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Vacina contra Covid: tudo que você precisa saber sobre 5 imunizantes contra o coronavírus

Glogo - Ciência Programas de vacinação em massa estão sendo implementados em todo o mundo em um esforço para manter a pandemia Covid-19 sob controle. Doenças que eram comuns há menos de uma geração estão cada vez mais raras por causa das vacinas Getty Images via BBC Programas de vacinação em massa estão sendo implementados em todo o mundo em um esforço para manter a pandemia de Covid-19 sob controle. As informações e conselhos muitas vezes podem ser confusos, mas existem alguns fatos básicos e informações sobre vacinas que podem ajudar a eliminar os ruídos. Vacinação contra a Covid-19 no Brasil: veja perguntas e respostas A vacinação contra a Covid-19 vai acabar com o coronavírus? Posso ser infectado pelo coronavírus ao tomar a vacina? O que é uma vacina? As vacinas preparam o seu corpo para combater uma infecção, vírus ou doença específica. As vacinas contêm fragmentos inativos ou enfraquecidos do organismo que causam uma doença e que poderão desencadear uma resposta, Isso faz com que o sistema imunológico do corpo reconheça o invasor e produza anticorpos para combatê-lo — é improvável que você fique muito doente, mas uma parcela das pessoas pode sentir efeitos colaterais, na maioria das vezes coisas como braços doloridos ou febre temporária. Depois, você desenvolve imunidade a essa doença. O Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) nos Estados Unidos afirma que é por isso que as vacinas são tão poderosas: ao contrário da maioria dos medicamentos, que tratam ou curam doenças, as vacinas as evitam. A vacina é um tratamento que combate uma determinada infecção, vírus ou doença Getty Images via BBC Vacinas são seguras? Uma das primeiras formas de vacinação foi descoberta pelos chineses no século 10, mas foi só em 1796 que Edward Jenner percebeu que a infecção relativamente leve de varíola bovina protegia contra a varíola. Ele testou sua teoria e suas descobertas foram publicadas dois anos depois e a palavra vacina — do latim "vacca" para vaca — foi cunhada. As vacinas são amplamente consideradas uma das maiores conquistas médicas do mundo moderno — interrompendo quase 3 milhões de mortes a cada ano e prevenindo 20 doenças, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Elas são rigorosamente testadas antes de serem colocadas no mercado, com exames primeiro em laboratórios e em animais antes de serem submetidas a testes clínicos envolvendo pessoas. Em seguida, podem ser aprovadas por agências reguladoras de saúde, como a Anvisa no Brasil. Existem riscos, mas como acontece com todos os medicamentos, eles geralmente são inferiores aos benefícios. Por exemplo, doenças infantis comuns há menos de uma geração são cada vez mais raras por causa das vacinas. E a varíola — que matou centenas de milhões de pessoas — foi completamente erradicada. Mas o sucesso geralmente leva décadas para ser alcançado. A África só foi declarada livre da pólio em agosto de 2020, cerca de 30 anos após o início de uma campanha global de vacinação em massa. Especialistas alertaram que pode levar meses, ou possivelmente anos, para vacinar um número suficiente da população global contra a Covid-19 para se chegar a um ponto em que possamos voltar ao normal. Como são feitas as vacinas? Quando um novo patógeno — como uma bactéria, vírus, parasita ou fungo — entra no corpo, uma parte chamada antígeno inicia a produção de anticorpos para combatê-lo. As vacinas tradicionais ajudam introduzindo uma parte enfraquecida ou inativa do antígeno em uma pessoa antes que ela receba o patógeno. Isso faz com que o sistema imunológico antecipe sua resposta. Métodos mais novos, entretanto, têm sido usados para criar algumas das vacinas contra o coronavírus. Vacina da Pfizer contra Covid usa tecnologia chamada de RNA mensageiro; veja como funciona Como se comparam as vacinas contra a Covid-19? As vacinas da Pfizer-BioNTech e Moderna são de RNA mensageiro (mRNA) e usam parte do código genético do vírus. Em vez de usar um antígeno fraco ou inativo, eles ensinam às células do corpo como fazer uma "proteína de pico" encontrada na superfície do vírus que causa a Covid-19, desencadeando a resposta imunológica necessária para formar anticorpos para combatê-la. Comparação das vacinas contra Covid-19 Arte/BBC A vacina Oxford-AstraZeneca também é diferente — os cientistas modificaram uma versão do vírus do resfriado comum que costumava infectar chimpanzés e adicionaram um pedaço do código genético de Covid-19. Todos os três foram aprovados para uso no Reino Unido e nos EUA. México, Chile e Costa Rica já começaram a administrar a vacina Pfizer, enquanto o governo brasileiro deu luz verde para as vacinas Oxford e CoronaVac, da chinesa Sinovac. Existem outras vacinas contra a Covid? A CoronaVac, utilizada no Brasil, também está sendo lançada na China, Cingapura, Malásia, Indonésia e nas Filipinas e usa o método mais tradicional de utilização de partículas virais mortas. No entanto, sua eficácia exata foi questionada após dados provisórios de estudos em estágio final na Turquia e Indonésia, bem como preocupações no Brasil, onde os pesquisadores sugeriram que ela seria 50,4% eficaz. A Índia está lançando o Covishield, que foi desenvolvido pela AstraZeneca com a Universidade de Oxford, e o Covaxin, pela empresa local Bharat Biotech. A Rússia está usando sua própria vacina de vetor viral, Sputnik V, que usa uma versão modificada de um vírus. Ela também está sendo usada na Argentina, que encomendou 300 mil doses para seu programa inicial de imunização. A União Africana encomendou 270 milhões de doses de uma mistura de fornecedores — Pfizer, AstraZeneca (por meio do Serum Institute of India) e Johnson & Johnson, que ainda está testando sua vacina. Isso se soma a 600 milhões de doses garantidas pelo esforço global da Covax, que visa fornecer vacinas a países de baixa renda e é liderado pela OMS e pela Vaccine Alliance (Gavi). Domingo histórico: Anvisa aprova uso emergencial das vacinas Coronavac e de Oxford Eu devo tomar vacina para Covid? A vacina não é obrigatória em nenhum lugar até agora — mas é fortemente recomendada para a grande maioria dos adultos, com exceção de um número minúsculo de pessoas que pode ser aconselhado a não fazê-lo por razões médicas. Entenda como a vacina que você toma protege quem está ao seu lado Entidades científicas se mobilizam para incentivar vacinação contra Covid-19 A vacina oferece proteção contra a Covid-19, além de ajudar a proteger outras pessoas e ser considerada a ferramenta mais importante para encontrar uma saída para a pandemia. A OMS estima que entre 65% e 70% das pessoas, pelo menos, precisarão estar imunes antes que a transmissão seja interrompida, o que significa que é necessário encorajar muitas pessoas a tomar a vacina. Algumas pessoas expressaram preocupações sobre a velocidade com que as vacinas Covid foram criadas. Embora seja verdade que os cientistas normalmente passam anos projetando e testando vacinas, o interesse global em encontrar uma solução acelerou as coisas e a OMS tem trabalhado em colaboração com cientistas, empresas e organizações de saúde para fazer exatamente isso. Resumindo, a vacinação de bilhões de pessoas evitará a transmissão da Covid-19 e abrirá o caminho para a imunidade coletiva. Quanto antes conseguirmos isso, mais cedo poderemos voltar à vida normal. Veja VÍDEOS sobre a vacinação no Brasil Veja Mais

Vacina contra a Covid: quem está recebendo as doses disponíveis de CoronaVac em cada estado brasileiro

Glogo - Ciência Em linhas gerais, por causa da escassez de vacinas, os governos estão vacinando atualmente apenas idosos que vivem em asilos, indígenas que vivem em aldeias e profissionais de saúde que trabalham na linha de frente contra o coronavírus. Homem indígena Guarani é vacinado com a CoronaVac na aldeia São Mata Verde Bonita, em Maricá (RJ), no dia 20 de janeiro. Mauro Pimentel / AFP Todos os estados brasileiros receberam doses de vacinas produzidas pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório da China Sinovac e já iniciaram a vacinação contra a Covid-19. O Ministério da Saúde definiu uma série de critérios para priorizar e dividir os grupos mais vulneráveis ao contágio pelo coronavírus. Mas estados têm autonomia para fazer a distribuição das vacinas e definir suas prioridades, com base nas recomendações da pasta. No Maranhão, por exemplo, moradores de rua foram incluídos na primeira fase. Em linhas gerais, por causa da escassez de vacinas, os governos estão vacinando atualmente apenas idosos que vivem em asilos, indígenas que vivem em aldeias e profissionais de saúde que trabalham na linha de frente contra o coronavírus. BLOG DO VALDO CRUZ: Governadores defendem envio de missão oficial à China para liberar insumos das vacinas Não há estimativa de quando a vacinação será estendida para outros grupos, como idosos que não vivem em asilos e pessoas com comorbidades, como diabetes e doenças cardíacas. Isso pode demorar semanas ou meses, a depender do estoque das vacinas. Há hoje no país somente 6 milhões de doses disponíveis e autorizadas para uso, sendo que milhares delas já foram aplicadas. A BBC News Brasil fez um levantamento de como está a vacinação em cada Estado e quais são os públicos prioritários de cada um deles nesta fase inicial. Acre Vacinação no Acre começou na quarta-feira (20). A primeira etapa tem como público-alvo os trabalhadores de saúde da linha de frente contra a Covid-19, além de indígenas e idosos institucionalizados (os que vivem em asilos, por exemplo). Alagoas O governo de Alagoas afirmou que vai vacinar todos os profissionais na linha de frente contra o novo coronavírus, idosos institucionalizados e indígenas. O estado disse que vai enviar 25.130 doses da CoronaVac para os 102 municípios alagoanos. Amazonas Movimentação na frente do Hospital e pronto-socorro 28 de agosto, em Manaus, na tarde de 14 de janeiro. Sandro Pereira/Fotoarena/Estadão Conteúdo Na primeira fase de vacinação, iniciada na segunda-feira (18), o governo do Amazonas vai imunizar 262 mil pessoas, começando por trabalhadores da saúde, população indígena e idosos. BLOG DA ANDRÉIA SADI: Diante do colapso em Manaus, governadores acertam cota extra da vacina para o Amazonas SUSPENSÃO: Vacinação contra Covid-19 em Manaus é suspensa em meio a investigação sobre irregularidade na aplicação das doses Amapá O governo do Amapá iniciou a vacinação na terça-feira (19) e fará a imunização da população em quatro etapas. A primeira engloba 18.558 profissionais da saúde, a segunda, 69.168 pessoas a partir de 60 anos, a terceira, 21.721 pessoas com comorbidades e a quarta, 29.382 pessoas, que incluem trabalhadores da educação, das forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e povos indígenas. Antes de atender outras fases da população ainda serão vacinadas 32.3544 trabalhadores dos transportes coletivo (rodoviário, metroferroviário, aéreo e portuário), povos e comunidades tradicionais ribeirinhas, detentos e pessoas com deficiências permanentes severas. Bahia Na Bahia, mais de 19 mil pessoas já foram vacinadas com a primeira dose do imunizante contra a Covid-19. O estado recebeu 376,6 mil doses. Nesta primeira fase, serão imunizados os profissionais de saúde que atuam na linha de frente do combate à doença e em unidades de saúde de urgência e emergência, idosos que vivem em instituições de longa permanência, indígenas e comunidades tradicionais. Ceará O governo do Ceará começou a vacinar a população com as 109 mil que chegaram ao estado. A prioridade será para profissionais de saúde da linha de frente de combate à Covid-19 de unidades públicas e privadas e idosos institucionalizados (que moram em asilos). Distrito Federal Mais de 7.000 pessoas já foram vacinadas contra o novo coronavírus no Distrito Federal desde a aplicação da primeira dose na terça-feira (19). O Distrito Federal recebeu 106.160 doses da CoronaVac. Essas primeiras vacinas serão destinadas a trabalhadores da saúde que atuam na linha de frente do combate à pandemia, indígenas, idosos e pessoas com deficiência em asilos, além de cuidadores que atuam nessas instituições. Espírito Santo Ao menos 3.000 pessoas foram imunizadas com a primeira dose da vacina contra a Covid-19 no Espírito Santo. Na primeira fase, serão vacinados os profissionais da saúde, pessoas com de 60 anos que moram em asilos, pessoas maiores de 18 anos com deficiência residentes em residências inclusivas e indígenas. Idosos acima dos 75 anos não institucionalizados serão vacinados após a chegada de mais imunizantes. Goiás A vacinação em Goiás começou na quarta-feira após o estado receber 183 mil doses da CoronaVac. A prioridade será imunizar os trabalhadores de saúde que atuam na linha de frente contra a Covid-19, idosos com 60 anos ou mais e pessoas com deficiência que vivem em instituições, além de indígenas aldeados. A segunda dose está programada para começar em fevereiro. Maranhão O Maranhão já distribuiu as 164 mil doses da vacina contra a Covid para suas 217 cidades. Nesta primeira etapa, serão vacinados profissionais de saúde, pessoas de 75 anos ou mais e pessoas de 60 anos ou mais que vivem em asilos. Também serão priorizados na primeira fase a população em situação de rua, os indígenas, além dos povos e comunidades tradicionais ribeirinhas e quilombolas. Mato Grosso Após receber mais de 126 mil doses da CoronaVac, Mato Grosso iniciou a campanha de vacinação contra a Covid-19 na segunda-feira (18). Nesta primeira fase, o estado vai priorizar a imunização dos trabalhadores da saúde que atuam na linha de frente do combate ao coronavírus, idosos com 60 anos ou mais que vivem em asilos ou instituições psiquiátricas, pessoas com deficiência que vivem em instituições e indígenas aldeados. Mato Grosso do Sul Em pouco mais de um dia após a chegada de mais de 158 mil doses da vacina contra a Covid-19, os 79 municípios de Mato Grosso do Sul receberam a vacina. Na primeira fase, serão imunizados os idosos com mais de 60 anos que moram em instituições em casas de repouso, além de indígenas e trabalhadores da área da saúde que estão na linha de frente contra a pandemia de Covid-19. Minas Gerais Profissional de saúde Margarida Maria Honório comemora a vacinação com punho levantado depois de receber a primeira dose da CoronaVac, em Mateus Leme (MG), no dia 19 de janeiro. A vacina foi aplicada pelo próprio prefeito (à direita), Renilton Ribeiro Coelho, que é médico. Douglas Magno/AFP O estado de Minas Gerais recebeu 577 mil doses da CoronaVac. Inicialmente, serão vacinados "profissionais de saúde que estão expostos a riscos, idosos em instituições de longa permanência e também os indígenas que vivem em aldeias". Pará Profissional de saúde quilombola Raimunda Nonata, de 70 anos, foi a primeira vacinada com a CoronaVac no quilombo Marajupena, em Cachoeira do Piriá (PA), no dia 19 de janeiro. Tarso Sarraf/AFP O Pará recebeu 173 mil doses da vacina contra o coronavírus. Desse total, 48.680 foram destinados à população indígena. O restante foi destinado para profissionais da saúde que atuam na linha de frente no combate à Covid-19 e idosos que vivem em asilos. Paraíba O estado da Paraíba vai vacinar 54.689 pessoas com as primeiras doses recebidas da CoronaVac. Serão imunizados 42.925 trabalhadores da saúde, 10.432 indígenas aldeados, 1.212 pessoas idosas em asilos e 120 pessoas com deficiência institucionalizadas. Paraná Após receber 265 mil doses da vacina contra a Covid, o Paraná já distribuiu o imunizante para todos os seus 399 municípios. Nesta primeira fase, a aplicação é feita nos "profissionais da saúde, indígenas, idosos institucionalizados e pessoas com deficiência severa", segundo o governo. Pernambuco Pernambuco recebeu 270 mil doses da CoronaVac nesta semana. Com essas doses, segundo o governo, será possível vacinar 34% dos trabalhadores de saúde pernambucanos e todos os 26,5 mil indígenas, 2,5 mil idosos institucionalizados e 130 pessoas com deficiência institucionalizados. Piauí Desde segunda-feira, o Piauí iniciou sua campanha de vacinação contra a Covid-19. O estado recebeu 61.160 doses da CoronaVac, que imunizarão 28.651 profissionais da saúde, 10 pessoas com deficiência institucionalizadas, 460 com mais de 60 anos institucionalizadas e 21 para indígenas vivendo em terras demarcadas. Rondônia Quase 50 mil doses da CoronaVac foram distribuídas para os 52 municípios de Rondônia. A prioridade do estado é vacinar os profissionais da linha de frente contra a Covid-19, os indígenas aldeados e idosos com mais de 60 anos que moram em casas de repouso ou asilos. Rio de Janeiro O governo do Rio de Janeiro já distribuiu as quase meio milhão de doses da vacina contra o coronavírus em todos os seus 96 municípios. O estado disse que vai priorizar nessa primeira fase os trabalhadores da linha de frente da saúde, idosos que vivem em asilos, pessoas com deficiência com mais de 18 anos que vivem em residências inclusivas e população indígena que vive em aldeias. Rio Grande do Norte O Rio Grande do Norte iniciou a vacinação da população após receber um lote com 82 mil doses da CoronaVac. Nesta primeira fase, serão imunizados os profissionais da saúde que atuam na linha de frente do combate à Covid-19, pessoas com 75 anos ou mais, pessoas com 60 anos ou mais que vivem em asilos e pessoas de comunidades tradicionais ribeirinhas. Roraima Três primeiros imunizados em Roraima: indígena Macuxi Iolanda Pereira da Silva; técnica em enfermagem Gilda Aparecida de Oliveira Silva; e o idoso José Ribeiro Pereira da Silva Vanessa Fernandes/G1 RR O governo de Roraima iniciou a campanha de vacinação contra a Covid-19 após a chegada das primeiras 87 mil doses da CoronaVac no estado. Nessa primeira etapa, o governo diz que vai imunizar toda a população indígena aldeada, idosos em asilos e os profissionais de saúde. Rio Grande do Sul Profissional da saúde é vacinada contra o coronavírus no HPS em Porto Alegre Cristine Rochol/PMPA O Rio Grande do Sul distribuiu 341 mil doses de vacinas contra a Covid-19 para 496 municípios. Apenas um receberá as doses na sexta-feira (22). Nesta primeira fase, o governo diz que serão vacinados 34% dos trabalhadores da saúde, todos os idosos que moram em asilos, todas as pessoas maiores de 18 anos com deficiência que vivem em residências inclusivas e toda a população indígena que vive em aldeias. Santa Catarina Santa Catarina recebeu 144 mil doses da CoronaVac na segunda-feira (18/01), quando começou a imunizar a população. Dessas doses, 17.480 são destinadas à população indígena. As outras atenderão profissionais da saúde, além de idosos e deficientes que vivem em asilos ou abrigos. Sergipe Sergipe iniciou a vacinação contra a Covid-19 após a chegada de mais de 48 mil doses ao estado. Além dos profissionais de saúde que atuam na linha de frente no combate à Covid-19, serão imunizados prioritariamente os idosos que vivem em abrigos e indígenas aldeados. São Paulo A enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, mostra seu cartão de vacinação após ser a primeira brasileira a receber a vacina CoronaVac no Hospital das Clínicas, em São Paulo, neste domingo (17) Carla Carniel/AP Até a noite desta quinta-feira (21), o governo de São Paulo tinha vacinado mais de 53 mil pessoas contra o coronavírus. A expectativa do governo é que 9 milhões de pessoas (20% da população estadual) estejam vacinadas com as duas doses da vacina até o dia 28 de março. Nesta primeira fase, serão vacinados profissionais de saúde, idosos com mais de 60 anos e pessoas com deficiência com mais de 18 anos que vivem em asilos, indígenas aldeados e quilombolas. Tocantins O Tocantins já começou a vacinar pessoas com as 44 mil doses da CoronaVac que recebeu. A prioridade definida pelo estado é imunizar idosos que vivem asilos, trabalhadores de saúde que atuam no enfrentamento da Covid e outros grupos definidos como prioritários pelo Ministério da Saúde, como indígenas. VÍDEOS: Veja novidades sobre as vacinas contra a Covid-19: Veja Mais

Hungria vai comprar 2 milhões de doses da Sputnik V; aquisição é a primeira na União Europeia

Glogo - Ciência Acordo é feito um dia após o órgão regulador húngaro dar a aprovação inicial às vacinas de Oxford/AstraZeneca e Sputnik. Nenhuma das duas é autorizada pelo regulador de medicamentos da União Europeia, mas legislação permite que, em emergências de saúde, países concedam aprovações individuais. Profissional de saúde segura frasco da vacina Sputnik V em Moscou, na Rússia, no dia 18 de janeiro. Shamil Zhumatov/Reuters A Hungria anunciou, nesta sexta-feira (22), que vai comprar 2 milhões de doses da Sputnik V, vacina desenvolvida pela Rússia contra a Covid-19. O país é o primeiro da União Europeia a confirmar a compra. Não há previsão de chegada das primeiras doses. A quantidade é suficiente para vacinar, ao todo, 1 milhão de pessoas. Segundo a agência de notícias Reuters, o ministro húngaro de Relações Exteriores, Peter Szijjartó, disse que o primeiro lote das vacinas seria suficiente para vacinar 300 mil pessoas. Em seguida, haverá outros dois lotes, suficientes para imunizar 500 mil e 200 mil pessoas, respectivamente. "Estou muito feliz em anunciar que assinamos um acordo hoje em que a Hungria pode comprar uma grande quantidade da vacinaS da Rússia", disse Szijjartó. A compra foi anunciada um dia após o órgão regulador húngaro dar a aprovação inicial às vacinas de Oxford/AstraZeneca e Sputnik V. Aprovação A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) ainda não aprovou o uso emergencial de nenhuma das duas vacinas no bloco europeu. A agência deve decidir sobre a autorização de uso da vacina de Oxford no bloco europeu na próxima sexta (29); na quarta (20), a Rússia pediu o registro da Sputnik V na União Europeia. Em nota ao G1, a agência informou que a legislação do bloco permite que Estados-membros forneçam, temporariamente, medicamentos não autorizados em contextos de ameaças à saúde pública. A autorização, entretanto, só vale para o país que a aprovou, e não para o bloco inteiro, ou seja: a Hungria não poderá distribuir as vacinas para os outros integrantes da União Europeia. A agência também informou que "não comenta" decisões tomadas por cada país de forma individual. Eficácia Cientistas ao redor do mundo manifestaram preocupação sobre a velocidade com que Moscou lançou sua vacina, dando o aval regulatório e começando a vacinação em massa antes dos resultados de fase 3 dos testes. Nessa etapa, a eficácia e a segurança da vacina são testadas em milhares de voluntários. Em dezembro, a Rússia divulgou os dados gerais de eficácia da vacina, que ficou em 91,4%. Na prática, isso significa que ela conseguiu evitar 91,4% dos casos que ocorreriam se as pessoas não tivessem sido vacinadas. Nenhum voluntário vacinado teve um caso grave de Covid. Os resultados ainda não foram publicados em revista científica. A Sputnik V é uma das vacinas que aguardam autorização de uso emergencial no Brasil. 00:00 / 24:28 VÍDEOS: veja novidades sobre a vacina contra Covid-19 Veja Mais

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Anvisa irá decidir sobre segundo pedido emergencial do Butantan para a CoronaVac nesta sexta

Glogo - Ciência Agência reguladora irá responder a requisição para a liberação de mais 4,8 milhões de doses da vacina da Sinovac. Nesta sexta, também há previsão de chegada de 2 milhões de doses da vacina de Oxford importadas da Índia. Profissional prepara aplicação da dose da Coronavac na rede pública de Campinas (SP) Adriano Rosa A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) irá realizar nesta sexta-feira (22) uma reunião da Diretoria Colegiada para decidir sobre a liberação do uso emergencial de mais 4,8 milhões de doses da CoronaVac. O pedido foi feito pelo Instituto Butantan na última segunda-feira (18). Se for aprovada, esta será a segunda autorização da agência reguladora para a vacina. A reunião irá ocorrer a partir das 15h. No domingo (17), o grupo de especialistas da Anvisa liberou as primeiras 6 milhões de doses da CoronaVac que já haviam chegado prontas da China. Anvisa decide sobre uso emergencial de doses da CoronaVac envasadas no Brasil Vacina de Oxford Além disso, também nesta sexta-feira, há a previsão de chegada de 2 milhões de doses da vacina de Oxford para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que informou que estará com o material pronto para aplicação ainda no sábado (23) à tarde, após checagem de qualidade e segurança, além de rotulagem e etiquetagem. "A carga vinda da Índia será transportada em voo comercial da companhia Emirates ao aeroporto de Guarulhos e, após os trâmites alfandegários, seguirá em aeronave da Azul para o aeroporto internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro", detalhou o Ministério da Saúde em nota. Primeira autorização A primeira autorização da Anvisa para uso emergencial foi decidida por unanimidade no último domingo. A vacina Coronavac e a da Universidade de Oxford tiveram o uso emergencial aprovado contra a Covid-19. A reunião que discutiu o tema durou cerca de 5 horas. Os diretores acompanharam o voto de Meiruze Freitas, relatora dos pedidos. No caso da Coronavac, a diretora condicionou a aprovação à assinatura de termo de compromisso e publicação em "Diário Oficial". Ao proclamar o resultado, o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, afirmou: "A imunidade com a vacinação leva algum tempo para se estabelecer. Portanto, mesmo vacinado, use máscara, mantenha o distanciamento social e higienize suas mãos. Essas vacinas estão certificadas pela Anvisa, foram analisadas por nós brasileiros por um tempo, o melhor e menor tempo possível. Confie na Anvisa, confie nas vacinas que a Anvisa certificar e quando ela estiver ao seu alcance vá e se vacine." Anvisa autoriza uso emergencial das vacinas Coronovac e de Oxford contra a Covid-19 Ouça o podcast O Assunto sobre a vacinação contra a Covid-19: VÍDEOS: as novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Veja Mais

Entidades científicas se mobilizam para incentivar vacinação contra Covid-19

Glogo - Ciência Objetivo é esclarecer as dúvidas sobre as vacinas, combater a disseminação de notícias falsas e mostrar que a vacinação não deve ser tratada como uma decisão individual. Campanhas de vacinação da Sociedade estão mobilizando as redes sociais Na mesma semana em que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso emergencial da CoronaVac e da vacina de Oxford, cientistas e entidades criaram a campanha “Todos pelas Vacinas”. O objetivo é esclarecer as dúvidas sobre as vacinas, combater a disseminação de notícias falsas e mostrar que a vacinação não deve ser tratada como uma decisão individual. Entenda como a vacina que você toma protege quem está ao seu lado Vacinação no Brasil: veja perguntas e respostas Herson Capri, Beth Goulart, Marcos Caruso e outros artistas fazem campanha pela vacinação “A vacina tem que ser tratada como um pacto de toda a sociedade para que o vírus pare de circular. Quando você se vacina, você protege não só você, mas quem está em volta de você, inclusive quem não pode tomar a vacina”, disse Flávia Ferrari, do Observatório Covid-19 BR O portal "Todos pelas Vacinas" traz informações sobre a vacinação em vários formatos – textos, áudio, imagens e vídeos – para serem compartilhados em todas as redes sociais. A #TodosPelasVacinas é organizada pela Abrasco, Blogs de Ciência da Unicamp, Cosems/SP, Equipe Halo/Nações Unidas (ONU), Instituto Questão de Ciência, Núcleo de Pesquisas em Vacinas da USP (NPV-USP), Observatório Covid-19 BR, Rede Análise Covid-19, ScienceVlogs Brasil, Sociedade Brasileira de Imunologia, Sociedade Brasileira de Virologia, Sociedade Brasileira de Microbiologia, União Pró-Vacina e Projeto Divulgar. Dia V Nesta quinta-feira (21), a campanha promove ações para incentivar a população a se imunizar, além de esclarecer dúvidas e prestar informações precisas sobre a eficácia das vacinas, a importância do distanciamento social, uso de máscaras e higiene das mãos. "Será um programa de utilidade pública. Não foi em vão que o batizamos de ‘Dia V’. Quase um ano depois, a sociedade brasileira ainda se encontra perdida com relação a como lidar com a doença e em quem confiar no meio da mais grave crise sanitária global dos últimos cem anos", enfatiza a diretora presidente do IQC, a microbiologista Natalia Pasternak. "Esse cenário fica ainda mais crítico quando o tema refere-se às vacinas", completa Pasternak. Veja VÍDEOS da vacinação no Brasil Veja Mais

De atriz a ialorixá, a opção por servir

Glogo - Ciência “Esse universo de doação é também o que me alimenta e me traz alegria”, diz mãe Carmem Depois do jardineiro Dionízio, tema da coluna de terça-feira, hoje o blog conta a história de uma sacerdotisa, uma protetora dos orixás que não se arrepende de ter deixado para trás a vida confortável que levava antes. Ela era uma típica adolescente da Zona Sul do Rio que, bem cedo, se apaixonou pelo teatro. Aos 13 anos já atuava e, contra a vontade dos pais, que preferiam uma profissão mais estável, fez faculdade de Artes Cênicas junto com o curso de História. Até a década de 1990, o rosto luminoso de Carmem Figueira, cuja marca registrada continua sendo um largo sorriso, podia ser apreciado na TV em programas como “Os Trapalhões” e nos palcos cariocas mas, num relance, sua vida nunca mais foi a mesma. A ialorixá Carmem: trabalho na comunidade de Jorge Turco, na Zona Norte do Rio de Janeiro Leandro Cunha Na época, frequentava uma irmandade espiritualista e o patriarca da organização a aconselhou a procurar um centro de umbanda. “Fazia, com frequência, papéis de Pombagira, e ele achou que eu lidava com algo profundo que deveria conhecer melhor. Quando cheguei lá, imediatamente a entidade se manifestou. Não escolhi, não procurei esse caminho, fui fazendo o que me era dito. Quando o que te conduz é a mística, você mergulha no abismo, é uma ruptura total, mas esse universo de doação é também o que me alimenta e me traz alegria. Nunca pedi que entendessem, apenas que respeitassem”, afirma. Agora é mãe Carmem, ialorixá da Casa do Raio Dourado de São Francisco de Assis Instituição Espiritualista de Estudo e Caridade, situada na comunidade Jorge Turco, que fica no entroncamento de três bairros da Zona Norte do Rio. “Antes de ser uma casa de umbanda, é uma casa franciscana, ou seja, nossa missão é servir, servir, servir. Meu propósito, há muitos anos, é dar o melhor de mim no sentido público”, enfatiza. A parte laica abriga o Espaço Andorinha, projeto social que atende 30 crianças. “Numa comunidade como essa, falta tudo. A milícia tenta cobrar percentual até de pequenos negócios domésticos, como vender sacolés. No começo, as crianças eram proibidas por pastores de igrejas neopentecostais de frequentar o lugar, chamado de casa de macumba, casa do diabo”, como lembra Carmem, que acrescenta: “hoje somos extremamente respeitados”. Desde o início da pandemia, praticamente se mudou para a comunidade e assistiu, feliz, ao crescimento do número de voluntários e doações. A Casa Raio Dourado cadastrou cem famílias que recebem cestas básicas toda semana. No dia 13, completou 65 anos e, quando pergunto como conseguiu conciliar mundos tão distintos, me responde: “você nunca deixa de ser o que foi, uso tudo o que vivi e aprendi. Por exemplo, tive uma empresa de produção teatral que me ensinou muito sobre gestão. Não dispensei, nem desperdicei nada”, resume. Veja Mais

Três vacinas contra a Covid-19 estão em revisão final para uso emergencial, diz OMS

Glogo - Ciência A vice-diretora-geral da OMS, Mariângela Simão, disse que a organização está analisando 13 vacinas no total. Profissional de saúde se prepara para aplicar a vacina da Pfizer e da BioNTech em Los Angeles, nos Estados Unidos, no dia 7 de janeiro de 2020 Lucy Nicholson/Reuters A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta quarta-feira (20) que três vacinas contra a Covid-19 estão em fase final de revisão para possível listagem de uso emergencial. A entidade já aprovou o imunizante da Pfizer/BioNTech. Um documento interno da OMS obtido pela agência de notícias Reuters fornece cronogramas para as possíveis aprovações de vacinas pela agência, indicando que os imunizantes da Moderna, AstraZeneca, Sinopharm e Sinovac podem obter aprovação de emergência nas próximas semanas ou meses. "Temos uma vacina listada até o momento. Temos mais três em fase final para serem avaliadas para listagem, temos mais duas ainda em apresentação. No total, temos 13", afirmou Mariângela Simão, vice-diretora-geral da OMS para acesso a medicamentos, vacinas e produtos farmacêuticos. A validação pela OMS também permite que o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) adquiram a vacina para a distribuição a países necessitados. No domingo (17), as vacinas da AstraZeneca/Oxford e Sinovac/CoronaVac foram aprovadas para uso emergencial no Brasil. Vacinação nos países mais pobres em fevereiro A OMS pretende começar a vacinação em países pobres e de renda média baixa em fevereiro, através da aliança Covax – uma iniciativa da organização para garantir o acesso equitativo a uma futura vacina da Covid-19. “Estamos tentando acelerar a distribuição das vacinas. Esperamos começar em fevereiro no máximo de países, mas para isso precisamos da colaboração dos produtores de vacina para a aliança”, explicou Bruce Aylward, assessor sênior do diretor-geral da entidade. A aliança Covax vai disponibilizar ao menos 2 bilhões de doses de vacinas até o fim de 2021 e 92 países pobres deverão ter acesso a 1,3 bilhão de doses ainda no primeiro semestre. O Brasil participa da aliança, mas não está na lista dos países mais pobres. Variante britânica em 60 países Também nesta quarta, a OMS disse que a variante britânica do coronavírus foi detectada em pelo menos 60 países. Já a cepa sul-africana, que também é mais contagiosa, está em 23 países – três a mais do que em 12 de janeiro. Por enquanto, ainda não há informação suficiente para determinar se as variantes afetarão a eficácia das vacinas. Especialistas dizem que as vacinas podem ser reformuladas e ajustadas para se adequar melhor ao vírus em questão de semanas ou meses, se necessário. Estudos feitos com a vacina da Pfizer/BioNTech mostram que o imunizante é eficaz contra as variantes e conseguiu neutralizar a mutação do vírus. Veja VÍDEOS sobre a vacinação no Brasil Veja Mais

Variante britânica do coronavírus está presente em 60 países, diz OMS

Glogo - Ciência A cepa sul-africana está em 23 países. A entidade também investiga a propagação das outras duas variantes que surgiram no Brasil. Mutação do coronavírus JN A variante britânica do coronavírus foi detectada em pelo menos 60 países, dez a mais de uma semana atrás, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quarta-feira (20). Já a cepa sul-africana, que também é mais contagiosa, está em 23 países – três a mais do que em 12 de janeiro. Variantes do coronavírus: o que se sabe em 5 perguntas e respostas Mutação do vírus no Amazonas: o que se sabe até agora Estudo brasileiro indica mecanismo responsável por versão mais transmissível A OMS afirma ainda que também investiga a propagação das outras duas variantes que surgiram no Brasil, a P1, que apareceu no estado do Amazonas e também foi detectada no Japão, e outra cepa. "Atualmente, há pouca informação disponível para avaliar se essas novas variantes modificam a transmissibilidade, ou a gravidade", afirma esta agência da ONU, destacando que suas características genéticas similares às das variantes britânica e sul-africana tornam necessário estudos adicionais. A variante britânica é considerada entre 50% e 70% mais contagiosa do que o novo coronavírus original. Ela está presente nas seis áreas geográficas da OMS, enquanto a sul-africana aparece em quatro delas. A organização não especificou quais. Embora muito mais contagiosas, ainda não é possível afirmar que essas variantes são mais letais, segundo pesquisas. O problema é que, como as pessoas podem adoecer com mais facilidade, a pressão sobre os sistemas de saúde aumenta, o que já vem acontecendo em alguns países, como Reino Unido, ou Estados Unidos. Por enquanto, ainda não há informação suficiente para determinar se as variantes afetarão a eficácia das vacinas. Especialistas dizem que as vacinas podem ser reformuladas e ajustadas para se adequar melhor ao vírus em questão de semanas ou meses, se necessário. Um estudo preliminar mostrou que a vacina da Pfizer/BioNTech é eficaz contra as mutações do coronavírus. Veja VÍDEOS da vacinação pelo Brasil Veja Mais

Testes do uso combinado das vacinas AstraZeneca/Oxford e Sputnik V devem começar em fevereiro, diz farmacêutica russa

Glogo - Ciência O objetivo é avaliar a imunogenicidade e segurança do uso combinado dos dois imunizantes. Na fase 1-2 dos testes, 100 participantes receberão a vacina AstraZeneca/Oxford e, 29 dias depois, a vacina Sputnik V. Rússia e Reino Unido vão testar a combinação de duas vacinas Os testes em humanos de uma vacina contra a Covid-19 combinando a Sputnik V, da Rússia, com o imunizante da AstraZeneca/Oxford, devem começar no início de fevereiro, disse o presidente da farmacêutica russa R-Pharm à agência de notícias Reuters. O objetivo é avaliar a geração de anticorpos e segurança do uso combinado de um dos componentes da Sputnik V e um dos componentes da vacina AZD1222, desenvolvida pela AstraZeneca. Em dezembro, as duas desenvolvedoras assinaram um acordo para testar a combinação dos imunizantes. A vacina da AstraZeneca/Oxford é uma das aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial no Brasil. Nas fases 1 e 2, que serão realizadas de forma conjunta, 100 participantes receberão a vacina AstraZeneca e, 29 dias depois, a vacina Sputnik V. Os testes acontecerão no Azerbaijão, Argentina, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Rússia e outros lugares (veja mais sobre etapas de produção de vacina abaixo). A AstraZeneca ainda não se manifestou, segundo a Reuters. Vacina de Oxford (AstraZeneca) - Foto mostra voluntário recebendo a vacina em um hospital de Soweto, em Joanesburgo, na África do Sul, em junho de 2020 Siphiwe Sibeko/Pool via AP Tecnologia Ambas as vacinas usam um vetor viral. Nesse tipo de vacina, os pesquisadores usam um outro vírus, modificado, para introduzir parte do material genético do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no organismo e induzir a resposta do sistema de defesa do corpo. Nas duas vacinas, o tipo de vírus que "carrega" o coronavírus para o corpo é um adenovírus. As duas também são aplicadas em duas doses. A diferença é que, na vacina de Oxford, os adenovírus usados nas duas doses são iguais. Na Sputnik V, eles são diferentes. Segundo os cientistas russos, isso é uma grande vantagem da vacina. Pesquisadores disseram que "o uso de dois vetores diferentes para duas injeções vai resultar em uma eficácia maior do que usar o mesmo vetor para as duas injeções". Kirill Dmitriev, o líder do fundo RDIF, que financiou a Sputnik V, disse que isso mostra a força da tecnologia da vacina e "a nossa disposição e desejo para fazer parcerias com outras vacinas para combater a Covid-19 juntos". Etapas para a produção de uma vacina Nos testes de uma vacina – normalmente divididos em fase 1, 2, e 3 – os cientistas tentam identificar efeitos adversos graves e se a imunização foi capaz de induzir uma resposta imune, ou seja, uma resposta do sistema de defesa do corpo. ETAPAS: por que a fase 3 dos testes clínicos é essencial para o sucesso e a segurança das vacinas Os testes de fase 1 costumam envolver dezenas de voluntários; os de fase 2, centenas; e os de fase 3, milhares. Essas fases costumam ser conduzidas separadamente, mas, por causa da urgência em achar uma imunização da Covid-19, várias empresas têm realizado mais de uma etapa ao mesmo tempo. Antes de começar os testes em humanos, as vacinas são testadas em animais – normalmente em camundongos e, depois, em macacos. Veja VÍDEOS da vacinação no Brasil Veja Mais

Pacientes com Covid-19 partem de Manaus para Goiânia em avião da FAB

Glogo - Ciência Governo do Amazonas espera transferir total de 235 pessoas nos próximos dias. FAB transporta passageiros de Manaus para Goiânia Mais 15 pacientes com Covid-19 foram transferidos de Manaus para Goiânia, na tarde desta segunda-feira (18). O grupo decolou do aeroporto Ponta Pelada, em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), Além das transferências, a FAB informou que na manhã de segunda uma aeronave já trouxe 10 tanques de oxigênio comprimido e 1 usina de oxigênio para ajudar no abastecimento em Manaus. Com o embarque, o número total de pacientes transferidos para outros estados chega a 94. A expectativa do governo é levar 235 pacientes para receber atendimento fora do Amazonas, mas não informa os prazos para essa transferência. FAB transporta pacientes de Manaus para Amazonas Divulgação O embarque de passageiros para outros estados teve início na semana passada. Além da transferência para Goiás, 9 foram para Teresina (PI), 23 para São Luis (MA), 15 para Brasília (DF), 15 para João Pessoa (PB) 12 para Natal (RN). Outros três pacientes foram para Rio Branco (AC) transferidos de Tabatinga, e dois foram de Parintins para Belém (PA). O estado enfrenta colapso no sistema de saúde por falta de oxigênio em hospitais de Manaus, que estão lotados por conta do aumento recorde de internações por Covid. Com o caos na Saúde, pacientes começaram a ser levados a outros estados. Caos na saúde Com mais de 230 mil casos e 6 mil mortes, o Amazonas vive um caos no sistema de saúde com hospitais lotados. As unidades de saúde não têm oxigênio suficiente para todos os pacientes, o que fez o governo adotar medidas emergenciais para receber o insumo. O governo da Venezuela é um dos que enviou ajuda ao Amazonas. A situação é tão dramática que, desde a semana passada, o estado está enviando pacientes para receber atendimento em outros estados. O transporte dos passageiros é feito em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), que foram adaptadas para essa finalidade. Um decreto suspende as atividades econômicas não-essenciais até o dia 31 de janeiro. A circulação de pessoas em todos os municípios do Amazonas está restrita entre 19h e 6h. VÍDEOS: relatos da crise da falta de oxigênio em Manaus Initial plugin text Veja Mais

Pacientes com Covid são transferidos de Manaus para Natal

Glogo - Ciência Desde a sexta-feira (15), pacientes já foram encaminhados para Teresina, São Luís, João Pessoa e Brasília. Governo do Amazonas espera transferir total de 235 nos próximos dias. Pacientes do AM chegam em hospitais de Natal (RN) na manhã desta segunda-feira Mais 12 pacientes com Covid-19, que estavam internados em hospitais de Manaus (AM), foram transferidos para Natal (RN) na noite deste domingo (17). Com o embarque, o número total de pacientes transferidos para outros estados chega a 74. A expectativa do governo é levar 235 pacientes para receber atendimento fora do Amazonas, mas não informa os prazos para essa transferência. Inicialmente, estava previsto o embarque de 15 pacientes. Depois , a FAB informou que foram embarcados 14 e, agora, 12. Durante a tarde de domingo, outros 15 pacientes embarcaram para João Pessoa. Antes, foram enviados 9 pacientes a Teresina, 23 pacientes a São Luís e 15 para Brasília. O estado enfrenta colapso no sistema de saúde por falta de oxigênio em hospitais de Manaus, que estão lotados por conta do aumento recorde de internações por Covid. Com o caos na Saúde, pacientes começaram a ser levados a outros estados. No domingo, avião da FAB partiu com pacientes do Amazonas para a Paraíba Matheus Castro/G1 Crise de Oxigênio O governo do Amazonas publicou no diário oficial do estado, a prorrogação do decreto que suspende as atividades econômicas não-essenciais até o dia 31 de janeiro. O Amazonas registrou 1.277 novos casos de Covid-19 neste domingo. O total de casos confirmados da doença chega a 230.644 casos, segundo o boletim da Fundação de Vigilância em Saúde. VÍDEOS: relatos da crise da falta de oxigênio em Manaus Initial plugin text Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 17 de janeiro, segundo consórcio de veículos de imprensa

Glogo - Ciência País contabilizou total de 209.509 óbitos e 8.460.244 casos de Covid-19. O consórcio de veículos de imprensa divulgou novo levantamento da situação da pandemia de coronavírus no Brasil a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, consolidados às 13h deste domingo (17). Desde o balanço das 20h de sábado (16), seis estados atualizaram seus dados: BA, CE, GO, MG, MS e RN. Veja os números consolidados: 209.509 mortes confirmadas 8.460.244 casos confirmados No sábado (16), às 20h, o balanço indicou: 209.350 mortes por Covid-19 desde o começo da pandemia, sendo 1.059 nas últimas 24 horas. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 956. A variação foi de +37% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de crescimento nos óbitos pela doença. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 8.456.705 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 62.452 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 54.434 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de +52% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de crescimento também nos diagnósticos. Treze estados estão com alta nas mortes: MG, RJ, SP, GO, MT, AM, RR, TO, AL, PE, PI, RN e SE. Progressão até 16 de janeiro Total de mortes: 209.350 Registro de mortes em 24 horas: 1.059 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 956 (variação em 14 dias: +37%) Total de casos confirmados: 8.456.705 Registro de casos confirmados em 24 horas: 62.452 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 54.434 por dia (variação em 14 dias: +52%) (Antes do balanço das 20h, o consórcio divulgou um boletim parcial às 13h, com 208.542 mortes e 8.413.413 casos confirmados.) Estados Subindo (13 estados): MG, RJ, SP, GO, MT, AM, RR, TO, AL, PE, PI, RN e SE. Em estabilidade (12 estados + DF): PR, RS, SC, ES, DF, MS, AP, PA, RO, BA, CE, MA e PB. Em queda (1 estado): AC Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Estados com a média de mortes em alta Arte G1 Estados com a média de mortes em estabilidade Arte G1 Estados com a média de mortes em queda Arte G1 Sul PR: -5% RS: 0% SC: -7% Sudeste ES: +2% MG: +68% RJ: +53% SP: +62% Centro-Oeste DF: -10% GO: +165% MS: -5% MT: +21% Norte AC: -29% AM: +193% AP: +4% PA: +15% RO: +7% RR: +29% TO: +147% Nordeste AL: +21% BA: +3% CE: +1% MA: +2% PB: -8% PE: +55% PI: +29% RN: +21% SE: +43% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Casos e mortes por coronavírus no Brasil, segundo consórcio de veículos de imprensa Veja Mais

Vacinação contra a Covid-19 no Brasil: veja perguntas e respostas

Glogo - Ciência Preciso levar um documento de identificação? Quando começa a vacinação? Ela será gratuita? A vacina será obrigatória? Veja essas e mais dúvidas. Voluntário de testes da Coronavac Jornal Nacional/Reprodução OXFORD: o que se sabe sobre a vacina de Oxford CORONAVAC: o que se sabe sobre a vacina CoronaVac TIRA-DÚVIDAS: perguntas e respostas sobre vacinas Abaixo, confira as principais perguntas e respostas sobre a vacinação no Brasil: Quando começa a vacinação no Brasil? Preciso levar algum documento ou me cadastrar em algum site? É verdade que o Ministério da Saúde está fazendo um agendamento para receber a vacina? Quais vacinas serão aplicadas no Brasil? Quais serão os grupos prioritários? Quais serão as fases de vacinação? Por que a vacinação é importante? A vacina será gratuita? Existe uma vacina melhor que a outra? Quanto tempo após tomar a vacina eu estarei imunizado contra a Covid-19? A vacinação contra a Covid-19 acabará com o coronavírus? Posso ser infectado pelo coronavírus ao tomar a vacina? A vacinação será obrigatória? Quando teremos imunidade de rebanho com a vacinação? Não sou grupo de risco, não sei quando serei vacinado pelo SUS. Poderei comprar a vacina em uma clínica particular? 1 - Quando começa a vacinação no Brasil? Ainda não se sabe. Prefeitos que participaram de um encontro com o ministro da Saúde disseram que Eduardo Pazuello anunciou que o início da vacinação começará na próxima quarta-feira (20) em todo o país. Procurado pelo G1, o Ministério da Saúde não confirmou a data. O início da vacinação depende das doses das vacinas e da aprovação da Anvisa para uso emergencial da CoronaVac e vacina de Oxford. Em dezembro, o Ministério da Saúde já tinha previsto a vacinação entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro. 2 - Preciso levar algum documento ou me cadastrar em algum site? Não. Todas as pessoas serão vacinadas, mesmo que não apresentem algum documento. Basta comprovar que pertence ao grupo prioritário correspondente à fase da vacinação. No entanto, para fazer o controle, o Ministério da Saúde diz que é importante informar o número do CPF ou apresentar o Cartão Nacional de Saúde (CNS) – o Cartão do SUS. Caso a pessoa não esteja cadastrada nas bases de dados do Ministério da Saúde, o profissional no posto de saúde poderá registrá-lo no momento do atendimento. VEJA MAIS: documentos necessários para se imunizar Ministério da Saúde vai registrar informações de todos os vacinados contra Covid-19 3 - É verdade que o Ministério da Saúde está fazendo um agendamento para receber a vacina? Não. Em nota, o Ministério da Saúde disse que não realiza agendamento para aplicação de nenhum tipo de vacina, e nem envia códigos para celular dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). 4 - Quais vacinas serão aplicadas no Brasil? Por enquanto, duas vacinas estão sendo analisadas para uso emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): a CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, e a vacina de Oxford, desenvolvida pela AstraZeneca e Universidade de Oxford, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). 5 - Quais serão os grupos prioritários? Segundo o plano nacional de imunização do governo, as prioridades da campanha de vacinação são: trabalhadores da área de Saúde; idosos (acima de 60 anos); indígenas; pessoas com comorbidades; professores (do nível básico ao superior); profissionais de forças de segurança e salvamento; funcionários do sistema prisional; comunidades tradicionais ribeirinhas; quilombolas; trabalhadores do transporte coletivo; pessoas em situação de rua; população privada de liberdade. LEIA MAIS: Governo inclui novos grupos prioritários em plano nacional de vacinação Veja destaques da fala do ministro Eduardo Pazuello sobre vacinação contra a Covid-19 6 - Quais serão as fases de vacinação? De acordo com o plano de imunização, as três primeiras fases incluem os seguintes grupos: Primeira fase: trabalhadores de saúde; pessoas de 75 anos ou mais; pessoas de 60 anos ou mais institucionalizadas; população indígena aldeado em terras demarcadas aldeada; povos e comunidades tradicionais ribeirinhas. Segunda fase: Pessoas de 60 a 74 anos. Terceira fase: pessoas com comorbidades. Ainda não está definido em qual fase serão inseridos os demais grupos prioritários. Segundo o governo, a decisão depende de aprovação das vacinas e disponibilidade. 7 - Por que a vacinação é importante? Quanto mais gente se vacinar logo no início, mais fácil será tratar eventuais pessoas que ainda não receberam suas doses e precisarão, portanto, de atendimento médico. As vacinas não garantem que o paciente não terá Covid-19 novamente, apenas diminuem a chance de infecção e também a gravidade da doença em relação às pessoas que não receberam. Por isso, mesmo os vacinados ainda poderão transmitir o coronavírus. O uso da máscara ainda será fundamental, assim como o isolamento. "Nenhuma vacina é 100% eficaz. Você só consegue maior proteção quando a maior parte da população se vacina, porque quando tem muita gente vacinando, o vírus diminui a circulação e, então, acaba protegendo também quem não está vacinado. Por isso que não é 'toma quem quer'", disse Denise Garret, epidemiologista e vice-presidente do Instituto Sabin de Vacinas. 8 - A vacina será gratuita? Sim. A vacina será disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde, sem custos. 9 - Eu devo tomar a vacina mesmo que a eficácia dela não seja de 100%? Não é melhor esperar outras? Sim, você deve tomar a vacina mesmo que a eficácia dela não seja de 100%. Veja o que disseram os especialistas consultados pelo G1: "Primeiro: vem de graça pelo SUS – por que esperar se pode não esperar? Nada impede. O sistema imunológico vai ser ativado por qualquer vacina", lembra Rodrigo Guerra, da UFSM. "Em geral, é preferível a vacina que está disponível. É melhor vacinar com uma menos eficaz do que esperar mais tempo por uma mais eficaz. Mas é uma situação bem complexa", pondera Lucia Pellanda, da UFCSPA. "Nenhuma vacina tem eficácia de 100%. Tem eficácia de 90%, nenhuma é 100%. Tem que tomar a vacina que ofereça alguma proteção e que esteja disponível – não adianta sonhar com a vacina de 95% e ela não chegar. O risco a que eu vou ficar exposto em todo esse período é maior do que de já tomar a vacina com eficácia menor, mas com a qual eu garanto uma proteção. Para as formas um pouco mais graves, até foi uma proteção maior. Quem sabe ela proteja mais ainda para formas graves", pontua Alexandre Zavascki, da UFRGS. "As duas vacinas que estarão provavelmente disponíveis na semana que vem no Brasil [a CoronaVac e a de Oxford] são seguras e este é um fator essencial. Sendo segura, quanto mais pessoas tomarem a vacina, mas diminuímos o risco individual e coletivo e mais rápido chegaremos na imunidade coletiva", explica Otavio Ranzani, médico intensivista e epidemiologista da USP. LEIA MAIS: 10 perguntas e respostas sobre a eficácia da CoronaVac 10 - Quanto tempo após tomar a vacina eu estarei imunizado contra a Covid-19? Mesmo após as duas doses da vacina, nosso organismo não gera uma resposta imune imediata, explica o infectologista Jose Geraldo Leite Ribeiro, vice-presidente regional da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). “A proteção se dá um tempo após a aplicação da segunda dose, e esse tempo varia de acordo com cada vacina. Na maioria delas, a imunidade acontece a partir de dez ou vinte dias após a segunda dose”, afirma. 11 - A vacinação contra a Covid-19 acabará com o coronavírus? Ainda não se sabe. Em maio, a OMS afirmou que não há como prever quando se o coronavírus irá desaparecer um dia, mesmo com uma vacina (veja mais no vídeo abaixo). Porém, ainda que a vacina não seja capaz de fazer o vírus desaparecer, ela será capaz de interromper as cadeias de transmissão e conter a disseminação entre as populações. A previsão dos cientistas e da própria OMS é que o coronavírus se torne endêmico: à exemplo do que ocorre com o Influenza, que infecta novas pessoas todos os anos, o vírus continuará em circulação infectando aqueles que estiverem suscetíveis à Covid-19. OMS diz que não dá para prever quando e nem se a Covid-19 vai desaparecer 12 - Posso ser infectado pelo coronavírus ao tomar a vacina? Não, pois nenhuma vacina em testes contém o vírus vivo. “A vacina contra a Covid-19 é uma ‘vacina morta’, ou seja, são inativadas, não contém o vírus vivo. Portanto, é impossível você ser infectado ao se vacinar”, explica Ribeiro. 13 - A vacinação será obrigatória? Na prática, as vacinas no Brasil já são 'obrigatórias'. Em diversos estados e cidades brasileiras, quem quiser matricular filhos em colégios públicos, por exemplo, precisa mostrar cadernetas de vacinação em dia. A necessidade de apresentação de caderneta também é obrigatória para quem quer disputar cargos públicos no Brasil e imunização em dia é ‘condição necessária’ para quem se inscreve no Bolsa Família. Outro exemplo de “obrigatoriedade” é a vacina de febre amarela. Segundo a OMS, 127 países exigem a vacinação contra a doença. Em dezembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a aplicação de medidas restritivas para quem se recusar a se vacinar contra a Covid-19. Eles entenderam que essas medidas são necessárias porque a saúde coletiva não pode ser prejudicada por decisão individual. LEIA MAIS: 5 sinais de que vacinas já são 'obrigatórias' no Brasil 14 - Quando teremos imunidade de rebanho com a vacinação? Ainda é difícil de definir o prazo para atingir a imunidade de rebanho das vacinas contra a Covid-19. Um dos motivos é a falta de definição de qual será a quantidade de doses por mês no Brasil, além de uma certa incerteza dos cientistas com relação à porcentagem da população que é necessária para barrar a transmissão. A imunidade de rebanho acontece quando muitas pessoas adquirem anticorpos ou uma resposta imunológica a uma determinada doença infecciosa. O agente patogênico passa a encontrar menos pessoas sem imunidade e encontra dificuldade em se propagar, ou seja a cadeia de transmissão da enfermidade é interrompida. Para Ribeiro, é imprudente estimar quando e em qual taxa de população vacinada ocorrerá a imunidade de rebanho. “Há autores que, por meio de modelos matemáticos, estimam que pelo menos 60% da população tem que ser vacinada para gerar imunidade de rebanho, mas é uma estimativa teórica. Eu não assinaria embaixo”, explica o infectologista da SBIm. “Geralmente, esse dado só é conhecido depois que se vacina grande parte da população e a acompanha durante 3 ou 4 anos", diz. Outro fator a se considerar é que apenas os grupos de risco serão vacinados em 2021, uma parcela muito pequena da população. "A vacinação em 2021 não vai interferir na circulação do coronavírus. Além disso, temos que lembrar que nenhuma das vacinas em teste é 100% eficaz. Se uma vacina tem eficácia de 95%, como a da Moderna, por exemplo, quer dizer que a vacina falhou em cinco a cada cem pessoas vacinadas", completa Ribeiro. 'Imunidade de rebanho': o que é e quais os riscos de deixar a pandemia correr seu curso 15 - Não sou grupo de risco, não sei quando serei vacinado pelo SUS. Poderei comprar a vacina em uma clínica particular? Ainda não há uma previsão de quando as clínicas particulares conseguirão comprar lotes das vacinas contra a Covid-19 que forem aprovadas no Brasil. A orientação dos órgão de saúde nacionais e internacionais é que todas as doses produzidas pelos laboratórios neste primeiro momento sejam direcionadas aos governos, com a finalidade de garantir que as pessoas dos grupos de risco sejam imunizadas o mais breve possível. Assim, a resposta para esta pergunta dependerá, entre outros fatores, da capacidade de produção e entrega pelas farmacêuticas para atender tanto os governos como as clínicas particulares. VÍDEOS: Novidades sobre a vacina Veja Mais

Coronavírus: variante achada no Brasil poderia 'driblar' anticorpos e reinfectar quem já teve Covid-19, diz pesquisador

Glogo - Ciência Segundo Tulio de Oliveira, isso poderia ajudar a explicar por que Manaus, severamente atingida durante primeiro pico da pandemia, foi de novo amplamente afetada por segunda onda; eficácia das vacinas não deve estar comprometida, mas mais estudos são necessários. Mais estudos são necessários para mensurar impacto de neutralização reduzida por anticorpos em nossa imunidade, diz Tulio de Oliveira EPA Um novo estudo de cientistas da África do Sul, ainda não revisado por pares, dá maior respaldo às evidências crescentes de que mutações compartilhadas pelas variantes do coronavírus detectadas no Brasil e na África do Sul podem não ser neutralizadas por anticorpos produzidos pelo organismo de quem já foi infectado pelo SARS-CoV-2, o vírus que causa a Covid-19. Variantes do coronavírus: o que se sabe até agora em 5 perguntas e respostas Instituto Adolfo Lutz confirma dois casos de nova variante do coronavírus em São Paulo Isso abre a possibilidade de que pessoas que tiveram doença sejam infectadas novamente se expostas a essas variantes, diz à BBC News Brasil Tulio de Oliveira, responsável pelo estudo e diretor do laboratório Krisp na Escola de Medicina Nelson Mandela, na Universidade KwaZulu-Natal, em Durban, na África do Sul, onde vive desde 1997. No entanto, mais estudos são necessários para mensurar o impacto dessa "neutralização reduzida" dos anticorpos em nossa imunidade, ressalva ele. Segundo Oliveira, testes em laboratório a partir do "vírus vivo" da cepa achada na África do Sul (501Y.V2) contendo mutações como E484K e N501Y — presentes também na variante do Brasil, mas não na do Reino Unido — mostraram "zero ou muito baixa neutralização" do patógeno pelos anticorpos. Oliveira chefiou a equipe que descobriu a nova variante do coronavírus na África do Sul e compartilhou os dados com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o que, por sua vez, permitiu ao Reino Unido detectar a outra variante em seu território. Acredita-se que todas essas variantes sejam mais transmissíveis do que a original, mas não se sabe, por enquanto, se mais letais. De todo modo, tende a haver mais mortes porque há muito mais casos. Oliveira acrescenta que suas mais recentes descobertas também levantam "uma grande questão" sobre a eficácia das vacinas. "Se os resultados do laboratório mostram que essa variante é menos neutralizada pelos anticorpos, isso terá algum efeito na eficácia das vacinas?", questiona Oliveira. "No momento, presumimos que a eficácia das vacinas não será comprometida. E se for, será pouco (comprometida). Porque as vacinas desencadeiam uma resposta imunológica alta, produzindo muitos anticorpos, por exemplo. Mas ainda é uma questão a ser respondida", acrescenta. Ele reforça que esses primeiros resultados não podem servir de "desculpa" para interromper os programas de vacinação em todo o mundo. "Esse vírus nos mostrou que se deixarmos ele circular livremente por muito tempo, se adaptará melhor à transmissão e, potencialmente, escapar de ser neutralizado pelo sistema imunológico". "Temos que aumentar com urgência as taxas de vacinação e a resposta da saúde pública para que possamos controlar as taxas de infecção o mais rápido possível e reduzir as taxas de mortalidade por essas variantes altamente infecciosas", acrescenta. Coronavírus: Por que a nova variante preocupa? 'Vírus vivo' Nos últimos dias, vários estudos indicaram que mutações "escapariam" da ação de anticorpos neutralizantes produzidos pelo corpo contra o SARS-CoV-2. No entanto, Oliveira e sua equipe foram além e usaram o "vírus vivo" pela primeira vez em testes de laboratório em oposição ao chamado pseudovírus — uma "técnica mais avançada", explica Oliveira, usando todas as mutações incluídas no vírus, e, então, fizeram comparações usando a variante anterior da Covid-19. "Os resultados mostram que mais de 50% do plasma convalescente (com anticorpos) exposto ao vírus não obteve neutralização. E os outros 50% obtiveram neutralização de baixo nível. Quase metade dos indivíduos com quase nenhuma neutralização parecia nunca ter visto o vírus antes", explica Oliveira. "O melhor modelo para testar isso é com o vírus vivo, você pega o vírus inteiro, você infecta as células e faz crescer no laboratório, é uma técnica mais avançada e depois você o re-expõe ao plasma convalescente, então você considera o taxa de crescimento do vírus e como ele é neutralizado". "Concluímos que houve uma neutralização do vírus muito menor, tão menor que, em tese, são necessários cerca de 10 a 15 vezes mais anticorpos para neutralizar o mesmo vírus em comparação com a variante anterior", acrescenta Oliveira. Segundo ele, "não são boas notícias. Esperávamos que aqueles que já tiveram a Covid-19 não fossem infectados novamente. Isso abre as portas para o vírus com essas mutações reinfectar as pessoas. É uma das principais questões a serem respondidas nas próximas semanas". Oliveira assinala que mais estudos são necessários para determinar o impacto disso em nossa imunidade, pois nossa resposta imunológica não depende apenas dos anticorpos, mas também das chamadas células T, que atuam em conjunto com eles. Jesse Bloom, professor-associado de Ciências do Genoma e Microbiologia da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, concorda. "É definitivamente claro que as mutações no RBD (domínio de ligação ao receptor), especialmente a mutação E484K encontrada na linhagem 501Y.V2, reduzem a neutralização do anticorpo. No entanto, atualmente não está claro o quanto essa neutralização reduzida diminui a eficácia protetora da imunidade", diz ele por e-mail à BBC News Brasil. O RBD é uma pequena porção da proteína S do SARS-CoV-2, chave para a ligação do vírus às células humanas e sua infecção. Cientistas acreditam que essa "neutralização reduzida" pode ser uma das razões pelas quais algumas partes da África do Sul e da cidade de Manaus, no Amazonas, muito atingidas durante o primeiro pico da pandemia, foram de novo amplamente afetadas pela segunda onda — levantando dúvidas sobre a chamada "imunidade de rebanho" que alguns especialistas já haviam dito ter sido alcançada nessas áreas por meio de infecções em massa. A imunidade de rebanho ocorre quando uma parcela grande o suficiente da população desenvolve uma defesa imunológica contra um patógeno. Nesse cenário, a doença não consegue se espalhar porque a maioria das pessoas é imune e ela passa a ter grande dificuldade para encontrar alguém suscetível. Esse patamar é atingido pela vacinação em massa, e não por infecções em massa. "Naturalmente, seria de se esperar que essas regiões não fossem muito afetadas pela segunda onda da pandemia, e não é o que vimos", diz Oliveira. "Ainda temos que investigar se essa nova variante menos neutralizada por anticorpos em laboratório causará maiores taxas de infecção", acrescenta. "O objetivo da vacina não é parar a transmissão; é fazer com que as pessoas que são infectadas não desenvolvam sintomas muito sérios. O principal objetivo é salvar vidas. E não só a vacina, mas a resposta da saúde pública, de testagem e rastreamento e isolamento e medidas de distanciamento social para tentar diminuir o número de infectados", conclui. Veja Mais

Hungria é primeiro país da União Europeia a conceder aprovação inicial às vacinas Sputnik V e de Oxford contra a Covid-19

Glogo - Ciência Se forem usadas, a Hungria terá quatro vacinas autorizadas contra a Covid-19. País tem 11,7 mil mortos pela doença. Agência Europeia de Medicamentos ainda não autorizou o uso da Sputnik V, mas deve tomar decisão sobre imunizante de Oxford no dia 29. Emirados Árabes também aprovaram vacina russa. Profissional de saúde segura frasco da vacina Sputnik V em Moscou, na Rússia, no dia 18 de janeiro. Shamil Zhumatov/Reuters A Hungria deu aprovação inicial a duas vacinas para a Covid-19: a Sputnik V, desenvolvida pela Rússia, e a vacina de Oxford. O país é o primeiro da União Europeia a conceder ambas as aprovações. Os avais foram confirmados nesta quinta-feira (21) pelo chefe de gabinete do premiê húngaro, Gergely Gulyás, segundo a agência de notícias Reuters. Se forem usadas, a Hungria terá quatro vacinas autorizadas contra a Covid-19: a da Pfizer, que começou a ser aplicada em 26 de dezembro; a da Moderna, aprovada no início deste mês, e as duas aprovadas agora. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) ainda não autorizou o uso da Sputnik V no bloco europeu; na quarta (20), a Rússia pediu o registro da vacina na União Europeia, segundo a Reuters. Uma decisão da EMA sobre a vacina de Oxford é aguardada para 29 de janeiro. O ministro de Relações Exteriores do país, Péter Szijjártó, tem viagem prevista para Moscou nesta quinta-feira para reuniões sobre a Sputnik V. A vacina é uma das que aguardam autorização de uso emergencial no Brasil. Revisão de restrições Policiais fazem patrulha durante um toque de recolher noturno imposto pelo governo húngaro para conter a propagação do coronavírus, em Budapeste, no dia 11 de novembro. Bernadett Szabo/Reuters Gulyás disse que o governo húngaro reveria as atuais restrições para conter o coronavírus na próxima semana – mas afirmou que elas provavelmente não seriam suspensas até que as vacinações em massa fossem realizadas e a taxa de infecção no país caísse. Desde 11 de novembro, todas as escolas secundárias húngaras foram fechadas, assim como hotéis e restaurantes, exceto para refeições para viagem. Um toque de recolher foi declarado a partir das 19h. As restrições valem até 1º de fevereiro. Nesta semana, a taxa de transmissão do coronavírus na Hungria ficou em 0,91, segundo levantamento do Imperial College de Londres. Na prática, isso significa que cada 100 pessoas com o vírus no país infectam outras 91. A do Brasil, em comparação, ficou em 1,20. Pela margem de erro das estatísticas, essa taxa pode ser maior (de até 1) ou menor (de 0,79). Nesses cenários, cada 100 pessoas com o vírus infectariam outras 100 ou 79, respectivamente. Simbolizado por Rt, o "ritmo de contágio" é um número que traduz o potencial de propagação de um vírus: quando ele é superior a 1, cada infectado transmite a doença para mais de uma pessoa e a doença avança. Segundo monitoramento da universidade americana Johns Hopkins, a Hungria tem 355,6 mil casos de Covid-19 e 11,7 mil mortes pela doença. Aprovação nos Emirados Árabes Os Emirados Árabes Unidos também aprovaram, nesta quinta-feira (21), a Sputnik V para uso emergencial. A vacina é a terceira contra a Covid-19 a ser aprovada no país: as outras são as da chinesa Sinopharm e a da americana Pfizer, desenvolvida em parceria com a alemã BioNTech. “A decisão vem como parte dos esforços abrangentes e integrados dos Emirados Árabes Unidos para garantir maiores níveis de prevenção contra o vírus e salvaguardar a saúde dos cidadãos e residentes do país”, disse a agência de notícias emiradense WAM. O país é um dos que testaram a vacina, mas não divulgou resultados dos ensaios de fase 3 – quando a eficácia e a segurança da vacina são testadas em milhares de voluntários. O fundo de investimento russo que financia a Sputnik V disse que mil voluntários dos ensaios já receberam a primeira dose da vacina em Abu Dhabi. Em dezembro, a Rússia divulgou os dados gerais de eficácia da vacina, que ficou em 91,4%. Na prática, isso significa que ela conseguiu evitar 91,4% dos casos que ocorreriam se as pessoas não tivessem sido vacinadas. Nenhum voluntário vacinado teve um caso grave de Covid. Os resultados ainda não foram publicados em revista científica. Veja VÍDEOS com novidades sobre as vacinas da Covid-19: B Veja Mais

Pfizer começa a imunizar 1,4 mil voluntários que tomaram placebo em teste no Brasil de vacina contra Covid-19

Glogo - Ciência Apesar de a vacina não ter sido aprovada para uso no país pela Anvisa, laboratório disse que o procedimento está de acordo com as tratativas definidas junto ao órgão. A Pfizer anunciou nesta quarta-feira (20) que começará a imunizar neste mês mais de 1,4 mil voluntários que receberam placebo durante os testes no Brasil da vacina contra Covid-19 desenvolvida pelo laboratório em parceria com a BioNTech. Em comunicado, a companhia informou que participantes do estudo em São Paulo (SP) e Salvador (BA) vão receber gratuitamente duas doses do imunizante. Apesar de a vacina não ter sido aprovada para uso no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) -- o laboratório ainda não fez o pedido à agência --, a Pfizer disse que o procedimento está de acordo com as tratativas definidas junto ao órgão regulador e faz parte do termo de consentimento assinado pelos participantes no início da pesquisa. Em 31 de dezembro, a vacina foi aprovada em uso emergencial pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Até agora, a Anvisa concedeu aprovação de uso emergencial a duas vacinas: a CoronaVac e a de Oxford. A primeira, desenvolvida na China, já está sendo aplicada; a segunda, entretanto, tem previsão de chegada apenas em março. A farmacêutica informou nesta quarta-feira que sua vacina conseguiu neutralizar a variante B.1.1.7 do coronavírus, que foi detectada pela primeira vez no Reino Unido. "Os voluntários do estudo interessados em receber a vacina deverão entrar em contato com os centros e receberão todos os esclarecimentos necessários. Todos os participantes seguirão em acompanhamento no estudo, conforme estabelecido em protocolo", informou. A vacina da Pfizer foi a primeira a ser aprovada para uso emergencial no mundo entre os principais laboratórios ocidentais e está sendo usada desde o ano passado para imunizar pessoas em países como Reino Unido e Estados Unidos. Oxford e CoronaVac: veja raio X das vacinas aprovadas pela Anvisa para uso emergencial O governo brasileiro, no entanto, não fechou acordo para comprar doses do imunizante. O presidente Jair Bolsonaro e autoridades do Ministério da Saúde reclamaram publicamente do que consideram exigências exageradas da Pfizer para fechar contrato. O laboratório rebate, alegando que essas exigências estariam em linha com o praticado em outros países. A Pfizer ainda não pediu sequer autorização para uso emergencial do seu imunizante no Brasil, ao contrário do que já ocorreu em outros países. Segundo a empresa, ela segue com o processo regulatório de submisão contínua de dados à Anvisa para obtenção do registro definitivo da vacina. Resultados A vacina da Pfizer teve os resultados preliminares de fase 3 dos testes publicados em dezembro. Segundo os ensaios, a vacina teve 95% de eficácia. Se uma vacina tem 95% de eficácia, isso significa que, nos testes, ela conseguiu reduzir em 95% a quantidade de casos que ocorreriam se as pessoas não tivessem sido vacinadas. A vacina usa a tecnologia de mRNA, o RNA mensageiro, para induzir a imunidade ao coronavírus. (Veja vídeo abaixo). Vacina da Pfizer contra Covid usa tecnologia chamada de RNA mensageiro; veja como funciona Initial plugin text Veja Mais

Aplicativo do Ministério da Saúde recomenda tratamentos que não funcionam para Covid-19

Glogo - Ciência Pasta lançou o 'TrateCOV', que recomenda que médicos e enfermeiros deem 'tratamento precoce' contra a Covid. Medicamentos indicados já tiveram sua ineficácia contra a doença comprovados. O Ministério da Saúde lançou um aplicativo que recomenda o que chama de "tratamento precoce" a pacientes que têm sintomas que podem ou não ser da Covid-19. O "tratamento" indicado inclui medicamentos que, segundo demonstraram diferentes estudos, não funcionam contra a doença, como a cloroquina, a hidroxicloroquina e a azitromicina. Não existe um "tratamento precoce" que se mostrou eficaz contra a Covid-19. A recomendação do aplicativo do ministério para tratamentos de Covid-19 com esses medicamentos foi revelada pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. O aplicativo, chamado "TrateCOV", é uma página na qual médicos e enfermeiros podem inserir dados do paciente – como peso, altura, e comorbidades – e sintomas. Também há campos em que o profissional responde se o paciente saiu ou não de casa nos últimos dias e para onde foi (veja imagens abaixo). Aplicativo TrateCOV Reprodução Aplicativo TrateCOV Reprodução O G1 preencheu os campos do aplicativo, como exemplo, com os sintomas febre, rinorreia (coriza), dor de garganta e congestão nasal, que nem sempre aparecem em pacientes com Covid. Nenhum sintoma específico da Covid foi preenchido. Os campos de locais aonde o paciente pode ter ido foram preenchidos com 0 – indicando zero saídas de casa. Na simulação, os sintomas do paciente começaram há 3 dias (no dia 17 de janeiro). Mesmo sem sintomas específicos – e nem queda de saturação ou falta de ar – o aplicativo indica um "escore de gravidade" de 12. O mínimo para haver um diagnóstico de Covid é 6. Com o resultado, a página indica o "tratamento precoce" contra a doença. Também aparece uma recomendação de fazer um teste PCR em pacientes com 5 dias ou menos desde o início dos sintomas. (Veja abaixo). Aplicativo TrateCOV Reprodução Após a recomendação, o profissional de saúde precisa informar se vai ou não usar o "tratamento precoce" para aquele paciente. Caso não utilize, precisa justificar. Ele também precisa inserir o número do CRM (registro profissional para médicos) ou do Coren (para enfermeiros). Aplicativo TrateCOV Reprodução Caso opte por usar o "tratamento precoce", o profissional vê as seguintes opções: Difostato de Cloroquina 500mg ---------- 6 comprimidos. Tomar 1 comprimido de 12/12 horas no primeiro dia. Após, tomar 1 comprimido ao dia, até completar 5 dias. Hidroxicloroquina 200mg ---------- 12 comprimidos. Tomar 2 comprimidos de 12/12 horas no primeiro dia. Após, tomar 2 comprimidos ao dia, até completar 5 dias. Ivermectina 6mg ---------- Tomar 4 comprimidos ao dia por 5 dias. Azitromicina 500mg ---------- 5 comprimidos. Tomar 1 comprimido ao dia, por 5 dias. Doxiciclina 100mg ---------- 10 comprimidos. Tomar 1 comprimido 12/12 horas, por 5 dias. Sulfato de zinco __ ---------- 14 comprimidos. Tomar 1 comprimido de 12/12 horas por 7 dias. O sulfato de zinco aparece com a opção de indicação de 30mg ou 50mg. O G1 também apurou que a página parece ser destinada, inicialmente, apenas a profissionais de Saúde de Manaus. A cidade enfrenta um cenário de caos pela falta de oxigênio para pacientes – e recordes de mortes por Covid. Código programado O código do aplicativo também parece programado para recomendar o uso dos medicamentos aos pacientes independentemente de alguns dos campos preenchidos. "A parte do formulário que indica o tratamento parece já estar embutido no formulário. Não é como quando a gente preenche um formulário, tem o processamento e vem o retorno. É como se já estivesse ali, pronto, só escondido. E realmente não faz diferença qual o nível que você tem de sintomas ou algo do gênero. Qualquer sintoma que você colocar ele já vai colocar você a nível 6", explica Joselito Júnior, desenvolvedor web ouvido pelo G1. "Não influencia sua idade, seu peso, onde você vive, quantas vezes você saiu para ele indicar o medicamento. Para todo mundo que tem sintoma, ele indica isso caso exista a escolha de fazer o tratamento precoce. A única coisa que usa de diferença nessa parte do peso é a dosagem desses medicamentos. Mas os medicamentos em si são os mesmos. Então se você colocar um idoso que tem todas as comorbidades ou uma criança recém-nascida que está com tosse, ele vai indicar exatamente as mesmas coisas se você indicar que quer tratamento precoce. É notável que essa parte foi programada à parte. É como se o formulário tivesse um template pronto, algum software que gerasse esse formulário e essa parte foi escrita especificamente para esse fim", afirma Joselito Júnior. O que diz o Ministério da Saúde Ao divulgar a página, o Ministério da Saúde afirma que desenvolveu o aplicativo "para auxiliar os profissionais de saúde na coleta de sintomas e sinais de pacientes visando aprimorar e agilizar os diagnósticos da Covid-19". Segundo a nota, "a plataforma traz ao médico cadastrado um ponto a ponto da doença, guiado por rigorosos critérios clínicos, que ajudam a diagnosticar os pacientes com mais rapidez. Depois disso, o TrateCOV sugere algumas opções terapêuticas disponíveis na literatura científica atualizada, sugerindo a prescrição de medicamentos". O G1 questionou a pasta sobre qual seria a "literatura científica atualizada" que indica os supostos tratamentos, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O Conselho Federal de Medicina (CFM) também foi questionado sobre o aplicativo, mas também não respondeu até a última atualização deste texto. Nesta semana, a rede social Twitter colocou um alerta em uma publicação do Ministério da Saúde, apontando que houve "a publicação de informações enganosas e potencialmente prejudiciais" relacionadas à Covid-19. No post, a pasta indicava o "tratamento precoce" contra a doença. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, também mentiu ao dizer que nunca houve, por parte do ministério, recomendações de tratamento precoce. Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro também defendeu o "tratamento" mesmo com a ineficácia comprovada deles. Especialistas criticam Médicos e cientistas ouvidos pelo G1 criticaram a página e reforçaram que não existe tratamento precoce para a Covid. "É uma pena que o Ministério da Saúde ainda insista em colocar nas suas recomendações, que pressione médicos a usar, quando o consenso na literatura mundial e na recomendação das sociedades cientificas brasileiras é de não utilizar essas medicações", avalia o infectologista Renato Kfouri, da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). "O uso de tratamentos ou de medicamentos em Covid-19 leve, seja preventivo ou na fase inicial, não encontrou até hoje nenhuma evidência científica que justifique a sua aplicação", afirma Kfouri. "Eu vejo como a adoção de uma prática de curandeirismo, pelo Estado, como estratégia de saúde pública. É uma prática baseada numa crença, somente numa crença, de que [as pessoas] vão ficar curadas da doença e não vão desenvolver quadros graves. É um absurdo ser tratado como estratégia de saúde pública", avalia Alexandre Zavascki, médico infectologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). "Além disso, nós estamos fazendo curandeirismo não com ervas, com chá, estamos dando medicações não por um médico, mas por um aplicativo, que provavelmente não teve nenhuma validação científica da sua aplicabilidade, do seu poder discriminatório de diferenciar uma doença ou não, totalmente sujeito a fraudes", pondera. "Estamos dando medicações com potenciais de toxicidade enorme. Nós vamos ter, sim, efeitos colaterais dessas medicações em decorrência da prática de prescrição por aplicativo", afirma. Zavascki também alerta para o uso de antibióticos – como a azitromicina – em larga escala. "É uma prática que todo mundo tem cuidado, porque isso tem consequências para o aparecimento de bactérias resistentes – você lançar antibiótico na população, isso não vai ficar sem consequências em larga escala", diz. Kfouri reforça que vários estudos já foram feitos e nenhum comprovou eficácia nos tratamentos (veja detalhes mais abaixo). "Vermifugos [como a ivermectina], remédios para tratamento de malária, remédios para tratamentos de outros vírus como HIV e hepatite foram testados e todos eles, em vida real, com doentes, comparando com quem não toma nada, não mostraram nenhuma diferença no desfecho, seja hospitalização, prevenção, tratamento nas formas leves", disse Kfouri. "Nas formas graves, nós aprendemos que algumas drogas como corticoides e anticoagulantes são benéficos. Mas para tratamento em casa, antibióticos, vermífugos, remédios para tratamento de malária não têm nenhum efeito e muitas vezes podem trazer malefícios, como alterações cardíacas pela hidroxicloroquina. Isso é contraindicado", reforçou. Estudos comprovam ineficácia Em novembro, um estudo brasileiro mostrou que pacientes que tomam cloroquina há anos tem o mesmo risco de desenvolver a Covid-19 do que aqueles que nunca tomaram. Participaram cerca de 400 estudantes de medicina e quase 10 mil voluntários espalhados por 20 centros do Brasil. Antes disso, outras pesquisas já haviam acusado a ineficácia das substâncias para prevenção e tratamento da infecção pelo coronavírus. A revista científica "Nature", uma das mais renomadas do mundo, publicou dois estudos que apontaram que a cloroquina e a hidroxicloroquina não são úteis contra a Covid-19. Agência reguladora dos Estados Unidos cancela autorização da cloroquina Em 16 de julho de 2020, outra revista, a "Annals of Internal Medicine", mostrou com testes padrão ouro que a administração de hidroxicloroquina em pacientes com quadro leve de Covid-19 também não se mostrou eficaz. Esses mesmos resultados continuaram se repetindo em outros estudos. Uma pesquisa brasileira também fez testes em humanos e foi publicada no “The New England Journal of Medicine". Mais uma vez, os pesquisadores apontaram que a hidroxicloroquina não teve eficácia no tratamento da Covid-19 em pacientes com casos leves e moderados atendidos em hospitais. OMS suspende testes com hidroxicloroquina contra a Covid-19 EUA cancelam autorização para uso da hidroxicloroquina no tratamento contra a Covid-19 A decisão de não recomendar o uso de antimaláricos e de um tratamento precoce não ficou a cargo apenas dos cientistas. A FDA, agência reguladora dos Estados Unidos com papel similar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), suspendeu o uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19 em junho do ano passado. Em outubro, a Organização Mundial da Saúde divulgou seus próprios resultados: mais de 30 países envolvidos em um estudo com mais de 11,2 mil participantes. No artigo, os cientistas afirmaram que quatro antivirais utilizados contra a Covid-19 são ineficazes: remdesivir, hidroxicloroquina, lopinavir/ritonavir (combinação) e interferon beta-1a. Veja VÍDEOS com novidades sobre as vacinas: Veja Mais

Posso ser infectado pelo coronavírus ao tomar a vacina?

Glogo - Ciência Não. Nenhuma das vacinas aprovadas contra a Covid é capaz de causar a doença. Entenda. Não. Nenhuma das vacinas aprovadas contra a Covid é capaz de causar a doença. CoronaVac A CoronaVac, que será fabricada no Brasil pelo Instituto Butantan, é feita do vírus inativado, ou seja, "morto". Portanto, ele não tem o poder de causar a Covid-19. Outras vacinas de vírus inativado que já tomamos são a da gripe, a da hepatite A e a da raiva. Também existe uma vacina injetável da pólio que é feita de vírus inativado. Em estudos de fase 1 e 2, que medem de forma inicial a segurança e a eficácia de uma vacina, a CoronaVac foi apontada como segura. Os resultados dos estudos foram publicados em novembro na revista científica "The Lancet", uma das mais importantes do mundo. A vacina também se mostrou segura nos estudos de fase 3. As reações mais comuns nos participantes foram dor no local da vacinação, dor de cabeça, fadiga e dores musculares. Não houve efeitos colaterais graves. Houve reações alérgicas em 0,3% dos participantes, mas sem anafilaxia (reação alérgica grave). Vacina de Oxford Já a vacina de Oxford, que será fabricada em solo brasileiro pela Fiocruz, usa a tecnologia de vetor viral. Ela também não é capaz de causar a Covid-19. Nesse tipo de vacina, os pesquisadores usam um outro vírus, modificado, para introduzir parte do material genético do coronavírus Sars-CoV-2 no organismo e induzir a resposta do sistema de defesa do corpo. Infográfico mostra como funciona uma vacina de vetor viral Arte G1 No caso da vacina de Oxford, os efeitos colaterais mais comuns relatados em voluntários foram dor no local da aplicação, dor de cabeça, cansaço, dores musculares, calafrios, febre e náusea. A maioria das reações foi leve ou moderada e se resolveu poucos dias após a aplicação da vacina. EFEITOS COLATERAIS: o que se sabe sobre a segurança dos imunizantes contra a Covid-19 Além disso, a vacina de vetor viral também não causa alterações no nosso próprio material genético, o DNA (veja vídeo abaixo). Existe vacina melhor? Grávida pode tomar? Altera o DNA? Drauzio Varella e especialistas respondem dúvidas Veja VÍDEOS com novidades sobre as vacinas contra a Covid-19 Veja Mais

Tecnologia de vacinas de RNA mensageiro não é nova, diz pioneiro da técnica

Glogo - Ciência Vacinas da Pfizer/BioNTech e da Moderna contra Covid-19 usam essa tecnologia. Imunizantes já foram aprovados para uso em vários países. Vacina da Pfizer contra Covid usa tecnologia chamada de RNA mensageiro; veja como funciona O imunologista francês Steve Pascolo é pesquisador da universidade de Zurich e um dos pioneiros nas pesquisas sobre o RNA mensageiro. A tecnologia é utilizada na vacina contra a Covid-19 lançada pela Pfizer/BioNTech e a Moderna, que já foram aprovadas para uso em vários países. Os três passos do método revolucionário para criar vacinas de RNA Tecnologia RNA mensageiro: veja como funciona É #FAKE que vacinas contra o coronavírus alteram o DNA Em entrevista exclusiva à RFI Brasil, Steve Pascolo explicou que as novas imunizações são mais seguras, eficazes e vêm sendo estudadas desde os anos 1990. O RNA mensageiro também já é utilizado em outras vacinas.  A novidade está na maneira de fabricar a nova imunização, que contém uma embalagem biodegradável, vegana e de simples concepção. Esse "invólucro" carrega e conserva as propriedades da molécula de RNA, permitindo sua ação na célula, aumentando a segurança e diminuindo as reações das injeções. O imunologista também esclarece que a rapidez das autorizações e a disponibilidade dos voluntários para testar os novos produtos aceleraram o processo de fabricação das novas vacinas, o que tornou possível o rápido lançamento das imunizações no mercado. Na entrevista, ele também detalhou como o progresso da nanotecnologia ajudou os cientistas a desenvolverem as vacinas da Pfizer e da Moderna. RFI Brasil- O que é o RNA mensageiro? Steve Pascolo - É uma cópia efêmera de um gene. Imagine nosso DNA como um livro. Nossos 23 cromossomos são 23 livros com receitas sobre o funcionamento do organismo. Cada célula do nosso corpo copia essas receitas em função de suas necessidades. Essa cópia é o RNA mensageiro. Por exemplo, as células do pâncreas usam a receita da insulina. Em seguida, a célula interpreta essa cópia e cria uma proteína. O RNA desaparece em seguida. É justamente essa a vantagem da molécula para realizar terapias. Ela se degrada rapidamente e não pode modificar o genoma ou se integrar ao corpo. Algumas horas ou dias após a injeção da vacina, não há mais nenhum traço do que foi injetado. Essa foi uma das dificuldades, há 20 anos, quando começamos a estudar a utilização do RNA mensageiro nas imunizações. A comunidade médica e científica não acreditava nessa técnica, porque o RNA era frágil, efêmero, e se degradava rápido demais para poder ser usado como um produto. Para nós, era uma vantagem em termos de segurança. Assim, quando injetamos alguma coisa, pouco tempo depois, não há mais resíduos do que foi injetado. Isso foi um obstáculo para a eficácia, mas era uma vantagem para a segurança. Nos últimos anos, os estudos foram voltados justamente para melhorar a eficácia, mas a vantagem do RNA é que ele sempre foi rapidamente biodegradável. Quando eu comecei, em 1998, as vacinas com o RNA mensageiro experimentais eram menos eficazes do que as outras já existentes, feitas com vírus ou proteínas. Mas persistimos e o resultado está aí. RFI Brasil - A dificuldade então durante as duas últimas décadas foi conseguir preservar as propriedades da molécula injetada? SP - Exatamente. Uma das principais linhas de pesquisa dos últimos anos foi em relação à concepção da “embalagem”, a cápsula que envolveria essa cópia de molécula de RNA mensageiro, que é muito instável fora das células. Além disso, essa cápsula deveria se autodestruir no momento certo, para que o RNA pudesse agir dentro da célula. Por isso, uma grande parte da evolução do RNA mensageiro, nos últimos anos, esteve relacionada a esse invólucro que o protege, chamado de lipossomo ou nanopartícula. O desafio, mais uma vez, foi achar lipossomos e nanopartículas capazes de encapsular o RNA, para protegê-lo e possibilitar sua penetração na célula. A embalagem também deveria ser biodegradável para liberar o RNA. O desafio era duplo: precisávamos de partículas suficientemente estáveis e resistentes para proteger o RNA em seu caminho até a célula, quando ele fosse injetado. Mas a “embalagem” também precisava ser suficientemente degradável para explodir no momento em que entrasse na célula. RFI Brasil - A epidemia e os investimentos na vacina aceleraram essas pesquisas? SP - Muitos progressos foram feitos e entre 1998 e 2019 já havia fórmulas muito eficazes. A epidemia permitiu que elas fossem testadas mais rapidamente. As pessoas não devem se enganar: o que leva tempo é a obtenção das autorizações e o recrutamento dos pacientes e voluntários, não necessariamente o desenvolvimento de uma nova tecnologia. Após injetar o produto em alguns voluntários, as autoridades precisam de tempo para avaliá-lo. Às vezes isso leva semanas, meses ou anos. Graças à epidemia, tudo isso acelerou. Milhares de pessoas no mundo também se disponibilizaram para ser cobaias. Elas merecem aplausos porque foram corajosos para ir até um centro médico, preencher um formulário, assinar, receber uma injeção e doar o sangue. Todos fizeram isso de maneira desinteressada, para que a vacina pudesse avançar. Empresas como a Moderna e BioNTech acharam voluntários em poucas semanas. Essa mobilização foi extraordinária. RFI Brasil - Por que a vacina com o RNA mensageiro é mais segura? SP - O produto que constitui essa vacina é formado por cinco elementos: uma molécula de RNA, purificada, que dá a receita para a célula produzir uma proteína, a Spike, que o novo coronavírus usa para entrar na célula. A molécula é encapsulada em uma bolha de quatro lipídios, também purificados. São cinco elementos fáceis de produzir e purificar. A quem interessar possa, é uma vacina vegana, o que diminui o risco de alergias. São produtos sintéticos, produzidos quimicamente, ou por biologia molecular, com produtos que não são de origem animal. As outras vacinas são feitas em geral com vírus e produzidas dentro de ovos. RFI Brasil - Há outras vacinas antigas que já utilizam o RNA mensageiro? SP - As pessoas pensam que se tratam de uma nova tecnologia. Não é. A tríplice viral, contra a caxumba, sarampo e rubéola já é feita com o RNA mensageiro. Esses três vírus contêm naturalmente o RNA mensageiro. O produto funciona porque é uma vacina feita com vírus vivos, enfraquecidos. Injetados no corpo, eles provocam uma infecção nas células, que utilizam o RNA dos vírus para produzir as proteínas que permitem a entrada deles nas células, criando assim as reações imunológicas. O procedimento é o mesmo utilizado nas vacinas sintéticas. Então, essa tecnologia do RNA mensageiro não é tão nova quanto se pensa. Só que, agora, o envelope que protege o RNA mensageiro é sintético, e no caso da caxumba, rubéola e sarampo, o envelope é o próprio vírus, produzido dentro de ovos.  Mas o mecanismo é o mesmo. Veja VÍDEOS da vacinação no Brasil Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 18 de janeiro, segundo consórcio de veículos de imprensa

Glogo - Ciência País contabilizou total de 209.906 óbitos e 8.490.133 casos de Covid-19. O consórcio de veículos de imprensa divulgou novo levantamento da situação da pandemia de coronavírus no Brasil a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, consolidados às 13h desta segunda-feira (18). Desde o último balanço, às 20h de domingo (17), cinco estados atualizaram seus dados: GO, MG, MS, RR e TO. Veja os números consolidados: Mortes: 209.906 Casos: 8.490.133 No domingo (17), às 20h, o país registrou 518 mortes pela Covid-19 nas 24 horas anteriores, chegando ao total de 209.868 óbitos desde o começo da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 961. A variação foi de +36% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de crescimento nos óbitos pela doença. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 8.483.105 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 26.400 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 54.040 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de +53% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de crescimento também nos diagnósticos. Onze estados estão com alta nas mortes: MG, RJ, SP, GO, AM, RO, TO, AL, PE, PI e SE. O estado de Roraima não divulgou boletim até as 20h de domingo. Brasil, 17 de janeiro Total de mortes: 209.868 Registro de mortes em 24 horas: 518 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 961 (variação em 14 dias: +36%) Total de casos confirmados: 8.483.105 Registro de casos confirmados em 24 horas: 26.400 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 54.040 por dia (variação em 14 dias: +53%) Estados Subindo (11 estados): MG, RJ, SP, GO, AM, RO, TO, AL, PE, PI e SE. Em estabilidade (12 estados + DF): PR, RS, SC, ES, DF, MT, AP, PA, BA, CE, MA, PB e RN. Em queda (2 estados): MS e AC Não atualizou (1 estado): RR Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Estados com tendência de alta na média de mortes Arte G1 Estados com tendência de estabilidade na média de mortes Arte G1 Estados com tendência de queda na média de mortes Arte G1 Sul PR: +4% RS: 0% SC: -15% Sudeste ES: +3% MG: +65% RJ: +54% SP: +62% Centro-Oeste DF: -2% GO: +69% MS: -16% MT: +5% Norte AC: -35% AM: +202% AP: -4% PA: +13% RO: +25% RR: O estado de Roraima não atualizou seu boletim até 20h deste domingo (17). Considerando os dados de sábado (16), estava com média em alta, de +29%. TO: +144% Nordeste AL: +26% BA: +5% CE: -10% MA: -2% PB: -8% PE: +75% PI: +31% RN: +12% SE: +42% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Ministério da Saúde começa a distribuição da CoronaVac para todo o Brasil

Glogo - Ciência Estados receberão a partir desta segunda-feira (18) quase 6 milhões de doses da vacina e poderão começar campanhas de vacinação às 17h (horário de Brasília). VÍDEO: Vacinação começa às 17h desta segunda (18), diz Pazuello O Ministério da Saúde começa a distribuir, nesta segunda-feira (18), quase 6 milhões de doses da CoronaVac para todos os estados e o Distrito Federal. Os estados poderão iniciar as campanhas de vacinação a partir das 17h (horário de Brasília). Das 6 milhões de doses, 4.636.936 serão enviadas aos estados brasileiros. As outras 1.357.640 serão distribuídas no estado de São Paulo, segundo o governo estadual. Os primeiros voos sairão de São Paulo para o Distrito Federal e para as capitais de dez estados: Acre, Amapá, Amazonas, Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rondônia, Roraima e Santa Catarina. 'Não tenham medo', diz Mônica Calazans, 1ª pessoa a ser vacinada no Brasil Vacinação contra a Covid-19 no Brasil: veja perguntas e respostas A distribuição das vacinas será feita com aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) e caminhões com áreas de carga refrigeradas. As companhias aéreas Azul, Gol, Latam e Voepass também farão o transporte gratuito das caixas de vacinas para todos os estados que necessitem de transporte aéreo. Depois que as vacinas forem entregues aos estados, os governos estaduais serão responsáveis por levar as vacinas até os municípios, em parceria com o Ministério da Defesa. A CoronaVac foi desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e, no Brasil, será produzida pelo Instituto Butantan, em São Paulo. O uso emergencial da vacina foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no domingo (17). A agência também aprovou o uso emergencial da vacina de Oxford. Domingo histórico: Anvisa aprova uso emergencial das vacinas Coronavac e de Oxford Veja divisão das doses da CoronaVac para cada estado: Região Norte Rondônia - 33.040 Acre - 13.840 Amazonas - 69.880 Roraima - 10.360 Pará - 124.560 Amapá - 15.000 Tocantins - 29.840 Total de doses - 296.520 Região Nordeste Maranhão - 123.040 Piauí - 61.160 Ceará - 186.720 Rio Grande do Norte - 82.440 Paraíba - 92.960 Pernambuco - 215.280 Alagoas - 71.080 Sergipe - 48.360 Bahia - 319.520 Total de doses - 1.200.560 Região Sudeste Minas Gerais - 561.120 Espírito Santo - 95.440 Rio de Janeiro - 487.520 São Paulo - 1.349.200 Total de doses - 2.493.280 Região Sul Paraná - 242.880 Santa Catarina - 126.560 Rio Grande do Sul - 311.680 Total de doses - 681.120 Região Centro-Oeste Mato Grosso do Sul - 61.760 Mato Grosso - 65.760 Goiás - 182.400 Distrito Federal - 105.960 Total de doses - 415.880 Na tabela divulgada pelo Ministério da Saúde, 907.200 doses da CoronaVac já estão separadas para os indígenas de todas as regiões do Brasil (veja na tabela abaixo). Ministério da Saúde divulga quantidade de doses da CoronaVac para cada estado Reprodução/Ministério da Sáude Veja VÍDEOS com novidades sobre as vacinas contra a Covid-19: l Veja Mais

Ministério da Saúde confirma reinfecção por nova variante brasileira do coronavírus

Glogo - Ciência Japão detecta nova variante de coronavírus em viajantes vindos do Brasil O Ministério da Saúde confirmou nesta sexta-feira (15) um caso de reinfecção pela nova variante do coronavírus no Brasil. O caso foi notificado na quarta-feira (13) pelo estado do Amazonas. O caso é de uma mulher que foi diagnosticada com a Covid-19 pela primeira vez em 24 de março de 2020. Nove meses depois, em 30 de dezembro, ela recebeu o segundo diagnóstico para a doença por meio de um teste RT-PCR, que identifica o material genético do vírus. A análise em laboratório mais recente mostrou um "padrão de mutações, compatível com a variante do vírus SARS-CoV-2, identificada recentemente pelo Ministério da Saúde do Japão, mas de origem no Amazonas", informou o Ministério. No Brasil, foram notificados até o momento, dois casos de reinfecção por nova variante do SARS-CoV-2, um no estado da Bahia com a mutação identificado originalmente na África do Sul que segue em investigação, e outro já confirmado no estado do Amazonas com variante Amazônica identificada inicialmente no Japão. Os casos são monitorados pelas equipes do Ministério da Saúde e da Opas/OMS. Veja Mais

Covid em Manaus: nova variante pode estar por trás de caos no Amazonas, dizem pesquisadores

Glogo - Ciência No Reino Unido, uma nova variante detectada é 70% mais contagiosa do que as cepas originais do coronavírus. 5 pontos sobre a Covid-19 no Amazonas Pesquisadores no Brasil acreditam que a nova variante do coronavírus identificada no Amazonas pode estar por trás do caos vivido nos últimos dias em Manaus. O sistema de saúde da capital do Amazonas sofre nos últimos dias com a falta de oxigênio, de leitos de UTI e equipamentos para lidar com o forte aumento no número de internações. Pacientes estão sendo transferidos para outros estados e o governo amazonense está convocando a ajuda de empresas para fornecer oxigênio e materiais para os hospitais. Segundo Felipe Naveca, cientista da Fundação Oswaldo Cruz no Amazonas que liderou as pesquisas sobre a cepa, a nova variante do coronavírus teve origem "sem dúvida" na Amazônia. Ele disse à correspondente da BBC na América do Sul, Katy Watson, que a nova variante mostrou algumas das mesmas mutações que as novas variantes detectadas no Reino Unido e na África do Sul - e "algumas dessas mutações foram associadas a um aumento da transmissão e isso é preocupante". Em entrevista para a agência AFP, Naveca disse: "Existe essa possibilidade (de a nova variante ter maior poder de contágio), eu não posso garantir que isso já esteja ocorrendo, mas existe por conta das mutações que ela apresentou na posição 484 e 501, são mutações que são associadas a esse potencial de mais transmissão. Então muito provavelmente sim." A piora da situação em Manaus não se deveu apenas a uma variante, diz Naveca, observando que as autoridades esperavam um aumento nos casos de vírus devido às festas de fim de ano. "Precisamos de apoio urgente da população para reduzir a transmissão e desacelerar a evolução do vírus", disse Naveca à AFP. Outro pesquisador, Jesem Orellana, da Fiocruz-Amazônia, disse ao jornal Estadão que a nova variante é a "explicação mais plausível" para a recente explosão de casos. "Apesar de todo esse contexto de relaxamento da população em relação aos cuidados, acreditamos que esta nova cepa é a explicação mais plausível para um crescimento tão explosivo considerando o histórico de Manaus", diz Orellana. "Porque esse tipo de crescimento tão explosivo a gente normalmente aceita quando toda a população é considerada suscetível ao novo vírus. Mas essa disseminação que estamos vendo num contexto em que pelo menos 30% a 40% da população já tinha sido exposta ao coronavírus só pode ser porque essa nova cepa se programa muito mais rapidamente que todas as 11 variantes que circularam antes na região." Reino Unido e África do Sul também tiveram mutações do coronavírus identificadas. No caso do Reino Unido, pesquisadores determinaram que a nova variante britânica era 70% mais contagiosa do que a que existia anteriormente. No país, a cepa foi considerada um fator importante no novo surto que surgiu na véspera do Natal do ano passado. O Reino Unido ainda está sob forte regime de lockdown por conta desse surto, e diversas nações baniram pessoas que chegam do país. Nesta sexta-feira (15), chegadas ao Reino Unido da América do Sul e Portugal passaram a ser proibidas devido a preocupações com a nova variante brasileira do coronavírus — que já foi identificada até no Japão. Vacinas O epidemiologista britânico Mike Tildesley disse à BBC que não acredita que a eficácia das vacinas atualmente em uso em outros países deva mudar com as novas variantes. As vacinas combatem os sintomas da Covid, mas não impedem necessariamente a transmissão do coronavírus entre pessoas. Mas existe a possibilidade de essas novas variantes prejudicarem os sistemas de saúde e hospitais, já que mais pessoas estariam contraindo o vírus — sobretudo neste momento em que a maioria das pessoas ainda não foi vacinada. Tildesley acredita que a proibição de viagens para a América do Sul no Reino Unido entrou em vigor um pouco tarde — mas ele diz que a medida ainda vai "minimizar o risco" da nova variante do coronavírus identificada no Brasil entrar no Reino Unido. "Sempre temos esse problema com a proibição de viagens, é claro, que sempre estamos um pouco atrasados", disse ele à BBC. "Com a Covid, precisamos lembrar que, quando você desenvolve os sintomas, pode ter sido infectado há algumas semanas. Portanto, é muito importante que essas proibições de viagens cheguem rapidamente para que possamos evitar qualquer risco." Ele também diz que os cientistas saberão "nos próximos dias" se a proibição teve "um efeito significativo" em conter a pandemia. Ele acrescenta que a nova variante "mais transmissível" do coronavírus encontrada no Brasil foi "detectada pela primeira vez em viajantes que iam a Tóquio" antes de ser rastreada até a América do Sul. VÍDEOS: Manaus vive colapso com hospitais sem oxigênio Initial plugin text Veja Mais

Taxa de transmissão da Covid-19 fica em 1,20 no Brasil, aponta Imperial College

Glogo - Ciência A estimativa significa que cada 100 pessoas infectadas no país contaminam outras 120. Mutação do coronavírus JN Menino de máscara em bicicleta passa em frente a grafite mostrando profissional de saúde injetando seringa de vacina em um coronavírus Sars-CoV-2 em Gaza, no dia 31 de dezembro. Mohammed Abed / AFP A taxa de transmissão (Rt) do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no Brasil está em 1,20, aponta o monitoramento do Imperial College de Londres, no Reino Unido, divulgado nesta semana. Isso significa que cada 100 pessoas com o vírus no país infectam outras 120. O levantamento considera os dados coletados até a segunda-feira (18). Pela margem de erro das estatísticas, essa taxa pode ser maior (Rt de até 1,27) ou menor (Rt de 0,87). Nesses cenários, cada 100 pessoas com o vírus infectariam outras 127 ou 87, respectivamente. Na semana passada, o Rt ficou em 1,21, podendo ser de 1,14 a 1,40 pela margem de erro. Em novembro, a taxa de transmissão chegou a 1,30, a maior desde o fim de maio. Os cientistas apontam que "a notificação de mortes e casos no Brasil está mudando; os resultados devem ser interpretados com cautela". Simbolizado por Rt, o "ritmo de contágio" é um número que traduz o potencial de propagação de um vírus: quando ele é superior a 1, cada infectado transmite a doença para mais de uma pessoa e a doença avança. Colapso em Manaus Paciente chega ao Hospital 28 de Agosto, em Manaus, em meio a novo surto de Covid-19, na quinta-feira (14). Michael Dantas/AFP Esta semana viu um cenário de caos em Manaus – onde a falta de oxigênio fez com que pacientes tivessem que ser transferidos para outros estados. Cilindros com o gás foram doados pela Venezuela. A tragédia também atingiu outras cidades amazonenses: em Coari, sete pessoas morreram por falta de oxigênio, segundo a prefeitura. Na quarta-feira (20), o Amazonas registrou mais de 5 mil novos casos de Covid, um recorde; 3,6 mil foram detectados em Manaus. Ao todo, o estado tem 238.980 casos e 6.598 mortes pela doença. Pesquisadores acreditam que a situação amazonense pode ser atribuída, em parte, a uma variante mais contagiosa do coronavírus detectada na região. No total, o Brasil já perdeu mais de 213 mil pessoas para a Covid-19. Também na quarta-feira, o país registrou o maior número de mortes em um dia desde agosto. O número de mortes é o segundo maior do mundo – atrás apenas dos Estados Unidos, que perderam mais de 400 mil cidadãos para a doença. Início da vacinação Esta semana também marcou o início da vacinação contra a Covid-19 em todos os estados e no Distrito Federal. A CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, já está sendo aplicada em grupos prioritários. As campanhas foram marcadas, entretanto, por uma série de atrasos e outros problemas de logística, como a falta de insumos. O Brasil precisa de matéria-prima que vem da China para que o Instituto Butantan, em São Paulo, consiga fabricar mais doses da CoronaVac. Governo de SP prevê receber insumo para 5,5 milhões de doses da CoronaVac na semana que vem As doses prontas da segunda vacina aprovada pela Anvisa, a vacina de Oxford, também tiveram a previsão de entrega atrasada para março. As doses, que são fabricadas na Índia, deveriam ser entregues neste mês, com distribuição da vacina em fevereiro. 00:00 / 25:59 VÍDEOS: novidades sobre as vacinas Veja Mais

A devastação na saúde mental de profissionais de saúde na pandemia de coronavírus: 'Um viu 8 morrerem no mesmo dia'

Glogo - Ciência Diretora de organização de apoio psicológico a profissionais de saúde no Reino Unido diz que muitos estão à beira do colapso, diante da devastação e da exaustão vivenciadas na pandemia; 'eles não querem ser aplaudidos, eles querem que as pessoas fiquem em casa'. "Eles (médicos e profissionais de saúde) estão de joelhos. Há uma quantidade enorme de ansiedade. As pessoas se sentem mal só de ter que ir trabalhar e pelo que vão ver ali" Getty Images via BBC Os quase 12 meses enfrentando a pandemia têm deixado profissionais de saúde de hospitais e lares para idosos à beira do colapso mental, advertiu à BBC a britânica Claire Goodwin-Fee, diretora de uma organização que oferece apoio psicológico gratuito a equipes médicas no Reino Unido. Sua organização, chamada Frontline19, tem atendido 1,8 mil desses profissionais por semana. Em depoimento à BBC, Goodwin-Fee explicou a dimensão dos problemas mentais e do fardo que têm sido vivenciados pelas equipes de saúde na linha de frente contra o coronavírus: 'As pessoas se sentem mal só de ter que ir trabalhar' "Eles (médicos e profissionais de saúde) estão de joelhos. Há uma quantidade enorme de ansiedade. As pessoas se sentem mal só de ter que ir trabalhar e pelo que vão ver ali. Eles veem múltiplas mortes em um único turno de trabalho. Outro dia, um (me disse que) viu oito ou nove pessoas morrerem. Outra pessoa entrou em contato conosco e disse: 'quando chegar a hora de voltar ao meu plantão, amanhã, sei que seis dos meus pacientes não vão mais estar vivos. Como lido com isso?' Equipes na linha de frente não estão tendo tempo de processar tudo. Então é trauma atrás de trauma atrás de trauma. E no entanto essas pessoas voltam para suas casas, jantam, tentam relaxar o máximo que conseguem, se desinfetam — o tempo todo se preocupando quanto a se vão contaminar as pessoas com as quais vivem. Alguns deles vão funcionar no piloto automático, até o momento em que ficarem fisicamente incapacitados, mas porque estão sendo empurrados ao limite. 'Ele colocou a cabeça na mesa, soluçou e disse: não aguento mais' Atendemos um médico que tem uma jovem família, mas está se mantendo distante deles e estava traumatizado pelo fato de ter perdido dois de seus colegas para a Covid-19. Em um dos turnos, ele logo cedo perdeu cinco pacientes, e logo que os leitos ficaram vagos, foram preenchidos com outros pacientes. Foi quando ele teve que telefonar para os parentes das pessoas que infelizmente haviam falecido. Ele disse que não estava preparado para aquilo — não sabia o que dizer. Ele desligou o telefone, colocou a cabeça na mesa, soluçou e disse: 'não aguento mais'. Paramédicos dizem que chegam à casa das pessoas, olham para elas e sabem que elas vão morrer, de tão doentes que estão. Um desses eventos pode acontecer, e você provavelmente consegue lidar com ele se tiver apoio adequado. Mas isso está acontecendo inúmeras vezes por turno. Como alguém consegue lidar com isso? Equipes de cuidados médicos domiciliares também tiveram muitas dificuldades durante esta pandemia. A dedicação e compaixão deles pelas pessoas de quem estão cuidando é incrível e inspiradora. Muitos se mudaram aos asilos porque não queriam arriscar a contaminação (nos deslocamentos). Alguns contam que perderam 70% das pessoas nesses lares. Lavaram e vestiram seus corpos, e são pessoas com as quais tinham uma relação: pessoas que ajudaram a alimentar, a cuidar, com quem conversavam e compartilhavam memórias. E daí têm de vesti-los para seus velórios, e voltar para casa ou ir para o andar de cima (do lar do idoso) e tentar relaxar. É horroroso, absolutamente horroroso. E lares de idosos foram ignorados por muito tempo e precisam de apoio. Segundo Goodwin-Fee, equipes médicas não estão tendo tempo ou condições de se recuperar dos eventos traumáticos que estão presenciando na pandemia Getty Images via BBC Há também médicos morando em garagens ou hotéis, mantendo-se distantes de seus entes queridos, porque sabem que a nova variante (do coronavírus) é mais contagiosa então precisam protegê-los — ao mesmo tempo em que têm de ser mães e pais, avós e avôs. E tem gente que diz 'a Covid-19 não existe'. Adoraria que as pessoas pudessem ver o que está acontecendo dentro das alas (hospitalares). É horrível. Conversei com algumas pessoas a respeito das iniciativas de aplaudir profissionais de saúde. Sei que a intenção é boa, mas as (equipes médicas) estão furiosas. Eles não querem aplausos. Eles querem que as pessoas fiquem em casa e, se tiverem de sair, que saiam de máscara. 'O sistema está começando a quebrar' Há equipes que já haviam passado por situações de terrorismo e nunca receberam apoio. Agora, com a pandemia, muitos desenvolveram algo chamado de TEPT complexo (TEPT é sigla de transtorno de estresse pós-traumático), que é quando alguém assiste a numerosas situações de estresse. Muitos continuam trabalhando, mesmo tendo o transtorno. Outros estão de licença médica, vivendo em total colapso mental, de tão traumatizados pelo que estão vendo. Mesmo com vacinas sistemas de saúde enfrentam graves obstáculos na pandemia PA Media O sistema de saúde está começando a quebrar, mas ainda vai piorar. Até outubro, o total de dias de licença médica por problemas de saúde mental (tirados por profissionais do sistema de saúde pública britânico) no NHS foi de 500 mil dias. Isso vai ser um problema maior no longo prazo e precisa ser enfrentado. É ótimo que as pessoas (equipes de saúde) estejam buscando ajuda (psicológica), mas às vezes ficamos sobrecarregados, porque a demanda é tão grande. (...) No longo prazo, o que vai acontecer com essas pessoas, que são a espinha dorsal do país?" Veja VÍDEOS sobre a vacina contra Covid-19 Veja Mais

Pesquisa indica que medicamento para artrite não é eficaz contra Covid-19

Glogo - Ciência Estudo foi publicado no British Medical Journal nesta quarta-feira (20). Pesquisadores avaliaram se medicamento, aliado a tratamento padrão, teria algum efeito em pacientes graves da doença. Descoberta fará parte de metanálise da OMS sobre a substância. Imagem criada pela Nexu Science Communication em conjunto com o Trinity College, em Dublin, mostra um modelo estruturalmente representativo de um betacoronavírus, que é o tipo de vírus vinculado ao COVID-19, mais conhecido como coronavírus vinculado ao surto atual. NEXU Science Communication/via REUTERS Um estudo realizado por hospitais de Porto Alegre e São Paulo junto com instituições de pesquisa constatou que um medicamento utilizado normalmente para tratar artrite não apresentou eficácia para combater a Covid-19 em casos graves. A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira (20) pelo British Medical Journal. A chamada Coalizão Covid-19, formada por Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – A Beneficência Portuguesa de SãoPaulo, o Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), avalia a eficácia de diferentes medicamentos no combate à doença. O mesmo grupo é responsável por um dos estudos que apontou que a hidroxicloroquina não tem efeito no tratamento da doença, publicado em julho do ano passado. A pesquisa publicada agora avaliou o uso do tocilizumabe, que tem a propriedade de inibir processos inflamatórios, como a artrite. A hipótese testada era de que o remédio poderia amenizar quadros de Covid-19, que causam respostas inflamatórias exacerbadas, conforme a coordenadora da UTI do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, Viviane Cordeiro Veiga, uma das autoras do estudo. O estudo, porém, constatou que houve aumento de óbitos entre pacientes que receberam o tocilizumabe, aliado ao tratamento padrão, em relação ao grupo que realizou apenas o tratamento padrão. Por segurança, a pesquisa foi interrompida. O mesmo medicamento foi testado em outros países e apresentou resultados positivos. Com isso, os dados levantados pela coalizão passarão por uma análise, realizada pela Organização Mundial da Saude (OMS). "Qual é a grande dúvida: ele [o medicamento] tem algum papel de benefício no paciente de Covid? E se tem, tem algum grupo de pacientes que teria benefício em usá-lo?", diz Viviane. Como foi o estudo Participaram da pesquisa 129 pacientes com Covid-19, entre maio e julho de 2020, internados em hospitais brasileiros, em estado grave ou crítico. A média de idade era de 57 anos. Eles foram divididos entre dois grupos. Um recebeu o tomicilizumabe associado ao tratamento padrão, e outro, apenas o tratamento padrão. Em 15 dias, 11 pessoas (17%) entre os pacientes que receberam o medicamento morreram, com quadro de insuficiência respiratória aguda ou disfunção de múltiplos órgãos relacionado à Covid-19. Já entre o grupo de controle, que não recebeu o remédio, duas pessoas (3%) morreram no período. A pesquisa foi interrompida por orientação do comitê independente de avaliação. "A gente avaliou todos os óbitos [de ambos os grupos] e também foi para o comitê independente. Não teve nenhum efeito diverso específico da droga que possa ter sido identificado", diz Viviane. Por isso, a hipótese do medicamento ter relação com as mortes é descartada, segundo a médica. Viviane observa que, considerando um período maior, de 28 dias, não foram registrados mais óbitos nem infecções secundárias nos dois grupos. Diferentes grupos da Coalização Covid-19 trabalham em estudos de outros medicamentos, como rivaroxabana e drogas antivirais para combate do coronavírus. VÍDEOS: RBS Notícias Initial plugin text Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 20 de janeiro, segundo consórcio de veículos de imprensa

Glogo - Ciência País contabilizou total de 211.646 óbitos e 8.579.575 casos de Covid-19. Casos e mortes por coronavírus no Brasil, segundo consórcio de veículos de imprensa O consórcio de veículos de imprensa divulgou novo levantamento da situação da pandemia de coronavírus no Brasil a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, consolidados às 13h desta quarta-feira (20). Desde o último balanço, às 20h de terça-feira (19), três estados atualizaram seus dados: GO, MS e PE. Veja os números consolidados: Mortes: 211.646 Casos: 8.579.575 Na terça-feira, às 20h, o país registrou 1.183 mortes pela Covid-19 nas 24 horas anteriores, chegando ao total de 211.511 óbitos desde o começo da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 969. A variação foi de +33% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de crescimento nos óbitos pela doença. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 8.575.742 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 63.504 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 54.321 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de +49% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de crescimento também nos diagnósticos. Treze estados estão com alta nas mortes: MG, RJ, SP, GO, MT, AM, RO, RR, TO, AL, PE, PI e SE. Brasil, 19 de janeiro Total de mortes: 211.511 Registro de mortes em 24 horas: 1.183 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 969 (variação em 14 dias: +33%) Total de casos confirmados: 8.575.742 Registro de casos confirmados em 24 horas: 63.504 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 54.321 por dia (variação em 14 dias: +49%) Estados Subindo (13 estados): MG, RJ, SP, GO, MT, AM, RO, RR, TO, AL, PE, PI e SE Em estabilidade (9 estados): RS, SC, ES, AP, PA, BA, CE, MA e RN Em queda (4 estados + DF): PR, DF, MS, AC e PB Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em queda Editoria de Arte/G1 Sul PR: -28% RS: 0% SC: -5% Sudeste ES: +10% MG: +77% RJ: +37% SP: +60% Centro-Oeste DF: -24% GO: +24% MS: -26% MT: +22% Norte AC: -43% AM: +164% AP: -6% PA: +13% RO: +33% RR: +33% TO: +142% Nordeste AL: +30% BA: +6% CE: -11% MA: +2% PB: -20% PE: +72% PI: +20% RN: -3% SE: +41% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

A vacina contra a Covid-19 será gratuita?

Glogo - Ciência Sim, ela será disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde. A vacina contra a Covid-19 será disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de forma gratuita, assim como outros imunizantes que fazem parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI) Além da vacina contra o coronavírus, o SUS e o PNI têm mais 19 tipos de imunizantes contra 20 tipos de doenças. VÍDEO: Vacinas são 'bens públicos', diz brasileira diretora de setor da OMS Poderei comprar a vacina? Ainda não há uma previsão de quando as clínicas particulares conseguirão comprar lotes das vacinas contra a Covid-19 que forem aprovadas no Brasil. Entretanto, no começo de janeiro, clínicas particulares brasileiras começaram a negociar a compra de cinco milhões de vacinas indianas contra a Covid. O imunizante, chamado de Covaxin, teve o seu uso emergencial na Índia aprovado, mas ainda não foi analisado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser usado no Brasil. A orientação dos órgão de saúde nacionais e internacionais é que todas as doses produzidas pelos laboratórios neste primeiro momento sejam direcionadas aos governos, com a finalidade de garantir que as pessoas dos grupos de risco sejam imunizadas o mais breve possível. Especialistas ouvidos pelo G1 defendem que a vacinação pelo SUS (Sistema Único de Saúde) deve ser prioritária. A imunização em clínicas privadas pode ser usada, no futuro, como uma estratégia complementar, afirmam, mas só depois que os grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde tenham o acesso à vacina garantido. "Nesse cenário de escassez de vacina, toda vacina possível tem que ser usada na rede pública. Mesmo que o setor privado use em grupos prioritários, ele está acrescentando um critério – que é o de poder pagar", explica o médico e advogado sanitarista Daniel Dourado, pesquisador da USP e da Universidade de Paris. Veja VÍDEOS da vacinação pelo Brasil Veja Mais

O jardineiro que descobriu a corrida aos 52 anos

Glogo - Ciência Dionízio Nobre vive em Teresópolis e treina todos os dias: “é como se antes estivesse na beira de um precipício”, diz Na volta desse breve recesso, quero compartilhar algumas histórias de pessoas que não são celebridades ou influenciadoras digitais, nem costumam frequentar as manchetes do noticiário. No entanto, todas têm o que nos ensinar sobre como envelhecer com alegria, propósito e amor à vida. Hoje e nas próximas três colunas, vocês vão conhecer e se encantar com as trajetórias de Dionízio, Carmem, Carlos e Shirley. Dionízio Nobre e as montanhas da Região Serrana do Rio: a descoberta da corrida aos 52 anos Acervo pessoal Dionízio Nobre se lembra bem do seu primeiro “serviço”: levar marmitas para os peões da fazenda. Com apenas 7 anos, equilibrava oito de cada lado – empilhadas, quase tocavam o chão. “Às vezes encostavam nas minhas pernas e me queimavam”, recorda. Mineiro de Manhumirim, foi com 17 anos que aprendeu a escrever seu nome. Tornou-se operário numa fábrica de banheiras de hidromassagem e a jardinagem surgiu como um bico para complementar a renda, mas a mão boa para lidar com plantas transformou a atividade em sua principal fonte de renda. Em Teresópolis, cidade da Região Serrana do Rio de Janeiro onde mora, ainda é vigia noturno num condomínio, numa escala de 12 horas de trabalho por 36 de folga. Cansado para fazer qualquer outra coisa? Aos 55 anos, abre um largo sorriso para falar da sua paixão: correr. Treino de 15 a 20 quilômetros de corrida por dia Acervo pessoal Ele comemorou o aniversário, em abril, no topo da principal montanha que compõe as Torres de Bonsucesso. São três: Ferro de Passar Roupa, Torre Central e Torre Maior, no Parque Estadual dos Três Picos, no quilômetro 28 da estrada que liga Teresópolis a Friburgo. No entanto, há três anos, pesava 96 quilos, 30 acima do que deveria. “Num determinado dia, estava sentado e, quando me levantei, fiquei zonzo. Foi quando decidi começar a caminhar e foi o que fiz: foram oito quilômetros. Naquele dia e nos seguintes. Em poucos meses voltava ao meu peso normal”, conta. Na verdade, foi muito além, tanto que Dionízio já alcançou a marca de 61.5 km de corrida, o que o coloca na posição de ultramaratonista. Integra a Equipe TereRun e treina com os demais integrantes três vezes por semana. Nos outros dias, costuma correr de 15 a 20 quilômetros sozinho, antes de começar a trabalhar – e também pedala. O próximo objetivo é, depois das chuvas de verão, fazer a travessia Petrópolis-Teresópolis, um clássico nacional de caminhada e montanhismo. Com 28 quilômetros de percurso, o trajeto normalmente é feito em dois ou três dias, mas o grupo quer completá-lo em 24 horas. Trajeto de 75 quilômetros de bike Acervo pessoal Vive com a mulher e os filhos mais novos, Mayara, de 21, e Madyson, de 12, e se descreve como um outro homem, que se alimenta e dorme melhor. “É como se antes estivesse na beira de um precipício. Comecei a caminhar e, depois, a correr, sempre com a ideia de chegar a algum lugar. É o que me leva adiante. Nem uso fone de ouvido porque quero ouvir os sons da natureza e, de repente, descobrir o canto de um pássaro que não conhecia. Temos o paraíso ao nosso alcance”, ensina. Dionízio num dos jardins sob sua responsabilidade em Teresópolis, no Rio de Janeiro Mariza Tavares Veja Mais

Coronavírus: A emocionante despedida de casal com Covid em 'último encontro' em hospital

Glogo - Ciência O casal, que tem coronavírus, teve um tempo "precioso" junto, diz a filha. Gerry e Barbara Jarrett foram internados com Covid-19 há duas semanas CHLOE KELJARRETT via BBC Um casal de idosos com coronavírus foi ajudado por um hospital a se despedir depois que a condição da mulher piorou. Gerry e Barbara Jarrett, de Bracknell, no Reino Unido, estavam em alas separadas no Frimley Park Hospital, em Surrey. A filha deles, Chloe, que postou uma foto do encontro no Twitter, disse que sua mãe "parecia estar no fim de seus dias". Ela disse que seus pais tiveram um "precioso" tempo extra juntos, graças aos "incríveis" esforços do hospital. Keljarrett disse que seu pai de 79 anos e sua mãe, de 76, que estão juntos há 50 anos, foram internados no hospital com covid-19 há duas semanas. Na terça-feira, ela postou: "No meio de um pico de pandemia, a equipe (ou seja, um consultor, um cirurgião e um enfermeiro) da FPH apenas garantiu que meu pai visse minha mãe pelo que provavelmente foi a última vez." Ela disse que outro encontro aconteceu na quarta-feira, quando "mamãe parecia estar no fim de seus dias". "Papai foi empurrado para dentro, chorando, tocou sua mão e seus olhos se abriram. Ela estava acordada e brilhante e podia falar", contou. "Tivemos uma ou duas horas extras antes que sua respiração piorasse novamente e pudéssemos dizer o que queríamos", acrescentou. "Tudo graças ao pessoal que tornou esses encontros possíveis. Nos tempos atuais, acho isso incrível", finalizou. 'Limites emocionais' Keljarrett disse que seu pai estava "mostrando sinais de melhora, mas tem uma longa jornada para completar". "Ele tem uma série de outros problemas de saúde que tornarão a recuperação um pouco mais complicada, mas tenho que ter certeza de que ele vai superar esse vírus horrendo", acrescentou. Ela disse que conheceu funcionários de hospitais que estavam "fazendo turnos duplos inesperados" devido à falta de pessoal. "Não sei como eles estão administrando tal compaixão quando são forçados a atingir seus limites emocionais e físicos", disse. Em resposta à postagem de Keljarrett no Twitter, o hospital escreveu: "Nossos corações estão com você e sua família". "Estamos muito felizes que nossa equipe tenha conseguido tornar este momento um pouco mais fácil para todos vocês". "Este é realmente um dos cuidados que prestamos que mais importa." VÍDEOS: Novidades sobre a vacina contra Covid-19 Veja Mais

Uso emergencial de vacinas contra a Covid-19: como funciona

Glogo - Ciência Anvisa aprovou neste domingo (17) o uso emergencial de 8 milhões de doses importadas da CoronaVac e da vacina de Oxford. Esse tipo de vacinação tem regras próprias. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou neste domingo (17), por unanimidade, o uso emergencial de duas vacinas contra a Covid-19 no Brasil. São elas: a CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan e pelo grupo chinês Sinovac; a vacina de Oxford, desenvolvida pela universidade britânica e pelo laboratório AstraZeneca. A autorização é limitada a 8 milhões de doses importadas e foi concedida a pedido do Butantan e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que será a fabricante da vacina de Oxford no Brasil. São 6 milhões da CoronaVac, que o Butantan já recebeu da China e que serão entregues ao Ministério da Saúde, e 2 milhões de doses da vacina de Oxford que o governo federal ainda tenta trazer da Índia. A operação que faria o traslado neste fim de semana fracassou. O uso emergencial tem regras próprias e não significa que a população em geral pode ser vacinada a partir de agora. Para isso, é necessário que a Anvisa conceda o registro definitivo das vacinas, o que ainda não ocorreu. Veja, abaixo, as regras do uso emergencial: a Anvisa só avalia o uso emergencial de vacinas que foram testadas na fase 3, a última, aqui no Brasil; 4 vacinas se encaixam neste critério até agora: CoronaVac, Oxford, Pfizer e Janssen; a vacinação emergencial é feita exclusivamente no sistema público de saúde; o uso emergencial é liberado apenas para o público previamente definido; a autorização concedida pela Anvisa pode ser revogada a qualquer momento; cada pedido deve ser feito pela empresa desenvolvedora da vacina e será analisado de forma independente; a decisão é tomada pela Diretoria Colegiada da Anvisa; são considerados estudos não-clínicos e clínicos (em humanos); são avaliados itens como: qualidade, boas práticas de fabricação, estratégias de monitoramento e controle, resultados provisórios de ensaios clínicos; a empresa interessada deverá comprovar que a fabricação e a estabilidade do produto garantem a qualidade da vacina. VÍDEOS: mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias Veja Mais

Mundo não está fazendo o suficiente para frear a pandemia, diz OMS

Glogo - Ciência Entidade alerta que a vacina não é a única solução contra a Covid-19. Número de mortos por coronavírus em todo o mundo passou de 2 milhões, segundo o balanço da Universidade Johns Hopkins Mundo tem mais de 2 milhões de mortos por Covid-19, afirma universidade O diretor de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, disse nesta sexta-feira (15) que ninguém no mundo está fazendo o suficiente para conter a pandemia da Covid-19. “O vírus está explorando a nossa falta de comprometimento, a nossa mudança de comportamento”. Ryan explicou que o aumento de casos no mundo está acontecendo porque as pessoas estão relaxando, estão reduzindo o distanciamento físico e que a vacina não é a única solução contra a pandemia. Segundo a Universidade Johns Hopkins, o mundo tem mais de 2 milhões de mortos pela Covid-19. “A vacina é a luz no fim do túnel, um grande avanço, mas não é solução para todos os problemas, precisamos continuar com as medidas de prevenção que já temos”, alertou o diretor. VACINAÇÃO: veja perguntas e respostas E completou: “mesmo que as vacinas sejam eficientes, as pessoas precisam ser vacinadas, os países precisam receber as vacinas, precisamos imunizar os profissionais da saúde e as pessoas mais vulneráveis”. Líder técnica da entidade, Maria van Kerkhove disse que o túnel que estamos percorrendo é longo e perigoso, mas que os países têm ferramentas para atravessar. “Não podemos esquecer as ferramentas que já temos. Queremos que isso acabe logo, estamos cansados, mas precisamos de ação coletiva para colocar um fim na pandemia”. Vacinação contra a Covid nos EUA REUTERS/File Photo Vacinação em 100 dias O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu que as campanhas de vacinação contra a Covid-19 comecem em todo o planeta nos próximos 100 dias. "Quero ver vacinações em andamento em todos os países nos próximos 100 dias, para que os profissionais da saúde e os [cidadãos] de alto risco sejam protegidos em primeiro lugar", disse. A OMS disse que espera começar a vacinação em países pobres e de renda média baixa em fevereiro, através da aliança Covax – uma iniciativa da organização para garantir o acesso equitativo a uma futura vacina da Covid-19. VÍDEOS: Novidades sobre a vacina Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 15 de janeiro, segundo consórcio de veículos de imprensa

Glogo - Ciência País contabilizou total de 207.183 óbitos e 8.328.061 casos de Covid-19. Casos e mortes por coronavírus no Brasil, segundo consórcio de veículos de imprensa O consórcio de veículos de imprensa divulgou novo levantamento da situação da pandemia de coronavírus no Brasil a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, consolidados às 13h desta sexta-feira (15). Desde o último balanço, às 20h de quinta-feira (14), dois estados atualizaram seus dados: CE e MS. Veja os números consolidados: Mortes: 207.183 Casos: 8.328.061 Na quinta-feira, às 20h, o país registrou 1.151 mortes pela Covid-19 nas 24 horas anteriores, chegando ao total de 207.160 óbitos desde o começo da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 1.000. A variação foi de +42% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de crescimento nos óbitos pela doença. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 8.326.115 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 68.656 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 56.453 novos diagnósticos por dia --voltando a bater o recorde desde o início da pandemia e pela primeira vez ficando acima da marca de 55 mil. Isso representa uma variação de +57% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de crescimento também nos diagnósticos. Doze estados estão com alta nas mortes: PR, MG, RJ, SP, GO, MT, AM, AP, TO, CE, PE e SE. Brasil, 14 de janeiro Total de mortes: 207.160 Registro de mortes em 24 horas: 1.151 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 1.000 (variação em 14 dias: +42%) Total de casos confirmados: 8.326.115 Registro de casos confirmados em 24 horas: 68.656 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 56.453 por dia (variação em 14 dias: +57%) Estados Subindo (12 estados): PR, MG, RJ, SP, GO, MT, AM, AP, TO, CE, PE e SE Em estabilidade (13 estados + DF): RS, SC, ES, DF, MS, PA, RO, RR, AL, BA, MA, PB, PI e RN Em queda (1 estado): AC Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Estado com mortes em queda Editoria de Arte/G1 Sul PR: +105% RS: +3% SC: -8% Sudeste ES: +4% MG: +51% RJ: +64% SP: +55% Centro-Oeste DF: -13% GO: +132% MS: -15% MT: +21% Norte AC: -31% AM: +187% AP: +30% PA: +13% RO: +4% RR: -14% TO: +185% Nordeste AL: +14% BA: +2% CE: +98% MA: -4% PB: -5% PE: +50% PI: -4% RN: -1% SE: +43% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Casos e mortes por coronavírus no Brasil, segundo consórcio de veículos de imprensa Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 21 de janeiro, segundo consórcio de veículos de imprensa

Glogo - Ciência País contabilizou total de 213.180 óbitos e 8.655.512 casos de Covid-19. Casos e mortes por coronavírus no Brasil, segundo consórcio de veículos de imprensa O consórcio de veículos de imprensa divulgou novo levantamento da situação da pandemia de coronavírus no Brasil a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, consolidados às 13h desta quinta-feira (21). Desde o último balanço, às 20h de quarta-feira (20), sete estados atualizaram seus dados: CE, GO, MG, MS, PE, RN e TO. Veja os números consolidados: Mortes: 213.180 Casos: 8.655.512 Na quarta-feira, às 20h, o país registrou 1.382 mortes pela Covid-19 nas 24 horas anteriores, chegando ao total de 212.893 óbitos desde o começo da pandemia. É o maior número de óbitos registrado em 24 horas desde o dia 4 de agosto, quando a marca foi de 1.394. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 983. A variação foi de +33% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de crescimento nos óbitos pela doença. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 8.639.868 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 64.126 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 54.630 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de +50% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de crescimento também nos diagnósticos. Doze estados estão com alta nas mortes: MG, RJ, SP, GO, MT, AM, RO, RR, TO, AL, PE e SE. Brasil, 20 de janeiro Total de mortes: 212.893 Registro de mortes em 24 horas: 1.382 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 983 (variação em 14 dias: +33%) Total de casos confirmados: 8.639.868 Registro de casos confirmados em 24 horas: 64.126 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 54.630 por dia (variação em 14 dias: +50%) Estados Subindo (12 estados): MG, RJ, SP, GO, MT, AM, RO, RR, TO, AL, PE e SE Em estabilidade (9 estados): PR, RS, ES, AP, PA, BA, MA, PI e RN Em queda (5 estados + DF): SC, DF, MS, AC, CE e PB Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em queda Editoria de Arte/G1 Sul PR: +5% RS: +1% SC: -17% Sudeste ES: -7% MG: +78% RJ: +28% SP: +59% Centro-Oeste DF: -31% GO: +29% MS: -27% MT: +34% Norte AC: -58% AM: +175% AP: -6% PA: +14% RO: +23% RR: +217% TO: +100% Nordeste AL: +29% BA: +6% CE: -50% MA: -2% PB: -20% PE: +64% PI: +8% RN: -8% SE: +30% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Coronavírus em Manaus: 'Meu irmão morreu de Covid em hospital particular, e a conta é de R$ 180 mil'

Glogo - Ciência Tragédia familiar ilustra o impacto emocional e também financeiro do colapso no sistema de saúde da capital amazonense. Os irmãos Victor e Gabriela, à esquerda, morreram em um intervalo de 4 dias por complicações ligadas à covid-19 Arquivo Pessoal A tragédia familiar vivida pelo advogado Amaury Andreoletti ilustra o impacto emocional e também financeiro do colapso no sistema de saúde de Manaus (AM). Andreoletti, que chegou a ficar quatro dias internado e se recuperou, viu a mãe, a irmã e o irmão serem hospitalizados simultaneamente nas últimas semanas após testarem positivo para o coronavírus.  A mãe teve alta após quase duas semanas no hospital estadual Delphina Aziz, centro de referência para tratamento de covid-19 no Estado. A irmã, que teve crises de pânico na UTI superlotada do mesmo hospital, não resistiu no último dia 13. RECORDE: Amazonas registra mais de 5 mil novos casos de Covid INTERIOR: Defensores públicos denunciam morte de 30 pacientes Quatro dias, no último domingo, foi a vez do irmão, que não havia conseguido vaga na rede pública e estava internado havia 18 dias em estado grave em um hospital particular. O valor das diárias na UTI é de R$ 10 mil. Agora, junto ao luto da perda de dois irmãos a covid-19 em três dias, Andreoletti também lida com uma dívida de R$ 180 mil. Conta hospitalar A internação do irmão, o ex-jogador da seleção amazonense de pôquer Victor Hugo Andreoletti, aconteceu na véspera da noite de Réveillon.  Àquela altura, 7 dos 11 hospitais particulares de Manaus já não tinham vagas e a ocupação de leitos em UTIs públicas era de quase 95%, segundo o boletim epidemiológico oficial do Estado. "Meu irmão era o 59º na lista de espera do Estado. Ficamos aguardando, meu irmão esperando um leito, e o quadro só se agravando. No dia 30, conseguimos um leito para ele em um hospital particular. Eu tinha ido a todos os hospitais e nenhum tinha vagas. Quando essa apareceu, tivemos que fazer o esforço para colocar ele lá", conta Andreoletti à BBC News Brasil por telefone. Desde a internação, o advogado vinha se revezando entre idas aos hospitais onde os parentes estavam internados e formas de arrecadar fundos para o pagamento das diárias do irmão. Pelas redes sociais, amigos e colegas de trabalho fizeram campanhas de financiamento coletivo para o custeio da dívida. "Venho vendendo carro, imóveis. Hoje eu não tenho um aporte para fazer", contou Andreoletti à BBC News Brasil. "Neste momento, estou chegando na casa da minha tia para deixar documentos para que ela faça um financiamento para ajudar a pagar as diárias do meu irmão." Hospitais privados O desafio financeiro da família não é caso isolado na cidade. Até o fechamento da reportagem, segundo dados oficiais, apenas 6 dos 324 leitos privados de UTI destinados ao tratamento da doença estavam disponíveis. Na rede estadual, a situação era similar: 7 leitos de UTI livres, de um total de 368. Segundo relatos de médicos e pacientes ouvidos ao longo das últimas semanas pela BBC News Brasil, hospitais da rede privada do município têm cobrado antecipadamente das famílias de pacientes com coronavírus. Número de casos e mortos subiu muito em Manaus nos últimos dias Reuters Os valores antecipados variam entre R$ 50 mil e R$ 100 mil. Junto aos preços das internações e à pressão nos corredores de hospitais, cresce também o número de mortes registradas dentro de casa em Manaus. Em dezembro, segundo o jornal O Globo, pelo menos 213 pessoas morreram em seus lares — o dobro da média em meses anteriores. Na última semana, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana da Prefeitura de Manaus, a média diária tem sido próxima a 30 mortes domiciliares. Os óbitos incluem casos confirmados de covid-19 e outras doenças. Como há escassez de exames disponíveis, nem todos os mortos passam por testes para identificar a doença respiratória. Até o fechamento desta reportagem, mais de 4,1 mil pessoas haviam morrido e mais de 232 mil testaram positivo para a doença na capital amazonense desde o início da pandemia.  Respeito a distanciamento e máscaras Abalado, o advogado tem dado prioridade à mãe, Leide, que perdeu dois filhos menos de uma semana depois de ter sido liberada do hospital. "Mamãe conseguiu 'falar' com ela por videochamada e orientou, pediu para ela ter calma, para ter fé em Deus que tudo aquilo ia passar. Nesse mesmo dia minha irmã faleceu."  "Somos só três filhos: eu, o Victor e a Gabriela. A barra da minha mãe é muito maior que a de todos nós", diz. Gabriela Andreolli era produtora cultural e, como aconteceu com o irmão, sua morte gerou dezenas de homenagens em redes sociais. "Minha irmã morreu por parada cardíaca, mas o que a levou foi o emocional. Ela estava muito nervosa, tinha crises de ansiedade que só agravavam o quadro dela", afirma. "A situação na UTI lotada só deixa a pessoa mais nervosa." A peregrinação por unidades de emergência, desde a própria internação até a busca por boletins e notícias sobre os familiares nos últimos dias, trouxe ao advogado uma percepção singular sobre a gravidade da situação na capital do Amazonas. Em 2021, Manaus voltou a ter dezenas de enterros por causa da covid Reuters "Tudo aqui está um caos. Tem gente morrendo por asfixia, eu presenciei quando visitei minha mãe. As pessoas já chegam em estado muito crítico e não são atendidas por que não tem vaga", diz o advogado à reportagem. "Quando fui sepultar minha irmã tinha câmara frigorífica no cemitério. Tinha também no hospital de referência. Essa segunda onda está muito mais forte que a primeira."  Lembrando que ainda tem tios e primos lutando contra o coronavírus,  Andreoletti diz que "cada habitante de Manaus hoje tem um amigo, conhecido ou parente acometido ou que veio a óbito, coisa que não aconteceu na primeira onda". À reportagem o advogado ressalta que toda a família sempre respeitou orientações de médicos e cientistas para o controle da pandemia, como usar máscaras em locais públicos, lavar as mãos frequentemente, manter distância de outras pessoas e ficar em casa o máximo possível. "Se você perguntar se todos nós estávamos juntos em festas de Natal e Ano Novo, a resposta é não", frisa. "Foram infecções em lugares e ambientes diferentes. Mesmo tomando todo o cuidado." Apelo Enquanto a situação se agrava em outras partes do país, o advogado faz um apelo. "Se pudesse aconselhar e se me ouvissem, pediria realmente que fiquem em casa. Só sair quando for extremamente necessário, quando você perde um conhecido ou um amigo que você não tem afinidade, não bate. A realidade só bate quando você perde um ente querido", afirma. Ele lembra que, há menos de 10 dias, festas clandestinas ainda eram frequentes em diferentes pontos de Manaus.  Nas últimas semanas, o Amazonas enfrentou duro aumento de casos de covid-19 Reuters Diante do aumento de casos como os registrados na família do advogado no fim do ano passado, o governador Wilson Lima chegou a anunciar o fechamento de restaurantes e bares na cidade e proibição de eventos que envolvem aglomerações, como casamentos e formaturas.  Em 26 de dezembro, protestos contra a medida, incentivados por apoiadores e parlamentares bolsonaristas, foram registrados em diferentes locais da cidade. Comerciantes e funcionários diziam que precisavam vender estoques comprados para abastecer as festas de fim de ano. Em 28 de dezembro, sob pressão, o governador recuou e permitiu a reabertura do comércio. Uma semana depois, sob relatos de caos instalado nos hospitais, o governo obedeceu a um mandado judicial emitido a pedido do Ministério Público do Estado e suspendeu todas as atividades não essenciais.  "O pessoal só vai realmente acreditar quando acontecer, quando um familiar, uma mãe, um pai e um irmão estiverem nessa situação. E aí já pode ser tarde", diz Andreoletti. "Por favor, fiquem em casa." VÍDEOS: Manaus vive colapso com hospitais sem oxigênio Initial plugin text Veja Mais

Epidemiologista que alertava contra Covid-19 perde pai que 'preferia acreditar no WhatsApp'

Glogo - Ciência Epidemiologista Maria Cristina Willemann relata a dor da morte do pai, de 65 anos, que ignorou cuidados relacionados ao novo coronavírus. Maria Cristina e Cesar no baile de formatura dela em enfermagem: ele demonstrava orgulho da profissão da filha Arquivo Pessoal Desde os primeiros casos confirmados do novo coronavírus no país, no fim de fevereiro de 2020, a enfermeira e epidemiologista Maria Cristina Willemann tem alertado os moradores de Santa Catarina sobre a importância de adotar medidas para conter a propagação do vírus. Com mestrado e experiência em epidemiologia (área que estuda o processo de doenças em populações e propõe estratégias para controlá-las), ela tem sido entrevistada por diversos veículos de comunicação desde o começo da pandemia. Em 10 de agosto, por exemplo, Maria Cristina fez um alerta sobre o avanço do novo coronavírus em Santa Catarina em uma reportagem do Jornal Hoje, da Rede Globo. "É importante que a população entenda que nós ainda estamos em franca expansão da pandemia em nosso Estado e é preciso tomar cuidado. Não frequentem locais que não estejam adequados. Não frequentem locais onde pode haver qualquer aglomeração de pessoas", disse em entrevista ao telejornal. No dia seguinte ao alerta dado no telejornal, a profissional de saúde vivenciou as consequências da Covid-19 em sua própria família: o pai dela, o aposentado Cesar Willemann, de 65 anos, foi internado em estado grave com a doença. Dias depois, ele morreu. Para a epidemiologista, a situação do pai ilustra os riscos da falta de prevenção à doença causada pelo novo coronavírus. Segundo ela, o aposentado contraiu o Sars-Cov-2 (nome oficial do vírus) porque não seguiu as orientações sanitárias dadas pela própria filha. "É muito frustrante saber que estou desde o começo da pandemia trabalhando para evitar o adoecimento das pessoas, mas não consegui convencer o meu próprio pai a seguir as medidas adequadas. É um misto de frustração e raiva", desabafa Maria Cristina em entrevista à BBC News Brasil. Maria Cristina e o pai: ela afirma que ele sempre foi muito amoroso com as duas filhas Arquivo Pessoal A desinformação durante a pandemia Nas primeiras semanas da pandemia, em março, Cesar ficou isolado em casa junto com a esposa, em Lages (SC). Maria Cristina conta que a comoção mundial em decorrência do novo coronavírus preocupou o pai. Nos meses seguintes, porém, ele voltou a sair de casa. "Aos poucos, ele foi voltando à rotina normal. Como ele saía de casa várias vezes e não pegava o coronavírus, pode ter pensado que não pegaria em nenhum momento. Então, cada vez mais foi voltando às atividades de antes", diz a epidemiologista. Maria Cristina acredita que notícias negacionistas sobre o novo coronavírus, compartilhadas massivamente no WhatsApp e nas redes sociais, fizeram com que o pai duvidasse dos riscos da Covid-19. "Acho que muitas pessoas morrem por pensar, como o meu pai, que não vai acontecer com elas. Essas pessoas podem pensar que estão protegidas de alguma forma, acreditam que algum tratamento funciona ou pensam que há uma imunidade de rebanho que irá protegê-las", declara a epidemiologista. Em relação à imunidade coletiva da Covid-19, pesquisadores apontam que ela somente existirá quando grande parte da população for vacinada contra o novo coronavírus. E em relação aos tratamentos que circulam pela internet e costumam ser defendidos até mesmo por profissionais de saúde, entidades médicas apontam que não há, até o momento, remédio eficaz para a Covid-19. Os medicamentos recomendados por especialistas no momento, que não incluem cloroquina, ivermectina ou azitromicina, servem somente para amenizar os sintomas, como febre ou tosse. César acreditava que a cloroquina, defendida intensamente pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo Ministério da Saúde, poderia salvá-lo da Covid-19. Porém, a filha tentava alertá-lo que os estudos comprovam que o medicamento não ajuda pacientes com o novo coronavírus e explicava que as entidades médicas não recomendam o remédio contra o Sars-Cov-2. "Por mais que eu falasse tudo pelos critérios científicos, ele preferia acreditar nas conversas dos amigos, nas mensagens de WhatsApp... Ele pensava: se para tudo tem um tratamento, por que para a Covid não vai ter?", relata a epidemiologista. "Ele recebia as informações falsas, como sobre a cloroquina, pelo WhatsApp, que era o meio de comunicação que ele mais usava. Por mais que dissessem na televisão que não tinha evidência científica sobre a cloroquina, ele preferia acreditar no WhatsApp", acrescenta Maria Cristina. Segundo a epidemiologista, o aposentado não se considerava um fiel seguidor do presidente. "Mas como a maioria da população, o meu pai acreditava nele (Bolsonaro). Ele via as coisas que o presidente falava em defesa da cloroquina e acreditava", diz. Desde o início da pandemia, epidemiologista tem dado diversas entrevistas para orientar a população sobre os cuidados para evitar a propagação do coronavírus Arquivo Pessoal Para ampla maioria dos especialistas, Bolsonaro atrapalhou o combate à pandemia. Desde os primeiros casos no país, o presidente mostrou-se contrário às medidas recomendadas por especialistas para conter a propagação do coronavírus. Por diversas vezes, ele criticou o isolamento social, atacou o uso de máscaras e desdenhou da CoronaVac, que nesta semana se tornou a primeira vacina a ser aplicada no país. Levantamentos apontam que as medidas de isolamento social foram seguidas em menor escala por aqueles que deram ouvidos à postura negacionista de Bolsonaro. Um exemplo dessa situação foi demonstrado no estudo "Ideologia, isolamento e morte: uma análise dos efeitos do bolsonarismo na pandemia de Covid-19", abordado em reportagem da Folha de S.Paulo em meados do ano passado. O levantamento, divulgado em junho por pesquisadores da Universidade Federal do ABC (UFABC), da Fundação Getúlio Vargas e da Universidade de São Paulo, apontou que a taxa de isolamento social diminuiu e mais pessoas morreram proporcionalmente nos municípios que mais votaram em Bolsonaro em 2018. O bar do dominó Na região em que morava, César era considerado um dos melhores jogadores de dominó. Durante a pandemia, conta Maria Cristina, ele continuou frequentando um bar para praticar a atividade. A filha acredita que foi justamente isso que fez com que o idoso contraísse o coronavírus. "Tenho plena convicção de que ele contraiu o coronavírus no bar. Soube que muitos frequentadores do local também adoeceram no mesmo período, porque (entre o fim de julho e o começo de agosto) foram semanas de altíssima transmissão do vírus em Lages", diz a epidemiologista. "O bar era um local fechado, com algumas janelas abertas. Havia uma placa que dizia que o uso da máscara era obrigatório, mas não era isso que acontecia na prática, porque as pessoas bebiam e jogavam ao mesmo tempo. O meu pai, com certeza, jogava sem máscara", acrescenta Maria Cristina. Ela comenta que ainda que estivesse com máscara, Cesar não se preocupava em usá-la adequadamente. "Ele se sentia incomodado e deixava o nariz pra fora", relata. Em 9 de agosto, o aposentado passou o Dia dos Pais sem abraçar as duas filhas. Ele ficou isolado, porque estava com sintomas da Covid-19, como dores fortes nas costas e cansaço extremo. Mas o aposentado não reclamou da situação para Maria Cristina. "Talvez encarar a filha epidemiologista, que tanto assustou, brigou, gritou, chorou e implorou para que ele se cuidasse não estava nos seus planos", desabafa a epidemiologista. A mãe de Maria Cristina também apresentou sintomas da Covid-19, mas não desenvolveu quadro grave. "Os meus pais não contavam muito sobre o que faziam, mas eles já estavam indo a vários lugares. O meu pai era o que mais saía. Eles não me falavam sobre isso porque tinham medo de que eu brigasse", diz a epidemiologista. 'Frustrada profissionalmente e individualmente' Os sintomas de Cesar se intensificaram em 11 de agosto. Ele precisou ser internado. Os exames apontaram que quase 50% dos pulmões dele haviam sido comprometidos. Posteriormente, os médicos confirmaram que ele havia sido infectado pelo novo coronavírus. A situação do idoso se agravou. Maria Cristina comenta que o pai chegou a criticar o fato de não ser tratado com a cloroquina. "Não usaram a cloroquina com ele porque não havia evidência sobre a eficácia dela. Adotavam apenas como teste, em alguns casos, e o meu pai não tinha boa condição de saúde para isso (para usar o medicamento), porque ele consumia muita bebida alcoólica e tinha comprometimento no fígado", relata. Além de ser idoso, César também era obeso e tinha pressão alta — fatores de risco para a Covid-19. "Mas ele poderia viver muito tempo ainda, caso não tivesse sido infectado pelo coronavírus. Esses problemas de saúde que ele já tinha não o levariam assim, tão novo, tão rápido e tão friamente. Os pais dele têm 95 (o pai) e 89 (a mãe) e ainda estão aqui", diz a epidemiologista. Pais posam com Maria Cristina em Brasília: ela estudou epidemiologia no Ministério da Saúde, pouco após concluir o curso de enfermagem Arquivo Pessoal Dias depois de ser internado, o idoso foi intubado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Por 12 dias, ele lutou pela vida. "Eu tinha esperanças e rezava para que ele se recuperasse. Porém, era só analisar os dados para saber que ele tinha todos os fatores de risco de óbito: idade de risco, homem, obeso, comorbidade e comprometimentos causados pelo consumo de álcool", relata Maria Cristina. Em 25 de agosto, o aposentado morreu. Ele foi enterrado em caixão fechado, sem direito a velório ou qualquer despedida — medida adotada para evitar a propagação do coronavírus. "Os amigos que ele tanto cultivou não se despediram. E eu também não falei com ele. Sinto que ele se foi muito bravo comigo, por eu ter feito um estardalhaço para que ele fosse internado, mesmo ele não querendo e achando que estava bem. Mas eu sabia que ele estaria bem assistido na internação. Porém, isso não bastou (para salvar o idoso)", emociona-se Maria Cristina. O último encontro dela com o pai foi em julho, quando a epidemiologista, que mora em Florianópolis, passou duas semanas em isolamento junto com o filho e o marido para que pudesse viajar para Lages, na serra catarinense. Apesar dos impasses em relação aos cuidados referentes à Covid-19, Maria Cristina comenta que o pai demonstrava orgulho da carreira que ela seguiu na área da saúde. Ela, que hoje tem 35 anos, se formou em Enfermagem aos 22, depois se especializou em epidemiologia e hoje é considerada uma das referências na área em Santa Catarina. "O meu pai sempre gostava de falar de mim para as outras pessoas. Mas ele não entendia direito o que era a epidemiologia e me pedia para escrever certinho o que era para poder explicar para os outros", relembra, emocionada, a profissional de saúde. Ao falar sobre as circunstâncias da morte do pai, Maria Cristina afirma que se sente frustrada "profissionalmente e individualmente". "Do que adianta estudar tanto e não conseguir evitar que ele adoecesse?", se questiona a epidemiologista. "As desinformações nas redes deturpavam todas as medidas que eu falava para o meu pai adotar. Não dá para competir (com fake news). As pessoas acreditam naquilo que querem. Essa confusão de comunicação de risco que temos no Brasil matou o meu pai", diz Maria Cristina. Vídeos: novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Veja Mais

Vacina da Pfizer conseguiu neutralizar mutação do coronavírus em laboratório, dizem cientistas da farmacêutica

Glogo - Ciência Soro da vacina neutralizou a variante B.1.1.7, que foi detectada pela primeira vez no Reino Unido. Resultados dos testes foram divulgados em versão prévia, sem revisão por outros pesquisadores e nem publicação em revista científica. Vários países europeus decretaram medidas mais rígidas para combater a variante. Reprodução em 3D do modelo do novo coronavírus (Sars-CoV-2) criada pela Visual Science. Dentro do verde mais claro, as bolinhas vermelhas representam o 'centro' do vírus, o genoma de RNA; as bolinhas verdes são proteínas 'especiais', que protegem esse material genético. Ao redor do verde, o vermelho mais fraco é a 'casca', feita de uma membrana retirada da célula hospedeira. O vermelho mais vivo são as proteínas 'matrizes' codificadas pelo vírus. As 'pontas' que saem do vírus são as 'lanças de proteínas', que o vírus usa para se conectar às células hospedeiras e infectá-las. Reprodução/Visual Science Cientistas das farmacêuticas Pfizer e BioNTech afirmam que a vacina contra a Covid-19 desenvolvida por eles conseguiu neutralizar uma mutação do coronavírus em laboratório. Os resultados dos testes foram divulgados na terça-feira (19) em versão prévia, sem revisão por outros pesquisadores e nem publicação em revista científica. Segundo o estudo, a vacina neutralizou a variante B.1.1.7 do vírus, que foi detectada pela primeira vez no Reino Unido. Para descobrir se a vacina era capaz de combater a variante do vírus, os cientistas usaram soros de 16 participantes dos ensaios clínicos. Os soros conseguiram neutralizar tanto a B.1.1.7 quanto a versão "de referência" do vírus – de Wuhan, na China, onde os primeiros casos de Covid-19 no mundo foram detectados. "Os soros imunes tinham títulos [concentrações] neutralizantes equivalentes para ambas as variantes", disseram os pesquisadores. Para os cientistas, esses dados, junto com a imunidade gerada pela vacina, "tornam improvável que a linhagem B.1.1.7 escape da proteção" induzida por ela. A vacina também já havia se mostrado eficaz contra outras mutações do vírus, em um estudo divulgado há duas semanas. A pesquisa também não foi publicada em revista científica. A vacina da Pfizer, apesar de ter sido uma das quatro que foram testadas no Brasil, não está disponível no país. Até agora, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu aprovação de uso emergencial a duas vacinas: a CoronaVac e a de Oxford. A primeira, desenvolvida na China, já está sendo aplicada; a segunda, entretanto, tem previsão de chegada apenas em março. Resultados A vacina da Pfizer teve os resultados preliminares de fase 3 dos testes publicados em dezembro. Segundo os testes, a vacina teve 95% de eficácia. Se uma vacina tem 95% de eficácia, isso significa que, nos testes, ela conseguiu reduzir em 95% a quantidade de casos que ocorreriam se as pessoas não tivessem sido vacinadas. A vacina usa a tecnologia de mRNA, o RNA mensageiro, para induzir a imunidade ao coronavírus. (Veja vídeo abaixo). Vacina da Pfizer contra Covid usa tecnologia chamada de RNA mensageiro; veja como funciona Tecnologia de vacinas de RNA mensageiro não é nova, diz pioneiro da técnica O imunizante já foi aprovado e está sendo aplicado no Reino Unido, na União Europeia, nos Estados Unidos, no Canadá e em outros países. Mais contagiosa Pessoa anda sozinha em frente ao Portão de Brandemburgo, em Berlim, em ruas vazias por causa das restrições contra a Covid-19, no dia 19 de janeiro. Stefanie Loos/AFP Quando a B.1.1.7 surgiu, cientistas logo levantaram a possibilidade de que ela fosse mais contagiosa do que as anteriores. Até agora, ela já foi detectada em 60 países, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Um desses países é o Brasil. Não há ainda, entretanto, prova de que ela cause uma doença pior do que as outras variantes do vírus. Para evitar um aumento nos casos, vários países europeus decretaram medidas mais rígidas para combater a pandemia: a Alemanha estendeu o bloqueio total ("lockdown"), que iria até o fim de janeiro, para 14 de fevereiro. A Holanda deve implementar, nesta quarta (20), o primeiro toque de recolher desde a Segunda Guerra Mundial para conter as mutações do coronavírus, segundo o jornal "The Guardian". Com as novas regras, que passam a valer na sexta-feira (22), apenas pessoas com necessidades urgentes poderão sair de casa das 20h30 às 4h30. Escolas e lojas não essenciais já estão fechadas desde meados de dezembro, e bares e restaurantes, desde outubro. Os bloqueios devem valer até, pelo menos, 9 de fevereiro. Na terça-feira (19), a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, também anunciou que o país deve precisar estender o bloqueio total para além do início de fevereiro. O governo dinamarquês já havia estendido o bloqueio por mais três semanas na semana passada. A expectativa é que a B.1.1.7 seja a dominante no país até meados de fevereiro. “Se não contivermos a pressão, podemos correr o risco de um aumento exponencial nas infecções”, declarou Frederiksen. Restaurantes, bares e lojas não essenciais estão fechados na Dinamarca, e as reuniões públicas são limitadas a cinco pessoas. Na França, um toque de recolher às 18h continua vigorando. Na Espanha, a Galícia proibiu todas as viagens não essenciais nas sete maiores cidades, ordenou que os bares e restaurantes fechassem às 16h e antecipou o toque de recolher para as 22h. La Rioja fechou negócios não essenciais às 17h e limitou reuniões a quatro pessoas, enquanto as lojas na Cantábria foram proibidas de abrir nos fins de semana. Veja VÍDEOS com novidades sobre as vacinas contra a Covid-19: Veja Mais

A vacinação contra a Covid-19 vai acabar com o coronavírus?

Glogo - Ciência Não imediatamente. A Organização Mundial de Saúde já alertou que a imunidade de rebanho contra a Covid não será alcançada neste ano, mesmo com as vacinas. Entenda por quê. Não imediatamente. Por vários motivos: Num primeiro momento, nem todos estarão vacinados. E ainda não se sabe se as vacinas vão conseguir impedir a transmissão do coronavírus – até agora, só foi provado que elas são capazes de impedir casos graves da Covid-19. Isso significa dizer que mesmo as pessoas vacinadas poderão continuar a transmitir o vírus. Para alcançar a chamada "imunidade de rebanho", ou imunidade coletiva, é necessário que muitas pessoas estejam vacinadas contra ele. Quando muitas pessoas estão vacinadas, o vírus vai diminuindo a capacidade de se espalhar. (Veja vídeo mais abaixo). A Organização Mundial de Saúde (OMS) já alertou que a imunidade de rebanho não será alcançada neste ano, mesmo com as vacinas. A entidade também já disse que o coronavírus pode se tornar endêmico – isto é, que pode nunca desaparecer. Isso significa que, como o vírus da gripe, é possível que tenhamos que fazer campanhas de vacinação contra ele todos os anos. 'Imunidade de rebanho': o que é e quais os riscos de deixar a pandemia correr seu curso Parte do motivo da demora para vacinar todos que precisam é que ainda não há doses de vacinas suficientes para todas as pessoas. A OMS já alertou sobre a distribuição desigual da vacina para países ricos e pobres. Mesmo que não signifique o fim imediato da pandemia, entretanto, a vacina ainda é a melhor forma que temos de nos proteger da Covid-19. "A vacina é a melhor intervenção que podemos fazer para nos proteger do vírus. Ela vai fazer com que tenhamos defesas contra o vírus e, quanto mais pessoas tomarem, mais defesas teremos na população, criando assim barreiras para o vírus se disseminar", explica Otavio Ranzani, médico intensivista e epidemiologista da USP. Esse mesmo fator também foi destacado pelos diretores da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) quando aprovaram as vacinas da Sinovac e de Oxford no Brasil (veja vídeo abaixo). VÍDEO: Não há alternativa terapêutica para prevenir ou tratar a Covid-19, diz diretora da Anvisa “Até o momento não contamos com alternativa terapêutica aprovada para prevenir ou tratar a doença causada pelo novo coronavírus", ressaltou a diretora Meiruze Freitas, relatora dos pedidos de uso emergencial. "Assim, compete a cada um de nós, instituições públicas e privadas, sociedade civil e organizada, cidadão, cada um na sua esfera de atuação tomarmos todas as medidas ao nosso alcance para no menor tempo possível diminuir o impacto sobre a vida do nosso país”, completou. Veja VÍDEOS com novidades sobre as vacinas contra a Covid-19: d Veja Mais

Anticorpos de pacientes que tiveram Covid ficaram mais potentes 6 meses após infecção, diz estudo liderado por brasileiros na 'Nature'

Glogo - Ciência O brasileiro Julio Cesar Lorenzi, um dos líderes do estudo, explica que os anticorpos podem ser mais capazes de enfrentar mutações do coronavírus. Foto microscópica mostra célula humana sendo infectada pelo Sars Cov-2, o novo coronavírus NIAID via Nasa Uma pesquisa publicada nesta segunda-feira (18) na revista científica "Nature", uma das mais importantes do mundo, sugere que os anticorpos para Covid-19 em pacientes que tiveram a doença ficaram mais "potentes" 6 meses após a infecção. Isso significa que a imunidade para quem já teve a doença pode durar, no mínimo, esse tempo. O estudo é liderado por brasileiros e outros pesquisadores da Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos. "Os anticorpos melhoraram em termos de potência e diversidade. Eles conseguiram neutralizar diversas variações da corona [a 'coroa' do coronavírus]", explica o brasileiro Julio Cesar Lorenzi, um dos líderes do estudo. A resposta para os anticorpos "reforçados" está nas células B, um tipo de célula de defesa do corpo. Elas têm a função de reconhecer o antígeno do coronavírus – uma parte do vírus – e criar os anticorpos contra ele. ATÉ 5 MESES: outro estudo garante imunidade, mas vírus pode ser transmitido Os cientistas estudaram 87 pessoas que tiveram Covid-19, com idades entre 18 e 76 anos. Todas elas tiveram amostras de sangue analisadas seis meses após a infecção. A análise mostrou que os níveis de células B de memória específicas permaneceram os mesmos nesse período – e que os anticorpos que elas criaram seis meses depois da primeira infecção foram mais "fortes" que os originais. "São dados muito bons, mostrando que os pacientes podem ser capazes de controlar a reinfecção", analisa Lorenzi. Depois de reconhecer o antígeno pela primeira vez, as células B vão para uma parte do sistema imune onde são selecionadas e "amadurecidas". Nesse processo, passam por mutações que fazem com que elas sejam melhores em reconhecer o vírus, com mais potência, explica o brasileiro. Os pesquisadores acharam proteínas virais – pedaços do vírus – no intestino de 14 pacientes. Lorenzi acredita que essa exposição ao material viral ajudou as células B a reconhecerem melhor o vírus da Covid. Reinfecção Nenhum dos pacientes teve uma reinfecção comprovada, mas Lorenzi acredita que nenhum deles teve um segundo caso de Covid. Isso porque, caso isso tivesse acontecido, teria existido um novo aumento de anticorpos contra o vírus no corpo – o que não aconteceu. Outra constatação positiva foi que, apesar de ter havido uma queda nos anticorpos neutralizantes dos pacientes, eles foram capazes de neutralizar o coronavírus mesmo depois de seis meses. Os cientistas testaram essa capacidade em ensaios de laboratório (in vitro). Lorenzi explica que, com essa pesquisa, ainda não é possível explicar por que algumas pessoas têm reinfecção pela Covid. "A ideia é que a pessoa que tem uma infecção original mais branda foi incapaz de gerar uma resposta imune necessária. Ainda é preciso provar, mas é uma boa possibilidade", afirma. Veja VÍDEOS sobre a vacinação no Brasil Veja Mais

CoronaVac é mais eficaz com intervalo maior entre doses, diz Sinovac

Glogo - Ciência Segundo o laboratório, o estudo feito no Brasil mostrou que a vacina foi até 20% mais eficaz quando os voluntários recebiam a segunda dose com um intervalo de três semanas ao invés de duas. Enfermeira do Hospital das Clínicas (HC) exibe ampola da Coronavac, vacina produzida pelo Instituto Butantan, em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Divulgação/GESP O laboratório chinês Sinovac disse, nesta segunda-feira (18), que o estudo clínico da CoronaVac realizado no Brasil mostrou que o imunizante foi até 20% mais eficaz em um pequeno subgrupo de pacientes que receberam a segunda dose com um intervalo maior da primeira. Eficácia da CoronaVac: veja 10 perguntas e respostas Ministério da Saúde começa a distribuição da CoronaVac para todo o Brasil Oxford e CoronaVac: veja raio X das vacinas aprovadas pela Anvisa para uso emergencial A taxa de proteção para 1.394 voluntários que receberam doses da CoronaVac ou um placebo com intervalo de três semanas entre elas foi de quase 70%, disse um porta-voz da Sinovac. Pesquisadores do Instituto Butantan, que liderou os testes com a CoronaVac no Brasil, disseram na semana passada que a eficácia geral da vacina foi de 50,4% com base nos resultados dos testes em um grupo de 9 mil voluntários que receberam as doses com intervalo de 14 dias entre elas. O instituto também disse que a vacina foi 78% eficaz na prevenção de casos leves de Covid-19 e 100% em evitar quadros moderados e graves. Domingo histórico: Anvisa aprova uso emergencial das vacinas Coronavac e de Oxford O porta-voz da Sinovac disse que um pequeno grupo de voluntários receberam a segunda dose após um intervalo maior em relação à primeira devido a uma série de razões, sem entrar em detalhes. O intervalo entre as doses das vacinas contra Covid-19 virou tema de debate entre cientistas, reguladores e governos. Entenda a discussão sobre o intervalo maior entre as duas doses da vacina Reguladores do Reino Unido disseram que a vacina da AstraZeneca com a Universidade de Oxford é mais eficaz quando aplicada com um intervalo maior entre as doses do que inicialmente planejado. No domingo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso emergencial no Brasil da CoronaVac e da vacina Oxford/AstraZeneca e o imunizante do laboratório chinês começou a ser aplicado no país. O Reino Unido também decidiu permitir um intervalo maior entre as doses da vacina da Pfizer com a BioNTech, apesar de as empresas afirmarem que só têm dados de eficácia para um intervalo mais curto. O porta-voz da Sinovac alertou que a robustez dos dados do sub-grupo é menor do que o dado da eficácia geral. Embora os pesquisadores da Sinovac tenham dito que testes em estágio inicial mostraram que um intervalo de quatro semanas entre as doses induziu uma resposta imune mais forte do que com intervalos de duas semanas, é a primeira vez que a empresa divulga dados de eficácia do estudo em Fase 3 com padrões de doses diferentes do protocolo inicial. A Sinovac ainda não divulgou o resultado global dos testes em Fase 3, mas sua vacina já foi aprovada para uso emergencial em países como Turquia e Indonésia, além do Brasil. VÍDEOS: Novidades sobre a vacina Veja Mais

Ministério da Saúde diz que questionou Twitter sobre post com alerta de informação enganosa

Glogo - Ciência Pasta voltou a defender tratamento precoce contra a Covid-19, que não é endossado por especialistas. Neste sábado, rede social considerou post do órgão 'potencialmente prejudicial'. Marcação do Twitter em post do ministério Reprodução/Twitter O Ministério da Saúde disse que pediu, ao Twitter, um posicionamento sobre a publicação na página do órgão, que foi considerada "potencialmente prejudicial" pela rede social. O tuíte do órgão pede que o tratamento precoce seja solicitado por quem apresentar sintomas da Covid-19, o que não é endossado por especialistas. Neste sábado (16), O Twitter colocou um alerta no post, apontando que houve "a publicação de informações enganosas e potencialmente prejudiciais" relacionadas à doença. Twitter faz alerta de informação enganosa em postagem do Ministério da Saúde Em nota divulgada neste domingo (17), o ministério disse que a publicação não viola as regras do site e voltou a defender o tratamento precoce dos pacientes (leia o comunicado completo, no fim da página). "O Ministério da Saúde esclarece que o post bloqueado pela plataforma do Twitter se refere ao tratamento precoce - protocolo da pasta para enfrentamento à pandemia da Covid-19. A pasta solicitou ao Twitter um posicionamento a respeito do ocorrido, já que o conteúdo não feriu nenhuma das políticas de convivência da rede social", afirmou o ministério. O "tratamento precoce", ou "Kit Covid", disponibilizado pelo Ministério da Saúde é uma combinação que inclui a hidroxicloroquina e a cloroquina, junto com outros fármacos. As substâncias inicialmente foram testadas em laboratório e, depois, em estudos clínicos, pesquisadores de diferentes universidades e países comprovaram que não há prevenção e/ou tratamento com a ajuda de medicamentos. "Todos os países com seriedade, que seguem a ciência, eles já compreenderam que esses medicamentos não são eficazes contra a Covid", disse Ethel Maciel, professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo e pós-doutora em epidemiologia pela Universidade Johns Hopkins. "Se esses medicamentos tivessem qualquer comprovação científica, seria impossível que esses países, onde existem pesquisadores muito sérios e instituições muito respeitadas e competentes, não estivessem recomendando para a sua população", acrescentou. Pelo mesmo motivo, o Twitter já fez alertas na conta do presidente Jair Bolsonaro e nos perfis dos deputados federais Carla Zambelli e Daniel Silveira. Apesar da marcação, as publicações seguem visíveis. Esse tipo de medida do Twitter, no entanto, ajuda a restringir a circulação desse tipo de postagem. Posts apagados em 2020 O Twitter já agiu contra as postagens do presidente Jair Bolsonaro no ano passado. Em março, tuítes de Bolsonaro foram apagados também por violação de regras relacionadas a conteúdos que envolvam a pandemia. Na ocasião, foram tirados do ar posts que registravam um passeio de Bolsonaro em Brasília, que provocou aglomerações, e o posicionamento dele contra o isolamento social, defendido por autoridades de saúde do mundo inteiro. Nas regras sobre remoção de conteúdo que envolva desinformação sobre a Covid-19, em texto de julho passado, a rede social aponta o que leva em conta ao considerar essa medida. Podem ser alvos posts que: reflitam não uma opinião, mas algo apontado como fato, e, entre os exemplos, o Twitter cita postagens que abordem supostas medidas preventivas contra a doença, tratamentos ou curas; tenham sido apontados como falsos ou enganosos por especialistas no assunto, como autoridades de saúde pública; possam causar danos se as pessoas acreditarem nessa informação, da forma como ela foi apresentada, podendo levar a uma maior exposição ao vírus ou afetar a capacidade do sistema de saúde de lidar com a pandemia, por exemplo. A plataforma afirma ainda que, em vez de remover um post, poderá colocar um advertência no tuíte, nos casos em que o risco de dano seja menos grave, mas, ainda assim, possam confundir as pessoas. E que isso reduz a visibilidade da postagem. Leia, abaixo, a nota do Ministério da Saúde sobre a publicação que recebeu alerta do Twitter "O Ministério da Saúde esclarece que o post bloqueado pela plataforma do Twitter se refere ao tratamento precoce - protocolo da pasta para enfrentamento à pandemia da Covid-19. A pasta solicitou ao Twitter um posicionamento a respeito do ocorrido, já que o conteúdo não feriu nenhuma das políticas de convivência da rede social. O tratamento precoce vem sendo orientado, para que junto com os recursos assistenciais disponibilizados pelo Governo Federal desde o início da pandemia, ajude a salvar vidas. Em casos de qualquer sintoma é muito importante que o paciente procure um profissional de saúde e dê início ao tratamento. Precisamos evitar que casos graves da doença ocorram. Todo tratamento médico eficiente se caracteriza por ser realizado tão logo se detecte o problema. O Ministério da Saúde defende esse princípio que rege as boas práticas da medicina mundial. É importante destacar que o tratamento precoce é uma orientação, mas cabe, única e exclusivamente, aos médicos decidirem os procedimentos mais adequados para seus pacientes. E a estes aceitarem ou não a orientação." Initial plugin text Veja Mais

Falso sentimento de segurança fez população de Manaus baixar a guarda, diz diretora da OMS: 'A luta ainda não acabou'

Glogo - Ciência Para Mariângela Simão, o que está acontecendo em Manaus deve servir de alerta para outros lugares do mundo. 5 pontos sobre a Covid-19 no Amazonas A brasileira Mariângela Simão, diretora para acesso a medicamentos da Organização Mundial da Saúde (OMS), disse nesta sexta-feira (15) que o que está acontecendo em Manaus deve servir de alerta para outros lugares do mundo, para mostrar que a pandemia ainda não terminou. "Manaus passa por uma situação muito difícil. Devido a um falso sentimento de segurança, eles baixaram a guarda. É importante que aprendamos com a terrível situação que Manaus vive. Podemos evitar danos adicionais se continuarmos transmitindo a mensagem: não baixem a guarda, a luta ainda não acabou" - Mariângela Simão, diretora da OMS. NOVA VARIANTE: o que se sabe até agora COLAPSO: sem oxigênio, pacientes dependem de ventilação manual para sobreviver em Manaus APELO DE PSICÓLOGA: 'Quem tiver oxigênio, por favor traga' Michael Ryan, diretor de emergências da OMS, disse que é muito fácil colocar a culpa na nova variante encontrada no estado para justificar o colapso. "As variantes podem sim ter um impacto, mas é fácil colocar a culpa na variante, no vírus. Precisamos analisar o que nós não fizemos, precisamos aceitar a nossa culpa individualmente, como comunidade, como governo, para essa falta de controle do vírus", disse o diretor de emergências. Ryan disse que a OMS se solidariza com a população brasileira e que o mundo precisa lutar contra o vírus de forma mais eficaz. "Faremos de tudo para dar apoio aos estados-membros da OMS e à população brasileira". VÍDEOS: Manaus vive colapso com hospitais sem oxigênio Initial plugin text Veja Mais

Entenda por que o oxigênio é tão importante para pacientes com Covid – e o que acontece quando ele falta

Glogo - Ciência Pacientes em Manaus ficaram sem oxigênio depois que estoque de empresas fornecedoras acabou. 'É como um afogamento, matar um indivíduo com um travesseiro na cara', diz médico ouvido pelo G1. 5 pontos sobre a Covid-19 no Amazonas A falta de oxigênio nos hospitais de Manaus levou a cidade a um cenário de caos: com recordes nos casos de Covid, a cidade precisou enviar pacientes que dependiam dele para outros 6 estados. Parentes de pessoas internadas tiveram que comprar cilindros com o gás por conta própria. O desabastecimento não afetou somente os pacientes com Covid: bebês e grávidas vão precisar ser transferidos do estado para não ficarem sem oxigenação. O oxigênio é essencial para a sobrevivência humana. Sem ele, as células do nosso corpo não funcionam, e nós morremos. DESESPERO: Familiares dizem que hospital faz racionamento de oxigênio RELATOS: 'Nem nos piores pesadelos', afirma médica "Poucos instantes depois da falta de oxigênio, de o oxigênio não chegar nas células, a gente perde a função delas. Na prática, o que você tem é uma falência de todos os órgãos", explica André Nathan, médico pneumologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. "É como um afogamento, matar um indivíduo com um travesseiro na cara, via enforcamento. A pessoa morre por falta de oxigênio", diz o médico. Por que pacientes com Covid precisam de oxigênio? Paciente chega ao Hospital 28 de Agosto, em Manaus, em meio a novo surto de Covid-19, na quinta-feira (14). Michael Dantas/AFP O coronavírus Sars-CoV-2, que causa a Covid-19, causa uma inflamação no pulmão. Isso faz com que ele não consiga mais transferir de forma eficaz o oxigênio que a pessoa respira para dentro do sangue e das células. Quando isso acontece, a saturação de oxigênio – a concentração dele no sangue – começa a cair. O percentual normal de saturação fica entre 95% e 99%. Quando a pessoa não respira direito, esse índice começa a cair. A intubação, assim como outros métodos de aporte de oxigênio, ajudam a recuperar a saturação de oxigênio no sangue – por isso são tão importantes para pacientes com Covid. RELATOS: Médicos e familiares de pacientes descrevem colapso com falta de oxigênio em Manaus "O aparelho de ventilação mantém as funções vitais enquanto a doença vai ser eliminada pelo sistema imunológico do paciente. Quem elimina o vírus são os anticorpos do paciente. Como ele precisa de até 15 dias para fazer isso, eu preciso manter o paciente sob esse oxigênio até 15 dias", explica Carlos Carvalho, diretor da divisão de Pneumologia do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da USP e responsável pela UTI respiratória do hospital. "Se falta oxigênio para a máquina, falta oxigênio para o pulmão da pessoa. Não tendo oxigênio, as células não vão produzir energia e elas vão morrer. As células de todos os órgãos vitais vão morrer e o paciente vai a óbito", afirma Carvalho. Artistas, clubes e políticos cobram oxigênio para pacientes de Covid-19 em Manaus O médico anestesiologista André Saijo, que trabalhou em UTIs com pacientes de Covid em São Paulo na primeira fase da pandemia, explica que as doenças pulmonares em que a oxigenação do sangue é diminuída – por exemplo, a Covid – podem causar ou não uma queda de saturação. "A saturação de oxigênio medida pelo oxímetro de pulso é um valor indireto da quantidade de oxigênio que o sangue está levando do pulmão para os órgãos. Por exemplo: se o valor vier 95%, quer dizer que as hemácias estão conseguindo carregar oxigênio com 95% da sua capacidade máxima de carregamento. Uma saturação baixa infere que as hemácias não estão carregando oxigênio de forma adequada, o que pode ou não gerar problemas pro corpo", esclarece Saijo. MEDO: enfermeiro pede para continuar tratamento contra Covid em casa para liberar leito ENEM: Justiça Federal suspende provas no Amazonas "A primeira resposta do corpo a uma queda de saturação é aumentar a frequência respiratória. Se, mesmo assim, não houver melhora da oxigenação, as inspirações ficam mais profundas com a utilização de outros músculos do tórax, o que conseguimos visualizar como o desconforto respiratório", diz o anestesiologista. "A longo prazo – é difícil quantificar porque depende de cada pessoa e cada doença –, isso evolui pro quadro de fadiga respiratória, que é quando a pessoa não tem mais força pra fazer as inspirações da forma necessária para manter uma oxigenação do sangue satisfatória. A maioria das intubações que acontecem pela Covid são devido a essa fadiga respiratória", explica o médico. Cozinheira diz que pai morreu por falta de oxigênio em hospital em Manaus: 'estava todo mundo chorando' Num ambiente normal, a porcentagem de oxigênio que existe no ar e entra no pulmão é de 21%. Isso significa dizer que, a cada 100 litros de ar que uma pessoa normal respira, 21 litros são de oxigênio e o resto, de outros gases. Quanto mais grave for a incidência respiratória, maior a concentração de oxigênio o médico tem que administrar. "Uma forma de melhorar o desconforto respiratório de uma pessoa é oferecer uma quantidade maior que esses 21% de oxigênio que tem no ar ambiente, facilitando então o abastecimento das hemácias no pulmão e, consequentemente, aumentando a saturação. Existem diversas formas de oferecer oxigênio, que vão desde o catéter nasal até a intubação", completa André Saijo. 'Coisa de vida ou morte' Homem chora na porta do Hospital 28 de Agosto, em Manaus, em meio a desabastecimento de oxigênio na cidade durante novo surto de Covid-19 na quinta-feira, 14 de janeiro. Michael Dantas/AFP O médico Valmir Crestani Filho, também do Hospital das Clínicas da USP, descreve a falta de oxigênio em Manaus como uma "catástrofe". "Se você precisa ser intubado, a sua mortalidade é entre 30% e 40%. Se você apenas precisa do oxigênio, naquele catéter que fica no nariz, ou se você usa uma máscara, a sua mortalidade é entre 20% e 25%", explica. "Só que o oxigênio nesses pacientes não é um tratamento a mais, como é o corticoide, e como é a anticoagulação profilática. Ele é uma coisa de vida ou morte", frisa Crestani Filho. "Nesse grupo em que morreriam 25% com oxigênio, a mortalidade pode chegar a até 100% se você ficar sem o oxigênio. Foi isso o que aconteceu em várias unidades lá em Manaus. Nos intubados, é uma catástrofe que nem se discute", diz. Ele chama atenção para a situação dos pacientes que não estavam intubados. "Você tinha 30, 40, 50, 60 pacientes usando oxigênio mas que não estavam intubados, e aí foi cortando o suplemento de oxigênio e eles começaram a piorar rapidamente. Vários morreram. Muitos pacientes que não iriam morrer – porque nesse grupo a mortalidade é de 25% – morreram em decorrência da falta do oxigênio", afirma. "Então, não tem muito espaço para essa discussão 'ah, esse paciente ia morrer de qualquer jeito'", explica Crestani Filho. "Em uma das UTIs em que eu trabalho, por exemplo, temos dez pacientes recebendo oxigênio: dois intubados e oito em máscara de inalação. Todos esses morreriam em poucas horas se o oxigênio fosse suspenso. Essa que é a tragédia. Pacientes que sobreviveriam à Covid faleceriam – não pela Covid, e sim por asfixia, por falta de oxigênio", afirma. "Os intubados em geral precisam entre 50-100% [de aporte de oxigênio]. Esses suportam, no máximo, algumas horas sem oxigênio", diz Crestani Filho. "Ainda que o oxigênio volte, esse período deixará sequelas, e pode apenas retardar a morte – enquanto o paciente poderia sobreviver caso a oferta não tivesse sido parada", afirma. VÍDEOS: Manaus vive colapso com hospitais sem oxigênio a Initial plugin text Veja Mais

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Eficácia da CoronaVac: veja 10 perguntas e respostas

Glogo - Ciência Índice geral de 50,38% foi anunciado nesta semana pelo Instituto Butantan. O que isso significa? É um número considerado bom? Como os cientistas chegaram a ele? Enfermeira segura frasco da CoronaVac antes de aplicação em voluntário no Instituto Emílio Ribas Reuters O Instituto Butantan anunciou, nesta semana, a eficácia geral da CoronaVac, a vacina contra Covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e que será fabricada no Brasil pelo instituto. A eficácia geral da vacina ficou em 50,38% – acima do mínimo de 50% recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). VÍDEO: Entenda a eficácia de 50,4% da CoronaVac Mas o que significa isso? Nesta reportagem, você verá as respostas para as seguintes perguntas: O que é a eficácia de uma vacina? Como os cientistas descobriram a eficácia da CoronaVac? Se a vacina tem 50% de eficácia, isso significa que eu tenho 50% de chance de pegar Covid? Eu posso tomar a vacina e mesmo assim ficar doente? A eficácia de 50% é considerada boa? Se a eficácia foi de 50,38%, o que significam os 78% e os 100% que o Butantan apresentou antes? Eu devo tomar a vacina mesmo que a eficácia dela não seja de 100%? Não é melhor esperar outras? A vacina é segura? Eu vou precisar usar máscara mesmo depois da vacina? Ela vai impedir a transmissão da Covid? Por que é importante que muitas pessoas tomem a vacina? 1. O que é a eficácia de uma vacina? A eficácia de uma vacina é determinada quando ela ainda está em estudos (normalmente, de fase 3). Dizer se uma vacina é ou não eficaz significa dizer se ela funciona ou não em condições ideais. Ela é medida por uma porcentagem que indica a redução de casos num grupo vacinado em comparação a um grupo não vacinado. Ou seja: a ideia é quantificar a diferença numérica que a vacina vai fazer para proteger uma população. Se uma vacina tem 90% de eficácia, isso significa que, nos testes, ela conseguiu reduzir em 90% a quantidade de casos que ocorreriam se as pessoas não tivessem sido vacinadas. Veja, abaixo, o infográfico com o exemplo da CoronaVac: Eficácia da CoronaVac Arte G1 2. Como os cientistas descobriram a eficácia da CoronaVac? "No caso da vacina [CoronaVac], a eficácia está sendo determinada pela proporção de pessoas que se contaminam entre os vacinados e os não vacinados", explica Lucia Pellanda, professora de epidemiologia e reitora da Universidade Federal das Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). A conta se torna um pouco mais complicada, entretanto, porque o fator tempo também é considerado. Como nem todas as pessoas passaram o mesmo tempo no estudo, o risco que elas tinham de pegar ou não a Covid também era diferente, esclarece Pellanda. Para determinar a eficácia da vacina, os cientistas reúnem voluntários e os dividem, geralmente, em dois grupos. Um dos grupos recebe um placebo (que pode ser uma substância sem efeito ou uma outra vacina, como a da meningite); esse grupo é chamado de controle. O outro recebe a vacina. No caso da CoronaVac, os grupos testados tinham cerca de 4,6 mil pessoas cada. Todas eram profissionais de saúde, que têm mais exposição ao vírus. Isso é importante porque, para determinar a eficácia de uma vacina, é preciso aplicá-la nos voluntários e ver se ela foi capaz de protegê-los do vírus. Só que os cientistas não podem, via de regra, infectar as pessoas com o vírus. Por isso, eles precisam de pessoas que sejam expostas a ele no dia a dia. Neste caso, os profissionais de saúde têm mais exposição do que a população geral, porque cuidam dos doentes. Depois de aplicar a vacina e o placebo naquela quantidade de voluntários, os cientistas esperam até que haja um número suficiente de pessoas infectadas para calcular a eficácia. Com os dados que obtiveram dos testes da CoronaVac, os cientistas chegaram à eficácia de 50,38%. Isso significa que a vacina conseguiu fazer com que cerca de metade das pessoas que ficariam doentes se não fossem vacinadas não ficassem. 3. Se a vacina tem 50% de eficácia, isso significa que eu tenho 50% de chance de pegar Covid? Não. Significa o que seu risco foi reduzido em 50%. Isso porque o risco de pegar Covid é diferente para cada pessoa e não é de 100% para ninguém. "Para poucas coisas o risco é 100%. Teoricamente, em algum dia [o risco de pegar Covid] pode chegar a 100%, mas, neste momento, não são 100% das pessoas que se infectaram. Não tem 200 milhões de infectados [no Brasil]. Tem gente que não chegou perto do vírus ainda. Então, o risco não é 100%", explica Lucia Pellanda. "O risco individual vai cair pela metade. Só que a metade de quanto vai depender de quantos casos tem na região. Se o seu risco for de 10%, com a vacina, vai ficar 5%", acrescenta a professora. Isso significa que uma pessoa não vacinada no Brasil vai ter mais risco de se contaminar do que uma pessoa não vacinada na Nova Zelândia, por exemplo (que adotou boas medidas de controle da pandemia). "A redução de risco se calcula por uma relação de incidência, que é o número de casos em uma determinada população de [pessoas] suscetíveis. Esse risco precisa ser entendido do ponto de vista populacional", explica Alexandre Zavascki, professor de infectologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). "Uma população vacinada vai ter 50% a menos de casos que uma não vacinada, dadas as mesmas condições de exposição", lembra. Também é errada a noção de que, com 50% de eficácia, só 50% das pessoas criam anticorpos para o coronavírus (entenda). 4. Eu posso tomar a vacina e mesmo assim ficar doente? Pode. Mas a chance é menor do que seria se você não tomasse. (Veja a pergunta 3). Além disso, mesmo que fique doente, a tendência é que o caso de Covid seja menos grave do que seria se você não tivesse sido vacinado. "Há uma tendência da vacina de diminuir a intensidade clínica da doença", explicou o diretor de pesquisa clínica do Butantan, Ricardo Palacios, na apresentação dos dados da CoronaVac. "O risco é 50% menor de pegar a doença e 78% menor de ter uma doença que vá precisar de algum atendimento médico", explica Alexandre Zavascki, da UFRGS. (Veja detalhes na pergunta 6). 5. A eficácia de 50% é considerada boa? De forma geral, sim, na opinião dos especialistas ouvidos pelo G1. Para eles, a CoronaVac tem o potencial de frear a pandemia no país. "O principal é: é melhor do que 0%. É a principal vantagem. Tenho certeza que todo mundo preferia 100% de eficácia, mas não vacinar garante 0% de eficácia", pontua Rodrigo Silva Guerra, professor e integrante do observatório da Covid na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), também no Rio Grande do Sul. No dia do anúncio dos resultados, cientistas frisaram que mais importante do que a eficácia dela é a capacidade do Brasil de fazer uma boa campanha de vacinação. "Uma vacina só é tão boa quanto a sua cobertura vacinal. A efetividade dessa vacina no mundo real vai depender da vacinação", disse a microbiologista Natália Pasternak, pesquisadora da USP e presidente do Instituto Questão de Ciência. "É a nossa vacina. Ela vai nos ajudar, vai salvar vidas e, junto de outras vacinas, campanhas de vacinação, medidas de enfrentamento e adesão da sociedade, iniciaremos nossa saída da pandemia", avaliou a pesquisadora Mellanie Fontes-Dutra, idealizadora da Rede Análise Covid-19 e pós-doutoranda em bioquímica na UFRGS. Além disso, também ressaltaram que os resultados contra casos graves eram mais relevantes do que a eficácia geral dela. Segundo os resultados apresentados pelo Butantan, a vacina preveniu 78% dos casos de Covid que necessitariam de algum atendimento médico. "Eu tenho 22% do risco que eu tinha antes", frisa Rodrigo Guerra, da UFSM. "Na prática, me parece que essa eficácia global de 50,4% é menos relevante do que a eficácia altíssima que tem pra casos graves e mortes. Porque, na prática, o que a gente quer é evitar internação e óbito", disse o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul. 6. Se a eficácia foi de 50,38%, o que significam os 78% e os 100% que o Butantan apresentou antes? A eficácia de 50,38% foi contra todos os casos de Covid, incluindo aqueles muito classificados como "muito leves" (na gradação da Organização Mundial de Saúde, um caso "muito leve" é aquele que não precisa de atendimento médico). A eficácia de 78% foi contra os casos que precisaram de algum tipo de atendimento médico (casos "leves", segundo a gradação da OMS). Já contra os casos considerados moderados ou graves, a eficácia da vacina foi de 100%. Segundo o governo, houve 7 casos graves no grupo que não foi vacinado e nenhum no que foi. Esses números, entretanto, não têm significância estatística, explicou o diretor de pesquisa do instituto, Ricardo Palacios. Isso significa dizer que esses resultados, por enquanto, podem ter ocorrido por acaso – sem ter, necessariamente, a ver ou não com a vacina. Quando os estudos terminarem, pode ser que haja novos números com significância estatística. 7. Eu devo tomar a vacina mesmo que a eficácia dela não seja de 100%? Não é melhor esperar outras? Sim, você deve tomar a vacina mesmo que a eficácia dela não seja de 100%, disseram os especialistas consultados pelo G1: "Primeiro: vem de graça pelo SUS – por que esperar se pode não esperar? Nada impede. O sistema imunológico vai ser ativado por qualquer vacina", lembra Rodrigo Guerra, da UFSM. "Em geral, é preferível a vacina que está disponível. É melhor vacinar com uma menos eficaz do que esperar mais tempo por uma mais eficaz. Mas é uma situação bem complexa", pondera Lucia Pellanda, da UFCSPA. "Nenhuma vacina tem eficácia de 100%. Tem eficácia de 90%, nenhuma é 100%. Tem que tomar a vacina que ofereça alguma proteção e que esteja disponível – não adianta sonhar com a vacina de 95% e ela não chegar. O risco a que eu vou ficar exposto em todo esse período é maior do que de já tomar a vacina com eficácia menor, mas com a qual eu garanto uma proteção. Para as formas um pouco mais graves, até foi uma proteção maior. Quem sabe ela proteja mais ainda para formas graves", pontua Alexandre Zavascki, da UFRGS. "As duas vacinas que estarão provavelmente disponíveis na semana que vem no Brasil [a CoronaVac e a de Oxford] são seguras e este é um fator essencial. Sendo segura, quanto mais pessoas tomarem a vacina, mas diminuímos o risco individual e coletivo e mais rápido chegaremos na imunidade coletiva", explica Otavio Ranzani, médico intensivista e epidemiologista da USP. 8. A vacina é segura? Médico infectologista Unaí Tupinambás elogia resultados da CoronaVac Sim. Em estudos de fase 1 e 2, que medem de forma inicial a segurança e a eficácia de uma vacina, a CoronaVac foi apontada como segura. Os resultados dos estudos foram publicados em novembro na revista científica "The Lancet", uma das mais importantes do mundo. Nos estudos de fase 3, que são aqueles cujos resultados preliminares foram divulgados esta semana pelo Butantan, a vacina também se mostrou segura. As reações mais comuns nos participantes foram dor no local da vacinação, dor de cabeça, fadiga e dores musculares. Não houve efeitos colaterais graves. Houve reações alérgicas em 0,3% dos participantes, mas sem anafilaxia (reação alérgica grave). A CoronaVac usa a tecnologia de vírus inativado. Esse tipo de vacina usa o vírus inteiro para induzir a resposta do sistema de defesa do corpo (mas ele não causa doença, porque, como o nome diz, está inativado, ou seja, "morto"). Nós já usamos várias vacinas de vírus inativado contra outras doenças – como a da hepatite A, da gripe e da raiva. Também existe uma vacina contra a pólio que é injetável e feita com o vírus inativado. "É o vírus inativado com adjuvante, que potencializa a resposta imunológica. É uma vacina cuja tecnologia é muito antiga, se conhece bem os efeitos colaterais que são muito poucos. Eu acredito que vai ser uma ferramenta muito importante nessa luta contra a Covid", avalia o virologista Eduardo Flores, da UFSM. 9. Eu vou precisar usar máscara mesmo depois da vacina? Ela vai impedir a transmissão da Covid? Sim, nós ainda precisaremos usar máscaras por algum tempo. O principal motivo para isso é que o objetivo da vacina é impedir que as pessoas desenvolvam a doença, e não necessariamente que não se infectem com o coronavírus. Isso significa dizer que mesmo as pessoas vacinadas podem continuar a transmitir o vírus. TRANSMISSÃO PELO AR: especialistas fazem alerta MÁSCARAS: qual o melhor tipo? Os pesquisadores do Butantan dizem que mais estudos serão necessários para determinar se a CoronaVac é capaz de impedir a transmissão da Covid, além dos casos graves. Como, num primeiro momento, nem todos estarão vacinados, será necessário continuar a usar máscaras e manter a distância uns dos outros. Isso evita a transmissão do vírus – e protege as pessoas que não podem ser vacinadas, como grávidas e algumas pessoas com doenças do sistema imune, por exemplo. "As outras coisas que a gente faz para diminuir o risco vão continuar ajudando – manter a distância, usar máscara", diz Lucia Pellanda, da UFCSPA. 10. Por que é importante que muitas pessoas tomem a vacina? 'Imunidade de rebanho': o que é e quais os riscos de deixar a pandemia correr seu curso Porque só assim é possível alcançar a chamada imunidade de rebanho (veja vídeo acima) e interromper a circulação do vírus. Quando muitas pessoas estão vacinadas, o vírus vai diminuindo a capacidade de se espalhar. Assim, as pessoas que não podem se vacinar também ficam protegidas. "Quando consegue interromper a circulação do vírus, isso protege quem não pode se vacinar – porque ele não está circulando. Sempre depende da taxa de transmissão do vírus", explica Lucia Pellanda. Nesta semana, a taxa de transmissão do vírus, o chamado R0, ficou em 1,21. Isso significa dizer que cada 100 pessoas infectadas transmitem o vírus para outras 121 – e a pandemia se espalha. Para frear o contágio, o R0 precisa ficar abaixo de 1. "A vacina é a melhor intervenção que podemos fazer para nos proteger do vírus. Ela vai fazer com que tenhamos defesas contra o vírus e, quanto mais pessoas tomarem, mais defesas teremos na população, criando assim barreiras para o vírus se disseminar", explica Otavio Ranzani, médico intensivista e epidemiologista da USP. "Com a vacina, podemos conter o vírus pois teremos menos pessoas suscetíveis na população. Mas para isso dar certo, ou seja, termos uma proteção coletiva, precisamos que muitas pessoas tomem a vacina", diz. "A vacina é um pacto coletivo", lembra Lucia Pellanda. "Enquanto não estiver todo mundo vacinado, o vírus continua se espalhando. Ele pode sofrer uma mutação, alguma coisa que pode fazer com que a vacina funcione menos". Veja VÍDEOS com novidades sobre as vacinas contra a Covid-19: Veja Mais

Covid-19: o que se sabe sobre a nova variante de coronavírus encontrada em Manaus (e no Japão)

Glogo - Ciência Cientistas de dez instituições analisaram amostras de pacientes infectados e descobriram que 42% dos casos foram provocados por essa nova variante. Brasil pede informações ao Japão sobre variante identificada em pessoas vindas do AM Uma nova variante do coronavírus foi detectada na cidade de Manaus, no Estado do Amazonas. Cientistas de dez instituições, entre elas o Imperial College London e a Universidade de Oxford, ambas na Inglaterra, e o Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo, publicaram um artigo descrevendo casos dessa nova variante, que recebeu o nome de P.1. É esperado que, durante uma pandemia, o vírus sofra mutações conforme é transmitido de pessoa para pessoa. O monitoramento dessas alterações no código genético ajuda a acompanhar os casos preocupantes e eventualmente tomar medidas que bloqueiem a cadeia de transmissão. O que chama a atenção no caso desta variante manauara é que as mudanças ocorreram nos genes que codificam a espícula, a estrutura que fica na superfície do vírus e permite que ele invada as células do nosso corpo. Variante do coronavírus encontrada no AM chegou ao Japão com série de mutações inéditas Isso pode deixar o coronavírus ainda mais infeccioso. Como foi feito o estudo? A pesquisa foi publicada no site Virological.Org, um fórum de discussão que reúne as últimas informações sobre evolução viral e epidemiologia. Os cientistas analisaram o material genético de 31 amostras de pacientes com Covid-19 na cidade de Manaus. Esse material foi colhido entre os dias 15 e 23 de dezembro. Desses, 13 indivíduos (ou 42% do total) apresentavam justamente essa nova linhagem. Alguns dias antes, o Japão havia anunciado a detecção de uma nova cepa de coronavírus em pessoas que viajaram do Brasil para lá. Tudo indica que essa mutação encontrada no país asiático seja a mesma, que se originou na capital do Amazonas. A nova variante, inclusive, pode fazer com que países de várias partes do globo bloqueiem voos vindos do Brasil. No Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson já admitiu essa possibilidade. "Nós vamos lançar medidas extras para checar a saúde de pessoas vindas do Brasil e até impedir que pessoas venham do Brasil", admitiu Johnson. Um anúncio oficial a respeito deste assunto é esperado por lá para os próximos dias. No final de dezembro, cientistas no Reino Unido identificaram uma outra mutação do coronavírus no país, segundo eles, muito mais infecciosa do que a primeira e que se espalhou rapidamente no sul da Inglaterra e País de Gales, elevando o número de casos, sobrecarregando o sistema de saúde local. Na variante manauara, mudanças ocorreram nos genes que codificam a espícula, a estrutura que fica na superfície do vírus e permite que ele invada as células do nosso corpo JN Limitações e perguntas sem resposta Por mais que represente um sinal de alerta, o trabalho recém-publicado precisa ser ampliado para que todos possam entender melhor o impacto da nova linhagem na pandemia em Manaus. A cidade, inclusive, vive uma situação dramática nas últimas semanas: os hospitais públicos e privados estão completamente lotados e os materiais de proteção e tratamento são escassos. O que se sabe até agora em 5 perguntas e respostas A curva de novos casos e de mortes não para de subir neste local. Até o dia de hoje, o Estado do Amazonas contabiliza 218 mil acometidos e 5,8 mil óbitos por Covid-19. Não se sabe, no entanto, se a nova variante tem alguma influência neste cenário caótico. Para responder a essas dúvidas, nos próximos dias os cientistas pretendem aumentar o número de amostras analisadas. Só assim será possível entender o impacto que a nova linhagem tem em Manaus e se ela é realmente mais transmissível que as versões anteriores. Outras cepas Nas últimas semanas, autoridades sanitárias notificaram o aparecimento de variantes que geram preocupação em outros lugares do mundo. A Organização Mundial da Saúde está acompanhando de perto cepas detectadas no Reino Unido e na África do Sul. Covid-19: variante detectada no Reino Unido está em 50 países, segundo OMS Os dados indicam que elas são mais transmissíveis que as versões anteriores. Apesar de esses vírus não parecerem mais agressivos, o fato de eles afetarem mais gente pode ter um impacto no número de óbitos. O que fazer? Enquanto aguardamos mais informações a respeito das novas linhagens, as medidas de prevenção continuam as mesmas. A recomendação é que as pessoas fiquem o máximo de tempo possível em casa e sempre usem máscaras quando precisarem sair. Ambientes arejados e com boa circulação de ar também são muito importantes. Lavar as mãos com frequência com água e sabão ou álcool em gel é outra medida essencial. VÍDEOS: Mais vistos do G1 nos últimos dias Veja Mais

CoronaVac: como eficácia da vacina se compara a outros imunizantes já aplicados no Brasil?

Glogo - Ciência Dados apresentados pelo Instituto Butantan revelam uma eficácia global da CoronaVac de 50,38%. Mas o que isso significa na prática? Imunizantes disponíveis para outras doenças com números e características semelhantes trazem um grande benefício à saúde pública. A CoronaVac está sendo desenvolvida no Brasil em conjunto com o Instituto Butantan Reuters Depois de muita polêmica, o Instituto Butantan divulgou nesta terça-feira (12) a eficácia global da CoronaVac. Os dados mostram uma taxa de 50,38%, número que supera por pouco o limite de 50% estipulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para aprovar as vacinas contra a Covid-19. Vacina CoronaVac tem eficácia global de 50,38% nos testes feitos no Brasil, diz Instituto Butantan A coletiva de imprensa desta semana veio após muitas críticas de cientistas e profissionais de saúde em relação à falta de transparência no anúncio realizado na quinta-feira (07). Na ocasião, representantes do governo do Estado de São Paulo mostraram apenas os dados dos desfechos secundários do estudo clínico do imunizante, como aqueles que mostravam uma diminuição de 78% dos casos leves e de 100% nos casos moderados, nos casos graves e nas hospitalizações. Butantan divulga eficácia geral da CoronaVac: 50,38% Mas o que esses números e informações significam na prática? Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que, assim como ocorre com várias vacinas contra outras doenças já aplicadas no país, a CoronaVac (se aprovada) pode ser de grande valia ao enfrentamento da pandemia. "Sabe o que é mais importante que qualquer vacina? A estratégia de vacinação. É ela que vai nos permitir ter muito menos mortes em 2021", contextualiza a médica Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Eficácia x efetividade A taxa de eficácia global da vacina é determinada a partir dos estudos clínicos de fase 3, os últimos antes da aprovação pelas agências regulatórias, caso da Anvisa no Brasil e da FDA nos Estados Unidos. Normalmente, esse trabalho de pesquisa demora anos para ser concluído. Porém, em meio a uma pandemia, os prazos podem ser apertados e os cientistas fazem análises preliminares com um número menor de voluntários. Grosso modo, a análise preliminar compara quantos participantes do estudo que contraíram a Covid-19 de acordo com dois grupos: aqueles que tomaram a vacina de verdade e aqueles que receberam doses de placebo, uma substância sem efeito no organismo. Espera-se que as pessoas vacinadas estejam mais protegidas da infecção pelo coronavírus em relação àquelas que não foram imunizadas. A partir daí, é possível realizar um cálculo relativamente simples, que vai determinar essa taxa de eficácia. Esse número, porém, é uma informação obtida a partir de um estudo científico, num ambiente controlado e acompanhado de perto por um time de especialistas. Na vida real, a eficácia é substituída pela efetividade. Em resumo, esse conceito permite entender o quanto daquilo que foi observado durante os testes acontece de verdade, no mundo real. A efetividade, portanto, pode ser maior ou menor, a depender de uma série de variáveis e coisas que acontecem durante um programa amplo de vacinação. O desejável é que ela fique o mais próximo possível da taxa de eficácia encontrada lá no início, durante os estudos. E como a CoronaVac se encaixa nisso? A vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan está justamente neste estágio de análise preliminar das pesquisas. Nos testes de fase 3, 85 voluntários do grupo vacinado e 167 do grupo placebo tiveram a Covid-19. Esses números revelam, portanto, uma taxa de eficácia de 50,38%. Eficácia da CoronaVac G1 No trabalho do Butantan, os casos foram divididos de acordo com a sua gravidade: desde aqueles muito leves, que não requerem nenhum cuidado, até os mais graves, que exigem internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Outra observação importante da pesquisa foi que a CoronaVac se mostrou capaz de evitar os quadros moderados ou graves da infecção pelo coronavírus. Pelas informações disponíveis até o momento, houve uma redução de 78% nos casos leves, que necessitam de algum tipo de assistência médica. Do ponto de vista de saúde pública, os especialistas acreditam que isso pode ter um enorme impacto. Afinal, uma redução da taxa de internações (e, por consequência, de óbitos) pode representar um alívio imenso durante uma pandemia. Já de uma perspectiva individual, os dados da CoronaVac indicam que ela teria a capacidade de transformar uma doença potencialmente fatal numa infecção mais branda e fácil de ser manejada. E isso, como você verá a seguir, é um racional que se aplica a diversas outras vacinas que já temos disponíveis contra outras doenças. Número baixo, efeito bom Existe uma série de outras vacinas que fazem parte do Programa Nacional de Imunização cuja eficácia não chega nem perto dos 90%. As vacinas que protegem contra rotavírus, influenza, coqueluche e sarampo são exemplos disso. Ballalai lembra que o rotavírus, agente que afeta o intestino e provoca diarreia em recém-nascidos, era um verdadeiro pesadelo no Brasil. "Não tinha uma criança que chegava aos dois anos de vida sem ter sofrido ao menos um episódio dessa infecção", relata. A vacina, disponibilizada no país a partir de 2006, modificou totalmente esse cenário. Hoje em dia, os surtos são muito raros no país. Detalhe: a eficácia da vacina contra o rotavírus fica entre 40 e 50%. "No entanto, ela tem a capacidade de evitar os quadros graves da doença, que podem levar a hospitalização e até a morte", completa a médica. O mesmo se aplica a outros imunizantes, como aqueles que protegem contra influenza, coqueluche e catapora. No caso da campanha contra gripe, a formulação da vacina muda a cada nova temporada, de acordo com as cepas do vírus que estão em maior circulação naquele outono/inverno. Em alguns anos, a taxa de eficácia das doses usadas nas campanhas anuais nem alcança os 40% (em anos "bons", varia entre 60 e 90%). Porém, ao evitar o agravamento do quadro, especialmente em grupos vulneráveis como os idosos, uma estratégia de vacinação ampla contra o influenza impede que a doença mate muita gente e tenha impacto grande demais para a capacidade do sistema de saúde. Claro que há outras vacinas cuja taxa de eficácia ultrapassa os 90%. É o caso daquelas que protegem contra a hepatite A, a hepatite B, o HPV, a febre amarela e a poliomielite. Mas elas também dependem de uma boa cobertura vacinal (a proporção do público-alvo que tomou suas doses) para evitar que o agente infeccioso continue circulando no país ou em determinada comunidade. E as outras vacinas contra a Covid-19? O anúncio de uma eficácia de cerca de 50,4% feito pelo Instituto Butantan pode até parecer frustrante num primeiro momento — ainda mais depois de toda a confusão com a divulgação do dado e a comparação inevitável com outras concorrentes, como Pfizer (95% de eficácia), Moderna (94%), Sputnik V (90%) e AstraZeneca/Oxford (62 a 90%). Apesar disso, especialistas garantem que o número mais baixo não significa que a CoronaVac seja menos valiosa ou possa ser descartada no atual momento. "Além disso, ninguém olhou com tanto detalhe para as outras vacinas como estão fazendo agora com o Instituto Butantan. No caso de Pfizer, Moderna, Oxford/AstraZeneca, só sabemos da eficácia geral. Não podemos deixar que a politização sobre esses dados crie uma desconfiança na população", critica Ballalai. Vale dizer que a CoronaVac, além de se mostrar bastante segura e não provocar efeitos colaterais dignos de nota até o momento, apresenta alguns benefícios do ponto de vista operacional e logístico. Ela é mais barata, está sendo produzida no Brasil e não precisa de armazenamento em temperaturas baixíssimas. Isso significa que a disponibilidade de suas doses aos brasileiros parece estar muito mais próxima da realidade — e isso teria um benefício mais imediato no enfrentamento da pandemia. O médico Marcio Sommer Bittencourt, do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo, resumiu a questão em uma série de postagens no Twitter. "Sendo simplista, se vacinar 1 milhão [de pessoas] com vacina que reduz 95%, o máximo que você protegeu foi 950 mil pessoas. Se vacinar 200 milhões com uma vacina que reduz 50%, você protege até 100 milhões de pessoas". Ballalai reforça: "Volto a repetir: ter vacina é bom, mas o que elimina a doença é a estratégia de vacinação. Até agora, das candidatas mais avançadas, todas são muito promissoras". Os dados da análise preliminar da CoronaVac foram enviados para a Anvisa na última sexta-feira (8). A agência deve dar um veredicto sobre seu uso no Brasil nos próximos dias. Vídeos: novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Initial plugin text Veja Mais

Imunidade de rebanho: por que a OMS descarta alcançar imunidade coletiva contra Covid-19 em 2021, mesmo com vacinas

Glogo - Ciência Cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, disse que levará algum tempo para atingir o nível de vacinação necessário para conter a pandemia. A cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, pede que as pessoas sejam pacientes Getty Images via BBC Apesar de vários países já estarem aplicando vacinas contra o coronavírus, o mundo não alcançará a imunidade de rebanho em 2021, segundo alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS). "Não vamos atingir nenhum nível de imunidade coletiva em 2021" porque o processo de aplicação de vacinas "leva tempo", disse a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, em uma entrevista coletiva virtual em Genebra. "Leva tempo para dimensionar a produção de doses — não só em milhões, mas aqui estamos falando de bilhões", disse ela, que pediu que as pessoas tivessem "um pouco de paciência". Covax: OMS espera começar a vacinação nos países mais pobres em fevereiro 'Efeito de vacina só a partir de maio', diz diretor do Butantan Swaminathan destacou que no final "as vacinas vão chegar" e que "vão para todos os países". Mas ela lembrou que nesse ínterim "há medidas que funcionam". Ela pediu que as pessoas continuem tomando precauções como o distanciamento físico, a lavagem das mãos e o uso de máscaras em massa para combater a pandemia, cuidados que serão necessários "pelo menos durante o resto deste ano". Estima-se que pelo menos 60% da população mundial precise ser imunizada para que o conceito de imunidade de rebanho (coletiva ou de grupo) comece a surtir efeito. Mas essa cifra ainda é imprecisa e pode ser ainda maior. Alguns especialistas falam num patamar de 80%. Imunidade pode exigir que quase 90% tomem vacina contra a Covid-19, diz imunologista-chefe dos EUA Especialistas calculam mínimo necessário de pessoas imunizadas para conter a Covid E o mundo ainda está longe disso. Até 11 de janeiro, pouco mais de 28 milhões de pessoas foram vacinadas, o que representa apenas cerca de 0,4% da população mundial (7 bilhões). Nesta pandemia, a imunidade de grupo ocorrerá quando uma parcela grande o suficiente da população desenvolver uma defesa imunológica contra o coronavírus. Nesse cenário, a doença não consegue se espalhar porque a maioria das pessoas é imune e ela passa a ter grande dificuldade para encontrar alguém suscetível. Avanço da vacinação Mais de um ano se passou desde que a China relatou os primeiros casos de um novo tipo de pneumonia à OMS, que semanas depois seria batizada de Covid-19. México, Chile e Costa Rica estão entre os países que já estão aplicando a vacina contra covid-19 Getty Images via BBC Desde então, foram registrados 90,9 milhões de casos da doença no mundo e 1,9 milhão de pessoas morreram em todas as regiões do planeta. No Brasil, são 8 milhões de casos e mais de 203 mil mortes. Enquanto o Brasil discute seu plano de vacinação, pelo menos 40 países já começaram a vacinar sua população contra Covid-19. Israel, Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos, China, Rússia, Itália, Canadá são alguns dos países que já começaram a imunizar suas populações. Na América Latina, México, Chile, Costa Rica e Argentina já aplicam a vacina. Uso emergencial da vacina da Moderna é aprovado pela Comissão Europeia Algumas metas são ambiciosas. Israel quer se tornar o primeiro país a acabar com a Covid-19 por meio de vacinação. Já o governo britânico — que aprovou três vacinas contra Covid-19 — anunciou no fim de semana que sua meta é vacinar toda a população adulta até meados de setembro. Das mais de 28 milhões de pessoas vacinadas, a maior parte está na China (9 milhões) e nos Estados Unidos (8,99 milhões), seguidos por Reino Unido (2,68 milhões) e Israel (1,85 milhão). Em proporção ao tamanho da população, Israel está no topo da lista, com mais de 21% de seus habitantes vacinados. Em seguida, aparecem os Emirados Árabes Unidos (11,8%) e Bahrein (5,44%). Os demais, incluindo Reino Unido e EUA, ainda não chegaram a 5% da população imunizada. A corrida mundial entre países para vacinar suas populações, que marca o começo de 2021, já tem revelado problemas logísticos. Entre as preocupações, estão a falta de frascos de vidro para as vacinas, a busca por mais pessoas para vacinar a população, além do suprimento de seringas. Na última conferência de 2020, a OMS disse que, apesar da vacinação, a erradicação do Covid-19 "é um obstáculo muito alto". "A existência de vacina, mesmo com alta eficácia, não é garantia de eliminação ou erradicação de uma doença infecciosa", disse Mark Ryan, chefe do programa de emergências da OMS, no final de dezembro. VÍDEOS: Novidades sobre a vacina Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 11 de janeiro, segundo consórcio de veículos de imprensa

Glogo - Ciência País contabilizou 203.202 óbitos e 8.109.513 casos de Covid-19 desde o início da pandemia. O consórcio de veículos de imprensa divulgou novo levantamento da situação da pandemia de coronavírus no Brasil a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, consolidados às 13h desta segunda-feira (11). Desde o balanço das 20h de domingo (10), seis estados atualizaram seus dados: CE, GO, MG, MS, PE e TO. Veja os números consolidados: Mortes: 203.202 Casos: 8.109.513 No domingo, às 20h, o país registrou 483 mortes pela Covid-19 nas 24 horas anteriores, chegando ao total de 203.140 óbitos desde o começo da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 1.016, a maior nos últimos cinco meses --desde 10 de agosto. A variação foi de +65% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de crescimento nos óbitos pela doença. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 8.104.823 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 29.153 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 53.250 novos diagnósticos por dia, recorde desde que os dados começaram a ser medidos. Isso representa uma variação de +54% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de crescimento também nos diagnósticos. Dezessete estados, mais o Distrito Federal, estão com alta nas mortes: PR, RS, MG, RJ, SP, DF, GO, MT, AM, AP, RO, RR, TO, CE, PB, PI, RN e SE. Pelo terceiro dia seguido, nenhum estado apresentou queda de mortes. Brasil, 10 de janeiro Total de mortes: 203.140 Registro de mortes em 24 horas: 483 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 1.016 (variação em 14 dias: +65%) Total de casos confirmados: 8.104.823 Registro de casos confirmados em 24 horas: 29.153 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 53.250 por dia (variação em 14 dias: +54%) Estados Subindo (17 estados + DF): PR, RS, MG, RJ, SP, DF, GO, MT, AM, AP, RO, RR, TO, CE, PB, PI, RN e SE. Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (9 estados): SC, ES, MS, AC, PA, AL, BA, MA e PE. Em queda: 0 estado Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Estados com alta nas mortes por coronavírus Arte/G1 Estados com estabilidades nas mortes Arte/G1 Sul PR: +78% RS: +29% SC: +4% Sudeste ES: -2% MG: +82% RJ: +145% SP: +97% Centro-Oeste DF: +30% GO: +48% MS: +4% MT: +81% Norte AC: +5% AM: +218% AP: +56% PA: +15% RO: +39% RR: +500% TO: +200% Nordeste AL: +2% BA: 0% CE: +400% MA: -4% PB: +23% PE: +11% PI: +19% RN: +50% SE: +38% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Reino Unido vacina 200 mil por dia contra a Covid-19 e caminha para cumprir meta, diz secretário

Glogo - Ciência Matt Hancock afirmou à BBC que o país deve atingir objetivo de imunizar os mais vulneráveis até meados de fevereiro e de oferecer uma dose para todo adulto do país até o outono do hemisfério norte. O Reino Unido teve recorde de mortes na 2ª onda. A britânica Margaret Keenan, de 90 anos, recebe dose da vacina contra Covid-19 em um hospital de Coventry, na região central da Inglaterra. Ela foi a primeira a receber a vacina da farmacêutica norte-americana Pfizer e da empresa alemã de biotecnologia BioNTech no Reino Unido Jacob King/pool via Reuters O Reino Unido está a caminho de vacinar os mais vulneráveis contra a Covid-19 até meados de fevereiro e de oferecer a primeira dose para todo adulto do país até o outono do hemisfério norte, afirmou neste domingo (10) o secretário de Saúde britânico, Matt Hancock. "Na última semana, vacinamos mais pessoas do que em dezembro inteiro, então estamos acelerando o processo", disse ele à BBC. O Reino Unido está lutando contra a disparada no número de infecções, mas deposita suas esperanças na imunização rápida para iniciar o retorno a algum grau de normalidade até a primavera. Hancock disse que cerca de 2 milhões de pessoas já receberam a primeira dose da vacina da Pfizer-BioNTech ou da Oxford-AstraZeneca. "Nós agora vacinamos cerca de um terço de todos com mais de 80 anos, então estamos progredindo muito, muito bem", disse. Será preciso aplicar 2 milhões de doses por semana para que o governo cumpra a meta de vacinar mais de 14 milhões de pessoas até meados de fevereiro, incluindo pessoas com mais de 70 anos, pessoas com condições clínicas de vulnerabilidade e profissionais de Saúde ou de Assistência Social. A taxa atual é de cerca de 200 mil por dia, disse Hancock. VÍDEOS: novidades sobre as vacinas contra Covid-19 Veja Mais

Vacina de Oxford: o que se sabe até agora sobre a principal aposta de imunização do Ministério da Saúde

Glogo - Ciência O G1 responde às principais perguntas sobre a vacina que foi desenvolvida em parceria com a farmacêutica britânica AstraZeneca, com tecnologia adquirida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Fiocruz entrega à Anvisa o pedido de uso emergencial da vacina de Oxford Os testes iniciais em humanos da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca começaram ainda em abril. A Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a falar que era a opção mais adiantada no mundo na época e, também, a mais avançada em desenvolvimento. Em 27 de junho, o Ministério da Saúde anunciou a compra da tecnologia para produção dentro da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Nesta sexta-feira (8), o pedido emergencial para o uso da vacina foi feito junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). CORONAVAC: veja o que se sabe sobre a vacina produzida pelo Instituto Butantan TIRA-DÚVIDAS: veja as principais questões sobre a vacinação VÍDEOS: perguntas e respostas sobre o coronavírus Veja, abaixo, as principais questões sobre a vacina de Oxford e em seguida as respostas: Como é a vacina de Oxford? A vacina é segura? Onde a vacina foi desenvolvida? Quantos voluntários foram recrutados nos testes? Qual a eficácia? Quantas doses devem ser aplicadas para garantir imunização? A vacina tem efeitos colaterais? Durante os estudos, alguém teve algum evento adverso grave? A vacina pode ser combinada com outro imunizante? O Brasil pode produzir ela por aqui ou precisa comprar de fora? Quantas doses o governo já tem da vacina, que já foram produzidas? Quantas doses da vacina de Oxford o governo pretende aplicar em 2021? Quanto deve custar cada vacina para o governo federal? A vacina já foi aprovada pela Anvisa? Algum país já está aplicando a vacina? Foto sem data divulgada em 23 de novembro mostra frasco da vacina da Universidade de Oxford contra a Covid-19. John Cairns / University of Oxford / AFP 1. Como é a vacina de Oxford? O nome da vacina é ChAdOx1. Ela utiliza uma tecnologia conhecida como vetor viral recombinante. Ela é produzida a partir de uma versão enfraquecida de um adenovírus que causa resfriado em chimpanzés -- e que não causa doença em humanos. A esse imunizante foi adicionado o material genético usado na produção da proteína "spike" do Sars-CoV-2 (a que ele usa para invadir células), induzindo os anticorpos. ENTENDA: Os quatro tipos de vacina contra Covid-19 2. A vacina é segura? Sim. Estudo preliminar publicado em outubro de 2020 e, depois, outra pesquisa publicada em novembro na “The Lancet” mostraram segurança e também a indução de "uma forte resposta imune", principalmente em idosos, durante a fase 2 de testes. Nesta etapa dos estudos, a vacina foi testada em 560 participantes, incluindo 240 pessoas com mais de 70 anos. A fase 2 verifica a segurança e a capacidade do imunizante de gerar uma resposta do sistema de defesa. Normalmente, ela é feita com centenas de voluntários. 3. Onde a vacina foi desenvolvida? O desenvolvimento da tecnologia é da Universidade de Oxford com a farmacêutica AstraZeneca, sendo que ambas estão localizadas no Reino Unido. Brasileiros participaram da corrida: o infectologista Pedro Folegatti esteve na organização dos testes da vacina e também na linha de frente da produção da vacina. A cientista Daniela Ferreira participou com um papel importante e coordenou um dos centros de testes da vacina no Reino Unido. 4. Quantos voluntários foram recrutados nos testes? Para os estudos de fase 3, os pesquisadores analisaram dados de 11.636 pessoas vacinadas no Reino Unido e no Brasil. Cerca de 88% dos voluntários analisados (10.218) tinha de 18 a 55 anos de idade. A vacina da Oxford mostrou resultados animadores na fase 3 de testes 5. Qual é a eficácia? A vacina mostrou eficácia média de 70,4%, com até 90% de eficácia no grupo que tomou a dose menor. Os dados foram publicados na "The Lancet", em dezembro. Na prática, se uma vacina tem 90% de eficácia, isso significa dizer que 90% das pessoas que tomam a vacina ficam protegidas contra aquela doença. 6. Quantas doses devem ser aplicadas para garantir imunização? Todas as vacinas em testes usam duas doses. Entretanto, em dezembro, especialistas britânicos disseram que a vacina de Oxford tem eficácia de 70% com 21 dias após a primeira dose. Isso significa que 7 a cada 10 pessoas vacinadas apenas com a primeira dose da vacina de Oxford ficam protegidas 21 dias depois. Quando a segunda dose é aplicada 12 semanas após a primeira, esse número pode chegar a 100%, diz a AstraZeneca. Entenda a discussão sobre o intervalo maior entre as duas doses da vacina da Covid-19 7. A vacina tem efeitos colaterais? Estudos mostraram que a vacina de Oxford é segura. Os efeitos colaterais mais comuns são leves: dor no local da vacinação, febre e dor de cabeça de intensidade leve ou moderada. 8. Durante os estudos, alguém teve algum evento adverso grave? Nenhum evento adverso grave ou morte foram associados à aplicação da vacina ChAdOx1 nCoV-19. Mas em setembro, os testes foram suspensos temporariamente em todo o mundo para que um comitê independente avaliasse a relação de causa e efeito entre a vacina e o efeito adverso (um quadro de mielite transversa, uma espécie de inflamação na medula). Dias depois, o diretor da Anvisa informou que o comitê não viu relação de causa e efeito entre vacina de Oxford e sintomas adversos e os estudos foram retomados. AstraZeneca e Universidade de Oxford anunciam suspensão temporária dos testes de vacina 9. A vacina pode ser combinada com outro imunizante? Em dezembro, a AstraZeneca e o Instituto Gamaleya, da Rússia, que desenvolveu a candidata a vacina contra Covid-19 Sputnik V, assinaram um acordo para testar uma combinação dos imunizantes. O objetivo é avaliar a imunogenicidade e segurança do uso combinado de um dos componentes da Sputnik V e um dos componentes da vacina de Oxford. 10. O Brasil pode produzir ela por aqui ou precisa comprar de fora? Sim. A Fundação Oswaldo Cruz adquiriu a tecnologia desenvolvida pela universidade e empresa britânicas. Assim, quando o Brasil tiver os insumos e seringas necessários, além da aprovação do registro pela Anvisa, as vacinas poderão ser produzidas, envasadas e distribuídas dentro do país. 11. Quantas doses o governo já tem da vacina, que já foram produzidas? O governo comprou 2 milhões de doses prontas da vacina de Oxford produzidas na Índia, pelo Instituto Serum. Os imunizantes ainda não chegaram ao Brasil, mas, nesta sexta-feira (8), o presidente Jair Bolsonaro enviou uma carta ao primeiro-ministro do país pedindo urgência no envio do material. Itamaraty diz que primeiras doses da vacina de Oxford chegam ainda este mês 12. Quantas doses da vacina de Oxford o governo pretende aplicar neste ano inteiro? O plano divulgado pelo ministro Eduardo Pazuello nesta quinta-feira (7) prevê 100,4 milhões de doses produzidas pela própria Fiocruz até julho. Mais 110 milhões produzidas também no Brasil de agosto a dezembro. E, além disso, 42,4 milhões de doses que devem ser recebidas por meio do consórcio Covax Facility, aliança feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para acesso universal dos países às vacinas. 13. Quanto deve custar cada vacina para o governo federal? Segundo declaração de Pazuello, com a produção da vacina pela Fundação Oswaldo Cruz, cada dose deverá custar U$S 3,75 (cerca de R$ 20) ao governo federal. 14. A vacina já foi aprovada pela Anvisa? Não. A Anvisa recebeu o pedido para uso emergencial feito pela Fiocruz nesta sexta-feira (8). A partir da data, a reguladora terá 10 dias para analisar os documentos e conceder, ou não, a liberação para aplicação de 2 milhões de doses importadas da Índia. A produção feita pela Fiocruz “em casa” precisa do registro definitivo. A fundação diz que irá entregar todos os documentos necessários até 15 de janeiro. ENTENDA: Vacinação emergencial tem regras específicas VÍDEO: Homem de 82 anos recebe primeira dose da vacina de Oxford, no Reino Unido 15. Algum país já está aplicando a vacina? Sim. O Reino Unido começou a vacinar pessoas de grupos de risco com a vacina no dia 4 de janeiro. O país também foi o primeiro do mundo a aprovar o imunizante. Índia, Argentina e México também liberaram o uso da vacina de Oxford em caráter de emergência, mas ainda não começaram a imunização com a vacina. VÍDEOS: Novidades sobre a vacina Veja Mais

CoronaVac: cientistas criticam transparência, mas dizem que vacina será valiosa para conter pandemia no país

Glogo - Ciência A divulgação dos dados preliminares levantou uma série de dúvidas entre os especialistas. Apesar de toda a confusão, os resultados indicam que o imunizante será muito importante nas estratégias de vacinação do Brasil. Caixa da CoronaVac, vacina contra a Covid-19 produzida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Flavio Corvello/Estadão Conteúdo Após muita expectativa e especulação, o anúncio dos resultados preliminares de eficácia da CoronaVac foi recebido com grande entusiasmo após a apresentação do Governo do Estado de São Paulo, na tarde da quinta-feira (7). De acordo com os dados apresentados na coletiva, a vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e testada no Brasil pelo Instituto Butantan conseguiu diminuir em 78% os casos leves de Covid-19 e reduzir em 100% os quadros moderados, graves e as internações. Passada a euforia inicial, muitos cientistas começaram a questionar os números divulgados e as explicações dadas pelos cientistas e representantes do governo paulista. Afinal, o que significam esses números todos? E qual é a real eficácia do imunizante? "O anúncio de quinta-feira foi promissor, mas infelizmente eles não nos mostraram o dado principal, que é justamente a taxa eficácia da vacina", analisa a epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Instituto Sabin de Vacinas, entidade sem fins lucrativos baseada nos Estados Unidos que trabalha para expandir a imunização a todos os cantos do mundo. Entenda a seguir todo o imbróglio e como essas informações divulgadas recentemente podem influenciar as campanhas de vacinação no país. Entenda o que significam os dados de eficácia da CoronaVac Planejamento inicial A CoronaVac está na fase 3 de estudos, a última antes da aprovação pelas agências regulatórias como a Anvisa no Brasil e a FDA nos Estados Unidos. O Brasil é um dos locais onde acontecem esses testes. No país, mais de 12 mil profissionais de saúde foram voluntários nesta etapa derradeira de pesquisa. Esses milhares de indivíduos foram divididos em dois grupos. O primeiro recebeu duas doses da vacina de verdade. O segundo tomou doses de placebo, uma substância sem efeito algum no organismo. É importante mencionar que nem os voluntários, muito menos os cientistas, sabem quem faz parte de qual grupo. Isso evita vieses no estudo, como o efeito placebo (quando, por questões psicológicas, o sujeito acredita que determinado produto está fazendo efeito ao seu corpo mesmo quando ele não recebeu nenhuma substância ativa). Enfermeira segura frasco da CoronaVac antes de aplicação em voluntário no Instituto Emílio Ribas Reuters A partir daí, todas essas pessoas foram acompanhadas para ver se elas pegariam ou não a covid-19. Espera-se que aquelas que tomaram o imunizante estejam mais protegidas e se infectem menos com o coronavírus. Um estudo de fase 3 completo costuma demorar um ou dois anos para ficar pronto. Porém, como estamos numa situação de emergência e é preciso achar soluções com rapidez, os órgãos regulatórios de cada país aceitam as chamadas análises preliminares. Mas o que significa isso? Em resumo, os responsáveis pelo ensaio clínico estabelecem uma meta de eventos, ou um número mínimo de voluntários que tiveram a covid-19, para abrir os dados, compará-los e saber quem tomou vacina ou placebo. A partir daí, basta fazer uma conta matemática relativamente simples que permite determinar a taxa de eficácia. "Com esses resultados iniciais, os responsáveis pela vacina conseguem pedir a autorização emergencial de uso para as agências regulatórias", conta o epidemiologista Eliseu Alves Waldman, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Várias vacinas já passaram ou estão passando por esse processo, como aquelas desenvolvidas por Pfizer, Moderna, AstraZeneca/Universidade de Oxford, Instituto Gamaleya de Pesquisa e Sinovac/Butantan. O imunizante da Pfizer, o primeiro a divulgar esses números, pode ser tomado como exemplo. Sua taxa de eficácia é de 95%. Na prática, isso significa que, de cada 100 pessoas vacinadas, 95 estarão protegidas contra a covid-19. O que ocorreu com a CoronaVac? A confusão que aconteceu após anúncio dos resultados do produto desenvolvido por Sinovac/Butantan parece estar relacionada à forma como foi feita essa análise preliminar. "Antes de ser iniciado, o teste clínico precisa ser descrito num protocolo, que determina os desfechos primários e secundários", explica Garrett, que atuou por mais de 20 anos nos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, o CDC. O desfecho primário é o principal resultado que o estudo pretende encontrar. Já os desfechos secundários são outras observações e medidas que podem ser realizadas durante o trabalho, mas que são de menor importância. Evento para apresentação de dados sobre eficácia da CoronaVac contou com presença do governador de São Paulo, João Doria Reuters No protocolo do Instituto Butantan, o desfecho primário estabelecido lá no início foi determinar a taxa de eficácia da vacina a partir da quantidade de voluntários com casos sintomáticos de covid-19 confirmados por meio de um exame RT-PCR (guarde bem essas duas palavras: casos sintomáticos). No documento, há também a descrição de quatro desfechos secundários. Entre eles, a incidência de casos graves da doença. Porém, na coletiva do governo estadual, os dados de eficácia foram divididos em três categorias, de acordo com a gravidade da infecção. Foi por isso que os especialistas apontaram uma diminuição de 78% nos casos leves e de 100% nos casos moderados e graves. "O problema está aí: no anúncio se falou em casos leves, moderados e graves, enquanto o protocolo estabelecia casos sintomáticos, independentemente do grau", diferencia Garrett. "Parece que foi utilizada uma escala da Organização Mundial da Saúde (OMS) para determinar a gravidade da covid-19, mas isso é subjetivo. O que é um caso leve? Se tiver dor de cabeça é considerado o quê?", questiona a especialista. O outro lado Procurado pela BBC News Brasil, o Instituto Butantan respondeu por meio de uma nota enviada pela assessoria de imprensa: "O Instituto Butantan esclarece que todos os dados necessários para o registro da vacina no Brasil serão submetidos à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e, posteriormente, publicados em revista científica com todos os seus detalhes e de forma absolutamente transparente. Assim que a análise do estudo pela Anvisa foi finalizada, os relatórios serão divulgados. Qualquer outra informação ou suposição de fontes ouvidas pela reportagem é mera especulação." A continuação do texto, os representantes explicam que estudo foi complexo e permite essa apresentação detalhada de resultados por tipo de caso. "O foco do anúncio foi voltado ao impacto da vacina na pandemia e o quanto ela evitará a progressão da doença grave". A nota continua: "Os resultados divulgados nesta quinta-feira demonstram inequivocamente que a vacina é extremamente eficaz, evitando o desenvolvimento de formas graves e até mesmo moderadas da doença, além de internações e óbitos". Afinal, qual a taxa de eficácia? Depois da apresentação, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, deu mais detalhes sobre a taxa de eventos (aquela quantidade de voluntários que pegaram a covid-19 após tomar as duas doses). Segundo o médico, a análise preliminar contou com 220 eventos. Desses, 160 ocorreram no grupo placebo e "pouco menos" de 60 no grupo que recebeu a vacina de verdade. "Considerando esses números, chegaríamos a uma eficácia de cerca de 64%, o que é um número bom", calcula Garrett. Lembrando que essa taxa é apenas uma especulação a partir das poucas informações disponíveis no momento — e, de acordo com reportagem publicada hoje (8/01) no jornal O Globo, o Instituto Butantan só pretende divulgar essa taxa para a Anvisa. Copo meio cheio ou meio vazio? Comparados a índices de 90 ou 95% obtidos por outras competidoras, uma eficácia na casa dos 60% pode parecer frustrante. Mas a verdade é que esse número (se confirmado) é bastante positivo. A própria OMS estabeleceu que qualquer vacina que superasse os 50% de eficácia receberia uma sinalização positiva da entidade. Em segundo lugar, a CoronaVac apresenta uma série de vantagens em relação a suas concorrentes. "Eu prefiro uma vacina de 64% que é de fácil distribuição e acessível do que outra com 90% que eu não consigo levar a todo o país", compara Garrett. O imunizante desenvolvido e testado por Sinovac e Butantan utiliza a tecnologia de vírus inativado, uma das mais tradicionais e com décadas de uso na saúde pública. As doses podem ser armazenadas em geladeiras comuns, o que facilita o transporte e o armazenamento, mesmo nas regiões com menor infra-estrutura. Além disso, os dados relacionados aos desfechos secundários (aquela diminuição de 78% nos casos leves e 100% nos casos moderados e graves e nas hospitalizações) são achados muito promissores. "Falamos de uma vacina capaz de reduzir a gravidade da infecção, o que traz um impacto muito bom na taxa de internações e óbitos", concorda Waldman. A prevenção das complicações da covid-19 pode ajudar a desafogar os sistemas de saúde e controlar a ocupação de enfermarias e leitos de UTI. Outro ponto relevante: pelo observado até o momento, a CoronaVac é bastante segura e não provocou efeitos colaterais sérios durante os testes clínicos. Próximos passos Vale mencionar ainda que a efetividade dos imunizantes no mundo real dependerá de outro fator: a quantidade de pessoas que vai tomar as doses. "Quanto maior for a adesão da população às vacinas, melhor será a proteção coletiva que alcançaremos", observa Waldman. O Instituto Butantan já submeteu os dados para análise e espera uma resposta da Anvisa nos próximos dias. De acordo com o calendário apresentado pelo governo paulista, o início da campanha de imunização no estado está marcado para o dia 25 de janeiro. Mesmo com tantas turbulências, a CoronaVac, pela avaliação dos cientistas, segue como uma das saídas mais próximas para o controle da pandemia no país. Vídeos: novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Initial plugin text Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus em 6 de janeiro, segundo consórcio de veículos de imprensa

Glogo - Ciência País contabilizou 197.956 óbitos e 7.825.616 casos da doença desde o início da pandemia, segundo balanço. Casos e mortes por coronavírus em 6 de janeiro, segundo consórcio de veículos de imprensa O consórcio de veículos de imprensa divulgou novo levantamento da situação da pandemia de coronavírus no Brasil a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, consolidados às 13h desta quarta-feira (6). Desde o último balanço, às 20h de terça-feira (5), seis estados atualizaram seus dados: CE, GO, MG, MS, RN e TO. Veja os números atualizados: Mortes: 197.956 Casos: 7.825.616 Na terça-feira, o país registrou 1.186 mortes pela Covid-19 nas 24 horas anteriores ao balanço divulgado às 20h, chegando ao total de 197.777 óbitos desde o começo da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 723 -- a maior desde 24 de dezembro, antes dos feriados de fim de ano. A variação foi de -7% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de estabilidade nos óbitos pela doença. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 7.812.007 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 57.447 desses confirmados na terça. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 32.260 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de -30% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de queda nos diagnósticos. Cinco estados apresentaram alta na média móvel de mortes: AM, PA, RR, TO e SE. Brasil, 5 de janeiro Total de mortes: 197.777 Registro de mortes em 24 horas: 1.186 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 723 (variação em 14 dias: -7%) Total de casos confirmados: 7.812.007 Registro de casos confirmados em 24 horas: 57.447 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 32.260 por dia (variação em 14 dias: -30%) Estados Subindo (5 estados): AM, PA, RR, TO e SE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (16 estados e o DF): RS, MG, RJ, DF, GO, MS, MT, AC, AP, RO, AL, BA, CE, MA, PB, PI e RN Em queda (5 estados): PR, SC, ES, SP e PE Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). No estado de SP, que aparece com tendência de queda, a comparação com os dados de duas semanas atrás deve ser analisada com cautela. Devido a uma falha no sistema que impossibilitou a divulgação de dados no dia 16 de dezembro, os dados represados para o dia seguinte puxaram a média da semana de referência para cima. Por isso, nesta terça-feira a comparação está apontando para uma tendência de queda que pode não corresponder à realidade. Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em queda Editoria de Arte/G1 Sul PR: -16% RS: -8% SC: -30% Sudeste ES: -16% MG: -6% RJ: +14% SP: -21% Centro-Oeste DF: -14% GO: 0% MS: +6% MT: -15% Norte AC: -15% AM: +88% AP: 0% PA: +30% RO: +12% RR: +129% TO: +64% Nordeste AL: +5% BA: -2% CE: +14% MA: -2% PB: +8% PE: -34% PI: +7% RN: -11% SE: +22% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Chefe da OMS se diz decepcionado por China não autorizar entrada de especialistas em coronavírus

Glogo - Ciência Tedros Adhanom Ghebreyesus disse que a equipe já viajou ao país asiático para as pesquisas sobre a origem do vírus. Primeiros relatos da Covid-19 estavam relacionadas a um mercado de animais em Wuhan, mas cientistas querem mais detalhes sobre como o causador da pandemia 'saltou' para seres humanos. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, em foto de 3 de julho Fabrice Coffrini/Pool via Reuters O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta terça-feira (5) que está "muito decepcionado" com a China porque o país ainda não autorizou a entrada de uma equipe de especialistas internacionais para analisar as origens do coronavírus. "Hoje soubemos que as autoridades chinesas ainda não finalizaram as permissões necessárias para a chegada da equipe na China", disse Tedros em entrevista coletiva em Genebra, na Suíça. Diretor da OMS diz estar 'muito decepcionado' com a China "Tenho mantido contato com altas autoridades chinesas e, mais uma vez, deixei claro que a missão é uma prioridade para a OMS", acrescentou ele aos jornalistas. Os primeiros casos de Covid-19 no mundo foram reportados pelas autoridades chinesas à OMS em 31 de dezembro de 2019. Esses registros vieram da cidade de Wuhan, a primeira a sofrer um surto do coronavírus. Todos os primeiros diagnósticos estavam relacionados, inicialmente, a um mercado que vende animais selvagens mortos para o consumo humano. O mercado de frutos do mar de Wuhan Huanan, onde se suspeita que a nova cepa de coronavírus teria começado a se espalhar. O estabelecimento está fechado desde 21 de janeiro de 2020 Dake Kang/AP No entanto, os cientistas ainda não conseguiram confirmar se realmente o coronavírus "saltou" de um animal para o homem nesse estabelecimento ou se o patógeno já circulava antes a partir de outra origem — o mercado, nessa hipótese, teria servido como um "superdisseminador" da Covid-19 pela aglomeração de pessoas. As análises da origem dos primeiros casos são importantes para entender melhor o novo coronavírus e traçar estratégias para prevenir o surgimento de novas doenças que possam causar epidemias ou pandemias. Uma hipótese levantada nos Estados Unidos, em abril, é de que um funcionário se infectou com o vírus em um laboratório que estuda patógenos do tipo em Wuhan. De lá, sem querer, esse cientista teria disseminado a Covid-19. Entretanto, o governo chinês e os representantes do laboratório negam a versão. VÍDEOS: novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Initial plugin text Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus em 5 de janeiro, segundo consórcio de veículos de imprensa

Glogo - Ciência País contabilizou 196.641 óbitos e 7.756.861 casos da doença desde o início da pandemia. Casos e mortes por coronavírus em 5 de janeiro, segundo consórcio de veículos de imprensa O consórcio de veículos de imprensa divulgou novo levantamento da situação da pandemia de coronavírus no Brasil a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, consolidados às 13h desta terça-feira (5). Desde o último levantamento, às 20h de segunda-feira (4), dois estados atualizaram seus dados: CE e MS. Veja os números consolidados: Mortes: 196.641 Casos: 7.756.861 No balanço da noite de segunda, o país registrou 562 mortes pela Covid-19 nas 24 horas anteriores, chegando ao total de 196.591 óbitos desde o começo da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 707. A variação foi de -9% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de estabilidade nos óbitos pela doença. Em casos confirmados, segundo o levantamento das 20h de segunda-feira, 7.754.560 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus desde o começo da pandemia, com 22.489 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 35.381 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de -28% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de queda nos diagnósticos. Sete estados apresentaram alta na média móvel de mortes: AC, AM, PA, RR, TO, RN e SE. Brasil, 4 de janeiro Total de mortes: 196.591 Registro de mortes em 24 horas: 562 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 707 (variação em 14 dias: -9%) Total de casos confirmados: 7.754.560 Registro de casos confirmados em 24 horas: 22.489 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 35.381 por dia (variação em 14 dias: -28%) Estados Subindo (7 estados): AC, AM, PA, RR, TO, RN e SE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (15 estados e o DF): RS, SC, ES, MG, RJ, SP, DF, MS, MT, AP, RO, AL, BA, MA, PB e PI Em queda (4 estados): PR, GO, CE e PE Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em queda Editoria de Arte/G1 Sul PR: -40% RS: -2% SC: -11% Sudeste ES: -14% MG: -15% RJ: -5% SP: -11% Centro-Oeste DF: -11% GO: -18% MS: +9% MT: -7% Norte AC: +21% AM: +91% AP: +4% PA: +43% RO: +14% RR: +100% TO: +50% Nordeste AL: +15% BA: +2% CE: -39% MA: 0% PB: -7% PE: -24% PI: -7% RN: +22% SE: +20% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Rinoceronte da Era do Gelo é recuperado com órgãos intactos na Rússia

Glogo - Ciência A carcaça foi encontrada por um morador nas margens de um rio no leste da Sibéria em agosto de 2020. Carcaça foi encontrada por um morador nas margens de um rio no leste da Sibéria em agosto de 2020 Reuters via BBC Apesar de ter vivido há mais de 20 mil anos, alguns dos órgãos de um rinoceronte-lanudo ainda estão intactos, com um nível de preservação que impressionou cientistas. Estima-se que o animal, encontrado por um morador no leste da Sibéria, tenha vivido na Era do Gelo. A carcaça veio à tona após o derretimento do permafrost — a camada de solo permanentemente congelada em áreas muito frias — na região de Iacútia, no nordeste da Rússia. Os especialistas vão entregar o rinoceronte a um laboratório na cidade de Yakutsk para saber mais sobre o achado. Lá, os cientistas colherão amostras e conduzirão análises de radiocarbono. Acredita-se que o rinoceronte tenha vivido há mais de 20 mil anos Reuters via BBC 'Uma raridade' Estima-se que o rinoceronte tenha vivido durante o Pleistoceno, era geológica compreendida entre 20 a 50 mil anos atrás. Valery Plotnikov, cientista que examinou os restos mortais, disse à mídia russa que o rinoceronte tinha entre três e quatro anos quando morreu, provavelmente por afogamento. Ela acrescentou que grande parte dos órgãos e tecidos moles do animal permaneceu intacta, incluindo os intestinos e a genitália. "Um pequeno chifre também foi preservado. Isso é uma raridade, porque essa estrutura se decompõe rapidamente", disse Plotnikov à TV russa Yakutia 24 TV. A análise preliminar indica que há vestígios de desgaste no chifre, sugerindo que o rinoceronte "o estava usando para se alimentar", disse. O chifre de rinoceronte foi encontrado quase intacto ao lado da carcaça Reuters via BBC Como a carcaça apareceu? O rinoceronte foi descoberto em agosto por um morador na margem do rio Tirekhtyakh. O achado aconteceu numa região onde outro rinoceronte-lanudo foi encontrado em 2014. À época, esse outro espécime ganhou o nome de Sasha. Acredita-se que ele tenha vivido há 34 mil anos. Nos últimos anos, foram feitas descobertas significativas de restos mortais de mamutes, rinocerontes-lanudos, cavalos e filhotes de leões-das-cavernas em partes da Sibéria. Em setembro do ano passado, os pesquisadores encontraram a carcaça bem preservada de um urso da Idade do Gelo nas ilhas Lyakhovsky, no nordeste da Rússia. Descobertas desse tipo estão se tornando mais frequentes à medida que o aquecimento global derrete o permafrost em vastas áreas dos extremos norte e leste da Rússia. VÍDEOS: Natureza e meio ambiente Veja Mais

Álcool e cafeína são as drogas mais consumidas durante a pandemia, diz neurocientista Carl Hart

Glogo - Ciência Para o professor do departamento de Psicologia e Psiquiatria da Universidade Columbia, em Nova York, o maior consumo dessas substâncias não implicará em dependência pós-covid. Álcool e cafeína são as drogas mais consumidas durante a pandemia, afirma o neurocientista americano Carl Hart — lembrando que a cafeína não está presente apenas no café e na barra de chocolate, mas também em analgésicos e inibidores de apetite. No entanto, para quem acha que, findo o isolamento, haverá um número maior de alcoólatras e viciados em pílulas para emagrecer, Hart dá um freio. Pandemia pode causar alta no consumo de álcool no médio prazo, aponta pesquisa Coronavírus: 'Virei alcoólatra durante a pandemia' Para o professor do departamento de Psicologia e Psiquiatria da Universidade Columbia, em Nova York, o maior consumo dessas substâncias não implicará dependência pós-Covid. Mas ele não duvida que essas drogas venham a ser acusadas de degringolar ainda mais a sociedade para tirar o foco da inabilidade dos governos de lidar com os problemas socioeconômicos advindos da pandemia. Seria assim, em qualquer tempo e crise, com a cocaína, o crack e os opioides — estes últimos apontados como um dos fatores da redução gradativa da expectativa de vida nos EUA. "Culpar os opioides por qualquer diminuição na expectativa de vida é ignorância", reage. Hart vem na toada de "desmistificar que as drogas necessariamente fazem mal" pelo menos desde de 1995, quando recebeu um grupo de jovens negros em seu laboratório em Bethesda, no Estado americano de Maryland. Ali, viu-se numa armadilha. Enquanto demonstrava na lousa a ação das drogas no cérebro, os alunos queriam saber por que os pais deles próprios consumiam as mesmas. Simples assim para os estudantes, mas complicado demais para um cientista como Hart, que até então se debruçara apenas sobre ratos de laboratório, nunca sobre humanos. Não que fosse cru na experiência. A infância na periferia de Miami o fez presenciar gente próxima consumindo crack, cometendo crimes para garantir o consumo e se arruinando com morte precoce ou anos de prisão. Na sua cabeça, era certo que o caminho das drogas não tinha volta. Faltava confirmar isso. Durante o pós-doutorado em Wyoming, no oeste dos EUA, agora lidando com gente, entendeu que essa dedução fatídica estava viciada. A depender, por exemplo, da quantia de dinheiro que oferecia aos sujeitos de pesquisa, e isso fazia parte da metodologia da pesquisa, eles abriam mão das doses. Hart afirmou que esses consumidores de crack e de metanfetamina eram mais senhores de seu destino do que presumiam a academia e as severas políticas públicas de combate. E passou a dizer em aulas e palestras: "Achei que seria capaz de curar a dependência em drogas, mas, ao longo dos anos, aprendi que o problema não era o vício, era a aplicação das leis". Neurocientista diz, porém, que maior consumo dessas substâncias não implicará dependência pós-Covid Reuters Aos 54 anos, o americano assina dezenas de artigos científicos na área de neuropsicofarmacologia e co-escreveu o livro Drugs, Society, and Human Behavior com o professor emérito de neurociência Charles Ksir. Em maio de 2014, esteve no Brasil para lançar "Um Preço Muito Alto: a Jornada de um Neurocientista que Desafia Nossa Visão sobre Drogas e Sociedade (Zahar)", no qual explica seus estudos e narra sua trajetória até se tornar o primeiro professor afrodescendente da Colúmbia, famoso também pelo dreadlock, hoje levemente grisalho. Hart voltou ao País em 2015, quando viralizou a notícia de que teria sofrido preconceito no hotel em que se hospedou, em São Paulo. Informação que ele desmentiu: "O que realmente importa são os negros discriminados dia após dia no Brasil, não um professor burguês, que se hospeda em hotel cinco estrelas". Num sabático até julho, Hart antecipa, sem entrar em detalhes, que seu novo livro traz um capítulo inteiro sobre o Brasil e sua política antidrogas. Drug Use for Grown-Ups: Chasing Liberty in the Land of Fear (Uso de drogas para adultos: em busca da liberdade na terra do medo) será lançado em janeiro e ainda não há previsão da edição em português. BBC News Brasil — Quais drogas têm sido mais consumidas nesses meses de pandemia? Carl Hart — O álcool e a cafeína são as drogas psicoativas mais amplamente disponíveis. Portanto, são as mais consumidas. O álcool pode ajudar a aliviar a ansiedade, e a cafeína, a dar um impulso energético. Não é difícil perceber como essas qualidades podem ser benéficas em uma situação estressante como essa. BBC News Brasil — Você costuma apontar mitos sobre o uso de drogas. Quais identificou durante a Covid-19? Hart — Os mesmos mitos persistem, mas o maior deles é "as drogas fazem mal". A maioria das drogas recreativas faz as pessoas se sentirem bem. Caso contrário, essas pessoas não as aceitariam. Qualquer atividade que valha a pena envolve riscos e benefícios. Voar de avião — ou andar de automóvel — traz o risco da morte. No entanto, praticamente todo mundo viaja por esses meios de transporte. Com as drogas não é tão diferente. A maioria das pessoas não morre por usá-las. É verdade que uma pequena porcentagem, sim. Mas os efeitos predominantes são positivos, como aumento da sociabilidade e euforia. BBC News Brasil — Segundo estudo do Centro Nacional de Estatísticas de Saúde, divulgado em 2019, milhares de americanos morrem anualmente de overdose de opioides. O consumo seria epidêmico a ponto de se tornar um dos fatores da redução gradativa da expectativa de vida nos EUA. Seus estudos confirmam essa informação? Hart — Os eventos que levam a mortes relacionadas às drogas costumam ser muito mais ambíguos e complexos do que os relatos fazem acreditar. A noção de que "milhares de americanos morrem a cada ano de overdose de opioides" é enganosa. Na maioria dos casos, mais de uma substância é encontrada no corpo da pessoa falecida, e as concentrações dessas drogas geralmente não são determinadas. Portanto, é difícil, senão impossível, atribuir a morte a uma única droga, porque não podemos saber qual delas, se é que alguma, atingiu um nível sanguíneo que seria fatal por si só. Além disso, dizer que as overdoses de opioides diminuíram a expectativa de vida é simplesmente errado e imprudente. Em 2017, o número total de mortes nos Estados Unidos foi de pouco menos de 3 milhões. Neurologista diz que espera que outros Estados americanos façam como o Oregon e legalizem o uso de drogas como o LSD e a cocaína PA Media As mortes atribuídas a opioides atingiram um pico de aproximadamente 47 mil, uma pequena fração do total de mortes. Em contraste, o número de mortes por doenças cardíacas e câncer foi de mais de 655 mil e 600 mil, respectivamente. Esses números são altos há muitas décadas. Da mesma forma, o número de americanos mortos por armas permaneceu em cerca de 40 mil por pelo menos três décadas. O mesmo se aplica às mortes por acidentes automobilísticos. Culpar os opioides por qualquer diminuição na expectativa de vida é ignorância. BBC News Brasil — Uma das alternativas para tratar a dependência de opioides é usando anfetaminas, e há quem proponha utilizá-las também para os dependentes de cocaína. Acha esses tratamentos procedentes? Hart — A abordagem agonista (uso de uma substância capaz de provocar uma resposta biológica similar à produzida por outra) é o tratamento mais eficaz. Mas o verdadeiro tratamento agonista para a cocaína seria administrar a própria cocaína como parte desse tratamento. BBC News Brasil — Em novembro, Oregon se tornou o primeiro Estado americano a descriminalizar o porte de drogas pesadas, como cocaína, heroína, LSD e metanfetamina. Acredita que outros Estados americanos tenderão a fazer o mesmo nos próximos anos? Que impacto a descriminalização teria sobre o consumo dessas drogas no país? Hart — Espero que outros Estados sigam Oregon, assim como ocorreu com a legalização da maconha em um terço do país. É a coisa certa a fazer. Ninguém deve ser preso pelo que colocou em seu próprio corpo. As pessoas estão apenas tentando se sentir bem. É ridículo prender alguém com base nisso. É como prender pessoas por se masturbarem. É bobagem. A legalização das drogas provocaria uma diminuição dramática nas prisões por esse motivo. Também aumentaria a qualidade dos medicamentos usados. Isso já ocorreu com o álcool e com a maconha nos locais onde a droga é legal. BBC News Brasil — O uso de drogas tem um forte componente cultural. Você vê alguma diferença importante a esse respeito, considerando a cultura ocidental e oriental, por exemplo? Hart — É claro que as normas sociais influenciam a aceitabilidade do uso de drogas, o tipo usado, a hora do dia aceitável, entre outras coisas. Mas não acho que existam diferenças importantes entre o Ocidente e o Oriente que já não tenham sido observadas em subculturas na sociedade em geral - digamos, em um lugar como o Brasil. As normas culturais do brasileiro rico sobre o uso de drogas, por exemplo, diferem das normas dos brasileiros menos abastados. BBC News Brasil - No Brasil, a guerra contra a indústria do tabaco foi bastante eficiente. Se, em 1989, 35% da população brasileira fumava, até o ano passado essa proporção tinha caído para menos de 10%. Com o isolamento social em 2020, no entanto, teria havido um aumento de 34% no consumo de cigarros. Você já afirmou que o cigarro pode ser mais viciante que a cocaína. Como lidar com o aumento do tabagismo? Hart - O trabalho dos funcionários de saúde pública é informar a população sobre os riscos associados a alimentos, ações, etc. A partir daí, os adultos devem ter permissão para tomar suas próprias decisões sobre se eles se engajam ou não em tais atividades. Fumar, por exemplo, pode aliviar o estresse, mas se essa atitude ou qualquer outra infringir os direitos de terceiros, as autoridades devem tomar medidas — se possível, sem proibir a atividade — para equilibrar a saúde pública com as liberdades individuais. Veja Mais

Calendário astronômico: os eventos para se observar nos céus em 2021

Glogo - Ciência 2021 terá quatro eclipses que podem ser apreciados em diferentes partes do mundo. Veja quais eventos podem ser observados. Céu estrelado na região do Himalaia Divulgação Olhar para o céu trará algumas recompensas em 2021. O novo ano terá um eclipse lunar parcial que será visível no México, América Central e parte da América do Sul (infelizmente não no Brasil), bem como um eclipse solar total e as tradicionais chuvas de meteoros. Além das três superluas, outras datas a destacar dizem respeito à exploração espacial, com o lançamento de missões e a chegada de algumas sondas ao seu destino. 'Superlua'; entenda o fenômeno Este é um calendário dos eventos astronômicos mais importantes de 2021, com uma explicação de onde eles serão visíveis. Eclipses Vista geral do eclipse solar parcial da cidade de Santo André, na grande São Paulo, nesta segunda-feira, 14 de dezembro de 2020. DEIVIDI CORREA/ESTADÃO CONTEÚDO Em 2021, apenas dois quatro eclipses que ocorrerão serão vistos na América Latina. Os outros três serão vistos de forma limitada na região. Veja FOTOS do eclipse solar total na América do Sul, em dezembro de 2020 26 de maio, eclipse lunar total. Nesta data o satélite natural da Terra vai passar pela sombra (umbra) do planeta. À medida que isso acontece, a Lua vai escurecendo gradualmente. Neste ano, por coincidir com o fenômeno da superlua, cuja face parece maior e mais brilhante devido à sua proximidade com a Terra, o eclipse deve ser mais atraente. O eclipse poderá ser totalmente apreciado em países do Pacífico e Leste Asiático, Austrália e oeste da América do Norte. Mas em México, Chile e Argentina, a visão será parcial. 10 de junho, eclipse anular do Sol. Quando a Lua ficar entre a Terra e o Sol nesta data, ocorrerá um eclipse. O resultado será um anel de luz solar. No entanto, o eclipse será parcial, e não total. Este show será visível no Canadá, Rússia e no Oceano Ártico. E parcialmente no nordeste dos EUA e na Europa. 19 de novembro, eclipse lunar parcial. Eclipses como este ocorrem quando a Lua passa parcialmente pela sombra da Terra (penumbra) e apenas parte do satélite passa pela sombra mais escura (umbra). Será visível no México, América Central e na parte mais noroeste da América do Sul, em certas partes da Colômbia, Equador e Peru. Também nos EUA, Canadá e leste da Rússia. 4 de dezembro, eclipse total do Sol. Embora seja o espetáculo mais esperado do gênero, como a Lua bloqueia totalmente a luz do Sol e gera trevas, será um eclipse visível apenas em algumas áreas remotas, entre outras, da Antártica, a Atlântico Sul e parte do extremo sul da África. Chuva de meteoros A chuva de meteoros Orionids é proveniente das fragmentos do cometa Halley Observatório Heller & Jung/Divulgação Como todos os anos, quando a órbita da Terra passa perto dos restos de gelo, poeira e partículas que os cometas perdem após sua última aproximação do Sol, ocorrerá o fenômeno conhecido como "chuva de meteoros" ou "estrela cadente". Na realidade, consiste na passagem de meteoros pela atmosfera. Quando queimados, eles produzem o conhecido efeito visual, linhas de luz que cruzam o céu. Se sobrevivem e chegam ao solo, as rochas são chamadas de meteoritos. Essas chuvas podem ser vistas em quase qualquer lugar do mundo, em lugares com pouca iluminação artificial e uma ampla faixa de horizonte. Os dias para apreciar as diferentes chuvas de meteoros, que recebem os nomes das constelações em que são geradas, serão os seguintes: 3 de janeiro: Quadrantídeos. 22 de abril: Lírico. 4 de maio: Eta aquarídeos. 27 de julho: Aquarídeos delta. 12 de agosto: Perseidas. 7 de outubro: Draconídeos. 21 de outubro: Orionidas. 5 de novembro: Taurídeos do Sul. 12 de novembro: Taurídeos do Norte. 17 de novembro: Leônidas. 19 de novembro: Geminidas. 22 de dezembro: Ursidas. As "superluas" Superlua rosa é vista por trás do Portão de Brandenburgo, em Berlim, em imagem de arquivo de 2020 Reuters/Annegret Hilse Uma "superlua" ocorre quando a órbita da Lua está mais próxima (perigeu) da Terra ao mesmo tempo em que está cheia. No novo ano ocorrerão três "superluas", que costumam ter nomes curiosos por sua cor ou motivo. 8 de abril: Lua Super "rosa". 26 de maio: lua cheia das "flores". 24 de junho: lua super de "morango". Exploração espacial Foto mostra foguete Longa Marcha-5 levandoa sonda Chang'e 5 em imagem de novembro de 2020 Mark Schiefelbein/AP 2021 também será um ano marcante na exploração espacial, pois algumas missões atingirão seu objetivo, enquanto outras serão lançadas. Se tudo correr bem, estas são as datas programadas: 18 de fevereiro: a sonda Perseverance da NASA chega à cratera Jezero em Marte. Fevereiro (dia a ser determinado): chegada da sonda chinesa Tianwen-1 à planície Utopia Planitia de Marte. 22 de julho: NASA lança missão DART aos asteróides Didymos e Dimorphos, com o objetivo de desviá-los, algo que nunca foi feito. 16 de outubro: a NASA lança a missão Lucy para explorar sete asteroides de Tróia que flutuam na órbita de Júpiter e são material primordial de outros planetas, em uma tentativa de decifrar a formação do Sistema Solar. 31 de outubro: A Agência Espacial Europeia, a NASA e sua contraparte canadense lançarão o telescópio James Webb, o mais avançado observatório espacial que substituirá o histórico telescópio Hubble. Veja mais sobre ASTRONOMIA e EXPLORAÇÃO ESPACIAL Veja Mais

Covid-19: 'quem ignora regras de isolamento tem sangue nas mãos', diz médico intensivista britânico

Glogo - Ciência Hugh Montgomery atribui o aumento de casos e mortes ao comportamento das pessoas — e não à nova variante do vírus. Hugh Montgomery teme um novo pico de casos após o Ano Novo Hugh Montgomery Pessoas que não seguem regras de distanciamento social ou não usam máscaras "têm sangue nas mãos", criticou um médico intensivista no Reino Unido. Em entrevista à BBC Radio 5 Live, Hugh Montgomery afirmou que os hospitais estão enfrentando um "tsunami" de casos da Cvid-19, e ele teme que a situação piore após a noite de Ano Novo. Ele fez um apelo para as pessoas aceitarem que vai ser uma virada de ano "infeliz" — e não se reunirem em grupos. Isso reforça a recomendação oficial e da Organização Mundial da Saúde, de ficar em casa e não dar festas. Cerca de 44 milhões de pessoas na Inglaterra estão vivendo agora sob o nível mais severo de restrições, o chamado nível quatro, por conta da pandemia. Mais 50.023 novos casos de Covid-19 foram registrados no Reino Unido na quarta-feira, e 981 mortes (ocorridas em um prazo de 28 dias desde que o paciente testou positivo pela primeira vez) — mais do que o dobro do total do dia anterior. No Brasil, pela primeira vez desde agosto, o número diário de mortes por Covid-19 chegou ao patamar de 1,2 mil na última quarta-feira (30), e especialistas afirmam que o avanço do coronavírus está em alta em todas as partes do país, gerando uma sobrecarga nos serviços de saúde. 'Raiva' Montgomery, que trabalha em unidades de terapia intensiva (UTIs) no Whittington Hospital, em Londres, e lidera um grupo de pesquisa na University College London (UCL), acrescentou: "Estamos com muitos problemas nos tratamentos intensivos no Reino Unido agora." "Há simplesmente um número enorme (de pacientes) dando entrada. Sou solidário também aos nossos serviços de emergência, que estão recebendo um tsunami de casos nas últimas semanas. Todos estão trabalhando no limite máximo." Initial plugin text Ele disse ainda que é errado atribuir o aumento de casos e mortes à nova variante do coronavírus, que é, segundo ele, apenas "ligeiramente" mais transmissível e causa os mesmos sintomas. "Na verdade, isso me deixou com muita raiva, porque as pessoas estão colocando a culpa no vírus - e não é o vírus, são as pessoas. As pessoas não estão lavando as mãos, não estão usando máscaras", declarou. 'Pessoas vão morrer' Segundo ele, todos aqueles que não se distanciam socialmente ou não seguem as regras "têm sangue nas mãos". "Eles estão espalhando este vírus. Outras pessoas vão espalhar, e pessoas vão morrer. Eles não saberão que mataram pessoas, mas mataram." "Estou vendo famílias inteiras serem dizimadas aqui, e isso tem que parar", acrescentou. Montgomery, que estava de plantão ao dar a entrevista, afirmou que era "um grande mito" a ideia de que os hospitais estão lotados de idosos. "As pessoas que estamos recebendo são, como na primeira onda, da minha idade. Tenho 58 anos, e eu diria que metade dos pacientes é mais jovem do que eu. São pessoas de meia-idade ou um pouco mais velhas que estamos recebendo." Ele contou, por exemplo, que havia ido para casa tomar banho depois de um plantão e foi chamado de volta porque uma paciente grávida havia piorado. E fez um apelo às pessoas que estavam pensando em celebrar o ano novo com festa: "Eu realmente sinto muito que este réveillon seja infeliz, mas tem que ser. Por favor, não se reúnam em multidões. Não façam disso o último canto do cisne." O alerta de Montgomery reforça a recomendação do professor Stephen Powis, diretor médico do NHS, sistema de saúde público do Reino Unido, que disse em uma entrevista coletiva na quarta-feira: "Covid adora uma multidão, então, por favor, deixem as festas para depois". Veja Mais

Infecção por Covid-19 garante imunidade por 5 meses, mas vírus ainda pode ser transmitido, diz estudo

Glogo - Ciência Agência de saúde britânica acompanhou 20 mil profissionais da área. Os especialistas reforçam que, mesmo com a nova descoberta, as pessoas precisam continuar com as medidas de proteção. Quem teve Covid está protegido por seis meses segundo Agência de Saúde da Inglaterra Um estudo feito pelo PHE (sigla em inglês para Saúde Pública da Inglaterra) com mais de 20 mil profissionais de saúde britânicos sugere que pessoas infectadas por Covid-19 têm alta probabilidade de possuir imunidade (83%) por pelo menos até cinco meses. Entretanto, há evidências de que aqueles que têm anticorpos ainda podem ser capazes de transmitir o vírus. A análise é preliminar (pré-print) e não foi revisada por outros pesquisadores. A pesquisa foi feita entre junho e novembro e detectou 44 reinfecções em potencial entre 6.614 participantes com teste positivo para anticorpos contra o SARS-CoV-2. Com isso, os dados indicam que a imunidade adquirida de forma natural forneceu uma proteção de 83% contra a reinfeção, em comparação com os trabalhadores que não foram expostos ao vírus. "Agora sabemos que a maioria das pessoas que tiveram o vírus e desenvolveram anticorpos estão protegidas de reinfecção, mas isso não é total e ainda não sabemos quanto tempo dura a proteção", disse Susan Hopkins, consultora médica sênior da PHE e líder do estudo. Entretanto, os pesquisadores britânicos alertaram que as pessoas com a imunidade natural (adquirida por terem contraído a infecção) ainda podem ser capazes de transportar o coronavírus SARS-CoV-2 em seu nariz e garganta e transmiti-lo. “Ainda existe o risco de você adquirir uma infecção e transmiti-la a outras pessoas", completou Hopkins. Os especialistas reforçam que, mesmo com a nova descoberta, as pessoas precisam continuar com as medidas de proteção já conhecidas: distanciamento social, lavagem das mãos e uso de máscaras. A pesquisa vai continuar a acompanhar os participantes por 12 meses para explorar quanto tempo a imunidade pode durar, a eficácia das vacinas e até que ponto as pessoas com imunidade são capazes de transportar e transmitir o vírus. VÍDEOS: Mais vistos do G1 nos últimos dias Veja Mais

Ministério não determina data da vacinação contra Covid, mas diz que campanha só começa quando vacina chegar a todas as capitais

Glogo - Ciência Avião para buscar 2 milhões de doses de vacina da AstraZeneca na Índia decola nesta quarta e deve chegar no sábado, segundo ministro. Outras 6 milhões de doses da CoronaVac importadas da China estão em depósito do Butantan em São Paulo. Vacinas aguardam aprovação de uso emergencial da Anvisa, que deve ser decidida neste domingo. Ministro da Saúde diz que vacinação contra a Covid no país começa em janeiro O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, disse nesta quarta-feira (13) que a campanha de vacinação contra a Covid-19 deverá começar ao mesmo tempo em todas as capitais, sem privilegiar os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, onde ficam o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), instituições que irão produzir as vacinas do Plano Nacional de Imunização (PNI). Avião para buscar 2 milhões de doses de vacina na Índia decola nesta quarta, diz Pazuello "Eu não posso esperar chegar a 5 mil municípios, 38 mil salas de vacinação, para então startar a vacinação. Então, vai começar quando chegar nas capitais. É essa a ideia." explicou. Por enquanto, o governo federal não definiu uma data para o início da imunização nacional. A reunião da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para definir a autorização emergencial das vacinas do Butantan e da Fiocruz está prevista para este domingo (17). No sábado (9), a agência informou que aceitou a documentação enviada pela Fiocruz, mas pediu mais informações para o Instituto sobre a CoronaVac. "É uma equação com várias variáveis. O primeiro aspecto é a aprovação da Anvisa. Estamos aguardando ansiosamente a aprovação das duas vacinas solicitadas, Butantan e AstraZeneca. Vamos começar a vacinação simultaneamente nos 26 estados e no DF. Não vamos começar por um estado só, vai começar em todos ao mesmo tempo". Dezenas de países já começaram a vacinação contra o coronavírus. O Brasil, apesar de ter contrato com a vacina da AstraZeneca/Universidade de Oxford, produzida pela Fundação Oswaldo Cruz, ainda não conseguiu aprovar o produto e iniciar a imunização. Nesta quarta-feira, em visita a Manaus, o ministro da saúde, Eduardo Pazuello, disse que um avião irá decolar para buscar 2 milhões de doses prontas da vacina na Índia. Anvisa se reúne neste domingo (17) para definir autorização emergencial das vacinas Pazuello no Amazonas Ainda durante a visita ao Amazonas, o ministro disse que, em janeiro, o governo terá 8 milhões de doses de dois tipos de vacina contra a Covid-19. Serão 6 milhões de doses da CoronaVac, imunizante produzido pelo Butantan em parceria com o laboratório Sinovac, e outras duas milhões de doses da vacina de Oxford, as mesmas que o avião deverá trazer da Índia. Pazuello afirmou ainda que vai levar de 3 a 4 dias para iniciar a distribuição do imunizante ao estados após a aprovação da Anvisa. "A Anvisa vai se pronunciar no dia 17. Se a Avisa se alongar, para o dia 21 ou 22, botem os números pra frente, mas é janeiro [que começa a vacinação]", afirmou Avião para buscar 2 milhões de doses de vacina na Índia decola nesta quarta, diz Pazuello Previsão anterior No final de dezembro, Élcio Franco havia dito que a vacinação começaria entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro. "Na melhor hipótese, nós estaríamos começando a vacinação a partir do dia 20 de janeiro. Num prazo médio, entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro. E no prazo mais longo, a partir de 10 de fevereiro", disse o secretário-executivo. "Nós precisamos que os fabricantes obtenham o registro junto à Anvisa, e que eles entreguem doses suficientes para que sejam distribuídas. Se o distribuidor obter o registro e eventualmente não tiver dose para distribuir... entenda. O Ministério da Saúde enquanto Ministério da Saúde tem feito a sua parte, fizemos o plano [nacional de imunização], estamos com a operacionalização pronta, nos preparando para esse grande dia, mas precisamos que os laboratórios solicitem o registro". Profissional de saúde prepara dose da vacina contra a Covid-19 da Pfizer/BioNTech. Gil Cohen-Magen/AFP Memorando de intenções Em 10 de dezembro, o Ministério da Saúde anunciou que assinou o "memorando de intenções" para a compra de 70 milhões de doses da vacina da Pfizer em parceira com a alemã BioNTech. Segundo a farmacêutica americana, uma reunião foi realizada com a Anvisa quatro dias depois, em 14 de dezembro. Devido à quantidade de documentos exigidos para o pedido de uso emergencial, a Pfizer informou que o formato de submissão contínua parece ser mais rápido. No mesmo dia em que anunciou o "memorando de intenções" para a compra da vacina da Pfizer, o Ministério da Saúde informou que também há um acordo semelhante para uso da CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan. A vacina tem contrato de fabricação já firmado com o Governo do Estado de São Paulo, de João Doria. Na última quinta (7), o Butantan confirmou que assinou um contrato com o Ministério da Saúde para a aquisição de doses da CoronaVac. O documento prevê o fornecimento de 46 milhões de doses, em quatro entregas até o dia 30 de abril. Há ainda a possibilidade de o órgão federal adquirir do instituto outras 54 milhões de doses, totalizando 100 milhões. Butantan divulga eficácia geral da CoronaVac: 50,38% Veja VÍDEOS com novidades sobre as vacinas contra a Covid-19 Initial plugin text Veja Mais

Com potencial de eliminar casos graves, CoronaVac é adequada para combater pandemia, dizem especialistas

Glogo - Ciência Eficácia geral da vacina foi de 50,38%, segundo anúncio de pesquisadores do Instituto Butantan. O número mínimo recomendado pela OMS e pela Anvisa é de 50%. VÍDEO: 'Temos uma vacina que consegue controlar a pandemia', diz Ricardo Palácios . , A vacina CoronaVac registrou 50,38% de eficácia global nos testes realizados no Brasil, segundo informou o Instituto Butantan, que desenvolve a vacina contra a Covid-19 em parceria com o laboratório chinês Sinovac, em coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira (12). O número mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e também pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é de 50%. PERGUNTAS E RESPOSTAS: Veja o que se sabe sobre a CoronaVac Eficácia e mais 7 tópicos: entenda os conceitos em jogo Chamado de eficácia global, o índice aponta a capacidade da vacina de proteger em todos os casos – sejam eles leves, moderados ou graves. O Butantan também afirmou que a vacina não apresentou reações alérgicas. Para especialistas, apesar desse número estar abaixo do índice divulgado na semana passada sobre casos leves (leia mais abaixo), a vacina é boa e vai ajudar a frear a pandemia do coronavírus no Brasil sobretudo pelos seguintes motivos: é compatível com a nossa capacidade de produção local pode ser armazenada em temperaturas normais de refrigeração, de 2ºC a 8ºC tem eficácia geral dentro do esperado foi testada de forma adequada e dentro do padrão de maior rigor de testes clínicos não teve casos graves nos vacinados que tiveram a Covid-19 Taxas de eficácia da CoronaVac Divulgação/Instituto Butantan "A gente nunca falou desde o início 'eu quero uma vacina perfeita'. A gente falou 'eu quero uma vacina para sair dessa situação pandêmica'. E isso a CoronaVac permite fazer", avaliou a microbiologista Natália Pasternak, que participou da coletiva de imprensa do governo de São Paulo para anunciar os dados. "[A CoronaVac] não vai pôr fim à pandemia instantaneamente. Vai ser o começo do fim. Não significa que não vai poder ver outras vacinas, melhores. É uma vacina possível para o Brasil, adequada para o Brasil, compatível com a nossa capacidade de produção local", continuou. A CoronaVac pode ser armazenada em temperaturas normais de refrigeração, de 2ºC a 8ºC, que são as utilizadas na rede de refrigeração do país. A cientista lembrou que é necessário que muitas pessoas tomem a vacina, qualquer que seja, para que ela funcione na contenção da pandemia. "Uma vacina só é tão boa quanto a sua cobertura vacinal. A efetividade dessa vacina no mundo real vai depender da vacinação", disse Pasternak. A pesquisadora Mellanie Fontes-Dutra, idealizadora da Rede Análise Covid-19 e pós-doutoranda em bioquímica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ressalta a necessidade de uma boa campanha de vacinação para acabar com a pandemia. "É a nossa vacina. Ela vai nos ajudar, vai salvar vidas e, junto de outras vacinas, campanhas de vacinação, medidas de enfrentamento e adesão da sociedade, iniciaremos nossa saída da pandemia", avaliou. “É uma vacina boa, que foi testada de forma adequada e do padrão de maior rigor de testes clínicos, num estudo com protocolo pré-publicado”, acrescentou. O imunologista e pesquisador da USP Gustavo Cabral disse que a eficácia geral era a esperada, já que a tecnologia utilizada é a mesma da vacina da gripe, cuja eficácia fica em torno de 40% a 60% (veja vídeo abaixo). 'Não precisava esperar até hoje para mostrar esses dados', critica o imunologista Gustavo Cabral Ele considera importante reforçar que o Brasil não teve casos graves nos vacinados que tiveram a Covid-19. “Isso é muito bom. Não ter casos graves, pra mim, é maravilhoso”. “Também não tivemos nenhuma reação adversa grave. Para nós, cientistas, isso traz uma confiança muito boa. É uma vacina boa, que não tem efeito adverso, que não gerou efeito grave, que não levou a hospitalização”, completou Cabral. Para o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a eficácia alta para casos graves e mortes é particularmente importante. "Na prática, me parece, pelo gráfico, que essa eficácia global de 50,4% é menos relevante do que a eficácia altíssima que tem pra casos graves e mortes. Porque, na prática, o que a gente quer é evitar internação e óbito. Antes de ler todo o resultado, eu não criticaria e descartaria a vacina pelo fato desse número", disse Hallal explicou que, pensando em imunidade coletiva, o índice pode ser considerado baixo. Mas utilizar uma vacina com eficácia de 50% é "infinitamente melhor" do que não usar nada. "Sem dúvidas, a vacina é capaz de reduzir a circulação do vírus", completou. O professor ressalta que suas considerações são preliminares e ainda aguarda a publicação completa dos resultados para aprofundamento da análise. Eficácia em casos leves Na semana passada, o instituto – que é vinculado ao governo de São Paulo – anunciou que de cada cem voluntários vacinados com a CoronaVac que contraíram o vírus, 22 tiveram apenas sintomas leves, sem a necessidade de internação hospitalar (índice apresentado como de 78% de eficácia para casos leves). Segundo o governo, houve 7 casos graves no grupo que não foi vacinado e nenhum no que foi. Esses números, entretanto, não têm significância estatística, explicou o diretor de pesquisa do instituto, Ricardo Palacios, na coletiva desta terça (12). Isso significa dizer que esses resultados, por enquanto, podem ter ocorrido por acaso – sem ter, necessariamente, a ver ou não com a vacina. Quando os estudos terminarem, pode ser que haja novos números com significância estatística. "O que a gente tem que começar a interpretar é a tendência. Há uma tendência da vacina de diminuir a intensidade clínica da doença", explicou Palacios. "Eu acho que nenhuma das pessoas que trabalha na área biomédica ousaria fazer uma afirmação absoluta. Sempre pode ter um caso ou outro que escapa por diferentes causas. Isso é importante entender. É um dado que sempre temos que ver com cautela", pontuou. Na opinião da infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio RIbas, em São Paulo, "o número mais importante continua sendo os 78%, porque ele consegue ter um impacto muito grande na carga da doença no nosso país e na sobrecarga do trabalho dos profissionais de saúde. Num primeiro momento não ficaremos livre desse vírus, não é o momento de relaxar, mas é o momento que vemos, de fato, uma luz no fim do túnel. A melhor vacina é a que estará disponível para a nossa população". Testes com profissionais de saúde A CoronaVac foi testada com profissionais de saúde. Palacios explicou que os ensaios foram feitos assim porque essa população tem a maior exposição ao vírus – muito maior que a das outras pessoas no geral. “[O teste] não é a vida real exatamente. É um teste artificial, no qual selecionamos dentro das populações possíveis, selecionamos aquela população que a vacina poderia ser testada com a barra mais alta", afirmou Palacios. "A gente quer comparar os diferentes estudos, mas é o mesmo que comparar uma pessoa que faz uma corrida de 1km em um trecho plano e uma pessoa que faz uma corrida de 1 km em um trecho íngreme e cheio de obstáculos. Fizemos deliberadamente para colocar o teste mais difícil para essa vacina, porque se a vacina resistir a esse teste, iria se comportar infinitamente melhor em níveis comunitários”, completou o diretor de pesquisa do instituto. Veja VÍDEOS com novidades sobre as vacinas contra a Covid-19: Veja Mais

Starlink, empresa de Elon Musk, tem sua internet 'ultra rápida' aprovada no Reino Unido

Glogo - Ciência Plano da companhia é lançar pelo menos 12.000 satélites e alcançar velocidades acima de 1 Gb/s (gigabit por segundo). Foto de arquivo de janeiro de 2020 mostra o fundador e engenheiro-chefe da SpaceX, Elon Musk, discursa em uma entrevista coletiva pós-lançamento para discutir o teste de abortamento em voo da cápsula de astronauta Crew Dragon no Centro Espacial Kennedy em Cabo Canaveral, na Flórida, EUA Joe Skipper/Reuters/Arquivo A Starlink, empresa de internet via satélite de Elon Musk, foi aprovada pela agência reguladora de serviços de comunicação do Reino Unido, informou a Bloomberg. O sistema de internet "ultra rápido" também já havia recebido aprovação em Grécia, Alemanha e Austrália. A autorização britânica foi concedida em novembro, mas somente divulgada no último sábado (9). Musk, que é atual homem mais rico do mundo e também fundador da Tesla, pretende implantar uma cobertura global de internet que chegue a locais onde a banda larga atual ainda não tem alcance. A partir de satélites enviados por outra empresa de Musk, a Space X, a rede de satélites está se formando no espaço Plano de 12 mil satélites O plano da companhia é lançar pelo menos 12.000 satélites e alcançar velocidades acima de 1 Gb/s (gigabit por segundo). Initial plugin text A engenheira sênior da SpaceX, Kate Tice, declarou que os testes de velocidade do Starlink alcançaram velocidades maiores do que 100 Mb/s (megabits por segundo), "rápido o suficiente para transmitir vários filmes HD de uma vez". Luzes de satélites surpreendem moradores de várias cidades gaúchas Essa velocidade seria equivalente a da banda larga oferecida em grandes cidades do Brasil. A conexão 4G de celular, por exemplo, varia entre 11 e 35 Mb/s nas capitais, de acordo com relatórios da empresa OpenSignal. A empresa já abriu um registro para que interessados testem o serviço de internet via satélite, que funcionará inicialmente em Washington, nos Estados Unidos. 'Trem' de satélites da SpaceX já foi visto no Brasil: Passagem do Trem de Satélites da SpaceX sobre Brasília, registro de Leo Caldas Veja Mais

Pazuello diz que estuda priorizar a vacinação com 1 dose da Oxford para 'reduzir a contaminação'

Glogo - Ciência Intenção do governo é garantir imunização de maior número de pessoas com cenário de doses limitadas. Fiocruz recomendou a aplicação de duas doses, com intervalo de até três meses entre elas. Pazuello em evento em Manaus nesta segunda-feira (11) Reprodução/Facebook O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou nesta segunda-feira (11) que o foco da vacinação contra Covid-19 no Brasil poderá ser a redução da pandemia em vez de, no primeiro momento, assegurar a 'imunidade completa'. Para Pazuello, o objetivo é frear a contaminação com a aplicação de pelo menos uma dose do imunizante do laboratório Astrazeneca em parceria com a universidade de Oxford. Ao lado do governador Wilson Lima (PSC) e do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), Pazuello anunciou ações de combate à doença justamente em um momento em que a capital vive um colapso no sistema de saúde e funerário. O plano nacional de imunização foi um dos principais temas do discurso. "Essas doses, que com duas doses você vai a 90 e tantos por cento [de imunização], com uma dose vai a 71%. Com 71% talvez a gente entre para imunização em massa, é uma estratégia que a Secretaria de Vigilância em Saúde vai fazer para reduzir a pandemia. Talvez o foco seja não na imunidade completa, mas sim a redução da contaminação e aí a pandemia diminui muito. Podendo aplicar a segunda dose na sequência, chegando a 90%", afirmou. Ele não informou o intervalo pretendido entre a aplicação da primeira e da segunda dose. A imunização, segundo o governo, começa pelo prazo considerado mais otimista, no dia 20 de janeiro. Questionada pelo G1 em relação à aplicação de uma única dose, a Fiocruz informou que: "a AstraZeneca recomenda um regime de vacinação com duas doses, considerando um intervalo de 4 e 12 semanas após a primeira dose. No entanto, o regime de doses a ser adotado no país é uma definição do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, do Ministério da Saúde". A eficácia dessa vacina de Oxford, segundo dados divulgados por especialistas britânicos, é de 70%. Isso significa que 7 a cada 10 pessoas vacinadas apenas com a primeira dose da vacina de Oxford ficam protegidas 21 dias depois. Quando a segunda dose é aplicada, 12 semanas após a primeira, esse número sobe para 80%. As informações foram divulgadas no dia 30 de dezembro. Entenda a discussão sobre o intervalo maior entre as duas doses da vacina da Covid-19 Segundo Pazuello, o Brasil já contratou 354 milhões de doses de vacinas contra o novo coronavírus. Da Fiocruz, que incorpora a tecnologia da Astrazenica Oxford, são 100 milhões de doses até junho e 110 milhões até dezembro, o que totalizaria 210 milhões do doses já contratadas. O epidemiologista da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana, não integra a equipe de pesquisa da vacina, mas diz que "as vacinas que vamos usar não servem para frear o vírus, inclusive, na apresentação, foi enfatizado que ela serve para diminuir casos graves, não para evitar a circulação do vírus. Não há base científica para afirmar que com uma dose é possível proteger e não transmitir. Vacina não é uma fórmula milagrosa que você toma e evita a circulação do vírus". "Se você aplica uma dose, está em teoria subutilizando todo o potencial da vacina dentro do esquema proposto pelo protocolo. Com isso, como você explora menos o potencial imunogênico da vacina, vai ter um número maior de pessoas vacinadas que adoeceram, ainda que com casos leves", diz Orellana. "E dependendo do intervalo que for dado para a aplicação da segunda dose, isso cria outro problema. Quanto maior a distância entre a primeira e segunda dose, maior chance de perder o paciente pelo desinteresse dele". Uso emergencial A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recebeu na última sexta-feira (8) o pedido da Fiocruz para o uso emergencial da vacina de Oxford. O país não tem nenhuma dose do imunizante - o país conta com uma autorização de importação de 2 milhões de doses da vacina de Oxford de um laboratório indiano. Na última semana, Bolsonaro pediu urgência na entrega do imunizante. Esse imunizante já é aplicado, com autorização emergencial, no Reino Unido. O uso emergencial também foi aprovado pela Argentina, México e Índia. Sobre o Butantan, envolvido em um atrito entre os governos do estado de São Paulo e o governo federal, Pazuello disse que atualmente discute a autorização para o uso emergencial de 6 milhões de vacinas importadas pelo instituto ligado ao governo paulista. "O Ministério nunca deixou de trabalhar tecnicamente com o Butantan para comprar a vacina quando estiver registrada e garantida a segurança e eficácia pela Anvisa ou autorização de uso emergencial", afirmou. O Butantan trabalha em parceria com um laboratório chinês na produção da Sinovac. A produção no Brasil do imunizante já começou e soma cerca de 2,8 milhões de doses. "Onde está a dificuldade [para liberação da Anvisa]? Não há registro na China nem autorização de uso emergencial ainda. E a Anvisa tem tido dificuldades de receber toda essa documentação pronta. Nós estamos trabalhando com o Butantan direto para que ele forneça essa documentação", afirmou. " Há todo o interesse do Ministério para que conclua essa análise e nos disponibilize para uso, mesmo que emergencial, os 6 milhões de doses". Sobre o calendário nacional de vacinação, Pazuello falou que todo o país deve começar a imunizar junto. "A vacina vai começar no dia D, na hora H no Brasil. No primeiro dia que chegar a vacina, ou que a autorização for feita, a partir do terceiro ou quarto dia já estará nos estados e municípios para começar a vacinação no Brasil. A prioridade está dada, é o Brasil todo", disse o ministro. Em São Paulo, o governador Doria (PSDB) disse que calendário estadual está mantido - 25 de janeiro. Se o governo federal antecipar a data, os paulistas começarão a receber a vacina com o restante do país. Diagnóstico precoce O ministro reforçou a importância do atendimento precoce. “A gente é competitivo. Se disser que tem que aguentar em casa, o caboclo aguenta até morrer”, disse . “A competição é quem vai primeiro procurar um médico, quem vai primeiro se tratar. Estou sendo enfático”. Pazuello afirmou que é importante que o paciente receba um diagnóstico a partir do exame clínico, independentemente da realização de exames. Veja os vídeos mais assistidos do G1 AM: Veja Mais

Variante do coronavírus é encontrada em pessoas no Japão que estiveram no Brasil

Glogo - Ciência Infectados estiveram no Amazonas. Segundo instituto ligado ao governo japonês, os pacientes apresentaram um vírus com uma mutação semelhante à observada na África do Sul e que preocupa pela capacidade de rápida disseminação. Modelo 3D do Sars-Cov-2, o novo coronavírus Reprodução/Visual Science O governo japonês anunciou neste domingo (10) que as autoridades de saúde do país encontraram uma nova variante do coronavírus em quatro viajantes que estiveram no Brasil e voltaram ao Japão em 2 de janeiro. De acordo com o Ministério da Saúde do Japão, os quatro infectados estiveram no Amazonas — não há detalhes sobre as cidades onde eles estiveram. Segundo o governo japonês, esses pacientes são: Um homem com cerca de 40 anos que chegou ao Japão sem sintomas, mas que, posteriormente, foi internado com dificuldades para respirar; Uma mulher com cerca de 30 anos, com dores de cabeça; Um jovem de idade entre 10 e 19 anos, com febre; Uma jovem também com idade entre 10 e 19 anos, assintomática. O Instituto Nacional de Doenças Infecciosas (NIID, na sigla em inglês), ligado ao governo japonês, explica que se trata da variante B1.1.248 com 12 mutações na proteína de pico. Ela é semelhante aos vírus encontrados na África do Sul e que geraram preocupação por parte de autoridades de saúde pela alta capacidade de disseminação. No comunicado, o NIID alerta que uma dessas mutações é a E484, que preocupa por afetar a capacidade de anticorpos monoclonais neutralizarem a infecção por coronavírus nas células. "Existe a preocupação de que a imunidade convencional contra o vírus possa ser menos eficaz contra vírus com a mutação E484", diz o órgão de saúde japonês. Do ponto de vista clínico, no entanto, não há até o momento indícios de que essas novas variantes causem sintomas mais graves da Covid-19 ou tornem a doença mais letal. Uma variante semelhante a essa causou, em Salvador, um dos poucos casos de reinfecção da Covid-19 no Brasil confirmados até agora. O G1 entrou em contato com o Ministério da Saúde brasileiro, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O Japão decidiu no mês passado proibir a entrada de todos os estrangeiros de 28 de dezembro a 31 de janeiro de 2021, após detectar casos das variantes do coronavírus consideradas mais contagiosas. Cidadãos japoneses e estrangeiros residentes terão permissão para retornar. Na véspera do Natal, o país proibiu a chegada de estrangeiros vindos do Reino Unido. VÍDEOS: novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Veja Mais

Coração, cérebro, pulmão: como a Covid-19 afeta nossos órgãos vitais

Glogo - Ciência Em um ano, o coronavírus mostrou causar muito mais do que uma doença respiratória: ele afeta diferentes partes do corpo por uma mistura de ataque direto a células, alterações na circulação de sangue e uma reação inflamatória exagerada. Principais alvos da Covid-19 são o pulmão e as vias respiratórias, mas vírus tem surpreendido por seu variado ataque, do cérebro aos rins Getty Images via BBC Embora ainda haja muitas perguntas em aberto sobre o coronavírus que parou o mundo há quase um ano, cientistas conseguiram neste período correr contra o tempo e trazer muitas respostas sobre a nova doença — algumas delas surpreendentes. ESTUDO: Maioria dos pacientes com Covid-19 tem ao menos um sintoma seis meses depois da internação Por exemplo, a de que a Covid-19, descrita desde o início como uma doença respiratória, não ataca apenas os pulmões. Conforme o coronavírus foi se espalhando pelo mundo e adoecendo mais pessoas — até aqui, infectando pelo menos 88 milhões no planeta —, médicos e pesquisadores começaram a constatar que órgãos tão diferentes como coração, cérebro e rins também podiam ser afetados, às vezes fatalmente, pelo coronavírus. O patógeno também já causou problemas em dedo dos pés, foi detectado no testículo e ainda nas lágrimas de pacientes — mas é importante lembrar que ser encontrado em uma parte do corpo ou no ambiente não necessariamente significa adoecimento ou transmissibilidade. Em relação aos chamados órgãos vitais, porém, a doença tem gerado incógnitas, pesquisas científicas e, em alguns casos, grande preocupação. Por isso, a BBC News Brasil procurou artigos científicos e pesquisadores brasileiros para responder o que se sabe até aqui sobre as consequências da Covid-19 em cinco órgãos fundamentais para a nossa sobrevivência: pulmões, coração, rins, fígado e cérebro. Vale lembrar que a definição de quais são os órgãos vitais é variada, mas de acordo com os entrevistados, estes cinco estão mais perto de um consenso de serem fundamentais para a continuidade da vida e insubstituíveis, considerando as intervenções médicas existentes. 1. Pulmões Falta de ar é sinal de que pulmão foi afetado, explica pesquisadora Getty Images via BBC Apesar de afetar outras partes do corpo, ainda são "as vias respiratórias e os pulmões" os principais alvos da Covid-19, lembra a pesquisadora Marisa Dolhnikoff, professora associada da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e coordenadora dos Estudos em Autópsia da Covid-19 no Hospital das Clínicas da faculdade. Tudo começa quando uma pessoa sadia entra em contato com gotículas do vírus, como através da tosse ou espirro de alguém infectado, ou ainda por meio do contato com uma superfície contaminada com essas partículas. A partir daí, o vírus começa a "hackear" as células das vias respiratórias (canais que conduzem o ar aos pulmões, como o nariz e a traqueia) e dos pulmões, transformando-as em fábricas de coronavírus que se espalham por mais células. CONTÁGIO PELO AR: especialistas explicam como a Covid é mais transmitida e fazem alerta Estudos analisam sequelas duradouras de pacientes com sintomas leves Tosse, coriza e espirros podem surgir por conta do ataque às vias respiratórias. Esses sintomas também podem ser reflexo do acometimento dos pulmões — mas, segundo Dolhnikoff, o sinal mais claro de que este órgão vital foi afetado é a falta de ar. Um estudo publicado em junho na revista científica Lancet, com dados de 257 pacientes em Nova York (EUA), mostrou que a falta de ar foi o sintoma mais frequente na entrada no hospital, registrado em 74% dos infectados, seguido por febre (71%) e tosse (66%). Ainda segundo a pesquisadora da USP, um outro sinal importante vem das tomografias — quando elas mostram mais de 50% da área dos pulmões acometida pelo coronavírus, este é um indicador de gravidade e de insuficiência respiratória, que demanda suporte como a ventilação mecânica. Ambos pulmões costumam ser afetados juntos. Tanto nas vias respiratórias quanto nos pulmões, o coronavírus encontra um facilitador — células contendo receptores da proteína ECA-2, uma espécie de chave que permite o início da infecção. "Nos casos mais graves, há também infecção dos alvéolos, estruturas responsáveis pela troca gasosa nos pulmões — a captação de O2 do ar para o sangue, e liberação de CO2", explicou por e-mail à BBC News Brasil a pesquisadora. É por isso que os pulmões são vitais — eles nos dão, literalmente, o ar que respiramos. O órgão absorve o oxigênio externo e o distribui para todo o corpo através do sangue e, na via contrária, recolhe o gás carbônico dispensado após vários processos dentro do corpo. "Quando infectadas, as células dos alvéolos sofrem alterações importantes que levam à sua morte, desencadeando um processo de inflamação e edema pulmonar (excesso de líquido) que impedem as trocas gasosas, culminando com a insuficiência respiratória", completa Dolhnikoff, cuja equipe no Hospital das Clínicas está realizando desde o início da pandemia um método inovador de autópsias minimamente invasivas, de forma a evitar o contágio no contato com corpos, para fins de pesquisa. Entenda como a Covid-19 pode afetar outros órgãos, além dos pulmões Além da infecção das células das vias respiratórias e dos alvéolos, em uma segunda frente, os vasos sanguíneos também são atacados. Isso leva ao aumento da coagulação e à formação de trombos (conjunto de sangue coagulado), que dificultam a passagem de sangue nos alvéolos. Com isso, as trocas gasosas são mais uma vez comprometidas. Ainda no início da pandemia, em abril, a equipe que está trabalhando com autópsias na USP publicou no periódico científico Journal of Thrombosis and Haemostasis os resultados destas análises em dez pacientes, demonstrando alvéolos amplamente danificados e pequenos trombos no pulmão — cuja formação devido à Covid-19 era pouco conhecida naquele momento. Quando o quadro pulmonar é muito grave, incluindo um conjunto de indicadores como a insuficiência respiratória e a inflamação sistêmica, ele pode configurar a síndrome do desconforto respiratório aguda (ARDS, na sigla em inglês). 2. Coração Se os pulmões realizam as trocas gasosas, é o coração que bombeia o sangue com oxigênio para o corpo e que volta para os pulmões com sangue repleto de gás carbônico. E, nos quadros mais graves, este órgão muscular e vital é significativamente afetado — podendo levar a óbito. Um estudo de referência, publicado em fevereiro de 2020 com dados de 138 pacientes hospitalizados em Wuhan, mostrou que 16,7% deles desenvolveram arritmia e 7,2% lesão cardíaca aguda — ou seja, dois problemas de saúde atingindo o coração. Aqueles que precisaram ir para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) apresentaram estes quadros com mais frequência. Estudo mapeia impacto no coração em pacientes hospitalizados com Covid-19 De mofo no pulmão a infecção no coração: sequelas da Covid-19 ameaçam 'recuperados' Covid atinge o coração e inflamação em músculo é achada semanas após recuperação, apontam estudos "Na Covid-19, o coração pode ser atingido em até 40% dos casos graves", aponta Marisa Dolhnikoff, acrescentando outras consequências da covid-19 no coração como a miocardite (inflamação no coração), tromboses arteriais e infarto do miocárdio. "Pessoas com comorbidades — diabetes, hipertensão, obesidade e cardiopatias prévias — têm maior risco de manifestação cardíaca na Covid-19." Estudos de várias partes do mundo mostram problemas no coração como uma das comorbidades mais comuns entre pacientes graves infectados — um boletim do Ministério da Saúde de dezembro revelou que, no Brasil, as cardiopatias (doenças no coração) foram o fator de risco mais frequente entre pessoas que morreram por covid-19 no país, seguidas por diabetes. Dolhnikoff explica que as células cardíacas também têm receptores da proteína ECA-2, ativadas no ataque direto do vírus ao órgão. Mas o órgão pode ser afetado também pela inflamação sistêmica, reação exagerada do corpo que leva a diversas alterações prejudiciais como a baixa de oxigênio e à chamada tempestade de citocinas — substâncias agressivas que o sistema imunológico libera para atacar um invasor, mas que, em excesso, podem acabar atacando partes vitais para nossa sobrevivência, como o coração. A partir da autópsia e de exames referentes ao caso de uma menina de 11 anos que perdeu a vida para a Covid-19, Dolhnikoff e sua equipe conseguiram demonstrar o ataque do vírus a diversas células do coração, nas quais foram encontradas partículas do vírus. A resposta inflamatória agravou o problema, levando à falência cardíaca e morte. O pulmão da criança também foi afetado, mas os cientistas identificaram o coração como o órgão mais comprometido pelo vírus. Os resultados foram publicados no periódico internacional Lancet Child & Adolescent Health. 3. Rins Assim como acontece com o coração, quando os rins são afetados pela Covid-19, o nível de alerta é aumentado. "A lesão renal é incremental, compõe o quadro de um doente mais complexo. São doentes muito graves. Quando a doença é avassaladora, ela é avassaladora", resume o nefrologista José Suassuna, chefe do Setor de Nefrologia do Hospital Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Hupe/Uerj). Os rins são vitais por regularem a concentração de água no sangue e por eliminarem detritos tóxicos do corpo. No artigo publicado no periódico Lancet envolvendo 257 pacientes em Nova York, 31% desenvolveram lesões agudas neste órgão e precisaram das chamadas terapias de substituição renal, que incluem intervenções como a hemodiálise — este procedimento, em linhas gerais, substitui o órgão no trabalho de filtrar o sangue. Mais de um terço de pacientes internados com Covid-19 apresentam lesões nos rins Neste grupo nos Estados Unidos, 14% já tinham alguma doença crônica afetando os rins antes da Covid-19. "Grupos de risco como obesos, diabéticos, pessoas com doenças cardiovasculares e idosos muitas vezes já têm algum grau de comprometimento renal — então, quando infectados pelo coronavírus, não partem do 0. Eles já estão na metade do caminho e caminham mais rapidamente para a insuficiência renal aguda e para a necessidade de suporte", explica Suassuna, destacando porém que há casos em que o paciente não tem fatores de risco mas tem os rins comprometidos. De acordo com o nefrologista, os rins também têm receptores ECA-2, mas as evidências até agora indicam que possivelmente não é este ataque direto do vírus ao órgão o principal motivo de acometimento dos rins. Mais uma vez, a inflamação exacerbada do corpo ao coronavírus parece ter um papel importante. Uma evidência disso é a conexão entre os pulmões e o rins, a chamada cross talk entre os órgãos. "É uma ligação cruzada, a situação em que o acometimento de um órgão determina o de outro. Na covid-19, isso tem se mostrando entre rins e pulmões, assim como pulmões e coração. O envolvimento pulmonar mais grave se associa a um risco muito maior para os rins. Há uma associação grande entre entubar e a insuficiência renal", aponta Suassuna, explicando que quando há esta insuficiência nos rins, o paciente deixa de urinar, precisando de suporte. Além disso, outra explicação para o acometimento simultâneo de vários órgãos na fase mais avançada da infecção é a baixa oxigenação. "A Covid-19 nos deixa com uma oxigenação como se estivéssemos subindo o Himalaia, mesmo estando a nível do mar. Uma parte funcional do rim, que ajuda a produzir a urina, já vive como se estivesse no Everest — no que a gente chama de hipoxia, uma oxigenação muito baixa", diz o médico, também professor da UERJ. "O rim é um órgão muito sensível às quedas de oxigenação prolongadas porque já vive na beira do precipício. E à piora da oxigenação se soma a tempestade de citocinas, um mecanismo importante da disseminação do dano da covid do pulmão para o resto do corpo." Apesar de seu adoecimento ser um indicador de gravidade, os rins também podem ser afetados em casos mais leves, explica Suassuna. Entretanto, talvez isso nunca se manifeste em sintomas, mas apenas exames específicos de urina e de alteração da função renal. "Os rins, em qualquer doença, sofrem em silêncio — e Covid-19 não é uma exceção", explica Suassuna, acrescentando que esse órgão é afetado bilateralmente, ou seja, adoece tanto do lado esquerdo quando direito. "Não tem grande manifestação de sintomas, a maior parte dos sinais só aparece no laboratório. Temos pacientes iniciando diálise que não sentem nada, apenas quando já têm menos 10% da função renal. De repente, param de urinar." 4. Fígado Exames também já detectaram, em alguns pacientes, alterações no fígado — que tem entre suas funções eliminar toxinas do corpo, regular o açúcar no sangue e ajudar na digestão de gorduras. Entretanto, diferente de outros órgãos, tais alterações não necessariamente significam o adoecimento do órgão. "As enzimas hepáticas (substâncias produzidas pelo órgão) estão elevadas em cerca de 15 a 60% dos casos de COVID-19, o que sugere acometimento do fígado. Porém, estas alterações das enzimas em geral não provocam sintomas", explica o hepatologista Edmundo Lopes, médico do Hospital das Clínicas e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). "Apesar destes distintos mecanismos de agressão ao fígado durante a Covid-19, ele não é comumente nem intensamente comprometido, como ocorre com outros órgãos, como os pulmões, o coração e os rins", diz. "As explicações para esta 'menor' agressão ao fígado ainda não estão bem elucidadas." Os distintos mecanismos de agressão mencionados por Lopes passam, mais uma vez, pelos efeitos da inflamatória sistêmica no corpo e também, no caso desse órgão responsável por lidar com substâncias potencialmente tóxicas, por eventuais danos provocados pelos medicamentos usados contra a Covid-19. A ação direta do vírus sobre o órgão também é uma possibilidade, até porque as células hepáticas chamadas de colangiócitos têm receptores ECA-2. Entretanto, segundo o professor da UFPE, essa via direta "nunca foi muito bem demonstrada" na ciência. "As evidências sugerem que o processo inflamatório (tempestade de citocinas) parece ter um papel relevante na agressão ao fígado, já que os pacientes mais graves e que apresentam maiores indícios de atividade inflamatória nos exames laboratoriais são os que apresentam mais frequentemente e mais intensamente alterações das enzimas hepática", escreveu o hepatologista por e-mail à BBC News Brasil. 5. Cérebro Covid-19 leve tem deixado efeitos neurológicos como maior ansiedade e cansaço e, nos casos graves, derrame e convulsões Getty Images via BBC Se tem um órgão que os entrevistados dizem estar rodeado de incógnitas sobre seu acometimento pela Covid-19, é o cérebro. Fato é que diversos estudos e relatos de casos já mostraram que ele pode ser afetado, dos quadros leves aos graves. A pesquisadora Clarissa Yasuda, médica e professora do departamento de neurologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que o diga: ela mesma teve Covid-19 em agosto e conta ainda sentir consequências relacionadas ao cérebro, como sono, fadiga e alterações na memória. Impacto da Covid em funções cognitivas pode equivaler a envelhecimento de 10 anos do cérebro, sugere estudo Covid afeta o cérebro e pode causar alterações mesmo em pacientes leves, aponta estudo brasileiro Coronavírus: como a Covid-19 danifica o cérebro Ela e colegas publicaram em outubro um estudo em estágio pré-print (sem a chamada revisão dos pares, etapa padrão em que outros especialistas analisam um estudo e decidem se ele será publicado ou não em uma revista científica) com dados sobre 81 pessoas que tiveram Covid-19 leve e se recuperaram. Esses voluntários foram submetidos a exames de ressonância magnética, que detectaram alterações no córtex, a parte mais externa do cérebro e fundamental para processos envolvendo a memória, linguagem, entre outros. Questionários e testes cognitivos também mostraram que, em média 60 dias após o diagnóstico da covid-19, os pacientes ainda apresentavam dor de cabeça (40%), fadiga (40%), alteração de memória (30%), ansiedade (28%), depressão (20%), perda de olfato (28%) e paladar (16%), entre outros. Aliás, Yasuda lembra que a perda destes sentidos é considerada pelos especialistas um sintoma neurológico — precisamos do cérebro para sentir gostos e cheiros. "Acho que não estava na conta de ninguém imaginar que pessoas que não foram internadas, que seriam quadros 'leves', pudessem ficar com uma gama de alterações neurológicas incapacitantes, como observamos não só aqui mas no mundo inteiro", diz a neurologista, fazendo a ressalva de que o grupo de voluntários estudados foi formado por pessoas que já estavam relatando sintomas neurológicos, então há uma inclinação de que estes sejam mais frequentemente registrados do que se o estudo envolvesse uma população mais ampla. "Além desses casos leves (que estão mostrando consequências prolongadas), há o grupo de alterações neurológicas por Covid-19 que surgem na fase aguda e que podem ser bem graves — como derrame, encefalite, convulsão e redução do nível de consciência. Em alguns casos, os derrames aumentam a chance de AVC (acidente vascular cerebral). Não sabemos se estes efeitos serão transitórios ou se deixarão sequelas." Parte da equipe que está trabalhando com autópsias no Hospital das Clínicas da FMUSP, o médico Amaro Nunes Duarte Neto relata que uma alteração muito comum observada nos cérebros de pessoas que morreram após a infecção pelo coronavírus é a lesão dos neurônios. "São lesões cerebrais decorrentes da hipóxia (oxigenação diminuída) pelo acometimento pulmonar grave na covid-19, não atribuídas diretamente ao vírus", explicou por e-mail o pesquisador. Isto porque, como em outros órgãos, os efeitos da Covid-19 não necessariamente ocorrem devido ao ataque direto do coronavírus, mas sim pelas consequências da resposta inflamatória do corpo e de alterações na circulação do sangue, entre outros. Por exemplo, Duarte Neto relata também a observação, nas autópsias, de microsangramentos nos vasos que irrigam o órgão, além da hipertrofia dos astrócitos — células em torno dos vasos cerebrais e que dão suporte fundamental para os neurônios. Na publicação em pré-print da qual Yasuda foi uma das autoras, a equipe demonstrou que os astrócitos foram o principal alvo do coronavírus no cérebro. Isto também a partir de 26 autópsias minimamente invasivas, realizadas por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP. Mesmo que nem todo efeito neurológico do coronavírus seja atribuído ao seu ataque direto, os pesquisadores entrevistados dizem que há sinais de que o patógeno chega até o cérebro através do nariz, pelo mesmo caminho que um aroma "faz" para chegar até lá. Ainda assim, "o conhecimento sobre o mecanismo de lesão do vírus Sars-CoV-2 no sistema nervoso central ainda é pouco esclarecido", diz o pesquisador da USP. A professora Clarissa Yasuda concorda. "É muita coisa que a gente não sabe, muita coisa para ser estudada: o quanto desses quadros neurológicos tem um componente inflamatório, o quanto é autoimune, o quanto é um ataque direto do vírus. Ninguém tem uma resposta, mas acho que é uma combinação disso tudo." VÍDEOS: Mais vistos do G1 nos últimos dias Veja Mais

Voluntário brasileiro que participou de estudos da vacina da Janssen tem efeito adverso grave, diz Anvisa

Glogo - Ciência Agência reguladora não informou gênero e idade de participante. Estudo não foi interrompido porque todos os pacientes já haviam sido recrutados. Frasco com dose de vacina contra a Covid AP Photo/Francisco Seco, Pool Um voluntário brasileiro que participou dos testes de fase 3 da vacina da Janssen apresentou um efeito adverso grave, segundo anúncio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta sexta-feira (8). Fiocruz entrega à Anvisa o pedido de uso emergencial da vacina de Oxford Anvisa recebe pedido de uso emergencial da CoronaVac pelo Instituto Butantan Anvisa aprova regras para uso emergencial de vacinas contra Covid-19 Em nota, a agência reguladora informou que os estudos de fase 3 no Brasil não precisaram ser suspensos, já que o último voluntário foi recrutado em 9 de dezembro. O evento, segundo a Anvisa, ocorreu em 2 de janeiro. A idade, o gênero e o quais eventos adversos ocorreram não foram informados. "Não serão divulgados dados sobre o (a) voluntário (a) ou se a pessoa fazia parte do grupo que foi imunizada com a vacina propriamente dita ou se era do grupo de controle, que recebe um placebo", explicou a Anvisa, que também disse que "os dados sobre voluntários de pesquisas clínicas devem ser mantidos em sigilo". Veja Mais

Agência Europeia de Medicamentos aprova uso emergencial da vacina da Moderna contra a Covid-19

Glogo - Ciência Para que o imunizante seja liberado para a aplicação, a Comissão Europeia precisa aprová-lo – o que deve acontecer ainda nesta quarta. Países da União Europeia começaram a imunizar suas populações em 27 de dezembro com a vacina da Pfizer/BioNTech. Agência Europeia de Medicamentos se reúne pra aprovar vacina da Moderna A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) – órgão equivalente à Anvisa, no Brasil — aprovou nesta quarta-feira (6) o uso emergencial da vacina contra a Covid-19 fabricada pela empresa Moderna. O imunizante, que deve ser o segundo aprovado na União Europeia, poderá ser aplicado em pessoas maiores de 18 anos. Com a luz verde da EMA, o passo final antes do início da distribuição e aplicação das doses da vacina para os 27 países do bloco é uma autorização da Comissão Europeia – que deve acontecer ainda nesta quarta, segundo fontes citadas pela agência de notícias Reuters. Stella Kyriakides, comissária de Saúde da União Europeia, disse em uma rede social que a aprovação final sairá "em breve". "Com a aprovação da vacina da Moderna pela EMA, estamos mais próximos de nosso objetivo de ter um portfólio de vacinas contra a Covid-19 seguras e eficazes", disse Kyriakides. A vacina da Moderna foi aprovada com o imunizante da Pfizer/BioNTech já em uso emergencial na região. Ambas as vacinas – Pfizer/BioNTech e Moderna – usam moléculas de mRNA (ácido ribonucléico mensageiro) para fazer com que as células humanas produzam imunidade ao "espinho" do coronavírus e, assim, evitar que ele consiga se fixar. Veja no VÍDEO abaixo como funciona. Vacina da Pfizer contra Covid usa tecnologia chamada de RNA mensageiro; veja como funciona As duas empresas usaram uma formulação ligeiramente diferente que resultou em requisitos diferentes de armazenamento refrigerado: -70°C para a Pfizer; -20°C para Moderna. Uma diferença é que a Moderna solicitou a aprovação para maiores de 18 anos, enquanto a aprovação da Pfizer é para maiores de 16 anos. Vacina da Moderna A Moderna, uma pequena empresa de biotecnologia sediada em Massachusetts, fez parceria com cientistas do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos para desenvolver a vacina. Os trabalhos começaram em janeiro, logo após a China compartilhar o genoma do vírus Sars-Cov-2, segundo a agência France Presse. Farmacêutica Moderna afirma que sua vacina é 94,5% eficaz contra Covid-19 De acordo com testes clínicos com 30,4 mil voluntários, a vacina da Moderna é 94,1% eficaz na prevenção da Covid-19 em comparação ao placebo, com desempenho ligeiramente melhor em adultos jovens em comparação com idosos. Voluntária recebe dose da vacina da Moderna nos EUA JN VÍDEOS com novidades sobre as vacinas Initial plugin text Veja Mais

Antártica: os países que disputam a soberania do continente gelado

Glogo - Ciência O chamado 'continente branco' é o único que não pertence a nenhum país e é regido por um tratado internacional. No entanto, 7 nações reivindicam parte de seu território. A Antártica não tem dono, mas 29 países com presença ativa no continente decidem seu presente e futuro Getty Images via BBC A Antártica é o continente mais frio, seco e ventoso da Terra, e isso explica por que é o único sem uma população nativa. No entanto, o quarto maior continente do mundo — depois da Ásia, América e África — é um dos lugares mais cobiçados do planeta. Sete países reivindicam partes de seu extenso território de 14 milhões de quilômetros quadrados. Alguns são nações próximas, como Argentina, Austrália, Chile e Nova Zelândia. Mas também três países europeus — França, Noruega e Reino Unido — reivindicam soberania sobre setores da Antártica. Por que o Brasil e o mundo querem um pedaço da Antártica? 'Isolamento dentro do isolamento': como vivem os brasileiros na Antártica A primeira a instalar uma base permanente na região e declarar sua soberania ali foi a Argentina, em 1904. A Base das Orcadas é a mais antiga estação científica antártica ainda em funcionamento. O país sul-americano considerou a região como uma extensão de sua província mais ao sul, Tierra del Fuego, bem como das Malvinas (ou Falklands), Geórgia do Sul e Ilhas Sandwich do Sul. No entanto, o Reino Unido, que controla essas ilhas, fez sua própria reivindicação antártica em 1908, sobre uma região que engloba completamente o setor demandado pela Argentina. O Chile acrescentou sua própria reivindicação anos depois, em 1940, também com base no fato de ser uma extensão natural de seu território. A Antártica chilena — como ali é conhecida — faz parte da Região de Magalhães, a mais meridional das 16 regiões em que o país se divide, e se sobrepõe em partes às terras antárticas pleiteadas pela Argentina e pelo Reino Unido. As outras reivindicações de soberania são baseadas nas conquistas feitas por famosos exploradores da Antártica no início do século 20. A da Noruega é baseada nas explorações de Roald Amundsen, o primeiro a atingir o Polo Sul geográfico, em 1911. E as reivindicações da Nova Zelândia e da Austrália baseiam-se nos feitos antárticos de James Clark Ross, que ergueu a bandeira do Império Britânico em territórios que foram colocados sob a administração desses dois países pela Coroa Britânica, em 1923 e 1926, respectivamente. Enquanto isso, a França também reivindica uma pequena porção do solo antártico que foi descoberto em 1840 pelo comandante Jules Dumont D'Urville, que a batizou de Adelia Land, em homenagem à sua esposa. Países que reivindicam soberania na Antártica Arte/BBC Sem donos Além dessas reivindicações soberanas, 35 outros países, incluindo Alemanha, Brasil, China, Estados Unidos, Índia e Rússia, têm bases permanentes no continente branco. Porém, o lugar que muitos chamam de Polo Sul (por conter o Polo Sul geográfico) não pertence a ninguém. Desde 1961 ele é administrado por um acordo internacional, o Tratado da Antártica, que foi assinado em 1º de dezembro de 1959 originalmente pelos sete países com reivindicações soberanas mais cinco outros: Bélgica, EUA (onde o acordo foi assinado), Japão, África do Sul e Rússia. O tratado, firmado no contexto da Guerra Fria, procurou evitar uma escalada militar, afirmando que "é do interesse de toda a humanidade que a Antártica continue sempre a ser usada exclusivamente para fins pacíficos e que não se torne palco ou objeto de discórdia internacional". VÍDEO: estação brasileira na Antártica O pacto congelou as reivindicações territoriais existentes e estabeleceu que a Antártica se tornasse uma reserva científica internacional. Também proibiu os testes nucleares e "todas as medidas de natureza militar, exceto para colaborar com a pesquisa científica". Desde então, outras 42 nações aderiram ao tratado, embora apenas 29 — aquelas que conduzem "atividades de pesquisa substanciais" — tenham poder de voto e possam tomar decisões sobre o presente e o futuro da Antártica. Até agora, todos os membros do pacto concordaram em continuar proibindo qualquer outra atividade na Antártica que não seja científica. Riqueza Mas por que tanto interesse em um continente coberto quase inteiramente de gelo? Uma das principais razões tem a ver com o que potencialmente se encontra sob esse gelo: recursos naturais abundantes. A Antártica é o único continente que não pertence a nenhum país, embora vários reivindiquem uma parte sua Google Earth "Há uma razão pela qual os geólogos costumam ocupar o lugar de maior destaque (nas bases científicas da Antártica)", observa o documentarista e jornalista Matthew Teller, que escreveu extensivamente para a BBC sobre o continente branco. Apesar de a extração de petróleo e a mineração serem proibidas pelo Tratado da Antártica, ela pode ser explorada para fins científicos. Assim, os especialistas conseguiram estimar que sob o solo antártico existem cerca de 200 bilhões de barris de petróleo, diz Teller. "Muito mais do que Kuwait ou Abu Dhabi", destaca. Porém, hoje não é viável explorar esses recursos, pois — além de expressamente proibido — o custo de extração seria muito alto. Isso porque, ao contrário do Ártico, que é composto principalmente de oceano congelado, a Antártica é um continente rochoso coberto de gelo. E essa camada de gelo pode atingir quatro quilômetros de profundidade. Enquanto isso, a construção de plataformas de petróleo offshore perto da costa antártica, onde se acredita que existam vastos depósitos de petróleo e gás, também seria muito cara, porque a água ali congela no inverno. Porém, avisa Teller, "é impossível prever em que estado estará a economia mundial em 2048, quando chegará a hora de renovar o protocolo que proíbe a prospecção antártica". "Nesse cenário, um mundo faminto por energia poderia ser desesperador", diz ele. Além de petróleo e gás, acredita-se que a região da Antártica seja rica em carvão, chumbo, ferro, cromo, cobre, ouro, níquel, platina, urânio e prata. Plataforma continental O mar na Antártica também possui grandes populações de krill e peixes, cuja pesca é regulamentada pela Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos da Antártica. Todas essas riquezas naturais explicam por que os países que reivindicam partes da Antártica também entraram com ações junto à Organização das Nações Unidas (ONU) para exigir seus direitos de propriedade sobre o fundo do mar adjacente aos territórios antárticos que reivindicam. Em 2016, a Comissão das Nações Unidas sobre os Limites da Plataforma Continental (CLPC) reconheceu o direito da Argentina de estender seus limites externos no Atlântico Sul, o que permitiu ao país sul-americano adicionar 1,6 milhão de quilômetros quadrados de superfície marítima. No entanto, a CLPC não se pronunciou sobre a reclamação relacionada aos territórios antárticos, uma vez que a organização não considera ou emite recomendações sobre as áreas em disputa. Vídeos mostram derretimento de geleiras na Antártica Benefícios menos conhecidos Existem mais duas utilidades potenciais que o continente branco possui, que são únicas, mas menos conhecidas do que as riquezas naturais tradicionais. Enquanto muitos se concentram nos benefícios econômicos potenciais que jazem quilômetros sob o gelo ou nos mares, eles negligenciam o que muitos consideram ser o bem mais precioso do futuro: água doce. O gelo que cobre a Antártica é a maior reserva de água doce do mundo, um recurso essencial escasso que pode um dia valer mais que ouro. Estima-se que a Antártica contenha 70% da água doce do planeta, já que 90% de todo o gelo da Terra está concentrado ali. E há muito mais água doce congelada do que a encontrada sob o solo e em rios e lagos. Se considerarmos que 97% da água do mundo é salgada, é possível entender a importância desse recurso hídrico congelado no extremo sul do planeta. A outra vantagem pouco conhecida da Antártica tem a ver com seus céus, que são particularmente limpos e excepcionalmente livres de interferência de rádio. Isso os torna ideais para pesquisas no espaço profundo e rastreamento de satélite. "Mas eles também são ideais para estabelecer redes secretas de vigilância e controle remoto de sistemas de armas de ataque", ressalta Teller. A Austrália avisou que a China poderia usar sua base científica de Taishan — a quarta do país em território antártico, construída em 2014 — para fazer vigilância. "As bases antárticas estão cada vez mais tendo um 'uso duplo': a pesquisa científica mas que também é útil para fins militares", denunciou o governo australiano em 2014. No entanto, o sistema de navegação por satélite chinês, BeiDou, está em conformidade com as regras do Tratado da Antártica, assim como o sistema Trollsat da Noruega. VÍDEOS: Mais vistos do G1 nos últimos 7 dias Veja Mais

Taxa de transmissão da Covid-19 está em 1,04 no Brasil, aponta Imperial College

Glogo - Ciência A estimativa significa que cada 100 pessoas infectadas no país contaminam outras 104. Mutação do coronavírus JN A taxa de transmissão (Rt) do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no Brasil está em 1,04, aponta o monitoramento do Imperial College de Londres, no Reino Unido, divulgado nesta terça (5), que leva em conta os dados coletados até a segunda-feira (4). Isso significa que cada 100 pessoas com o vírus no país infectam outras 104. Pela margem de erro das estatísticas, essa taxa pode ser maior (Rt de até 1,26) ou menor (Rt de 0,92). Nesses cenários, cada 100 pessoas com o vírus infectariam outras 126 ou 92, respectivamente. Os cientistas apontam que "a notificação de mortes e casos no Brasil está mudando; os resultados devem ser interpretados com cautela". Em novembro, a taxa de transmissão chegou a 1,30, a maior desde o fim de maio. Simbolizado por Rt, o "ritmo de contágio" é um número que traduz o potencial de propagação de um vírus: quando ele é superior a 1, cada infectado transmite a doença para mais de uma pessoa e a doença avança. Números no Brasil O Brasil tem mais de 196,5 mil mortes por coronavírus e mais de 7,7 milhões de casos confirmados, segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. O número de mortes é o segundo maior do mundo – atrás apenas dos Estados Unidos, que têm mais de 350 mil óbitos. VÍDEOS: novidades sobre as vacinas Veja Mais

Dois de quatro casos suspeitos da nova variante do coronavírus em SP foram descartados, diz secretário da Saúde

Glogo - Ciência Segundo Jean Gorinchteyn, casos descartados são de pacientes internados em hospitais privados do estado e que estiveram no Reino Unido. Contraprova de outros dois, confirmados pelo laboratório privado Dasa no dia 31 de dezembro, deve ser liberada pelo Instituto Adolfo Lutz nesta segunda (4). Dois dos 4 casos suspeitos de infecção por mutação do coronavírus em SP foram descartados, diz secretário O secretário estadual da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, disse nesta segunda-feira (4) que dois de quatro casos suspeitos de contaminação pela nova cepa do coronavírus foram descartados. Segundo Gorinchteyn, os casos descartados são de pacientes internados em hospitais privados do estado e que estiveram no Reino Unido. No dia 31 de dezembro, o laboratório de diagnósticos privado Dasa disse ter encontrado dois casos da nova variante do coronavírus em São Paulo. Apesar do anúncio feito pela empresa, as amostras são consideradas como casos suspeitos pelo governo paulista, que aguarda resultado da contraprova realizada pelo Instituto Adolfo Lutz. Os resultados da análise desses dois casos devem ser divulgados ainda nesta segunda. A confirmação da cepa foi feita por meio de sequenciamento genético realizado pelo Dasa em parceria com o Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Mutação A variante, chamada de B.1.1.7, já foi registrada em pelo menos outros 17 países. Ela tem mutações que afetam a maneira como o vírus se fixa nas células humanas e é 56% mais contagiosa. Não há evidências de que a variante provoque casos mais graves ou com maior índice de mortes, nem mesmo que seja resistente às vacinas. SAIBA MAIS: Linhagens, cepas e mutações do coronavírus. Veja o que são e quando devemos nos preocupar No Reino Unido, ela já representa mais de 50% dos novos casos diagnosticados, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O estudo do laboratório brasileiro que identificou essa versão do coronavírus foi iniciado em meados de dezembro, quando o Reino Unido publicou as primeiras informações científicas sobre a variante. Preocupação com testes No final de dezembro, o laboratório disse trabalhar com o Instituto de Medicina Tropical da USP para gerar material que permita testar a eficiência de alguns tipos de testes do coronavírus. A preocupação é que alguns atuais possam apresentar falsos negativos – quando uma pessoa está doente mas o exame não aponta a presença do vírus. “Alguns testes de imunologia e de sorologia que só identificam a proteína S podem apresentar resultados falso negativos nos diagnósticos dessa nova variante", explicou o diretor médico da Dasa, Gustavo Campana. "Estamos antecipando a avaliação para definir os exames que sofram menos interferência em seu desempenho de diagnóstico, numa eventual expansão desta variante no Brasil”, acrescentou. Para a cientista Ester Sabino, do IMT da USP, a nova variante reforça a necessidade da quarentena. "Dado seu alto poder de transmissão, esse resultado reforça a importância da quarentena, e de manter o isolamento de 10 dias, especialmente para quem estiver vindo ou acabado de chegar da Europa", disse em entrevista à GloboNews em dezembro. Veja as novidades sobre as vacinas contra Covid-19: Veja Mais

Fiocruz vai comprar vacina de Oxford de fabricante da Índia para garantir imunização no Brasil

Glogo - Ciência Fundação reafirmou que a previsão para o pedido de registro da vacina é 15 de janeiro. Primeiro lote com 1 milhão de doses deve ser entregue entre 8 e 12 de fevereiro. Foto sem data divulgada em 23 de novembro mostra frasco da vacina da Universidade de Oxford contra a Covid-19. John Cairns / University of Oxford / AFP A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciou neste domingo (3) que irá comprar vacinas do Instituto Serum, da Índia, para garantir a vacinação no Brasil. Serão adquiridas doses do imunizantes com a tecnologia produzida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford. A fundação reafirmou que a previsão para o pedido de registro da vacina é 15 de janeiro. Os primeiros lotes com os insumos para a produção das doses também devem chegar ao país neste mês. Neste sábado (2), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já havia aprovado a importação de 2 milhões doses da vacina a pedido da Fiocruz. "O nosso registro já está sendo submetido com a perspectiva de entrega final de documentos até a data de meados de janeiro, de 15 de janeiro", disse a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, em 30 de dezembro. Vacinação no Rio será feita em clínicas da família e seguirá plano nacional, diz Paes Índia aprova uso emergencial da vacina de Oxford e de imunizante feito no país Fiocruz vai entregar documentos para registro da vacina de Oxford até 15 de janeiro A previsão é que o primeiro lote com 1 milhão de doses seja entregue entre 8 e 12 de fevereiro. A vacina de Oxford, desenvolvida em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, tem eficácia que variou entre 62% e 90% a depender da dosagem aplicada, segundo estudo publicado no início de dezembro na revista científica "Lancet". Dentre as principais vantagens desta vacina na comparação com outros imunizantes está o fato de ela ser mais barata e mais fácil de armazenar, o que também facilita a sua distribuição. Diferente da vacina Pfizer/BioNTech, por exemplo, ela não precisa ficar guardada a -70°C e pode ser mantida em temperaturas normais de refrigeração, de 2ºC a 8ºC. Veja nota completa da Fiocruz: "Desde o início da pandemia, a Fiocruz vem promovendo esforços para salvar vidas e contribuir para a vacinação, de acordo com o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, o mais breve possível. A busca por doses prontas da vacina contra a Covid-19 sempre esteve na pauta das tratativas com a farmacêutica Astrazeneca. Em reunião realizada recentemente com o Ministério da Saúde e a Fiocruz, a Astrazeneca apresentou o cenário atual e a viabilidade de entregar ao governo brasileiro doses prontas de modo a antecipar o início da vacinação e reduzir os graves problemas causados pela pandemia. O registro da vacina no Reino Unido, no dia 30 de dezembro, além de países como Argentina e Índia, abriu caminho para a aprovação do pedido de importação excepcional de dois milhões de doses prontas feitos pela Fiocruz à Anvisa, e para o pedido de autorização para seu uso emergencial, que será formalizado, também à Anvisa, nesta semana. A Fiocruz irá adquirir as vacinas prontas do Instituto Serum, da Índia, um dos centros de produção da vacina. A estratégia é contribuir com o início da vacinação ainda em janeiro com as doses importadas e, ao mesmo tempo, dar início à produção, de acordo com o cronograma já amplamente divulgado. O pedido de registro definitivo está mantido para 15 de janeiro e a chegada dos primeiros lotes do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) está prevista para janeiro. Até julho de 2021, a instituição entregará 110, 4 milhões de doses ao PNI, sendo a primeira entrega, de um milhão de doses, na semana de 8 a 12 de fevereiro. Com a incorporação da tecnologia concluída, a Fiocruz terá a capacidade de produzir mais 110 milhões ao longo do segundo semestre de 2021. Dessa forma, a Fiocruz reafirma seu compromisso com a saúde pública e com o Sistema Único de Saúde (SUS)." Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 2 de janeiro, segundo consórcio de veículos de imprensa

Glogo - Ciência País contabilizou 195.511 óbitos e 7.703.916 casos da doença desde o início da pandemia, segundo balanço do consórcio de veículos da imprensa. O consórcio de veículos de imprensa divulgou novo levantamento da situação da pandemia de coronavírus no Brasil a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, consolidados às 13h deste sábado (2). Desde o último balanço, às 20h de sexta-feira (1º), oito estados atualizaram seus dados: GO, MG, MS, PE, RN, RO, RS e TO. Mortes: 195.511 Casos: 7.703.916 O país registrou 465 mortes pela Covid-19 nas 24 horas anteriores ao último balanço, às 20h de sexta, chegando ao total de 195.441 óbitos desde o começo da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 704 --mantendo-se acima da casa de 700 pelo segundo dia seguido. A variação foi de -6% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de estabilidade nos óbitos pela doença. Após três dias seguidos registrando mais de mil novos óbitos, o número mais baixo registrado na sexta-feira pode ser reflexo de esquemas de plantão adotados localmente nos órgão responsáveis pelos registros. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 7.698.862 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 23.081 desses confirmados nas 24 horas anteriores ao balanço das 20h de sexta. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 35.891 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de -24% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de queda nos diagnósticos. Sete estados apresentaram alta na média móvel de mortes: MS, MT, AC, AM, PA, AL e SE. A secretaria do estado de Rondônia não divulgou novos dados até as 20h desta sexta. Brasil, 1º de janeiro Total de mortes: 195.441 Registro de mortes em 24 horas: 465 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 704 (variação em 14 dias: -6%) Total de casos confirmados: 7.698.862 Registro de casos confirmados em 24 horas: 23.081 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 35.891 por dia (variação em 14 dias: -24%) Estados Subindo (7 estados): MS, MT, AC, AM, PA, AL e SE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (12 estados e o DF): RS, SC, ES, MG, RJ, SP, DF, AP, BA, MA, PB, PI e RN Em queda (6 estados): PR, GO, RR, TO, CE e PE Não divulgou (1 estado): RO Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em queda Editoria de Arte/G1 Sul PR: -30% RS: -2% SC: -11% Sudeste ES: -5% MG: -2% RJ: -5% SP: -7% Centro-Oeste DF: -10% GO: -56% MS: +38% MT: +38% Norte AC: +78% AM: +72% AP: +4% PA: +44% O estado de RO não divulgou novos dados até as 20h. Considerando os dados até 20h de quinta-feira (31), estava em +52% RR: -18% TO: -19% Nordeste AL: +53% BA: +9% CE: -59% MA: +7% PB: -11% PE: -17% PI: +7% RN: +1% SE: +28% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 14 de janeiro, segundo consórcio de veículos de imprensa

Glogo - Ciência País contabilizou total de 206.188 óbitos e 8.270.655 casos de Covid-19. Casos e mortes por coronavírus no Brasil, segundo consórcio de veículos de imprensa O consórcio de veículos de imprensa divulgou novo levantamento da situação da pandemia de coronavírus no Brasil a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, consolidados às 13h desta quinta-feira (14). Desde o balanço de quarta-feira (13), às 20h, seis estados atualizaram seus dados: CE, GO, MG, MS, RN e TO. Veja os números consolidados: Mortes: 206.188 Casos: 8.270.655 Às 20h de quarta-feira, o país registrou 1.283 mortes pela Covid-19 nas 24 horas anteriores, chegando ao total de 206.009 óbitos desde o começo da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 995. A variação foi de +41% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de crescimento nos óbitos pela doença. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 8.257.459 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 61.966 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 54.703 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de +52% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de crescimento também nos diagnósticos. Onze estados estão com alta nas mortes: PR, MG, RJ, SP, GO, AM, AP, TO, CE, PE e SE. Após 5 dias seguidos sem qualquer estado apresentar queda de mortes, na quarta o estado de Roraima registrou tendência que baixa em comparação com os números de 14 dias antes. Brasil, 13 de janeiro Total de mortes: 206.009 Registro de mortes em 24 horas: 1.283 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 995 (variação em 14 dias: +41%) Total de casos confirmados: 8.257.459 Registro de casos confirmados em 24 horas: 61.966 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 54.703 por dia (variação em 14 dias: +52%) Estados Subindo (11 estados): PR, MG, RJ, SP, GO, AM, AP, TO, CE, PE e SE Em estabilidade (14 estados + DF): RS, SC, ES, DF, MS, MT, AC, PA, RO, AL, BA, MA, PB, PI e RN Em queda (1 estado): RR Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Estado com mortes em queda Editoria de Arte/G1 Sul PR: +80% RS: +1% SC: -10% Sudeste ES: +3% MG: +60% RJ: +67% SP: +54% Centro-Oeste DF: -15% GO: +95% MS: -11% MT: +10% Norte AC: -6% AM: +183% AP: +32% PA: +13% RO: +7% RR: -50% TO: +154% Nordeste AL: +14% BA: +1% CE: +246% MA: -6% PB: 0% PE: +44% PI: +4% RN: -13% SE: +50% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Casos e mortes por coronavírus no Brasil, segundo consórcio de veículos de imprensa Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 13 de janeiro, segundo consórcio de veículos de imprensa

Glogo - Ciência País contabilizou total de 204.980 óbitos e 8.210.134 casos de Covid-19. Casos e mortes por coronavírus no Brasil, segundo consórcio de veículos de imprensa O consórcio de veículos de imprensa divulgou novo levantamento da situação da pandemia de coronavírus no Brasil a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, consolidados às 13h desta quarta-feira (13). Desde o último levantamento, às 20h de terça-feira (12), sete estados atualizaram seus dados: CE, GO, MG, MS, PE, RN e TO. Veja os números consolidados: Mortes: 204.980 Casos: 8.210.134 Na terça-feira, às 20h, o país registrou 1.109 mortes pela Covid-19 nas 24 horas anteriores, chegando ao total de 204.726 óbitos desde o começo da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 993. A variação foi de +49% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de crescimento nos óbitos pela doença. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 8.195.493 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 61.660 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 54.784 novos diagnósticos por dia, novo recorde desde o início da pandemia. Isso representa uma variação de +51% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de crescimento também nos diagnósticos. Catorze estados estão com alta nas mortes: PR, MG, RJ, SP, GO, MT, AM, AP, RO, RR, TO, CE, PE e SE. Pelo quinto dia seguido, nenhum estado apresenta queda de mortes. Brasil, 12 de janeiro Total de mortes: 204.726 Registro de mortes em 24 horas: 1.109 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 993 (variação em 14 dias: +49%) Total de casos confirmados: 8.195.493 Registro de casos confirmados em 24 horas: 61.660 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 54.784 por dia (variação em 14 dias: +51%) Estados Subindo (14 estados): PR, MG, RJ, SP, GO, MT, AM, AP, RO, RR, TO, CE, PE e SE Em estabilidade (12 estados + DF): RS, SC, ES, DF, MS, AC, PA, AL, BA, MA, PB, PI e RN Em queda: nenhum estado Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Sul PR: +102% RS: +10% SC: -11% Sudeste ES: -9% MG: +55% RJ: +115% SP: +60% Centro-Oeste DF: +4% GO: +38% MS: -8% MT: +30% Norte AC: +12% AM: +217% AP: +36% PA: +10% RO: +29% RR: +38% TO: +131% Nordeste AL: +14% BA: +2% CE: +213% MA: -12% PB: +10% PE: +24% PI: +9% RN: -3% SE: +45% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Casos e mortes por coronavírus no Brasil, segundo consórcio de veículos de imprensa Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 12 de janeiro, segundo consórcio de veículos de imprensa

Glogo - Ciência País contabilizou total de 203.735 óbitos e 8.146.823 casos de Covid-19, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa. Casos e mortes por coronavírus no Brasil, segundo consórcio de veículos de imprensa O consórcio de veículos de imprensa divulgou novo levantamento da situação da pandemia de coronavírus no Brasil a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, consolidados às 13h desta terça-feira (12). Desde o balanço das 20h de segunda-feira (11), seis estados atualizaram seus dados: GO, MG, MS, PE, RN e TO. Veja os números consolidados: Mortes: 203.735 Casos: 8.146.823 Na segunda-feira, às 20h, o país registrou 477 mortes pela Covid-19 nas 24 horas anteriores, chegando ao total de 203.617 óbitos desde o começo da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 1.004. A variação foi de +59% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de crescimento nos óbitos pela doença. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 8.133.833 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 29.153 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 54.182 novos diagnósticos por dia, recorde desde o início da pandemia. Isso representa uma variação de +42% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de crescimento também nos diagnósticos. Catorze estados estão com alta nas mortes: PR, MG, RJ, SP, MT, AM, AP, RO, RR, TO, CE, PB, PI e SE. Pelo quarto dia seguido, nenhum estado apresenta queda de mortes. Brasil, 11 de janeiro Total de mortes: 203.617 Registro de mortes em 24 horas: 477 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 1.004 (variação em 14 dias: +59%) Total de casos confirmados: 8.133.833 Registro de casos confirmados em 24 horas: 29.010 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 54.182 por dia (variação em 14 dias: +42%) Estados Subindo (14 estados): PR, MG, RJ, SP, MT, AM, AP, RO, RR, TO, CE, PB, PI e SE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (12 estados + DF): RS, SC, ES, DF, GO, MS, AC, PA, AL, BA, MA, PE e RN Em queda: nenhum estado Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Sul PR: +101% RS: +14% SC: -7% Sudeste ES: -8% MG: +89% RJ: +138% SP: +86% Centro-Oeste DF: +10% GO: +4% MS: +3% MT: +37% Norte AC: -9% AM: +221% AP: +46% PA: +14% RO: +34% RR: +500% TO: +164% Nordeste AL: +8% BA: 0% CE: +328% MA: -12% PB: +21% PE: +5% PI: +33% RN: +2% SE: +44% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Casos e mortes por coronavírus no Brasil, segundo consórcio de veículos de imprensa Veja Mais

Vacinação contra Covid: três gargalos que países já estão enfrentando

Glogo - Ciência Garantir a vacinação da população não significa apenas assegurar a compra de doses das vacinas já aprovadas por autoridades sanitárias. Falta de frascos para vacina pode ser um gargalo Reuters O começo de 2021 está sendo marcado pela corrida mundial entre países para vacinar suas populações e pôr fim à pandemia. Israel, Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos, China, Rússia, Itália, Canadá são alguns dos países que já começaram a imunizar suas populações. Governo diz que requisitou seringas e agulhas a fabricantes para vacinação contra Covid Bolsonaro acusa fabricantes de seringas de elevar preços e diz que governo suspendeu compra Algumas metas são ambiciosas. Israel quer se tornar o primeiro país a acabar com a Covid-19 por meio de vacinação. Já o governo britânico — que aprovou três vacinas contra Covid-19 — anunciou no fim de semana que sua meta é vacinar toda a população adulta até meados de setembro. Mas garantir a vacinação da população não significa apenas assegurar a compra de doses das vacinas já aprovadas por autoridades sanitárias — como os produtos de Oxford-AstraZeneca, Pfizer-BioTech, Moderna, entre outros. Governantes estão enfrentando problemas logísticos para conseguir, em pouco tempo, a vacinação em massa. No Brasil, o governo de São Paulo já anunciou que pretende começar a vacinar contra Covid no dia 25 de janeiro, mas até o momento a Anvisa ainda não aprovou nenhum imunizante. Confira abaixo alguns dos gargalos logísticos que os governos estão enfrentando: 1) Frascos Uma das primeiras preocupações é a falta de frascos de vidro para as vacinas. As vacinas precisam passar por um procedimento chamado "fill and finish" — de preenchimento dos frascos e empacotamento final, para envio aos hospitais e postos de vacinação. VÍDEO: 'Brasil já tem contratado 354 milhões de doses de vacina', diz Pazuello As farmacêuticas que produzem as vacinas não costumam ter a capacidade de cuidar dessa etapa, por isso empresas terceirizadas são contratadas. Esse é um problema histórico de outras campanhas de vacinação. Em 2012, o governo dos EUA passou a investir na criação de redes especializadas nesse processo de "fill and finish", que serviriam para finalizar vacinas em casos de emergências de saúde, como pandemias. Uma das redes, a Fill Finish Manufacturing Network (FFMN), tem capacidade para finalizar 117 milhões de doses em um prazo de 12 semanas. Mas nem todos os países têm essa capacidade. E para complicar a situação, autoridades estão alertando para a falta de vidro para os frascos, que é a matéria-prima dessa indústria. O assunto foi levantado na semana passada pelo vice-chefe médico do governo britânico, Jonathan Van-Tam. "Muitos de vocês já sabem que não se trata apenas de produzirmos vacinas. Também precisamos de 'fill and finish', que é um recurso em escassez crônica no mundo hoje." Na semana passada, o Reino Unido havia produzido 15 milhões de doses da vacina de Oxford-AstraZeneca, mas apenas 4 milhões delas haviam passado pelo processo de "fill and finish". Van-Tam disse que essa escassez pode retardar as metas de vacinação do governo britânico, mas não deu detalhes sobre o tamanho do problema atual. Como os contratos entre as farmacêuticas e as empresas de "fill and finish" são sigilosos, não há dados públicos para se saber como esse gargalo pode afetar a oferta de vacinas para a população. A associação britânica de empresas produtoras de vidro, a British Glass, reconheceu que existe o problema afirmou que está em busca de uma solução "de longo prazo" para garantir o suprimento de vidros para os frascos de vacina. A maior produtora de vidro borossilicato — a matéria-prima dos frascos — vem aumentando a sua produção desde que a pandemia começou, antes mesmo de existir uma vacina. A alemã Schott abriu no mês passado outra fábrica na China para atender a demanda mundial pelo seu produto, que deverá ser usado em 75% das vacinas de Covid no mundo. 2) Vacinadores Um problema para alguns países é a falta de pessoas para vacinar a população. No Reino Unido, as vacinas ficaram prontas antes que as autoridades tivessem um plano para administrar as doses na população. O país passou a convocar pessoas da área médica — como médicos aposentados e dentistas — para ajudar a vacinar a população. No entanto, uma série de entraves burocráticos impediram muitos de se voluntariar. O enfermeiro Gustavo Rodriguez aplica a vacina Sputnik V contra a Covid-19 na médica Estefania Zevrnja em hospital em Avellaneda, na Argentina, em 29 de dezembro de 2020 Natacha Pisarenko/AP O sistema nacional de saúde exige uma série de documentos e a realização de dezenas de cursos online para uma pessoa poder ajudar a vacinar. Entre as exigências estão cursos que tratam sobre como lidar com radicalização ideológica e como proteger crianças — sendo que crianças não receberão as vacinas para Covid. Alguns médicos aposentados que já estavam administrando a vacina em lares de idosos não receberam permissão para virarem voluntários no sistema nacional de saúde. Muitos voluntários acabaram desistindo de ajudar. Na semana passada, o secretário britânico de Saúde, Matt Hancock, prometeu acabar com diversas exigências para voluntários de vacinação, como treinamentos em terrorismo e incêndios. Já na Espanha, o Conselho Nacional de Enfermagem (CNE) do país afirma que o número de vacinadores é suficiente para lidar com a pandemia. Mas a entidade critica o governo por não coordenar de forma eficiente a campanha e vacinação. "Há grande disparidade regional na imunização da população nesta primeira semana. Um exemplo claro é [a província de] Astúrias, que tem uma proporção de 6,5 enfermeiras por mil habitantes e administrou 80% das doses recebidas. Entretanto, Madrid, com 6,7 enfermeiros por mil habitantes, uma proporção superior à das Astúrias, utilizou apenas 11,5 das suas doses", afirma o CNE. A Espanha recentemente convocou o Exército para ajudar a entregar as doses de vacina em lugares mais remotos do país, depois que uma forte nevasca atrapalhou a logística de distribuição dos imunizantes. Diversos países como Alemanha, Itália, Reino Unido e Israel estão enfrentando um problema adicional: as vacinações acontecem em um momento de forte aumento no número de hospitalizações. As autoridades estão tendo que deslocar mais recursos e profissionais para lidar com pacientes de Covid-19 — inclusive com o cancelamento de diversos procedimentos não-urgentes. 3) Seringas Governos estão correndo também para garantir o suprimento de seringas. É o caso do Brasil, que zerou a alíquota de importação de seringas e está atualmente em uma queda de braço com empresas produtoras, após o fracasso de um leilão no mês passado. Outros países onde há relatos de deficiências no número de seringas são Coreia do Sul, Itália e Grécia. Governo zera imposto de importação de agulha e seringa para vacinação contra Covid Na semana passada, um novo problema surgiu envolvendo seringas. A Agência Europeia de Medicina alertou que muitos países estão usando seringas erradas para vacinação, que extraem apenas cinco doses dos frascos da Pfizer, e que uma sexta dose está sendo desperdiçada. A agência também fez um alerta que as sobras de vacina nos frascos não devem ser juntadas para formar uma nova dose completa. O jornal "The New York Times" noticiou que autoridades americanas ainda não compraram as seringas certas, que permitiriam um aumento de 20% no número de doses disponíveis para sua população. Initial plugin text Veja Mais

Indonésia aprova uso emergencial da CoronaVac e diz que vacina teve 65,3% de eficácia em testes no país

Glogo - Ciência Dados preliminares são da última fase de testes. No Brasil, eficácia foi de 78% para casos leves e de 100% contra mortes, casos graves e internações. Indonésia aprova o uso emergencial da CoronaVac A Indonésia aprovou, nesta segunda-feira (11), o uso emergencial da CoronaVac, a vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac. O presidente do país, Joko Widodo, deve receber a primeira dose na quarta (13). VÍDEO: Fantástico entra no Instituto Butantan e mostra produção da CoronaVac Dados preliminares de testes de fase 3 no país mostraram uma eficácia de 65,3% para a vacina. A autoridade indonésia de alimentos e medicamentos, BPOM, informou que o número foi encontrado depois de 25 casos de Covid, mas não deu mais detalhes. País mais afetado pela Covid-19 no sudeste da Ásia, com 836.718 casos confirmados e 24.343 mortes, a Indonésia comprou mais de 125 milhões de doses da CoronaVac. Para o início da campanha de vacinação em massa, 3 milhões de doses estarão disponíveis. Testes no Brasil Enfermeira segura frasco da CoronaVac antes de aplicação em voluntário no Instituto Emílio Ribas, em São Paulo Reuters A CoronaVac também foi testada no Brasil. O estado de São Paulo tem um acordo de compra e transferência de tecnologia da vacina com a Sinovac que prevê que o Instituto Butantan fabrique o imunizante em solo brasileiro. Na última quinta (7), o Butantan solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a aprovação do uso emergencial do imunizante no país. A agência disse, entretanto, que o pedido está incompleto. Na semana passada, o governo de São Paulo anunciou que a vacina teve 78% de eficácia para casos leves e 100% contra mortes, casos graves e internações em testes no Brasil. O governo paulista não divulgou, entretanto, a eficácia geral da vacina; nesta segunda (11), disse que as informações serão divulgadas na terça (12). "É uma conta bem simples: o número total que teve de casos de doença e quantos foram no grupo vacinado e quantos foram no grupo não vacinado. É com essa eficácia que a gente vai saber quais são as metas da campanha de vacinação", disse a vice-presidente do Instituto Sabin de Vacinas, Denise Garrett, em entrevista ao Fantástico (veja vídeo abaixo). Fantástico entra no Instituto Butantan e mostra em 1ª mão produção da CoronaVac Segundo o governo de São Paulo, dos 12,4 mil voluntários, 218 foram infectados: cerca de 160 no placebo (grupo que não recebeu a vacina) e pouco menos de 60 no grupo vacinado. Os números exatos não foram informados. "Fazendo uma conta simples, bem simples, é ao redor de 63%, 64%. O que é uma eficácia boa – com certeza essa vacina vai ser uma vacina boa. A gente sabe que a vacina é segura", diz Garrett. Na Turquia, a CoronaVac teve 91,25% de eficácia contra o novo coronavírus, também segundo dados preliminares divulgados no fim de dezembro. Na época, o secretário estadual da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou que a Sinovac "quer entender por que tivemos um resultado e, em outros países, outro". Pessoa segura caixa da CoronaVac, vacina contra a Covid-19, em frente à sede do Instituto Butantan em São Paulo Aloisio Mauricio/Estadão Conteúdo Cientistas criticam transparência, mas dizem que CoronaVac será valiosa contra a pandemia VÍDEO mostra reação de equipe do Butantan ao saber da eficácia da CoronaVac; assista VÍDEOS: novidades sobre vacinas contra Covid-19 ( Veja Mais

Anvisa diz que ainda faltam dados do Butantan para pedido de uso emergencial de vacina; análise da Fiocruz segue para a próxima fase

Glogo - Ciência A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou neste sábado (9), em nota, que está incompleta a documentação entregue pelo Instituto Butantan no pedido para uso emergencial da vacina contra Covid-19 desenvolvida pela instituição. No caso da Fiocruz, os documentos estão completos e a análise do pedido segue para a próxima fase. O Instituto Butantan entrou com o pedido de uso emergencial da chamada CoronaVac, desenvolvida em parceria com o laboratório Sinovac, e a Fiocruz solicitou a aplicação emergencial do imunizante desenvolvido em parceria com a Universidade de Oxford e o laboratório AstraZeneca. A Anvisa iniciou a triagem dos documentos na sexta (8). O prazo é de dez dias após o pedido. No entanto, se houvesse a falta de alguma informação importante, a agência poderia pausar o prazo. Em nota, a Anvisa diz que já está em contato com o Butantan para discutir "prazos e cronogramas para apresentação dos dados faltantes". Neste sábado, as equipes técnicas da Anvisa e do Instituto Butantan já realizaram duas reuniões para tratar da questão. De acordo com o órgão, a análise do pedido de uso emergencial é feita por uma equipe multidisciplinar com especialistas das áreas de registro, monitoramento e inspeção da agência. Leia a íntegra da nota Neste sábado (9/1/202), a Anvisa concluiu a triagem dos documentos submetidos pelo Instituto Butantan para autorização de uso emergencial da vacina CoronaVac. Esses documentos haviam sido recebidos na manhã de ontem, sexta-feira. Às 22 horas de ontem, a Anvisa recebeu do Instituto informações adicionais, dentro do mesmo processo. Após a triagem de todos os documentos fornecidos, os técnicos da Anvisa verificaram que ainda faltam dados necessários à avaliação da autorização de uso emergencial. A partir da triagem, a Anvisa enviou hoje, sábado, 09/01, ofício ao Instituto Butantan solicitando a apresentação dos documentos técnicos faltantes, previstos no Guia 42/2020 (Requisitos para submissão de solicitação de autorização temporária de uso emergencial Vacinas - COVID-19), bem como nos regulamentos técnicos da Agência. O recebimento do ofício foi confirmado pelo Butantan às 11h29 de hoje. A submissão dos documentos técnicos previstos no Guia é condição necessária para viabilizar a avaliação, conclusão e a deliberação sobre a autorização de uso emergencial das vacinas. No dia de hoje, sábado, as equipes técnicas da Anvisa e do Instituto Butantan já realizaram duas reuniões tratar da questão. O Instituto foi informado sobre a necessidade dos documentos complementares, essenciais à análise e conclusão sobre a eficácia e segurança da vacina. Na oportunidade, foram discutidos prazos e cronogramas para a apresentação dos dados faltantes. A checagem é uma conferência, uma triagem inicial, feita nas primeiras 24 horas para verificar se as informações essenciais sobre eficácia e resultados clínicos estão no processo para análise de uso emergencial pela equipe técnica da Anvisa. São essas as seguintes informações e resultados que ainda deverão ser apresentados: 1. Características demográficas e basais críticas da população do estudo (idade, sexo, raça, peso ou IMC) e outras características (por exemplo, função renal ou hepática, comorbidades). Essas características demográficas e basais críticas devem ser apresentadas por braços do estudo e tipo de população de análise “intenção-de-tratamento” (ITT) e “por protocolo”(PP), de forma a permitir a comparabilidade dos grupos de tratamento. 2. Resultados do estudo por população de “intenção-de-tratamento” (ITT). 3. Dados sobre a disposição dos participantes, com uma contabilidade clara de todos os participantes que entraram no estudo. O número de pacientes que foram randomizados e que entraram e completaram cada fase do estudo (ou cada semana/mês do estudo) devem ser fornecidos, bem como as razões para todas as interrupções pós-randomização, agrupados por tratamento e por motivo principal (perda de acompanhamento, evento adverso, pobre conformidade, etc.). 4. Descrição dos desvios de protocolo ocorridos no estudo com a adequada classificação de impacto e de categoria. 5. Listagem de participantes com desvios de protocolo, divididos por centro. 6. Dados de imunogenicidade do estudo fase 3. Porque é importante a Anvisa analisar essas informações? As informações são essenciais para a confiabilidade do estudo apresentado. O grau de confiança nos resultados gerados por um estudo clínico, também chamado de validade interna, deve ser avaliado por uma autoridade sanitária para permitir concluir pela eficácia e segurança de uma vacina experimental. A validade interna de um estudo clínico é o grau em que os resultados obtidos refletem os verdadeiros resultados dos estudos e, portanto, não seriam devidos a erros metodológicos. A validade interna de um ensaio clínico está diretamente relacionada ao delineamento, condução e relatos apropriados do estudo clínico. O Instituto Butantan informou que apresentará os dados com brevidade e a Anvisa continuará a avaliar a documentação que já foi enviada, de forma a otimizar esforços para uma decisão célere sobre o pedido. Adicionalmente, a Anvisa esclarece que seguirá com a análise de todos os documentos já submetidos, de modo a agilizar o máximo possível o processo de avaliação e autorização de vacinas COVID-19. Além disso, os dados já avaliados pela Anvisa submetidos pelo procedimento de submissão contínua não precisarão ser reanalisados pela agência. Veja Mais

China diz aguardar missão da OMS a Wuhan para investigar origem da Covid-19

Glogo - Ciência País afirma que está finalizando preparativos para receber a visita. Diretor da OMS criticou nesta semana demora para liberação da entrada da equipe de especialistas. O vice-ministro da Comissão Nacional de Saúde da China, Zeng Yixin, durante coletiva de imprensa em Pequim, no dia 18 de dezembro de 2020 Tingshu Wang/Reuters A China garantiu neste sábado (9) que está finalizando os preparativos para receber a missão da Organização Mundial da Saúde (OMS) que investigará em Wuhan a origem da Covid-19. O órgão criticou nesta semana o país por demorar para liberar a viagem. A afirmação das autoridades chinesas ocorreu depois de o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ter afirmado que estava "muito decepcionado" com Pequim por não ter finalizado as permissões necessárias para a chegada da equipe de especialistas da organização a Wuhan. "Assim que esses especialistas concluírem os procedimentos e confirmarem o plano, iremos a Wuhan para acompanhar as investigações", afirmou o vice-ministro da Comissão Nacional de Saúde, Zeng Yixin. Dias antes, as autoridades chinesas se negaram a confirmar os detalhes da viagem, em um gesto que mostra o incômodo do regime chinês com o tema. O país tenta se desvencilhar da responsabilidade pela pandemia, que já deixou quase 2 milhões de mortos no mundo. A OMS informou que a China garantiu que permitirá uma equipe de 10 pessoas. "Temos uma equipe de especialistas para receber a equipe da OMS", disse Zeng, que espera que as investigações esclareçam a origem do coronavírus. China nega que tenha barrado investigadores da OMS Saiba mais sobre a Covid-19 em reportagens do Jornal Nacional Veja Mais

Covid-19: qual máscara é melhor? Veja comparativo, segundo estudo publicado na 'Science'

Glogo - Ciência Cientistas da Universidade Duke, nos Estados Unidos, compararam 14 tipos de máscaras de pano quanto à proteção contra a doença causada pelo coronavírus Sars-CoV-2. O Brasil ultrapassou, nesta semana, a marca de 200 mil mortes por Covid-19, a doença causada pelo coronavírus Sars-CoV-2. Embora vacinas já estejam sendo aplicadas em diversos países, o Brasil ainda não tem data para começar a imunização. E, mesmo com vacina, especialistas alertam que o uso da máscara deve continuar sendo essencial por mais algum tempo. Mas qual o melhor material para protegermos uns aos outros da doença? Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Duke, nos Estados Unidos, publicado na revista científica "Science" em setembro, comparou a eficiência de 14 tipos de máscara. Veja na imagem abaixo, organizada da mais eficiente para a menos eficiente: Pesquisadores americanos testaram 14 tipos de máscaras para determinar qual a mais eficiente contra a Covid-19 Emma Fischer, Duke University (fotos)/Elcio Horiuchi (arte/G1) Eles mediram o quanto as máscaras conseguiam impedir que as gotículas expelidas por uma pessoa ao falar se espalhassem pelo ambiente. Os cientistas notaram que falar através das polainas de pescoço parecia dispersar as gotículas maiores em várias menores. "Considerando que as partículas menores são transportadas pelo ar por mais tempo do que as gotas grandes (as gotas maiores caem mais rápido), o uso de tal máscara pode ser contraproducente", alertaram os pesquisadores no estudo. Para o engenheiro biomédico Vitor Mori, membro do Observatório Covid-19 BR e pesquisador na Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, o ideal é que a máscara tenha malhas bem fechadas – de 2 a 3 camadas de pano. Para verificar, a pessoa pode fazer o teste da luz do sol – vendo se consegue enxergar a luz do sol através da máscara – ou o teste da vela. "Estando de máscara, tentar apagar um fósforo, uma vela, um isqueiro: se conseguir apagar com certa facilidade, é sinal de que não é tão grossa quanto deveria. Isso serve para ver a qualidade da máscara – mas não adianta se ela não ajusta [no rosto]", reforça Mori. O pesquisador pontua que as N95 podem ser úteis para aumentar a proteção em determinados locais, como o transporte público. "Se você está num lugar fechado, mal ventilado e com aglomeração e não ir para esse local não é uma opção, uma máscara do tipo N95/PFF2 aumentaria a segurança por parte daqueles que estão usando", avalia. WEBSTORIES: Entenda por que não devemos abandonar a máscara "Infelizmente, evitar o transporte público não é uma possibilidade viável para muitos brasileiros. Esses espaços são, geralmente, muito mal ventilados e aglomerados. Além de cobrar melhorias do poder público, o uso de máscaras N95/PFF2 bem ajustadas pode ser uma boa alternativa, especialmente para pessoas de grupos de risco ou que convivem com grupos mais vulneráveis", diz. Ele frisa que, em locais abertos e com pouca aglomeração, a N95 não é necessária e uma máscara de pano é suficiente. Isso deve ser levado em conta pela população para que esse tipo de máscara não falte às equipes de saúde – as mais expostas ao vírus. "A gente deveria estar fazendo uma pressão muito grande no poder público para aumentar a produção, a distribuição e a disponibilidade de máscaras de melhor qualidade e que fornecem maior proteção", pondera Mori. "Infelizmente, há pouca instrução do poder público sobre como escolher uma máscara de boa qualidade e como usá-la corretamente, não só cobrindo boca e nariz mas também bem ajustada, minimizando vazamentos de ar pelas laterais e por cima", acrescenta. Veja VÍDEOS com novidades sobre as vacinas contra a Covid-19: Veja Mais

'Não deveria ter discriminação no acesso à vacina para quem paga e não paga', diz brasileira diretora da OMS

Glogo - Ciência Mariângela Simão falou do acesso às vacinas da Covid-19 em entrevista à GloboNews. VÍDEO: Vacinas são 'bens públicos', diz brasileira diretora de setor da OMS A brasileira Mariângela Simão, diretora adjunta para acesso a medicamentos da Organização Mundial de Saúde (OMS), disse, em entrevista à GloboNews nesta quarta-feira (6), que não deve haver discriminação no acesso às vacinas contra a Covid-19. "As vacinas são bens públicos nesse momento", declarou Simão. "Não deveria ter discriminação no acesso à vacina para quem paga e não paga". A brasileira fez as afirmações após ser questionada sobre o papel do setor privado na imunização contra a doença (veja vídeo acima) no Brasil. "Em todos os países que a OMS vem trabalhando, a gente está verificando que as compras estão sendo feitas pelo governo, e não pela iniciativa privada", afirmou Simão. "A informação que a OMS trabalha é que a imensa maioria da produção que está sendo feita nesse momento está comprometida com compras governamentais", disse. Negociações com a Índia No último domingo (3), a Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas anunciou que negociava com o laboratório indiano Bharat Biotech a compra de cinco milhões de doses da Covaxin, vacina desenvolvida pela empresa contra a Covid. "A situação do Brasil ainda é bastante peculiar. Acho que ainda tem que verificar melhor qual é o quantitativo, quando é que [a Covaxin] viria, se essa vacina vai ser autorizada pela Anvisa ou não", pontuou Mariângela Simão.  A Covaxin recebeu aprovação de uso emergencial na Índia antes do término dos estudos de fase 3. A fase 3 de testes de uma vacina é importante porque testa sua segurança e eficácia em milhares de pessoas antes de ser liberada para o uso geral. A Índia não foi o único país a aprovar uma vacina antes do fim dos testes. Em agosto, a Rússia fez o mesmo. Veja VÍDEOS com novidades sobre as vacinas contra a Covid-19: \ Veja Mais

Nova variante do coronavírus: estudo brasileiro indica mecanismo responsável por versão mais transmissível

Glogo - Ciência Pesquisa ainda é uma pré-publicação, ou seja, não foi aceita por revistas científicas e não foi revisada por outros especialistas. Nesta semana, Instituto Adolfo Lutz confirmou primeiros dois casos da nova variante do Sars CoV-2, a B.1.1.7., em São Paulo. São Paulo monitora quem teve contato com 2 infectados pela nova variante do coronavírus Estudo divulgado nesta terça-feira (5) por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto aponta o mecanismo que torna a nova variante do coronavírus mais transmissível. Até então, mais de 30 países apresentaram infecções da nova cepa. O Brasil detectou os dois primeiros casos nesta semana, em São Paulo. Instituto Adolfo Lutz confirma dois casos de nova variante do coronavírus em São Paulo 30 países já registraram casos de variante do coronavírus; veja lista Nova variante do coronavírus: o que se sabe até agora em 5 perguntas e respostas O Sars CoV-2 tem uma proteína chamada spike em sua estrutura, que interage com um receptor das células humanas, o ACE2. De forma simplificada, o ACE2 é a "porta de entrada" do vírus no nosso corpo. Assim, ele consegue causar a Covid-19. Por meio de bioinformática, os cientistas brasileiros compararam a força de interação entre a spike e o receptor, como ela acontece na cepa original, detectada em Wuhan, e como é essa interação na nova variante, a B.1.1.7., recentemente encontrada no Reino Unido. Gerson Passos, que assina o artigo junto a Jadson Santos, ambos do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, explica que os resultados mostram que a força de interação entre a spike e o ACE2 na nova cepa é "muito maior". Essa, segundo ele, pode ser a causa da maior transmissibilidade da variante B.1.1.7.. "Usamos um software para medir essa força de interação. Tivemos que baixar de um banco de dados as estruturas químicas das proteínas, tanto da spike quanto do ACE2, e com a ajuda do programa fizemos a análise. O programa já é desenvolvido pra isso, ele mostra as interações que ocorrem bem ali onde as duas proteínas se 'encostam'", explicou Passos. Fato é que o software mostrou que a mutação - uma mudança no material genético do vírus - gerou uma troca de aminoácidos que determinou a nova variante. Onde estava o asparagina (N) no RNA do coronavírus de Wuhan, na versão do Reino Unido, agora existe o tirosina (Y). Passos explica que antes o "N fazia duas ligações" e, agora, o "Y faz muito mais". E completa: "Adere mais na proteína [receptor] humana". Com isso, a pesquisa determinou a relação entre maior força de interação e maior transmissibilidade da B.1.1.7.. O estudo foi apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e ainda é uma pré-publicação - não foi selecionado por revistas científicas e revisado por outros cientistas. Confirmação no Brasil Nesta segunda-feira (4), a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo confirmou os dois primeiros casos da nova variante do coronavírus. A confirmação foi feita pelo Laboratório Estratégico do Instituto Adolfo Lutz, que é vinculado à pasta estadual, após o sequenciamento genético de amostras encaminhadas pelo laboratório Dasa, no sábado (2). Uma mulher de 25 anos residente em São Paulo, que teve contato com viajantes que passaram pelo Reino Unido, é um dos casos da B.1.1.7.. Ela começou a apresentar dor de cabeça, dor de garganta, tosse, mal estar e perda de paladar no dia 20 de dezembro, e realizou o teste do tipo PCR em 22 de dezembro. O outro paciente é um homem de 34 anos, que a secretaria informou que ainda investiga o histórico do caso, os sintomas e local de moradia. Vídeos: novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Veja Mais

Após dizer que Índia não permitiria exportação de vacina, fabricante agora diz que venda a outros países está permitida

Glogo - Ciência Presidente do Instituto Serum, um dos laboratórios que produzem imunizante de Oxford contra Covid, afirmou que houve confusão e vai esclarecer 'qualquer falha de comunicação recente'. Fiocruz anunciou no domingo a compra de doses prontas do instituto para antecipar vacinação no Brasil. VÍDEO: Exportações de vacinas estão permitidas, diz representante de laboratório indiano O presidente do Instituto Serum, laboratório indiano contratado para produzir 1 bilhão de doses da vacina de Oxford contra Covid-19 para países em desenvolvimento, afirmou nesta terça-feira (5) que "a exportação de vacinas está permitida para todos os países". Na segunda (4), o presidente do instituto, Adan Poonawalla, havia dito que o governo indiano não iria permitir a exportação da vacina de Oxford produzida no país. O Serum é o responsável por fornecer 2 milhões de doses da vacina para o Brasil (veja detalhes mais abaixo nesta reportagem). Em comunicado conjunto, o Serum e a Bharat Biotech – laboratório indiano que produz uma outra vacina contra a Covid-19, a Covaxin – disseram ter um compromisso de fornecer acesso global às vacinas fabricadas pelas duas empresas. Nenhum país é mencionado especificamente na nota. Poonawalla e Krishna Ella, diretor da Bharat Biotech, comunicaram a "intenção conjunta" de "desenvolver, manufaturar e fornecer as vacinas contra a Covid-19 para a Índia e globalmente". "Agora que duas vacinas receberam autorização de uso emergencial na Índia, o foco é na manufatura, fornecimento e distribuição", dizem as empresas, que afirmam estar "totalmente engajadas" no processo. "Cada uma das nossas empresas continua suas atividades de desenvolvimento de vacinas para a Covid-19 conforme planejado", continua o texto. 00:00 / 22:54 Acordos com o Brasil No domingo (3), a Fiocruz anunciou ter fechado contrato com o Serum para compra e fornecimento de 2 milhões de doses da vacina, com a chegada dos primeiros insumos de produção ainda neste mês. A Fiocruz é o fabricante brasileiro da vacina de Oxford. No dia anterior, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) havia autorizado a importação das doses mesmo sem a autorização de uso emergencial ou registro sanitário da vacina. Por causa disso, a importação é considerada excepcional. Depois de o presidente do Serum dizer que o governo indiano proibiria as exportações, entretanto, a Fiocruz afirmou que o Itamaraty estava negociando a importação das doses prontas da fabricante indiana. Já a Bharat Biotech, laboratório que desenvolveu a Covaxin, está em negociação com clínicas privadas brasileiras para fornecimento de 5 milhões de doses. A vacina ainda não foi aprovada em nenhum outro país a não ser na própria Índia. VÍDEOS: novidades sobre as vacinas contra a Covid-19 Veja Mais

Reino Unido aplica primeira dose da vacina de Oxford

Glogo - Ciência Idoso de 82 anos foi o primeiro a receber o imunizante. Serviço público de saúde britânico diz que a vacina, que é dada em duas doses, já tem 520 mil doses prontas para aplicação. VÍDEO: Homem de 82 anos recebe primeira dose da vacina de Oxford, no Reino Unido O Reino Unido começou, nesta segunda-feira (4), a vacinar pessoas de grupos de risco contra a Covid-19 com a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. O país, o primeiro do mundo a aprovar a vacina, também é o primeiro a começar a aplicá-la. Segundo o serviço público de saúde britânico (NHS, na sigla em inglês), 520 mil doses estão prontas para serem distribuídas. A vacina é aplicada em duas doses. Brian Pinker, de 82 anos, foi o primeiro a receber a vacina, em um hospital da própria Unversidade de Oxford, perto de onde a vacina foi desenvolvida. Pinker faz diálise e afirmou que estava muito satisfeito. Ele disse que, agora, espera comemorar seu 48º aniversário de casamento com sua esposa, Shirley, este ano. O Reino Unido passa por uma nova alta de casos, mais de 50 mil novas infecções por coronavírus por dia nos últimos seis dias. No domingo (3), foram vistos 54.990 novos casos e mais 454 mortes por Covid-19 no país. Mais de 75 mil pessoas já morreram pela doença em solo britânico, um dos piores números da Europa. Duas vacinas aprovadas Esta é a segunda vacina aprovada e utilizada pelos britânicos. A primeira foi a da Pfizer, desenvolvida em parceria com a BioNTech, que já é aplicada desde 8 de dezembro em grupos prioritários. O país também foi o primeiro a aprovar essa vacina. Ao contrário de outros países, o Reino Unido agora planeja vacinar as pessoas com a segunda dose de ambas as vacinas – tanto de Oxford como da Pfizer – 12 semanas após a primeira injeção, em vez dos 21 dias recomendados, para poder imunizar o maior número de pessoas no menor tempo possível. Além do Reino Unido, a Argentina também autorizou o uso emergencial da vacina de Oxford (e já está aplicando a vacina russa Sputnik V desde a semana passada na população). Aprovação no Brasil A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um pedido feito pela Fiocruz para importação excepcional de 2 milhões de doses da vacina produzida pela Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca. No pedido, a Fiocruz indica que as vacinas vão chegar ao país ainda em janeiro. A importação é considerada excepcional porque a vacina ainda não foi submetida à autorização de uso emergencial ou registro sanitário, etapa essencial para ser aplicada na população. Segundo a Anvisa, a aprovação da importação ocorreu no dia 31 de dezembro, mesmo dia em que o pedido foi protocolado pela Fiocruz — que fará a produção da vacina no Brasil. A Fiocruz também é a responsável por pedir o uso emergencial da vacina e o seu registro; a presidente da fundação afirmou que pretende entregar os documentos finais relacionados aos pedidos até o dia 15. A previsão é que o primeiro lote, com 1 milhão de doses, seja entregue na semana de 8 a 12 de fevereiro. VACINA DE OXFORD: Veja o cronograma de produção da Fiocruz Na sexta-feira (1º), a Anvisa disse que terminou a análise dos documentos já apresentados pela AstraZeneca sobre a vacina. Na prática, isso quer dizer que a agência "está em dia" com o que foi apresentado até agora e aguarda novos documentos. Eficácia da vacina Estudo publicado e revisado na revista científica "Lancet" diz que a vacina de Oxford tem eficácia média de 70,4% e é segura. Os testes ocorreram em diversos países, inclusive no Brasil. Ela teve 90% de eficácia quando administrada em meia dose seguida de uma dose completa com intervalo de pelo menos um mês, segundo dados dos testes no Reino Unido. Quando administrada em duas doses completas, a eficácia foi menor, de 62%. A análise que considerou os dois tipos de dosagem indicou uma eficácia média de 70,4%. Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram os dados de 11.636 pessoas vacinadas, das quais 8.895 receberam as duas doses completas e 2.741 receberam a meia dose seguida de uma dose completa. Cerca de 88% dos voluntários analisados (10.218) tinham de 18 a 55 anos de idade, e nenhum participante com 56 anos de idade ou mais recebeu a meia dose seguida da dose completa — que tiveram maior eficácia. Segundo uma nova análise de dados, 70% das pessoas vacinadas apenas com a primeira dose da vacina de Oxford ficam protegidas após 21 dias. Quando a segunda dose é aplicada 12 semanas depois da primeira, como prevê o governo britânico, esse número sobe para 80%. Veja VÍDEOS com novidades sobre as vacinas contra a Covid-19 Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 3 de janeiro, segundo consórcio de veículos de imprensa

Glogo - Ciência País contabilizou 195.805 óbitos e 7.719.314 casos da doença desde o início da pandemia. O Brasil tem 195.805 mortes e 7.719.314 casos confirmados de coronavírus no Brasil até as 13h deste domingo (3), segundo o consórcio de veículos de imprensa. Mortes: 195.805 Casos: 7.719.314 Às 20h de sábado (2), o consórcio divulgou um balanço consolidado que registrava 195.742 mortes (301 confirmadas nas 24 horas anteriores ao balanço) e 7.714.819 casos (15.957 confirmados nas 24 horas anteriores). Desde então, Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Tocantins divulgaram novos dados. A média móvel de mortes no Brasil está em 704 – o que significa que, na última semana, o país registrou em média 704 novas mortes por coronavírus por dia. O número representa uma variação de -8% em duas semanas, o que indica estabilidade nos óbitos pela doença. Oito estados apresentaram alta na média móvel de mortes: MS, MT, AC, AM, PA, RO, AL e SE. A média móvel de casos está em 35.743 mil por dia, variação de -25% em duas semanas, o que indica tendência de queda. Brasil, 2 de janeiro Total de mortes: 195.742 Registro de mortes em 24 horas: 301 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 704 (variação em 14 dias: -8%) Total de casos confirmados: 7.714.819 Registro de casos confirmados em 24 horas: 15.957 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 35.743 por dia (variação em 14 dias: -25%) Estados Subindo (8 estados): MS, MT, AC, AM, PA, RO, AL e SE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (11 estados e o DF): RS, ES, RJ, SP, DF, AP, TO, BA, MA, PB, PI e RN Em queda (7 estados): PR, SC, MG, GO, RR, CE e PE Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Estados com mortes em alta (2/1/2021) Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade (2/1/2021) Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em queda (2/1/2021) Editoria de Arte/G1 Sul PR: -37% RS: -4% SC: -16% Sudeste ES: -1% MG: -16% RJ: -6% SP: -1% Centro-Oeste DF: -11% GO: -59% MS: +28% MT: +24% Norte AC: +20% AM: +81% AP: 0% PA: +45% RO: +46% RR: -18% TO: 0% Nordeste AL: +41% BA: +4% CE: -52% MA: +2% PB: -12% PE: -25% PI: -13% RN: -1% SE: +24% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Mortes por Covid-19 no Brasil aumentaram 64% de novembro para dezembro, indicam secretarias estaduais de Saúde

Glogo - Ciência É a primeira vez desde julho em que há um aumento no número de mortes de um mês para o outro. Dezembro é o mês com mais óbitos desde setembro. Filhos de Verônica Ferreira, de 73 anos, que morreu de Covid-19, vão a enterro da mãe em um cemitério de Manaus no dia 31 de dezembro. Bruno Kelly/Reuters As mortes por Covid-19 no Brasil aumentaram 64,45% de novembro para dezembro, mostram dados apurados pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias de Saúde do país. Enquanto novembro teve 13.263 óbitos pela doença, em dezembro esse número foi de 21.811. Mesmo antes de terminar, dezembro já era o mês com mais mortes pela doença desde setembro. Além disso, é a primeira vez, desde julho, que a quantidade de mortes em um mês é maior que a vista no mês anterior (veja gráfico). O dado referente a dezembro foi calculado subtraindo-se as mortes totais no dia 30 de novembro (173.165) do total de mortes até o dia 31 de dezembro (194.976). Os números dos meses anteriores foram determinados com a mesma metodologia. (Veja mais ao final da reportagem). Altas nos estados Brasil ultrapassa as 195 mil mortes por Covid A alta nacional de mortes foi puxada por aumentos nos estados. Em Mato Grosso do Sul, dezembro foi o mês com o maior número de mortes pela Covid desde o início da pandemia: 560. O estado teve tendência de alta nas mortes, segundo a média móvel diária, em todos os dias de dezembro exceto no dia 1º. Os estados de Amazonas, Pará, Mato Grosso, Acre, Alagoas e Sergipe também mostraram tendência de alta nas mortes em dezembro: Mato Grosso teve tendência de aumento de óbitos em 27 dos 31 dias do mês. No Acre, a mesma tendência foi vista em 26 dias de dezembro. Os outros três estados mostraram tendência ininterrupta de alta nas mortes desde meados de dezembro: no Pará, a alta tem sido vista desde o dia 16; em Sergipe, desde o dia 15; e, em Alagoas, a tendência vem desde o dia 13. As médias móveis diárias calculadas pelo consórcio de imprensa também apontaram que, em 21 dos 31 dias do mês passado, houve tendência nacional de aumento nos óbitos. Em novembro, foram 12 dias com a mesma tendência. 'Ponta do iceberg' Pessoas andam em rua cheia no comércio do Rio de Janeiro em meio à pandemia de Covid-19, no dia 23 de dezembro. Pilar Olivares/Reuters Para a enfermeira epidemiologista Ethel Maciel, professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o aumento nas mortes visto no mês passado é reflexo de aglomerações anteriores – dos feriados de 12 de outubro, 2 de novembro e das eleições. Ela pontua que os próprios políticos, por exemplo, não deram bons exemplos de comportamentos para evitar a transmissão do vírus. "As eleições tiveram influência. Políticos, pessoas se aglomerando: infelizmente foi o que nós vimos", avalia Maciel. Na sexta-feira (1º), os prefeitos que tomaram posse tiveram cerimônias menores, na tentativa de evitar a transmissão do vírus. A epidemiologista avalia que, com as comemorações do fim do ano, o cenário deve piorar em janeiro. "Com as festas de final de ano, com certeza teremos muitos casos e muitas mortes – porque as pessoas não estão fazendo o distanciamento, estão se aglomerando", diz. Para impedir as aglomerações, várias prefeituras ao redor do país adotaram medidas restritivas. Mesmo assim, houve quem quebrasse as regras. O físico Domingos Alves, responsável pelo Laboratório de Inteligência em Saúde da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto, concorda com a avaliação da epidemiologista. Ele afirma que os números de dezembro ainda são "a ponta do iceberg" da pandemia no Brasil. "Ainda é a ponta do iceberg. Para janeiro, esses dados vão se agravar. Nós vamos ter uma mortalidade por Covid aqui no Brasil não vista até agora na pandemia. O número de óbitos vai explodir", diz. Metodologia O consórcio de veículos de imprensa começou o levantamento conjunto no início de junho. Por isso, os dados mensais de fevereiro a maio são de levantamentos exclusivos do G1. A fonte de ambos os monitoramentos, entretanto, é a mesma: as secretarias estaduais de Saúde. Outra observação sobre os dados é que, no dia 28 de julho, o Ministério da Saúde mudou a metodologia de identificação dos casos de Covid e passou a permitir que diagnósticos por imagem (tomografia) fossem notificados. Também ampliou as definições de casos clínicos (aqueles identificados apenas na consulta médica) e incluiu mais possibilidades de testes de Covid. Desde a alteração, mais de mil casos de Covid-19 foram notificados pelas secretarias estaduais de Saúde ao governo federal sob os novos critérios. Veja vídeos sobre novidades das vacinas contra a Covid-19: Para impedir as aglomerações, várias prefeituras ao redor do país d Veja Mais

Mutação do vírus no Amazonas: o que se sabe até agora

Glogo - Ciência Medidas de precaução, como uso de máscara e distanciamento, previnem contra todas as variações do vírus. Estudos também mostram que as vacinas desenvolvidas bloqueiam essa e outras variantes. Variante do Amazonas tem uma série de mutações que ainda não tinham sido encontradas JN Uma nova variante do coronavírus que causa a Covid-19 foi encontrada no Amazonas, segundo informações divulgadas pela Fiocruz Amazônia. Trata-se da mesma variante identificada no Japão após viajantes do país passarem pelo estado brasileiro. A variante também foi responsável pela reinfecção de uma paciente de 30 anos que mora em Manaus e já se recuperou da doença. Fiocruz Amazônia detectou variante do vírus originário no Amazonas Veja abaixo perguntas e respostas sobre que se sabe até o momento sobre essa mutação: Qual é a mutação encontrada no vírus do AM? A variante do Amazonas tem uma série de mutações que ainda não tinham sido encontradas. Ela pode ter evoluído de uma linhagem viral que circula no estado desde abril do ano passado, e "ser representante de um vírus potencialmente de uma linhagem emergente no Brasil", explicou a Fiocruz Amazônia. A variante envolve mutações na proteína Spike, que faz a interação inicial com a célula humana. Essa mutação é mais transmissível e/ou fatal? Essa nova variante carrega mutações que já foram associadas à maior transmissão, mas ainda não é possível afirmar se ela é mais transmissível ou não. As mutações na proteína Spike chamam mais atenção porque elas podem afetar a transmissão do vírus, aumentando ou diminuindo. Quando essa mutação é prejudicial ao vírus, ela vai desaparecer, porque essa mutação não vai circular. As mutações neutras, que não dão vantagem ao vírus, são maioria. Porém, há essas que aparentemente dão vantagem ao vírus e são com essas que temos que ficar mais preocupados. Coronavírus: Por que a nova variante preocupa? Qual é a diferença entre as mutações do Reino Unido e da África do Sul? A duas cepas emergentes independentes identificadas no Reino Unido e na África do Sul possuem um número maior de mutações na proteína Spike. Ambas tiveram oito substituições de aminoácidos definidores de linhagem na proteína Spike, sendo a mutação no domínio de ligação ao receptor a única substituição de aminoácidos comum detectada nas duas. ENTENDA: Veja o que se sabe até agora sobre as variantes do Reino Unido e da África do Sul O que tem de diferente na proteína Spike do AM? A pesquisa da Fiocruz Amazônia indica que as cepas detectadas em viajantes japoneses retornando da região amazônica provavelmente evoluíram de uma linhagem viral que circula no estado do Amazonas desde abril de 2020, e podem ser representantes de um vírus potencialmente de uma linhagem emergente no Brasil. A linhagem amazônica parece ter evoluído a uma taxa constante entre abril e novembro de 2020 e nenhuma das sequências aqui obtidas exibiu um número tão alto de mutações na Spike ou em qualquer outra região genômica. As vacinas são eficazes contra a mutação? Sim. Os estudos realizados até agora mostram que mesmo as variantes do vírus são bloqueadas pela ação da vacina, pelos anticorpos desenvolvidos em função do imunizante. Porém, caso ocorra uma mutação significativa na proteína Spike, ela poderá causar um impacto no processo de vacinação. Esse fenômeno é chamado de escape vacinal e precisa ser caracterizado o mais rápido possível para que as vacinas sejam readequadas para conter essas variantes. A hipótese dos pesquisadores atualmente é que talvez tenhamos de conviver com o coronavírus como uma outra virose endêmica. VEJA MAIS: perguntas e respostas sobre a vacina contra Covid-19 As medidas de precaução (distanciamento, máscara, lavagem das mãos, álcool) servem para esse vírus? Sim. Mesmo com a mutação do vírus, as medidas para evitar o contágio da Covid-19 adotadas no mundo todo desde o começo da pandemia continuam válidas e necessárias. O vírus mutante ou o vírus original não atravessam a máscara, não resistem à lavagem das mãos com sabão ou álcool em gel. A transmissão também é evitada com distanciamento social. Ambientes arejados e com boa circulação de ar também são muito importantes. Veja os vídeos mais assistidos do G1 AM: Veja Mais

Covid-19: variante detectada no Reino Unido está em 50 países, segundo OMS

Glogo - Ciência A variante da África do Sul foi encontrada em 20 países. "Quanto mais o vírus se espalha, mais chances ele tem de mudar", alertou a organização. Japão detecta nova variante de coronavírus em viajantes vindos do Brasil A mutação do coronavírus identificada no Reino Unido está presente em 50 países, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e a variante localizada na África do Sul foi detectada em outros 20 territórios. Variantes do coronavírus: o que se sabe até agora em 5 perguntas e respostas A instituição também alertou que uma terceira "variante preocupante" encontrada no Japão pode ter um impacto na resposta imunológica e precisa ser mais investigada. "Quanto mais o vírus SARS-CoV-2 se espalha, mais chances ele tem de mudar. Se há altos níveis de transmissão, temos que pensar que mais variantes surgirão", disse a OMS. A variante britânica foi informada à OMS em 14 de dezembro. Já a mutação detectada na África do Sul foi relatada em 18 de dezembro. Dados revelam que as duas podem ser mais transmissíveis. Estudo afirma que nova cepa de Covid-19 é entre 50% a 74% mais contagiosa Estudo brasileiro indica mecanismo responsável por versão mais transmissível "Embora esta nova variante não pareça causar doenças mais graves, o rápido aumento no número de casos coloca o sistema de saúde sob pressão", explicou a OMS. VÍDEOS: Mais assistidos do G1 nos últimos dias Veja Mais

Taxa de transmissão da Covid-19 sobe para 1,21 no Brasil, aponta Imperial College

Glogo - Ciência A estimativa significa que cada 100 pessoas infectadas no país contaminam outras 121. Taxa aumentou em relação à semana anterior, quando foi 1,04. Mutação do coronavírus JN Mutação do coronavírus JN A taxa de transmissão (Rt) do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no Brasil está em 1,21, aponta o monitoramento do Imperial College de Londres, no Reino Unido, divulgado nesta terça (12), que leva em conta os dados coletados até a segunda-feira (11). Isso significa que cada 100 pessoas com o vírus no país infectam outras 121. Pela margem de erro das estatísticas, essa taxa pode ser maior (Rt de até 1,40) ou menor (Rt de 1,14). Nesses cenários, cada 100 pessoas com o vírus infectariam outras 140 ou 114, respectivamente. A taxa aumentou em relação à semana anterior, quando foi de 1,04, podendo ser de 1,26 a 0,92 pela margem de erro das estatísticas. Em novembro, a taxa de transmissão chegou a 1,30, a maior desde o fim de maio. Os cientistas apontam que "a notificação de mortes e casos no Brasil está mudando; os resultados devem ser interpretados com cautela". Simbolizado por Rt, o "ritmo de contágio" é um número que traduz o potencial de propagação de um vírus: quando ele é superior a 1, cada infectado transmite a doença para mais de uma pessoa e a doença avança. Números no Brasil O Brasil tem mais de 203,6 mil mortes por coronavírus e mais de 8,1 milhões de casos confirmados, segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. O número de mortes é o segundo maior do mundo – atrás apenas dos Estados Unidos, que têm mais de 376 mil óbitos. VÍDEOS: novidades sobre as vacinas Veja Mais

Covid-19: OMS espera começar a vacinação nos países mais pobres em fevereiro

Glogo - Ciência Bruce Aylward explicou que os produtores de vacina precisam colaborar com a aliança Covax. Na sexta (8), o diretor-geral da OMS pediu para os países pararem de fazer acordos bilaterais com os fabricantes dos imunizantes. Especialistas calculam mínimo necessário de pessoas imunizadas para conter a Covid A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta segunda-feira (11) que pretende começar a vacinação em países pobres e de renda média baixa em fevereiro, através da aliança Covax – uma iniciativa da organização para garantir o acesso equitativo a uma futura vacina da Covid-19. “Estamos tentando acelerar a distribuição das vacinas. Esperamos começar em fevereiro no máximo de países, mas para isso precisamos da colaboração dos produtores de vacina para a aliança”, explicou Bruce Aylward, assessor sênior do diretor-geral da entidade. 'Vacinas são bens públicos', diz brasileira diretora da OMS Aylward disse que a OMS está trabalhando com ações extraordinárias para acelerar esse prazo para janeiro, mas explicou que as vacinas estão indo para países de alta e alta/média renda e isso não está no controle da Covax. Na sexta-feira (8), o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu que países parem de fazer acordos bilaterais com os fabricantes das vacinas. “O nacionalismo da vacina prejudica a todos nós e é autodestrutivo. Nenhum país é excepcional e deve cortar a fila e vacinar toda a sua população enquanto alguns ficam sem a vacina”. Tedros disse que o mecanismo Covax e os países estão prontos para receber a vacina. “A hora de entregar as vacinas equitativamente é agora”. A aliança Covax vai disponibilizar ao menos 2 bilhões de doses de vacinas até o fim de 2021 e 92 países pobres deverão ter acesso a 1,3 bilhão de doses ainda no primeiro semestre. O Brasil participa da aliança, mas não está na lista dos países mais pobres. Profissional de saúde se prepara para aplicar a vacina da Pfizer e da BioNTech em Los Angeles, nos Estados Unidos, no dia 7 de janeiro de 2020 Lucy Nicholson/Reuters Imunidade coletiva não deve ser atingida em 2021 Mesmo com o início da vacinação, o mundo não vai atingir a imunidade coletiva em 2021, alertou a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan. "Mesmo com a proteção da vacina não atingiremos o nível de imunidade de rebanho em 2021. Se isso acontecer, será apenas em alguns países" - Soumya Swaminathan. Imunidade pode exigir que quase 90% tomem vacina contra a Covid-19, diz imunologista-chefe dos EUA Especialistas calculam mínimo necessário de pessoas imunizadas para conter a Covid Swaminathan pediu paciência e reforçou que os países precisam continuar com as medidas de prevenção: distanciamento social, máscara e higiene das mãos. "Medidas de saúde pública, mesmo com o início da vacinação, precisam ser seguidas". VÍDEOS: Novidades sobre a vacina Veja Mais

Mudanças climáticas: 5 razões por que 2021 pode ser um ano crucial na luta contra o aquecimento global

Glogo - Ciência Para surpresa de muitos, os próximos meses podem trazer boas notícias para a agenda ambiental. Para surpresa de muitos, os próximos meses podem trazer boas notícias para a agenda ambiental Getty Images O mundo tem um tempo limitado para agir de modo a evitar os piores efeitos das mudanças climáticas. A pandemia de Covid-19 foi o grande problema de 2020, sem dúvida, mas espera-se que, até o final de 2021, os efeitos das vacinas tenham sido ativados e falemos mais sobre o clima do que sobre o coronavírus. O ano que se inicia será decisivo para enfrentar as mudanças climáticas. Segundo António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), estamos num "ponto de ruptura" para o clima. Apesar das estatísticas preocupantes, ainda há motivos para otimismo. Com o espírito de ano novo, estas são cinco razões por que 2021 pode frustrar os catastrofistas e representar um grande avanço na agenda global sobre o clima: 1. Conferência climática crucial Em novembro de 2021, os líderes mundiais se reunirão em Glasgow, na Escócia, para trabalhar no sucessor do histórico Acordo de Paris de 2015. Paris foi importante porque foi a primeira vez que praticamente todas as nações do mundo concordaram que têm algum papel na luta contra as mudanças climáticas. A conferência de Glasglow é uma nova oportunidade para atingir as metas climáticas Getty Images O problema foi que os compromissos assumidos à época pelos países para reduzir emissões de carbono não atingiram os objetivos estabelecidos pela conferência. Em Paris, o mundo concordou que, até o final do século, o aumento da temperatura global não seria superior a 2°C em relação aos níveis pré-industriais. O objetivo era limitar o aumento a 1,5°C, se possível. A realidade é que não estamos avançando nesse sentido. Pelas expectativas atuais, espera-se que o mundo ultrapasse o limite de 1,5°C em 12 anos ou menos e alcance 3°C de aquecimento até o fim do século. Conforme o Acordo de Paris, os países prometeram voltar a se reunir a cada cinco anos e ampliar seus objetivos de redução de emissões. Isso deveria ter acontecido em Glasgow em novembro de 2020, mas, devido à pandemia, foi adiado para este ano. Assim, Glasgow 2021 pode ser um encontro em que as metas para redução nas emissões de carbono sejam ampliadas. 2. Compromissos unilaterais de reduções de emissões O anúncio mais importante sobre mudanças climáticas no ano passado saiu completamente do nada. Na Assembleia Geral da ONU em setembro, o presidente da China, Xi Jinping, anunciou que seu país tinha como objetivo tornar-se neutro em emissões de carbono até 2060. Os ambientalistas ficaram atônitos. Reduzir emissões de carbono sempre foi considerado um esforço caro, mas aqui estava a nação mais poluente do mundo, responsável por cerca de 28% das emissões globais, comprometendo-se a cortar suas emissões incondicionalmente, independentemente de outros países seguirem seu exemplo. Essa foi uma mudança completa em relação às negociações anteriores, quando todos temiam assumir o custo de descarbonizar a própria economia, enquanto outros não faziam nada, mas desfrutavam às custas dos que fizeram o dever de casa. A China não é a única a tomar essa iniciativa. Em 2019, o Reino Unido foi a primeira das principais economias do mundo a assumir um compromisso legal de emissões líquidas zero. A União Europeia fez o mesmo em março de 2020. Desde então, Japão e Coreia do Sul se somaram ao que, segundo estimativas da ONU, já são mais de 110 países que estabeleceram uma meta de "zero líquido" até meados do século. Conforme explica a ONU, o zero líquido significa que não estamos acrescentando novas emissões à atmosfera. As emissões continuam, mas são equilibradas com absorções equivalentes. Os países que estabeleceram metas de chegar ao zero líquido representam mais de 65% das emissões globais, e mais de 70% da economia mundial, dizem as Nações Unidas. Com a eleição de Joe Biden nos Estados Unidos, a maior economia do mundo agora se soma ao coro de redução das emissões de carbono. Esses países agora precisam detalhar como planejam alcançar suas novas metas, o que será uma parte fundamental da agenda de Glasgow. Mas o fato de eles já estarem dizendo que desejam chegar a esse ponto é uma mudança muito significativa. 3. Redução de custos das energias renováveis Há uma boa razão por que tantos países agora dizem que planejam chegar a emissões líquidas zero: a queda no custo das energias renováveis está mudando por completo o cálculo da descarbonização. Em outubro de 2020, a Agência Internacional de Energia, uma organização intergovernamental, concluiu que os melhores sistemas de geração solar oferecem agora "a fonte de eletricidade mais barata da história". Quando se trata de construir novas centrais elétricas, as energias renováveis já costumam ser mais baratas do que a energia gerada por combustíveis fósseis em grande parte do mundo. Se os países ampliarem seus investimentos em energia eólica, solar e em baterias nos próximos anos, é provável que os preços caiam ainda mais, até um ponto em que começará a ser rentável encerrar e substituir as centrais elétricas a carvão e gás. Isso acontece pois o preço das energias renováveis segue a lógica de toda a indústria: quanto mais se produz, mais barato se torna, e quanto mais barato se torna, mais se produz. Isso significa que os ativistas não precisarão pressionar os investidores para que eles façam a coisa certa. Por sua vez, os governos sabem que, ao ampliar o uso de energias renováveis em suas próprias economias, ajudam a acelerar a transição energética globalmente, tornando as energias renováveis mais baratas e competitivas em todo o mundo. 4. A pandemia muda tudo A pandemia do coronavírus abalou nossa sensação de sermos invulneráveis e nos lembrou que nosso mundo pode virar de cabeça para baixo de maneiras que não podemos controlar. Também provocou a turbulência econômica mais significativa desde a Grande Depressão. Em resposta, os governos estão dando um passo adiante com pacotes de estímulo planejados para reativar suas economias. E a boa notícia é que, poucas vezes, ou talvez nunca antes, foi mais barato para os governos fazer esse tipo de investimento. Em todo o mundo, as taxas de juros estão próximas de zero ou até negativas. Isso cria uma oportunidade sem precedentes para fazer as coisas de uma forma melhor desta vez. A União Europeia e o novo governo de Joe Biden nos EUA prometeram bilhões de dólares em investimentos verdes para reaquecer suas economias e iniciar o processo de descarbonização. Ambos dizem que esperam que outros países se juntem a eles, ajudando a reduzir o custo das energias renováveis em nível mundial. Mas também alertam que isso não deve acontecer sem duras exigências de contrapartida: um imposto sobre as importações de países que emitem muito carbono. A ideia é que isso possa estimular os retardatários na redução de carbono, como Brasil, Rússia, Austrália e Arábia Saudita, a abraçarem a agenda da redução de emissões de gases poluentes. A má notícia é que, segundo a ONU, os países desenvolvidos ainda estão gastando 50% mais em setores vinculados aos combustíveis fósseis do que em energias de baixo carbono. 5. Os negócios também estão se tornando verdes A redução no custo das energias renováveis e a crescente pressão pública para que se atue com relação ao clima também está transformando a atitude das empresas. Há sólidas razões econômicas para isso. Por que investir em novos poços de petróleo ou centrais elétricas a carvão que se tornarão obsoletas antes que se possa amortizar os custos ao longo de sua vida útil de 20 ou 30 anos? Na verdade, por que carregar riscos associados ao carbono em suas carteiras? A lógica já está avançando nos mercados. Somente neste ano, a alta vertiginosa no preço das ações da Tesla converteu a empresa de veículos elétricos na mais valiosa companhia automobilística do mundo. Enquanto isso, o preço das ações da petroleira Exxon, que chegou a ser a empresa mais valiosa do mundo, caiu tanto que ela foi expulsa do índice Dow Jones Industrial Average, um dos principais indicadores do mercado de ações americano. Ao mesmo tempo, há um estímulo crescente para que as empresas incorporem o risco climático na tomada de suas decisões financeiras. O objetivo é fazer com que seja obrigatório para as empresas e seus investidores demonstrar que suas atividades e investimentos estão dando os passos necessários para a transição rumo a um mundo de emissões líquidas zero. Setenta bancos centrais já estão trabalhando para que isso aconteça, e a integração desses requisitos à arquitetura financeira mundial será uma enfoque-chave para a conferência de Glasgow. Tudo ainda está em jogo. Portanto, há boas razões para ter esperança, mas está longe de ser algo certo. Para ter uma chance razoável de atingir a meta de 1,5°C, devemos reduzir à metade as emissões totais até o final de 2030, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, órgão apoiado pela ONU que compila a ciência necessária para a tomada de decisões políticas embasadas. Isso implicaria atingir a cada ano a redução de emissões que ocorreu em 2020 graças aos amplos confinamentos impostos pela pandemia. As emissões, no entanto, já estão voltando aos níveis de 2019. A verdade é que muitos países expressaram grandes ambições de reduzir o carbono, mas poucos implementaram estratégias para alcançar esses objetivos. O desafio em Glasgow será fazer com que as nações do mundo se comprometam com políticas que comecem a reduzir as emissões desde já. A ONU diz querer ver o uso do carvão como fonte de energia eliminado por completo, o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis e uma coalizão global para chegar ao zero líquido até 2050. Essa continua sendo uma tarefa muito difícil, mesmo que os sentimentos globais sobre como enfrentar o aquecimento global estejam começando a mudar. Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 9 de janeiro, segundo consórcio de veículos de imprensa

Glogo - Ciência País contabilizou 201.843 óbitos e 8.034.358 casos da doença desde o início da pandemia. O consórcio de veículos de imprensa divulgou novo levantamento da situação da pandemia de coronavírus no Brasil a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, consolidados às 13h deste sábado (9). Desde o último balanço, às 20h de sexta-feira (8), 10 estados atualizaram seus dados: BA, CE, GO, MG, MS, PB, PE, RS, RN e TO. Mortes: 201.843 Casos: 8.034.358 Até as 20h desta sexta-feira (8), o país registrou 1.379 mortes pela Covid-19 nas 24 horas anteriores - o maior número desde 4 de agosto -, chegando ao total de 201.542 óbitos desde o começo da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias até o balanço das 20h de sexta foi de 872 - a maior desde 2 de setembro. A variação foi de +37% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de crescimento nos óbitos pela doença. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 8.015.920 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 84.977 desses confirmados no último dia -- maior registro em 24 horas desde o começo do consórcio. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 45.294 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de +26% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de crescimento também nos diagnósticos. Os números de casos e de mortes têm influência de dados do Paraná, que divulgou registros acumulados após não ter seu boletim na quinta-feira (7). Ainda, o estado fez uma revisão dos dados, incluindo mais óbitos e infectados de outros meses, influenciando nos números de sexta-feira. Quinze estados e o Distrito Federal apresentaram alta na média móvel de mortes: PR, RS, RJ, SP, DF, GO, AC, AM, AP, RO, RR, TO, CE, PB, RN e SE. Ainda, é a primeira vez desde o começo do consórcio, em julho, que não há nenhum estado com tendência de queda. Covid-19 sem vacina e sob risco de repetir piores momentos da pandemia Página especial - cronologia das 200 mil mortes Brasil, 8 de janeiro Total de mortes: 201.542 Registro de mortes em 24 horas: 1.379 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 872 (variação em 14 dias: +37%) Total de casos confirmados: 8.015.920 Registro de casos confirmados em 24 horas: 84.977 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 45.294 por dia (variação em 14 dias: +26%) Estados Subindo (15 estados + DF): PR, RS, RJ, SP, DF, GO, AC, AM, AP, RO, RR, TO, CE, PB, RN e SE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (11 estados): SC, ES, MG, MS, MT, PA, AL, BA, MA, PE e PI Em queda: 0 estado Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Estados com a média de mortes subindo Arte G1 Estados com a média de mortes em estabilidade Arte G1 Sul PR: +63% RS: +16% SC: -7% Sudeste ES: +7% MG: -5% RJ: +95% SP: +61% Centro-Oeste DF: +37% GO: +58% MS: -6% MT: -9% Norte AC: +23% AM: +230% AP: -38% PA: +14% RO: +78% RR: +500% TO: +140% Nordeste AL: -2% BA: 0% CE: +195% MA: -7% PB: +44% PE: -13% PI: -4% RN: +42% SE: +32% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Maioria dos pacientes com Covid-19 tem ao menos um sintoma seis meses depois da internação, diz estudo

Glogo - Ciência Pesquisa acompanhou mais de mil pessoas que foram hospitalizadas com a doença em Wuhan, cidade chinesa onde o coronavírus foi identificado pela primeira vez. Fadiga ou fraqueza muscular foram os sintomas mais comuns. Médico examina tomografias em hospital de Wuhan, epicentro da epidemia do novo coronavírus, na província de Hubei, na China Wang Yuguo / Xinhua via AP Mais de três quartos das pessoas hospitalizadas por decorrência da Covid-19 em Wuhan, na China, tiveram pelo menos um sintoma da doença seis meses depois da internação, segundo um estudo publicado neste sábado (9) na revista científica "The Lancet" que acompanhou pacientes da cidade onde o coronavírus foi identificado pela primeira vez, no fim de 2019. Fadiga ou fraqueza muscular foram os sintomas mais comuns. Distúrbios do sono, ansiedade ou depressão também foram diagnosticados. E alguns pacientes desenvolveram problemas renais após receberem alta do hospital. Wuhan, 1º epicentro da pandemia, pode ter tido o triplo do número oficial de casos de Covid-19, apontam pesquisadores chineses 'Tudo praticamente normal', diz brasileiro que mora em Wuhan, primeiro epicentro da pandemia de covid-19 Covid-19 persistente: os pacientes que continuam com sintomas mesmo após meses Já os pacientes que estiveram internados em estado grave apresentaram alterações na função pulmonar e anormalidades nas tomografias de tórax. "Como a Covid-19 é uma doença nova, estamos começando a entender alguns de seus efeitos de longo prazo na saúde dos pacientes", afirmou o autor principal do estudo, Bin Cao, do National Center for Respiratory Medicine. O trabalho destaca a necessidade de acompanhamento médico após a alta hospitalar, principalmente por pacientes que foram internados com sintomas graves da doença. "Nosso trabalho também destaca a importância de conduzir estudos de acompanhamento mais longos em populações maiores para compreender todo a séria de sequelas que a Covid-19 pode ter nas pessoas", acrescentou. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o coronavírus pode provocar sequelas graves persistentes em alguns pessoas infectadas, mesmo que sejam saudáveis e que não tenham sido hospitalizadas. O estudo acompanhou 1.733 pacientes que tiveram Covid-19, com idade média de 57 anos, que receberam alta do Hospital Jin Yin-tan, em Wuhan, entre janeiro e maio de 2020. A pesquisa concluiu que: 76% dos pacientes continuavam com sintomas. 63% se queixaravam de fadiga muscular ou fraqueza. 26% enfrentavam problemas de sono. O estudo também incluiu 94 pacientes cujos níveis de anticorpos no sangue foram registrados no pico da infecção. Seis meses depois, seus níveis de anticorpos neutralizantes contra o vírus caíram para menos da metade. Em um comentário publicado na "The Lancet", Monica Cortinovis, Norberto Perico e Giuseppe Remuzzi, do Instituto Mario Negri de Pesquisa Farmacológica, na Itália, destacam as incertezas sobre as consequências de longo prazo da pandemia para a saúde. A pesquisa multidisciplinar deve ajudar a melhorar a compreensão e desenvolver terapias para "mitigar as consequências de longo prazo da Covid-19 em vários órgãos e tecidos", afirmaram eles. Covid-19: o que é, quais são os sintomas e o que você precisa saber Veja Mais

Brasil ultrapassa 200 mil mortes por Covid-19; especialistas alertam para transmissão pelo ar

Glogo - Ciência Evitar locais fechados e aglomerações, ajustar a máscara rente ao rosto, sem deixar folgas, e manter o distanciamento estão entre as principais ferramentas. Enterros de vítimas de Covid-19 na manhã desta quarta-feira (6), no cemitério Nossa Senhora Aparecida em Manaus (AM) Sandro Pereira/Fotoarena/Estadão Conteúdo A virada do ano não significa que a pandemia de Covid-19 acabou: nesta semana, o Brasil ultrapassou a marca dos 200 mil mortos pela doença, que é causada pelo coronavírus Sars-CoV-2. O número é o segundo maior do mundo. Não há uma previsão de fim da pandemia, decretada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em março de 2020. A OMS também já alertou que o coronavírus pode se tornar endêmico – ou seja, nunca desaparecer. Apesar da previsão de chegada de vacinas neste ano, o Brasil não tem um cronograma de imunização contra a Covid-19. Por isso, a melhor forma de se proteger da doença ainda é evitar o contágio. Nesta reportagem, o G1 reuniu 6 dicas para você relembrar as melhores formas de se proteger: Evitar locais fechados e mal ventilados Usar máscara Manter o distanciamento Evitar aglomerações Lavar as mãos com frequência Evitar informações falsas 1) Evite locais fechados e mal ventilados Na foto, garçonete limpa a mesa de um restaurante enquanto dois homens comem em Bangkok, na Tailândia, no dia 4 de janeiro. Jack Taylor/AFP O mais importante para se proteger do contágio pelo coronavírus é evitar locais fechados e mal ventilados, avalia o engenheiro biomédico Vitor Mori, membro do Observatório Covid-19 BR e pesquisador na Universidade de Vermont, nos Estados Unidos. Isso porque o vírus é transmissível pelo ar. "Os locais mais perigosos para contaminação são festas, restaurantes, bares e cafés", diz Mori. "São espaços muito pequenos, onde está todo mundo sem máscara, as pessoas estão falando. Quanto mais fala, mais aerossóis transmite, e as pessoas estão respirando o mesmo ar". Um estudo publicado em novembro por cientistas da Universidade de Stanford, nos EUA, mostrou que restaurantes, academias, cafés e bares eram os locais com maior risco de contaminação pelo vírus. Se uma pessoa pessoa infectada expele aerossóis, eles permanecem no ar por um período. Em um espaço fechado e mal ventilado, essas partículas menores podem se acumular no ar com o tempo e serem inaladas por outra pessoa, explica Vitor Mori. "O que nós sabíamos antes era que as gotículas de certos tamanhos eram as principais responsáveis por transmitir vários tipos de patógenos áereos, incluindo, claro, o vírus", diz Carlos Zárate-Bladés, pesquisador do Laboratório de Imunorregulação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). "Só que a gente viu a descoberta de que existem gotículas menores ainda do que as que a gente já conhecia que eram responsáveis pela transmissão desses patógenos", acrescenta. "Por isso é que a transmissão do Sars-CoV-2 em ambientes fechados é muito maior. As gotículas maiores da fala de uma pessoa contaminada vão cair no chão relativamente rápido; no entanto, as outras permanecem flutuando no ar por pelo menos 20 minutos", afirma o cientista. '"Agora, se você abre ou ventila o local, então faz com que essas gotículas se dispersem, então, ao ficarem dispersas, elas já não conseguem ter a quantidade viral adequada para transmitir a doença", explica Zárate-Bladés. Cientistas pedem a organizações que reconheçam risco de transmissão do coronavírus pelo ar Mori explica que, no início da pandemia, a contaminação por superfícies foi muito enfatizada, deixando de lado a transmissão pelo ar – mesmo quando as evidências científicas apontavam para esse tipo de disseminação do vírus. "Houve muita pressão política para não reconhecer a transmissão pelo ar. A gente bateu muito numa tecla de higienização no começo da pandemia, mas não atualizou. As pessoas continuam lavando compras, higienizando tudo, mas indo para restaurante fechado, para shopping", pondera o pesquisador. Ele argumenta que os protocolos para lugares fechados – como termômetros nas entradas – não previnem a transmissão pelo ar. Aglomeração em bar no Distrito Federal MPDFT/Divulgação "Isso é até problemático, porque causa falsa sensação de segurança. As pessoas deixam de ir à praia por acharem que outros locais, por terem protocolos, são mais seguros", diz. "Eu acho que as pessoas não estão entendendo [a transmissão]. A gente não controla a transmissão se não sabe como o vírus se transmite", lembra Mori. "É possível se contaminar por uma superfície, mas é muito raro perto da contaminação pelo ar. Não está sendo comunicado como o vírus se transmite – estamos priorizando higienização ao invés da transmissão pelo ar", diz. Ele também cobra mais atuação do poder público para uma política de redução de danos – para fornecer alternativas seguras de atividades às pessoas. "Eu não vou conseguir convencer um jovem que está indo para a balada a ficar em casa. Não acho que isso é realista, que isso vai acontecer. Mas eu poderia convencer o jovem que está indo para a balada a encontrar os amigos num parque aberto, ao ar livre. Acho isso muito mais viável", afirma Mori. 2) Use máscara Pessoas com máscaras protetoras contra a Covid-19 andam em shopping em Bogotá, na Colômbia, nesta segunda-feira (8). Juan Barreto/AFP As máscaras são essenciais para conter a transmissão do vírus. Mas, para que elas funcionem, é necessário usá-las de maneira correta. A máscara deve cobrir completamente o nariz e a boca – nada de máscara no queixo ou deixando o nariz de fora. Além disso, deve se ajustar ao rosto, sem deixar folgas ou aberturas pelas quais gotículas possam entrar (ou sair). O mais importante é que a máscara seja bem ajustada, explica Vitor Mori. Ele recomenda procurar máscaras que possam ser presas na nuca, ao invés da orelha, para ajustar melhor ao rosto. Outro ponto que ajuda é ter uma peça de metal perto do nariz, para melhorar o ajuste. "A máscara tem que ficar bem apertada no rosto. Ela não pode ter vazamento nos lados e por cima. Eu vejo muita gente usando a máscara bem folgada, e o ar fica escapando por buracos enormes. Isso precisa ser explicado para a população", diz. Veja como usar corretamente a máscara para se proteger da Covid-19 Anderson Cattai/G1 De forma geral, diz Vitor Mori, o ideal é que a máscara tenha malhas bem fechadas – de 2 a 3 camadas de pano. Para verificar, a pessoa pode fazer o teste da luz do sol – vendo se consegue enxergar a luz do sol através da máscara – ou o teste da vela. "Estando de máscara, tentar apagar um fósforo, uma vela, um isqueiro: se conseguir apagar com certa facilidade, é sinal de que não é tão grossa quanto deveria. Isso serve para ver a qualidade da máscara – mas não adianta se ela não ajusta [no rosto]", reforça Mori. Para Carlos Zárate-Bladés, da UFSC, a máscara se tornou uma espécie de última alternativa no combate à Covid. "O que se espera é que, com a retomada de atividades – é praticamente cada vez mais difícil manter as pessoas em casa –, a gente crie uma consciência um tanto maior no uso racional da máscara. É a única forma que eu vejo possível de fazer uma rotina normal", afirma. 3) Mantenha o distanciamento Mulher anda com neto na praia em Delaware, nos Estados Unidos, no dia 2 de janeiro. Mark Makela/AFP Mantenha o distanciamento das outras pessoas – mesmo de máscara e mesmo ao ar livre – sempre que possível. "Em espaço fechado, 1,5 metro [de distanciamento] não é suficiente", afirma Vitor Mori. "A gente assumiu uma regra de que 1,5 m é suficiente e isso não é verdade. Em espaço fechado, quanto maior o distanciamento, melhor. Em espaço aberto, até dá para considerar 1,5 m seguro, [já que] o risco é muito mais baixo", explica. Um estudo publicado em dezembro por cientistas da Universidade Estadual do Novo México, nos EUA, fez uma simulação com instrumentos para testar a eficiência de 5 tipos de máscaras quando duas pessoas estavam a cerca de 1,8 metro em um ambiente fechado. Os cientistas testaram tanto a eficiência da máscara para proteger a pessoa de gotículas que vinham de fora quando alguém tosse ou espirra, quanto para impedir o vazamento de gotículas, nesses casos, de alguém possivelmente infectado. Todas as máscaras, mesmo com ajuste perfeito, permitiram a passagem de alguma quantidade de gotículas que vinham de fora, exceto a N95. A máscara de tecido normal permitiu a passagem de cerca de 3,6% delas, por exemplo. "O uso de máscara oferece proteção substancial, mas não completa, a uma pessoa suscetível, ao diminuir o número de gotículas de espirros e de tosse transportados pelo ar que, de outra forma, entrariam na pessoa sem a máscara", dizem os pesquisadores. "Deve-se considerar a possibilidade de minimizar ou evitar interações humanas próximas, cara a cara ou frontais, se possível", recomendam. 00:00 / 20:44 4) Evite aglomerações Pessoas fazem compras na 25 de Março, no Centro de São Paulo, no dia 23 de dezembro. Carla Carniel/AP A médica Lucia Pellanda, professora de epidemiologia e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), enfatiza a orientação de, além de manter o distanciamento, evitar aglomerações especificamente. "Tem um fenômeno específico nessa doença que são os superespalhadores – os eventos superespalhadores e as pessoas superespalhadoras. Realmente, quanto mais gente, mais risco. Quanto mais tempo ficar com elas, mais risco. E quanto mais perto, mais risco", lembra Pellanda. Superespalhadores de Covid: tabela avalia grau de risco de eventos presenciais; Veja "Mesmo ao ar livre, de máscara, se tiver 100 pessoas, o risco vai ser maior do que se tiver duas pessoas", pontua. A especialista destaca, ainda, que é importante aplicar todas as medidas de prevenção ao vírus de forma conjunta. "Não adianta 'estou ao ar livre, não preciso de máscara'. Precisa. 'Então eu estou ao ar livre, não preciso ficar à distância'. Precisa. 'Ah, eu estou de máscara, não preciso manter a distância'. Precisa", afirma. "Quando a gente faz todas as coisas, vai diminuindo bastante o risco. As pessoas têm ideia de que é tudo ou nada. O risco é contínuo", lembra Pellanda. 5) Lave as mãos com frequência Meninas lavam as mãos antes de entrarem na sala de aula em uma escola primária em Lille, no norte da França, no dia 1º de setembro, primeiro dia letivo em meio à pandemia de Covid-19. Denis Charlet/AFP A recomendação de higienizar as mãos com frequência continua valendo. Além da Covid-19, a medida evita outras doenças. A OMS recomenda lavar as mãos após tossir ou espirrar, cuidar de doentes, usar o banheiro e manusear animais ou resíduos de animais. A higienização também é necessária antes de comer e de preparar alimentos. Além disso, lave as mãos depois de tocar em superfícies comuns, como maçanetas, ou depois de voltar para casa de uma visita a um local público. Lembre também de evitar levar as mãos aos olhos, nariz e boca. 6) Evite informações falsas Fato ou Fake: Retrospectiva 2020 Carlos Zárate-Bladés, da UFSC, recomenda uma "medida extra" para se proteger na pandemia: evitar as notícias falsas, as também chamadas fake news. "As fake news nos atrapalharam muito como cientistas e promotores de saúde na pandemia. As fake news não são fake news se você não as compartilha – deixam de ser notícia", lembra. "O que estamos vendo agora é uma chuva de fake news em relação às vacinas cada vez que existe uma reação adversa, como se aquilo tivesse acontecido com centenas de pessoas", lembra. Veja VÍDEOS com novidades sobre as vacinas contra a Covid-19: Veja Mais

Com hospitais lotados, ambulâncias de Los Angeles não transportarão pacientes com poucas chances de sobrevivência

Glogo - Ciência Demanda por oxigênio nos respiradores atingiu um colapso com a alta nas internações por Covid-19. Autoridades temem situação ainda pior após festas de fim de ano na Califórnia. Fila de carros em local de testagem para o coronavírus em Los Angeles, nos EUA, na segunda-feira (4) Ringo H.W. Chiu/AP Photo Ambulâncias de Los Angeles, segunda maior cidade dos Estados Unidos, foram orientadas a não transportar pacientes que tenham poucas chances de sobrevivência, informou a imprensa americana na segunda-feira (4). Segundo o jornal "Los Angeles Times", isso ocorre porque falta suprimento de oxigênio disponível nos hospitais da região devido à superlotação de pacientes com Covid-19. As autoridades locais pedem que o sistema de saúde se concentre nos pacientes com maior chance de sobrevivência (veja mais detalhes no fim da reportagem). O governo da Califórnia estima que a situação vá piorar nos próximos dias, com a disseminação do coronavírus nas festas de fim de ano. A presença da nova variante B.1.1.1.7, que os cientistas dizem ser mais transmissível, aumenta a preocupação. "Muitos hospitais chegaram a um ponto crítico e estão precisando tomar decisões muito duras sobre os cuidados aos pacientes", admitiu ao "LA Times" a diretora de serviços de saúde de Los Angeles, Christina Ghaly. Orientações para pacientes graves em Los Angeles Pessoas fazem fila em carros em local de testagem em Los Angeles, nos EUA, na segunda-feira (4) Lucy Nicholson/Reuters De acordo com o jornal, a Agência de Serviços Médicos de Emergência da cidade emitiu diretrizes que pedem às equipes de atendimento nas ambulâncias que economizem forneçam oxigênio apenas a pacientes com saturação menor que 90%. Além disso, o documento diz aos profissionais para não levarem aos hospitais pessoas com "virtualmente nenhuma chance de sobrevivência". Isso inclui pacientes que sofreram paradas cardiorrespiratórias e não responderam às primeiras tentativas de reanimação. Ou seja, as equipes deverão declarar a vítima morta no local do atendimento, sem que ela seja levada ao hospital para uma segunda tentativa com ajuda de aparelhos. A supervisora do condado de Los Angeles Hilda Solis disse à emissora americana CNN que os "trabalhadores de saúde estão doentes e exaustos física e mentalmente". "É um desastre humanitário", relatou Solis. O condado de Los Angeles acumula 10.850 mortes por Covid-19 desde o começo da pandemia, informa a Universidade Johns Hopkins. São mais de 827 mil casos do coronavírus somente na segunda maior cidade dos EUA. VÍDEOS: novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Initial plugin text Veja Mais

O enigma que levou Freud a procurar por meses os testículos das enguias

Glogo - Ciência A vida e a reprodução das enguias permanecem, em muitos níveis, um mistério científico. Sigmund Freud, considerado o pai da psicanálise Time Life Pictures Em 1876, um jovem Sigmund Freud viajou para a Itália com a esperança de resolver uma grande incógnita para os cientistas da Europa. "Todas as questões importantes (...) foram resolvidas", disse o biólogo alemão Max Schultze em seu leito de morte, dois anos antes, "exceto a questão da enguia". Essa pergunta era um mistério milenar: como esses peixes abundantes se reproduziam nas águas doces e nas mesas europeias? A pergunta exigia uma resposta porque ela abalava não apenas os fundamentos da biologia moderna, mas também os do próprio método científico. O problema era que ninguém jamais tinha visto enguias copulando. Não havia relatos de óvulos ou recém-nascidos. Elas nem pareciam equipadas para se reproduzir. Por isso Freud, então com 20 anos, foi enviado por Carl Claus, seu professor de biologia e darwinismo da Universidade de Viena, à estação de pesquisa em biologia marinha de Trieste. Lá ele dissecou 400 enguias em busca do que nunca havia sido encontrado antes: seus testículos. Concepção imaculada A história sexual da enguia era motivo de perplexidade desde os tempos antigos. O enigma seduziu até o grande filósofo, polímata e cientista grego Aristóteles. Ele procurou em vão pelos órgãos reprodutivos e concluiu que "a enguia não é macho nem fêmea e não pode gerar nada". Diante disso, concluiu o filósofo, era uma das poucas criaturas que devia sua existência não à reprodução sexuada, mas à geração espontânea. Assim como as moscas emergem do esterco, as enguias "desovam espontaneamente na lama e no solo úmido". Outros escritores antigos seguiram essa linha de pensamento de Aristóteles. Em "O Banquete dos Eruditos", de Ateneo de Náucratis, é dito que as enguias se entrelaçam e libertam do corpo uma espécie de fluido viscoso que permanece na lama e gera criaturas vivas. O filósofo romano Plínio, o Velho (23 a 79), por sua vez, explicou que as enguias se esfregavam nas rochas e as partículas raspadas ganhavam vida. Séculos depois, Izaak Walton (1593-1683), em seu livro "O Pescador Completo", coletou, além dessas, outra resposta mais poética ao enigma. Disse que alguns afirmavam "que as enguias nascem de um orvalho especial que cai nos meses de maio e junho nas margens de algumas lagoas ou rios em particular (adequados por natureza para esse fim) que em poucos dias o calor do sol se converte em enguias". Sem pecado original A crença de que as enguias existiam sem a necessidade da sexualidade se enraizou no imaginário europeu e as tornou muito populares na Quaresma. Naqueles 40 dias do calendário cristão dedicado à purificação e iluminação interna em preparação para a Páscoa, os desejos sexuais precisam ser suprimidos. Pensava-se que comer carne, em si um produto da união sexual, levava à luxúria, mas que o peixe não despertava a libido da mesma maneira. Entre as criaturas aquáticas, as enguias assexuadas eram o prato ideal. Um passo além A teoria da geração espontânea de enguias permaneceu na ciência ocidental e árabe como a mais plausível, embora tenha começado a ser questionada no Renascimento. No entanto, foi apenas no século 17 que foi desferido um duro golpe nesta teoria. Por meio de um experimento em que colocava carne em recipientes fechados e abertos, o naturalista italiano Franchesco Redi constatou que em ambos havia putrefação, mas no primeiro não havia moscas nem vermes. Com a ajuda do microscópio recém-inventado, as dúvidas foram dissipadas: a carne dos animais mortos não originava vida; animais botam ovos nele; os insetos não nasceram por geração espontânea. Mas as enguias não eram insetos e, embora isso tivesse sido considerado absurdo por muito tempo, até que outra teoria fosse encontrada, a ciência não se livraria da sombra da teoria de Aristóteles. Transformação Em 1777, um italiano chamado Carlo Mondini finalmente localizou os ovários em uma enguia particularmente grande, mas a busca por seus testículos continuou a frustrar muitos pesquisadores. Parte da razão é o fato de que as enguias não os têm durante a maior parte da vida. Elas só desenvolvem ovários e testículos óbvios quando partem em uma jornada de mão única para o sexo e a morte, deixando as águas doces da Europa para nadar no oceano salgado. Nessa incrível transformação, seus intestinos se dissolvem em gordura para armazenar energia, seus olhos se arregalam para se adaptarem à escuridão do fundo do mar e sua cor amarela se transforma em prata escura, para passar despercebida aos predadores. Chamado à sensatez Nada disso seria descoberto se não fosse pelo fato de que, no século 19, os cientistas estavam obcecados em encontrar uma explicação mais sensata do que a das autoridades clássicas. É por isso que Freud trabalhou tanto para encontrar testículos de enguia. E parece que ele os encontrou, ou assim disse no relatório que escreveu em seu retorno a Viena. O estranho é que nem ele, nem ninguém de sua universidade, se gabou disso e, como a descoberta os teria coberto de glória, o que restou de sua viagem foi mais um mistério. Porém, 20 anos após as investigações de Freud, houve um grande avanço: a descoberta de que uma estranha criatura marinha chamada Leptocephalus brevirostris era na verdade a enguia em forma de larva. O cientista italiano Giovanni Grassi resolveu a questão em 1896, quando conseguiu criar um leptocéfalo em um aquário e o observou se transformando em uma enguia. Hoje sabemos que o ciclo de vida das enguias consiste em cinco estágios. Mas, nesses estágios, suas diferenças físicas são tão grandes e seu habitat tão distantes que até então naturalistas europeus pensavam que alguns estágios diferentes das enguias eram animais completamente diferentes. Descoberta surpreendente Em 1904, um pesquisador dinamarquês chamado Johannes Schmidt decidiu descobrir o que aconteceu entre o momento em que as enguias maduras desapareceram das águas europeias e os filhotes chegaram. Depois de anos de pesquisa marinha, em 1922 ele revelou triunfantemente à Royal Society of London sua surpreendente descoberta. Ele não tinha conseguido ver as enguias se acasalando, mas encontrou as menores larvas e, portanto, o local de desova mais provável para todas as enguias europeias, longe de seu habitat, a 6,5 mil quilômetros da costa ocidental da Europa. Seu local de nascimento, apropriado para uma criatura tão misteriosa, era o Triângulo das Bermudas. Todas as enguias de água doce europeias (Anguilla anguilla) — as mesmas espécies encontradas no Oriente Próximo e partes da África — assim como todas as enguias da América do Norte (Anguilla rostrata), se reproduzem no Caribe.* De cristal a prata No auge da temporada anual de furacões, milhares de minúsculas larvas transparentes, em forma de folhas de salgueiro, emergem do Mar dos Sargaços e atravessam o Atlântico por três anos. Nas águas costeiras europeias, transformam-se em "enguias de vidro" semitransparentes. Então, as larvas se tornam enguias "em miniatura" que sobem rios e riachos. Suas barrigas ficam douradas e, viajando à noite, elas podem rastejar pela grama úmida, escalar obstáculos e cavar na areia para chegar a lagos e lagoas isoladas. Elas vão em busca de um lugar seguro para iniciar uma etapa de sua vida que pode durar várias décadas até que suas barrigas fiquem prateadas. Nas tempestuosas noites de inverno, empreendem sua jornada épica de volta ao seu lugar de origem. Com o tempo, mais peças desse quebra-cabeça foram colocadas no lugar, mas, no século 21, ainda havia coisas muito confusas na misteriosa vida das enguias. E não importa o quanto se tenha tentado, ninguém as viu copular ainda. Esses discretos peixes continuam guardando seus segredos. *Existem muitas outras espécies de enguias no mundo. Algumas vivem em água doce, outras no mar e outras passam parte de suas vidas em ambas, não desovando nos Sargaços. Veja Mais

Nova variante do coronavírus: o que se sabe até agora em 5 perguntas e respostas

Glogo - Ciência Instituto Adolfo Lutz confirmou dois casos da nova variante do coronavírus em SP, com origem no Reino Unido. São Paulo confirma dois casos da nova variante do coronavírus O Instituto Adolfo Lutz, referência em São Paulo, confirmou dois casos da nova variante do coronavírus no Brasil. Outros dois brasileiros com suspeita, no entanto, foram descartados. E agora? O vírus é mais agressivo? Veja abaixo 5 perguntas e respostas sobre que se sabe até o momento. Instituto Adolfo Lutz confirma dois casos de nova variante do coronavírus em São Paulo Laboratório detecta primeiros casos da nova variante do coronavírus em São Paulo 1. O que é uma mutação? Uma mutação é uma mudança que ocorre de forma aleatória no material genético. No caso do Sars CoV-2, o novo coronavírus, ela ocorre no RNA, fita única que carrega as "informações" do vírus. Essas alterações ocorrem com frequência e não necessariamente deixam o vírus mais forte ou mais transmissível. Por isso, pesquisadores acompanham o caminho das transmissões e fazem um mapeamento do material genético no decorrer da pandemia, uma forma de monitorar as versões que realmente merecem atenção. 2. Como se chama e onde surgiu a nova variante do novo coronavírus? A variante é chamada de B.1.1.7 e já foi registrada em pelo menos outros 17 países. Ela surgiu no Reino Unido, onde já representa mais de 50% dos novos casos diagnosticados, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Estudo publicado em dezembro descreve que os primeiros dois casos foram detectados na cidade de Kent e em Londres, em 20 e 21 de setembro, respectivamente. 3. A mutação do novo coronavírus deixou ele mais agressivo? Por enquanto, não há comprovação de que o vírus esteja mais forte ou cause uma versão mais grave da Covid-19. Os cientistas apontam apenas que as trocas genéticas afetaram a maneira como o vírus se fixa nas células humanas. 4. A mutação do novo coronavírus deixou ele mais transmissível? Sim. É uma versão 56% mais contagiosa. Por isso, é importante manter as medidas de isolamento, usar máscara e manter a constante higienização das mãos. 5. As vacinas devem funcionar para essa nova variante? Sim. A mudança presente no coronavírus não impediu a ação das vacinas já em processo de aprovação ou mesmo as que estão sendo aplicadas em outros países. Veja Mais

Astronauta conta como sobreviveu a um ano no espaço — sem natureza, mas com fantasia de gorila

Glogo - Ciência Americano Scott Kelly relembra à BBC sua experiência na Estação Espacial Internacional e conta por que, mesmo depois de se aposentar, ele voltaria à ativa se alguém chamasse. Scott Kelly quebrou o recorde americano de voos espaciais de longa duração Nasa É 16 de julho de 2015 e todos os três ocupantes da Estação Espacial Internacional se espremem na espaçonave russa Soyuz, que funciona como um bote salva-vidas em caso de emergência. Os membros da tripulação foram informados pelo controle da missão que um grande e extinto satélite estava avançando em direção a eles a 14 km por segundo. Os controladores sabem que ele vai chegar perto, mas não são capazes de rastrear o objeto com precisão suficiente para saber se vai passar de raspão ou acertar o alvo de forma devastadora. O astronauta americano Scott Kelly e os russos Gennady Padalka e Mikhail "Misha" Kornienko se agacham na cápsula apertada, seguindo os procedimentos elaborados para tal eventualidade, se preparando para se separar imediatamente da estação espacial e voltar à Terra. Não se trata da primeira vez que Scott, um ex-piloto militar, fica em uma situação de risco de morte. Mas a experiência o levou a refletir sobre a impotência coletiva; se o satélite tivesse atingido o alvo, não haveria tempo para escapar. "Misha, Gennady e eu, em vez de ficarmos resmungando um para o outro na Soyuz, teríamos explodido em um milhão de direções como átomos difusos, tudo no espaço de um milésimo de segundo", afirma ele em seu livro de memórias Endurance. A rotina da tripulação na Estação Espacial Internacional tem muitas características mundanas da vida cotidiana na Terra: chamadas de vídeo, faxina e dias ruins no trabalho. Mas de vez em quando — como na ocasião descrita acima —, os astronautas recebem um duro lembrete do ambiente hostil do lado de fora do conforto de sua nave. A partir de 2007, Scott fez três visitas independentes ao posto avançado em órbita no espaço. Mas foi em seu último voo, entre 2015 e 2016, que ganhou reconhecimento mundial. Junto com Misha Kornienko, ele foi encarregado de passar um ano inteiro na estação espacial — o dobro da duração de uma estadia regular. Ao fazer isso, ele quebrou o recorde americano anterior de voos espaciais de longa duração, estabelecido pelo astronauta Michael López-Alegría, em mais de 100 dias. Mas Scott também é conhecido por ter um irmão gêmeo idêntico, Mark, que também era astronauta da Nasa. Mark, que é cerca de seis minutos mais velho, foi eleito senador pelo Estado do Arizona nas eleições de 2020 nos Estados Unidos. Conversando a BBC por videochamada de sua casa no Colorado, Scott Kelly conta que nunca sentiu vontade de voltar para casa mais cedo. "Meu objetivo sempre foi chegar ao fim do voo com tanta energia e entusiasmo quanto eu tinha no início — e acho que consegui isso." "Eu poderia ter ficado lá mais tempo, se houvesse um bom motivo. Então nunca duvidei da minha capacidade de fazer isso", acrescenta. Apesar do fato de astronautas e cosmonautas serem avaliados quanto à sua capacidade psicológica para lidar com situações como essa, ele afirma: "Sei que outras pessoas passaram por momentos difíceis. Eu mesmo vi isso pessoalmente — algumas pessoas enfrentando um desafio ao ficarem isoladas assim. É difícil, mas não tão difícil que você não consiga." "Não sei se é necessariamente uma questão de ser introvertido/extrovertido, mas você definitivamente tem que se sentir confortável sendo seu próprio entretenimento. Não é para todos", completa. Scott Kelly (à esquerda) com seu irmão gêmeo Mark Nasa As coisas mais difíceis, segundo ele, são não ser capaz de sair de casa e vivenciar a natureza, assim como a agenda diária de tarefas da estação espacial. Outro desafio, acrescenta ele, foi dividir um lugar relativamente pequeno com as mesmas pessoas por tanto tempo — "mesmo que todas essas pessoas sejam ótimas". Foi um desafio enfrentado com sucesso, no entanto, já que o confinamento no espaço apertado ajudou a criar amizades de longa data: "Acabei de trocar e-mails com Kjell Lindgren (da Nasa). Minha mulher e eu fizemos uma videoconferência outro dia com Samantha Cristoforetti (astronauta italiana da Agência Espacial Europeia). Falo com Misha Kornienko e Gennady Padalka", revela. Os EUA estão comprometidos com mais quatro anos de financiamento para a Estação Espacial Internacional, mas há incertezas sobre a continuidade do apoio ao laboratório em órbita depois disso. A estação nasceu na década de 1990, durante uma era de trégua política entre os EUA e a Rússia. "O programa da estação espacial tem sido um grande exemplo de cooperação internacional de forma pacífica", afirma Kelly. "Minha experiência com os cosmonautas da estação sempre foi de profissionalismo, respeito e confiança uns nos outros." Kelly não foi consumido pelo trabalho durante todo o ano que passou em órbita; ele também conseguiu encontrar tempo para a diversão, tão necessária. No que viria a se tornar um vídeo viral, ele perseguiu o astronauta britânico Tim Peake por parte da estação espacial vestido com uma fantasia de gorila. Peake, é preciso dizer, faz um bom trabalho de interpretação ao fugir assustado — se é que ele está realmente atuando. A fantasia de gorila — embalada a vácuo e enviada em um voo de abastecimento — foi um presente de aniversário de Mark. Pergunto então a Scott se era algum tipo de piada interna entre os irmãos. "Meu irmão falou: 'Ei, estou mandando uma fantasia de gorila para você'. E eu disse: 'Por que você está me mandando uma roupa de gorila?' Ele respondeu: 'Por que não?'", conta Scott, com um sorriso irônico. "Essa foi toda a reflexão sobre isso." Os irmãos foram criados no subúrbio de Nova Jersey, nos EUA, por pais que eram policiais. A mãe foi a primeira policial feminina no município de West Orange, onde cresceram — e Scott cita a determinação dela como inspiração em seus esforços para se tornar astronauta. Mark e Scott demonstraram desde cedo aptidões semelhantes para assumir riscos, que levaram a ferimentos frequentes, incluindo hospitalizações. Mas houve um momento na escola em que Mark avançava nos estudos, enquanto Scott tendia a se distrair facilmente durante as aulas. Na faculdade, era o ambiente das festas que disputava a atenção de Scott. Ele atribui a uma conversa por telefone com Mark — que disse a ele para deixar de lado a socialização e se dedicar aos estudos — com a reviravolta em seu destino acadêmico. Depois de treinar para ser piloto da Marinha, Scott foi designado para um esquadrão de ataque chamado World Famous Pukin 'Dogs. Ele pilotou o F-14 Tomcat — o avião que aparece no filme Top Gun — durante a década de 1990 e realizou missões de combate durante a primeira Guerra do Golfo. No entanto, Scott estava ansioso para fazer parte de um grupo ainda mais de elite: daqueles que voavam em ônibus espaciais. Após ser selecionado como astronauta da Nasa na turma de 1996, junto com Mark, Scott serviu como piloto em uma missão de ônibus espacial, antes de comandar outra em 2007. No ônibus espacial, é o comandante que realmente pilota o veículo, e é na aterrissagem extremamente difícil que essas habilidades se destacam. "Eu pilotei apenas uma vez. É meio louco considerar quanto tempo e esforço você dedica para desempenhar essa função de pilotar, e aí você faz isso uma ou duas vezes", diz Scott. "Você tem uma chance de pousar. Se você não pousa, não é como se você estivesse adicionando potência e tentando mais uma vez. Você sabe que não apenas seus colegas estão assistindo, mas uma grande parte do resto do mundo." O ônibus espacial era um veículo magnífico, embora imperfeito. E o mundo foi lembrado dos enormes riscos das viagens espaciais quando, em 2003, o ônibus espacial Columbia se partiu ao retornar à Terra, matando sete astronautas. A cultura de segurança da Nasa foi criticada por investigações após os acidentes com os ônibus espaciais Challenger e Columbia. Kelly perdeu amigos no Columbia e, no momento da entrevista à BBC, ele estava se preparando para discursar no Virtual Safety Culture Summit, ao lado de Charles "Sully" Sullenberger — que pousou um avião da US Airways no Rio Hudson — e a ativista ambiental Erin Brockovich. "As coisas que fazemos são extraordinariamente arriscadas", diz ele. "A segurança deve ser responsabilidade de todos... todos precisam saber que têm o poder de se manifestar se houver um problema." Quando foi originalmente proposto que um dos gêmeos idênticos seria enviado para uma estadia de um ano na Estação Espacial Internacional, um grupo de cientistas vislumbrou uma oportunidade única de estudar os efeitos de longos períodos no espaço no corpo humano. Ao usar Mark como um "controle" geneticamente idêntico na Terra, os cientistas teriam uma segurança maior de que quaisquer mudanças que eles observassem em Scott teriam sido causadas pelo ambiente espacial. Ambos os gêmeos foram submetidos a uma bateria de exames para avaliar possíveis mudanças em sua fisiologia, habilidades cognitivas, imunidade e DNA. Entre outras coisas, os resultados revelaram mudanças genéticas que sugeriam que o DNA de Scott estava se regenerando devido aos danos da radiação cósmica. Os cientistas também identificaram mudanças inesperadas nas "capas" das extremidades dos cromossomos de Scott, chamadas telômeros, assim como mudanças na química do sangue, massa corporal e flora intestinal. Mas a grande maioria foi revertida quando ele voltou à Terra. Quatro anos depois, ele diz: "Não tenho nenhum sintoma de nada que possa apontar definitivamente como causado por essa quantidade de tempo no espaço, mas tenho algumas mudanças estruturais e fisiológicas em meus olhos — embora não afetem minha visão". Os cientistas sabem que algumas pessoas são mais afetadas por mudanças oculares no espaço do que outras. E tem havido estudos sobre a genética subjacente a essas diferenças. A reportagem pergunta a Scott se, à medida que aprendemos mais sobre como diferentes pessoas reagem ao ambiente espacial, esses marcadores biológicos poderiam desempenhar um papel maior na seleção de astronautas — talvez até mesmo em detrimento de características mais tradicionais. "Acho que não é apenas uma questão para a Nasa, mas para nossa sociedade em geral... Isso entra profundamente na questão dos seguros e das condições pré-existentes — se a suscetibilidade genética pode ser considerada uma condição pré-existente. Essa é definitivamente uma discussão ética a ser feita", diz ele. As descobertas do estudo com os gêmeos foram reconfortantes à luz dos planos das agências espaciais de enviar astronautas em uma viagem de ida e volta ao Planeta Vermelho, que fica a 34 milhões de milhas da Terra — e cada trecho da jornada pode levar nove meses. Mas os astronautas serão expostos a cerca de 10 vezes a dose de radiação que receberiam na órbita da Terra, o que oferece o risco de câncer e outras doenças no longo prazo. "Você terá que encontrar uma maneira de se proteger ou chegar a Marte mais rápido", diz Scott. "A outra opção é aceitar o risco." Este é um dilema que você imagina que o próprio Scott teria considerado com cuidado. Ele se aposentou da Nasa em 2016 e, desde então, vem escrevendo e falando sobre suas experiências. Com sua mulher, ele se mudou de Houston (o centro do programa de voos espaciais com astronautas da Nasa) para Denver. Nos quatro anos desde que ele saiu, novas oportunidades se abriram para viagens ao espaço — e habilidades como as dele estão em alta. O astronauta cujo recorde de voos espaciais de longa duração Scott quebrou, Michael López-Alegría, está agora pronto para retornar da aposentadoria para comandar um voo com financiamento privado para a Estação Espacial Internacional a bordo da cápsula Crew Dragon de Elon Musk. Apesar de já ter alcançado tantas conquistas, está claro que o fascínio de Scott por viagens espaciais permanece o mesmo. "Se alguém me perguntasse: 'Ei, você quer voar no espaço?' Eu diria: 'Claro, com certeza'. Depende de onde eu estaria me metendo: eu não entraria em um canhão e me lançaria como uma bala de canhão", afirma. "Teria que ser algo que fizesse sentido, que fosse seguro. Mas eu não descartaria. Se você conhece alguém aí que tem um foguete e precisa de piloto..." Veja Mais

O que fazem e pensam os brasileiros na lista de cientistas mais influentes do mundo

Glogo - Ciência Ranking de Stanford avaliou o impacto do trabalho de 6,9 milhões de pesquisadores; para um deles, Brasil precisa ver a ciência como investimento, e não como gasto. Cesar Victora, da Universidade Federal de Pelotas, é um dos cientistas mais influentes do mundo DANIELA XU Depois de analisar os trabalhos e publicações de 6,9 milhões de cientistas de todo o mundo, de todas as áreas do conhecimento, e as citações de colegas deles que elas geraram, uma equipe da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, listou os 159.683 pesquisadores mais influentes do mundo, cerca de 2,3% do total. Desses, 600 (0,37%) são do Brasil. Para alguns cientistas, isso é pouco diante do tamanho do país e de sua população. Para outros, é até muito, dadas as condições: falta de financiamento e do desprestígio da ciência por parte do governo e seus seguidores, principalmente nos últimos anos. Para elaborar o ranking, a equipe de Stanford, liderada por John Ioannidis, computou as citações (quando um artigo de um cientista é citado no de outro) da base de dados Scopus, uma das mais completas e respeitadas do mundo. O resultado foi publicado recentemente na revista científica Plos Biology. Com base nelas, foram elaborados dois rankings, um levando em conta o impacto de um pesquisador ao longo de toda sua carreira e outro de um único ano, no caso, 2019. Na primeira lista, os pesquisadores mais bem colocados que trabalham no Brasil nasceram em outros países, embora um deles seja brasileiro naturalizado. O primeiro colocado é o físico de solos e mestre em agronomia holandês Martinus Theodorus van Genuchten, na 460ª posição. Atualmente, ele está na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas fez praticamente toda sua carreira no exterior. Em segundo, na 1661ª, está o grego de nascimento, mas brasileiro naturalizado, Constantino Tsallis, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). Ele desenvolveu sua carreira e atua no Brasil desde 1975, um ano depois de ter concluído seu doutorado na França. Os dois brasileiros natos e que atuam no país mais bem colocados, são o epidemiologista Cesar Victora, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no 2969º lugar, e o químico Jairton Dupont, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), na 3201ª posição. Para Dupont, ter 600 brasileiros na lista é muito pouco levando-se em consideração o PIB do país e o grande número de jovens altamente motivados. De acordo com ele, isso se deve, em primeiro lugar, à pouca importância dada à ciência pela maioria dos governantes, que a enxergam como gasto e não como investimento no futuro. Em segundo lugar, diz ele, vem a mentalidade empreendedora, que busca lucro imediato e prefere "comprar" tecnologias prontas, o que afasta o Brasil da ponta do conhecimento. "Em terceiro lugar, está a 'cultura' do negacionismo, que tem sua expressão máxima no pensamento mágico que permeia boa parte de nossa sociedade", opina. "Estaremos nos tornando uma sociedade de 'bigots' (intolerantes), se não houver uma reação das forças civilizatórias, que encontram sua expressão máxima nas universidades públicas." Mesmo assim, Dupont diz que o número de cientistas brasileiros no ranking pode não ser de todo ruim. "Tendo em vista as condições de trabalho dos pesquisadores no Brasil, podemos até comemorar", explica. "Principalmente pela persistência dos 600 listados, que mesmo diante das imensas dificuldades conseguem realizar trabalhos que colocam o país no mapa do conhecimento e mostram que temos capacidade de fazer ainda muito mais diferença, para levar a uma sociedade mais justa e igualitária." Brasileiro naturalizado, o físico Constantino Tsallis, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), também está na lista dos cientistas mais influentes do mundo ARQUIVO PESSOAL Victora pensa diferente. "É mais para lamentar do que para comemorar, porque o Brasil é um dos maiores países do mundo em termo de população", explica. "Isso é reflexo do que acontece com a ciência brasileira. Nós cientistas somos desprestigiados e estamos recebendo poucos recursos. Até 2014, 2015 o investimento em ciência no Brasil estava aumentando bastante. Cresceu muito nos 20 anos anteriores, mas a partir de então, decaiu." Um reflexo do desprestígio da ciência, opina, "é a maneira como a pandemia tem sido gerida pelo poder central (em referência ao governo federal), sem levar em conta as recomendações científicas. Aplicar em ciência é investimento, não gasto. Investe-se para criar mais tecnologia, mais condições de saúde e trabalho para a população. Hoje, isso é visto como um gasto e tem havido inúmeros cortes em financiamentos e bolsas." Tsallis diz que para avaliar se 600 brasileiros são poucos ou muitos relativamente seria necessário ter informações dos outros países envolvidos, assim como dados completos sobre as verbas públicas e privadas colocadas à disposição da ciência e da tecnologia. "Na ausência dessas informações, é difícil ter uma opinião firme", explica. "Eu pessoalmente vejo com alegria que o Brasil tenha 600 cientistas bem colocados nesse tipo de avaliação, e não ficaria surpreso se num futuro não muito distante esse número venha a crescer, lenta, porém substancialmente." Mas independentemente disso, ele explica que a importância do levantamento feito pela equipe da Universidade de Stanford é que ele permite verificar objetivamente o impacto global da ciência brasileira ao longo de muitas décadas. "Visto que o apoio, ao longo dos anos, de instituições públicas do Brasil aos seus cientistas é de fundamental importância, tais levantamentos podem — e devem — orientar as melhores maneiras de usar as verbas públicas", defende. Segundo Victora, a lista é muito útil, porque o impacto de um cientista sobre o conhecimento em nível mundial é medido pelo número de outros pesquisadores que citam o seu trabalho. "Então, usar o índice de citações de trabalho é um marcador muito importante de quanto a ciência produzida num determinado local, por uma determinada pessoa, impacta o nível do conhecimento no mundo todo", explica. Ele atribui sua presença no ranking ao trabalho do grupo de epidemiologia que coordena na UFPel, que "é bem conhecido no Brasil" e no mundo. "Principalmente pelos estudos de coortes de nascimentos, que são aquelas pesquisas que acompanham crianças desde que nascem até sua fase adulta", explica. "Nossa coorte mais antiga está com 40 anos." De acordo com ele, são pesquisas muito demoradas, custosas, mas que fornecem indicações sobre como o que acontece durante a gestação e no começo da vida influencia toda a saúde, inteligência, desempenho e produtividade dos indivíduos na idade adulta. "São pouquíssimos estudos deste tipo no mundo e nós temos a felicidade de ter iniciado o trabalho em 1982, que continua até hoje, por isso o reconhecimento", conta. Para o químico Jairton Dupont, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o número de brasileiros ainda é pequeno em comparação ao tamanho do PIB UFRGS Tsallis, por sua vez, credita sua classificação a seu trabalho propondo a generalização de um dos pilares da física teórica contemporânea, a mecânica estatística de Boltzmann-Gibbs, que resultou no artigo científico exclusivamente brasileiro mais citado em todas as áreas desde 1945. Trata-se algo bastante complexo para leigos, que Tsallis tenta explicar: "A mecânica estatística é a teoria física onde se acrescenta a de probabilidades às mecânicas (newtoniana, einsteiniana, quântica) e ao eletromagnetismo, de James Clerk Maxwell", diz. Ela foi formulada há 150 anos e funciona para explicar as propriedades de fluidos simples (ar, água) e sistemas magnéticos simples (um pedaço de ferro magnetizado). "Ela prediz corretamente como funciona uma panela de pressão, uma geladeira, um transistor, os supercondutores, e mil coisas mais", diz Tsallis. "Os elementos de tais sistemas influenciam os outros do mesmo sistema que estão perto no espaço ou no tempo." O problema é que a mecânica estatística de Boltzmann-Gibbs falha seriamente em explicar muitos fenômenos em sistemas vivos, nas bolsas de valores, em astrofísica (devido à interação gravitacional), nas colisões de altas energias que acontecem nos aceleradores de partículas (por causa do que acontece no sistema quarks-gluons), em descrever turbulências em meios granulosos (farinha, por exemplo), em ecologia quantitativa, e na evolução de aglomerações urbanas e das línguas, por exemplo. "Nesses casos, ela falha, porque nestes sistemas complexos aparecem internamente correlações a grandes distâncias no espaço ou no tempo", explica Tsallis. Ele conta que esse artigo seu, que é exclusivamente brasileiro, gerou aproximadamente 15 mil outros diretamente relacionados, publicados por mais de 8.000 cientistas de 102 países do mundo. "É possível também que tenha sido levado em conta o fato de eu ter ministrado mais de mil palestras convidadas ao redor do mundo", acredita. Também deve ter pesado para sua posição na lista o fato de ter dedicado boa parte da vida a explorar as grandes questões no âmbito do conhecimento científico da humanidade e de suas possíveis aplicações. "Ser considerado como o mais influente cientista brasileiro é certamente, além de uma honra, um grande estímulo para mim e para outros, muito especialmente para os jovens", diz. "Este último ponto possui, na minha opinião, importância capital, pois os jovens têm que ser encorajados e testar sua ousadia nas questões cientificas e tecnológicas que os entusiasmam." Dificuldade O sucesso e o reconhecimento internacional de alguns pesquisadores não devem mascarar as dificuldades de se fazer ciência no país, afirmam os pesquisadores entrevistados. "Hoje está muito difícil, talvez no mesmo nível dos anos 1990", lamenta Dupont, opinando que "os anos de ouro foram nos governos Lula, que investiu em pesquisa e nas universidades e proporcionou ambiente adequado para a realização de projetos de risco". Se não fosse este investimento, diz ele, a ciência brasileira estaria em situação muito mais delicada no enfrentamento a pandemia de covid-19, por exemplo. "É um trabalho incansável para superar a época das trevas que estamos atravessando, principalmente com a ingerência religiosa fundamentalista em todos os níveis", diz. "Temos muito a superar: racismo, misoginia, homofobia e negacionismo." Para Tsallis, fazer pesquisa no Brasil, é "fascinante e desafiador, porém muito laborioso". "Fascinante, pois o fato de o Brasil ser um país jovem do ponto de vista histórico abre espaço para atividades inovadoras, criativas e livres de tradições institucionais que podem ser por vezes muito pesadas", explica. "Muito laborioso, porque aquilo que você obtém facilmente quando trabalha no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), nas universidades Princeton, Harvard, Oxford, Cambridge ou na Escola Normal Superior de Paris só se consegue, trabalhando no Brasil, com consideráveis esforços de todo tipo", diz ele. "É inevitável ponderar que negacionismos inconsistentes sobre os ativos da ciência brasileira e mundial, duramente conquistados ao longo de décadas e séculos, prejudicam a saúde da população e atrasam sua evolução educacional. Felizmente, entretanto, a robustez da ciência brasileira é mais forte do que isso." Veja Mais

Covid-19: o que muda (ou não) no combate à pandemia com a nova variante do coronavírus no Brasil

Glogo - Ciência Encontrada pela primeira vez no Reino Unido, nova cepa do patógeno causador da Covid-19 teve sua presença confirmada no Brasil; cientistas alertam para mais risco de falso negativo em testes, mas dizem que a eficácia das vacinas não parece ter sido comprometida. A variante B.1.1.7 apresenta 17 mutações, algumas delas na área responsável por codificar a espícula, a estrutura que permite o coronavírus invadir as células do corpo humano Matejmo/Getty Images via BBC O Brasil acaba de ter os primeiros casos confirmados de Covid-19 provocados por uma nova variante do coronavírus. A cepa B.1.1.7 foi detectada pela primeira vez no Reino Unido e já circula por outros 31 países. Os cientistas suspeitam que ela pode ser mais transmissível que as versões anteriores. Laboratório detecta primeiros casos da nova variante do coronavírus em São Paulo Os dois casos brasileiros foram identificados pela Dasa, empresa de medicina diagnóstica, que já comunicou a descoberta à vigilância sanitária e ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. Mas o que essa notícia significa na prática? A chegada da nova variante modifica de alguma maneira a prevenção, o diagnóstico ou o tratamento da doença? E as vacinas? Será que elas protegem contra essa cepa? Perguntas sem respostas Pelo que se sabe até o momento, a variante B.1.1.7 apareceu no Reino Unido entre o final do verão e o começo do outono no Hemisfério Norte (por volta dos meses de agosto e setembro). As primeiras notícias sobre sua existência foram publicadas no dia 20 de setembro. Essa nova versão chamou a atenção por apresentar 17 mutações, algumas delas em sequências de genes que codificam as proteínas da espícula, a estrutura que fica na superfície e permite que o vírus invada as células humanas. Outra observação que preocupou os especialistas foi a forma como a variante se espalhou rapidamente por algumas regiões do Reino Unido — em Londres, no início de dezembro, por exemplo, 60% dos novos casos de Covid-19 detectados eram provocados pela B.1.1.7. Isso levantou a suspeita de que esse coronavírus teria uma transmissão mais rápida e eficiente. Essas informações foram suficientes para aumentar as restrições de circulação das pessoas em cidades como Londres. Em paralelo, dezenas de países começaram a vetar os voos vindos do Reino Unido. Chegada ao Brasil O estudo que detectou os dois primeiros casos da B.1.1.7 no país analisou 400 amostras de saliva por meio de um teste RT-PCR que busca três informações genéticas distintas do coronavírus. Um dos alvos desse método é a proteína S, justamente a responsável por codificar a espícula da superfície viral. "Na Inglaterra, os profissionais começaram a perceber que o RT-PCR de muitos pacientes estava encontrando dois alvos, mas davam resultados negativos para a proteína S. Por mais que as duas confirmações já fossem suficientes para fechar o diagnóstico de Covid-19, levantou-se a suspeita de que havia mutações nos genes codificadores da espícula", contextualiza o virologista José Eduardo Levi, coordenador de pesquisa e desenvolvimento da Dasa. O trabalho brasileiro, que contou com o apoio do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP), fez uma revisão dessas 400 amostras e achou duas com esse mesmo padrão de resultado: dois alvos genéticos positivos e o gene da proteína S negativo. "Na segunda-feira (29/12), identificamos os dois casos. Na terça, preparamos o material. Na quarta à noite já sequenciamos e confirmamos que eles realmente vinham dessa linhagem britânica", explica Levi. O especialista relata que conseguiu entrar em contato com um dos pacientes. "Ele me confirmou que esteve junto de pessoas que haviam chegado recentemente ao Brasil após uma viagem ao Reino Unido". O que muda na prática? No meio de tantas incertezas, a palavra da vez é calma. "Em resumo, o aparecimento de novas variantes não é surpresa e não muda em nada o que a gente precisa fazer para se proteger", resume o virologista Paulo Eduardo Brandão, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP. Por ora, as recomendações de prevenção continuam exatamente as mesmas: manter distanciamento social, usar máscara ao sair de casa, limpar regularmente as mãos com água e sabão ou álcool em gel e sempre deixar os ambientes arejados e com boa circulação de ar. Mudanças nos testes? Quando o assunto é diagnóstico, a preocupação é um pouquinho maior. Como já dito, os testes RT-PCR detectam algumas informações genéticas específicas do coronavírus. Se o patógeno sofre mutações importantes e começa a circular com grande frequência entre a população, há uma possibilidade de que alguns testes passem a falhar com mais frequência. "Pode ser que apareçam mais resultados falso negativos, quando o paciente está com a infecção, mas o exame não a detecta", explica Brandão. Usar máscaras, manter distanciamento de outras pessoas e lavar as mãos com frequência continuam como as principais medidas de prevenção, mesmo com a nova variante Getty Images via BBC Para evitar que isso aconteça, os laboratórios precisam ficar de olho e, se necessário, fazer os ajustes em seus equipamentos, insumos e materiais. A própria Dasa, em parceria com o Instituto de Medicina Tropical da USP, está fazendo um estudo com essa nova variante para avaliar a eficiência dos testes diagnósticos utilizados atualmente. Outras repercussões Não dá pra ter certeza ainda se aquelas pessoas que tiveram Covid-19 antes e se recuperaram estão imunes à B.1.1.7. Novos trabalhos precisam avaliar com mais profundidade essa questão. "Em termos de reinfecção, a gente não sabe nada ainda. É provável que o Reino Unido possa observar alguma coisa a respeito disso nas próximas semanas, já que lá se encontram a maioria dos casos", acrescenta Levi. Em relação à doença em si, a nova variante não parece estar relacionada a quadros mais graves, mais tempo de internação ou a uma maior mortalidade pelo que tem sido observado até o momento. E as vacinas? Outra grande dúvida que surge na cabeça de todo mundo diz respeito à eficácia dos imunizantes que já foram aprovados ou estão em fase final de testes frente à nova cepa. Será que essas vacinas são capazes de proteger mesmo desta nova cepa? "Até agora, as variantes não parecem ter capacidade de escapar das estratégias de vacinação", tranquiliza Brandão. Levi pontua que mudanças na proteína S do vírus podem interferir na eficácia das imunizantes, então é importante que as autoridades fiquem de olho nesse aspecto. "O lado bom é que, mesmo que aconteça uma eventual perda de eficácia, os imunizantes já aprovados usam tecnologias muito modernas, que podem ser ajustadas de acordo com a necessidade". Não se sabe até o momento se as vacinas mais avançadas ou já aprovadas em caráter emergencial são afetadas ou perdem eficácia com a nova variante Getty Images via BBC Muitos grupos de pesquisa trabalham justamente para detectar essas mudanças genéticas do vírus e antecipar possíveis problemas. Por ora, o que foi encontrado parece não colocar em xeque a eficácia das vacinas mais avançadas. Além da variante do Reino Unido, há outras duas que são acompanhadas mais de perto pelos especialistas: a B.1.351, observada na África do Sul, e a B.1.207, na Nigéria. Veja Mais