minuto. Para efeito de comparação, é 500 mil vezes mais rápida que a broca usada pelos dentistas. Além disso, é movida pela força da luz. Afinal, em que consiste este pequeno, porém potente dispositivo, e por que é importante para a ciência? O novo rotor desenvolvido por Li e Ahn é cinco vezes mais rápido do que o criado pela dupla em 2018 Universidade Purdue Um catavento rápido Esse minúsculo rotor em forma de haltere é uma nanopartícula de sílica, um mineral formado por silício e oxigênio. Para colocá-lo em funcionamento, os pesquisadores usaram um laser para sustentá-lo no vácuo e, na sequência, utilizaram outro laser para fazê-lo girar. É como se fosse um catavento de papel que se move com um sopro de luz. Dessa maneira, eles foram capazes de medir e detectar o torque, ou seja, o tipo de força que o faria girar. E foi assim que os criadores deste dispositivo, os físicos Tongcang Li e Jonghoon Ahn, quebraram seu próprio recorde. Em 2018, a dupla havia criado o rotor mais rápido do mundo, mas este que eles desenvolveram agora é cinco vezes mais rápido. A força da luz Você pode não perceber, mas a luz exerce uma pressão constante sobre nós. É o que os especialistas chamam de "pressão de radiação". A luz das lâmpadas do seu escritório, por exemplo, faz uma pressão sobre você, embora essa força seja praticamente imperceptível. Ela é milhões de vezes mais fraca que a gravidade, mas no vácuo é possível sentir a pressão de radiação. O rotor gira impulsionado pela força da luz Universidade Purdue Li e Ahn usaram lasers concentrados para fazer o dispositivo levitar e girar mediante a pressão de radiação. Além de ter velocidade recorde, o rotor também é entre 600 e 700 vezes mais sensível a uma força de torque do que qualquer outro dispositivo existente. E para que serve? A criação de Li e Ahn pode ser útil para investigar efeitos em escalas quânticas, como o atrito a vácuo. É comum acreditar que não há nada no vácuo, mas, na realidade, existe um grande número de partículas que aparecem e desaparecem constantemente — e podem influenciar o comportamento dos objetos. Também pode servir para entender melhor o magnetismo em escalas nanométricas, um fenômeno que mais tarde poderia servir para desenvolver e controlar dispositivos nanoeletrônicos, uma das grandes apostas da mecânica quântica. Compreender melhor a pressão de radiação pode ser bastante útil ainda para o desenvolvimento de satélites que se deslocam e definem sua direção a partir da força da luz, como veleiros cósmicos que navegam no espaço movidos por ventos de luz. Veja Mais

Uso de máscaras pode conter disseminação de doenças?

Glogo - Ciência Virologistas são céticos em relação à real eficácia dessas máscaras contra vírus e bactérias que circulam no ar. Cientistas mantêm ceticismo em relação à eficácia do uso de máscaras para evitar a propagação de vírus Getty Images Uma das imagens mais comuns no surgimento de surtos e epidemias é a de pessoas usando máscaras cirúrgicas. A prática de usá-la a fim de prevenir infecções é popular em diversos países do mundo, mais recentemente na China em meio à atual disseminação de um novo tipo de coronavírus, além de visar a proteção contra altos níveis de poluição. Virologistas, entretanto, são céticos em relação à real eficácia dessas máscaras contra vírus e bactérias que circulam no ar. Mas há algumas evidências que sugerem que esse tipo de equipamento pode ajudar a prevenir as transmissões de micro-organismos das mãos para a boca. Das salas de cirurgia às ruas Máscaras cirúrgicas começaram a ser adotadas em hospitais no fim do século 18, mas só passaram a ser usadas pelo grande público na epidemia da gripe espanhola em 1919, que matou mais de 50 milhões de pessoas. David Carrington, professor da Universidade de Londres, afirmou à BBC News que esse tipo de máscara não é eficaz contra vírus e bactérias que circulam no ar porque elas são muito frouxas, não têm filtro de ar e deixam os olhos expostos. Elas, no entanto, podem ser úteis para minimizar o risco de contrair um vírus por meio de respingos de espirros ou tosses, além de evitar a contaminação mão-boca. Máscaras do tipo cirúrgico ajudam a proteger de respingos de espirros e tosses, mas não evitam completamente a contaminação área Getty Images Um estudo britânico de 2016 indica que as pessoas tocam seus rostos cerca de 23 vezes por hora. Jonathan Ball, professor de virologia molecular da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, afirmou que "em um estudo bem controlado num hospital, as máscaras de rosto do tipo respirador são boas para prevenir infecções por influenza do tipo. Respiradores, que tendem a proporcionar uma filtragem acurada do ar, são desenhados para proteção contra partículas aéreas com potencial perigoso. "No entanto, quando você analisa os estudos que tratam da eficácia de máscaras na população em geral, os resultados são menos animadores. É um grande desafio, por exemplo, manter uma máscara no rosto por um tempo prolongado", disse Ball. Higiene das mãos é mais eficaz, dizem especialistas Connor Bamford, do Instituto Wellcome-Wolfson para Medicina Experimental, na Irlanda do Norte, afirmou que "a adoção de medidas simples de higiene são muito mais eficientes". "Cobrir a boca enquanto espirra, lavar as mãos e não colocar as mãos na boca antes de lavá-las podem ajudar a limitar o risco de contrair qualquer vírus respiratório." O NHS (serviço de saúde pública do Reino Unido) recomenda que a melhor maneira de contrair vírus como o da gripe é: lavar as mãos regularmente com água morna e sabão evitar tocar os olhos e o nariz sempre que possível manter um estilo de vida saudável Jake Dunning, chefe de zoonoses e infecções do serviço público de saúde inglês, disse que o uso de máscaras cirúrgicas pelo grande público tende a reduzir o cuidado pessoal com higiene, por exemplo. "As pessoas mantêm mais o foco na higiene das mãos quanto estão preocupadas." O que se sabe sobre o novo surto que começou na China? Na China, ao menos 17 pessoas morreram em decorrência do vírus do tipo corona surgido em dezembro. EPA/RUNGROJ YONGRIT Um vírus desconhecido pela ciência até há pouco vem causando uma doença pulmonar grave em centenas de pessoas na China, e já foi detectado nos Estados Unidos, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul e Macau. Ao menos 17 pessoas morreram em decorrência do vírus, que surgiu em dezembro passado na cidade chinesa de Wuhan. Ele infectou 440 pessoas, segundo registros oficiais. Amostras do 2019-nCoV, como é chamado, foram coletadas de pacientes e analisadas em laboratório, e autoridades da China e da OMS concluíram que a infecção é um coronavírus. O vírus causa febre, tosse, falta de ar e dificuldade em respirar. Em casos mais graves, pode evoluir para pneumonia e síndrome respiratória aguda grave ou causar insuficiência renal. Os casos têm sido associados ao mercado público de frutos do mar em Wuhan. Autoridades chinesas afirmam que há casos de transmissão do vírus de uma pessoa para outra, envolvendo inclusive profissionais de saúde que foram infectados durante o tratamento de pacientes com a mesma doença. Há uma grande preocupação em torno de novos vírus que infectam pulmões, já que tosses e espirros são meios altamente eficazes de alastramento de uma doença. Veja Mais

Governo fala sobre o coronavírus no Brasil

Glogo - Ciência Governo de Minas disse ontem que caso suspeito era investigado em BH; Ministério da Saúde nega que caso se enquadre. Governo fala sobre o coronavírus no Brasil Governo de Minas disse ontem que caso suspeito era investigado em BH; Ministério da Saúde nega que caso se enquadre. Veja Mais

Coronavírus: segunda cidade chinesa é posta em quarentena

Glogo - Ciência Com mais de 7,5 milhões de habitantes, o município de Huanggang foi isolado pelas autoridades nesta quinta-feira (23). Mulheres usando máscaras para se prevenir da Mers tiram selfie em Seul, na Coreia do Sul AP Photo/Ahn Young-joon A China pôs em quarentena uma segunda cidade do país para tentar conter uma epidemia de coronavírus que inicialmente afetou a metrópole de Wuhan. Nesta quinta-feira (23), o município de Huanggang, onde vivem 7,5 milhões de habitantes foi isolado pelas autoridades. Segundo a agência France Presse, o prefeito de Huanggang suspendeu a circulação de trens da cidade situada a 70 quilômetros de Wuhan, a medida vale até o final desta quinta, quando poderá ser retirada ou mantida pelas autoridades locais. Cidade chinesa de Wuhan é isolada e tem transporte público, trens e voos cancelados A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu o primeiro alerta da doença em 31 de dezembro de 2019, depois que autoridades chinesas notificaram casos de uma misteriosa pneumonia na cidade de Wuhan. Foram, então, adotadas medidas como isolamento de pacientes e realização de exames para identificar a origem da doença. Além da China, Estados Unidos, Japão, Tailândia, Taiwan e Coreia do Sul já registraram pacientes afetados pelo vírus, que provoca um tipo de pneumonia. Há ainda casos suspeitos no México, em Hong Kong, nas Filipinas e na Austrália. Nesta quarta-feira (22), subiu para 17 o número de mortes e para mais de 500 o de casos de infecções por coronavírus. Desde o primeiro alerta, emitido em dezembro de 2019 na China, o vírus já viajou para os Estados Unidos, Japão, Tailândia, Taiwan e Coreia do Sul. A geolocalização do dos infectados pelo coronavírus. Arte/G1 Veja Mais

O que é a sepse, doença que mais mata no mundo

Glogo - Ciência Segundo estudo assinado por 24 pesquisadores de universidades de seis países baseado em registros médicos de 195 nações, 11 milhões de pessoas morrem todos os anos por causa de septicemia, mais do que mata o câncer. Sepse é causada por uma reação desmedida do corpo contra infecção. Getty Images Uma em cada 5 mortes no mundo é causada por sepse, conhecida também como "envenenamento do sangue" — a cifra é fruto da mais ampla análise já feita sobre essa enfermidade. Segundo estudo assinado por 24 pesquisadores de universidades de seis países baseado em registros médicos de 195 nações, 11 milhões de pessoas morrem todos os anos por causa de septicemia, mais do que as mortes por câncer. Os pesquisadores por trás do estudo afirmam que as cifras são "alarmantes" porque são o dobro das estimativas anteriores. A maioria dos casos ocorre em países de renda baixa ou média, mas há cada vez mais nações ricas lidando com o problema. 'Assassina silenciosa' Sepse (ou sépsis ou septicemia) é conhecida como "assassina silenciosa" por ser muito difícil de ser detectada. A sepse é uma resposta sistêmica do organismo a uma infecção, que pode ser causada por bactérias, vírus, fungos ou protozoários. Normalmente, o sistema imunológico entra em ação para atacar a infecção e impedi-la de se espalhar. Mas, se ela consegue avançar pelo corpo, a defesa do organismo lança uma resposta inflamatória sistêmica na tentativa de combatê-la e o sistema imunológico pode entrar em colapso porque, ao combater uma infecção, passa também atacar outras partes do próprio corpo. Em última instância causa falência de órgãos, e sobreviventes podem ter graves sequelas. Quando não diagnosticada e tratada rapidamente, ela pode comprometer o funcionamento de um ou vários órgãos do paciente e levar à morte. Quando o paciente atinge um quadro de choque séptico, a pressão sanguínea cai para níveis baixos e perigosos, reduzindo a oxigenação de órgãos, comprometendo seu funcionamento. O choque séptico, segundo o serviço de saúde britânico (NHS), pode ocorrer como uma complicação da sepse. Qualquer processo infeccioso, seja uma pneumonia ou infecção urinária, por exemplo, pode evoluir para um quadro de sepse. Por que houve um salto nos números? Principais gatilhos da sepse são bactérias e vírus que causam infecções intestinais ou pulmonares. Getty Images Estimativas globais anteriores, que chegavam a 19 milhões de casos e 5 milhões de mortes por ano, se baseavam apenas em alguns países ocidentais. Mas a análise da Universidade de Washington, publicada na revista científica Lancet e baseada em registros médicos de 195 nações, fala em 49 milhões de casos por ano. As 11 milhões de mortes por sepse representam 1 em cada 5 mortos ao redor do mundo. "Eu trabalhei na zona rural de Uganda e vemos casos de sepse todos os dias", afirma a pesquisadora e professora-assistente Kristina Rudd, da Universidade de Pittsburgh. "Então de certo modo essa descoberta não foi uma surpresa, mas eu não esperava que fosse o dobro do que se estimava." A boa notícia da análise é que o número de casos e de mortes tem caído desde 1990. Houve uma queda de 50% nas últimas duas décadas. Os pesquisadores esperam também que um melhor entendimento sobre a verdadeira dimensão do problema pode ampliar o nível de alerta e salvar mais vidas. Quem são os principais afetados? A grande maioria dos casos (85%) está em países pobres ou em desenvolvimento. Crianças com menos de cinco anos representam 4 em cada 10 casos. Mas o combate à sepse é um desafio mesmo em países ricos como o Reino Unido, onde a taxa de mortes é maior do que em outras nações, como Espanha, França e Canadá. O governo britânico registra cerca de 48 mil mortes por ano em decorrência da doença, em meio a pressões crescentes por uma identificação mais ágil e precoce a fim de iniciar o tratamento. Estima-se que o Brasil tenha 400 mil casos de sepse por ano. O que pode ser feito? A redução do número de infecções pode levar à redução do número de casos de sepse. Para muitos países, isso significa melhor saneamento básico, água limpa e acesso a vacinas. Outro grande desafio é melhorar o sistema de identificação de pacientes com sepse para serem tratados antes que seja tarde demais. Um tratamento precoce com antibióticos ou antivirais para eliminar a infecção pode fazer uma grande diferença. "Nós precisamos renovar o foco na prevenção da sepse entre recém-nascidos e no combate à resistência aos antibióticos, um fator importante dessa enfermidade", afirmou Mohsen Naghavi, pesquisador da Universidade de Washington. Quais são os sintomas de sepse? A organização britânica UK Sepsis Trust, que se dedica a informar sobre a doença e a ajudar pacientes, lista sintomas que devem servir de alerta: Fala comprometida, arrastada ou tontura; Tremores extremos ou dores musculares; Baixa produção de urina (passar um dia sem urinar); Falta de ar grave; Pele manchada ou pálida; Confusão mental ou, em alguns casos, perda de consciência; Diarreia, enjoos ou vômito. Já os sintomas em crianças pequenas incluem: Aparência manchada, azulada ou pálida; Muito letárgico ou com dificuldade para acordar; Pele muito fria; Respiração muito rápida; Mancha cutânea que não desaparece quando você a pressiona; Convulsão. Veja Mais

Governo de Minas investiga caso suspeito de coronavírus em Belo Horizonte

Glogo - Ciência Trata-se de uma brasileira que veio da China. Ministério da Saúde afirma que caso não se enquadra na definição da OMS. A paciente foi encaminhada para o Hospital Eduardo de Menezes, em BH Mulher com suspeita de coronavírus está internada no Hospital Eduardo de Menezes Herbert Cabral/TV Globo Minas Gerais investiga 1º caso suspeito de coronavírus A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) investiga suspeita de coronavírus em Belo Horizonte. A paciente é uma mulher, brasileira, de 35 anos, que veio de Xangai, na China. Os exames capazes de confirmar ou descartar a hipótese diagnóstica estão em andamento em laboratórios de referência. Em nota, o Ministério da Saúde disse que, até o momento, não há detecção de nenhum caso suspeito no Brasil de pneumonia "relacionado ao evento na China". A pasta falou também que "o caso noticiado pela SES/MG não se enquadra na definição de caso suspeito da Organização Mundial da Saúde (OMS)". A SES informou que o caso em questão foi notificado ao órgão como suspeito e que as investigações "precisarão seguir o curso definido até sua conclusão". O que se sabe sobre a doença Paciente com suspeita de infeccção por coronavírus deu entrada na UPA Centro-Sul O caso foi identificado nesta terça-feira (21) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A paciente desembarcou na capital mineira no dia 18 de janeiro. Ela apresenta sintomas respiratórios compatíveis com a doença respiratória viral aguda. "Tendo em vista o contexto epidemiológico atual do país onde a paciente esteve, foi considerada a hipótese de doença causada pelo novo coronavírus, que é microorganismo de alerta sanitário internacional, considerando o potencial pandêmico com alto risco à vida e impacto assistencial", disse a nota da SES. A mulher está internada no Hospital Eduardo de Menezes, na Região do Barreiro, em Belo Horizonte. A paciente está clinicamente estável e o caso segue em investigação. Segundo a SES, a paciente não esteve na região de Wunhan, megalópole de 11 milhões de habitantes, em que foram registrados os primeiros casos de contaminação. Segundo a OMS, só há transmissão ativa do vírus nesta província. A paciente disse também que não teve contato com pessoa sintomática na China. (leia nota na íntegra no fim desta reportagem) De acordo com a assessoria de imprensa do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, o terminal não foi notificado sobre o caso suspeito. Registros Casos da doença já foram registrados em Macau, na costa sul chinesa, e em vários outros países. Além da China, Estados Unidos, Japão, Tailândia, Taiwan e Coreia do Sul já foram afetados pelo vírus, que provoca um tipo de pneumonia. Há casos suspeitos no México, em Hong Kong, nas Filipinas e na Austrália. A Organização Mundial da Saúde (OMS) se reúne nesta quarta em Genebra, na Suíça, e pode decretar “emergência de saúde pública de interesse internacional”. Até o momento, a OMS usou essa denominação apenas em casos raros de epidemias que exigem uma vigorosa resposta internacional, como a gripe suína H1N1 (2009), o zika vírus ( 2016) e a febre ebola, que devastou parte da população da África Ocidental de 2014 a 2016 e atinge a República democrática do Congo desde 2018. Entenda o que é e como age o coronavírus Sintomas e transmissão Chamado de 2019-nCoV, o coronavírus causa febre, tosse, falta de ar e dificuldade em respirar. É um tipo de pneumonia que é transmitida de pessoa para pessoa. Parece ser uma nova cepa de um coronavírus que não havia sido previamente identificado em humanos — coronavírus são uma ampla família de vírus, mas poucos deles são capazes de infectar pessoas. O período de incubação e a origem do vírus ainda não foram identificados. Porém, a fonte primária é provavelmente um animal, de acordo com a OMS. As autoridades chinesas vincularam o surto a um mercado de frutos do mar na cidade chinesa de Wuhan, onde os primeiros casos foram registrados. Leia a nota da SES na íntegra: "Sobre o Caso suspeito de Coronavírus, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, informa: Em 21/01/2020 foi identificada na UPA Centro Sul de Belo Horizonte uma paciente, brasileira, de 35 anos, proveniente da China (esteve em Shangai) e que desembarcou em Belo Horizonte no dia 18/01, com sintomas respiratórios, compatíveis com doença respiratória viral aguda. O caso foi notificado como suspeito. Tendo em vista o contexto epidemiológico atual do país onde a paciente esteve, foi considerada a hipótese de doença causada pelo novo Coronavírus, que é microorganismo de alerta sanitário internacional, considerando o potencial pandêmico com alto risco à vida e impacto assistencial. Apesar de não apresentar qualquer sinal indicativo de gravidade clínica, a paciente foi conduzida rapidamente para o HEM para observação cuidadosa em ambiente hospitalar. O Hospital Eduardo de Menezes (HEM) foi prontamente acionado pelo CIEVS-MG e CIEVS-BH e se organizou em poucos minutos para receber a paciente. Todas as medidas assistenciais para redução de risco de transmissão foram tomadas. Este caso foi notificado como suspeito para Coronavírus e a paciente está clinicamente estável e o caso segue em investigação. Conforme informações que foram repassadas pela paciente ao CIEVS BH, a mesma relatou que não esteve na região de Wunhan e que também não teve contato com pessoa sintomática na China. Os exames capazes de confirmar ou descartar a hipótese diagnóstica encontram-se em andamento em laboratórios de referência. O HEM é referência estadual para o atendimento de doenças infectocontagiosas, emergências em saúde pública e atenção aos agravos de interesse sanitário e que para esses casos é necessária resposta rápida e qualificada, com isolamento em área específica e monitoramento clínico cuidadoso e de resultados de exames. Alerta regionais - A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informa que no dia 20/01/2020, a Organização Pan Americana de Saúde (OPS) emitiu o Alerta Novo Corononavírus. De acordo com o documento, diante da situação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Panamericana de Saúde (OPS) orientam os Estados Membros a fortalecerem as atividades de vigilância para detectar qualquer evento incomum de saúde respiratória. A SES-MG emitiu o alerta para as unidades regionais de saúde, que repassarão a orientação da OMS e da OPAS aos municípios mineiros. Mais informações em: 20 de enero de 2020: Nuevo coronavirus (nCoV) - Actualización Epidemiológica Alerta Epidemiológica Nuevo coronavirus (nCoV) Os coronavírus (CoV) são uma grande família viral, conhecidos desde meados dos anos 1960, que causam infecções respiratórias em seres humanos e em animais. Geralmente, infecções por coronavírus causam doenças respiratórias leves a moderadas, semelhantes a um resfriado comum. A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem. Segundo informações divulgadas pelo Centro de Controle de Doenças Americado - CDC e Organização Mundial da Saúde – WHO, as autoridades chinesas relataram que um novo coronavírus (nCoV) foi identificado no país. Atualmente são 300 casos confirmados na China. No dia 21 de janeiro de 2020 foi identificado o primeiro caso nos EUA. Também já foram identificados casos em outros países (Japão, Tailândia, Coreia do Sul), todos os casos identificados foram de pessoas que estiveram na região de transmissão. Coronavírus atingiu vários países Rodrigos Sanches/ G1 Initial plugin text Essa reportagem está em atualização ​​ Veja Mais

Anvisa aprova proposta que simplifica importação de produtos à base de canabidiol

Glogo - Ciência Processo passa a ser totalmente online, sem envio de documentação pelos Correios. Atualmente, análise de cada pedido dura em média 75 dias, segundo a Anvisa. Planta de 'Cannabis sativa', da qual é possível extrair o canabidiol Kimzy Nanney/Unsplash A diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (22) uma proposta para simplificar o procedimento para importação de produto à base de canabidiol para uso pessoal. Anvisa libera venda de produtos à base de cannabis em farmácias No começo de dezembro o órgão liberou a venda em farmácias de produtos à base de cannabis para uso medicinal no Brasil. Ainda no ano passado, a Anvisa rejeitou o cultivo de maconha para fins medicinais no Brasil. Com a decisão que veta o cultivo, fabricantes que desejarem entrar no mercado precisarão importar o extrato da planta. A decisão desta quarta-feira tem foco nos pacientes que importam os medicamentos já disponíveis no mercado internacional. Nova resolução A nova resolução vai começar a valer a partir da publicação no Diário Oficial da União (DOU), o que ainda não tem data prevista para ocorrer. Uma minuta da nova resolução foi divulgada na reunião da Diretoria Colegiada da Anvisa. Veja abaixo as principais mudanças: Fim da exigência do paciente informar a quantidade do medicamento a ser importado. O monitoramento passa a ser feito na alfândega. Ampliação da validade de autorização de importação de um para dois anos. Extinção da lista de produtos analisados pela Anvisa, para evitar "o favorecimento indevido de empresas e produtos". A importação pode ser realizada pelo responsável legal do paciente ou por procurador legalmente constituído. Fim do envio postal de documentação; agora o pedido de autorização será feito exclusivamente pelo Portal Único do Cidadão. Anvisa libera venda de produtos à base de cannabis, mas cultivo é proibido Julgamento O presidente-diretor do Dicol, Antonio Barra Torres, relator da proposta, ressaltou durante o voto que a espera para análise do pedido de autorização de importação é de 75 dias atualmente. O impacto prático da nova norma neste prazo, no entanto, não foi informado. Ao justificar a aprovação da medida, Torres ressaltou que a simplificação do processo é necessária, pois "tratam de pedidos de pacientes em tratamento, em sua maioria, de doenças graves e em uso contínuo de produto". O posicionamento do relator foi acompanhado posteriormente pelos diretores Fernando Mendes e Alessandra Bastos. Processo Apesar da simplificação, todo o trâmite continua a exigir documentos e comprovação da necessidade efetiva do mediamento. O passo básico é que o cadastramento [no Portal Único] exige a receita emitida por profissional legalmente habilitado, contendo obrigatoriamente o nome do paciente e do produto, posologia, data, assinatura e número do registro ou profissional prescritor. Uma das possibilidades ainda previstas no processo é que a importação do produto poderá ser intermediada por entidade hospitalar ou unidade governamental ligada à área de saúde. Veja Mais

Entenda como o estresse prejudica o coração

Glogo - Ciência Liberação de hormônios pode alterar a pressão arterial e causar arritmias; saiba como prevenir Situações de estresse são naturais na rotina e precisam ser gerenciadas com prática de exercícios e alimentação adequada Shutterstock Você se considera uma pessoa estressada? Sai do trabalho de cabeça quente, não consegue dormir pensando nas tarefas do dia seguinte, costuma bater boca no churrasco da família? Mesmo que passar por essas situações seja normal e faça parte da vida, encarar os desafios de forma mais tranquila faz bem não só para a cabeça, mas também para o coração. Literalmente. Como a vida moderna aumentou o estresse – e como podemos evitá-lo Entenda diferenças entre burnout, estresse e depressão Estresse: como funciona, sintomas e soluções O estresse libera no corpo hormônios como adrenalina e noradrenalina, substâncias vasoconstritoras. Como diz o nome, elas constringem, isto é, estreitam os vasos, elevando a pressão arterial e levando a uma alta na frequência cardíaca. Esse aumento pode também ser caracterizado por arritmias, batimentos descoordenados do coração, especialmente em quem já tem algum tipo de problema cardíaco. Mas o estresse, por si só, não é o vilão. Ele é uma reação natural (e, em alguns casos, benéfica) a uma situação de risco. “É uma necessidade de autoproteção da pessoa. Se você tentar, por exemplo, atravessar a Avenida Paulista e não tiver o mínimo de estresse, a chance de ser atropelado é enorme. É natural que, frente às mais diversas situações, ocorra algum nível de estresse saudável. O problema é quando o estímulo é permanente, passa do limite e começa a gerar dano à sua atividade normal”, explica o cardiologista, clínico geral do HCor e médico assistente da Unifesp, Abrão Cury. Para não chegar a esse extremo, os médicos recomendam uma receita clássica: combinar uma alimentação saudável à prática regular de exercícios físicos. “Um fator que diminui muito o estresse é a liberação de endorfina, que neutraliza a adrenalina. E a endorfina é secretada em exercícios mais intensos”, explica o cardiologista e coordenador da Diretriz de Prevenção 2019 da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Dalton Precoma. Precoma esclarece que existe uma diferença entre atividade e exercício físico. “Uma caminhada até o trabalho, por exemplo, é uma atividade física. É útil, mas não caracteriza um exercício físico, que acontece quando você passa a frequentar uma praça, uma academia, uma aula com regularidade, como natação, caminhada ou bicicleta. O ideal é fazer 150 minutos de exercício semanais, divididos de três a cinco vezes por semana”, explica. Além disso, o convívio social, a manutenção da qualidade do sono e o tratamento de doenças são outros hábitos que contribuem para a redução do estresse. “Sobretudo, deve haver uma mudança de estilo de vida, e o cardiologista deve orientar todos esses fatores”, afirma. O diretor administrativo da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj), Pedro Spineti, acrescenta que estratégias de relaxamento e meditação têm mostrado benefícios em redução de níveis de pressão arterial e de arritmias. “Nem sempre a gente precisa medicalizar, mas a gente precisa aprender a lidar melhor com o que os tempos atuais nos impõem”, observa. Coração partido Embora seja uma doença mais rara, a síndrome do coração partido (também conhecida como síndrome de Takotsuba ou cardiopatia do estresse) provoca sintomas semelhantes aos de infarto, como dor no peito e falta de ar. Apesar disso, não se caracteriza como um infarto do miocárdio “tradicional”, aquele em que as artérias são entupidas por uma placa de gordura. No caso da síndrome, a artéria coronária sofre um fechamento abrupto e temporário por liberação de enzimas que dilatam o coração. A síndrome do coração partido pode ocorrer em eventos de alto estresse, como falecimento de um familiar, catástrofes naturais e outras situações de grande choque para o indivíduo. “Do ponto de vista do estresse crônico, o efeito no coração está mais relacionado ao aumento da pressão arterial a longo prazo e aceleração da frequência cardíaca. Na síndrome de Takotsuba, o estresse é agudo e há um aumento das enzimas cardíacas que podem fazer o coração dilatar, mas em geral é uma condição reversível”, explica Spineti. Se houver sintomas de infarto (dor no peito, falta de ar, fadiga, sensação de cansaço), o ideal é levar o paciente para a emergência mais próxima, pois apenas um cardiologista pode avaliar no cateterismo se se trata de um infarto do miocárdio (com entupimento da artéria) ou de uma condição como a Takotsuba. VÍDEOS SOBRE ESTRESSE Matérias de arquivo falam sobre a síndrome do coração partido e o estresse, confira nos vídeos abaixo: Entenda a síndrome do coração partido Pesquisadores canadenses dizem que stress pode ser contagioso Saiba quais os alimentos que podem ajudar a controlar os sintomas de estresse e ansiedade Veja Mais

O que é a 'Grande Barreira' do Sistema Solar e o que ela nos diz sobre a origem da vida

Glogo - Ciência Os planetas do Sistema Solar são divididos em dois tipos: terrestres e gasosos. Até agora, pensava-se que Júpiter era responsável pela existência dessa barreira, mas um novo estudo mostra que sua origem é outra. Além disso, ele revela que a fronteira não é intransponível, o que ajuda a explicar a origem da vida na Terra. Júpiter, Saturno, Urano e Netuno são gasosos, congelados e ricos em materiais carbônicos. Getty Images via BBC Assim como, na Terra, barreiras como cadeias de montanhas separam territórios, o Sistema Solar também possui uma divisa que demarca duas áreas muito distintas. Essa separação está localizada entre Marte e Júpiter. Em um estudo recente, alguns cientistas se referiram a essa fronteira como a "Grande Barreira". A fronteira marca o que poderia ser comparado com dois continentes diferentes. De um lado, está o continente dos chamados planetas terrestres (aqueles de formação sólida): Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. Esses planetas, os mais próximos do Sol, são quentes, rochosos e cheios de metal. Do outro lado da fronteira fica o continente dos planetas jovianos (ou gasosos): Júpiter e, ao lado dele, Saturno, Urano e Netuno. Diferentemente dos terrestres, esses são gasosos, congelados e ricos em materiais carbônicos. A composição química do grupo de planetas de ambos os lados da fronteira é muito diferente. É como se de um lado fosse uma floresta e, do outro, um deserto. "Essa é uma diferença profunda", diz Stephen Mojzsis, professor de ciências biológicas da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, e autor de uma pesquisa que mudou nossa compreensão sobre a Grande Barreira. O que é Grande Barreira? Entre Marte e Júpiter há uma região conhecida como "cinturão de asteroides". Estima-se que essa faixa possa ter milhões de asteroides, mas, além disso, ao atingir a órbita de Júpiter, existe uma região de espaço vazio: é ali que fica a Grande Barreira. Por vários anos, pensou-se que Júpiter era responsável pela existência da lacuna Divulgação/Alejandro Diaz Mas como foi criada essa faixa que divide o Sistema Solar em duas regiões tão diferentes? E o que acontece naquela área de "parede", que impedia os materiais que formavam os planetas de passarem de um lado para outro? Por muitos anos, pensou-se que a formação de Júpiter fosse responsável pela existência da barreira. O planeta é tão gigantesco que talvez tenha agido como um ímã gravitacional que impedia a passagem de outros materiais. É como se ele fosse um guardião que diminuísse a passagem de corpos sólidos de um lado da fronteira para o outro durante a formação dos planetas. Isso explicaria as diferenças na composição dos planetas em cada um dos grupos. O estudo de Mojzsis, no entanto, revela que Júpiter não é o responsável por essa fronteira. Usando simulações de computadores, Mojzsis e sua equipe calcularam que, embora Júpiter seja enorme, durante sua fase de formação, ele não era grande o suficiente para bloquear o fluxo de corpos rochosos. Por meio de pesquisas do telescópio Alma, no Chile, Mojzsis observou que muitas estrelas distantes estão cercadas por discos de gás e poeira. Observatório Alma, no Deserto do Atacama, no Chile. Alma Assim, o cientista concluiu que, se um anel semelhante existisse bilhões de anos atrás em nosso Sistema Solar, ele poderia ser responsável pelo surgimento da Grande Barreira. Segundo a pesquisa de Mojzsis, esse anel criou um sistema de alta e baixa pressão que separava os materiais que formariam os planetas. Uma barreira porosa Mas a fronteira não é intransponível, e isso tem implicações importantes para a vida na Terra. Apesar da diferença nas pressões, alguns materiais conseguiram passar de um lado da barreira para o outro — e esses "invasores" desempenharam um papel fundamental na formação química do nosso planeta. Entre os "fugitivos" que conseguiram atravessar a fronteira estavam materiais ricos em carbono, que, por sua vez, ajudaram na formação da água e na evolução que tornou possível a vida na Terra. VÍDEOS SOBRE ASTRONOMIA Nasa descobre planeta com tamanho da Terra em zona 'habitável' Cientistas anunciam descoberta de água na atmosfera de um planeta fora do sistema solar Veja Mais

Coronavírus na China: após casos triplicarem, o que se sabe sobre a misteriosa doença

Glogo - Ciência China confirma três mortes, 200 casos e transmissão entre humanos de vírus que causa pneumonia. Viajantes na estação de trem de Pequim, na China, usam máscaras nesta segunda-feira (20) para se proteger do novo vírus que surgiu no país. Mark Schiefelbein/AP Um misterioso vírus que causa problemas respiratórios tem colocado a China e o mundo em estado de alerta: o coronavírus já se espalhou de seu ponto inicial, a cidade de Wuhan (centro-leste chinês), para outras grandes metrópoles como Pequim e teve mais de 200 casos oficialmente registrados, com três mortes confirmadas. Além disso, a China confirmou que o vírus — que causa um tipo de pneumonia — é transmitido de pessoa para pessoa. Uma grande preocupação é com o Ano-Novo Lunar chinês, cuja celebração começa nesta semana e que leva centenas de milhões de chineses a viajarem pelo país para as festividades. Há registros de casos do coronavírus no Japão, na Tailândia e na Coreia do Sul. E o fato de o vírus ter se espalhado para além da China faz cientistas britânicos acreditarem que o número de infectados seja maior do que o divulgado oficialmente e se aproxime de 1,7 mil casos. No Brasil, o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde informa que não há nenhum caso suspeito, mas a pasta diz que enviou comunicado às representações da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) em portos e aeroportos para que viajantes sejam orientados a tomar medidas de precauções em viagens ao exterior e para a "revisão dos principais aeroportos de conexão provenientes da China para identificação e mensuração dos riscos". O que é o coronavírus? Membros de uma equipe médica transportam um paciente para o hospital Jinyintan, onde pacientes infectados por um vírus misterioso estão sendo tratados, em Wuhan, na província central de Hubei, na China, neste sábado (18) AFP Chamado de 2019-nCoV, o vírus causa febre, tosse, falta de ar e dificuldade em respirar. Parece ser uma nova cepa de um coronavírus que não havia sido previamente identificado em humanos — coronavírus são uma ampla família de vírus, mas poucos deles são capaz de infectar pessoas. Até agora, os cientistas acreditam que a fonte primária do vírus seja animal, provavelmente de um mercado de alimentos em Wuhan, mas ainda não foi identificado o caminho inicial de transmissão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ocorreram também "limitadas transmissões de humano para humano". Isso também foi confirmado pela agência de notícias Xinhua, que citou dois casos. É uma novidade: anteriormente, as autoridades chinesas sustentavam que a transmissão vinha se dando pelo contato com animais infectados em um mercado de alimentos em Wuhan. Por isso, a orientação em locais de risco é evitar o contato "desprotegido" com animais ou com pessoas com sintomas semelhantes aos de gripe e resfriado. Além disso, recomenda-se que carnes e ovos só sejam ingeridos depois de devidamente cozidos. O estado de alerta atual traz à tona memórias do vírus Sars (também um coronavírus), que matou 774 pessoas em 2002 em dezenas de países, a maioria deles na Ásia. E análises genéticas do novo vírus mostram que ele tem mais parentesco com o Sars do que qualquer outro coronavírus humano. Acredita-se que o surto surgiu na cidade chinesa de Wuhan Getty Images/BBC Por enquanto, a OMS não recomenda restrições em viagens ou no comércio internacional em decorrência do vírus, mas ao mesmo tempo tem oferecido orientação a países para se prepararem. Aeroportos em Cingapura, Tóquio e Hong Kong estão examinando passageiros aéreos vindos de Wuhan, e autoridades americanas anunciaram medidas semelhantes em três grandes aeroportos do país: San Francisco, Los Angeles e Nova York. As infecções Autoridades de Wuhan, cidade central chinesa com 11 milhões de habitantes — e que é o epicentro da epidemia —, afirmaram na segunda-feira (20) que 136 novos casos de 2019-nCoV e uma terceira vítima fatal foram confirmados no fim de semana. Até então, eram 62 casos oficiais. Até a noite de domingo, 170 pessoas estavam internadas em hospitais de Wuhan, nove delas em estado crítico. Em Pequim, são ao menos cinco casos confirmados. Um paciente foi diagnosticado com a doença em Xangai (uma mulher vinda de Wuhan). No exterior, há quatro registros de casos: dois na Tailândia, um no Japão e um na Coreia do Sul. Todos envolvem pessoas que são de Wuhan ou visitaram a cidade chinesa. Nesta segunda-feira, o presidente chinês, Xi Jinping, fez seu primeiro pronunciamento público sobre o surto, dizendo que o vírus deve ser "decididamente contido". Nesta semana, a maioria dos chineses iniciará os festejos (de uma semana) pelo Ano-Novo Lunar, quando viajarão pelo país para visitar familiares. Isso desperta o temor de mais contaminação e de que as autoridades chinesas tenham dificuldade em monitorar o avanço da doença. Em Wuhan, que é um hub de transportes do país, há quase uma semana as autoridades iniciaram o uso de scanners de temperatura em aeroportos e estações de trem e ônibus. Pessoas com sinais de febre têm sido registradas, recebido máscaras e encaminhadas a hospitais e clínicas. 'Inquietante' Especialistas britânicos que estão monitorando a doença afirmam que há sinais para "inquietação", embora a capacidade de resposta a epidemias do tipo tenha crescido. "Até o momento, é difícil saber o quão preocupados devemos estar. Até termos a confirmação da fonte (primária da doença), ficaremos com essa inquietação", disse à BBC Josie Golding, da fundação de pesquisas médicas Wellcome Trust. Ela agrega, porém, que "estamos (comunidade médica) muito mais preparados para lidar com esse tipo de doença" do que no início dos anos 2000, quando houve a epidemia de Sars. Jonathan Ball, epidemiologista da Universidade de Nottingham (Reino Unido), afirma que "devemos nos preocupar com qualquer vírus que exploram os humanos pela primeira vez, porque (isso significa que) eles superaram uma grande barreira inicial". "Quando o vírus está dentro de uma célula (humana) se replicando, ele pode gerar mutações que permitam que se espalhe de modo mais eficiente e se torne mais perigoso", afirmou Ball. VÍDEOS SOBRE O CORONAVÍRUS NA CHINA Novo vírus na China: infectados já passam de 200; Coreia do Sul confirma 1º caso Casos de pneumonia por vírus misterioso se multiplicam na China Veja Mais

A experiência de se tornar uma autora best-seller aos 70 anos

Glogo - Ciência Em sua estreia na ficção, Delia Owens já vendeu mais de 4 milhões de livros Delia Owens, autora de “Um lugar bem longe daqui” Divulgação Essa é uma história inspiradora, perfeita para um domingo. A zoóloga norte-americana Delia Owens já havia publicado obras de sucesso em sua área de pesquisa, sobre os mais de 20 anos durante os quais viajou regularmente para Botsuana e Zâmbia para estudar leões, hienas e elefantes. No entanto, nunca havia se aventurado na ficção, tanto que a editora decidiu que seu livro de estreia como romancista teria uma edição de 28 mil cópias – um número expressivo para o mercado brasileiro, mas que não impressiona para os padrões americanos. Netos são um antídoto contra a solidão e o isolamento A força da economia da longevidade Dez filmes para celebrar a convivência entre as gerações A trama não se enquadrava num gênero específico e o título era meio esquisito: “Where the crawdads sing”, algo como “Onde os lagostins cantam” – a tradução em português é “Um lugar bem longe daqui”. Isso foi no verão de 2018. No fim de 2019, a história da menina Kya Clark, abandonada pela família e obrigada a se virar sozinha numa região de pântanos da Carolina do Norte, já tinha vendido mais de 4 milhões e meio de exemplares e 41 países haviam comprado os direitos autorais. Capa do livro "Where the crawdads sing" Divulgação O jornal “The New York Times”, onde o livro ainda figura na lista dos best-sellers, registrou o sucesso em reportagem que mostrava que os números da cientista ultrapassavam as vendas dos últimos lançamentos dos pesos pesados Stephen King, Margaret Atwood e John Grisham juntos. A vida reclusa de Delia Owens deu uma guinada, com uma viagem atrás da outra para encontrar os fãs que se multiplicaram, e ela declarou que nunca havia se conectado tão intensamente com as pessoas. O enredo é universal e foge da polarização que tomou conta da política e transbordou para a cultura: a jovem Kya vive isolada, tem que lidar com uma brutal solidão e ainda é acusada de homicídio. Além do boca a boca positivo, a obra ganhou uma fada madrinha: a atriz Reese Witherspoon a recomendou em seu clube de leitura e pretende adaptá-la para o cinema. Delia começou a trabalhar no livro há dez anos e, apesar de se tratar de ficção, se valeu da experiência, desde a infância, de se aventurar em florestas. Sua mãe costumava encorajá-la dizendo: “go way out yonder where the crawdads sing” (algo como “vá além de onde os lagostins cantam”, ou seja, ultrapasse quaisquer limites), que acabou se tornando o título do romance. Abraçou uma profissão que a levou para regiões selvagens, o que fez com que o isolamento fosse algo bastante presente em sua trajetória. Foi depois de se aposentar que Delia deu vida a suas vozes internas, o que a torna uma inspiração para todos nós. E antes que alguém diga que isso só acontece nos EUA, gostaria de dar o exemplo da portuguesa Sofia Silva. Em 2014, ela estreou na plataforma de autopublicação Wattpad com a série “Quebrados”, onde alcançou mais de um milhão de leituras. Hoje é uma autora festejada, mas só foi publicada em Portugal depois de estourar no Brasil. O blog entra num breve recesso e estará de volta no dia 4 de fevereiro. Até lá! Veja Mais

Pesquisadores descobrem 'estrela vampiro' a 3 mil anos luz da Terra

Glogo - Ciência Estrela a cerca de 3 mil anos luz da Terra está sugando o material de uma nova anã marrom, que tem uma massa dez vezes menor; este pode ser o futuro do sistema solar em que está inserida a Terra, se o Sol se converter em uma anã branca e começar a sugar a energia de Júpiter. Sistema solar TV Globo Um grupo de cientistas detectou uma estrela "vampiro" a cerca de 3 mil anos luz da Terra, que está sugando o material de uma nova anã marrom, que tem uma massa dez vezes menor, segundo estudo divulgado neste sábado (25), aponta reportagem da agência de notícias EFE. A descoberta consiste em duas estrelas, uma das quais é uma anã branca, que toma o material da companheira, neste caso, a marrom, que é um corpo intermediário e não suficientemente grande para iniciar a combustão nuclear e se converter em uma verdadeira estrela. Este poderia ser o futuro do sistema solar em que está inserida a Terra, dentro de bilhões de anos, se o Sol se converter em uma anã branca e começar a sugar a energia de Júpiter, segundo os autores do trabalho científico publicado na revista científica "Monthly Notices of the Royal Astronomical Society". Os dados obtidos pelo telescópio espacial Kepler revelaram como, em um período de 30 dias, a nova anã branca se tornou 1.600 vezes mais brilhante, antes que houvesse rápida redução e retorno ao brilho normal. A anã branca "está dentro da nossa galáxia (Via Láctea), a 3 mil anos luz. No céu, é perto da constelação Escorpião", disse o diretor do estudo, Ryan Ridden-Harpe, da Universidade Nacional Australiana, em entrevista à Agência Efe. A descoberta aponta que estes corpos estelares se aproximam, transferindo energia para a anã branca, que é uma estrela que já esgotou o combustível nuclear. É algo que acontecerá com o Sol, em bilhões de anos. "Este raro evento foi produto de uma superexplosão de uma nova anã, que pode ser considerada como um sistema estelar vampiro", afirmou Ridden-Harpe, em um comunicado. "O pico de brilho foi causado pelo material arrancado de uma anã marrom, se enrolando em volta de uma anã branca, em um disco, que chegou a 11.700 graus celsius", disse o pesquisador. Veja Mais

Haja coração: Como a emoção de torcer pode agravar problemas cardiovasculares

Glogo - Ciência Estudos apontam aumento de procura à emergência de hospitais em dias de partidas importantes. Em dias de jogos importantes, aumentam as ocorrências em emergências hospitalares Shutterstock Os olhos não tiram o olho da bola que viaja pelo campo. A cada lance, uma reação na forma de gritos, gestos exagerados, comentários sobre o que o jogador deveria ou não ter feito. Envolver-se assim com um jogo de futebol é rotina para muitos torcedores, mas pode ser um comportamento que aumenta as chances de um evento cardiovascular. Veja 6 dicas para ter um coração saudável Entenda como o estresse prejudica o coração Como a vida moderna aumentou o estresse – e como podemos evitá-lo Pesquisas científicas mostram que aumentam as ocorrências em que pacientes procuram emergências de hospitais por problemas cardíacos em dias de jogos importantes. Em 2006, por exemplo, um estudo alemão publicado na revista The New England Journal of Medicine apontou crescimento de 2,66 vezes nas internações em dias de partidas da seleção alemã na Copa do Mundo daquele ano. Em 2013, levantamento da Universidade de São Paulo apontou aumento de 4% a 8% nas ocorrências de infarto entre brasileiros em jogos de Copa do Mundo. Já em 2014, ano em que o Mundial foi realizado no Brasil, o cardiologista Nabil Ghorayeb, médico do esporte do Hospital do Coração (HCor), conduziu outra pesquisa. Em dias de jogos do Brasil e nas finais, alguns hospitais do país foram convidados a informar atendimentos na véspera da partida, no dia, no dia seguinte e dois dias depois. Quando procurava a emergência, o paciente preenchia uma ficha informando se havia relação do episódio com o jogo em questão. Os dados foram um tanto surpreendentes. “A final Argentina x Alemanha superou todos os outros dias em número de atendimentos. Talvez por aquele temor de que a Argentina fosse campeã”, analisa Ghorayeb. Rivalidade exacerbada à parte, o estudo foi na mesma direção de seus antecessores: apontou aumento de emergências cardíacas em dias de jogos importantes. Cardiologistas destacam que eventos de alto estresse costumam desencadear problemas cardiovasculares, especialmente em quem tem maior risco, como, por exemplo, quem é hipertenso ou tem histórico familiar de doenças cardíacas. Nesses casos, o nervosismo da torcida por um time de futebol pode servir de “gatilho” para desencadear episódios de angina ou até de infarto. “Vários mecanismos geram fatores para descompensar um indivíduo sob estresse. Se há um estresse abrupto, nosso organismo tem resposta cardiovascular para aquele estímulo. Então, se você leva um susto, naturalmente você sente o coração acelerar. É a resposta fisiológica. Se o estresse é muito intenso, a resposta também. No caso de você ter uma predisposição básica, ou seja, condições cardiovasculares que geram um fator de risco maior, essa descompensação pode ocorrer mais facilmente e você parar mesmo em um Pronto-Socorro”, explica Carlos Hossri, cardiologista e membro da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). Hossri acredita que deveria haver orientações mais específicas sobre os perigos desse tipo de estresse, especialmente em cardiopatas. “Meu pai, por exemplo, é hipertenso e já sabe que vai passar mal. Como fica muito nervoso, nem fica perto da televisão. Sabe o resultado depois. Há um envolvimento emocional muito grande e não há orientação específica para esse público. Para quem tem doença prévia, é preciso evitar esse estresse crônico ou aprender a administrá-lo algo que é difícil porque esse engajamento é subjetivo, emocional e, por isso, nos foge à razão”, afirma. VÍDEO Estresse pode deixar os cabelos brancos, mostra estudo Veja Mais

28 vírus desconhecidos são encontrados por cientistas em geleiras no Tibete

Glogo - Ciência Pesquisadores alertam que crise climática pode liberar os organismos. Pesquisa foi feita com fragmento da geleira mais antiga da Terra. Cientistas chineses e americanos descobriram 28 grupos de vírus desconhecidos, que estavam congelados há 15 mil anos. A pesquisa recolheu amostras do gelo glacial mais antigo da Terra, que fica em Guliya, no noroeste do Tibete, na China. Derretimento de solo congelado expõe ameaça de vírus e bactérias Novo coronavírus chega à Europa com confirmação de 2 casos na França Segundo os cientistas, com a crise climática, que traz o derretimento dos gelos glaciais, há possibilidade de novos agentes patogênicos serem liberados, o que poderia trazer riscos para os seres humanos. Geleiras no Tibete, região na china onde amostras do gelo glacial foi pesquisada pelos cientistas. Wikimedia Commons Vírus em geleiras Segundo o artigo publicado na revista científica "Biorxiv", o gelo das geleiras abriga diversos micro-organismos que trazem um arquivo genético importante para ser analisado. Entre estes materiais estão os vírus. Até hoje, poucos estudos conseguiram analisar os materiais genéticos encontrados, porque os núcleos dos vírus, normalmente, estão prejudicados pelas baixas temperaturas. O trabalho, divulgado no início de janeiro, traz possibilidades metodológicas para que possam surgir novos estudos sobre organismos que ficam arquivados no centro das geleiras. A metodologia, basicamente, consegue limpar a superfície do gelo - retirando micro-organismos e vírus recentes - para acessar o interior e identificar o arquivo viral das geleiras. Os cientistas destacam que o trabalho se torna importante por permitir o acesso a essa "virosfera" arquivada nas geleiras. Vírus podem acordar após anos 'dormindo' Divulgação Para realizar a coleta do material os cientistas perfuraram 50 metros no gelo e utilizaram técnicas de microbiologia para identificar estes organismos nas amostras. Essa amostras de gelo foram analisadas em uma sala com temperatura de -5ºC. Após o contato com o material, os cientistas foram submetidos a um protocolo de descontaminação. Os dados coletados, segundo o artigo, preenchem uma lacuna de informações sobre vírus arquivados nas geleiras e possibilita entender os impactos dos vírus em seus hospedeiros microbianos quando eles estavam ativos. Graças a esses "arquivos congelados", outros estudos poderão permitir que os cientistas entendam a evolução e as interações microbianas e virais. O material também pode contribuir para o estabelecimento de mudanças climáticas passadas nesses ambientes. Coronavírus: infectologista explica o que é o vírus, sintomas e prevenção Veja Mais

Quiz: Mito ou verdade? Teste seus conhecimentos sobre o coração

Glogo - Ciência Com ajuda do ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia Marcus Vinicius Bolivar Malachias, o G1 lista 10 afirmações sobre o coração. Faça o teste e descubra o que é mito ou verdade. Quiz: Mito ou verdade? Teste seus conhecimentos sobre o coração Veja Mais

Aeroporto de Cumbica define estratégias para combater o coronavírus após reunião com a Anvisa

Glogo - Ciência Agência Nacional de Vigilância Sanitária disse que não há motivo para pânico e que durante o encontro foram reforçadas instruções sobre como agir em caso de suspeita de doenças contagiosas. Panorama do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos Sidnei Barros/Prefeitura de Guarulhos A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) organizou na manhã desta sexta-feira (24) uma reunião para definir as orientações que serão aplicadas no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, para combater o coronavírus, doença que já atingiu mais de 900 pessoas em todo o mundo. China constrói hospital de 1 mil leitos como parte do esforço do país contra o novo coronavírus. O encontro durou duas horas e reuniu representantes da Anvisa, das companhias aéreas, das empresas que fazem limpeza e desinfecção no Aeroporto de Cumbica e ainda representantes de órgãos federais como, por exemplo, a Polícia Federal. De acordo com a agência, não há motivo para pânico. Durante a reunião foram reforçados protocolos já existentes no Brasil que apresentam instruções sobre como agir em caso de suspeita de doenças contagiosas. "O objetivo da reunião foi justamente esse, intensificar os fluxos de comunicação, relembrar a comunidade aeroportuária do plano de contingência para que, caso a gente tenha algum caso no futuro, ou qualquer outra doença que apareça, a gente tenha uma resposta oportuna e adequada sem causar pânico a ninguém", disse Elisa Boccia, Chefe do posto da Anvisa no Aeroporto de Cumbica. A partir da tarde desta sexta (24) serão veiculados no Aeroporto de Cumbica avisos sonoros alertando sobre como as pessoas poderão prevenir a doença e quais são os sintomas. A desinfecção e a limpeza de aeronaves, assim como o uso de máscaras e equipamentos de proteção por funcionários, será feita apenas em casos suspeitos. A Secretaria Estadual de Saúde diz que integrou vários hospitais, institutos de pesquisa e Secretarias Municipais de Saúde para monitorar o coronavírus e saber como agir em casos suspeitos. O Ministério da saúde disse que não há nenhum caso suspeito no Brasil. Ciclo do novo coronavírus - transmissão e sintomas Aparecido Gonçalves/Arte G1 Países infectados Ao menos nove países tiveram casos confirmados de infecção por coronavírus. Na quinta-feira (23), Vietnã, Singapura e a Arábia Saudita registraram casos da doença que atingiu mais de 600 pessoas na China e deixou 18 mortos. O ministro da Saúde vietnamita disse na quinta que dois turistas chineses foram diagnosticados com coronavírus enquanto viajavam pelo país do sudeste asiático. Em Singapura, o governo confirmou o primeiro caso da doença no país. Dispersão do novo coronavírus pelo mundo Rodrigo Sanches/Arte G1 Na Arábia Saudita, uma enfermeira de origem indiana foi infectada pelo vírus. Ela estava em observação desde quarta-feira (22), mas nesta quinta o ministro de Relações Exteriores da Índia, Vellamvelly Muraleedharan, confirmou o caso em sua rede social. Japão, Tailândia, Taiwan, Coreia do Sul e Estados Unidos também registraram ao menos um caso de infecção respiratória desde o início do surto. Há ainda casos suspeitos em Hong Kong, nas Filipinas, na Austrália e no Reino Unido. Raio X do novo coronavírus Amanda Paes e Cido Gonçalves/Arte G1 VÍDEOS Surto de coronavírus: China confirma segunda morte fora do perímetro da doença Coronavírus: infectologista explica o que é o vírus, sintomas e prevenção Initial plugin text Veja Mais

Sobe para 26 o número de mortos por coronavírus na China; número de casos confirmados é quase 900

Glogo - Ciência São ao menos 881 casos confirmados de infecção no gigante asiático e 11 no exterior; primeiro caso da doença foi identificado em dezembro do ano passado. Membro da equipe de hospital que registrou uma morte de paciente com coronavírus se desloca com roupa de proteção em Yichang, na província central de Hubei, na China; foto de 23 de janeiro Chinatopix/AP O número de mortes por coronavírus na China aumentou para 26. A agência estatal CGTN divulgou um balanço nesta sexta-feira (14) que eleva para 881 os casos confirmados da doença no país asiático. O governo chinês destacou que 35 pacientes diagnosticados com a doença estão recuperados e receberam alta. O que se sabe e o que ainda é dúvida sobre o coronavírus Coronavírus deixa 30 milhões de pessoas em 10 cidades isoladas na China Na quinta-feira (23), o governo chinês havia consolidado em 25 o número de mortes, com 835 casos confirmados e 1.072 suspeitas. Desde 22 de janeiro, país aplicou protocolos de isolamento na região onde foi identificado o surto. Até o momento, o corte nos transportes de massa já atingiu cerca de 30 milhões de pessoas em 10 cidades da província de Wuhan, onde fica a cidade de Hubei, cidade considerada epicentro da doença e que está sob quarentena. Nenhum trem ou avião deixa a metrópole de 11 milhões de habitantes, situada no centro da China. Os pedágios nas saídas da cidade estão fechados. Raio X do novo coronavírus Amanda Paes e Cido Gonçalves/Arte G1 As restrições incluem fechamento de estações de trens, rodoviárias, transportes urbanos e de circulação de carros por algumas estradas. As autoridades ainda não informaram quando essas medidas serão retiradas. O governo da capital chinesa decidiu cancelar as festas populares que estavam previstas para a celebração do Ano Novo chinês que começariam na sexta-feira (25) como medida de proteção diante do alto número de casos. Todos os anos, milhares de habitantes de Pequim se espalham por parques e espaços públicos para assistir aos tradicionais bailes do leão e do dragão. Apesar dos números, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta quinta que "ainda é cedo" para declarar emergência internacional devido às infecções do coronavírus. Ciclo do novo coronavírus - transmissão e sintomas Aparecido Gonçalves/Arte G1 A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu o primeiro alerta da doença em 31 de dezembro de 2019, depois que as autoridades chinesas notificaram casos de uma misteriosa pneumonia na cidade de Wuhan. Foram, então, adotadas medidas como isolamento de pacientes e realização de exames para identificar a origem da doença. Restrições em todo o país Nesta quinta, Pequim anunciou que cancelou as comemorações do Ano Novo chinês, tradicional festividade que deveria começar nesta sexta e duraria uma semana. A iniciativa pretende desestimular a circulação de pessoas pelo país, que poderia colocar possíveis doentes em contato com pessoas saudáveis. Situação do coronavírus na China Guilherme Luiz Pinheiro/Arte G1 A rede de fast food McDonalds anunciou nesta sexta-feira que vai suspender as operações em cinco cidades chinesas: Wuhan, Ezhou, Huanggang, Qianjing and Xiantao, todas na província de Hubei. Não há previsão para as lojas serem reabertas. O estádio Bird's Nest, palco dos jogos olímpicos de 2008, foi fechado nesta sexta e a Disney de Xangai está fechada para visitantes, segundo a Reuters. Atrações turísticas como a Muralha da China em Juyonggang, os Túmulos de Ming e a Floresta do Pagode de Yinshan serão fechadas ao público a partir deste sábado, de acordo com a CNN. VÍDEOS Médico infectologista esclarece dúvidas sobre o novo coronavírus Coronavírus: infectologista explica o que é o vírus, sintomas e prevenção Initial plugin text Veja Mais

Homens idosos e com problemas de saúde são mais da metade dos mortos por coronavírus

Glogo - Ciência Idade média das vítimas é de 75 anos, segundo o Comitê Nacional de Saúde da República Popular da China. Primeira morte ocorreu em 9 de janeiro. O mercado de frutos do mar de Wuhan Huanan, onde se suspeita que a nova cepa de coronavírus teria começado a se espalhar. O estabelecimento está fechado desde 21 de janeiro de 2020 Dake Kang/AP Homens com mais de 50 anos e com algum problema de saúde associado são mais da metade das vítimas de coronavírus, segundo informações do Comitê Nacional de Saúde da República Popular da China. A idade média das vítimas é de 75 anos (veja abaixo o perfil de cada uma). Novo coronavírus pode ter vindo de cobras vendidas no mercado de Wuhan O que se sabe e o que ainda é dúvida sobre o coronavírus Até esta quinta-feira (23), o governo chinês havia divulgado o perfil de 18 pessoas entre as 25 mortes confirmadas – 14 homens e quatro mulheres. Enquanto a vítima mais jovem foi uma mulher de 48 anos, as mais idosas foram dois homens de 89 anos. Além disso, a maioria das vítimas tinha problemas de saúde anteriores, como cirrose hepática, hipertensão, diabetes e doença de Parkinson. Quem são as vítimas Zeng, homem, 61 anos, tinha histórico de cirrose. Foi internado em 20 de dezembro com febre, tosse e fraqueza. Morreu no dia 9. Xiong, homem, 69 anos. Foi internado em 3 de janeiro com tosse, febre e dispneia. Morreu no dia 15. Wang, homem, 89 anos, tinha histórico de hipertensão. Foi internado em 5 de janeiro por causa de uma incontinência urinária. No dia 8, foi diagnosticado com pneumonia. Morreu no dia 18. Chen, homem, 89 anos, tinha histórico de hipertensão, diabetes e era paciente cardíaco. Foi internado em 5 de janeiro por causa de uma incontinência urinária. No dia 8, foi diagnosticado com pneumonia. Morreu no dia 19. Li, homem, 66 anos, tinha hipertensão, diabetes tipo 2, insuficiência renal crônica e problemas cardíacos. Foi internado em 16 de janeiro com tosse intermitente, dor de cabeça, fadiga e febre. Morreu no dia 20. Wang, homem, 75 anos, tinha hipertensão. Foi internado em 11 de janeiro devido a febre com tosse, congestão nasal e vômito por 2 dias seguidos. Morreu no dia 20. Yin, mulher, 48 anos, tinha diabetes. Foi internada em 27 de dezembro com corpo dolorido, febre e fadiga. Morreu no dia 20. Liu, homem, 82 anos. Foi internado em 14 de janeiro devido a calafrios e dores no corpo. Morreu no dia 21. Luo, homem, 66 anos. Foi internado em 22 de dezembro com aperto no peito, falta de ar e tosse seca. Morreu no dia 21. Nome não informado, homem, 65 anos. Foi internado em 11 de janeiro devido pneumonia grave, insuficiência respiratória aguda e lesão hepática. Morreu no dia 21. Lei, homem, 53 anos. Foi internado em 13 de janeiro com pneumonia e insuficiência respiratória. Morreu no dia 21. Wang, homem, 86 anos. Tinha hipertensão e diabetes. Foi internado em 9 de janeiro com fadiga. Morreu no dia 21. Zhang, homem, 81 anos. Foi internado em 14 de janeiro depois de três dias de febre. Morreu no dia 22. Zhang, mulher, 82 anos, paciente de doença de Parkinson. Foi internada em 3 de janeiro com pneumonia viral e insuficiência respiratória. Morreu no dia 22. Hu, mulher, 80 anos, tinha hipertensão. Foi internada em 18 de janeiro com febre, tosse, chiado no peito e dispneia. Morreu no dia 22. Yuan, mulher, 70 anos. Foi internada em 13 de janeiro com febre alta e infecção pulmonar. Morreu no dia 21. Zhan, homem, 84 anos. Foi internado em 13 de janeiro com pneumonia e insuficiência respiratória. Morreu no dia 22. Ciclo do novo coronavírus - transmissão e sintomas Aparecido Gonçalves/Arte G1 Grupo vulnerável Para o infectologista da Universidade Federal de São Paulo, Celso Granato, o fato de quase todas as vítimas serem homens pode ser explicado por fator cultural. “Como o início da infecção está relacionado ao mercado de frutos do mar de Wuhan, pode ser que homens frequentem mais esses locais na China.” Quanto à idade avançada das vítimas, o infectologista afirma que tal condição já é esperada em quadros de infecções virais. “Geralmente as doenças virais acometem mais as pessoas idosas e com uma doença já associada, pois elas têm o trato respiratório mais sensível” - Celso Granato, infectologista da Universidade Federal de São Paulo “Se o mesmo vírus infectar um jovem saudável de 30 anos, provavelmente não resultará em morte. É parecido com o que ocorre com o vírus da gripe: pessoas idosas costumam ser as vítimas fatais.” Coronavírus: infectologista explica o que é o vírus, sintomas e prevenção Incubação prolongada Ainda de acordo com o órgão chinês, a maioria das vítimas passou mais de uma semana internada até morrer. Pelo menos duas vítimas ficaram no hospital por um mês ou mais e somente dois morreram apenas quatro dias depois de serem diagnosticados. O tempo de tratamento desde o surgimento dos sintomas até a morte é algo que chama a atenção para o infectologista. "Um mês de tratamento é muito tempo para uma doença respiratória viral. O tempo de incubação do vírus da gripe, por exemplo, é de 24 a 48 horas." Porém, o tempo de incubação prolongada "não quer dizer que o coronavírus é um vírus mais fraco que os que têm tempo de incubação menor", explica Granato. Raio X do novo coronavírus Amanda Paes e Cido Gonçalves/Arte G1 'Não é epidemia' Para o infectologista, ainda é cedo para se falar em epidemia do novo coronavírus. "Não pode ser considerado epidemia quando temos cerca de 800 infectados em uma cidade de 11 milhões de habitantes como Wuhan, pouco menos de um mês desde o relato dos primeiros casos. Isso é surto, não é epidemia." 'Não há motivo de preocupação no Brasil no momento', diz infectologista sobre coronavírus Initial plugin text Veja Mais

Sobe para 25 o número de mortos por coronavírus com mais de 800 casos na China, diz agência estatal

Glogo - Ciência São mais de 1 mil casos suspeitos entre chineses. Japão e Coreia do Sul confirmam 2 novos casos. Funcionários de saúde medem temperatura corporal de passageiros que chegam da cidade de Wuhan ao aeroporto de Pequim, em 22 de janeiro, em meio ao surto de coronavírus na China AP Foto Emily Wang O número de mortes devido ao coronavírus na China aumentou para 25, com 835 casos confirmados e 1.072 suspeitas, segundo informações da agência estatal CGTN divulgadas na noite desta quinta-feira (23). O Ministro da Saúde do Japão confirmou o segundo caso no país – um homem de 40 anos de Wuhan, cidade mais afetada, que visitava Tóquio. A agência de notícias da Coreia do Sul "Yonhap" também noticiou mais uma infecção. O que se sabe e o que ainda é dúvida sobre o coronavírus Initial plugin text Mais cedo, na manhã desta quinta-feira, a China havia atualizado o número de vítimas para 18, com mais de 600 casos. O país suspendeu a circulação de trens em ao menos três cidades da província de Hubei para tentar conter uma epidemia de coronavírus. A medida foi tomada nos municípios de Huanggang, onde vivem 7,5 milhões de habitantes, e Ezhou, com cerca de 1 milhão de moradores. Raio X do novo coronavírus Amanda Paes e Cido Gonçalves/Arte G1 Em Huanggang a circulação de trens de longa distância que partem ou chegam à cidade foi interrompida. A medida vale até o final desta quinta e poderá ser estendida pelas autoridades locais. Do outro lado do rio Yangtzé está a cidade de Ezhou, que também amanheceu com a estação central de trens fechada. Segundo o "New York Times", a medida afeta ainda duas cidades menores, Chibi e Zhijiang. Antes, o governo chinês já havia adotado medidas para isolar Wuhan, onde começou o surto da doença. O governo da capital chinesa decidiu cancelar as festas populares que estavam previstas para a celebração do Ano Novo chinês que começariam na sexta-feira (25) como medida de proteção diante do alto número de casos. Todos os anos, milhares de habitantes de Pequim se espalham por parques e espaços públicos para assistir aos tradicionais bailes do leão e do dragão. Especialistas explicam as características do novo coronavírus A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu o primeiro alerta da doença em 31 de dezembro de 2019, depois que as autoridades chinesas notificaram casos de uma misteriosa pneumonia na cidade de Wuhan. Foram, então, adotadas medidas como isolamento de pacientes e realização de exames para identificar a origem da doença. Ministério descarta casos brasileiros O Ministério da Saúde afirmou que está em alerta para o risco de transmissão do coronavírus no Brasil. De acordo com a pasta, o nível de alerta é 1 (inicial), em uma escala que vai de 1 a 3. O nível mais elevado é ativado quando são confirmados casos transmitidos em solo nacional. Julio Henrique Rosa Croda, secretário substituto de Vigilância em Saúde, afirmou que cinco casos suspeitos da doença no Brasil foram descartados. "O vírus sofreu uma pequena mutação e não se sabe ainda a forma de transmissão, se ele se assemelha à transmissão do Sars e do Mers, [outras variações de coronavírus, que são transmitidos por gotículas] e portanto mais limitada, ou se pode adquirir habilidade maior de transmissão, como o vírus da influenza, por aerossol", afirma Julio Henrique Rosa Croda, secretário substituto de Vigilância em Saúde. Os registros estavam sendo investigados em Minas Gerais, Distrito Federal, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Croda frisou que os casos suspeitos do Brasil foram descartados seguindo os parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo ele, os parâmetros são: registro de febre e sintomas gripais; e critérios epidemiológicos, como se a pessoa suspeita de infecção viajou para Wuhan – cidade considerada o epicentro da doença, na China –, e se teve contato com infectados. Na China, segundo Croda, a transmissão ocorreu entre familiares e profissionais de saúde, comportamento semelhante a outros vírus da família coronavírus. Não foram feitos registros de casos transmitidos sem o contato com infectados, o que descarta o risco de uma pandemia. Ciclo do novo coronavírus - transmissão e sintomas Aparecido Gonçalves/Arte G1 Initial plugin text Veja Mais

Em 1 ano, número de detecções de Aids cai quase 60% em Rondônia

Glogo - Ciência Foram notificados 323 casos da doença no estado em 2018, contra 37 em 2019. Também houve queda nas notificações do HIV entre gestantes. Número de detecções de casos de Aides caíram em Rondônia. Andre Borges/Agência Brasília O número de casos de Aids, doença provocada pelo vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), caiu 57% em Rondônia entre 2018 e 2019, conforme dados do Boletim Epidemiológico de HIV/Aids 2019, do Ministério da Saúde. Os indicadores apontam que em 2018 foram notificados 323 casos da doença, contra 137 no ano passado em todo o estado. A incidência atual da Aids na população é de 18,4 casos a cada 100 mil habitantes. A maior ocorrência já registrada foi em 2013, com 25,7 pessoas infectadas por 100 mil habitantes. Em Rondônia, os homens são maioria no número de casos confirmados. Em 2018, 228 pessoas do sexo masculino foram infectadas, contra 95 do sexo feminino. Cerca de 135 mil pessoas desconhecem que estão com HIV no país, diz Ministério da Saúde No ano seguinte, o quantitativo foi de 97 novas ocorrências entre os homens e 40 entre as mulheres no estado. Coincidentemente, esse balanço também representa déficit de 57% nos grupos analisados. O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde também revelou queda na taxa de detecção do HIV entre gestantes. Em 2019, o caso de mulheres grávidas que vivem com o vírus diminuiu 31% em relação ao ano anterior em Rondônia. Os indicadores apontam que em 2018 foram 74 casos notificados e, no ano passado, 51 novas ocorrências. A nível municipal, Porto Velho registrou 80 casos da doença em 2019, sendo a cidade com maior número de pessoas infectadas. No ano anterior, o número era de 183 infectados na capital. Ariquemes e Ji-Paraná somaram nove notificações no ano passado, enquanto Vilhena e Cacoal contabilizaram cinco casos. Âmbito regional O Norte é a 4ª região do Brasil com maior número de notificações em 2019: foram 2.119 pessoas infectadas com Aids só no ano passado. O Pará lidera o ranking de ocorrências da doença. Foram 1.040 casos apontados em 2019, representando 49% do índice regional. Veja abaixo a relação de casos nos outros estados. Rondônia é a 4ª região dos sete estados do Norte que mais apresentou queda nos dados registrados, representando apenas pouco mais de 6% do número total de notificações em 2019. Nos 39 anos em que se tem registro, é o terceiro estado com mais casos relatados, com 6.202 ocorrências ao todo. Como é feito o diagnóstico? O diagnóstico da infecção pelo HIV é feito a partir da coleta de sangue ou por fluido oral. Existem exames laboratoriais e os testes rápidos no Brasil que detectam os anticorpos contra o HIV em cerca de 30 minutos. Esses testes são feitos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), nas unidades da rede pública e nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA). Os exames podem ser feitos de forma anônima. Nos centros, além da coleta e da execução dos testes, há um processo de aconselhamento para facilitar a correta interpretação do resultado pelo(a) usuário(a). Também é possível saber onde fazer o teste pelo Disque Saúde (136). Além da rede de serviços de saúde, é possível fazer os testes por intermédio de uma Organização da Sociedade Civil, no âmbito do Programa Viva Melhor Sabendo. Em todos os casos, a infecção pelo HIV pode ser detectada em, pelo menos, 30 dias a contar da situação de risco. Isso porque o exame (o laboratorial ou o teste rápido) busca por anticorpos contra o HIV no material coletado. *Sob supervisão de Mayara Subtil, do G1 RO Veja Mais

Autoridades chinesas confirmam mais uma vítima de coronavírus e total de mortos sobe para 18

Glogo - Ciência Esta é a primeira morte confirmada fora da província de Hubei, onde está a cidade de Wuhan, epicentro da doença; vítima tinha 80 anos. Mulheres usam máscaras enquanto andam por uma rua em Hangzhou, na província de Zhejiang, leste da China, na terça-feira, 21 de janeiro de 2020 Chinatopix/AP As autoridades de saúde da província de Hebei, na China, informaram nesta quinta-feira (23) que um paciente infectado com o novo coronavírus morreu na localidade, segundo a agencia de notícias Reuters. O paciente, um homem de 80 anos, morreu na quarta-feira (22). O que se sabe e o que ainda é dúvida sobre o coronavírus Esta é a primeira morte confirmada fora da província de Hubei, onde está localizada a cidade de Wuhan, local de origem do surto desta pneumonia grava. Desde o início do surto, foram registradas 18 mortes e mais de 600 casos no país asiático. Coronavírus: mais de 600 pessoas foram infectadas Além da China, ao menos oito países tiveram casos de infecção por coronavírus: Estados Unidos, Japão, Tailândia, Taiwan, Coreia do Sul, Vietnã, Singapura e Arábia Saudita. Há ainda casos suspeitos em Hong Kong, nas Filipinas, na Austrália e no Reino Unido. Dispersão do novo coronavírus pelo mundo Rodrigo Sanches/Arte G1 Cidades isoladas O governo chinês suspendeu a circulação de trens em ao menos três cidades da província de Hubei para tentar conter a epidemia de coronavírus. A medida foi tomada nos municípios de Huanggang, onde vivem 7,5 milhões de habitantes, e em Ezhou, com cerca de 1 milhão de moradores. Em Huanggang a circulação de trens de longa distância que partem ou chegam à cidade foi interrompida. A medida vale até o final desta quinta e poderá estendida pelas autoridades locais. Do outro lado do rio Yangtzé está a cidade de Ezhou, que também amanheceu com a estação central de trens fechada. Cronologia da expansão do novo coronavírus descoberto na China A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu o primeiro alerta da doença em 31 de dezembro de 2019, depois que as autoridades chinesas notificaram casos de uma misteriosa pneumonia na cidade de Wuhan. Foram, então, adotadas medidas como isolamento de pacientes e realização de exames para identificar a origem da doença. Ano Novo chinês cancelado A prefeitura de Pequim cancelou as populares cerimônias previstas para o Ano Novo chinês, como medida de proteção diante da epidemia provocada pelo novo coronavírus, que já deixou 17 mortos no país. A Cidade Proibida também foi fechada para turistas por conta da epidemia. O feriado e as festas começam na sexta-feira (25) e duram uma semana. Todos os anos, milhares de habitantes de Pequim se espalham por parques e espaços públicos para assistir aos tradicionais bailes do leão e do dragão. Além da concentração na capital chinesa, milhões de viajantes aproveitam o feriado para visitar diversas partes do continente asiático e se encontrar com suas famílias, o que causa um dos maiores movimentos de pessoas do planeta em uma mesma época. Coronavírus: infectologista explica o que é o vírus, sintomas e prevenção Initial plugin text Veja Mais

Ministério da Saúde afirma que está em alerta inicial para coronavírus

Glogo - Ciência O coronavírus já matou 17 pessoas e infectou mais de 500 em nove países. Além da China, há registros de casos nos Estados Unidos, Japão, Tailândia, Taiwan, Coreia do Sul, Vietnã, de Singapura e a Arábia Saudita. O Ministério da Saúde afirmou, nesta quinta-feira (23), que está em alerta para o risco de transmissão do coronavírus no Brasil. De acordo com a pasta, o nível de alerta é 1 (inicial), em uma escala que vai de 1 a 3. O nível mais elevado é ativado quando são confirmados casos transmitidos em solo nacional. O coronavírus já matou 17 pessoas e infectou mais de 500 em nove países. Além da China, há registros de casos nos Estados Unidos, Japão, Tailândia, Taiwan, Coreia do Sul, Vietnã, de Singapura e a Arábia Saudita. Um caso suspeito em Belo Horizonte já foi descartado pelo Ministério da Saúde. Três cidades chinesas adotaram medidas de quarentena para tentar frear a epidemia. "O vírus sofreu uma pequena mutação e não se sabe ainda a forma de transmissão, se ele se assemelha à transmissão do Sars e do Mers, [outras variações de coronavírus, que são transmitidos por gotículas] e portanto mais limitada, ou se pode adquirir habilidade maior de transmissão, como o vírus da influenza, por aerossol", afirma Julio Henrique Rosa Croda, secretário substituto de Vigilância em Saúde. VÍDEOS Novo surto do coronavírus deixa o mundo em alerta; especialista explica o caso Coronavírus: infectologista explica o que é o vírus, sintomas e prevenção Initial plugin text Veja Mais

O que se sabe e o que ainda é dúvida sobre o coronavírus

Glogo - Ciência Nova versão do vírus que surgiu em 1960 já matou 17 pessoas e mais de 500 casos foram registrados; ao menos três cidades chinesas entraram em quarentena para tentar frear a contaminação. Pequim cancelou as comemorações do Ano Novo chinês. Amostra laboratorial do coronavírus, que pode causar desde resfriados comuns até SARS e MERS Center for Desease Control and Prevention A nova epidemia de coronavírus já matou 17 pessoas e infectou mais de 500 na China. Relatos da doença foram identificados em outros cinco países: Estados Unidos, Japão, Tailândia, Taiwan e Coreia do Sul. No Brasil, o Ministério da Saúde descartou um caso suspeito de Minas Gerais.Segundo a pasta, o caso "não se enquadra na definição de caso suspeito da Organização Mundial da Saúde (OMS)". Mas, por que este vírus está infectando tantas pessoas? Confira abaixo o que se sabe e o que ainda falta esclarecer sobre o coronavírus: Qual é a origem do vírus? Onde surgiram os primeiros casos? Onde estão as infecções? Onde ocorreu a primeira morte? Que medidas foram adotadas para evitar a proliferação do vírus? Como ocorre a transmissão? Quais são os sintomas? É um vírus que vem pra ficar ou vai 'desaparecer'? Qual é o status de transmissão entre países? 22 de janeiro de 2020 - Trabalhadores produzem máscaras em uma fábrica em Handan, na província de Hebei, no norte da China. País proibiu trens e aviões de deixar Wuhan, epicentro do surto de coronavírus. STR / AFP 1. Qual é a origem do vírus? De acordo com o Ministério da Saúde, os primeiros coronavírus foram identificados em meados da década de 1960. A variação que está infectando diversas pessoas na China e em outros 6 países é conhecido tecnicamente como 2019-nCoV. Ainda não está claro como ocorreu a mutação. Outras variações mais antigas de coronavírus, como SARS-CoV e MERS-CoV, são conhecidas pelos cientistas. Estas variações foram transmitidas entre gatos e humanos e entre dromedários e humanos, respectivamente. 2. Onde surgiram os primeiros casos? A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu o primeiro alerta da doença em 31 de dezembro de 2019, depois que autoridades chinesas notificaram casos de uma misteriosa pneumonia na cidade de Wuhan, metrópole chinesa com 11 milhões de habitantes. Esta epidemia estava atingindo pessoas que tiveram alguma associação a um mercado de frutos do mar em Wuhan – o que despertou a suspeita de que a transmissão desta variação de coronavírus ocorreu entre animais marinhos e humanos. O mercado foi fechado para limpeza e desinfecção. Cronologia da expansão do novo coronavírus descoberto na China No entanto, ainda não se sabe qual foi o animal responsável nem como ele vetorizou a doença para os humanos – nem mesmo se está associado aos animais marinhos. Também não se sabe se as pessoas infectadas ingeriram algum alimento contaminado. Essas informações ainda estão sendo investigadas pelos cientistas. 3. Onde estão as infecções? Até a manhã desta quinta-feira (23), foram registrados casos na China e em outros seis países: Estados Unidos, Japão, Tailândia, Taiwan e Coreia do Sul. Na China, há registro da doença em ao menos 14 localidades: Liaoning, Tianjin, Shandong, Pequim, Hubei, Chongquing, Sichuan, Hunan, Yunnan, Macau, Guangdong, Jiangxi, Zheijang e Wuhan. Há ainda casos suspeitos no México, em Hong Kong, nas Filipinas e na Austrália. No Brasil, uma suspeita em Minas Gerais foi descartada pelo Ministério da Saúde. 4. Onde ocorreu a primeira morte? Na China, foi em 9 de janeiro. Um chinês de 61 anos foi a primeira vítima. O paciente foi hospitalizado com dificuldades de respiração e pneumonia grave, e morreu após uma parada cardíaca. Naquele momento, 41 pessoas já haviam se infectado. 5. Que medidas foram adotadas para evitar a proliferação do vírus? Ao menos três localidades chinesas suspenderam a circulação do transporte público, uma medida para tentar evitar que o vírus se espalhe. Todas estão na província de Hubei. Wuhan – considerada o epicentro da transmissão do vírus – foi a primeira localidade a adotar a medida, nesta quarta-feira (22). Nesta quinta (23), outras duas cidades vizinhas a Wuahan – Huanggang e Ezhou – seguiram a mesma recomendação e suspenderam a circulação de trens. Pequim cancelou as comemorações do Ano Novo Chinês e suspendeu a entrada de turistas. As festividades, que seguem o calendário lunar, começariam na sexta-feira (24) e durariam uma semana. Fora da China, os Estados Unidos anunciam procedimentos de detecção do vírus em três importantes aeroportos do país, incluindo um em Nova York em 17 de janeiro. Além dos EUA, aeroportos na Turquia, na Rússia e na Austrália passaram a utilizar monitores infravermelhos para identificar possíveis casos da doença. O aeroporto de Heathrow, em Londres, separou um terminal só para os viajantes que chegam de regiões já afetadas pelo vírus. 6. Como ocorre a transmissão? A transmissão de pessoa para pessoa foi "provada", admitiu o cientista chinês Zhong Nanshan à rede estatal CCTV em 20 de janeiro. O que ainda precisa ser esclarecido, de acordo com o infectologista Leonardo Weissmann, é a capacidade de transmissão. "O vírus é da mesma família dos coronavírus, mas, por ser novo, não se sabe quão contagioso ele é. Sabemos só que as pessoas foram até o mercado da China. Mas qual é o nível de contágio? Pode ser só via aérea, secreções?" – Leonardo Weissmann. infectologista. Weissmann lembrou o caso do sarampo. Apesar de ser um vírus diferente, os cientistas sabem que um paciente pode transmitir para até outras 20 pessoas, o que o torna um vírus bastante contagioso. Sobre o 2019-nCoV, não há ainda uma estatística do tipo, nem taxa de letalidade prevista pelos cientistas. Outro ponto ainda a esclarecer está relacionado ao perfil dos pacientes. Os idosos geralmente são mais suscetíveis a casos mais graves por infecções do influenza, como o H1N1. Ainda não está claro se isso se repete entre as pessoas infectadas pelo 2019-nCoV. No caso da febre amarela, por exemplo, os homens são mais afetados nas infecções do Brasil. Os médicos ainda precisam traçar um perfil do paciente com o novo coronavírus. 7. Quais são os sintomas? Foram identificados sintomas como febre, tosse, dificuldade em respirar e falta de ar. Em casos mais graves, há registro de pneumonia, insuficiência renal e síndrome respiratória aguda grave. Entenda o que é e como age o coronavírus 8. É um vírus que vem pra ficar ou vai 'desaparecer'? Não se sabe ainda. Alguns vírus, como o da catapora, não voltam a causar a doença novamente após uma primeira infecção. No caso do vírus da zika, por exemplo, o corpo responde e a mesma pessoa não passa a ser afetada novamente, o que gera uma redução natural no número de casos. A ciência ainda precisa estudar se o 2019-nCoV gera uma resposta imune definitiva ou se uma pessoa pode ser infectada mais de uma vez. 9. Qual é o status de transmissão entre países? Uma comissão foi criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para debater a gravidade do surto e sua capacidade de disseminação internacional. Nesta quarta-feira (22), os integrantes informaram que precisam de mais informações. Uma nova reunião foi marcada para esta quinta (23) para entender se o caso é uma nova emergência de saúde pública de interesse internacional. Até o momento, esse tipo de alerta ocorreu apenas em casos raros de epidemias que exigem uma vigorosa resposta, como a gripe suína H1N1 (2009), o zika vírus (2016) e a febre ebola, que devastou parte da população da África Ocidental de 2014 a 2016 e ainda atinge a República democrática do Congo desde 2018. Na China, sobe para 17 o número de mortos pelo coronavírus Initial plugin text Veja Mais

Meteorologista explica que possível ciclone vai potencializar chuvas no ES

Glogo - Ciência Em quatro cidades - Iconha, Alfredo Chaves, Vargem Alta e Rio Novo do Sul - o governo decretou calamidade pública e pediu ajuda ao Exército. Meteorologista explica impactos de possível ciclone no ES Após um alerta emitido pela Marinha do Brasil sobre a possibilidade de formação de um ciclone subtropical em alto-mar entre o norte do Rio de Janeiro e o sul do Espírito Santo, o meteorologista Hugo Ramos explicou como esse fenômeno pode atingir os capixabas. De acordo com ele, o ciclone vai potencializar as chuvas que já estavam previstas. Cidades do Sul do Espírito Santo já foram prejudicadas pela chuva de sexta-feira (17). Em quatro delas - Iconha, Alfredo Chaves, Vargem Alta e Rio Novo do Sul - o governo decretou calamidade pública e pediu ajuda ao Exército. Casal de idosos conta como sobreviveu após 5 horas em casa alagada Saiba onde doar para vítimas da chuva no Sul do ES O meteorologista Hugo Ramos, do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Ruraç (Incaper), disse que, em algumas regiões, a chuva pode ser mais forte. “Hoje (22) devemos ter chuvas mais localizadas. Em alguns pontos, pode ser de forte intensidade. A partir de amanhã, elas devem ocorrer de forma mais frequente ao longo do dia, alternando a intensidade”, disse. “De acordo com as simulações atmosféricas, o ciclone deve se formar mais para a noite de amanhã (23). E o papel dele vai se potencializar as chuvas que já vão ocorrer no estado. Já temos a presença de um canal de umidade que vai causar aumento na intensidade das chuvas, ele [ciclone] vai ajudar a organizar toda essa umidade sobre o Espírito Santo e vai manter o tempo chuvoso”, completou Ramos. Ainda segundo o meteorologista, capixabas de todas as regiões devem se preparar para chuvas fortes. “Em razão do aumento da umidade, que vai vir do leste de Minas Gerais, vai provocar chuvas em todas as regiões do Espírito Santo. Por isso que a gente mantém o aviso para todo o estado. E essa umidade toda vai se organizar no centro do ciclone, onde vai ter uma condição de instabilidade muito maior”, explicou. O ciclone deve provocar chuvas em todo o Estado, mas a preocupação é maior com a região sul do Espírito Santo, que ainda se recupera do estrago causado por uma tempestade na semana passada. “As áreas de risco ficam muito mais vulneráveis a essa ocorrência de chuvas intensas, consequentemente, a possibilidade e deslizamentos de terra, de encostas rolamento d pedras passa a ser muito grande”, disse tenente coronel Wagner Borges, do Corpo de Bombeiros. Os Bombeiros orientam quem mora em áreas de risco. “Às vezes, a casa em uma propriedade rural está muito próxima a encosta e começa a ter desmoronamento em parte da encostas. Você não pode permanecer ali, tem que sair imediatamente, procurar um local seguro e acionar a Defesa Civil do município”, orientou Borges. Ciclone vai potencializar chuvas previstas para o ES, diz meteorologista Divulgação/ TV Gazeta Veja o plantão de últimas notícias do G1 Espírito Santo Veja Mais

Reunião da OMS sobre coronavírus termina sem definição e órgão diz que vai buscar mais informações

Glogo - Ciência China tem mais de 500 casos confirmados por nova versão do vírus. Dezessete pessoas morreram, de acordo com balanço mais recente. Comitê de emergência irá discutir medidas novamente nesta quinta-feira (23). A Organização Mundial da Saúde (OMS) reuniu um comitê de emergência contra o coronavírus na tarde desta quarta-feira (22) e disse que precisa de mais informações para decidir se irá declarar ou não emergência de saúde pública de interesse internacional. O encontro entre os líderes ocorreu após a confirmação de mais de 500 casos na China, no Japão, na Tailândia, em Taiwan e na Coreia do Sul. Uma nova infecção foi anunciada pelos Estados Unidos, além de suspeitas no México, em Hong Kong, nas Filipinas e na Austrália. Uma nova reunião está marcada para esta quinta-feira (23). Initial plugin text Até o momento, a OMS usou a denominação "emergência de saúde pública de interesse internacional" apenas em casos raros de epidemias que exigem uma vigorosa resposta internacional, como a gripe suína H1N1 (2009), o zika vírus (2016) e a febre ebola, que devastou parte da população da África Ocidental de 2014 a 2016 e ainda atinge a República democrática do Congo desde 2018. No Brasil, o governo de Minas Gerais disse que investiga uma suspeita do vírus em Belo Horizonte, mas o Ministério da Saúde informou que o caso "noticiado pela SES/MG (Secretaria de Estado da Saúde do estado) não se enquadra na definição de caso suspeito da Organização Mundial da Saúde (OMS), tendo em vista que o paciente esteve em Xangai, onde não há, até o momento, transmissão ativa do vírus". Minas Gerais investiga 1º caso suspeito de coronavírus Apelo para não viajar O diretor da Comissão Nacional de Saúde da China, Li Bin, pediu para que as pessoas não se desloquem para a cidade de Wuhan. Milhões de chineses costumam viajar para comemorar o feriado do Ano Novo Lunar, que acontece nesta semana. "Basicamente, não vá a Wuhan. E quem estiver em Wuhan não deixe a cidade", declarou Li Bin. Ele também alertou que o coronavírus pode sofrer mutação e se propagar mais rapidamente. A comissão chinesa anunciou medidas para conter a doença como a desinfecção e a ventilação de aeroportos, estações de trem e shoppings. "Quando for necessário, os controles de temperatura também serão adotados em áreas-chaves e locais muito frequentados", informou a comissão. Entenda o que é e como age o coronavírus O Ministério de Relações Exteriores da Inglaterra também pediu nesta quarta-feira que as viagens até Wuhan sejam evitadas. "À luz das mais recentes informações médicas, incluindo relatos de transmissão entre pessoas, e os conselhos das autoridades chinesas, estamos desaconselhando todas as viagens, exceto as essenciais, a Wuhan", disse o comunicado. Aeroportos na Turquia, na Rússia, nos Estados Unidos e na Austrália estão utilizando monitores infravermelhos para identificar possíveis casos da doença. O aeroporto de Heathrow, em Londres, separou um terminal só para os viajantes que chegam de regiões já afetadas pelo vírus. 1º caso nos EUA De acordo com a imprensa americana, um viajante da China foi diagnosticado após desembarcar em Seattle, cidade dos EUA no estado de Washington, no último dia 15. A identidade dele está sendo preservada pelas autoridades de saúde do país, mas o Hora 1 informou que a vítima tem cerca de 30 anos, é um homem e está sendo mantido isolado em um hospital. Sintomas e transmissão Chamado de 2019-nCoV, o coronavírus causa febre, tosse, falta de ar e dificuldade em respirar. É um tipo de pneumonia que é transmitida de pessoa para pessoa. De acordo com especialistas, é uma nova cepa de um coronavírus que não havia sido previamente identificado em humanos — os coronavírus são uma ampla família, mas poucos deles são capazes de infectar as pessoas. Amostra laboratorial do coronavírus, que pode causar desde resfriados comuns até SARS e MERS Center for Desease Control and Prevention O período de incubação e a origem do vírus ainda não foram identificados. A fonte primária é provavelmente um animal, de acordo com a OMS. As autoridades chinesas vincularam o surto a um mercado de frutos do mar em Wuhan. Surto Os novos casos trouxeram de volta os registros da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), outro tipo de coronavírus que surgiu na China nos anos de 2002 e 2003, resultando na morte de quase 800 pessoas em uma pandemia global. Em 2020, dois casos já foram identificados na Tailândia, um no Japão e um na Coreia do Sul. Taiwan, ilha autogovernada que a China reivindica como sua, também confirmou uma infecção pelo vírus, uma mulher que retornou de trabalho em Wuhan. Os casos suspeitos estão México, em Hong Kong, nas Filipinas e na Austrália. O presidente mexicano, Andrés Manuel Lopez Obrador, disse nesta quarta-feira (22) que as autoridades investigam uma suspeita no estado de Tamaulipas, na fronteira norte. Ele afirmou que um segundo caso já foi descartado. Na Austrália, um homem que viajou a Wuhan está passando por exames em local isolado. Initial plugin text Veja Mais

Estresse pode deixar os cabelos brancos, diz estudo de Harvard

Glogo - Ciência Publicada nesta quarta-feira (22), a descoberta avança o conhecimento da ciência sobre como o estresse pode afetar o corpo humano de maneira negativa. Ratinho com pelos brancos depois de ser exposto ao estresse agudo. Harvard/FMRPUSP Ficar estressado pode deixar os cabelos brancos. A conclusão é de uma pesquisa de cientistas da Universidade de Harvard em parceria com a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), publicado nesta quarta-feira (22) na revista científica "Nature". Por dois dias, ratos foram expostos em laboratórios a estresse intenso causado por dor aguda. "Cerca de quatro semanas depois, apareceram pelos brancos nos ratos", explica o pesquisador do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias da FMRP-USP, Thiago Mattar Cunha. Isso acontece porque, segundo a descoberta dos cientistas, há ligação entre o sistema nervoso e as células-tronco do bulbo capilar, responsáveis pelo pigmento do cabelo. "Quando estamos sob estresse, é acionado o nosso sistema sintático, conhecido como 'sistema de luta e fuga', responsável por gerar ações como aumentar o fluxo sanguíneo nos músculos ou aumentar os batimentos cardíacos quando estamos estressados", explica Cunha. "A base do bulbo capilar tem células-tronco que produzem as células responsáveis pelo pigmento do cabelo. Quando o sistema de luta e fuga é acionado pelo estresse, ele libera noradrenalina, que afeta as células-tronco, que param de produzir as células responsáveis pelo pigmento." Apesar dos ratos do experimento terem sofrido estresse agudo, que pode ser comparado com casos de estresse pós-traumático, Cunha explica casos de estresse mais moderados também podem causar cabelo branco. "Independente do tipo e intensidade do estresse, ele poderá causar cabelo branco, só que em menor quantidade." Conhecimento popular Histórias populares que relacionam estresse com o surgimento de cabelo branco ajudou a orientar a hipótese da pesquisa, de acordo com um dos autores do estudo, o professor de células-tronco e Biologia Regenerativa em Harvard, Ya-Chieh Hsu. "Todo mundo tem uma história para compartilhar sobre como o estresse afeta seu corpo, principalmente a pele e o cabelo, que são os únicos tecidos que podemos ver do lado de fora", disse Hsu em uma nota de divulgação. Cabelo branco: saiba por que os fios perdem a cor O distúrbio raro que fez mãe e filho nascerem com cabelos brancos “Queríamos entender se essa conexão é verdadeira e, em caso afirmativo, como o estresse leva a alterações em diversos tecidos. A pigmentação capilar é um sistema tão acessível para começarmos [a pesquisar sobre]. Além disso, estávamos genuinamente curiosos para ver se o estresse realmente leva ao envelhecimento dos cabelos.", explicou Hsu. No paper publicado nesta quarta, há as anedotas da rainha francesa Maria Antonieta, que teria ficado de cabelos brancos durante a noite em que foi capturada na Revolução Francesa e mandada à guilhotina, e a história de John McCain, ex-candidato à presidência dos EUA, que teria ficado grisalho depois de ser prisioneiro de guerra durante a Guerra do Vietnã. Estresse e doenças O pesquisador brasileiro conta que não estudava o efeito do estresse no corpo quando fez a descoberta dos cabelos brancos. "Sou membro de um grupo de pesquisa que trabalha com a dor. Começamos a observar que os ratos apareciam com pelos brancos depois de serem expostos à dor. Não sabíamos o porquê isso acontecia." Em 2018, Cunha passou um ano como professor visitante na Escola de Medicina de Harvard. "Lá, eu descobri que os pesquisadores tinham os mesmos resultados que os nossos. Decidimos fazer novos experimentos nos laboratórios de Harvard para entender o porquê desses pelos brancos nos ratos." Os resultados obtidos são importantes porque avançam na busca da Ciência em entender como o estresse afeta o funcionamento dos tecidos, órgãos e células importantes do corpo. "Será que o estresse pode afetar a produção de células troncos na medula óssea? Será que pode afetar a imunidade? Como o estresse afeta o sistema gastro-intestinal? São coisas que precisamos estudar", afirma Cunha. O modelo desenvolvido na pesquisa, segundo Cunha, "será importante para se estudar a relação do estresse com doenças". O professor de Imunologia em Harvard, Isaac Chiu, um dos autores, explicou em nota que pouco se sabe sobre como o sistema nervoso regula as células-tronco, mas, "com este estudo, agora sabemos que os neurônios podem controlar as células-tronco e suas funções." “Entender como nossos tecidos mudam sob estresse é o primeiro passo crítico para um eventual tratamento para interromper ou reverter o impacto prejudicial do estresse. Ainda temos muito a aprender nessa área”, afirmou Chiu em nota. Ainda durante o estudo, Cunha afirma que, ao raspar os pelos dos ratos, também foi observado manchas brancas na pele dos animais, indicando para uma relação entre o estresse e a pigmentação da pele. Vídeos sobre cabelo branco Por que não dói quando cortamos o cabelo e por que ele fica branco? Mulheres adotam visual que favorecem o uso de cabelo branco Veja Mais

Trump diz que EUA têm plano e estão em 'ótima forma' para conter a transmissão do coronavírus

Glogo - Ciência China e outros países da Ásia registram centenas de casos; transmissão entre humanos causa pneumonia. Amostra laboratorial do coronavírus, que pode causar desde resfriados comuns até SARS e MERS Center for Desease Control and Prevention O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (22) que o país tem um plano em prática para conter o surto de coronavírus. "Temos, sim, um plano e acreditamos que isso será conduzido muito bem. Já tratamos bem disso. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças é maravilhoso. Muito profissional", declarou em discurso paralelo ao encontro anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Coronavírus na China: perguntas e respostas sobre doença pulmonar China tem 9ª morte provocada pelo coronavírus; já são mais de 400 casos O total de mortos pelo coronavírus na China chegou a 9 nesta quarta-feira, com 440 casos já confirmados, disseram autoridades chinesas de saúde à medida que os esforços para controlar o surto aumentam. "Estamos em ótima forma, e acho que a China também está em ótima forma", afirmou Trump a repórteres antes de uma reunião com o presidente da região autônoma curda do Iraque, Nechirvan Barzani. Primeira infecção nos EUA Os Estados Unidos confirmaram a primeira infecção por coronavírus, de acordo com informações dos Centros de Controle e Prevanção de Doenças (CDC, sigla em inglês). De acordo com a imprensa americana, um viajante da China foi diagnosticado em Seattle, cidade dos EUA. A identidade está sendo preservada pelas autoridades de saúde do país. O coronavírus causa um tipo de pneumonia que é transmitida de pessoa para pessoa. China confirma sexta morte por coronavírus; EUA registram primeiro caso A origem do vírus ainda não foi identificada, mas a fonte primária é provavelmente um animal, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). As autoridades chinesas vincularam o surto a um mercado de frutos do mar na cidade chinesa de Wuhan, onde os primeiros casos foram registrados. Surto na China Até terça-feira, a cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, confirmou 258 infecções pelo vírus e seis mortes, disse o prefeito Zhou Xianwang. As autoridades de saúde da China informaram que outros 14 casos foram registrados na província de Guangdong, no sul. Mais cinco infecções ocorreram em Pequim e outras duas em Xangai. "As informações sobre infecções relatadas recentemente sugerem que agora pode haver transmissão humano a humano", disse o diretor regional da OMS para o Pacífico Ocidental, Takeshi Kasai. Os novos casos trouxeram de volta os registros da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), outro tipo de coronavírus que surgiu na China nos anos de 2002 e 2003, resultando na morte de quase 800 pessoas em uma pandemia global. Dois casos já foram identificados na Tailândia, um no Japão e um na Coreia do Sul, enquanto as Filipinas também relataram nesta terça-feira um primeiro caso suspeito. Taiwan, ilha autogovernada que a China reivindica como sua, também confirmou uma infecção pelo vírus, uma mulher que retornou de trabalho em Wuhan. Veja Mais

China tem 9ª morte provocada pelo coronavírus; já são 400 casos

Glogo - Ciência Transmissão entre humanos causa pneumonia. EUA também confirmaram 1º caso da doença na terça-feira (21). Sobe para 9 o número de mortos na China por causa do coronavírus Subiu para 9 o número de vítimas do coronavírus que já infectou cerca de 400 pessoas na China, segundo o último boletim das autoridades de saúde divulgado nesta quarta-feira (22). A doença que teve origem em Wuhan, na região central do país, chegou a Macau. Os EUA registraram o 1º caso na terça-feira (21), e Japão, Tailândia, Taiwan e Coreia do Sul também já foram afetados. A vice-ministra da Comissão Nacional de Saúde da China, Li Bin, alertou que o coronavírus pode sofrer mutação e se propagar mais rapidamente. A comissão anunciou medidas para conter a doença diante da viagem de milhões de pessoas, por todo o país, para o feriado do Ano Novo Lunar, esta semana. Entre as medidas estão a desinfecção e a ventilação de aeroportos, estações de trem e shoppings. "Quando for necessário, os controles de temperatura também serão adotados em áreas-chaves e locais muito frequentados", informou a comissão. 1º caso nos EUA China confirma sexta morte por coronavírus; EUA registram primeiro caso De acordo com a imprensa americana, um viajante da China foi diagnosticado em Seattle, cidade dos EUA. A identidade está sendo preservada pelas autoridades de saúde do país. O coronavírus causa um tipo de pneumonia que é transmitida de pessoa para pessoa. A origem do vírus ainda não foi identificada, mas a fonte primária é provavelmente um animal, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). As autoridades chinesas vincularam o surto a um mercado de frutos do mar na cidade chinesa de Wuhan, onde os primeiros casos foram registrados. Surto Os novos casos trouxeram de volta os registros da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), outro tipo de coronavírus que surgiu na China nos anos de 2002 e 2003, resultando na morte de quase 800 pessoas em uma pandemia global. Dois casos já foram identificados na Tailândia, um no Japão e um na Coreia do Sul, enquanto as Filipinas também relataram nesta terça-feira um primeiro caso suspeito. Taiwan, ilha autogovernada que a China reivindica como sua, também confirmou uma infecção pelo vírus, uma mulher que retornou de trabalho em Wuhan. Veja Mais

Estudo mostra que poluição atmosférica pode influenciar ciclo menstrual

Glogo - Ciência Pesquisadores franceses identificaram que partículas finas penetram nos alvéolos pulmonares e podem atingir a circulação sanguínea e órgãos como os ovários ou cérebro. Pessoas passam em meio a condições de fumaça e neblina durante uma manhã fria em Faridabad, na Índia, em foto de novembro de 2019. Money Sharma/AFP/Arquivo De que maneira os gases poluentes poderiam afetar o ciclo reprodutivo das mulheres? Esta foi uma das questões levantadas no estudo dirigido pelo pesquisador francês Remy Slama, do Instituto para o Avanço da Biociência, situado em Grenoble, no sudeste da França. A pesquisa analisou amostras de urina de 184 mulheres vivendo em grandes cidades, durante um ciclo menstrual completo. Em seguida, a equipe associou os resultados aos níveis de exposição à poluição nos 30 dias que precederam o ciclo. A conclusão dos cientistas é que existia uma ligação entre a concentração de partículas finas e a duração da fase folicular, anterior à ovulação, que tende a ser mais longa. As partículas finas penetram nos alvéolos pulmonares e podem atingir a circulação sanguínea e certos órgãos, como os ovários ou o cérebro. Esses elementos microscópicos são formados por um núcleo de carbono e materiais que “queimaram”: metais, gases ou outros componentes voláteis. Há também a poluição gasosa, que gera, por exemplo o dióxido de azoto, emitido pelos automóveis em circulação. Pedestres na saída do metrô Clínicas na Avenida Doutor Arnaldo, em foto de abril de 2014. Fábio Tito/G1/Arquivo A pesquisa francesa, publicada recentemente no jornal científico "Environmental Pollution" é inspirada nos resultados obtidos por uma equipe brasileira do Hospital das Clinicas, que analisou a exposição de ratos fêmeas à poluição da avenida Doutor Arnaldo, uma das mais movimentadas de São Paulo. A duração do ciclo menstrual dos roedores mais atingidos pelas partículas finas foi afetada. Esse resultado levou o pesquisador Remy Slama e sua equipe a verificar se o mesmo efeito poderia ser observado também nas mulheres. “O recrutamento foi complicado porque, na França, muitas mulheres utilizam a contracepção hormonal, que vai perturbar os parâmetros do ciclo menstrual. Procuramos aquelas que não usavam pílula. Para isso, foi preciso recrutar pessoas na população em geral”, explica o cientista francês. Para escolher as participantes da pesquisa, a equipe de Remy Slama utilizou os dados obtidos em um estudo realizado entre 2007 e 2009 pelo Observatório Epidemiológico de Fertilidade na França, também ligado ao Inserm (Instituto de Pesquisas Médicas da França), que entrou em contato com 50 mil lares. Cerca de mil mulheres em idade reprodutiva que tentavam engravidar foram selecionadas e 184, com idades entre 18 e 45 anos, aceitaram participar da pesquisa fornecendo amostras de urina. A equipe então realizou dosagens hormonais que permitiram quantificar a duração de cada uma das fases do ciclo menstrual – principalmente a folicular, quando os folículos ovarianos se desenvolvem, e a lútea, quando o corpo se prepara para uma possível gravidez. Um homem com uma garrafa d'água passa por uma mulher tomando uma bebida em uma ponte sobre o rio Sena, em frente à Torre Eiffel, em Paris, na França. Philippe Lopez/AFP Eixo hormonal As partículas finas, explica Remy Slama, têm influência direta na atividade da enzima conhecida como aromatase, relacionada à produção do estradiol, hormônio responsável pela liberação de óvulos pelos folículos ovarianos. Os gases poluentes também atuam no eixo hormonal do stress e do cortisol, ressalta o pesquisador, implicados no controle da função menstrual. "É possível que esse efeito da poluição atmosférica sugerido em nosso estudo sobre o ciclo menstrual seja explicado por uma perturbação desse eixo hormonal hipotálamo-pituitária-adrenal ou eixo hipotálamo-hipófise-ovariano." Esse sistema neuroendócrino regula processos orgânicos diferentes, entre eles a sexualidade, por exemplo. O trabalho da equipe francesa não mostrou, entretanto, se os efeitos observados eram fruto da atividade das partículas finas, dos gases poluentes ou de uma ação combinada dos dois. Poluição e gravidez O estudo demorou vários anos para ser concluído, explica o pesquisador, mas por enquanto não há conclusões sobre como a poluição pode influenciar diretamente a fertilidade feminina. Ele cita, entretanto, dados de uma pesquisa realizada na República Tcheca, onde há níveis de poluição bastante elevados. Névoa de poluição cobre Paris em entorno da Torre Eiffel, em foto de 27 de julho de 2018 Mustafa Yalcin/Anadolu Agency via AFP/Arquivo “Os pesquisadores observaram que quando os níveis de poluição estavam elevados, a possibilidade de obter uma gravidez para as mulheres que buscavam ter um filho diminuía no ciclo seguinte”, explica. Outros trabalhos também mostram que a qualidade dos espermatozoides pode ser afetada pela poluição atmosférica e que ela pode também provocar uma diminuição do peso das crianças no nascimento, favorecendo a pré-eclâmpsia. A patologia provoca hipertensão arterial, provocando o aparecimento de outras complicações. “Nosso estudo se une a uma série de outras pesquisas que nos permitem dizer com certeza que a poluição atmosférica é dos principais fatores que podem ser controlados e que influenciam a saúde humana se tiverem seus níveis diminuídos, permitindo uma verdadeira melhoria ”, ressalta Remy Slama. Veja Mais

O grupo de cientistas que descobriu as regras que orientam a vida no planeta e mudou nossa visão do mundo

Glogo - Ciência Na década de 1960, um pequeno grupo de jovens cientistas partiu para alguns dos lugares mais remotos e espetaculares do planeta — e o trabalho pioneiro deles mudou nossa concepção sobre a natureza. Robert Paine descobriu a primeira peça do quebra-cabeça e cunhou o termo 'espécie-chave' Passion Pictures/BBC "Esta é uma história de esperança autêntica, fundamentada na ciência e baseada em experiências da vida real, sobre o que pode ser feito." A história a que o biólogo Sean B. Carroll se refere é sobre a recuperação de paisagens, ressurgimento de florestas, retorno de espécies e o florescer de novas vidas. Tudo isso graças ao trabalho pioneiro de cinco cientistas de quem talvez você não tenha ouvido falar, mas que têm algo importante a dizer. O telescópio capaz de ver coisas que ocorreram há 13 bilhões de anos No espaço de seis décadas, cada um deles foi adicionando seu conhecimento para testar uma hipótese — até chegar a uma teoria reveladora. "Eles viram coisas que ninguém havia visto antes, pensaram coisas que até então ninguém havia pensado e o que descobriram mudou a maneira como vemos a natureza", diz Carroll, em entrevista à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC. E ele não está exagerando. Além disso, demonstraram que, embora a intervenção do homem possa ser — e tenha sido — prejudicial ao planeta, ela também pode ser benéfica, "algo que precisamos levar em conta nesse momento". O que sabíamos Todos esses cientistas começaram a partir de uma visão de mundo que talvez, hoje, seja familiar a todos nós. As plantas recebem luz solar e a transformam em alimento; alguns animais comem essas plantas e, em seguida, predadores se alimentam de alguns desses devoradores de plantas. A cadeia alimentar é um conceito amplamente conhecido, mas há mais Cecilia Tombesi/BBC Mas, na década de 1960, um destes cientistas, o ambientalista americano Robert Paine, se perguntou se os predadores não eram realmente nada além disso, se o seu papel na natureza se reduziria apenas a comer carne na cadeia alimentar. O problema era como investigar... "Você não pode tirar todos os leões de um ambiente para ver o que acontece", escreve Carroll no livro "The Serengeti Rules - The Quest to Discover How Life Works and Why It Matters" ("As regras dos Serengeti - a missão de descobrir como a vida funciona e por que ela é importante", em tradução livre). Ele precisava de um lugar onde todo o ecossistema estivesse contido e tivesse um tamanho gerenciável. Até que encontrou as poças de maré da Baía de Makah, no noroeste dos Estados Unidos, onde havia tudo o que ele precisava: cerca de 15 espécies de organismos, gastrópodes carnívoros se alimentando de cracas, ouriços-do-mar se alimentando de algas... As poças de maré estavam cheias de vida... e de estrelas do mar Passion Pictures/BBC ... e, o mais importante, um grande predador: estrelas-do-mar. "As pessoas veem e pensam: 'Que lindas!' Mas elas são ferozes. São grandes devoradoras. Comem cracas, são fascinadas por mexilhões... são os leões das poças de maré", diz Paine no documentário The Serengeti Rules ("As regras dos Serengeti", em tradução livre), baseado no livro de Carroll. Com e sem estrelas Ele podia dar início então ao experimento. Paine tirou as estrelas-do-mar de uma das poças de maré, mas de outra, não — e, durante meses, observou o que acontecia. Logo ele começou a notar as mudanças na piscina sem estrelas-do-mar: os mexilhões começaram a se multiplicar, enquanto outras espécies desapareciam. As poças de maré foram um laboratório natural para Robert Paine Passion Pictures/BBC Após alguns anos, das 15 espécies que existiam originalmente restavam apenas os mexilhões. Paine retirou espécies diferentes de outras piscinas — mas em nenhum dos casos aconteceu o mesmo. Claramente, a diversidade nas poças de maré dependia das estrelas-do-mar. O predador era o bastião do ecossistema. Os experimentos dele mostraram que em ecossistemas maduros alguns animais são mais importantes que outros. E decidiu chamar esses animais de "espécies-chave", por terem um papel vital na estrutura do ecossistema. A exceção ou a regra? Paine havia estabelecido as bases, mas era necessário saber se o que descobrira era uma regra de vida ou uma peculiaridade. Felizmente, a ciência costuma ser um trabalho em equipe — que não precisa ser feito ao mesmo tempo, tampouco no mesmo local. A lontra-marinha era a espécie-chave na ilha de Amchitka, na costa do Alasca Passion Pictures/BBC No sudoeste do Alasca, há uma ilha vulcânica chamada Amchitka, onde você é recebido por uma placa com os dizeres: "Não é o fim do mundo ... mas daqui você pode vê-lo". O fim do mundo não era exatamente o que o ecologista marinho Jim Estes estava estudando nesse remoto lugar. O interesse dele estava debaixo d'água, onde havia encontrado uma floresta de algas que, assim como os bosques na superfície terrestre, fornecia um habitat para muitas espécies, incluindo um grande número de lontras-marinhas. Um dia, Paine resolveu ir até o lugar seguindo um novo ponto de vista: em vez de ver a floresta como o suporte para as lontras-marinhas, pensaria nas lontras como espécie-chave predadora desse habitat. "Esse foi o começo do resto da minha vida", conta Estes no documentário. A lontra-marinha era a espécie-chave na ilha de Amchitka, na costa do Alasca Getty Images/BBC Para ver que efeito esses mamíferos carnívoros tinham no ecossistema, ele visitou uma ilha próxima chamada Shemya, onde não havia lontras. Quando mergulhou, em vez de encontrar uma floresta cheia de vida, se deparou com um deserto povoado apenas por ouriços. Estes sabia que as lontras comiam muitos ouriços, e que os ouriços se alimentavam de algas. Sem as lontras, os ouriços se multiplicaram de forma descontrolada e comeram todas as algas. E, sem as algas, todas as outras espécies haviam desaparecido. Sem os predadores que a protegiam, a floresta subaquática não podia existir. Água doce Na década de 1970, a ecologista Mary Power — que havia sido aluna de Paine e lera os relatórios de Estes — comprovou algo semelhante em córregos de Oklahoma, nos EUA. Ela notou que alguns desaguavam em uma série de lagos estéreis intercalados por lagos de cor verde esmeralda vibrante. Depois de investigar, ela descobriu que a diferença se devia à presença ou falta da espécie-chave, que nesse ecossistema era o Micropterus salmoides, um peixe de água doce mais conhecido como achigã. Mary Power descobriu que o fenômeno também acontecia em água doce Passion Pictures/BBC Em terra firme... O resultado do trabalho de Power nos córregos, de Paine nas poças de maré e de Estes no oceano provou que a hipótese das espécies-chave era verdadeira em uma ampla variedade de ambientes aquáticos. Faltava um experimento em terra — que foi realizado na Venezuela. Um imenso lago foi criado com a construção da represa de Guri, no rio Caroni, que deu origem a muitas ilhas, a maioria sem predadores. O ecologista e biólogo John Terborgh foi quem explorou essas ilhas — e lembra que, quando chegou lá, "parecia que tinham sido arrasadas por um furacão". O que antes era uma bela floresta, alguns anos depois era pura devastação... Passion Pictures/BBC Em algumas ilhas, as formigas-cortadeiras haviam se reproduzido descontroladamente, dada a ausência de formigas-guerreiras, e, por isso, foram desfolhando as árvores até matá-las. "O fenômeno se repetia, de diferentes maneiras e com diferentes espécies-chave, mas o resultado era sempre o mesmo: o que havia começado como uma bela floresta verde, em 20 ou 25 anos era apenas devastação", diz Terborgh. O mistério das lontras O que esses cientistas estavam construindo era uma maneira totalmente nova de ver o mundo — derrubando preconceitos e revelando conexões ocultas completamente inesperadas entre as criaturas e a natureza. Mas ainda faltava entender quão profundas e duradouras eram essas conexões. Quando Jim Estes retornou à Ilha Amchitka, ficou assustado com o que viu (ou melhor, com o que não viu) BBC Essa descoberta ficou para Jim Estes, quando retornou à Ilha Amchitka, no início dos anos 1990. "Foi uma loucura: quando saí, havia 8 mil lontras; e cinco anos depois, não restava quase mais nenhuma!" Não apenas lá, mas em todo o arquipélago das Ilhas Aleutas, do qual Amchitka faz parte. "Se tratava do desaparecimento de várias centenas de milhares de lontras, uma redução de 95% a 99%, elas desapareciam sem que ninguém encontrasse seus restos mortais nas redondezas." Logo, Estes notou outra mudança espantosa: "Nos anos 1970 e 1980, se deparava com uma orca a cada três ou quatro anos. Nos anos 1990, comecei a vê-las três ou quatro vezes por dia... elas estavam comendo não só as lontras, mas também outros animais que tinham sumido." O que havia acontecido? Embora naquele momento não fosse óbvio, aquilo tinha sido obra do controlador-chave: o ser humano. Muitas vezes, removemos o predador-chave dos ecossistemas naturais — mas, neste caso, não se tratava de eliminar um predador, mas seu alimento. A causa de desse evento tão dramático foi a caça industrial às baleias, que começou no Pacífico Norte após a Segunda Guerra Mundial e continuou até o início da década de 1960. Naquela época, as enormes baleias no Pacífico Norte haviam sido dizimadas. Linda... e faminta Getty Images/BBC O sumiço das baleias abalou o ecossistema, uma vez que elas eram grandes e altamente nutritivas para as orcas (que, aliás, não são uma espécie de baleia, pois são da família dos golfinhos), que foram forçadas a diversificar sua dieta. As primeiras vítimas foram as focas, até serem exterminadas. Em seguida, os leões-marinhos. E, quando estes foram eliminados, foi a vez das lontras-marinhas. Praticamente tudo foi afetado — do salmão às aves marinhas e águias-carecas. Todo o ecossistema entrou em colapso. Revolução no pensamento científico Para Estes, reconhecer que a natureza está conectada em escalas tão vastas de espaço e tempo de uma maneira tão importante foi uma revolução no pensamento científico. Munidos dessa visão completamente nova, eles começaram a perceber coisas que não se via antes, apesar de estarem bem diante do nosso nariz. "Se eu te disser, assim do nada, 'as árvores precisam dos lobos', talvez isso te surpreenda, mas esse tipo de revelação não surge ao olhar para a natureza como se fosse apenas uma imagem bonita, é o resultado dessa compreensão de como funciona a natureza", diz Carroll à BBC News Mundo. Para entender melhor, veja a imagem abaixo... você consegue notar algo estranho? Esta foto é típica de uma floresta na qual, na ausência de um predador, os cervos se multiplicaram de forma descontrolada Passion Pictures/BBC Se você não notou nada de peculiar, é porque nos acostumamos a ver como "normais" paisagens degradadas. Esta foto é típica de uma floresta na qual, na ausência de um predador, no caso o lobo, os cervos se multiplicaram de forma descontrolada para se tornar uma praga e comeram tudo o que deveria estar vivo entre o solo e os ramos mais baixos que aparecem na imagem. É uma floresta em extinção: não haverá árvores novas porque foram comidas; portanto, quando estas que estão na foto morrerem, não haverá mais floresta. E não é um caso isolado. Na verdade, "grande parte do mundo que vemos hoje em dia está degradado", diz Carroll. E, mais uma vez, ele não está exagerando. Mas tudo isso está soando muito pessimista e prometemos uma história de esperança. O fato é que falta uma peça fundamental desse quebra-cabeça, descoberta pelo biólogo Tony Sinclair enquanto trabalhava em um dos lugares mais icônicos do planeta: o Parque Nacional Serengeti, na Tanzânia. Mais de tudo Quando Sinclair começou a trabalhar em Serengeti — embora ainda não tivesse percebido naquele momento —, o parque nacional mais famoso do mundo estava bastante degradado. Os gnus tinham sido vítima da peste bovina Getty Images/BBC Há 120 anos, uma epidemia de peste bovina, muito semelhante ao sarampo, dizimou os animais locais, particularmente os gnus, cuja população permaneceu baixa por 70 anos, até que, nos anos 1960, os veterinários conseguiram erradicar a doença na maior parte da África. Quando Sinclair chegou, a mudança começava a ser óbvia. "Quando cheguei, havia cerca de 250 mil gnus. Oito anos depois, já havia 1,4 milhão", relembra. "Era um recorde mundial, a maior população de ungulados do mundo". Em 1982, Sinclair participou entusiasmado de uma reunião para contar ao mundo o que estava acontecendo. "Quando eu disse o número de 1,4 milhão, houve um silêncio mortal. Eu não esperava de forma alguma aquela reação." Os colegas dele acreditavam que era irresponsável permitir que os animais se multiplicassem dessa maneira e, na opinião deles, deviam ser sacrificados porque destruiriam o habitat e causariam um colapso do ecossistema. "Mas, pensei, por que os homens deveriam interferir? Esses ecossistemas existem há milhões de anos sem precisar que os humanos interfiram para se manter." Tony Sinclair se recusou a sacrificar os gnus e preferiu confiar na natureza Passion Pictures/BBC Ciente de que estava colocando em risco um dos lugares mais icônicos da Terra, a equipe de Sinclair decidiu se manter firme e convenceu as autoridades do parque a não sacrificar os animais. O censo dos quatro anos seguintes apresentou o mesmo resultado: 1,4 milhão. O ecossistema havia se nivelado sozinho e não havia danos ao meio ambiente. "Pelo contrário: para nossa surpresa, descobrimos que o ecossistema estava se recuperando por contra própria. De repente, tudo começou a se reconectar", diz Sinclair. "Os gnus produziam esterco, que fertilizava as pastagens, que se tornavam altamente nutritivas. E, ao comê-las, havia menos material combustível no solo e, portanto, menos incêndios. "Isso permitiu aumentar as populações de árvores que provavelmente não cresciam desde o século 19. Essas árvores forneciam mais alimento para elefantes, girafas e muitas espécies de pássaros." "E isso atraiu muito mais predadores, porque também havia mais comida para eles", completa. "Percebi que o gnu era uma espécie-chave e que, ao contrário do que Robert Paine havia presumido — que a espécie-chave era sempre um predador —, na verdade, podia ser um herbívoro". O retorno dos gnus mudou completamente o cenário do parque Getty Images/BBC Além disso, e talvez mais importante, o que os estudos de Tony Sinclair mostraram foi que, embora essas espécies-chave estivessem ausentes há 70 anos, a capacidade de recuperação do ecossistema não havia se esgotado. E quando a espécie-chave reapareceu, o Parque Nacional de Serengeti mudou profundamente: havia mais árvores, mais girafas, mais pássaros cantando, mais borboletas, mais besouros, mais de tudo. Foi uma prova em larga escala de que a degradação não é uma condenação: é reversível. Em busca da 'estrela do mar' Robert Paine foi o primeiro a vislumbrar isso: se você eliminar a estrela-do-mar, a biodiversidade entra em colapso. Seis décadas após o experimento dele, ecologistas renomados compararam suas experiências e ficou claro que é assim que a natureza funciona. Em todas as partes. Eles haviam descoberto as regras da vida no planeta. "Se você quer consertar algo, precisa saber o que está danificado", declarou Paine. E graças a ele e a um punhado de cientistas, é possível averiguar isso. Veja a diferença que fez reintroduzir o salmão neste rio Passion Pictures/BBC Agora, ao nos deparar com paisagens degradadas, em vez de ficar fazendo comentários negativos, pessimistas e fatídicos, podemos nos perguntar: estamos condenados? O destino está selado para esses lugares e espécies? E, em muitos casos, a resposta é: "Não". "Não é que você vai encontrar espécies-chave em todos os lugares, mas elas são predominantes!", observa Carroll. É uma questão de encontrar o equivalente à estrela-do-mar para cada ecossistema. Um exemplo conhecido é o do Parque Nacional de Yellowstone, no noroeste dos Estados Unidos, no qual há cerca de 20 anos, a população de lobos aumentou mediante a intervenção do homem para controlar o número de alces, que estavam afetando seriamente a vegetação do parque. Com o retorno dos lobos após 70 anos de ausência, os salgueiros se recuperaram, os choupos prosperaram, os castores voltaram e os ursos se expandiram. E na Argentina, algo surpreendente aconteceu: com o regresso dos pumas para os altiplanos, a grama cresceu e criou um habitat para todos os tipos de criaturas. Lobos, tão temidos no passado, agora são bem-vindos em Yellowstone Getty Images/BBC Os pumas mudaram o cenário dos altiplanos na Argentina Passion Pictures/BBC E há cada vez mais exemplos disso. No Centro-Oeste dos EUA, há pessoas adicionando peixes-chave a lagos verdes e turvos, que se tornam cristalinos. Nos arrozais, as aranhas são as espécies-chave. Então, se você quiser comer arroz, proteja as aranhas. Na Escócia, enquanto isso, estão mostrando como as belas pradarias não deveriam ser... pradarias. Este cercado na foto acima, onde crescem árvores e flores, revela o impacto dos animais que pastam e como seria a paisagem escocesa sem eles. Passion Pictures/BBC Este cercado na foto acima, onde crescem árvores e flores, revela o impacto dos animais que pastam e como seria a paisagem escocesa sem eles. E assim, em muitas partes do mundo, há projetos semelhantes que estão recuperando lugares e espécies. Ressurreição Uma das histórias que mais emocionam Carroll é a do Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique, que, como costuma acontecer com experiências inspiradoras, começa com uma grande perda: da vida selvagem devido a uma das guerras civis mais longas e destrutivas das últimas décadas (1977-1992). Mas a paz acabou trazendo o interesse de recuperar o que muitos chamavam de "o paraíso perdido" da Gorongosa. Hoje, como bem resumiu um artigo da revista National Geographic, "você pode ver a natureza dando um suspiro de alívio". Durante a guerra que se seguiu à independência de Portugal, Gorongosa foi um dos principais campos de batalha e foi destruída. Hoje, o paraíso está em processo de recuperação Getty Images/BBC "O projeto levou pouco mais de 15 anos e ficamos assustados que as coisas possam se recuperar a essa velocidade", exclama Carroll, em conversa com a BBC News Mundo. "Isso prova que, se você dá a ela uma chance, a natureza é muito resiliente." "Não é que eu não seja realista... sou um cientista: acredito em dados empíricos!", completa. Com base nestes dados, ele se dedica a divulgar que há luz no fim do túnel. "Grande parte da história humana é sobre superar desafios. Para isso, é necessário lançar mão de energia e perspectiva; o pessimismo é uma profecia autorrealizável e muitos de nós estão preocupados que as pessoas desistam." "Não é hora de desistir, é hora de redobrar nossos esforços e perguntar 'o que pode ser feito' repetidas vezes." "Você precisa se concentrar no trabalho, não no desespero." Veja Mais

EUA vão retirar cidadãos norte-americanos de Wuhan, na China, diz jornal

Glogo - Ciência O avião, com cerca de 230 pessoas, levará diplomatas do consulado dos EUA, bem como cidadãos norte-americanos e suas famílias, da cidade chinesa que é epicentro do surto de um novo coronavírus. Coronavírus: mais de 1.300 pessoas foram infectadas em doze países Os Estados Unidos estão organizando um voo charter no domingo (26) para trazer seus cidadãos e diplomatas de volta da cidade chinesa de Wuhan, epicentro do surto de um novo coronavírus, informou o jornal norte-americano "Wall Street Journal" neste sábado (25). O avião, com cerca de 230 pessoas, levará diplomatas do consulado dos EUA, bem como cidadãos norte-americanos e suas famílias, informou o Journal, citando uma pessoa familiarizada com a operação. Washington recebeu aprovação da operação do Ministério das Relações Exteriores da China e de outras agências governamentais após negociações nos últimos dias, informou o jornal. Um porta-voz da Embaixada dos EUA em Pequim disse que, na quinta-feira, o Departamento de Estado ordenou a saída de membros da família e de todos os funcionários do governo dos EUA no consulado de Wuhan, mas se recusou a comentar o relatório de que outros cidadãos dos EUA seriam retirados da cidade. A decisão de transferir funcionários e famílias do consulado dos EUA deveu-se ao surto do coronavírus "e a interrupções logísticas decorrentes de transporte restrito e hospitais sobrecarregados na cidade de Wuhan", disse o porta-voz em comunicado enviado à Reuters. China suspende viagens turísticas A China vai suspender todas as viagens turísticas que partem do país a partir de segunda-feira (27) para tentar conter o surto de coronavírus. Neste sábado (25) a Associação de Turismo da China anunciou que as viagens em grupo ao exterior estarão suspensas. Segundo a associação, viagens domésticas já estavam sob restrição desde sexta-feira (24). Na China, onde o surto de coronavírus começou, foram registrados ao menos 1.372 casos de infecção e 41 mortes por complicações da doença. Os casos estão concentrados na cidade de Wuhan, na província de Hubei. O presidente chinês, Xi Jinping, disse no sábado que o vírus está se espalhando de maneira acelerada e que o país enfrenta uma "situação grave". A região mais afetada têm desde sexta-feira restrições de circulação que afetam cerca de 40 milhões de pessoas. As restrições incluem fechamento de estações de trens, rodoviárias, transportes urbanos e de circulação de carros por algumas estradas. As autoridades ainda não informaram quando essas medidas serão retiradas. Infectologista explica mutações de coronavírus Coronavírus em 4 continentes Até o momento, além da China, que tem o maior número de confirmações da doença, dez países em quatro continentes já identificaram e isolaram pacientes com coronavírus. Casos na Ásia China (considerando os territórios autônomos de Taiwan, Macau e Hong Kong): 1.372 Tailândia: 5 Japão: 3 Malásia: 3 Singapura: 3 Coreia do Sul: 2 Vietnã: 2 Nepal: 1 Casos na Oceania Austrália: 4 Casos na Europa França: 3 Casos na América EUA: 2 Initial plugin text Veja Mais

Novo coronavírus matou 6 entre os primeiros 41 infectados; mais jovens escaparam da pneumonia, diz estudo

Glogo - Ciência Levantamento aponta que esposa do primeiro homem a morrer também foi infectada e internada com pneumonia 5 dias após o marido. Ela não esteve no mercado de Wuhan. França é o primeiro país da Europa a registrar caso do novo coronavírus Enquanto um estudo publicado na quinta-feira (23) mostrou que mais de 52% das vítimas fatais de coronavírus eram idosos e com alguma doença crônica associada, uma novo artigo divulgado nesta sexta (24) na revista "The Lancet" mostra que a maioria dos sobreviventes tem até 49 anos e é saudável. A pesquisa desta sexta analisou os 41 primeiros pacientes do novo coronavírus confirmados entre 16 de dezembro e 2 de janeiro - seis deles morreram, e todos têm entre 49 e 66 anos. Nenhuma criança ou adolescente foi infectado e todos os sobreviventes tinham entre 25 e 53 anos. "O número de mortes está aumentando rapidamente", afirma o estudo, alertando que os números dos casos fatais estão crescendo dia a dia e que é urgente se descobrir "epidemiologia, duração da transmissão humana e espectro clínico da doença". Os cientistas também confirmam a relação entre a infeção e o mercado de frutos do mar de Wuhan: 66% estiveram no local antes de serem internados. A mulher do primeiro paciente a morrer por coronavírus – um homem de 61 anos que apresentou os sintomas depois de ter ido ao mercado de frutos do mar – também foi infectada e internada por pneumonia 5 dias após a internação do marido, segundo os pesquisadores. Ela, que tem 53 anos e não frequentou o mercado, está viva. Infectologista fala sobre aumento no número de países com casos de coronavírus O mercado tem sido apontado como o local de origem das infecções do novo coronavírus. Ele foi fechado em 1º de janeiro. Um estudo publicado na quarta (22) afirma que a infecção do vírus começou em serpentes que eram comercializadas no local. O que se sabe e o que ainda é dúvida sobre o coronavírus Entre os sobreviventes, a maioria, 27 deles, era saudável. Apenas 13 pessoas tinham doenças associadas: 8 com diabetes, 6 com hipertensão e 6 com doenças cardiovasculares. 'Todos tiveram pneumonia' O estudo concluiu que os sintomas mais comuns no início da doença foram febre (98%), tosse (76%) e mialgia ou fadiga (44%); os menos comuns foram produção de escarro (28%), dor de cabeça (8%) e diarreia (3%). Todos os infectados apresentaram pneumonia. Cerca de 32% dos casos foram encaminhados diretamente para unidade de tratamento intensivo (UTI) porque necessitavam de suporte de oxigênio para respirar. "O 2019-nCoV causou aglomerados de infecção pneumonia fatal, com apresentação clínica muito semelhante à SARS-CoV", relata o estudo. "Pacientes infectados com 2019-nCoV podem desenvolver síndrome do desconforto respiratório agudo, com alta probabilidade de internação em terapia intensiva (UTI) e podem morrer." Ciclo do novo coronavírus - transmissão e sintomas Aparecido Gonçalves/Arte G1 Grupo vulnerável Segundo informações do Comitê Nacional de Saúde da República Popular da China, homens com mais de 50 anos e com algum problema de saúde eram mais da metade das vítimas de coronavírus até a quarta, quando haviam 18 mortes. Para o infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Celso Granato, o fato de quase todas as vítimas fatais serem homens pode ser explicado por fator cultural. “Como o início da infecção está relacionado ao mercado de frutos do mar de Wuhan, pode ser que homens frequentem mais esses locais na China.” Quanto à idade avançada das vítimas, o infectologista afirma que tal condição já é esperada em quadros de infecções virais. “Se o mesmo vírus infectar um jovem saudável de 30 anos, provavelmente não resultará em morte. É parecido com o que ocorre com o vírus da gripe: pessoas idosas costumam ser as vítimas fatais.” Initial plugin text Veja Mais

Bayer encara primeiro julgamento coletivo nos EUA para saber se o herbicida glifosato causa câncer ou não

Glogo - Ciência Agência de notícias americana afirma que empresa pode ter que gastar cerca de US$ 10 bilhões em acordos extrajudiciais. O glifosato é um dos herbicidas mais usados no mundo Benoit Tessier/File Photo/Reuters A Bayer está prestes a enfrentar o quarto julgamento nos Estados Unidos por acusações de que seu herbicida Roundup, à base de glifosato, causa câncer. Este processo representa o primeiro julgamento coletivo na disputa judicial que envolve o agrotóxico mais vendido no mundo. Por que a produção de alimentos depende tanto de agrotóxicos? O julgamento ocorre em St. Louis, onde ficava a sede da Monsanto antes de a Bayer adquirir a companhia em 2018, em um negócio de US$ 63 bilhões. Três júris consecutivos consideraram a empresa responsável por casos de câncer e determinaram indenizações de milhões de dólares a cada reclamante. A Bayer está recorrendo dos veredictos. A gigante nega ter responsabilidade nos casos e lembra que desde que o glifosato começou a ser comercializado, nos anos 1970, nenhuma agência reguladora no mundo determinou que o herbicida é perigoso para a saúde. O Centro Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc, sigla em inglês), vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmou em 2015 que o glifosato era "provavelmente cancerígeno". Acordos extrajudiciais O mediador indicado judicialmente para os casos, Ken Feinberg, estimou o número de pessoas com processos ligados ao Roundup em mais de 75 mil, enquanto a Bayer aponta ter recebido menos de 50 mil intimações judiciais. As ações da Bayer tiveram forte queda desde o primeiro veredicto, de agosto de 2018. Mas os papéis subiram nesta sexta-feira (24), após reportagem da Bloomberg segundo a qual a companhia poderia chegar a um acordo extrajudicial com parte das pessoas que moveram ações, o que levaria a um pagamento total de cerca de US$ 10 bilhões. Operadores afirmam que o mercado aprova a ideia de que a empresa feche um acordo sobre os processos, embora alguns alertem que a perspectiva de um acerto abrangente é incerta. Analistas estimaram que o valor de um acordo dessa natureza poderia ficar entre US$ 8 bilhões e US$ 12 bilhões. Initial plugin text Veja Mais

Maranhão está entre os estados que podem ter surto de dengue em 2020

Glogo - Ciência Em 2019, foram mais de 2,5 mil casos de dengue, zika e chikungunya notificados no estado. G1 listou as formas de contágio, tratamento e prevenção das doenças, confira. Fêmea do Aedes aegypti é responsável pela transmissão da febre amarela, dengue, chikungunya e zika vírus Pixabay/Divulgação O Maranhão registrou mais de 2,5 mil casos de dengue, chikungunya e zika vírus em municípios do estado em 2019, de acordo com o relatório da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Desse número, mais de dois mil casos foram somente de dengue. O último boletim epidemiológico apontou que houve um aumento de 164,3% nos casos de dengue em 2019 no estado. Os registros mostram que cresceu em 125% os casos de zika vírus, com 61 casos e 9,30% dos de chikungunya, com 348 notificações. De acordo com o Ministério da Saúde, o Maranhão é um dos estados que poderão ter surto de dengue em 2020. No ano passado, foram registrados mais de 1 milhão de casos de dengue, com 782 mortes, o que representou um aumento de 488% em relação a 2018. Mapa mostra estados do país que poderão ter surto de dengue em 2020 Fernanda Garrafiel/G1 Caso confirmado Em 20 dias, já foi registrado o primeiro caso suspeito de morte por dengue hemorrágica em São Luís. A vítima, Maria Raimunda Sampaio Castro de 52 anos, chegou a ser levada duas vezes para a Unidade Mista do bairro Coroadinho, mas segundo a família, não recebeu atendimento adequado. A SES investiga o caso. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) apontam que as condições climáticas são as principais responsáveis pela proliferação do mosquito Aedes Aegypti, responsável pela transmissão das doenças. Por conta do início do período chuvoso no Maranhão, as autoridades de saúde estão em alerta para o surgimento de novos casos das doenças, já segundo o Núcleo Geoambiental da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), foi registrado um índice de 255,2 milímetros de chuva na capital em 15 dias, uma média histórica para todo o mês de janeiro. A Prefeitura de São Luís iniciou nessa semana a capacitação de profissionais de saúde para acolhimento dos pacientes com suspeita de dengue na capital. Agentes comunitários de saúde já estão realizando um trabalho de conscientização e prevenção da doença, visitando bairros que apontam altos índices de casos da dengue, zika e chikungunya. Agentes de saúde realizam trabalho de prevenção em bairros de São Luís (MA) Divulgação/Prefeitura de São Luís Dengue A dengue é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti por meio de quatro sorotipos o vírus (1, 2, 3 e 4) que estão em circulação no país. A intensidade de circulação é alternada e os surtos da doença costumam ocorrer quando há mudança na circulação. Existem dois tipos de dengue, a comum e a hemorrágica que é o tipo mais forte da doença. Segundo o boletim médico do Ministério da Saúde, entre os principais sintomas estão febre alta (acima de 38º), dores musculares intensas, dor ao movimentar os olhos, mal estar, falta de apetite, dor de cabeça e manchas vermelhas pelo corpo. O diagnóstico é feito por um médico por meio de exames laboratoriais. Caso apresente algum desses sintomas, é importante procurar um serviço de saúde para diagnóstico e tratamento adequado. O Sistema Único de Saúde (SES) oferece tratamento gratuito para a doença. Zika vírus e Chikungunya A zika também é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, por meio de relação sexual e em mulheres gestantes, infecção atinge os fetos que podem nascer com microcefalia. Entre os sintomas estão vermelhidão e coceira pelo corpo, febre baixa, conjuntivite sem secreção, dor nas juntas e dor de cabeça. A relação entre desnutrição de mães e agravamento dos efeitos da zika na malformação de fetos O tratamento é feito com uso de analgésicos, antitérmicos e outros medicamentos que estão disponíveis pelo SUS, para controle da febre e dor, segundo o Ministério da Saúde. No caso das sequelas mais graves, o paciente recebe acompanhamento médico e os pacientes são tratados em centros especializados, como os de reabilitação (CERS). Zika continua a causar casos de microcefalia, alertam médicos Após a transmissão da doença pelo mosquito Aedes aegypti, o paciente com Chikungunya pode sentir febre, dor de cabeça, mal estar, sintomas semelhantes aos da dengue e do zika vírus. A diferença entre as doenças é intensa dor nos joelhos, cotovelos e tornozelos, entre dois a 12 dias da picada do inseto. Alguns pacientes podem desenvolver um quadro crônico com dores que podem durar anos ou meses. Pacientes com a doença também são tratados com recomendação médica. Em caso de sequelas mais graves, os médicos podem orientar os pacientes a fazer fisioterapia. Os diagnósticos das duas doenças são feitos por meio de exames laboratoriais. Prevenção Para combater a infestação do mosquito transmissor, além do suporte das autoridades, o cidadão também pode eliminar os focos ao adotar as estratégias de combate ao mosquito. Veja abaixo: Colocar areia nos vasos de planta ao invés de água. Nos que tiverem água, limpar bem com uma escova e sabão, só tirar a água não adianta; Não jogar lixo e entulho em locais sem coleta; Limpar calhas d'água; Não deixar água parada em garrafas, tampas, baldes, bacias, pneus; Tampar a caixa d'água; Uso de repelentes; Colocar água sanitária nos ralos. Veja Mais

Feriado facilitou propagação do vírus, diz brasileira que vive na China

Glogo - Ciência O fim de janeiro, inverno na China, é um período em que as famílias se encontram para comemorar o Ano Novo chinês; restaurantes e bares foram fechados e escolas adiaram volta às aulas. Brasileira na China do surto de coronavírus no país A brasileira Talita Dias vive há seis anos na cidade chinesa de Tianjin, onde houve confirmação de dez casos de infecção pelo coronavírus. Ela e a família foram ao supermercado, onde fizeram uma compra para estocar alimentos e poder ficar mais tempo em casa. “Ficamos até assustados, porque os chineses não fazem grandes compras, e os mercados estavam lotados”, disse ela em entrevista à Globonews. O governo local emitiu um comunicado na quinta (23) na região. Restaurantes e bares foram fechados, e pediram que as pessoas evitem locais fechados com muita aglomeração de pessoas, segundo Dias. O fim de janeiro, inverno na China, é um período em que as famílias se encontram para comemorar o Ano Novo chinês. “Todos estão acostumados a viajar nessa época ano, e os mais idosos não quiseram deixar de viajar; com isso, o vírus foi se espalhando”, afirma Dias. Dias diz que as escolas postergaram a volta às aulas: elas começariam no dia 3 de fevereiro, mas passaram para o dia 17. Na China houve 26 mortes O número de mortes por coronavírus na China aumentou para 26. A agência estatal CGTN divulgou um balanço nesta sexta-feira (24) que eleva para 897 os casos confirmados da doença no país asiático. O governo chinês destacou que 35 pacientes diagnosticados com a infecção estão recuperados e receberam alta. Além da China, há mais 14 confirmações de infecção por coronavírus em 8 países. Raio X do novo coronavírus Amanda Paes e Cido Gonçalves/Arte G1 Veja Mais

Novo hospital, pesquisas de emergência, restrição de circulação: os esforços da China para combater a expansão do coronavírus

Glogo - Ciência Balanço desta sexta (24) aponta 26 mortos e 881 casos identificados na China. Imagem de pesquisa sobre o coronavírus Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China A China está em uma corrida científica e estrutural contra o avanço de novos casos de coronavírus, que já matou 26 pessoas e tem mais de 881 casos confirmados somente no país até esta sexta-feira (24). Outros oito países também têm registro da doença. Há pesquisas sendo desenvolvidas para identificar detalhes da cepa do vírus, hospital sendo construído para tratar exclusivamente dos infectados e restrições de circulação e fechamento de pontos turísticos. O Ministério de Ciência e Tecnologia da China lançou oito projetos de pesquisa de emergência para ajudar a lidar com o mais recente surto de coronavírus no país. Além disso, o governo criou um sistema nacional com informações de pesquisas (disponível no link http://nmdc.cn/#/nCoV) a respeito da doença. Imagens microscópicas eletrônicas do coronavírus, primers e sondas para detecção de vírus estão disponíveis no site, de acordo com a rede de notícias Xinhua. Coronavírus deixa 30 milhões de pessoas em 10 cidades na China com restrição de circulação Homens idosos e com problemas de saúde são mais da metade dos mortos por coronavírus O que se sabe e o que ainda é dúvida sobre o coronavírus 24 de janeiro de 2020 - China constrói novo hospital em Wuhan para tratar coronavírus. Chinatopix via Associated Press Na cidade de Wuhan, epicentro da doença, as autoridades estão construindo um novo hospital que será dedicado ao tratamento da doença, segundo a Xinhua News. O empreendimento segue o modelo de Beijing para tratamento de doenças respiratórias agudas, conhecidas como SARS. O hospital terá 1 mil leitos e deverá ser inaugurado em 3 de fevereiro. Initial plugin text Restrição de circulação Ao menos dez cidades na província de Hubei, na China, estão com restrições de circulação nesta sexta-feira (24), o que afeta cerca de 30 milhões de pessoas, de acordo com a rede de notícias CNN. A medida de emergência foi tomada pelas autoridades chinesas para tentar frear a epidemia de coronavírus. O jornal americano The New York Times fala que há restrições em 13 cidades, afetando 35 milhões de pessoas. As restrições incluem fechamento de estações de trens, rodoviárias, transportes urbanos e de circulação de carros por algumas estradas. As autoridades ainda não informaram quando essas medidas serão retiradas. Nesta quinta, Pequim anunciou que cancelou as comemorações do Ano Novo chinês, tradicional festividade que deveria começar nesta sexta e duraria uma semana. A iniciativa pretende desestimular a circulação de pessoas pelo país, que poderia colocar possíveis doentes em contato com pessoas saudáveis. A rede de fast food McDonalds anunciou nesta sexta-feira que vai suspender as operações em cinco cidades chinesas: Wuhan, Ezhou, Huanggang, Qianjing and Xiantao, todas na província de Hubei. Não há previsão para as lojas serem reabertas. O estádio Bird's Nest, palco dos jogos olímpicos de 2008, foi fechado nesta sexta, segundo a Reuters. Atrações turísticas como a Muralha da China em Juyonggang, os Túmulos de Ming e a Floresta do Pagode de Yinshan serão fechadas ao público a partir deste sábado, de acordo com a CNN. PODCAST VÍDEOS China confirma 26 mortos provocadas pelo coronavírus; são mais de 800 casos da doença Ministério da Saúde reitera que não há caso de coronavírus no Brasil Initial plugin text Veja Mais

Duas estrelas de nêutrons se despedaçam

Glogo - Ciência Ilustração artística do choque entre estrelas de nêutrons. National Science Foundation/LIGO/Sonoma State University/A. Simonnet. No dia 25 de abril do ano passado, os mais importantes detectores de ondas gravitacionais emitiram um alerta: um “pulso” de ondas havia passado pela Terra. Isso aconteceu às 10:18 da manhã na Itália - sede do observatório Virgo, mas alta madrugada nos EUA onde estão os demais que compõem o LIGO. Alertas como esses chegam todos os dias, a maioria não passa de alarme falso, mas a análise que veio na sequência deixou todo mundo encafifado. Constelação de satélites ameaça trabalho de astrônomos e observação do céu As ondas gravitacionais são uma das previsões da Teoria de Relatividade Geral de Albert Einstein. Ele em si não tinha percebido isso até publicar um trabalho sobre a sua própria teoria e um dos revisores do artigo sugeriu que ele desenvolvesse a ideia. Conta-se que ele ficou muito bravo com a sugestão e meio que a contragosto desenvolveu a ideia, mas de birra mandou o artigo para outra revista... Ondas gravitacionais são minúsculas ondulações no tecido do espaço-tempo (como se fosse um gigantesco lençol vibrando) provocado por eventos extremos de objetos compactos ou com muita massa. Um objeto compacto é um objeto muito denso, ele tem muita matéria confinada em um volume muito pequeno. Exemplos deste tipo de objeto são as anãs brancas, as estrelas de nêutrons e os buracos negros. Quando eles colapsam ou se chocam, causam uma distorção no tal tecido do espaço-tempo, que se propaga como ondas pelo universo. Você pode ter uma boa ideia disso imaginando uma pedrinha caindo em um lago de superfície calma e lisa. Mas para detectá-las foi preciso um esforço tecnológico sem precedentes, tanto que a primeira detecção da história aconteceu apenas em 2015. Os três principais observatórios de ondas gravitacionais operam de maneira conjunta. Dois deles estão nos EUA, um no estado da Louisiana e outro a 3 mil quilômetros de distância no estado de Washington, sendo que o mais recente opera na Itália. Com os 3 em atividade é possível detectar um pulso de ondas gravitacionais com grande grau de confiança e, mais ainda, apontar a posição no espaço de onde o sinal foi gerado. Todavia, neste caso em específico, apenas o detector da Louisiana estava operacional no momento do evento e o sinal chegou no limiar de detecção do observatório italiano, de modo a complicar um pouco sua análise. Sem os outros observatórios para ajudar na detecção, ficou impossível restringir a posição da origem do evento no céu. O sinal de abril do ano passado começou a ser analisado imediatamente, fazendo-se a comparação dos registros com modelos calculados previamente que abrangem uma vasta combinação de possibilidades: colisão entre buracos negros, colisão entre estrelas de nêutrons e por aí vai. A melhor combinação de fatores que conseguiu reproduzir o sinal detectado foi uma colisão de estrelas de nêutrons. Mas não exatamente como imaginado. A estimativa da massa total do sistema deu por volta de 3,4 vezes a massa do Sol, mas a questão é que de todos os sistemas duplos de estrelas de nêutrons da galáxia têm no máximo 2,9 massas solares. Se você repartir a massa do sistema igualmente nas duas estrelas, dá 1,7 massa solares para cada. Só que o limite para uma estrela de neutros é de, no máximo 1,44 massas solares. Acima disso a estrela colapsa em um buraco negro. Esse limite foi calculado pelo físico brasileiro Mário Schenberg em colaboração com o físico indiano Subramanyan Chandrasekhar em 1942. Outra possibilidade levantada seria a de uma colisão entre um buraco negro e uma estrela de nêutrons, mas aí o problema seria o inverso: o buraco negro teria de ser excepcionalmente pequeno e aí entra a explicação mais exótica: a colisão entre dois buracos negros primordiais. Buracos negros primordiais são previstos para terem se formado nos primeiros momentos depois do Big Bang, antes mesmo do universo completar 1 segundo de idade. Esse tipo de buraco negro poderia ter um limite bem amplo de massas, mas apenas os que têm mais de 100 milhões de toneladas teriam sobrevivido à radiação de Hawking. Abaixo desse limite, os buracos negros já teriam se evaporado. Se essa teoria estiver correta, os buracos negros primordiais mais comuns no universo teriam por volta de 1 massa solar, mais ou menos o esperado para os elementos desse evento. Entretanto os próprios cientistas do projeto não acreditam muito nessa ideia e acham mais provável que os modelos disponíveis precisam ser melhorados. Falando em cientistas, a colaboração envolve por volta de 530 pela parte do Virgo e 1.300 pelo lado do LIGO. Nesse segundo grupo estão alguns pesquisadores brasileiros divididos em duas equipes. Uma, encabeçada por Odylio Aguiar está baseada no INPE em São José dos Campos (SP) e tem atualmente 5 pesquisadores. Já a outra equipe tem 2 pesquisadores chefiados por Riccardo Sturani da UFRN em Natal (RN). Veja Mais

Mundo está mais perto do que nunca do fim, indica Relógio do Apocalipse; cientistas mencionam Amazônia

Glogo - Ciência Faltam 100 segundos para a 'meia-noite' em relógio simbólico criado há 73 anos, em plena Guerra Fria. Além do risco de conflito nuclear, cientistas mencionam mudanças climáticas e citam o Brasil. Faltam 100 segundos para a meia noite (ou o fim do mundo), apontou Relógio do Apocalipse nesta quinta-feira (23) Eva Hambach/AFP Os ponteiros do Relógio do Apocalipse foram ajustados nesta quinta-feira (23) e agora marcam 100 segundos para meia-noite — ou o fim do mundo. É o mais perto que o planeta chegou da destruição desde que o Boletim de Cientistas Atômicos passou a fazer a medição simbólica, em 1947. Até a medição de 2020, o Relógio do Apocalipse marcava dois minutos para o fim do mundo. Os cientistas disseram que, desta vez, além do risco de uma guerra nuclear, o planeta passa por riscos relacionados ao meio ambiente e às mudanças climáticas. A chefe do Boletim de Cientistas Atômicos, Rachel Bronson, chamou a atenção para o fato de que o tempo simbólico para o fim do mundo não é mais medido em horas ou minutos, mas em segundos. "Encaramos agora uma emergência real — um estado inaceitável para o mundo que elimina qualquer margem para erro ou para mais atrasos", afirmou, segundo a Associated Press. Outro diretor do grupo, o ex-governador da Flórida Jerry Brown, também apontou os riscos das mudanças climáticas, mas diz que o problema é mais amplo. "As mudanças climáticas apenas piora a crise. Se ainda existe algum tempo para acordar, é agora", disse. Brown também mencionou, segundo a Associated Press, o risco de guerras nucleares. "Rivalidades e hostilidades perigosas entre as superpotências aumentam a possibilidade de uma catástrofe nuclear", afirmou. Desmatamento e Amazônia 15 de setembro - Parte de uma árvore na Floresta Amazônica é vista em chamas no território indígena de Tenharim Marmelos, na Amazônia. Segundo dados do Inpe, quase 20 mil focos de queimadas foram registrados na Amazônia em setembro. No acumulado do ano foram registrados quase 88 mil focos de queimadas, um aumento de 28% em relação ao mesmo período de 2018 Bruno Kelly/Reuters/Arquivo O documento divulgado pelo grupo que faz o Relógio do Juízo Final mencionou o Brasil e a Amazônia como "resposta insuficiente para um clima cada vez mais ameaçado". O texto também cita a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris. "No ano passado, alguns países agiram para combater as mudanças climáticas enquanto outros, incluindo os Estados Unidos, que deixaram o Acordo de Paris, e o Brasil, que desmantelou políticas de proteção à floresta amazônica, deram vários passos para trás", diz o texto. A preservação da floresta amazônica foi um tema polêmico no primeiro ano do mandato do presidente Jair Bolsonaro, com registro de aumento do desmatamento na região e uma crise provocada por queimadas, na qual o presidente enviou as Forças Armadas para auxiliar no combate ao fogo. O tema gerou inclusive rusgas entre Bolsonaro e o presidente da França, Emmanuel Macron. Veja na reportagem abaixo o aumento no número de focos de incêndio na Amazônia. Focos de queimadas na Amazônia aumentam em 2019, informa o Inpe Outra polêmica de 2019 foi quanto ao uso dos sistemas de monitoramento do desmate. O governo tem dois: um para alertas diários e outro para dados consolidados anuais. A divulgação de alertas gerou críticas de Bolsonaro, que afirmou que os números prejudicam a imagem do país. O episódio levou à exoneração do então diretor do instituto, Ricardo Galvão. Tanto a taxa oficial quanto os alertas diários preliminares são do Inpe, que é ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Nesta semana, Bolsonaro informou, por meio de uma rede social, que determinou a criação do Conselho da Amazônia e de uma Força Nacional Ambiental, que atuará na "proteção do meio ambiente da Amazônia". Bolsonaro informou na publicação que o vice-presidente Hamilton Mourão será o coordenador do conselho, que deverá organizar ações entre ministérios para "proteção, defesa e desenvolvimento sustentável da Amazônia". Veja Mais

OMS diz que 'ainda é cedo' para declarar emergência internacional por coronavírus

Glogo - Ciência Novo vírus já matou 17 pessoas na China e soma mais de 600 infecçoes. Nove países foram afetados. OMS sobre o coronavírus: ‘Ainda é cedo para ser considerado uma emergência internacional’ Após dois dias de discussões, a comissão especial da Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu que "ainda é cedo" para declarar emergência internacional devido às infecções do coronavírus. "Não se engane. Esta é uma emergência na China, mas ainda não se tornou uma emergência de saúde global", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. "No momento, a OMS não recomenda restrições mais amplas a viagens ou ao comércio. Recomendamos a triagem na saída nos aeroportos como parte de um conjunto abrangente de medidas de contenção". O que se sabe e o que ainda é dúvida sobre o coronavírus Sobe para 9 o número de países com casos confirmados de coronavírus China isola três cidades para tentar frear epidemia de coronavírus; Pequim cancela festas do Ano Novo chinês Cronologia da expansão do novo coronavírus descoberto na China Até o momento, a OMS usou a denominação "emergência de saúde pública de interesse internacional" apenas em casos raros de epidemias que exigem uma vigorosa resposta internacional, como a gripe suína H1N1 (2009), o zika vírus (2016) e a febre ebola, que devastou parte da população da África Ocidental de 2014 a 2016 e ainda atinge a República democrática do Congo desde 2018. Dispersão do novo coronavírus pelo mundo Rodrigo Sanches/Arte G1 O coronavírus já matou 17 pessoas e infectou centenas em nove países. Além da China, há registros de casos nos Estados Unidos, Japão, Tailândia, Taiwan, Coreia do Sul, Vietnã, de Singapura e a Arábia Saudita. Três cidades chinesas adotaram medidas de quarentena para tentar frear a epidemia. Pequim cancelou as comemorações do Ano Novo chinês. No Brasil O Ministério da Saúde afirmou, nesta quinta-feira (23), que está em alerta para o risco de transmissão do coronavírus no Brasil. De acordo com a pasta, o nível de alerta é 1 (inicial), em uma escala que vai de 1 a 3. O nível mais elevado é ativado quando são confirmados casos transmitidos em solo nacional. Julio Henrique Rosa Croda, secretário substituto de Vigilância em Saúde, afirmou que cinco casos suspeitos da doença no Brasil foram descartados. "O vírus sofreu uma pequena mutação e não se sabe ainda a forma de transmissão, se ele se assemelha à transmissão do Sars e do Mers, [outras variações de coronavírus, que são transmitidos por gotículas] e portanto mais limitada, ou se pode adquirir habilidade maior de transmissão, como o vírus da influenza, por aerossol", afirma Julio Henrique Rosa Croda, secretário substituto de Vigilância em Saúde. Croda afirmou que cinco casos sob suspeita de coronavírus foram descartados pelo Ministério da Saúde. Os registros estavam sendo investigados em Minas Gerais, Distrito Federal, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Croda frisou que os casos suspeitos do Brasil foram descartados seguindo os parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo ele, os parâmetros são: registro de febre e sintomas gripais; e critérios epidemiológicos, como se a pessoa suspeita de infecção viajou para Wuhan – cidade considerada o epicentro da doença, na China –, e se teve contato com infectados. Na China, segundo Croda, a transmissão foi registrada entre familiares e profissionais de saúde, comportamento semelhante a outros vírus da família coronavírus. Veja Mais

Novo coronavírus pode ter vindo de cobras vendidas no mercado de Wuhan, aponta estudo chinês

Glogo - Ciência Pesquisadores da Universidade de Pequim e de Wuhan afirmam que o contato com a carne de animais silvestres, em especial cobras, vendidas no mercado de animais silvestres de Wuhan, foi a provável causa da primeira infecção do novo coronavírus em humano. O novo coronavírus surgido na China pode ter vindo de cobras, animais silvestres que são reservatório do vírus, afirma um estudo da Universidade de Pequim e da Universidade de Bioengenharia de Wuhan publicado na quarta-feira (22), no "Jornal of Medical Virology". Os primeiros pacientes infectados pelo coronavírus tiveram contato com carne de animais silvestres vendida no mercado de frutos do mar da cidade de Huanan. A primeira infecção do novo coronavírus em humanos teria ocorrido depois do contato de frequentadores e trabalhadores do mercado com a carne de cobras. “Muitos pacientes foram potencialmente expostos a animais silvestres no mercado atacadista de frutos do mar de Huanan, onde também eram vendidos aves, cobras, morcegos e outros animais silvestres”, diz o estudo. "O surto de pneumonia viral em Wuhan está associado ao histórico de exposição ao reservatório de vírus no mercado atacadista de frutos do mar de Huanan, sugerindo uma possível zoonose. O mercado de frutos do mar também vendia animais vivos, como cobras, marmotas, morcegos, pássaros, sapos, ouriços e coelhos" , aponta trecho do estudo O coronavírus é uma família de vírus que pode infectar seres humanos e muitas espécies animais diferentes, incluindo suínos, bovinos, cavalos, camelos, gatos, cães, roedores, pássaros, morcegos, coelhos, furões, martas, cobras e outros animais selvagens. É a mesma família de vírus responsável pela Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV) e pelo coronavírus da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV), que causaram surtos perigosos nas últimas duas décadas na Ásia. Para achar o possível hospedeiro dessa nova versão do vírus, chamada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2019-nCoV, os pesquisadores realizaram uma análise e comparação do material genéticos dos animais vendidos no mercado de Wuhan. "Os resultados de nossa análise sugerem que a cobra é o reservatório de animais silvestres mais provável responsável pelo atual surto de infecção por 2019-nCoV", conclui o estudo. A transmissão teria começado entre espécies de serpentes e de serpentes para humanos. Análises anteriores também mostraram que o sequenciamento genético do vírus vinha de morcegos, mas foi descartada a possibilidade deles serem a fonte direta. Em vez disso, o coronavírus recém-descoberto provavelmente pulou de cobras para humanos - especificamente de uma espécie conhecida como "Chinese Krait" ou cobra chinesa. Contudo, o estudo não conclui como o vírus pulou pela primeira vez da cobra chinesa para um ser humano. Mortes por coronavírus já são 17 na China e 622 pessoas foram infectadas Cepa muito adaptável Também é um mistério para os pesquisadores do estudo como o vírus poderia pular de hospedeiros de sangue quente, como os répteis, para humanos, que tem sangue frio. O estudo conclui que o fato desse tipo de coronavírus ter conseguido dar esse salto sugere que é uma cepa "muito adaptável". Transmissão Os coronavírus são transmitidos de pessoa para pessoa pelo ar. Eles infectam principalmente o trato respiratório e gastrointestinal superior de mamíferos e aves. A maioria dos vírus causa sintomas relativamente leves, mas alguns podem causar complicações e, no caso do coronavírus da China, pode causar pneumonia grave, levando à morte. Ainda não há tratamento aprovado para o 2019-nCoV. Além disso, os pesquisadores ainda não sabem ao certo quão facilmente o vírus pode se espalhar de humano para humano. Dispersão do novo coronavírus pelo mundo Rodrigo Sanches/Arte G1 Veja Mais

Coronavírus: como é Wuhan, a cidade chinesa onde surgiu a epidemia de coronavírus e que foi isolada

Glogo - Ciência Cidade é menos conhecida que Pequim ou Xangai, mas fica no coração do país, é um movimentado ponto de ligação de viagens internas e tem voos diretos para várias partes do mundo, como Londres e Nova York. Wuhan, na região central da China, é a sétima maior cidade do país — e entrou definitivamente no mapa mundial por ter sido origem de novo coronavírus Getty Images Ela pode não ser uma megalópole tão conhecida, como Pequim ou Xangai, mas é a sétima maior cidade da China e a número 42 do mundo. Mas agora, Wuhan ganhou fama: é a origem de um novo tipo de coronavírus, que já infectou mais de 400 pessoas e matou pelo menos 17. O vírus já se espalhou para vários países, incluindo Tailândia, Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos. Não há registro de casos confirmados no Brasil. Em Wuhan, capital da província de Hubei, autoridades locais admitem que estão em um "estágio crítico" de prevenção e controle. Na quarta-feira, foi anunciado que todo o transporte da cidade chinesa seria interrompido, e a cidade parcialmente "fechada", ou seja, pessoas "sem motivos especiais" não poderiam deixar a cidade, com o objetivo de barrar a propagação do vírus. As medidas drásticas vêm pouco antes do início das comemorações do Ano Novo Chinês, época de maior movimento de pessoas no país e no mundo. Ponto estratégico nacional Autoridades locais admitem que estão em um "estágio crítico" de prevenção e controle em Wuhan Getty Images Segundo dados das Nações Unidas para 2018, a população desta cidade é de 8,9 milhões de pessoas — mas outras fontes falam em até 11 milhões. Ela é conhecida coloquialmente como a "panela da China" por suas altas temperaturas, sobretudo no verão. É também cenário para capítulos importantes na história do país. Resultado da união de três localidades, Wuchang, Hanyang e Hankou, foi ali que começou a revolução que deu fim à China imperial, a revolta de Wuchang, em 1911. O enclave é um importante ponto de conexão da rede de transporte do país: fica a poucas horas de trem das cidades mais importantes, o que o torna estratégico para a infraestrutura ferroviária de alta velocidade. Construída no curso intermediário do rio Yang Tsé — que, com quase 6,4 mil quilômetros, é o maior rio da Ásia e o terceiro do mundo — também tem um importante porto, com navios que se conectam a Xangai, no leste, ou à Chongqing, no oeste. Justamente o tamanho e a importância econômica de Wuhan explicam em parte por que o vírus viajou tão rapidamente no sudeste da Ásia e até chegou aos Estados Unidos. Em resumo: o vírus se espalhou assim porque muitas pessoas entram e saem de Wuhan, carregando o vírus. As autoridades chinesas estão aconselhando as pessoas a não viajarem para lá; aos seus habitantes, recomendam que evitem multidões e minimizem reuniões com mais pessoas. "Basicamente, não vá para Wuhan. E para aqueles em Wuhan, por favor, não deixem a cidade", disse Li Bin, vice-ministro da Comissão Nacional de Saúde da China. Além disso, ele avisou que nesta quinta-feira as autoridades suspenderiam o "transporte público urbano — metrô, balsa e transporte de passageiros de longa distância". Mapa das conexões de Wuhan. Arte/BBC O aeroporto e as estações de trem seriam "temporariamente fechados". O vírus já está em pelo menos 13 províncias chinesas, além das regiões administrativas especiais de Hong Kong e Macau, que confirmaram seus primeiros casos na quarta-feira, informou a agência EFE. Conexões internacionais Além disso, a cidade tem um aeroporto que a conecta com todas as regiões do mundo, direta ou indiretamente. O Aeroporto Internacional de Wuhan transportou 20 milhões de passageiros em 2016 e oferece voos diretos para Londres, Paris, Dubai ou Nova York, entre outros. A cidade, de acordo com seu site, é "a base tanto das indústrias de alta tecnologia como as tradicionais". Wuhan tem várias zonas industriais, 52 instituições de ensino superior e mais de 700 mil estudantes. Cerca de 230 das 500 maiores empresas do mundo (classificadas pela lista da Fortune Global) já investiram ali. Os mais notáveis ​​são da França, que possuía uma "concessão estrangeira" (território arrendado) em Hankou, hoje Wuhan, entre 1886 e 1943. Há investimentos de mais de 100 empresas francesas, incluindo a Peugeot-Citroen, que tem ali um consórcio chinês. Wuhan também serve como porta de entrada para as Três Gargantas, uma região turística e sede da enorme hidrelétrica homônima. 'Imagine fechar Londres antes do Natal' James Gallagher, repórter de assuntos de saúde da BBC Wuhan está começando a se parecer muito com uma cidade em quarentena. As autoridades já avisaram aos moradores para não deixarem a cidade e pediram aos visitantes em potencial que desistissem do plano. Agora, a interrupção do transporte público, incluindo voos, bloqueia muitas das conexões de e para a cidade. É uma tentativa notável de impedir a propagação deste novo vírus, que sabemos agora poder ser transmitido de pessoa para pessoa. A limitação do transporte reduzirá a possibilidade do vírus chegar a outras cidades da China e a outros países do mundo. Tudo isso ocorre quando milhões de pessoas estão viajando por todo o país para as festas do Ano Novo chinês. Para colocar em perspectiva: imagine fechar Londres na semana anterior ao Natal. A grande questão que resta agora são as estradas: será que alguns dos milhões de habitantes de Wuhan conseguirão deixar a cidade com seu veículo? Possível origem do vírus Acredita-se que o novo tipo de vírus tenha se originado em um dos 'mercados molhados' de Wuhan, onde são vendidos animais vivos Getty Images Embora a China não tenha confirmado a origem exata do vírus, agora conhecido como 2019-nCoV, as autoridades acreditam que o surto se originou em um mercado de Wuhan. "Este é um dos chamados 'mercados molhados', muito comuns na Ásia", explica Howard Zhang, editor do serviço chinês da BBC. "São mercados onde animais vivos são vendidos. Você pode ver galinhas vivas e peixes nadando em tanques de água." "Isso ocorre porque as pessoas querem produtos frescos. Então, por exemplo, diante de um comprador de frango, o vendedor sacrifica e corta o animal no estande. Todas as sobras ficam espalhadas, com pouca higiene e cuidado com a saúde, o que facilita a propagação de doenças", explica Zhang. "Suspeita-se que o vírus tenha se originado em um desses mercados", acrescenta. Como observado por Gao Fu, diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China, é provável que o vírus tenha sido originalmente transmitido de um animal para um humano. As autoridades proibiram a venda de animais vivos em Wuhan, e há relatos de que a polícia está realizando inspeções para garantir que a determinação seja seguida. Propagação Segundo especialistas, embora o vírus tenha se originado em um mercado local, é o fluxo de pessoas que entra e sai de Wuhan que causou sua rápida disseminação. O paciente infectado identificado nos Estados Unidos, por exemplo, visitou Wuhan recentemente, assim como duas pessoas infectadas no Japão. Além disso, um paciente na Coreia morava lá e o caso na Tailândia é de um turista chinês de Wuhan. O que preocupa as autoridades agora é que esse fluxo pode aumentar à medida que o Ano Novo chinês se aproxima, e milhões de pessoas circulam para comemorar. As celebrações oficiais começam nesta sexta-feira, dia 25, embora as viagens já tenham começado e geralmente durem até o final das festas. Esse período é conhecido como a maior "migração interna" do mundo, na qual milhões de pessoas se deslocam anualmente. Portanto, protocolos de saúde já foram impostos em aeroportos e estações de trem com conexão com a cidade. Mas, embora o vírus possa continuar a se espalhar rapidamente, as autoridades chinesas estão melhor preparadas agora, opina Howard Zhang. "Após a emergência de saúde pública do vírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave (conhecida pela sigla em inglês Sars) em 2002, que também era um coronavírus originado na China e que matou quase 800 pessoas no mundo, as autoridades de saúde chinesas aprenderam muito sobre esse tipo de situação", diz o editor. "Naquele tempo, as autoridades levaram semanas para identificar o problema e, quando era algo conhecido no resto do mundo, já havia milhares de pessoas infectadas". "Agora, pelo menos, já há uma infraestrutura para enfrentar o problema e esta parece estar agindo rapidamente — tanto na identificação da infecção, na confirmação dos casos e no controle de acesso à cidade", acrescenta. Veja Mais

Produtora de carne cultivada em laboratório recebe aporte de US$161 milhões

Glogo - Ciência Memphis Meats fabrica seus produtos a partir de células de animais cultivadas em laboratório, diferentemente das concorrentes Beyond Meat e Impossible Food. Bolinhos de carne da Memphis Meats Divulgação/Memphis Meats A produtora norte-americana de carne cultivada em laboratório Memphis Meats anunciou nesta quarta-feira que levantou US$ 161 milhões em uma rodada de investimento que contou com recursos de grupos como SoftBank e o fundo soberano de Cingapura, Temasek Holdings. Acompanhe a cobertura de Agronegócios do G1 A companhia afirmou que a rodada de investimento elevou o total aportado na empresa para mais de US$ 180 milhões de dólares e atraiu recursos de investidores novos e atuais da empresa como Bill Gates, Richard Branson e Tyson Foods. A Memphis não revelou o valor de mercado utilizado como base para a rodada de investimento. A Memphis Meats fabrica seus produtos a partir de células de animais cultivadas em laboratório, diferentemente de companhias como as norte-americanas Beyond Meat e Impossible Foods e as brasileiras Fazenda Futuro e Superbom, que desenvolvem alternativas à carne com base em proteínas vegetais. A Memphis Meats afirmou que vai usar os recursos para construir uma fábrica piloto e lançamento de novos produtos. As ações da Beyond Meat acumulam valorização de quase cinco vezes desde o IPO em maio. Veja Mais

VÍDEOS: Saiba mais sobre o coronavírus

Glogo - Ciência Chamado de 2019-nCoV, o vírus causa febre, tosse, falta de ar e dificuldade em respirar. Chamado de 2019-nCoV, o vírus causa febre, tosse, falta de ar e dificuldade em respirar. Veja Mais

Cidade chinesa de Wuhan, epicentro do coronavírus, é isolada e tem transporte público, trens e voos cancelados

Glogo - Ciência Funcionário monitora scanners térmicos que detectam a temperatura dos passageiros na Estação Ferroviária Hankou, em Wuhan, província de Hubei, China, em 21 de janeiro. China Daily/Reuters A metrópole de Wuhan, situada no Centro da China, é considerada o local de origem do novo coronavírus e foi isolada nesta quarta-feira (22), de acordo com a imprensa local. Transporte público, incluindo trem, metrô e balsa estão temporariamente fechados. Os voos que partem da região também foram cancelados. O surto provocou 17 mortes no país - 9 em Wuhan - e mais de 400 casos. A epidemia foi detectada pela primeira vez ainda em dezembro de 2019, em um mercado de frutos do mar localizado na cidade. Desde então, os cientistas temem uma possível mutação e propagação desenfreada do vírus. Após terem ignorado a doença por semanas, nós últimos dias os habitantes de Wuhan começaram a usar máscaras de proteção, como contaram por telefone vários moradores do local à AFP. "O medo realmente aumentou desde a última segunda-feira (21), quando informaram que o contágio acontece de forma direta entre pessoas", relata Melissa Santos, uma estudante dominicana que vive em Wuhan há pouco mais de dois anos. Em um primeiro momento, as autoridades afirmaram que o vírus parecia ser transmitido apenas de animais para o ser humano, e que não havia contaminação entre humanos. Charly Bonnassie, um estudante francês que embarcou em um trem vindo de Wuhan, contou que "100% dos passageiros e dos funcionários" usavam máscaras. "Não há mais máscaras disponíveis nas farmácias, todas sumiram", disse Vincent Lemarié, um professor de francês que leciona na Universidade de Hubei, a província de Wuhan. - Raposas, crocodilos e lobos -As autoridades se preocupam pelo risco de contaminação a poucos dias de um grande feriado local, quando milhões de chineses viajarão. "Caso não seja necessário, aconselhamos que não venham a Wuhan", informou o prefeito da cidade, Zu Xianwang, em comunicado veiculado na televisão. Em uma coletiva de imprensa em Pequim, o vice-ministro da Comissão Nacional de Saúde da China, Li Bin, sugeriu que os moradores não saíssem da cidade. Detectores de febre foram instalados nas estações de embarque e no aeroporto. Nas estradas, a temperatura corporal é medida pelos postos de controle, e para sair da cidade o transporte não pode ser feito de carro. A polícia também controla a presença de animais selvagens e aves nos veículos que entram e saem da cidade. No mercado onde surgiu a epidemia eram vendidos animais selvagens, comentou nesta quarta-feira (22) o diretor do Centro Nacional de Controle e Prevenção de Doenças, Gao Fu. Ele não informou, no entanto, se esses animais seriam a origem da infecção. O local de comércio, principalmente voltado para a pesca, mantém uma seleção variada de mercadorias, como lobos e civetas, segundo informações divulgadas pela mídia chinesa. Circula nas redes sociais chinesas uma lista de preços contendo vários animais e produtos variados, como: raposas, crocodilos, lobos, salamandras gigantes, cobras, ratos, pavões e porco-espinho, podendo chegar a 112 tipos de animais. "Recém-cortados, congelados e entregues em sua casa", podia-se ler no cartaz. - Sem festividades -Para evitar qualquer concentração de pessoas, as autoridades anularam as comemorações previstas para o feriado, no qual é comemorado o Ano Novo chinês, marcado para o próximo 25 de janeiro. O famoso templo budista Guiyuan, que no último ano reuniu um público de 700 mil pessoas para a ocasião, teve que cancelar ao evento. Cerca de 30 mil pessoas já tinham reservado os seus ingressos e outros 200 mil foram distribuídos de forma gratuita. As autoridades também proibiram qualquer espetáculo e fecharam o museu. O prefeito, criticado por ter organizado no último final de semana um banquete no qual recebeu 40 mil famílias, teve que explicar que desconhecia o tamanho da epidemia. "As pessoas estão um pouco preocupada", diz Melissa Santos. "Um amigo que tinha me convidado para passar o Ano Novo com ele em outra cidade da província de Hubei preferiu cancelar a festa", explica. "Ele tem medo de se contaminar. Particularmente, eu também prefiro cancelar minha viagem para evitar encontrar com pessoas infectadas no trem", acrescenta. bar-rox/sbr/cf/es/zm/bn/mvv Veja Mais

Órgão regulador da Rússia anuncia desenvolvimento de vacina contra o novo coronavírus

Glogo - Ciência Balanço mais recente aponta 17 mortes devido às infecções. China registra mais de 400 casos. Passageiros usam máscaras para evitar a contaminação pelo coronavírus em estação ferroviária de alta velocidade, em Hong Kong, nesta quarta-feira (22) Kin Cheung/AP Os serviços de saúde russos estão trabalhando no desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus que apareceu no mês passado na China, anunciou nesta quarta-feira (22) o diretor do órgão regulador Rospotrebnadzor, citado pela agência de notícias Ria. "O desenvolvimento de uma vacina está em andamento. Sempre que temos uma mutação (de um vírus), imediatamente começamos a desenvolver uma vacina", disse Anna Popova, chefe do Serviço Federal de Supervisão da Proteção e Bem-Estar do Consumidor. "É um processo longo e complicado. Uma decisão é tomada de acordo com os riscos e as necessidades, dependendo da situação", acrescentou Elena Iejlova, chefe do serviço de vigilância epidemiológica do órgão regulador. "No momento, estamos contando com as recomendações da Organização Mundial da Saúde", acrescentou. Mutações O novo coronavírus, que já matou 17 pessoas segundo balanço recente, "pode sofrer mutações e se espalhar mais facilmente", disse o vice-ministro da comissão nacional de saúde chinesa, Li Bin. Em uma conferência de imprensa em Pequim, ele acrescentou que a doença é transmitida pelo trato respiratório e foi diagnosticada em 444 pacientes. A preocupação aumenta porque centenas de milhões de chineses devem viajar pelo país para se reunir com suas famílias por ocasião dos feriados do Ano Novo chinês, que começam nesta sexta-feira (24). Amostra laboratorial do coronavírus, que pode causar desde resfriados comuns até SARS e MERS Center for Desease Control and Prevention Reunião de urgência na OMS A Organização Mundial de Saúde (OMS) marcou uma reunião de emergência às 19 horas em Genebra (15 horas pelo horário de Brasília) para discutir o assunto. A entidade poderá declarar uma "emergência de saúde pública internacional". Até o momento, a OMS usou o termo emergência internacional apenas para casos raros de epidemias que exigem uma resposta global vigorosa, incluindo a gripe suína H1N1, em 2009, o vírus da zika, em 2016, e a febre Ebola, que devastou parte da África Ocidental de 2014 a 2016 e a República Democrática do Congo, desde 2018. O vírus da família SARS, identificado pela primeira vez em dezembro, em Wuhan, na China central, se espalhou para vários países da Ásia, como Japão, Tailândia, Taiwan e Coreia do Sul. Um caso foi identificado nos Estados Unidos. É o de um homem, com cerca de 30 anos, originário de Wuhan e que vive perto de Seattle, no noroeste do país. Ele chegou no dia 15 de janeiro sem febre ao aeroporto de Seattle, mas entrou em contato com os serviços de saúde locais após sentir sintomas da doença. Hong Kong divulgou nesta quarta-feira a identificação do primeiro caso suspeito de contaminação. Trata-se de um homem, de 39 anos, que chegou de trem vindo da cidade chinesa de Wuhan. Os resultados dos exames médicos realizados no paciente serão conhecidos até quinta-feira. Medidas de controle Autoridades britânicas anunciaram que enviarão equipes médicas para receber os passageiros procedentes dos três voos diretos semanais entre Wuhan e o aeroporto de Heathrow, em Londres. O Ministério da Saúde britânico aumentou de "muito baixo" para "baixo" o risco referente à possível chegada no país de pessoas portadoras do coronavírus, acrescentando que medidas preventivas podem ser estendidas a voos provenientes de outras cidades chinesas "se necessário". Na Itália, as medidas de segurança incluem o monitoramento da temperatura dos passageiros através de scanner. O Ministério da Saúde do país organiza um posto de controle sanitário no aeroporto de Fiumicino, em Roma, ligado a Wuhan por três voos diretos semanais. Também há planos para compilar formulários indicando os destinos e rotas de passageiros desembarcados no aeroporto mais movimentados na Itália. Outros países implementaram monitoramentos sistemáticos de temperatura para viajantes da China, incluindo a Rússia e a Tailândia. Na terça-feira (21), o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças classificou como moderado o risco de “importar” casos da doença para o bloco, mas acrescentou que os deslocamentos em razão do Ano Novo Chinês aumentavam as chances de isso acontecer. Autoridades de saúde da Romênia também informaram que desejam estabelecer controles de temperatura dos passageiros nos aeroportos do país. Na França, a ministra da Saúde, Agnès Buzyn, classificou na terça-feira o risco de introdução do coronavírus no país como "baixo", mas "não excluído". As autoridades francesas não implementaram controles de temperatura, mas mensagens de precaução são transmitidas em voos diretos para Wuhan e vindos dessa localidade chinsesa. O presidente chinês, Xi Jinping, assegurou por telefone ao seu colega francês, Emmanuel Macron, que a China havia adotado "medidas estritas de prevenção e controle", de acordo com observações divulgadas pela agência Nova China. "A China está disposta a trabalhar com a comunidade internacional para responder efetivamente à epidemia e manter a segurança da saúde em todo o mundo", afirmou. Na Alemanha, não existem "medidas específicas nesta fase nos aeroportos", segundo o Ministério da Saúde alemão. Faltam máscaras Diante da gravidade da situação, os chineses tentam se proteger. Em uma farmácia de Pequim, uma funcionária era obrigada a explicar aos clientes que não havia mais máscaras ou desinfetantes para vender. "Os estoques estão a zero por causa do que está acontecendo em Wuhan. Quando o número de casos chegou perto de 300 contaminados, as pessoas perceberam que era sério", disse a atendente. Quase a metade das províncias chinesas são afetadas pelo surto do coronavírus, incluindo grandes cidades como Xangai e Pequim. O governo anunciou medidas preventivas, como ventilação e desinfecção em aeroportos, estações e shopping centers. Sensores de temperatura corporal também podem ser instalados em locais movimentados. As partidas classificatórias de futebol feminino para as Olimpíadas de Tóquio 2020, originalmente marcadas para fevereiro, em Wuhan, foram transferidas para o leste do país, anunciou a Confederação Asiática de Futebol (AFC). Veja Mais

Presidente do Paraguai foi diagnosticado com dengue

Glogo - Ciência Mario Abdo Benítez se sentiu mal na terça-feira (21) e cancelou compromissos. Ele descreveu um quadro de dores, tontura e febre. Como estava em viagem, voou para a capital Assunção; ele deve ficar dois dias em repouso. Presidente do Paraguai, Mario Abdo Benitez, discursou na sede do governo em Assunção, em agosto de 2019 Jorge Adorno/ Reuters O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, está com dengue, de acordo com notícias da mídia do país publicas nesta quarta-feira (22). Abdo Benítez se sentiu mal na terça-feira (21) e cancelou compromissos. Ele descreveu um quadro de dores, tontura e febre. Como estava em viagem, voou para a capital Assunção. O ministro da Saúde deu uma entrevista coletiva e afirmou que o presidente já não tem sintomas intensos, mas, mesmo assim, deverá ficar em repouso por ao menos dois dias e não sairá da residência oficial durante esse período. A variedade de dengue de Abdo Benítez é comum. O Paraguai enfrenta uma epidemia –são 3.500 notificações de suspeitas e 1.800 casos confirmados. Duas pessoas morreram por causa dessa doença. O número pode aumentar, porque 14 mortes ocorreram por motivo ainda indefinido, e os corpos passam por análises para determinar se se trata de dengue. Veja Mais

Por que cientistas defendem que esperma de homens mortos seja retirado — e doado

Glogo - Ciência Retirada de gametas de pacientes já sem vida pode ser esperança para outras famílias, defendem pesquisadores especialistas em ética na saúde. Coleta em homens mortos seria possível solução para falta de doadores de esperma Getty Images via BBC Depois do último suspiro de vida, o sêmen de um homem ainda pode ser coletado e usado na fertilização in vitro por famílias desconhecidas e com dificuldades de gerar bebês. Importação de esperma: por que a busca por sêmen no exterior cresceu vertiginosamente no Brasil 5 curiosidades sobre o sêmen que você talvez não conheça É o que defendem dois pesquisadores na área da ética na saúde em artigo publicado nesta segunda-feira (20) no Journal of Medical Ethics, um periódico especializado no tema. Eles defendem que tal medida, já testada em experimentos isolados mas nunca aplicada de forma ampla e regulamentada, e que ainda carece de aperfeiçoamento tecnológico, pode ser uma das soluções para a falta de doadores de esperma. Essa oferta insuficiente é uma realidade em países como a Inglaterra e, segundo fontes, o Brasil. Idealmente, homens submetidos a esse procedimento após a morte deixariam consentimento para tal em vida, mas os autores dizem que seu artigo não teve o objetivo de detalhar as vias legais para isso. "Existem experiências ao redor do mundo de extração de esperma de um homem morto e posterior uso de técnicas reprodutivas para gerar um bebê. Isso tende a ocorrer em relações entre conhecidos. O que não tem precedentes, porém, é um sistema análogo a outras formas de doação após a morte, com material reprodutivo de uma pessoa morta sendo usado por desconhecidos. Assim, é algo inteiramente novo e nunca foi sugerido antes, tampouco analisado quando à sua ética", explicou por e-mail à BBC News Brasil Joshua Parker, do departamento de Educação e Pesquisa do Hospital Wythenshawe, em Manchester, Inglaterra, e um dos autores do artigo — ao lado de Nathan Hodson, da Universidade Leicester. De acordo com eles, há evidências científicas já publicadas de que o sêmen retirado até 48 horas após a morte é capaz de resultar em gestações e crianças saudáveis. Em pacientes sem vida, o esperma pode ser recolhido por meio de estímulos elétricos da próstata ou de cirurgia, e depois congelado e armazenado em clínicas de reprodução assistida. "Consideramos que os padrões de segurança e qualidade seriam equivalentes a doações durante a vida", diz o artigo. Altruísmo Por que um homem doa seu esperma? Com as experiências atuais, em vida, os pesquisadores apontam para razões como altruísmo, desejo de procriar e deixar sua "marca genética" no mundo, assim como motivações financeiras, a depender do país e a permissão para isso. Mas há também fatores que podem desestimular potenciais doadores, como preocupações com o anonimato e a exigência de baterias de exames, consultas e compromissos presenciais. Assim, os autores argumentam que a doação pós-morte concilia as motivações positivas e afasta os principais entraves à tradicional doação de sêmen em vida. Além de aumentar a quantidade de doações, tal medida contribuiria com a diversificação do estoque — de características físicas e genéticas, por exemplo. "Finalmente, alguns casais podem ter a preferência de usar o esperma de uma pessoa morta. A informação de que o homem que produziu o sêmen doado morreu pode oferecer um certo grau de simplicidade ao pensar no futuro dessa criança em termos de possíveis interações futuras com um eventual doador", afirma a publicação, que discute ainda possíveis cenários para as crianças, famílias envolvidas e a sociedade em geral com a eventual doação anônima de esperma após a morte — projeções essas que não apresentam maiores obstáculos ao plano delineado pelos autores. Risco de vida? Não exatamente Um dos debates éticos apresentados pelos autores reconhece que, diferente de outros destinatários da doação de órgãos, famílias que receberiam o esperma de um homem morto não estão passando por alguma doença potencialmente fatal. É diferente também de casos de transplantes que não lidam com risco iminente de vida, mas que melhoram condições existentes e têm impacto na qualidade de vida, como o de córnea. "A infertilidade certamente causa sofrimento, que pode ser parcialmente apaziguado pelo acesso ao esperma de um doador." "Se é moralmente aceitável que indivíduos possam doar seus tecidos para aliviar o sofrimento de outras pessoas por meio de transplantes que melhoram suas condições (como de córnea), não vemos razão para que isso não possa ser estendido a outras formas de sofrimento, como a infertilidade." Mas, como apontam os próprios autores, a proposta ainda tem questões em aberto, como a necessidade de consentimento pelo doador ou o poder de veto da família, além da proteção ao anonimato e ainda financiamento ao sistema. "No artigo, sugerimos que, idealmente, deve ser necessário que o homem tenha manifestado em vida o desejo de doar esperma após a morte", destacou Parker em resposta à BBC News Brasil. "Embora na Inglaterra as famílias possam retirar o consentimento à doação de órgãos e anular os desejos dos doadores, permanecemos neutros quanto a isso na publicação. Na realidade, há um extenso debate sobre o veto das famílias e ambos os autores têm opiniões diferentes sobre a moralidade disto, novamente destacando como é uma área eticamente controversa e difícil. Da mesma forma, não respondemos à questão sobre se as famílias deveriam consentir em nome de um homem que não indicou este desejo durante a vida." "O que eu diria é que, como o sêmen é um material reprodutivo, isso levanta questões um pouco diferentes sobre o papel da família neste consentimento." E no Brasil? Especialista em direto médico e da saúde, a advogada brasileira Luciana Dadalto diz que a proposta resvala em duas áreas sensíveis juridica e eticamente: as da doação de órgãos e reprodução assistida. Mais do que isso: no Brasil, trata-se de áreas carentes de uma legislação atualizada e, na sua opinião, satisfatória. "A doação de material após a morte no Brasil é orientada pela lei de doação de órgãos e tecidos, de 1997 e alterada em 2001. E o sêmen não é nem órgão nem tecido, então, a princípio seria necessária uma interpretação, estendendo a lei à consideração de um material biológico", argumenta Dadalto, acrescentando que, sob a legislação brasileira, a doação de órgãos após a morte é anônima, diferente daquela em vida, que pode ser direcionada (por exemplo, uma irmã que doa um rim ao irmão). "Esta lei (de 1997) dá a supremacia para a família. Existem alguns modelos de decisão de doação de órgãos no mundo, e o modelo brasileiro é o que dá à família essa palavra final. Hoje, na prática, que mesmo com a manifestação prévia da pessoa, a família tem a decisão final. Isso faz com que a gente tenha, inclusive, uma das menores taxas de doação de órgãos no mundo." Assim, a prática da doação de sêmen após a morte exigiria uma nova regulamentação ou uma interpretação "bastante complexa" da legislação existente — que poderia, finalmente, esbarrar mais uma vez no veto da família. "Na doação de órgãos, temos uma lei antiga, retrógrada, mas que existe. Já a reprodução assistida não tem lei no Brasil", resume a advogada. O que há, segundo a advogada, são interpretações do Código Civil e resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM) a seus profissionais. São essas orientações que fazem, por exemplo, com que no Brasil a doação de esperma seja anônima e não remunerada. Há, inclusive, instruções do CFM e decisões judiciais permitindo o uso de esperma por viúvas cujos parceiros congelaram seu material e deixaram consentimento em vida — diferente portanto do descrito na publicação no Journal of Medical Ethics, que diz respeito a material retirado após a morte e doado entre desconhecidos. Assim como o Reino Unido, há sinais de que o Brasil também tem demanda de sêmen maior que a oferta. Conforme mostrou a BBC News Brasil em 2019, uma indicação disso é o aumento de importações deste material. De 2011 a 2017, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a importação de 1,95 mil amostras seminais (sêmen). Em 2017, de acordo com um relatório do órgão, o índice foi recorde: 860 amostras, um aumento de 97% em relação ao ano anterior, quando foram trazidas 436. "Além das informações no Brasil serem limitadas, a demanda de receptores é bem superior à oferta, sobretudo porque não é permitido nenhum tipo de pagamento aos doadores, como ocorre em outros países. Há alguns voluntários que doam, mas é um número limitado, e o anonimato não permite saber muito sobre eles", apontou à reportagem o médico Márcio Coslovsky, especialista em reprodução humana há mais de 20 anos e membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE). Mulher se casa com doador de esperma que gerou sua filha, 12 anos depois Novas tecnologias de reprodução assistida auxiliam casais a ter filhos Veja Mais

A descoberta sobre o sistema imunológico que pode ajudar a combater todos os tipos de câncer

Glogo - Ciência Achados ainda não foram testados em pacientes, mas têm um 'enorme potencial', afirmam os pesquisadores. Nova técnica pode levar ao tratamento de diversos tipos de câncer Science Photo Library/BBC Uma recente descoberta sobre o nosso sistema imunológico pode se tornar uma arma para tratar todos os tipos de câncer. Uma equipe de cientistas da Universidade de Cardiff, no País de Gales, desenvolveu um método em laboratório que destrói o câncer de próstata, mama, pulmão e outros tipos. As novidades que têm revolucionado a luta contra o câncer Os chips que podem revolucionar a pesquisa médica e diminuir uso de animais de laboratório Os achados, divulgados na publicação científica "Nature Immunology", ainda não foram testados em pacientes, mas têm um "enorme potencial", afirmam os pesquisadores. Para especialistas que não participaram da pesquisa, ainda que o trabalho esteja num estágio inicial, ele é bastante promissor. O que eles descobriram? Nosso sistema imunológico é a defesa natural do corpo contra infecções, mas ele também ataca células cancerosas. A equipe da Universidade de Cardiff estava em busca de maneiras novas e "não convencionais" de fazer com que o sistema imunológico atacasse naturalmente tumores. Eles encontraram uma célula-T (ou linfócito T) com um novo tipo de "receptor" que identifica e ataca células cancerosas, ignorando as saudáveis. A diferença nesta célula imunológica é que ela pode escanear o corpo em busca de ameaças que devem ser eliminadas e atacar uma ampla variedade de cânceres. "Há uma possibilidade de que ele possa tratar todos os pacientes", afirmou o professor Andrew Sewell à BBC. "Antes ninguém acreditava que isso fosse possível." Como ela funciona? As células T têm "receptores" na superfície que permitem a elas "enxergar" em um nível químico. Os pesquisadores da Universidade de Cardiff descobriram que a célula T e seu receptor podem encontrar e destruir uma gama de células cancerosas no pulmão, na pele, no sangue, no cólon, na mama, nos ossos, na próstata, no ovário, no rim e na coluna cervical. E fazem isso deixando intocados os tecidos "normais", o modo exato como que isso acontece ainda está sendo pesquisado. T-cells atacam células cancerosas Science Photo Library/BBC Esse receptor da célula T em particular interage com uma molécula chamada MR1, presente na superfície de todas as células do corpo humano. Acredita-se que a MR1 seja a responsável por sinalizar ao sistema imunológico o metabolismo disfuncional em curso dentro de uma célula cancerosa. "Somos os primeiros a descrever a célula T que encontra o MR1 nas células cancerosas — isso não tinha sido feito antes, foi a primeira vez", disse à BBC o pesquisador Garry Dolton. Por que essa descoberta é relevante? Terapias com células T já existem e o desenvolvimento de imunoterapias contra o câncer tem sido um dos avanços mais empolgantes nesse campo. O mais famoso exemplo é o chamado CAR-T, uma droga viva produzida por meio de engenharia genética em células T para procurarem e destruírem o câncer. O CAR-T pode trazer resultados incríveis que levam alguns pacientes do estágio de doença terminal para a completa remissão. Essa abordagem é, no entanto, extremamente específica e funciona com apenas um número limitado de cânceres onde há um alvo claro para treinar a "mira" das células T. Entenda como funciona a terapia genética CART-Cell Roberta Jaworski/Arte G1 E também enfrenta dificuldades em combater "cânceres sólidos" — aqueles que formam tumores em vez de sangue canceroso como a leucemia. Já os pesquisadores da Universidade de Cardiff afirmam que o receptor da célula T pode levar a um tratamento de câncer "universal". Mas como isso funciona na prática? A ideia é extrair uma amostra de sangue do paciente em tratamento contra o câncer. As células T seriam extraídas e modificadas geneticamente a fim de reprogramá-las para constituir o receptor que encontra o câncer. Essas células aperfeiçoadas seriam cultivadas em largas quantidades em laboratório e depois reinseridas no paciente. É o mesmo processo usado na terapia CAR-T. No entanto, essa pesquisa da Universidade de Cardiff foi testada apenas em animais e células em laboratório, e testes em humanos demandam mais etapas de segurança. O que dizem outros especialistas? Lucia Mori e Gennaro De Libero, da Universidade de Basileia, na Suíça, afirmam que essa pesquisa tem um "enorme potencial", mas ainda é cedo para afirmar que ela poderia funcionar para todos os tipos de câncer. Na terapia celular, linfócitos T do enfermo são reprogramados para reconhecerem as células cancerosas Getty Images/BBC "Estamos muito empolgados com as funções imunológicas dessa nova população de células T e o uso potencial do receptor na terapia de células tumorais", dizem. Daniel Davis, professor de imunologia da Universidade de Manchester, na Inglaterra, afirmou que "por ora, ainda é uma pesquisa em estágio bastante inicial e nem perto de se tornar um tratamento real para pacientes". "Mas não há dúvidas de que é uma descoberta bastante empolgante, tanto para o avanço do nosso conhecimento sobre o sistema imunológico quanto para o desenvolvimento de novos tratamentos." VÍDEO: Entenda o que é o Crispr Técnica revolucionária permite editar o DNA letra por letra. Entenda o que é o Crispr Veja Mais

Dermatilomania, a condição que faz com que as pessoas se cocem sem parar 

Glogo - Ciência Imagine ter constantemente um desejo incontrolável de ferir ou beliscar sua pele; é o que acontece com pessoas com esse raro distúrbio. Pessoas com dermatilomania podem beliscar ou arranhar manchas, sardas, marcas ou cicatrizes para "suavizar" ou "ajeitá-las" Getty Images/BBC "Eu me senti muito envergonhada, e ainda me sinto, quando estou passando por um surto grave". Para Phaedra Longhurst, 27, os efeitos de sua dermatilomania, um distúrbio que lhe causa uma vontade incontrolável de ferir ou beliscar sua pele compulsivamente, são devastadores para sua saúde mental. A jovem tem eczema desde criança, teve acne quando tinha seus vinte e poucos anos e, na universidade, desenvolveu dermatilomania, uma condição rara que também é conhecida como distúrbio de escoriação. "Isso me afetou muito psicologicamente, mais do que eu percebia na época", disse ele à BBC. O que é psoríase e por que ela pode causar problemas no coração? O que já se sabe sobre a eficácia do filtro solar na prevenção do câncer de pele 'Muitos dizem que sou maluca': mulheres que não param de arrancar o próprio cabelo "Me fez sentir muito constrangida porque as pessoas faziam comentários. E eu também sofri bullying na adolescência", acrescenta. "Eu não tinha muito apoio psicológico. Há muito estigma em relação àqueles que têm uma doença de pele, e as pessoas têm uma ideia muito errada sobre dermatilomania." Ansiedade Phaedra Longhurst sofre ferimentos como os da foto da mão quando coça a pele compulsivamente BBC A maioria das pessoas arranha a pele ocasionalmente, mas se você tem dermatilomania, você o faz compulsivamente. E você não consegue parar. Essa condição mental pode causar machucados, sangramentos e hematomas. Muitas vezes, de acordo com o Serviço Britânico de Saúde, aqueles que sofrem com a doença não percebem que estão coçando ou beliscando a pele e deixando marcas nela. Quando sofrem ansiedade ou estresse, podem intensificar esse tipo de ação. Eles também podem arranhar ou beliscar manchas, sardas, marcas ou cicatrizes para "suavizar" ou "ajeitá-las". Phaedra diz que problemas recorrentes podem fazer você se sentir "como se sua pele estivesse se rebelando contra você". E acrescenta: "Pode ser quase como uma espiral perversa; quanto mais magoado e estressado você se sentir, mais a sua pele sofrerá". A jovem faz mestrado em dermatologia clínica e pesquisa psicodermatologia. Phaedra diz que agora ele é mais forte, não é tão insegura sobre sua própria imagem e liga menos para o que os outros dizem BBC Girish Patel, da Sociedade Britânica de Pesquisa em Dermatologia, acredita que a parte psicológica é tão importante quanto a física na hora de tratar esta e outras doenças de pele. "Você não pode apenas analisar os aspectos físicos no tratamento de sua doença", disse o dermatologista à BBC. "Você precisa adotar uma abordagem mais ampla, perceber que os distúrbios da pele andam junto com o estresse psicológico e os transtornos psiquiátricos", acrescenta ele. Phaedra acredita que é necessário muito mais apoio psicológico dos serviços de saúde para aqueles que têm "condições de pele crônicas". Mas tudo tem um lado positivo: "O bom de ter uma doença de pele é a resiliência que você alcançar no que diz respeito a aceitar a si mesmo, tanto quanto à sua aparência física quanto a como você se sente", explica ele. Veja Mais

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Cesáreas são benéficas para mãe e para o bebê?

Glogo - Ciência Em muitos países industrializados, taxa de cesarianas aumentou drasticamente nos últimos 20 anos. Brasil ocupa o segundo lugar do mundo na frequência desse tipo de parto. SOS SUS: Maternidade Gestantes devem estar cientes dos riscos e problemas. Na maior parte da Europa e Ásia, um quarto dos bebês nasce por cesariana. Na Alemanha, essa proporção é de um terço. Já o Brasil é o segundo país do mundo em número de cesáreas, com um percentual acima de 50%. Como combater a epidemia de cesáreas no Brasil? Bem Estar #7: Cesarianas e saúde da mulher Quais são os riscos da cesariana para a criança? Um estudo da operadora alemã de planos de saúde Barmer mostrou que, na Alemanha, muito poucas mulheres optam pela cesariana por esse parto ser mais fácil de planejar e se encaixar melhor no cronograma. A maioria está preocupada com o bem-estar da criança que vai nascer. Elas dizem querer poupar o bebê do estresse de um parto normal. Mas as contrações e o processo do parto são até mesmo bons para o novo terráqueo, ajudando o bebê a adaptar seu metabolismo. No útero, os pulmões da criança estão cheios de água. Esse líquido é pressionado apenas durante o nascimento, e os pulmões passam a respirar. A cesariana impede esse processo gradual, surpreendendo praticamente a criança com o nascimento e, em certo sentido, assustando-a. Por isso que os bebês costumam ter problemas após uma cesárea e precisam receber oxigênio ou até mesmo ir para a UTI. No longo prazo, o risco de asma, diabetes, alergias e outras doenças autoimunes aumenta em crianças nascidas por partos cesarianos. Que riscos corre a mãe após uma cesariana? A cesárea planejada do primeiro filho não é mais um problema em países com um bom sistema de saúde. As dificuldades surgem, geralmente, apenas após a cesariana. O risco de um deslocamento perigoso da placenta aumenta a cada intervenção desse tipo. Posteriormente pode haver também mais sangramentos, tromboses e aderências. A cada cesariana, o parto se torna mais perigoso para a mãe. Isso é particularmente problemático em regiões onde as mulheres tradicionalmente têm muitos filhos. Uma vez cesárea, sempre cesárea? Mesmo que a gravidez transcorra sem dificuldades, problemas podem surgir após uma cesariana. A cicatriz pode se abrir devido aos esforços expulsivos durante um futuro parto normal. No entanto isso raramente acontece. Passados mais de dois anos entre os nascimentos, o risco é menor que 1%. Após uma cesariana, um segundo parto normal é possível, desde que tudo esteja bem com a criança e a mãe. Também gêmeos e crianças em apresentação pélvica (nádegas saindo primeiro) podem nascer por parto vaginal. O mais importante é uma boa equipe de médicos e os cuidados de uma parteira experiente. A indução do parto é um problema? Hoje as mulheres dispõem de menos tempo para o parto do que no passado. Sem um motivo válido elas frequentemente recebem uma infusão para provocar contrações imediatamente após a admissão no hospital. Se o colo do útero não dilata pelo menos um centímetro por hora, muitos obstetras ficam nervosos. O parto é então acelerado. Além disso, o número de parteiras caiu drasticamente, pelo menos na Alemanha. Embora exista uma proporção vinculativa entre o número de enfermeiros e pacientes, no caso das parteiras, cada hospital pode decidir quantas contratar. A atenção individual que dá à mulher uma sensação de segurança durante o parto está se tornando cada vez mais rara. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também reconheceu essa tendência e está recomendando, em suas novas diretrizes para o parto, menos intervenções e melhores cuidados. Um parto, caso seja traumático, pode vir a causar TEPT na mãe e até mesmo no pai da criança Janko Ferlic/Unsplash As maternidades têm vantagens financeiras com uma cesariana? Na maioria dos países, as cesáreas custam mais do que os partos normais. Também na Alemanha, um médico pode cobrar cerca de mil euros a mais por uma cesariana do que por um parto vaginal. Mas, como intervenção também custa mais ao hospital, no fim das contas não vale a pena. Por outro lado, as cesarianas são mais fáceis de planejar e, portanto, mais eficientes. Esse é um fator importante para os gestores de um hospital, que visam, acima de tudo, obter lucro. Como na Alemanha a obstetrícia é, de forma geral, mal remunerada, rendendo muito pouco aos hospitais, quase metade das maternidades do país foi fechada desde os anos 1990. E essa tendência continua, apesar do aumento das taxas de natalidade. Em quais países se realizam muitas cesarianas? O Brasil ocupa o segundo lugar no mundo em número de cesáreas, com uma taxa de acima de 55% do total de partos. Na América Latina, região com maior taxa de intervenções (44,3%) do mundo, o país perde somente para a República Dominicana (58,1%), segundo estudo de 2018. Por outro lado, em muitos países da África Subsaariana essa taxa é extremamente baixa. Os Estados com os menores números de cesáreas são o Níger, Chade, Etiópia, Burkina Faso e Madagascar, abarcando menos de 2% do total de partos. Qual taxa de cesáreas é "boa"? A OMS recomenda uma taxa de cesáreas entre 10% e 15%. Em média, isso corresponde ao número de nascimentos em que há complicações que uma cesariana pode eliminar, salvando vidas. Um estudo da Organização Mundial da Saúde comparou como bebês vêm ao mundo em 137 países. A pesquisa mostrou que apenas 14 dos países analisados atendem às diretrizes da OMS. Entre eles estão, por exemplo, Ucrânia, Namíbia, Guatemala e Arábia Saudita. Em todos os demais países, o bisturi é usado ou com frequência excessiva (por exemplo, na Alemanha, no Egito, na Turquia, nos EUA e no Brasil) ou insuficiente. Uma das constatações mais dramáticas da pesquisa é que os países com as maiores taxas de natalidade apresentam os menores números de cesarianas. Isso se deve, principalmente, às condições financeiras: os Estados com as menores taxas de cesáreas também estão entre os mais pobres do mundo. Organização Mundial da Saúde toma medidas para incentivar o parto natural Veja Mais

Como o bullying no trabalho pode afetar a sua saúde

Glogo - Ciência Novas descobertas sugerem que sofrer bullying no trabalho não apenas nos afeta emocionalmente, mas também pode ter sérias consequências para nossa saúde. Dados mostraram que humilhações no trabalho têm impacto também no lado físico Getty Images/BBC Em 2015, pouco depois de Soma Ghosh começar um novo emprego como consultora de carreiras, começou a sentir medo todos os dias no escritório. Um colega criticava constantemente seu desempenho, culpando-a pelos erros dos outros e a humilhando. O bullying constante logo começou a pesar sobre ela. Ghosh desenvolveu ansiedade e depressão, mas também houve efeitos em sua saúde física, incluindo problemas para dormir, sintomas recorrentes de gripes e resfriados, o surgimento de um caroço na axila e dores nos dedos, mãos e ombros, causadas pela pressão de trabalhar horas extras sem os intervalos adequados. Pesquisadores sabem há muito tempo quais são os efeitos adversos à saúde mental do bullying no local de trabalho. Mas apenas recentemente — graças a estudos que utilizam os registros de saúde pública dos países escandinavos — eles começaram a fazer descobertas que indicam que esse bullying também pode ter efeitos sérios na saúde física. Perigo para o coração Um artigo de 2018, escrito por um grupo liderado por Tianwei Xu, da Universidade de Copenhague, analisou dados de quase 80 mil trabalhadores na Suécia e na Dinamarca. Os pesquisadores acessaram relatórios para averiguar se os participantes sofreram bullying no trabalho e, em seguida, procuraram registros de saúde para ver se haviam desenvolvido alguma doença cardiovascular nos quatro anos seguintes. Um padrão claro emergiu dos dados daqueles milhares de homens e mulheres. Os 8% a 13% dos entrevistados que disseram que sofreram bullying tiveram 1,59 vezes mais chances do que os outros participantes de desenvolver uma doença cardíaca ou ter um derrame. A incidência de problemas relacionados ao coração aumentou em 59% nos que foram vítimas de bullying, em comparação com os que não haviam sido intimidados. O coração não é a única parte do corpo que pode ser afetada pelo assédio moral no local de trabalho Headway/Unsplash Isso se manteve mesmo depois que os pesquisadores controlaram fatores que poderiam gerar confusão, como índice de massa corporal e tabagismo. Eles também descobriram uma relação dose-resposta: quanto mais os participantes disseram que haviam sido intimidados, maior o risco de desenvolver problemas cardíacos. Ao traduzir suas descobertas para toda a população, Xu explica que, se houver um nexo de causalidade entre o assédio moral no trabalho e as doenças cardíacas, "a remoção do assédio moral no local de trabalho significaria que poderíamos evitar 5% de todos os casos de doenças cardiovasculares". Embora o estudo não prove isso, seria uma perspectiva impressionante. O coração não é a única parte do corpo que pode ser afetada pelo assédio moral no local de trabalho. Em um estudo semelhante com participantes da Suécia, Dinamarca e Finlândia, os pesquisadores descobriram que um histórico recente de intimidação no trabalho estava associado a um risco 1,46 vezes maior de desenvolver diabetes tipo 2 na década seguinte. É verdade que esses estudos observacionais não podem provar totalmente que o assédio moral no local de trabalho causa problemas cardíacos e diabetes. É possível, por exemplo, que vulnerabilidades preexistentes aumentem o risco de uma pessoa sofrer bullying e o risco de desenvolver problemas de saúde mais tarde. No entanto, Xu e seus colegas acreditam que existem mecanismos plausíveis que poderiam explicar como o bullying leva diretamente a doenças físicas. Isso inclui níveis altos de hormônios do estresse e a reação de vítimas de bullying, que podem adotar comportamentos prejudiciais, como comer em excesso ou beber muito álcool. Os pesquisadores planejam explorar essas possibilidades em trabalhos futuros. Por enquanto, porém, Xu diz que "os empregadores devem estar cientes das consequências adversas para seus funcionários ao sofrerem bullying no local de trabalho". Ela aconselha as vítimas de bullying a "procurar ajuda o mais rápido possível". Consequências para testemunhas Não é apenas para o bem da vítima que os empregadores criam programas e sistemas para impedir o assédio moral no local de trabalho. Os funcionários que testemunham bullying com outros colegas também podem sofrer efeitos adversos na saúde. Pesquisadores do Instituto de Psicologia do Trabalho da Universidade de Sheffield descobriram que, mesmo sem sofrer bullying direto, a equipe que observou o comportamento sofreu um declínio no seu bem-estar relacionado ao trabalho, se sentindo mais deprimida. Pesquisas anteriores da Singapore Management University também concluíram que a estar em contato, mesmo que indireto, com o assédio moral afeta a saúde mental, o que, por sua vez, afeta sua saúde física. Outra pesquisa da Universidade de Sheffield também mostra que testemunhar o bullying pode prejudicar funcionários que não têm apoio social ou que têm tendência ao pessimismo. O professor Jeremy Dawson, coautor do estudo, aconselha que, se você observou o assédio moral no local de trabalho, deve falar a respeito. "Isso pode ser com a vítima (por exemplo, perguntando como ela está) ou com outras pessoas (e as conversas podem ser sobre a formação de um plano para abordar o problema ou apenas uma troca de experiências)", ele escreve. Ele também incentiva os funcionários a denunciar o bullying de todas as maneiras possíveis — por meio de canais oficiais, chefes ou outros colegas de confiança. Dados os efeitos aparentemente amplos e prejudiciais do assédio moral no local de trabalho — tanto para vítimas quanto para testemunhas —, é mais importante do que nunca criar uma cultura colaborativa na qual o assédio moral seja eliminado antes de se enraizar. Soma Ghosh, que desde então estabeleceu seu próprio negócio como consultora de carreira para mulheres, diz que os empregadores deveriam fazer mais para proteger seus funcionários do assédio moral no local de trabalho e que, se soubesse dessas descobertas, teria largado o emprego ainda mais cedo. Ela incentiva qualquer pessoa que acredite estar passando por problemas de saúde mental ou física como resultado do bullying a falar com alguém, como um clínico geral ou um psicólogo. "Não é algo que vai desaparecer", alerta ela. Este artigo não foi escrito por um funcionário da BBC. Seu autor é o dr. Christian Jarrett, editor sênior da revista Aeon. Seu próximo livro, sobre mudança de personalidade, será publicado em 2021. Veja a versão original aqui, no site da BBC Worklife. Psicóloga orienta pais, alunos e professores a lidarem com o bullying Veja Mais

Entenda as diferenças entre o monoetilenoglicol e o dietilenoglicol, encontrados em cervejas de Belo Horizonte

Glogo - Ciência Ambas as substância são tóxicas e podem ser usadas como anticongelante na indústria, mas o dietilenoglicol é mais perigoso. Em diferentes proporções, elas podem provocar intoxicação com sintomas como insuficiência renal e problemas neurológicos. As investigações da Polícia Civil de Minas Gerais na fábrica da cervejaria Backer, de Belo Horizonte, identificaram contaminação de cervejas com duas substâncias químicas, o monoetilenoglicol e o dietilenoglicol. Suspeita-se que o consumo dessas cervejas esteja relacionado a casos da chamada "síndrome nefroneural", que atingiu diversas pessoas que consumiram a bebida. Os sintomas incluem náusea, vômito e dor abdominal, que evoluem para insuficiência renal e alterações neurológicas. A Polícia Civil confirmou, nesta quinta-feira (16), quatro mortes por suspeita de síndrome nefroneural em Belo Horizonte. E o Ministério da Agricultura identificou dietilenoglicol e monoetilenoglicol em oito rótulos produzidos pela cervejaria Backer. Embora ambas sejam tóxicas para os seres humanos, o dietilenoglicol é ainda mais nocivo para a saúde humana. Abaixo, entenda as diferenças. O que se sabe sobre investigação relativa à Backer e síndrome que afetou 18 pessoas em MG Capitão Senra está entre os oito rótulos contaminados com dietilenoglicol. No total, segundo Ministério, são 21 lotes de cervejas da Backer contaminados Danilo Girundi/TV Globo O que são o monoetilenoglicol e o dietilenoglicol? São substâncias parecidas, resultantes de um mesmo processo químico e bastante usados na indústria como anticongelantes. Sua temperatura de ebulição é acima de 190ºC e a de fusão, abaixo de -10ºC. Eles são usados como arrefecedores de radiadores de carros e também em fluidos hidráulicos e solventes de tintas. São substâncias de cor clara, viscosa, não têm cheiro e têm um gosto adocicado. Ambos são tóxicos e presentes em vários produtos químicos. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o dietilenoglicol é um solvente orgânico altamente tóxico que causa insuficiência renal e hepática, podendo inclusive levar a morte quando ingerido. De acordo com o professor do departamento de Química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Cláudio Luis Donnici, o dietilenoglicol pode ser um subproduto do monoetilenoglicol. "O mesmo processo de produção pode ser usado para obtenção de ambos. Variando-se as condições reacionais, pode-se obter um ou outro, conforme a preferência. Assim, um deles pode ser vendido, e o outro derivado é considerado um subproduto", explica. Quais são as diferenças? A principal diferença é o nível de toxicidade. O dietilenoglicol é mais tóxico para os seres humanos. Ou seja, se uma pessoa consome a mesma quantidade das duas substâncias, o dietilenoglicol causará mais problemas do que o monoetilenoglicol. Ambos são metabolizados no fígado. Segundo Donnici, uma pessoa de 80 kg teria que ingerir 8 gramas de dietilenoglicol para morrer, em média. "A quantidade é muito alta", avalia. "Há um caso de 1985 em Viena, na Áustria, de produção de vinho contaminada com altas doses de dietilenoglicol e que levou a retirar milhões de garrafa de vinho do comércio", recorda. Já os custos de um e de outro também podem variar, mas tendem a ser parecidos. O valor vai depender do nível de pureza do produto. Em geral, o dietilenoglicol tende a ser um pouco mais barato. Como eles são usados pela indústria de cerveja? Na fabricação de cervejas, as substâncias podem ser usadas no processo de resfriamento da bebida. Elas podem ser misturadas na água e colocadas dentro das "serpentinas", que são os tubos gelados ao redor dos tanques de cerveja. A refrigeração dos tanques de cerveja é feita por meio de um circuito fechado. A mistura dentro dos tubos, a rigor, não tem contato direto com a cerveja. Segundo Carlo Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), o uso dessas substâncias não é comum em cervejarias. "Os produtos têm uma toxicidade diferente, mas ambos são tóxicos. Penso que os dois têm que ser banidos [da indústria cervejeira]", comenta. Lapolli acrescenta que a substância mais utilizada na produção de cerveja é o propilenoglicol, que pode ser consumido por seres humanos. "Também é usado misturado com água. Para a cerveja chegar perto da temperatura zero, precisamos que a serpentina esteja a -5ºC ou -6ºC. Com a água pura, ela congelaria. Por isso, colocamos algum tipo de aditivo, um anticongelante", conta. Autoridades apuram como ocorreu a contaminação em cerveja da Backer Initial plugin text Veja Mais

Nova técnica 'devolve' rosto a brasileira sobrevivente de câncer

Glogo - Ciência Denise perdeu um olho e parte da mandíbula por causa de um tumor facial, mas agora pode sorrir novamente. Nova técnica 'devolve' rosto a brasileira sobrevivente de câncer BBC Denise Vicentin perdeu um olho e parte da mandíbula por causa de um tumor facial que desenvolveu há 30 anos. Veja o vídeo. Graças a uma prótese de baixo custo, porém, ela voltou a sorrir. Cientistas brasileiros, da Universidade Paulista, usaram smartphones e impressoras 3D para produzir sua prótese facial de silicone. Eles dizem que o método diminui os custos e corta pela metade o tempo de produção. Agora, Denise quer voltar para sua vida normal. “Já cheguei a lugares como um boliche e sentia olhares repugnantes, e uma pessoa acabou se retirando do local”, diz ela. “Mas hoje eu posso dizer o quão melhor é andar na rua. Não tem comparação.” O próximo passo é um tratamento para restaurar sua mandíbula e seu lábio superior. Nova técnica 'devolve' rosto a brasileira sobrevivente de câncer BBC VÍDEOS SOBRE TRANSPLANTES Trinta e cinco mil pessoas esperam por transplante de órgãos no Brasil Gêmeos que fizeram transplante de coração se reencontram Jovem com leucemia consegue doador, mas falta de leitos impede transplante Veja Mais

Por que o Brasil e o mundo querem um pedaço da Antártica?

Glogo - Ciência Oito anos após incêndio, Estação Comandante Ferraz deve ser reinaugurada nesta quarta-feira (15); fatores geopolíticos, econômicos, ambientais e científicos explicam tamanho interesse pelo continente gelado. A Estação Antártica Comandante Ferraz recebeu um investimento de US$ 99,6 milhões (cerca de R$ 400 milhões) Divulgação Marinha do Brasil Oito anos após um incêndio que destruiu grande parte da Estação Comandante Ferraz e deixou dois mortos, o Brasil deve inaugurar nesta quarta-feira (15) sua nova base para pesquisas científicas na Antártica. A custo de US$ 99,6 milhões (cerca de R$ 400 milhões), o complexo é maior e mais moderno do que o anterior. Tem 4,5 mil m² de área construída, 17 laboratórios e capacidade para até 65 pessoas. FOTOS: Veja a nova base do Brasil na Antártica Estação antártica é sustentável e trará pouco impacto ambiental Veja fotos de outras bases internacionais A reinauguração deveria acontecer em 2016, mas, depois de seguidos atrasos no cronograma, as obras só começaram há três anos. A base, no entanto, só estará funcionando plenamente dentro de três meses, quando terminará a fase de testes. Segundo o governo, o objetivo é realizar pesquisas em áreas como oceanografia, biologia, glaciologia e meteorologia. Mas por que o Brasil, assim como outros países do mundo, querem um pedaço da Antártica? Fatores geopolíticos, econômicos, ambientais e científicos explicam tamanho interesse pelo continente gelado. Estação antártica brasileira é inaugurada oito anos depois de incêndio A Antártica é o continente mais inóspito do planeta e possui mais de 90% do seu território coberto de gelo. Com 13 milhões de quilômetros quadrados, é maior do que a Oceania e do que a Europa. A título de comparação, caberia um Brasil e meio dentro do Antártica. O gelo armazenado na região totaliza 25 milhões de quilômetros cúbicos ou 70% da água potável do planeta. São mais de 170 tipos de minerais e grandes lençóis de gás natural. Além disso, diferentemente de outros continentes do mundo, a Antártica não tem países. Também não há uma população nativa. Ou seja, não tem dono. Oito anos depois do incêndio que destruiu a Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira reabre para cientistas e pesquisadores. Divulgação Marinha do Brasil 1. Importância geopolítica Como tudo sem dono, não demorou muito para que algumas nações passassem a reivindicar soberania sobre o território. No início do século 20, começaram os impasses sobre tomaria conta da Antártica. Sete países — Nova Zelândia, Austrália, França, Noruega, Reino Unido, Chile e Argentina — passaram a pleitear partes do continente gelado, sendo que três deles (Reino Unido, Chile e Argentina), áreas parcialmente coincidentes. Em 1959, 12 países, incluindo Estados Unidos e União Soviética, firmaram o chamado Tratado da Antártica. Pelo acordo, os países signatários concordavam em suspender as querelas sobre a divisão do continente. Também preconizava que, até que uma solução fosse encontrada, o continente seria usado para fins de pesquisas científicas por todos, desde que respeitados alguns limites, como a proibição de instalação de bases militares, testes de armas, explosões nucleares ou eliminação de resíduos radioativos. Infográfico mostra nova estação brasileira na Antártica Amanda Paes/G1 Atualmente, mais de 50 países fazem parte do tratado. O Brasil aderiu ao acordo em 1975 e, nove anos depois, em 1984, estabeleceu a Estação Comandante Ferraz. No caso brasileiro, a questão política estratégica é ainda mais importante porque a principal rota para acesso ao continente antártico passa pelo Atlântico Sul. Com a maior costa atlântica do mundo, o país "acompanha com especial atenção essa região, na qual se encontram sua fronteira marítima e suas rotas comerciais, turísticas e de comunicação", assinala um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), publicado em 2018. 2. Importância ambiental Além de ter mais de dois terços das reservas de água doce do mundo, a Antártica desempenha um papel importante na manutenção do equilíbrio de calor da Terra. Em outras palavras: ajuda a amenizar o aquecimento global. Pássaro avistado na Ilha Rei George, na Antártica, onde foi inaugurada a estação brasileira de pesquisas no continente gelado Reprodução/TV Globo Além disso, as águas que cercam a Antártica são parte essencial da chamada "Correia Transportadora Oceânica", um cinturão formado pelas correntes oceânicas que percorre todo o planeta. Sem a ajuda dos oceanos ao redor da região, as águas da Terra não circulariam de maneira equilibrada e eficiente. No caso do Brasil, o que acontece na Antártica influencia diretamente seu clima, devido à proximidade entre o continente e a América do Sul. Milhares de espécies também habitam a região, como pinguins, por exemplo. 3. Importância econômica Especialistas estimam que a Antártica possa ter uma reserva de 200 bilhões de barris de petróleo, muito maior do que a de alguns países do Oriente Médio, como Kuwait e Emirados Árabes Unidos. O petróleo antártico é extremamente difícil de ser alcançado e, no momento, proibitivamente caro para extrair. Em 1991, o Protocolo de Madri baniu por 50 anos a exploração mineral no continente antártico. Contudo, o temor é que, quando chegar o momento da renovação do acordo, o mundo possa estar desesperado por energia e a Antártica acabe se tornando o novo "eldorado" do petróleo. 4. Importância científica Uma ampla variedade de pesquisas científicas está em andamento na Antártica. Sendo assim, manter uma base no continente gelado é importante para realizar pesquisas em condições extremas e entender melhor o funcionamento do planeta. Segundo especialistas, o continente gelado é uma espécie de "registro" de como era o clima do nosso planeta nos últimos 1 milhão de anos. A região também revela muito sobre o impacto da atividade humana na natureza. Em 1985, por exemplo, cientistas da British Antarctic Survey (BAS, na sigla em inglês) descobriram um buraco na camada de ozônio sobre a Antártica. O buraco é resultado do dano à atmosfera causado por produtos químicos fabricados pelo homem. Base Halley VI, mantida pelo Reino Unido há 54 anos. O buraco na Camada de Ozônio foi identificado por cientistas nestas instalações British Antarctic Survey Especialistas também veem a Antártica como uma nova fronteira para a descoberta de medicamentos. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o microbiologista Luiz Rosa, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, falou sobre o primeiro experimento realizado na nova estação. Ele coletou fungos do ar da Antártica. "São penicílios, produtores de penicilina. Eles dominam aqui na Antártica. Existem várias colônias, linhagens selvagens, espécies novas que podem produzir novas penicilinas. As bactérias vêm demonstrando resistência aos antibacterianos atuais, então é muito importante estudar e buscar novos antibióticos", disse ele ao jornal. Até astrobiólogos, que estudam a possibilidade de vida fora da atmosfera da Terra, analisam materiais encontrados na Antártica. Em 1984, um meteorito de Marte foi encontrado na Antártica. Eles descobriram que as marcas neste meteorito eram semelhantes às marcas deixadas pelas bactérias na Terra. Se este meteorito, com milhões de anos, realmente tiver restos de bactérias marcianas, seria a única evidência científica de vida fora da Terra. Initial plugin text Veja Mais

Nova base brasileira na Antártica é inaugurada

Glogo - Ciência O vice-presidente Hamilton Mourão viajou ao continente gelado para participar da reinauguração como o principal representante do governo brasileiro. A Estação Antártica Comandante Ferraz está sendo inaugurada na noite desta quarta-feira (15), com a presença de autoridades brasileiras e pesquisadores. O evento começou por volta das 20h30 no horário de Brasília. O vice-presidente Hamilton Mourão viajou ao continente gelado para participar da reinauguração como o principal representante do governo brasileiro. Ele foi acompanhado pelos ministros Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura), além de representantes da Marinha e outras autoridades. FOTOS: Veja a nova base do Brasil na Antártica O complexo de mais de 4,5 mil m² foi entregue quase oito anos após o incêndio que destruiu a base anterior. Pesquisadores brasileiros estão há mais de três décadas no continente. Estação Antártica Comandante Ferraz conta com geradores eólicos e placas fotovoltaicas. Divulgação Estúdio 41 Esta notícia está em atualização. Veja Mais

Fuga de cérebros: os doutores que preferiram deixar o Brasil para continuar pesquisas em outro país

Glogo - Ciência Comunidade acadêmica aponta espécie de diáspora que vem preocupando comunidade científica nacional, por causa das consequências disso para o desenvolvimento do Brasil. Comunidade acadêmica aponta espécie de diáspora que vem preocupando comunidade científica nacional, por causa das consequências disso para o desenvolvimento do Brasil Cemile Bingol/Getty Images via BBC Os jovens pesquisadores brasileiros Bianca Ott Andrade, Eduardo Farias Sanches, Gustavo Requena Santos e Renata Leonhardt têm mais em comum do que apenas o pouco tempo de carreira e a nacionalidade. Todos são doutores recentes e resolveram deixar o país em busca de melhores oportunidades para desenvolver seu trabalho em um ambiente mais favorável à ciência. Eles seguem uma tendência, não registrada nas estatísticas oficiais, mas que aparece nos muitos relatos de migração de talentos para outros países que vem aumentando, conforme pesquisadores chefes de grupos no país e jovens que foram embora, ouvidos pela BBC Brasil. Uma espécie de diáspora de cérebros, que vem preocupando a comunidade científica nacional, por causa das consequências disso para o desenvolvimento do Brasil. Não há dados oficiais sobre esta fuga, porque os jovens doutores que deixam o país o fazem com bolsas das universidades ou centros de pesquisa do exterior que os contratam, e não das instituições brasileiras, como a Capes ou o CNPq. A pesquisadora Ana Maria Carneiro, do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (NEPP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está iniciando uma pesquisa pesquisa que tentará entender as trajetórias de migração da diáspora brasileira de Ciência, Tecnologia e Inovação e também as motivações e locais de inserção. "Entretanto, não há fontes de dados sistemáticas que permitam mensurar o tamanho deste fenômeno, pois é necessário ter informações sobre a saída, local de estabelecimento, tipo de inserção profissional e perfil sociodemográfico, especialmente a escolaridade", explica. Está prevista no projeto a realização de um levantamento sobre o fenômeno, mas provavelmente não haverá informação quantitativa exaustiva que permita afirmar quantos brasileiros de alta qualificação vivem no exterior e se houve um movimento de ampliação, diz. "Será possível, no entanto, ter pistas qualitativas sobre a migração de pessoas altamente qualificadas." Há alguns números de outras fontes, entretanto, que podem lançar luz sobre o problema. Embora não discrimine por profissão ou ocupação a saída definitiva de brasileiros para a o exterior, a Receita Federal mostra que o número passou 8.170 em 2011 para 23.271 em 2018, ou crescimento de 184%. Em 2019, até novembro, 22.549 pessoas fizeram declaração de saída definitiva do país. O crescimento foi mais acentuado a partir de 2015, quando o número foi de 14.981. Em 2016, pulou para 21.103, crescendo para 23.039 em 2017. Entre esses migrantes, estão muitos cientistas, de acordo com o relato de acadêmicos ouvidos pela BBC News Brasil. Segundo o geólogo Atlas Correa Neto, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) "é um dreno geral", que inclui doutores mais antigos além de candidatos ao mestrado e também ao doutorado. Não se trata apenas de pessoas indo para realizar um curso, uma especialização ou realizar um projeto de pesquisa. "Trata-se de saída em definitivo", diz. "Quem tem possibilidade está indo, mesmo sem manter a ocupação de cientista. Esse movimento não se restringe à área tecnológica e também afeta as ciências sociais. Aliás, se eu pudesse, se tivesse condições financeiras e sociais adequadas, iria embora também." Temendo ficar desempregada, bióloga Bianca Ott Andrade mudou-se para os Estados Unidos, onde faz pós-doutorado na Universidade do Nebraska-Lincoln Arquivo Pessoal via BBC Debandada em áreas tecnológicas De acordo com o pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Luís da Cunha Lamb, que atualmente é secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia do seu Estado, o fenômeno é mais intenso nas áreas que ele chama de "portadoras de futuro e com impacto econômico visível". "Notadamente em ciência da computação, algumas áreas das engenharias, biotecnologia e medicina, por exemplo", diz. "Em particular, com o crescimento e o impacto da inteligência artificial em todas as atividades econômicas, os profissionais desta área têm oportunidades no mundo inteiro. Estamos perdendo jovens em áreas científicas, que são portadoras de futuro. Mundo afora, dominar setores como computação, estatística e matemática tem muito valor no mercado." O biólogo Glauco Machado, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), também enumera algumas razões pelas quais a saída de pesquisadores está ocorrendo. "Ela tem a ver com a redução do número de bolsas, o baixo valor das de mestrado e doutorado, que não são reajustadas há vários anos, e o pessimismo em relação a uma futura contratação — especialmente para as áreas em que o principal empregador é a própria academia -, que é fruto da recessão econômica que aflige o país há pelo menos cinco anos", diz. Em nota, a Capes informou que há 7.699 bolsas congeladas e um total de 87.018 bolsas ativas. O CNPq, por sua vez, suspendeu em agosto, 4,5 mil bolsas que não estavam sendo usadas, segundo a instituição. Ele acrescenta que, ao mesmo tempo, é importante olhar para o que está acontecendo fora do Brasil. "Várias universidades no exterior estão criando programas de atração de talentos internacionais", diz. É o caso, por exemplo, das universidades de Genebra, na Suíça, e Saskatchewan, no Canadá. "O investimento em pesquisa e tecnologia tem crescido em vários países desenvolvidos e as oportunidades de bolsas e eventualmente trabalho em algumas áreas são maiores no exterior do que aqui. Portanto, sair do país é algo bastante atrativo para um profissional no início de sua formação." Eduardo Farias Sanches, de 39 anos, que o diga. Ele considera que teve sorte de receber um convite para ir embora em um momento oportuno, "devido ao incessante ataque do governo federal às universidades (especialmente as públicas) e o corte de despesa em pesquisa e desenvolvimento, o que é uma lástima para a nova geração de pesquisadores que, assim como eu, está tentando se firmar no meio científico". "Fico muito triste com essa situação, ao ver que muitos bons pesquisadores não terão um horizonte razoável no Brasil", lamenta. "Infelizmente para o país, a tendência é essa debandada aumentar". Graduado em Fisioterapia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 2007, com mestrado (2014) e doutorado (2015) na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Sanches foi contemplado com uma bolsa de excelência do governo suíço, para desenvolver um projeto de pesquisa na Universidade de Genebra com duração de um ano. Depois desse período, foi convidado por seu chefe, Stéphane Sizonenko, a permanecer lá, mas optou por retornar ao Brasil, onde tinha compromisso com seu antigo orientador. Ficou dois anos aqui, período em que o convite anterior para retornar a Suíça foi refeito. Dessa vez, ele aceitou e voltou para lá, em setembro de 2019. Pesou na escolha a possibilidade de melhores salários. "Aqui na Suíça, além de ser levada muito a sério, a pesquisa científica é considerada profissão, ou seja, contribuo com impostos e tenho direito a aposentadoria", conta. "Além disso, há melhores condições de trabalho, que são inegavelmente ótimos atrativos a deixar o meu país. No Brasil, a ciência e a cultura não são estimuladas e a inserção de pessoas altamente capacitadas no mercado de trabalho, por não haver incentivo à pesquisa e desenvolvimento, se torna muito difícil. É triste admitir que seremos uma nação meramente exportadora de commodities e importadores de tecnologia de ponta." Procurados pela reportagem, o Ministério da Educação e a Casa Civil da Presidência da República disseram que quem poderia comentar o tema era a Capes, que, em nota, respondeu: "A Capes aumentou em 9,1% o seu orçamento de 2018 para 2019, que subiu de R$ 3,84 bilhões para R$ 4,19 bilhões. Atualmente, há 95,4 mil bolsistas no País e 8,7 mil no exterior. Também foram lançados 21 editais de cooperação internacional e mais R$ 80 milhões para pesquisas de pós-graduação na Amazônia Legal, além de 1.800 bolsas que auxiliam no desenvolvimento regional. Para 2020, o Ministério da Educação busca meios para recompor o orçamento com outras ações orçamentárias. Nenhuma bolsa será cortada e todos os programas da CAPES serão mantidos." O CNPq, por sua vez, respondeu, também por meio de nota: "O êxodo dos pesquisadores brasileiro para outros países é uma preocupação, que norteia uma série de iniciativas que o CNPq tem fomentado para aperfeiçoar e ampliar mecanismos de fixação de nossos profissionais da ciência e tecnologia. Dentro das limitações orçamentárias e legais que se aplicam ao CNPq, a agência investe, por exemplo, em programas que, em parceria tanto com instituições públicas quanto a iniciativa privada, incentivam a realização de projetos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação dentro de empresas e indústrias. O objetivo é, além de contribuir com a formação de recursos humanos mais qualificados, garantir empregabilidade dos pesquisadores. Importante ressaltar que em países como Japão, Coreia do Sul, Israel, EUA e China, mais de 60% do total de seus pesquisadores estão alocados em empresas, segundo dados de 2018 da OCDE. No Brasil, esse percentual é de apenas 18%." Procurado pela BBC News Brasil, o MCTIC não retornou a solicitação até a conclusão desta reportagem. Medo do desemprego ou de interrupção das bolsas Geóloga formada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Renata Leonhardt recebeu uma bolsa da Universidade de Saskatchewan, uma das 15 melhores universidades do Canadá em pesquisa Arquivo Pessoal via BBC Bem mais jovem, com 23 anos e cursando um mestrado, a geóloga Renata Leonhardt, formada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e com estágio em empresas do setor petrolífero, igualmente partiu do Brasil em busca de melhores oportunidades e salários. Ela recebeu uma bolsa da Universidade de Saskatchewan, uma das 15 melhores universidades do Canadá em pesquisa. O medo de ficar desempregada depois de formada foi outro motivo que a levou a ir embora. "Até pouco tempo antes de me formar, o setor de óleo e gás ainda estava na expectativa de se recuperar da última crise", diz Renata. "Mas depois, as oportunidades na minha área ficaram um tanto escassas, mesmo para recém-formados que haviam estagiado anteriormente e buscavam contratação, como era o meu caso." O atual cenário político brasileiro também foi levado em conta por Renata em sua decisão. "Ele não está muito favorável para a ciência", explica. "Eu temia, por exemplo, ficar sem bolsa no meio do curso — algo que era crucial para que eu continuasse a pesquisa." Em agosto, o CNPq chegou a anunciar que havia risco de não pagamento dos seus mais de 80 mil bolsistas a partir de outubro. Isso não ocorreu, no entanto. O governo conseguiu cumprir o compromisso. Essas também foram algumas das razões da bióloga Bianca Ott Andrade, formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), para se mudar para o exterior, no caso, Estados Unidos, onde faz pós-doutorado, na Universidade do Nebraska-Lincoln. "No Brasil, eu tinha uma bolsa de pesquisadora de pós-doutorado, que ia se encerrar no final de 2019, mas havia grandes chances de ficar desempregada", conta. Além disso, contribuiu para a decisão de Bianca a atuação do atual governo nas áreas de ciência e educação, com menos incentivo ao ensino superior e a políticas ambientais. "Eu trabalho com ciência e educação, é isso o que eu amo, é o que eu sei fazer. Sinto que não tem espaço pra mim, pelo menos não agora. Decidi dar um tempo para minha cabeça." No caso de Gustavo Requena Santos, razões pessoais e profissionais se somaram para que ele decidisse se mudar para o exterior. "Sou casado com um americano e no final da minha bolsa de pós-doutorado na USP, em meados de 2017, ele obteve uma oferta de trabalho para voltar aos EUA e decidimos nos mudar", conta. "Entretanto esta não foi a maior razão pela qual saímos do Brasil. Foi uma oportunidade para mudarmos para um local com melhores condições e perspectivas para o futuro." Ele diz ainda que, como profissional, apesar de quase 10 anos de experiência em pesquisa, se sentia desvalorizado, sem benefícios ou vínculo empregatício. "O cenário ficou insustentável", explica. "Por isso, resolvi me mudar." Menos valor para a economia Seja qual for o motivo de cada um para ir embora, o certo é que o Brasil está perdendo jovens doutores, quando o número deles, em qualquer idade, já é menor que a média internacional. De acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apenas 0,2% da população brasileira possui doutorado, enquanto a média dos países pertencentes à organização e de 1,1%. Segundo dados do CNPq, o Brasil tem hoje 7,6 doutores por 100 mil habitantes, índice que está estabilizado. "Esse número não é suficiente, haja vista que países desenvolvidos têm um número muito superior", diz a bioquímica Ângela Wise, da UFRGS, membro titular da Academia Mundial de Ciências e secretária regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) no Rio Grande do Sul. "Como é o caso do Japão, que é o país desenvolvido com o menor número de doutores: 13 por 100 mil habitantes. O Reino Unido, por sua vez, tem atualmente 41, enquanto Portugal, 39,7; Alemanha, 34,4; e os Estados Unidos, mais de 20." É muito pouco, segundo o engenheiro cartográfico Antonio Maria Garcia Tommaselli, do campus de Presidente Prudente, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), cujo grupo de pesquisa já perdeu três doutores para instituições europeias. "Para um país com uma economia complexa como a do Brasil e que precisa agregar valor tecnológico aos seus produtos, em vez de apenas exportar matérias-primas, o ideal seria dobrar ou triplicar o atual número de doutores", diz. Apesar de ver aspectos positivos na diáspora, no cômputo geral, Tommaselli a considera prejudicial ao país. "O lado positivo é que ela significa que formamos cientistas de classe internacional", explica. "O dramático é que estamos perdendo os melhores pesquisadores e que nos substituiriam no futuro, levando consigo todo o investimento feito com recursos públicos e o conhecimento altamente especializado que eles detêm. Um erro estratégico que será sentido em alguns anos, com o apagão científico em várias áreas", ressalva. Mas não é só isso. "O mais grave é que o governo atual não tem qualquer política para reter estes cientistas, ao contrário, entende como remédio reduzir a formação de doutores", critica Tommaselli. "Encontramos o mesmo cenário em vários grupos de pesquisa brasileiros de expressão internacional e as consequências futuras serão muito ruins para a economia, que se baseia em conhecimento", acrescenta. Segundo Atlas, não haverá renovação do quadro de pesquisadores e professores de nível superior. "Ou, sendo menos pessimista, ela será aquém da necessária", diz. "Haverá déficit de cientistas. E eles e os educadores terão menos conhecimento. Seremos piores. Sem investimentos, sem incentivos, será feita ciência de baixa qualidade, os avanços serão pífios. Novas tecnologias não serão desenvolvidas, as já existentes não serão aperfeiçoadas. Nos tornaremos ainda mais dependentes de outros países e de multinacionais em termos de ciência, tecnologia e cultura." Veja Mais

China ameniza riscos de vírus que causa nova pneumonia, mas OMS prefere prudência

Glogo - Ciência As autoridades de saúde locais tentaram tranquilizar a opinião pública nesta semana, afirmando que o risco de transmissão do vírus entre humanos, se não foi excluído, é considerado baixo". Vendedora chinesa usa máscara para se prevenir contra gripe Andrew Wong/Reuters A misteriosa pneumonia que apareceu na China está preocupando as autoridades: uma segunda pessoa morreu, dezenas de pessoas estão infectadas e a Tailândia acaba de anunciar um segundo caso nesta sexta-feira (17). De acordo com a Comissão Municipal de Higiene e Saúde, um chinês de 69 anos morreu na última quarta-feira (15) em Wuhan, no centro do país. Todos os casos chineses foram identificados na cidade de 11 milhões de pessoas. As autoridades de saúde locais tentaram tranquilizar a opinião pública nesta semana, afirmando que o risco de transmissão do vírus entre humanos, se não foi excluído, é considerado baixo". A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse na quinta-feira (16) que "ainda há muito a descobrir sobre o novo coronavírus". "Não sabemos o suficiente para tirar conclusões definitivas sobre seu modo de transmissão", ressaltou. A cepa é um novo tipo de coronavírus, uma família com um grande número de vírus. Eles podem causar doenças leves nos seres humanos (como um resfriado), mas também outras mais graves. As autoridades chinesas descartaram, por enquanto, o ressurgimento deste último vírus. A epidemia alimenta o temor do ressurgimento do vírus SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), altamente contagioso, que matou cerca de 650 pessoas na China continental e em Hong Kong em 2002-2003.Um chinês de 61 anos já havia morrido na semana passada. De acordo com o último balanço, pelo menos 41 pacientes foram identificados em Wuhan. Destes, 12 receberam alta, e cinco ainda estão em estado grave. Segundo a Comissão de Saúde de Wuhan, a maioria dos pacientes é do sexo masculino e em idade mais avançada. A investigação das autoridades chinesas constatou que vários pacientes trabalhavam em um mercado da cidade especializado em frutos do mar e peixes. O município tomou várias medidas, ordenando, em particular, o fechamento do estabelecimento em questão, onde foram realizadas operações de desinfecção e análises. Tailândia e Japão Outros casos desta misteriosa pneumonia foram detectados no exterior: dois na Tailândia, e um, no Japão. As autoridades desses dois países alegam que os pacientes foram a Wuhan antes de sua hospitalização. O ministério da Saúde da Tailândia informou o segundo caso nesta sexta-feira (17). Trata-se de uma viajante chinesa de 74 anos hospitalizada após chegar em 13 de janeiro no aeroporto de Bangoc. "As pessoas não devem entrar em pânico, pois não há disseminação da doença na Tailândia", disseram as autoridades sanitárias do país. A China não anunciou restrições de viagem no país. Já as autoridades de Hong Kong (sul) reforçaram suas medidas de detecção nas fronteiras do território autônomo, em particular com detectores de temperatura corporal. *Com informações da AFP VÍDEOS SOBRE A CHINA China vive o maior deslocamento humano do planeta Festival de Inverno na China atrai milhões de turistas Veja Mais

Como 4 países europeus estão lutando para que seus cidadãos tenham mais filhos

Glogo - Ciência Baixo índice de nascimentos na Rússia foi destacado por Putin em discurso anual; políticas públicas amplas parecem ter mais efeito em favorecer a natalidade do que apenas pagamento de benefícios. 'Temos de ajudar os mais jovens, aqueles que querem uma vida familiar e sonham com ter filhos', afirmou Putin sobre a baixa taxa de natalidade da Rússia. Getty Images A taxa de natalidade de 1,48 filho por mulher foi um dos principais temas destacados pelo presidente russo, Vladimir Putin, em seu discurso anual do Estado da União, nesta semana. "Não é o suficiente para o nosso país", disse ele. "O futuro da Rússia e sua perspectiva histórica dependem de quantos nós somos. (...) Temos de ajudar os mais jovens, aqueles que querem uma vida familiar e sonham com ter filhos." A Rússia não está sozinha nessa preocupação. Para manter o tamanho de sua população, países precisam de uma taxa de natalidade de 2,1 filhos por mulher. Na Europa, porém, essa média está em 1,59 — para comparar, ela também tem baixado no Brasil, onde é de 1,7 filho por mulher. Segundo a ONU, dois terços dos países europeus lançaram medidas para aumentar suas taxas de natalidade — de bônus pagos a cada bebê nascido a licença-paternidade remunerada, com variados graus de sucesso. Veja algumas. Rússia Embora a taxa de natalidade entre os russos tenha aumentado desde 1999 (quando chegou a 1,16), ainda está em patamares distantes dos desejados por Putin. ONU atribuiu a relativamente alta taxa de natalidade francesa a políticas públicas de creches e licenças-maternidade e paternidade. Getty Images O governo anunciou propostas para aumentar a taxa a 1,7 filho por mulher dentro de quatro anos, como aumento em um um programa de transferência de renda para famílias carentes com filhos e benefícios financeiros para famílias com três ou mais filhos. Putin também cobrou que governos regionais criem mais vagas em creches, oferecendo cuidados às crianças enquanto os pais trabalham. Além disso, o presidente propôs que mães de primeira viagem tenham direito a benefícios antes pagos apenas às que têm dois ou mais filhos, bem como merendas escolares gratuitas para os quatro primeiros anos escolares. No ano passado, Putin já havia anunciado deduções de impostos para famílias numerosas. E um pagamento único, equivalente a R$ 30 mil, foi lançado em 2007 para famílias com dois ou mais filhos, dentro de um programa de dez anos de duração. O especialista em demografia Evgeny Yakovlev afirmou à BBC News Rússia que essa última medida teve sucesso em temporiariamente aumentar o número de famílias numerosas, mas acrescentou que, pouco depois, a incerteza financeira voltou a derrubar a taxa de natalidade do país. Itália Na mesma linha, o governo italiano recorreu a incentivos financeiros na tentativa de estimular seus cidadãos a ter mais filhos. Mas o pagamento de 800 euros (na cotação atual, R$ 3,7 mil) a cada casal que tivesse um filho, lançado em 2015, não parece ter trazido mudanças substanciais até agora: a Itália ainda tem uma das taxas de natalidade mais baixas da União Europeia, com 1,3 filho por mulher. Crianças italianas brincam com brinquedos no Natal; país tem uma das taxas de natalidade mais baixas da UE AFP Anne Gauthier, professora de estudos familiares comparativos da Universidade de Groningen, na Holanda, disse à BBC que políticas de subsídios desse tipo "geralmente têm pouco impacto na taxa de natalidade". Ela diz que, embora esses benefícios financeiros resultem em pequenos aumentos de curto prazo nos nascimentos — fazendo com que algumas pessoas antecipem o plano de ter filhos —, "no fim das contas, isso não se traduz em uma maior taxa de natalidade. Eles (benefícios) foram usados em muitos países, e vemos padrão semelhante". No caso da Itália, o fracasso da medida pode estar relacionado à questão de que pagamentos únicos não ajudam a resolver questões sociais mais amplas (por exemplo, o fato de menos de 50% das italianas estarem trabalhando ou o alto índice de entrada de migrantes). França Apesar de quedas recentes, a França ainda tem uma das mais altas taxas de natalidade da UE, com 1,92 nascimentos por mulher, segundo dados de 2017 do Banco Mundial. Um relatório do Instituto de Análises Demográficas do país (Ined, na sigla em francês) descreve a França como "uma exceção demográfica" às baixas taxas vistas em grande parte da Europa. Mesmo uma ampla gama de políticas públicas não assegurou à Escandinávia um aumento na taxa de natalidade — embora ela supere a média europeia. Getty Images Para Gauthier, isso pode ser um reflexo de políticas públicas — segundo a Comissão Europeia, essas políticas incluem creches subsidiadas para crianças pequenas e um sistema generoso de benefícios. Famílias com dois ou mais filhos, por exemplo, recebem ao menos 131 euros (R$ 611) por mês. "Decisões sobre fertilidade atualmente parecem ser cada vez mais determinadas pela habilidade das famílias em combinar cuidado e apoio para crianças com a participação dos dois pais na força de trabalho", diz relatório da ONU de 2015 sobre o "sucesso fértil" francês. "Desse modo, a prioridade (da França) gradualmente migrou para uma variedade de mecanismos designados a ajudar os pais a equilibrar trabalho com obrigações familiares." Como exemplo, a ONU cita licenças-maternidade e paternidade e oferta de creches. "De todas as políticas promovidas ao longo dos anos, a oferta de serviços de creche parece ser o modo mais eficiente de encorajar famílias a ter filhos e a mulheres permanecerem na força de trabalho", diz o relatório. "Outro ingrediente-chave (na França) tem sido a grande estabilidade das políticas familiares, que têm grande apoio popular. Essa estabilidade (...) cria um ambiente favorável à decisão de ter filhos." Suécia Êxitos similares são observados em países escandinavos. A Suécia, por exemplo, tem taxa de natalidade de 1,9 filho por mulher, segundo o Banco Mundial. A Comissão Europeia afirma que a taxa de empregabilidade de mulheres (e mães) no país "está entre as mais altas da UE, e a pobreza infantil está entre as mais baixas". Além disso, famílias recebem uma mesada de até o equivalente a R$ 600 na cotação atual e que vai aumentando conforme a idade da criança. Pais e mães suecos também têm direito a 480 dias de licença-maternidade e paternidade para dividir entre si, e os homens, em média, costumam ficar com um terço desse período. Creches são subsidiadas e a jornada laboral sueca é menor que a de muitos países. Em 2018, em média, cada sueco trabalhou 1.474 horas, cerca de 500 horas a menos que a média russa. Mas Gauthier destaca, ao mesmo tempo, que até países escandinavos têm começado a notar quedas em suas taxas de natalidade, evidenciando que aumentar a população é um desafio. "Achávamos que havíamos solucionado (a questão) com a Escandinávia, até que no ano passado a fertilidade começou a declinar por lá", afirmou a professora. Veja Mais

Alemanha rejeita doação automática de órgãos

Glogo - Ciência Parlamento descarta proposta do ministro da Saúde que transformava em doador todo cidadão que não tivesse se oposto expressamente à retirada. Segue sendo necessária a aquiescência consciente para a doação de órgãos. Exposição sobre doação de órgãos. Lalo de Almeida/Divulgação O Bundestag (Parlamento alemão) rejeitou nesta quinta-feira (16/01) um projeto de lei que transformaria todo cidadão alemão num potencial doador de órgãos. A proposta defendida pelo ministro da Saúde, Jens Spahn, previa que todo cidadão seria doador, exceto aqueles quem tivesse se oposto expressamente. Os parlamentares aprovaram uma outra proposta, apresentada pelas siglas de oposição Partido Verde e A Esquerda, subordinando a doação de órgãos à concordância expressa do cidadão, em vida. Contudo os cidadãos alemães deverão ser questionados a respeito com mais frequência, por exemplo quando solicitarem uma nova carteira de identidade. Metade das famílias nega a doação de órgãos de entes falecidos Os deputados também decidiram a favor da criação de um registro online de doadores, no qual todos os cidadãos poderão manifestar se são ou não doadores de órgãos. A copresidente do Partido Verde Annalena Baerbock argumentou que a Lei Fundamental (Constituição) alemã garante a todos o direito à autodeterminação: "A quem pertence uma pessoa? Para nós, ela não pertence ao Estado ou à sociedade, ela pertence a si mesma." Doação de órgãos: seis respostas sobre transplantes que salvam vidas Já o especialista em saúde do Partido Social-Democrata (SPD), Karl Lauterbach, defendeu a proposta do governo. Ele considera antiético querer receber uma doação, em caso de necessidade, mas não estar nem mesmo disposto a dizer que não é doador. Lauterbach acredita que o projeto do governo é o único que poderia, de fato, mudar a situação no país, e lembrou que mil pacientes morrem por ano na Alemanha à espera de uma doação, enquanto há mais de 10 mil na fila de espera. O número de doadores em todo o país caiu para 932 em 2019. Em média, três receptores foram beneficiados por seus órgãos. Especialistas falam sobre a importância da doação de órgãos Veja Mais

Netos são um antídoto contra a solidão e o isolamento

Glogo - Ciência Avós ativos acabam tendo um convívio social mais abrangente Cuidar dos netos pode estar relacionado a um risco menor de solidão e isolamento social Wikimedia Commons Um estudo publicado há cerca de um mês na revista médica “BMJ Open” mostra que avós que participam da vida dos netos têm uma rede social mais ampla do que aqueles que não desempenham esse papel. A pesquisa ganha peso quando a associamos a outras que apontam a importância dessas conexões sociais como fator para o bem-estar dos idosos. Baby boomers, os nascidos entre 1946 e o início dos anos 60, já compõem um grupo de avôs e avós mais joviais e atuantes graças ao bônus da longevidade. Some-se a isso o fato de, em muitos casos, estarem numa situação financeira confortável, o que os leva a serem bastante presentes na vida dos netos. No entanto, a maioria dos estudos acaba se debruçando sobre aqueles que ocupam a função dos pais (por exemplo, em caso de uso de drogas ou encarceramento). A força da economia da longevidade Dez filmes para celebrar a convivência entre as gerações Os riscos dos anti-inflamatórios para os rins dos idosos Para investigar o assunto, pesquisadores utilizaram dados de um levantamento realizado em 2014 na Alemanha, do qual participaram adultos entre 40 e 85 anos. Na verdade, a pesquisa é feita a cada três anos, mas somente em 2014 foram incluídas perguntas sobre o sentimento de solidão e isolamento social, usando uma escala de 1 a 4 para definir sua dimensão – quanto mais alta a pontuação, maior a percepção do problema. Entre quase 4 mil avós que responderam ao questionário, mais de mil afirmaram que cuidavam ativamente de netos. Pouco mais da metade era composta de mulheres; a maioria era casada e vivia com o cônjuge. Inúmeros fatores foram levados em conta na análise, como renda familiar, a avaliação que o indivíduo fazia de sua saúde, se praticava atividade física ou apresentava sintomas de depressão. A idade média dos avós girava em torno de 66 anos e, entre os ativos, o escore de solidão ficava em 1.7 e o de isolamento em 1.6, enquanto o grupo com participação de menor relevância na vida dos netos marcava 1.8 em solidão. O número de pessoas com as quais esses idosos mantinham contato regular também tinha relação com seu papel familiar, com indicadores mais expressivos para o primeiro grupo. Esse é um estudo de observação, que não estabelece causas, mas que sugere que a convivência pode aumentar a autoestima e alimentar um relacionamento positivo com filhos e netos, além de criar oportunidades de ampliar o círculo social. Um único senão para essa experiência tão rica: é importante criar limites para não acabar sendo “sugado” por responsabilidades, com risco para a própria saúde. VÍDEOS SOBRE A RELAÇÃO ENTRE AVÓS E NETOS Reportagem Especial conta histórias de afeto entre avós e netos do Sul de Minas Projeto em Cianorte mostra a importância do convívio entre avós e netos Globo Repórter mostra a relação mágica entre avós e netos Veja Mais

O que é o peito escavado, condição que muitos pensam ser estética, mas pode matar

Glogo - Ciência Essa condição é frequentemente vista como um problema estético, mas ela pode esmagar o coração. Kerry Van Der Merwe tem peito escavado e quer aumentar a conscientização sobre a doença Kerry Van Der Merwe/Arquivo pessoal/ via BBC Respirar é uma luta diária para Kerry Van Der Merwe. Ela tem peito escavado, uma condição médica rara que, em muitos casos, causa uma má-formação da parede torácica causada pelo afundamento do osso esterno. Em outras palavras, é uma doença que pode esmagar o coração das pessoas que a têm. Essa condição é frequentemente vista como um problema estético. Portanto, no Reino Unido, país onde Kerry vive, seu tratamento não é coberto pelo sistema de saúde pública (NHS, na sigla em inglês). Kerry também é mãe e faz tratamento com antidepressivos desde o início do problema Kerry Van Der Merwe / Arquivo pessoal via BBC Espalhando os relatos sobre seu caso, ela quer aumentar a conscientização sobre uma condição que causa dor e angústia diariamente, para que aqueles que sofrem com ela não se sintam incompreendidos e ignorados — como se sentiu durante muito tempo. 'Estrangulada por dentro' Kerry é cabeleireira, tem 44 anos e visitou pelo menos 10 médicos antes de encontrar o diagnóstico correto para sua falta de ar e taquicardia. "Eu não conseguia nem mesmo abrir um pote, e eles nem me disseram que iriam estudar o caso", lembra Kerry, que também é mãe de uma menina e vive em Devon, no sul da Inglaterra. O NHS não oferece tratamento cirúrgico para pessoas com essa condição, pois considera que não há evidências suficientes dos possíveis benefícios do processo. De acordo com o organismo, os sintomas incluem dor no peito, falta de ar, fadiga, tontura e frequência cardíaca alta, mas não resulta em um grande impacto psicológico no paciente. Embora Kerry não concorde com este último ponto. "Não há como viver assim. É como se eles estivessem me estrangulando por dentro", ela diz. "E recusar (a sentir isso) é absolutamente desagradável", diz Kerry. "Eu tomo antidepressivos a minha vida toda, desde que a deformação começou", diz ela. "Eu não consigo fazer coisas simples como subir ou descer escadas. Meu coração bate tão rápido que é realmente perigoso." Segundo a Clínica Mayo, dos EUA, embora em alguns casos o único sintoma seja a deformidade no peito, em algumas pessoas o esterno pode comprimir os pulmões e o coração. Neste último caso, alguns sintomas são menos tolerância ao exercício, palpitações ou batimentos cardíacos acelerados, infecções respiratórias recorrentes e sopro cardíaco. Após sua peregrinação por várias consultas médicas sem obter resposta ou tratamento, Kerry procurou um especialista. O cirurgião torácico Joel Dunning, do Hospital Universitário James Cook, em Middlesbrough, na Inglaterra, finalmente solucionou o "mistério". "Ela nunca soube o que é ser normal", diz Dunning, que acrescenta que "sem dúvida" o coração de sua paciente está sendo "esmagado" por seu esterno. Segundo o especialista, é "loucura" negar a cirurgia "que prolonga a vida" em casos como o dela. "Não é preciso ser especialista para lhe dizer que, se seu peito esmaga seu pulmão e você retirar aquilo que o comprime, respirará melhor." Graças à intervenção do cirurgião, Kerry agora deve passar por um procedimento para inserir três barras de titânio que elevarão o peito dela para uma posição normal. Dunning chama a atenção para os benefícios psicológicos desta cirurgia, que, segundo ele, deveria ser oferecida gratuitamente. Para o cirurgião, os adolescentes que sofrem de peito escavado seriam os mais beneficiados pela intervenção. "São adolescentes tentando encontrar seu caminho no mundo e a condição os torna introvertidos, constantemente preocupados." O peito escavado geralmente se desenvolve durante a puberdade e é mais frequente em homens do que em mulheres Science photo Library via BBC Uma vida em modo de espera Mas há casos em que sofrer de peito afundado pode ter outras consequências. Katie Bruce viveu isso na própria pele. Ela tinha 21 anos quando desmaiou por conta da síndrome do peito escavado e foi atropelada por um carro. Ele perdeu quatro dos dentes da frente e sofreu várias fraturas no rosto. Um lado de sua mandíbula se desprendeu do crânio e "nunca mais voltou ao normal". A jovem graduada em bioquímica conseguiu se submeter à cirurgia em março, apenas um ano após solicitar sua primeira cirurgia — que tinha sido rejeitada. Como o afundamento no peito era profundo, os cirurgiões só puderam inserir uma barra de metal. A peça acabou virando e a jovem de 26 anos ficou de cama enquanto esperava outra cirurgia para corrigir a complicação. "Sinto como se estivessem me esfaqueando repetidas vezes entre as costelas. Nenhum analgésico pode aliviar isso", diz ela. "Tenho 26 anos, um diploma universitário e não posso fazer nada. Não posso conseguir um emprego, não consigo pensar em pagar o financiamento de uma casa ou formar uma família. Minha vida parece estar em modo de espera." Katie diz que essas complicações não teriam ocorrido se ela tivesse sido submetida à operação quando era mais jovem e sua estrutura óssea ainda estivesse se formando. "Se eles tivessem mais consciência disso e eu fosse tratada mais cedo, eu nunca teria sido atropelada por aquele carro." Katie também teve sintomas como falta de ar e taquicardia, mas, como Kerry, levou muitos anos até receber o diagnóstico correto. "Estou surpresa com o número de médicos que visitei e nenhum deles sabia nada a respeito do assunto." Enquanto isso, Kerry aguarda a cirurgia com a esperança de que o procedimento traga uma mudança em sua vida. Embora esteja nervosa, ela sabe que precisa da operação. "Estou com medo, mas sei que vai salvar minha vida." Materiais e ajustes prometem tornar a operação para peito escavado mais eficaz Veja Mais

Como um robô me ajudou a superar a dor da morte de um amigo por câncer

Glogo - Ciência Há muitos aplicativos de saúde mental no mercado, mas o quanto eles ajudam de fato? Alexa Jett achou aplicativo de terapia útil: 'Me tirou daquele lugar sombrio' Alexa Jett/ BBC Alexa Jett, de 28 anos, passou por maus bocados ​​nos últimos anos. Ela foi diagnosticada com câncer de tireoide em 2016. E, embora seu tratamento tenha sido bem-sucedido, em agosto de 2019 ela se viu mergulhada em outra crise quando seu melhor amigo e ex-namorado morreu de câncer aos 33 anos. "Me fechei completamente. E comecei a me perguntar se seria a próxima", relembra. Ela não conseguia sair da cama, e as tarefas domésticas foram se acumulando, deixando a casa uma bagunça. Desesperada, procurou ajuda na internet e em um chatbot (software que tenta simular um ser humano em bate-papo por meio de inteligência artificial) de saúde mental, chamado Vivibot. "Ei, por que não traçamos uma meta?", escreveu o chatbot para ela em 10 de setembro. Psicóloga Noël Hunter diz que aplicativos de saúde mental não podem substituir médicos humanos Noël Hunter/ BBC Para começar, ela só precisava pintar as unhas dos pés. Mas essa tarefa simples, combinada com a "personalidade divertida e amigável" do chatbot — além de sua presença 24 horas por dia, 7 dias por semana — incentivou Jett a realizar sucessivamente mais tarefas. "Me tirou daquele lugar sombrio, e eu voltei a 'funcionar' novamente", diz Jett. O Vivibot é oferecido pelo GRYT, um aplicativo voltado para pessoas com câncer. Há dezenas de serviços semelhantes, que batem papo com os usuários sobre questões de saúde mental, disponíveis no mercado. Eles oferecem relatórios de humor e dicas sobre como melhorar seu estado mental e emocional. "Esses chatbots são um ótimo primeiro passo para pessoas que podem estar tristes, deprimidas ou ansiosas recuperarem sua saúde mental", diz Danielle Ramo, diretora de pesquisa da Hopelab, que desenvolveu o Vivibot. Ela adverte, no entanto, que os chatbots não podem tratar quadros clínicos de depressão ou ansiedade — e que não foram criados para substituir nenhum tipo de interação humana. Mas a psicóloga clínica Noël Hunter diz que alguns chatbots não são comercializados dessa maneira e, em vez disso, se apresentam como uma solução para problemas de saúde mental. "Eles são muito cuidadosos em não dizer isso explicitamente, porque seriam processados. Mas as pessoas recebem essa mensagem", afirma. Para Hunter, os chatbots reforçam a ideia de que somos culpados por nosso próprio sofrimento. "Eles fazem você acreditar que, se você consultar o telefone e fazer algumas tarefas de autoajuda, isso vai substituir a natureza curativa de um relacionamento saudável", diz ela. Além disso, os robôs não conseguem entender a comunicação não verbal, que pode indicar muito sobre a maneira como nos sentimos. "Uma grande parte dessa comunicação não verbal, imperativa para o nosso bem-estar geral e para nosso sentimento de preenchimento, é perdida em contextos em que não há interação humana", acrescenta Hunter. No entanto, há um interesse cada vez maior ao redor do mundo em usar a tecnologia em prol da saúde mental. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que uma em cada quatro pessoas sofra com algum tipo de problema de saúde mental — e pesquisas sugerem que os indivíduos são mais honestos com robôs do que com seres humanos. Até gigantes das redes sociais, como o Facebook, estão entrando no campo da saúde mental digital. Em outubro de 2019, o Facebook lançou um pacote de figurinhas para o Messenger e filtros para o Stories, como parte da campanha Let's Talk ("Vamos conversar"), que tinham o intuito de estimular conversas sobre o assunto pelo aplicativo. "Descobrimos que as mensagens privadas podem tornar mais fácil conversar sobre assuntos sérios ou sentimentais. De fato, 80% das pessoas que usam aplicativos de mensagens sentem que podem ser completamente honestas quando enviam mensagens privadas", diz Antigone Davis, chefe de segurança global do Facebook. Olhando para o futuro, pode chegar um momento em que a inteligência artificial possa estar avançada o suficiente para ter uma compreensão profunda da saúde mental humana. "Podemos ter uma inteligência artificial no nível humano em 2029", diz Peter Diamandis, médico, engenheiro e autor do livro The Future is Faster Than You Think ("O futuro é mais rápido do que você pensa", em tradução livre). Segundo ele, estamos apenas nos primórdios da inteligência artificial, sobretudo na área médica. "A quantidade de dados que agora são coletados por exames médicos, seja uma ressonância magnética do cérebro, testes genéticos ou os resultados de vários exames, tudo isso está muito além da capacidade de um único humano", diz Diamandis. "Na verdade, será uma negligência médica não usar a inteligência artificial em diagnósticos nos próximos 20 anos, possivelmente 10." Peter Diamandis diz que no futuro será 'negligência' não usar inteligência artificial na medicina Getty Images/ BBC Nem todo mundo concorda, no entanto, que a inteligência artificial vai avançar tão rápido. E a pergunta permanece: as pessoas vão ser relacionar com os robôs da mesma maneira que se relacionam com um terapeuta humano? Jett, sem dúvida, acredita que assim. Ela ressalta que a geração dela cresceu com a tecnologia digital — para ela, é uma extensão da sua existência. Mas Hunter enxerga apenas uma bolha tecnológica que, uma vez estourada, levará as pessoas a recorrer a formas mais tradicionais de cura, seja no consultório de um terapeuta ou por meio da espiritualidade. "Pertencer a certos tipos de comunidades, algo que envolva relacionamentos", afirma. Já Diamandis prevê um equilíbrio, que contempla um forte envolvimento da inteligência artificial ​​em nossas vidas. "Imagino que um terapeuta humano usando inteligência artificial seja muito mais poderoso do que um terapeuta humano sozinho", diz ele, acrescentando que, em quase todas as áreas em que a inteligência artificial e os profissionais humanos coexistem para diagnosticar e tratar pacientes, as taxas de sucesso são melhores. Diamandis faz referência ao filme Homem de Ferro para explicar como a inteligência artificial poderá transformar nossa saúde mental. No filme, o super-herói Tony Stark tem um assistente pessoal digital, Jarvis, que marca suas reuniões, atende a porta e até organiza as playlists dele. "Acho que todos nós vamos ter uma versão do Jarvis na próxima década", diz Diamandis. "Um Jarvis que executa nossas tarefas administrativas, como ler nossos e-mails ou atender nossos telefonemas; um Jarvis que vai sentir um clima depressivo dentro de casa e vai revertê-lo, colocando nosso filme favorito ou uma música que ele sabe que vai nos colocar para cima; um Jarvis que nos estudará 24 horas por dia, sete dias por semana e vai aprender sobre nós coisas que nem nós mesmos conhecemos." Veja Mais

Melhor amigo? Experimento com cães de rua revela que eles nascem prontos para nos 'entender'

Glogo - Ciência Teste em ruas da Índia mostra que cachorros tendem a seguir direção apontada por desconhecido, o que indica uma compreensão dos gestos humanos. Alguns estudos já haviam mostrado que cães de estimação seguem gestos de humanos, mas será que o mesmo acontece com os que vivem nas ruas? Getty Images/BBC A milenar e próxima relação entre cães e humanos já foi objeto de muitos estudos científicos, que revelam que desde os músculos ao redor dos olhos até a liberação do hormônio ocitocina facilitam a relação dos cachorros conosco. Como muitos destes estudos envolveram animais domesticados, criados em casa e minimamente adestrados, fica a dúvida: será que cães de rua reagem da mesma maneira? Como calcular a verdadeira idade do seu cachorro O cão que encontrou menino desaparecido e se tornou o 1º cachorro nomeado cabo da PM O cachorro-lobo de 18 mil anos que intriga os cientistas A bióloga Anindita Bhadra, do Instituto de Educação e Pesquisa Científica de Calcutá, na Índia, vem pesquisando há anos especificamente populações de cães vivendo ao relento — e busca responder essa pergunta. Segundo a autora, os cães de rua são o maior grupo de cachorros no mundo e seu vínculo com os humanos é marcado por vários fatores, inclusive sociais e econômicos. Entenda o teste O último trabalho de Bhadra e seus colaboradores foi publicado no periódico Frontiers in Psychology e testou a reação dos animais de rua a comandos de humanos desconhecidos. O teste já havia sido feito em outros estudos, mas sempre com donos de pets. Ao se depararem com dois recipientes de comida, os cães de rua escolheram na maioria dos casos aquele para o qual o humano apontava. A equipe realizou nas ruas de cidades da região indiana de Bengala Ocidental um experimento digno do Ig Nobel, o prêmio que laureia pesquisas científicas engraçadas, e muitas vezes estranhas. A primeira fase era de familiarização: uma pessoa mostrava a um cachorro de rua um pedaço de frango cru, que o animal podia cheirar, e depois esta carne era posta dentro de um recipiente. Então, o alimento era posto dentro de um pote, deixando um segundo receptáculo vazio. Um instrutor então entrava em cena. Sem saber onde a galinha estava, ele apontava para um dos recipientes no chão. Detalhe: tudo milimetricamente medido, com distâncias pré-estabelecidas entre os potes, o instrutor e o cachorro. A equipe também produziu relatórios e filmagens dos experimentos. Foram testados 120 animais. Destes, praticamente metade (59) se aproximou de algum dos potes — os outros ficaram parados ou saíram em outra direção, o que os cientistas associam com um estado de ansiedade e possivelmente resultado de experiências negativas anteriores. Dos que se aproximaram, cerca de 80% (47 cães) foram na direção apontada pelo instrutor, independentemente do que havia lá. Houve ainda testes com um grupo controle de 40 animais, para verificar se outras variáveis podem ter influência na escolha dos potes, o que não foi confirmado — a influência humana foi evidente. Por isso, a equipe de Bhadra diz que cachorros já nascem capazes de entender certas ações humanas, mesmo sem treinamento. "Achamos bastante animador que os cães conseguissem seguir um gesto tão abstrato como apontar com a mão", disse Bhadra em um comunicado à imprensa. "Isso significa que eles observam os humanos com atenção, inclusive aqueles que veem pela primeira vez, e usam esta compreensão sobre os humanos para tomar uma decisão. Isto mostra a inteligência e a adaptabilidade destes animais". 'Empatia' Uma combinação entre fatores genéticos e experiências de vida explica comportamento de cães em relação aos humanos, afirmam pesquisadores Getty Images/BBC Ao analisar o grupo de cães que se afastou dos testes, os pesquisadores destacam que "experiências ao longo da vida podem ser diferentes e ter um impacto significativo no comportamento dos cães". "Cães de rua são encontrados na maior parte dos países em desenvolvimento e vivem sem supervisão humana direta. Eles interagem com humanos regularmente e recebem estímulos positivos, como comida e carinho; e negativos, como agressões (...)", diz o artigo no Frontiers in Psychology. Bhadra diz que os resultados da pesquisa, por ampliarem a compreensão sobre a nossa relação com os animais, podem melhorá-la. "Precisamos entender que cachoros são animais inteligentes que podem coexistir conosco", diz. "Eles são muito capazes de entender nossa linguagem corporal, e precisamos lhes dar espaço. Um pouco de empatia e respeito por outras espécies pode reduzir muito do conflito." 'Melhor amigo do homem' há milhares de anos O artigo tem um capítulo de contextualização, em que os autores lembram que outros animais reagem a gestos de humanos, como chipanzés, cavalos, elefantes, cabras e gatos. Os cachorros são possivelmente uma das primeiras espécies de animais domesticados, entre 10 mil e 30 mil anos atrás, segundo diferentes interpretações. Descendentes de lobos, adaptaram-se à convivência com humanos — o que segundo a literatura, não nos trouxe benefícios inicialmente, embora mais tarde eles tenham começado a ser usados em atividades como caça e controle de rebanhos. Como o estudo publicado agora, outros já haviam demonstrado a capacidade dos cachorros em reagir a diferentes tipos de gestos de humanos. Assim, tanto fatores genéticos quanto experiências ao longo da vida individual podem explicar o comportamento dos cães. Já havia sido demonstrado também que cachorros produzem ocitocina, hormônio relacionado à conexão social nos mamíferos, na presença de humanos. Pesquisadores da universidade de Portsmouth, Inglaterra, publicaram um estudo mostrando também adaptações de músculos ao redor dos olhos de cães que permitem expressões faciais particularmente atraentes aos humanos — como um olhar infantil e similar aos movimentos dos olhos humanos quando tristes. "Quando os cães fazem esse movimento, parecem despertar nos humanos um forte sentimento de proteção", explicou em 2019 Juliane Kaminski, da equipe de Portsmouth. Veja Mais

Projeto de lei que amplia doação de órgãos gera debate na Alemanha

Glogo - Ciência O Parlamento da Alemanha debate nesta quinta-feira (16) um projeto de lei sobre a doação de órgãos que tem gerado críticas de setores da sociedade. O país necessita de uma nova legislação para tentar elevar a taxa de doadores, considerada uma das mais baixas do mundo. Doação órgãos no HC-UFTM Uberaba HC-UFTM/Divulgação O número de doadores de órgãos vem caindo há anos na Alemanha. De acordo com o texto defendido pelo ministro da Saúde, Jens Spahn, os maiores de 16 anos de idade serão considerados automaticamente doadores, caso não tenham rejeitado explicitamente essa opção em vida. Atualmente, só é considerado doador aquele que manifestar esse desejo em vida. A proposta introduz o conceito de consentimento presumido do morto. Em 2019, apenas 932 pessoas tiveram órgãos doados para transplante após a morte, segundo a Fundação Alemã para o Transplante de Órgãos. Cada doador, segundo a instituição, salvou, em média, a vida de três pacientes. Mas o número de doações foi inferior aos 955 casos registrados em 2018. Com uma média de 11,2 doações por um milhão de habitantes, a Alemanha está bem aquém do desempenho mundial, que foi de quase 17 doações por milhão de habitantes em 2015. Espanha: sistema exemplar A Espanha, que está entre os líderes nessa área, tem uma média de doações quatro vezes superior à da Alemanha. Os espanhóis são considerados um exemplo mundial, por causa do sucesso de seu modelo de doação e também pelo sistema nacional espanhol de transporte e transplante de órgãos. A lei espanhola diz que toda pessoa que morre é presumidamente doadora de órgãos, a menos que tenha manifestado opinião contrária em vida. Mesmo assim, na prática, os parentes são sempre consultados e têm sua opinião respeitada, caso contradigam a vontade do morto. Em 2017, das 2.509 entrevistas familiares feitas na Espanha em relação ao parente morto, foi registrado consentimento em 87,1% dos casos, contra somente 12,9% de recusas. Consentimento presumido é alvo de críticas Organizações de proteção ao paciente acusam o ministro da Saúde alemão de querer obrigar as pessoas a doar os órgãos, por meio desta lei de consentimento presumido. Opositores alegam que uma doação é sempre voluntária, aspecto que seria menosprezado no projeto de lei em discussão. Também há vozes que argumentam que o consentimento presumido não leva em conta o direito de autodeterminação das pessoas. A Igreja Católica também se manifestou contra a proposta, arguindo questões legais, éticas e religiosas. No entanto, a maioria dos alemães aprovam a nova iniciativa. De acordo com uma sondagem recente, 61% dos cidadãos são a favor do novo projeto de lei, enquanto 36% se opõem. Brasil: família decide De acordo com a atual legislação brasileira, apenas a família pode autorizar a doação de órgãos de uma pessoa morta. Nenhuma declaração realizada em vida é válida. Não há como deixar o desejo registrado em testamento. Não existe um cadastro de doadores de órgãos e nem são mais válidas as declarações nos documentos de identidade, na carteira de habilitação ou na carteirinha de doador, como ocorria, por exemplo, entre 1997 e 2001. Atualmente, no Brasil, o doador tem que deixar claro para a família o desejo de doar seus órgãos. Mesmo assim, pela legislação vigente, a família tem que autorizar a doação depois da morte. Se isso não ocorre, a doação não é realizada, apesar da vontade expressa do morto em vida. Não há, portanto, como garantir efetivamente a vontade do doador. Apesar dessas restrições, o Brasil registra a taxa de 17 transplantes por milhão de habitantes, estando entre os 25 países com maior média mundial, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Orgãos (ABTO). Países europeus têm sistemas diferentes Os países europeus possuem legislações distintas sobre a doação de órgaos. Na Alemanha, desde 2012, vigora o sistema de consentimento voluntário, ou seja, a extração só é possível se a pessoa tiver deixado seu consentimento por escrito. Os alemães podem fazer uma carteirinha de doador. Em outros países, se não houver consentimento por escrito, os membros da família podem decidir. Essa interpretação mais ampla é aplicacada, por exemplo, na Grécia, Dinamarca, Suíça e no Reino Unido. Já a opção de consentimento presumido vigora em países como França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Áustria, Portugal, Espanha e Hungria. Segundo esta variante, se o morto não deixou registrada sua rejeição à doação, seus órgãos podem ser removidos para transplante. Na ausência de decisão do morto, em países como Bélgica, Estônia, Finlândia, Lituânia e Noruega, os membros da família podem se opor à doação. Especialistas falam sobre a importância da doação de órgãos Veja Mais

YouTube promove vídeos com desinformação sobre mudança climática, mostra estudo

Glogo - Ciência Vídeos recomendados pela plataforma incluem dados falsos ou enganosos sobre clima, e são acompanhados por anúncios de grandes empresas globais, segundo relatório da Avaaz. Estudo mostra que plataforma de vídeos digitais promove conteúdo com desinformação sobre mudanças climáticas Metamorworks/BBC Um estudo realizado em seis países indica que o YouTube está impulsionando conteúdo desinformativo sobre as mudanças climáticas — marcas reconhecidas estão ajudando a financiá-los, inadvertidamente. O relatório, produzido pela plataforma de campanhas Avaaz, analisou os vídeos recomendados pela plataforma a usuários que buscaram os termos global warming (aquecimento global), climate change (mudança climática) e climate manipulation (manipulação climática) entre agosto e dezembro de 2019. Entre os cem vídeos mais sugeridos pelo YouTube (incluindo a barra de recomendações ao lado direito da tela e os conteúdos exibidos automaticamente após outros vídeos) na busca por "aquecimento global", 16% continham informações que, depois de checadas pela equipe da Avaaz, foram consideradas comprovadamente falsas ou enganosas. O percentual cai para 8% quando são considerados os vídeos mais recomendados na busca por "mudança climática", e cresce para 21% para o termo "manipulação climática". Para analisar o conteúdo dos vídeos, a plataforma de campanhas contrapôs os dados apresentados àqueles divulgados por organizações como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a Nasa, a Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa) e também à literatura científica disponível. Recomendado pelo YouTube, o vídeo 'O que eles não te contaram sobre a mudança climática"'traz informações falsas ou enganosas, diz a Avaaz; ele já foi visto 3,6 milhões de vezes Reprodução/Youtube O conteúdo encontrado inclui afirmações de que não há ocorrência de mudança climática significativa, de que a ação humana não é realmente responsável por ela e até de que não há muito que possamos fazer para reduzir ou mitigar seus impactos. A análise foi conduzida em Alemanha, Brasil, Espanha, Estados Unidos, França e Reino Unido. "Descobrimos que o YouTube está levando milhões de pessoas a assistirem vídeos de desinformação sobre o clima todos os dias. Eles não estão apenas sendo postados no YouTube e vistos de maneira orgânica por audiências interessadas no tema — o algoritmo de recomendações do YouTube está promovendo esses vídeos gratuitamente, levando desinformação a quem não seria exposto a eles de outra forma", afirma o relatório. Os vídeos analisados pela Avaaz e que continham informações falsas ou enganosas somavam, à altura do estudo, 21,1 milhões de visualizações. Além de ter seu material promovido pelo YouTube, os autores se beneficiam financeiramente da exposição gerada pela plataforma. O estudo encontrou anúncios de 108 empresas, incluindo grandes marcas globais, acompanhando esses vídeos. E mais: uma a cada cinco peças publicitárias pertenciam a ONGs como o Greenpeace. "De uma forma ou de outra, esses anúncios incentivam e financiam os autores desses vídeos", diz Flora Rebello Arduini, coordenadora de campanhas da Avaaz. Quando um deles é veiculado com um desses conteúdos, uma parte do dinheiro pago por essas marcas é direcionada aos canais responsáveis pelo conteúdo. Na Austrália, afetada por fortes incêndios florestais, manifestantes cobram do governo ações contra as mudanças climáticas AFP/BBC De acordo com Arduini, 70% do conteúdo assistido no YouTube é acessado por meio das recomendações da plataforma. "É uma audiência de 2 bilhões de pessoas [o número de usuários ativos mensalmente no YouTube], temos que considerar a magnitude e o alcance dessa plataforma", afirma. "O problema é que você está alimentando informações incorretas sobre algo que já é comprovadamente verdade [a mudança climática]. Cria-se essa bolha de desinformação, e em um tema importante como esse, que pode influenciar em quem você vai votar na próxima eleição, por exemplo, além de ter um efeito devastador no futuro." Procurado pela BBC News Brasil, o YouTube não se manifestou até a publicação desta reportagem. O Greenpeace, em nota, afirmou que "a indústria de combustíveis fósseis investiu e obteve lucros durante décadas com informações falsas sobre o clima, e os algoritmos do YouTube continuam ajudando a espalhar essas mentiras". "Se vamos parar a emergência climática que vivemos, precisamos que empresas de tecnologia e redes sociais como o YouTube façam parte da solução e não do problema." Diretrizes mais rígidas Vídeo de programa da rede americana de TV Fox News, também apontado pela Avaaz por conteúdo enganoso Reprodução/Youtube Em documento publicado em fevereiro de 2019, o Google, dono do YouTube, anunciou seus esforços mais recentes para conter a recomendação de vídeos que trazem desinformação, "especialmente em assuntos que dependam da veracidade, como ciência, medicina, notícias e eventos históricos", diz o texto. Entre as ações, estavam diretrizes mais rígidas para definir que vídeos serão promovidos em sua página principal ou por meio das recomendações da plataforma após o final de cada conteúdo. Além disso, a empresa se comprometeu a fornecer a seus usuários mais contexto (por meio, especialmente, de textos), para torná-los mais bem informados sobre as informações que consomem. "Em alguns tipos de conteúdo, incluindo aqueles produzidos por organizações financiadas pelo Estado ou que recebem recursos públicos, ou tópicos que costumam ser acompanhados por desinformação na internet, começamos a fornecer informações contextuais ou links para sites confiáveis, para que nossos usuários tomem decisões informadas sobre o que assistem em nossa plataforma." E, de acordo com a Avaaz, 64% dos vídeos que continham desinformação encontrados pelo estudo continham uma caixa de texto da Wikipedia, contendo informações gerais sobre a mudança climática. "Apesar disso, não havia alerta a esses usuários de que os vídeos continham informações enganosas, e eles ainda estavam sendo recomendados pelo YouTube", diz o relatório. Diante do cenário atual, a Avaaz sugere três medidas a serem tomadas pelo YouTube: desintoxicar seu "algoritmo para que deixe de promover vídeos que contenham desinformação ou informações falsas; desmonetizar esses conteúdos (ou seja, deixar de incluir neles anúncios de companhias e ONGs); e corrigir os erros, trabalhando com empresas de checagem de dados independentes para informar os usuários de que eles acessaram informações falsas ou enganosas. Além disso, os anunciantes precisam monitorar que tipo de conteúdo seus recursos estão financiando, diz a plataforma de campanhas, e trabalhar com o YouTube para corrigir o problema. "Marcas e YouTube precisam trabalhar juntos. Apreciamos as medidas tomadas até agora, mas ainda existe um grande caminho a percorrer nesses três pilares mencionados", afirma Flora Arduini. Em nota, o Greenpeace também pede que o YouTube remova os vídeos com informações falsas sobre o clima de seus algoritmos de recomendação e elimine as possibilidades de monetizar esses conteúdos. No documento de fevereiro do ano passado, o Google afirmava que "continua se esforçando para avançar nessas questões. Isso não significa que este é um problema resolvido, e sabemos que ainda há espaço para progredir." Veja Mais

Japão confirma 1º caso de nova pneumonia viral chinesa

Glogo - Ciência Doença que parece ser um novo tipo de coronavírus já matou uma pessoa na China. O Ministério da Saúde do Japão confirmou nesta quinta-feira (16) que um homem de 30 anos contraiu a misteriosa pneumonia viral que deixa a China em alerta. Segundo o governo japonês, o paciente esteve no início de janeiro em Wuhan, cidade chinesa que é o epicentro da doença que já matou uma pessoa. O homem é de Kanagawa, cidade vizinha a Tóquio, foi hospitalizado com febre alta e outros sintomas no dia 10 de janeiro, logo após voltar da China. A misteriosa pneumonia que preocupa a China Os resultados das análises saíram no dia 15 de janeiro, e confirmaram a presença de novo coronavírus surgido na China. O homem melhorou e recebeu alta nesta quarta-feira (15). Também na quarta, a OMS confirmou que a doença foi diagnosticada na Tailândia. As autoridades chinesas avaliam que o risco de o novo surto de pneumonia viral ser transmissível entre humanos é "baixo", mas "não está descartado". Um homem de 61 anos morreu no dia 11 de janeiro devido ao surto da doença na China. No total, 41 pessoas em Wuhan foram infectadas com o que parece ser um novo tipo de coronavírus Segundo testes preliminares cujos resultados foram divulgados pela Comissão Municipal de Saúde de Wuhan, o agente patogênico causa "um tipo desconhecido de pneumonia viral". Segundo o mais recente posicionamento de órgãos chineses, não se trata de casos da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, na sigla em inglês), como foi cogitado anteriormente. Uma epidemia de SARS, potencialmente mortífera e semelhante à gripe, matou mais de 700 pessoas em todo o mundo entre 2002 e 2003, tendo início na China. Autoridades chinesas também descartaram a possibilidade de gripe aviária e da Síndrome Respiratória do Oriente Médio. Com isso, de acordo com as autoridades, as investigações continuam. Veja Mais

Mulher filma macarrão instantâneo que congelou em frio de -32°C no Canadá; VÍDEO

Glogo - Ciência Arleney de Sanchez disse que fez a experiência para mostrar aos parentes e amigos no México como o Canadá pode ser frio no inverno. Em frio de -32°C, prato de macarrão instantâneo congela no Canadá Para mostrar a parentes e amigos no México o quão rigoroso pode ser o frio no Canadá, uma mulher fez uma experiência com macarrão instantâneo em um dia de inverno canadense na cidade de Calgary. Arleney Rodriguez de Sanchez viu o passo a passo do experimento na internet e, então, colocou em prova na quarta-feira (15), quando a temperatura em Calgary chegou a -32°C. Ela contou à agência Reuters que pegou um prato pronto de macarrão e deixou no jardim por aproximadamente 15 minutos. Quando ela voltou, viu que o macarrão se tornou uma escultura — com o garfo preso entre os fios congelados. Garfo ficou preso nos fios congelados do macarrão, em um frio de -32°C no Canadá Arleney Rodriguez De Sanchez/via Reuters Macarronada congelou sob um frio de -32°C em Calgary, no Canadá Arleney Rodriguez De Sanchez/via Reuters Frio em Calgary As temperaturas em Calgary, cidade canadense com cerca de 1,3 milhão de habitantes, baixaram para níveis extremos nesta semana. Segundo o jornal "Calgary Herald", carros pararam de funcionar — sem guincho, alguns motoristas tiveram de deixar os veículos nas ruas e pedir aos guardas que não os multassem pela parada irregular. NA RÚSSIA: Temperatura atingiu -67°C em 2018 e aulas foram suspensas O frio é tanto que a maior temperatura no estado de Alberta ainda era inferior à temperatura mais alta de Marte: termômetros em parte do planeta vermelho marcaram -17°C, informou a emissora CTV citando dados da Nasa. Esse frio extremo vai continuar neste sábado, mas a temperatura deve começar a subir ao longo do fim de semana até chegar a um "calor" de 3°C na segunda-feira. SAIBA MAIS: Veja os problemas de saúde que o frio extremo pode causar Veja Mais

O Brasil na Antártica: veja quais são as pesquisas desenvolvidas na Estação Comandante Ferraz

Glogo - Ciência Brasileiros estão na Antártica há 38 anos; presença do país em terras tão inóspitas é considerada estratégica. Oito anos depois do incêndio que destruiu a Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira reabre para cientistas e pesquisadores. Divulgação Marinha do Brasil A nova Estação Antártica Comandante Ferraz foi inaugurada na quarta-feira (15), oito anos após um incêndio consumir parte da estrutura anterior, matando duas pessoas. O Brasil é um dos 29 países presentes no continente, que não tem governo e não pertence a nenhuma nação, e é considerado uma área de preservação científica. A presença brasileira em terras tão inóspitas é considerada estratégica. Os principais motivos, são: geopolítico: a principal rota para chegar ao continente antártico passa pelo Atlântico Sul, e o Brasil tem a maior costa neste oceano. Além disso, há reservas de petróleo no continente ambiental: a Antártica possui 90% do gelo e 80% da água doce da Terra. O manto de gelo é o maior detentor de calor terrestre e as correntes marítimas de lá interferem na pesca na costa do Brasil científico: diversos estudos feitos na região podem contribuir para o desenvolvimento nacional Estação Antártica Comandante Ferraz conta com geradores eólicos e placas fotovoltaicas. Divulgação Estúdio 41 Pesquisas brasileiras na Antártica Segundo o Ministério da Ciência (MCTIC), há pesquisas sendo desenvolvidas que trarão benefícios para as áreas da medicina, com a formulação de medicamentos; da agricultura, no desenvolvimento de novos pesticidas e herbicidas; e da indústria, na fabricação de produtos como anticongelantes e protetores solares. As pesquisas feitas na Antártica estão inseridas no Programa Antártico Brasileiro (Proantar), que em 2020 completa 38 anos de atuação. Há também a presença do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) da Criosfera e pesquisas da Fiocruz. Ao todo, são 19 projetos de pesquisa sendo desenvolvidos. Eles foram aprovados pelo Comitê Científico de Pesquisa Antártica (SCAR, sigla para Scientific Committee on Antarctic Research). Confira abaixo alguns destaques: Vigilância epidemiológica Pesquisadores da Fiocruz fazem coleta de materiais na Antártica para pesquisar microorganismos Divulgação/Fiocruz/Paulo Lara Pela primeira vez, a Fiocruz tem um laboratório na Antárica para se dedicar ao estudo de microorganismos. De acordo com Wim Degrave, coordenador do projeto FioAntar, a ideia é identificar potenciais riscos de infecção. "A gente pensa que a Antártica é muito longe, muito isolada, mas não é bem assim. Há golfinhos, baleias, animais marinhos, aves migratórias, correntes marítimas e de ar que transitam pelos continentes. Eles carregam micro-organismos e microplásticos que absorvem bactérias e fungos que poderiam infectar o ser humano. Além disso, há o turismo crescente na região", diz Degrave, em entrevista ao G1. O fluxo dos micro-organismos é tema de análise destes pesquisadores. Degrave esteve no continente entre outubro e dezembro do ano passado para finalizar a instalação dos equipamentos e fazer os primeiros testes. Ele e os pesquisadores da Fiocruz recolheram amostras da água de degelo, do mar, e das praias. Ao longo da pesquisa, também serão coletadas amostras de fezes de animais e pássaros e carcaças "A gente olha para a biodiversidade e quais bactérias, vírus e fungos têm ali; como a biodiversidade é influenciada pelo trânsito no continente; e quais são eventualmente as moléculas e enzimas que poderíamos aproveitar para fazer protótipos de antibióticos ou novos fármacos", explica. DNA ambiental Cientista Paulo Câmara, da UnB em frente a Estação Antártica Comandante Ferraz Arquivo Pessoal A análise de DNA das amostras recolhidas já permitiu que fossem encontrados sinais de uva, cebola e até pachouli na Antártica. "Não é que tem um pé de uva lá", brinca o professor de Botânica da Universidade de Brasília (UnB) Paulo Câmara, um dos pesquisadores que estão na Antártica. "Mas o DNA está presente, e a gente imagina que tenha sido levado por turistas, que frequentam uma área com águas quentes em uma cratera de vulcão", explica, em entrevista ao G1. A análise do DNA também permite identificar as plantas do continente, que crescem submetidas a condições ambientais muito extremas (como frio, ventos, raios ultravioleta e escuridão total durante o inverno). "A morfologia (forma) delas é um pouco esquisita, e muitas estão identificadas errado. A gente está pela primeira vez aplicando a ferramenta molecular – estamos usando DNA – para identificar essas plantas", explica. A pesquisa vai ajudar a entender como as plantas se locomovem ao longo das correntes de ar, como elas chegam até a Antártica, como evoluem, e por que se estabelecem. "Se elas ficam 6 meses debaixo do gelo e ficam vivas fazendo fotossíntese, elas têm substâncias que são anticongelantes, e anticongelantes são úteis na aeronáutica", afirma Câmara. Biotecnologia Os musgos da Antártica conseguem sobreviver a temperaturas menores de -80°C. Os cientistas investigam quais os mecanismos físicos e biológicos são responsáveis por esta dinâmica, segundo o Ministério da Ciência. Ao isolá-los, é possível aplicar o mesmo mecanismo anticongelante na aviação, por exemplo. Já os fungos produzem substâncias que têm propriedades antibióticas, pigmentos e enzimas que podem levar ao desenvolvimento de novos produtos. Pássaro avistado na Ilha Rei George, na Antártica, onde foi inaugurada a estação brasileira de pesquisas no continente gelado Reprodução/TV Globo Clima O clima na América do Sul é fortemente influenciado pela Antártica. Por isso, há pesquisas sendo feitas para investigar as mudanças climáticas e o equilíbrio do ecossistema. De acordo com o Ministério da Ciência, essas pesquisas são fundamentais para prever cenários futuros de mudança climática no Brasil. Nos nove laboratórios do INCT da Criosfera, são analisados o impacto do degelo no nível do mares, a reconstrução paleoclimática e também a química da atmosfera a partir de amostras de gelo que guardam as substâncias químicas de cada época, segundo o Ministério da Ciência. O INCT ainda monitora e avalia as consequências socioeconômicas decorrentes da rápida redução do gelo marinho ártico e também busca organismos extremófilos em ambientais glaciais, diz a o MCTIC, em nota. Acampamento de pesquisadores na Antártica Andrés Zarankin/Arquivo pessoal Pesquisa arqueológica cortada Uma pesquisa coordenada pela UFMG, com a participação dos Estados Unidos, Inglaterra, Austrália, Espanha, Chile e Argentina, já escaneou 70% dos sítios arqueológicos e o material, em 3D, está disponível na internet a estudiosos de todo mundo. Mas, este ano, a continuidade dos estudos foi cortada. De acordo com o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Andrés Zarankin, a ideia era chegar aos 100% em dois anos. Ele e a equipe tentam provar que o homem chegou à Antártica muito antes das expedições de europeus no século 19 e início do século 20. O G1 procurou o CNPq e aguarda posicionamento sobre esta pesquisa. VÍDEOS Fiocuz terá laboratório para pesquisas na Antártica Brasil inaugura nova base na Antártica Initial plugin text Veja Mais

O que são bloqueadores de puberdade e por que estão no centro de uma controvérsia

Glogo - Ciência Medicamentos usados para deter o desenvolvimento de características típicas de cada gênero são alvo de disputa legal no Reino Unido, enquanto seu uso também está em discussão no Brasil. Bloqueadores de puberdade podem ser prescritos para jovens que se identificam como sendo do gênero oposto ao designado no nascimento. Getty Images Remédios bloqueadores de puberdade estão no centro de uma disputa legal que envolve o sistema de saúde pública do Reino Unido (o NHS), ao mesmo tempo em que, no Brasil, seu uso em tratamentos pode ser expandido. Nos primeiros dias de 2020, chegou à Suprema Corte britânica um processo movido por uma mãe e uma enfermeira contra a Tavistock and Portman NHS Trust, fundação que comanda o único serviço britânico voltado à identidade de gênero, chamado Gids. De um lado do processo, advogados argumentam que seria ilegal receitar bloqueadores hormonais — que restringem os hormônios ligados a mudanças no corpo durante a puberdade, como a menstruação ou o surgimento de pelos faciais — a menores de idade do Reino Unido, sob a percepção de que esses jovens não estariam aptos a consentir de modo informado ao tratamento. O caso raro do americano que entrou na puberdade aos 2 anos De outro, a fundação Tavistock afirmou que adota uma abordagem "cautelosa e atenciosa" no tratamento com crianças e jovens. Veja, a seguir, o que são esses medicamentos e em que consiste o processo judicial no Reino Unido, bem como as mudanças em relação ao acompanhamento de jovens trans no Brasil. O que são e para que servem os remédios Bloqueadores de puberdade são receitados para algumas crianças e adolescentes vivenciando a disforia (ou incongruência) de gênero, descrita como a situação em que "a pessoa sente desconforto ou sofrimento por haver uma desconexão entre seu sexo biológico e sua identidade de gênero". Isso significa que elas se sentem presas em um corpo que não reflete sua identidade. Transexualidade é definida como casos em que a pessoa sente desconforto ou sofrimento por haver uma desconexão entre seu sexo biológico e sua identidade de gênero. Getty Images "A identificação de gênero ocorre, na maior parte das vezes, em algum momento entre 3 e 5 anos de idade. Trata-se de como a pessoa se sente e como se identifica (se do gênero feminino ou masculino)", explica à BBC News Brasil o urologista Tiago Elias Rosito, cirurgião-chefe do Programa de Identidade de Gênero (Protig) do Hospital de Clínicas em Porto Alegre, um dos que são considerados referência no assunto no Brasil. Dito isso, Rosito lembra que a transexualidade — ou a não identificação com o próprio corpo — é totalmente independente da orientação sexual da pessoa. Também é diferente do travesti, que embora se identifique com o sexo oposto, aceita a genitália de seu próprio corpo. De volta aos bloqueadores, esses medicamentos impedem, temporariamente, o desenvolvimento do corpo ao suprimir a liberação de estrogênio (hormônio relacionado à ovulação e a características femininas) ou testosterona (hormônio masculino), que começam a ser produzidos em maior quantidade durante a puberdade. São esses hormônios que orientam o corpo no desenvolvimento de seios, menstruação, pelos faciais e voz mais grossa, por exemplo. O Gids britânico informa que, ao "pausar" a puberdade, dá-se às crianças e adolescentes com disforia de gênero mais tempo para avaliar suas opções — sem a necessidade de passar pelo estresse adicional de vivenciar mudanças em um corpo em um gênero com o qual não se identificam. Quando elas param de tomar os bloqueadores, a puberdade é retomada — embora Rosito destaque que pode haver sequelas, a depender da idade em que se iniciou o tratamento. Os dados disponíveis ainda são poucos no Reino Unido, mas mostram por enquanto que a maioria dos jovens prefere manter a ingestão de bloqueadores, e muitos acabam, depois dos 16 anos, aderindo também a hormônios que ajudem a mudar de sexo. Ao paralisar a puberdade e o desenvolvimento de características específicas de cada sexo, essas pessoas que aderem à terapia de mudança de sexo evitam ter de passar por tratamentos cirúrgicos mais invasivos (por exemplo, de remover seus seios via mastectomia, caso queiram mudar do sexo feminino para o masculino). Por que esses remédios causam polêmica? O processo legal movido contra a Tavistock no Reino Unido foca na questão de se crianças e adolescentes são capazes de dar consentimento informado ao tratamento com bloqueadores, ou seja, se são plenamente capazes de tomar essa decisão. Durante a puberdade, hormônios estão relacionados a mudanças não só no corpo, mas também no cérebro. Conselho Federal de Medicina brasileiro acaba de publicar resolução ampliando o acesso ao atendimento de pessoas com incongruência de gênero. Getty Images O Gids informa que ainda não se sabe se bloqueadores de puberdade "alteram o curso de desenvolvimento do cérebro adolescente" e explica que os efeitos piscológicos desses medicamentos ainda não são plenamente conhecidos. Dados preliminares de um estudo mostram que algumas pessoas que ingeriram esses medicamentos relataram ter tido mais pensamentos suicidas e de automutilação. Mas essas pessoas não souberam especificar se esses pensamentos eram causados pelos remédios ou por fatores externos. Além disso, o estudo foi alvo de críticas por questões técnicas, mas alimentou o debate no Reino Unido. O NHS afirma que as informações disponíveis sobre os impactos de longo prazo dos bloqueadores são "limitadas". Embora eles sejam considerados um tratamento "totalmente reversível", já que a puberdade pode ser retomada, os medicamentos podem ter efeitos de longo prazo — por exemplo, o Instituto Britânico de Saúde e Excelência em Cuidados (Nice, na sigla em inglês) lista a queda na densidade óssea como um possível efeito colateral do triptorelin, a droga usada pelo Gids. O processo judicial em andamento alega, ainda, que bloqueadores de puberdade podem afetar a fertilidade e o funcionamento dos órgãos sexuais dos pacientes, embora não haja provas conclusivas sobre isso. O que mudou no Brasil? Em 9 de janeiro, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou uma resolução ampliando o acesso ao atendimento de pessoas com incongruência de gênero e permitindo que o tratamento hormonal cruzado (ou seja, tomar hormônios que ajudem na transição de gênero) agora seja feito a partir dos 16 anos — antes, era aos 18 anos. Em Uberlândia (MG), em 2017, um garoto de 12 anos que se identificava como menina ganhou na Justiça o direito de interromper sua puberdade. Getty Images Procedimentos cirúrgicos, porém, só podem ocorrer depois dos 18 anos, e pacientes têm de ter passado por "no mínimo um ano de acompanhamento por uma equipe multiprofissional e multidisciplinar". Essa equipe incluiria, no mínimo, psiquiatra, endocrinologista, ginecologista, urologista e cirurgião plástico. Segundo o CFM, a resolução é fruto de mais de dois anos de análises e discussões, que levaram em conta "além de aspectos éticos e legais, diferentes estudos clínicos sobre o assunto". Para o urologista Tiago Rosito, a resolução é benéfica ao permitir atenção médica a pessoas que desde cedo se identificam como transgênero "e evitar que elas passem por grande sofrimento ou mesmo caiam em mãos erradas" de tratamentos irregulares. "É seguro e melhor começar mais cedo." Dito isso, Rosito destaca que o Brasil tem estrutura insuficiente para lidar com toda a demanda por acompanhamento médico especializado. No Hospital de Clínicas de Porto Alegre, onde ele atua, são atendidos pacientes de todo o país. "Estamos sobrecarregados até o pescoço", diz o médico. Ali, diz ele, foram operados 250 pacientes transgêneros nos 25 anos de existência do Programa de Identidade de Gênero. Em meio a isso, outras situações se espalham no Brasil. Em Uberlândia (MG), em 2017, um garoto de 12 anos que se identificava como menina ganhou na Justiça o direito de interromper sua puberdade, depois de um laudo de uma equipe médica confirmar sua transexualidade. Em São Paulo, o tema é discutido na Assembleia Legislativa estadual. Uma emenda da deputada Janaina Paschoal (PSL) a um projeto de lei da deputada Erica Malunguinho (PSOL) propõe proibir a terapia hormonal a jovens transgênero com menos de 18 anos na rede pública e privada do Estado. E o que está em discussão no Reino Unido? A enfermeira por trás do processo judicial britânico, Sue Evans, trabalhou no Gids uma década atrás e pediu demissão dizendo-se preocupada com o fato de crianças e adolescentes que querem fazer a transição para um gênero diferente do seu estavam recebendo medicamentos bloqueadores de puberdade. Bloqueadores hormonais restringem os hormônios ligados a mudanças no corpo durante a puberdade, como a menstruação ou surgimento de pelos faciais. Getty Images Na opinião de Evans, essas receitas não seriam precedidas de avaliações psicológicas adequadas — algo que o Gids nega. "Eu costumava me preocupar quando (bloqueadores) eram dados a jovens de 16 anos. Mas agora esse limite é ainda menor, e crianças de talvez 9 ou 10 anos têm acesso a um tratamento completamente experimental cujas consequências de longo prazo não são conhecidas", afirmou Evans. A mãe que também participa do processo, identificada apenas como A., tem uma filha de 15 anos que se apresenta como menino e está na lista de espera do Gids. Ela se disse preocupada com a possibilidade de sua filha (que é do espectro autista) receber drogas com efeito duradouro sobre seu desenvolvimento físico. "Tenho medo que olhem para a idade dela e digam, 'ela diz que é isso o que ela quer, então vamos colocá-la em tratamento médico'", diz A. à BBC News. "E como a comunicação do que ela sente por dentro é um pouco diferente por causa do espectro autista, temo que o que ela diz e o que ela quer dizer sejam coisas muitas vezes diferentes. Quando somos adolescentes, o que achamos que vai nos fazer feliz não necessariamente vai nos fazer feliz." A Tavistock não comentou o processo judicial, mas afirmou que o Gids é "um dos serviços do tipo mais estabelecidos no mundo, com reputação internacional de ser cauteloso e atencioso. Nossas intervenções clínicas são ditadas por padrões nacionais. Nosso serviço é monitorado de perto pelo NHS, tem um alto nível de satisfação e foi avaliado como bom pela (agência reguladora) Comissão de Qualidade em Atendimento". Em seu site, o Gids informa ainda que, para menores de 16 anos, busca o consentimento dos jovens e de ao menos um dos pais. "Tentamos nos assegurar de que os jovens e a família tenham um bom entendimento das informações existentes e das intervenções (médicas) que estão solicitando, incluindo tratamentos hormonais." "Também levamos em conta as questões emocionais e sociais envolvendo o tratamento. Ajudamos a avaliar os benefícios e riscos de qualquer tratamento solicitado e levamos em conta as alternativas ao tratamento proposto (inclusive a opção de não se fazer nenhum tratamento)." O serviço agrega que, para crianças que possam ter dificuldades cognitivas, é primeiro avaliada a sua capacidade de decisão antes de se iniciar o tratamento. Para o urologista brasileiro Tiago Rosito, o debate britânico "é mais uma questão bioética do que científica, o que a torna mais complexa". "O fato é que não posso bloquear a puberdade sem ter certeza absoluta (de que o paciente é transgênero)", diz Rosito. "Por isso é preciso vê-lo da maneira mais neutra possível, deixando de lado questões religiosas ou sociais que causam uma névoa. A questão é se cercar dos melhores especialistas e estrutura (para avaliar cada caso)." Ele destaca, porém, "que em boa parte das vezes, com profissionais especializados e incluindo psiquiatras infantis, é possível identificar desde cedo" que uma criança é transgênera. "Claro que para isso é preciso descartar outras possibilidades e sempre levar em conta que um tratamento que acabe em cirurgia (de mudança de sexo) é praticamente sem volta." https://www.youtube.com/watch?v=NFOnUdZ6EQ0 https://www.youtube.com/watch?v=gquWQf9Dju0 https://www.youtube.com/watch?v=ATYf2G1Af5w Veja Mais

Qual a idade em que somos mais infelizes, segundo a ciência

Glogo - Ciência Pesquisas realizadas em 134 países mostra que, na faixa dos 40 anos, a percepção de bem-estar diminui... mas essa sensação não dura para sempre. A pesquisa que mostra a 'curva de felicidade' foi realizada em 134 países Getty Images/BBC A chamada crise dos 40 deixou de ser um mito. Pelo menos de acordo com uma ampla pesquisa realizada em 134 países pelo economista David Blanchflower, professor da universidade Dartmouth College, nos EUA, e ex-membro do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra. Segundo o estudo, publicado nesta semana pelo Escritório Nacional de Pesquisa Econômica dos EUA, existe uma "curva de felicidade" que está presente na maior parte dos países. Por que a felicidade no casamento também pode depender dos genes Sintomas de depressão: por que a versão atípica da doença é tão perigosa É surpreendente que, em contextos culturais tão diferentes, o padrão se repita: nos sentimos melhor na adolescência, somos mais infelizes até o fim dos 40 e depois valorizamos a sensação de bem-estar quando nos aproximamos da velhice. Basicamente, a pior parte está no meio, enquanto os maiores momentos de felicidade estão na fase inicial da vida e depois dos 50. O extenso banco de dados analisado — a partir de pesquisas internacionais que mediram o bem-estar de pessoas usando diferentes metodologias — mostrou que, em média, a idade mais infeliz das pessoas nos países desenvolvidos é em torno dos 47,2 anos, enquanto nos países em desenvolvimento é 48,2 anos. "É algo que os humanos têm profundamente enraizado nos genes", diz Blanchflower à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC. "Os macacos também têm uma curva de felicidade em forma de U". "Aos 47 anos, a gente se torna mais realista, já se deu conta que não vai ser o presidente do país", explica. Depois dos 50 anos, 'você fica mais grato pelo que tem', diz o economista responsável pelo estudo Getty Images/BBC E depois de 50 anos, ele acrescenta, "você se torna mais grato pelo que tem". "Aos 50 anos, você pode dizer a alguém que tem uma boa notícia, porque a partir de agora as coisas vão melhorar." Não é que as condições objetivas de vida melhorem necessariamente — o que varia, na verdade, é a percepção do bem-estar. "Há pessoas que, aos 70 anos, são saudáveis ​​e felizes por trabalhar, enquanto na metade da vida é quando você tem mais responsabilidades", afirma. Menos aspirações Do ponto de vista psicológico, há várias teorias que podem ajudar a explicar o fenômeno. Uma delas é que, à medida que as pessoas envelhecem, aprendem a se adaptar a seus pontos fortes e fracos, ao mesmo tempo em que suas ambições inviáveis diminuem. Nos países em desenvolvimento, a idade mais infeliz é 48,2 Getty Images/BBC Outra é que as pessoas mais otimistas vivem mais, o que ajudaria a traçar a curva da felicidade em formato de U. À percepção geral de bem-estar, se soma ainda o fator econômico. Blanchflower argumenta que até o fim dos 40 a vulnerabilidade é exacerbada diante de um contexto econômico adverso. Esse fenômeno atinge pessoas com menos escolaridade, desempregadas com famílias não estruturadas ou sem rede de apoio, como ficou evidente durante a Grande Recessão em 2008 e 2009. Estar na metade da vida é um momento de vulnerabilidade, acrescenta ele, o que torna mais difícil lidar com os desafios da vida em geral. Mudanças no cérebro Jonathan Rauch, pesquisador do centro de estudos Brookings Institution, em Washington, analisou a questão e publicou o livro The happiness curve: why life gets better after midlife ("A curva da felicidade: por que a vida fica melhor depois da meia-idade", em tradução livre). Depois de entrevistar especialistas na área de diferentes disciplinas, o autor detectou que nosso cérebro passa por mudanças à medida que envelhecemos, se concentrando cada vez menos na ambição, e mais nas conexões pessoais. Na metade da vida, existe uma 'quebra de expectativas' Getty Images/BBC "É uma mudança saudável, mas há uma transição desagradável no meio", diz. Rauch explica a crise dos 40 como uma "quebra de expectativas", uma vez que muitos se dão conta que suas expectativas eram ambiciosas demais. Os jovens cometem um "erro de prognóstico" por superestimar a felicidade de alcançar determinados objetivos. Por outro lado, os mais velhos não têm nas costas o peso dessas expectativas e têm mais habilidade para gerenciar suas emoções. Veja Mais

Caso Belorizontina: como distinguir uma intoxicação alimentar comum de algo mais grave?

Glogo - Ciência Se surgirem quaisquer sintomas é importante procurar um serviço de saúde para fazer uma avaliação do quadro. Apurações iniciais de autoridades de saúde apontam a cerveja Belorizontina como provável origem de síndrome que matou duas pessoas Divulgação/Backer Cervejaria via BBC Os relatos apontam que os primeiros sintomas começaram com dores abdominais, náuseas e vômitos. Eles poderiam ser facilmente associados a uma típica intoxicação alimentar entre alguns moradores de Minas Gerais. No entanto, trata-se de uma grave intoxicação que pode ter levado à síndrome nefroneural, caracterizada por sintomas como insuficiência renal e alterações neurológicas como paralisia da face e problemas na visão. Ministério da Agricultura encontra água contaminada com dietilenoglicol na fábrica da Backer Diretora de marketing da Backer: 'Não bebam a Belorizontina, qualquer que seja o lote' Até o momento, existe a suspeita de que 17 pessoas — 16 homens e uma mulher — possam ter desenvolvido a síndrome. Desses casos, quatro foram confirmados — duas dessas pessoas morreram — e os outros estão sendo analisados. As primeiras notificações sobre a síndrome ocorreram em 30 de dezembro passado, segundo a Secretaria de Saúde de Minas Gerais. Na data, foi relatado o caso de uma paciente com quadro de insuficiência renal aguda e alterações neurológicas. No dia seguinte, houve uma nova notificação sobre a enfermidade, até então desconhecida. A partir de então, logo surgiram outros casos suspeitos. Depois das primeiras notificações, diversos exames foram solicitados e excluíram mazelas como arboviroses, febres hemorrágicas (febre amarela, hantavirose, leptospirose e riquetisioses), infecções bacterianas e fúngicas sistêmicas. O diagnóstico da síndrome veio dias depois dos primeiros registros. As apurações iniciais feitas por equipes da Secretaria de Saúde de Minas Gerais e do Ministério da Saúde apontam que os pacientes tiveram problemas de saúde após consumir a cerveja Belorizontina, da Backer. Os sintomas apontaram intoxicação por dietilenoglicol, um solvente que é utilizado, por exemplo, como aditivo em radiadores. Na tarde desta quarta-feira (15), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou que análises apontaram que a água utilizada pela Backer na fabricação das cervejas estava contaminada – ao menos sete lotes, seis da Belorizontina e um de outra marca da empresa, a Capixaba, foram afetados. O levantamento da pasta apontou que em quatro dos lotes havia, além do dietilenoglicol, a substância monoetilenoglicol, ou etilenoglicol – solvente usado em formulações de fluídos hidráulicos resistentes ao fogo. A principal suspeita é de que as substâncias levaram a quadros de síndrome nefroneural. Especialistas consultados pela BBC News Brasil explicam que a síndrome, de fato, pode levar a quadros graves e até mesmo à morte. Para tentar reduzir os danos, o ideal é que a doença seja descoberta cedo. Mas, afinal, como diferenciar uma intoxicação alimentar comum de algo mais grave? Segundo especialistas, intoxicação alimentar comum passa em algumas horas Getty images via BBC Intoxicação Há algumas características que podem mostrar uma típica intoxicação alimentar. "Nesses casos, são algumas horas, entre três ou seis, em que a pessoa pode passar mal. É uma forma de o organismo se livrar daquilo que lhe faz mal, por meio de vômito ou diarreia", explica o médico toxicologista Eduardo Mello De Capitani, do Centro de Informações e Assistência Toxicológicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Capitani ressalta que é importante buscar ajuda médica se o paciente passar mal repetidas vezes. "É bom procurar um serviço de saúde para fazer uma avaliação e também para a pessoa não ficar desidratada. Principalmente quando a pessoa tem um sintoma como febre, é fundamental procurar ajuda médica", diz. "Mas às vezes é apenas um caso em que a pessoa comeu algo que lhe fez mal. É uma situação que vai ser resolvida após ela vomitar e se hidratar corretamente", completa. No caso específico da cervejaria, especialistas apontam que foi possível perceber que não se tratava de uma intoxicação alimentar simples, principalmente, quando apareceram sintomas como insuficiência renal grave — que pode aparecer em até 72 horas em casos da síndrome — e alterações neurológicas. "Nesses casos como o de Minas, é possível notar problemas além do quadro gastrointestinal, habitual em casos de intoxicação alimentar. A síndrome nefroneural traz, junto com problemas no aparelho digestivo, dificuldades no sistema nervoso central e periférico, além da insuficiência renal", afirma o infectologista Rogério Valls de Souza, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). "No caso da intoxicação alimentar, como é popularmente conhecida, a infecção é causada por alguma bactéria. Mas no caso da intoxicação da cerveja, trata-se de substâncias químicas que não deveriam estar naquele ambiente ou alimento e não poderiam ser consumidos por seres humanos", diz Capitani. O toxicologista lembra que pode ser difícil diagnosticar rapidamente casos de síndrome nefroneural. "Os sintomas específicos da síndrome podem demorar a aparecer. O mal-estar pode, por exemplo, ser confundido com embriaguez. Pode ser difícil para o médico, a princípio, diferenciar. São quadros que podem ter diagnósticos difíceis, por isso é preciso uma avaliação mais aprofundada", declara Capitani. Os médicos apontam que quanto antes houver o diagnóstico e o início do tratamento, mais chances de que a síndrome não traga graves consequências aos pacientes. "Se demorar muito para haver uma intervenção, pode causar quadro de insuficiência renal prolongado, caso neurológico com sequela ou cegueira", diz Souza. Polícia Civil de Minas Gerais encontrou dietilenoglicol em amostras da cerveja Divulgação/Polícia Civil de MG via BBC Cervejas recolhidas Após o início das suspeitas sobre a contaminação das cervejas, o Ministério da Agricultura determinou o recolhimento de todos os produtos da Backer e a suspensão da fabricação das cervejas após apontar que outras marcas da empresa também podem estar contaminadas. Uma força-tarefa foi criada para apurar o caso. Os processos de fabricação das bebidas estão sendo investigados. O ministério informou que há três hipóteses: sabotagem, vazamento ou uso inadequado das moléculas de monoetilenoglicol no processo de refrigeração do sistema de fabricação. Ainda segundo a pasta, a fiscalização apontou um uso elevado de monoetilenoglicol no sistema de refrigeração da cervejaria — a substância é muito utilizada como anticongelante. O levantamento mostrou que 15 toneladas do insumo foram comprados pela empresa desde 2018, com picos em novembro e dezembro passado. "Como a refrigeração é um sistema fechado, em princípio, não haveria justificativa para essa aquisição em grande escala", informou a pasta. A Backer pediu na terça-feira (14), por meio de seus representantes, que os clientes não consumam as cervejas Belorizontina e Capixaba até que o caso seja apurado. A empresa informou ainda que não sabe a origem das substâncias encontradas nos produtos e disse que aguarda as apurações do caso. Initial plugin text Água usada na cervejaria Backer estava contaminada, diz Ministério da Agricultura Veja Mais