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Remédio contra azia é retirado dos EUA e Canadá por suspeita de ingrediente cancerígeno

Glogo - Ciência "Como medida de precaução, a Sanofi vai retirar voluntariamente o Zantac", divulgou a empresa. A empresa farmacêutica francesa Sanofi informou na sexta-feira (18) que estava retirando do mercado dos Estados Unidos e Canadá o Zantac, um medicamento popular contra a azia, após detectar um possível agente cancerígeno na sua composição "Como medida de precaução, a Sanofi vai retirar voluntariamente o Zantac", divulgou a empresa. "Esta medida está sendo tomada devido à possível contaminação com uma nitrosamina chamada N-Nitrosodimetilamina (NDMA)", substância que a Organização Mundial da Salud classifica como um possível cancerígeno. A decisão segue um aviso feito pelas autoridades de supervisão canadenses, explicou a Sanofi, acrescentando que "estão em andamento" avaliações para determinar se a presença da substância potencialmente perigosa existe no medicamento. Grandes redes americanas de farmácias, como CVS e Walgreens, já haviam retirado o Zantac de suas prateleiras, segundo a imprensa local. Veja Mais

A verdade sobre o abuso de drogas na Antiguidade, revelada pela ciência

Glogo - Ciência Referências ao uso recreativo de drogas ao longo da história são escassas – mas, nas últimas duas décadas, novos métodos científicos revelaram mais evidências dessa prática. Imagem de uma versão árabe do século 13 do livro 'Materia Medica', de Dioscórides, em que o médico, farmacêutico e botânico da Grécia antiga está com um discípulo segurando um mandrágora Getty Images As referências ao consumo de drogas na Antiguidade são escassas e isoladas. Quando aparecem, as drogas são mencionadas quase por acaso — e se concentram em aspectos medicinais e religiosos, deixando de lado qualquer alusão ao uso recreativo. Há, no entanto, um comércio internacional de drogas desde 1000 a.C., e a arqueologia se juntou à ciência para desvendar a verdade que parece ter sido cuidadosamente ocultada por escritores antigos e seus subsequentes tradutores. Havia várias maneiras de alterar a realidade nas civilizações antigas do mundo Mediterrâneo, mas duas drogas dominavam: o ópio e a maconha. Uma pesquisa minuciosa, realizada nas últimas duas décadas, começou a revelar padrões no uso dessas drogas — até então desconhecidos inclusive pelos historiadores clássicos do século 20. Aparecimento do ópio Uma das primeiras pistas que os povos antigos consideravam a papoula muito mais do que uma planta bonita vem do seu uso frequente em estátuas e gravuras. Escultura feminina descoberta na ilha de Creta, chamada de 'a deusa da papoula', devido aos ornamentos na cabeça — acredita-se se tratar de uma deusa minoica BBC Os arqueólogos descobriram que, já em 1600 a.C., eram fabricados pequenos frascos na forma de "cápsulas" de papoula, a esfera volumosa que fica sob as pétalas da flor que produz o ópio. O formato dessas cápsulas artificiais tornava razoável supor para que eram usadas, mas até recentemente era impossível ter certeza. Em 2018, a revista científica Science divulgou que o uso de novas técnicas para analisar os resíduos das cápsulas encontradas em escavações revelou que o material de origem vegetal continha não apenas ópio — mas, às vezes, outras substâncias psicoativas. Esses frascos e cápsulas foram encontrados em toda região do Levante, do Egito e Oriente Médio. A uniformidade dos recipientes sugere que faziam parte de um sistema organizado de fabricação e distribuição. A planta feliz Mesmo antes, o ópio era cultivado na Mesopotâmia. Alguns pesquisadores não duvidam que os assírios estavam cientes das propriedades da planta. De fato, o nome assírio da papoula pode ser lido (dependendo de como as tabuletas cuneiformes que a mencionam são interpretadas) como Hul Gil, que significa 'planta feliz'. Também foram encontrados jarros contendo resíduos de ópio nas tumbas egípcias, o que não é surpreendente, uma vez que a papoula foi amplamente cultivada no Egito. Na era clássica, o extrato da planta era conhecido como 'Opium Thebiacum', proveniente da cidade do Egito à qual os gregos deram o nome de Tebas. Outra versão era chamada de 'Opium Cyrenaicum', uma variação ligeiramente diferente da planta, cultivada mais a oeste, na Líbia. 'Poções sutis e excelentes' Há uma passagem muito sugestiva na Odisseia, de Homero, em que Helena de Troia mistura uma droga no vinho que afasta as memórias tristes, a dor e a raiva. "Quem a tomava, naquele dia seria incapaz de derramar lágrimas, mesmo que lhe morresse o pai ou a mãe, mesmo que lhe matassem um irmão ou um filho diante de seus próprios olhos." 'Os Amores de Paris e Helena', de Jacques Louis David (1748-1825) Getty Images Helena, disse Homero, tinha essas "poções sutis e excelentes" pois havia ganhado de Polidamna, esposa de Tom, uma mulher proveniente do Egito, "cuja terra, fértil em trigo, produzia inúmeras drogas, muitas, quando misturadas, eficazes para a cura e muitas para a morte." O nome Tom é significativo, uma vez que os egípcios acreditavam que o deus chamado Thoth havia ensinado à humanidade o uso do ópio, de acordo com Galeno, filósofo e médico da Grécia Antiga. Sonho eterno Já Dioscórides — médico, farmacêutico e botânico da antiga Grécia, autor do livro De Materia Medica (uma enciclopédia da fitoterapia) — descreveu a técnica de colheita: "Aqueles que produzem ópio devem esperar até o orvalho secar para cortar levemente com uma faca ao redor da parte superior da planta. E tomar cuidado para não cortar o interior." O termo 'ópio' deriva do grego 'oppion', que significa 'suco', uma referência ao látex que sai quando se corta a papoula Getty Images "Na parte externa da cápsula, faça um corte para baixo. Quando o líquido sair, use o dedo para colocá-lo em uma colher. Ao retornar mais tarde, é possível colher mais resíduos após engrossar e ainda mais no dia seguinte." Dioscórides também alerta sobre a overdose. "Mata", diz ele sem rodeios. Na verdade, muitos romanos compravam ópio exatamente por esse motivo. O suicídio não era pecado no mundo romano, e muitas pessoas que sofriam com doenças e a velhice optavam por tirar a própria vida com uma onda suave de ópio. Não é muito provável que seja coincidência que as divindades gregas Hipnos — deus do sono — e Tânatos — seu irmão gêmeo, o deus da morte sem violência — sejam representadas com coroas ou ramos de papoulas. Observe o que Hipnos, deus do sono, tem na mão Birmingham Museum of Art O ópio era um sonífero comum, ao mesmo tempo em que o filósofo grego Teofrasto dizia: "do sumo da papoula e da cicuta vem a morte fácil e indolor". Em tablete Os romanos tomavam uma espécie de vinho à base de ópio para combater a insônia e 'mêkonion', uma bebida de folhas de papoula, que era menos potente. O ópio podia ser comprado na forma de pequenos tabletes em postos especializados na maioria dos mercados. Na cidade de Roma, Galeno recomendava um varejista localizado a poucos passos da Via Sacra, perto do Fórum Romano. Papoula: muito além do que uma linda flor Getty Images Na próspera Cápua, os vendedores de drogas ocupavam uma área conhecida como Seplasia — mais tarde, "seplasia" se tornou um termo genérico para drogas, perfumes e cremes que alteravam a mente. Cícero, filósofo romano, faz uma referência irônica a esse fato ao comentar sobre dois dignatários: "Eles não mostraram a moderação geralmente consistente com nossos cônsules... seu andar e comportamento eram dignos da Seplasia". Fábricas de drogas A cannabis tem uma história ainda mais antiga que o ópio. Chegou à Europa antes mesmo de começarem seus primeiros registros, junto com o misterioso povo Yamna, proveniente da Ásia Central. No norte e centro da Europa, a planta está presente há mais de 5 mil anos. Sem dúvida, era apreciada por seu uso na fabricação de cordas e tecidos — mas foram encontrados braseiros contendo cannabis carbonizada, o que mostra que aspectos menos práticos da planta também foram explorados. Uma planta com múltiplos usos e uma longa história. Getty Images Sabe-se que os chineses cultivavam uma cannabis significativamente mais forte que a planta selvagem há pelo menos 2,5 mil anos — e tanto o produto quanto o conhecimento de como produzi-lo teriam percorrido a Rota da Seda. Na cidade de Ebla, localizada onde hoje é a Síria, os arqueólogos descobriram o que parece ter sido uma grande cozinha não muito longe do palácio da cidade, com oito fogões e panelas com capacidade para até 70 litros. Mas não havia vestígios de restos de comida, como costuma acontecer em cozinhas antigas. A análise dos recipientes encontrados deixa poucas dúvidas de que o local era utilizado apenas para a fabricação de produtos farmacêuticos psicotrópicos. Ebla foi um dos primeiros reinos da Síria, estabelecido pela primeira vez por volta de 3.500 a.C. Marina Milella/Decarch Em outras palavras, o mundo antigo possuía fábricas de drogas em larga escala há 3 mil anos. Algumas menções Dioscórides estava familiarizado com a maconha e relatou que o uso excessivo tendia a sabotar a vida sexual do usuário, a ponto de recomendar o uso da droga para reduzir o desejo sexual em indivíduos ou em situações em que esses impulsos poderiam ser considerados inadequados. O filósofo romano Plínio, o Velho, também fala sobre a "erva do riso", que ele diz ser "intoxicante" quando adicionada ao vinho, ao enumerar as propriedades de muitas plantas em seu livro História Natural. Galeno descreve, por sua vez, como a maconha era usada em reuniões sociais para ajudar a trazer "alegria e riso". Meio milênio antes, o historiador grego Heródoto havia escrito sobre algo semelhante. Por que não aparecem nos textos? Parece que os citas, que viviam perto do Mar Negro, combinavam negócios com prazer. A 'erva do riso' levava alegria, mas, ao que tudo indica, também prejudicava a vida sexual se usada em excesso Getty Images Heródoto, que foi um antropólogo extraordinariamente competente, assim como o primeiro historiador do mundo, comenta que eles faziam roupas de cânhamo tão finas que era impossível diferenciá-las das feitas com linho. "Depois, os citas pegam as sementes de cannabis e jogam sobre pedras quentes, onde [queimam] e levantam fumaça", escreveu Heródoto. "Armam uma tenda e ficam embaixo dela, enquanto a fumaça emergia tão densamente que nenhum banho de vapor grego seria capaz de produzir mais. Os citas uivavam de alegria em seu banho de vapor". Essa é uma típica passagem sobre o uso de drogas no mundo antigo. Heródoto era realmente tão ingênuo que não reconheceu a influência da droga? Ou seria um tabu discutir sobre o tema — no mundo clássico ou nos mosteiros, onde os textos antigos eram copiados e preservados? Parece estranho que, embora as descobertas arqueológicas sugiram que o uso recreativo de drogas estava longe de ser incomum na Antiguidade, as referências a essa prática tendam a ser escassas em número e conteúdo. É difícil de encontrar, inclusive, referências ao uso medicinal da cannabis em textos antigos. Mas agora os arqueólogos sabem o que procurar. Por exemplo, uma tumba romana do século 4 d.C. de uma menina de 14 anos que morreu ao dar à luz foi encontrada na década 1990, perto da cidade de Beit Shemesh (próximo a Jerusalém). Acreditava-se que uma substância achada na área abdominal do esqueleto fosse incenso, até que análises científicas revelaram se tratar de tetra-hidrocanabinol (THC), um componente da cannabis. Parece provável que a droga tenha sido usada para aliviar a dor do parto e, finalmente, para ajudá-la a morrer. Quando se trata de drogas no mundo antigo, precisamos ler nas entrelinhas, como é o caso de grande parte da história. Outras seis maneiras como os povos antigos alteravam a realidade Cravagem ou Esporão do centeio Conhecido desde o ano 600 a.C., não era consumido voluntariamente. O fungo era comum no centeio e, às vezes, encontrado em outros cereais. Causava delírio, alucinações e, frequentemente, a morte. Lótus azul Foi imortalizada no livro Odisseia, de Homero, em que Ulisses deve levar sua tripulação à "terra dos comedores de lótus". O alcaloide psicoativo da flor de lótus azul causa leve euforia e tranquilidade, combinadas com um aumento da libido. Mel O mel das flores de rododendro contém neurotoxinas que causam alteração da consciência, delírio e náuseas. Era consumido recreativamente na antiga Anatólia e ocasionalmente por apicultores descuidados em outros lugares. Meimendro-negro Plínio descreveu os efeitos desta planta como semelhante à embriaguez, quando inalada como fumaça ou ingerida. Em geral, era usada como parte de um coquetel alucinógeno para fins mágicos ou medicinais. Beladona Poetas como Ovídio indicam que as bruxas usavam beladona em feitiços e poções. Embora o resultado mais comum após o consumo seja a morte, doses cuidadosamente calculadas podem provocar alucinações que duram dias. Peixe dos sonhos Originário do Mediterrâneo, o Sarpa salpa, também chamado de peixe dos sonhos, é uma espécie de peixe capaz de causar alucinações vívidas, e é possível que tenha sido consumido na Roma antiga. * Philip Matyszak tem doutorado em história romana pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e é autor de vários livros sobre civilização clássica. Veja Mais

Últimos dias

O projeto do primeiro útero artificial, que poderá salvar bebês prematuros

Glogo - Ciência Nos Países Baixos, médicos e designers estão desenvolvendo o primeiro útero artificial para bebês extremamente prematuros. Bebês prematuros poderão ser colocados no útero artificial, explicam cientistas da Holanda BBC Nos Países Baixos, médicos e designers estão desenvolvendo o primeiro útero artificial para bebês extremamente prematuros. "Meu projeto para um útero artificial é feito de de cinco grandes balões onde bebês vão ficar meio que nadando em seus próprios fluidos", explica a designer Lisa Mademaker. "Tubos fazem a circulação de fluidos, de sangue." "Quando eu fazia residência em ginecologia, 27 anos atrás eu sabia que era possível fazer isso", diz Guid Oei, ginecologista, do Centro Médico Máxima e responsável pelo projeto. "A principal diferença é que o útero artificial é preenchido com líquido. Uma incubadora é preenchida com ar, que é um ambiente inóspito para bebês extremamente prematuros", afirma. "O ar machuca os pulmões em formação." Cientistas da Holanda estão trabalhando para produzir útero artificial em labortório BBC Ele explica que o bebê prematuro será colocado no aparelho imediatamente após o parto, e conectado a uma placenta artificial. "O útero artificial é um ambiente líquido preenchido com água e vários tipos de minerais. Então o bebê recebe oxigênio e nutrientes através do cordão umbilical. Assim como quando ele está em seu ambiente natural", afirma Oei. Segundo ele, o bebê cresce e depois de quatro é feito um 'segundo parto'. "Isso poderia salvar muitas vidas", diz. Por ano, cerca de 15 milhões de bebês nascem prematuros no mundo todo. Cerca de metade dos que nascem mais prematuros morrem. "Ainda não sabemos nada sobre consequências de curto e longo prazo para os bebês. Esse projeto vai demorar cerca de cinco anos até começarmos a usar o útero artificial em bebês humanos", explica o médico. Veja mais sobre o útero artificial no vídeo. Veja Mais

Técnica pioneira contra câncer vai estar no SUS? Saiba como 4 novos pacientes serão decisivos no estudo

Glogo - Ciência Terapia utilizada em homem de 64 anos com linfoma em fase terminal, deve ser reproduzida em mais quatro pacientes até o primeiro semestre do ano que vem. Pesquisa da USP-Fapesp criou método 100% brasileiro para aplicar técnica norte-americana CART-Cell, que ainda não tem data para ser disponibilizada na rede pública de saúde. Conquista da ciência brasileira reverte quadro de paciente com câncer agressivo O tratamento que levou à remissão de um linfoma em fase terminal no mineiro Vamberto Luiz de Castro deverá ser aplicado em mais quatro pacientes até julho de 2020, afirma um dos pesquisadores do grupo responsável pela criação de técnica de terapia genética pioneira no país. "Minha expectativa é que até o primeiro semestre de 2020 vamos ter realizado pelo menos mais 4 tratamentos compassivos", disse ao G1 o hematologista Eduardo M. Rego, que é pesquisador do Centro de Terapia Celular (CTC-Fapesp-USP), entidade que concentrou as pesquisas. Paciente livre de tumores acredita em misto de religião e ciência em seu tratamento "Inacreditável", diz esposa de paciente Eduardo M. Rego, que também é professor da Faculdade de Medicina da USP e coordena o setor de hematologia do grupo Oncologia D’OR, explica que os próximos passos para esta descoberta incluem ainda a realização de um estudo clínico, que deve durar dois anos e ter um grupo maior de pacientes – ele não define prazos. A expectativa é que, junto com o acompanhamento de Vamberto, os resultados que virão a ser obtidos com os próximos quatro pacientes também sirvam para guiar os próximos passos no estudo. "No estudo clínico é onde poderemos testar a eficácia e a segurança do tratamento. Tem que garantir que ele é eficaz e seguro, a partir daí podemos pleitear que essa estratégia seja incorporada ao SUS, mas aí vai entrar uma discussão de orçamento, que a gente não controla.", ressaltou Rego. O linfoma é um câncer que afeta as células do sistema linfático, que é uma parte importante do sistema imunológico, ou seja, o sistema de defesa do nosso organismo que ajuda a combater infecções. No linfoma, essas células passam a se proliferar de forma descontrolada. Se as etapas de estudos e pesquisas continuarem a se manter promissoras, o coordenador do CTC Dimas Tadeu Covas, avalia que o tratamento pode ser adotado em larga escala com adaptações nos laboratórios de produção. “Os investimentos necessários para ampliação da capacidade produtiva são de pequena monta, da ordem de R$ 10 milhões”, afirma Covas. Próximos passos O primeiro paciente a estar “virtualmente” curado do câncer a partir desta técnica ainda segue em tratamento com algumas medicações e faz sessões de fisioterapia para reabilitação após ficar 40 dias internado. O mineiro Vamberto receberá o diagnóstico final de cura após cinco anos de acompanhamento da equipe médica. Nos próximos meses, os pesquisadores esperam poder realizar mais quatro tratamentos no CTC. De acordo com o hematologista Eduardo M. Rego, todos serão feitos até o fim do primeiro semestre de 2020. Este passo será realizado apenas em formato compassivo, com pacientes que não tenham mais nenhuma opção de tratamento. Após estes pacientes, o grupo pretende abrir um protocolo de pesquisa clínica que atenderá mais pacientes em um prazo de dois anos. Depois deste período é que apresentarão os resultados do estudo para a Anvisa, que irá decidir se o tratamento poderá ou não ser liberado no país em escala. Manchas pretas no exame são tumores. O primeiro foi realizado há um mês, quando o paciente chegou ao hospital. Nesta semana, o resultado do exame mostra que a maioria das manchas desapareceu, e as que restam sinalizam a evolução da terapia. Reprodução/Fantástico 100 % brasileira Renato Luiz Cunha, outro dos responsáveis pelo estudo, explicou ao G1 que a terapia genética consegue modificar células de defesa do corpo para atuarem em combate às que causam o câncer. "As células vão crescer no organismo do paciente e vão combater o tumor", disse Cunha. "E desenvolvemos uma tecnologia 100% brasileira, de um tratamento que nos EUA custa mais de R$ 1 milhão. Esperamos que ela possa ser, no futuro, acessível a todos os pacientes do SUS." O tratamento ainda não está liberado na rede pública ou privada de saúde, por isso, Cunha explicou que, para que o estudo pudesse ter atendido a um paciente no hospital universitário, seu encaminhamento foi aprovado por uma comissão de ética. Um porta-voz do Ministério da Saúde disse ao G1 que a pasta não comenta sobre pesquisas em andamento, mas explicou que antes de ser disponibilizado na rede SUS, o tratamento precisa passar "por uma série de comissões" que avaliam os riscos e a segurança dos pacientes e tem que ser aprovado pela Anvisa. Tratamento complexo Dimas Tadeu Covas, que coordena o Centro de Terapia Celular do HC de Ribeirão, disse ao G1 que o procedimento poderá ser reproduzido em outros centros de excelência do país, mas não dá datas. Isso porque, segundo ele, depende de laboratórios controlados com infraestrutura adequada. "Devido à complexidade do tratamento, ele também só pode ser feito em unidades hospitalares com experiência em transplante de medula óssea", disse o pesquisador. "Isso porque, durante o processo, a imunidade é comprometida. O paciente tem que ficar isolado, não pode ficar exposto. Não são todos os hospitais que podem fazer esse tipo de tratamento. Além disso a terapia tem efeitos colaterais." A resposta imune progressiva pode causar febres altas, náuseas e dores musculares. Os pesquisadores não eliminam o risco de morte, e reconhecem que a forte baixa no sistema imunológico traz um potencial fatal para alguns pacientes. Terapia genética A estratégia da CART-Cell consiste em habilitar células de defesa do corpo (linfócitos T) com receptores capazes de reconhecer o tumor. O ataque é contínuo e específico e, na maioria das vezes, basta uma única dose. Entenda como funciona a terapia genética CART-Cell Roberta Jaworski/Arte G1 Initial plugin text Veja Mais

Estudo aponta presença de metais pesados em comidas de bebê nos EUA

Glogo - Ciência Foram encontrados rastros de arsênico e chumbo em 1 a cada 4 alimentos industrializados para o público infantil no país norte-americano; quase todas as amostras apresentaram traços de ao menos um metal tóxico. Alimentos para bebês nos EUA apresentaram traços de metais pesados em sua composição Pexels Papinhas de bebê, biscoitos e sucos artificiais nos Estados Unidos podem estar contaminados por metais pesados. De acordo com uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (17), foram encontradas uma ou mais substâncias tóxicas como arsênico, chumbo, cádmio, grafite e mercúrio em 95% dos alimentos analisados. O levantamento foi feito pela organização Healthy Babies Bright Futures (HBBF), que alertou para os riscos do acúmulo destes metais para o desenvolvimento da atividade cerebral dos pequenos. Nenhuma das marcas analisadas atuam no mercado brasileiro. Em 2017, a agência norte-americana de vigilância sanitária (FDA) pediu aos fabricantes que fossem reduzidas ao "menor grau possível" a exposição dos alimentos a estes metais. Segundo a HBBF, em uma década, a presença de arsênico em produtos derivados de arroz reduzir em até 63%. Foram analisados 168 alimentos de 61 marcas locais. A cada 20 amostras, em 19 foram registrados níveis perceptíveis de ao menos um metal pesado. Arroz é vilão Os alimentos foram separados em cinco grupos: Snacks/lanchinhos: biscoitos e barrinhas Alimentos para dentição: biscoitos mais rígidos e biscoito de arroz Cereais: cereais matinais Bebidas: leite, suco de maçã e iogurte Frutas/vegetais: papinhas e frutas amassadas Os "snacks", ou lanchinhos, foram os que apresentaram maior concentração de metais pesados. Seguidos de perto por produtos derivados de leite. A HBBF alertou para o consumo dos produtos derivados de arroz, como cereais e biscoitos. De acordo com o estudo, eles apresentaram alta concentração de arsênico orgânico, variação mais tóxica desta substância. Alimentos aparentemente saudáveis a base de cenoura e batata doce, por exemplo, entraram na lista de risco de exposição a metais pesados por ter sido encontrado traços de arsênico e grafite em sua mistura. Veja Mais

Como mudar sua dieta pode proteger o planeta

Glogo - Ciência Estudo examina os hábitos alimentares em 140 países para medir o impacto que produção e consumo de comida têm sobre as questões climáticas. Uma conclusão: os europeus têm que dar o exemplo. Alimentação saudável pode ajudar a preservar o planeta, diz ONU Unsplash O dia 16 de outubro marca o Dia Mundial da Alimentação, data lembrada todos os anos pela FAO, a agência das Organização das Nações Unidas (ONU) para agricultura e alimentação. A data não trata apenas do combate à fome: ela também se concentra em encontrar maneiras de alimentar a humanidade e, ao mesmo tempo, preservar o planeta. É um apelo à ação em todos os setores para tornar dietas saudáveis e sustentáveis mais acessíveis a todos. Mas como alcançar isso? Uma maneira seria introduzir maneiras diferentes de os países adaptarem seu hábitos alimentares. Essa foi a principal conclusão de um estudo recente dos pesquisadores do Johns Hopkins Center for a Livable Future (centro para um futuro viável), sediado nos Estados Unidos. Falta de acesso à alimentação de qualidade causa obesidade e subnutrição Glúten é vilão do intestino? Saiba quando a proteína precisa ser cortada do cardápio Uma mudança-chave que precisa acontecer seria mudar na Europa e nos EUA a cultura de uma dieta baseada em carne e laticínios, disse à DW Martin Bloem, coautor do estudo Mudanças dietéticas especificamente nacionais para mitigar as crises climáticas e hídricas: "A situação para os países mais pobres não é a mesma dos países de alta renda, e as soluções para os países de alta renda são muito mais simples." A criação de gado é responsável por quase 15% das emissões globais de gases de efeito estufa, segundo a FAO. O gado é o maior culpado. Criados tanto para a carne bovina quanto para o leite, eles representam cerca de 65% das emissões do setor pecuário, seguidos pela carne suína (9%), leite de búfala (8%) e aves e ovos (8%). Subproduto da digestão das vacas, o metano (CH4) é responsável pela maior parte das emissões do gado e, estima-se, é pelo menos 25 vezes potencialmente mais causador do efeito estufa do que o dióxido de carbono (CO2). O gado também é responsável por outras emissões de gases do efeito estufa, como o óxido nitroso (N20) e dióxido de carbono, principalmente devido à produção de ração, que muitas vezes envolve grandes aplicações de fertilizantes à base de nitrogênio. Combate à fome Criança em estado agudo de desnutrição recebe atendimento dos Médicos Sem Fronteiras no Sudão do Sul, em foto de outubro de 2016 Albert Gonzalez/AFP Segundo o estudo, porém, com mais de 800 milhões ainda passando fome no mundo, o impacto no clima não poder ser o único guia para o que as pessoas comem. Alimentos de origem animal, especificamente leite e ovos, são uma fonte valiosa de proteína e nutrientes, especialmente para crianças pequenas e mulheres grávidas. "Alguns países, como a Indonésia, Índia e a maioria dos africanos, podem precisar aumentar drasticamente suas emissões de gases de efeito estufa e o uso da água, porque têm de combater a fome e a deficiência de crescimento", explica Bloem. Lá ainda há uma taxa de 40% de nanismo entre crianças, um efeito colateral da desnutrição. Essa deficiência de crescimento também tem um grande impacto de longo prazo sobre as habilidades cognitivas das crianças. "É irreversível aos dois anos de idade, de modo que o nanismo tem enormes implicações para o capital humano desses países. Por isso é muito importante prevenir essa deficiência, e precisamos de alimentos de origem animal para isso", diz Bloem. "Não podemos manter isso fora da equação quando falamos de proteção climática.” Uma solução, de acordo com Bloem, seria fortalecer certos produtos, como os cereais, o que contribuiria para reduzir a necessidade de alimentos de origem animal. É uma prática já em uso em muitos países desenvolvidos, mas até agora pouco aplicada pelos mais pobres. Peixe pode ser a resposta Os pescados são consideradas boas alternativas às carnes e laticínios Caroline Attwood/Unsplash Uma das principais conclusões do estudo mostra que uma dieta em que as proteínas provenham predominantemente de animais dos primeiros níveis da cadeia alimentar – como peixes pequenos e moluscos – cujo impacto ambiental é quase tão baixo como numa dieta vegana. "Os peixes pequenos são realmente fundamentais para os pobres, particularmente na África e na Ásia, onde são uma das principais fontes de proteína e cálcio, já que a ingestão de leite é muito baixa nesses países", diz Bloem. "Mas 80% de todo o peixe produzido hoje em dia vem da Ásia e é importado para a Europa e EUA. E a ração para alguns desses peixes maiores que importamos são na verdade peixes menores, implicando privar os mais pobres dessa fonte vital de proteína e cálcio." Os pesquisadores também concluíram que uma dieta que envolve a redução do consumo de alimentos animais em dois terços geralmente tem uma pegada climática mais baixa do que a dieta vegetariana lacto-ovo mais tradicional. Outra conclusão do estudo é que a produção local nem sempre é a melhor opção do ponto de vista da proteção climática. Criação de gado é um dos principais poluentes na produção de alimentos Unsplash A produção de de carne bovina no Paraguai, por exemplo, gera quase 17 vezes mais gases de efeito estufa do que a produção do produto na Dinamarca. Muitas vezes, essa disparidade se deve ao desmatamento para criação de pastos, segundo o estudo. "O país de origem de um alimento pode ter enormes consequências para o clima", diz Bloem. "Na Europa, o solo é muito mais fértil, por exemplo, o que torna a produção mais eficiente. Portanto o comércio internacional pode ser bom para o clima, se os alimentos forem produzidos em locais onde o impacto climático é menor", mesmo considerando o fator transporte. O estudo conclui que os países de renda média e baixa precisam ser guiados e apoiados pelos desenvolvidos, a fim de evitar erros ambientais pelos quais o planeta já está pagando. "Precisa haver uma estreita colaboração entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. É um problema de todos. Estamos todos juntos nisso", alerta Bloem. É preciso contextualizar Mas, apesar dos resultados, uma das principais conclusões do relatório é que nem sempre há respostas diretas: o contexto de compreensão é vital para encontrar uma solução, de acordo com Bloem. "Por isso realizamos análises em todos esses diferentes países, para que se possa ver qual é a melhor saída para cada país lidar individualmente com dietas e questões de saúde, bem como clima e sustentabilidade." Dietas com ênfase vegetal são recomendadas pela ONU em estudo Celso Tavares/G1 Ao fim, o estudo apresenta nove dietas de ênfase vegetal, que vão desde não comer carne vermelha nem produtos derivados de animais (vegana) até um tipo de semivegetarianismo que inclui frutos do mar. As sugestões individuais de dieta serão agora apresentadas aos formuladores de políticas em cada país, fornecendo-lhes os dados e informações necessários para desenvolver estratégias nacionais apropriadas. Ao mesmo tempo, o estudo exorta a população ocidental a fazer mais. Os baby-boomers do mundo desenvolvido, por exemplo, emprega em média menos de 10% de sua renda em alimentos, enquanto a mesma geração em países pobres como Nigéria, Quênia e Bangladesh gasta entre 50% a 60%. "Portanto não há espaço para eles fazerem melhor. Mas nós, no mundo ocidental, podemos pagar mais pelos nossos alimentos, para que possamos pagar pelas consequências não intencionais”, conclui Martin Bloem. Veja Mais

Amapá confirma 1º caso de sarampo após 22 anos, diz Vigilância

Glogo - Ciência Vítima foi mulher de 32 anos que disse não ter saído do estado, mas que pode ter tido contato com visitantes de estados do Nordeste. Manchas vermelhas pelo corpo são sintoma de sarampo Febrasgo.org/Divulgação A Superintendência de Vigilância em Saúde confirmou nesta quarta-feira (16) o registro de um caso de sarampo no Amapá após duas décadas. A vítima foi uma mulher de 32 anos que apresentou os sintomas em agosto, mas como o estado não registrava pacientes desde 1997, foram feitos vários exames, inclusive na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que atestaram a doença. O caso foi registrado em Macapá e durante a investigação a mulher, que não teve complicações, informou que não deixou o estado, mas acreditava ter tido contato com visitantes de estados do Nordeste, como Maranhão e Ceará, que registraram casos. Desde maio, segundo boletim do Ministério da Saúde, foram mais de 5,1 mil registros de sarampo em 18 estados e o Distrito Federal, sendo mais de 4,3 mil deles em São Paulo. O registro do 1º caso de sarampo após 22 anos acontece a poucos dias antes do Dia D de vacinação contra a doença, que acontece neste sábado (16). O público-alvo são crianças de 6 meses a 5 anos de idade que devem ser levadas a um posto de saúde pelos pais ou responsáveis. A expectativa da Central de Imunização do estado é vacinar 78 mil crianças, sendo 44 mil apenas na capital Macapá. 16 dúvidas sobre o surto e a vacinação do sarampo Assista aos vídeos do telejornal com as notícias do Amapá. Veja Mais

Deputados da França aprovam extensão da reprodução assistida a solteiras e lésbicas

Glogo - Ciência Debate sobre o projeto durou mais de 80 horas, e proposta obteve 359 votos a favor e 114 contra. Painel mostra resultado de votação na Câmara sobre reprodução assistida a mulheres lésbicas e solteiras Christophe Archambault/AFP Deputados da França aprovaram nesta terça-feira (15) um projeto de lei de bioética que estende os direitos de reprodução assistida às mulheres solteiras e lésbicas. O texto ainda prevê novos direitos para as crianças nascidas de doações de esperma. O projeto de lei foi aprovado em primeira instância na Câmara francesa, por 359 votos a favor, 114 contra e 72 abstenções, após mais de 80 horas de intensos debates. O texto será examinado no Senado em janeiro. "Trata-se de um texto equilibrado, às vezes progressista, às vezes conservador [...], que não compromete nenhum dos princípios éticos aos quais nosso país está apegado", declarou antes da votação a ministra da Saúde, Agnès Buzyn. A foto, de julho de 2016, mostra um casal de mulheres se abraçando durante a marcha do Orgulho Gay em Paris, na França. Thibault Camus/AP Além da abertura da reprodução médica assistida a todas as mulheres, o texto prevê uma reforma de filiação para os filhos de mães lésbicas e do acesso às origens para crianças nascidas de esperma doado. A medida autoriza também o congelamento de óvulos, atualmente proibido na França com exceção de certos casos médicos (câncer ou endometriose), e a pesquisa com células-tronco embrionárias. O texto recebeu o apoio da grande maioria dos deputados do partido majoritário LREM (A República em Marcha, de centro, situação) e do MoDem (de centro, aliado do governo), assim como dos socialistas, comunistas e outras alas da esquerda. Os deputados LR (Os Republicanos, conservadores), que se pronunciaram a favor do direito de cada filho a ter um pai, votaram em sua maioria contra a lei. Além deles, a líder do partido nacionalista Reunião Nacional, Marine Le Pen, disse antes da votação que não aprovaria o texto "tal como está". Para esta lei que aborda vários temas delicados, ou que em alguns casos dizem respeito à vida pessoal, cada grupo político autorizou a liberdade de voto. 'Equilíbrio' Deputados franceses votam sobre estender direito a reprodução assistida a mulheres solteiras e lésbicas Christophe Archambault/AFP O artigo mais emblemático desta lei e que centrou a maior parte dos debates é a extensão do direito à reprodução médica assistida aos casais de lésbicas e às mães solteiras, uma promessa de campanha do presidente Emmanuel Macron e de seu antecessor, o socialista François Hollande. Esta reforma deve permitir "abrir os olhos sobre o que é a família francesa contemporânea (...), que tem diferentes formas", declarou a ministra da Saúde, Agnès Buzyn, uma das três responsáveis, com seus colegas da Justiça e da Pesquisa, em redigir o projeto de lei. Segundo o governo, o texto mantém "um equilíbrio entre o respeito da dignidade humana, a liberdade de escolha de cada um e a solidariedade entre todos". Atualmente, a lei só autoriza a reprodução médica assistida a casais heterossexuais, mediante fecundação in vitro ou inseminação artificial em caso de esterilidade. Segundo estimativas, a extensão deste direito representaria um custo adicional de 15 milhões de euros à seguridade social. De acordo com uma pesquisa Ifop de setembro, cerca de 70% dos franceses são favoráveis a que todas as mulheres tenham esse direito. No começo de outubro, mais de 70 mil pessoas se manifestaram em Paris contra a ampliação do direito à reprodução assistida, sete anos depois das mobilizações contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, que foi aprovado em 2013. Um novo dia de mobilização em todo o país está previsto para novembro. Vários deputados de direita denunciaram incansavelmente nas últimas semanas um "efeito dominó", temendo que o próximo passo seja a aprovação da barriga de aluguel, apesar das negativas do governo. O governo francês espera que a lei de bioética seja aprovada antes do próximo verão, em meados do ano que vem. Veja Mais

Uso de antidepressivos depois dos 65 anos vem aumentando

Glogo - Ciência Estudo do Reino Unido também mostra que foi pequena a mudança no número de idosos diagnosticados com a doença A proporção de idosos acima dos 65 anos que fazem uso de antidepressivos mais do que dobrou nas últimas duas décadas. No entanto, o número de pessoas mais velhas diagnosticadas com depressão não teve oscilação dessa magnitude. Talvez, portanto, não estejamos resolvendo nenhum problema, e sim nos medicando cada vez mais. O estudo resultou de uma parceria das universidades de Cambridge, East Anglia, Newcastle e Nottingham, todas no Reino Unido, e foi publicado no “British Journal of Psychiatry”. Os dados são tão volumosos que, mesmo se referindo a britânicos, valem para nossa reflexão. A professora Carol Brayne, da Universidade de Cambridge: preocupação com a interação de antidepressivos e outras medicações Divulgação: Cambridge University Os pesquisadores se basearam em levantamentos realizados entre 1991 e 1993 e entre 2008 e 2011, nos quais foram entrevistadas mais de 15 mil pessoas na Inglaterra e no País de Gales. No primeiro período analisado, 4.2% dos idosos usavam antidepressivos, enquanto, 20 anos depois, esse percentual pulou para 10.7%. Em relação à ocorrência da doença, nos anos de 1990, o contingente afetado girava em torno de 7.9%, tendo baixado para 6.8%. Nas duas fases do estudo, a enfermidade era mais comum entre as mulheres. O professor Antony Arthur, pesquisador de East Anglia, lembrou que a depressão afeta a qualidade de vida no mundo inteiro, mas que ainda não há muitas informações relacionadas aos idosos. “A depressão atinge uma em cada 15 pessoas acima dos 65 anos e isso impacta o indivíduo e sua família. Houve uma mudança pequena na prevalência da doença, mas a proporção de pacientes tomando antidepressivos teve um salto. Isso pode ter sido provocado não só pelo diagnóstico correto, mas também por um excesso de prescrições ou utilização da medicação para outras condições de saúde. Qualquer que seja a explicação, esse aumento substancial não reduziu a depressão na população acima dos 65 anos”, afirmou. Os participantes foram ouvidos sobre as atividades diárias, os cuidados com a saúde e remédios que tomavam. Os questionários tinham ainda o objetivo de averiguar a existência de depressão entre os entrevistados. A professora Carol Brayne, do Instituto de Saúde Pública da Universidade de Cambridge, comentou: “enquanto o número de casos de demência vem caindo, esse novo trabalho mostra que a depressão não apresentou redução, mesmo com a utilização dramaticamente aumentada de medicamentos. O quadro nos traz preocupação, dado o potencial de efeitos adversos da combinação de medicações diferentes em idosos”. Para o professor Antony Arthur, o quadro merece atenção: “as causas e os fatores que perpetuam a depressão, além das melhores práticas para administrar a doença, continuam sem o endereçamento devido”. Veja Mais

Paciente com remissão de câncer terminal já está em casa, em BH, após tratamento inédito no Brasil

Glogo - Ciência O mineiro Vamberto Luiz de Castro, de 64 anos, tinha linfoma e tomava morfina todo dia. Neste domingo (13) recebeu alta do hospital e está "virtualmente" curado. Pesquisadores brasileiros criaram método 100% nacional para a aplicação de técnica norte-americana CART-Cell, que pode custar mais de US$ 475 mil. Vamberto é funcionário público aposentado de BH e sofria de um linfoma terminal Hugo Caldato/Hemocentro RP "Hoje, o que eu quero de verdade é que aconteça para todas as pessoas que passam por isso o que aconteceu com a gente". Este é o sentimento de Rosemary Castro, mulher de Vamberto Luiz de Castro, de 64 anos. O funcionário público aposentado é o paciente que está "virtualmente" curado após apresentar melhoras com um tratamento inédito na América Latina, baseado em uma técnica de terapia genética descoberta no exterior e conhecida como CART-Cell. Vamberto estava em fase terminal de um linfoma nos ossos. O casal e o filho chegaram em Belo Horizonte neste domingo (13), após ficaram 40 dias no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP). O Fantástico acompanhou a saída do casal do hospital. Vamberto Castro, de 64 anos, deixa o hospital em Ribeirão Preto com a mulher, Rosemary, após tratamento inédito na América Latina Reprodução/TV Globo "Deram alta mais rápido do que a gente esperava e ainda conseguimos um voo para mais cedo", contou Rosemary. Rosemary disse, nesta segunda-feira (14), que Vamberto se recupera em casa e "está muito bem". Como perdeu bastante peso e ficou deitado muitos dias, a partir de agora ele terá que fazer a recuperação do peso e exercícios de fisioterapia para a mobilidade voltar ao normal. A mulher dele contou que o filho descobriu que pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estavam trazendo para o Brasil a terapia genética descoberta no exterior. "Era o único lugar que tinha esse tratamento. Foi tudo pelo SUS. E tivemos a sorte de ele ter todas as características para fazer o tratamento", disse Rosemary. Rosemary Castro, mulher de Vamberto Castro, que está 'virtualmente' curado de um linfoma após tratamento inédito na América Latina Reprodução/TV Globo Muito alegre e aliviada, a mulher falou sobre a importância de o governo incentivar esse tipo de pesquisa para que mais pessoas também tenham a oportunidade de cura. "Todo mundo merece essa chance que a gente teve", completou. O casal tem, além do filho, uma filha e um neto. E agora, com a família completa e reunida novamente em casa, Rosemary espera que a recuperação do marido seja ainda mais rápida. Conquista da ciência brasileira reverte quadro de paciente com câncer agressivo O tratamento Imagens de exames realizados pela equipe de médicos mostram e evolução do tratamento. Há um mês, o corpo do paciente estava tomado por tumores. Para receber a alta, novos exames mostraram que a maioria deles desapareceu. O médico Renato Cunha, um dos responsáveis pela terapia, confirmou ao G1 que Castro saiu do hospital no final de semana e que já voltou para Belo Horizonte. O aposentado de 64 anos deverá ser acompanhado por cinco anos até poder ser considerado curado da doença. Entenda o tratamento em 7 pontos: Em 9 de setembro, Vamberto foi hospitalizado; apresentava quadro de linfoma em fase terminal Tratamento com base em técnica CART-Cell nunca tinha sido feito no Brasil Técnica modifica células para combater tumores Custo do tratamento nos EUA chega a US$ 475 mil Em pouco mais de um mês paciente apresentou remissão da doença Será acompanhado durante 5 anos até o diagnóstico de cura Técnica foi desenvolvida no Brasil com financiamento público Os médicos e pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC-Fapesp-USP) do Hemocentro, ligado ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, apontam que o paciente está "virtualmente" livre da doença. Os pesquisadores da USP - apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) - desenvolveram um procedimento próprio de aplicação da técnica CART-Cell. Perspectivas para o SUS Dimas Tadeu Covas, que coordena o Centro de Terapia Celular do HC de Ribeirão, disse que o procedimento poderá ser reproduzido em outros centros de excelência do país, mas não dá datas. Isso porque, segundo ele, depende de laboratórios controlados com infraestrutura adequada. "Devido à complexidade do tratamento, ele também só pode ser feito em unidades hospitalares com experiência em transplante de medula óssea", disse o pesquisador. "Isso porque, durante o processo, a imunidade é comprometida. O paciente tem que ficar isolado, não pode ficar exposto. Não são todos os hospitais que podem fazer esse tipo de tratamento. Além disso a terapia tem efeitos colaterais." A resposta imune progressiva pode causar febres altas, náuseas e dores musculares. Os pesquisadores não eliminam o risco de morte, e reconhecem que a forte baixa no sistema imunológico traz um potencial fatal para alguns pacientes. Veja Mais

A misteriosa civilização que ocupou a Arábia Saudita há 2 mil anos

Glogo - Ciência Uma equipe de 60 especialistas quer descobrir mais sobre a cultura dos nabateus no deserto de Al Ula; é a primeira vez que um território desconhecido tão extenso da Península Arábica é investigado com métodos científicos. A misteriosa civilização que ocupou a Arábia Saudita há 2 mil anos Richard Duebel Os desertos rochosos de Al Ula, no noroeste da Arábia Saudita, são conhecidos por seus céus escuros, que permitem aos observadores de estrelas estudar facilmente corpos celestes sem o problema da poluição de luz. Mas a região também atrai arqueólogos que buscam fazer o primeiro levantamento aprofundado da região, que tem aproximadamente o tamanho da Bélgica, em uma tentativa de conhecer mais sobre uma civilização misteriosa que já viveu ali. Uma cultura há muito perdida, a civilização nabateia habitou o norte da Península Arábica e o sul do Levante entre o século 4 a.C. até 106 d.C. Os nabateus governavam seu império na deslumbrante cidade de Petra, na Jordânia, mas fizeram de Hegra, hoje conhecida como Mada'in Saleh, em Al Ula, sua segunda capital. Seu status de civilização independente terminou com sua conquista pelo imperador romano Trajano. Os nabateus tinham uma sofisticada tradição arquitetônica, influenciada pelos mesopotâmicos e gregos. Eles esculpiram fachadas de templos e túmulos em falésias rochosas e deixaram para trás sofisticados monumentos em pedra – mas muitos locais permanecem inexplorados. Uma grande equipe internacional de mais de 60 especialistas começou a trabalhar em um projeto que durará inicialmente dois anos para pesquisar a área de 3,3 mil km², que foi habitada pelos nabateus por 200 anos, a partir de 100 a.C.. É a primeira vez que uma área tão grande de território mais ou menos cientificamente desconhecido é sistematicamente investigada. Pesquisa pode colocar Arábia Saudita no mapa da história antiga Tumba de Madain Saleh, em al-Ula, na Arábia Saudita, em foto de arquivo de 10 de fevereiro de 2019 Stephen Kalin/Reuters Escavações são realizadas há algum tempo em Mada'in Saleh e outros locais reconhecidos como nabateus por arqueólogos sauditas, incluindo Abdulrahman Alsuhaibani, professor da Universidade King Saud. "Eu me concentrei nas civilizações dedanita e lihyanita", explica ele. "Agora que a Comissão Real de Al Ula está envolvida, será possível realizar um trabalho para entender mais profundamente como sociedades primitivas evoluíram." O envolvimento da Comissão Real garante que tecnologia de ponta esteja à disposição dos arqueólogos. Embora o serviço Google Earth e o olho treinado de especialistas permitam frequentemente distinguir características naturais e artificiais, aeronaves leves equipadas com câmeras especializadas que oferecem imagens mais detalhadas do território permitirão identificar características arqueológicas até então desconhecidas. Segundo Rebecca Foote, arqueóloga americana responsável pela pesquisa da Comissão Real de Al Ula, os esforços anteriores se concentraram na escavação, porque uma pesquisa sistemática nesta escala requer tempo e recursos que estão disponíveis apenas agora. Ela acredita que o escopo do empreendimento colocará a Arábia Saudita em evidência quando se trata da história antiga. "Sabe-se muito do primeiro ao terceiro milênio antes de Cristo e estamos bem informados sobre o Egito antigo e a Mesopotâmia", ela reconhece. "Mas descobriu-se relativamente pouco sobre a Península Arábica nos tempos antigos. Ainda não sabemos exatamente como nossas descobertas terão impacto sobre a compreensão da história antiga. Mas é provável que reformulem a visão do mundo nestes períodos." Foote passou muitos anos trabalhando em Petra, que continua a ser o monumento mais conhecido deixado pela civilização nabateia. Ela diz que a arqueologia aérea será a chave para explorar a arquitetura funerária desta cultura, monumentos e locais mais incomuns que, de outra forma, levariam anos para serem investigados. "A tecnologia agora permite ter uma visão geral confiável e abrangente. Nada disso foi feito antes nesta escala", explica ela. Enquanto escavações anteriores lideradas pela França revelaram uma rede de comércio de incenso que percorria o lado oeste da península, passando por Al Ula, Foote quer aprender mais sobre o papel da água na prosperidade da região. "Podemos imaginar que eles tinham uma economia agrícola bem-sucedida, mas havia cobrança de impostos sobre o incenso? Como administravam sua água?" Tecnologia de ponta ajuda a fazer descobertas arqueológicas Initial plugin text Com o estudo da hidrologia prestes a começar, as respostas devem começar a surgir, graças em parte ao trabalho da equipe de arqueologia aérea, que ajuda a identificar locais específicos. Voando entre 600 e 900 metros de altura, o grupo de pesquisa liderado por Jamie Quartermaine, da organização Oxford Archaeology, já cobriu metade dos 11,5 mil locais previstos. Conhecido como pesquisa preventiva, esse trabalho geralmente é realizado para garantir que não sejam erguidas construções próximo de sítios arqueológicos. "Aprendemos com os erros de outros países e estamos investindo para evitar danos aqui", diz Quatermaine. A pesquisa também ajuda a fornecer respostas para especialistas de áreas como arte rupestre. "Mesmo há cinco anos, o GPS não era suficientemente preciso. Hoje, estamos usando vários métodos diferentes de fotografia, incluindo drones, câmeras suspensas em aeronaves leves e ortofotografias aéreas de ponta", afirma Quatermaine. A ortofotografia produz uma representação fotográfica de uma superfície terrestre, no qual todos os elementos apresentam a mesma escala, livre de erros e deformações. Com câmeras posicionadas a 45º, essa técnica gera uma imagem a cada dois ou três segundos e produz assim milhares de fotos que permitem medir distâncias reais após serem realizados correções topográficas. Um software especializado as combina em um modelo detalhado e de alta resolução da paisagem. Até agora, já foram encontrados desta forma locais e estruturas funerárias da Idade do Bronze. Além disso, os drones são usados ​​com câmeras posicionadas na mesma angulação. "Isso nos permite ver não apenas o plano horizontal, mas até certo ponto o vertical. Estamos cientes de que podemos encontrar arte rupestre em locais específicos", diz Quatermaine. Na etapa final da pesquisa, membros de equipes especializadas irão a campo. Após cinco anos de trabalho no norte da Península Arábica, a especialista em arte rupestre Maria Guagnin está impressionada com o enorme banco de dados que está sendo criado sobre todos os períodos históricos. "Pela primeira vez, estão sendo analisados todos os aspectos da paisagem arqueológica", ressalta ela. "Nosso conhecimento da distribuição pré-histórica de animais é até agora amplamente dependente da localização de sítios arqueológicos e paleontológicos escavados. Muitas espécies foram consideradas ausentes na Península Arábica, mas a arte rupestre mostra o contrário." A presença de espécies de mamíferos não documentadas em Al Ula fornece novas informações sobre sua distribuição, bem como os tipos de habitat e vegetação disponíveis em eras pré-históricas nesta região. Representações de animais também ajudam a datar esses registros. Considera-se improvável, por exemplo, que cavalos ou camelos com cavaleiros existissem antes de 1.200 a.C.. Initial plugin text Gado domesticado, ovelhas e cabras foram introduzidos na Península Arábica entre 6.800 a.C. e 6.200 a.C.. Eles foram domesticados no Levante e levados para a Arábia Saudita. Isso fornece uma maneira de datar a arte rupestre, porque, antes disso, é improvável que houvesse animais domésticos nesta área. A grande quantidade de informações coletadas pela equipe internacional de Al Ula provavelmente será útil para sítios arqueológicos como Petra, incluindo a revelação de possíveis rotas entre Petra e Mada'in Saleh. Abdulrahman Alsuhaibani está escavando há alguns anos em Dedan, um local onde há evidências de uma civilização que antecede os nabateus. Ele diz que o escopo do trabalho é tamanho, que serão necessárias gerações para entender seus resultados. "O que torna esse trabalho tão importante no cenário mundial é que ele fornecerá uma compreensão não apenas de Mada'in Saleh e Petra, mas de civilizações anteriores amplamente desconhecidas por nós." Um dos papéis de Abdulrahman é treinar estudantes da Universidade King Saud, em Riad, que tem um pequeno posto avançado em Al Ula. "Eles estão aprendendo em meio a uma das mais extensas pesquisas e escavações. Os alunos de hoje poderão muito bem fazer descobertas que nem podemos imaginar hoje." Veja Mais

O que a menopausa realmente provoca no seu corpo

Glogo - Ciência Quando a mulher para de menstruar é um sinal do fim da fertilidade. Os sintomas causam muitos desconfortos, mas podem ser aliviados com hábitos simples. Sintomas e duração da menopausa variam de mulher para mulher BBC Mulheres de 45 a 50 anos fazem parte do clube exclusivo da menopausa, que sinaliza o fim da menstruação e da fertilidade. Nem todas passam por isso, mas, se passam, os sinais são claros. A menopausa afeta o cérebro, os ossos, os músculos e o coração. Pode causar ondas de calor, problemas de sono, ansiedade, disfunção urinária e ressecamento vaginal. Muitas vezes, as mulheres também perdem o interesse em fazer sexo. Queda na produção de estrogênio causa a menopausa BBC Tudo se resume a um hormônio, o estrogênio. Conforme o corpo envelhece, o corpo produz menos. Mas nenhuma menopausa é igual à outra. Os sintomas variam, assim como sua duração. Exercícios e uma dieta saudável ajudam a minimizar desconfortos. Algumas mulheres têm sintomas antes dos 45 anos, mas ainda não estão na menopausa. Uma mulher não entra de fato na menopausa até parar de menstruar por um ano. Como homens não menstruam, não têm menopausa. Mas sabe quem tem? Quatro espécies de baleias com dentes. São os únicos animais além dos humanos que entram na menopausa. Veja mais sobre menopausa no vídeo da BBC. Veja Mais

Hubble observa o visitante interestelar

Glogo - Ciência Cometa Borisov, o segundo cometa interestelar a visitar o Sistema Solar NASA/D. Jewitt Lembra do cometa Borisov, o segundo cometa interestelar a visitar o Sistema Solar? Eu falei dele no mês passado aqui. Pois então, um astrônomo da Universidade da Califórnia apresentou nesta semana as primeiras imagens do cometa obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble. David Jewitt observou o cometa em 12 de outubro e rapidamente processou as imagens para divulgá-las durante a semana seguinte, tamanho era o interesse dos astrônomos em geral. E o que se viu nessa imagem? Um cometa como outro qualquer! Sim, diferente de Oumuamua, o primeiro visitante de outro sistema estelar a ser identificado, o cometa Borisov tem cauda e uma coma de poeira proeminente. Cientistas estudam Oumuamua, o misterioso asteroide interestelar Oumuamua também foi observado pelo Hubble quando foi descoberto em 2017, mas para a decepção geral ele não se parecia em nada com um cometa: não apresentava cauda, não parecia ter coma e muito menos jatos. Não se pode excluir a possibilidade de ele ter tudo isso, mas como ele já estava muito distante quando foi observado esses detalhes escaparam da detecção porque estavam abaixo do limite dos instrumentos. Por esse motivo sua classificação gerou um certo debate, pois na ausência de cauda ou qualquer emissão de gases, a classificação mais adequada é a de asteroide. No caso do Borisov não restou nenhuma dúvida e além da imagem, outras características foram obtidas. Por exemplo, o composto cianeto foi encontrado nos gases da cauda do cometa. Esse composto é o mais abundante encontrado em cometas do nosso Sistema Solar. Além disso, seu brilho também é igual ao brilho de cometas típicos do nosso sistema. Como o brilho do cometa depende do material do que ele é feito e que é evaporado pela ação da luz do Sol, esse fato sugere que a composição do Borisov não deve ser tão diferente. Jewitt diz que se ele fosse basear sua opinião a partir das informações obtidas das imagens feitas pelo Hubble, ele jamais diria que esse cometa não foi formado no Sistema Solar. Os resultados, por enquanto, não mostram nada de extraordinário. Quem denuncia sua origem são seus parâmetros orbitais. O cometa Borisov viaja a uma velocidade de 176 mil km/h, muito mais do que a velocidade orbital da Terra em torno do Sol, que não chega a 130 mil km/h. Essa é a principal evidência de que esse cometa veio de fora do Sistema Solar. Nenhum corpo do nosso sistema poderia chegar a essa velocidade, mesmo que estivesse na longínqua Nuvem de Oort e fosse acelerado pela gravidade solar. Jewitt, que também participou da descoberta de 20 novas luas em Saturno em outra pesquisa, está agora trabalhando nas imagens para tentar obter mais informações do seu núcleo. Analisando-se a luz refletida pelos gases do cometa e a luz espalhada pela poeira ejetada do núcleo, é possível subtrair uma da outra em processos digitais. Com isso será possível descobrir se há jatos e qual a rotação do núcleo. Jewitt aponta também que o cometa está ainda se aproximando do Sol e deverá ficar mais e mais brilhante nesse processo, o que deve ajudar nas observações. Veja Mais

Gerociência quer ampliar fronteiras do conhecimento sobre envelhecimento

Glogo - Ciência Os mecanismos celulares ligados ao surgimento das doenças crônicas são a mais nova frente de batalha Eventos dedicados ao envelhecimento têm recebido cada vez mais espaço na agenda mundial. Não poderia ser de outro jeito, já que, no meio deste século, haverá mais de 2 bilhões de idosos no planeta. Entre os dias 28 e 30 deste mês, cerca de 120 palestrantes se reunirão em Washington, capital norte-americana, num fórum intitulado “O futuro da saúde”. A questão da longevidade está presente em todo o programa. O peso de doenças como as demências, que hoje atingem 50 milhões de pessoas, mas que alcançarão 82 milhões em 2030, é um dos temas de destaque. Para diminuir os custos com a enfermidade, será preciso garantir oportunidades a todos para manter o cérebro saudável – o que é sinônimo de diminuir a desigualdade. A desigualdade compromete a longevidade mesmo em matérias básicas como a alimentação. Nos Estados Unidos, quase 45% das crianças que vivem na pobreza estão obesas ou com sobrepeso, enquanto esse percentual cai para 22% entre aquelas com melhores condições socioeconômicas. Como atender ao desafio de prover comida de qualidade, que desempenha um papel fundamental na manutenção da saúde? O mesmo se aplica para moradias que estejam preparadas para receber idosos com limitações. O médico e pesquisador Nir Barzilai, do Albert Einstein College of Medicine, que se dedica a estudar centenários Divulgação Um dos convidados é o médico e pesquisador Nir Barzilai, do Albert Einstein College of Medicine, que se dedica a estudar centenários e como seus genes os protegem contra problemas cardiovasculares, diabetes e Alzheimer. Ele costuma dizer que “o pior cenário é a longevidade com um longo período de doença. Temos que conseguir viver mais com menos anos de doença”. Uma de suas palestras disponíveis on-line trata justamente do tópico e tem o bem-humorado título de “How to die young at a very old age”, cuja tradução, “Como morrer jovem numa idade avançada”, mostra que saúde e velhice podem ser compatíveis. Nos dias 4 e 5 de novembro, o Third Geroscience Summit ocorrerá em Bethesda (Maryland) sob a coordenação do Departamento Nacional de Saúde (National Institutes of Health) dos EUA. A gerociência investiga os mecanismos celulares e genéticos ligados ao envelhecimento e ao surgimento das doenças crônicas. Embora na mesma linha do outro evento, este será aberto ao público e transmitido. A batalha contra os desafios relacionados à velhice vem acontecendo em nível molecular. Para os pesquisadores, entender o que faz com que alguns indivíduos envelheçam com uma proteção maior contra enfermidades poderá ser a chave para mudar o destino da humanidade. Veja Mais

'Mercúrio retrógrado' é uma ilusão de ótica que não influencia vida na Terra, explicam cientistas

Glogo - Ciência Astrólogos veem o fenômeno como um período ligado a confusões e instabilidade; cientistas afirmam que não há evidências de que outros planetas influenciem em comportamentos na Terra. Mercúrio retrógrado é um fenômeno que ficou popularmente conhecido por meio da astrologia Nasa Mercúrio retrógrado. É um conceito que descreve um fenômeno astronômico, mas que se espalhou para a cultura popular por meio da astrologia e que se traduz para muitos como algo de ruim que pode acontecer. Mas o que é realmente Mercúrio retrógrado? Em termos científicos, Mercúrio retrógrado é simplesmente uma ilusão de ótica que faz parecer que o planeta está retrocedendo, a partir da nossa perspectiva da Terra. Obras de arte e logos no céu: como a humanidade está 'fabricando estrelas' A polêmica sobre o vulcão no Havaí que pode ser chave para encontrar vida extraterrestre "Mercúrio retrógrado é uma definição científica real, que descreve o que acontece quando esse planeta parece estar se movendo para trás, da perspectiva da Terra", disse à BBC a astrofísica de Oxford Rebecca Smethurst. "Mas não é assim. É simplesmente uma ilusão de ótica que ocorre porque o observamos da Terra", disse Smethurst. O fenômeno do Mercúrio retrógrado é, na verdade, uma ilusão de ótica Nasa No entanto, para o mundo da astrologia, a suposta reversão de Mercúrio está associada a períodos de instabilidade ou confusões. Por isso alguns falam, por exemplo, da influência do Mercúrio retrógrado no Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, prevista para 31 de outubro e de todo o caos que acompanha esse processo. "É preciso deixar algo muito claro: nenhum movimento dos planetas influencia ou pode influenciar o que acontece na Terra. Não há estudos que demonstrem uma relação disso com o comportamento das pessoas", disse a astrofísica Rebecca Smethurst. Mas como acontece esse fenômeno científico e qual é a suposta relação estabelecida pelos astrólogos? Fórmula 1 De acordo com Smethurst e Rick Fienberg, da Sociedade Astronômica dos Estados Unidos, o fenômeno ótico ocorre porque Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol e leva apenas 88 dias para orbitar em torno da nossa estrela. A Terra leva 365 dias para fazer essa mesma jornada. "É como comparar um carro de Fórmula 1, que neste caso é Mercúrio, a um veículo mais lento que percorre um circuito mais distante, que neste exemplo seria a Terra", explicou Smethurst. Mercúrio demora 88 dias para dar uma volta completa em torno do Sol, enquanto a Terra demora 365 Rede Globo "Mercúrio não só vai mais rápido, mas também percorre uma distância menor." O especialista ainda ressalta que, de três a quatro vezes por ano, ocorre o efeito óptico descrito como Mercúrio retrógrado: a impressão é de que o corpo celeste está retrocedendo, se afastando. Mas com um elemento adicional: as órbitas da Terra e de Mercúrio ao redor do Sol são totalmente diferentes. "É como se Mercúrio desse uma volta em nós. Ele se aproxima e depois passa pela gente", disse o astrônomo Rick Fienberg ao The New York Times. Smethurst e Fienberg dão o mesmo exemplo: é um efeito semelhante ao que acontece ao tentar ultrapassar um carro na estrada. Por um momento, parece que o outro veículo ficou mais lento, mas ele simplesmente está mantendo a mesma velocidade. Astrologia Esse fenômeno — que também ocorre com outros planetas — tem sido associado na astrologia há muito tempo a eventos que ocorrem no dia a dia. Os céticos apontam que, sendo um fenômeno que ocorre três ou quatro vezes por ano, é útil para os astrólogos culpá-lo quando as coisas não estão indo bem. "A associação que ocorre é por reforço positivo, como acontece com o horóscopo: 'Hoje é possível que você perca as chaves se você nasceu em maio', diz uma previsão. E talvez você nunca tenha pensado nisso, mas começa a prestar atenção porque o horóscopo disse isso", explicou a astrofísica Rebecca Smethurst. Mercúrio retrógrado é visto por astrólogos como uma época de mal-entendidos e confusões Michael Goh/REX/Shutterstock "O mesmo vale para Mercúrio retrógrado", disse. Como na astrologia Mercúrio é considerado o planeta da comunicação, quando ocorre o fenômeno de Mercúrio retrógrado são previstos mal-entendidos e confusões. Segundo um estudo do Centro de Pesquisas Pew, 37% das mulheres e 20% dos homens nos Estados Unidos acreditam nos postulados da astrologia. "Mas não há uma única evidência científica de que esses tipos de fenômenos tenham alguma influência sobre o que acontece na Terra... muito menos sobre o que acontecerá com o Brexit", concluiu Smethurst. Veja Mais

Arqueólogos descobrem 20 sarcófagos antigos no Egito

Glogo - Ciência Governo do país descreveu a descoberta como 'uma das maiores e mais importantes' dos últimos anos. Sarcófagos encontrados por arqueólogos no Egito em uma das maiores descobertas recentes Ministério de Antiguidades do Egito/AP Arqueólogos do Egito descobriram pelo menos 20 sarcófagos antigos na cidade de Luxor, no Sul do país, conforme o informou o Ministério de Antiguidades do Egito informou na terça-feira (15). As fotos do ministério mostram sarcófagos coloridos, com inscrições e pinturas. O ministério descreveu a descoberta como "uma das maiores e mais importantes" dos últimos anos. Em um breve comunicado publicado no site do governo, o ministério afirma que a descoberta foi na necrópole de Asasif. Ela está localizada na cidade antiga de Tebas do Oeste e abriga tumbas de diferentes períodos históricos, de 1994 a 332 A.C, desde o Império Médio, Novo Império e fases mais recentes. Sarcófagos encontrados por arqueólogos no Egito em uma das maiores descobertas recentes Ministério das Antiguidades do Egito/AP O comunicado diz, ainda, que os sarcófagos foram encontrados "exatamente como foram deixados". De acordo com o Egito, mais detalhes serão divulgados no próximo sábado (19). O país tem buscado dar mais publicidade às suas descobertas arqueológicas, na expectativa de reanimar seu setor de turismo, duramente atingido pelas manifestações e conflitos de 2011. O ministro de antiguidades Khaled el-Anany visita a descoberta recente de 20 sarcófagos em Luxor, no Egito. Ministério de Antiguidades do Egito/AP Veja Mais

Falta de acesso à alimentação de qualidade causa obesidade e subnutrição

Glogo - Ciência Relatório do Unicef mostra que pelo menos 227 milhões são afetadas por problemas alimentares no mundo. A alimentação saudável é fundamental para o desenvolvimento infantil Freepik Uma em cada três crianças com menos de cinco anos está desnutrida ou sofre de sobrepeso no mundo. Das 676 milhões de crianças que viviam no planeta em 2018, pelo menos 227 milhões são afetadas por problemas alimentares, calcula o Fundo da ONU para a Infância (UNICEF) em relatório publicado nesta terça-feira (15), o maior sobre o assunto dos últimos 20 anos. “Esses problemas são uma ameaça para o crescimento das crianças”, explica Victor Aguayo, responsável pelo Programa Mundial de Nutrição do UNICEF. Segundo o especialista, essas crianças talvez nunca alcancem o seu pleno potencial físico e intelectual.   No total, 149 milhões de crianças no planeta têm atraso no crescimento devido à desnutrição crônica e 50 milhões são magras em relação à sua estatura, devido à desnutrição aguda ou a um problema de absorção de nutrientes. Criança em estado agudo de desnutrição recebe atendimento dos Médicos Sem Fronteiras no Sudão do Sul, em foto de outubro de 2016 Albert Gonzalez/AFP Esta situação está estreitamente relacionada à pobreza, pois afeta mais os países pobres e as populações em situação precária nos países ricos. Contudo, conforme mostra o estudo, não existe mais o clichê de que crianças de países pobres são malnutridas, enquanto as de países ricos têm sobrepeso. A situação é bem mais complexa, havendo uma justaposição dos problemas num mesmo lugar. “No passado tínhamos uma tendência a acreditar que o sobrepeso era resultado da má nutrição dos ricos e que o baixo peso resultava da má nutrição dos pobres. Mas esse não é o caso, pois podemos ter exemplos de subnutrição e de obesidade dentro da mesma comunidade”, explica Aguayo.  "As diferentes formas de má nutrição coexistem cada vez mais em um mesmo país e até em um mesmo lar", com a mãe com sobrepeso e o filho desnutrido. Um exemplo é o México, onde "ainda há uma grande proporção de crianças desnutridas e, ao mesmo tempo, uma grande pandemia de sobrepeso e obesidade infantil, considerada uma emergência nacional pelo governo", completa o especialista. Globalização é um das causas São inúmeras as razões que podem ter impacto sobre a nutrição infantil. Cada vez mais famílias têm deixado o campo para viver nas cidades, a entrada das mulheres na força de trabalho, mudanças no clima e biodiversidade são variáveis que precisam ser analisadas, segundo os pesquisadores do UNICEF. Além disso, dietas tradicionais têm sido substituídas por hábitos de consumo ricos em gorduras e açúcares, com baixa concentração de nutrientes. “Há um mundo que está mudando por causa da globalização. Um regime alimentar que compreende frutas, legumes, produtos lácteos e ovos está se tornando cada vez mais caro, enquanto regimes alimentares que são pobres do ponto de vista nutricional se tornam mais baratos”, analisa Victor Aguayo. Segundo Unicef, a seca na Somália pode levar a até 270 mil crianças sofrerem de desnutrição grave neste ano Farah Abdi Warsameh/AP De acordo com os dados do UNICEF, 340 milhões de crianças sofrem de carências alimentares. Elas recebem o número de calorias suficientes, mas não o de minerais e vitaminas indispensáveis para o seu desenvolvimento, como ferro, iodo, vitaminas A e C, devido, principalmente, à falta de frutas, verduras e produtos de origem animal. Estas carências podem ter consequências físicas e intelectuais severas, como sistema imunológico deficiente, problemas de vista ou de audição. Este fenômeno começa muito cedo, com uma amamentação insuficiente e uma diversificação alimentar baseada em produtos impróprios, e se agrava com a crescente acessibilidade a alimentos ricos em calorias mas pobres em nutrientes, como o macarrão instantâneo. "A maneira como entendemos e reagimos à desnutrição precisa mudar: não se trata apenas de dar às crianças comida suficiente. Antes de tudo, é preciso lhes dar uma boa alimentação", destacou Henrietta Fore, diretora do UNICEF, em um comunicado que acompanha o relatório. O papel dos governos O órgão convoca os governos a promoverem os alimentos necessários para uma dieta equilibrada e a agirem para que ela seja acessível economicamente. O UNICEF também defende a regulamentação da publicidade do leite infantil em pó e dos refrigerantes, assim como a aplicação de etiquetas com informação nutricional nos alimentos que sejam facilmente compreensíveis, para ajudar os consumidores a escolherem produtos mais saudáveis. A desnutrição segue sendo o principal problema, ao afetar as crianças quatro vezes mais que o sobrepeso. O número de crianças que não recebem comida suficiente para as suas necessidades nutricionais retrocedeu 40% entre 1990 e 2005, mas prevalece como um grande problema em muitos países, especialmente na África subsaariana e no sul da Ásia. Obesidade infantil é um dos fatores de risco para hipertensão Pixabay O UNICEF alerta para o fato de que o sobrepeso e a obesidade se desenvolvem rapidamente, com 40 milhões de crianças pequenas afetadas, inclusive nos países pobres. Enquanto este problema era praticamente inexistente nos países com baixa renda em 1990 (3% deles tinham mais de 10% de crianças com sobrepeso), agora três quartos destes Estados enfrentam a questão. Veja Mais

Entenda como a poluição do ar afeta seus pulmões e o que você pode fazer para evitar problemas

Glogo - Ciência Exposição a poluentes causa a morte de 50 mil pessoas por ano no Brasil, de acordo com a OMS. Turistas tiram fotos com a poluição atmosférica tomando o céu do famoso horizonte de Hong Kong. Anthony Wallace/AFP/Arquivo Talvez você não dê muita importância ao assunto e sequer perceba o perigo a sua volta, mas o ar que respiramos diariamente pode ser fatal. Divulgada no ano passado, uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou que nove em cada 10 pessoas no mundo estão expostas a concentrações de poluentes acima dos limites recomendados. No Brasil, o problema é responsável pela morte de 50 mil pessoas a cada ano, por causar doenças como câncer de pulmão, ataque cardíaco e derrame cerebral. Poluição do ar pode afetar gravemente nossa saúde mental A relação entre poluição e maior mortalidade já foi amplamente comprovada pela ciência. Há estudos que mostram, por exemplo, que suspender a circulação de veículos em uma grande cidade por um determinado período reduz a taxa de mortes por doenças respiratórias - situação que ocorreu em Atlanta, nos Estados Unidos, durante a realização da Olimpíada e se repetiu em outras cidades-sede do evento. “A correlação é direta e está muito bem documentada: se você tem ar poluído, tem mais doença respiratória, independentemente de qual é a condição do paciente, porque isso é agressivo para o sistema respiratório”, alerta a pneumologista pediátrica Maria Helena Bussamra, do Hospital Infantil Sabará. Controle da emissão de poluentes, uso do transporte coletivo e de energias limpas e renováveis são medidas que podem ajudar a dimimuiar a poluição. Luiz Souza/NSC TV Os chamados materiais particulados são os principais responsáveis por atentar contra nossa saúde - são eles que sujam de cinza as fachadas de edifícios. No organismo, entram pelas narinas até o pulmão e, a partir daí, espalham-se pela corrente sanguínea e o corpo inteiro. “A poluição pode tanto causar novas doenças como exacerbar aquelas já existentes. Quem tem asma ou bronquite crônica, por exemplo, pode ter piora do quadro quando exposto a uma concentração elevada de poluentes. Pessoas saudáveis podem desenvolver doenças agudas como infecção respiratória e asma ou problemas um pouco mais leves como rinite e nariz escorrendo”, esclarece o pneumologista Carlos Tietboehl, coordenador da Comissão Científica de Doenças Ocupacionais e Ambientais da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). Alguns sintomas causados pelo ar sujo são fáceis de notar, como garganta e boca secas, falta de ar e tosse. São tentativas do corpo de expulsar os intrusos que entram no sistema respiratório. Mas também há sinais silenciosos, como maior risco de infarto, obesidade, prejuízo à memória e até mesmo impacto na fertilidade. Risco maior para crianças e idosos A baixa imunidade de idosos e crianças torna esses dois grupos mais suscetíveis aos males causados pela poluição. Os bebês sofrem ainda mais. “O calibre da via aérea das crianças é menor do que dos adultos, o que facilita a obstrução. Além disso, como o sistema imunológico delas tem uma resposta mais baixa, elas ficam mais suscetíveis aos vírus, e a poluição aumenta a circulação de vírus”, comenta Maria Helena. Mas se o perigo está no ar que respiramos, como se proteger? As medidas mais importantes dependem de ações coletivas, como controle dos escapamentos dos veículos para reduzir a emissão de poluentes, maior uso do transporte coletivo e de energias limpas e renováveis. São iniciativas que fazem bem para a saúde do ambiente e de todos nós que nele vivemos. Mas algumas atitudes individuais também podem ajudar. Quem pratica atividade física ao ar livre, por exemplo, deve evitar exercícios intensos em locais com muito trânsito, que são mais poluídos. “A atividade exige uma frequência respiratória maior, portanto, vai entrar mais ar contaminado no pulmão”, afirma Tietboehl. O uso de máscaras, muito comuns em países asiáticos, é uma boa forma de prevenção para quem precisa se expor ao ambiente. Ficar dentro de casa também não é garantia de segurança, pois o material particulado consegue entrar. Além disso, há fontes de poluição nos próprios lares, como queima de madeira em lareiras e fogões a lenha. Para manter a casa mais protegida, além de evitar essas fontes de poluentes, uma boa saída é usar umidificadores de ar, principalmente para quem mora em cidades muito secas. Uma forma de proteger bebês e crianças é a limpeza frequente do nariz. “A narina deve ser higienizada com soro pelo menos duas vezes ao dia, preventivamente. Quando o problema está instalado, é preciso limpá-la toda vez que há entupimento”, indica a pneumologista pediátrica do Hospital Infantil Sabará. Veja Mais

Imagens mostram regressão de câncer em paciente terminal após tratamento pioneiro na América Latina

Glogo - Ciência Homem de 62 anos tinha linfoma e tomava morfina todo dia. Pesquisa da USP-Fapesp criou método 100% brasileiro para aplicar técnica norte-americana CART-Cell, que pode custar mais de US$ 475 mil. Conquista da ciência brasileira reverte quadro de paciente com câncer agressivo Imagens de exames realizados pela equipe de médicos responsáveis por cuidar de Vamberto Luiz de Castro, 62, diagnosticado com linfoma em fase terminal mostram a remissão da doença após tratamento inédito na América Latina, baseado em uma técnica de terapia genética descoberta no exterior e conhecida como CART-Cell. – Veja imagens abaixo Há um mês, o corpo do paciente estava tomado por tumores, mas nesta semana, novos exames mostram que a maioria deles desapareceu, e as que restam, segundo os médicos, sinalizam a evolução da terapia. Nobel de Medicina 2018 premia americano e japonês por terapia contra o câncer Terapia genética contra o câncer: estudos mostram boas taxas de remissão, mas fortes efeitos colaterais Manchas pretas no exame são tumores. O primeiro foi realizado há um mês, quando deu entrada no Hospital. Nesta semana, o resultado do exame mostra que a maioria das manchas desapareceu e as que restam sinalizam a evolução da terapia. Reprodução/Fantástico Os médicos e pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC-Fapesp-USP) do Hemocentro, ligado ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, apontam que o paciente está "virtualmente" livre da doença. Os especialistas, no entanto, não falam em cura ainda porque o diagnóstico final só pode ser dado após cinco anos de acompanhamento. Tecnicamente, os exames indicam a "remissão do câncer". Os pesquisadores da USP - apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) - desenvolveram um procedimento próprio de aplicação da técnica CART-Cell. Terapia genética A CART-Cell é uma forma de terapia genética já utilizada nos Estados Unidos, Europa, China e Japão. Esse método consiste na manipulação de células do sistema imunológico para que elas possam combater as células causadoras do câncer. A estratégia consiste em habilitar células de defesa do corpo (linfócitos T) com receptores capazes de reconhecer o tumor. O ataque é contínuo e específico e, na maioria das vezes, basta uma única dose. Entenda como funciona a terapia genética CART-Cell Roberta Jaworski/Arte G1 Veja Mais

'Sobrevivi à leucemia e virei médica para salvar pessoas com a doença'

Glogo - Ciência Marina Aguiar chegou a ser desenganada por um médico por causa de um câncer. Curada, ela acompanha pacientes que tratam a doença em Brasília e se prepara para realizar seu primeiro transplante. Marina Aguiar se formou em Medicina e se especializou em transplantes para tratar pacientes com leucemia Arquivo Pessoal/ BBC A médica Marina Aguiar, de 31 anos, dedica grande parte de seus dias aos cuidados de pacientes que fazem tratamento contra a leucemia, em um hospital de Brasília. Quem a vê saudável pelos corredores da unidade de saúde não imagina que ela também enfrentou a mesma doença, há mais de 10 anos, e chegou a ser desenganada pelos médicos. A decisão de cursar Medicina surgiu quando Aguiar estava em tratamento contra a leucemia, aos 18 anos. "Percebi a importância de médicos que acreditem na recuperação dos pacientes. Isso me motivou a querer ajudar pessoas que vivem algo semelhante ao que enfrentei", conta à BBC News Brasil. Para ir atrás do sonho de se tornar médica, ela teve de abandonar o curso de Odontologia e enfrentar o temor dos parentes, preocupados com as dificuldades que a jovem, na época ainda em tratamento, poderia enfrentar. Antes de conquistar o diploma, Aguiar enfrentou situações que a deixaram abalada: o tratamento não deu resultados, não houve doadores compatíveis de medula óssea e um médico não acreditava que ela sobreviveria. "Fiquei triste muitas vezes. Mas sempre tentava acreditar que tudo daria certo em algum momento", diz Aguiar. Ela considera que o diploma de Medicina é a sua maior vitória contra a doença. A descoberta do câncer Durante o ensino médio, Aguiar tinha dedicação extrema aos estudos para passar em odontologia na Universidade Federal de Goiás (UFG). Ela foi aprovada no vestibular e começou o curso. Era março de 2006. Em meio à alegria com o início da universidade, uma situação passou a preocupar a adolescente: as dores frequentes nas pernas. "Fui a diferentes médicos, mas alguns diziam que eram dores psicológicas, em razão da minha preocupação com os estudos. Outros diziam que eram dores relacionadas à coluna. Cheguei a fazer fisioterapia para ver se melhorava", diz. Os tratamentos indicados pelos médicos não trouxeram resultados. "Eu tinha feito vários exames que, a princípio, não deram alterados. Até que um dos resultados apontou que eu estava com anemia", lembra. A jovem fez tratamento para a anemia, que não surtiu efeitos. Em agosto de 2006, cinco meses após o início das dores, Aguiar fez uma ressonância magnética, que apontou alteração em sua medula óssea. Ela foi encaminhada a um hematologista, que a examinou e pediu exames mais aprofundados. No dia seguinte, o especialista chamou a mãe de Aguiar, a educadora física Keila Aguiar, e comunicou sobre a doença da jovem, que havia recém-completado 18 anos. Aguiar foi diagnosticada com leucemia linfocítica aguda (LLA), doença na qual as células que normalmente se transformam em linfócitos – glóbulos brancos que atuam na defesa do organismo – se tornam cancerosas e substituem rapidamente as células saudáveis da medula óssea. Desta forma, o paciente desenvolve anemia e fica com o sistema imunológico extremamente prejudicado. "Descobri que as intensas dores que eu tinha na perna eram no fêmur, na região da coxa, que é uma área do corpo em que também se encontra a medula óssea. Eram dores causadas pela leucemia", diz a jovem. Conforme estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2019 devem ser diagnosticados 12,5 mil novos casos de câncer em pessoas de zero a 19 anos. Desses, os mais frequentes são leucemia, tumores que atingem o sistema nervoso central e linfomas (no sistema linfático). Não há estimativas específicas para cada tipo da doença. Segundo o DataSUS, foram registradas 831 mortes por leucemia em crianças e adolescentes no Brasil em 2017, dado mais recente. A descoberta da doença deixou a mãe consternada. Ela conhecia pouco sobre leucemia e diz que, a princípio, chegou a pensar que pudesse ser uma sentença de morte para a filha. "Comecei a chorar muito quando soube. Perdi o chão. Fiquei arrasada. Nunca imaginei que isso pudesse acontecer com a minha filha", relembra a mãe. A leucemia da jovem foi descoberta em estágio avançado. Ela estava anêmica e frágil. A adolescente soube da doença quando a mãe retornou da consulta. "A princípio, a minha ficha não caiu. Só pensei em procurar o tratamento adequado", conta Marina Aguiar. No mesmo dia do diagnóstico, ela foi internada em uma unidade de saúde pública de Goiânia, cidade onde nasceu e morava na época. O plano de saúde dela não cobria quimioterapia ou qualquer tratamento contra o câncer. "O médico me disse que se eu demorasse mais uma semana para descobrir a doença, talvez não estivesse viva. Foi muito pesado passar por isso. Eu só pensava nos meus planos que teria que deixar de lado, como a faculdade que eu tinha acabado de começar", diz. As dificuldades com a quimioterapia A jovem iniciou os procedimentos de quimioterapia logo após ser internada. Entre agosto de 2006 e abril de 2007, ela viveu entre o hospital e sua casa. "A minha rotina mensal era passar sete dias fazendo quimioterapia, três dias em casa e logo voltar para o hospital para tomar antibiótico, para tratar diversas infecções que contraía por causa da baixa imunidade", diz Aguiar. Nos primeiros dois meses de tratamento, os médicos notaram que os resultados eram pouco satisfatórios. Por isso, orientaram que Aguiar deveria passar por um transplante de medula óssea. "Meus pais e meu irmão fizeram exames para ver se poderiam me ajudar, mas não eram compatíveis", diz a médica. Os parentes iniciaram uma campanha em Goiânia em busca de doadores. A iniciativa mobilizou diversos moradores, mas nenhuma pessoa era compatível. A jovem foi inscrita no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), mas lá tampouco havia pessoas compatíveis. Só lhe restava esperar por tempo indeterminado até encontrar um doador. Oito meses se passaram desde o início do tratamento. As quimioterapias foram finalizadas com resultados insatisfatórios, pois as células cancerosas continuavam na medula óssea da jovem. "Recebi alta hospitalar sem nenhuma expectativa de cura. O médico que me acompanhava me disse que eu poderia fazer um tratamento mais simples, que hoje sei que não me curaria, era uma medida paliativa, só para me dar um pouco mais de tempo de vida." Uma tentativa de salvar a filha Logo que souberam que o tratamento não teve bons resultados, os pais se desesperaram. Diante da ausência de pessoas compatíveis, decidiram seguir o conselho de um médico conhecido da família e gerar um novo filho. Keila e o marido, o empresário Fernando Augusto Aguiar, recorreram à fertilização in vitro. Era o único método viável, pois a mãe, na época com 39 anos, tinha feito laqueadura depois do nascimento do filho caçula, 12 anos antes. "Quando descobri que ter mais um filho era um modo de tentar salvar a Marina, não pensei duas vezes", diz a mãe. O primeiro procedimento não deu certo. "Eu precisava de repouso, mas como passava o dia inteiro com a Marina no hospital, enquanto o meu marido cuidava do nosso filho caçula, acabei não conseguindo seguir as orientações médicas", diz a educadora física. Na segunda fertilização, a mãe passou mais tempo em repouso e engravidou de gêmeos. "Foi uma alegria imensa, porque ali pensei que poderia salvar a minha filha", diz. A expectativa era tentar fazer o transplante por meio da coleta de sangue do cordão umbilical de um dos recém-nascidos. Os planos iniciais não deram certo, porque os bebês nasceram prematuros, em novembro de 2007, com pouco mais de seis meses de gestação. "O parto deles foi muito complicado. Como nasceram muito antes do previsto, não havia sangue suficiente para um possível transplante", diz Aguiar. Os recém-nascidos passaram 40 dias na UTI neonatal e receberam alta hospitalar. "Fiquei arrasada, porque o nosso maior objetivo era que o sangue de um dos cordões umbilicais pudesse ajudar a minha filha", diz a mãe. A expectativa seguinte era que um dos recém-nascidos, caso fosse compatível, doasse medula óssea à irmã. Quando as crianças completaram um ano, passaram por exames que apontaram que não eram compatíveis. "Quando soube disso, parece que um buraco se abriu sobre mim. Foi horrível saber que eu não conseguiria ajudar a minha filha", conta a mãe. Tratamento de manutenção Em abril de 2007, quando encerrou os meses de quimioterapia, Aguiar optou por não fazer o novo tratamento proposto pelo médico que a acompanhava e procurou outro especialista no Hospital do Câncer de Goiás (HCG). No HCG, ela conheceu o hematologista César Bariani. "Ele me fez ter esperanças de que poderia me curar. Isso foi muito importante naquele momento", diz a hoje médica. O especialista deu início a um tratamento definido como uma intensa quimioterapia de manutenção na paciente. O tratamento era mais fraco que o primeiro, e Aguiar não precisou ficar internada. Dessa vez, ela não perdeu todo o cabelo e nem teve fraqueza extrema. "Muitos pacientes não aguentam chegar a essa segunda fase, quando não conseguem a cura no primeiro tratamento. Acredito que eu tenha conseguido porque era muito jovem", afirma. Ela deveria fazer o procedimento somente enquanto aguardava um doador de medula. Uma das expectativas, no início da quimioterapia de manutenção, era aguardar os exames de compatibilidade nos irmãos gêmeos dela. No novo tratamento, ela conseguiu participar presencialmente das aulas do curso de odontologia. No tratamento anterior, teve de entrar com recurso na Justiça para conseguir autorização para cursar as disciplinas a distância. Aguiar conta que a preocupação com os estudos esteve presente desde o primeiro dia em que foi internada para tratar a leucemia. "Não queria perder nenhum semestre", diz. Na época em que estudou a distância, colegas de classe a visitavam no hospital para ajudar a jovem com os conteúdos. "Mesmo internada e fazendo um tratamento muito agressivo, nunca reprovei", diz. Apesar de fragilizada, ela reservava horários para estudar. Os professore iam até o hospital para aplicar as provas. Ela concluiu os primeiros semestres de Odontologia sem reprovar em nenhuma disciplina. Aprovação em Medicina Enquanto fazia a quimioterapia de manutenção, Aguiar decidiu que se tornaria médica. "Nos meses em que fiquei internada, me encantei pela medicina. Mas decidi, de fato, que seguiria por essa área nesse começo da quimioterapia de manutenção." "Quando o doutor César Bariani me deu esperanças, enquanto o médico anterior tinha me dito que não havia mais alternativas, decidi que queria fazer medicina para que também pudesse dar esperanças para outros pacientes", diz ela. Em dezembro de 2007, a jovem prestou vestibular para medicina em uma universidade particular de Goiânia. Foi aprovada. Os parentes se assustaram com a decisão. "Eles tinham medo de que eu não tivesse preparo emocional para lidar com pacientes com leucemia. Achavam que eu poderia não conseguir." No início de 2008, ela trancou o curso de odontologia e ingressou na faculdade de medicina. Por causa da quimioterapia de manutenção, ela combinou com os diretores da nova universidade que faltaria alguns dias da semana para fazer o tratamento. O curso particular foi pago pelo pai da jovem. "Mesmo com algumas dificuldades, porque o curso de medicina custa caro, ele me apoiou", relata. A cura da leucemia Marina se dividia entre as aulas de medicina e o tratamento contra a leucemia. No início de 2009, quase dois anos após começar a quimioterapia de manutenção, a jovem estava sem esperanças. Depois que ela descobriu que os irmãos – Pedro Augusto e Davi Augusto Aguiar, hoje com 11 anos – não eram compatíveis, ela não tinha nenhum outro possível doador de medula. O médico disse que ela teria que parar com o tratamento, pois seu organismo não suportaria. Quando ela suspendeu o tratamento, fez novos exames, que apontaram que não havia mais células cancerosas em sua medula óssea. Porém, por ser um tratamento de manutenção e mais fraco que o primeiro, as chances de a leucemia voltar eram consideradas altas. "Depois que terminei a manutenção, passei a realizar exames semanais, para que qualquer retorno da doença fosse descoberto logo no início. Com o tempo, esses exames se tornaram quinzenais, depois mensais, trimestrais e assim foi indo. Os anos foram passando e a doença nunca retornou", diz a médica. Hoje, ela é considerada curada. "É preciso esperar 10 anos, depois do fim do tratamento, para atestar a cura". Ela classifica a sua cura como um milagre. Evangélica, Aguiar faz uma cerimônia religiosa todos os anos, desde o fim do tratamento, para comemorar. "Tenho certeza de que a atenção dos médicos que acreditaram na minha cura e a minha fé foram fundamentais", diz. Em dezembro de 2013, ela se formou em medicina. "Foi uma emoção muito grande". Ao concluir o curso, ela fez dois anos de residência em clínica médica, na qual há estudos sobre diferentes áreas da profissão, e mais dois anos de residência em hematologia, para cuidar, principalmente, de pacientes que também lidam com a leucemia. A especialização em hematologia foi feita no HCG, onde ela tinha feito o tratamento contra a leucemia por dois anos. "Fui a primeira residente em hematologia no hospital. Foi muito importante para mim trabalhar ali. No começo, os médicos tinham receio e pensavam que poderia me prejudicar emocionalmente, por eu ter me tratado ali. Mas eu sempre disse que tinha certeza de que queria ficar ali", diz. "Trabalhei no HCG por dois anos, durante a minha residência. Deu tudo certo. Muitos funcionários, que me acompanharam como paciente, ficaram felizes em me ver como médica", relata. No início deste ano, ela concluiu a especialização em transplante. Aguiar planeja, até o começo de 2020, fazer o seu primeiro transplante de medula óssea, em um paciente que ela acompanha no hospital particular em que trabalha desde abril, em Brasília. A intenção de auxiliar os pacientes até onde puder, que ela tem desde que decidiu cursar medicina, é algo que a médica carrega consigo. "Sempre quero dar o meu máximo para poder ajudar. Sei que nem todas as vezes vai ser possível, mas sempre quero ter a certeza de que fiz tudo o que pude", afirma. Veja Mais

Nasa faz a primeira caminhada espacial de astronautas mulheres

Glogo - Ciência Christina Koch e Jessica Meir saem da Estação Espacial Internacional nesta sexta-feira (18) para corrigir uma falha no sistema de energia. Nasa faz a primeira caminhada espacial de astronautas mulheres Christina Koch e Jessica Meir saem da Estação Espacial Internacional nesta sexta-feira (18) para corrigir uma falha no sistema de energia. É a primeira vez que apenas mulheres realizam essa atividade. Assista ao vivo a transmissão da Nasa: a caminhada começa às 8h50 de Brasília Veja Mais

À espera de recursos, Sirius atinge energia para gerar luz síncrotron

Glogo - Ciência Pesquisadores conseguiram injetar a carga elétrica máxima prevista e preparam teste no terceiro e principal acelerador do superlaboratório em construção em Campinas (SP); estrutura, no entanto, segue sem receber verba contingenciada pelo governo federal. Sirius: maior estrutura científica do país, instalada em Campinas (SP). CNPEM/Sirius/Divulgação À espera do descontingenciamento de verbas do governo federal para concluir o principal projeto científico brasileiro, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização responsável pelo Sirius, anunciou nesta quinta-feira (17) que atingiu em teste, com sucesso, energia necessária para a geração da luz síncrotron. Agora, a equipe se prepara para injetar elétrons no terceiro e principal acelerador do equipamento, que já está completamente montado. Entenda o Sirius, o novo acelerador de partículas do Brasil Em construção em Campinas (SP), o Sirius é um laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, que atua como uma espécie de "raio X superpotente" que analisa diversos tipos de materiais em escalas de átomos e moléculas. Atualmente, há apenas um laboratório de 4ª geração de luz síncrotron operando no mundo: o MAX-IV, na Suécia. De acordo com o CNPEM, o teste foi realizado na noite de quarta (16) e nele "foi possível injetar a carga elétrica máxima prevista, 3 GeV (Gigaeletron volts) no segundo dos três aceleradores que fazem parte da estrutura." O Sirius é formado por três aceleradores. O primeiro é responsável por produzir e começar a acelerar o feixe de elétrons. O segundo é responsável por dar aos elétrons a energia necessária para que sejam transferidos ao acelerador principal, a partir de onde será emitida a luz síncrotron. "Esse tipo especial de luz, de altíssimo brilho, é capaz de revelar detalhes dos mais variados materiais orgânicos e inorgânicos, como proteínas, vírus, rochas, plantas, solo, ligas metálicas, dentre muitos outros", destaca o CNPEM. Entenda como funciona o Sirius, o Laboratório de Luz Síncrotron Infográfico: Juliane Monteiro, Igor Estrella e Rodrigo Cunha/G1 Atraso Com o atraso na liberação de recursos pelo contingenciamento de verbas, e a previsão de recursos para 2020 abaixo da expectativa, o CNPEM já informou que as 13 de linhas de pesquisa previstas para o Sirius não ficarão prontas no próximo ano. A abertura do laboratório, no entanto, segue confirmada para 2020, com um número menor de estações de pesquisas. Três delas estão em fase de montagem. Para concluir o Sirius, o ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, estima o investimento de mais R$ 400 milhões - cerca de R$ 1,3 bilhão já foram investidos na estrutura. Do orçamento previsto para 2019, no entanto, a pasta ainda precisa destinar R$ 205,1 milhões ao CNPEM. Dos R$ 255,1 milhões aprovados, o MCTIC fez empenho de R$ 75 milhões, e depositou R$ 50 milhões. Depois, pediu aumento do limite de empenho ao Ministério da Economia de mais R$ 180 milhões, mas não deu prazo para o valor entrar na conta da organização. O ministro de ciência e tecnologia, Marcos Pontes, durante visita ao Sirius, em Campinas (SP) Fernando Evans/G1 Veja mais notícias da região no G1 Campinas Veja Mais

Ministério da Saúde libera R$ 206 milhões para municípios ampliarem vacinação contra sarampo

Glogo - Ciência Portaria publicada nesta quarta (16) no Diário Oficial formaliza incentivo financeiro para ações que ampliem a cobertura da vacina tríplice viral. O Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira (16) a liberação de R$ 206 milhões para a vacinação contra o sarampo e outras doenças em 3.131 municípios do país onde há maior necessidade. A medida está no contexto da Campanha de Vacinação contra o Sarampo, realizada entre 7 de outubro e 30 de novembro de 2019. "O objetivo é ampliar a cobertura vacinal, o controle de surtos e a interrupção da transmissão do sarampo, e outras doenças possíveis de imunização, em todo o país", informou o ministério da Saúde em nota. A vacina tríplice viral também protege contra rubéola e caxumba, mas a cobertura vacinal deste ano é a mais baixa dos últimos cinco anos. A esta altura do ano, deveria estar próxima da meta de 95%. Os recursos são do Fundo Nacional de Saúde (FNS) e serão enviados aos fundos de saúde dos municípios e do Distrito Federal, "em caráter excepcional", conforme portaria publicada no Diário Oficial. Segundo o texto, o ministério: "estabelece incentivo financeiro para implementação e fortalecimento das ações de ampliação da cobertura vacinal da tríplice viral e de prevenção, controle do surto e interrupção da cadeia de transmissão do sarampo e outros agravos imunopreveníveis, no âmbito da Vigilância em Saúde e Atenção Primária à Saúde." Campanha vacinação sarampo Ipatinga Prefeitura de Ipatinga/Divulgação Condições e objetivos O valor destinado a cada cidade será de R$ 1,00 por habitante, conforme o Censo do IBGE de 2016. Porém, só metade da verba separada para cada município será enviada de imediato. Outros 25% serão enviados somente após os municípios atingirem a cobertura vacinal de 90% a 94,9% do público-alvo. E outros 50% para os que superarem a meta de cobertura de 95%. Os objetivos dessa ação compreendem: ampliar a cobertura vacinal em crianças de um ano de idade a um ano, 11 meses e 29 dias de idade; estimular a implementação das medidas de prevenção, controle da transmissão do sarampo; garantir o acesso e fortalecer as ações de imunização de rotina nos serviços da Atenção Primária à Saúde; apoiar a operacionalização da Campanha de Vacinação contra o Sarampo. Dez passos para melhorar a cobertura O ministério indica 10 medidas para melhoras a aplicação da vacina tríplice viral nas unidades públicas: Garantir a sala de vacina aberta todo o horário de funcionamento da unidade Evitar barreiras de acesso Aproveitar as oportunidades de vacinação Monitorar a cobertura vacinal Garantir o registro adequado da vacinação Orientar a população sobre atualização do calendário vacinal Combater qualquer informação falsa sobre vacinação Intensificar as ações de vacinação em situações de surto Promover a disponibilidade e a qualidade das vacinas ofertadas à população Garantir pessoal treinado e habilitado para vacinar durante todo o tempo de funcionamento da unidade Veja Mais

Nasa adianta para esta semana primeira caminhada no espaço 100% feminina

Glogo - Ciência As astronautas Christina Koch e Jessica Meir devem sair da Estação Espacial Internacional para corrigir uma falha no sistema de energia na quinta ou sexta-feira; será a primeira vez que apenas mulheres realizam esta atividade. Christina Koch (dir.) e Jessica Meir posa para foto na Estação Espacial Internacional (ISS) Nasa A agência espacial norte-americana (Nasa) vai adiantar a primeira caminhada espacial feita apenas com mulheres. Na terça-feira (15) foi anunciado que as astronautas Christina Koch e Jessica Meir devem corrigir uma falha no sistema elétrico da Estação Espacial Internacional (ISS) ainda nesta semana. Esta será a primeira manobra 100% feminina entre as mais de 200 realizadas desde 1965. Em março deste ano, a caminhada foi cancelada porque a Nasa não tinha trajes espaciais do tamanho adequado para as astronautas a bordo. A saída está prevista para acontecer entre quinta (17) e sexta-feira (18) e faz parte de atividades previstas para a manutenção de baterias da unidade. Na semana passada outros astronautas realizaram as trocas dos equipamentos anteriores por versões mais modernas de lítio. Astronauta em caminhada espacial na ISS NASA/Arquivo Na tripulação há quatro astronautas treinados para a realização destas manobras, dois homens e duas mulheres. Em mais de cinco décadas desde a primeira caminhada espacial, das 227 manobras, mulheres participaram apenas de 14, sempre acompanhadas de homens. Uma das líderes da operação, Megan McArthur, celebrou em uma rede social este evento que considerou "absolutamente animador." "O fato de que serão duas mulheres apenas mostra que temos muitas mulheres capazes e qualificadas na missão." A Nasa esclareceu, por meio de um comunicado, que as falhas no sistema elétrico não prejudicam as operações da ISS nem representam um risco à segurança da tripulação. Veja Mais

Nasa apresenta trajes espaciais mais flexíveis para próxima missão na Lua

Glogo - Ciência Os modelos são protótipos e ainda não foram testados no espaço; design ainda deve ser terminado até a volta à Lua, prevista oficialmente para 2024 com a missão Artemis 3. Nasa apresenta nova roupa espacial para próximas missões Menos rigidez para se mover com mais facilidade: os trajes que os astronautas americanos usarão para caminhar na Lua nos próximos anos, como parte do programa Artemis, foram apresentados nesta terça-feira (15) pela agência espacial norte-americana (Nasa). Estes modelos são protótipos que ainda não foram testados no espaço e cujo design ainda deve ser terminado. Entenda o que será a missão Artemis, que levará a primeira mulher a Lua Como funcionam os trajes que permitem ficar uma semana sem ir ao banheiro O regresso à Lua está previsto oficialmente para 2024 com a missão Artemis 3, embora este cronograma ainda seja incerto devido a atrasos e problemas de financiamento. Os trajes só devem ficar prontos em 2023. Engenheiros posam para fotos em trajes espaciais para missão Artemis, prevista para 2024 Kevin Wolf/AP Na frente de uma enorme bandeira americana na sede da Agência Espacial dos Estados Unidos em Washington, os engenheiros vestiram os trajes para a imprensa. Os trajes anteriores, que foram usados para caminhar na Lua nas missões Apollo (1969-1972), fornecem oxigênio aos astronautas, reciclam o ar, regulam a temperatura e protegem contra a radiação. Os engenheiros da Nasa estiveram trabalhando durante anos em uma versão melhorada, especialmente para a eliminação de dióxido de carbono. Na realidade haverá dois tipos de traje: um para caminhar na Lua, branco com bandeiras azuis e vermelhas, chamado "xEMU" (acrônimo em inglês de Unidade móvel de exploração extraveicular), e outro para o trajeto entre a Terra e a Lua, mais leve e de cor laranja, batizado "Orion Crew Survival Suit", o traje de sobrevivência para a tripulação da cápsula de Orion. Trajes mais maleáveis facilitam os movimentos dos exploradores espaciais Kevin Wolf/AP O modelo xEMU será mais flexível, conforme demonstraram os engenheiros da Nasa. "Lembrem-se que durante os anos da Apollo, Neil Armstrong e Buzz Aldrin pulavam como coelhos no solo lunar. Agora será possível caminhar", disse Jim Bridenstine, chefe da Nasa. E como demonstrou a engenheira Kristine Davis, os astronautas terão muito mais liberdade de movimento: poderão levantar os braços acima da cabeça, o que não era possível com os trajes Apollo; também poderão agachar facilmente para pegar rochas lunares, sem se arriscar a perder o equilíbrio e cair. Outra inovação importante é que o novo traje foi desenhado para se adaptar a todos os tamanhos, tanto para homens como para mulheres. Jim Bridenstine e Kristine Davis durante demonstração da Unidade Móvel de Exploração Extra-veicular, da Nasa Kevin Wolf/AP Veja Mais

Brasil tem mais baixa cobertura da vacina tríplice viral desde 2015, diz Ministério da Saúde

Glogo - Ciência A esta altura do ano, cobertura deveria estar próxima da meta de 95%, mas o Brasil registra apenas 57,2%. Vacina protege contra sarampo, caxumba e rubéola. A vacinação é a única maneira de prevenir o sarampo. O esquema vacinal é feito por meio da vacina tríplice viral, disponível em todos os postos de saúde do Estado Natinho Rodrigues/Agência Diário O Brasil tem a mais baixa cobertura vacinal para a tríplice viral dos últimos cinco anos. De acordo com um boletim divulgado pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (15), em todas as regiões do país a cobertura não chega aos 70%. No total do Brasil, está em 57,19% atualmente. A esta altura do ano, deveria estar próxima da meta de 95%. A cobertura vacinal é a proporção do público alvo que já foi vacinada. A queda da cobertura para a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, começou em 2017. Mesmo que ainda não tenhamos terminado o ano de 2019, o ministério já apresenta os dados como sinal de forte alerta, especialmente para o sarampo. "O Brasil vem enfrentando grandes surtos de sarampo, que estão em consonância com o decréscimo das coberturas vacinais", diz o Ministério da Saúde. "O Ministério da Saúde vem lançando mão de estratégias que visem a reversão deste cenário epidemiológico, aumentando a proteção da população, principalmente dos grupos prioritários que são as crianças", afirma a pasta. São Paulo registra mais 3 mortes por sarampo e número no estado chega a 12 no ano No período de 90 dias até 28 de setembro, 242 municípios de 19 estados brasileiros tinham registrado pelo menos 1 caso de sarampo; 173 desses municípios e 97% dos casos estão em São Paulo Ana Carolina Moreno/G1 Falta de homogeneidade Outro problema é a falta de homogeneidade da cobertura entre os municípios do país. Isso porque as doenças podem transitar de uma cidade para outra e, se a vacinação não for feita de forma homogênea nos diferentes estados, é impossível criar "cinturões" de imunização na população brasileira. A meta é de que 70% dos municípios atinjam a cobertura vacinal desejada - algo que nunca foi alcançado, conforme o boletim. Mas, entre 2015 e 2019, esse dado só piorou, e hoje estamos em apenas 6,2%. Por outro lado, o ministério acredita que "muito ainda pode ser feito para o alcance da homogeneidade adequada". Especialista responde dúvidas sobre vacinação contra sarampo Veja Mais

Por que andar devagar pode ser sinal de envelhecimento rápido

Glogo - Ciência Velocidade com que pessoas caminham aos 45 anos revela o ritmo do envelhecimento de corpo e cérebro, aponta estudo. Pesquisadores testaram a velocidade da caminhada dos participantes em uma esteira de oito metros de comprimento Duke University A rapidez com que as pessoas caminham após completar 40 anos é um sinal do quanto o cérebro e o corpo estão envelhecendo, apontam cientistas. Ao fazer um teste simples da velocidade dessas pessoas, pesquisadores compilaram dados suficientes para medir o processo de envelhecimento pelo qual elas passam. Não apenas o corpo daquelas que caminham mais lentamente envelhece de forma mais rápida, apontaram os cientistas, mas também o rosto delas parecia mais velho. E tinham cérebros menores. Na opinião da equipe internacional de cientistas envolvida no estudo, as descobertas representam uma "surpresa extraordinária". Os médicos costumam medir a velocidade da marcha para avaliar a saúde geral de um paciente, principalmente naqueles que têm mais de 65 anos de idade. Trata-se de um bom indicador de força muscular, função pulmonar, equilíbrio, força da coluna e visão. Velocidades mais lentas no caminhar durante os anos de velhice também são associadas a um maior risco de demência e declínio das funções do corpo. 'Lentidão é sinal de problemas na velhice' Nesse estudo, que avaliou 1 mil pessoas na Nova Zelândia — nascidas na década de 1970 e acompanhadas regularmente até os 45 anos —, o teste de velocidade de caminhada foi realizado muito mais cedo, em adultos ainda na meia-idade. Os participantes da pesquisa também fizeram testes físicos e de funções cerebrais. Além disso, ainda durante a infância, os indivíduos passaram por testes cognitivos a cada dois anos. "Esse estudo mostra que caminhar lentamente já é um sinal de problemas desde décadas antes de a velhice chegar", disse a psicóloga especializada em envelhecimento Terrie E. Moffitt, autora principal da pesquisa, ligada ao King's College, de Londres, e à Duke University, nos Estados Unidos. Mesmo aos 45 anos, houve uma grande variação nas velocidades de caminhada — o movimento mais rápido foi de pouco mais de 2 metros por segundo na velocidade máxima (sem correr). Em geral, as pessoas que caminham mais lentamente apresentaram maiores sinais de "envelhecimento acelerado" — seus pulmões, dentes e sistema imunológico estavam em piores condições do que aqueles que, nos testes, demonstraram andar mais rapidamente. A descoberta que mais surpreendeu os pesquisadores foi a de que quanto mais lentamente as pessoas caminham, maior a probabilidade de terem também cérebros mais velhos. E os pesquisadores descobriram que podiam prever a velocidade com que pessoas na faixa dos 45 anos caminhavam, ao avaliar os resultados dos testes de inteligência, linguagem e habilidades motoras de quando elas tinham três anos de idade. As pessoas que, ao chegarem à idade adulta, caminhavam mais lentamente (média de 1,2 metro por segundo) tinham um QI, em média, 12 pontos menor que aquelas que, ao chegar aos 40 anos, se tornaram as mais rápidas (ritmo de caminhada de 1,75 metro por segundo). Estilo de vida A equipe internacional de pesquisadores — que publicou o estudo na revista mensal da Associação Médica dos Estados Unidos — afirmou que as diferenças nas condições físicas e no QI entre os grupos de pessoas podem ser tanto consequência do estilo de vida escolhido pelos participantes quanto um reflexo de um melhor estado de saúde em seus primeiros anos. Mas os cientistas sugerem que, já no início da vida, é possível verificar sinais de quem terá uma melhor saúde nos anos seguintes. Os pesquisadores afirmam que medir a velocidade da caminhada desde mais cedo do que se costuma fazer hoje pode auxiliar na elaboração de tratamentos para retardar o envelhecimento. Atualmente, diversos tratamentos estão sendo investigados, de dietas de baixa caloria ao uso de drogas como a metformina (medicamento usado contra diabetes). Testar a rapidez das caminhadas desde cedo pode servir também como um indicador precoce da saúde do cérebro e do corpo, para que as pessoas possam mudar seu estilo de vida enquanto jovens e saudáveis, afirmam os pesquisadores. Veja Mais

A mulher que passou 12 anos sem conseguir emitir qualquer som

Glogo - Ciência Aos 13 anos, Marie McCreadie perdeu a capacidade de emitir sons. Ela foi discriminada e internada num hospital psiquiátrico, até que a misteriosa causa de sua mudez foi descoberta. Marie publicou "Voiceless" em julho Marie McCreadie/BBC Imagine que, um dia, você de repente perca a capacidade de falar. Tenta emitir sons, mas as palavras simplesmente não saem da boca. O que passará por sua cabeça? Agora imagine que isso aconteça por mais de uma década. Você perde sua forma mais básica de comunicação e nem sequer pode conversar com seus amigos. Até que, um dia, inesperadamente, você recupera a fala. Essa é a história de Marie McCreadie. Do Reino Unidos à Austrália Voltemos ao tempo até o início da década de 1970. Marie nasceu no Reino Unido, mas se mudou com a família para a Austrália quando tinha 12 anos. Naquelá época, ainda conseguia falar. "Aterrissamos em fevereiro. Deixamos para trás uma Londres gelada e chegamos na metade do verão australiano (...). Era como férias de verão", ela recorda. Mas todo verão tem um fim. Justo quando Marie começava a se adaptar à vida nova, imitando inclusive o sotaque australiano com sucesso, algo terrível aconteceu. Marie McCreadie ficou 12 anos sem poder falar, até que um dia recuprou a voz Marie McCreadie/BBC De repente, sem voz "Acordei com uma forte dor de garganta e um grande resfriado", Marie conta à BBC. "Um ou dois dias depois, tive bronquite." "Na primeira semana, a irritação (da garganta) era muito intensa por causa da febre." "Mas quando a temperatura baixou, a infecção desapareceu e comecei a me sentir melhor e 'normal'... mas, depois de umas seis semanas, minha voz não voltou." Marie não sabia o que havia acontecido, mas pensava que poderia voltar a falar a qualquer momento. Pouco a pouco, deu-se conta de que isso não aconteceria - pelo menos por muitos anos. E ela não só não conseguia falar. Ela não conseguia emitir qualquer tipo de som com as cordas vocais. Nem uma voz rouca, nem uma tosse. Marie foi ao médico, mas os diagnósticos foram confusos e errados. "A princípio diagnosticaram uma laringite e depois disseram que se tratava de mudez histérica", conta. A expressão mudez histérica foi usada pela primeira vez no século 19. É descrita como um transtorno da função vocal sem que haja mudanças no corpo, que resultaria num silêncio voluntário. Em outras palavras, o médico achava que ela se negava a falar. Mas Marie não concordava com o diagnóstico. De qualquer forma, ela estava ocupada demais tentando lidar com o mundo como uma adolescente sem voz, o que lhe trouxe várias dificuldades óbvias, mas também algumas inesperadas. "O telefone, por exemplo. Não podia marcar um corte de cabelo ou uma consulta médica. E se estava em apuros ou sofria um acidente tampouco podia gritar." Ela lembra que, certo dia, sentiu medo quando caminhava com amigos pela montanha e não pode pedir ajuda ao ficar atolada. "Me dei conta de que tinha de ser mais cuidadosa", afirma. Marie superou todos os traumas, mas se lembra vividamente das duras experiências que enfrentou Marie McCreadie/BBC "A filha do diabo" Outro episódio traumático ocorreu quando a professora a obrigou participar do coral do colégio - todos na classe deveriam fazê-lo - e Marie teve de deixar o recinto. Ela diz que muitos na escola não entendiam sua mudez. "No princípio, todos pensaram que era muito divertido. Mas você se cansa disso muito rapidamente quando se trata de sua vida cotidiana." "Eu sempre levava pequenos cadernos de notas e um lápis, e me punha a escrever. Alguns de meus amigos podiam ler meus lábios - porque estávamos sempre juntos -, mas não sempre. Às vezes, não podia participar de conversas." Ela também usava as mãos e fazia sinais para se expressar, "mas na maioria das vezes tinha de escrever o que queria dizer." Ela diz que não tinha ajuda no colégio, pelo contrário. "Eu ia a um colégio católico e uma freira, ao saber que não havia uma razão física que me impedisse de falar, disse que Deus estava me castigando e havia me deixado sem voz." "(Meus colegas) começaram a acreditar no que diziam, que eu estava sendo castigada e tinha de confessar meus pecados para recuperar minha voz. Eu me negava porque não tinha nada a confessar." Marie diz que começou a questionar a si mesma. "No mundo em que crescemos, o padre, as freiras, os médicos tinham sempre razão. Não eram postos em dúvida." "As meninas costumavam me chamar de mulher do diabo e outras piadas desse tipo, mas com o tempo deixou de ser uma piada. Era grave, extremo." "Como me neguei a confessar pecados, não me deixavam entrar na igreja e ir para a missa que frequentávamos todas as sextas, então tinha de ficar do lado de fora." "Nesse momento, comecei a acreditar neles e a pensar que era diabólica, que pertencia ao diabo, que Cristo não queria olhar para mim, que não era parte da cristandade, que era uma bruxa." Fora da escola, vizinhos diziam que ela havia enlouquecido, e um amigo de sua mãe sugeriu que ela fosse abandonada "porque não se sabe o que pessoas como ela podem fazer". No hospital psiquiátrico Dois anos depois de ter perdido a voz, Marie se sentia isolada, frustrada e cheia de dúvidas. As coisas se complicaram tanto que ela tentou se matar aos 14 anos. Acabou em um hospital e, quando se recuperou, foi transferida para um hospital psiquiátrico. "Isso foi um inferno, um pesadelo. Havia drogados, pessoas com crises nervosas, uma mulher que imagino ter sofrido abusos... Eu era a mais jovem e era muito influenciável." Também se lembra da falta de intimidade e das terapias com choques elétricos. Ela escutava os pacientes gritando e chegou a fazer uma sessão. "Era como uma câmera de tortura. Muito cruel." Marie fugiu e foi à casa de um amigo. Ela pode voltar a sua casa, mas a relação com os pais estava danificada. Tinha medo de todo mundo ao redor, "não queria ver ninguém, a pouca confiança que tinha nas pessoas desapareceu no hospital psiquiátrico", lembra. Ela então se isolou por seis meses. Marie não acreditava que voltaria a recuperar a voz e começou, pouco a pouco, a reconstruir sua vida. Ela passou a trabalhar no café administrado por sua mãe e aprendeu a língua de sinais. Voltou a estudar e aprendeu mecanografia. Não é que os problemas dela tivessem se resolvido, mas pelo menos ela era agora uma adulta com uma vida relativamente normal. Até que um dia, quando tinha 25 anos, estava no trabalho e começou a se sentir muito mal. "Comecei a tossir e começou a sair sangue da minha boca. Pensei que estava morrendo. Podia sentir algo se movendo no fundo da minha garganta. Em certo momento pensei que estava tossindo minhas entranhas. Hoje parece uma idiotice, mas naquele momento sua cabeça dá voltas." Um colega chamou uma ambulância, e Marie foi levada ao hospital. Os médicos viram que ela tinha um objeto na garganta e conseguiram extraí-lo. Estava coberto de muco e sangue, mas, quando o limparam, descobriram que se tratava de uma moeda. Ela estava desde os anos 1960 com aquela moeda presa na garganta - e diz não ter ideia de como o item foi parar lá. Aquela pequena moeda havia ficado presa no fundo de sua garganta por 12 anos, justo ao lado de suas cordas vocais, impedindo que elas vibrassem e emitissem sons. Mas, assim que a moeda saiu, Marie recuperou a voz. "Pude sentir o som na minha garganta, gemidos, soluços. No início, não sabia de onde vinha esse ruído." "Fiquei em choque." Como não haviam visto aquela moeda na garganta? Os médicos disseram que a posição do objeto havia o tornado indetectável. Marie teve de reaprender a respirar e a moderar o tom da voz, mas diz que não levou muito tempo. Sua primeira ligação telefônica foi para a mãe, que começou a chorar. Depois participou do coral local para fazer as pazes com o passado. Em seu livro "Voiceless" (sem voz), publicado em julho de 2019, ela conta a história. Quanto à moeda, ainda a guarda numa pulseira que veste de vez em quando. Veja Mais

Aplicativo desenvolvido no RS ajuda pacientes no tratamento contra o câncer

Glogo - Ciência Oncologistas de Porto Alegre se uniram a engenheiro e arquiteto de software para criar app que monitora e auxilia no controle da doença. Paciente relata sua experiência. Aplicativo é gratuito. Lilian Lima/G1 RS Um aplicativo que registra todo tratamento de um paciente com câncer, alerta sobre o uso de medicamentos e interage com o médico de forma rápida, está ajudando milhares de pessoas a enfrentar a doença. O Tummi foi desenvolvido por oncologistas gaúchos associados a um engenheiro e um arquiteto de software, e já auxilia no acompanhamento de pacientes em todo o Sul do Brasil e em São Paulo. A médica Alessandra Morelle começou a elaborar a ideia em 2016, em parceria com o também oncologista Carlos Barrios. Eles queriam criar uma plataforma que ajudasse os pacientes a conviver com uma rotina alterada drasticamente com o diagnóstico da doença. “Me dei conta o quanto é difícil o início, principalmente, e todo o processo da pessoa que não tinha contato [com a doença] e passa a conviver com o diagnóstico. O que precisa ser observado, o que pode ser grave ou não. É um mundo totalmente novo. Sentia a necessidade de usar a tecnologia a favor para ajudá-las a entender isso mesmo quando o médico não está perto”, afirma Alessandra. Tummi auxilia pacientes com câncer no Sul do Brasil e em São Paulo Reprodução O projeto ficou suspenso até que uma paciente dela, Márcia Azevedo — diagnosticada com câncer de mama durante a amamentação — confessou os medos para Alessandra ao lado do marido, o arquiteto de software Evandro Dalbosco. Eles uniram esforços e, associados ao engenheiro Ronaldo Aloise Jr., lançaram o Tummi. “O paciente tem como registrar o que está sentindo de forma organizada", descreve a oncologista. "Tem todos os parefeitos (efeitos colaterais). A plataforma identifica se é grave e tem que procurar o médico, ou, se não é, tranquiliza [o paciente].” Há, ainda, outras funcionalidades, como a seção de medicamentos, que avisa se há alguma combinação prejudicial à saúde do paciente, e outras em desenvolvimento. Conheça aplicativo de smartphone que ajuda no tratamento do câncer 'Aplicativo fantástico', diz paciente O aplicativo fez parte do tratamento da funcionária pública Maria Alice Paranhos Marra, de 55 anos, que teve câncer de mama do tipo HER2+, descoberto em um exame de rotina em agosto de 2017. Ela tinha um nódulo no seio direito que tendia a crescer e se disseminar mais rápido do que outros tipos. Precisou fazer uma mastectomia com esvaziamento da axila, além de oito sessões de quimioterapia. Depois, fez ainda 33 sessões de radioterapia e, desde então, toma um bloqueador hormonal. No final, descobriu, ao realizar uma investigação genética, que tinha uma mutação que facilitava o reaparecimento do câncer de mama, algo que uma prima também teve. Optou por retirar o outro seio também e colocar uma prótese de silicone. Maria Alice levou uma rotina extenuante dos últimos anos. A maneira de controlar sintomas, horário de tomar os remédios, agendamento de consultas (e até a ansiedade) foi “terceirizar” o serviço para o app. “Esse aplicativo é fantástico, porque diariamente colocava como me sentia e semanalmente mandava o relatório para a doutora. Quando chegava à consulta, ela já tinha lido tudo e otimizava o atendimento”, relata Maria Alice. “Eu me considero livre do câncer, mas a gente nunca sabe. Tem que seguir a vida e continuar se cuidando com os tratamentos que tem hoje em dia.” Maria Alice Paranhos Marra, 55 anos, teve câncer de mama em 2017 Arquivo Pessoal Veja o que os desenvolvedores pretendem acrescentar para as próximas versões: Dashboard: Instalar uma tela interativa nas salas de enfermaria ou de quimioterapia para acompanhar o paciente em tempo real. Quando ele clicar em algum evento grave, imediatamente é disparado um alerta para a equipe de retaguarda, que pode entrar em contato com ele e orientar sobre o que fazer. Já está em fase de aperfeiçoamento para ser implantado em três clínicas. Chatbot: Serviço de conversa com o paciente, como de bancos e empresas de telefonia. A ideia é que seja feita uma conversa de voz com o aplicativo, para ajudar idosos com dificuldade de ler ou clicar nos ícones, ou qualquer pessoa que não queira digitar. Ainda em desenvolvimento. Inteligência artificial: Uma ferramenta que compreenda automaticamente a avaliação de gravidade do paciente de forma mais rápida e eficiente. Em desenvolvimento a médio prazo. Wearables: Serviços para medir temperatura, frequência cardíaca e saturação de oxigênio. Em desenvolvimento a médio e longo prazo. O Tummi já tem mais de 2 mil downloads de usuários. Ele está sendo usado por médicos e clínicas dos três estados do Sul do Brasil e também no interior do São Paulo. Veja Mais

Nasa faz nesta sexta a primeira caminhada 100% feminina no espaço

Glogo - Ciência As astronautas Christina Koch e Jessica Meir devem sair da Estação Espacial Internacional para corrigir uma falha no sistema de energia na quinta ou sexta-feira; será a primeira vez que apenas mulheres realizam esta atividade. Astronautas Christina Koch e Jessica Meir em fotos oficiais da Nasa Nasa A agência espacial norte-americana (Nasa) faz nesta sexta-feira (18) a primeira caminhada espacial feita apenas com mulheres. Antes, mulheres já haviam feito caminhadas espaciais, mas sempre em equipes mistas. O G1 vai transmitir ao vivo a caminhada na manhã desta sexta. Confira aqui. Como funcionam os trajes que permitem ficar uma semana sem ir ao banheiro Nasa apresenta trajes espaciais mais flexíveis para próxima missão na Lua As astronautas Christina Koch e Jessica Meir devem corrigir uma falha no sistema elétrico da Estação Espacial Internacional (ISS). Desde 1965, a Nasa já fez mais de 200 caminhadas. Em março deste ano, uma caminhada feminina que estava prevista foi cancelada porque a Nasa não tinha trajes espaciais do tamanho adequado para as astronautas a bordo. Morre Alexei Leonov, primeiro humano a caminhar no espaço As astronautas da Nasa Jessica Meir (à esquerda) e Christina Koch dentro da câmara Quest, preparando os trajes espaciais e as ferramentas dos EUA que usarão na primeira caminhada 100% feminina no espaço Nasa Na tripulação há quatro astronautas treinados para a realização destas manobras, dois homens e duas mulheres. Em mais de cinco décadas desde a primeira caminhada espacial, das 227 manobras, mulheres participaram apenas de 14, sempre acompanhadas de homens. Uma das líderes da operação, Megan McArthur, celebrou em uma rede social este evento que considerou "absolutamente animador." "O fato de que serão duas mulheres mostra que temos muitas astronautas capazes e qualificadas na missão" – Megan McArthur, astronauta da Nasa. A Nasa esclareceu, por meio de um comunicado, que as falhas no sistema elétrico não prejudicam as operações da ISS nem representam um risco à segurança da tripulação. Christina Koch (dir.) e Jessica Meir posam para foto na Estação Espacial Internacional (ISS) Nasa Veja Mais

Pesquisadoras da UFU desenvolvem novas formas de combate ao tipo mais agressivo de câncer de mama

Glogo - Ciência Duas pesquisas utilizam proteínas retiradas do veneno de cobras. Já a outra utiliza drogas sintéticas. Pesquisadoras da UFU estudam há oito anos novas formas de tratamento para o câncer de mama Reprodução/TV Integração Três pesquisadoras da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) estudam há oito anos novas formas de tratamento para o tipo mais agressivo de câncer de mama. Duas pesquisas utilizam proteínas retiradas do veneno de cobras e a outra utiliza drogas sintéticas para o combate do câncer triplo negativo. Segundo a pesquisadora e doutoranda em genética bioquímica Denise Guimarães, o triplo negativo é o tipo de câncer de mama mais agressivo. “Trata-se de um câncer bastante agressivo. Geralmente ele acomete mulheres na faixa mais jovem. Quanto mais jovem a mulher, mais agressivo se torna o tumor. E a nossa busca é que encontremos uma molécula que seja direcionada especificamente pra esse tipo”, informou Guimarães. A pesquisa desenvolvida pela doutora em genética bioquímica Fernanda Van Peten, utiliza proteínas retiradas do veneno de cobras jararacas. “Nós testamos e depois essa mesma proteína foi colocada no que a gente chama de ‘in vivo’ nos animais, mostrando uma seletividade para esse tipo de câncer. Então, posterior a todo esse resultado positivo, onde a gente consegue observar toda uma via já desenhada, nós agora trabalhamos com moléculas altamente específicas e selecionadas para o câncer de mama”, explicou. Prêmio O trabalho de inibição de metástases desenvolvido por Fernanda recebeu em 2019, o prêmio de melhor doutorado do Instituto Butantã. “Essa molécula atua especificamente nesses genes metastáticos, então, ela é capaz de inativar esses genes, tornando possível a inibição da metástase”, disse ela. A estimativa é de que os resultados da pesquisa estejam no mercado em até dez anos e possam ajudar no tratamento de aproximadamente 60 mil novos casos descobertos no Brasil anualmente. O mastologista Juliano Cunha reforçou a importância das pesquisas, mas lembrou que algumas ações cotidianas podem diminuir em mais de 30% o risco de câncer de mama. “A obesidade, o tabagismo e o etilismo aumentam o risco pro câncer de mama. A partir do momento que a gente assume uma postura de atividade física, redução dos vícios, controle do peso, uma melhor qualidade da nossa alimentação, nós estamos reduzindo o risco de câncer de mama e de outras doenças em até mais de 30%”, afirmou o mastologista. O médico lembrou, ainda, que o diagnóstico precoce aumenta muito as chances de cura. “O diagnóstico precoce faz com que nós tenhamos dados e resultados muitos melhores em relação ao tratamento do câncer de mama. Os casos iniciais têm taxa de cura de cerca de 95%”, completou. Busca pessoal Para a pesquisadora Denise Guimarães, a busca por novos tratamentos vai além do trabalho acadêmico. Em 2014, ela foi diagnosticada com câncer de mama e passou por cirurgia, quimioterapia e todos os protocolos de tratamento. Após o tratamento, a pesquisadora retomou o trabalho no laboratório com mais motivação. “Foi uma coisa que me deu um estímulo a mais pra que eu voltasse agora e retomasse a pesquisa para buscar um alívio pra quem sofre dessa doença”, comentou. Após o tratamento, a pesquisadora retomou o trabalho no laboratório com mais motivação. Reprodução/TV Integração Drogas Sintéticas Já a pesquisa desenvolvida pela doutora em genética Mariana Zóia utiliza drogas sintéticas. “Essas drogas são desenvolvidas no laboratório de nanobiotecnologia. Fiz uma parte desse trabalho também na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. São drogas sintéticas que desenvolvemos pra conseguir tratar esse tipo de tumor agressivo. Nós já testamos em células, portanto, o tratamento in vitro foi bastante eficaz, aumentou a morte celular e reduziu a capacidade agressiva dessa célula e partimos para os testes ‘in vivo’ em dois tipos de animais e o próximo objetivo é fazer o teste em pacientes”, disse. Mariana ainda desenvolve outra pesquisa com uma droga que já existe no mercado. A droga foi desenvolvida para outra doença, mas os testes no tratamento do câncer de mama já começaram. Veja Mais

Alimentação à base de carne crua para animais de estimação pode ser nociva para pets e humanos

Glogo - Ciência Comida crua para pets pode causar doenças nos animais domésticos e também representar um risco de doenças infecciosas para os humanos que têm contato com eles. Refeições com carne crua para pets são populares mas podem conter inúmeras bactérias Unsplash As refeições com carne crua, cada vez mais populares entre donos de cães e gatos, podem estar cheias de bactérias resistentes a vários medicamentos, representando um sério risco para animais e seres humanos, advertiram cientistas nesta quarta-feira (16). Três quartos das amostras coletadas e testadas na Suíça excederam os limites recomendados para bactérias conhecidas como causadoras de infecções gastrointestinais. Mais da metade das amostras continha agentes infecciosos resistentes às medicações projetadas para matá-los, afirmaram os pesquisadores em um estudo publicado na revista científica Royal Society Open Science. Como mudar sua dieta pode proteger o planeta Entenda como a poluição do ar afeta seus pulmões e o que você pode fazer para evitar problemas "É realmente preocupante que tenhamos encontrado enterobactérias produtoras de beta-lactamase de espectro ampliado (ESBL, na sigla em inglês) em mais de 60% das amostras", declarou Magdalena Nuesch-Inderbinen, principal autora do estudo e pesquisadora da Universidade de Zurique, referindo-se a uma enzima que torna ineficaz alguns antibióticos. "Elas incluem vários tipos de E. coli, bactéria presente nas fezes que pode causar infecções tanto em humanos, quanto em animais", acrescentou. Alimentos a base de carne crua para cachorros de estimação ficaram populares nos últimos anos Unsplash As vendas de comida crua para animais domésticos - também conhecida como "comida crua biologicamente apropriada" ou BARF, na sigla em inglês - dispararam nos últimos anos, especialmente a destinada a cães. Atribui-se a esse tipo de dieta benefícios como aumentar a vitalidade canina, mesmo com poucos estudos que sustentem estas alegações. De fato, associações de veterinários nos Estados Unidos e no Canadá fizeram soar o alerta sobre a comida crua para animais de estimação, com informes mostrando que é uma fonte de infecções por Salmonella e yorsiniose (gastroenterite causada por alimentos) em cães. E isto também é um problema para os seres humanos. "Comidas à base de carne crua podem estar contaminadas com bactérias que seriam resistentes a múltiplos antibióticos, incluindo os categorizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como criticamente importantes para a medicina humana", declarou Nuesch-Inderbinen à AFP. Alimentação a base de carne crua para cães e gatos pode ser nociva, diz estudo Unsplash Cautela para donos de pets "Há evidências crescentes de que estes patógenos representam um risco de doenças infecciosas para os humanos, não só durante o manuseio da comida, mas também de contaminação de superfícies da casa e através do contato com os cães e suas fezes", acrescentou. Estima-se que haja 140 milhões de cães e gatos na União Europeia e um número similar na América do Norte e no Brasil. De forma genérica, a resistência a antibióticos se tornou uma importante crise de saúde em todo o mundo. "A situação com as bactérias resistentes a múltiplos medicamentos saiu do controle nos últimos anos", completou o co-autor do estudo Roger Stephan, professor do Instituto de Segurança Alimentar e Higiene da Universidade de Zurique. O uso indiscriminado de antibióticos está criando super bactérias resistentes a medicamentos comuns Unsplash O uso indiscriminado e às vezes inapropriado de antibióticos permitiu mutações aos micro organismos sobreviventes, que se tornaram superbactérias que superam a capacidade dos novos medicamentos de contê-los. Devido ao uso excessivo de antibióticos na pecuária, os animais criados para o consumo humano se tornaram um importante reservatório de resistência microbiana. "Assim como a comida convencional para os animais de estimação, a maior parte das dietas baseadas em carne crua se baseiam em subprodutos de animais abatidos para o consumo humano", destacou o estudo. Para descobrir exatamente quão contaminados estão os alimentos crus para os pets, os cientistas testaram 51 amostras de diferentes fornecedores na Suíça, compradas em lojas físicas e na Internet. "Advertimos todos os donos de cães e gatos que queiram alimentar seus animais com uma dieta 'BARF' a manusear a comida cuidadosamente e manter estritos padrões de higiene", disse Nuesch-Inderbinen. "Os donos de pets devem ser conscientes do risco de que seu animal pode estar carregando bactérias multirresistentes e disseminá-las", acrescentou. Veja Mais

Médica desbanca mitos sobre saúde feminina; veja cinco

Glogo - Ciência Médica canadense-americana Jen Gunter desbanca informações falsas sobre saúde feminina; ela ficou famosa ao enfrentar dicas sem comprovação científica da atriz Gwyneth Paltrow. "Se você quer oprimir as mulheres, fazendo com que sempre tenham que se preocupar com seus corpos — que são normais —, a desinformação é uma ferramenta muito efetiva", diz Gunter Divulgação/BBC A médica canadense-americana Jen Gunter virou uma caçadora de mitos sobre a saúde da mulher. Na visão dela, centenas de anos de desinformação serviram para que homens controlassem e oprimissem as mulheres. "Se você quer oprimir as mulheres, fazendo com que sempre tenham que se preocupar com seus corpos — que são normais —, a desinformação é uma ferramenta muito eficaz", afirma. Agora, para ela, uma indústria inteira de "bem-estar" perpetua esses mitos e cria novos para vender seus produtos. Mulheres ejaculam? As perguntas que levaram à criação da Pussypedia Cirurgia inédita usa pele de tilápia na reconstrução vaginal Seu objetivo, como ela diz no início do livro que lança agora em inglês, "The Vagina Bible" (A Bíblia da Vagina, em tradução livre), é empoderar todas as mulheres com informações precisas sobre a vagina e a vulva. "Pensei: 'Meu Deus, se é difícil para mim, que sou médica, como todo o resto das pessoas faz para encontrar informações?'" São 400 páginas respondendo a dúvidas das mais simples (o que é vagina?, o que é vulva?) às mais complexas (qual é a verdade sobre a vacina de HPV?). Gunter ficou famosa nos Estados Unidos por ter brigado publicamente com a atriz Gwyneth Paltrow, ganhadora do Oscar por "Shakespeare Apaixonado" que virou uma espécie de "guru" com um blog sobre saúde e bem-estar e uma empresa que vale milhões de dólares. O site da atriz já foi multado por divulgar informações sem base científica — algo que foi repetidamente apontado por Gunter, que já desmentiu que sutiãs causariam câncer (não causam!), que vaporizadores vaginais limpariam o útero (não limpam!; a ideia de que o útero é sujo é "um mito patriarcal", escreveu), entre outros. Em 2017, Gunter escreveu um texto dizendo que o site da atriz se alimentava da indústria do medo, gerando dúvidas e ideias erradas nas mulheres. O conselho editorial do blog da atriz respondeu chamando Gunter de "estranhamente segura" para fazer as afirmações que fazia. Gunter respondeu: "Eu não sou 'estranhamente segura' sobre saúde vaginal. Eu sou adequadamente segura porque sou uma especialista. Eu fiz 4 anos de medicina, 5 anos de residência em ginecologia e obstetrícia, um ano de pesquisa em doenças infecciosas" e seguiu citando todo seu currículo. "Uma mulher sem treinamento médico algum que diz para as mulheres andarem por aí com ovos vaginais é a que é 'estranhamente segura'." Na entrevista abaixo, ela fala sobre as causas e interesses por trás dos mitos sobre saúde feminina espalhados em sites e redes sociais e tira dúvidas sobre a saúde da mulher. Sexo é bom e eu gosto: vagina larga - como fortalecer? BBC News Brasil - No seu livro, você afirma que as mulheres sofreram com 'centenas de anos de desinformação'. A que tipo de desinformação você se refere? Jen Gunter - Em muitas culturas, não podemos nem falar o nome das partes dos corpos das mulheres. Não podemos dizer 'vagina', 'vulva' e 'clitóris'. Se você não pode falar o nome da parte, você sugere que há vergonha e que tem alguma coisa de suja nisso. Se você não pode falar sobre seu corpo, como você vai encontrar informações corretas sobre ele? O corpo das mulheres não foi estudado da mesma maneira que o corpo dos homens foi. Não estudamos a saúde feminina da mesma maneira que estudamos a saúde masculina. E as mulheres foram excluídas da medicina e da ciência. Foi só recentemente que passamos a escutar suas vozes. E agora, além disso, temos a indústria de 'wellness' [bem-estar], que é um marketing enganoso. Isso sempre existiu, mas agora vemos isso no nosso feed no Instagram, no Facebook, Twitter. Além disso, vemos as mesmas manchetes incorretas sendo repetidas várias vezes. E todos nós confundimos repetição com precisão. Quando as pessoas leem esses mitos, se espalhando cada vez mais rapidamente, essa informação 'pega' mais. BBC News Brasil - Como e por que você começou a desbancar mitos? Gunter - Como médica, eu me importo com a informação que meus pacientes trazem para o consultório. Foi um grande fator. Mas foi também porque eu tive filhos com condições sérias de saúde e comecei a pesquisar coisas online e achei muito lixo. Pensei: 'Meu Deus, se é difícil para mim, que sou médica, como todo o resto das pessoas faz para encontrar informações?' Então comecei a pensar sobre as informações que minhas pacientes traziam sob outra perspectiva. BBC News Brasil - Você também brigou publicamente com a atriz Gwyneth Paltrow. O que motivou essa desavença? Gunter - Um dia me mandaram um artigo [do site de Paltrow] sobre vaporizadores vaginais. Eu pensei: 'Essa é a coisa mais estúpida do mundo'. Então eu escrevi sobre isso e viralizou. Depois teve o texto dizendo que sutiãs causam câncer de mama. Não causam. E o que dizia para mulheres colocarem ovos vaginais. Não façam isso! Eu comecei a desmentir essas coisas e a Gwyneth achou que eu fosse 'estranhamente segura' para fazer essas afirmações, sendo uma médica e tal. E no final o site foi multado. Mas disseram que estavam apenas 'conversando'. É muito perigoso passar informações assim e depois dizer 'não estávamos transmitindo informações' ou mandando as pessoas fazerem alguma coisa. Você não quer transmitir informações ou mandar as pessoas fazerem algo, mas escreveu um artigo sobre ovos vaginais e está vendendo ovos vaginais. Eu acho que a maioria das pessoas diria que isso é mandar as pessoas fazerem algo. Médicos fazem alerta após mulher se queimar durante ‘vaporização vaginal’ Atriz Gwyneth Paltrow AP Photo/Matt Sayles BBC News Brasil - A quem interessa espalhar essas informações falsas sobre a saúde da mulher? Gunter - Bom, primeiro, a quem quer vender um produto. Se você tem suplementos não confiáveis e quer vendê-los, ou se você quer que mulheres coloquem 'ovos de energia' em suas vaginas, você vai querer desinformá-las. Se você quer vender absorventes internos caros que supostamente são orgânicos, sem benefícios para a saúde, você vai querer espalhar desinformação para que mulheres escolham os produtos mais caros. Mas essa desinformação também é muito danosa quando falamos sobre escolhas contraceptivas e direitos ao aborto. Vemos mulheres com medo de certos métodos contraceptivos por causa de mitos, ou vemos mulheres que não foram educadas adequadamente sobre contracepção por causa de desinformação, tomando decisões erradas porque não têm informação suficiente. E vemos governos tirando direitos reprodutivos das mulheres. E também há muitas semelhanças entre as imprecisões científicas e as notícias falsas na política. Algumas vezes, as pessoas compartilham desinformação por falta de conhecimento, mesmo. É preciso ter mais educação sobre saúde e ciência. A mesma coisa ocorre com ciência climática ou conteúdo antivacina. Se você examinar as pessoas que são contra vacinação, a minoria acredita em teorias da conspiração e a maioria foi contaminada com desinformação online. BBC News Brasil - No seu livro você menciona o patriarcado como grande motor da desinformação nesses casos. O que o patriarcado e o machismo têm a ver com os mitos que lemos por aí sobre a saúde das mulheres? Gunter - Tudo vem disso. Se você quer oprimir as mulheres, fazendo com que sempre tenham que se preocupar com seus corpos — que são normais —, a desinformação é uma ferramenta muito eficaz. Se você quer manter as mulheres na pobreza, sem dar a elas seus direitos e informações de reprodução, sem permitir que decidam sobre seus próprios corpos, essa é uma boa maneira de fazer isso. O mito básico, a crença básica e central do patriarcado é que os corpos femininos são sujos. Quando as meninas começam a menstruar, elas são sujas, envergonhadas em muitas culturas e comunidades. É assim que você controla as pessoas. Se você quer controlar metade da população, e tem um sinal claro de que são diferentes, de que estão sangrando, esse é um instrumento eficaz. Dizer: 'Ah, esse sangue é nojento e anormal, tem alguma coisa errada com você'. E mulheres viraram commodities. Elas precisam ser virgens até o casamento e precisam produzir tantas crianças quanto possível e, quando ficarem velhas, devem se calar e ir embora. É assim que somos tratadas. BBC News Brasil - E quais são as consequências, para as mulheres, de acreditar nesses mitos? Gunter - Elas acabam tomando decisões sobre sua saúde que podem ser ruins para elas. Acabam não recebendo o sexo que querem na cama porque não sabem dizer: 'Ei, só 30% das mulheres chegam ao orgasmo com penetração, quero estímulo na área do meu clitóris'. 100% das mulheres deveriam tomar a vacina da HPV, mas não tomam por causa da desinformação e de medo. É uma decisão médica ruim, porque expõe as mulheres a câncer do colo do útero. Há consequências sérias. BBC News Brasil - Você falou há pouco que 'não estudamos a saúde feminina da mesma maneira que estudamos a saúde masculina'. Como isso influencia o que sabemos sobre a saúde e o corpo feminino? Gunter - Para muitos medicamentos e condições médicas, os testes são feitos normalmente em homens saudáveis ou em homens, no geral. E há razões para tanto, que poderiam ter sido aceitáveis quando não tínhamos informações. As mulheres têm ciclos, nossos hormônios são diferentes em diferentes horas do dia. E algumas dessas coisas podem afetar condições médicas. Eu entendo biologicamente como estudos iniciais podem ser feitos em homens, mas isso não significa que é aceitável parar aí. Pessoas de diferentes contextos raciais podem responder de forma diferente a medicações diferentes. Sabemos que a idade pode ter um impacto. Tem muita exclusão de todos que não são homens brancos entre as idades de 18 e 35, a população jovem 'ideal' para estudos. Orgasmo clitoriano e vaginal: qual a diferença? Nós temos que pedir mais. Temos que dizer: vocês não podem estudar coisas que afetem só uma pequena população, porque até estudarmos todo mundo nós não vamos saber, não temos como saber que pode haver diferenças de impacto para diferentes idades e que mulheres podem responder aos medicamentos de forma diferente, baseado na sua idade, seu status da menopausa e a época do mês. BBC News Brasil - Com tantas notícias falsas sobre política, mas também sobre saúde, as pessoas podem ficar ansiosas, sem saber como se informar. Afinal, como devemos navegar esse ambiente repleto de informações nem sempre confiáveis? Gunter - Primeiro, não confie em celebridades nunca. A não ser que te digam para parar de fumar, o que é ótimo. Eu queria poder dizer que você pode confiar em médicos, mas você também nem sempre pode. Com sorte, você pode achar um médico em quem confiar. Mas médicos podem ser uma fonte de desinformação, também. E a internet também. Você pode ter bons médicos, médicos predatórios ou médicos que realmente não sabem. Você pode ter bons sites na internet e sites predatórios, e você pode ter sites cujos autores estão só confusos e passando informações incorretas sem saber. Acho que a vacina para isso são fatos. Quanto mais sabemos sobre o nosso corpo, mais poderemos receber informações e dizer: 'Isso é lixo, eu não deveria acreditar nisso'. Fatos ajudam. Também temos de ensinar as pessoas como pesquisar informações sobre saúde. É muito importante, temos que aumentar a educação sobre saúde. Temos de ensinar as pessoas como identificar viés em sites. Toda vez que você recebe uma informação médica, você deve refletir: 'Por que essa pessoa quer que eu acredite nisso? Qual é seu interesse nisso? É um jornalista, é alguém vendendo um produto, é alguém que é contra vacinas?'. Oito dúvidas sobre a saúde feminina As cinco primeiras dúvidas foram esclarecidas por Gunter durante a entrevista; as dúvidas de 6 a 8 foram respondidas com base em seu livro. 1) O ponto G existe? Jen Gunter - O "ponto G", no estudo original de Ernst Gräfenberg, descrevia de forma bastante precisa o que agora sabemos que é o clitóris, uma grande estrutura com tecido erétil que é muito perto da uretra. Então ele estava descrevendo algo que hoje sabemos: que parte do clitóris é muito próxima da uretra, e que muitas mulheres devem ter essa parte sensível dependendo do tipo de estimulação e do momento. Em alguns dias pode ser ótimo, em outros, não. Diferentes coisas podem afetar o que sentimos como prazeroso. Mas, de alguma maneira, essa ideia foi transcrita pelo patriarcado como um ponto que você pode tocar e levar a mulher à loucura. Não, não é isso, não é um botão que você aperta. É parte de uma coisa toda, parte do tecido erétil, e você vai ter que estimular aquilo com esforço, assim como você vai ter que estimular outras partes, e não é só um local, uma glândula específica. Acho que isso se tornou um "telefone sem fio". E mulheres dizem: "Não consigo ter um orgasmo com meu parceiro tocando só essa parte". Sim, porque não há um botão secreto. É mais que isso. E então nós vemos pessoas oferecendo "injeções para o ponto G", baseado na ideia de que você pode estimular os nervos dessa área, mas não pode. Aquele estudo originalmente correto foi traduzido para o público incorretamente. Seja porque os homens querem acreditar que podem levar as mulheres à loucura só com um toque, ou por causa da crença patriarcal de que o pênis é a melhor forma de as mulheres chegarem ao orgasmo. Mulheres que mantêm relações com mulheres dizem: "Do que vocês estão falando? Um pênis não é nada necessário para uma ótima experiência sexual". Falando com pessoas que não têm pênis, chegamos a conclusões diferentes. 2) A comida que ingerimos influencia nossa saúde vaginal? Comer é algo bom para nossa saúde como um todo. Se você tem uma dieta saudável e balanceada, você vai ter um corpo mais saudável no geral. Mas você não pode pensar na comida como algo para partes específicas do corpo, não é assim que funciona. E você não pode mudar o cheiro da sua vagina. O maior mito é que o consumo de açúcar pode causar infecções fúngicas. Essa é uma desinformação completa porque você não pode modificar o nível de açúcar da sua vagina com comida. Não é assim que o açúcar chega à sua vagina. E em alguns períodos do mês, a vagina pode ter até mais açúcar que o nível do seu sangue. E o açúcar na vagina também alimenta as bactérias que fazem bem. É uma completa falta de informação sobre todo o ecossistema da vagina. Há pessoas que pensam que comer iogurte ou colocar iogurte na vagina pode curar a candidíase. Não é verdade, porque não tem o tipo certo de lactobacilos. Você pode comer iogurte, é ótimo, é uma boa fonte de cálcio, e mulheres precisam de cálcio nas suas dietas, mas não vai ajudar sua vagina. 3) Como devemos limpar a vulva e a vagina? Limpar a vagina e limpar a vulva são duas coisas diferentes. A vulva é a pele da parte de fora, onde as roupas encostam na pele [formada pelos lábios maiores e menores e o clitóris, entre outros órgãos femininos externos], e a vagina é a parte de dentro [o canal que liga a vulva ao colo do útero]. A vagina nunca precisa de limpeza. Deixe ela em paz. Não encoste nela. É como um forno que se limpa sozinho. Duchas, sprays, lenços dentro da vagina, tudo isso é danoso. Nunca os use. Você mata as bactérias e pode danificar a camada de muco protetor que fica dentro da vagina. O corrimento existe para proteção. As células que estão lá flutuando na sua vagina que saem e que são parte do corrimento são parte um mecanismo de proteção, também. Elas só saem quando têm que sair. Então você está atrapalhando todos esses mecanismos de proteção naturais, as bactérias do bem, o muco, e pode até estar danificando as células e fazendo com que seja mais fácil para as bactérias entrarem. A vulva é só pele, como em qualquer outra parte. Não é mais suja que outras partes. Quando você se limpa, seu objetivo é tirar o sebo, secreções das glândulas sebáceas, e bactérias, se houver. Não necessita produtos de limpeza agressivos. Para muitas pessoas, água é o suficiente. Mas para as pessoas que acham que precisam de algo mais, um produto de limpeza pode ser melhor. Um produto de limpeza usa enzimas e químicos para tirar a sujeira e os detritos da pele sem tirar o manto ácido da pele, substância que protege nossa pele. É uma camada de proteção. E quando você tira essa camada, a pele fica seca. É o que o sabão faz. O sabão também pode aumentar o pH da sua pele. O pH da vulva é de mais ou menos 5.3, então você quer usar um produto que tenha mais ou menos o mesmo pH da vulva — é a coisa mais segura a se fazer. Eu só uso um sabonete facial porque eles são mais baratos e muitos produtos femininos não foram testados e muitos têm fragrância, e você não quer usar fragrância. E eu não quero apoiar uma empresa que também vende duchas. 4) Os pelos protegem a vagina? Devemos removê-los? Pelos púbicos são normais. Não é anormal tê-los. E acreditamos que o que fazem é providenciar uma barreira mecânica para a pele bloqueando sujeira e detritos, e que também provavelmente mantêm a a umidade da pele naquela área porque o teor de umidade da vulva é maior que o do resto do corpo. E também pode ter um papel no prazer sexual, porque cada folícula de pelo é ligada a um nervo — é por isso que dói quando você depila. Então mexer nos pelos púbicos pode aumentar as sensações no seu corpo na atividade sexual. Os riscos diretos de remover pelos púbicos são ferimentos, o que não é incomum — vemos feridas, infecções, pelos encravados. E alguns estudos sugerem que a remoção de pelos púbicos pode aumentar a chance de transmitir ou adquirir doenças sexualmente transmissíveis virais, herpes e HPV. Quando você remove um pelo ou passa uma lâmina, você cria um microtrauma na pele. É por isso que não passamos mais a lâmina antes de cirurgias, porque isso pode causar um microtrauma na pele e aumentar as possibilidades de adquirir infecções na cirurgia. Mas as pessoas são adultas e devem tomar decisões sobre seus próprios corpos. É uma decisão cosmética, não médica, de remover pelos púbicos, e há riscos. Mas as pessoas têm seu próprio cálculo de risco e benefício. Eu pinto o meu cabelo, posso irritar meu couro cabeludo. Mas sou uma adulta e posso tomar uma decisão adulta. O que é danoso é como a sociedade impõe a depilação a meninas, que começam a tirar os pelos quando têm 13 ou 14 anos, sem experimentar uma vida com pelos púbicos. Então elas não sabem se isso é melhor para elas sexualmente ou não. Elas acham que é anormal tem pelos púbicos e que devem removê-los. E há uma diferença entre remover os pelos e saber que essa é uma decisão cosmética. Eu sou a favor de que as pessoas façam as modificações que queiram no corpo, mas elas devem ser bem informadas, saber os fatos. 5) A pílula faz as mulheres engordarem? Isso já foi bastante estudado. Não há conexão entre as duas coisas. E os estudos foram feitos por médicos levando em consideração as preocupações das mulheres. Um estudo em que comparam mulheres tomando a pílula e mulheres com o DIU de cobre, ou seja, sem hormônios, mostrou que elas ganharam peso da mesma forma. Então isso nos mostra que uma mudança no modo contraceptivo é associada a uma mudança nos padrões de alimentação, mas não há relação com a pílula, não é uma coisa hormonal. As dúvidas a seguir foram esclarecidas a partir de informações do livro de Gunter: 6) As mulheres devem tomar vacina contra a HPV? Sim. O HPV (vírus que infecta a pele e as mucosas, podendo causar verrugas ou lesões) é causa do câncer de colo de útero e outros tipos de câncer, então a vacina ajuda a prevenir isso. Idealmente, a vacina é ministrada entre as idades de 9 e 12 anos. "As vacinas são altamente efetivas", diz Gunter no livro, "e muito seguras". Mais de 200 milhões de doses foram dadas no mundo inteiro. As doenças atribuídas à vacina "nunca apareceram em estudos de longo prazo". "Isso não significa que as meninas não tiveram sintomas, significa que sua condição médica não é resultado da vacina." Ela desmente preocupações por causa de boatos espalhados online sobre a suposta presença de mercúrio na vacina (algumas vacinas contém etilmercúrio, que é comprovadamente seguro, mas a vacina de HPV não contém o composto) e alumínio ("isso já foi extensivamente estudado há quase 100 anos, e a dose nas vacinas é sabidamente segura"). 7) Como uma mulher sabe se está com infecção urinária? Essas dicas valem para mulheres que têm de 2 a 3 infecções urinárias por ano. Mulheres com 4 ou mais episódios anuais têm as chamdas infecções urinárias recorrentes, e a situação pode ser diferente. Há uma boa probabilidade de infecção urinária quando existe um aumento da frequência das idas ao banheiro, ardência ao urinar e nenhuma mudança no escorrimento. Algumas mulheres sentem dor na bexiga e ficam com sangue na urina. Nem todas as mulheres têm sintomas clássicos, então o diagnóstico é difícil. O tratamento é com antibióticos. Falta de ingestão de água e má higiene podem provocar a infecção urinária 8) É normal sentir dor durante o sexo? Segundo o "The Vagina Bible", 30% das mulheres sentem dor com penetração vaginal. É uma condição médica — não é normal sentir dor no sexo. Muitas das causas têm tratamento. Nem toda condição tem cura, mas melhorar a dor é quase sempre possível. Primeiro, a mulher que sente dor durante o sexo deve contar isso para seu médico, que deve buscar as causas para essa dor. Há dez causas comuns para a dor durante o sexo, e é possível sofrer de mais de uma (estrógeno baixo, contracepção hormonal, infecção vaginal, espasmos dos músculos do assoalho pélvico, vestibulite vulvar, alterações na pele da vulva, cicatrizes, endometriose, inflamação na bexiga e problemas mecânicos ou técnicos). Veja Mais

Cientistas descobrem como parasita mortal passou de gorilas para humanos

Glogo - Ciência Descoberta poderá ajudar o desenvolvimento de novas maneiras de combater a malária. Gorilas são ameaçados por caçadores no Congo Melissa Major/Pixabay Uma rara sequência de eventos permitiu que um tipo mortal de malária em gorilas "pulasse" para outras espécies e atacasse os humanos. Centenas de milhares de pessoas morrem todos os anos em decorrência da malária, e o tipo pesquisado pelos estudiosos (Plasmodium falciparum) é responsável pela maioria dos casos. Grandes primatas africanos foram os hospedeiros originais do parasita. Mas os cientistas descobriram que uma mutação genética ocorrida 50 mil anos atrás se transformou em uma ameaça aos humanos. Picadas de mosquitos Os achados, divulgados na publicação PLoS Biology, poderão ajudar o desenvolvimento de novas maneiras de combater a malária, afirma o Instituto Wellcome Sanger. A malária é causada por um parasita que entra na corrente sanguínea depois da picada de um mosquito infectado em um humano ou em outros animais. Há diversas cepas do parasita, e um dos mais relevantes, que afeta apenas humanos, é o Plasmodium falciparum. Ela mudou de hospedeiros na mesma época da primeira migração de humanos para fora da África, entre 40 mil e 60 mil anos atrás. Os pesquisadores analisaram as mudanças genéticas de diferentes tipos ancestrais do parasita, focando em particular o gene chamado rh5 — um peça vital do código do DNA que permite à malária infectar hemácias humanas. Esse alvo é importante para os profissionais de saúde que atuam no desenvolvimento de vacinas contra a malária. Pesquisadores acreditam que há milhares de anos dois tipos de malária co-infectaram um gorila e trocaram material genético entre si. Pesquisadores da Unicamp descobrem molécula que pode levar a novo tratamento da malária O Plasmodium falciparum absorveu o gene rh5. "Este raro evento levou a muitas mortes de humanos", afirmou o pesquisador que liderou o estudo, Gavin Wright. "O rh5 é atualmente um importante candidato para uma vacina contra a malária. Então, se tivermos mais informações sobre esse gene, isso pode ajudar o combate à doença." Para ele, teoricamente há poucas chances de novas mutações em breve. Quase metade da população mundial vive sob risco de malária. A maioria dos casos registrados e das mortes são com crianças da África Subsaariana, causada pelo Plasmodium falciparum. Veja Mais

Por que mais de 70% dos casos de câncer de mama no Brasil são diagnosticados em estágio avançado

Glogo - Ciência A maioria das mulheres diagnosticadas com a doença no país palpa o próprio nódulo; para muitas delas o problema é a dificuldade de marcar uma consulta ou fazer um exame pelo sistema público de saúde. Depois da cirurgia de retirada da mama, Sandra Duarte ficou com uma sequela e faz fisioterapias semanalmente no Hospital do Câncer de Ribeirão Preto, SP Leonardo Rodrigues/G1 O relato é breve: "Câncer de mama 6 meses esperando biópsia Agora aguardando consulta com oncologista Para começar quimioterapia." No início do ano, a Femama, que reúne 72 entidades filantrópicas que apoiam mulheres com câncer de mama, colocou no ar uma página intitulada "Relatos de Espera", para que pacientes compartilhassem as dificuldades que tiveram para serem diagnosticadas e começarem o tratamento. Entre as dezenas de mensagens está a de Cristiane, de Mangaratiba (RJ), enviada no dia 6 de fevereiro. Com mais ou menos adjetivos, as histórias são parecidas, e não por acaso: as deficiências do Sistema Único de Saúde (SUS), na visão de muitos especialistas, postergam diagnóstico e tratamento de milhares de mulheres em todo o Brasil e aprofundam as desigualdades entre ricas e pobres. Imagens mostram regressão de câncer em paciente terminal após tratamento pioneiro na América Latina Brasileiro com câncer terminal terá alta após terapia genética pioneira obter sucesso pela 1ª vez na América Latina Melhorar o acesso Para especialistas como o mastologista Rodrigo Gonçalves, pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), esse é um ponto central na luta do país contra o câncer de mama, que tem atingido - e matado - cada vez mais mulheres no Brasil. Melhorar o acesso das mulheres ao SUS é uma das principais recomendações do paper "Avaliação ética do rastreamento de câncer de mama no Brasil para se fazer frente às estatísticas negativas". O trabalho, que está sendo submetido a uma publicação internacional, é assinado por ele e outros três colegas: José Maria Soares Jr, professor da Faculdade de Medicina da USP, Edmund Chada Baracat, pró-reitor de Graduação da USP, e José Roberto Filassi, professor chefe do setor de mastologia da FMUSP. O texto ressalta o número elevado de diagnósticos da doença em estágio mais avançado. A proporção passa de 70%: 53,5% dos diagnósticos são em estágio 2 e 23,2% em estágio 3, de acordo com os dados do Estudo Amazona, assinado por pesquisadores de 19 instituições e que leva em conta dados de pacientes atendidos pelas redes pública e particular. Em países como Estados Unidos, por exemplo, 62% dos casos são detectados em estágio inicial, quando os tumores ainda são localizados. O paper dos pesquisadores brasileiros ressalta que, se tomadas apenas as mulheres com acesso à saúde privada, as proporções se invertem. A grande maioria recebe o diagnóstico no estágio inicial da doença. Essa diferença, dizem, mostra como é "perverso" o sistema "dual" de saúde no Brasil, em que quem tem condições paga o sistema privado e quem não tem depende unicamente do SUS. Quanto mais tardio o diagnóstico, menores as chances de sobrevivência da paciente e mais invasivo o tratamento - o número de sessões de quimio e radioterapia e a necessidade da retirada da mama, a mastectomia. Nobel de Medicina premia americano e japonês por terapia contra o câncer Conquista da ciência brasileira reverte quadro de paciente com câncer agressivo Um ano do nódulo à cirurgia Cristiane da Silva Abreu realizou uma mastectomia radical com esvaziamento axilar no dia 26 de dezembro de 2018, quase um ano depois de descobrir um nódulo abaixo do mamilo. Em busca de um diagnóstico, no começo do ano passado ela procurou a ginecologista da rede privada com quem costumava fazer sua prevenção. Sem plano de saúde, a carioca separava pelo menos R$ 300 por ano para tentar fugir da fila do SUS, pagar a consulta com especialista e alguns exames. Desta vez, a mamografia mostrou uma alteração do tipo bi-rads 4 na mama, que indica suspeita de malignidade e necessita de biópsia para confirmação. Por conta da região delicada em que se encontrava o nódulo, o procedimento precisava ser cirúrgico - e não apenas por meio de uma punção -, com retirada e reconstituição do mamilo. Isso foi em março. Abril, maio, junho, julho, agosto... A espera durou 6 meses - e poderia ter sido maior. Cristiane decidiu acionar um cunhado que trabalhava na Secretaria de Saúde de Mangaratiba e que intercedeu por ela junto à secretaria da pasta, que transferiu seu caso para o hospital federal Cardoso Fontes. "Fiz a biópsia e, na saída do procedimento, a médica alertou que muito provavelmente eu precisaria fazer a mastectomia." Foram mais três meses até a cirurgia, que retirou a mama esquerda e parte do músculo peitoral. A reconstrução da mama seria delicada, demandaria uma série de enxertos - e, por isso, ela decidiu que não faria. O relato de Cristiane é o que abre este texto. Ao contrário do que a mensagem econômica nas palavras pode sugerir, ela é uma dessas pacientes que tiram energia das dificuldades. Dando risada, contou na conversa por telefone com a reportagem que, para fazer valer a isenção ao IPTU à qual tem direito, já que passou a ser considerada portadora de deficiência após a cirurgia, chegou a "invadir" a prefeitura de Mangaratiba. "Fui no gabinete do prefeito e mostrei minha cicatriz", diz a funcionária pública, hoje com 47 anos. Cristiane não precisou fazer quimioterapia, como pensava em fevereiro de 2019. Por recomendação médica, entretanto, tem de acompanhar de perto a outra mama. Até hoje, porém, não conseguiu uma consulta. "Liguei no começo do ano e disseram que a agenda de 2019 já estava fechada." Dois cientistas ganham prêmio Nobel de Medicina por pesquisa sobre câncer Mais de 60 dias entre diagnóstico e tratamento Para as pacientes do SUS, a espera para realização de uma biópsia - fundamental para entender o tipo de câncer e as possibilidades de tratamento - leva entre 75 e 185 dias, conforme os dados citados no trabalho de Gonçalves. O intervalo entre o diagnóstico do câncer de mama e o primeiro tratamento no SUS leva mais de 60 dias em mais de 50% dos casos, de acordo com os dados reunidos pelo Painel-Oncologia, do Instituto Nacional de Câncer (INCA) até 2017. Os números de 2018 apontam uma proporção ligeiramente menor, mas há um volume grande de casos sem informação (cerca de 7%), ou seja, em que não se sabe o intervalo do diagnóstico ao tratamento. A médica mastologista Maira Caleffi, presidente voluntária da Femama e chefe do serviço de mastologia do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, lembra que uma lei aprovada em 2012 determina um prazo máximo de 60 dias para início do tratamento após o diagnóstico. "Os gestores públicos já estão usando os 60 dias como indicador de eficiência, cobram dos hospitais - mas, como tudo no Brasil, as coisas demoram a mudar." Agora, a entidade faz campanha pela aprovação da "Lei dos 30 dias", que estabelece um prazo máximo de um mês para que a mulher consiga ser diagnosticada. O projeto passou pela Câmara em dezembro do ano passado e está parado no Senado. Caleffi conta que o PL já entrou e saiu da pauta algumas vezes e que agora está parado na Comissão de Finanças e Tributação. "Eles dizem que não tem dinheiro (no sistema público de saúde para garantir o diagnóstico em 30 dias)", diz a médica, que defende pautas de interesse das pacientes com câncer de mama há 26 anos. Nódulo de 14 centímetros A gaúcha Katia Lopes recebeu o primeiro diagnóstico de câncer de mama aos 28 anos, em 2006. A cidade de Tramandaí, onde vive, não tem médicos especialistas. Assim, ela fez todo o tratamento em Porto Alegre, a uma hora e quarenta de ônibus. Foi uma maratona. Para as sessões de quimioterapia - que começaram cerca de 8 meses depois de ela sentir o nódulo no seio -, acordava de madrugada para chegar a tempo ao ponto de onde saia o transporte disponibilizado pela prefeitura, que partia às 4h30 da manhã. Em 2015, quase dez anos depois da primeira mastectomia radical, ela sentiu um nódulo na outra mama. O fato de já ser paciente oncológica não fez diferença na fila de espera do SUS: foram três meses até que conseguisse se consultar com a mastologista que a acompanhava. Outro diagnóstico de malignidade. O nódulo cresceu rápido e, quando ela foi operada, em 22 de janeiro de 2017, o tumor media 14 centímetros. Em 2006, a médica deu encaminhamento na prefeitura para que Katia fosse submetida a um teste genético. O procedimento ajudaria a medir o risco de ela desenvolver câncer na outra mama ou em outras partes do corpo, mas até hoje não foi liberado. Katia conseguiu se aposentar por invalidez depois da primeira mastectomia, que foi bastante invasiva. Recentemente, entretanto, o pente fino que o INSS vem fazendo sobre aposentadorias por invalidez e auxílio doença cortou o benefício. Ela entrou na Justiça, mas perdeu a causa. Há 6 meses procura emprego, "alguma coisa que não seja pesada", já que sente dores quando força o movimento dos braços. Seu advogado tenta garantir na Justiça um auxílio de meio salário mínimo por mês, que ela espera para ajudar a pagar as despesas de casa, com quem mora com o filho, de 25 anos. 'Fura fila' As histórias de Cristiane e Katia, que foram diagnosticadas jovens, antes dos 50 anos, não são casos raros: 41,1% de todos os casos de câncer de mama no país atingem mulheres até essa idade, conforme os dados do Estudo Amazona, citados no trabalho do médico Rodrigo Gonçalves. Nos EUA, por exemplo, o percentual de diagnósticos até os 54 anos de idade (parâmetro adotado pelo National Cancer Institute) é de 30,4%. O mastologista afirma que ainda "não existe nenhuma explicação sólida sobre os motivos de termos mais mulheres jovens com câncer no Brasil", mas chama atenção para o fato de que as diretrizes para o rastreamento da doença estabelecidas pelo Ministério da Saúde recomendam a mamografia em mulheres entre 50 e 69 anos, a cada dois anos. "O Brasil está copiando as recomendações de rastreamento de países desenvolvidos - e que não atendem a 41% da população afetada pela doença", ressalta. A sugestão dele e dos colegas, entretanto, não é reduzir a idade de rastreamento - que representaria um custo elevado para o sistema de saúde sem necessariamente trazer benefícios na mesma proporção -, mas melhorar o acesso das mulheres ao SUS, especialmente aquelas com nódulos palpáveis e lesões suspeitas. Nesses casos, eles recomendam que as pacientes tenham prioridade na fila para consulta e exames - o que já acontece em hospitais públicos como o Pérola Byington, em São Paulo, exemplifica o médico. Segundo o mastologista Luiz Henrique Gebrim, diretor do Pérola Byington, 70% das mulheres com câncer diagnosticadas no SUS palparam o nódulo - é o que os médicos chamam de "self detected cancer" ("câncer autodetectado"). "Elas não precisam de mamografia, precisam de exame clínico e biópsia", concorda. Na unidade, que recebe os casos já triados, as pacientes são submetidas à biópsia no mesmo dia da consulta com o especialista. Detectado em estágio inicial, a mortalidade do câncer de mama cai em até 30%. "Nós economizamos mais (porque reduzimos os tratamentos de alta complexidade) e salvamos mais gente." Com apoio da fundação americana Susan Komen, o hospital está replicando seu modelo em outros Estados. Segundo Gebrim, já foram treinados cerca de 100 médicos em cidades como Manaus, Belém e Teresina. A diretora geral do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Ana Cristina Pinho, respondendo a questionamentos da reportagem enviados ao Ministério da Saúde, afirmou que as áreas técnicas do instituto e a pasta defendem a hierarquização dos casos, para que as lesões suspeitas sejam verificadas de forma mais célere, e diz que a diretriz para o fast track já existe no SUS. "Na prática ele não funciona a contento, de maneira organizada, estruturada. Não é isso que a gente vê. Precisa que a rede esteja funcionando mais adequadamente, e esse é um trabalho a ser feito", disse, por telefone. Segundo ela, já existem protocolos de encaminhamento rápido nos casos suspeitos para investigação diagnóstica na atenção primária, que é de competência dos municípios. "Nada disso é possível sem o envolvimento dos gestores municipais e estaduais. O SUS, na sua concepção, é um sistema tripartite, que funciona necessariamente em rede. Se a rede não funciona, o sistema não vai funcionar." Aumento da mortalidade Questionada sobre o aumento da mortalidade do câncer de mama no Brasil, que muitos especialistas consideram em parte reflexo da dificuldade de acesso de muitas mulheres ao SUS, a diretora geral do INCA aponta outras razões - a maior longevidade do brasileiro, o aumento no número de casos e de uma melhor "qualificação e apuração das bases de dados". "A incidência do câncer de mama está aumentando na população, mas por quê? Porque a nossa população está vivendo mais. Então é um processo natural. A gente está seguindo a tendência no mundo. Isso mostra avanços, de um modo geral, para a saúde da população, proporcionado pela cobertura universal (do sistema de saúde)." Segundo ela, "a tendência é que a mortalidade, pelo menos durante um período, aumente. E, a partir de um determinado momento, ela comece a reduzir, na média." Ana Cristina Pinho também ressalta que a mortalidade, de forma geral, não aumentou de maneira proporcional ao aumento da incidência, e que ela chegou a cair em algumas regiões. No lançamento da Campanha Outubro Rosa deste ano, a página do Ministério da Saúde destaca que a mortalidade no país está abaixo da média global, em linha com a de países como Estados Unidos, Reino Unido e França, mas não menciona que ela está crescendo. O indicador passou de 9,15 por 100 mil habitantes para 12,11 por 100 mil entre 1980 e 2016 - alta de 32% -, conforme os dados da International Agency on Research on Cancer (Iarc), ligada à Organização Mundial de Saúde. A mesma base mostra que os países citados pela pasta em seu site têm reduzido a mortalidade desde meados dos anos 90. Veja Mais

Ministério da Ciência e Tecnologia pede à Economia liberação de R$ 180 milhões do orçamento do Sirius

Glogo - Ciência O valor está previsto no orçamento de 2019 do principal programa de pesquisa brasileiro, mas está contingenciado. Laboratório de luz síncroton de 4ª geração está em construção em Campinas (SP). Sirius: maior estrutura científica do país, instalada em Campinas (SP). CNPEM/Sirius/Divulgação O Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) pediu ao Ministério da Economia, em ofício, liberação de R$ 180 milhões ao Projeto Sirius, laboratório de luz síncrotron de 4ª geração em construção em Campinas (SP). O valor está previsto no orçamento de 2019 do principal programa de pesquisa brasileiro, mas está contingenciado. Apesar do pedido de empenho, não há prazo para o pagamento da verba. Entenda o Sirius, o novo acelerador de partículas do Brasil Em visita ao Sirius, o ministro Marcos Pontes estimou R$ 400 milhões para concluir o laboratório. Do orçamento deste ano, de R$ 255,1 milhões, a pasta ainda precisa destinar R$ 205,1 milhões - o MCTIC fez empenho de R$ 75 milhões, e depositou R$ 50 milhões ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização responsável pela estrutura. Com o atraso na liberação de recursos pelo contingenciamento de verbas, e a previsão de recursos para 2020 abaixo da expectativa, o CNPEM já informou que as 13 de linhas de pesquisa previstas para o Sirius não ficarão prontas no próximo ano. A abertura do laboratório, no entanto, segue confirmada para 2020, com um número menor de estações de pesquisas. Verba contingenciada A liberação de verbas para o Sirius foi prejudicada pelo contingenciamento de verbas pelo governo federal. A primeira liberação de recursos pela União, no entanto, não foi a esperada pelo MCTIC. Dos R$ 8,3 bilhões descontingenciados, R$ 80 milhões foram destinados à pasta, uma das menores fatias. Na ocasião, o ministro Marcos Pontes mostrou descontentamento. Ele disse ao G1 que esperava por cerca de R$ 1 bilhão para tocar projetos do MCTIC, entre eles o Sirius, e reclamou da pouca verba, chegando a comparar a diferença entre "expectativa e realidade" como se tivessem "tirado o motor de um Fórmula 1". "É basicamente quando você tem uma corrida, um carro de Fórmula 1, você quer aumentar a velocidade do carro e corta o motor", disse. O ministro de ciência e tecnologia, Marcos Pontes, durante visita ao Sirius, em Campinas (SP) Fernando Evans/G1 Entenda o Sirius O laboratório, que já está com toda a obra civil concluída e aguarda testes no terceiro e principal acelerador de elétrons, é uma das mais modernas do mundo. Com a luz síncrotron gerada pelo Sirius os pesquisadores poderão analisar diferentes materiais em escalas de átomos e moléculas. A estrutura pode revolucionar a pesquisa brasileira e internacional em várias áreas, como saúde, agricultura e exploração do petróleo. Atualmente, há apenas um laboratório de 4ª geração de luz síncrotron operando no mundo: o MAX-IV, na Suécia. O equipamento brasileiro, no entanto, foi projetado para ter uma luz mais brilhante que o europeu. O atraso nos repasses, por enquanto, não deve afetar a abertura das primeiras linhas de pesquisa do Sirius em 2020. Pelo menos é o que garante o diretor do projeto, Antônio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM. "Não tem milagre. Você atrasa o escopo total do projeto, mas o ponto importante é que foi possível fazer uma gestão para que o Sirius comece a dar retorno. Com a entrega da primeira linha de luz, ele começa a ser utilizado", explicou Silva. Entenda como funciona o Sirius, o Laboratório de Luz Síncrotron Infográfico: Juliane Monteiro, Igor Estrella e Rodrigo Cunha/G1 Veja mais notícias da região no G1 Campinas Veja Mais

De Niro e Pacino: setentões de volta em épico sobre a máfia

Glogo - Ciência Martin Scorsese, prestes a completar 77 anos, dirige “The irishman” Em novembro, Martin Scorsese completará 77 anos. Um dos diretores mais brilhantes de sua geração, ele brindará o público com o que promete ser uma nova obra-prima: “The irishman” (“O irlandês”), cujo trailer já está disponível. Num panorama cinematográfico onde imperam comédias rasas ou filmes de aventuras que ocupam centenas de salas, os amantes da sétima arte poderão se esbaldar com esse encontro de veteranos. O elenco é encabeçado por Robert de Niro (76 anos), Al Pacino (79) e Joe Pesci (76), atores cuja química já foi testada em diversas ocasiões. Assim como em produções anteriores, como “Os bons companheiros”, “Os infiltrados” e “Cassino”, Scorsese fala da máfia e do seu papel na construção da identidade dos Estados Unidos como nação. Há inclusive menção a uma possível participação da Cosa Nostra no assassinato de John Kennedy. Essa também é uma história de violência, traição, reminiscências e perdas. O filme é baseado no livro “I heard you paint houses”, de Charles Brandt – “Eu soube que você pinta casas” era um eufemismo utilizado para identificar matadores de aluguel. A expressão foi criada porque o sangue das vítimas, normalmente abatidas a tiros, espirrava nas paredes... A Netflix bancou o projeto de mais de 150 milhões de dólares de Scorsese, cuja estreia nos cinemas ocorrerá no começo do próximo mês e, no streaming, no dia 27 de novembro. Al Pacino e Robert De Niro, em “The irishman”, filme sobre a máfia dirigido por Martin Scorsese Divulgação São quase três horas e meia de projeção. Na abertura, a câmera percorre os corredores de um asilo até chegar a um idoso, o responsável pela narrativa de seus crimes e sobre os comparsas a quem serviu. Ele é Frank Sheeran, o irlandês interpretado por De Niro, que aprende a matar no Exército, ao servir durante a Segunda Guerra Mundial. Depois passa a trabalhar para o mafioso Russell Bufalino (Joe Pesci) e se torna o principal suspeito do assassinato do líder sindical Jimmy Hoffa, vivido por Pacino. Ao rememorar sua trajetória, ele lembra que, nos anos de 1950, “Hoffa era tão famoso quanto Elvis Presley”. Scorsese usou recursos digitais para “remoçar” o trio, uma vez que a história cobre décadas das vidas dos personagens. Os setentões, na frente e atrás das câmeras, estão mais afiados do que nunca. Veja Mais

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Morre Alexei Leonov, primeiro humano a caminhar no espaço

Glogo - Ciência O cosmonauta russo tinha 85 anos e morreu após enfrentar uma longa doença. A primeira caminhada espacial foi feita do lado de fora de uma espaçonave em 1965. Alexei Leonov, cosmonauta russo, morreu aos 85 anos nesta sexta-feira (11). Reprodução/Twitter/@nasa O cosmonauta russo Alexei Leonov, o primeiro humano a caminhar no espaço em 1965, morreu nesta sexta-feira (11) aos 85 anos de idade após enfrentar uma longa doença, informou a agência de notícias russa TASS. O enterro deverá ser em Moscou na terça-feira, informou o Centro de Preparação de Cosmonautas. Em 1965, Leonov foi o cosmonauta que caminhou do lado de fora da espaçonave. Ele fez um deslocamento de dois a três metros de distância ao longo 12 minutos e 9 segundos, de acordo com a agência de notícias Reuters. Leonov foi também o comandante da primeira missão espacial conjunta entre Rússia e Estados Unidos. Caminhada no espaço Em 2015, 50 anos após sua façanha, Alexei Leonov lembrou à agência de notícias AFP o momento em que flutuou "no escuro profundo", das estrelas "em toda parte" e do "Sol ofuscante". A missão era a Voskhod-2. "Filmei a Terra, perfeitamente redonda, o Cáucaso, a Crimeia, o Volga. Era lindo, como pinturas de Rockwell Kent", disse, referindo-se ao pintor americano conhecido por suas linhas limpas e cores suaves. Seu retorno à nave foi mais complicado do que o esperado: seu traje se expandiu e ele não conseguiu mais operar a câmera. Sem esperar, decidiu reduzir a pressão em seu traje e conseguiu entrar de cabeça, ao contrário do planejado. O cosmonauta perdeu 6 quilos. Na cabine, o sistema de descida automática não funcionava. Com seu companheiro de equipe, retornou à Terra em modo manual, pousando nos Urais, a 2 mil quilômetros do local planejado no Cazaquistão. "Esperamos três dias na floresta antes de sermos repatriados, e a rádio soviética garantia que estávamos de férias após o voo", lembrou em 2015, rindo, segundo a AFP. Missão Estados Unidos - Rússia Leonov voou para o espaço novamente em 1975, comandando a metade soviética da missão Apollo-Soyuz, o primeiro vôo espacial dos Estados Unidos com a União Soviética. A missão marcou o início de uma cooperação que dura até hoje. A viagem ocorreu em um momento em que a Rússia e os EUA - que passaram parte da Guerra Fria em uma corrida espacial - estavam seguindo uma política de distensionamento. O presidente russo, Vladimir Putin, conhecia Leonov e tinha grande respeito por sua coragem, disse o porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov nesta sexta-feira, segundo a TASS. A Nasa disse em comunicado no Twitter que ficou triste com a morte de Leonov. "Sua aventura no espaço deu início à história de atividades fora de veículos espaciais e faz hoje a manutenção da Estação Espacial possível", afirmou. Initial plugin text Morte de Gagarin O cosmonauta era amigo íntimo do primeiro homem a ir ao espaço, o cosmonauta russo Yuri Gagarin, que morreu em um acidente de avião, em 27 de março de 1968, perto de Moscou. Após a queda da União Soviética em 1991, Leonov ganhou as manchetes na Rússia questionando a versão oficial do governo, segundo a qual Gagarin morreu no comando de um avião tentando evitar um balão meteorológico. Segundo Leonov, membro da comissão de inquérito de 1968, um avião de caça Sukhoi cruzou a trajetória de Gagarin, a menos de 20 metros de sua aeronave, provocando o acidente. Ao atravessar a barreira do som, o caça provocou o giro e a queda do avião de Gagarin, segundo Leonov. Veja Mais

'Cheguei ao hospital segurando minha mandíbula': cirurgia reconstrói rosto de adolescente

Glogo - Ciência Emily Eccles escreveu à rainha Elizabeth 2ª pedindo que o cirurgião que reconstruiu seu rosto seja condecorado como cavaleiro do Império Britânico. Emily Eccles fraturou o lado esquerdo da mandíbula quando andava a cavalo PA Media/BBC A adolescente Emily Eccles, de 15 anos, quebrou a mandíbula em agosto, quando andava a cavalo. O acidente foi tão feio que o cirurgião que a operou disse que a lesão era a mais grave que ele já tinha visto fora de uma zona de guerra. Apenas um centímetro de pele manteve a mandíbula presa ao rosto da britânica, conta o médico Ricardo Mohammed-Ali, que reconstruiu toda a área afetada usando três placas de titânio. A jovem levou 160 pontos. Emily andava a cavalo com uma amiga na vila de Baslow, no condado de Derbyshire, no Reino Unido, quando o animal se assustou com o estampido do escapamento de um carro e saiu em disparada por uma trilha. Seu pé escapou do estribo, ela caiu e bateu a cabeça em um poste de madeira. Emily conseguiu voltar à escola um mês depois do acidente PA Media/BBC Segurando a mandíbula quebrada junto ao rosto para evitar que a pele rasgasse mais, a jovem foi levada às pressas a um hospital infantil na região. A cirurgia de reconstrução durou cinco horas e meia e foi considerada um sucesso - um mês depois do acidente, Emily já conseguiu voltar à escola, em tempo para pegar o segundo semestre letivo. "Poderia ter sido pior, foi um dos ferimentos mais graves que já vi em uma criança fora de uma zona de conflito", afirmou Mohammed-Ali. "A fratura desconectou todo o lado esquerdo da mandíbula de Emily, que ficou presa ao rosto por um pequeno pedaço de pele." "Estou muito satisfeito com a recuperação dela até o momento." 'No começo eu não sabia muito o que fazer, não queria olhar para o meu rosto', diz a garota de 15 anos PA Media/BBC A jovem conta que, inicialmente, evitava olhar para o próprio rosto - até que, acidentalmente, mudou a câmera do celular para o modo selfie quando escrevia uma mensagem para uma amiga. "Parecia uma coisa de filme, foi bem assustador", afirmou. "No começo, eu não sabia muito o que fazer, não queria olhar para o meu rosto. Achava que não teria mais a vida que eu levava antes." Emily escreveu à rainha Elizabeth 2ª pedindo que o cirurgião seja condecorado como cavaleiro do Império Britânico e recebeu uma carta de seu secretário afirmando que o assunto já havia sido encaminhado para o órgão competente. "Salvar vidas e devolver a normalidade à vida das pessoas definitivamente é algo digno de reconhecimento", ressalta a adolescente. Veja Mais

Cientistas brasileiros descobrem molécula capaz de enfraquecer tumor que provoca câncer em crianças

Glogo - Ciência Molécula microRNA-367 pode ser controlada para reduzir a força de tumores e facilitar o tratamento de câncer pediátrico. Pesquisa da USP descobre molécula capaz de diminuir agressividade de tumores em crianças Pesquisadores brasileiros identificaram pela primeira vez uma molécula que pode reduzir a agressividade de tumores embrionários do sistema nervoso central, responsáveis por uma espécie de câncer mais comum em crianças. A bióloga da Universidade de São Paulo (USP) Carolini Kaid é uma das responsáveis pela descoberta da molécula chamada microRNA-367, que foi publicada em agosto pela revista europeia "Molecular Oncology". Mãe posta fotos de filho com leucemia para conscientização sobre câncer infantil "O que eu descobri é uma maneira de inibir a agressividade do tumor", disse Kaid. "Quando a gente tratou o inibidor dessa molécula, alguns camundongos não geraram tumor; e os que geraram, foram tumores benigno, pequenos, que poderiam ser tratados com quimio ou radioterapia." A bióloga explicou que os resultados foram "impressionantes" nas cobaias que receberam células de crianças com câncer. Ela defendeu que este processo pode ser rapidamente aplicado em hospitais para direcionar o tratamento de câncer pediátrico. Entretanto, antes de começar os estudos clínicos, os pesquisadores explicam que são necessários testes sobre a toxicidade desta molécula em sua versão sintética. Além disso, precisam entender melhor como ela é metabolizada e quanto tempo pode permanecer no organismo. Célula tumoral de camundongo utilizada em pesquisa que reduz a agressividade de câncer em crianças Reprodução/Molecular Oncology Investimento público A pesquisadora destacou que a descoberta aconteceu após seis anos de dedicação exclusiva a este projeto, e que só foi possível seguir por conta da redução na oferta de bolsas de mestrado e doutorado. "Se não tivesse a bolsa eu teria que parar o estudo no meio do caminho, e talvez essa tecnologia nunca chegaria pra favorecer pacientes na clínica", disse Kaid sobre o cenário atual de redução nos investimentos para a ciência. A pesquisadora Mayana Zatz, da USP Caio Kenji/G1/Arquivo A cientista Mayana Zatz, chefe do centro responsável pela descoberta, defendeu a importância do investimento contínuo na ciência. "A gente descobriu um tratamento pra câncer brasileiro, isso vai ser acessível aos pacientes num custo infinitamente menor se a gente tiver que importar", disse. "É isso que o governo tem que olhar: investir hoje pra colher daqui a quatro, cinco anos. Mas isso não pode parar." A reportagem entrou em contato com o Ministério da Ciência e Tecnologia para perguntar sobre os investimentos em pesquisa no Brasil. Leia o que respondeu a pasta em nota: "Diante das restrições orçamentárias o Ministério tem dado prioridade ao pagamento das bolsas do Cnpq e atuado junto ao Ministério da Economia e ao Congresso para aumentar os recursos." Veja Mais

'Em êxtase', diz brasileiro sobre prêmio Nobel para colegas de universidade que pesquisam exoplanetas

Glogo - Ciência Leonardo dos Santos integra time que pesquisa exoplanetas na Universidade de Genebra, de onde saíram os ganhadores do Prêmio Nobel de Física de 2019; Astrônomo já assinou pesquisa com os premiados e tem escritório vizinho a vencedor. Astrônomo brasileiro, Leonardo dos Santos, estuda exoplanetas e integra mesmo time de investigação que os vencedores do Nobel de Física de 2019 Leonardo dos Santos/Arquivo Pessoal O cientista brasileiro Leonardo dos Santos comemorou "em clima de final de Copa" a vitória dos colegas do Observatório de Genebra, na Suíça. Michel Mayor e Didier Queloz, professores da instituição, levaram nesta terça-feira (8) o Prêmio Nobel 2019 de Física por seu trabalho na área de exoplanetas. "A gente recebeu a notícia em êxtase. Estamos todos muito felizes. Hoje ninguém consegue mais se concentrar. Estamos nas alturas", disse ao G1 o doutorando que vive há três anos na Suíça. Santos é membro do grupo que estuda os planetas além do Sistema Solar, e se orgulha de ter assinado, em co-autoria com outros astrônomos, uma pesquisa recente com a dupla vencedora do Nobel de Física. A academia sueca reconheceu na manhã de terça a descoberta feita em 1995 por Mayor e Queloz. Os pesquisadores da Universidade de Genebra foram os primeiros a identificar um planeta fora do Sistema Solar: o 51 Pegasi b, exoplaneta que orbita uma estrela semelhante ao Sol. Vencedores do prêmio Nobel de Física de 2019 Michel Mayor (esq.) e Didier Queloz (dir.), ambos suíços. Reprodução/Twitter Nobel Prize Neste ano, o Nobel da Física foi compartilhado pelos dois com o cientista canadense James Peebles, quem estudou a composição e a história do universo e dá aulas na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Vizinho de escritório Na hora da divulgação dos premiados, o brasileiro estava com seus colegas em seu escritório, a sala fica ao lado da área de trabalho do professor Queloz. Ele comentou que assim que viu a publicação do comitê sueco em uma rede social, anunciando os vendedores, o "telefone não parou de tocar." "Todos foram surpreendidos com a notícia, todos os pesquisadores que estavam no Observatório, quase cem, foram comemorar na cafeteria. Teve vinho para todos." Os colegas de Santos, premiados, não participaram da festa entre os cientistas desta manhã. Isso porque, segundo conta o brasileiro, Mayor já se aposentou do instituto e o professor Queloz está no Reino Unido, onde também dá aulas na Universidade de Cambridge. O vencedor do prêmio Nobel de Física de 2019 Didier Queloz ao descobrir que tinha ganhado. Nick Saffell/Reprodução Twitter Nobel Ausência feminina O cientista brasileiro, por sua vez, comentou a ausência de representantes de países em desenvolvimento e mulheres entre os premiados na história do Nobel: "é uma questão que incomoda muita gente na comunidade científica." Santos disse que há um movimento de mudança na academia, mas considera que o processo ainda é lento. Nobel premia três mulheres em 2018, mas elas somam apenas 5% dos vencedores desde 1901 O astrofísico e colunista do G1, Cássio Barbosa, pontuou que "apenas três mulheres ganharam na história do Nobel - e esse ano continua sem nenhuma representante. Continua nessa vertente de que o Nobel de Física é dado apenas para homens." Por outro lado, Barbosa avaliou que esse Nobel de Física "foi bastante interessante, porque fez a Academia olhar de novo para a pesquisa básica." Exoplanetas também do Brasil O professor de astronomia da USP, Jorge Meléndez, responsável pela descoberta do primeiro exoplaneta por brasileiros, celebrou a premiação dos colegas suíços a qual qualificou como importante para dar visibilidade à área. "Embora seja atualmente uma das maiores áreas da Astronomia no mundo, no Brasil temos pouca pesquisa em exoplanetas devido à falta de instrumentação adequada para podermos realizar esse tipo de pesquisa", lamentou o especialista. Anunciados os vencedores do Nobel de física Meléndez explicou que uma pesquisa premiada pelo Nobel "requer anos de esforço e investimento a médio e longo prazo", e que o Brasil pode refletir sobre os investimentos em ciência e tecnologia no país. "A ciência no Brasil é muito jovem, e precisamos continuar investindo forte para podermos desenvolver diferentes áreas da ciência. Porém, os recentes cortes à ciência e à universidade pública, vão causar um retrocesso no desenvolvimento do país, nos afastando mais ainda da esperança de um dia o Brasil ser premiado com o Nobel", disse. Próximas premiações Na quarta-feira (9), será a vez de conhecer os laureados em Química; na quinta (10), os de Literatura - quando também será anunciado o prêmio referente a 2018. Na sexta-feira (11), serão divulgados os vencedores do Nobel da Paz e, na segunda (14), os de Economia. Na segunda-feira (7), a Academia sueca anunciou os vencedores do prêmio em Medicina. Initial plugin text Veja Mais

Como a saúde da boca interfere no bem-estar geral

Glogo - Ciência Pessoas com doença periodontal têm risco aumentado para hipertensão Dois trabalhos recentes, divulgados mês passado, reforçam a estreita relação entre a saúde da boca e a do organismo em geral. De acordo com a Sociedade Europeia de Cardiologia, pessoas com doença periodontal – quando a placa bacteriana vai aderindo às margens das gengivas, causando infecção que primeiro ataca essa região, e depois os ossos que sustentam os dentes – têm risco aumentado para hipertensão. Francesco D´Aiuto, professor da University College London e principal responsável por estudo que foi publicado na “Cardiovascular Research”, afirma: “observamos que, quanto mais severa for a periodontite, maior a probabilidade de hipertensão. A descoberta sugere que pacientes com periodontite devem ser informados sobre esse risco para que realizem mudanças em seu estilo de vida, como adotar uma dieta saudável e fazer exercício, para prevenir a pressão alta”. Pessoas com doença periodontal têm risco aumentado para hipertensão https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=41412730 A hipertensão afeta de 30% a 45% dos adultos e é a principal causa de morte prematura, enquanto a doença periodontal atinge mais de 50% da população mundial. O estudo compilou cerca de 80 outros trabalhos realizados em 26 países. Periodontite de moderada a severa estava associada a um risco aumentado em 22% para hipertensão; no caso de problemas severos das gengivas, o percentual subia para 49%. Há uma conexão entre as bactérias que se encontram na boca, que podem se disseminar na corrente sanguínea, e um possível quadro inflamatório sistêmico no organismo. Baixa imunidade, obesidade e fumo são fatores adicionais de risco. À medida que envelhecemos, a saúde oral tem um papel ainda mais relevante. “Todos os profissionais de saúde devem zelar pela higiene oral de seus pacientes. Devem inclusive considerar um exame da boca durante a consulta, especialmente se o paciente não estiver indo com regularidade ao dentista”, enfatizou o médico Patrick Coll, professor de medicina da University of Connecticut e autor de artigo publicado no “Journal of the American Geriatrics Association”. Segundo dados do Centro Nacional de Estatísticas em Saúde dos Estados Unidos, idosos têm o dobro de cáries que adultos jovens e, entre os mais velhos, a incidência de doença periodontal chega a 64%. O artigo lembra que a periodontite se associa a diversas enfermidades, como diabetes e doenças cardiovasculares. Seus autores alertam para o risco ainda maior da população com demência ou que vive em instituições de longa permanência. A recomendação dos especialistas é clara: o ideal seria fazer uma limpeza dos dentes no consultório a cada seis meses. A questão é tão séria que este blog, em coluna publicada em junho, mostrou que, em Israel, o Ministério da Saúde pretende estender o atendimento dentário para todos acima dos 65 anos. “A boca é o espelho do corpo”, sentencia o professor Sree Raghavendra. Veja Mais

Nobel de Medicina vai para William Kalein, Sir Peter Ratcliffe e Gregg Semenza

Glogo - Ciência Vencedores levaram o prêmio de 9 milhões de coroas, cerca de R$ 3,72 milhões, nesta segunda-feira (7). A pesquisa dos três envolve entender como as células detectam e se adaptam à disponibilidade de oxigênio. William Kalein, Sir Peter Ratcliffe, e Gregg Semenza são os ganhadores do Prêmio Nobel 2019 de Medicina. A Academia sueca anunciou nesta segunda-feira (7) que os 3 irão dividir o prêmio de 9 milhões de coroas suecas, equivalente a cerca de R$ 3,72 milhões. Initial plugin text A pesquisa dos três envolve entender como as células detectam e se adaptam à disponibilidade de oxigênio. Segundo o comitê do Nobel, a importância da pesquisa se deve ao fato de que as células precisam ser capazes de perceber a quantidade de oxigênio disponível para adaptar sua atividade metabólica. A importância disso se deve, por exemplo, a eventos em que as células precisam se adaptar, como quando o corpo humano vai a altas altitudes ou sofre um ferimento - isso faz com que a quantidade de oxigênio disponível diminua, ativando a chamada resposta hipóxica das células. Aplicações dessas descobertas já estão sendo feitas em tratamentos contra anemia e algumas formas de câncer. "Os três laureados expandiram o conhecimento de como a resposta fisiológica torna a vida possível", afirmou Randall Johnson, do comitê do Nobel. Veja mais informações em instantes. Veja Mais

Depressão resistente: o que fazer quando o antidepressivo não funciona

Glogo - Ciência Segundo estudos, de 10% a 30% das pessoas com depressão não apresentam melhora depois do início do tratamento com remédios. No Brasil, 5,8% dos habitantes sofrem de depressão, a maior taxa do continente latino-americano Reprodução/EPTV Considerada o mal do século 21, a depressão atinge cerca de 4,4% da população do planeta e é a principal causa de incapacidade, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em uma década, entre 2005 e 2015, o número de pessoas com o transtorno subiu 18,4% no mundo todo, segundo o último relatório da OMS sobre o tema. Só no Brasil, 5,8% dos habitantes sofrem com a doença, a maior taxa do continente latino-americano. Apesar de existirem várias terapias com medicamentos e tratamentos psicológicos eficazes para o distúrbio, em uma parcela dos portadores – entre 10% e 30% – elas fazem pouco ou nenhum efeito. Essas pessoas têm a chamada depressão resistente ao tratamento, também conhecida como refratária ou não responsiva. "É quando o paciente, após tratamento com duas classes diferentes de antidepressivos, por mais de seis semanas e em doses terapêuticas, não apresenta melhora", explica o psiquiatra Wagner Gattaz, coordenador do Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria (IPq) da Universidade de São Paulo (USP). Segundo o médico, as causas ainda não são totalmente conhecidas – assim como as da própria depressão. Uma das explicações é a grande variabilidade individual no destino do medicamento depois que ele é tomado. "Essa variabilidade começa no estômago e no intestino, determinando o quanto do medicamento será absorvido e irá para a corrente sanguínea. Alguns indivíduos absorvem mais, o que lhes garante um resultado melhor, e outros menos", comenta. Também há diferenças individuais quando a droga chega ao cérebro. "O alvo dos antidepressivos são as conexões nervosas, nas quais predominam diferentes substâncias neurotransmissoras, como serotonina, noradrenalina e dopamina. Só que tanto a produção desses neurotransmissores quanto a sensibilidade dos seus receptores variam de pessoa para pessoa". Fora isso, tem-se a variabilidade individual na velocidade com quem os medicamentos são metabolizados no fígado. Em cerca de 70% das pessoas, a metabolização se dá em ritmo normal. Nos 30% restantes, pode ocorrer de forma ultrarrápida, não dando tempo para o remédio fazer efeito; ou lenta, acumulando a droga no organismo e provocando diversos efeitos colaterais. "Sabemos que fatores relacionados à farmacocinética (ciência que estuda o caminho percorrido pelos remédios no corpo humano, desde a ingestão até a excreção) e à farmacodinâmica (estudo do mecanismo de ação dos fármacos com os seus receptores) determinam as diferenças entre as pessoas na resposta e reação aos antidepressivos", acrescenta Gattaz. Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Psiquiátrica da América Latina (APAL) e superintendente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), destaca ainda outra hipótese para a resistência aos tratamentos da depressão. "Temos disponíveis, basicamente, os antidepressivos 'inibidor seletivo de recaptação de serotonina', 'inibidor seletivo de recaptação de noradrenalina', 'duais', 'dopaminérgicos', 'tricíclicos', 'tetracíclicos', 'inibidores da monoamina oxidase', 'melatoninérgicos' e 'carbonato de lítio', esse usado como estabilizador de humor, mas que também tem ação antidepressiva. Quando o paciente não responde a nenhum deles, sozinhos ou combinados, talvez seja pelo fato de que, no seu caso, o medicamento precisaria atuar junto a alguma outra substância cerebral que ainda não conhecemos ou não identificamos", analisa. O que também pode comprometer o resultado do tratamento são doenças associadas, como distúrbios da tireoide, dores crônicas e transtorno bipolar, e o uso conjunto de outros medicamentos. Estratégias de tratamento Embora a depressão resistente seja um pouco mais difícil de ser tratada, existem ferramentas. Uma delas é o teste farmacogenético, que faz uma análise do DNA para verificar quais os remédios mais adequados para cada pessoa e os que ela terá intolerância. "Esse exame aumenta a probabilidade de um acerto de medicamento ou dá a orientação para um ajuste de dose", afirma Gattaz. No Brasil, são vários os laboratórios que o realizam. Alguns coletam amostras de saliva ou de mucosa bucal e outros de sangue. "Aqui, fazemos através do sangue. Analisamos os genes do grupo de enzimas citocromo P450, responsáveis pela metabolização dos medicamentos no fígado, e, a priori, conseguimos identificar se o paciente é um metabolizador ultrarrápido ou lento", diz o especialista do IPq-USP. Além disso, existem as terapias somáticas, que devem ser associadas às farmacológicas. Uma delas é a estimulação magnética transcraniana (EMT), técnica não invasiva que estimula o cérebro com ondas magnéticas, modulando os neurotransmissores. Para obter um bom resultado são realizadas 20 sessões, inicialmente diárias. "A aplicação é feita com o paciente acordado e a partir da 10ª ele já começa a apresentar melhora", informa Gattaz. Outra opção é a eletroconvulsoterapia (ECT), que, através de uma baixa corrente elétrica, induz à convulsão e, assim, provoca alterações químicas no cérebro. "Esse método provoca a despolarização da membrana neuronal, abrindo canais de comunicação entre os neurônios", comenta Silva, da ABP. "O problema é que ele ainda é muito estigmatizado no Brasil, visto como uma forma de castigo. Porém, é seguro e seu sucesso terapêutico tem sido destacado por diversos estudos", complementa. Na ECT, a aplicação é feita com o paciente anestesiado. São realizadas de 9 a 12 sessões, de duas a três vezes por semana. "Algumas pessoas apresentam sinal de melhora já na primeira sessão, mas para o efeito ser completo é preciso fazer o tratamento todo", aponta o médico. Vale salientar que tanto a EMT quanto a ECT não são indicados para todos os casos, e que apenas o psiquiatra pode avaliar a necessidade individualmente. Em breve, uma nova alternativa de tratamento para quem tem depressão resistente deve chegar ao Brasil: o spray nasal de escetamina, substância derivada do anestésico cetamina. "Ele tem ação ultrarrápida e boa tolerância", afirma Gattaz. Para se ter uma ideia, enquanto os comprimidos levam de duas a três semanas para fazer efeito, essa droga já se mostra eficaz nas primeiras 24 horas após a primeira aplicação. O seu mecanismo de atuação é diferente dos antidepressivos tradicionais. Enquanto os antidepressivos tradicionais aumentam quantidade de neurotransmissores relacionados à sensação de prazer e bem-estar, o spray age sobre o glutamato, molécula da rede neural, estimulando áreas do cérebro ligadas às emoções. Nos Estados Unidos, o fármaco foi aprovado em março deste ano pela Food and Drug Administration (FDA), órgão de fiscalização e regulamentação de alimentos e remédios. E, lá, só é administrado sob supervisão médica. Por aqui, está sob análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e aguarda aprovação para ser lançado comercialmente. "Esse medicamento será um avanço enorme, acredito que a quarta revolução no tratamento da depressão. A primeira foi a ECT, nos anos 1930; a segunda, os antidepressivos tricíclicos, nos anos 1950, e a terceira, os inibidores seletivos de recaptação de serotonina", complementa o psiquiatra do IPq-USP. Veja Mais

Após 5.504 casos de sarampo em 90 dias, campanha de vacinação terá verba extra a estados que cumprirem metas

Glogo - Ciência Primeira fase da campanha começa na próxima segunda (7) e vai até 25 de outubro, com a meta de vacinar pelo menos 95% das crianças de seis meses a 5 anos em todo o país. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (segundo da esquerda para a direita) participou do lançamento da campanha nacional de vacionação contra o sarampo nesta sexta-feira (4), em Brasília Divulgação/Ministério da Saúde O governo federal lançou na tarde desta sexta-feira (4) uma campanha nacional de vacinação contra o sarampo, e disse que vai distribuir "incentivo" financeiro de R$ 206 milhões aos estados que cumprirem metas de cobertura da vacina. Em entrevista a jornalistas em Brasília, o Ministério da Saúde afirmou que, no período de 90 dias até 28 de setembro, o Brasil registrou 5.504 casos confirmados da doença. O valor do incentivo será pago em uma única parcela, e o valor total de R$ 206 milhões será dividido de acordo com a população de cada estado, fazendo o cálculo de R$ 1 por pessoa. Além disso, R$ 333 milhões serão repassados para reforçar as equipes locais de profissionais de saúde, e outros R$ 19 milhões serão gastos na veiculação, na TV, internet, cinemas e outras mídias, de um comunicado informando sobre a necessidade de vacinar a população, principalmente os bebês. "Vacina é um direito da criança", afirmou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. "A criança não consegue ir sozinha numa unidade de saúde para reivindicar seu direito. Pais, responsáveis, madrinhas: chequem a carteira de vacinação em respeito à criança, em amor. Se estiver incompleta, vá ao posto de saúde tomar a segunda dose." Realizada em caráter nacional, a campanha será realizada em diversas fases, cada uma destinada a uma faixa etária: Campanha de vacinação contra o sarampo: 7 a 25 de outubro: crianças de seis meses a 5 anos de idade (o "Dia D" da campanha acontece em 19 de outubro) 18 a 30 de novembro: jovens de 20 a 29 anos (o "Dia D" será em 30 de novembro) As etapas de 2020 terão como público-alvo as crianças de 6 a 19 anos, os adultos de 30 a 49 anos e os de 50 a 59 anos "No próximo ano nós complementaremos com a fase de 6 anos a 19 anos, de 30 a 49 anos, e a última fase de 50 a 59 anos", explicou Wanderson Kleber, secretário de Vigilância em Saúde do ministério. "Então teremos aí uma ação bastante ampla para atingir toda a população brasileira", continuou ele, explicando que o objetivo é "eliminar a circulação desse vírus e garantir altas coberturas vacinais, que vão proteger não só contra o sarampo, porque a vacina ou vai ser tríplice viral, ou dupla viral, vai proteger contra o sarampo e também a rubéola". Veja Mais

Como a arqueologia cósmica encontrou sinais de 'canibalismo galáctico' na galáxia de Andrômeda

Glogo - Ciência Galáxia Andrômeda e M32 Amir Abolfath/TWAN Dois pesquisadores de universidades australianas lideraram o mais completo trabalho de arqueologia estelar já realizado sobre a galáxia Andrômeda. Em seu artigo publicado na revista "Nature" dessa semana, Dougal Mackey, Geraint Lewis e mais 13 pesquisadores conseguiram determinar dois grandes eventos de que Andrômeda tenha praticado 'canibalismo galáctico', ou seja, 'engolido' outras galáxias. Na pesquisa, o grupo de astrônomos analisou um total de 92 aglomerados globulares – trata-se de um conjunto de estrelas que, juntas, apresentam um formato esférico, mantendo no centro uma grande densidade de estrelas antigas. Através das suas propriedades dinâmicas, como a velocidade, por exemplo, foi possível determinar que esses aglomerados são na verdade restos de galáxias engolidas no passado. Ao que tudo indica, houve dois eventos distintos. Um ocorreu há “apenas” um bilhão de anos, e o outro é muito mais antigo. A dificuldade em se estabelecer a idade exata desses eventos se deve ao fato de que, bem depois de se formar, Andrômeda deve ter engolido uma das principais galáxias do 'Grupo Local'. Esse grupo é na verdade o conjunto de 36 galáxias, incluindo Andrômeda e a nossa Via Láctea. Nesse evento de 'canibalismo galáctico', a quarta ou quinta galáxia mais massiva do grupo deve ter virado refeição. Isso, hoje, seria o equivalente a Via Láctea jantar a Grande Nuvem de Magalhães! Imagem das Nuvens de Magalhães - duas pequenas galáxias satélites em órbita ao redor da Via Láctea Mark Gee Há ainda algumas galáxias que não está claro se fazem parte do grupo, ou mesmo se podem ser classificadas de fato como galáxias! Esses objetos, na maioria das vezes, já perderam todo o seu gás e se parecem muito com um aglomerado globular. Só nas proximidades da Via Láctea há pelo menos 5 casos desse tipo. Como uma galáxia consegue engolir outra? O Grupo Local é dominado por duas grandes galáxias, a nossa Via Láctea, uma espiral com uma barra central, e a galáxia espiral de Andrômeda, que fica a uma distância de 2,5 milhões de anos luz. Como ambas concentram a maior parte da matéria do grupo, a maioria das demais galáxias podem ser encontradas nas proximidades das duas. Andrômeda e Via Láctea são muito parecidas, mas mapeamentos recentes de estrelas na nossa galáxia mostraram que a Via Láctea tem mais massa que sua irmã. Por causa da predominância de ambas, é natural esperar que galáxias menos avisadas sejam atraídas e engolidas. Na atualidade, temos do Fluxo Estelar de Virgem, um verdadeiro riacho de estrelas, outrora uma galáxia, sendo assimilado pela Via Láctea. Esse processo de destruição e assimilação de uma galáxia por outra é o processo que cientistas chamam de canibalismo galáctico. Não pense que isso acontece apenas com galáxias grandes engolindo as pequenas. Andrômeda e Via Láctea estão em rota de colisão, e daqui uns 4 ou 5 bilhões de anos elas devem se encontrar. Mas não haverá exatamente uma colisão: uma deve iniciar um processo de deformação da outra, destruindo o padrão espiral de ambas. Elas devem até atravessar uma a outra, para depois de alguns bilhões de anos formarem uma única galáxia, provavelmente esferoidal. O passado de Andrômeda Nós sabemos que a Via Láctea já fez e está fazendo esse canibalismo galáctico há bilhões anos. Mas o estudo publicado nesta semana traz mais detalhes sobre nossa galáxia irmã, e se ela teve um passado como o nosso. O passado de Andrômeda é bastante turbulento. Para se ter uma ideia, sua principal galáxia satélite, M32, pode ser uma galáxia espiral que teve todos os seus braços arrancados, deixando-a elíptica. O que restou dela seria na verdade seu bojo mais interno. Esse estudo é bastante interessante para mostrar como procurar restos de galáxias na Via Láctea. É muito mais fácil aprender vendo casos ocorridos em outras galáxias do que estudando a nossa própria. O motivo é bem simples: estamos dentro dela! O futuro da Via Láctea Conhecer o passado de Andrômeda é importante para conhecer o futuro da Via Láctea. As Nuvens de Magalhães são duas galáxias satélites que estão muito perto de nós (uns 200 mil anos luz, no máximo). A grande questão sobre elas é saber se serão engolidas pela Via Láctea ou não. E quando isso pode acontecer. Veja Mais

Pesquisa da USP em Piracicaba desenvolve plástico biodegradável mais resistente com amido de mandioca

Glogo - Ciência Laboratório no campus da Esalq em Piracicaba desenvolveu processo que torna material até 30% mais forte que outros plásticos biodegradáveis e que ainda pode ser modificado para ficar transparente. Processo usa gás de ozônio na produção do plástico. Plástico biodegradável desenvolvido na USP em Piracicaba é até 30% mais forte que outros semelhantes Ronaldo Oliveira/EPTV Pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), em Piracicaba (SP), desenvolveram um plástico biodegradável mais resistente a partir do amido de mandioca. O produto resolveria um problema encontrado atualmente em materiais que se degradam com mais facilidade no meio ambiente, que costumam ser mais fracos. Além de ser até 30% mais resistente, o processo, que usa gás de ozônio, permite que o plástico possa ser modificado para ficar transparente. Muitos comerciantes já usam materiais biodegradáveis para diminuir o impacto ao meio ambiente, mas principalmente nos supermercados, a reclamação das sacolinhas costuma se repetir entre os clientes. "Ela é mais fraca que as outras. Às vezes a gente está levando e ela rasga no caminho", comenta uma cliente que fazia compras em um supermercado de Piracicaba. Pesquisadores da USP de Piracicaba criam plástico mais resistente a partir da mandioca No campus da USP em Piracicaba, foi descoberto um novo processo de fabricação do plástico a partir do amido de mandioca. O resultado é um material até 30% mais forte. Segundo o pesquisador Pedro Augusto, do Grupo de Estudos de Engenharia em Processos da Esalq, o amido já é usado como componente de plásticos biodegradáveis, que pode vir da mandioca, da batata, do arroz ou do milho. Segundo pesquisador da Esalq, uso de gás de ozônio no processo torna plástico mais resistente Ronaldo Oliveira/EPTV "Quando a gente utiliza o amido em casa, a gente vê que aquecendo, ele consegue absorver a água, e ele forma um gel que, por exemplo, quando se está fazendo um mingau, ele vai espessar o mingau, ou um pudim. Na verdade, essa 'gelificação' do amido é que vai, depois, ser possível formar o filme ou o plástico." O grande diferencial do novo estudo está na forma de produzir o plástico, que é feito no Laboratório de Engenharia de Processos da Esalq. O pó diluído em água fica numa máquina que acrescenta o gás de ozônio ao líquido. O processo chamado de ozonizaçāo modifica as moléculas do amido e dá a ele mais qualidades. "O ozônio reage com essas moléculas e muda características dela, e como elas interagem com outros componentes e elas mesmas. Assim é possível deixar o plástico mais resistente ou mais transparente", completa. Quando a mistura seca, forma pequenos cubos de gel. Esse pó modificado se torna a matéria-prima para produzir o plástico. O teste comprova que a resistência é maior em comparação ao composto de amido comum e se aproxima bem mais das características do plástico à base de petróleo. O produto tem ainda outra vantagem, que é a transparência. Pó modificado se torna a matéria-prima para produzir plástico biodegradável mais resistente, segundo USP de Piracicaba Ronaldo Oliveira/EPTV "É um resultado muito interessante, dependendo da aplicação do plástico. Para embalagem de alimentos, por exemplo, porque a gente gosta de ver o produto que está sendo embalado", comenta a pesquisadora Carla La Fuente, que também participou do projeto. O projeto envolve dois grupos de estudo, e da Esalq, as amostras vão para a USP em São Paulo (SP), no Laboratório de Engenharia de Alimentos da Escola Politécnica, onde o amido modificado se transforma em plástico. De acordo com os pesquisadores, já existe um pedido de patente em andamento para poder transferir essa tecnologia para ser usada na indústria. Veja mais notícias da região no G1 Piracicaba Veja Mais

Mulheres e idosos têm maior risco de interação medicamentosa

Glogo - Ciência Chance de reações adversas é 60% maior para o sexo feminino Um novo estudo, realizado por pesquisadores da Indiana University, descobriu que mulheres e idosos que utilizam diversos medicamentos correm risco maior de sofrer com efeitos adversos resultantes da interação das diferentes substâncias presentes nos remédios. O mais interessante é que a análise, que durou 18 meses, foi conduzida no sistema de saúde brasileiro: mais especificamente, na cidade de Blumenau, no Sul do país. De acordo com a pesquisa, as mulheres têm 60% mais riscos que os homens de sofrer uma reação adversa fruto dessa interação medicamentosa. No caso dos mais velhos, uma em cada quatro pessoas acima dos 55 anos ingere medicamentos que utilizam drogas que interagem entre si, podendo produzir efeitos colaterais importantes – entre os 70 e 79 anos, isso ocorre com um em cada três idosos. Pesquisadores da Indiana University descobriram que mulheres e idosos que utilizam diversos medicamentos correm risco maior de sofrer com efeitos adversos resultantes da interação das substâncias William Waterway / https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=18457291 Se o risco aumenta tanto, por que esses dois grupos recebem tantas prescrições? “Os resultados nos surpreenderam, são até chocantes, já que não se trata de um segredo que a combinação de muitas drogas deve ser evitada”, afirmou Luis Rocha, professor da Indiana University e principal responsável pelo estudo. “Nós já esperávamos um risco aumentado para os idosos, que usam um número maior de medicamentos, mas não tão alto”, completou. As drogas mais comumente prescritas numa combinação potencialmente perigosa eram omeprazol (para diminuir a secreção gástrica, em casos de refluxo, por exemplo), fluoxetina (antidepressivo) e ibuprofeno (anti-inflamatório para o tratamento de dor). Os pesquisadores reconheceram que, no âmbito do sistema público de saúde, a falta de opções de remédios de última geração pode ser um fator extra para gerar efeitos indesejados. Náusea, tontura, perda de apetite e de peso, fraqueza muscular, depressão e delirium são alguns dos sintomas que não podem ser ignorados. O problema não se restringe ao Brasil. Um em cada três hospitais nos EUA relata efeitos adversos em medicamentos. Em Ontário, no Canadá, foi estimado um custo de 12 milhões de dólares (quase 50 milhões de reais) por ano em incidentes dessa natureza. No Reino Unido, dois milhões de idosos tomam pelo menos sete remédios e a norma é incorporar novas drogas sem revisar as anteriores que já estavam sendo consumidas. A interação medicamentosa aumenta as chances de quedas, que podem ser fatais para os mais velhos. Veja Mais

Por que os coelhos podem ter a chave da origem do orgasmo feminino

Glogo - Ciência O enigma intriga cientistas há séculos: por que as mulheres têm orgasmos se eles não cumprem uma função reprodutiva? Um grupo de pesquisadores nos Estados Unidos deu um antidepressivo conhecido a um grupo de coelhas e diz ter resolvido o mistério. Nos coelhos e em outras espécies, é a atividade sexual que desencadeia a ovulação Unsplash É um grande mistério evolutivo. Por que as mulheres têm orgasmos se eles não cumprem uma função reprodutiva? O orgasmo masculino está ligado à ejaculação, mas o feminino não parece ter um propósito específico. Por isso, existem muitas teorias sobre a origem do clímax sexual da mulher. Uma delas, por exemplo, aponta que as contrações causadas pelo orgasmo podem ajudar a "sugar" o esperma e transportá-lo mais profundamente pelo canal vaginal, o que aumentaria a probabilidade de concepção. Outra sugere que o orgasmo estabelece um vínculo afetivo mais intenso entre o casal. Um grupo de cientistas dos Estados Unidos acaba de levantar outra possibilidade, que está relacionada à fisiologia dos coelhos. O orgasmo nas mulheres seria um vestígio de mecanismos desenvolvidos para gerar a ovulação durante o coito, segundo estudo Unsplash Vestígios de um mecanismo evolutivo O orgasmo feminino é um "reflexo neuroendocrinológico complexo demais para ser simplesmente um acidente evolutivo", diz o estudo publicado na revista da Acadêmia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, Proceedings of the National Academy of Sciences. A nova hipótese é que o orgasmo é o resultado de um mecanismo evolutivo desenvolvido para estimular a ovulação. As mulheres ovulam espontaneamente, em um certo período do ciclo menstrual, independentemente de fazerem sexo ou não. Mas no caso de outras espécies, como coelhos e gatos, é a atividade sexual que desencadeia a ovulação. O mecanismo é chamado de "ovulação induzida por relações sexuais" ou CIO (copulation induced ovulation), na sigla em inglês. A nova hipótese afirma que "os mecanismos neuroendocrinológicos envolvidos no orgasmo feminino se derivam evolutivamente dos mecanismos que causam ovulação em animais com CIO", disse Günter Wagner, pesquisador da Escola de Medicina da Universidade de Yale e coautor do estudo. Os cientistas apontam que o orgasmo nas mulheres seria um vestígio de mecanismos fisiológicos desenvolvidos para desencadear a ovulação durante a relação sexual. "Sabemos que existe um reflexo em coelhos. A questão é se poderia ser o mesmo [processo], que perdeu sua função nos humanos", disse Mihaela Pavlicev, coautora do estudo. Experimentos com coelhos Wagner e Pavlicev afirmam ter estabelecido que o mecanismo CIO em coelhos e o orgasmo feminino são homólogos; em outras palavras, têm uma origem evolutiva comum. Para provar essa relação, Pavlicev e seus colegas submeteram coelhas a uma série de experimentos. Em um deles, os cientistas deram aos animais um antidepressivo, a fluoxetina, que reduz a frequência de orgasmos nas mulheres. Se a fluoxetina tem esse efeito em humanos, também afetaria a ovulação dos coelhos devido à origem evolutiva comum, estimaram os pesquisadores. E em coelhas tratadas com fluoxetina, a ovulação caiu 30% em comparação ao grupo de controle. Por que o impacto não foi maior? Os autores do estudo apontam que os coelhos quebram a fluoxetina em seu corpo com mais eficiência do que as mulheres. Outros cientistas que não participaram do estudo observaram que uma redução de 30% na ovulação de coelhos não é suficiente para provar que o CIO (copulation induced ovulation) e o orgasmo em mulheres têm a mesma origem evolutiva. O próximo passo, segundo Wagner, é repetir os testes com outras espécies nas quais a relação sexual desencadeia a ovulação. Para os pesquisadores, o importante é que a grande questão "como o orgasmo feminino evoluiu?" deu lugar a outra mais específica: por que o orgasmo se mantém nas humanas quando sua função na ovulação não existe mais? Veja Mais

Uveíte: a doença pouco conhecida que pode provocar a perda da visão

Glogo - Ciência Frequentemente confundida com a conjuntivite, mal é causado por inflamação em uma camada dos olhos, que pode ter origem em infecções ou doenças autoimunes. Uveíte é causada por inflamação nos olhos de origem infecciosa ou por doença autoimune BBC/Getty Images Há cinco anos, o militar aposentado Valdir de Oliveira Filho, de 70 anos, foi picado pelo mosquito Aedes aegypti e contraiu chikungunya. Mesmo fazendo tudo o que lhe foi indicado, algumas semanas depois de apresentar os primeiros sintomas da doença ele notou que sua visão estava ficando embaçada. "Começou leve, mas piorou muito rápido. Procurei um oftalmologista achando que teria de usar óculos, e ele me encaminhou para um retinólogo", recorda. Após uma série de exames veio o diagnóstico: uveíte causada pela chikungunya. "O médico me disse que eu já tinha perdido 90% da visão do olho direito. Naquela época eu não conseguia mais dirigir, ler e nem colocar café na xícara, derrubava tudo." Com o tratamento, recuperou 40% da acuidade visual. "Mesmo com essa melhora, ainda tenho dificuldade para enxergar e, por isso, precisei mudar muitas coisas na minha vida, na minha rotina", lamenta o militar aposentado. O que é uveíte? Frequentemente confundida com conjuntivite, a uveíte é uma causa importante de cegueira (acuidade visual com melhor correção menor que 20/400 ou 0,05) e de baixa visão (acuidade visual com melhor correção entre 20/70 ou 0,3 e 20/200 ou 0,1) no mundo todo. Ela se dá quando ocorre uma inflamação na úvea, camada vascular média dos olhos que inclui a íris (parte colorida dos olhos), o corpo ciliar (músculos que controlam os olhos) e a coroide (membrana que abastece a região com sangue). Também pode afetar o nervo óptico e a retina. Valdir de Oliveira Filho perdeu parte considerável da visão depois de uma uveíte causada pela chikungunya Arquivo Pessoal Unilateral ou bilateral, atingindo apenas um ou os dois olhos, a doença é classificada como anterior (acomete apenas a íris), intermediária (acomete o corpo ciliar e o vítreo) e posterior (acomete o vítreo, a retina, coroide e a esclera) - as que atacam mais de uma porção uveal são chamadas de pan-uveítes. Suas causas são várias, segundo Haroldo Vieira de Moraes Junior, presidente do Congresso Brasileiro de Oftalmologia 2019, evento promovido pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), e titular-chefe do departamento de Uveítes do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro: idiopáticas (não identificáveis), infecciosas e não infecciosas. No grupo das infecciosas entram as arboviroses (dengue, zika, chikungunya e febre amarela) e patologias como sífilis, tuberculose, aids e toxoplasmose. No das não infecciosas estão as doenças autoimunes, como artrite reumatoide, lúpus e esclerose múltipla. "Há uma gama enorme de doenças que podem repercutir nos olhos em forma de inflamação, e pouca gente sabe disso", afirma o médico. No Brasil, as mais incidentes são toxoplasmose e sífilis. Porém, com a elevação das temperaturas e a proximidade do verão e das chuvas, a preocupação se volta para as arboviroses, já que essa época favorece a reprodução dos mosquitos causadores e, por consequência, o risco de infecção. Sintomas da uveíte Embora a doença tenha variações, seus sintomas são basicamente os mesmos: dor nos olhos, vermelhidão, fotofobia (sensibilidade à luz) e baixa de visão. Em alguns casos, há relatos de manchas escuras que flutuam no campo visual (moscas volantes). Maria Auxiliadora Monteiro Frazão, coordenadora da Comissão de Ensino do CBO e chefe do Departamento de Oftalmologia da Santa Casa de São Paulo, pontua que, dependendo da localização da inflamação e da sua agressividade, tem-se um maior ou menor acometimento da acuidade visual. "Independentemente disso, se o problema não for tratado adequadamente e a tempo, pode gerar dano irreversível à visão. A estimativa atual é de que entre 10% e 15% dos pacientes com uveíte fiquem cegos", relata a médica. E mais: sem o cuidado correto, a patologia pode desencadear outros problemas nos olhos, como catarata, glaucoma e edemas de retina. "Para evitar essas situações o importante é, a qualquer sinal de dor, embaçamento ou vermelhidão, procurar imediatamente um oftalmologista", aconselha. Uveíte pode desencadear outros problemas nos olhos, como catarata, glaucoma e edemas de retina Unsplash Diagnóstico e tratamento Para diagnosticar a enfermidade é necessário fazer um teste ocular completo, com medida da acuidade visual, avaliação dos reflexos pupilares, biomicroscopia de segmento anterior, tonometria e fundoscopia direta e indireta, combinado com exames complementares de sangue, para identificação do fator etiológico, e de imagem (tomografia computadorizada, angiografia fluoresceínica e ressonância magnética são algumas opções). A conduta terapêutica varia de acordo com a causa e deve ser realizada em parceria com o especialista na doença base - por exemplo, se for tuberculose, é junto com o pneumologista; se for sífilis, com o infectologista e por aí vai. Ela inclui o uso de antibióticos, antivirais, antifúngicos, antiinflamatórios, analgésicos, corticoides ou imunosupressores. "Temos de combater prioritariamente o agente que está provocando a inflamação", comenta Maria Auxiliadora. Junto a isso, o uso de colírios específicos é obrigatório em qualquer situação. Algumas pessoas ainda podem precisar de aplicação de fármacos diretamente na visão. "Recorremos a essa solução nos casos de contraindicação por via oral ou quando o tratamento não está funcionando como o esperado", complementa Moraes Filho. E ele informa que a uveíte tem cura ou controle - mais uma vez, isso depende da causa -, mas alerta para a possibilidade de recaídas: "Em certas doenças base, como a toxoplasmose, é comum haver novas ocorrências". O período de cuidados vai de meses a anos, podendo até se dar indefinidamente, como é o caso de Oliveira Filho, que, mesmo após cinco anos do diagnóstico, ainda consulta o oftalmologista a cada seis meses e usa um colírio diariamente. "Tive comprometimento da úvea e também do nervo óptico. Sei que jamais voltarei a enxergar 100%, mas, hoje, aprendi a conviver com o problema. A vida segue e a gente se adapta, não tem outro jeito", finaliza o militar aposentado. Veja Mais

Bebês no útero têm músculos parecidos com os de lagartos, mostram cientistas

Glogo - Ciência Tecidos são resquícios evolucionários com 250 milhões de anos de idade; manutenção de músculo no polegar pode explicar maior a habilidade desse dedo. Ultrassom de uma mão esquerda de um bebê de dez semanas Rui Diogo, Natalia Siomava e Yorick Gotton Bebês no útero têm músculos parecidos com os de lagartos nas mãos, e a maioria deles perde essas características antes do nascimento, segundo um estudo de biólogos citado no periódico científico Development. Esses traços estão entre os mais antigos resquícios do processo de evolução já vistos em humanos. Eles têm cerca de 250 milhões de anos — uma relíquia do período em que os répteis viraram mamíferos. Não está claro por que os músculos se formam e depois são remodelados antes do nascimento. Os biólogos dizem que a mudança dessa característica pode ter ampliado a habilidade dos polegares. Os polegares, diferentemente de outros dedos, contam com um músculo extra. Raramente, algumas crianças e adultos apresentam músculos extras nos dedos e nas mãos. Mas nunca todos os músculos que os biólogos visualizaram em imagens 3D feitas em embriões e fetos de sete a 13 semanas de gestação. Quando eles continuam a existir, às vezes estão associados a deformidades nos membros. Os biólogos dizem que o trabalho, feito com 15 bebês em desenvolvimento, pode ajudar a esclarecer esses tipos de defeitos. O autor principal do estudo, Rui Diogo, da Howard University (EUA), afirma que "temos muitos músculos no polegar, temos movimentos precisos do polegar, mas perdemos muitos dos músculos que vão para outros dedos." "Na nossa evolução, não precisamos tanto deles." Músculos no pé de um bebê Rui Diogo, Natalia Siomava e Yorick Gotton Partes inúteis? Ele diz que as estruturas são mais significativas que outros resquícios evolutivos que os humanos mantiveram, como o apêndice, os dentes do siso e o cóccix. "Eses músculos foram perdidos há 250 milhões de anos", diz Diogo. "Nenhum mamífero adulto, rato ou cachorro tem esses músculos. É impressionante. Foi realmente há muito tempo." "Nós costumávamos ter mais entendimento sobre o início do desenvolvimento de peixes, sapos, galinhas e camundongos de que de nossa própria espécie, mas essas novas técnicas nos permitem ver o desenvolvimento humano em grande detalhe." Sergio Almécija, antropólogo que estuda a evolução de chimpanzés e humanos no Museu Americano de História Natural, diz que os achados ampliam a compreensão do desenvolvimento humano, mas geram muitas questões. "A novidade desse estudo é que ele nos permite visualizar, com precisão, quando exatamente durante nosso desenvolvimento algumas estruturas apareceram ou desapareceram", diz ele. "A questão importante para mim agora é o que mais estamos perdendo? O que acharemos quando todo o corpo humano for inspecionado em detalhes durante seu desenvolvimento?" "O que faz com que algumas estruturas desapareçam e depois reapareçam? Agora podemos ver como isso ocorre, mas e o motivo?" Os biólogos planejam pesquisar em detalhe outras partes do corpo humano. Eles já estudaram os pés e como músculos extras se desenvolvem e desaparecem nessa região do corpo enquanto bebês estão no útero. Macacos e chimpanzés também têm esses músculos e os usam para escalar árvores e manipular objetos com os pés. "Sobre algumas das coisas que estamos perdendo, não significa que estamos nos tornando humanos melhores e tendo mais progresso. Não. Estamos perdendo coisas que nos tornariam super-humanos", diz Diogo. "Super-humanos mantendo esses músculos porque você poderia mover todos os dedos, incluindo os dos pés, como os polegares. Nós os perdemos porque não precisamos deles." Veja Mais

Estudo francês avalia risco de recaída em pacientes com lúpus em remissão

Glogo - Ciência A doença é autoimune, grave e crônica e suas causas continuam sendo desconhecidas. A pesquisa pode contribuir com o tratamento da doença e apontar quais pacientes precisam de mais vigilância. Manchas na pele, infecções e inflamações são alguns dos sintomas do Lúpus Reprodução/TV Globo Duas equipes de pesquisadores franceses demonstraram a eficácia de um novo teste para prever o risco de recaída nos doentes de lúpus, uma doença autoimune que alterna períodos de exacerbações e remissões. Este teste, mais rápido e sensível que os existentes, permitiu estabelecer que os pacientes com lúpus em remissão, mas com uma taxa elevada de interferon – uma proteína da família das citocinas –, têm mais risco de recaída no ano seguinte que os outros. Lúpus Eritematoso Sistêmico: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamentos Esta informação é importante para saber quais pacientes necessitam "uma estreita vigilância" e quais podem "se beneficiar de uma redução da vigilância e dos tratamentos", explicam os autores do estudo, publicado nesta segunda-feira na revista "Annals of the rheumatic diseases". O lúpus é uma doença autoimune, grave e crônica, cujas causas continuam sendo desconhecidas. Afeta cerca de cinco milhões de pessoas no mundo. A doença se caracteriza por um desajuste do sistema imunológico que ataca os tecidos e os órgãos do doente, e se manifesta com sinais clínicos muito variáveis (erupções cutâneas, artrite, problemas renais, neurológicos, anemia), o que complica seu diagnóstico. Lúpus Editoria de Arte/G1 Estudos anteriores demonstraram que as células do sistema imunológico dos doentes de lúpus produzem interferons em abundância. "Esta 'assinatura' interferon é ainda mais acentuada quando a patologia é grave ou em exacerbação" e "o reaparecimento de anomalias biológicas pode pressagiar um surto após um período de calma", explica a Assistência Pública dos Hospitais de Paris (AP-HP), em um comunicado. Mas os testes biológicos clássicos não são sensíveis o suficiente para detectar as baixíssimas concentrações de interferons presentes no soro nos períodos de remissão. A tecnologia utilizada no estudo pelas duas equipes do hospital da Pitié-Salpêtrière (AP-HP) de Paris, um teste digital da empresa americana Quanterix, é mais rápida e consiste em um "simples teste biológico, realizado a partir de alguns microlitros de soro". Seu uso em 254 doentes com lúpus em remissão detectou "taxas anormalmente elevadas de interferon alfa no soro" em um quarto deles. O acompanhamento destes pacientes participantes durante um ano demonstrou que "esta anomalia biológica está associada com um risco de recaída em aumento". Veja Mais

EUA restringem vistos para cubanos responsáveis por programas de médicos no exterior

Glogo - Ciência Em comunicado, Departamento de Estado afirma que as iniciativas persuadem os profissionais a usarem o serviço médico como 'ferramenta política'. Bandeiras de Cuba e do Brasil em carrinho de médico cubano que embarcou para Havana nesta quinta (22) Marília Marques/G1 O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (30) que restringirá vistos de funcionários de Cuba responsáveis pelo programa de missões de médicos cubanos no exterior. Em comunicado, o Departamento de Estado norte-americano alega que os programas colocam os médicos em situações adversas, como: Longas jornadas com privação de sono Salários ruins Alojamentos inseguros Restrição nos deslocamentos Retenção de passaporte Além disso, segundo o documento, o regime de Havana força profissionais cubanos no exterior a usarem o serviço médico como ferramenta política, ao prover assistência em troca de lealdade. "Qualquer programa que coaja, ponha em perigo e explora seus próprios funcionários é fundamentalmente falho", diz a nota. "Pedimos aos governos que atualmente têm parceria com programas de médicos cubanos no exterior que assegurem as garantias contra abuso e exploração trabalhista", completa a nota. Pedidos de refúgios de cubanos quase triplicam após saída do Mais Médicos Na semana passada, um grupo de médicos cubanos denunciou em Nova York, à margem da Assembleia da ONU, a "escravidão" sofrida quando integravam as missões internacionais do governo de Havana. Ao menos 600 mil cubanos prestaram serviços médicos, em cerca de 160 países, nos últimos 55 anos, segundo o governo cubano, que defende a solidariedade de sua "diplomacia dos jalecos brancos". Convênios na mira dos EUA 'Mais Médicos' chegaram ao Ceará em 2013 com contrato de trabalho de três anos Arquivo/TV Verdes Mares Não é a primeira vez que programas de médicos cubanos no exterior entram na mira do governo norte-americano. Em junho, os EUA incluíram Cuba na categoria mais severa de países com tráfico de pessoas – citando, inclusive, a parceria com o programa Mais Médicos, encerrada em novembro do ano passado. De acordo com o relatório, Cuba se retirou do programa após os pedidos do então presidente eleito Jair Bolsonaro para "melhorar o tratamento e as condições de emprego dos profissionais de saúde cubanos depois de denúncias de coerção, não pagamento de salários, retenção de passaportes e restrições no movimento". Veja diferenças entre o Mais Médicos e o programa Médicos Pelo Brasil Governo regulamenta concessão de residência a cubanos que atuaram no Mais Médicos Na ocasião, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, respondeu pelo Twitter: "Isto é o que as ideias conservadoras que imperam nos EUA confundem com tráfico de pessoas. Denunciamos esta acusação imoral, mentirosa e perversa". Veja Mais

Mulher celebra terapia inédita que ajudou marido contra câncer terminal em SP: ‘Inacreditável’

Glogo - Ciência Tratamento genético pioneiro na América Latina ajudou paciente de 62 anos com linfoma a deixar hospital em Ribeirão Preto livre de sintomas da doença. Pela 1ª vez na América Latina, homem com câncer terminal tem sucesso com terapia pioneira Foram dois anos de luta e pouquíssimas expectativas desde que o funcionário público Vamberto Castro, de 62 anos, descobriu que tinha um linfoma terminal e recorreu em vão a diferentes tratamentos. A batalha ganhou um capítulo feliz graças ao resultado de uma terapia genética inédita na América Latina, implantada pelo Centro de Terapia Celular (CTC) do Hemocentro, ligado ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP). Castro, que é de Belo Horizonte (MG), mas estava em Ribeirão Preto desde 9 de setembro, não só respondeu bem ao tratamento, realizado em caráter experimental por pesquisadores do interior de São Paulo, como também teve alta após a constatação de que está "virtualmente" livre da doença - pelos próximos cinco anos ele continuará sendo acompanhado. Mulher do paciente, Rosemary Castro volta otimista com o marido para Minas Gerais após ver de perto todo o sofrimento dele, que tomava doses máximas de morfina diariamente como tratamento paliativo para as dores recorrentes, além da perda de peso e das dificuldades para andar. "Inacreditável, até porque são dois anos de luta e a gente não via nenhum resultado para nenhum tratamento, e agora nesses exatos 30 dias que nós estamos aqui a gente já vê uma mudança completa na saúde, na vida, em tudo dele", diz. Rosemary Castro, mulher de paciente de 62 anos que se recuperou de câncer terminal com tratamento inédito no Brasil Reprodução/EPTV Luta contra o câncer A descoberta do câncer pegou de surpresa toda a família de Vamberto, que sempre teve um estilo de vida saudável, conta Rosemary. "Sempre foi uma pessoa que gostava muito de praticar esporte, caminhada, uma saúde sempre muito impecável, não tinha vício nenhum. A gente não imagina nunca que de repente possa aparecer uma doença dessas que, de um minuto para outro, desestrutura tudo na vida da gente", relata. O primeiro sinal do linfoma, de acordo com ela, veio por meio de um caroço no pescoço do marido, que logo causou apreensão. Equipe médica que atendeu ao aposentado Vamberto Castro no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto Divulgação/HCFMRP "A gente descobriu por um acaso. Ele olhando no espelho viu que tinha um caroço no pescoço e meu filho de imediato já ficou preocupado. Aí a gente já partiu pra procurar os médicos, pra fazer os exames, pra gente tentar descobrir o que estava acontecendo com ele." Quando o diagnóstico confirmou a má notícia, tudo que restou para a família foi correr atrás de alternativas. O prognóstico dado pelos médicos era de que Vamberto teria menos de um ano de vida. As esperanças pareciam esgotadas depois que ele recorreu a quimioterapia e radioterapia e não obteve resultado, até que foi incluído em um protocolo de pesquisa do Centro de Terapia Celular em Ribeirão Preto, onde os médicos testaram a terapia genética inédita no Brasil. Criada nos EUA, a técnica CART-Cell, que consiste na manipulação de células do sistema imunológico para combater as células causadoras do câncer, ainda é pouco acessível, com tratamentos comerciais que podem ultrapassar os US$ 475 mil. Vamberto, 62, é funcionário público aposentado de BH e sofria de um linfoma terminal Hugo Caldato/Hemocentro RP "Meu filho foi buscando pra ver se tinha algum tratamento ainda que a gente pudesse usar pra salvar a vida dele, porque tudo que a gente já tinha feito até o momento não tinha surtido nenhum resultado para a cura dele", conta Rosemary. Segundo os médicos, após quatro dias de tratamento Vamberto deixou de sentir as fortes dores causadas pela doença e voltou a andar após uma semana. A recuperação deu uma nova perspectiva de vida para toda a família. "Quando você tem uma doença na família dessa forma que você busca tratamento, busca saída e você não tem, você acaba morrendo com a pessoa. A partir do momento que você descobre um caminho desse, uma luz, você vê: poxa, eu tenho uma chance para viver, é maravilhoso." Segundo Rosemary, desde que descobriu a doença, Vamberto nunca desistiu, mesmo quando tudo parecia desfavorável. "Ele nunca desiste fácil das coisas, então a todo momento até que esse momento ele só dizia: eu quero viver. E graças a Deus a gente conseguiu." Entenda como funciona a terapia genética CART-Cell Roberta Jaworski/Arte G1 Terapia inédita Os pesquisadores da USP - apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) - desenvolveram um procedimento próprio de aplicação da técnica CART-Cell, já utilizada nos Estados Unidos, Europa, China e Japão. A estratégia consiste em habilitar células de defesa do corpo (linfócitos T) com receptores capazes de reconhecer o tumor. O ataque é contínuo e específico e, na maioria das vezes, basta uma única dose. Segundo Dimas Tadeu Covas, coordenador do Centro de Terapia Celular do HC de Ribeirão, o procedimento um dia poderá ser reproduzido em outros centros de excelência do país, mas isso depende de laboratórios controlados com infraestrutura adequada. De acordo com os envolvidos na pesquisa, antes de ser disponibilizado ao Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento precisa cumprir requisitos regulatórios da Anvisa. Um novo estudo clínico deverá incluir mais dez pacientes nos próximos seis meses. Pesquisadora do Centro de Terapia Celular do Hemocentro, em Ribeirão Preto (SP) Reprodução/EPTV Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca Veja Mais

Sobrepeso reduz em 3,3 anos a expectativa de vida dos brasileiros, diz OCDE

Glogo - Ciência Relatório divulgado nesta quinta-feira (10) mostra que Brasil está acima da média de 36 países quando o assunto é a redução de vida em decorrência do sobrepeso. Sobrepeso faz com que brasileiros vivam 3,3 anos a menos do que a média esperada, uma taxa mais alta do que a média de 36 países analisados em estudo da OCDE Roos Koole/ANP MAG/ANP/Arquivo AFP O sobrepeso está levando os brasileiros a viverem 3,3 anos a menos do que a média esperada, aponta um relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado nesta quinta-feira (10). O número está acima da média dos demais países, que é de 2,5 anos – entre 0,9 e 4,2 anos, entre os pesquisados. O sobrepeso também impacta no Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com o documento da OCDE, o Brasil deverá ter uma redução de 5% no PIB nos próximos 30 anos (entre 2020 e 2050) por causa da menor produtividade da população. A média dos demais países é de 3,3%. Esse impacto na economia, segundo o relatório, acontece porque o sobrepeso leva a doenças crônicas, o que afeta o rendimento do trabalhador ou reduz suas chances de ser empregado. O efeito também ocorre nos gastos com saúde, já que pessoas com sobrepeso tendem a precisar mais de serviços de saúde e passam por mais cirurgias, por exemplo. Brasil está entre países que enfrentam epidemia que combina obesidade e subnutrição Análise de 36 países O relatório "The Heavy Burden of Obesity – The Economics of Prevention" ("O peso da obesidade – a economia da prevenção", em tradução livre) reúne dados coletados entre 2016 e 2019 de 36 países que fazem parte da organização, e de alguns parceiros, entre eles o Brasil. Os dados consideram que o sobrepeso é quando o índice de massa corporal (IMC) está acima de 25 kg/m²; e obesidade é quando o IMC fica acima de 30 kg/m². O IMC é calculado ao dividir o peso (kg) pelo quadrado da altura (m²). Gráfico mostra em quantos anos a obesidade reduz a expectativa de vida por país Infografia/G1 Confira abaixo as principais conclusões do estudo: 60% da população dos países da OCDE está acima do peso; destas, 25% são obesas 50% da população tem uma alimentação não saudável 40% do tempo acordado é gasto em atividades sedentárias 1 a cada 3 pessoas não faz atividades físicas suficientes 2 a cada 5 pessoas não consome frutas e verduras suficientes Países da OCDE gastam 8,4% de seu orçamento total de saúde no tratamento de doenças relacionadas à obesidade O tratamento de doenças relacionadas ao sobrepeso custa US$ 423 bilhões por ano, considerando os valores em paridade conforme o poder de compra em 52 países analisados Pessoas com alto índice de massa corporal custam em média US$ 200 por ano nos países da OCDE Cada dólar gasto na prevenção da obesidade gera um retorno seis vezes maior Dados referentes ao Brasil apontam que um a cada cinco brasileiros é obeso e que o excesso de peso é responsável por 9% dos gastos em saúde no país, envolvendo doenças relacionadas, como diabetes, e problemas cardiovasculares. Crianças com peso adequado são 13% mais propensas a se saírem bem na escola OCDE e os gastos com saúde relacionados à obesidade Infografia/G1 Obesidade e expectativa de vida De 2020 a 2050, o sobrepeso e as doenças relacionadas a ele vão reduzir a expectativa de vida em 2,5 anos em média nos países da OCDE. "Em média nos países da OCDE, o excesso de peso é responsável por 70% de todos os custos de tratamento para diabetes, 23% dos custos de tratamento para doenças cardiovasculares doenças e 9% para cânceres", diz o relatório da OCDE. Políticas contra a obesidade O relatório da OCDE aponta medidas para enfrentar o sobrepeso e a obesidade da população. Entre elas estão: Rotulagem de alimentos e cardápios Regulamentação da publicidade de comidas não saudáveis para crianças Promoção de exercícios físicos, incluindo prescrições médicas e incentivos na escola A OCDE afirma que, se as pessoas reduzirem sua ingestão de calorias em 20%, mais de 1 milhão de doenças crônicas relacionadas à obesidade seriam evitadas por ano, em especial os problemas cardíacos. Veja Mais

Câmara instala comissão para debater o comércio de remédio à base de cannabis

Glogo - Ciência A Câmara dos Deputados instalou nesta quarta-feira (9) uma comissão especial para discutir a liberação da comercialização de medicamentos à base de cannabis sativa. A cannabis sativa é a planta que dá origem à maconha. A planta tem quase cem ativos com potencial terapêutico. A cannabis medicinal já é pesquisada e usada em casos de esclerose múltipla, epilepsia, pacientes com câncer, distúrbio do sono, ansiedade, problemas gástricos, autismo e dores crônicas, entre outros. No Brasil, a discussão sobre a regulamentação da cannabis começou há alguns anos. Em maio de 2017, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) incluiu a cannabis sativa na Lista Completa das Denominações Comuns Brasileiras (DCB) sob a categoria de "planta medicinal". Atualmente, há somente um medicamento com cannabis registrado no Brasil. Pacientes precisam importar os remédios que, normalmente, têm alto custo. O projeto de lei que será debatido pela comissão especial altera a lei que trata do sistema nacional de políticas públicas sobre drogas. O texto inclui um parágrafo na legislação que permite que os medicamentos que contenham extratos, substratos ou partes da planta denominada cannabis sativa ou substâncias canabinoides possam ser comercializados no território nacional, mas desde que exista comprovação de sua eficácia terapêutica, devidamente atestada mediante laudo médico para todos os casos de indicação de seu uso. O relator da matéria será o deputado Luciano Ducci (PSB-PR), a quem caberá apresentar um plano de trabalho na semana que vem. As atividades do colegiado serão conduzidas pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP), eleito presidente da comissão. O grupo terá 40 sessões para proferir um parecer em caráter conclusivo, o que significa que o projeto não precisará ser votado pelo plenário da Câmara – a não ser que seja apresentado recurso. Se aprovado, o texto segue ao Senado. O ex-ministro da Saúde e deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), que integra a comissão, destacou a importância da liberação do uso medicinal da cannabis e defendeu que o tema seja analisado com celeridade pelo parlamento. “Esse é um tema que aflige milhares de famílias e milhões de brasileiros. Hoje, o estado, pela ausência de regulamentação, impede que milhares de famílias tenham acesso a produtos que podem diminuir os riscos à saúde, recuperar e, em algumas situações, garantir um tratamento permanente”, disse. O deputado Vinícius Poit (Novo-SP) também demonstrou apoio à liberação da comercialização no país para fins terapêuticos. “Sou totalmente a favor do canabidiol. Estamos falando de uso medicinal. Estamos falando de milhares de vidas que terão sua qualidade melhorada”, afirmou. Ele ressaltou que a discussão não trata da liberação da maconha. “Canabidiol não dá barato – para quem está com essa dúvida”, disse. Veja Mais

Dia Mundial da Visão: oftalmologista fala sobre risco de uso excessivo de telas

Glogo - Ciência Em entrevista à RFI Brasil, a oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho, professora da Unicamp, explica porque a exposição às telas por longos períodos é uma questão que preocupa cada vez mais os especialistas. O uso excessivo da telas é um tema recorrente nos congressos de Oftalmologia Unsplash Os efeitos das chamadas lâmpadas LED azuis (sigla em inglês que significa diodos emissores de luz) nos olhos vêm sendo estudados há vários anos por pesquisadores e oftalmologistas. Ele está associado a um desenvolvimento precoce da Degeneração da Mácula, uma doença que, se não for tratada, pode levar à cegueira. Essa luz também está envolvida na regulação do sono e nos mecanismos de envelhecimento. Endometriose: 'A dor arruinou minha vida sexual' Por que os bebês sofrem mais com as doenças respiratórias? Os germes resistentes ao gel antibacteriano - e por que às vezes é melhor usar água e sabão "Em todas as doenças que estão relacionadas à idade, como a Depressão, o Diabetes, a Hipertensão e Degeneração de Mácula, existe um papel regulador da luz azul. Em excesso, causa riscos para a saúde e tem efeitos lesivos na retina", explica a oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho, representante do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Por isso, os médicos preconizam, para proteger os olhos, que o uso das telas, como computadores e celulares, seja evitado antes de dormir. Outra medida essencial, diz, é proteger as lentes dos óculos para bloquear a luz azul. "A luz azul está presente no ambiente de modo geral. Existe o efeito cumulativo e a ideia é que a pessoa se proteja da luz azul ao longo da vida. Para quem tem problemas de retina, os oftalmologistas prescrevem especificamente lentes que a bloqueiam para uso contínuo", ressalta a especialista. Ela lembra uma alternativa à LED já está sendo estudada: trata-se da chamada tecnologia OLED, um diodo orgânico emissor de luz, com a luminosidade semelhante à de uma vela, e menos nociva para os olhos. Adolescentes lideram aumento de uso de celular no Brasil, diz Pnad Pedro Gonçalves/G1MG Saúde pública O uso excessivo da telas é um tema recorrente nos congressos de Oftalmologia, sublinha a médica brasileira. "Tivemos recentemente o Congresso Brasileiro de Oftalmologia, que é anual. O próximo, em setembro do ano que vem, será em Campinas. Uma das sessões trata especificamente desses assuntos", diz. "Todos os congressos de Oftalmologia têm sempre um tema voltado para essa questão a proteção dos olhos e a exposição às telas", afirma. O tema é abordado de maneira contínua entre os profissionais, que são orientados a alertar a população nas consultas. A preconização é que o uso de eletrônicos portáteis seja limitado a, no máximo, duas horas por dia. Fator de risco para a miopia No caso das crianças, é importante é evitar celulares e aumentar o tempo ao ar livre. Esse hábito previne os riscos de desenvolver uma miopia que seria menos grave e precoce, por exemplo. A miopia é um defeito genético e a solução para retardar seu aparecimento é evitar fatores ambientais que favorecem o problema. "O celular emite a luz azul viva e a mantém uma distância próxima do olho. Isso aumenta excessivamente a acomodação e interfere no aumento da miopia, que aumenta mais do que deveria. São cuidados que devem ser tomados até cerca de 18 anos. Depois dessa idade, esses fatores influenciam menos na progressão", explica. De acordo com a especialista, a luz e a acomodação alongam o olho, gerando o déficit na refração. "No Brasil, apesar de não termos estatísticas, temos notado nas consultas que temos cada vez mais míopes, por isso esses cuidados são muito importantes", frisa a oftalmologista. "Nossa intenção é que a miopia seja menor do que será se houver excesso de exposição", diz. Miopia atinge pelo menos 35 milhões de brasileiros, segundo estimativa do Ministério da Saúde Shutterstock Oftalmologias utilizam Telemedicina no Brasil Atualmente, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia espera introduzir, na rede pública, a consulta com o oftalmologista no atendimento primário, destaca a especialista. A ideia, diz, é realizar uma triagem no atendimento no Posto de Saúde, mas uma das dificuldades é que, devido às dimensões continentais do Brasil, algumas áreas continuam isoladas. "Estamos fazendo experiências com a Telemedicina. Temos programas em Brasília e no Rio Grande do Sul, voltados para o atendimento oftalmológico primários. Em regiões menos favorecidas, temos a Telemedicina com um oftalmologista na retaguarda. Esse é um trabalho que considero importante, porque amplia o atendimento", afirma a médica. Contrariamente aos que muitas pessoas possam imaginar, em alguns estados brasileiros é simples obter uma consulta com um Oftalmologista na rede pública. Mas, obter uma consulta no SUS, o Sistema Único de Saúde, depende de onde o paciente mora. Em áreas mais abastadas, como é o caso do Estado de S. Paulo, não há fila de espera, afirma a oftalmologista. "O governo do Estado de S. Paulo fez em muitas cidades pequenas, no estado todo, que têm inclusive cirurgias oftalmológicas, que não chegam no hospital. O Estado de S. Paulo tem uma situação muito diferenciada, o que não ocorre no restante do Brasil." O que ocorre, salienta, é que os centros universitários vão suprir as necessidades da população, por isso às vezes há saturação no atendimento – um problema que ocorre inclusive em países desenvolvidos, a França. Veja Mais

Saturno supera Júpiter como planeta com mais luas no Sistema Solar

Glogo - Ciência Equipe de cientistas descobriu 20 novos satélites naturais que orbitam o planeta dos anéis, chegando a 82 no total, três a mais que Júpiter. Luas foram descobertas com o telescópio Subaru, que fica em Maunakea, no Havaí Carnegie Institution for Science Saturno ultrapassou Júpiter como o planeta com mais luas no Sistema Solar, de acordo com pesquisadores dos EUA. Uma equipe de cientistas descobriu 20 novas luas que orbitam o planeta dos anéis, chegando a 82 no total. Júpiter, por outro lado, tem 79 satélites naturais. As luas foram descobertas com o telescópio Subaru, que fica em Maunakea, no Havaí. BLOG DO CÁSSIO BARBOSA: Vênus poderia ter sido habitável no passado? Cada nova lua descoberta tem cerca de 5 km de diâmetro, e 17 delas orbitam o planeta em sentido contrário à rotação do planeta, movimento conhecido como "direção retrógrada". As três outras luas dão voltas na mesma direção que Saturno. Duas delas levam cerca de dois anos para viajar em torno do planeta. A lua mais distante a girar em direção retrógrada fica ainda mais distante, levando mais de três anos para completar a órbita. "O estudo das órbitas dessas luas pode revelar suas origens, assim como informações das condições nos arredores de Saturno no momento de sua formação", diz Scott Sheppard, do Carnegie Institution for Science em Washington (EUA), que liderou a equipe. Concurso para os nomes Imagem de Saturno captada pela Nasa em 2018 mostra tempestade atmosférica no pólo norte NASA / ESA /Amy Simon e time OPAL / J. DePasquale (STScI) As luas mais distantes parecem estar agrupadas em três conjuntos distintos com base nas inclinações dos ângulos em que orbitam o planeta. "Esse tipo de agrupamento das luas externas também é visto em Júpiter, o que indica a ocorrência de violentas colisões entre as luas no sistema saturniano ou colisões com objetos passantes como asteroides e cometas", diz Sheppard. As luas podem já ter sido parte de ao menos três astros maiores que foram divididos por essas colisões num passado remoto. Uma das luas retrógradas recém-descobertas é a que fica mais longe de Saturno. "Usando alguns dos maiores telescópios do mundo, agora estamos completando o inventário de pequenas luas em torno de planetas gigantes", diz Sheppard. "Elas têm um papel crucial em nos ajudar a determinar como os planetas do Sistema Solar se formaram e evoluíram." Sheppard disse à BBC que Júpiter era o planeta com mais luas conhecidas desde o fim dos anos 1990. A equipe de pesquisadores que descobriu as novas luas inclui, além de Sheppard, David Jewitt, da Universidade da Califórnia (EUA), e Jan Kleyna, da Universidade do Havaí. Eles deram início a um concurso para batizar as luas. Elas devem ser nomeadas com base nas mitologias dos povos viking, celta e inuit. Veja Mais

Campanha contra o sarampo começa nesta segunda; foco é imunizar crianças e combater boatos

Glogo - Ciência Objetivo até 25 de outubro é que pelo menos 95% de todos os bebês e crianças com entre seis meses e cinco anos de idade recebam uma dose da vacina. No período de 90 dias até 28 de setembro, 242 municípios de 19 estados brasileiros tinham registrado pelo menos 1 caso de sarampo; 173 desses municípios e 97% dos casos estão em São Paulo Ana Carolina Moreno/G1 Municípios de todo o Brasil começam nesta segunda-feira (7) a colocar em prática uma campanha nacional com o objetivo de garantir, até o dia 25 de outubro, que pelo menos 95% de todos os bebês e crianças com entre seis meses e cinco anos de idade recebam uma dose da vacina contra o sarampo. Após 5.504 casos de sarampo em 90 dias, campanha de vacinação terá verba extra a municípios que cumprirem metas Na sexta (4), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que, além de repassar verba na vacinação em si, também está investindo em pesquisas para entender o fenômeno dos pais que se recusam a vacinar os filhos. Segundo ele, "é um mix de motivos" que levam famílias a tomar essa decisão, mas a consequência quem sofre é a própria criança, que fica desprotegida contra doenças contagiosas como o sarampo. Em 2019, das seis pessoas que morreram por sarampo, quatro tinham menos de um ano de idade. "Quem é a vítima dessa ignorância é a criança, que tem direito à vacina. E o adulto que está fazendo isso está causando a morte da criança", disse o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde, durante o lançamento da campanha nacional de vacinação contra o sarampo Divulgação/Ministério da Saúde Geração atual de pais Segundo ele, o problema dos boatos e relatos falsos que provocam a ignorância nas pessoas "é global, não é localizado". Porém, no caso das vacinas no Brasil, ele afirma quem um dos indícios que podem levar pessoas a acreditar na desinformação que circula via redes sociais ou aplicativos como o WhatsApp é o fato de que a nova geração de pais não conviveu com doenças como o sarampo, a rubéola, a varíola e a poliomelite. "A geração atual de pais, na faixa de 25 anos, 30 anos de idade, nunca conviveu com essas doenças. Diferente das avós, ou bisavós, que têm 70, 80 anos", afirmou o ministro. "Eu tenho 55 anos, tenho amigos meus, que moravam na minha rua quando eu era criança, que tiveram pólio. Eu sei o que é, a sequela que deixa e o drama que foi aquilo." Mandetta lembrou ainda que, há algumas décadas, as mães comemoravam o acesso às vacinas "como conquistas para seus filhos", e que populações em zonas rurais ou áreas remotas "saíam da fazenda, saíam de barcos da Amazônia" para conseguir garantir que seus filhos fossem vacinados. Brasil registrou mais de cinco mil casos de sarampo, segundo Ministério da Saúde 'Maior arma da humanidade' O resultado desse esforço de vacinação das gerações anteriores teve, entre outros resultados, o fato de que os jovens atuais pudessem crescer sem conhecer os problemas provocados por doenças altamente contagiosas como o sarampo. "Eu tenho no meu braço esquerdo a vacina de varíola. Todo mundo que nasceu depois de 1970 nem tem mais a marca. Você falar dessas coisas pras pessoas hoje parece coisa abstrata. Sarampo, caxumba, rubéola, elas não sabem", disse o ministro. Ele afirmou que pretende realizar uma pesquisa nacional "para entender e poder trabalhar mais focado em qual é o motivo do brasileiro [para recusar a vacina]". Segundo ele, são "valores, conhecimento, e um coeficiente de ignorância que vem através de 'fake news', que poluem" o debate em torno do tema. Mandetta lembrou, porém, que a ciência já comprovou a eficácia e a segurança das vacinas, além dos riscos à saúde das pessoas, principalmente crianças, que não estejam com a carteira de vacinação em dia. "Foi a vacina que mais evitou mortes, mais internações hospitalares. A vacina é de longe a maior arma da humanidade para ter diminuído a mortalidade infantil e aumentado a perspectiva de vida." – Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde Initial plugin text Veja Mais

Por que os bebês sofrem mais com as doenças respiratórias?

Glogo - Ciência Como ainda não desenvolveram anticorpos contra vírus e bactérias, as crianças ficam vulneráveis às enfermidades. Bebês sofrem mais com doenças respiratórias Reprodução/Pixabay Os bebês são cheios de energia e contam com um metabolismo de causar inveja a qualquer adulto, mas têm uma fragilidade: sofrem mais com problemas respiratórios do que pessoas de outras idades. Isso ocorre porque eles ainda não entraram em contato com vírus e bactérias para produzir seus anticorpos. É o que os médicos chamam de inexperiência imunológica. A pneumopediatra Maria Buarque de Almeida, do núcleo de especialidades pediátricas do hospital Sírio Libanês, conta que, até os seis meses, as crianças ainda carregam as proteções da mãe, herdadas na gravidez. Mas depois, no mesmo período em que ficam órfãs desses anticorpos, elas costumam ingressar nas creches com o retorno da mãe ao mercado de trabalho, o que facilita o contágio com as enfermidades. “É comum que o bebê fique doente e tenha mais doenças respiratórias nesse período. As crianças podem pegar dos colegas ou de outros adultos. Por isso, é sempre importante manter o bebê que está doente em casa e não deixar os pequenos em contato com adultos com o vírus", recomenda Maria. Wilson Aiello/ EPTV A primeira fase da infância aparece como crítica para doenças respiratórias também porque a criança ainda está tomando as vacinas, explica o pneumopediatra Cássio da Cunha Ibiapina, do Departamento Científico de Pneumologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). "Quando uma criança de 10 anos está com o nariz escorrendo ou com dor de garganta, por exemplo, é bom ficar atento. Mas preocupação, mesmo, se deve ter se ela tiver menos de dois anos e apresentar esses sintomas. Nos bebês, pode ser muito grave", alerta o especialista. A situação começa a se tornar menos preocupante nos anos seguintes da criança, porque o pulmão atinge um grau maior de desenvolvimento. “Esse órgão continua se formando mesmo depois do nascimento. A gente forma grande parte dos nossos alvéolos no último trimestre da gravidez e esse processo segue pelo menos até os dois anos. Por isso, é importante manter esse pulmão e saúde respiratória mais protegidos”, afirma Maria. Com seis anos, a criança conta com 6 milhões de alvéolos, 4 milhões a mais do que no nascimento em parto aos nove meses de gestação. O que é uma desvantagem no início da vida, por tornar o comprometimento de algumas doenças mais graves, torna-se uma vantagem no futuro. "Se o bebê tem alguma pneumonia, doença que gera cicatriz, por exemplo, o pulmão ainda vai se desenvolver e gerar novos alvéolos", explica Ibiapina. É por isso que os prematuros exigem cuidados especiais. Como têm menos alvéolos quando o bebê nasce antecipadamente, os pulmões costumam estar menos preparados. “Em alguns casos, o prematuro pode nunca ter uma função respiratória normal. Muitos nunca vão ter o pulmão de uma outra criança da mesma idade, mas que nasceu no tempo certo, por exemplo”, diz Maria. Saiba como evitar doenças respiratórias mais comuns Veja as dicas dos especialistas para diminuir o risco de contágio em crianças: Amamente o bebê. O leite materno tem propriedades imunológicas que transmitem anticorpos que protegem nos primeiros meses de vida Mantenha o cartão de vacinas em dia Evite ambientes que não estejam arejados. Também resguarde a criança do contato com outras pessoas resfriadas ou doentes Faça o bebê ingerir bastante líquido Antes de tocar na criança, higienize as mãos Faça a higiene nasal no bebê Mantenha o ambiente sempre limpo e evite fumar em ambientes onde a criança possa engatinhar ou brincar. Isso diminui as chances de ela inalar ácaros, vírus e bactérias Leve a criança para consultas periódicas com o pediatra Veja Mais

México aprova lei para diminuir obesidade ampliada por tratado comercial

Glogo - Ciência Um terço dos mexicanos sofrem atualmente de obesidade. Para frear o avanço dessa doença e do sobrepeso na população, o Congresso acaba de aprovar uma lei que obriga os industriais a rotular os alimentos indicando se os produtos são gordurosos, açucarados ou salgados em excesso. Índices de obesidade no México são tema de análise do governo Pixabay O combate à obesidade e ao sobrepeso uniu deputados de todas as correntes políticas do México. Com a nova legislação, os parlamentares esperam sensibilizar os mexicanos, habituados a comer nas ruas, a prestar mais atenção no que consomem. Na hora do almoço, é comum as pessoas saírem dos escritórios para comprar produtos de péssima qualidade nutricional vendidos em bares, estandes de rua e food trucks. Muita gente "almoça" salgadinhos, biscoitos, chocolates e refrigerantes. As frituras e pratos à base de farinha de milho são extremamente calóricos. Em casa, as famílias mexicanas têm o costume de adoçar os sucos naturais de frutas, criando uma dependência insidiosa do açúcar refinado. O país é o campeão mundial de consumo de refrigerantes, com 163 litros em média por ano, por habitante. Essa quantia é sete vezes superior à média mundial. Até agora, os rótulos com as informações nutricionais dos alimentos eram escritos em linguagem técnica pouco compreensível para a maioria das pessoas. É comum que mexicanos recorram a barraquinhas de comida de rua para fazer as principais refeições do dia Unsplash Uma pesquisa revelou que três quartos dos mexicanos não sabem quantas calorias um adulto necessita consumir por dia para se manter em boa saúde. Quase a metade dos mexicanos não compreende o que está escrito nas embalagens. Muita gente declara que escolhe o que vai comer em função do preço e não da qualidade do produto. Especialistas alertam, no entanto, que entre pessoas de baixo poder aquisitivo, sem dinheiro para pagar uma refeição equilibrada, não será uma etiqueta com uma advertência sobre um excesso de açúcar, sal ou gordura que irá resolver o problema da educação para uma alimentação equilibrada. Profissionais da saúde observam que obrigar os industriais a criar rótulos mais transparentes e de fácil compreensão não substitui uma política de saúde pública, com campanhas de informação para a população. Desde 2014, o México criou um imposto cobrado nos refrigerantes e nas comidas de má qualidade vendidas nas ruas, mas a medida não fez recuar o consumo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que a imposição é muito baixa para causar o efeito desejado. O aumento no consumo de industrializados ultraprocessados, como salgadinhos, aumenta a obesidade Pixabay Comércio internacional mudou hábitos Há 30 anos, o México desconhecia o problema da obesidade. Outro fator que parece incoerente com a alta taxa de sobrepeso é o fato de o país ser um grande produtor de frutas e legumes. Foi a partir dos anos de 1980, com o aumento do comércio internacional e especialmente, em 1994, com a assinatura do tratado de livre-comércio com o Canadá e os Estados Unidos, que as prateleiras dos supermercados mexicanos foram invadidas por produtos americanos processados. Hoje, está provado que os produtos transformados industrialmente contêm aditivos nocivos à saúde. Ao mesmo tempo, a produção agrícola mexicana – de tomate, abacate e morango – passou a ser exportada para os EUA. Nessa troca comercial, os mexicanos saíram perdendo no quesito da saúde. Num país onde é mais fácil comprar um litro de refrigerante do que um litro de água, ainda resta um longo caminho a percorrer para modificar os hábitos alimentares da maioria da população. Atualmente, o diabetes é a primeira causa de mortalidade no México. Veja Mais

Homem que viveu por mais tempo após transplante de coração no RS morre em Santa Maria

Glogo - Ciência João Carlos Cechella passou pela operação há 30 anos, e levou uma vida normal após receber o novo órgão, conforme a família. Causa da morte não foi informada. João Carlos Cechella, considerado o mais longevo paciente de transplante de coração do estado, faleceu em Santa Maria Reprodução/RBS TV O receptor de um coração transplantado que viveu por mais tempo após a operação no Rio Grande do Sul morreu no início da manhã desta quinta-feira (3), em Santa Maria, Região Central do estado, onde vivia. O professor de Educação Física da UFSM João Carlos Cechella tinha 66 anos e estava internado no Hospital de Caridade de Santa Maria desde 12 de dezembro. O hospital não informa a causa da morte. Aos 36 anos, João recebeu o coração transplantado. Enquanto a expectativa de sobrevida deste tipo de transplante ficava em torno de sete anos, na época, conforme os especialistas, ele sobreviveu por 30 anos. Segundo o irmão, o médico Cláudio Cechella, João era ativo e levou uma vida normal até pouco tempo atrás. "Nós tivemos ele aqui 30 anos a mais. Ele foi um exemplo, porque logo depois do transplante voltou a praticar esportes, jogou basquete, voltou a nadar e não teve problemas de saúde até os últimos cinco anos. Então, para todos nós, ele foi um exemplo de não se entregar frente às adversidades da vida", afirma. Sua dedicação ao esporte foi lembrada durante o velório, que ocorreu na tarde desta quinta, na capela do hospital. "Ele foi atleta de nível, tanto na natação quanto no handebol. Como aluno, também, foi muito bom, e destacamos a vontade de viver que ele tinha", diz o amigo Hélio Funke. "Foi uma pessoa que lutou pela sua vida, lutou pela vida dos outros, encampou diversas campanhas maravilhosas de doação de órgão e sabia, antes de tudo, enfrentar as dificuldades. Ele foi um exemplo. Ele continua sendo um exemplo. Tomara que nós possamos ter muitos Cechellas por aí!", emociona-se a amiga e colega de trabalho Glades Ramos. Em 2014, ele comemorou os 25 anos da cirurgia com uma festa. No mesmo ano, a história de João Carlos foi destaque em matéria do Fantástico, sobre transplantados do coração. Ele entrou no casamento da filha do doador, Lilian Rodrigues. Professor entrou na igreja com a filha do doador, em 2014. História foi contada pelo Fantástico, na época Reprodução/TV Globo 'História especial', diz cardiologista O transplante de João Carlos Cechella foi realizado no Instituto de Cardiologia de Porto Alegre, em uma época em que esse tipo de cirurgia causava preocupações. Foi o desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento após a cirurgia que aumentaram a expectativa de vida do paciente, o que aconteceu por volta da década de 1980, época em que João recebeu o transplante. "Antes a pessoa saía bem da cirurgia, mas uma semana, um mês depois, morria pela rejeição", diz, ao G1, o coordenador da equipe de transplante cardíaco no Instituto de Cardiologia, Roberto Sant'Anna. A rejeição ou não do novo órgão depende de uma série de fatores, explica o médico. "O coração se adapta à pessoa que está recebendo ele, vai funcionar normalmente se der tudo certo. Para não ter rejeição, as pessoas precisam usar medicações, que trazem efeitos colaterais", detalha. Atualmente, a expectativa média de sobrevida está por volta dos 13 anos. João Cechella sobreviveu, e mais do que a média, pois tinha a saúde preservada, relata o médico. Praticava esportes, se alimentava bem e seguia à risca o tratamento. E mais do que isso: "Tinha vontade extraordinária de viver mesmo", afirma. "Ele tem uma história especial em vários sentidos", conclui o médico. Dr. Roberto aponta que João também é um dos mais longevos transplantados do coração no Brasil. Em junho deste ano, faleceu o advogado Waldir de Carvalho, aos 82 anos, considerado pelo Instituto do Coração de São Paulo, o paciente que mais tempo sobreviveu à cirurgia, totalizando 33 anos. Veja Mais

Obras de arte e logos no céu: como a humanidade está 'fabricando estrelas'

Glogo - Ciência As estrelas nos ajudam a definir calendários e a navegar por milênios, mas novos satélites, estações espaciais e até mesmo obras de arte controversas podem alterar para sempre a visão que temos do espaço a partir da Terra. Existem cerca de 6 mil estrelas potencialmente visíveis a olho nu a partir da Terra Alamy Nas paredes ásperas de uma caverna no sudoeste da França, há magníficas pinturas de animais, deixadas ali por um artista pré-histórico há cerca de 40 mil anos. Acima de um touro, há sete pontos que sugerem que essas primeiras obras de arte guardam um segredo estrelado. Cientistas acreditam que os pontos representam um conjunto de estrelas que faz parte da constelação de Touro, que paira acima da Europa durante o inverno. Se a teoria estiver correta, aponta que os primeiros habitantes da Europa entendiam mais sobre estrelas do que poderíamos suspeitar. Milhares de anos depois, os romanos antigos traçaram formas semelhantes a partir dos pontos de luz produzidos no céu por bolas de fogo distantes e reflexões. Mais tarde, vikings e exploradores europeus usaram estrelas para navegar para novas terras. Entre as 6 mil estrelas potencialmente visíveis a olho nu, existem algumas que têm um significado particular, como Polaris, ou Estrela do Norte, usada por marinheiros há milhares de anos para ajudá-los a cruzar os oceanos, porque parece ficar parada para quem a observa no hemisfério norte. Mais recentemente, telescópios nos deram a oportunidade de vislumbrar o universo turbulento além de nosso sistema solar, onde há supernovas e buracos negros supermassivos capazes de engolir galáxias inteiras. A chegada da era espacial também significou que nossa visão do céu pode ser artificialmente alterada. Milhares de satélites e a estação espacial podem ser vistas se a luz do Sol refletir corretamente em suas superfícies à medida que orbitam a Terra, fazendo com que se pareçam com estrelas se movendo no céu. A Estação Espacial Internacional (ISS), que, a cada 92 minutos, dá uma volta ao redor da Terra a 400 km acima de nós, é o terceiro objeto mais brilhante do céu. Mas, pela primeira vez na história, o céu está prestes a ser deliberadamente alterado de maneiras que transformarão completamente nossa visão da paisagem estelar. Grandes conjuntos de satélites e obras de arte orbitais podem criar novas "estrelas" artificiais que se tornarão atrações noturnas para as gerações futuras. Novas 'estrelas' Nossa crescente dependência da tecnologia espacial já está fazendo com que o céu fique cada vez mais cheio de pontos brilhantes à medida que centenas de novos satélites são lançados a cada ano. Enquanto a maioria de nós pode apenas vislumbrar um brilho fugaz quando um deles passa por cima, eles já estão criando problemas para os astrônomos ao observar o Universo. "Assim como temos a poluição de luz nas cidades, que nos impede de ver estrelas mais fracas, eles [satélites] têm um efeito semelhante e, mesmo com telescópios maiores, ainda é algo difícil de contornar", diz Hannah Baynard, astrônoma do Observatório Real Greenwich, na Inglaterra. Embora alguns possam argumentar que os serviços prestados por esses satélites justificam essa alteração do céu, há planos de colocar em órbita novos tipos de espaçonaves que terão propósitos puramente estéticos. A empresa russa StartRocket revelou que deseja lançar até 300 pequenos satélites com velas reflexivas retráteis em órbita terrestre baixa. Uma vez no espaço, eles podem ser organizados como pixels em uma tela para representar logotipos de empresas, à medida que são iluminados pelo Sol. Isso significaria que, por aproximadamente seis minutos por noite, poderíamos contemplar as primeiras constelações de marcas comerciais. A Estação Espacial Internacional pode ser vista no céu quando seus painéis solares refletem a luz do Sol na direção certa Nasa Até agora, a empresa lançou com sucesso uma sonda de "pixel de luz" na estratosfera, dotada de uma camada reflexiva que funciona como um espelho, que a StartRocket diz poder ser vista da Terra. Mas colocar uma frota de satélites em órbita para flutuar no espaço em formação será muito mais desafiador. E arrecadar o dinheiro para isso também pode ser um obstáculo. A StartRocket espera lançar seu novo serviço em 2021, ao exibir o símbolo da paz no céu. A empresa insiste que seus satélites não sobrevoarão reservas naturais ou serão visíveis fora das grandes cidades, mas o plano enfrenta forte oposição daqueles que olham para o céu, tanto profissionalmente quanto por hobby. "O capitalismo atingiu níveis estratosféricos", diz Ghina Halabi, astrofísica da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. "Sou 100% contra essa poluição espacial e mercantilização do céu." Mas a StartRocket não está sozinha. Uma empresa chinesa anunciou no ano passado ambiciosos planos de criar uma "Lua falsa", que, segundo relatos, poderia ser lançada em 2020. Não há detalhes sobre como ela seria ou funcionaria, mas, segundo o presidente do Instituto de Pesquisa em Ciência Aeroespacial e Sistemas de Microeletrônica de Chengdu, ela refletiria a luz do Sol com uma intensidade "oito vezes" maior do que a da Lua real. Mas, desde o anúncio inicial, não foram divulgadas novas informações sobre o projeto. Obras de arte em órbita Estes não são os primeiros projetos a tentar instalar obras de arte no céu. Uma tentativa de colocar uma escultura reflexiva em forma de diamante em órbita falhou em 2018. O Museu de Arte de Nevada, nos Estados Unidos, fez uma parceria com o artista Trevor Paglan para lançar o Orbital Reflector. Se tivesse sucesso, ele se pareceria com uma estrela visto da Terra e seria a primeira obra de arte a pairar no espaço. O objetivo era debater a política espacial e questionar quem tem o direito de usar, comercializar e colocar armas no espaço. Agências espaciais como a Nasa e a ESA rastreiam detritos e lixo que orbitam a Terra, caso isso represente um risco para naves espaciais ESA Mas, após o lançamento do foguete que transportava o objeto, o projeto foi atingido por uma paralisação de atividades do governo dos Estados Unidos, impedindo que a equipe obtivesse permissão para inflar o balão que ativaria o refletor. A equipe acabou perdendo contato com a obra de arte 35 dias depois que assim virou mais um lixo espacial que um dia retornará puxado pela gravidade e muito provavelmente será incendiado ao penetrar na atmosfera terrestre. Paglan espera que a escultura ainda possa entrar em atividade se houver um curto-circuito à medida que seus componentes eletrônicos se degradem e desencadeiem acidentalmente sua sequência para inflar o balão. "Penso no Refletor Orbital em seu estado atual como um presente não aberto, circulando no céu. Ficarei de olho no firmamento, porque, a qualquer momento, uma nova estrela poderá surgir", diz Paglan. Por enquanto, o Refletor Orbital apenas aumentou a massa crescente de lixo espacial, composta por naves espaciais antigas, satélites desativados e até lixo congelado, que orbita nosso planeta. O Refletor Orbital foi criado para ser a primeira escultura espacial do mundo BBC/Getty Images "Acho arrogante pensar que um humano pode criar instalações artísticas para 'embelezar' algo tão sublime quanto o céu", diz Halabi. Pinturas rupestres pré-históricas sugerem que é parte de nossa natureza tentar entender o mundo que nos cerca por meio de obras de arte. No entanto, há uma grande preocupação com os riscos que estes projetos podem representar para naves espaciais em um espaço cada vez mais lotado. A China planeja construir sua própria estação espacial, que também seria ocasionalmente visível a olho nu. A empresa SpaceX recebeu permissão para lançar quase 12 mil satélites Starlink para fornecer acesso à internet banda larga em locais remotos. Os primeiros 60 foram lançados em maio, a uma altitude de 440 km, algo que foi imediatamente notado pelos observadores de estrelas. "Quando os Starlinks da SpaceX foram lançados, formando uma grande linha, pareciam muito brilhantes, porque estavam em uma órbita muito baixa", diz Baynard. No entanto, a SpaceX diz que os satélites se tornarão menos visíveis à medida que se movam para órbitas mais elevadas. Outras oito empresas também planejam criar serviços de internet via satélite, incluindo a Kuiper Systems, subsidiária da Amazon, e recentemente pediram permissão para lançar 3.236 satélites. Tanto a SpaceX quanto a Amazon insistem que estão atentas às preocupações sobre a potencial poluição de luz que podem causar. O que fazer com o lixo espacial? Mas com todos esses objetos no céu, há um risco crescente de acidentes também. Já existem cerca de 8,4 mil toneladas de detritos e lixo atualmente em torno da Terra, viajando a velocidades de 28,8 mil km/h. Isso pode danificar e até destruir satélites em caso de colisões. Em 2009, um satélite russo desativado se chocou contra um satélite comercial americano em funcionamento. Os dois equipamentos se partiram em menos 2 mil pedaços, aumentando a quantidade de detritos em órbita como resultado do incidente. Atualmente, a Nasa rastreia milhares de pequenos detritos com tamanho que chega a ser equivalente ao de uma bola de gude. A agência americana realiza manobras de evasão regularmente para manter seus satélites seguros. A Estação Espacial Internacional também teve que fazer várias manobras para evitar detritos ao longo de seus 20 anos em órbita. "Esses incidentes serão mais comuns à medida que os céus se tornem um campo de detritos de antigos dispositivos de vigilância, comunicação e espionagem", alerta Halabi. Conforme mais satélites são lançados em órbita, o espaço ao redor do nosso planeta se torna mais lotado SpaceX Embora existam regulamentos internacionais em vigor para limitar o aumento do lixo espacial e alguns tenham proposto uma faxina, há quem defenda uma solução que poderia transformar esse lixo em arte. O artista holandês Daan Roosegaarde está trabalhando com a Agência Espacial Europeia (ESA) para encontrar maneiras inovadoras de enfrentar o crescente problema de lixo espacial, incluindo transformá-lo em estrelas cadentes artificiais que poderiam iluminar o céu como fogos de artifício. O plano envolve guiar fragmentos de detritos para a atmosfera da Terra, onde queimarão no horário escolhido. "Se o lixo espacial não for considerado inútil, isso altera o debate sobre o assunto", diz Roosegaarde. Ele afirma que o projeto pode ser realizado dentro de três anos. Se for bem-sucedido, levantará questões com as quais a humanidade se depara desde que nossos ancestrais deixaram marcas nas cavernas da França. As pinturas de animais e estrelas artificiais são apenas adornos estéticos ou um sinal de algo mais profundo? São uma marca de nossa própria engenhosidade? Ou são simplesmente profanam o mundo inspirador em que nos encontramos? Como sempre, a beleza estará nos olhos de quem vê. Veja Mais

Estudo não vê evidência de que óleo em mistura de cigarros eletrônicos seja causa de mortes nos EUA

Glogo - Ciência Hipótese foi afastada após cientistas não encontrarem resíduos do material em biópsias. Homem fuma cigarro eletrônico em Nova York, nos EUA Andrew Kelly/Arquivo/Reuters Cientistas americanos suspeitam que as mortes e hospitalizações de usuários de cigarros eletrônicos tenha relação com os vapores tóxicos que eles podem emitir em determinadas situações. De acordo com pesquisa publicada nesta quarta-feira (2) pela revista "New England Journal of Medicine", os especialistas não encontraram evidência de que o problema esteja nos óleos usados na mistura que é a base do vapor produzido pelos dispositivos. Neste ano, os EUA registraram ao menos 12 mortes e 805 casos de hospitalizações, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). 7 respostas sobre mortes nos EUA, legislação, maconha e risco de doenças Entenda os perigos de cigarros eletrônico e tradicional Os pesquisadores analisaram amostras de tecido pulmonar de 17 pacientes com histórico de uso de cigarros eletrônicos – dois deles que vieram a óbito – e não constataram qualquer indício de lipídios (óleo) no material da biópsia. "Não vimos nada que sugira que esse seja um problema causado pelo acúmulo de lipídios nos pulmões", disse em nota Brandon Larsen, um dos autores do estudo. "Em vez disso, parece haver algum tipo de lesão química direta, semelhante às causadas por exposição a vapores químicos tóxicos, gases venenosos e agentes tóxicos." Larsen reforçou que a relação com as mortes e o uso de óleos nestes aparelhos não pode ser descartada, entretanto, reconheceu que a sua investigação não corrobora com essa teoria. Homem fuma cigarro eletrônico da Philip Morris em imagem de arquivo em Bogotá, Colômbia Reuters/Jaime Saldarriaga Uso nos EUA Segundo a agência responsável por validação de produtos alimentícios e drogas nos EUA (FDA), mais de 3,5 milhões de adolescentes usam os vaporizadores. A empresa Juul, que controla 70% do mercado de cigarros eletrônicos no país, recebeu uma advertência da agência após veicular que seus produtos fossem mais seguros para a saúde do que os cigarros tradicionais. O governo do presidente Donald Trump analisa proibir as essências justamente para tirar o apelo para o público jovem. Um levantamento do IMARC Group apontou que o mercado foi avaliado em US$ 11,5 bilhões em 2018, com potencial de atingir 24,2 bilhões em 2024. No Brasil No Brasil, o uso do cigarro eletrônico não é proibido, mas a comercialização e a propaganda são. Por aqui, seu uso já é observado em várias cidades brasileiras. Em um parecer de 2017, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que o cigarro eletrônico transmite uma falsa sensação de segurança ao fumante. Neste mês, agência solicitou a 252 instituições de saúde do Brasil que enviem alertas sobre relatos de problemas relacionados ao uso de cigarros eletrônicos. Para a Anvisa, esta ação deve reduzir os riscos de que aconteça no país o mesmo que nos Estados Unidos, onde pelo menos onze pessoas morreram por causa de doenças pulmonares severas relacionados a esse hábito. O que são cigarros eletrônicos? Os cigarros tradicionais funcionam por combustão. Já os eletrônicos, por vaporização, e aparecem também na forma de "canetas" com um líquido interno. Utilizam bateria para evaporar uma mistura geralmente feita com álcool, água, glicerina, propilenoglicol e essências. Ele é uma espécie de dispositivo "vaporizador" de aromas, sabores e outros produtos químicos: álcool, glicerina e, na maioria deles, nicotina. Cigarro comum x cigarro eletrônico: compare o funcionamento de cada um Roberta Jaworski/G1 Initial plugin text Veja Mais

Qual a 'melhor hora do dia para ficar doente' e se recuperar mais rápido?

Glogo - Ciência Pesquisas sugerem que o ritmo circadiano pode influenciar nossa recuperação física de infecções e lesões. Cientistas estudaram a reação do corpo às doenças ao longo do dia. Unsplash Será que existe uma hora pior (ou melhor) ao longo do dia para ficar doente? Para alguns cientistas, a resposta é sim. Pesquisas sugerem que o ritmo circadiano — ciclo fisiológico de aproximadamente 24 horas que regula a atividade das células e tecidos, com base na nossa exposição à luz e à escuridão — pode influenciar nossa recuperação física de infecções e lesões. De acordo com os cientistas, nas "horas ativas" do sistema imunológico, os anticorpos apresentam uma resposta melhor às infecções. Queimaduras sofridas durante a noite, por exemplo, podem levar cerca de 11 dias a mais para cicatrizar do que as diurnas. Descobertas como essa estão abrindo novas perspectivas para o tratamento de doenças. Cientistas acreditam que uma compreensão melhor do ritmo circadiano pode permitir aos médicos administrar medicamentos e tratamentos nos pacientes nas horas do dia em que tendem a ser mais eficazes — e menos propensos a causar danos. Veja mais no vídeo. Veja Mais

A menina de 11 anos que organizou o próprio funeral - antes de ser salva por doação de órgãos

Glogo - Ciência A família de Lilly Kendall se preparou para o pior quando ela entrou para a lista de espera de transplante de pulmão e coração. Lilly Kendall tinha 11 anos quando recebeu a notícia que haviam encontrado um doador BBC Lilly Kendall chegou a planejar seu próprio funeral aos 11 anos de idade - antes de encontrar um doador de órgãos que salvaria sua vida. Ela nasceu com problemas cardíacos que a obrigaram a passar os primeiros três meses de vida no hospital. A família foi aconselhada, na época, a desligar os aparelhos que a mantinham viva. Mas conseguiu controlar sua condição por nove anos. Foi quando seu estado de saúde se deteriorou novamente, levando à necessidade de um transplante de coração e pulmão. 'Vivendo no limite' Quando Lilly, de Llanelli, no País de Gales, tinha 11 anos, ela e a família conversaram com a BBC. Sua mãe, Catherine, disse que "vivia no limite" à espera do telefonema em que diriam ter encontrado um doador para a filha. "Como mãe de seis filhos, preciso ter uma rotina e seguir em frente. Quando muito, tenho dois minutos para mim", afirmou Catherine. "E passo a maior parte desse tempo chorando." Lilly passou os primeiros três meses de vida no hospital Catherine Kendall Na época, havia 16 pessoas na lista de espera por um transplante duplo — e menos de cinco delas eram crianças. No caso de transplantes de coração e pulmão, em particular, o tamanho do órgão precisa ser compatível, de modo que Lilly precisava de um doador infantil. Como é um procedimento raro, Catherine se preparou para o pior. "Tivemos muitas conversas difíceis. Falando sobre o funeral dela, do que ela gostaria. Para ser honesta, Lilly é bastante aberta em relação a tudo isso. Foi ela quem pediu para seguir em frente com as conversas." No entanto, uma semana após a entrevista à BBC, Lilly recebeu o tão esperado telefonema. Catherine conta que "desandou a chorar" quando reconheceu o número em seu telefone. "Tinha acabado de pegar no sono e meu telefone tocou. Olhei para o número e comecei a chorar." Lilly estava doente demais para ser levada de avião para o Great Ormond Street Hospital, em Londres. E precisou ser transferida de ambulância. "Não sabia se ela iria viver", relembra Catherine. "Não sabia o que pensar." Catherine Kendall diz que 'vivia no limite' à espera do telefonema que salvaria a vida da filha BBC O transplante levou mais de sete horas para ser concluído — e foi um sucesso. "Foi incrível ouvir as primeiras respirações dela. Pelas primeiras respirações, eu sabia que ficaria tudo bem." "Ela ficou no CTI por um tempo. Quando acordou, ainda estava sob efeito da medicação, mas a primeira coisa que ela me disse foi 'eu te amo, mãe'." Lilly passou as semanas seguintes se recuperando no hospital. Hoje com 12 anos, ela continua se recuperando e visita o hospital periodicamente para fazer exames de check-up. Mas já voltou para a escola. Lilly tem 12 anos agora e voltou para a escola Catherine Kendall "Me sinto incrível, muito feliz", diz ela. "Não acho que sobreviveria sem esse coração e pulmões novos, tudo isso graças ao doador que salvou minha vida." "Tenho muita sorte. Ter conseguido esses órgãos é especial demais, não apenas para mim, mas para minha família, porque todo mundo pensava que eu não viveria." "Quando eu crescer, quero ser cardiologista ou especialista em pulmão", acrescenta. A provação que a filha passou chamou a atenção de Catherine para a importância da doação de órgãos. "Sem a doação de órgãos, minha filha não estaria viva hoje. Ela não tinha muito tempo de vida, e tenho certeza que sem a doação, ela não estaria aqui." "Por favor, doe seus órgãos", incentiva. No Brasil, há cerca de 44 mil pessoas atualmente na lista de espera por um transplante. Veja Mais

Brilho de meteoro flagrado em Campinas impressiona: 'Mais intenso de todos', diz astrônomo

Glogo - Ciência De acordo com Julio Lobo, corpo celeste é o de brilho mais intenso já registrado desde que as câmeras foram instaladas no Observatório de Campinas, há três anos. Observatório de Campinas registra queda de meteoro O brilho de um meteoro flagrado na madrugada desta terça-feira (1) por uma das câmeras do Observatório Municipal Jean Nicolini, em Campinas (SP), impressionou o astrônomo Júlio Lobo. Segundo o profissional, o objeto é o mais brilhante já captado pelo sistema de observação. "Em três anos que eu tenho câmeras no observatório, esse foi o mais intenso de todos", afirma. A imagem compartilhada pelo astrônomo, e que já foi disponibilizada por meio do rede Exoss, para estudar a trajetória e origem do corpo celeste, foi registrada às 4h53 da madrugada. Julio explica que esse tipo de meteoro recebe o nome de fireball (bola de fogo), e que apenas com estudo e imagens de outras câmeras será possível descobrir a trajetória e se algum pedaço dele caiu em terra. "Eles geralmente começam a queimar a uma altura de 100 quilômetros, e vem queimando até 30, 40km, que é quando a gente consegue estimar a órbita", explica. Segundo o astrônomo, milhares de corpos celestes caem no mundo inteiro todos os dias, mas a facilidade da tecnologia tem permitido mais registros desse tipo. Meteoro de brilho intenso foi flagrado por câmera do Observatório de Campinas na madrugada desta terça (1) Observatório Municipal de Campinas/Divulgação Veja mais notícias da região no G1 Campinas Veja Mais

Dez frases sobre envelhecer

Glogo - Ciência A leitura mais rasa a respeito das possibilidades que se descortinam para a humanidade é a de que a velhice é uma doença que deve ser curada Ano passado, ao escrever uma coluna alusiva ao Dia Mundial do Idoso, ou Dia Internacional da Pessoa Idosa, eu questionava se havia algo a se comemorar em 1º. de outubro. Um ano depois, prefiro ver o copo meio cheio, em vez de meio vazio. Acho que este é o primeiro passo para nos mobilizarmos, em vez de jogar a toalha como se não houvesse nada a fazer. A ciência, por exemplo, vem ampliando seu conhecimento sobre o processo de envelhecimento e como retardá-lo. Infelizmente, a leitura mais rasa que se pode fazer a respeito de todas as possibilidades que se descortinam para a humanidade é a de que a velhice é uma doença que deve ser curada. Isso só gera mais preconceito e falta de empatia. Meu desejo é o de todos os cientistas: que essas pesquisas resultem em bem-estar para a maioria, e não privilégio para uns poucos. Esse blog, que se dedica com frequência a boas notícias na área de saúde, registra mais uma para festejar a data. Em meados de setembro, a Clínica Mayo divulgou um estudo preliminar que mostra como eliminar células senescentes, ou seja, em processo de envelhecimento e que já não funcionam bem. Duas drogas senolíticas – dasatinibe e quercetina – que antes só haviam sido testadas em camundongos, foram administradas em nove pacientes com doença renal crônica relacionada ao diabetes. Houve redução do número das células senescentes e seus efeitos persistiram mesmo depois de já não circularem mais no organismo. Mais promissor, impossível. Para comemorar o dia de hoje, seguem dez frases sobre o envelhecimento: que nos inspirem a viver da melhor maneira que pudermos. Keith Richards, companheiro de Mick Jagger na banda The Rolling Stones https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=11092469 “Envelhecer é algo fascinante. Quanto mais velho você fica, mais velho quer ficar” – Keith Richards, músico “No final, não são os anos da sua vida que contam, e sim a vida ao longo desses anos” – Abraham Lincoln, 16º. presidente dos EUA “Ao envelhecer, você ganha o direito de ser leal a si mesma” – Frances McDormand, atriz A atriz Francis McDormand Divulgação “À medida que envelheço, presto menos atenção ao que os homens dizem. Eu simplesmente observo o que eles fazem” – Andew Carnegie, empresário “Qualquer idiota consegue ser jovem. É preciso muito talento para envelhecer” – Millôr Fernandes, escritor “Envelhecer é um processo extraordinário em que você se torna a pessoa que você sempre deveria ter sido” – David Bowie, músico “Se o envelhecimento é algo que está acontecendo com você, então você é basicamente uma vítima; mas se o envelhecimento é algo que você aprendeu, você está na posição de desaprender os comportamentos que o levaram a envelhecer, adotar novas crenças e ser guiado para novas oportunidades” – Deepak Chopra, médico e escritor “O homem imaturo é aquele que quer morrer gloriosamente por uma causa. O homem maduro se contenta em viver humildemente por ela” – J. D. Salinger, escritor “Eu sigo ‘moleque’. Eu sei que sou velho, mas estou curioso para experimentar a velhice. A verdade é que, se não houver muitas desvantagens, nunca se é velho: a pessoa que você é ainda é o que você tem sido” – Caetano Veloso “Não tente viver para sempre, você não terá êxito” – George Bernard Shaw, dramaturgo Veja Mais

Cientistas brasileiros descobrem parasita responsável por 2 mortes e 150 casos de infecções graves

Glogo - Ciência Doença tem sintomas parecidos com os da leishmaniose e é resistente aos tratamentos; primeiro caso da doença foi identificado em 2011. Parasita foi encontrado dentro da medula óssea de pacientes. Divulgação Um parasita até agora desconhecido é apontado como o responsável por ter causado duas mortes e deixado 150 pessoas com infecções graves em Aracaju, em Sergipe. De acordo estudo publicado nesta segunda-feira (30) pela revista "Emerging Infectious Diseases", a espécie de parasita flagelado provoca os sintomas comuns da leishmaniose, mas é mais resistente aos tratamentos. A descoberta foi feita a partir da comparação entre os genomas do parasita não catalogado com os do gênero Leishmania sp. Esta comparação revelou que, apesar da similaridade nos sintomas da doença (febre, aumento do baço e fígado e manchas avermelhadas na pele), a carga genética dele era mais parecida com a de outro parasita, o Crithidia fasciculata. "Os genomas se parecem, mas não são iguais. A semelhança é a mesma que existe entre homens e macacos, por exemplo, e é por isso que podemos dizer que é um novo parasita", disse ao G1 o professor Roque Pacheco de Almeida, um dos autores da pesquisa. O trabalho foi desenvolvido no Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID), em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e teve financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo (Fapesp). Todos os casos foram identificados durante os oito anos da pesquisa. Para o professor Roque Pacheco de Almeida, da Universidade Federal de Sergipe, ainda é cedo para cravar se o parasita é resultado de uma mutação e ainda não se sabe qual a sua origem. Entretanto, não se trata de um caso isolado. O início de tudo Parasita descoberto é diferente do responsável pela leishmaniose Divulgação Almeida, que é especialista em leishmaniose, foi o responsável por diagnosticar, em 2011, o primeiro caso da doença causada pelo parasita. Um senhor de 60 anos deu entrada no hospital universitário com sintomas de leishmaniose visceral, em estado grave. "Tentamos o tratamento por três vezes, e inclusive houve a retirada do baço do paciente que acabou indo a óbito", lamentou o especialista. Ele disse que amostras dos parasitas foram retiradas dos tecidos do enfermo e introduzidas em camundongos para confirmar que eles eram os responsáveis pelos sintomas. Genoma sequenciado Com a comprovação, os pesquisadores sequenciaram o genoma desta espécie desconhecida para encontrar alguma semelhança na literatura – e não encontraram. O DNA mais próximo ao do parasita encontrado foi o do protozoário Crithidia fasciculata. As espécies de Crithidia pertencem a mesma família dos Leishmania e Tryopanosoma cruzi (causador da Doença de Chagas), mas os primeiros não são capazes de infectar mamíferos. Parasitas desconhecidos causam doença parecida com leishmaniose no Nordeste Divulgação O pesquisador João Santana Silva, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, também participou do trabalho e destaca a importância do sequenciamento dos genomas para definir que se tratava de um "novo" parasita. "Com a amostra que retiramos, fizemos testes para identificar o tipo de parasita. Deu negativo para o gênero Leishmania, e aí pensamos que alguma coisa estava errada. Precisávamos identificar que tipo de parasita era este e vimos que ele tem um genoma de tamanho diferente do conhecido, por isso nos faz acreditar que se trata de um parasita novo." Veja Mais

Brasileiro com câncer terminal terá alta após terapia genética pioneira obter sucesso pela 1ª vez na América Latina

Glogo - Ciência Homem de 62 anos tinha linfoma e tomava morfina todo dia. Pesquisa da USP-Fapesp criou um método 100% brasileiro para aplicar técnica CART-Cell, criada nos EUA e ainda pouco acessível: no exterior, tratamentos podem custar mais de U$ 475 mil. Vamberto, 62, é funcionário público aposentado de BH e sofria de um linfoma terminal Hugo Caldato/Hemocentro RP/Divulgação Um paciente de 62 anos que tinha linfoma em fase terminal e tomava morfina todo dia deve receber alta no sábado (12) após ser submetido a um tratamento inédito na América Latina. Ele deixará o hospital livre dos sintomas do câncer graças a um método 100% brasileiro baseado em uma técnica de terapia genética descoberta no exterior e conhecida como CART-Cell. Nobel de Medicina 2018 premia americano e japonês por terapia contra o câncer Terapia genética contra o câncer: estudos mostram boas taxas de remissão, mas fortes efeitos colaterais Os médicos e pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC-Fapesp-USP) do Hemocentro, ligado ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, apontam que o paciente está "virtualmente" livre da doença, mas ainda não falam em cura porque o diagnóstico final só pode ser dado após cinco anos de acompanhamento. Tecnicamente, os exames indicam a "remissão do câncer". Os pesquisadores da USP - apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) - desenvolveram um procedimento próprio de aplicação da técnica CART-Cell, que foi criada nos EUA, é ainda recente, está em fase de pesquisas e é pouco acessível. No EUA, os tratamentos comerciais já receberam aprovação e podem custar mais de U$ 475 mil. O paciente submetido ao tratamento é o mineiro Vamberto, funcionário público aposentado de 62 anos. Antes de chegar ao interior de São Paulo, ele tentou quimioterapia e radioterapia, mas seu corpo não respondeu bem a nenhuma das técnicas. Em um tratamento paliativo, com dose máxima de morfina, ele deu entrada em 9 de setembro no Hospital das Clínicas em Ribeirão com muitas dores, perda de peso e dificuldades para andar. O tumor havia se espalhado para os ossos. Seu prognóstico, de acordo com os médicos, era de menos de um ano de vida. Como uma última tentativa, os médicos incluíram o paciente em um "protocolo de pesquisa" e testaram a nova terapia, até então nunca aplicada no Brasil. A CART-Cell é uma forma de terapia genética já utilizada nos Estados Unidos, Europa, China e Japão. Ela consiste na manipulação de células do sistema imunológico para combaterem as células causadoras do câncer. Terapia genética A estratégia da CART-Cell consiste em habilitar células de defesa do corpo (linfócitos T) com receptores capazes de reconhecer o tumor. O ataque é contínuo e específico e, na maioria das vezes, basta uma única dose. Entenda como funciona a terapia genética CART-Cell Roberta Jaworski/Arte G1 Rápida melhora Segundo os médicos, Vamberto respondeu bem ao tratamento e logo após quatro dias deixou de sentir as fortes dores causadas pela doença. Após uma semana, ele voltou a andar. "Essa primeira fase do tratamento foi milagrosa", disse ao G1 o hematologista Dimas Tadeu Covas, coordenador do Centro de Terapia Celular (CTC-Fapesp) e do Instituto Nacional de Células Tronco e Terapia Celular, apoiado pelo CNPq e pelo Ministério da Saúde. "Não tem mais manifestação da doença, ele era cheio de nódulos linfáticos pelo corpo. Sumiram todos. Ele tinha uma dor intratável, dependia de morfina todo dia. É uma história com final muito feliz." Vamberto, 62, é funcionário público aposentado de BH e sofria de um linfoma terminal Hugo Caldato/Hemocentro RP/Divulgação 100% brasileiro Renato Luiz Cunha, outro dos responsáveis pelo estudo, explicou que a terapia genética consegue modificar células de defesa do corpo para atuarem em combate às que causam o câncer. "As células vão crescer no organismo do paciente e vão combater o tumor", disse Cunha. "E desenvolvemos uma tecnologia 100% brasileira, de um tratamento que nos EUA custa mais de US$ 1 milhão. Esperamos que ela possa ser, no futuro, acessível a todos os pacientes do SUS." Cunha recebeu, em 2018, o prêmio da Associação Americana de Hematologia (ASH), nos EUA, para desenvolver este estudo no Brasil. Equipe médica que atendeu ao aposentado Vamberto no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto Divulgação/HCFMRP/Divulgação “É um tratamento caro e que requer um desenvolvimento científico importante”, explica Cunha. No ano passado a agência norte-americana de vigilância sanitária (FDA), aprovou nos EUA a primeira terapia gênica do mercado para leucemia linfoide aguda. Porém, o tratamento é caro e chega a custar U$ 475 mil dólares. O tratamento ainda não está liberado na rede pública ou privada de saúde, por isso, Cunha explicou que para o paciente ser atendido no hospital universitário, o encaminhamento foi aprovado por uma comissão de ética. O hematologista Rodrigo Calado, professor da FMRP-USP e membro do CTC, afirma que “esse tratamento foi possível pelo investimento em pesquisa e formação de pessoas feito pela Fapesp e CNPQ ao longo dos anos e que agora se traduz em um tratamento melhor e mais eficaz em casos de linfomas refratários.” Perspectivas para o SUS Dimas Tadeu Covas, que coordena o Centro de Terapia Celular do HC de Ribeirão, disse que o procedimento poderá ser reproduzido em outros centros de excelência do país, mas não dá datas. Isso porque, segundo ele, depende de laboratórios controlados com infraestrutura adequada. "Devido à complexidade do tratamento, ele também só pode ser feito em unidades hospitalares com experiência em transplante de medula óssea", disse o pesquisador. "Isso porque durante o processo, a imunidade é comprometida, o paciente tem que ficar isolado, não pode ficar exposto. Não são todos os hospitais que podem fazer esse tipo de tratamento, além disso a terapia tem efeitos colaterais." A resposta imune progressiva pode causar febres altas, náuseas e dores musculares. Os pesquisadores não eliminam o risco de morte, e reconhecem que a forte baixa no sistema imunológico traz um potencial fatal para alguns pacientes. De acordo com os envolvidos na pesquisa, antes de o tratamento ser disponibilizado para o Sistema Único de Saúde (SUS), ele precisa cumprir os requisitos regulatórios da Anvisa. O chamada "estudo clínico compassivo" contínua e deverá incluir mais 10 pacientes nos próximos 6 meses. Se as etapas de estudos e pesquisas continuarem a se manter promissoras, Covas avalia que o tratamento pode ser adotado em larga escala com adaptações nos laboratórios de produção. “Os investimentos necessários para ampliação da capacidade produtiva são de pequena monta, da ordem de R$ 10 milhões”, afirma Covas. Veja Mais

Estatinas podem aumentar osteoporose

Glogo - Ciência Dosagem de medicamentos para baixar o nível de colesterol embute riscos Na semana passada, falei da interação medicamentosa, potencialmente mais perigosa para mulheres e idosos. Volto ao tema porque uma nova pesquisa acabou de ser divulgada e mostra, pela primeira vez, a conexão entre a dosagem das estatinas, drogas para controlar o colesterol, e a osteoporose. A osteoporose é uma doença na qual há uma diminuição da resistência óssea que leva ao aumento do risco de fratura. Nos ossos existe um ciclo no qual se dá a reabsorção do osso velho e a formação de osso jovem. Esse mecanismo é chamado de ciclo de remodelação óssea, mas o equilíbrio tende a se romper com a idade. Nas mulheres, principalmente, depois da menopausa – quando há redução na produção de estrogênio – o ciclo se altera e há mais reabsorção do que formação óssea. O resultado são ossos frágeis e propensos a fraturas. Homens acima dos 70 anos também estão sujeitos à osteoporose senil. De acordo com estudo da Universidade de Medicina de Viena, as estatinas, administradas em dosagens baixas, podem proteger contra a reabsorção óssea. No entanto, quanto maior a dosagem, maior a probabilidade de osteoporose. As estatinas estão entre os fármacos mais prescritos no mundo, uma vez que, comprovadamente, ao reduzir o LDL, o colesterol ruim, há uma diminuição do risco de doenças cardiovasculares. Entretanto, eventuais complicações ainda não tinham sido bem mapeadas. Coube ao médico Michael Leutner, do departamento de endocrinologia da Universidade de Viena, liderar uma pesquisa que se debruçou sobre dados de quase 8 milhões de austríacos, durante o período de um ano, todos usuários do remédio. Pesquisa mostra conexão entre a dosagem das estatinas, drogas para controlar o colesterol, e a osteoporose https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=54182844 O doutor Leutner explicou que, apesar da relevância do papel das estatinas, o colesterol também é de “importância crucial para diversos processos no organismo, entre eles a produção de hormônios sexuais como o estradiol e a testosterona, principal hormônio sexual masculino”. Alexandra Kautzky-Willer, outra pesquisadora do time, acrescentou: “sabemos que baixas concentrações de hormônios sexuais, especialmente a queda de estrogênio após a menopausa, são a principal causa de osteoporose nas mulheres. Há uma relação similar entre testosterona e a densidade óssea. Queremos entender se a inibição do colesterol, causada pelas estatinas, tem efeito na formação dos ossos e se há uma dosagem que muda essa correlação de forças”. Os cientistas descobriram que, nos grupos de pacientes que tomavam doses de até 10 miligramas das estatinas lovastatina, pravastatina, sinvastina ou rosuvastatina, havia um número menor de diagnósticos de osteoporose que na população que não fazia uso do medicamento. “No entanto, com doses de 20 miligramas ou mais, o quadro era inverso: encontramos mais casos de osteoporose em pacientes tratados com sinvastatina, atorvastatina e rosuvastatina do que o esperado. Esse resultado demonstra que o tratamento tem que ser personalizado e demanda um monitoramento contínuo”, complementou a doutora Kautzky-Willer. O trabalho foi publicado na revista “Annals of the Rheumatic Diseases”. Veja Mais

Aos 97 anos, John B. Goodenough passa a ser a pessoa mais velha a ganhar o Nobel

Glogo - Ciência Americano ganhou o Nobel de Química pelo desenvolveu baterias de íons de lítio. Professor da Universidade de Massachusetts, cientista vai quase todos os dias ao laboratório. Imagem de arquivo mostra John Goodenough ao lado do ex-presidente dos EUA, Barack Obama, na cerimônia em que recebeu a medalha Nacional de Ciência em 1º de fevereiro de 2013 Brendan Hoffman / Getty Images América do Norte / AFP O americano John B. Goodenough, de 97 anos, passou a ser a pessoa mais velha a ganhar um prêmio Nobel. Ele ganhou nesta quarta-feira (9) o Nobel de Química pelo desenvolvimento de baterias de íons de lítio, ao lado do britânico M. Stanley Whittingham e do japonês Akira Yoshino. Goodenough nasceu em 1922 em Jena, na Alemanha, e ocupa a Cadeira Cockrell em Engenharia na Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos. Olof Ramström, membro do comitê do Nobel e professor de Química na Universidade de Massachusetts em Lowell, nos Estados Unidos, afirmou que Goodenough é um "cientista fantástico". "Ele trabalha nessa área há muitos, muitos anos, e nunca se aposentou. Então ainda está trabalhando até essa idade. Ainda vai ao laboratório quase todos os dias, até onde eu sei. E ainda está dando contribuições à comunidade no que diz respeito à ciência e ao desenvolvimento de baterias", declarou. Até então, o mais velho laureado era Arthur Ashkin, de 96 anos, por sua pesquisa em pinças ópticas e a aplicação delas em sistemas biológicos. Ele dividiu o prêmio com o francês Gérard Mourou, de 74 anos, e a canadense Donna Strickland. Nobel de Química 2019 John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino ganhadores do Prêmio Nobel de Química de 2019 pelo desenvolvimento de baterias de íon de lítio Naina Helen Jama / TT News Agency / Reuters Descoberta no início da década de 70, as baterias são usadas em celulares, notebooks e carros elétricos. Veja o perfil dos outros vencedores: M. Stanley Whittingham, de 77 anos, é professor na Universidade Binghamton, parte da Universidade Estadual de Nova York, também nos Estados Unidos. Akira Yoshino, de 71 anos, é professor na Universidade Meijo, em Nagoya, no Japão, e Membro Honorário da corporação Asahi Kasei, em Tóquio. Initial plugin text Veja Mais

Vencedor do Nobel de Física 2019 elevou a cosmologia à ciência de fato

Glogo - Ciência Vencedores do Prêmio Nobel de Física de 2019: Michel Mayor (esq.), James Peebles (centro) e Didier Queloz (dir.) Reprodução/Twitter Nobel Prize A Academia Real de Ciências da Suécia anunciou nesta manhã de terça feira (8) os ganhadores do Nobel de Física de 2019, todos na área de astronomia. O prêmio foi dividido entre 3 pesquisadores: James Peebles pelo seu trabalho em cosmologia e Michel Mayor e Didier Queloz pela descoberta do exoplaneta 51 Peg B. Trio leva Nobel de Física de 2019 por pesquisas sobre origem do universo e descoberta de planeta ‘Jim’ Peebles, como é conhecido, ganhou o prêmio por suas pesquisas em cosmologia, em especial com a radiação cósmica de fundo. Essa radiação é um resquício do Big Bang. Se o universo tivesse começado a partir de um ponto extremamente quente, ainda hoje essa energia toda poderia ser detectada, mas na forma de micro-ondas. A radiação de fundo foi descoberta por acaso, mas ela confirmou as previsões do Big Bang, consolidando a teoria como uma hipótese muito provável. As pesquisas de Peebles trouxeram maior entendimento sobre a origem, evolução e conteúdo do universo. O fato do universo ter evoluído nas estruturas observadas hoje a partir da composição entre energia escura, matéria escura e matéria comum é um dos resultados atribuídos a ele. Mas mais importante do que isso, Peebles foi o pesquisador que elevou a cosmologia de um ramo puramente especulativo para uma ciência de fato. Na década de 1970, quando ele foi convidado a trabalhar nessa área, a cosmologia era muito mais uma profusão de ideias de universo do que uma ciência. Ele mesmo confessou em entrevista que relutou bastante antes de começar suas pesquisas nessa área. Até então, a cosmologia propunha modelos sem muito compromisso com os dados observados por telescópios. Foi ele que liderou uma nova corrente de pensamento em que qualquer modelo de universo deveria ser capaz de explicar os dados observados. Seu maior mérito foi criar a cosmologia física. Concepção artística do exoplaneta 51 Peg B ESO Michel Mayor e Didier Queloz foram responsáveis pela descoberta do primeiro planeta fora do nosso Sistema Solar a orbitar uma estrela parecida com o Sol, em 1995. O exoplaneta está a uma distância de 50 anos luz e foi batizado oficialmente como 51 Peg B, ou seja, é um planeta a orbitar a estrela de número 51 da constelação do Pégaso. O planeta está na classe dos Júpiteres Quentes, planetas gigantes gasosos com as dimensões compatíveis com o nosso Júpiter, mas que estão a uma distância muito pequena até sua estrela. De fato, 51 Peg B leva pouco mais de 4 dias terrestres para orbitar sua estrela. Dessa maneira, o exoplaneta, também conhecido como Dimidium, deve ter temperaturas na casa dos 2 mil graus. Quando esse exoplaneta foi descoberto, a hipótese para a formação de sistemas planetários era que eles deveriam seguir mais ou menos o esquema de formação do nosso Sistema Solar, com planetas pequenos e rochosos mais perto da estrela e planetas grandes e gasosos mais distante. O sistema de 51 Peg começou a mostrar que na verdade nosso sistema é a exceção da regra. Pouquíssimos dos mais de 4 mil exoplanetas conhecidos hoje seguem esse “modelo”. A descoberta de Mayor e Queloz foi fruto de uma engenharia de alta precisão, com a construção de um instrumento de grande estabilidade, mas também fruto do esforço de monitoramento da estrela 51 Peg por longas e intermináveis noites no Observatório de Haute-Provence na França. Telescópio do Observatório de Haute-Provance onde foi descoberto 51 Peg B I, Gdgourou Muita gente apostava que o prêmio fosse concedido ao pessoal do HET, que fez a primeira imagem do horizonte de eventos de um buraco negro. Mas a academia de ciências não costuma dar um prêmio dessa magnitude para uma descoberta muito recente. Ela prefere esperar que a descoberta ou a teoria seja reproduzida ou confirmada para depois premiar os pesquisadores. Mas mais uma vez a ciência básica consegue o feito de levar esse importante prêmio, numa época em que esse tipo de pesquisa, sem compromisso de fornecer um produto final, está sendo tão desprestigiada. Astrônomos apresentam a primeira imagem de um buraco negro já registrada Initial plugin text Veja Mais

Endometriose: 'A dor arruinou minha vida sexual'

Glogo - Ciência Mulheres jovens falam sobre o impacto da doença em seus relacionamentos e na fertilidade. Hollie mostra uma foto sua com maquiagem e uma no hospital, durante o tratamento para endometriose Hollie/BBC "O sexo dói tanto que eu raramente faço. A dor que sinto depois é simplesmente horrível." Hollie é uma entre 1,5 milhão de mulheres no Reino Unido que sofrem com a endometriose. Esse é o nome dado à condição em que o tecido que reveste o útero cresce para fora do órgão, em regiões como ovários e tubas uterinas — o que significa que a fertilidade pode ser afetada. No caso dela, assim como o de muitas mulheres, o quadro também causa episódios de dor intensa durante e depois do sexo. "Não é apenas o fato de dificultar a concepção, a possibilidade de ter filhos, de formar uma família, mas a doença também afeta a vida sexual", conta Hollie. Ela tem 24 anos de idade e sua educação, perspectivas de carreira e saúde mental já sofreram os impactos da gravidade da doença. Hollie participou de uma pesquisa da BBC sobre a condição, junto a outras 13.500 mulheres, como parte da maior investigação sobre o assunto no Reino Unido. Danos e angústia A jovem foi diagnosticada com o problema em março de 2018, depois de passar cinco anos com sintomas. "Quando você tem isso [a capacidade de fazer sexo] tirado de si, a saúde mental é afetada." Hollie tem uma filha com seu parceiro. Ela diz ter recebido muito apoio dele, diante das dores que sente, mas os impactos da doença não deixam de ser uma preocupação. "Isso me faz sentir como se estivesse falhando, e como se não fosse uma boa namorada", diz ela, destacando que a ansiedade que sofre como resultado da doença é "debilitante". Outro problema com que algumas mulheres que têm endometriose lidam é a dificuldade em engravidar. As razões por trás disso não são totalmente compreendidas, mas a hipótese mais aceita é de que seja resultado dos danos às tubas uterinas e aos ovários. A cirurgia para remover os focos da endometriose podem ajudar, mas não há garantia. O procedimento ainda pode gerar complicações, incluindo hematomas nas proximidades do útero ou — em casos menos comuns, mas mais sérios — danos ao órgão. Hollie conta que quer mais um filho, mas acredita que tem poucas chances. "Nós dois sabemos, no fundo, que isso não vai acontecer. Mas não falamos sobre o assunto, porque me deixa triste." Assim como Hollie, Sophie (nome alterado para preservar sua identidade) sofreu com crises de dor extrema, até chegar ao ponto de não conseguir fazer sexo com seu parceiro. "A endometriose arruinou minha relação", afirma ela. "Quando estávamos na cama, eu simplesmente não conseguia fazer nada. Eu não sabia o que era aquela dor e não me sentia levada a sério." "Mas era uma dor terrível e ele simplesmente não entendia." "No fim das contas, ele acabou dormindo com outras pessoas." "Agora, eu não estou buscando ativamente uma relação, porque me preocupo com sexo e com essa minha dificuldade em fazer." Para Sophie, o sexo pode desencadear uma crise dos sintomas que ela descreve como "insuportável para mim e para quem está em volta — quando estou com dor, fico irritada". Tratamentos e cirurgia De acordo com o Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla em inglês), não há ainda uma cura para endometriose, mas vários tratamentos podem aliviar os sintomas. Entre eles estão os remédios analgésicos e medicamentos hormonais, assim como intervenções mais extremas, como as cirurgias para tirar os focos de tecido endometrial, ou mesmo para remover o útero, no procedimento conhecido como histerectomia. Algumas mulheres optam pela histerectomia como solução para a dor extrema causada pela endometriose, o que significa que não podem mais ter filhos. Sophie sofreu com as dores por mais de uma década até obter um diagnóstico — agora, ela tem 26 anos de idade. Nos últimos tempos, a dor ficou tão forte que Sophie suspeita que a histerectomia seja sua única saída, ainda que coloque um fim à possibilidade de ter filhos. "Eu falei com meu médico há algumas semanas e ele disse 'vou ser sincero, você provavelmente tem apenas mais um ano para engravidar'." "A endometriose pode arruinar as minhas chances de ter um bebê", diz ela. Veja Mais

Professor da UFTM em Uberaba vai participar de escavação de tumba no Egito

Glogo - Ciência Fábio Frizzo, do curso de História, será pesquisador adjunto do projeto argentino que busca escavar, restaurar e pesquisar a tumba de um nobre egípcio que viveu entre os anos de 1479 e 1458 antes de Cristo. Trabalho será feito entre janeiro e fevereiro de 2020. Pesquisadores do Projeto frente à paisagem das tumbas em Luxor UFTM/Divulgação O professor Fábrio Frizzo, do curso de História da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) em Uberaba, vai participar como pesquisador adjunto de um projeto argentino que busca escavar, restaurar e pesquisar a tumba de um nobre egípcio, chamado Amenmose, que viveu entre os anos de 1479 e 1458 antes de Cristo. O trabalho será feito entre janeiro e fevereiro de 2020, conforme permitido pelas autoridades egípcias. Frizzo foi convidado para participar do Projeto Amenmose pela diretora da missão, a professora Andrea Zingarelli, egiptóloga da Universidad Nacional de La Plata (UNLP), da Argentina, com quem ele manteve contato desde o doutorado coorientado por ela. Ao G1, Frizzo contou que eles trabalham juntos em outros projetos e que, em dezembro de 2018, ele esteve na Argentina para discutir sobre um livro que ambos devem produzir em conjunto para ser publicado na Inglaterra. Na ocasião, os dois também conversaram sobre o projeto que Andrea Zingarelli estava organizando para as escavações, já que ela iria ao Egito em janeiro deste ano para definir as possibilidades de trabalho. "Logo que ela e as outras pesquisadoras voltaram do Egito, no início do ano com dados mais concretos, veio o convite para integrar a missão. Recebi a notícia com muita alegria, pois, embora pesquise a antiguidade egípcia há mais de uma década e tenha tido contato com outros projetos que trabalham no Egito a partir do diálogo com laboratórios de pesquisa brasileiros, nunca havia recebido um convite formal para integrar uma missão", contou. O professor, que tem 35 anos e leciona na UFTM há sete meses, ressaltou que participar pela primeira vez de um projeto como este será um grande passo na trajetória como pesquisador do passado do Egito faraônico. "Até então, meu trabalho sobre a antiguidade egípcia partia basicamente de fontes escritas e arqueológicas publicadas por egiptólogos que trabalharam em campo. Como no Brasil não temos uma forte tradição egiptológica, ao contrário de alguns países da Europa e dos Estados Unidos, não há uma formação específica para esta carreira. Os interessados em estudar o Egito antigo aqui no Brasil acabam saindo das formações universitárias em História ou Arqueologia, sendo as primeiras muito mais numerosas que as segundas. Por tradição do método historiográfico, trabalhamos primordialmente a partir de fontes escritas. Desta forma, tenho certeza que a minha participação vai ser um imenso aprendizado, especialmente no que se refere à experiência com técnicas e métodos arqueológicos", ressaltou Frizzo. Fábrio Frizzo diz que participar da missão em Luxor será um grande passo trajetória como pesquisador do passado do Egito faraônico UFTM/Divulgação Para Frizzo, a participação dele no projeto também coloca a UFTM em um contexto internacional de pesquisas egiptológicas em que poucas universidades brasileiras estão inseridas. Ele destaca a divulgação de produção científica brasileira, no âmbito internacional, acerca do passado da humanidade e de preservação do patrimônio material. O professor ainda afirmou que a UFTM e a UNLP da Argentina já estão buscando construir acordos de cooperação entre si. O objetivo é encontrar caminhos para novos intercâmbios acadêmicos, que possibilitem aos estudantes e à comunidade de Uberaba novas experiências relacionadas a este passado distante. "É importante lembrar que vivemos num contexto complicado para a ciência brasileira, com a redução drástica dos investimentos públicos. Minha participação nesse projeto está sendo financiada por um esforço basicamente pessoal e familiar. Para além das conquistas pessoais, faço isso com a esperança de que este esforço abra portas para outras pessoas, em especial meus e minhas estudantes. Torço para que num momento em que haja mais investimentos em pesquisa no país, as conexões criadas neste projeto possibilitem a transformação da UFTM num polo de formação egiptológica no Brasil, garantindo aos estudantes as mesmas oportunidades de compor projetos internacionais como este", lembrou Frizzo. A tumba A tumba foi cavada nas formações rochosas naturais da região conhecida hoje como Sheikh Abd el-Qurna, na atual cidade de Luxor, no Egito. Na época, era a região da cidade de Tebas, que serviu por muito tempo como a capital do Egito faraônico. O homem para o qual a tumba foi elaborada se chamava Amenmose, responsável pela construção da Necrópole Real de Tebas, onde eram enterrados os faraós naquele período. Descoberta em escavações anteriores do local, a tumba conta com uma decoração de relevos e painéis riquíssimos para a compreensão da cultura faraônica do período. “O sítio não foi publicado integralmente e não houve grandes esforços de preservação. Assim, este patrimônio está correndo risco de desaparecer sem que tenha sido estudado e publicado internacionalmente. O projeto foi elaborado justamente para gerar um conhecimento maior sobre este patrimônio da humanidade no sentido de preservá-lo para posteridade”, explicou o professor Fábio. Além da UNLP e UFTM, fazem parte da missão representantes da Universidade Nacional de Córdoba (UNC), da Universidade de Buenos Aires (UBA) e do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas da Argentina (Conicet), trabalhando em conjunto com o Ministério das Antiguidades do Egito na pesquisa e preservação do patrimônio cultural do país africano. A missão está em fase de busca por recursos financeiros com as agências argentinas e internacionais. Membros da equipe visitaram a entrada de algumas tumbas em Luxor UFTM/Divulgação Veja Mais

Adultos de 50 a 59 passam a ser vacinados na campanha contra o sarampo em 2020

Glogo - Ciência Governo federal vai realizar uma fase da campanha de vacinação especificamente para reforçar a cobertura da população dessa faixa etária. Wanderson Kleber, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde Divulgação/Ministério da Saúde A campanha nacional de vacinação contra o sarampo começa nesta segunda-feira (7) e vai durar até 2020. Serão cinco fases de campanha, uma para cada faixa etária da população. A primeira fase será focada na população mais vulnerável: crianças com entre seis meses e cinco anos de idade. Porém, a população com entre 50 e 59 anos também terá uma fase específica no ano que vem. O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Kleber, afirma que o motivo pelo qual esse grupo de adultos também será incluído nos esforços da campanha é a necessidade de garantir que toda a população brasileira esteja vacinada e eliminar o surto atual da doença, que já provocou seis mortes. No período de 90 dias até 28 de setembro, 242 municípios de 19 estados brasileiros tinham registrado pelo menos 1 caso de sarampo; 173 desses municípios e 97% dos casos estão em São Paulo Ana Carolina Moreno/G1 Marco de 1963 Mesmo que nenhuma das mortes tenha sido registrada na faixa etária de quem tem entre 50 e 59 anos, Kleber diz que os profissionais da área de saúde usam o ano de 1963 como um marco para planejar as ações de cobertura vacinal. "Na saúde pública, nós consideramos o ano de 1963 como marco da maior circulação do vírus de sarampo do mundo. Pessoas que nasceram em 63 estão hoje com 57 anos." – Wanderson Kleber (secretário de Vigilância em Saúde) De acordo com a Organização Panamericana de Saúde (Opas), foi em 1963 que se introduziu a vacinação em larga escala contra o sarampo. Antes disso acontecer, a instituição diz que o mundo era atingido por epidemias de sarampo a cada dois ou três anos, já que o vírus é altamente contagioso. De acordo com o secretário de Vigilância em Saúde , a pasta está produzindo uma "coorte que deve ser atualizada dos 50 aos 59 anos". Termo usado na estatística, a coorte reúne um conjunto de pessoas que compartilham de um mesmo evento temporal em comum – nesse caso, pessoas de uma mesma faixa etária. "Passa a ser, no próximo ano, recomendação de vacinação [contra o sarampo]", disse o secretário. Brasil registrou mais de cinco mil casos de sarampo, segundo Ministério da Saúde Datas da campanha de vacinação contra o sarampo Realizada em caráter nacional, a campanha vai realizar pela primeira vez a oferta da chamada "dose zero" aos bebês de seis meses a um ano de idade. A iniciativa será realizada em diversas fases, cada uma destinada a uma faixa etária: 7 a 25 de outubro Público-alvo: crianças de seis meses a 5 anos de idade "Dia D": 19 de outubro 18 a 30 de novembro Público-alvo: jovens de 20 a 29 anos que não tomaram uma ou duas doses da vacina "Dia D": 30 de novembro Fases de 2020 Públicos-alvo: crianças de 6 a 19 anos, adultos de 30 a 49 anos e adultos de 50 a 59 anos A pasta diz que, neste anos, a meta é vacinar 2,6 milhões crianças na faixa prioritária e 13,6 milhões adultos. Para incentivar que os municípios cumpram as metas, o Ministério da Saúde anunciou uma verba extra condicionada aos números de pessoas vacinas. Initial plugin text Veja Mais

Tetraplégico move braços e pernas após 4 anos com equipamento controlado pela mente

Glogo - Ciência Thibault, 30, disse que seus primeiros passos no equipamento o fizeram se sentir como o 'primeiro homem na Lua'. Equipamento é semelhante a um exoesqueleto Fonds de Dotatio Clinatec Um homem conseguiu mover seus quatro membros paralisados graças ao auxílio de um exoesqueleto controlado por sua própria mente. Thibault, 30, disse que seus primeiros passos no equipamento o fizeram se sentir como o "primeiro homem na Lua". Seus movimentos, andar em particular, estão longe da perfeição, e a tecnologia só tem sido usada dentro do laboratório. Mas o grupo de pesquisadores franceses responsável pelo avanço científico disse que essa abordagem pode levar um dia à melhora da qualidade de vida de pacientes. Como ela funciona? Implantes no cérebro conectam-se ao equipamento Fonds de Dotatio Clinatec Thibault foi submetido a uma cirurgia na qual foram colocados dois implantes na superfície de seu cérebro, cobrindo parte dos órgão que controlam movimento. Sessenta e quatro eletrodos instalados em cada um dos implantes leem a atividade cerebral e direcionam as instruções para um computador colocado próximo da pessoa. Um sofisticado programa de computador lê as ondas cerebrais e as transforma em instruções para controlar o exoesqueleto. O corpo de Thibault fica preso ao exoesqueletedo Fonds de Dotatio Clinatec Thibault fica atado ao exoesqueleto. Quando ele pensa em andar, isso dispara uma série de instruções que levam o aparelho a mover as pernas. E ele também é capaz de controlar seus braços, com movimentos nas três dimensões espaciais. Equipamento permite ainda controle dos dois braços Fonds de Dotatio Clinatec É fácil usar o equipamento? Thibault, que não quer ter seu sobrenome divulgado, era oculista antes de cair de uma altura de 15 metros num incidente em uma boate quatro anos atrás. A lesão à medúla espinhal o deixou paralisado, e ele passou os dois anos seguintes no hospital. Mas em 2017, ele se tornou parte dos experimentos em torno do exoesqueleto com a Clinatec e a Universidade de Grenoble. Inicialmente, ele treinava usando seus implantes no cérebro para controlar um personagem no computador, uma espécie de avatar num jogo digital. Na fase seguinte do experimento ele passou a usar o exoesqueleto. "Me sentia como o primeiro homem na Lua. Eu não andei por dois anos. Esqueci-me de como era ficar de pé, de como eu era mais alto que muitas pessoas naquele quarto", disse. Aprender a controlar os braços levou muito mais tempo. "Era muito difícil porque há uma combinação de diversos músculos e movimentos. É a coisa mais impressionante que consigo fazer com o exoesqueleto." O exoesqueleto é eficiente? Os 65 kg de robótica sofisticada não restauram completamente as funções do corpo. Mas é um avanço significativo, em meio a abordagens científicas semelhantes nesse campo, que permite controlar um membro separadamente com seus pensamentos. Thibault precisa ser conectado a um cabo no teto para minimizar o risco de ele cair no exoesqueleto, o que significa que o dispositivo ainda não está pronto para sair do laboratório. "Ainda estamos longe de uma caminhada autônoma", afirmou Alim-Louis Benabid, presidente conselho-executivo da Clinatec, em entrevista à BBC News. "Ele não tem movimentos rápidos e precisos para evitar cair. Ninguém na Terra tem isso", acrescentou. Cientistas usam avançados programas para controlar o equipamento Fonds de Dotation Clinatec Thibault foi bem-sucedido em 71% das tentativas de tocar objetos específicos usando o exoesqueleto para mover o antebraço e girar os punhos. Benabid, que desenvolveu estimulação cerebral profunda em casos de Parkinson, afirmou: "Nós solucionamos o problema e mostramos que o princípio está correto. Essa é a prova de que podemos ampliar a mobilidade de pacientes com um exoesqueleto". Quais são os próximos passos? Os cientistas franceses afirmam que a pesquisa busca o refinamento da tecnologia. No momento, há limitações sobre o volume de dados que pode ser lido do cérebro, enviado ao computador, ser interpretado e enviado ao exoesqueleto em tempo real. Eles têm 350 milisegundos para o movimento, caso contrário o sistema se torna difícil de ser controlado. Os pesquisadores têm usado apenas 32 dos 64 eletrodos presentes nos implantes. Então, há potencial para ler o cérebro de modo mais detalhado usando computadores superpoderosos e inteligência artificial para interpretar a informação oriunda do cérebro. Há planos também para desenvolver o controle dos dedos que permitam a Thibault pegar e mover objetos. Ele já usou o implante para controlar uma cadeira de rodas, por exemplo. E as possibilidades controversas de uso dessa tecnologia? Eletrodos leem a atividade cerebral e estão conectados ao equipamento Fonds de Dotation Clinatec Há diversos cientistas pesquisando maneiras de usar exoesqueletos para ampliar as habilidades dos homem, um campo conhecido como transhumanismo, para além de superar paralisias. Isso inclui, obviamente, o uso militar desses dispositivos. "Nós não seguiremos em direção a essas extremas e estúpidas aplicações", afirmou Benabid à BBC. E acrescenta: "Nossa abordagem não é um ser humano melhorado. Nosso trabalho é recuperar pacientes machucados que perderam funções do corpo". O que dizem os especialistas? Tom Shakespeare, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, afirma que, apesar de o estudo francês (que pode ser lido aqui) apresentar avanços "empolgantes e bem-vindos", é preciso lembrar que "a prova de conceito é parte de um longo caminho até a possibilidade de uso clínico". "E mesmo que se torne funcional, os limites de custo significa que as opções de alta tecnologia nunca estarão disponíveis para a maioria das pessoas no mundo com lesões desse tipo". Segundo ele, apenas 15% das pessoas com lesão da medula espinhal têm cadeira de rodas ou outros dispositivos de assistência motora. Veja Mais

Por que há tão poucas invenções atribuídas a mulheres?

Glogo - Ciência Mulheres estão presentes em menos de 13% dos pedidos de patente no mundo. Ou seja, há apenas uma mulher inventora para cada sete homens. Mas por quê? É fácil citar uma série de invenções de mulheres que estão presentes no dia a dia — a máquina de lavar louça, o limpador de para-brisa, o jogo de tabuleiro Banco Imobiliário, entre outras. Entretanto, o mundo ainda falha em aproveitar as ideias inovadoras das mulheres, como um novo relatório indica. Mulheres integram menos de 13% dos pedidos de patente no mundo, de acordo com estudo feito pelo Instituto de Propriedade Intelectual do Reino Unido (IPO). Isso equivale a apenas uma mulher inventora para cada sete homens. Ainda que a proporção no número de pedidos de patente tenha aumentado, só será possível chegar à paridade de gênero em 2070, se mantivermos o ritmo atual. Por que há tão poucas mulheres patenteando invenções? Pesquisadores atribuem essa lacuna à falta de mulheres nos campos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, na sigla em inglês). De acordo com Penny Gilbert, sócia do escritório de advocacia focado em propriedade intelectual Powell & Gilbert, trata-se de um problema do "pipeline" de seleção. "Se queremos ter mais mulheres registrando patentes, então precisamos ver mais mulheres cursando matérias nas áreas de STEM nas universidades e que também sigam carreira em pesquisa", diz ela. Atualmente, as mulheres compõem apenas um quarto das pessoas empregadas nessa área no Reino Unido. Além disso, menos mulheres e meninas optam por tais disciplinas no Ensino Médio e na faculdade, apesar dos esforços recentes para identificar e solucionar o problema. Já no Brasil, o índice de mulheres autoras de artigos científicos chega a 49%, mas a ala feminina é minoria em áreas como ciência da computação e matemática. O país não entrou no levantamento feito pelo IPO, que foi focado nas dez nações que produzem mais patentes. Mais de dois terços de todas as patentes vêm de equipes exclusivamente masculinas ou de inventores individuais que são homens BBC Dois terços das equipes são compostas apenas por homens Patentes são concedidas ao autor de uma invenção, permitindo que o criador dela impeça seu uso por outras pessoas. Para ser considerada a patente de uma "invenção" de fato, é necessário que ela apresente uma ideia nova, útil — e que não seja óbvia para uma pessoa qualificada na área. As patentes podem ser solicitadas individualmente ou por equipes de inventores. A disparidade de gênero entre inventores fica ainda mais evidente quando se leva em conta que muitas dessas mulheres integram equipes dominadas por homens. Mais de dois terços de todas as patentes vêm de equipes exclusivamente masculinas ou de inventores individuais que são homens — enquanto as inventoras individuais totalizam apenas 6%. Times exclusivamente femininos são praticamente inexistentes, constituindo apenas 0,3% dos pedidos de patente, de acordo com o IPO. Mesmo quando solicitam patentes, mulheres têm menor probabilidade de obtê-las, segundo estudo conduzido nos Estados Unidos por pesquisadores da Universidade Yale. Além disso, nem todos os envolvidos em uma invenção são creditados na patente. Contudo, mulheres cientistas têm menos que metade das chances de obter uma patente pelas pesquisas que desenvolvem. A constatação vem de outro relatório lançado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual, indicando que mulheres são menos propensas a comercializar suas invenções. Biotecnologia é área mais igualitária Em 1991, Ann Tsukamoto desenvolveu uma forma de isolar células-tronco. Sua inovação levou a grandes avanços no entendimento dos sistemas sanguíneos de pacientes com câncer, e pode levar à cura da doença. A cientista, que hoje conduz pesquisas sobre o crescimento das células-tronco, também é co-patenteadora em sete outras invenções. Biotecnologia — o uso de organismos vivos para desenvolver produtos úteis, como medicação e alimentos — é o setor que apresenta a maior porcentagem de mulheres. Cerca de 53% das patentes dessa área apresentam ao menos uma como patenteadora. Em segundo lugar, 52% das patentes farmacêuticas têm ao menos uma mulher como inventora. Engenharia elétrica ficou com a pior colocação da lista, já que menos de 10% dos pedidos de patente apresentam ao menos uma inventora mulher. Paridade em 2070 A proporção de mulheres inventoras dobrou ao longo dos últimos 20 anos, de acordo com o IPO. O índice saltou de 6,8% em 1998 para 12,7% em 2017, o último ano com dados disponíveis. Durante o mesmo período, o número de pedidos de patente que continham ao menos uma mulher listada como uma das inventoras subiu de 12% para 21%. Penny Gilbert diz que estereótipos relacionados às decisões de carreira e de educação das mulheres devem ser abordados, encorajando mais mulheres a escolher carreiras em ciência e tecnologia, criando programas de mentoria e celebrando mulheres que são referência nessas áreas. "Nós devemos aplaudir o fato de que muitas das maiores cientistas e inventoras ao longo da história foram mulheres, desde Marie Curie e Rosalind Franklin até Grace Hopper, inventora da programação de computadores, e Stephanie Kwolek, inventora do kevlar", diz ela. "Nós devemos contar a história delas." Rússia no topo da lista Com 17% dos pedidos de patente listando ao menos uma mulher, a Rússia alcançou a maior proporção entre os dez países que produzem mais patentes, seguida pela França. Já o Reino Unido aumentou seu número de inventoras no período analisado, de 8% em 1998 para 11% em 2017. Na outra ponta do ranking, no Japão e na Coreia do Sul, menos de um em cada vinte pedidos de patente incluía uma mulher, durante o período analisado. Como os dados foram obtidos?O gênero de quem solicita as patentes não costuma ser listado, então o Instituto de Propriedade Intelectual do Reino Unido (IPO) optou por outra abordagem. O IPO deduziu o gênero das pessoas envolvidas a partir do primeiro nome, usando informações do banco de dados PATSTAT (Escritório Europeu do Banco de Dados Estatísticos de Patentes). Esses nomes foram combinados com o gênero correspondente usando dados do Instituto Nacional de Estatísticas Britânico e da Administração de Seguridade Social dos Estados Unidos, que listam os nomes de todos os bebês nascidos, e o número de registros masculinos e femininos. Os responsáveis pelo estudo também traçaram perfis do Facebook para criar uma lista maior de nomes e a qual gênero costumam estar associados. Apenas nomes cuja associação ao gênero masculino ou feminino fosse de, no mínimo, 95% eram incluídos. Nomes mais neutros como "Robin", que serviam para as duas categorias, foram excluídos. Um total de 75% dos nomes de inventores correspondiam a um gênero específico, mas essa taxa variou de acordo com o país. A lista usada favorecia nomes ocidentais, então países como o Reino Unido tinham a maior "taxa de sucesso". Enquanto isso, o índice era menor em países como Coreia do Sul e China. O que é o 100 Women? Todos os anos, a iniciativa BBC 100 Women (100 Mulheres) nomeia 100 mulheres influentes e inspiradoras ao redor do mundo e compartilha suas histórias. Veja Mais

Duas semanas após visita de ministro, Sirius segue sem previsão de verbas do governo

Glogo - Ciência Maior complexo científico do país recebeu 29,4% do orçamento previsto para 2019. MCTIC estima R$ 400 milhões para concluir laboratório, mas não informa quanto será destinado à estrutura instalada em Campinas (SP) ainda este ano. Sirius: maior estrutura científica do país, instalada em Campinas (SP). CNPEM/Sirius/Divulgação Com o cronograma das estações de pesquisa prejudicado pelo contingenciamento de verbas, o Sirius, laboratório de luz síncrotron de 4ª geração em construção em Campinas (SP), segue à espera de recursos do governo federal. Duas semanas após receber a visita de ministros de ciência e tecnologia do Brics, o maior projeto científico do País não obteve nenhuma sinalização de quanto dinheiro terá para avançar na montagem das primeiras linhas de luz. Nem mesmo se terá mais alguma verba em 2019. Entenda o Sirius, o novo acelerador de partículas do Brasil Em sua primeira e única visita ao Sirius, o ministro Marcos Pontes estimou a quantia de R$ 400 milhões para concluir o laboratório, e disse que aguardaria as liberações da verba do acordo da Petrobras e do descontingenciamento do orçamento federal para definir quanto seria destinado ao projeto - apesar de informar à Casa Civil a necessidade de cerca de R$ 1 bilhão, a pasta recebeu R$ 80 milhões, uma das menores fatias do montante liberado pela União. Na ocasião, o ministro reclamou da pouca destinação de verba, e chegou a comparar a diferença entre "expectativa e realidade" como se tivessem "tirado o motor de um Fórmula 1". "É basicamente quando você tem uma corrida, um carro de Fórmula 1, você quer aumentar a velocidade do carro e corta o motor", disse. Organização social responsável pelo Sirius, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) confirmou ao G1 que ainda não recebeu nenhuma sinalização sobre as verbas. Dos R$ R$ 255,1 milhões previstos no orçamento para 2019, foram empenhados até o momento R$ 75 milhões, ouo 29,4% do total. Procurado para comentar o atraso nos repasses e os valores que serão destinados ao laboratório, o MCTIC não enviou posicionamento até a publicação desta reportagem. Entenda o Sirius O laboratório, que já está com toda a obra civil concluída e aguarda testes no terceiro e principal acelerador de elétrons, é uma das mais modernas do mundo. Com a luz síncrotron gerada pelo Sirius os pesquisadores poderão analisar diferentes materiais em escalas de átomos e moléculas. A estrutura pode revolucionar a pesquisa brasileira e internacional em várias áreas, como saúde, agricultura e exploração do petróleo. Atualmente, há apenas um laboratório de 4ª geração de luz síncrotron operando no mundo: o MAX-IV, na Suécia. O equipamento brasileiro, no entanto, foi projetado para ter uma luz mais brilhante que o europeu. O ministro de ciência e tecnologia, Marcos Pontes, durante visita ao Sirius, em Campinas (SP) Fernando Evans/G1 O atraso nos repasses, por enquanto, não deve afetar a abertura das primeiras linhas de pesquisa do Sirius em 2020. Pelo menos é o que garante o diretor do projeto, Antônio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM. "Não tem milagre. Você atrasa o escopo total do projeto, mas o ponto importante é que foi possível fazer uma gestão para que o Sirius comece a dar retorno. Com a entrega da primeira linha de luz, ele começa a ser utilizado", explicou Silva. Linhas de luz Das 13 linhas de luz previstas no projeto do Sirius, que poderá comportar no futuro até 40, três estão em fase acelerada de montagem. Uma delas, batizada de Manacá, é mais avançada e foi a instalação visitada por Marcos Pontes e representantes do Brics. De acordo com o CNPEM, essa linha será responsável por pesquisas e estudos que podem auxiliar no desenvolvimento de fármacos e na descoberta de enzimas com aplicações na produção de alimentos, biocombustíveis e cosméticos, entre outros. Entenda como funciona o Sirius, o Laboratório de Luz Síncrotron Infográfico: Juliane Monteiro, Igor Estrella e Rodrigo Cunha/G1 Veja mais notícias da região no G1 Campinas Veja Mais

Colapso de vulcão que matou centenas na Indonésia era previsível, dizem cientistas

Glogo - Ciência Fazendo uma análise dos dados disponíveis, fica claro que algo estava errado com o vulcão que gerou o tsunami matando centenas de pessoas no país no ano passado. Vulcão Anak Krakatau, na Indonésia, em erupção neste domingo – vulcão teria causado tsunami Antara Foto/Bisnis Indonesia/Nurul Hidayat/ via REUTERS O vulcão Anak Krakatau — "Filhote de Krakatoa", em tradução livre —, que fica numa ilha na Indonésia e entrou em colapso em dezembro do ano passado, criando um enorme tsunami e matando mais de 400 pessoas, deu sinais claros do que estava prestes a acontecer. Essa é a conclusão de uma equipe liderada por pesquisadores alemães que está revisando os dados coletados na época. Os cientistas dizem que, nos meses antes da catástrofe, satélites haviam captado aumento de temperatura e movimento no solo no vulcão. Atividade sísmica e infrasonora também foi detectada dois minutos antes do colapso do lado sudoeste do vulcão. Quando essa parte do vulcão deslizou para o mar, ela mandou uma enorme parede de água, de até 4 metros de altura, para o estreito de Sunda, entre as ilhas de Java e Sumatra, na Indonésia. Mais de 400 pessoas morreram na tragédia de 22 de dezembro. Outras 7 mil ficaram feridas e quase 47 mil tiveram de deixar suas casas. Imagens de radar do satélite JAXA's ALOS-2 mostram a ilha vulcânica Anak Krakatau em 20 e 24 de dezembro, antes e depois da erupção. Geospatial Information Authority of Japan via AP Alerta em conjunto Thomas Walter, do Centro de Pesquisa em Geociência GFZ em Potsdam, diz que qualquer um dos sinais vistos individualmente não poderia ter sido usado para prever o que aconteceu no vulcão, mas vistos em conjunto os sinais poderiam ter servido de alerta. "Juntando todos os sensores, você consegue ter uma visão geral do efeito em cascata que estava acontecendo", disse Walter à BBC News. O time de pesquisadores percebeu que o vulcão estava passando por sua maior fase eruptiva em 20 anos em 2018 e que o lado sudoeste, que desabou no mar, havia começado a cair em direção ao oceano desde janeiro. Também perceberam que havia uma intensa atividade térmica na montanha desde junho, e que a área da ilha havia crescido muito nos meses antes do colapso. Uma atividade sísmica significativa logo antes do colapso também foi detectada — talvez um terremoto, talvez uma explosão, não está claro. Segundo Walter, o mais interessante é que o sinal sísmico não cessou totalmente e, quando subiu de novo, mostrou a baixa frequência que é característica de um deslizamento de terra. Alguns minutos depois, a frequência mudou de novo, o que os pesquisadores interpretam como uma série de explosões vulcânicas — "como se tirasse a tampa de uma garrafa". As lições aprendidas com o Anak Krakatau podem ser usadas em outros vulcões com risco de gerar tragédias. Walter afirma que o tipo de movimento observado no vulcão pode ser considerado um potencial precursor de eventos do tipo. Satélites e radares vão detectar esse tipo de deformação e diversos grupos no mundo estão desenvolvendo sistemas automáticos com algoritmos que analisam os dados buscando indícios de anomalias. Em dezembro do ano passado, redes de atividade sísmica detectaram o momento do colapso. "Mas temos muitos vulcões ao redor do mundo e não há estações por perto" diz Walter. "Nós deveríamos olhar para esses vulcões onde há um risco de colapso e investir na instalação dos instrumentos de medição." A equpie de geógrafos da GFZ publicou suas descobertas na revista científica Nature Communications. Veja Mais

O inovador plano para transformar ar poluído em combustível para aviões

Glogo - Ciência Projeto piloto no aeroporto de Roterdã planeja capturar CO2 do ar e transformá-lo em combustível de aviação. Um avião decola durante o amanhecer no aeroporto internacional de Frankfurt, na Alemanha Michael Probst/AP/Arquivo "Este é o futuro da aviação", diz Oskar Meijerink em um café no aeroporto de Roterdã. A empresa dele, em parceria com os proprietários do aeroporto, está planejando a primeira produção comercial de combustível para aviação feita, em parte, a partir de dióxido de carbono (CO2). Com base no aeroporto, esse projeto funcionará capturando CO2 do ar, o principal gás que contribui para o aquecimento global. Em um processo separado, a eletrólise separa a água em hidrogênio e oxigênio. O hidrogênio é misturado com o CO2 capturado para formar gás de síntese (syngas), que pode ser transformado em combustível de aviação. Avião pousando no Aeroporto Internacional de Dubai em fevereiro de 2019 REUTERS/Christopher Pike/File Photo O projeto piloto, que tem como objetivo produzir 1 mil litros de combustível de aviação por dia, receberá energia de painéis solares. Os parceiros do projeto esperam produzir o primeiro lote de combustível em 2021. Eles argumentam que o combustível de aviação produzido por eles terá um impacto de CO2 muito menor que o combustível comum. "A beleza da captura direta de ar é que o CO2 é reutilizado de novo, e de novo, e de novo", diz Louise Charles, da Climeworks, empresa que fornece a tecnologia de captura direta de ar. Alto custo Meijerink admite que esse processo de produção do combustível ainda está longe de ser competitivo comercialmente. "O principal elemento é o custo", diz Meijerink, da empresa de combustível de aviação SkyNRG. "O combustível fóssil é relativamente barato. Capturar CO2 do ar ainda é uma tecnologia incipiente e cara." Outras empresas estão trabalhando em sistemas semelhantes de captura direta, incluindo a Carbon Engineering, do Canadá, e a Global Thermostat, dos Estados Unidos. No entanto, os ativistas ambientais são altamente céticos. "Com certeza soa incrível. Parece uma solução para todos os nossos problemas. Mas não é", disse Jorien de Lege, do Friends of the Earth. "Se você pensar bem, este projeto pode produzir mil litros por dia com base em energia renovável. São cerca de cinco minutos de voo em um Boeing 747." Enquanto as empresas estão testando ferramentas de alta tecnologia para capturar CO2 do ar, já existe uma maneira muito simples e eficiente de fazer isso: o cultivo de plantas. E muitas aeronaves já estão voando com combustíveis renováveis ​​feitos a partir de biomassa vegetal. Cana de açúcar, grama ou óleo de palma e até resíduos de animais — de fato, qualquer coisa que contenha carbono — podem ser processados ​​e usados. Mas será que esses combustíveis alternativos substituirão totalmente o tradicional combustível fóssil de aviação? "Sim, mas é muito difícil estabelecer um prazo", diz Joris Melkert, professor de engenharia aeroespacial da Delft University of Technology. Maior avião comercial de cargas do mundo, em operação, o AN-124 Antonov pousa no Aeroporto de Natal Pedro Vitorino/G1/Arquivo Ele diz que os combustíveis alternativos se tornarão competitivos se os custos ambientais forem incluídos na tarifa do voo, mas isso significará passagens mais caras. "Vai depender muito da pressão social, mas não há objeções técnicas", diz. "Basicamente, se você observar as maneiras de tornar o transporte mais sustentável, a aviação é a mais difícil de mudar." As viagens aéreas representam de 3% a 5% por cento das emissões globais de CO2. E essas emissões estão crescendo rapidamente. Alternativas Em resposta, a Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata, na sigla em inglês) estabeleceu metas para reduzir as emissões em 50% até 2050 e as companhias aéreas estão estudando muitas maneiras de reduzir o uso de combustíveis fósseis. A companhia aérea escandinava SAS pretende fazer voos domésticos com biocombustíveis e reduzir as emissões em 25% na próxima década. A KLM está incentivando as pessoas a não voarem, e sugere que os clientes façam viagens de trem ou realizem videoconferências pela internet. Recentemente, a holandesa low-cost Transavia começou a pesar passageiros no aeroporto de Eindhoven, em um experimento projetado para calcular melhor a quantidade de combustível necessária, com o objetivo de reduzir as emissões de CO2. A Transavia também será o primeiro cliente do combustível de aviação produzido pela operação experimental no aeroporto de Roterdã. Alguns esperam que aviões elétricos ou híbridos sejam a resposta. A EasyJet, em parceria com a Wright Electric, com sede nos EUA, está desenvolvendo aviões elétricos que poderiam fazer rotas de curta distância a partir de 2030. Mas Joris acredita que os biocombustíveis têm mais chance de reduzir a dependência da indústria de combustíveis convencionais. "Não há bala de prata", diz Joris. "Mas os combustíveis renováveis ​​darão os maiores passos para reduzir o impacto ambiental da aviação." "No momento, é muito caro. O tamanho da pressão vai ditar a rapidez com que as companhias aéreas vão se ajustar." 'Escolhas difíceis' Nem todo mundo está convencido de que essas mudanças tecnológicas serão a solução para tornar os voos mais sustentáveis. "A única solução que temos é simplesmente voar menos", diz Lege, da Friends of the Earth. "Compreendo as razões pelas quais precisamos voar ao redor do mundo, mas as mudanças climáticas estão acelerando a um ritmo assustador. Precisamos fazer escolhas difíceis. Precisamos pensar em mudanças no sistema. Estou confiante de que podemos viver nossas vidas de forma muito confortável ​​sem voar, será apenas diferente." Veja Mais

Como cortes do governo podem paralisar pesquisas do Brasil na Antártida

Glogo - Ciência Muitos pesquisadores e bolsistas já não poderão participar de uma expedição na qual será inaugurada a nova Estação Antártica Comandante Ferraz, e projetos de pesquisas poderão ser paralisados a partir do ano que vem. A nova estação Antártida Comandante Ferraz será inaugurada em janeiro de 2020 Secrim/Marinha do Brasil No verão austral 2019/2020, o Brasil deverá realizar a 38ª Operação Antártica (Operantar XXXVI), expedição de pesquisa na Antártida, que vem ocorrendo desde 1982, como parte do Programa Antártico Brasileiro (Proantar). Como raríssimas vezes aconteceu, no entanto, os cortes e contingenciamentos orçamentários impostos pelo atual governo federal nas áreas de ciência e educação colocam em risco a continuidade do trabalho dos cientistas brasileiros naquelas paragens geladas. Marinha prevê inaugurar estação na Antártica em 2020, oito anos após incêndio Muitos pesquisadores e bolsistas já não poderão participar da Operantar XXXVI, na qual será inaugurada a nova Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), e projetos de pesquisas poderão ser paralisados a partir do ano que vem. Uma vastidão deserta e gelada de 14 milhões de quilômetros quadrados - uma vez e meia a área do Brasil -, onde a temperatura pode chegar a quase 90ºC negativos, com ventos de mais de 320 quilômetros por hora, e praticamente sem chuvas poderia ser considerada apenas uma região inóspita e estranha, de interesse para poucos, como aventureiros, amantes de boas fotos, de pinguins e das esquisitices do planeta Terra. É um grande engano. "Apesar de ser mais conhecida pela presença de gelo e neve, a Antártida possui complexos ecossistemas, muito deles pouco conhecidos e até alguns ainda desconhecidos", diz o pesquisador Luiz Henrique Rosa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenador do projeto MycoAntar do Proantar, que estuda fungos com possíveis propriedades medicinais. De acordo com ele, esses ecossistemas abrigam seres vivos únicos e adaptados às condições extremas da região e que estão isolados geograficamente do restante do planeta. "Em outras palavras, a Antártida possui uma biodiversidade pouco conhecida pela ciência", explica. "Por estarem sem contato com o mundo de fora, esses organismos, representados por animais, plantas e principalmente pelos micro-organismos, têm o potencial de produzirem substâncias de interesse em processos biotecnológicos." Eles podem ser comparados a fábricas vivas, capazes de produzir diferentes substâncias bioativas, entre as quais muitas com diferentes atividades biológicas. "Em 12 anos de pesquisas, nosso grupo já descobriu espécies selvagens de fungos produtores de substâncias antimicrobianas, antivirais (contra o vírus da dengue), tripanossomicida (que atuam contra o Trypanossoma cruzi, o agente causador da doença de Chagas) e pesticidas (capazes de inibir outros fungos e ervas daninhas para a agricultura)", conta Rosa. "Ou seja, as atividades científicas do Proantar têm grande potencial para contribuir com o setor produtivo do Brasil e na medicina, por exemplo." Pesquisador Luiz Henrique Rosa coleta água em lago na Antártida para realizar pesquisa com fungos Luiz Henrique Rosa Importância climática global O glaciólogo Jefferson Cardia Simões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), vice-presidente do Scientific Committtee on Antarctic Research (SCAR), órgão máximo da pesquisa antártica internacional, lembra outro aspecto que reforça a importância das pesquisas na Antártida. De acordo com ele, o continente tem papel fundamental nas correntes marítimas e no clima de todo o mundo, que por sua vez influenciam, por exemplo, a riqueza marinha e o desempenho agrícola. "As regiões polares são tão importantes quanto os trópicos no sistema ambiental global", garante. Isso ocorre, de acordo com ele, porque a circulação atmosférica e oceânica e, consequentemente, o sistema climático terrestre, decorre da transferência de energia dos trópicos para as regiões polares. "Os processos que lá ocorrem nos afetam e vice-versa", explica. "As frentes frias, por exemplo, que podem chegar até o sul da Amazônia, são geradas no Oceano Austral. Graças às pesquisas antárticas, vamos melhorar a previsão do tempo no Brasil, essencial se quisermos aumentar nossa produtividade agrícola e diminuir o custo social de desastres climáticos. Por isso, insisto na frase, na qual o brasileiro ainda não está condicionado a pensar: a Antártida é tão importante quanto a Amazônia para o meio ambiente planetário." Pinguins na Antártida em foto de janeiro de 2015 AP Photo/Natacha Pisarenko, File Mas não é só isso. Além da importância científica, há um aspecto geopolítico que o Brasil não pode menosprezar. A Antártida possui a maior reserva de água potável do mundo e certamente pode ter riquezas minerais embaixo do manto de gelo eterno, que em alguns lugares pode chega a 5 km de espessura. Hoje, é o único continente que não pertence a nenhum país. Para que algumas nações no futuro tenham o direito de explorar essas riquezas, foi assinado em 1959, por 44 países, o Tratado da Antártida, que regulamenta todas as atividades no continente e estabelece que ele deve ser usado apenas para fins pacíficos e de cooperação internacional para o desenvolvimento de pesquisas científicas. O documento, que entrou em vigor em 1961, foi assinado pelo Brasil em 1975, inicialmente como membro aderente. O país só iniciou suas pesquisas no continente gelado, no entanto, no verão austral de 1982/1983, com a Operação Antártica I. Iceberg maior que a cidade de São Paulo se desprende da Antártida Direito a voto e veto O principal resultado dessa primeira expedição foi a aceitação do Brasil, em 12 de setembro de 1983, como membro consultivo do tratado, ou seja, com direito a voto e veto, privilégio apenas de outros 28 países. "Para garantir esse direito, o Artigo IV do Tratado, estabelece que os países devem realizar pesquisas contínuas e significativas na Antártida", diz o biólogo Paulo Câmara, da Universidade de Brasília (UnB), que realiza pesquisa no continente há 6 anos. "O que a falta de recursos pode colocar em risco." Com esse objetivo o Brasil construiu a EAFC, inaugurada em 6 de fevereiro de 1984, na Baía do Almirantado, na Ilha Rei George, no Arquipélago das Shetlands do Sul, ao norte da Península Antártica. Inicialmente ela possuía oito módulos, semelhantes a containers, número que chegou a 62, com instalações relativamente confortáveis, com compartimentos de tamanhos variados, entre eles 13 laboratórios destinados às ciências biológicas, atmosféricas e químicas, além de alojamentos que podiam acomodar até 58 pessoas, biblioteca, sala de computadores, enfermaria e um pequeno centro cirúrgico, sala de ginástica e até oficinas de veículos. Na madrugada do dia 25 de fevereiro de 2012 ela foi destruída por um incêndio, que começou às 2h da madrugada e matou dois militares, que tentavam apagar o fogo. Uma nova base foi construída, que deverá ser inaugurada em janeiro do ano que vem. Ela já está praticamente pronta, tem 4,5 mil metros quadrados e é uma das mais modernas da Antártida. A nova EACF terá 17 laboratórios, ultrafreezers para armazenamento de amostras coletadas pelos pesquisadores, além de alojamentos e espaços de convivência e de lazer e poderá abrigar até 65 pessoas. Não basta, no entanto. Ela por si só não garante as pesquisas brasileiras na Antártida. São necessários recursos para financiá-las. Caso contrário, há o risco de ter uma base, mas não estudos na Antártida. Daí a preocupação da comunidade científica com os cortes orçamentários. "No ano passado, foi aberto um edital de R$ 18 milhões para pesquisa cientifica, alardeado como o maior dos últimos anos", conta Câmara. "Esse valor deveria bancar as atividades por quatros anos, o que daria cerca de R$ 4,5 milhões por ano." Esse montante foi reduzido, no entanto. "Com a mudança de governo, imediatamente R$ 2 milhões não foram aplicados", diz Câmara. "Seriam bolsas da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), que já estavam empenhadas. "Até hoje não entendi o que aconteceu com elas. Minha melhor explicação é que elas simplesmente sumiram, deixando o edital com apenas R$ 16 milhões da noite para o dia. As bolsas são fundamentais para o andamento do projeto, em particular para formação de recursos humanos e evitar fuga de cérebros." Além disso, continua Câmara, recentemente as demais bolsas foram contingenciadas (menos R$ 3,7 milhões), causando um prejuízo ainda maior. "O alardeado edital de R$ 18 milhos agora está em cerca de R$ 12 milhões, o que dá cerca de R$ 3 milhões por ano para apoiar 17 projetos. Ou seja, estamos novamente em situação de penúria, na qual há o risco de paralisação das pesquisas antárticas por falta de recursos." Programa brasileiro na Antártica pode parar por falta de verba, diz líder de expedições Edital Procurado pela BBC Brasil, o Ministérios da Ciência Tecnologia e Inovação e Comunicações (MCTIC) não respondeu diretamente as questões que lhe foram enviadas. Por meio de sua assessoria de imprensa, enviou uma nota padrão, na qual cita o edital de R$ 18 milhões, ao qual se referiu Câmara. Acrescenta ainda recursos liberados em anos anteriores a 2018, no valor total de R$ 5,5 milhões, que já foram gastos. O texto reconhece que "por enquanto não há previsão de novos recursos". A nota diz ainda que "é importante ressaltar o apoio continuado do MCTIC ao Proantar e a consideração do Ministério pela ciência antártica e a eficiente e comprometida condução pela comunidade acadêmica envolvida no Programa. São anos em que, apesar das restrições fiscais, o Proantar tem se mantido ininterrupto". Para a comunidade científica é pouco. "A situação pode ser pior a médio e longo prazo para a pesquisa antártica em 2020, pois o governo sinalizou cortes ainda mais profundos em pesquisa e educação", lamenta Rosa. "O Proantar terá suas atividades científicas comprometidas, o que pode gerar prejuízos imensuráveis em termos da participação do Brasil no Tratado Antártico, no qual tem direito a voto sobre o futuro de cerca de 10% do mundo, a Antártida. Vale ressaltar que em nenhum outro fórum mundial o país tem tal prestígio e poder de voto, com o mesmo peso dos Estados Unidos, da Rússia e da China por exemplo." Veja Mais

Hospitais devem notificar Anvisa sobre casos relacionados ao uso de cigarro eletrônico

Glogo - Ciência A medida da agência pretende reunir informações para antecipar e prevenir uma crise de saúde como a que vem ocorrendo nos Estados Unidos. Anvisa decide enviar alertas sobre efeitos causados pelo cigarro eletrônico A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) solicitou a 252 instituições de saúde do Brasil que enviem alertas sobre relatos de problemas relacionados ao uso de cigarros eletrônicos. Para a agência, esta ação deve reduzir os riscos de que aconteça no país o mesmo que nos Estados Unidos, onde pelo menos onze pessoas morreram por causa de doenças pulmonares severas relacionados a esse hábito. "A ação tem como objetivo reunir informações para antecipar e prevenir uma crise de saúde como a que tem sido noticiada nos Estados Unidos, onde há casos de uma doença respiratória grave, levando a óbitos, associada ao uso desses dispositivos", disse a Anvisa em nota. Cigarro eletrônico: 7 respostas sobre mortes, legislação e maconha Entenda os perigos de cigarros eletrônico e tradicional Os profissionais da saúde dos hospitais que integram a Rede Sentinela vão colher o relato de pacientes que apresentarem sintomas que possam estar ligados ao uso do dispositivo. Essas informações vão fazer parte de um diagnóstico nacional. Usuário de cigarro eletrônico; doença pulmonar não identificada está ligada ao produto Christopher Pike/Reuters No Brasil, o uso do cigarro eletrônico não é proibido, mas a comercialização e a propaganda são. Por aqui, seu uso já é observado em várias cidades brasileiras. Em um parecer de 2017, a Anvisa informou que o cigarro eletrônico transmite uma falsa sensação de segurança ao fumante. Diferença com cigarro comum Os cigarros tradicionais funcionam por combustão. Já os eletrônicos, por vaporização, e aparecem também na forma de "canetas" com um líquido interno. Utilizam bateria para evaporar uma mistura geralmente feita com álcool, água, glicerina, propilenoglicol e essências. Trata-se de uma espécie de dispositivo "vaporizador" de aromas, sabores e outros produtos químicos: álcool, glicerina e, na maioria deles, nicotina. Cigarro comum x cigarro eletrônico: compare o funcionamento de cada um Roberta Jaworski/G1 Mortes nos EUA Autoridades de saúde pública dos EUA investigam 450 casos de doenças pulmonares relacionadas ao fumo de cigarros eletrônicos em 33 estados e um território norte-americanos. Várias das doenças registradas podem ter relação com produtos contendo acetato de vitamina E, um óleo que pode ser perigoso se inalado. Entre esses componentes, estão derivados da cannabis. A tendência nos EUA é banir o cigarro eletrônico com sabor. Veja Mais

'Listras do aquecimento global' mostram como o mundo está cada vez mais quente

Glogo - Ciência Criação do cientista inglês Ed Hawkins traduz para a imagem uma sequência de dados sobre temperaturas da Terra desde o século XIX; listras azuis representam anos mais frios e vermelhas, mais quentes. Listras do aquecimento global para o mundo de 1850-2018 Divulgação/Show Your Stripes O que um carro elétrico, um bonde alemão e um vestido têm em comum? Se depender do climatologista britânico Ed Hawkins, esses objetos podem ser o início de uma conversa séria sobre o aquecimento global. Hawkins criou um sistema de código de barras azul e vermelho que denuncia o aumento das temperaturas. Como mostram as fotos abaixo, as cores não ficaram restritas aos cartazes de protestos. "Essa repercussão é fantástica", afirmou o cientista ao G1. Na imagens criadas por ele, cada listra representa um ano e o conjunto mostra a evolução das temperaturas do planeta desde o ano 1850 até 2018. O código em cinco pontos O que são essas listras? A "listras do aquecimento" são uma representação visual da mudança nas temperaturas da terra no último século. Cada listra representa a temperatura média de uma região durante um ano. O que mostra o gráfico? Os anos mais frios estão em azul, já os mais quentes, em vermelho. Nos anos mais recentes, o vermelho predomina. Por que não há números? O gráfico foi criado para ser o "mais simples possível", e sua função é alertar para os riscos das mudanças climáticas. Há uma série de fontes específicas sobre como as temperaturas se transformaram, mas elas estão limitadas à comunidade científica. Como ele foi criado? As informações vem da base de dados sobre a temperatura global da Berkeley Earth. As cores pelo mundo Um carro elétrico, um bonde na Alemanha e até mesmo roupas já ganharam as listras que alertam para o aquecimento global Carro elétrico da marca Tesla foi adesivado com as listras do aquecimento global Reprodução/NetZeroMN/Twitter Código de barras Hawkins, o cientista por trás deste padrão, explicou ao G1 a ciência escondida nas listras. O climatologista explica que o primeiro passo foi considerar uma base de dados com a temperatura de todo o planeta, inclusive cada país. Depois, foram selecionados os anos entre 1971 e 2000 por serem um período transitório do planeta, que ficou entre os anos mais quentes e os anos mais frios. A temperatura média deste período (1971-2000) serviu de base para analisar o quanto cada ano desde 1850 está acima ou abaixo do padrão. "A data foi escolhida porque está mais ou menos no meio do caminho entre os anos mais quentes e os mais frios, dessa forma a gente consegue dividir os tons, com o ano mais quente em vermelho escuro e o mais frio, azul escuro", destacou Hawkins. Por exemplo: a média de temperatura no Brasil entre 1971 e 2000 foi de 25,2°C. Os anos que ficaram acima deste valor foram representados pelas barras em tons avermelhados. 2015 foi o ano mais quente, com 26,34°C de média e recebeu o tom mais escuro de vermelho. Já 1917 é representada pelo azul escuro, por ter sido o ano mais frio no período analisado. O pesquisador explicou que para a criação do gráfico brasileiro, foram considerados os dados apenas após o início do século XX, porque, segundo ele, as médias anteriores são menos precisas no país. Segundo o especialista, a predominância do vermelho em anos mais recentes é um retrato do aumento nas temperaturas globais. Professor Ed Hawkins, é da Universidade de Reading, no Reino Unido Arquivo Pessoal/Ed Hawkins Para começo de conversa A simplicidade da representação é uma vantagem, considerou Hawkins. Para ele, esta é "uma boa forma de começar uma conversa" sobre as mudanças climáticas que acabam ficando perdidas em tabelas e gráficos complexos dos meteorologistas. "Cientistas geralmente conversam com gráficos complicados. Esta foi a forma que encontrei de poder me comunicar com mais gente: usamos as cores para representar as mudanças, com o azul, para anos mais frios e vermelho para mais quente, assim não há dificuldade para entender", disse o especialista. Ele contou que a ideia surgiu no ano passado, quando ele se apresentou em um evento público, em que a maioria dos presentes não era cientista, e ele afirmou que todos conseguiram entender o que ele falava. "Queria conversar com as pessoas, que não estavam acostumadas ao discurso científico. As pessoas instantaneamente reconheceram o que era apresentado." Recentemente, o padrão criado pelo cientista para retratar o aquecimento global conquistou apoiadores que resolveram tirar do papel e aplicar este "termômetro visual" em superfícies inesperadas. "Foram muitas as formas inovadoras que eles conseguiram aplicar nosso gráfico, para começar uma conversa sobre as mudanças climáticas", disse Hawkins ao G1. Greve global pelo clima O cientista endossou as marchas que resultaram na recente greve global pelo clima e celebrou a adesão de uma juventude em uma causa como esta. Citou a jovem ativista sueca com a Greta Thunberg como um dos exemplos desta geração que "despertou" para este tema. Heather Price, química atmosférica durante protesto pelo clima em Seattle. Heather diz que usa um vestido que marca a mudança de temperatura de 1850 a 2018, feita pelo cientista do clima Ed Hawkins. Arquivo pessoal "É brilhante ver gente tão jovem tomar a iniciativa de algo que cientistas vêm alertando há décadas e que não tiveram respostas e ações", disse Hawkins. Para ele, a mensagem dada pelos jovens é clara e está cada vez mais presente na mídia. "As pessoas, estão falando disso, das implicações e riscos do aquecimento global. Nós temos que falar disso." O pesquisador da Universidade de Reading ressaltou a importância de se falar sobre as mudanças em nível regional. O projeto #ShowYourStripes, de sua autoria, também publica gráficos de países e assim, é possível acompanhar o avanço nas temperaturas em cada região do globo. "Os cientistas costumam falar com frequência sobre as mudanças globais. As pessoas experimentam estas mudanças, mas em suas regiões. As temperaturas aumentam globalmente, mas os efeitos são reais e são notados localmente." Linhas de aquecimento global para o Brasil de 1901-2018 Divulgação/Show Yor Stripes Veja Mais

Ministro Marcos Pontes visita Uberlândia e assina acordo para esporte paralímpico

Glogo - Ciência O chefe da pasta de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações esteve na feira científica da UFU. Veja entrevista. Ministro Marcos Pontes visita mostra de ciência em Uberlândia e assina acordo para atletas paralímpicos Reprodução/TV Integração O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, está em Uberlândia nesta segunda-feira (30). Ele participou, durante a manhã, de uma feira de ciências promovida pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). No evento, o ministro assinou com o Município o Acordo de Cooperação Técnica e Científica, que reconhece o Centro de Inovações Tecnológicas em Esportes Paralímpicos como uma referência. O documento é uma espécie de credenciamento que possibilita que o Centro passe a angariar verbas no Ministério. “O documento faz a conexão com o Ministério e aumenta as possibilidades dos recursos federais serem destinados para cá”, afirmou Pontes. A mostra e a visita do ministro ocorrem no contexto da programação uberlandense do “Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência” e do “Dia Nacional do Atleta Paralímpico”, comemorados nos dias 21 e 22 de setembro, respectivamente. “Esse evento coloca a cidade, que já é referência no esporte paralímpico, em nível nacional no quesito. A ciência é a ponta de lança para o desenvolvimento de qualquer país e a missão dela deve ser sempre contribuir para a qualidade de vida, principalmente para quem mais precisa”, afirma o ministro. A reportagem do MG1 foi conferir de perto a Mostra de Inovações em Tecnologias Assistivas para Esportes e Saúde da UFU, realizada na Arena Sabiazinho e conversou com Marcos Pontes (veja vídeo abaixo). Ministro Marcos Pontes visita mostra da UFU em Uberlândia e assina acordo de cooperação Motivação Segundo o ministro, as pessoas com necessidades especiais são motivo maior de honra para que a ciência e a pesquisa sejam incentivadas. “São exemplo para todos nós e a vida nem sempre é fácil para eles. Com a tecnologia, tudo pode melhorar. Precisamos passar da fase do protótipo para o produto”. Contingenciamento Sobre o contingenciamento do governo federal nas áreas da educação e tecnologia, que afetou as pesquisas em todos o país e também atingiu a UFU, o ministro disse que o problema pode ser resolvido com gestão adequada. “As verbas de outubro para as pesquisas já estão normalizadas. Para o restante do ano, alinharemos com o Ministério da Economia para resolver as questões”, explicou. Veja Mais

Por que muitas crianças parecem estar eternamente com o nariz escorrendo

Glogo - Ciência A BBC ouviu um bioquímico especialista em vias aéreas para entender por que as crianças ficam sempre resfriadas. Quando a época de frio começa, existe a sensação de que as crianças pegam um resfriado após o outro. Certamente você deve ter notado, especialmente nas crianças menores, um fiozinho amarelado que pende das narinas. Mas por que eles se transformam nessas "máquinas de catarro" que parecem funcionar 24 horas por dia? O problema, diz o bioquímico Cerry Harrop, especialista em vias aéreas, é que "uma criança entra em contato com muitas outras crianças". "E como os vírus estão mudando constantemente, acontece que, enquanto alguém recebe uma versão do vírus que causa o resfriado comum e fica com o nariz escorrendo por alguns dias até que ele passe, entra em contato com outra criança que tem uma versão um pouco diferente do vírus", diz Harrop à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC. Por serem mais jovens, as crianças também tiveram menos tempo para entrar em contato com uma variedade maior de vírus e fortalecer seu sistema imunológico. Isso significa que, apesar do esforço dos pais para impedir que as crianças adoeçam, "é inevitável que eles continuem pegando resfriado atrás de resfriado". Outra das possíveis respostas é que, nas estações mais frias, as pessoas costumam ficar mais tempo em ambientes fechados, sem ventilação — assim, os vírus também circulam com maior facilidade. No entanto, conforme elas crescem, as crianças adquirem mais imunidade e ficam mais resistentes a resfriados. Por que é importante assoar o nariz? Como Harrop explica, isso não é um problema enquanto o muco está circulando e limpando os germes do corpo. "Embora pareça nojento, o catarro faz seu trabalho." O problema, diz, é gerado quando o catarro não se move. "Se o muco não sair das vias aéreas, a criança pode sofrer inúmeras infecções secundárias." Isso ocorre porque o catarro "é composto de muitas proteínas revestidas de açúcar e esse açúcar é, como o açúcar que conhecemos, pegajoso". "É por isso que ele é infectado pelo vírus. Se não conseguimos tirar o muco do nariz e dos pulmões, podemos sofrer algumas infecções indesagradáveis." Daí a importância de ensinar as crianças a assoar o nariz. Contágio Embora existam muitos tipos de vírus que podem causar um resfriado comum, os rinovírus são os mais comuns. Os vírus podem ser transmitidos por meio de gotículas que permanecem flutuando no ar, quando uma pessoa doente tosse, fala ou espirra. Eles também podem ser transmitidos por contato direto com um paciente ou pelo compartilhamento de objetos contaminados. Eles geralmente duram entre cinco e sete dias, mas podem durar até duas semanas em crianças pequenas. Veja Mais

Fósseis de dinossauro carnívoro com dentes de tubarão são encontrados na Tailândia

Glogo - Ciência Animal tinha mais de 9 metros de comprimento e pesava ao menos 3,5 toneladas. Reconstrução de cabeça de dinossauro por meio de fóssil encontrado na Tailândia Soki Hattori and Duangsuda Chokchaloemwong/Handout via Reuters Fósseis de um grande dinossauro carnívoro que era um imponente predador há cerca de 115 milhões de anos foram desenterrados na Tailândia. A descoberta ajuda a entender o animal que está entre os primeiros membros de um grupo de dinossauros conhecidos por seus dentes similares a de tubarões, usados para rasgar carnes. Cientistas afirmaram nesta quarta-feira (9) que o dinossauro, chamado Siamraptor suwati, tinha mais de 9 metros de comprimento e pesava ao menos 3,5 toneladas. O Siamraptor, maior dinossauro carnívoro já descoberto na Tailândia, viveu durante o período cretácico em um ambiente centrado em um sinuoso sistema fluvial e se alimentava de dinossauros herbívoros, disseram os pesquisadores.  O paleontólogo Duangsuda Chokchaloemwong, da Universidade Nakhon Ratchasima Rajabhat e do Museu de Fósseis Khorat, na Tailândia, disse que esqueletos parciais de quatro dinossauros da espécie foram encontrados em Korat, na Tailândia. Os fósseis incluem partes do crânio, espinha dorsal, membros, quadris e dentes.  "O Siamraptor é o maior predador neste ambiente e, logo, pode ser o maior predador daquele período no tempo", disse o paleontólogo Soki Hattori, da Universidade da Prefeitura de Fukui e do Museu de Dinossauros da Prefeitura de Fukui, no Japão. Veja Mais

Nobel de Química 2019 vai para trio que desenvolveu baterias de íons de lítio

Glogo - Ciência Laureados desenvolveram baterias de íons de lítio. Vencedores irão dividir o prêmio de 9 milhões de coroas suecas, equivalente a cerca de R$ 3,72 milhões. John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham, Akira Yoshino são os vencedores do Prêmio Nobel 2019 de Química pelo desenvolvimento de baterias de íons de lítio. A Academia sueca anunciou nesta quarta-feira (9) que os cientistas irão dividir o prêmio de 9 milhões de coroas suecas, equivalente a cerca de R$ 3,72 milhões. Initial plugin text Próximas premiações Na quinta-feira (10), a Academia irá anunciar o prêmio de Literatura - inclusive o referente a 2018. Na sexta-feira (11), serão divulgados os vencedores do Nobel da Paz e, na segunda (14), os de Economia. Na segunda-feira (7), foram divulgados os vencedores do prêmio em Medicina e, na terça (8), em Física. Initial plugin text Veja Mais

Nobel de Física premia James Peebles, Michel Mayor e Didier Queloz

Glogo - Ciência Vencedores irão dividir o prêmio de 9 milhões de coroas suecas, equivalente a cerca de R$ 3,72 milhões. James Peebles, Michel Mayor e Didier Queloz são os vencedores do Prêmio Nobel 2019 de Física. A Academia sueca anunciou nesta terça (8) que os laureados irão dividir o prêmio de 9 milhões de coroas suecas, equivalente a cerca de R$ 3,72 milhões. Veja mais informações em instantes. Veja Mais

Como reduzir a chance de ingerir agrotóxicos nos alimentos, segundo especialistas

Glogo - Ciência Técnicas caseiras podem diminuir resquícios, mas é impossível retirar tudo. Isso porque existem resíduos que podem estar dentro do organismo das frutas e hortaliças. Resíduos de agrotóxicos podem estar presentes na casca e na polpa de frutas e verduras, mas existem limites toleráveis dos resquícios desses produtos Ja Ma/Unsplash Se você quer tirar o agrotóxico dos alimentos que compra, saiba que não existe um método 100% eficaz, segundo todos os especialistas ouvidos pelo G1. Como os agrotóxicos impactam os principais alimentos Isso porque existem resíduos que podem estar na casca de frutas e legumes, que são mais fáceis de serem retirados, e também existem resquícios de medicamentos e agrotóxicos que podem estar dentro do organismo de frutas, hortaliças e animais abatidos, que não são possíveis de serem eliminados. "É possível eliminar de 80 a 90% do que está na superfície do alimento. O que entrou, está lá na polpa, não tem como retirar", explica o clínico geral e nutrólogo Roberto Navarro. O professor de toxicologia da Universidade de São Paulo (USP) Ernani Pinto explica que isso não significa que correr riscos de intoxicação. O motivo é que existem legislações que impõem limites que seriam toleráveis para consumo dos resíduos desses produtos químicos (leia mais abaixo). Mas, se nenhuma técnica é 100% eficiente para eliminar esses resquícios, pelo menos é possível diminuir a chance de ingeri-los. Veja técnicas básicas do dia a dia que podem ajudar. Frutas, verduras e hortaliças Uma técnica muito comum e que já é feita nas residências pode ajudar a diminuir a ingestão de resíduos: deixar o produto de molho em água misturada com vinagre, ou bicarbonato de sódio ou água sanitária. Segundo o professor Ernani Pinto, essas três misturas garantem uma preservação maior do alimento, destroem bactérias e podem retirar restos de produtos químicos também. Para fazer a mistura: 1 litro de água filtrada; 1 colher de sopa de bicarbonato de sódio ou 1 colher de café de hipoclorito (água sanitária) ou 2 colheres de vinagre; Depois: Deixar frutas, hortaliças e legumes de molho por volta de uma hora; Lavar em água corrente e armazenar. Para frutas e legumes com casca recomenda-se lavar o alimento com uma esponja nova com detergente (veja na reportagem abaixo, do Globo Rural). Saiba como retirar resíduos de agrotóxico dos alimentos De olho na origem A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda que você opte por alimentos que tenham a identificação do produtor no rótulo. Por meio de um QR Code (código que pode ser lido pela câmera do celular, por exemplo), essas embalagens permitem saber a origem do alimento e, inclusive, questionar quais pesticidas foram usados. A identificação faz parte de uma legislação de rastreabilidade do Ministério da Agricultura, implementada em 2018 e que todos os produtores de frutas e hortaliças deverão seguir até agosto de 2021. Limão com a identificação implementada pelo Ministério da Agricultura Rikardy Tooge/G1 Prefira alimentos da época Outra orientação é, sempre que possível, adquirir alimentos de agricultores orgânicos (que não usam produtos químicos), assim como os chamados alimentos "da época" (safra), que costumam receber, em média, carga menor de pesticidas. Na última avaliação de resíduos de agrotóxicos da Anvisa, de 2016 (veja abaixo), a laranja foi o produto com mais resquícios, que podem estar tanto dentro da fruta como na casca. O professor de agronomia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Jacinto Batista explica que produtores de frutas e hortaliças utilizam tanto agrotóxicos de contato (que ficam na casca) quando os que entram na fruta (defensivos sistêmicos), na produção convencional. Na análise da Anvisa, nos casos da laranja, do abacaxi e da maçã, a maior parte dos resíduos estava na superfície. *Arroz, milho (fubá), trigo (farinha), banana, abobrinha, pimentão, tomate, batata, beterraba, cebola, cenoura, mandioca (farinha) Roberta Jaworsk e Diana Yukari/G1 Dá para saber pela aparência? O toxicologista da USP Ernani Pinto diz que, visualmente, não dá para detectar a presença de agrotóxicos em frutas e hortaliças. Segundo ele, nenhuma característica da casca pode garantir se aquele produto está com resíduos de pesticidas ou não. Portanto, não é possível determinar um fruto que tenha resíduos apenas na casca ou apenas na polpa. Também não dá para detectar resíduos de agrotóxicos pelo paladar ou pelo cheiro dos alimentos. E os medicamentos nas carnes? No caso das carnes bovina, suína, de porco e de peixe, e do leite, o único método para garantir uma ingestão menor de resíduos de medicamentos veterinários, se eles estiverem presentes, é por meio do cozimento. Ernani Pinto, da USP, explica que medicamentos mais sensíveis, como o grupo de antibióticos das amoxicilinas, são sensíveis ao calor, podendo ser eliminados em altas temperaturas. Além de retirar resíduos, o fogo mata bactérias e evita a salmonela. Caso você queira comer um desses produtos cru, como peixes e carne bovina, a recomendação é checar muito bem a procedência. Na última avaliação de resíduos de medicamentos veterinários nas carnes, feita pelo Ministério da Agricultura em 2018, das 12.495 amostras analisadas, 55 não estavam dentro do padrão da legislação, o que equivale a 0,44%. Dessas carnes, a de peixe chamou atenção, já que 16 de 59 amostras apresentaram limites acima dos permitidos. Como funciona o limite de resíduos? O Brasil possui legislação específica, fiscalizada pelo Ministério da Agricultura e pela Anvisa, sobre o limite máximo de resíduos de agrotóxicos e medicamentos veterinários que cada produto deve ter. Segundo Ernani Pinto, os índices são baseados em estudos científicos que não encontraram efeitos à saúde consumir as carnes, frutas e hortaliças tratadas com pesticidas e medicamentos, se os alimentos respeitarem os parâmetros estabelecidos pela lei. Por isso que os limites de resíduos se tornaram fundamentais para garantir a segurança alimentar da população. Ambientalistas afirmam, porém, que o Brasil é mais permissivo em comparação a outros países, pois os estudos se baseariam na falta de evidências de problemas à saúde e não à comprovação de que não faz mal. Já a indústria de agroquímicos e as agências reguladoras em todo o mundo garantem que, desde que consumidos em limites baixos e aplicados nas plantações conforme manda a lei, os agrotóxicos são seguros para a saúde humana. Outro ponto importante é que os produtores rurais precisam seguir um período de carência após a aplicação do produto químico antes de colher o alimento ou levar o animal para o abate. Essa informação consta na bula do produto que o agropecuarista usou. As indústrias compradoras e o ministério devem analisar se esse período foi respeitado antes de vender ao consumidor. Veja Mais

Pesquisa mostra como casais felizes discutem

Glogo - Ciência Terapeutas lançam livro propondo oito encontros para tratar de questões cruciais do relacionamento Em qualquer casamento, conflitos são inevitáveis, e mesmo as duplas felizes brigam. Aliás, os tópicos não diferem, nos relacionamentos bons e ruins: filhos, dinheiro, parentes, intimidade. Então, o que faz a diferença? Esse foi o fio condutor da pesquisa “Quais são os problemas conjugais dos casais felizes?” (“What are the marital problems of happy couples?”), realizada por estudiosos de quatro universidades norte-americanas. O resultado do levantamento apontou para a forma como as discussões eram conduzidas. “Quando surge um conflito, a abordagem dos casais felizes é voltada para buscar uma solução, e isso fica claro inclusive nos tópicos que são discutidos”, explicou Amy Rauer, professora da University of Tennessee, que assina o estudo ao lado de mais três colegas: Allen Sabey (Northwestern University), Christine Proulx (University of Missouri) e Brenda Volling (University of Michigan). O quarteto acompanhou dois grupos de casais que se descreviam como felizes: 57 pares se situavam na faixa dos 30 anos e suas relações tinham cerca de nove anos; e 64 estavam juntos há quatro décadas, com idades em torno de 70 anos. John e Julie Gottman: terapeutas acabam de lançar o livro “Eight dates: essential conversations for a lifetime of love” Divulgação Todos listaram os temas sobre os quais discutiam. Os mais sérios eram intimidade sexual, lazer, dinheiro, comunicação e tarefas domésticas – para os idosos, saúde entrava nessa lista. Entre os assuntos mais fáceis de lidar estavam ciúmes, religião e família. Os pesquisadores observaram que as pessoas sempre concentravam sua energia nos pontos de fácil solução. Segundo Amy Rauer, tratava-se de uma decisão estratégica. “Focar continuamente nos problemas difíceis de serem solucionados pode minar o relacionamento, enquanto buscar logo a solução dos mais simples alimenta o senso de segurança dos dois parceiros. Se o casal sente que pode trabalhar em conjunto, tem confiança para enfrentar questões mais sensíveis”, avaliou a professora. Saúde e sexo mostraram-se os quesitos espinhosos: são aqueles que afetam o sentimento de competência do outro, fazendo-o sentir-se vulnerável e embaraçado. Se uma base de confiança ainda não foi construída e sedimentada, as chances de impasse aumentam. Os casais longevos relataram um número menor de “arestas” e também de brigas, o que reforça trabalhos anteriores: “normalmente, eles decidem que alguns assuntos não valem uma discussão e priorizam o casamento. É como se escolhessem apenas as batalhas mais relevantes”, completou a pesquisadora. Para quem tem dúvidas sobre a qualidade da vida a dois e gostaria de experimentar um caminho para o equilíbrio, o casal de terapeutas de família John e Julie Gottman acabou de lançar o livro “Eight dates: essential conversations for a lifetime of love” (em tradução livre, “Oito encontros: conversas essenciais para o amor de toda uma vida”). Na obra, eles propõem oito encontros para tratar de questões cruciais, como confiança, sexo, dinheiro, diversão e sonhos. Cada item tem um questionário que vai funcionar como um exercício de reflexão antes do “encontro”. Por exemplo, na categoria dinheiro, cada um é encorajado a pensar e falar sobre seu histórico familiar e escrever sobre os medos e expectativas que o tema suscita. Casados há 32 anos, John e Julie têm um instituto batizado com seu nome que realiza pesquisa e treina terapeutas. Ambos são autores de diversas obras, em parceria ou separadamente. Em entrevista ao “The Guardian”, ele lamentou que os casais que estão juntos há algum tempo deixem de cuidar da própria relação: “é como se a curiosidade que tinham um pelo outro tivesse morrido”. Veja Mais

Após 5.504 casos de sarampo em 90 dias, campanha de vacinação terá verba extra a municípios que cumprirem metas

Glogo - Ciência Primeira fase da campanha começa na próxima segunda (7) e vai até 25 de outubro, com a meta de vacinar pelo menos 95% das crianças de seis meses a 5 anos em todo o país. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (segundo da esquerda para a direita) participou do lançamento da campanha nacional de vacionação contra o sarampo nesta sexta-feira (4), em Brasília Divulgação/Ministério da Saúde O governo federal lançou na tarde desta sexta-feira (4) a campanha nacional de vacinação contra o sarampo, e disse que vai distribuir "incentivo" financeiro de R$ 206 milhões aos municípios que cumprirem metas de cobertura da vacina. Em entrevista a jornalistas em Brasília, o Ministério da Saúde afirmou que, no período de 90 dias até 28 de setembro, o Brasil registrou 5.504 casos confirmados da doença. O valor do incentivo será pago em uma única parcela, e o valor total de R$ 206 milhões será dividido de acordo com a população de cada estado, fazendo o cálculo de R$ 1 por pessoa. Além disso, R$ 333 milhões serão repassados para reforçar as equipes locais de profissionais de saúde, e outros R$ 19 milhões serão gastos na veiculação, na TV, internet, cinemas e outras mídias, de um comunicado informando sobre a necessidade de vacinar a população, principalmente os bebês. "Vacina é um direito da criança", afirmou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. "A criança não consegue ir sozinha numa unidade de saúde para reivindicar seu direito. Pais, responsáveis, madrinhas: chequem a carteira de vacinação em respeito à criança, em amor. Se estiver incompleta, vá ao posto de saúde tomar a segunda dose." Realizada em caráter nacional, a campanha será realizada em diversas fases, cada uma destinada a uma faixa etária: Campanha de vacinação contra o sarampo: 7 a 25 de outubro: crianças de seis meses a 5 anos de idade (o "Dia D" da campanha acontece em 19 de outubro) 18 a 30 de novembro: jovens de 20 a 29 anos (o "Dia D" será em 30 de novembro) As etapas de 2020 terão como público-alvo as crianças de 6 a 19 anos, os adultos de 30 a 49 anos e os de 50 a 59 anos "No próximo ano nós complementaremos com a fase de 6 anos a 19 anos, de 30 a 49 anos, e a última fase de 50 a 59 anos", explicou Wanderson Kleber, secretário de Vigilância em Saúde do ministério. "Então teremos aí uma ação bastante ampla para atingir toda a população brasileira", continuou ele, explicando que o objetivo é "eliminar a circulação desse vírus e garantir altas coberturas vacinais, que vão proteger não só contra o sarampo, porque a vacina ou vai ser tríplice viral, ou dupla viral, vai proteger contra o sarampo e também a rubéola". Entre o fim de junho e 28 de setembro, o Brasil registrou 5.504 casos confirmados de sarampo em 19 estados. Metas para os municípios Segundo Mandetta, a ideia de vincular uma verba extra ao cumprimento de metas é uma forma de incentivar os estados a aumentarem sua cobertura vacinal, e também contribuírem com o governo na contagem de ampolhas de vacinas. Ele apresentou números mostrando que, em 2018, só 11 estados brasileiros conseguiram atingir a meta de oferecer a primeira dose da vacina contra o sarampo a pelo menos 95% das crianças. O ministro citou como exemplo estados que não conseguem atingir a meta há pelo menos quatro anos, e também São Paulo, que há três anos está abaixo do índice de 95%. "Hoje, de cada 100 casos, 97 casos estão em São Paulo. Então mesmo tendo vacinação aparentemente alta, se está abaixo de 95%, começa a ter surto epidêmico", alertou Mandetta. Os municípios brasileiros interessados em receber a verba extra oferecida terão que cumprir duas metas: Para receber 50% do valor, será preciso alcançar a cobertura vacional da primeira dose a entre 90% e 95% das crianças de 12 meses de idade Para receber 100% do valor, será preciso vacinar com a primeira dose pelo menos 95% das crianças de 12 meses de idade Nos dois casos, será necessário também "registrar, monitorar e informar o estoque das vacinas tríplice viral, pentavalente e poliomelite ao estado e ao Ministério da Saúde". Veja Mais

Os germes resistentes ao gel antibacteriano - e por que às vezes é melhor usar água e sabão

Glogo - Ciência Embora estes produtos sejam práticos e bastante eficazes, há germes que eles não combatem e contra os quais não há nada melhor a fazer do que lavar as mãos. O gel antibacteriano tornou nossa vida mais fácil, mas nem sempre é eficaz BBC/Getty Images Eles estão em todos os lugares: banheiros públicos, hospitais, academias, na entrada e saída de locais muito movimentados. Também são fáceis de carregar na bolsa. Bastam algumas gotas e pronto: podemos pegar um alimento com as mãos e comê-lo sem risco. Os populares frascos com gel antibacteriano, antissépticos ou desinfetantes para as mãos facilitam a vida em uma era em que há maior consciência da importância da higiene. Mas pesquisas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), uma agência do governo dos Estados Unidos, indicam que eles não são tão eficazes contra alguns tipos de germes, que podem ser melhor combatidos com água e sabão. Embora o CDC destaque que, na maioria dos casos, desinfetar as mãos com gel funciona tão bem quanto lavar a mão, há um limite para o que esses produtos podem erradicar e as condições em que podem ser eficientes. O gel não protege, por exemplo, contra Salmonella, Escherichia coli, Staphylococcus aureus resistente a antibióticos (MRSA) e norovírus, que podem ser transmitidos de pessoa para pessoa, causar complicações sérias e até levar à morte. No caso da Salmonella e da Escherichia coli, a diarreia provocada pode ser fatal em casos graves. O contágio pode ocorrer pelo contato com fezes ou alimentos que não foram adequadamente refrigerados. Isso pode ser evitado ao lavar as mãos com água e sabão, especialmente depois de usar o banheiro ou ao preparar alimentos. O norovírus é geralmente é contraído em navios de cruzeiro e facilmente transmitido entre passageiros e a tripulação. É a principal causa dos sintomas de gastroenterite ou "gripe intestinal", e o gel antibacteriano simplesmente não consegue matá-lo. Embora os fracos com gel sejam abundantes nestes navios e em outras embarcações do tipo, o CDC recomenda que os passageiros lavem as mãos com água e sabão. O melhor para evitar germes nas mãos é lavar com água e sabão Unsplash O MRSA Staphylococcus aureus causa infecções de pele e, às vezes, pneumonia. Sua origem é uma infecção bacteriana difícil de tratar, porque se tornou resistente a alguns antibióticos. Está presente em hospitais e outros estabelecimentos de saúde, mas lavar cuidadosamente as mãos com sabão também pode impedir a propagação desta doença. Os desinfetantes para as mãos à base de álcool podem ser eficazes na eliminação das bactérias que causam o MRSA, mas devem conter pelo menos 60% de álcool para limpar bem as mãos. As recomendações do CDC para prevenir infecções: Lavar as mãos com água e sabão por 20 segundos é a maneira mais eficaz de eliminar germes e micróbios das mãos. Caso não haja água e sabão, verifique se a concentração de álcool no gel usado é superior a 60%. Menos do que isso não é eficaz. O gel ou líquido de higienização deve cobrir toda a superfície das mãos. Deixe-o secar para ter um efeito melhor. Géis sem álcool ou com baixo teor de álcool não funcionam contra todos os tipos de germes, principalmente o novovírus, uma das causas da gastroenterite. Se alguém ao seu redor estiver vomitando, com diarreia ou infectado com MRSA, lave as mãos imediatamente com água e sabão, seguindo as técnicas apropriadas para erradicar os germes que você pode ter contraído. Um gel antibacteriano não fará isso com eficácia. Desinfetantes com 60% de álcool podem ser uma alternativa. A contraindicação é que o álcool é tóxico, e gel e outros produtos antibacterianos com alto teor alcoólico podem causar intoxicação sem serem ingeridos, principalmente por crianças. Além disso, o CDC alerta que, embora muitos produtos antibacterianos possam reduzir o número de micróbios nas mãos em algumas situações, eles não os eliminam por completo. Assim, essas bactérias podem desenvolver resistência ao gel. Também existem situações em que o gel antibacteriano não funciona muito bem, como quando as mãos estão com muito óleo ou muito sujas, como quando se vai acampar e praticar esportes ou jardinagem. Os produtos antibacterianos também não são muito bons para eliminar produtos químicos nocivos das mãos, como pesticidas e metais pesados. Em todos esses casos, lavar vigorosamente as mãos com água e sabão por cerca de 20 segundos continua a ser a melhor estratégia. Veja Mais

Governo autoriza mais 57 agrotóxicos; total de registros em 2019 chega a 382

Glogo - Ciência Dos produtos anunciados, 10 são pesticidas biológicos, que são utilizados na agricultura orgânica, 6 são novos e 41 genéricos. Ritmo permanece como o mais alto da série histórica. Governo autorizou 382 agrotóxicos em 2019 Agência Brasil O Ministério da Agricultura divulgou nesta quinta-feira (3) o registro de mais 57 agrotóxicos, chegando ao total de 382 registros em 2019, mantendo o nível de registros como o mais alto da série histórica, iniciada em 2005. Como os agrotóxicos impactam os principais produtos na mesa dos brasileiros Dos produtos anunciados nesta quinta, 10 são biológicos, que são utilizados na agricultura orgânica, 6 são novos e 41 são genéricos. Segundo o governo, o objetivo da aprovação de produtos genéricos é aumentar a concorrência no mercado e diminuir o preço dos defensivos, o que faz cair o custo de produção. Segundo o governo, dos 382 agrotóxicos registrados neste ano, 214 são produtos técnicos, ou seja, destinados exclusivamente para o uso industrial. Outros 168 são produtos formulados, que são aqueles que já estão prontos para serem adquiridos pelos produtores rurais mediante a recomendação de um engenheiro agrônomo. Destes, 24 são produtos biológicos e/ou orgânicos. O governo afirma que 48% dos produtos formulados autorizados não são efetivamente comercializados, por uma decisão das empresas detentoras dos registros. Do total de produtos registrados em 2019, 359 são produtos genéricos e 23 são à base de ingredientes ativos novos de origem químico ou biológica. Ritmo de liberação Com a publicação desta quinta-feira, os registros de agrotóxicos em 2019 ainda permanece na frente de anos anteriores. No mesmo período de 2018, até então o maior nível de liberação, foram 314 registros. Segundo o governo, a maior velocidade na liberação de agrotóxicos se deve a medidas de desburocratização que foram adotadas desde 2015 na fila de registros. O objetivo, de acordo com o ministério, é aprovar novas moléculas, menos tóxicas e ambientalmente mais corretas para substituir produtos antigos. Isso porque as empresas que desenvolvem agrotóxicos só podem registrar itens de ação parecida se eles tiverem um risco à saúde menor ou igual do que os que já estão no mercado. Brasil usa 500 mil toneladas de agrotóxicos por ano, mas quantidade pode ser reduzida A associação que representa as fabricantes de agrotóxicos (Andef) afirma que a fila do Brasil é mais lenta em comparação com a da União Europeia e dos Estados Unidos. Segundo as empresas, o desenvolvimento de um princípio ativo inédito para agrotóxico leva de 10 a 11 anos e custa em torno de US$ 286 milhões. Agrônomos dizem que é melhor ter mais produtos registrados do que correr o risco de que os produtores recorram a agrotóxicos "piratas", mas alertam que, quanto maior o uso, mais resistência as pragas têm ao veneno. Para ambientalistas, no entanto, a aceleração do ritmo de aprovações é uma forma de o governo colocar em prática tópicos do polêmico projeto de lei 6.299/02, que ficou conhecido como "pacote do veneno", que ainda está em discussão na Câmara dos Deputados. Para produtores rurais, o registro de novos produtos, especialmente os genéricos, é uma forma de baixar os custos de produção. Em Mato Grosso, maior estado produtor, os agrotóxicos equivalem a 21% dos gastos nas lavouras de soja. Produtos novos Dos pesticidas registrados nesta quinta-feira, 6 são produtos formulados com base em princípios ativos novos. Entre eles estão os produtos formulados à base do ingrediente ativo dinotefuram, registrado em setembro, que poderão ser usados nas lavouras para combate a insetos sugadores como percevejos e mosca branca. Novos agrotóxicos Segundo o ministério, os produtos formulados à base deste ingrediente ativo terão restrições quanto a dose máxima permitida e proibição de uso no período de floração dos cultivos, restrições estabelecidas pelo Ibama para a proteção de insetos polinizadores. Entre os defensivos biológicos, 2 são à base dos organismos Heterorhabditis bacteriophora e Hirsutella thompsonii, inéditos no Brasil. O primeiro será usado para o combate à larva-alfinete, uma praga que causa grandes prejuízos para a cultura de batata. Já o produto à base de Hirsutella thompsonii terá uso no controle do ácaro rajado, uma praga que ataca diversas culturas, como soja, feijão, milho e algodão, além de frutas como morango, maçã, pera, uva, maracujá, melancia, abacaxi e cacau. Como funciona o registro O aval para um novo agrotóxico no país passa por 3 órgãos reguladores: Anvisa, que avalia os riscos à saúde; Ibama, que analisa os perigos ambientais; Ministério da Agricultura, que analisa se ele é eficaz para matar pragas e doenças no campo. É a pasta que formaliza o registro, desde que o produto tenha sido aprovado por todos os órgãos. Tipos de registros de agrotóxicos: Produto técnico: princípio ativo novo; não comercializado, vai na composição de produtos que serão vendidos. Produto técnico equivalente: "cópias" de princípios ativos inéditos, que podem ser feitas quando caem as patentes e vão ser usadas na formulação de produtos comerciais. É comum as empresas registrarem um mesmo princípio ativo várias vezes, para poder fabricar venenos específicos para plantações diferentes, por exemplo; Produto formulado: é o produto final, aquilo que chega para o agricultor; Produto formulado equivalente: produto final "genérico". Maior consumidor do mundo O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo em números absolutos. Mas perde para Japão, União Europeia e Estados Unidos quando são levadas em conta duas variáveis: a quantidade de alimento produzida e a área plantada. Nesses casos, a aplicação de veneno pelo país é proporcionalmente menor. A agricultura brasileira usou 539,9 mil toneladas de pesticidas em 2017, segundo os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama). Isso representou um gasto de US$ 8,8 bilhões (cerca de R$ 35 bilhões no câmbio atual), de acordo com a associação que representa os fabricantes, a Andef. No ranking de uso por hectare de lavoura, o Brasil foi o sétimo naquele ano, com gasto equivalente a US$ 111. O Japão, líder do ranking, aplicou US$ 455. Já por tonelada de alimento produzido, o país foi o 13º, com US$ 8. O Japão, novamente na liderança, gastou US$ 95. Brasil ocupou 13ª posição no ranking de países que mais usaram agrotóxicos por área plantada em 2017 Roberta Jaworski/G1 Veja Mais

Os 8 alimentos que mais causam alergias

Glogo - Ciência Estima-se que essa condição afete entre 6% e 8% das crianças menores de 3 anos e até aproximadamente 3% dos adultos. Estima-se que entre 6% e 8% das crianças menores de 3 anos sejam alérgicas BBC/Getty Images Alergias alimentares são comuns. Estima-se que essa condição afete entre 6% e 8% das crianças menores de 3 anos e até aproximadamente 3% dos adultos. Diferentemente da intolerância alimentar, na qual alguns alimentos podem causar desconforto, a alergia alimentar é uma reação do sistema imunológico a certos tipos de alimentos que ocorrem logo após ele ser ingerido. Essa reação ocorre porque o sistema imunológico reconhece algumas das proteínas como prejudiciais e coloca em ação uma série de medidas (entre elas a liberação de substâncias químicas como a histamina, que causa inflamação) para nos proteger. Os sintomas vão desde coceiras, inchaço, dor abdominal, congestão nasal, vômito e tontura e até, nos casos mais graves, anafilaxia - uma reação que pode ser fatal. Tudo isso pode ser desencadeado mesmo que a pessoa tenha sido exposta a uma pequena quantidade dos alimentos que lhe dão alergia. Mas ainda que, em princípio, qualquer alimento possa causar uma reação alérgica (inclusive aqueles que já ingerimos antes sem problemas), existem oito em particular que são os alérgenos mais comuns. Eles são responsáveis ​​por 90% dos casos de alergia alimentar. Ovos Ovo é um alimento que causa diversas alergias. Unsplash Esse alimento causa alergia com mais frequência em crianças e a reação geralmente desaparece quando chegam à adolescência. A alergia aparece quando o ovo é introduzido pela primeira vez na dieta e é uma reação à proteína que está principalmente na clara, mas também na gema. Os sintomas que essa alergia causa são geralmente leves e incluem urticária (vergões vermelhos na pele), congestão nasal, vômito ou outros problemas digestivos. Quanto mais cozido ou processado o ovo, menor a probabilidade de gerar uma reação alérgica. Leite O leite é um dos computadores campeões de alergias. Unsplash Essa também é uma alergia alimentar mais comum em crianças do que em adultos e, embora o leite que geralmente causa alergia seja o de vaca, também pode ser causado pelo leite de outros mamíferos, como cabras, ovelhas etc. Os sintomas variam de pessoa para pessoa e podem ser leves ou graves. Como mencionamos no início, a alergia ao leite é diferente da intolerância à proteína do leite ou à lactose. Neste último caso, o sistema imunológico não intervém e, portanto, seu tratamento é diferente. A alergia ao leite pode causar anafilaxia e tem o potencial de ser fatal. Os sintomas incluem erupção cutânea, coceira na boca, inchaço na boca, dificuldade em respirar e vômito, entre outros. Geralmente desaparece quando as crianças crescem, por volta dos 5 anos. Amendoim Muitas crianças são alérgicas a amendoim. Unsplash É uma das causas mais comuns de ataques alérgicos graves. Até mesmo quantidades muito pequenas ou contato indireto podem causar anafilaxia. Os sintomas mais comuns são rinite, reações na pele, formigamento na boca e garganta, falta de ar e problemas digestivos. Algumas crianças que sofrem de alergia ao amendoim podem superar essa condição, mas ela pode voltar no futuro. Frutas secas A alergia a frutas secas (oleaginosas como nozes e amêndoas) também é comum. Unsplash A alergia a frutas secas (nozes, castanha de caju, pistache, avelã, sementes de girassol, etc) é um tipo de alergia comum em crianças e adultos e é uma reação às proteínas que contêm essas frutas. Essa alergia tende a persistir uma vez que se manifesta e é raro que desapareça ao longo dos anos. Além disso, aqueles que são alérgicos ao amendoim são mais propensos a desenvolver uma reação alérgica a nozes porque as mesmas proteínas são encontradas em ambos. Os sintomas são semelhantes aos causados ​​por outros alimentos e podem variar de leve a grave. Soja A alergia a soja e derivados é mais comum na infância. Unsplash Essa alergia geralmente aparece nos primeiros anos de vida e, embora a grande maioria das crianças a supere, muitas continuam sendo alérgicas na idade adulta. Urticária, coceira na boca, pele vermelha, dor abdominal e inchaço são alguns dos sintomas mais comuns. Às vezes, pode causar uma reação alérgica grave. Os alérgicos à soja devem ser muito cautelosos ao ingerir alimentos processados, pois existem muitos que contêm soja. Peixe Peixes também são potenciais fontes de alergias. Unsplash Nas crianças, o peixe é a terceira causa mais comum de alergia, depois do leite e do ovo. É possível que desapareça ao longo dos anos, mas na maioria das vezes persiste. Uma pessoa que é alérgica a peixes como atum ou salmão não é necessariamente alérgica a mariscos. Embora a recomendação para o alérgico a um tipo de peixe seja a de não comer peixe em geral, é possível ser alérgico a um tipo e não a outro. Os sintomas geralmente são leves, com vômitos e diarreia, mas podem levar a episódios de anafilaxia e levar à morte. Mariscos (crustáceos e moluscos) Mariscos como mexilhões podem provocar reações alérgicas graves. Unsplash Algumas pessoas podem ter uma reação alérgica a todos os mariscos ou apenas a alguns deles. Os sintomas variam dos mais leves aos graves. Em muitos casos, uma intoxicação por comer mariscos pode ser confundida com uma alergia. É mais comum no verão, quando há algas no mar, pois cozinhar o marisco não destrói o veneno que eles absorveram das algas. É uma alergia que geralmente é mantida por toda a vida. Glúten A doença celíaca é uma reação do corpo ao glúten presente em pães e farináceos. Unsplash A doença celíaca é uma reação imunológica ao glúten, uma proteína encontrada no trigo, cevada e centeio. Quando alguém sofre desse tipo de alergia, a ingestão de glúten desencadeia uma resposta imunológica no intestino delgado. Os sintomas podem variar muito, dependendo se são crianças ou adultos, mas geralmente incluem inchaço abdominal, náusea e vômito, gases, constipação e diarreia. A melhor maneira de evitar reações alérgicas aos alimentos é saber quais deles causam uma reação e eliminá-los de nossa dieta. Se você sabe o que são e, no passado, sofreu um ataque de alergia grave, é aconselhável usar uma pulseira explicando sua condição para que outras pessoas possam ajudá-lo em um momento de crise em que você não estiver apto para explicar o que está acontecendo com você. E se você suspeitar que possa ser alérgico a um dos "oito grandes" ou outros alimentos, consulte seu médico para fazer um diagnóstico. Veja Mais

Por que o céu é azul? Como o cientista John Tyndall descobriu a resposta com instrumentos simples

Glogo - Ciência Tyndall era um entusiasta de alpinismo e passou muito tempo nos Alpes, escalando e pesquisando. Esse interesse pela natureza o levou a diversos descobertas, inclusive o motivo por que o céu é azul durante o dia e fica avermelhado ao entardecer. A curiosidade sem limites de John Tyndall o levou a novas descobertas Reprodução/TV Integração Ao longo da história, muitos cientistas buscaram compreender como a natureza funciona. Diversos pesquisadores se debruçaram sobre as razões por trás de questões bastante elementares — por exemplo, por que o céu é azul? Em sua forma mais pura, trata-se apenas disso: do desejo de entender, sem ter como prioridade que as descobertas sejam rentáveis ou aplicáveis amplamente. Essa abordagem dada à ciência se chama "pesquisa motivada pela curiosidade". Um dos melhores exemplos de quem seguiu essa linha foi o físico irlandês John Tyndall (1820-1893). Tyndall era um entusiasta de escaladas e passava muito tempo na região dos Alpes. Frequentemente, fazia uma pausa ao entardecer, já que o pôr do sol e sua magnífica gama de cores o deixavam encantado. Por isso, se propôs a compreender o fenômeno e inspirou gerações de cientistas a realizar esse tipo de pesquisa. O motivo por trás da beleza A curiosidade ilimitada e o interesse pela natureza levaram Tyndall a explorar uma ampla gama de temas e fazer descobertas-chave para a ciência. Foi ele quem, por exemplo, demonstrou pela primeira vez que os gases na atmosfera absorviam calor em níveis diferentes. Isso permitiu entender a base molecular do efeito estufa. Em busca de respostas para suas perguntas, ele construiu diversos instrumentos para seus experimentos. Alguns deles eram muito sofisticados e requeriam, também, profunda compreensão teórica e destreza. Entretanto, quando quis saber por que o céu é azul durante o dia e por que fica avermelhado ao entardecer, os instrumentos usados foram simples. Tyndall utilizou um tubo de vidro para simular o céu e uma luz branca para imitar a luz solar. Descobriu que, quando enchia gradualmente o tubo de fumaça, o feixe de luz parecia ser azul em um lado e, no outro extremo, ficava vermelho. Assim, percebeu que a cor do céu é o resultado de como a luz do sol se dispersa pelas partículas presentes na atmosfera — o que ficou conhecido como Efeito Tyndall. Para chegar a tal conclusão, usou aparatos bem simples. O trabalho de John Tyndall abarcava um leque amplo de temas Herbert Rose Barraud 'O céu em uma caixa' O procedimento começou com um tanque de vidro cheio de água, no qual foram despejadas algumas gotas de leite. O leite serviu para introduzir algumas partículas no líquido. Uma vez feita a mistura simples, o cientista acendeu uma luz branca em um dos extremos do tanque. Imediatamente, viu que o tanque se iluminava com cores diferentes. O experimento fascinou Tyndall, que descreveu o resultado como "o céu em uma caixa". Isso porque, em um lado do tanque, a solução ficou azul. À medida em que se aproximava do outro extremo, ficava mais amarela, até chegar ao laranja, como no entardecer. Arco-íris Tyndall sabia que a luz branca era composta por todas as cores do arco-íris. Pensou que a explicação para o fenômeno, que tanto o deslumbrava, era que a luz azul teria uma maior probabilidade de repelir e dispersar as partículas de leite na água. Agora sabemos que isso se deve ao fato de que a luz azul tem um comprimento de onda mais curto que o de outras cores de luz visível. Isso significa que a luz azul é a primeira a se dispersar por todo o líquido. É por isso que a parte mais próxima à fonte de luz ficava azulada. E isso também explica por que o céu é azul: porque essa luz tem uma maior probabilidade de se dispersar pela atmosfera. Mas o experimento do tanque também explica as outras cores do entardecer. O que há por trás do pôr do sol À medida em que a luz penetra mais profundamente na água leitosa, todos os comprimentos de onda mais curtos se dispersam. Restam assim apenas os comprimentos de onda mais longa, laranja e vermelho. Então, a água fica progressivamente mais alaranjada e, se o tanque for grande o suficiente, vermelha. É o mesmo que ocorre com o céu. À medida que o sol se põe, cada vez mais baixo, sua luz tem de viajar por uma camada mais espessa de atmosfera. Com isso, as ondas azuis com comprimentos mais curtos dispersam-se por completo, deixando apenas as luzes laranja e vermelha. Por isso, vemos o céu avermelhado ao entardecer. Hoje, sabemos que a luz se dispersa principalmente nas moléculas de ar, em vez de partículas de poeira, como pensava Tyndall. Entretanto, ainda que sua explicação tenha sido incorreta em tais detalhes, foi certeira em seu princípio. Na verdade, a má interpretação de seus resultados levou Tyndall a fazer sua descoberta mais importante. Um recipiente e um pouco de poeira Sendo um cientista curioso, Tyndall decidiu prosseguir e fazer mais experimentos. Então, usou um recipiente com ar e cheio de poeira, e deixou que o pó se acumulasse por dias a fio. Chamou essa amostra, com toda a poeira já assentada, de "ar opticamente puro". Logo começou a inserir mais coisas no recipiente, para observar o que acontecia. Primeiramente, colocou um pedaço de carne. Logo em seguida, de peixe. Adicionou ainda amostras de sua própria urina. Então, notou algo interessante. Nem a carne e nem o peixe apodreceram, e sua urina não escureceu. Segundo ele, "continuou tão clara quanto um vinho xerez fresco". Descoberta por acidente O que ele havia criado não era ar livre de qualquer poeira, ou opticamente puro. Sem se dar conta, Tyndall havia esterilizado o ambiente. Deixou que todas as bactérias se acumulassem no fundo do recipiente. Em outras palavras, o ar ficou livre de germes. Essa não era sua intenção original, mas Tyndall proporcionou evidência decisiva para uma teoria controversa à época: de que a decomposição de materiais e as doenças eram causadas por micróbios presentes no ar. Tyndall era um homem que pesquisava exclusivamente pela busca do conhecimento, sem se vincular a um problema específico do mundo real. Ele não se propôs a descobrir as origens de doenças transmitidas pelo ar, quando começou a explorar o que estava por trás das cores do céu. Mas foi exatamente isso que ele fez. O caso faz com que a expressão em inglês para descrever esse tipo de pesquisa, guiada pela curiosidade, soe bastante apropriada: "blue-sky investigation" ou "investigação de céu azul". Veja Mais

Queimadas na Amazônia levam mais de 30 mil crianças a hospitais por problemas respiratórios, diz Fiocruz

Glogo - Ciência Internações de crianças dobraram nos nove estados da Amazônia Legal; levantamento alerta para aumento de mortes por complicações respiratórias decorrentes de queimadas. Queimadas em Rondônia; queimadas na Amazônia; incêndios na Amazônia MP-RO/Divulgação/Arquivo Dobrou o número de internações de crianças com problemas respiratórios nos nove estados que fazem parte da Amazônia Legal. De janeiro a junho deste ano, o SUS registrou 30.546 hospitalizações –aproximadamente 5 mil por mês – enquanto o esperado para o período era pouco mais de 2,5 mil. O balanço foi publicado nesta quarta-feira (2) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que destacou o aumento em aproximadamente 100 municípios da região Amazônica afetados pela fumaça das queimadas. “Crianças são mais sensíveis a fatores externos, como a poluição”, disse por meio de nota um dos autores da pesquisa, Christovam Barcellos. “Seu sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e o aparelho respiratório, em formação. São mais suscetíveis a alergias”. Áreas mais afetadas O levantamento destaca os estados do Pará, Rondônia, Maranhão e Mato Grosso como mais vulneráveis a este problema e aponta um aumento nas mortes de crianças por complicações respiratórias em cinco estados da região. Fumaça de queimadas pode causar danos no DNA e morte das células dos pulmões, diz pesquisa Focos de queimadas caem em setembro na Amazônia e sobem no Cerrado, Pantanal, Pampa e Mata Atlântica Os pesquisadores dizem que em alguns municípios as internações quintuplicaram. Foi o caso de Santo Antônio do Tauá, Ourilândia do Norte e Bannach, no Pará; Santa Luzia d'Oeste, em Rondônia; e Comodoro, no Mato Grosso. Foco que queimada é visto às margens da BR-174, em Pacaraima, no extremo Norte de Roraima Alan Chaves/G1 RR/Arquivo Roraima apresentou o maior aumento nos casos de morte. Em 2018, o estado registrou 1.427 mortes a cada 100 mil crianças, número que neste ano foi de 2.398. A pesquisa alerta que viver em uma cidade próxima aos focos de incêndio pode aumentar em até 36% o risco de internação por problemas respiratórios. De acordo com a fundação, as queimadas deste ano acarretaram em um custo excedente de R$ 1,5 milhão ao Sistema Único de Saúde (SUS). População indígena O estudo chama a atenção para o fato de que as populações indígenas são vulneráveis a esta poluição do ar, entretanto, reconhece que não seja possível ainda avaliar a incidência de doenças nessas áreas. Registros de satélite utilizados pela equipe de pesquisa denunciam que focos de calor estão nas bordas de terras indígenas. De acordo com o estudo, estas desempenham um papel de proteção contra queimadas e desmatamento na região amazônica. “As queimadas na Amazônia representam um grande risco à saúde da população”, ressalta o estudo. “Os poluentes emitidos por estas queimadas podem ser transportados a grande distância, alcançando cidades distantes dos focos de queimadas." Os pesquisadores explicam que estes dados são preliminares, e que ainda pode aumentar quando todas as internações do período sejam adicionadas ao sistema. Queimadas na terra indígena Uru Eu Wau Wau Reprodução/TV Globo/Arquivo Fumaça vai além O chamado “material particulado”, resíduo tóxico gerado por queima, pode alcançar grandes cidades a centenas de quilômetros dos focos de queimadas, devido ao transporte de poluentes pelos ventos, diz a pesquisa. É o caso de quando o dia virou noite em São Paulo em agosto desse ano, o fenômeno estava relacionado à chegada de uma frente fria e também de partículas oriundas da fumaça produzida em incêndios florestais. O estudo alerta que os poluentes liberados pelas queimadas podem causar o agravamento doenças cardíacas, inflamação das vias aéreas, alterações no sistema circulatório, no sistema nervoso e até mesmo danos ao DNA, com potencial cancerígeno. Initial plugin text Veja Mais

Descubra o que acontece com o intestino durante a gravidez

Glogo - Ciência Alterações hormonais afetam o órgão, que tende a funcionar mal ao longo da gestação. O hormônio progesterona é responsável pelas mudanças. Pixabay Gestar um bebê é uma experiência incrível, mas isso não significa que seja fácil. O corpo da mulher passa por diversas transformações e muitas delas são bastante desagradáveis - como o mau funcionamento intestinal, por exemplo. Glúten é vilão do intestino? Saiba quando a proteína precisa ser cortada do cardápio Conheça 7 causas para as dores abdominais A “culpa” desse desconforto está principalmente no aumento do hormônio progesterona, que passa a ser produzido de forma exagerada no período gestacional para proteger o feto. “A progesterona tem como base diminuir a contração do músculo liso, por isso que o útero cresce sem ter contração. Mas ela faz isso também com o intestino e, quando a contração do músculo do intestino diminui, o funcionamento dele reduz também”, explica o ginecologista e obstetra Eduardo Motta, do Hospital Sírio-Libanês. A flora intestinal da gestante também sofre mudanças. “É o intestino que produz os anticorpos responsáveis pela imunidade, e a imunidade da gestante precisa ficar ruim, cair, para que o organismo não rejeite o embrião no início da gravidez. Por isso, a função intestinal reduz a produção de anticorpos nesse período”, afirma Alberto d'Áuria, ginecologista e obstetra da Maternidade Pro Matre Paulista. E tem mais: a medida que o útero vai crescendo, ele pressiona o intestino, o que também contribui para seu mau funcionamento. Além disso, as gestantes absorvem mais líquido do intestino, fazendo com que as fezes fiquem ressecadas e mais difíceis de serem eliminadas. O resultado da combinação desses fatores é um intestino preguiçoso e uma grande tendência a desagradável constipação. Isso a leva a outros quadros relativamente comuns na gestação e também bastante desconfortáveis: as fissuras anais e as hemorroidas, que costumam surgir por causa da dificuldade de evacuar. Para evitar esses estragos, é importante que a mulher passe a educar seus hábitos intestinais antes mesmo de engravidar - já que, se algo estava ruim, tende a ficar ainda pior. “Durante a gestação, se ela começa a perceber que as fezes estão ficando ressecadas e a evacuação está atrasando, serve de alerta para conversar com o médico e tomar as providências adequadas”, diz Motta. Beber muita água é uma das principais recomendações para combater a preguiça do intestino. “A quantidade recomendada é aquela que promove a cor da urina algo perto da cor da água”, orienta d'Áuria, da maternidade Pro Matre Paulista. Com uma hidratação adequada, as fezes não ficam secas, facilitando a evacuação. É preciso também adequar a dieta e optar por alimentos que ajudam o intestino a funcionar, como as fibras e os itens que tenham um pouco mais de oleosidade. “Azeite de oliva é uma boa opção”, recomenda Mattos. “Gosto de orientar, se possível, a ingestão sem mastigação de caroço (semente) de mamão. Ele não é absorvido pelo intestino, que vai tentar expelir esse alimento a qualquer custo. Com isso, não haverá esforço para evacuação”, indica d'Áuria. O contrário também vale: evite ingredientes que dificultem a digestão. Nessa lista estão carboidratos (quando consumidos em excesso), feijão, tomate, milho e frutas “massudas” como a maçã, que fermentam mais e tendem a causar gases - mais um problema que afeta as gestantes. Outra dica importante é cuidar da flora intestinal por meio do consumo de probióticos. “Alimentos que sejam fermentados normalmente têm essas bactérias que colonizam o intestino e favorecem a digestão”, diz o ginecologista e obstetra Eduardo Motta. Coalhada fresca e iogurte são alguns exemplos. Por fim, lembre-se de sempre respeitar o reflexo evacuatório - ou seja, quando a vontade ir banheiro chegar, vá ao banheiro. Isso é importante para estimular o intestino a seguir trabalhando bem. Veja Mais

Nasa 'ouve' ruídos abaixo da superfície de Marte pela 1ª vez

Glogo - Ciência Agência espacial registrou por meio de um sismômetro mais de 100 eventos abaixo da superfície marciana em 6 meses; 21 deles atingiram magnitude suficiente para serem considerados abalos sísmicos. Este é o sismômetro SEIS, do projeto InSight, da Nasa em Marte Divulgação/Nasa A Nasa captou mais de cem movimentações sísmicas em Marte em apenas seis meses. O balanço foi anunciado nesta terça-feira (1) e é resultado da missão da sonda Insight Mars, que investiga o interior do planeta vermelho em uma incursão inédita. Segundo a agência espacial, as primeiras vibrações abaixo da superfície foram detectadas em abril pelo sismômetro da missão, chamado de Experimento Sísmico para Estrutura Interna (SEIS). Ele é tão sensível, que os cientistas garantem ser capaz de capturar até mesmo de uma brisa de vento. Seis pontos da Missão em Marte Sonda Insight Mars pousou em Marte em novembro de 2018. A sonda é a primeira capaz de captar abalos sísmicos. Cientistas ouviram o vento em Marte em dezembro de 2018. É a oitava vez que a Nasa conseguiu fazer um pouso em Marte. Em maio e julho de 2018 foram registrados dois grandes abalos. Em 2020 haverá uma missão em busca de vida em Marte. 'Martemoto' Em maio e julho deste ano, o SEIS conseguiu captar dois significativos "martemotos", respectivamente o Sol 173 com magnitude 3.7; e o Sol 235 de magnitude 3.3. Estas duas vibrações sugerem, diz a agência, que a crosta marciana pode ser formada por algo similar ao que seria uma mistura da Terra com a Lua, por apresentar características parecidas nas movimentações sísmicas dos dois corpos celestes. "É muito impressionante ouvir as primeiras vibrações da missão", celebrou por meio de nota Constantinos Charalambous, um dos membros da InSight. "A gente consegue começar a entender o que realmente está acontecendo em Marte, com o InSight fincado na superfície." Imagem de Marte feita pela sonda Insight Divulgação/Nasa Som já foi captado antes A Nasa captou pela primeira vez o áudio do vento em Marte em dezembro de 2018. Segundo a agência, dois sensores detectaram essas vibrações de vento: um sensor de pressão de ar dentro do módulo de aterrissagem e um sismógrafo localizado no convés da Insight, aguardando a implantação pelo braço robótico da InSight. Os dois instrumentos gravaram o ruído do vento de diferentes maneiras. O sensor de pressão de ar, parte do Subsistema Auxiliar de Sensor de Carga Útil (APSS), que coleta dados meteorológicos, registrou essas vibrações de ar diretamente. O sismógrafo registrou as vibrações causadas pelo vento que se movia sobre os painéis solares da espaçonave, que têm 2,2 metros de diâmetro e se destacam dos lados da sonda como um par de orelhas gigantes. Concepção artística mostra como a InSight deve estudar o interior de Marte Divulgação/NASA Missão em Marte A sonda pousou em Marte em novembro de 2018, após sete meses de viagem. Foi a oitava vez que a Nasa conseguiu fazer um pouso em Marte. A nave não tripulada percorreu 482 milhões de km. Parte de sua missão é informar dos esforços para enviar algum dia exploradores humanos ao planeta vermelho — algo que a Nasa espera concretizar na década de 2030. A InSight não tem capacidade de detectar vida no planeta — isso será deixado para os futuros robôs. A missão da agência em 2020, por exemplo, irá coletar rochas que possam conter evidências da vida antiga. Este pouso em Marte foi o primeiro desde 2012, quando o explorador Curiosity da Nasa pousou na superfície e analisou as rochas em busca de sinais de vida que possa ter habitado o planeta vizinho da Terra, agora gélido e seco. Veja Mais

Glúten é vilão do intestino? Saiba quando a proteína precisa ser cortada do cardápio

Glogo - Ciência Especialistas alertam que a proteína não tem culpa por aumento de peso e só deve ser cortada do cardápio em caso de alergia ou intolerância. Glúten é vilão do intestino? Saiba como ele afeta o órgão Pizza, pão, cerveja e tudo com glúten foi cortado da sua dieta? Especialistas garantem que a proteína não é vilã do intestino. Ela só causa malefícios para quem tem a doença celíaca ou intolerância. O restante não deve banir produtos com esse composto do cardápio, segundo a endocrinologista Raquel Constantino. "Em pessoas saudáveis, não há nenhum estudo que comprove que faz mal e nem que o emagrecimento ou ganho de peso esteja relacionado a esses alimentos", ressalta. Mas por que pessoas que adotam a arriscada dieta sem glúten emagrecem? Descubra a resposta no vídeo acima. Leia também Conheça 7 causas para as dores abdominais Você cuida bem do seu intestino? Faça o quiz e descubra Como fazer cocô direito, segundo a ciência Veja Mais