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Candida auris: o mapa que mostra avanço no mundo de fungo resistente

Glogo - Ciência Identificado pela primeira vez há uma década, este fungo se tornou um dos micro-organismos responsáveis por infecções hospitalares mais temidos do mundo. A maioria das infecções por Candida auris documentadas no mundo aconteceram em ambientes hospitalares Shawn Lockhart O Candida auris, fungo resistente a medicamentos, só foi descoberto há 10 anos, mas é hoje um dos micro-organismos responsáveis por infecções hospitalares mais temidos do mundo. Foram registrados surtos em várias partes do mundo, e pesquisas recentes sugerem que as temperaturas mais altas, provocadas pelo aquecimento global, podem ter levado a um aumento no número de casos. De acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês), é necessária uma compreensão melhor de quem são os pacientes mais vulneráveis ao micro-organismo para reduzir o risco de contágio. Confira abaixo tudo o que você precisa saber sobre o "superfungo": 1.O que é Candida auris? O Candida auris (C. auris) é uma levedura, tipo de fungo, que pode causar infecções em seres humanos. Apesar de ser do mesmo gênero que o fungo Candida albicans (C. albicans), um dos principais causadores da candidíase, são espécies bem diferentes. A candidíase por C. albicans é uma doença comum que pode afetar a pele, as unhas e órgãos genitais, e é fácil de tratar. Já a infecção pelo C. auris é resistente a medicamentos e pode ser fatal. O fungo foi identificado pela primeira vez, em 2009, no canal auditivo de uma paciente japonesa no Hospital Geriátrico Metropolitano de Tóquio. Na maioria das vezes, as leveduras do gênero Candida residem em nossa pele, boca e genitais sem causar problemas, mas podem causar infecções quando estamos com a imunidade baixa ou quando se provocam infecções invasivas, como na corrente sanguínea ou nos pulmões. 2. Que tipo de doença pode causar? O C. auris costuma causar infecções na corrente sanguínea, mas também pode infectar o sistema respiratório, o sistema nervoso central e órgãos internos, assim como a pele. Essas infecções são geralmente muito graves. Em todo o mundo, estima-se que infecções fúngicas invasivas de C. Auris tenham levado à morte de entre 30% e 60% dos pacientes. É com frequência resistente aos medicamentos comuns, o que dificulta o tratamento das infecções. Além disso, o C. auris costuma ser confundido com outras infecções, levando a tratamentos inadequados. Isso significa que o paciente pode ficar doente por mais tempo ou piorar. "Vários hospitais do Reino Unido já tiveram surtos que exigiram o apoio da agência de saúde pública do país (PHE, na sigla em inglês)", diz a médica Elaine Cloutman-Green, especialista em controle de infecções e professora da University College London (UCL). "O C. auris sobrevive em ambientes hospitalares e, portanto, a limpeza é fundamental para o controle. A descoberta (do fungo) pode ser uma questão séria tanto para os pacientes quanto para o hospital, já que o controle pode ser difícil", acrescenta. "Os hospitais do NHS (sistema de saúde público do Reino Unido) que tiveram surtos de C. auris não constataram que (o fungo) tenha sido a causa da morte de nenhum paciente", explicou Colin Brown, microbiologista da agência de saúde pública do país. "A PHE está trabalhando em parceria com o NHS para oferecer atendimento especializado e aconselhamento sobre medidas de controle de infecção para limitar a disseminação do C. auris." 3. Você deve se preocupar em pegar uma infecção? É improvável que você pegue uma infecção por C. auris. No entanto, o risco é maior se você estiver internado em um hospital por um longo período de tempo ou em uma casa de repouso. Além disso, pacientes de unidades de tratamento intensivo têm muito mais chance de contrair uma infecção por C. auris. O risco de ser infectado também é maior se você já tiver tomado muitos antibióticos, uma vez que este tipo de medicação também destrói as bactérias boas que podem impedir a entrada do C. auris. Conforme mostra o mapa, não foi confirmado nenhum caso de infecção no Brasil até agora. Mas como o fungo é difícil de identificar, isso não quer dizer que ele não tenha entrado no país. "Com a globalização e o fato de a doença sobreviver muito tempo em superfícies inanimadas, o risco de a doença chegar ao Brasil é grande", alertou à BBC News Brasil em abril, o infectologista Arnaldo Lopes Colombo, professor da Unifesp e especialista em contaminação com fungos. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças nos EUA, cada vez mais países estão relatando casos de infecções por C. auris. A maioria das nações europeias já reportou algum caso. No Reino Unido, cerca de 60 pacientes foram infectados desde 2013. 4. Por que o C. auris é resistente aos medicamentos usuais? A resistência aos antifúngicos comuns, como o fluconazol, foi identificada na maioria das cepas de C. auris encontradas em pacientes. Isso significa que essas drogas não funcionam para combater o C. auris. Por causa disso, medicações fungicidas menos comuns têm sido usadas para tratar essas infecções, mas o C. auris também desenvolveu resistência a elas. Análises de DNA mostram que os genes de resistência antifúngica presentes no C. auris são muito semelhantes aos encontrados no C. albicans. Isso sugere que esses genes passaram de uma espécie para outra. 5. Como as mudanças climáticas podem ser responsáveis ​​pelo alto número de infecções? Um estudo recente, publicado na revista científica mBio, da Sociedade Americana de Microbiologia, indica que as infecções por C. auris podem ter se tornado tão comuns porque essa espécie foi forçada a viver em temperaturas mais altas devido às mudanças climáticas. A maioria dos fungos prefere temperaturas mais baixas encontradas no solo. Mas, à medida que as temperaturas globais aumentaram, o C. auris foi forçado a se adaptar a temperaturas mais altas. Isso pode ter facilitado o desenvolvimento do fungo no corpo humano, que é quente, com temperatura em torno de 36°C e 37°C. 6. O que pode ser feito para reduzir o número de infecções? Uma compreensão melhor de quem corre mais risco de contrair uma infecção por C. auris é o primeiro passo para reduzir o número de casos. Profissionais de saúde precisam entender que pacientes que passam longas temporadas em hospitais, lares de idosos ou que têm o sistema imunológico debilitado apresentam um risco elevado. Nem todos os hospitais identificam o C. auris da mesma maneira. Às vezes, o fungo é confundido com outras infecções fúngicas, como candidíase comum, o que leva a um tratamento inadequado. Melhorar o diagnóstico vai ajudar a identificar os pacientes com C. auris mais cedo, o que significa oferecer o tratamento correto – prevenindo a disseminação da infecção para outros pacientes. O C. auris é muito resistente e pode sobreviver em superfícies por um longo tempo. Também não é possível eliminá-lo usando os detergentes e desinfetantes mais comuns. É importante, portanto, utilizar os produtos químicos de limpeza adequados para eliminá-lo dos hospitais, especialmente se houver um surto. Veja Mais

Microplásticos estão presentes na água potável, mas riscos para a saúde são desconhecidos, diz OMS

Glogo - Ciência Em seu primeiro relatório sobre o tema, Organização Mundial da Saúde recomenda reduzir poluição e ampliar pesquisa científica sobre microplásticos no corpo humano. Parte deles pode ser retida por meio do tratamento da água. A redução na poluição com plástico e o tratamento adequado da água podem minimizar o problema dos microplásticos Chesbayprogram/Visualhunt Cada vez mais estudos científicos identificam a presença de microplásticos na água potável, tanto na engarrafada quanto na água de torneira, mas pouco ainda se sabe sobre seus impactos à saúde humana. Em seu primeiro relatório sobre microplásticos na água potável, publicado nesta quarta-feira (21), a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que somente a redução na poluição com plástico e o tratamento adequado da água podem minimizar o problema. Os microplásticos são pequenos resíduos que vêm dos mais diversos produtos de plástico. Eles podem ser de vários tamanhos. Às vezes são tão pequenos que podem ser invisíveis a olho nu, mas já se tornaram um dos principais poluentes da água nos rios e oceanos. Segundo a OMS, as partículas maiores, em geral, não são absorvidas pelo corpo humano e acabam sendo eliminadas naturalmente. Por esse motivo, a Organização ainda não vê razões para alarde em relação aos impactos dos microplásticos na saúde humana. Mas isso não significa ignorá-los. Eles podem trazer outros elementos estranhos ao corpo. E ainda não temos conhecimento científico suficiente para saber como o corpo reage a partículas menores, os chamados "nanoplásticos". A OMS recomenda uma ampliação das pesquisas sobre esses plásticos. "Os microplásticos são onipresentes no ambiente e foram detectados em água marinha, esgoto, água doce, na comida, no ar e na água potável, tanto na engarrafada quanto na água de torneira", constata o relatório. Eles caem no ciclo das águas tanto por meio do descarte direto de produtos de plástico em rios e áreas de enchentes quanto pela eliminação de resíduos industriais. Algumas partículas vêm, até mesmo, dos próprios sistemas de tratamento e distribuição de água. Cientistas encontram microplástico no Ártico Riscos à saúde Os estudos realizado até hoje são suficientes para identificar a presença dos microplásticos. Entretanto, a OMS alerta os governos e autoridades de saúde pública para o fato de que ainda faltam métodos adequados e padronizados para analisar essas partículas de plástico e seus impactos. Embora ainda não seja necessário fazer um monitoramento de rotina para a presença de microplásticos na água, de acordo com a OMS, há pelo menos três os potenciais riscos à saúde humana, pois essas partículas são: Um perigo físico para o corpo, pois representam um "corpo estranho" e não fazem parte da alimentação humana normal; Um perigo químico, pois os produtos de plástico contêm elementos químicos que podem ser tóxicos; Um perigo biológico, pois essas partículas podem reter e acumular micro-organismos que fazem mal ao ser humano, como bactérias e fungos, por exemplo. Além disso, a OMS observa que a poluição causada pelo plástico mal descartado tem impactos na qualidade de vida das pessoas, no turismo e pode agravar a poluição do ar. "Se as emissões de plástico no ambiente continuarem nos níveis atuais, em um século pode haver a disseminação dos riscos associados aos microplásticos em ecossistemas aquáticos", diz o texto. Uma forma possível de reduzir a poluição com plástico é "um maior comprometimento público e político", o que já vem ocorrendo em muitos lugares. "Mais de 60 países já taxam ou proíbem o uso de plásticos descartáveis, especialmente as sacolas plásticas", afirma a OMS. Tratamento de água e esgoto Além de reduzir a poluição, a forma mais eficiente de minimizar o problema é intensificar o tratamento de água e esgoto e levá-lo para os lugares que ainda não têm, segundo a OMS. "Onde existem, eles são considerados altamente eficientes em remover partículas com características parecidas àquelas dos microplásticos", afirma o documento. O tratamento de esgoto pode remover mais de 90% dos microplásticos, especialmente se forem utilizadas técnicas de filtragem da água. "Embora estejam disponíveis apenas dados limitados sobre a eficácia da remoção dos microplásticos no tratamento da água potável, esse tratamento se mostrou efetivo na remoção de muito mais partículas, de tamanho menor e em maiores concentrações do que os microplásticos", acresenta a OMS. Entretanto, aproximadamente 67% da população em países de renda baixa e média ainda não tem acesso ao saneamento básico. E 20% do esgoto doméstico não passa sequer por tratamento secundário (aquele que remove, pelo menos, os poluentes sólidos e a maior parte da matéria orgânica). Nesses lugares, mesmo que os microplásticos possam ser encontrados em concentrações maiores nas fontes de água doce e potável, os riscos associados a outras impurezas da água pode ser ainda maior. Embalagens plásticas descartadas de forma inadequada também podem gerar o microplástico ao serem fragmentadas pela ação do tempo Pixabay/Divulgação Ou seja, os micro-organismos ainda são a maior preocupação da OMS quando o assunto é a qualidade da água consumida pelas pessoas. De qualquer forma, "ao resolver o problema maior de exposição à água não tratada, as comunidades podem, simultaneamente, resolver a preocupação menor relacionada aos microplásticos na superfície da água e em outras fontes de água potável", afirma a Organização. Veja Mais

As gêmeas siamesas que não param de surpreender os médicos

Glogo - Ciência Aos 3 anos, as irmãs Marieme e Ndeye superaram previsões e aprenderam até a se movimentar. Médicos acreditavam que Marieme e Ndeye não sobreviveriam BBC Os prognósticos eram os piores. Os médicos não achavam que Marieme e Ndeye iriam conseguir viver por muito tempo. (Assista ao vídeo) Gêmeas siamesas, elas nasceram em maio de 2016, no Senegal, na África Ocidental. São muito poucos os bebês que nascem com essa condição, e a maioria é natimorto ou morre poucos dias depois do parto. Agora com três anos, elas continuam se desenvolvendo e vão entrar numa creche de tempo integral, no Reino Unido, onde vivem com o pai. Em janeiro, cirurgiões chegaram a considerar uma tentativa de separá-las. Mas descobriram que isso seria impossível. Na época, o pai delas, Ibrahima Ndiaye, chegou a ser consultado se tentaria salvar uma das filhas (Ndeye, com o coração mais forte) ou se deixaria as duas morrerem. "Tanto o coração quanto a circulação delas estão completamente interligados. Assim como Marieme tem dependido de Ndeye, Ndeye também depende de Marieme para sobreviver", explica agora a pediatra Gillian Body. A condição das meninas é tida como irreversível e deve limitar a vida delas. Atualmente, Marieme e Ndeye brincam algumas horas por semana com outras crianças e aprenderam a se movimentar. "Eu as coloquei no chão, esperando que se sentassem corretamente, e de repente percebi que estavam se movimentando. Eu disse: 'Oh, Deus, foi isso que pedi todos os dias para acontecer'", contou Ibrahim Ndiaye. Por enquanto, as duas seguem desafiando as previsões. Veja Mais

Nasa prepara fase final de missão para explorar oceano de Europa, lua gelada de Júpiter

Glogo - Ciência Acredita-se que, sob uma espessa camada gelada, a lua Europa tenha um corpo d'água de 170 km de profundidade, que talvez possa conter condições adequadas para desenvolvimento biológico. Ilustração mostra como será a missão da Europa Clipper, que tentará determinar se a lua de Jupiter pode ter condições de abrigar vida Divulgação/Nasa Cientistas responsáveis por uma audaciosa missão ao oceano da lua Europa receberam o aval da Nasa, a agência espacial americana, para a fase final de design e construção da aeronave. O objetivo é chegar ao gelado satélite do planeta Júpiter, considerado um ponto importante de pesquisas sobre a possibilidade de vida extraterrestre. A missão Europa Clipper busca investigar "se ela (lua de Júpiter) tem condições adequadas para abrigar vida, aprimorando nossos conhecimentos sobre a astrobiologia", afirmou a Nasa. Acredita-se que, sob sua camada gelada, Europa tenha um corpo d'água de 170 km de profundidade, que talvez possa conter condições adequadas para desenvolvimento biológico. Prevista para ser lançada em 2025, a Europa Clipper agora ultrapassa o estágio chamado de Ponto-chave Decisório C, considerado crucial para alcançar o estágio de lançamento. "Estamos animados com a decisão, que coloca a missão Europa Clipper um passo mais perto de desvendar os mistérios desse mundo oceânico", afirmou Thomas Zurbuchen, administrador-associado do projeto na Nasa. Desafiando a radiação A missão pretende confirmar se as interações gravitacionais com Júpiter geram forças de ondas e calor - responsáveis por manter líquido o oceano lunar. Esse aquecimento, talvez, inclusive, cause uma vazão vulcânica no leito da lua. Na Terra, esse sistema de vazão é responsável por permitir uma ampla variedade de formas de vida. Mas foram necessárias décadas para que a missão Clipper chegasse ao estágio atual, por seus custos e os desafios da exploração espacial ao redor de Júpiter. O caminho orbital da Europa a leva por cinturões de radiação intensa que estão ao redor do planeta gigante. Essa radiação destrói componentes eletrônicos, fator que limita a duração de missões a meses ou mesmo a poucas semanas. Europa tem um vasto oceano debaixo de sua camada de gelo Divulgação/ Nasa/JPL-Caltech/Seti Institute Por isso, em vez de orbitar Europa, a missão Clipper vai fazer diversos voos próximos a essa lua, para reduzir sua exposição às partículas energéticas do campo magnético de Júpiter. A espaçonave da missão carregará nove instrumentos científicos, incluindo câmeras e medidores para produzir imagens de alta resolução da superfície lunar, um magnetômetro para medir a força e direção desse campo magnético (dando pistas sobre a profundidade e salinidade do oceano de Europa) e um radar de penetração no gelo. A camada de gelo pode ter dezenas de quilômetros de espessura. Mas os cientistas estimam haver diversas maneiras de a água do oceano subir até a superfície de Europa. Nos últimos anos, o telescópio espacial Hubble fez observações experimentais de formações de gelo em erupção abaixo de Europa, assim como na Enceladus, lua gelada de Saturno que também tem um oceano subterrâneo. Os primeiros esboços das missões para explorar Europa foram concebidos na década de 1990, na época em que dados da espaçonave Galileo ajudaram a reunir indícios de um oceano subterrâneo. Desde então, no entanto, as propostas de exploração acabaram frustradas. Mas a Europa Clipper teve uma peça-chave no Congresso americano: o legislador republicano John Culberson, que preside o comitê da Câmara dos Representantes dos EUA que financia a Nasa e canalizou dinheiro para a missão. Uma missão com pouso de robôs em Europa chegou a ser proposta, mas o pedido de orçamento federal mais recente não incluiu financiamento para essa alternativa. Veja Mais

Lições portuguesas sobre cuidados paliativos

Glogo - Ciência Desde 2012 a população daquele país tem acesso a esse tipo de atendimento, que alivia a dor e melhora a qualidade de vida do paciente Na quinta-feira passada, acompanhei a abertura do I Congresso de Cuidados Paliativos do Rio de Janeiro. O médico Paulo Reis Pina, professor assistente da Universidade de Lisboa e diretor da unidade de cuidados paliativos Domus Fraternitas, em Braga, deu uma aula sobre a experiência portuguesa nesse campo. Naquele país, pela Lei 52/2012, todos têm acesso ao atendimento, mas ele afirma que a qualidade deste ainda não está totalmente disseminada: “não se pode achar que o cuidado paliativo se restringe à infusão de opioide ou morfina. Em doses erradas, pode ser o mesmo que uma eutanásia ativa”. Apaixonado pelo que faz e um evangelizador da relevância desse tipo de atendimento, o doutor Paulo Pina diz que faz questão de usar o termo no plural, “porque os cuidados paliativos são muitos, mas o que prefiro é a expressão medicina paliativa, porque não se trata de algo alternativo, e sim de ciência: selecionamos e validamos fármacos, ajustamos doses. Esta é uma especialidade tão relevante quanto as demais”. O médico Paulo Reis Pina, professor assistente da Universidade de Lisboa e diretor da unidade de cuidados paliativos Domus Fraternitas, em Braga Divulgação Portugal tem oito escolas de medicina e, apesar da legislação prever o acesso ao atendimento, o médico é crítico em relação à formação dos alunos: “74% nunca estiveram numa unidade de cuidados paliativos e a maioria ainda vê a especialidade como uma ferramenta a ser usada apenas no fim da vida, o que é um equívoco”. A associação é frequente, como se essa fosse uma abordagem terapêutica reservada ao paciente em seu leito de morte. No entanto, cuidados paliativos abrangem tudo o que pode ser oferecido à pessoa que tenha uma doença fora de possibilidade de cura, com o objetivo de melhorar a qualidade da sua existência – que pode se estender por muito tempo. Vai do controle de sintomas como dor, náusea e vômito até a ansiedade e o medo, passando pela comunicação com a família do doente. De acordo com o doutor Pina, outro objetivo a ser alcançado é capilarizar o serviço, que ainda está concentrado na rede hospitalar, estendendo-o às comunidades – boa parte dos pacientes poderia ser tratada em casa. Para a plateia que lotou o evento, deixou um recado: “vejo que há um encantamento com os cuidados paliativos, mas preparem-se, porque esse é um mundo de sofrimento e de dor. O que fazemos é validá-lo, lhe dar acolhimento”. Logo em seguida, o geriatra André Filipe Junqueira dos Santos, presidente nacional da ANCP (Academia Nacional de Cuidados Paliativos), traçou um panorama das políticas públicas existentes por aqui. O Brasil dispõe de uma resolução, de outubro de 2018, estabelecendo que os cuidados paliativos devem integrar a RAS (Rede de Atenção à Saúde). É apenas o primeiro passo. Há 177 serviços no país, de acordo com o último levantamento, realizado em 2018. No entanto, 103 estão na Região Sudeste e 74% em hospitais, reforçando a prática de este ser um atendimento voltado para o fim da vida. O geriatra André Filipe Junqueira dos Santos, presidente nacional da Academia Nacional de Cuidados Paliativos Divulgação “No Brasil, há 300 faculdades de medicina, mas no máximo umas 20 apresentam os cuidados paliativos em seu currículo. Todo profissional de saúde deveria saber acolher e dominar o manejo de cuidados paliativos, que deveriam estar integrados à atenção primária da população”, ressaltou, lembrando que, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), 40 milhões de pessoas demandam esses cuidados por ano, mas 86% delas não recebem o atendimento devido e 83% não são beneficiadas com o alívio da dor. Veja Mais

Vampirismo: a doença fatal que matou centenas de pessoas

Glogo - Ciência Registros do início do século 18 mostram como o exército austríaco teve que lidar com 'vampiros' que ameaçavam moradores na Europa Oriental. O vampirismo se tornou uma questão grave de saúde no século 18 LoganArt/Visualhunt O que é vampirismo? Pela definição do dicionário, é "a conduta de alguém que age como um vampiro". No imaginário popular, pode significar ressuscitar dos mortos para vagar à noite com uma capa preta, usando os caninos longos e afiados para morder o pescoço de vítimas e sugar seu sangue. Atualmente, os vampiros são encontrados apenas em livros, filmes e séries de televisão. Mas, quando o termo apareceu pela primeira vez, o cenário era bem diferente. A origem do termo Os vampiros sugiram no início do século 18 na fronteira da Áustria com a Hungria. Embora desde os tempos mais remotos, divindades, bruxas, fantasmas e outras variedades de demônios que sugavam o sangue humano tenham feito parte do imaginário de quase todas as culturas, várias fontes afirmam que a palavra "vampiro" foi escrita pela primeira vez em 1725, no relatório de um médico do exército do Sacro Império Romano-Germânico. Após a vitória contra o Império Otomano em Petrovaradin (1716) e o Cerco de Belgrado (1717), que levaram à assinatura do Tratado de Passarowitz, a Áustria anexou grandes extensões da Sérvia ao seu território. E, ao chegar às terras dos povos eslavos, os austríacos se depararam com relatos sobre essas estranhas criaturas, das quais nunca tinham ouvido falar antes. O relatório Em um período de oito dias, nove pessoas morreram subitamente na cidade de Kisilova, após terem recebido supostamente a visita noturna de um homem chamado Petar Blagojević, que teria mordido as vítimas e chupado seu sangue. O problema é que Blagojević estava morto e havia sido enterrado 10 semanas antes. Os moradores pediram permissão então para exumar seu corpo e, no papel de nova autoridade local, o superintendente austríaco Frombold acompanhou o procedimento. No relatório que enviou para Viena – o mesmo em que escreveu a palavra "vampiro" –, ele descreveu o que viu: "O rosto, as mãos e os pés, e todo o corpo estavam tão bem constituídos, que não poderiam ter estado mais completos em sua vida. Com espanto, vi um pouco de sangue fresco em sua boca, que – de acordo com os relatos – havia sido sugado das pessoas mortas por ele... assim, ao ser perfurado, um monte de sangue, completamente fresco, também jorrou de seus ouvidos e boca, e aconteceram outras manifestações que não descrevo por respeito." Como era costume na região, eles cravaram uma estaca no coração do cadáver e cremaram o corpo. Uma 'epidemia' Um jornal em Viena publicou a notícia, e o fenômeno se espalhou pela região. Em poucos anos, o vampirismo parecia ter se tornado uma epidemia na Europa Oriental. O imperador enviou equipes de cirurgiões militares para realizar autópsias e investigar o que estava acontecendo. Esses especialistas constataram, por sua vez, que os casos eram notavelmente consistentes. Pesquisadores da área médica publicaram dezenas de artigos e livros sobre o assunto. O vampirismo se tornou então uma condição reconhecida, testemunhada por um grande número de pessoas, que apresentava sinais e sintomas característicos, como cadáveres com sangue fresco correndo em suas veias e vísceras; sangue ao redor da boca, "por ter se alimentado"; pele rosada; corpos volumosos, etc. Tema quente Ironicamente, o vampiro ocidental surgiu em plena Era da Razão. O século 18, conhecido como "Século das Luzes", foi palco do Iluminismo, movimento que pregava o uso da luz da razão contra as trevas da ignorância. Neste contexto, os vampiros eram um tema que despertava calorosos debates na Europa. Teólogos argumentavam que os vampiros eram seres físicos que demonstravam a existência de uma vida após a morte. Filósofos, por outro lado, se preocupavam com o fato de que as evidências disseminadas sustentando a existência de vampiros lançassem dúvidas sobre o valor do testemunho e de testemunhas oculares. Até mesmo o filósofo francês Voltaire se manifestou sobre o assunto, quando em 1764, questionou: "O quê?! Em pleno século 18 existem vampiros? "São cadáveres que deixam seus túmulos à noite para chupar o sangue dos vivos, seja em suas gargantas ou seus estômagos, e depois retornam aos seus cemitérios." "Enquanto as vítimas empalidecem e são consumidas, os cadáveres que sugam o sangue ganham peso, ficam rosados e desfrutam de um excelente apetite." "É na Polônia, na Hungria, na Silésia, na Morávia, na Áustria e na Lorena que os mortos se divertem tanto." "Nunca ouvimos uma palavra sobre vampiros em Londres, nem sequer em Paris." "Admito que nas duas cidades há corretores da bolsa e homens de negócios que sugam o sangue das pessoas em plena luz do dia; mas, embora corrompidas, não estão mortas. Esses verdadeiros vampiros não vivem em cemitérios, mas em palácios." O que estava acontecendo? Mas como explicar a epidemia de uma doença mortal que não existe? Alguns pesquisadores atribuem o fenômeno a grandes traumas e decepções, outros à alimentação, ao uso acidental de drogas que causam alucinações e a doenças altamente contagiosas. Outras teorias fazem referência à presença de substâncias químicas incomuns na terra que afetavam a decomposição dos corpos. De fato, a origem de algumas características descritas pelos médicos legistas da época poderia ser precisamente a decomposição. É importante lembrar que, no passado, não era comum observar o processo de putrefação dos corpos, uma vez que eram fonte de contaminação. Hoje sabemos que o rigor mortis (rigidez cadavérica) passa, por isso a flexibilidade de muitos "vampiros" surpreendia a quem os desenterrava. Em alguns cadáveres, o sangue coagula, mas se liquefaz novamente. Os gases no abdômen aumentam a pressão à medida que o estado de putrefação avança, forçando os pulmões para cima e, algumas vezes, expulsando o tecido em decomposição da boca e das narinas. O inchaço provocado pelos gases bacterianos após a morte explica por que os corpos parecem roliços e saudáveis, e também os "gemidos sonoros" que alguns mortos soltavam quando as estacas eram encravadas em seu coração ou estômago. O vampiro aristocrata Um século depois, um médico inglês chamado John Polidori escreveu o primeiro romance sobre vampiros em inglês. Ele transformou o vampiro em um aristocrata, abrindo caminho para o clássico de Bram Stoker, Drácula, publicado 78 anos depois. A imagem da criatura elegante que povoa hoje em dia o imaginário popular se deve a Polidori, Stoker e a dezenas de contos sobre vampiros vitorianos. Mas vale lembrar que o tema foi analisado pela primeira vez por médicos, políticos e filósofos. Veja Mais

E se eu morrer hoje?

Glogo - Ciência Pense nas providências que poderão facilitar a vida dos que ficam O tema dessa coluna pode ser lúgubre, mas não tem nada de agourento ou assustador, uma vez que todos vamos morrer um dia. Se o tempo que nos resta é de semanas, meses, anos ou décadas, tanto faz: ninguém deveria se espantar com nossa finitude. A resistência em tratar de questões relacionadas à morte acaba tornando a vida dos entes queridos que nos rodeiam ainda mais difícil. No meio da dor da perda, com frequência eles têm que revirar papéis e tomar decisões num estado de grande fragilidade. Uma amiga querida precisou fazer uma cirurgia delicada. Quando fui visitá-la, já totalmente recuperada, ela me disse que, na véspera da operação, pensou em contar para o filho onde estavam guardados documentos, registros de senhas e contatos com gerentes de banco. Acabou não fazendo, com medo de assustar o rapaz, que poderia achar que a mãe mentia sobre a gravidade da situação. Histórias semelhantes se repetem todos os dias, nem todas com um final feliz. Para quem ama os animais, a guarda de um bicho de estimação também é um assunto que deveria merecer atenção. São tristes os relatos de cães e gatos abandonados depois da morte do dono porque não havia ninguém para assumir a tarefa. Tomar providências em relação ao fim da vida: resistência é grande em tratar de questões relacionadas à morte By © Roland Fischer, Zürich (Switzerland) – Mail notification to: roland_zh(at)hispeed(dot)ch / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=19732663 Deixar as coisas organizadas é demonstração de carinho pelos que nos rodeiam. Para começar, mantenha os documentos importantes numa pasta. Se precisar de mais de uma, identifique o conteúdo de cada uma com uma etiqueta. Senhas, informações sobre investimentos e telefones de pessoas que devem ser acionadas podem ficar anotados num caderno ou arquivados no computador, mas é indispensável que você explique ao pelo menos um ou dois do seu círculo íntimo como acessar esses dados. Já tratei nesse espaço sobre a conveniência de fazer um testamento vital: o documento determina como diretivas antecipadas de vontade o conjunto de desejos, previamente manifestados pelo paciente, sobre cuidados e tratamentos que quer, ou não, receber no momento em que estiver incapacitado de expressar sua vontade. Ter um testamento evita desentendimentos quando há bens, principalmente se a pessoa se casou de novo e há filhos da primeira união. Embora 90% digam que é importante conversar sobre os cuidados e providências no fim da vida, apenas 27% dizem tê-lo feito. Além disso, 60% não gostariam de sobrecarregar os mais próximos com decisões difíceis, mas 56% não comunicaram seus desejos. Eu proponho o exercício. Pensar no fim da existência nos dá a dimensão do enorme prazer que é estar vivo. Veja Mais

Com consulta sobre canabidiol perto do fim, governo sinaliza posição contra plantio

Glogo - Ciência Consulta pública sobre liberação do cultivo da maconha no Brasil já recebeu mais de 430 contribuições. Em entrevista à rádio CBN, ministro Onyx Lorenzoni disse que governo é favorável à importação do canabidiol, mas não à legalização do plantio. Anvisa está em processo de avaliação sobre o plantio da 'Cannabis sativa' no Brasil para fins medicinais e científicos Reuters Já são mais de 430 as contribuições enviadas à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a proposta de liberar o cultivo da planta de Cannabis sativa no Brasil para fins medicinais e científicos. Embora a Anvisa tenha aprovado em junho duas propostas com indicações para regulamentar o plantio de maconha no país, o governo federal sinalizou posição contrária. Em entrevista à rádio CBN nesta sexta-feira (16), o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, declarou que o governo do presidente Jair Bolsonaro não é contrário à importação do canabidiol nem à sua formulação em medicamentos ou tratamentos de saúde no Brasil. O canabidiol é uma das substâncias presentes na maconha, já bastante usada no tratamento de várias doenças. Ele deixou de ser proibido no Brasil em 2015. 'Precisamos oferecer produtos de acesso mais simples', diz diretor da Anvisa Porém, segundo Lorenzoni, permitir o plantio da maconha no país pode "abrir as portas para a legalização das drogas". "O governo não tem nenhum problema com o medicamento. Nosso problema é abrir a porta para a liberação de drogas no Brasil. O plantio para uso medicinal abre essa porta. Isso não queremos permitir." - Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil, em entrevista à CBN As duas propostas preliminares da Anvisa foram aprovadas em votação unânime pelos quatro diretores da área técnica da agência, após reunião colegiada. O passo seguinte foi a abertura de uma consulta pública sobre o tema, cujo prazo termina na segunda-feira (19). Depois da avaliação das respostas, os diretores devem voltar a se reunir e apresentar o seu parecer final. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni Marcos Corrêa/Presidência da República A primeira proposta é para uma resolução que regulamenta os requisitos técnicos e administrativos para o cultivo da cannabis para fins medicinais e científicos. Já a segunda é uma proposta de resolução para definir procedimentos específicos para registro e monitoramento de medicamentos à base de Cannabis sativa ou seus derivados e análogos sintéticos. Entenda as propostas para liberar o cultivo de maconha no Brasil Entretanto, a regulamentação do plantio dependeria de um aval do governo federal. Lorenzoni afirma que a administração Bolsonaro não é contrária à desburocratização e a uma redução da taxação sobre produtos de canabidiol. "Hoje, o governo está no caminho de facilitar que os laboratórios brasileiros tragam para cá o canabidiol sintetizado fora do Brasil", disse Lorenzoni. Segundo o ministro, o governo não pretende emitir uma Media Provisória (MP) sobre esse assunto e gostaria que a questão fosse resolvida "nos próximos 30 dias". Cannabis como remédio: quais os riscos e benefícios da planta? Veja Mais

Como combater a epidemia de cesáreas no Brasil?

Glogo - Ciência Enquanto especialistas defendem parto humanizado e acesso a informação para evitar riscos de cesáreas desnecessárias, projeto aprovado em SP garante a gestantes opção pelo parto cirúrgico no SUS sem recomendação médica. Brasil vive epidemia de cesáreas, segundo levantamentos Hospital Universitário de Jundiaí/Divulgação Na contramão de recomendações internacionais, o Brasil vive uma epidemia de cesáreas com uma taxa de mais de 55% de partos cirúrgicos. O país só perde para a República Dominicana neste ranking. Porém, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas entre 10% e 15% dos nascimentos há a necessidade de uma cesariana por motivos médicos. Em comparação com a Europa, os índices brasileiros também são bastante elevados, até mesmo entre países que lideram esse ranking na região, como a Alemanha, onde há uma taxa de 30,5% de cesarianas, ou o Reino Unido, com 27,8%. Já na França, a cesariana é realizada em 19,6% partos, na Noruega, em 16,1%, na Suécia, em 17,4%, e na Dinamarca, em 19,5%. Essa chamada epidemia de cesáreas é debatida há anos no Brasil. Na semana passada, no entanto, um projeto aprovado pela Assembleia Legislativa de São Paulo trouxe à tona novamente a discussão sobre a cesariana no país, que, apesar de ter se tornado um procedimento cotidiano em nascimentos, pode trazer complicações tanto para mães quanto para os bebês. Proposto pela deputada estadual Janaína Paschoal (PSL) e tramitando em regime de urgência, o projeto garante a gestantes a possibilidade de optar pelo parto cirúrgico no SUS, a partir da 39ª semana de gestação, mesmo sem recomendação médica. Aprovado por 58 votos a favor e 20 contra, o projeto ainda precisa ser sancionado pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Apesar de na rede pública ainda predominar o parto natural, 40% dos partos ocorrem por meio de cirurgias, índice bem superior do que os até 15% recomendados pela OMS. Na rede privada, o índice de cesáreas chega a 84%. Caso entre em vigor, especialistas temem que a medida impulsione indiscriminadamente o procedimento no SUS no Estado. Para a especialista em saúde da mulher Silvana Granado, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, o projeto de autoria da deputada Janaína Paschoal ignora evidências científicas sobre esse procedimento. "Políticas públicas deveriam ser feitas com base em informações técnicas e debates nos diferentes setores. A cesariana é uma cirurgia de grande porte, que, como qualquer outra cirurgia, acarreta riscos e precisa ter indicação clínica", afirma. Medo da dor, falta de informação sobre os riscos de uma cesariana e preferência do próprio médico por cesarianas devido à comodidade de planejar o nascimento e à rapidez do procedimento são alguns dos fatores que ajudam a explicar a banalização do parto cirúrgico e a epidemia de cesáreas no país. Segundo Granado, que também é coordenadora adjunta da pesquisa Nascer no Brasil, o papel do médico é fundamental para a decisão sobre o tipo do parto. "Precisamos desmistificar a ideia de que são as mulheres que escolhem as cesáreas", ressalta. A especialista destaca que a pesquisa Nascer no Brasil, realizada entre 2011 e 2012, mostrou que, na rede privada, apenas 36% das mulheres desejam a cesariana no início da gestação, porém, ao longo do pré-natal, elas foram mudando de ideia de acordo com a assistência que vinham recebendo e, ao final da gestação, a preferência pela cesárea chegava a 67%. 'Ditadura do parto normal' Ao defender o projeto, Janaína Paschoal afirmou haver uma "ditadura do parto normal" na rede pública e usou o argumento da dor e de supostos riscos do parto natural, contrariando estudos existentes. A comunidade científica ressalta que, quando necessária, a cesárea pode salvar vidas de mães e bebês, porém, se realizada sem recomendação médica, apresenta riscos desnecessários tanto para mãe quanto para o bebê. Diversos estudos já indicaram que as cesarianas aumentam o risco de hemorragia e infecções em mulheres, podendo levar à morte. Além disso, aumentam as chances de óbito fetal sem causa aparente em gravidezes futuras e de formação anormal da placenta. Em relação aos bebês, pesquisas recentes mostram que aqueles que nasceram por cesárea apresentam um risco maior de ter infecções, de desenvolver alergias e asma e de sofrer com excesso de peso. Ainda não se sabe como exatamente o nascimento cirúrgico está ligado a essas doenças, porém, pesquisadores têm certeza de que o tipo de parto é um dos fatores que influencia essas enfermidades. Janaína Paschoal também defendeu o projeto como medida para evitar a violência obstétrica sofrida pelas gestantes no SUS. Uma pesquisa nacional realizada pela Fundação Perseu Abramo em 2010 revelou que um quarto das mães brasileiras sofreu violência física ou psicológica durante o parto. Parto humanizado Granado reconhece que, ao optar pela cesárea, a mulher fica menos exposta à violência obstétrica. A especialista, porém, destaca que a adoção generalizada do procedimento cirúrgico não é a solução para acabar com esse drama vivido por milhares de gestantes no país. "A solução é a redução das intervenções desnecessárias e a humanização do parto", afirma Granado. Medidas simples, como garantir o direto de ter um acompanhante de sua escolha durante todo o parto e posterior internação, preservar a privacidade da mulher ou utilizar métodos naturais para alívio da dor – incluindo banho quente, alongamento e massagens – já contribuem muito para proporcionar às mulheres melhores condições para o parto. Para reduzir o número de cesáreas, a OMS recomenda, entre outros, um trabalho educacional sobre os tipos de nascimentos, com cursos para mães e casais, treinamentos de relaxamento, e programas para gestantes que sofrem com ansiedade e que têm medo da dor. A organização recomenda ainda a adoção de diretrizes clínicas internacionais para o parto cirúrgico e a exigência de uma segunda opinião médica sobre a necessidade do procedimento. Melhorar as condições do parto natural também são fundamentais para evitar cesarianas, aponta a OMS. Veja Mais

Pesquisadores brasileiros detectam hanseníase resistente ao tratamento padrão no Pará

Glogo - Ciência Estudo identifica maior proporção de bactérias resistentes já encontrada em uma comunidade; especialistas apontam para falta de protocolo do Ministério da Saúde para tratamento de casos que não respondem à medicação convencional. Campanha de combate à Hanseníase é realizada em Resende Divulgação/PMR Uma doença considerada erradicada em grande parte do mundo ainda é um problema de saúde pública no Brasil: a hanseníase tem cerca de 28 mil novos casos registrados por ano no país, que ocupa o segundo lugar no ranking mundial de novos pacientes diagnosticados, atrás apenas da Índia. Agora, um estudo recente publicado por pesquisadores brasileiros indica que o problema pode ser ainda mais sério: detectou-se uma existência de bactérias resistentes ao tratamento-padrão em maior proporção do que os números divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). "Por muitos anos, a OMS dizia que não existia resistência, que a hanseníase é 100% curável. Isso não é verdade", diz Marcelo Mira, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da PUC-PR e líder do estudo. "Mas, no passado, não tínhamos as ferramentas para detectar isso. A Mycobacterium leprae é a única bactéria que causa a doença em humanos e que não pode ser cultivada em laboratório, em meio de cultura. Só nos anos 90 começaram a surgir os primeiros testes moleculares, que permitem identificar a resistência diretamente no genoma do bacilo", explica. O tratamento-padrão para a hanseníase é a chamada poliquimioterapia (PQT), uma associação de drogas como a rifampicina e a dapsona, remédios para os quais o levantamento testou a resistência. No estudo, os pesquisadores detectaram a maior proporção de cepas resistentes da M. leprae já reportada em uma determinada comunidade: 43,2% dos casos apresentavam resistência a algum dos medicamentos, e 32,4% possuíam resistência dupla. Publicado na "Clinical Infectious Diseases", uma das principais revistas científicas na área de doenças infecciosas, o artigo também contou com pesquisadores do Instituto Lauro de Souza Lima, Fundação Oswaldo Cruz, Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Estadual do Pará (UEPA) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Vila do Prata Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram, ao longo de 12 anos, a população da Vila Santo Antônio do Prata, uma ex-colônia de hansenianos no interior do Pará, situada a 110 km de Belém. Hoje com uma população perto dos 3 mil habitantes, a maioria descendente de pacientes que tiveram hanseníase, a comunidade foi submetida a mais de 600 consultas pela equipe em suas expedições. A localidade, popularmente conhecida como Vila do Prata, foi um dos vários hospitais-colônias abertos no Brasil a partir de 1923, quando pacientes diagnosticados com lepra (o nome da doença na época) passaram a ser internados compulsoriamente. Os chamados "leprosários" contribuíram para aumentar o estigma social em relação à doença: eram locais de isolamento, onde os doentes acabavam apartados da sociedade e, com frequência, permaneciam até o fim da vida - mesmo já tratados e com o contágio encerrado. A Vila do Prata recebeu pacientes dos Estados do Norte e Nordeste do país. Embora o isolamento tenha deixado de ser obrigatório em 1962, a integração dessas comunidades permaneceu rara, tanto no que diz respeito à saída dos habitantes quanto à entrada de novas pessoas. Tratamentos interrompidos, desconhecimento e preconceito em relação à doença também fizeram com que muitas dessas áreas se mantivessem endêmicas. "Ainda hoje, a população local é discriminada pelo fato de ser uma ex-colônia de hansenianos", lamenta Mira, que destaca a importância de vencer o estigma. Para o estudo, o isolamento acabou se revelando importante para compreender como a resistência opera. A hanseníase é uma doença difícil de ser identificada TVCA/Reprodução "É uma população que permaneceu relativamente isolada desde o estabelecimento da colônia e foi submetida a praticamente todos os protocolos de tratamento aplicados nos últimos 100 anos", destaca Mira. "Claro que os resultados devem ser interpretados corretamente: é uma população muito particular, superexposta e supertratada por décadas. Mas os resultados são um importante sinal de alerta, de que ainda sabemos muito pouco sobre o fenômeno da emergência de resistência ao tratamento", ressalta o pesquisador. Por ser uma doença com um tempo de incubação alto, não há o risco de um surto: a proliferação dessas cepas viria gradualmente, como consequência de uma negligência continuada por parte das autoridades. "Em um cenário em que não se preste atenção a esse problema, é provável que daqui a 20 ou 30 anos haja uma hanseníase muito mais resistente disseminada nas populações endêmicas", pontua Mira. Sinal de alerta Para especialistas da área, o estudo se soma às evidências de que a resistência é um problema que ainda não recebeu a devida atenção do poder público. Como a própria OMS subestimava essa questão até os anos 90, as políticas nacionais se movem lentamente no que diz respeito aos tratamentos alternativos à PQT. "O Ministério da Saúde não tem um protocolo padronizado para agir em casos de resistência. Estamos em uma fase em que o ministério ainda faz levantamentos sobre a situação, enquanto a bactéria já está um passo à frente, como sempre", diz Claudio Salgado, pesquisador do Laboratório de Dermato-Imunologia da UFPA e presidente da Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH), que analisou o estudo a pedido da BBC Brasil. Para Salgado, o combate à doença vive uma espécie de "marasmo" causado por uma percepção errônea de que o problema já foi devidamente controlado. "As pessoas acham que a hanseníase está controlada, e que vai acabar com a melhoria das condições socioeconômicas", aponta. "Mas o trabalho mostra claramente que a bactéria está se desenvolvendo, e temos um percentual cada vez maior de pessoas que respondem menos aos tratamentos convencionais", entende o especialista. "A bactéria não espera. Ela se multiplica e desenvolve resistência aos antibióticos", resume. "Já vimos isso na tuberculose algumas décadas atrás. Ela começou a apresentar os primeiros casos de multirresistência naquela época e hoje, quase metade dos casos são multirresistentes. Com a hanseníase, estamos vendo o início disso", argumenta Salgado. Por ser um campo relativamente recente, a compreensão da resistência ainda é parcial, segundo o presidente da SBH. "O que o estudo traz é uma parte da história, as partes do genoma que nós conhecemos, mas há outras áreas com resistência que ainda não são conhecidas, o que torna o processo mais grave", interpreta Salgado. "Não podemos alarmar a população com promessas de uma epidemia, mas também não se pode empurrar com a barriga achando que está tudo bem. Temos casos de resistência publicados em 2011, agora vemos esses resultados em 2019. O que vamos aguardar? Sair outro trabalho em 2029 para dizer que realmente tem resistência? Precisamos de um protocolo urgentemente". A visão é semelhante à de Marcelo Mira, que reforça a necessidade de uma política alternativa para casos em que o M. leprae já não responde ao tratamento convencional. "Alguns médicos realizam o tratamento com antibiótico específico para casos mais resistentes, mas fazem isso não por uma orientação definida pelo ministério, e sim por entenderem que o protocolo clássico já não funciona", aponta o líder do estudo. "O Ministério da Saúde precisa decidir logo a respeito disso". Procurada para comentar os resultados do estudo, a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS), órgão responsável pelo monitoramento e políticas relacionadas à hanseníase, não havia retornado os contatos até o fechamento desta reportagem. Veja Mais

Amazônia concentra metade das queimadas em 2019

Glogo - Ciência G1 mostra ainda a situação nos estados até 19 de agosto. A Amazônia concentra 52,5% dos focos de queimadas de 2019, segundo os dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Cerrado é responsável por 30,1%, seguido pela Mata Atlântica, com 10,9%. O G1 mostrou que o número de queimadas aumentou 82% em relação ao mesmo período de 2019 - de janeiro a 18 de agosto. Foram 71.497 focos neste ano, sendo que 13.641 ocorreram no Mato Grosso, 19% do total do país. Queimadas em 2019 Arte G1 Nesta segunda-feira (19), a cidade de São Paulo, parte do Mato Grosso do Sul e do norte do Paraná foram afetados pela fumaça que desceu das queimadas no Brasil, e também do Paraguai. A Bolívia, a Argentina e o Peru também têm focos de incêndio. No caso da capital paulista, uma nuvem mais baixa e carregada acabou aumentando a escuridão. O jornal "Abc Color", do Paraguai, noticiou um incêndio que começou durante o final de semana na reserva de mata nativa Três Gigantes, no Pantanal do país. Segundo a Secretária de Emergência Nacional, 70% do fogo, que se arrastou por 21 mil hectares, havia sido controlado até a manhã desta segunda-feira, mas a fumaça ainda era sentida em território brasileiro. Focos por país Dia do fogo No último dia 10 de agosto, grupos do sul do Pará organizaram o "Dia do Fogo". Durante o final de semana, fazendeiros passaram a anunciar as queimadas, revelação do jornal local "Folha do Progresso", da cidade de Novo Progresso. Imagem de satélite capturada pelo Inpe no dia 10 de agosto mostra fogo em Novo Progresso Programa Queimadas/G1 As medições do Inpe confirmaram o pico de queimadas (veja imagem acima). Novo Progresso, junto com o município de Altamira, liderou o número de focos durante aquele final de semana. As duas cidades também estão entre as mais atingidas neste mês. Mato Grosso O pesquisador do Programa Queimadas do Inpe, Alberto Setzer, diz que as queimadas na região do Mato Grosso são comuns, mas "neste ano queimam mais do que em anos anteriores". O calor e o clima seco contribuem para espalhar o fogo, que é causado, segundo ele, por ação humana não-intencional ou criminosa. "As medidas feitas por satélites são um excelente indicador do volume do fogo que está na vegetação. Temos consciência plena de que há um aumento no Mato Grosso" - Alberto Setzer, Inpe O Corpo de Bombeiros do estado está sobrecarregado. São 1,4 mil militares no Mato Grosso, sendo que 22 dos 141 municípios têm base dos bombeiros. Como o G1 mostrou acima, já são mais 13 mil focos de janeiro a agosto. "É humanamente impossível atender todas as ocorrências que chegam, se tivermos de 30 a 40 queimadas urbanas em um dia, por exemplo. Vamos atendendo até quando o efetivo der", afirmou o major Antônio Marco Guimarães ao G1 Mato Grosso. Mato Grosso enfrenta a pior temporada de queimadas em sete anos Amazônia e Cerrado O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) publicou uma nota técnica a respeito das queimadas na Amazônia. Eles afirmam que o “fogo é um elemento comum na paisagem rural brasileira” e que “na Amazônia não é diferente”. O órgão também diz que as chamas costumam estar “diretamente relacionadas à ação humana”. De acordo com Setzer, tanto na Amazônia quanto no Cerrado o fogo é utilizado para a expansão da fronteira agrícola e também para a manutenção de áreas que já foram desmatadas. "No Cerrado, você tem um ponto que é muito importante ser mencionado e que muitas vezes causa confusão. O Cerrado é uma vegetação naturalmente adaptada ao fogo. Ela, na verdade, precisa do fogo para a sua manutenção. Se você não tiver fogo, as sementes não vão germinar, as espécies vão desaparecer". Segundo ele, o "fogo natural" do Cerrado ocorre com a ocorrência de raios, com uma frequência muito menor do que as queimadas causadas pelo homem. Veja Mais

'Tive câncer de ovário aos 14 anos'

Glogo - Ciência Médicos encontraram tumor com mais de 5 kg no ovário de adolescente de 14 anos, que chegou a desconfiar que estava grávida. Kelliyah fez exercícios físicos, virou vegana e chegou a pensar que estava grávida ao perceber o quanto sua barriga crescia BBC Quando Kelliyah, de 14 anos, começou a sentir fortes dores abdominais, ela inicialmente imaginou que a causa fosse um excesso de bebidas com gás e falta de exercício. Ela viveu com os sintomas persistentes durante semanas antes de ir para o hospital. Assim que chegou à unidade de saúde, os médicos encontraram um tumor do tamanho de uma abóbora e, em 24 horas, Kelliyah foi diagnosticada com câncer de ovário. O tumor encontrado pelos médicos pesava mais de 5 kg. O que é câncer de ovário? Um dos tipos mais comuns de câncer em mulheres - cerca de 7.500 novos casos são diagnosticados por ano no Reino Unido - o equivalente a 20 por dia. 80% dos casos afetam mulheres com mais de 50 anos. As taxas de sobrevivência são melhores para as mulheres mais jovens, mas elas dependem de quão avançado está o câncer quando ele é diagnosticado. Não há testes de triagem e rastreio confiáveis para detectar o câncer do ovário, em comparação com os do colo do útero, intestino e mama, porque os sintomas podem ser difíceis de interpretar. "Minha barriga ficou muito grande, mas eu pensei que estava engordando", diz Kelliyah, de Londres. "Comecei a fazer exercícios, subir ladeiras, fazer flexões, mas nada funcionava." "Então, virei vegana, mas minha barriga estava ficando cada vez maior", conta. "Minha mãe disse: 'Deixe-me tocar sua barriga', e, sem brincadeira, foi como se eu estivesse grávida." "Depois daquilo, comecei a sentir muita dor. Era como se algo estivesse me cutucando por dentro, e eu não conseguia comer nada." 'Eu queria ter contato com alguém' A médica oncologista ginecológica da University College London, Adeola Olaitan, diz que "a chance de uma mulher ter câncer de ovário é de cerca de uma em cada 50". "É mais comum em mulheres que não tiveram filhos, mulheres que fizeram tratamento para infertilidade, aquelas que não tomaram a pílula anticoncepcional combinada, que protege, e mulheres que não amamentaram." Médicos encontraram tumor com mais de 5 kg no ovário de adolescente de 14 anos BBC Kelliyah se esforçou para encontrar informações online sobre seu diagnóstico e como isso afeta mulheres e meninas mais jovens. "Comecei a ver muitas mulheres - de 40, 38 anos - eu pensava, tipo 'não sou velha, por que não há adolescentes?' Eu queria ter contato com alguém ", diz ela. "Alguns jovens têm vergonha de dizer que têm câncer e falar sobre isso. É um assunto muito sensível." Kelliyah está agora em remissão - fase da doença em que ela não apresenta atividade-, mas deve fazer check-ups a cada três meses pelos próximos cinco anos. Ela ainda pode ter filhos, mas enfrenta a possibilidade de uma menopausa prematura. "Isso me fez perceber que tudo pode acontecer e que você deve aproveitar cada pequena coisa na vida", diz ela. "Eu quero fazer tudo agora, agora, agora - o tempo não espera por ninguém." Julgamento A mãe de Kelliyah, Ashley Avorgah, também está preocupada com estigmas de saúde em algumas comunidades. "Eles veem isso como um constrangimento", diz ela. "Há uma falta de comunicação dentro da minha comunidade quando se trata de doença. Eles não querem que ninguém os julgue." A taxa de diagnóstico de câncer de ovário em mulheres com menos de 25 anos no Reino Unido aumentou em 85% entre 1993-95 e 2014-16, mas o número total ainda é baixo - há cerca de 140 casos por ano. "No câncer de ovário, a falta de diagnósticos pode ser agravada pelo fato de que é um câncer particularmente raro nessa faixa etária e pode ser difícil de detectar porque os sintomas são muitas vezes semelhantes a outras doenças durante um período", Ben Sundell, da Teenage Cancer Trust. Um medicamento para tratar casos avançados de câncer de ovário foi aprovado para uso em pacientes recém-diagnosticados na Inglaterra em julho de 2019. Um estudo com mostrou que ele poderia retardar a progressão da doença em três anos. Veja Mais

Queimadas aumentam 82% em relação ao mesmo período de 2018

Glogo - Ciência Número de focos é o maior de janeiro a agosto em 7 anos. Nesta segunda-feira, junção de frente fria com fumaça amazônica fez o 'dia virar noite' em São Paulo, Mato Grosso do Sul e norte do Paraná. As queimadas no Brasil aumentaram 82% em relação ao ano de 2018, se compararmos o mesmo período de janeiro a agosto – foram 71.497 focos neste ano, contra 39.194 no ano passado. Esta é a maior alta e também o maior número de registros em 7 anos no país. Os dados são do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), gerados com com base em imagens de satélite. Nesta segunda-feira (19), o "dia virou noite" em São Paulo, no Mato Grosso do Sul e no norte do Paraná. Por volta das 15h, uma forte névoa escura cobriu a capital paulista, deixando a cidade no breu. Especialistas ouvidos pelo G1 explicaram que uma frente fria com ventos marítimos originada do Sul do Brasil trouxe uma nuvem do tipo stratus, mais baixa e carregada. Junto a isso, a fumaça originada das queimadas da floresta amazônica nos estados do Norte foi potencializada com focos em outros países da América Latina. Dia vira noite durante a tarde desta segunda (19) em São Paulo Cinco estados tiveram um maior aumento no número de queimadas no Brasil desde o início do ano, em comparação com o mesmo período do ano passado: Mato Grosso do Sul, com uma alta de 260% em relação a 2018; Rondônia, com 198%; Pará, com 188%; Acre, com 176%; e Rio de Janeiro, com 173%. Se tomarmos como base apenas o número, Mato Grosso é líder, com 13.641 focos, o que representa 19% do total nacional. Nas últimas 48h (contadas até 19 de agosto), o Brasil teve 5.253 focos de queimadas detectados pelo sistema do Inpe. Bolívia, Peru e Paraguai seguem com 1.618, 1.166 e 465, respectivamente. No sábado (17), o aeroporto internacional de Viru Viru, na Bolívia, chegou a ser fechado devido à baixa visibilidade. JORNAL NACIONAL: Mato Grosso enfrenta a pior temporada de queimadas em sete anos Alberto Setzer, pesquisador do Programa Queimadas do Inpe, disse que apesar da alta no número de incêndios, a chegada da fumaça da região Norte ao Sudeste não é um fenômeno raro. Ele fala que o pôr do sol um pouco mais avermelhado é um dos sinais, mas em menor intensidade do que foi visto nesta segunda-feira. O pesquisador também explica que o El Niño tem um efeito que aumenta a estiagem, mas não causa o aumento das queimadas. O fenômeno ajuda a aumentar a "espalhar o fogo". "Elas [queimadas] são todas de origem humana, umas propositais e outras acidentais, mas sempre pela ação humana. Para você ter queimada natural você precisa da existência de raios. Só que toda essa região do Brasil central, sul da Amazônia, está uma seca muito prolongada, tem lugares com quase três meses sem uma gota d’água" - Alberto Setzer Queimadas e fumaça no dia 19 de agosto de 2019 Rodrigo Cunha/G1 "Não é a toa que o aeroporto lá na Bolívia fechou, que os hospitais estão lotados de gente com problemas de respiração", disse Setzer. O pesquisador lembra um caso similar de descida da fumaça ocorreu em 9 de agosto deste ano, mas que não atingiu tanto a cidade de São Paulo. Os dados do Inpe também apontam o número de Unidades de Conservação e Terras Indígenas que sofrem com as queimadas: são 32 e 36, respectivamente. Os incêndios florestais também atingiram outras parte do mundo em julho: a agência espacial americana (Nasa) aponta mais de 2,7 milhões de hectares na Sibéria; na Espanha, o sistema de monitoramento Copernicus, apoiado pela agência espacial europeia (ESA), registrou a pior série de incêndios florestais em 20 anos. Fumaça sobre a Bolivia em 18 de agosto de 2019 Inpe/Reprodução Veja Mais

Escova de dentes normal ou elétrica: qual é a melhor?

Glogo - Ciência Muitas pessoas desconfiam das escovas elétricas porque, apesar de serem recomendadas por muitos profissionais, há muita publicidade das fabricantes e o preço é mais salgado, se comparadas às escovas manuais. Vale a pena a despesa? A única maneira de evitar cáries e periodontite – uma infecção das gengivas – é com boa higiene bucal Pixabay/Divulgação Quem nunca se perguntou que tipo de escova de dentes é melhor para a saúde bucal: manual ou elétrica? A questão é importante porque a cárie dentária e a periodontite – infecção das gengivas – são as doenças bucais mais comuns no mundo e podem até levar à perda de dentes. Em ambas as doenças, a causa é o acúmulo de placas bacterianas, camadas incolores de bactérias e açúcares que aderem aos dentes. E a melhor maneira de se prevenir é uma boa higiene bucal, principalmente pela escovação dos dentes. Então, voltando à pergunta original, o que é melhor para a higiene bucal, uma escova elétrica ou uma manual? Vinai Pitchika e sua equipe na unidade de periodontologia da Universidade Médica de Greifswald, na Alemanha, monitoraram mais de 3 mil pessoas por 11 anos para avaliar cáries, doenças nas gengivas e taxas de perda dentária, avaliando o impacto de longo prazo do uso de escovas de dente elétricas e manuais. Eles dizem que, para realmente evitar cáries e periodontite, é necessário ter um método adequado de escovar os dentes. "Muitas pessoas na idade adulta parecem não ter técnicas adequadas para escovar os dentes", diz o especialista. "As escovas elétricas podem ajudar as pessoas a escovar melhor e realmente remover placas e ter uma melhor saúde bucal." O problema é que muitas pessoas desconfiam das escovas elétricas porque, apesar de serem recomendadas por muitos profissionais, há muita propaganda das fabricantes em torno delas. E o preço podem ser bem mais alto que o das escovas manuais. Os preços vão de R$ 30 para os modelos mais básicos a mais de R$ 600 para os que têm todos os tipos de "recursos". Isso tem impacto na saúde bucal? "Quanto mais dinheiro você gasta em sua escova de dentes elétrica, mais recursos ela terá", diz o Dr. Pitchika. "Por exemplo, eles podem ter níveis de configurações de 'limpeza', 'vibração', 'pressão' ou informam quando parar de escovar. Mas tudo isso é realmente mais um luxo do que uma funcionalidade essencial." No estudo, os pesquisadores descobriram que os participantes que usam escovas elétricas têm menos cáries, menos periodontite e menos perda dentária. "O que descobrimos é que estas pessoas não precisavam ter uma técnica adequada para escovar os dentes, porque a escova faz isso por eles", diz Pitchika. "A melhor maneira de usar a escova elétrica, por mais básica que seja, é movê-la lentamente de um dente para outro. Mas você precisa se certificar de cobrir toda a superfície dos dentes." Os preços das escovas elétricas podem variar de US $ 10 para modelos mais básicos, até US $ 150 ou mais, para pincéis que tenham todos os tipos de recursos Pixabay Técnica adequada Mesmo assim, existem algumas circunstâncias específicas em que pode ser mais conveniente usar uma escova manual. Uma deles, por exemplo, é após uma cirurgia bucal, quando há pontos ou uma área dolorida. Nesse caso, uma escova manual com cerdas ultramacias permite uma escovação mais suave, na qual o usuário pode controlar a velocidade e o cuidado com o qual ele limpa a área sensível. E, para aqueles que continuam a desconfiar dos modelos elétricos e preferem continuar usando as escovas manuais, qual a melhor técnica? "A escova deve ser colocada em um ângulo de 45º em direção à interseção da gengiva e do dente e, então, você deve iniciar um movimento lento e curto, primeiro horizontalmente e, depois, verticalmente." O especialista enfatiza que, assim, toda a superfície dos dentes serão atingidas: interna, externa, superior e inferior, para limpar não só o dente, mas também as superfícies entre cada dente e a intersecção entre a gengiva e o dente, onde a maioria das bactérias geralmente fica. "Demora algum tempo de prática para aperfeiçoar a técnica", diz Pitchika. Veja Mais

O mistério da histeria coletiva que afetou 39 estudantes na Malásia

Glogo - Ciência Era uma manhã tranquila de sexta-feira quando o pânico se espalhou por uma escola em Kelatan, no nordeste da Malásia; BBC News conversou com Siti Nurannisaa, uma estudante de 17 anos, protagonista do que aconteceu. Era uma manhã tranquila de sexta-feira quando o pânico se espalhou em uma escola em Kelatan, no Nordeste da Malásia. Confira o relato da estudante Siti Nurannisaa, a primeira a sentir os "sintomas", à BBC News. Siti Nurannisaa, estudante de 17 anos, foi protagonista de ataque de histeria coletiva na Malásia Joshua Paul/BBC Os alarmes tocaram. Estava em minha mesa quase dormindo quando senti alguém batendo muito forte no meu ombro. Virei-me para ver quem era e a sala ficou escura de repente. O medo me invadiu. Senti uma dor aguda nas minhas costas e minha cabeça começou a girar. Caí no chão. Antes de que me desse conta, estava em "outro mundo". Cenas de pura violência. A coisa mais assustadora que vi foi um rosto maligno. Estava me assombrando, não consegui escapar. Abri minha boca e tentei gritar, mas nenhum som saiu. Desmaiei. Kelantan é o Estado mais religiosamente conservador da Malásia Joshua Paul/BBC O ataque de Siti desencadeou uma poderosa reação em cadeia que percorreu toda a escola. Em poucos minutos, alunos de outras salas de aula começaram a gritar, e seus gritos frenéticos podiam ser ouvidos pelos corredores. Uma menina desmaiou depois de afirmar ter visto a mesma "figura sombria". Sem saber o que acontecia, professores em pânico e estudantes montaram barricadas. De repente, a escola secundária parecia um cenário de guerra. Curandeiros espirituais islâmicos foram chamados para realizar sessões de oração em massa. Ao fim do dia, 39 pessoas foram consideradas afetadas por um surto de "histeria em massa". A histeria em massa, ou doença psicogênica em massa, como também é conhecida, é a rápida disseminação de sintomas físicos, como hiperventilação e espasmos, em um grupo considerável de pessoas – sem causa orgânica plausível. "Trata-se de uma reação coletiva ao estresse que leva a uma superestimulação do sistema nervoso", diz o sociólogo médico americano Robert Bartholomew. "Pense nisso como um problema de software." As razões por trás da histeria em massa são em geral pouco compreendidas e não estão listadas no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, usado por profissionais da área. Mas psiquiatras como Simon Wessely, do hospital King's College, em Londres, no Reino Unido, atribuem o fenômeno ao "comportamento coletivo". "Os sintomas apresentados são reais - desmaios, palpitações, dores de cabeça, náuseas, tremores e até convulsões", diz ele. "Muitas vezes o episódio é atribuído a uma condição médica, mas para o qual nenhuma explicação biomédica convencional pode ser encontrada." A transmissão, acrescenta, "é em grande parte devido a fatores psicológicos e sociais". Surtos assim foram registrados em diversas partes do mundo, com casos que datam da Idade Média. Incidentes na Malásia aconteceram principalmente entre trabalhadores de fábricas durante os anos 1960. Hoje, afetam principalmente crianças em escolas e internatos. Robert Bartholomew passou décadas pesquisando o fenômeno na Malásia. Ele chama o país de "capital mundial da histeria em massa". "É um país profundamente religioso e espiritual, onde muitas pessoas, especialmente as que vivem nos Estados rurais e conservadores, acreditam nos poderes do folclore tradicional e do sobrenatural", diz. Mas o assunto continua sendo delicado no país. Na Malásia, meninas adolescentes da maioria étnica muçulmana malaia são, normalmente, o grupo mais afetado. "Não há como negar que a histeria em massa é um fenômeno majoritariamente feminino", diz Bartholomew. "É a única constante na literatura (acadêmica)". Cercada por campos de arroz verdejantes, a pacata aldeia malaia de Padang Lembek se localiza nos arredores da capital de Kelantan, Kota Bharu. É uma comunidade pequena e coesa onde todos se conhecem, o tipo de lugar que faz muitos malaios relembrar como o país costumava ser. Há restaurantes comandados por famílias, salões de beleza, uma mesquita e boas escolas de bairro. Incidente em escola deixou Siti incapaz de dormir ou comer adequadamente Joshua Paul/BBC Siti e sua família moram em uma modesta casa térrea, facilmente identificável pelo telhado vermelho desgastado e pelo fachada verde. Do lado de fora está estacionada uma velha e robusta motocicleta que ela divide com sua melhor amiga Rusydiah Roslan, que mora nas proximidades. "Fomos com ela para a escola na manhã em que estava possuída por 'espíritos'", diz Siti. Como qualquer outro adolescente, ela também é afetada pelo estresse. Siti diz que se sentiu mais pressionada durante seu último ano letivo por causa das provas. "Estava me preparando há semanas, tentando memorizar minhas anotações, mas algo estava errado", diz ela. "Parecia que nada estava entrando na minha cabeça." O incidente na escola deixou Siti incapaz de dormir ou comer de modo adequado. Foi necessário um mês de descanso para ela pudesse voltar aos eixos. Um surto de histeria em massa geralmente começa com o que os especialistas chamam de "paciente zero", a primeira pessoa a ser afetada. Nesse caso, a paciente zero foi Siti. "Isso não acontece da noite para o dia", diz Robert Bartholomew. "Começa com uma criança e depois se espalha rapidamente para as outras por causa de uma exposição a um ambiente onde há muita pressão." Assim, basta um grande pico de ansiedade em um grupo, como ver um colega de classe desmaiar ou ter um ataque - para provocar uma reação em cadeia. Rusydiah Roslan nunca se esquecerá de ver sua melhor amiga naquele estado. "Siti estava gritando incontrolavelmente. Ninguém sabia o que fazer. Estávamos com medo de tocá-la." As garotas sempre foram muito próximas, mas os eventos do ano passado fortaleceram seu vínculo. "Isso nos ajuda a falar sobre o que aconteceu. Isso nos ajuda a seguir em frente", diz Rusydiah. Do lado de fora, o SMK Ketereh parece com qualquer outro colégio da Malásia. Árvores gigantescas fazem sombra sobre suas instalações e suas paredes têm camadas frescas de tinta amarela cinza e brilhante. Makcik (tia) Zan possui uma barraca do outro lado da rua onde vende pratos locais de arroz. Há um ano, naquela manhã úmida de julho, ela estava preparando comida, quando ouviu gritos. "Os gritos eram ensurdecedores", diz Zan, em meio a pratos de cavala grelhada, curry amarelo e arroz empapado fumegante. Ela viu pelo menos nove meninas sendo levadas para fora de suas salas de aula, chutando e gritando. Reconheceu algumas delas como suas clientes habituais. "Foi uma visão desoladora", diz ela. Mais tarde, Zen observou um feiticeiro entrar em uma pequena sala de oração com seus assistentes. "Ficaram lá por horas", lembra ela. "Tenho pena das crianças pelo que elas devem ter visto naquele dia." A segurança na SMK Ketereh foi reforçada desde o incidente de julho de 2018. "A fim de evitar que os surtos voltem a crescer, reestruturamos nosso programa de segurança e tivemos uma mudança na equipe", diz um membro da equipe à BBC, sob anonimato, por não estar autorizado a falar com a imprensa. Oração diária e sessões de psicologia também foram introduzidas no dia a dia dos alunos, acrescenta ele. "A segurança vem em primeiro lugar, mas também sabemos da importância do cuidado posterior para nossos alunos". Não está claro o que essas sessões envolvem ou se foram concebidas por profissionais de saúde mental. O funcionário não deu mais detalhes. Especialistas como Robert Bartholomew defendem fortemente que os estudantes malaios aprendam sobre o fenômeno, dada a sua prevalência no país. "Eles devem aprender sobre como a histeria em massa acontece e como ela se espalha", diz ele. "Também é importante que eles aprendam a lidar com o estresse e a ansiedade". Procurado pela BBC News, o Ministério da Educação da Malásia não respondeu aos pedidos de entrevista. A SMK Ketereh é uma das 68 escolas secundárias em Kelantan. Mas está longe de ser a única a ter testemunhado um surto. No início de 2016, a histeria em massa tomou conta de muitas escolas no Estado. "As autoridades não puderam lidar com os vários surtos e fechar todas as escolas", diz Firdaus Hassan, um repórter local. Ele e o cinegrafista de TV Chia Chee Lin se lembram de um abril tenso. "Era um período de histeria em massa e os casos estavam acontecendo sem parar, se espalhando de uma escola para outra", lembra Chia. Um episódio na cidade vizinha de Pengkalan Chepa atraiu uma atenção considerável da mídia. Alunos e professores foram descritos em relatórios como "possuídos" depois de verem uma "figura escura e sombria" espreitando ao redor do complexo. Cerca de cem pessoas foram afetadas. Siti Ain, que estudou no SMK Pengkalan Chepa 2, diz que se lembrará da escola como sendo "a mais assombrada de toda a Malásia". "O pânico durou horas, mas demorou meses para que a vida voltasse ao normal", diz ela, agora com 18 anos. Siti nos mostra um local isolado ao lado de uma quadra de basquete. "Aqui foi onde tudo começou", diz, apontando para uma fileira de troncos de árvores. "Meus colegas de escola disseram que viram uma mulher idosa de pé entre as árvores". "Não pude ver o que eles viram, mas suas reações foram reais." O fascínio da Malásia por fantasmas existe há séculos e está profundamente enraizado na tradição xamânica e na mitologia popular do Sudeste Asiático. As crianças crescem ouvindo histórias sobre bebês mortos chamados toyol - invocados por xamãs usando magia negra - e outros fantasmas vampíricos aterrorizantes como os pontianak e penanggalan, espíritos poderosos e vingativos que se alimentam dos vivos. Árvores e locais de enterro são cenários comuns para esses contos misteriosos. Esses ambientes fomentam medos que, por sua vez, alimentam essas crenças supersticiosas. É difícil determinar o que realmente aconteceu naquele dia em Pengkalan Chapa 2, mas as autoridades não perderam tempo em atacar o que acreditavam ser a fonte do problema. "Vimos de nossas salas de aula quando os trabalhadores chegaram com serras elétricas para cortar as árvores", diz Siti Ain. "As árvores antigas eram lindas e foi triste vê-las sendo cortadas, mas entendi o porquê." Como muitos estudantes aqui, ela encara o que aconteceu naquele dia não como um surto de histeria em massa, mas como um evento sobrenatural. Mas isso não é um fenômeno restrito às escolas islâmicas em áreas profundamente religiosas. Azly Rahman, um antropólogo malaio que vive nos Estados Unidos, descreveu um episódio de histeria em massa em 1976, ocorrido em um internato que frequentou na cidade vizinha de Kuantan. "Foi um pandemônio", lembra ele. Tudo começou durante uma competição de canto quando uma aluna alegou ter visto "um monge budista sorridente" em cima de um dormitório. "Ela soltou um grito horripilante", diz. Exorcistas foram trazidos para realizar sessões em 30 meninas afetadas. "O papel deles era fazer a mediação entre os vivos e os mortos. Mas é importante para a sociedade de hoje procurar explicações lógicas por trás de tais surtos", diz Rahman. Siti Nurannisaa e sua família foram instruídos sobre a histeria coletiva para entender os acontecimentos de um ano atrás. "Qualquer pai se sentiria mal ao ver um filho sofrer", diz Azam Yaacob, pai de Siti. Ele diz que a filha nunca teve nenhum "problema psicológico". Após o incidente, eles buscaram ajuda de Zaki Ya, um curador espiritual com 20 anos de experiência. Em seu centro em Ketereh, ele nos cumprimenta com um sorriso caloroso. "Apa khabar, como você está?" Ele segue os ensinamentos do Alcorão, o livro sagrado do Islã, e também acredita no poder dos Jinn - espíritos da cosmologia do Oriente Médio e do Islã que "aparecem em uma variedade de formas e formatos". "Compartilhamos nosso mundo com esses seres invisíveis", diz Zaki Ya. "Eles são bons ou maus e podem ser derrotados pela fé." Escrituras islâmicas adornam as paredes verdes do centro. Garrafas de água benta estão empilhadas perto da entrada. Em um canto, perto de uma janela, uma mesa está repleta de objetos misteriosos - facas enferrujadas, pentes, orbes e até mesmo um cavalo-marinho seco. "Esses são itens amaldiçoados", avisa Zaki Ya. "Por favor, não toque em nada." Zaki Ya conheceu Siti Nurannisaa e sua família após o surto de 2018 na SMK Ketereh. "Tenho guiado Siti e ela tem ficado melhor com a minha ajuda", diz ele, orgulhoso. O curandeiro me mostra um vídeo de outra garota que diz ter tratado. As imagens mostram a menina debatendo-se descontroladamente no chão e gritando antes de ser contida por dois homens. Minutos depois, Zaki Ya entra na sala e se aproxima de sua paciente, visivelmente angustiada. Ele segura a cabeça dela e entoa versos islâmicos, e ela parece se acalmar. "As mulheres são mais dóceis e fisicamente mais fracas", diz ele. "Isso as torna mais suscetíveis à possessão espiritual." Em sua opinião, a saúde mental desempenha um papel importante em muitos dos casos, mas ele destaca o poder dos Jinn. "A ciência é importante, mas não pode explicar totalmente o sobrenatural", diz ele. "Os não crentes não entenderão esses ataques, a menos que aconteçam com eles." Um tratamento mais controverso vem de uma equipe de acadêmicos islâmicos em Pahang, o maior Estado da península da Malásia. Por um preço fixo de 8.750 ringgits malaios (cerca de R$ 8.330), o "kit anti-histeria" que eles oferecem consiste em itens como ácido fórmico, inalantes de amônia, spray de pimenta e "pinças" de bambu. "De acordo com o Alcorão, os espíritos malignos são incapazes de tolerar tais itens", diz Mahyuddin Ismail, que desenvolveu o kit com o objetivo de "combinar ciência e sobrenatural". "Nossos kits foram usados por duas escolas e resolveram mais de cem casos", diz ele. Não há evidências científicas para sustentar essas afirmações. O kit atraiu uma onda de críticas quando foi lançado, em 2016. Khairy Jamaluddin, ex-ministro da Juventude e Esportes, o descreveu como "marca de uma sociedade atrasada". "É uma superstição absurda e sem noção. Não queremos que os malaios permaneçam entrincheirados em crenças sobrenaturais." Mas os psicólogos clínicos, como Irma Ismail, da Universiti Putra Malaysia, não descartam o poder dessas crenças quando se trata de casos de histeria em massa. "A cultura malaia tem sua própria visão sobre o fenômeno", diz ela. "Uma abordagem mais realista é a integração de crenças espirituais com tratamento adequado da saúde mental." Se a Malásia é a "capital mundial da histeria em massa", Kelantan, na costa Nordeste, é o marco zero. "Não é coincidência que Kelantan, o Estado mais religiosamente conservador de todos os Estados da Malásia, também seja o mais propenso a surtos", diz Robert Bartholomew. Conhecido como o coração islâmico do país de maioria muçulmana, Kelantan é um dos dois Estados governados pela oposição conservadora do Partido Islâmico da Malásia (PAS). Ao contrário do resto do país, Kelantan segue o calendário islâmico - a semana começa aos domingos e termina às quintas-feiras. As sextas-feiras são dedicas às orações. "Este é um lado diferente da Malásia", diz Ruhaidah Ramli, um vendedor de 82 anos que trabalha em um mercado local. "A vida aqui é simples. Não é estressante como na (capital) Kuala Lumpur." Mas religião e crenças sobrenaturais estão relacionadas? O professor Afiq Noor argumenta que a implementação mais rigorosa da lei islâmica na escola em Estados como Kelantan está ligada ao aumento dos surtos. "Meninas muçulmanas malaias frequentam a escola sob rígida disciplina religiosa", diz ele. "Elas obedecedem a códigos de vestimenta mais rigorosos e não podem ouvir música que não é islâmica". A teoria é que tal ambiente restritivo poderia estar gerando mais ansiedade entre os mais jovens. Surtos semelhantes também foram relatados em conventos e mosteiros católicos em todo o México, Itália e França, em escolas no Kosovo e até mesmo entre líderes de torcida em uma cidade rural da Carolina do Norte. Cada caso é único – o contexto cultural é diferente e, portanto, varia de acordo com a situação. Mas, em última análise, trata-se do mesmo fenômeno. Os pesquisadores argumentam que o impacto de culturas estritas e conservadoras sobre os afetados pela histeria em massa é claro. Para psicólogos clínicos como Steven Diamond, os "sintomas dolorosos, assustadores e constrangedores" frequentemente associados à histeria em massa podem ser "indicativos de uma necessidade frustrada de atenção". "Os sintomas podem estar revelando algo sobre como esses jovens estão realmente sentindo por dentro, mas são incapazes ou não estão dispostos a se permitir conscientemente reconhecer, sentir ou verbalizar?" escreveu ele em um artigo de 2002 da revista científica Psychology Today. 2019 foi um ano tranquilo para Siti Nurannisaa. "Tudo está correndo bem. Tem sido um ano calmo para mim", diz. "Não vejo coisas ruins há meses." Siti perdeu o contato com grande parte de seus ex-colegas de escola depois de se formar na SMK Ketereh, mas isso não a incomoda - ela me diz que sempre manteve um pequeno círculo de amigos. Agora, está fazendo uma pausa nos estudos antes de ir para a universidade. No dia em que nos encontramos, Siti me mostra um microfone preto brilhante. "O karaokê sempre foi um dos meus passatempos favoritos", diz ela. Canções pop da americana Katy Perry e da malaia Siti Nurhaliza são as suas favoritas. Cantar ajudou a jovem a controlar seu nível de estresse após o incidente traumático, melhorando sua autoestima. "O estresse deixa meu corpo fraco, mas aprendi a administrá-lo", diz ela. "Meu objetivo é ser normal e feliz." Pergunto a Siti o que ela quer ser no futuro. "Policial", responde. "Eles são corajosos e não têm medo de nada." Veja Mais

Redes sociais não fazem mal, desde que não substituam atividades mais saudáveis, diz estudo

Glogo - Ciência Pesquisa entrevistou milhares de adolescentes em escolas inglesas e também revelou que meninas são mais vulneráveis a 'cyberbullying'. Especialistas recomendam que celulares sejam deixados longe dos quartos depois das 22h TV Globo As redes sociais fazem mal para os adolescentes? A pergunta que tira o sono de pais, educadores e cientistas em todo o mundo recebeu, por ora, uma nova resposta. E ela é: as redes não prejudicam diretamente os mais jovens, mas podem tirar o tempo que eles gastam em atividades vitais e saudáveis, como dormir e se exercitar. O alerta vem de pesquisadores do Reino Unido, que recomendam a proibição de celulares depois das 22h e incentivos a atividades físicas. Segundo o estudo, as meninas são especialmente vulneráveis ​​ao cyberbullying, o que pode levar a problemas psicológicos. No Reino Unido, nove em cada dez adolescentes usam redes sociais e há uma crescente preocupação com o seu impacto na saúde mental dos mais jovens. Até agora, as conclusões das pesquisas são contraditórias devido à falta de estudos de longo prazo. Neste estudo recente, publicado no na revista médica especializada "The Lancet Child & Adolescent Health", mais de 12 mil adolescentes em idade escolar na Inglaterra foram entrevistados durante três anos, dos 13 aos 16. Eles cursavam os anos 9, 10 e 11 (equivalentes ao 9º ano do ensino fundamental e 1º e 2º do ensino médio no Brasil) do sistema de ensino britânico. O que o estudo fez? Os adolescentes informaram com que frequência checavam redes como Instagram, Facebook, WhatsApp e Twitter diariamente, mas não quanto tempo gastavam usando-as. No ano 9, a maioria (51%) das meninas e 43% dos meninos entraram em redes sociais mais de três vezes por dia; no ano 11, a frequência subiu para 69% entre os meninos e 75% entre as meninas. Já no ano 10, os mesmos jovens preencheram um questionário sobre sua saúde mental e relataram experiências de cyberbullying, sono e atividade física. No ano 11, os adolescentes avaliaram seus níveis de felicidade e ansiedade. Na pesquisa, meninas disseram usar redes sociais com mais frequência que meninos AJ PHOTO/BSIP/AFP O que a pesquisa encontrou? Os meninos e meninas que verificavam suas redes mais de três vezes por dia tinham pior saúde mental e maior sofrimento psicológico. As meninas também parecem mais propensas a dizer que são menos felizes e mais ansiosas à medida que os anos avançaram, ao contrário dos meninos. Os pesquisadores dizem que há indícios de um vínculo forte entre o uso de redes sociais e saúde mental. Nas meninas, os efeitos negativos são revelados principalmente em perturbações do sono, ciberbullying e, em menor medida, falta de exercício. Nos meninos, os fatores também têm um impacto, mas muito menor. Os pais devem se preocupar? O coordenador do estudo, Russell Viner, professor de saúde do adolescente do University College London, diz: "Os pais andam em círculos quando o assunto é o tempo que seus filhos passam nas redes sociais todos os dias." "Mas eles deveriam se preocupar com a quantidade de atividade física e sono dos filhos, porque as mídias sociais estão substituindo outras coisas." As redes sociais também podem ter um efeito positivo nos adolescentes e "desempenham um papel central na vida de nossos filhos", acrescentou. Também envolvida no estudo, a professora de psiquiatria infantil, Dasha Nicholls, da universidade Imperial College London, completa: "Não é o tempo na rede social em si, a questão é quando ela desloca os contatos e atividades da vida real." "A questão é encontrar um equilíbrio." É diferente para meninos? A equipe de especialistas diz que, embora tenha observado diferenças no uso de redes sociais entre garotas e garotos, elas ainda não são bem compreendidas. Também são necessários outros estudos para descobrir de que forma o uso das redes sociaiso pode influenciar o sofrimento psicológico dos meninos. E quanto ao cyberbullying? Nicholls diz que os pais devem monitorar as atividades de seus filhos para ter certeza de que não estão acessando conteúdo prejudicial, principalmente à noite. "Com o cyberbullying, nem a nossa cama é um lugar seguro. Mas, se o seu celular estiver em outro cômodo da casa, você não pode ser intimidado em sua cama." Louise Theodosiou, do corpo docente sobre crianças e adolescentes do Royal College of Psychiatrists (organização profissional de psiquiatras do Reino Unido), diz: "Mais estudos são necessários para entender como podemos evitar os impactos mais negativos das redes sociais, particularmente em crianças e jovens vulneráveis." "É justo que as empresas de redes sociais contribuam para financiar esses estudos e façam mais para apoiar os jovens a usar a internet com segurança." Veja Mais

Fumaça de queimadas é ameaça à saúde pública, alertam médicos

Glogo - Ciência Queimadas provocaram aumento no número de pessoas buscando socorro médico, diz diretor de hospital em Rondônia. Fumaça de incêndios florestais ataca pulmões e coração. Pesquisadores brasileiros expuseram células pulmonares à fumaça: em casos extremos, isso levou ao câncer Greenpeace Há quatros dias, Maycon, de 4 anos, está internado no Hospital Infantil Cosme e Damião, em Porto Velho (RO). O motivo é uma crise de asma provocada pela fumaça das queimadas que cobre a cidade desde a semana passada. "No domingo, ele começou a passar mal, ficou com a respiração difícil e falta de ar. Viemos correndo para a emergência e já internaram. Agora ele está melhor, tomando antibióticos e fazendo inalação", conta a mãe do garoto, a dona de casa Maricelia Passos Damásio, de 31 anos. Preocupada com a saúde do filho, ela acrescenta que a médica só não deu alta ainda por conta da continuidade dos incêndios. "Como a névoa de fumaça se mantém muito forte por aqui, ela acha que vamos sair e voltar no dia seguinte." O pequeno Maycon não é o único atingido. As queimadas que destroem áreas verdes do Brasil há mais ou menos duas semanas, sobretudo nas regiões Norte e Centro-Oeste, têm levado muita gente para os centros médicos. No próprio Hospital Infantil Cosme e Damião, que atende a todo o estado de Rondônia, o diretor-adjunto Daniel Pires de Carvalho diz que foram realizados 120 atendimentos de crianças com problemas respiratórios de 1 a 10 de agosto, e 380, de 11 a 20. "Moro em Porto Velho há 20 anos, e esse, com certeza, é o pior período de incêndios. Em alguns dias, não conseguimos nem ver o sol. Isso, aliado ao tempo seco, tem causado muitos problemas de saúde na população", complementa o médico. Por que queimadas prejudicam a saúde? A saúde humana é afetada pelas queimadas porque a fumaça proveniente dela contém diversos elementos tóxicos. O mais perigoso é o material particulado, formado por uma mistura de compostos químicos. São partículas de vários tamanhos e as menores (finas ou ultrafinas), ao serem inaladas, percorrem todo o sistema respiratório e conseguem transpor a barreira epitelial (a pele que reveste os órgãos internos), atingindo os alvéolos pulmonares durante as trocas gasosas e chegando até a corrente sanguínea. Outro composto prejudicial é monóxido de carbono (CO). Quando inalado, ele também atinge o sangue, onde se liga à hemoglobina, o que impede o transporte de oxigênio para células e tecidos do corpo. "Isso tudo desencadeia um processo inflamatório sistêmico, com efeitos deletérios sobre o coração e o pulmão. Em alguns casos, pode até causar a morte", explica o pneumologista Marcos Abdo Arbex, vice-coordenador da Comissão Científica de Doenças Ambientais e Ocupacionais da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Araraquara (Uniara). Consequências da fumaça para o ser humano A lista de problemas provocados pela inalação da fumaça de queimadas florestais é grande. Os mais leves, segundo Carvalho, são dor e ardência na garganta, tosse seca, cansaço, falta de ar, dificuldade para respirar, dor de cabeça, rouquidão e lacrimejamento e vermelhidão nos olhos. "Eles variam de pessoa para pessoa e dependem do tempo de contato com a fumaça", comenta. "No geral, ela afeta mais as vias respiratórias, agravando os quadros de doenças prévias, como rinite, asma, bronquite e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Os extremos de idade, ou seja, crianças e idosos, são os que mais sofrem, por serem mais sensíveis", comenta. Arbex acrescenta que as queimadas não só pioram, como também desencadeiam essas mesmas enfermidades, assim como as cardiovasculares, insuficiência respiratória e pneumonia. "Além disso, provocam quadros de alergia e, quando a exposição é permanente, há o risco de desenvolvimento de câncer", indica o médico. Por falar em câncer, o estudo "Queima de biomassa na Amazônia causa danos no DNA e morte celular em células pulmonares humanas", de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e publicado em 2017 na revista científica Nature, constatou que a fumaça aumenta a inflamação, o estresse oxidativo e causa danos genéticos nas células do pulmão. A pesquisa concluiu que "o dano no DNA pode ser tão grave que a célula perde a capacidade de sobreviver e morre ou perde o controle celular e começa a se reproduzir desordenadamente, evoluindo para câncer de pulmão". Para chegar a este resultado, células do pulmão humano foram expostas a partículas de fumaça coletadas em Porto Velho, uma das cidades mais afetadas pelos incêndios na Amazônia, e analisadas em laboratório. É importante destacar que não são apenas as pessoas que vivem próximas às áreas onde são comuns os incêndios florestais que sofrem com a fumaça. Em situação de queimadas mais intensas, como as que o país vive nas últimas semanas, a névoa provocada pelo fogo pode viajar milhares de quilômetros e atingir outras cidades, estados e até países. Inclusive, há indicações de que foi isso o que ocorreu em São Paulo na última segunda-feira (19). Nesse dia, a união de uma frente fria com resíduos oriundos das queimadas nas regiões Norte e Centro-Oeste do país e na Bolívia e no Paraguai fez com que o céu escurecesse no meio da tarde na capital e no litoral paulista. Durante a tarde, nebulosidade escureceu céu no Centro de Santos, SP João Amaro/G1 Para amenizar os efeitos das queimadas na saúde, alguns cuidados são necessários, como evitar, na medida do possível, a proximidade com incêndios, manter uma boa hidratação, principalmente em crianças menores de 5 anos e idosos maiores de 65 anos, e manter os ambientes da casa e do trabalho fechados, mas umidificados, com o uso de vaporizadores, bacias com água e toalhas molhadas. Também é indicado usar máscaras ao sair na rua, evitar aglomerações em locais fechados, e optar por uma dieta leve, com a ingestão de verduras, frutas e legumes. Fora isso, em caso de urgência deve-se buscar ajuda médica imediatamente. Veja Mais

Pesquisa da UFRN testa produto à base de casca de maracujá contra a pressão alta

Glogo - Ciência Estudo acontece no Hospital Universitário Onofre Lopes, em Natal, e precisa da participação de voluntários. Produto feito a base da casca de maracujá é testado contra hipertensão na UFRN Cedida Um estudo clínico do curso de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) investiga a eficácia de um produto feito a partir da casca do maracujá no tratamento contra a pressão alta. Em uma das fases da pesquisa, ratos hipertensos tiveram diminuição da pressão arterial e até melhora na função vascular. Agora, os pesquisadores convocam pessoas interessadas em participar como voluntárias nos testes em humanos. Muito usada em dietas de emagrecimento e para diminuição dos níveis de colesterol, a farinha da casca de maracujá é facilmente encontrada em feiras livres e em lojas de produtos naturais, mas sua utilização não é amparada cientificamente. Segundo as pesquisadoras, a proposta do estudo é justamente buscar a comprovação da eficácia e segurança de um produto obtido a partir dela. “O diferencial desse estudo é que foi preparado um extrato da casca, não é apenas a planta seca e moída, vendida na forma de pó. Foram extraídos os metabólitos responsáveis pelo efeito terapêutico, é um extrato concentrado. Por isso, ao contrário do que o mercado oferece atualmente, a ideia é produzir um fitoterápico (medicamento) de fato”, explica a professora Silvana Zucolotto, coordenadora da pesquisa. Os estudos fazem parte do doutorado da aluna Bárbara Cabral, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas e acontecem no Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), onde, sob orientação médica do cardiologista Dr. Fábio Mastrocola, os pacientes voluntários serão submetidos a uma série de exames, todos realizados gratuitamente. Para tanto, eles devem ter algumas características: hipertensão leve, não serem usuários de medicamento, além de estarem na faixa etária dos 18 aos 60 anos. Pesquisadoras da UFRN testam produto a base de casca de maracujá em tratamento contra a pressão alta Cedida De acordo com Bárbara Cabral, todos os procedimentos foram seguidos para que a sua pesquisa chegasse a atual etapa de desenvolvimento no Grupo de Produtos Naturais Bioativos, o PNBio. “Estudos realizados nas fases preliminares da pesquisa apresentaram diminuição da pressão arterial e melhora na função vascular em ratos hipertensos. Além da eficácia, também testamos a segurança e os resultados foram positivos. Não foram encontradas alterações em órgãos, nem nos padrões bioquímicos e hematológicos”, relata a pesquisadora. As pesquisadoras ressaltam ainda a importância dos voluntários não estarem usando medicamentos. Interessados em colaborar com a pesquisa como voluntários devem entrar em contato pelos telefones (84) 981160002 e (84) 999851187. Veja Mais

Homem recusa cirurgia bariátrica e perde 89kg em dois anos

Glogo - Ciência Britânico Jason Anderson tinha pressão alta, diabetes e apneia do sono grave. Homem recusa cirurgia bariátrica e perde 89kg em dois anos Reprodução/BBC O britânico Jason Anderson tinha pressão alta, diabetes e apneia do sono grave. A última opção do seu médico foi levá-lo a uma clínica para obesos. "Estava à beira da morte, muito doente. Já tinha desistido. Não sabia o que fazer", diz ele à BBC News. "Queriam colocar um anel gástrico, mas eu disse que não, queria fazer sozinho", acrescentou. A partir de uma mudança alimentar e uma rotina pesada de exercícios, que incluía até os fins de semana, ele perdeu 89 kg em dois anos e sua saúde melhorou. "É estranho me olhar no espelho. Tive que fazer terapia para isso. Não reconhecia aquela imagem", conta. "Tenho minha vida de volta, tenho um futuro. Não tinha isso antes, estou nas nuvens", completa. Assista ao vídeo. Veja Mais

Poeira de explosão estelar é encontrada na neve da Antártida, diz estudo

Glogo - Ciência Astrônomos da Alemanha e da Áustria analisaram 500 kg de gelo e identificaram resíduos que não são típicos da superfície terrestre. Provavelmente caíram sobre a Terra após uma 'supernova'. Animação da Nasa ilustrando uma explosão supernova. NASA/SOFIA/Symbolic Pictures/The Casadonte Group Um grupo de pesquisadores alemães e austríacos encontrou poeira no gelo da Antártida que, segundo eles, veio de uma explosão estelar. Esse tipo de explosão, chamado "supernova", ocorre no momento da morte de uma estrela. O astrofísico nuclear Dominik Koll afirmou à rede de TV americana CNN nesta terça-feira (20) que os detritos viajaram "bilhões de bilhões de quilômetros pelo espaço e têm milhões de anos". A descoberta foi divulgada em um artigo na revista "Physical Review Letters", em 12 de agosto. O que é uma supernova Segundo a definição da agência espacial dos Estados Unidos (Nasa), uma supernova ocorre quando uma estrela massiva perde combustível para continuar queimando. Ela esfria, e isso faz com que sua pressão interna caia. Também diminui a gravidade e a estrela entra em colapso. "Imagine algo que tem um milhão de vezes a massa da Terra colapsar em 15 segundos", explica a Nasa. Essa explosão emite uma enorme quantidade de poeira e de gás. Imagem de uma supernova capturada pelo telescópio Hubble, da Nasa. NASA, ESA, N. Smith (Universidade do Arizona) e J. Morse (BoldlyGo Institute) Portanto, o que esse grupo de cientistas europeus encontrou foram resíduos de uma explosão desse tipo. Esses materiais ficam viajando pelo espaço até encontrar outro corpo contra o qual colidir -- neste caso, a Terra. Poeira extraterrestre "A Terra é constantemente bombardeada com poeira extraterrestre, contendo informação de valor imenso sobre os processos extraterrestres", diz o estudo. Os astrônomos analisaram 500 kg de neve da Antártida e encontraram tipos de resíduos que não são típicos da superfície da Terra. Eles perceberam isso por meio da análise no teor de ferro. Eles acreditam que essa poeira tenha caído sobre a Terra em algum momento nos últimos 20 milhões de anos. Conforme Koll explicou à CNN, a Antártida foi escolhida para a pesquisa justamente por ser uma região praticamente intocada do planeta, onde seria possível encontrar elementos ainda não estudados pela ciência. Veja Mais

Mulher dá à luz a trigêmeos nos EUA e relata que não sabia que estava grávida

Glogo - Ciência Dannette Giltz deu entrada no hospital em 10 de agosto com suspeita de dores nos rins, mas apenas lá descobriu que estava, na verdade, em trabalho de parto. As bebês Blaze, Gypsy e Nikki. Reprodução/Facebook/Dannette Giltz Uma mulher de Dakota do Sul, nos EUA, deu à luz a trigêmeos sem saber que estava grávida. Segundo a agência Associated Press, Dannette Giltz teria dado entrada no hospital em 10 de agosto com fortes dores abdominais. "Achei que as dores que sentia eram pedras nos rins, que eu já tive antes", disse Giltz à rede CNN. Giltz, que já era mãe de outras duas crianças, disse ao canal de televisão não fazer ideia de que poderia estar com 34 meses de gravidez. Ao todo, o parto das pequenas durou quatro minutos, e cada uma pesou quase 2 kg. Sem saber que estava grávida, jovem dá à luz sozinha dentro de casa em Pirenópolis Sem saber que estava grávida, auxiliar de limpeza dá à luz em shopping de São José, SP As recém nascidas foram batizadas Blaze, Gypsy e Nikki. "Você nunca vê casos de trigêmeos sendo concebidos de maneira natural e menos ainda sem dar nenhum sinal. Ninguém pôde acreditar. Nós ainda estamos em choque", disse Giltz. Veja Mais

‘Quer receber conselhos que não pediu? Fique grávida’

Glogo - Ciência Resposta sarcástica de Jaclene Paolucci a uma estranha, que questionou seu estilo de vida na gestação, repercutiu nas redes sociais. Gravidez Pixabay Aos seis meses de gestação, Jaclene Paolucci já está farta de ouvir conselhos que não pediu e de quem acha que pode tocar sua barriga sem permissão. A gota d'água foi a abordagem de uma desconhecida em uma cafeteria de Nova York – enquanto ela pedia um café com leite, a mulher a interrompeu para sugerir que trocasse o pedido por um descafeinado. Jaclene, de 36 anos, compartilhou com seus mais de 3.000 seguidores no Twitter o que havia acontecido e contou que sua resposta sarcástica – "não estou grávida" – levou a um pedido de desculpas constrangido. Ela ficou surpresa com a quantidade de pessoas que se identificaram com o relato. Até agora, seu tuíte recebeu aproximadamente 5.000 respostas, 78 mil retuítes e quase 700 mil "curtidas". "Descobri que, se você quer receber conselhos não solicitados, deve engravidar", afirmou Jaclene à BBC News. "Parece que no momento em que você engravida, perde a autonomia do seu corpo. As pessoas começam a tocar em você e todo mundo tem uma opinião sobre como você deve agir, o que você deve vestir – tudo." Para ela, as únicas pessoas autorizadas a fazerem isso são a própria mãe e o médico Jaclene conta que se limitava a tomar um café por dia, conforme orientação médica. "E se eu não estivesse grávida?", questiona. "Muitas mulheres têm dificuldade de se livrar da barriga depois do parto." "Comentários como esse podem ser ofensivos, então, a menos que alguém esteja tendo um bebê na sua frente, você não deve se intrometer", acrescenta. Para Jaclene, as pessoas se sentem autorizadas a tomar conta de um "corpo comunitário". "O mais interessante é que, depois de tuitar, muitos dos que discordaram da minha postura eram homens." Entre as milhares de mulheres que responderam, está a médica Tara Chettiar, de Kansas City, especialista em Obstetrícia e Ginecologia. "Eu estava no hospital examinando meus pacientes, há cerca de seis anos, grávida, de uniforme e jaleco branco", relembra. "Quando parei para tomar um café, um membro da equipe disse que eu não deveria estar tomando café. Fiquei surpresa que alguém pudesse dizer isso - muito menos para uma especialista na área." Initial plugin text "Tive que fazer uma pausa e dizer que foi comprovado que é seguro tomar uma pequena quantidade de cafeína após o primeiro trimestre." Tara afirma ouvir diversos relatos de pacientes sobre conselhos que elas recebem sem pedir. "Muitas grávidas ouvem dos outros o tempo todo o que devem fazer, mas vamos deixar uma coisa clara: gravidez não é uma deficiência." Os conselhos são em grande parte bem-intencionados, diz a média, já que todos sentem que podem se conectar. "Família, bebês estão no cerne da experiência humana. Muitas pessoas querem fazer parte da jornada. É a mesma razão pela qual as pessoas também sentem que podem perguntar: 'Quando você vai ter filhos?'" "Porque na cabeça deles, isso é algo que conecta todos nós. Mas, na realidade, essas questões e 'conselhos' fazem as mulheres se sentirem isoladas, diferentes, como se algo estivesse errado com elas." A usuária @ethereumgirl também respondeu ao tuíte, lembrando que tocavam sua barriga o tempo todo durante suas gestações. "As pessoas acham que não tem problema colocar as mãos em uma mulher grávida?!!" Perguntada por que decidiu compartilhar suas experiências no Twitter, ela disse à BBC News: "Acho que o que me atraiu foi essa expectativa indesejada de que quando você engravida pertence à 'sociedade coletiva', que alguns se sentem mais confortáveis ​​de interagir com você de maneiras que seriam socialmente inaceitáveis. " Initial plugin text E isso é algo que Jaclene entende perfeitamente. Em um de seus tuítes, ela escreveu sobre o toque constante na barriga: "É totalmente invasivo. Já é estranho o suficiente você ter um 'ser' dentro de você, usando você como saco de pancadas e parque de diversões, e para completar todo mundo está tocando você do lado de fora". Veja Mais

Dinossauros e companhia: a diversidade de animais do Brasil pré-histórico

Glogo - Ciência Foi no território onde hoje está o Brasil que viveram os primeiros dinossauros; terras brasileiras tiveram papel importante no surgimento e evolução de várias espécies de animais. Purussaurus brasiliensis foi o maior jacaré que já existiu Felipe A. Elias/Paleozoo Brazil É uma longa história a da vida sobre a Terra. Ela começou há cerca de 3,8 bilhões de anos – 800 milhões de anos depois do surgimento do planeta – e não parou mais de se diversificar em milhões de formas, que apareceram, evoluíram, deram origens a outras espécies e desapareceram para sempre. Estima-se que hoje existam cerca de 8,7 milhões de tipos de animais – sem contar os microorganismos –, dos quais não mais que 1 milhão foram descritos e catalogados, o que representa, calcula-se, menos de 1% de todos os que já viveram neste mundo. O território onde hoje está o Brasil teve um papel importante no surgimento e evolução de várias espécies de animais. Foi nele que viveram os primeiros dinossauros e, por isso, provavelmente foi onde surgiu este grupo de animais incônicos, que dominaram o planeta por 160 milhões de anos e foram extintos há 65 milhões de anos, mas ainda fascinam a humanidade. Foi também em terras atualmente brasileiras que viveram o maior e o menor crocodilo e o maior anfíbio de que se tem registro, preguiças terrestres e tatus do tamanho de um carro e um dos maiores felinos que já existiu. Tamanha diversidade de vida que existe e já existiu só surgiu porque a Terra também tem e teve uma variedade muito grande de ambientes, como oceanos, rios lagos, terra firme, savanas, florestas, desertos, montanhas, planícies, geleiras. Todos esses ecossistemas existem há milhões de anos, só que em locais diferentes de onde estão hoje, pois as conformações dos continentes e oceanos eram outras. "Nosso planeta é um sistema dinâmico e que passou por grandes transformações ao longo dos bilhões de anos de sua história", diz o paleontólogo Felipe Alves Elias, da Divisão de Difusão Cultural do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP). Machaeracanthus sp, um pequeno peixe, viveu há 400 milhões de anos Felipe A. Elias/Paleozoo Brazil Pangea, toda a Terra num só supercontinente "Recentemente" – se comparado com a idade da Terra –, por exemplo, no ínicio da era Mesozoica (251 a 65,5 milhões de anos atrás), todos os continentes estavam unidos num só supercontinente, chamado Pangeia, desértico e quente em seu interior, com florestas somente próximas ao litoral e aos grandes rios. No final do Jurássico (199 a 145 milhões de anos atrás), essa massa de terra gigantesca começou a se fragmentar, dando origem a dois grandes continentes, um ao norte a Laurásia, que unia América do Norte, Europa e Ásia, e outro ao sul, Gondwana, formado por América do Sul, África, Madagascar, Índia, Oceania e Antártida. No Cretáceo Inferior (primeira metade do período), por volta de 110 milhões de anos atrás, surgiu o oceano Atlântico, separando a América do Sul da África e dando aos continentes uma conformação semelhante à de hoje. Essa fragmentação de Pangeia teve um grande impacto em todo o planeta e nos seres que viviam nele. Mares surgiram e a geografia e o clima tornaram-se completamente diferentes. Algumas plantas, como samambaias e coníferas, passaram a colonizar antigas regiões secas e desérticas. Foi nesse período que também surgiram as primeiras plantas com flores. Os animais, por sua vez, deslocaram-se para viver em regiões onde havia abundância de água e alimentos. Antes disso, o planeta foi dominado por cerca de 3 bilhões de anos apenas por micro-organismos. Os primeiros organismos invertebrados, que, segundo os pesquisadores, foram as esponjas, só surgiram há 650 milhões de anos. Os vertebrados apareceram ainda mais tarde, há 520 milhões de anos. Cloudina, o primeiro animal com esqueleto do Brasil No Brasil, um dos primeiros registros de vida animal é de Cloudina lucianoi, que viveu na região central do país, no período Ediacarano (630 a 542 milhões de anos atrás), último do Pré-Cambriano (de 4,6 bilhões a 542 milhões de anos atrás). "É dos animais mais antigos do Brasil e que ocorre em diversos locais do mundo, sendo utilizados para correlacionar idades de rochas", explica o paleontólogo Thiago da Silva Marinho, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Se não fosse pela idade, esse bicho não chamaria a atenção, no entanto. Era um pequeno animal marinho, com no máximo 3 centímetros, em forma de concha tubular. Mas é um dos mais antigos metazoários (animais multicelulares) constituído de carapaça externa biomineralizada. Ou seja, está entre os primeiros organismos de que se tem registro a desenvolver esqueletos. Entre os vertebrados que se locomoviam por conta própria, um dos mais antigos encontrados no Brasil é o Machaeracanthus sp. "Este pequeno peixe, que viveu há mais de 400 milhões de anos onde hoje é o Piauí, é uma das mais antigas evidências de animais vertebrados encontradas em território brasileiro", diz Elias. Prionosuchus, o maior anfíbio que já existiu Também na região do Piauí, o Prionosuchus plummeri, que viveu há 270 milhões de anos, não deixaria de se fazer notar. "Era um tipo de anfíbio gigante, com um tamanho estimado de seis metros ou talvez mais", conta o biólogo Marcos André Fontenele Sales, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). "Foi um dos maiores ou o maior animal desse grupo de todos os tempos. Com certeza, ele foi o predador alfa dos ecossistemas aquáticos daquela região na época em que viveu." Bem menor, do tamanho de um cão Labrador moderno, o Chiniquodon theotonicus era um feroz predador, no entanto, que viveu há 235 milhões de anos no interior do Rio Grande do Sul e no norte da Argentina. "Embora relativamente pequeno, sua importância para a ciência é enorme, pois a espécie compartilha de uma ancestralidade comum com os mamíferos - grupo do qual os seres humanos também fazem parte", explica Elias. "Para os paleontólogos, tais animais são essenciais para compreender melhor as origens da nossa linhagem evolutiva e de nossa própria espécie." Uma das espécies mais antigas de dinossauros no Brasil é o Staurikosaurus pricei Felipe A. Elias/Paleozoo Brazil No Brasil, surgem os primeiros dinossauros Pouco depois dessa época, há cerca de 230 milhões de anos, chegou a era dos dinossauros. O Brasil é rico em fósseis deles, tendo sido registradas mais de 20 espécies. Entre elas, uma das mais antigas do mundo - se não a mais antiga – o Staurikosaurus pricei. Com dois metros de comprimento e cerca da metade da altura de um homem, ele viveu há 225 milhões de anos, em meados do Triássico (251 a 199 milhões de anos atrás). Além de ter sido um dos primeiros a viver no país, foi o primeiro fóssil a ser encontrado. Restos do seu esqueleto fossilizado foram descobertos em 1936, pelo paleontólogo brasileiro Llwelllyn Ivor Price, num afloramento rochoso numa fazenda no interior do município de Santa Maria, na região central do Rio Grande do Sul. Por isso, seu primeiro nome significa "lagarto do Cruzeiro do Sul" e o segundo é uma homenagem a seu descobridor. A ele, se juntam três outras espécies, que viveram na mesma época e também foram encontradas no Rio Grande do Sul: Guaibasaurus candelariai, Saturnalia tupiniquim e Unaysaurus tolentinoi. "Essas descobertas são importantes, porque mostram como eram os primeiros dinossauros" explica Marinho. "Além disso, junto com os argentinos, indicam que possivelmente o grupo todo desses animais teve origem na América do Sul." Em épocas mais recentes, também viveram no Brasil representantes gigantes do grupo dos dinossauros. Um exemplo é Oxalaia quilombensis, descoberto no Maranhão, que viveu há 95 milhões de anos, que podia chegar a 14 metros e pesar até sete toneladas. "Ele é parente bem próximo do popular Spinosaurus, estrela do filme Jurassic Park 3", revela Sales. "Foi o maior dinossauro carnívoro já encontrado no Brasil. Apesar disso, muito provavelmente, sua alimentação era principalmente baseada em peixes." O outro é o Uberabatitan ribeiroi, o titã de Uberaba, cujo fóssil foi descoberto neste município e viveu há cerca de 70 milhões - quase no fim da era dos dinossauros. Podendo chegar a 27 metros e pesar mais de 20 toneladas, foi o maior desses animais que viveu no Brasil. "Ele pertencia ao grupo dos saurópodes, aqueles dinossauros herbívoros com pescoço e cauda bastante compridos e cabeça pequena", diz Sales. Tetrapodophis, uma serpente com patas Conterrâneos desses colossos da natureza, perambularam pelo território brasileiro outros animais não menos impressionantes. Um deles foi a serpente Tetrapodophis amplectus, que viveu há 120 milhões de anos na Chapada do Araripe (CE). "Ela representa uma das mais importantes descobertas das últimas décadas, pois preserva a estrutura de quatro membros intactos, o que poderá ajudar os paleontólogos a compreender melhor a origem desse grupo de animais entre os vertebrados terrestres", explica Elias. Há ainda o grupo dos pterossauros, répteis voadores, parentes dos dinossauros, os primeiros animais vertebrados a desenvolverem a capacidade de voo ativo – batendo as asas e não planando. Há registros de mais de 200 espécies, com tamanhos que variavam de alguns centímetros até 12 metros de envergadura (da ponta de uma asa até a da outra). Eles viveram na Terra entre 225 e 66 milhões de anos atrás, na era Mesozoica, e desapareceram sem deixar descendentes entre os animais modernos. Pterossauros, os primeiros animais a voar Um dos que voaram pelos céus brasileiros no passado remoto foi o Tupandactylus imperator, com cinco metros de envergadura, que viveu há 115 milhões de anos, na Chapada do Araripe. Outro foi o Anhanguera santanae, 110 milhões de anos, na Formação de Santana – daí o seu nome – na mesma região. Ele podia medir até cinco metros de envergadura e ter 1,5 metro de altura e pesar 30 kg. Mais recentemente, há 80 milhões de anos, viveu no Paraná – o fóssil foi encontrado em Cruzeiro do Oeste – o Caiuajara dobruskii, uma espécie menor, que atingia cerca de 2,80 metros de envergadura. O que chamava a atenção em todos eles era uma enorme crista, cuja função ainda não é bem conhecida. Um pouco antes dessa época, há 120 milhões de anos viveu o menor crocodilo de que se tem registro na Terra. Com cerca de apenas 60 cm, o Susisuchus anatoceps, como foi batizado, viveu também na Chapada do Araripe e foi descoberto pela paleontóloga Juliana Manso Sayão, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Purussaurus, um jacaré de 15 metros Um parente seu gigante, o Purussaurus brasiliensis, o maior jacaré que já existiu, viveu entre 11 e 8,5 milhões de anos, em um megapantanal que cobria o território ocupado hoje pela Floresta Amazônica. "Com um crânio de mais de 1,2 metro de comprimento e mandíbulas capazes de esmagar um Fusca, ele alcançava facilmente os 15 metros de comprimento", informa Elias. "Suas presas incluíam roedores do tamanho de búfalos e tartarugas com cascos de mais de dois metros de comprimento, que coabitavam as águas daquelas antigas planícies alagadas." Entre essas duas épocas, existiu no sudeste, há 20 milhões de anos, a Paraphysornis brasiliensis. "Ela pertencia a um grupo chamado popularmente de 'aves do terror'", explica Sales. "Essa espécie devia atingir mais de dois metros de altura e possuía um crânio de cerca de 60 cm de comprimento com um bico próprio para matar. Devia estar entre os principais predadores de seu tempo. Imagina fazer um safari naquela época e testemunhar uma ave carnívora de mais de dois metros correndo atrás de várias presas. Certamente não é algo que se vê hoje." Preguiças e tatus do tamanho de um fusca Entre os animais pré-históricos que viveram mais recentemente no Brasil, que se extinguiram há meros 10 mil anos, estão os que pertenceram à chamada megafauna do Pleistoceno (1,8 milhão a 11 mil anos atrás). Entre os mais espetaculares estava o Megatherium americanum, uma preguiça gigante com 6 m de cumprimento e que chegava a três metros de altura, quando erguida nas patas traseiras. Havia várias espécies desses bichos, alguns menores que isso, que caminhavam vagarosamente pelos campos, se alimentando de folhas de arbustos e árvores baixas. Havia também o gliptodonte (Pampatherium paulacoutoi), uma espécie de tatu gigante das savanas, que podia atingir quase o tamanho de um carro, que escavava o solo e comia um pouco de tudo, desde frutos até vermes. Semelhante em tamanho, forma e hábitos aos atuais elefantes, o mastodonte Haplomastodon waringi, foi outro representante da megafauna brasileira, assim como a macrauquênia (Macrauchenia sp.), um herbívoro parecido com um camelo moderno e do mesmo tamanho, mas com uma tromba curta. Tigre-dente-de-sabre, um felino com presas de 30 cm Ainda viveram em terras brasileiras naquela época duas espécies de toxodontes, Toxodon platensis e Trigonodops lopesi, com um tamanho comparável ao de um rinoceronte ou hipopótamo modernos e que se alimentavam de folhas e capim. Entre os predadores chama a atenção o tigre-dentes-de-sabre (Smilodon populator), um felino maior do que leões e tigres modernos, que chegava a pesar 400 kg. Sua característica mais impressionante eram as duas afiadas presas, armas mortíferas com até 30 centímetros de comprimento. Saber da existência desses animais pré-históricos e estudá-los não é mera curiosidade. "As espécies que aqui viveram compõe um grande capítulo da história da vida no planeta Terra", diz a bióloga e paleontóloga Aline Ghilardi, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). "Não investir em pesquisar esta história é como deixar de lado centenas de páginas de um livro, do qual talvez dependa a nossa existência e sobrevivência neste planeta. Este livro não só conta como as coisas foram no passado, mas contêm a sabedoria de muitas espécies que já se foram e têm muito a nos ensinar." De acordo com ela, os pesquisadores têm aprendido cada vez mais sobre o que aconteceu no território do Brasil no passado e descobriram que passos excitantes da história evolutiva da vida se desenrolaram nele, como possivelmente a origem dos próprios dinossauros. "É por isso que o nosso país tem atraído tanta atenção de estudiosos da vida extinta de todo o planeta", diz. "Os olhos do mundo estão voltados para nós. Apesar dos grandes avanços feitos nas últimas décadas, nós apenas arranhamos a superfície deste conhecimento. Temos muito para cavar e para descobrir. Muito para aprender com os mortos, com aqueles que já se foram." Veja Mais

Mancha vermelha em Júpiter é um furacão do tamanho da Terra que encolhe por razão ainda misteriosa

Glogo - Ciência Planeta Júpiter Nasa Semana passada a NASA divulgou sua imagem mais recente do planeta Júpiter. Desde 2014 a agência espacial norte-americana vem fazendo imagens frequentes dos gigantes gasosos do Sistema Solar. O programa, chamado de legado dos planetas exteriores, tem por objetivo monitorar a dinâmica da alta atmosfera de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno com uma foto por ano, pelo menos. As espetaculares imagens de Saturno que mostram suas milhões de 'miniluas' Imagens desses planetas existem já há mais tempo do que isso, especialmente de Júpiter e sua Mancha Vermelha gigante. Na imagem divulgada na semana passada ela está em grande destaque, como você pode ver logo abaixo e, talvez por isso, a informação mais importante que a imagem nos mostra foi negligenciada: a Grande Mancha Vermelha continua encolhendo. Mancha vermelha em Júpiter na verdade é um furacão Nasa A Grande Mancha Vermelha de Júpiter é um poderoso furacão que já dura mais de 300 anos, mas ela deve ser ainda mais antiga. A primeira descrição de uma mancha vermelha em Júpiter foi feita por Robert Hooke em 1664, mas é bem provável que essa mancha não seja a mancha “atual”. Hooke a descreveu como estando no hemisfério norte, mas desde 1665 ela é vista no hemisfério sul. Quem descobriu a mancha “certa” foi o astrônomo italiano Giovanni Cassini. A mancha é um grande furacão que abre um vórtice na alta atmosfera e expõe camadas inferiores das nuvens de Júpiter. Essas camadas têm composição química e temperaturas diferentes, por isso sua cor característica de laranja tijolo. A base desse furacão está em algo como 1.200 km abaixo da superfície visível das nuvens. Isso dá mais ou menos 100 vezes mais profundo do que o mais profundo que se pode chegar em um oceano na Terra. Desde 1830 a mancha vem sendo monitorada ininterruptamente e a cada ano ela encolhe um pouco. Ou muito em se tratando de Júpiter. Eu me lembro que há uns 20 anos eu falava que caberiam entre 2 e 3 Terras na mancha. Essa última imagem do Hubble mostra que agora só caberia uma! Ninguém sabe o que se passa na atmosfera profunda que possa estar causando essa perda de energia na mancha de modo a fazer com que o furacão perca força. A sonda Juno, que recentemente ganhou uma extensão em sua missão de estudar Júpiter, tem instrumentos em micro-ondas que podem registrar o comportamento da atmosfera, medindo sua temperatura por exemplo, até mais ou menos 10 km de profundidade. Isso significa que não temos muitos elementos para fechar uma explicação plausível. Ao que parece esse encolhimento é um processo cíclico e, ao longo dos quase 200 anos de monitoramento contínuo, ela passou por momentos mais majestosos e outros mais humildes de tamanho reduzido. Antes de 1830, há períodos em que ela não é mencionada nas observações, indicando que ela pode ter desaparecido durante um tempo para retornar depois. Todavia, os registros dessa época não são muito precisos, é possível que ela estivesse e ninguém tenha mencionado justamente porque ela sempre esteve lá. De todo modo, se o atual nível de encolhimento se mantiver, é bem possível que em menos de 20 anos ela se torne uma mancha bem menor e circular, ao invés da forma ovalada atual. Isso se não acontecer antes, pois agora em 2019 começou-se a ver que a mancha está se “despedaçando” pelas beiradas. Ainda não houve tempo para avaliar se esse processo continuará ou se é apenas um evento esporádico, mas a persistir, pode ser que a Grande Mancha Vermelha encolha mais rapidamente, podendo até a desaparecer. Tomara que não, né? Consegue imaginar Júpiter sem a Grande Mancha Vermelha? Para mim é um golpe tão duro quanto Saturno perder os anéis. Veja Mais

2020 pode ser o ano da tecnologia voltada para a longevidade

Glogo - Ciência Congresso que será realizado em Londres focará nos avanços da ciência na área do envelhecimento Ano passado, Apple, Amazon, Google, Microsoft e Facebook tiveram 41% do seu faturamento nos Estados Unidos – algo em torno de 150 bilhões de dólares, o equivalente a 600 bi de reais – vinculados ao chamado “mercado da longevidade”. Traduzindo: o público acima dos 50 anos está cada vez mais ativo, presente e sedento de ferramentas e informações voltadas para um envelhecimento saudável. E quando se fala de bem-estar nessa fase da vida, estamos nos referindo a quatro pilares que merecem atenção: físico, mental, social e financeiro. Diante desse cenário, será realizado em Londres, em abril do ano que vem, a segunda edição do Longevity Leaders World Congress. O evento reunirá as maiores autoridades mundiais no campo da longevidade, de cientistas a investidores e CEOs de empresas de seguros. Seus organizadores apostam que 2020 será o ano em que a “age tech”, isto é, a tecnologia a serviço do envelhecimento, ganhará tanta visibilidade quanto as “fintechs”, as startups financeiras que são as queridinhas do mercado. O cientista inglês Aubrey de Grey, um dos participantes do Longevity Leaders World Congress Divulgação O congresso pretende se debruçar sobre um tripé: a ciência do envelhecimento (ageing science) e seu potencial de novos tratamentos que aumentem a expectativa de vida; bem-estar na velhice (ageing well), que inclui os produtos e serviços voltados para este segmento; e os riscos da longevidade (longevity risk), com as métricas do impacto econômico desse processo. Afinal, uma humanidade mais longeva exige saídas para viabilizar que as pessoas tenham a segurança financeira de que precisam. Um dos participantes é Aubrey de Grey, polêmico cientista inglês que trabalha com a proposta de uma medicina regenerativa, capaz de “derrotar” o processo de envelhecimento. Ele esteve na primeira edição, realizada em fevereiro deste ano, e prevê que, em menos de duas décadas, haverá tratamentos capazes de reparar os danos causados pelo passar dos anos antes que se transformem em patologias. Na sua opinião, isso derrubará o que chama de “fatalismo” de imaginar que a idade cronológica avançada de uma pessoa significa que sua vida está perto do fim. “Se não formos nesta direção estaremos condenando um monte de gente a uma morte prematura, e isso para mim é imoral”, diz. Por volta de 2050, haverá no planeta mais gente acima dos 60 do que crianças e jovens entre dez e 24 anos. O poder de consumo dos idosos estará na casa dos 17 trilhões de dólares (a astronômica cifra de quase 70 trilhões de reais), mas o envelhecimento da população mundial terá impacto em todos os setores: trabalho, lazer, finanças, serviços de saúde, educação. As políticas públicas e o mundo dos negócios ainda engatinham quando se trata do tema, mas essa já é uma realidade que demanda ações a serem postas em prática o quanto antes. Veja Mais

Comissão da Câmara aprova projeto que regulamenta a acupuntura

Glogo - Ciência Texto segue para o Senado e define quem poderá exercer a atividade. Federação diz que decisão beneficia cerca de 160 mil profissionais. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (20) um projeto que regulamenta a acupuntura no Brasil. O projeto tem caráter conclusivo, ou seja, seguirá direto para análise do Senado se não houver recurso de parlamentares para que o plenário da Câmara discuta o tema. Pelo texto, poderão exercer a acupuntura os profissionais: com diploma de nível superior em acupuntura expedido por instituição reconhecida; com diploma de graduação expedido por instituições exteriores (o diploma deverá ser validado e registrado); com diploma de nível superior na área de saúde com título de especialista em acupuntura reconhecido por conselho federal; portadores de diploma de curso técnico em acupuntura expedido por instituição reconhecida; sem diploma que comprovarem exercer a profissão há pelo menos cinco anos sem interrupção. De acordo com a federação que representa a categoria, cerca de 160 mil profissionais que poderão se beneficiar da regulamentação. Como foi a sessão Durante a sessão da CCJ, 20 acupunturistas se manifestaram a favor da aprovação do projeto. Segundo o presidente da Federação dos Acupunturistas do Brasil (FENAB), Afonso Henrique Soares, a decisão representa avanço. Crítico ao texto, o deputado Hiran Gonçalves (PP-RR) argumentou que a acupuntura é uma especialidade médica e precisa de conhecimento adequado para a prática. "Nós estamos tratando aqui, presidente, de uma especialidade médica. [...]. Nós estamos, ao tentar regulamentar a profissão de acupunturista para quem não fez medicina, dando o direito de uma pessoa que não tem conhecimento de anatomia, de fisiologia, de neuroanatomia, de neurologia, enfim, de conhecimento, de pré-requisitos necessários para que se pratique uma atividade que envolve inclusive procedimentos invasivos", disse o deputado. Em resposta, o deputado Gilson Marques (Novo-SC) defendeu o projeto e argumentou que o consumidor deve avaliar o profissional. "Tem duas óticas de fazer análise deste projeto. A ótica dos médicos e ótica dos pacientes e consumidores. Eu não tenho dúvida que, para os pacientes, é melhor nós aprovarmos esse projeto de lei. [...]. O que nós precisamos é abrir o mercado. Quem define qual é o bom trabalho, qual é o bom profissional, qual é o bom preço, quem tem mais atendimento, é o consumidor, é o cliente", afirmou. Veja Mais

Brasil tem 1.845 casos de sarampo confirmados até 18 de agosto

Glogo - Ciência O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (20) que o Brasil tem 1845 casos de sarampo confirmados até 18 de agosto. (*Esta reportagem está em atualização) Veja Mais

Anvisa conclui consulta pública sobre plantio de maconha medicinal com 554 contribuições

Glogo - Ciência A agência aprovou, em junho, duas propostas que poderiam regulamentar o cultivo de 'Cannabis sativa' no país. Liberação ainda depende de decisão final da diretoria colegiada. Planta de 'Cannabis sativa', da qual é possível extrair o canabidiol Kimzy Nanney/Unsplash A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recebeu 554 contribuições no processo de consulta pública sobre a possibilidade de liberar o plantio de Cannabis sativa para fins medicinais no Brasil. O prazo para enviar contribuições terminou na segunda-feira (19). A próxima etapa é a análise dessas participações pelos diretores da Anvisa, que tomarão juntos uma decisão final sobre o tema. A agência aprovou, em junho, duas propostas para regulamentar o plantio de maconha no país, caso o processo seja concluído com a liberação. O canabidiol, substância extraída da Cannabis, deixou de ser proibido no Brasil em 2015, para uso em tratamentos e pesquisa científica. Mas, até o momento, o plantio não é permitido. Entenda as propostas sobre o cultivo de maconha no Brasil 'Precisamos oferecer produtos de acesso mais simples', diz diretor da Anvisa Sobre as contribuições recebidas pela Anvisa é possível afirmar que: 92% delas vêm de pessoas físicas, e o restante de pessoas jurídicas; 30% das contribuições foram emitidas no estado de São Paulo; 61% dos que colaboraram se apresentam como "cidadão ou consumidor" do canabidiol; 83% das contribuições é do tipo opinativa, ou seja, apresentam-se a favor ou contra a resolução que aprovaria o plantio da Cannabis. Propostas criam restrições As resoluções da Anvisa manteriam a proibição do plantio de maconha para fins recreativos. Além disso, a autorização para cultivo só seria para pessoas jurídicas -- empresas e entidades do terceiro setor, por exemplo. A proposta prevê muitas restrições no cultivo, desde a segurança do local do plantio, manipulação, armazenamento, transporte, distribuição e descarte. O canabidiol vem sendo importado e já bastante usado no tratamento de várias doenças. Porém, entre as dificuldades em sua utilização estão a demora para o transporte do produto, que pode levar meses para chegar dos Estados Unidos ou da Europa, e seu custo elevado -- em alguns casos uma caixa pode custar mais de R$ 3 mil. O que há de verdade e exagero sobre os benefícios do canabidiol As duas propostas da Anvisa foram aprovadas em votação unânime pelos quatro diretores da área técnica da agência, após reunião colegiada. O passo seguinte foi a abertura de uma consulta pública sobre o tema, cujo prazo termina na segunda-feira (19). Depois da avaliação das respostas, os diretores devem voltar a se reunir e apresentar o seu parecer final. A primeira proposta é de uma resolução que regulamenta os requisitos técnicos e administrativos para o cultivo da cannabis para fins medicinais e científicos. Já a segunda é uma proposta de resolução para definir procedimentos específicos para registro e monitoramento de medicamentos à base de Cannabis sativa ou seus derivados e análogos sintéticos. Governo federal é contra Em diversas ocasiões, o governo federal sinalizou posição contrária à liberação do plantio de Cannabis, mesmo que para fins medicinais. Em entrevista à rádio CBN na sexta-feira (16), o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, declarou que o governo do presidente Jair Bolsonaro não é contrário à importação do canabidiol nem à sua formulação em medicamentos ou tratamentos de saúde no Brasil. Porém, segundo Lorenzoni, permitir o plantio da maconha no país pode "abrir as portas para a legalização das drogas". E, em audiência que debatia a regulamentação da maconha para fins medicinais no Brasil, em 10 de julho, também o ministro da Cidadania, Osmar Terra, declarou que a liberação do plantio da cannabis estimula o "consumo generalizado" de drogas. "Se não se controla com a proibição, imagina controlar no detalhe? É o começo da legalização da maconha no Brasil", disse. Veja Mais

Uma em cada sete crianças de 5 anos não está imune ao sarampo no Reino Unido

Glogo - Ciência Agência de saúde pública alerta que a cobertura vacinal da segunda dose está em apenas 87,4%, quando deveria ser 95%. A vacina tríplice viral também protege contra caxumba e rubéola. Centenas de milhares de alunos devem voltar às aulas após as férias de verão na Europa, mas uma em cada sete crianças de cinco anos de idade podem não estar imunizadas contra o sarampo. O alerta foi feito nesta segunda-feira (19), pela agência de saúde pública do país, a "Public Health England" (PHE). Na cidade de Londres, o problema é ainda maior: 1 em cada 4 crianças deixaram de tomar a vacina tríplice viral, que protege também contra caxumba e rubéola. Embora a cobertura da primeira dose da vacina esteja acima dos 95% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), para a segunda dose o índice está bem abaixo do ideal no país, em 87,4%. No Reino Unido, a primeira dose da vacina geralmente é dada aos 12 meses de idade. A segunda dose é aplicada antes das crianças irem para a escola, aos 3 anos e 4 meses de idade. Numa situação normal, duas doses da vacina são suficientes para que uma pessoa esteja protegida contra o sarampo. Em casos de surto, os governos podem recomendar uma terceira dose de reforço. O Reino Unido tem 680 mil crianças com 5 anos que devem começar as aulas em setembro, das quais 30 mil ainda não receberam nem a primeira dose da vacina. Outras 90 mil ainda precisam receber a segunda aplicação. Veja Mais

Pássaros que imitam flores, animais 'daninhos' e outras insólitas criaturas do futuro na Terra

Glogo - Ciência Que seres poderiam se desenvolver em 100 milhões de anos, diante do que sabemos sobre a vida no planeta hoje e os princípios da evolução? Imitar flores seria uma nova forma de um pássaro atrair insetos para comê-los Emmanuel Lafont No início dos anos 1980, o escritor Dougal Dixon publicou "After Man: A Zoology of the Future" (Depois do homem: Uma zoologia do futuro, em tradução livre), em que imaginava como os animais seriam daqui a milhões de anos. Dixon escreveu sobre musaranhos que usam caudas como paraquedas, macacos voadores, cobras muito compridas que atacam pássaros em pleno voo, marsupiais planadores que empalam suas presas com longos espinhos no peito, pássaros com cara de flor e morcegos que enganam insetos polinizadores para pousar em suas bocas famintas. Décadas depois, Dixon diz que seu livro não foi uma tentativa de prever o futuro, mas sim uma exploração de todas as possibilidades do mundo natural: "Livros sobre evolução parecem sugerir que a evolução é algo do passado. Mas a evolução está ocorrendo hoje e continuará a ocorrer no futuro, muito depois de termos partido." Embora o livro de Dixon seja uma obra de ficção, a maioria dos biólogos concorda que, daqui a milhões de anos, a Terra será um lugar muito diferente. "Acho que vai parecer um planeta alienígena", diz Athena Aktipis, bióloga evolucionária da Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos. Qualquer que seja essa evolução, seu resultado parecerá estranho e improvável para nós hoje - assim como o mundo atual, dominado por mamíferos, teria parecido improvável do ponto de vista dos dinossauros. Então, como será a vida no futuro? Que criaturas poderão se desenvolver em, digamos, 100 milhões de anos, dado o que sabemos sobre a vida na Terra e os princípios da evolução? Vamos começar retrocedendo milhões de anos, para uma era muito mais antiga de nosso planeta. Na explosão Cambriana, há cerca de 540 milhões de anos, a Terra passou a ser povoada por criaturas "esquisitas", de acordo com Jonathan Losos, um biólogo evolucionário da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. "O Folhelho Burgess [no Canadá] era habitado por um verdadeiro bestiário", escreve ele em "Improbable Destinies: Fate, Chance e Future of Evolution" (Destinos improváveis: Destino, acaso e futuro da evolução, em tradução livre). Animais do gênero Hallucigenia, com seu corpo fino, parecido com um tubo, coberto por fileiras de espinhos enormes e apêndices semelhantes a garras, eram "algo como um episódio de uma série de ficção científica". Não é impossível que criaturas evoluam para formas tão estranhas e incomuns quanto essa no futuro. "Qualquer coisa que consideramos hoje plausível evoluiu a partir de algum lugar em algum ponto de alguma espécie. Com tempo suficiente, até mesmo o improvável pode ocorrer", argumenta Losos. Segundo ele, as possibilidades biológicas são vastas, e talvez ainda não tenhamos visto tudo. "Não estou nem um pouco convencido de que a vida na Terra tenha descoberto todos os modos e formas imagináveis de existir", escreve Losos. Animais do futuro podem ter que se adaptar a um mundo mais poluído Emmanuel Lafont O homem como força evolucionária Ainda assim, é difícil prever quais dessas possibilidades podem ser alcançadas. O livro de Losos analisa os argumentos a favor e contra a previsibilidade da evolução - a questão de saber se o curso da história se repetiria se voltássemos no tempo. Há evidências conflitantes, e simplesmente não sabemos até que ponto a evolução é previsível e repetível durante longos períodos de tempo. Acrescente a isso um elemento de acaso - uma enorme erupção vulcânica ou um asteroide atingindo a Terra -, e previsões se tornam quase impossíveis. No entanto, podemos fazer suposições. Primeiro, no entanto, devemos abordar o impacto de uma grande força evolucionária que já está transformando a vida em todo o mundo: o Homo sapiens. Se humanos prosperarem por milhões de anos, terão um efeito marcante na evolução futura, e a seleção natural produzirá novas variedades de vida para lidar com os ambientes que criaremos. "Veja a evolução do bico de um pássaro que se especializou em se alimentar de latas, ou ratos que desenvolveram uma pele oleosa para se proteger de água tóxica", escreve Peter Ward, paleontólogo da Universidade de Washington, em Future Evolution (Evolução Futura, em tradução livre). Ward prevê oportunidades para novos tipos de criaturas resistentes e adaptáveis que não se importam em viver no entorno de humanos e são capazes de fazer uso de seu mundo, como gatos domésticos, ratos, guaxinins, coiotes, corvos, pombos, estorninhos, pardais, moscas, pulgas, carrapatos e parasitas intestinais. Em um planeta mais quente e seco por influência dos seres humanos, a falta de água doce também pode levar a adaptações. "Imagino animais que evoluam para capturar a umidade do ar", diz Patricia Brennan, bióloga evolucionária do Mount Holyoke College, em Massachusetts, nos Estados Unidos. "Animais maiores podem desenvolver abas de pele que podem ser estendidas no início da manhã para tentar capturar a umidade. As dobras do pescoço de alguns lagartos, por exemplo, podem se tornar muito grandes para coletar água dessa maneira." Em um mundo mais quente, Brennan também prevê o surgimento de mamíferos e pássaros pelados: "Mamíferos podem perder o pelo em algumas áreas e coletar água com bolsas de pele. Em um planeta em aquecimento, animais endotérmicos [aqueles que geram seu próprio calor] podem enfrentar dificuldades, então, as aves em climas mais quentes podem perder penas para evitar o superaquecimento, e os mamíferos podem perder a maior parte da pelagem." Humanos do futuro também podem decidir manipular diretamente a vida - na verdade, isso já está acontecendo. Como a pesquisadora Lauren Holt escreveu para a série Civilização Profunda, da BBC Future, no início deste ano, a trajetória da vida na Terra poderia ser "pós-natural". Nesse cenário, a engenharia genética, a biotecnologia e a influência da cultura humana poderiam redirecionar a evolução para caminhos radicalmente diferentes, como drones de polinização. A evolução da vida seria entrelaçada com os desejos e necessidades da humanidade. Com tempo suficiente, combinações estranhas e sem precedentes são possíveis Emmanuel Lafont O papel das extinções em massa No entanto, existem caminhos alternativos para a evolução: por exemplo, nossos descendentes podem decidir reordenar a natureza e deixar a evolução natural seguir seu curso, ou os humanos podem ser extintos (como é o cenário de "After Man"). A extinção, em particular, pode levar a inovações evolutivas radicais. Em essência, uma extinção em massa reconfigura o relógio evolucionário, argumenta Ward. Após as extinções em massa anteriores, diz ele, plantas e animais mudaram radicalmente. A extinção do período Permiano, cerca de 252 milhões de anos atrás, eliminou mais de 95% das espécies marinhas e 70% das espécies terrestres, incluindo répteis com barbatanas e outros seres enormes que dominavam a Terra na época. Isso abriu espaço para que os dinossauros evoluíssem e se tornassem os animais terrestres dominantes, um resultado tão improvável e inesperado quanto a invasão de mamíferos após a extinção em massa dos dinossauros. "Não foi apenas uma simples mudança, mas uma transformação profunda", escreve Ward. "As extinções em massa fizeram mais do que apenas mudar o número de espécies na Terra. Elas também mudaram a composição do planeta." Após uma extinção, alguns biólogos acreditam ser possível que surjam novas formas de vida tão diferentes que nem imaginamos como poderiam ser. Nos primeiros bilhões de anos de vida na Terra, por exemplo, animais que respiram oxigênio seriam inconcebíveis, porque esse gás era escasso, e as células não evoluíram para usá-lo como energia. Isso mudou para sempre há cerca de 2,4 bilhões, quando a chegada das bactérias fotossintetizadoras levou à primeira extinção em massa da Terra. "Os micróbios fizeram com que todo o planeta tivesse oxigênio, e isso criou uma enorme mudança", diz Leonora Bittelston, bióloga evolucionária do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos. "Houve muitas inovações que poderiam ter sido difíceis de prever, mas, uma vez que começam a acontecer, elas mudaram nosso planeta." Imagine um sapo evoluindo para um novo tipo de animal flutuante que habita a atmosfera mais baixa Emmanuel Lafont Um mundo pós-humano Então, sem os humanos à vista, quão selvagens e sofisticados os outros seres vivos se tornariam daqui a 100 milhões de anos? Árvores começariam a andar ou a se alimentar de animais depois de matá-los com fumaça tóxica ou dardos venenosos? Aranhas se mudariam para a água e usariam teias para pescar sardinhas, enquanto peixes aprenderiam a voar para se alimentar de insetos e pássaros? Animais que habitam as profundezas do mar poderiam projetar hologramas brilhantes de si mesmos para enganar predadores, atrair presas ou impressionar possíveis parceiros? Talvez orcas e bagres recuperem a capacidade dos seus antepassados de andar sobre a terra para caçarem? Poderíamos também ver organismos se estabelecerem em habitats anteriormente pouco explorados: por exemplo, fungos venenosos gigantes que flutuam no ar, como uma água-viva no mar, consumindo tudo que encontram pela frente? Ou insetos e aranhas construiriam ninhos de seda nas nuvens para se alimentar de organismos fotossintetizantes no céu? E, se plantas ou micróbios desenvolvessem uma espécie de painel solar para concentrar a luz do sol, oásis de vida poderiam surgir nas geleiras glaciais? Nenhuma dessas criaturas fantásticas parece impossível, diz Aktipis. Muito disso se baseia no que já existe na natureza: há aranhas que navegam e planam, há vida microbiana nas nuvens, e o tamboril do fundo do mar usa esferas bioluminescentes para atrair presas. Algumas populações de orcas e bagres chegam bem próximos da praia para caçar animais, e pequenos oásis de já vida florescem no gelo, onde há resíduos de fuligem, pedras e micróbios. Jo Wolfe, uma bióloga evolucionária da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, observa que algumas árvores são capazes de "caminhar" muito lentamente em direção a fontes de água, e pensa ser possível que evoluam para caçar usando gases venenosos ou até ramos pontiagudos. Afinal, já temos plantas carnívoras que usam armadilhas venenosas. Ela também aponta para a existência de aranhas que comem peixes, e diz que os micróbios que habitam as nuvens podem evoluir da multidão de pequenos organismos conhecidos como Prochlorococcus que vivem nas partes mais elevadas do oceano. Na natureza, muitas vezes são necessárias adaptações para viver em ambientes extremos. A Terra já tem muitos destes, e isso não vai mudar. Por exemplo, o tamboril macho respondeu à terrível escassez de potenciais parceiros no oceano profundo. Quando encontra uma fêmea, ele se funde ao seu corpo. "É tão improvável que ele volte a se deparar com outra fêmea que simplesmente se torna um estoque de esperma para ela", diz Kristin Hook, ecologista comportamental da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. "Então, poderemos ver animais fazendo mais coisas assim, e, com o tempo, imagino que a seleção favorecerá animais que poderão se autofecundar quando achar parceiros for quase impossível." Com base no que sabemos sobre a natureza, também não devemos presumir que as futuras criaturas permanecerão confinadas aos seus habitats atuais. A bioquímica Lynn Caporale aponta que alguns peixes "voadores" já podem pegar insetos (e até pássaros), e alguns peixes conseguem andar sobre a terra e até escalar árvores. Mesmo lulas ocasionalmente voam acima da superfície do oceano, usando jatos de água como propulsão e barbatanas que funcionam como asas. Essa possível troca de habitat leva a algumas possibilidades bastante fantásticas. Pense num sapo cuja garganta incha como um grande saco de gás usado para fazer atrair fêmeas para acasalamento. Em seu livro, Ward imagina que ele se torna um novo tipo de animal flutuante que habita a atmosfera. O sapo poderia evoluir para produzir hidrogênio fora da água e armazená-lo em sua garganta, ajudando-o a pular e flutuar no ar. Suas pernas - não mais necessárias para andar - poderiam se tornar tentáculos usados para a alimentação e cresceriam para evitar serem comidos - talvez até maiores que uma baleia. Estes animais, diz Ward, ainda são "ficção", "mas existe um lampejo de realidade nesta fábula". Certa vez, houve um primeiro organismo voador e o primeiro organismo nadador, e sabemos que outras espécies evoluíram a partir deles, já que a inovação permitiu que eles fossem para um habitat ao qual nunca haviam tido acesso antes. Dado que nossa compreensão da evolução e da genética é incompleta e que isso provavelmente dependerá de eventos fortuitos, ninguém pode saber ao certo como será a vida futura. Escolher os vencedores evolutivos do futuro é como fazer apostas no mercado de ações ou prever o tempo, escreve Ward. Temos alguns dados para fazer suposições, mas também há um grande grau de incerteza: "As cores, os hábitos e as formas da fauna do futuro só podem ser imaginados." Losos concorda. "No fim do dia", diz ele, "o possiblidades são tão amplas e incertas que é realmente inútil especular sobre a vida futura, que pode seguir por muitos caminhos diferentes." Mas, se a estranheza da vida atual é um guia, não devemos descartar a possibilidade de que a evolução futura possa trilhar caminhos verdadeiramente espantosos. E mesmo a diversidade natural atual permanece inexplorada. De fato, Dixon observa que várias das criações "puramente especulativas" que ele descreveu em Afterman foram depois descobertas: por exemplo, morcegos que caminham e cobras que podem pegar morcegos do ar. Como ele refletiu em seu livro: "Muitas vezes, me deparei com um novo desenvolvimento ecológico ou evolucionário e pensei: 'Se eu tivesse colocado isso em After Man, todos teriam rido'". Veja Mais

Os vilões do estômago: seis hábitos que atrapalham a digestão

Glogo - Ciência Mudar atitudes simples pode reduzir o desconforto após comer. Cólicas, gases e estufamento são alguns problemas que podem ocorrer quando a digestão não ocorre facilmente. Shutterstock Comer é um prazer, mas a sensação que chega logo depois nem sempre é tão agradável assim. Azia, desconforto, estufamento e gases são sintomas que podem aparecer quando a refeição não cai bem. Como evitar as cólicas e as dores abdominais “Não há nada que atrapalhe a digestão a ponto de ela não ocorrer, mas alguns hábitos e alimentos podem tornar esse processo um pouco mais desconfortável”, alerta Ana Cristina Amaral, professora do departamento de gastroenterologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Para ajudar você a ficar de bem com seu estômago, o G1 listou quais são os principais hábitos inimigos da boa digestão. Confira. 1. Não mastigar bem os alimentos A gente até aprendeu na escola que a digestão começa na boca com a mastigação, mas nem sempre lembra disso na pressa de comer. “É um passo fundamental. Além de quebrar os alimentos fisicamente, mastigar diversas vezes permite que as enzimas presentes na boca iniciem o processo de digestório”, afirma o gastroenterologista Décio Chinzon, secretário geral da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Quando você não mastiga com calma sua comida, a digestão se torna mais trabalhosa para o estômago e tende a demorar mais, o que pode causar desconfortos. 2. Comer muito rápido Esse é outro hábito comum de quem dedica pouco tempo para as refeições e que pode gerar consequências desagradáveis. Comer com muita pressa faz com que o estômago distenda rapidamente, provocando dor e prejudicando a digestão. “Normalmente, quem come rápido também costuma falar enquanto come e acaba deglutindo muito ar com o alimento. Isso também distende o estômago, o que pode deixar a pessoa inchada, com vontade de arrotar e aquela sensação de estar ‘cheia’”, complementa a professora da Unifesp Ana Cristina Amaral. 3. Ingerir muito líquido durante a refeição Beber enquanto come não faz mal, mas não dá para exagerar. “Quando se faz uma ingestão de muito volume, o estômago fica distendido e pode gerar desconforto”, diz a professora Ana Cristina. A quantidade limite de bebida varia de pessoa para pessoa - e também do quanto você comeu junto. As bebidas gaseificadas, inclusive a água, tendem a distender ainda mais o estômago. 4. Deitar logo depois de comer Não é lenda: é sempre bom permanecer de pé ou sentado após as refeições. O efeito da gravidade ajuda a conduzir os alimentos para o lugar certo. “Principalmente quem tem refluxo precisa esperar uma ou duas horas para deitar”, recomenda Ana Cristina. Ou seja: aquele cochilo depois do almoço só está liberado se for encostado, não deitado. 5. Usar roupas muito apertadas na barriga Não é à toa que abrir o botão da calça depois de comer dá uma sensação de alívio. “Roupas apertadas na altura do estômago comprimem a câmara gástrica, dificultando a sua expansão”, afirma Décio Chinzon, gastroenterologista da FBG. 6. Exagerar no consumo de alguns alimentos Eles não estão proibidos (pelo contrário, são nutricionalmente importantes para a saúde), mas é sempre bom não exagerar no consumo de alimentos como feijão, brócolis, repolho, couve-flor, lentilha e grão-de-bico. “Eles são ricos em um tipo de carboidrato chamado rafinose, e o nosso organismo não tem enzima suficiente para fazer a digestão desse carboidrato. Esses alimentos acabam sendo fermentados no intestino, o que gera a produção de gases”, diz a professora da Unifesp. Na hora de montar o prato, evite também os alimentos muito gordurosos e as frituras. E lembre-se de sempre fazer pequenas refeições ao longo do dia. “Chegar em casa esfomeado à noite, fazer um prato enorme e se deitar em seguida: essa é a fórmula do desastre”, comenta Chinzon. Veja Mais

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O desenho secreto encontrado sob uma das obras-primas de Leonardo Da Vinci 

Glogo - Ciência A National Gallery diz que as descobertas dão "uma nova visão" sobre a mente criativa do artista. Desenho secreto encontrado sob o quadro Virgem das Rochas, uma das obras-primas de Leonardo Da Vinci  National Gallery Uma análise em uma das obras mais famosas de Leonardo da Vinci revelou novas informações sobre uma composição escondida sob a pintura. Especialistas encontraram projetos iniciais para o anjo e o menino Jesus sob a superfície da pintura Virgem das Rochas. Os desenhos são significativamente diferentes da pintura final, que fica na National Gallery, em Londres. Os traços ocultos foram revelados usando um sistema de raio-X e imagens infravermelhas e hiperespectrais. Uma descoberta anterior, de 2005, revelou que a postura da Virgem havia sido alterada, mas havia apenas indícios das outras figuras. De acordo com o chefe de conservação da National Gallery, Larry Keith, as descobertas "dão uma nova visão de como Da Vinci estava pensando". A pesquisa revela que o anjo e o Cristo bebê foram originalmente posicionados mais acima no desenho, com o primeiro voltado para fora e olhando para baixo. Não se sabe por que Leonardo abandonou sua composição original. Desenho original descartado por Leonardo Da Vinci na produção da obra-prima Virgem das Rochas National Gallery Keith disse à BBC que a descoberta se encaixa "em uma narrativa mais ampla sobre ele como um artista que estava sempre mudando, ajustando e revisando suas pinturas". Marika Spring, chefe de ciência da National Gallery, disse: "Em 2005, a figura da Virgem ficou muito clara. Desta vez pudemos ver um anjo e um menino Jesus que não foi possível ver antes. Podíamos ver algumas linhas, mas não conseguíamos ver o que era". "Nós conseguimos ver parte da composição e agora temos muito mais compreensão de todo o arranjo do grupo", disse Keith. Leonardo da Vinci foi contratado para pintar a Virgem das Rochas para decorar um retábulo de capela em Milão em 1483. Seu título completo é "A Virgem com o Menino São João Batista, adorando o Menino Jesus, acompanhados por um Anjo". Uma versão diferente da pintura está no museu Louvre, em Paris. As duas versões foram reunidas para uma exposição em 2011. A Virgem das Rochas será o foco de uma exposição "imersiva" ainda este ano, que investigará a pintura "e a mente inventiva que a criou". A exposição vai de 9 de novembro a 12 de janeiro, na National Gallery, no centro de Londres. Virgem das Rochas, uma das obras-primas de Leonardo Da Vinci National Gallery Veja Mais

Dentadura é encontrada na garganta de homem uma semana após cirurgia

Glogo - Ciência Homem de 72 anos descobriu objeto seis dias após cirurgia para remover caroço inofensivo de sua parede abdominal em 2018, quando disse que não conseguia ingerir alimentos sólidos. Médicos encontraram dentadura de homem em sua garganta oito dias após cirurgia no abdômen Divulgação/BMJ Case Reports 2019 A dentadura de um paciente ficou presa em sua garganta durante uma operação de rotina e só foi encontrada depois de oito dias. O homem de 72 anos queixou-se de dificuldades de deglutição e estava tossindo sangue antes que os médicos encontrassem a prótese. Ele visitou o Hospital Universitário James Paget, em Norfolk, diversas vezes depois de passar por uma cirurgia e transfusões de sangue para corrigir as complicações de um procedimento no abdômen. Detalhes do caso foram publicados na revista "BMJ Case Reports", na qual os autores recomendam que dentaduras sejam retiradas antes da anestesia geral. Dificuldades para comer Seis dias após a cirurgia para remover um caroço inofensivo de sua parede abdominal em 2018, o homem foi ao departamento de emergência britânico e disse aos médicos que não conseguia ingerir alimentos sólidos. Os médicos acreditavam que o problema era causado por uma infecção respiratória e os efeitos colaterais de ter um tubo colocado em sua garganta durante a cirurgia, e prescreveram antibióticos e esteroides. A obstrução na garganta causou dificuldades para o homem comer, respirar e dormir Divulgação/BMJ Case Reports 2019 Quando o homem voltou, dois dias depois, a equipe médica examinou mais detalhadamente e encontrou um objeto semi-circular sobre as cordas vocais. Ele então disse aos médicos que havia perdido sua dentadura - três dentes falsos e uma placa dentária - durante o tempo em que ficou no hospital para a cirurgia. Após a cirurgia para remover as próteses, ele recebeu alta, mas retornou mais quatro vezes com sangramento. Enquanto os cirurgiões cauterizavam a ferida em sua garganta, ele perdeu tanto sangue que precisou de uma transfusão. Os autores do relatório disseram que há outros casos documentados de próteses engolidas durante a anestesia. A presença de quaisquer tipos de dentadura ou placas dentárias deve ser registrada antes e depois da cirurgia, acrescentaram. Hazel Stuart, diretora médica do Hospital Universitário James Paget, disse que uma investigação completa foi realizada. "Como resultado disso, os procedimentos foram revisados, alterados conforme necessário, e as lições aprendidas foram compartilhadas com a equipe", disse ela. Veja Mais

Brasil tem 1.388 casos de sarampo em 2019; 95% deles estão em São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro e Paraná

Glogo - Ciência Veja a lista das 53 cidades do país com surto da doença. Faixa etária com maior número de casos é a de 20 a 29 anos, com 37% dos registros. 70% do público alvo ainda não se vacinou contra o sarampo em São Paulo Desde a primeira semana de 2019, o Brasil registrou 1.388 casos confirmados de sarampo, sendo que 1.322 deles (95,2%) ocorreram no Rio de Janeiro, em São Paulo, na Bahia e no Paraná, que apresentam surto da doença (veja a lista das cidades abaixo). O restante, 66 infecções (4,8%), ocorreram nos outros estados do Brasil. Os dados são do Ministério da Saúde e divulgados nesta quarta-feira (14). O sarampo é uma doença extremamente contagiosa causada por um vírus do gênero Morbillivirus, da família Paramyxoviridae. A transmissão pode ocorrer por meio da fala, tosse e/ou espirro. O quadro de infecção pode ser grave, com complicações principalmente em crianças desnutridas ou com sistema imunológico debilitado. Sarampo: tire dúvidas sobre a vacina disponível no SUS Sarampo: você está em dia com a sua vacina? As últimas onze semanas epidemiológicas (20 a 31) apresentaram uma disparada no número de casos confirmados, intensificada pelo estado de São Paulo. Durante este período, 1.226 novos pacientes com a doença foram recebidos pelas unidades de saúde, sendo que 1.220 eram infecções ocorridas em território paulista. Como é possível ver no gráfico acima, 99,5% dos novos casos que ocorreram desde o início de maio no Brasil estão em São Paulo. Apenas na última semana, o estado teve uma alta de 36% no número de infecções. Os dados da Secretaria Estadual da Saúde paulista apontam que a capital tem 75,5% desses pacientes. Vacina do sarampo Há uma campanha de vacinação nos estados brasileiros com surto, com doses disponíveis nas unidades do Sistema Único de Saúde. A população com idade entre 20 e 29 anos é a mais afetada até agora e, por isso, tem prioridade na imunização. Nenhum dos estados com maior número de casos atingiu a cobertura vacinal de 95% da tríplice viral. A vacina garante a imunização contra sarampo, caxumba e rubéola em crianças de um ano de idade. Rio de Janeiro tem o menor índice, com 51,23% do grupo infantil protegido; depois, temos Bahia, com 61,69%; São Paulo, com 74,65%; e Paraná, com 89,53%. Preciso tomar? Cada estado tem uma campanha em curso. São Paulo quer vacinar 4,4 milhões de jovens de 15 a 29 anos. Até 8 de agosto, apenas 1,2 milhão de pessoas dessa faixa etária estavam protegidas – o número representa 27% da meta. A vacina não é restrita ao público jovem – eles são o foco para garantir uma barreira de proteção contra o vírus enquanto há o surto. Veja abaixo quem pode/deve e quem não pode/deve receber uma dose contra o sarampo: Bebês com menos de 6 meses: contraindicada a vacina em quaisquer circunstâncias. Bebês de 6 meses a 1 ano de idade: devem tomar a vacina, dependendo da orientação. municipal. Alguns municípios do estado de São Paulo, Rio de Janeiro e a cidade de Salvador estão recomendando. Para informações, consulte o site. Crianças de 12 meses: deve ser dada uma dose. Crianças de 15 meses: devem receber a segunda dose. Crianças e Adolescentes que só tomaram uma dose: devem receber a segunda dose. Adolescentes e adultos jovens, de 15 a 29 anos, no Município de São Paulo: devem receber mais uma dose, independentemente do número de doses anteriores. Pessoas até 29 anos de idade, em geral: devem ter 2 doses na vida, com intervalo de 1 mês entre elas. Pessoas entre 30 e 50 anos de idade: devem fazer 1 dose se não souberem seu estado vacinal. Idealmente devem ter duas doses feitas na vida. Pessoas com 60 anos ou mais de idade: não precisa ser vacinado. Mas não há limite de idade para receber a vacina. Idosos podem receber a vacina. Lista de cidades com surto da doença São Paulo: Aspasia Atibaia Barueri Caçapava Caieiras Campinas Capela Do Alto Carapicuíba Diadema Embu Fernandópolis Franca Francisco Morato Franco Da Rocha Guarulhos Hortolândia Indaiatuba Itapetininga Itaquaquecetuba Itu Jales Jose Bonifácio Jundiaí Mairiporã Marilia Mauá Mogi Das Cruzes Osasco Pindamonhangaba Piracaia Poá Praia Grande Ribeirão Pires Ribeirão Preto Rio Grande Da Serra Santo André Santos São Bernardo Do Campo São Caetano Do Su São Jose Do Rio Preto São Jose Dos Campos São Paulo Sertãozinho Sorocaba Sumaré Taboão Da Serra Taubaté Valinhos Votorantim Rio de Janeiro: Nilópolis Paraty Bahia: Salvador Paraná: Campina Grande do Sul Veja Mais

O teste que analisa movimento dos olhos e revela quando mentimos

Glogo - Ciência O teste, chamado de ConFace, rastreia os movimentos oculares enquanto a pessoa observa imagens na tela do computador. Teste analisa olhos para detectar quando pessoa está mentindo Pexels Você pode dizer se uma pessoa está mentindo apenas olhando nos olhos dela? Sim, de acordo com pesquisadores da Universidade de Stirling, na Escócia. Desde que você use o teste que eles desenvolveram e que, segundo eles, estuda o movimento dos olhos das pessoas e pode detectar sinais quando orientado a reconhecer rostos. Na pesquisa, os que mentiram não conseguiram esconder sua reação quando lhes foi mostrada uma imagem de um rosto familiar. O teste, chamado de ConFace, rastreia os movimentos oculares enquanto a pessoa observa imagens na tela do computador. É parecido com um método usado pela polícia no Japão para testar suspeitos. O projeto ConFace foi liderado por Ailsa Millen, pesquisadora de psicologia da Universidade Stirling, que disse que o teste pode ajudar a polícia especialmente para saber se uma pessoa está mentindo para proteger a identidade de um criminoso. Olha o tamanho do nariz! Será que o Pinóquio mentiu um bocado no carnaval? Aldo Carneiro/Pernambuco Press "Os policiais costumam apresentar fotos de rostos de suspeitos para estabelecer identidades em crimes", disse ele. "Algumas testemunhas são honestas, mas muitas são hostis e intencionalmente escondem seu conhecimento em relação a identidades." "Por exemplo, redes criminosas, como grupos terroristas, poderiam negar o que sabem para proteger uns aos outros. Ou uma vítima pode ter medo de identificar seu agressor". 'Marcadores de reconhecimento' Os pesquisadores usaram um processo conhecido como teste de informação oculta (CIT, por sua sigla em inglês), que rastreia os movimentos dos olhos. Em cada teste, os participantes negaram conhecer uma identidade que lhes era familiar e rejeitaram rostos desconhecidos pressionando um botão e dizendo "não". Descobriu-se que a maioria das pessoas não conseguia esconder sua reação ao reconhecer um rosto. E quanto mais as pessoas tentavam esconder seus conhecimentos, mais "marcadores de reconhecimento" eram produzidos. "O objetivo principal era determinar se pessoas mentindo poderiam esconder o reconhecimento seguindo as instruções para olhar para cada rosto, familiar e desconhecido, usando a mesma sequência de fixações oculares. Em resumo, elas não podiam." Veja Mais

Emissão de gases de efeito estufa na atmosfera atingiu novo recorde histórico em 2018, diz estudo

Glogo - Ciência Relatório anual compilado por centenas de cientistas traz os principais fenômenos climáticos registrados pelo mundo em 2018, que está entre os quatro anos mais quentes em mais de um século, junto com 2015, 2016 e 2017. Relatório divulgado nesta segunda mostra que a emissão de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono, seguiu aumentando em 2018 Luiz Souza/NSC TV O Planeta Terra bateu um novo recorde de emissão de gases de efeito estufa na atmosfera em 2018. Segundo o relatório "Estado do Clima 2018", divulgado nesta segunda-feira (12) no Boletim da Sociedade Americana de Meteorologia, a emissão de gases como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso seguiu aumentando e, combinados com outros gases conhecidos como halogenados, já têm um efeito de aquecimento 43% maior do que em 1990. Além disso, 2018 entrou para a lista de quatro anos mais quentes desde pelo menos o fim do século 19, quando a medição começou a ser feita. Os únicos três anos mais quentes que 2018 foram 2015, 2016 e 2017. "Todos os anos desde o início do século 21 têm sido mais quentes do que a média entre 1981 e 2010", diz o relatório. Entre os especialistas, essa média, também chamada de "normal climatológica" é uma taxa média anual a partir da qual as temperaturas recentes são comparadas, para se ter uma medida de quanto as temperaturas têm variado. Brasil é o 7º país do mundo que mais contribui para o aquecimento global 'Raio-x do clima' Essa é a 29ª edição relatório "Estado do Clima", que é publicado anualmente, sempre na metade do ano, e é elaborado pelos centros de informação sobre o clima da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa, na sigla em inglês), com o apoio de centenas de especialistas no assunto pelo mundo. O cientista peruano Jose Antonio Marengo Orsini, que vive no Brasil há 25 anos e hoje é coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), é um dos vários co-autores do estudo que se ocuparam do capítulo relativo às Américas do Sul e Central. Segundo ele, o relatório publicado nesta segunda "é como um raio-x do clima em todo o mundo", que registra os eventos particulares registrados durante cada ano. "É feito regularmente, em outubro começamos a preparar o material para publicar no próximo ano", afirmou ele em entrevista ao G1. Além do Cemaden, as outras entidades brasileiras que colaboraram com o relatório são o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O que é o efeito estufa? O efeito estufa é um fenômeno natural no qual a atmosfera da Terra retém o calor que é irradiado pelo Sol e reflete na superfície, ou emitido da Terra para o espaço. Porém, ele pode ser exacerbado pela ação humana, com a emissão excessiva de gases, principalmente o dióxido de carbono. Marengo, que é membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Academia Mundial de Ciências, explica que uma das consequências naturais do efeito estufa é o fato de a temperatura na Terra ser "agradável e adequada" para as pessoas. "Se não fosse, as pessoas morreriam de frio", diz ele, ressaltando, porém, que o problema começa quando a emissão de gases passa a ser excessiva. Para explicar o fenômeno, o cientista dá como exemplo alguém que está com frio e coloca um casaco. "Quando aumenta [a temperatura], é como se vocês colocasse seis, sete, oito casacos. Você começa a sufocar", compara José Marengo, coordenador-geral do Cemaden. Segundo o estudo divulgado nesta segunda, "o dióxido de carbono é responsável por cerca de 65% do forçamento radiativo". Em 2017, queda no desmatamento ajudou a reduzir emissão de gases no Brasil Segundo o relatório 'Estado do Clima 2018', o efeito das emissões de gases para o aquecimento da atmosfera foi 43% maior no ano passado do que em 1990 Frank Augstein/AP A temperatura no Brasil A meteorologista brasileira Andrea Ramos, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), é outra co-autora do estudo, e disse ao G1 que a importância do estudo é poder reunir e analisar o comportamento das temperaturas e chuvas em um determinado ano pelo mundo. Ela explicou que as informações sobre as chuvas e temperatura média registradas no ano são encaminhadas à OMM (Organização Meteorológica Mundial) para, em conjunto com as informações de outros países, "analisar o comportamento das temperaturas e chuvas e, assim, embasar por meio dos registros como foi o ano correspondente, no caso, 2018, com os demais". Um resumo técnico publicado em maio e elaborado por co-autores do estudo corrobora as informações de que 2018 está entre os quatro anos mais quentes já registrados. "Desde 2012, a temperatura média ficou em torno de 0,5°C acima da NC [a Normal Climatológica, equivalente à média de 1981 a 2010]", diz o documento. Veja no gráfico abaixo qual foi a temperatura média de cada ano no Brasil desde 1961, e como ela se compara com a média registrada entre 1981 e 2010: Veja qual foi a temperatura média de cada ano no Brasil desde 1961 e como ela se compara com a média registrada entre 1981 e 2010 (também chamada de Normal Climatológica) Reprodução/Anuário Climático do Brasil - 2018 "Acredito que essa seja a importância dessa coleta informações, pois assim podemos identificar o quanto foi frio ou quente, chuvoso ou menos chuvoso com os anos anteriores", disse Andrea Ramos, meteorologista do Inmet. Destaques da América do Sul De acordo com Marengo, o capítulo do relatório dedicado à região central da América do Sul, onde fica o Brasil, o Peru, o Paraguai e a Bolívia, destacou alguns extremos de temperatura registrados no país. No Sudeste brasileiro, por exemplo, a temperatura em 2018 foi 1º Celsius mais alta do que a média. Em abril e maio, o Sul do Brasil, assim como a Bolívia e o Paraguai, registraram temperatudas entre 2ºC e 4ºC acima da média, enquanto em julho e setembro a região tropical brasileira, a Leste dos Andes, também teve temperaturas mais altas do que o esperado. "No inverno (junho a agosto), vários episódios de frio afetaram o Sul do Brasil, até o Oeste da Amazônia", continuou o relatório. Metade das geleiras do Patrimônio Mundial pode desaparecer por aquecimento global Marengo explica que o aquecimento global não é sinônimo apenas de temperaturas mais altas, mas sim de extremos mais intensos. "Ainda que aparece na média um inverno mais quente que o normal, também acontecem períodos muito frios. No Brasil, em maio [deste ano] tivemos dias muito frios, e o inverno não terminou e já estamos com 30 graus de novo. Isso é uma mostra de que os extremos estão se tornando mais extremos", disse ele. O especialista destaca que, em 2018, o Nordeste teve chuva menor que o normal, assim como sudoeste da Amazônia e algumas regiões costeiras do Peru. "No caso do Paraguai, Bolívia, muitas chuvas intensas têm trazido enchentes e deslizamento de terra que mataram pessoas", ressalta ele. Aquecimento global pode estar contribuindo para a elevação do nível dos oceanos mais rápido do que se imaginava Unsplash Outros destaques do relatório O nível dos oceanos subiu pelo sétimo ano consecutivo, atingiu a maior média global anual em 26 anos, chegando a 81 milímetros acima do nível médio de 1993; A temperatura no Ártico em 2018 foi 1,2º Celsius acima da média entre 1981 e 2010 e, em junho de 2018, o território ártico coberto por gelo já tinha encolhido para a metade do que era há 35 anos; Algumas regiões do mundo bateram recordes históricos de temperaturas altas, como o Paquistão, com 50,2º Celsius em abril de 2018; Nos países próximos da Linha do Equador, o número de tempestades tropicais foi de 95, acima da média registrada entre 1981 e 2010, de 82 tempestades anuais; A intensidade deles também foi mais alta: um exemplo é o furacão Michael, de outubro de 2018, o quarto mais forte a atingir o continente norte-americano em 168 anos; Também nos Estados Unidos, os incêndios florestais foram mais devastadores em 2018 destruíram 3,5 milhões de hectares, que a média de 2,7 milhões da primeira década deste século; Por outro lado, na Groenlândia, as temperaturas locais no verão foram um pouco mais baixas do que a média, e um satélite que analisou 47 geleiras indicou que elas aumentaram de área pela primeira vez desde 1999. Veja o antes e o depois da passagem do furacão Michael na Praia do México, na Flórida (EUA), em outubro de 2018 Reprodução/NOAA Veja Mais

Perda de intimidade com o sonho causa grande prejuízo à humanidade, diz neurocientista

Glogo - Ciência Em entrevista à BBC News Brasil, o neurocientista Sidarta Ribeiro diz que humanos deixaram de prestar atenção aos sonhos, abrindo mão de um valioso instrumento para simular efeitos de seus atos e os afastando de soluções para problemas globais, como a crescente desigualdade social e a catástrofe climática. Sidarta Ribeiro foi um dos fundadores do Instituto do Cérebro da UFRN Peter Iliciev/Fiocruz Ao se mudar para Nova York para cursar seu doutorado, no fim dos anos 1990, o neurocientista brasileiro Sidarta Ribeiro pretendia pesquisar a comunicação vocal entre aves. Mas uma experiência pessoal fez com que ele mudasse o foco dos estudos para um campo tão complexo quanto intrigante: os sonhos. Ribeiro queria entender a potente sonolência que o acometera nos primeiros meses da temporada nos EUA, quando dormiu e sonhou intensamente, inclusive durante as aulas. A investigação o fez cotejar perspectivas do sonho de diferentes disciplinas - como Medicina, Literatura e Psicanálise - e resultou em "O oráculo da noite: a história e a ciência do sonho", livro recém-lançado pela Companhia das Letras. Em entrevista à BBC News Brasil, Ribeiro afirma que o mundo moderno perdeu intimidade com o sonho, enquanto no passado visões oníricas tinham papel central na sociedade e guiavam governantes na Grécia, no Egito, na Índia e na China. Para ele, ao relegar os sonhos ao segundo plano, abrimos mão de um poderoso instrumento para simular efeitos de nossos atos e encontrar soluções para problemas - atributos que os tornam especialmente importantes num momento em que a humanidade se vê paralisada diante de uma catástrofe climática e da crescente desigualdade social. Um dos mais destacados cientistas brasileiros, Ribeiro é diretor da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e foi um dos fundadores do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), onde é professor titular. A criação do instituto, referência para a neurociência brasileira, marcou o retorno do pesquisador ao país após ele passar pelas universidades americanas Rockfeller e Duke. Antes, formou-se em Biologia na Universidade de Brasília (UnB) e fez mestrado em Biofísica na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Na entrevista à BBC, Sidarta aborda ainda outro tema que abraçou como pesquisador: o potencial da maconha e de alucinógenos para tratar diversas doenças. Defensor da legalização de todas as drogas - medida que, segundo ele, reduziria a violência e protegeria usuários -, ele próprio já descreveu experiências que teve com chás de cogumelos e ayahuasca, quando diz ter visualizado seu cérebro por dentro. Confira os principais trechos da entrevista. BBC News Brasil - O senhor fala que os sonhos perderam importância para nós, na civilização ocidental, enquanto no passado sonhos guiavam líderes em guerra e eram usados para ampliar nossa compreensão do mundo. Como e quando perdemos essa relação com os sonhos? Sidarta Ribeiro - Nos últimos 500 anos. Tem a ver com o desenvolvimento do capitalismo. Desde a Antiguidade se sabia que sonhos podiam acertar e errar. Havia uma certeza de que não eram confiáveis, mas eram potencialmente preciosos. Com o fim da Idade Média e início do capitalismo mercantil, deixa de ser aceitável fazer uma decisão comercial, militar ou política com base em sonhos. Você não vai mandar um navio da Companhia das Índias Orientais para encher de noz moscada e trazer para vender na Europa porque teve um sonho. Deixa de ser aceitável, e o sonho sai da vida social. BBC News Brasil - Há espaço para retomar o protagonismo do sonho numa sociedade que quer lidar com coisas concretas? Ribeiro - Hoje a maioria das pessoas opera na base de que precisa lutar pela sobrevivência, garantir o seu, pois o que interessa é ter mais coisas. Isso levou a um grande mal-estar, a muita depressão, muito suicídio, muita gente infeliz, inclusive os ricos. O que nos trouxe de milhões de anos de uma vida de muito semelhante à de um macaco-prego até virarmos o que somos agora foi a capacidade de imaginar um futuro com base no passado, que o sonho propicia. Prestar atenção ao sonho significa simular as consequências dos atos presentes. E a humanidade está com muita dificuldade de fazer isso - não só em relação ao meio ambiente, mas em relação à distribuição de riqueza, à tomada dos empregos pelos robôs. Estamos andando em direção a um futuro que não parece nada bom. Nesse sentido, é preciso olhar para a sabedoria dos povos coletores-caçadores de hoje em dia, que ainda têm um modo de vida em que se utilizam de sonhos pra fazer esses ajustes finos das ações do indivíduo com o grupo e com o meio ambiente. O excesso de conhecimento com falta de sabedoria é muito perigoso - é o que vivemos hoje. Aumentar a introspecção, fazer um regresso aos sonhos, voltar a trazê-lo para a mesa do café da manhã, para a cama ao lado de quem se dorme, para um grupo de trabalho, para a psicanálise, com os filhos, o sonho ser um assunto na vida das pessoas é muito importante. Claro, não mais com a crença de que ele pode ser uma comunicação com um oráculo determinístico ou uma revelação, mas sim um bom diagnóstico do que está rolando agora. Isso ajuda a gente a imaginar o futuro e escolher o melhor caminho, evitando as armadilhas. BBC News Brasil - O senhor diz que nossos sonhos ficaram mais complexos na passagem da Era do Bronze (3000-1200 a.C.) para a Era Axial (800-200 a.C.). Como isso impactou a humanidade? Ribeiro - Houve uma mudança de mentalidade muito grande no Período Homérico, por volta de 800 antes de Cristo. Esse é um período em que se plasma essa consciência que é a que usamos hoje em dia. As pessoas serem capazes de fazer diálogo interno, de navegar no passado e no futuro mentalmente, com um eu, é uma coisa muito recente. Na Idade do Bronze, as pessoas tinham ainda uma mentalidade bicameral, semelhante à de um esquizofrênico, de pessoas que escutam vozes. É um tipo de consciência diferente. É uma mente com mais pessoas morando dentro dela. Os deuses moravam na mente, e também a pessoa que recebia os comandos verbais. Isso está fartamente documentado. Na Era Axial, a gente funde essas vozes com o próprio self, com o eu. Passamos a fazer diálogos internos. Deixamos de achar que Atenas ou Zeus estavam falando conosco. Passamos a pensar: "preciso me alimentar, porque estou com fome". Não é um comando verbal de inspiração divina. Esse tipo de mente surgiu 3 mil anos atrás e agora começou a mudar de novo. Estamos passando uma série de funções mentais para as máquinas, cada vez mais. Estamos virando ciborgues aceleradamente. BBC News Brasil - O xamã yanomami Davi Kopenawa diz que "os brancos dormem muito, mas só conseguem sonhar com eles mesmos". Ribeiro - Exatamente. Ou a gente simula esse futuro planetário, ou a gente vai se dar mal. BBC News Brasil - O governo Bolsonaro tem apostado numa campanha de maior repressão às drogas. Qual a sua posição sobre o tema? Ribeiro - Sou a favor da legalização e regulamentação de todas as drogas. Minha posição coincide com a da SBPC, decidida em assembleia no ano passado por unanimidade. A proibição de drogas em si é tóxica, causa muitos males. É preciso regulamentar as substâncias de acordo com seu potencial benéfico e danoso. E com isonomia entre esses potenciais. Não é possível a gente ter substâncias como o álcool, que tem propaganda positiva na televisão, e ter a Cannabis proibida. Não faz sentido do ponto de vista científico. BBC News Brasil - Haveria regulamentação até das drogas mais pesadas? As pessoas poderiam comprar crack na farmácia? Ribeiro - Elas têm que ser reguladas. O crack é uma criação do proibicionismo. Não havia crack até quatro décadas atrás. Na vigência da proibição, não se podendo operar com a cocaína, passou-se a operar com o crack. A proibição é muito perigosa para sociedade. Até pessoas que não fazem uso de nenhuma substâncias psicoativa podem morrer numa circunstância de proibição, com uma bala perdida. BBC News Brasil - Críticos à legalização dizem que as drogas são nocivas e que o Estado, ao regulá-las, daria uma espécie de chancela às substâncias. Ribeiro - Acredito nas evidências científicas. Existem rankings de danos das substâncias, como o do David Nutt, do Imperial College (na Grã-Bretanha). Ele mostra que a substância mais perigosa, mais do que a heroína, é o álcool. Diante dessas evidências, já que convivemos com o álcool, por que não podemos conviver com outras substâncias e regular o seu uso? E dizer: "se você quer utilizá-la, você vem aqui e faz assim e assim, mas não vai usar seringa contaminada, vai saber a dose, não vai ter contaminação". O problema da proibição é que os usuários ficam totalmente desprotegidos para qualquer tipo de acidente, erro e má-fé. Precisamos parar de demonizar algumas drogas e demonizar outras. Hoje em dia, em vários países do mundo, como Brasil e Inglaterra, você liga a televisão e vê jogadores de futebol muito bem sucedidos, rodeado de mulheres maravilhosas, tomando cerveja. É por essas coisas que o álcool é a substância que tem maior prevalência de consumo entre todas. Uma substância que tem grandes riscos para a saúde das pessoas e da sociedade, pois o álcool também tem esse impacto social. Enquanto isso, outras substâncias que nem causam tantos riscos são perseguidas. Anvisa apresentou propostas para que empresas possam cultivar maconha para fins medicinais Reprodução/BBC BBC News Brasil - Recentemente a Anvisa defendeu que empresas possam cultivar maconha para fins medicinais e vendê-la para a indústria farmacêutica ou entidades de pesquisa. O que achou da proposta? Ribeiro - Ela é melhor do que não regulamentar nada. Mas acho que ela precisa ser modificada para a inclusão de produtores que não sejam apenas as grandes empresas. Se você tratar a maconha como se fosse plutônio, só as grandes empresas vão poder atender. Hoje existe um uso medicinal da maconha por muitas pessoas do Brasil que são amparadas por habeas corpus (decisões judiciais que autorizam o cultivo e consumo da substância). E esse uso não estaria atendido por essa proposta inicial. É preciso garantir o acesso de quem não tem dinheiro. E o acesso de quem não tem dinheiro a uma planta é o autocultivo, o plantio das cooperativas. Isso seria uma legislação avançada. Permitir que as multinacionais se instalem e produzam aqui vai mudar pouco a situação do brasileiro de classe baixa ou classe média que precisa do remédio. O remédio vai sair muito caro. BBC News - Como garantir que a mãe que planta Cannabis para produzir remédio para seu filho estará utilizando a melhor planta, ou que o remédio será adequado para o paciente? Ribeiro - São duas etapas. A primeira é agregar valor às boas práticas de cultivo e de tudo que se conhece da fitoterapia, que faz parte inclusive do Sistema Único de Saúde. Em segundo lugar, parcerias com centros de pesquisa das universidades para fazer dosagem. É totalmente viável e, de certa maneira, já foi iniciada por meio dos habeas corpus. Agora, não dá para todo mundo entrar na Justiça. Precisa resolver para todo mundo. BBC News Brasil - O senhor já comparou o potencial da maconha para a medicina aos efeitos que os antibióticos tiveram no passado. Por quê? Ribeiro - Apesar dessa frase parecer bombástica, ela exprime uma realidade científica que está se tornando uma realidade médica. As maconhas, e eu digo no plural, porque as plantas têm propriedades e composições diversas, apresentam algumas propriedades que são muito desejáveis para doenças diferentes. Ela é um poderoso anti-inflamatório, o que serve para muitas dores. E, por alterar as atividades dos neurônios de uma maneira a dessincronizá-los, também tem efeito em uma série de enfermidades, como epilepsia, tourette, dores neuropáticas. Há também o efeito antitumoral, que é muito impressionante em casos de glioma, por exemplo. Também tem efeitos de produção de novas sinapses, por isso já existem usos para Alzheimer e mesmo para declínio cognitivo do envelhecimento. As pessoas se perguntam: 'por que só agora estamos falando disso? A gente já não precisava desses medicamento?' O problema é que não era do interesse da indústria que um medicamento que serve para várias doenças pudesse ser plantado em casa pelas pessoas. BBC News Brasil - O ministro da Cidadania, Osmar Terra, é contra a liberação da maconha medicinal, mas diz que seria possível regulamentar o canabidiol sintético. O que o senhor acha? Ribeiro - Acho surreal. A interessa a quem um produto tão caro que poderia ser tão barato? BBC News Brasil - O governo também diz que a regulamentação da maconha medicinal abriria a porta para o uso recreativo. E que, por sua vez, ela seria porta de entrada para outras drogas mais nocivas. Ribeiro - Esse é um discurso atrasado e faz parte da ideia de que proibindo as drogas você protege as pessoas. Eu acredito no oposto: regulamentando as drogas, as pessoas vão ser protegidas. Há um trabalho clássico em que se viu que os usuários de crack largavam o crack para fumar maconha e depois acabavam largando até a maconha. A maconha servia como porta de saída de dependência de crack. O grande problema não é o uso de drogas, é o abuso. Pode-se fazer uso problemático de qualquer coisa: internet, celular, tablet. Precisamos sair do pânico moral e entrar em outra discussão, que é como proteger as pessoas dos perigos específicos dessas substâncias. BBC News Brasil - O senhor já disse que o Brasil poderia estar na vanguarda da ciência sobre psicodélicos. Qual o potencial de pesquisa nesse campo e quanto já avançou? Ribeiro - O potencial é muito grande, porque a psiquiatria não tem bons remédios para depressão, para traumas e para angústias existenciais profundas. Muitas pessoas que usam antidepressivos por muito tempo não encontram satisfação. Pelo contrário, encontram um aumento da insatisfação. Pesquisas dos últimos dez anos têm mostrado que os psicodélicos são poderosos no tratamento de depressão e trauma. Fazem muito mais do que outras substâncias. Mas não é simplesmente a administração da substância, é a psicoterapia assistida pela substância. O Brasil tem uma liderança nesse campo por causa das pesquisas com ayahuasca, o chamado chá do Santo Daime. É uma pesquisa que vem sendo realizada há muito tempo em função da liberdade religiosa para o uso desse chá. Houve um avanço grande aqui no Brasil sobre o conhecimento que os psicodélicos fazem no cérebro e no corpo de maneira geral. BBC News Brasil - Quanto do efeito da ayahuasca se deve à substância e quanto se deve ao ritual religioso em que ela é consumida? Ribeiro - Em todo tipo de experiência psicodélica, o ritual, o contexto, o ambiente, com quem você estava, que música cantou, que luz tinha, que cheiro tinha, todas as variáveis contextuais são tão ou mais relevantes que a própria substância. Nesse sentido, a ciência concorda com as religiões. As religiões dizem: as substâncias, sozinhas, não são sagradas, é necessária uma série de cuidados. Agora, não vai haver acordo sobre a interpretação que vai ser dada sobre as experiências que as pessoas tiveram. E nem precisa. A ciência pode ter uma interpretação, e as religiões podem ter outras. BBC News Brasil - Comunidades indígenas e religiosas que consideram a ayahuasca sagrada se preocupam com sua apropriação por outros grupos, como cientistas e a indústria farmacêutica. O avanço da ciência sobre a ayahuasca não tende a esvaziar seu sentido religioso e a sabedoria ancestral em torno dela? Ribeiro - O risco sempre existe, porque a ciência tem um histórico de ser muito brutal e capitalista na maneira de se relacionar com o saber tradicional. Por outro lado, tivemos abertura para ter contato com pessoas que praticam essa religião porque elas queriam saber mais. Pode haver respeito mútuo. Mas a discussão é mais profunda. O Brasil conhece a ayahuasca pelas religiões sincréticas, ribeirinhas e caboclas, que tiveram contato com o chá e o misturaram com o universo judaico-cristão e da umbanda. Foram essas religiões que disseminaram a ayahuasca pelo mundo, e não os povos indígenas ayahuasqueiros, que trouxeram essa tradição do passado imemorial para cá. A apropriação cultural dos índios é constante. Num momento em que estão devastando a Amazônia, mostrar como os psicodélicos podem ser benéficos me parece uma atitude respeitosa com quem tem esses processos como sacramentos. BBC News Brasil - O senhor pensa cientificamente enquanto está sob efeito de psicodélicos? Ribeiro - Depende da vez. É uma situação de muito insight. Se eu te disser "mexa o polegar direito", você mexe. Mas se for para ativar o hipocampo esquerdo, você não consegue, você não sabe onde ele está. Quando a gente está numa experiência de ayahuasca, você consegue visualizar onde está o hipocampo esquerdo. Se isso é de fato o hipocampo esquerdo ou só uma ilusão, eu não sei. Mas é uma situação em que se consegue simular o próprio funcionamento cerebral. No fundo, um cientista está sempre pensando em ciência. O que será que está acontecendo no meu cérebro para que eu possa estar vendo isso? Aí entra a questão da interpretação. A pessoa que está na religião vai dizer: "eu vi um espírito". Enquanto um cientista materialista vai dizer: "eu vi uma representação daquela entidade que habita meu cérebro". A gente já entendeu como o coração funciona. Por que a gente ainda não entendeu como o cérebro funciona? Porque é mais complicado. O que é a consciência? Esta é a geração que finalmente vão conseguir entender o que é a consciência. Poderão dizer que na tradição hindu já conhecem a consciência faz tempo. Mas não nos termos da biologia, da química, da física. Essa tradução está sendo feita agora. BBC News Brasil - Militares fardados filmaram sua fala no último encontro da SBPC, em julho. O Exército diz que não ordenou o ato e que eles agiram como cidadãos privados. Como interpretou o episódio? Ribeiro - O ato em si pode ser interpretado de mil maneiras, das mais benignas às menos benignas. A informação de que eles estavam lá como cidadãos privados pode muito bem proceder. Foi um pouco estranho, porque, quando a gente documenta alguma coisa como cidadão comum, a gente fica sentado na cadeira e usa o próprio celular (já os militares usavam câmeras e se moviam durante a gravação). Mas isso não é o ponto principal. O ponto central é o que eu disse naquela palestra: faltam R$ 340 milhões para o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) pagar as bolsas a partir de setembro. O Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico foi contingenciado em 90%. O orçamento de Ciência no Brasil voltou a ser o que era 15, 20 anos atrás. Isso é gravíssimo, ameaça o funcionamento do país. BBC - O que esses contingenciamentos representam? Ribeiro - Representam o fim de bolsas de alunos de pós-doutorado e de pesquisadores que já são professores. Representam não ter dinheiro para comprar os insumos da pesquisa, não ter dinheiro para fazer manutenção de equipamentos caros, para fazer publicação científica, para viajar para congressos e representar a ciência brasileira. Basicamente, significam um grande handicap (um atraso) para o cientista brasileiro. Já não é fácil, mas, na situação atual, está se tornando proibitivo. Imagina o que vai ser com 84 mil bolsas de pesquisa suspensas a partir de setembro. Temos vários alunos sem bolsa. Todos os laboratórios têm equipamentos parados porque a gente não consegue dinheiro para consertar. O país precisa entender que houve um investimento de 70 anos para termos o Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Se houver um desinvestimento tão brutal como se está anunciando, teremos um prejuízo de décadas. BBC News Brasil - O que achou da demissão do diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Ricardo Galvão, na semana passada? (Galvão deixou o posto após se desentender com Bolsonaro em relação à divulgação de dados sobre o desmatamento na Amazônia.) Ribeiro - É gravíssima. Ao invés de se discutir a questão central, que é o aumento do desmatamento, a gente fica discutindo um conflito entre pessoas. A Amazônia está se aproximando do limite, do ponto de não retorno. Enfrentamos um crise ambiental sem precedente que vai desertificar a Amazônia, vai destruir o agronegócio brasileiro e vai ter consequências sérias para o país. Veja Mais

As vacinas que os avós devem tomar

Glogo - Ciência Se a caderneta de vacinação dos mais velhos está em dia, aumenta a proteção das crianças Vacinação não é coisa de criança. É, principalmente, assunto sério para os avós que, ao se protegerem, estão também zelando por seus netos. Quer dar uma prova desse amor incondicional que sente por eles? Cheque sua caderneta – esse é conselho do pediatra Juarez Cunha, atual presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). “Temos uma cultura que valoriza a vacinação na infância, mas o calendário vacinal percorre a vida toda. Na verdade, as duas pontas, ou seja, a criança e o idoso, são as mais vulneráveis”, diz o médico. A maioria já se conscientizou sobre a importância da vacina anual contra a gripe, mas o doutor Juarez lembra que há outras doenças cuja transmissão se dá pelas vias respiratórias, como as causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, ou pneumococo. “Essa é uma bactéria que pode causar de otite e sinusite, de meningite a pneumonia. Crianças recebem quatro doses e pacientes diabéticos têm que tomar a vacina em qualquer idade, mas todos os adultos acima de 60 anos deveriam se proteger e, por extensão, proteger os que convivem com eles”, afirma. O médico Juarez Cunha, atual presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações Divulgação São duas vacinas para os adultos: a Pneumo 13 e a Pneumo 23, cujos nomes técnicos são VPC13 e VPP23, que devem ser administradas num intervalo entre seis e 12 meses. Infelizmente, a VPP23 só está disponível na rede pública para idosos institucionalizados. Quem já tomou esta tem que esperar um ano para tomar a VPC13. “Além disso, ao chegar aos 65 anos, a pessoa precisa se vacinar novamente com a VPP23, mesmo que tenha tomado uma dose”, explica o presidente da SBIm. As chamadas doenças infantis, como sarampo, caxumba e rubéola, são evitadas com a tríplice viral. Quem tem até 49 anos ou é profissional da saúde pode se vacinar na rede pública. Entre os mais velhos, a chance de ter tido uma dessas enfermidades quando criança é grande, o que garante a imunidade. Mas – sempre tem um mas... – se você, como eu, teve catapora, não corra o risco: prepare a carteira, porque custa algo em torno de R$ 400, e vacine-se o quanto antes contra o herpes zóster. “Essa é uma manifestação tardia que surge em quem teve catapora. Além da dor provocada, é contagiosa na fase da erupção e pode contaminar pessoas suscetíveis”, detalha o doutor Juarez. A lista não acabou: de dez em dez anos, não se esqueça da tríplice bacteriana, que previne contra difteria, tétano e coqueluche. Mais uma vez, há uma lacuna na rede pública, que só oferece uma cobertura dupla, para difteria e tétano, deixando a coqueluche de fora. Mesmo quem teve a doença pode contrai-la de novo, por isso o melhor é não arriscar, porque o quadro pode se agravar no caso de doença respiratória. Como a vida sexual dos idosos está mais ativa do que nunca, a vacina contra hepatite B, disponível na rede pública, é uma proteção extra. E o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações faz um alerta em relação à febre amarela: “a necessidade de tomar a vacina vai depender da situação epidemiológica. Para quem tem mais de 60 anos, não se trata exatamente de uma contraindicação, mas de avaliar a relação entre risco e benefício”. Veja Mais

A controvérsia em torno do remédio mais caro do mundo

Glogo - Ciência Embora o Zolgensma tenha trazido esperança a muitos pais, a notícia de seu preço de R$ 8,3 milhões provocou uma onda de críticas à Novartis, dona de sua patente. Fachada da sede da Novartis, fabrigante do remédio Zolgensma, em Basel, na Suíça Arquivo/Arnd Wiegmann/Reuters O remédio famoso por ser o mais caro do mundo já causou mais de uma polêmica em seus pouco mais de dois meses no mercado. O Zolgensma é um tratamento para crianças com atrofia muscular espinhal (AME), uma doença de origem genética que impede o desenvolvimento adequado dos músculos e que, na sua versão mais grave, costuma causar a morte antes dos dois anos de idade. Apesar de não ter cura, existem medicamentos que ajudam a neutralizar seus efeitos e, dentre eles, o mais revolucionário é o Zolgensma. O inconveniente, e motivo da primeira controvérsia que ele protagonizou, é seu preço: US$ 2,1 milhões (cerca de R$ 8,3 milhões). Essa cifra milionária é o dobro do preço do que era considerado até então o remédio mais caro do mundo, antes do lançamento do Zolgensma: o Luxturna, uma droga que custa US$ 850 mil (R$ 3,3 milhões) e trata a cegueira causada por uma doença hereditária rara. Embora o Zolgensma tenha trazido esperança a muitos pais, a notícia de seu preço provocou uma onda de críticas à empresa farmacêutica dona da patente, a Novartis. A multinacional suíça está mais uma vez no olho do furacão. Por quê? Porque a Food and Drug Administration (FDA) – a agência reguladora que autoriza a venda de drogas nos Estados Unidos - acaba de descobrir que a Novartis não foi totalmente honesta em seu pedido de licença para vender este tratamento. A empresa admitiu sua responsabilidade na quarta-feira (07) e agora enfrenta a possibilidade de sanções penais. Uma doença cruel Aqueles que nascem com AME têm baixos níveis da proteína que possibilita os movimetnos, a SMN. O cérebro precisa dela para ser capaz de enviar ordens para os músculos através dos nervos que descem pela medula. A AME pode ser de quatro tipos e se manifesta principalmente na infância. O tipo 1 é o mais agressivo, e é muito raro que crianças que sofrem dele completem 2 anos de idade. Os pacientes com os tipos 2 e 3 também têm uma expectativa de vida reduzida, pois não conseguem movimentar bem ou completamente os músculos e eles atrofiam. Os do tipo 4 podem atingir a idade adulta. Medicamentos dedicados a esses pacientes concentram-se em aumentar o nível das proteínas que permitem o movimento. O Zolgensma, por outro lado, é um tratamento genético que busca reparar genes para que eles sejam capazes de produzir essas proteínas em quantidades normais. Ele foi testado em crianças com menos de dois anos de idade e, dois anos depois, todos aqueles que o receberam em altas doses ainda estavam vivos e sem a necessidade de ajuda para respirar, de acordo com o jornal inglês Financial Times. Três a cada quatro podiam ficar sentados por pelo menos 30 segundos sem qualquer apoio e havia até dois menores que puderam se levantar e caminhar sozinhos. Dados manipulados A Novartis sempre repetiu que trabalha com governos e companhias de seguro médico para que cubram os custos e possam negociar pagamentos parcelados. Além disso, a empresa considera que aqueles US$ 2,1 milhões a serem pagos para aplicar esta medicação intravenosa uma vez na vida estão abaixo do que custaria para tratar uma criança por anos com outras drogas cujos preços geralmente passam dos seis dígitos e que não os libertam de outros cuidados caros e permanentes, como a ventilação mecânica. A nova controvérsia, no entanto, não é econômica, mas ética, pois gira em torno dos dados apresentados para obter a licença. Segundo a FDA, quando o Zolgensma começou a ser testado em animais, os estudos produziram resultados que foram manipulados. Embora o medicamento tenha sido desenvolvida pela AveXis, a empresa de biotecnologia foi adquirida pela Novartis no ano passado e a FDA diz que, já em março, a multinacional sabia da manipulação de dados. "Tomamos a decisão de continuar com nossa pesquisa de qualidade antes de informar a FDA e outras autoridades regulatórias para fornecer a melhor informação e análise técnica, algo que fizemos em 28 de junho depois de concluí-las", disse o executivo-chefe da Novartis, Vasant Narasimhan, nesta semana. Segundo Narasimhan, sua intenção não era evitar obstáculos no processo de obtenção da licença para o mercado americano. A empresa diz que já está providenciando a "saída" dos cientistas que participaram da manipulação. O processo de elaboração do Zolgensma não tem sido o mesmo desde que foi inventado e a manipulação de dados foi realizada ao comparar a versão atual com uma anterior. A FDA não acredita que este incidente tenha comprometido a segurança dos testes que foram feitos em humanos, por isso não removerá o Zolgensma do mercado. Veja Mais

'O anticoncepcional me fez ter um AVC aos 20 anos': o relato de jovem brasileira que passou dias na UTI

Glogo - Ciência Luiza Goedert estava pedalando na Espanha quando de repente 'metade do corpo parou de funcionar'; médicos alertam para fato de muitas prescrições serem feitas sem análise do perfil da paciente. Luiza internada no hospital da Espanha, em dezembro de 2012, quando teve o AVC Arquivo Pessoal No início de dezembro de 2012, a jovem brasileira Luiza Goedert, na época com 20 anos, pedalava até a universidade na qual fazia intercâmbio, na Espanha. No trajeto, começou a sentir fortes dores de cabeça. "De repente, metade do meu corpo parou de funcionar e não consegui mais enxergar nada com o meu olho esquerdo", relembra. Ela teve dificuldades para caminhar, mas conseguiu chegar à universidade. A brasileira pediu ajuda e foi levada em uma ambulância para um hospital da região. Uso da pílula anticoncepcional é questionado por mulheres que temem riscos e querem ter o direito de escolha Na unidade de saúde, a jovem foi diagnosticada com uma crise de enxaqueca. "O médico me falou que eu melhoraria se fizesse uma dieta e descansasse. Eles tinham feito exames, que apontaram que algo não estava bem. Eu estava vomitando de tanta dor de cabeça. Mas confiei no diagnóstico e fui para casa", relata à BBC News Brasil. No dia seguinte, a jovem continuou passando mal. "Acordei e os sintomas continuaram iguais. O lado esquerdo do meu corpo estava dormente e eu não conseguia enxergar nada com o meu olho esquerdo. Comecei a passar mal de novo e vomitei de tanta dor de cabeça", diz. Luiza voltou ao hospital, passou por novos exames e os médicos descobriram que ela sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico – quando há ausência de irrigação sanguínea em uma determinada parte do cérebro, em virtude da obstrução da artéria responsável por levar o sangue àquela área. Em todo o mundo, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de seis milhões de pessoas morrem por ano em decorrência do AVC. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, ocorrem cerca de 100 mil mortes ao ano em virtude do Acidente Vascular Cerebral. O tipo mais comum é o isquêmico, que corresponde a 85% dos registros. O derrame cerebral, como também é conhecido o AVC, é considerado incomum entre os mais jovens. Estudos apontam que somente entre 15% e 20% dos casos de AVC são registrados em pessoas com menos de 50 anos. "Os riscos de ter um AVC aumentam conforme a pessoa envelhece. Após os 55 anos, esses riscos dobram a cada década", explica a neurologista Emanuelle Silva Aquino. O caso de Luiza surpreendeu os médicos. Ela era jovem, não fumava, não tinha histórico de AVC entre familiares próximos e era considerada uma pessoa saudável, pois seus exames nunca apresentaram problemas. Estudos apontam que o uso do anticoncepcional pode aumentar riscos de AVC isquêmico em duas vezes, em comparação a mulheres que não tomam a pílula Gabriela Sanda/Pixabay Para investigar a origem do derrame cerebral da jovem, ela passou por diversos exames. "Fizeram todos os tipos de análises. Fiz vários raios-X, tiraram meu sangue várias vezes, mas nada apontava qualquer motivo para o AVC. Disseram que eu era uma pessoa 100% saudável." Por fim, os médicos concluíram: Luiza teve o derrame em razão do anticoncepcional que tomava há seis anos. "Foi um susto. Nunca imaginei que a pílula poderia me prejudicar tanto", diz. Estudos apontam que o uso do anticoncepcional pode aumentar riscos de AVC isquêmico em duas vezes, em comparação a mulheres que não tomam a pílula. Há aumento de duas a quatro vezes nas chances de a paciente desenvolver trombose venosa - quando se formam coágulos no sistema circulatório. Também há mais riscos, em duas vezes, de infartos. De acordo com especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, os riscos de mazelas em decorrência do anticoncepcional são considerados extremamente baixos e são tidos como raros. Porém, os médicos afirmam que é fundamental que cada paciente seja informada sobre todos os problemas que podem ser trazidos pelo anticoncepcional. O AVC Dias antes de descobrir o AVC, Luiza sentiu fortes dores de cabeça. "Nunca tive esse tipo de dor e estranhei", relata. A jovem estava na Espanha havia cinco meses. Ela planejava fazer intercâmbio de um ano em León, onde estudava Comércio Internacional, para depois retornar a Florianópolis (SC), cidade em que morava, e concluir o curso de Relações Internacionais. A jovem não deu atenção às primeiras dores de cabeça. "Não achei que fosse algo grave", justifica. A descoberta do derrame cerebral, dias depois, a surpreendeu. "Nunca pensei que pudesse ter algo assim sendo tão nova. Os médicos também não esperavam, tanto que tinham me liberado na minha primeira ida ao hospital. Eles ficaram desesperados quando retornei e descobriram o AVC, que não tinham identificado antes." Uma das primeiras perguntas feitas pela equipe médica para a jovem, após o retorno dela ao hospital, foi referente ao uso de métodos contraceptivos. "Questionaram se eu tomava algum anticoncepcional. Respondi que sim, então falaram que suspenderiam o uso a partir daquele momento e me deram injeções anticoagulantes [para prevenir a formação de trombos sanguíneos]", detalha. Luiza ao lado da mãe, no Natal de 2012, dias após receber alta hospitalar Arquivo Pessoal O uso de anticoncepcionais pode aumentar os riscos de AVC e trombose venosa em razão do estrogênio, hormônio presente no método combinado (com dois tipos de hormônios), que pode afetar a circulação do sangue. Por uma série de modificações que pode causar, como a redução de anticoagulantes naturais produzidos pelo organismo, há o aumento da coagulação do sangue. Assim, há mais riscos de formação de coágulos em distintas regiões do corpo humano – como no cérebro, causando o derrame. Luiza passou sete dias internada, sendo cinco deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). No período, tomou frequentes injeções anticoagulantes e passou por inúmeros exames. "Ela era monitorada 24 horas por dia. Os médicos estavam muito preocupados por ela ter tido um AVC tão nova. Eles avaliaram muitas possibilidades. Quando investigaram a fórmula do anticoncepcional que ela usava, descobriram que foi isso que causou o problema dela", relata a internacionalista (designação do graduado em Relações Internacionais) Mariana Gonçalves, que é amiga de Luiza e na época morava em León. No Brasil, a mãe de Luiza se desesperava por notícias da filha. "Quando ela me ligou de madrugada para contar que havia tido um AVC, não me lembro mais o que fiz daquela hora até o amanhecer", comenta a empresária Aurélia Goedert. Dias depois, ela viajou para a Espanha. Aurélia, assim como a filha, afirma ter ficado surpresa ao ouvir os médicos explicarem que a Luiza teve AVC em decorrência do uso do anticoncepcional. "Nunca soube que isso poderia acontecer, ainda mais em pessoas tão jovens", comenta. "Quando os médicos receitam o anticoncepcional, normalmente perguntam apenas se a pessoa tem alergia a algum medicamento, mas nunca alertam sobre problemas que as pílulas podem trazer. Se falassem, poderíamos ter ficado mais alertas", completa a mãe de Luiza. O anticoncepcional Aos 14 anos, Luiza começou a tomar anticoncepcional para tratar as acnes que começaram a surgir em sua pele. "Na época, não imaginei que pudesse haver riscos. Eu não tinha uma vida sexual, mas a médica me disse que era uma boa opção para tratar as minhas espinhas. Ela disse que eu estava apta a tomar a pílula", diz. Em 2015, um estudo publicado na revista especializada BMJ Today apontou que cerca de 9% das mulheres em idade reprodutiva no mundo usam contraceptivos orais. O índice chega a 18% em países desenvolvidos. A Pesquisa Nacional de Saúde feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2013, dado mais recente sobre o tema, ouviu 23,4 mil brasileiras que usam algum método contraceptivo. Dentre elas, mais da metade usava a pílula. Estudos apontam que o uso do anticoncepcional diminuiu as gestações indesejadas em todo o mundo – alguns levantamentos apontam que a redução é correspondente a cerca de 40%. A pílula mais utilizada é a de hormônios combinados, com progesterona e estrogênio. A quantidade de hormônios presentes no método, assim como o risco, varia conforme a geração. As pílulas consideradas mais antigas têm maior quantidade de hormônio e, consequentemente, apresentam maiores riscos quando comparadas às mais recentes. A geração de anticoncepcional, que varia da primeira à terceira, muda conforme a variação da progesterona - como noretindrona, levonorgestrel, desogestrel, entre outros. O anticoncepcional combinado usado por Luiza era o Yaz – à base do hormônio drospirenona. O medicamento, recomendado pela ginecologista que acompanhava a jovem, é produzido pela gigante farmacêutica Bayer. Por que as mulheres estão deixando de usar a pílula anticoncepcional? Em nota, a Bayer diz à BBC News Brasil que a possibilidade de a mulher desenvolver problemas de saúde em decorrência do uso de anticoncepcionais combinados é pequena. Segundo a empresa, os benefícios de tais contraceptivos superam os riscos. "De modo geral, os hormônios presentes no contraceptivo oral agem de forma positiva no organismo feminino, no entanto, é essencial que seja observado o perfil de cada paciente", informa a empresa. A Bayer relata que a pílula anticoncepcional é o método mais utilizado no mundo. A empresa afirma que seus produtos são constantemente avaliados, pois se preocupa com a eficácia e segurança deles. "A companhia reafirma seu compromisso com a qualidade e a segurança e mantém seu posicionamento de transparência na investigação minuciosa de relatos de efeitos adversos possivelmente relacionados a qualquer medicamento", diz. Ainda em nota, a empresa diz que todos os seus produtos são aprovados por grandes órgãos regulatórios mundiais, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "A Comissão Europeia emitiu sua decisão final no processo de avaliação sobre contraceptivos hormonais combinados, respaldando o posicionamento da Bayer de que não existem novas evidências científicas que mudariam a avaliação positiva de benefício-risco de anticoncepcionais hormonais combinados", pontua. "A Bayer colabora intensamente com os órgãos de saúde em todo o mundo, inclusive a Anvisa, em avaliações sobre o uso, benefícios e riscos de todos os seus produtos. A empresa atualiza com frequência os dados referentes aos seus produtos, a fim de proporcionar informações adicionais para mulheres e profissionais de saúde sobre fatores de risco associados, sinais e sintomas", finaliza a nota da empresa. Prescrição requer cuidados Um dos maiores problemas relacionados ao uso de anticoncepcionais combinados, conforme estudiosos no tema, é o fato de que muitas prescrições são feitas sem uma análise do perfil da paciente. A OMS lista os critérios para a prescrição segura de métodos contraceptivos. No entanto, nem sempre as recomendações da organização costumam ser seguidas por médicos. "Por exemplo, quando a mulher fuma, ela só pode usar método de dois hormônios até os 35 anos. Depois disso, os riscos de ela ter uma trombose venosa aumentam muito. Quando ela tem pressão alta, não pode usar esse método combinado de jeito nenhum, porque aumentam riscos de problemas como o AVC", explica a ginecologista e obstetra Carolina Sales Vieira, chefe do setor de anticoncepção da Universidade de São Paulo (SP) de Ribeirão Preto. "O médico precisa ver, entre os métodos contraceptivos, o mais indicado para aquela mulher. Mas muitos profissionais não conhecem o guia da OMS. Por isso, não é incomum vermos mulheres com pressão alta tomando métodos com dois hormônios", acrescenta Carolina. Luiza na Copa da Rússia, em 2018 Arquivo Pessoal A ginecologista frisa que a pílula combinada traz inúmeros benefícios às mulheres saudáveis, que não possuem contraindicação ao método. "Problemas em razão do uso de anticoncepcionais são raros. Uma gravidez sem planejamentos traz muito mais riscos. Por exemplo, enquanto o anticoncepcional combinado pode aumentar o riso de trombose venosa de duas a quatro vezes, a gravidez aumenta de 20 a 80 vezes", pontua. "Metade das gestações no Brasil não são planejadas. Então, estou colocando muito mais mulheres em risco deixando que elas engravidem sem planejamento do que tomando pílula", declara a especialista. Conforme a médica, há diversos métodos contraceptivos para aquelas que não podem ou não querem tomar o anticoncepcional combinado. Entre eles, uma opção é a pílula de apenas um hormônio, na qual há somente progesterona - ainda pouco utilizada no país. "Quando há apenas progesterona, não há aumento de riscos de trombose venosa, AVC ou infarto. É a presença do estrogênio que pode aumentar os riscos de problemas." "O que evita a gravidez é a progesterona, por isso que o método de um hormônio só tem a mesma finalidade. Mas nesse método, a menstruação da mulher fica imprevisível. Ela pode não menstruar, menstruar a cada dois ou três meses ou até duas vezes por mês. Na época em que a pílula foi criada, na década de 60, era conveniente criar algo para simular o ciclo regular da mulher. Por isso, foi acrescentado o estrogênio", detalha a ginecologista. Depois do derrame cerebral Quando recebeu alta hospitalar, os médicos informaram a Luiza que ela não poderia mais tomar anticoncepcionais. "Não posso mais tomar nenhum tipo de hormônio pelo resto da vida." Ao deixar o hospital, ela passou um período com dificuldades no lado esquerdo do corpo. "Não conseguia enxergar ou me movimentar muito bem", detalha. Dois meses depois, a jovem recuperou os movimentos. Ela não tem sequelas do AVC. Porém, diariamente toma um medicamento para prevenir novos derrames cerebrais. "Vou ter que tomar esse remédio por toda a vida", conta Luiza. Um mês depois do Acidente Vascular Cerebral, ela retornou a Florianópolis. "Acabei ficando metade dos 12 meses planejados, porque sabia que meus pais não ficariam seguros sabendo que eu continuaria distante", relata. Ela voltou ao Brasil, se formou em Relações Internacionais e, nos últimos anos, foi proprietária de uma loja de doces. Há um mês, se mudou para Amsterdã, na Holanda, onde fará uma pós-graduação. Luiza hoje; passou sete dias internada, sendo cinco deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Arquivo Pessoal Assim como a história de Luiza, nas redes sociais há inúmeros relatos de mulheres que se intitulam "vítimas do anticoncepcional". Um dos casos, que viralizou em 2016, foi o da então estudante Juliana Bardella, na época com 22 anos. Ela teve trombose venosa cerebral, também apontada pelos médicos como causada pelo anticoncepcional - ela consumia a pílula havia cinco anos. "De certa forma me culpei por ter ignorado as notícias sobre a trombose que via na internet ou que ouvia falar. Mulheres, preocupem-se, pesquisem e perguntem!", escreveu a jovem, no relato que viralizou nas redes sociais. Hoje, a jovem tem dificuldades de atenção e de memória, em razão da trombose. "Mas não tenho sequelas aparentes", comenta Juliana, que se formou em Medicina Veterinária no ano passado. Ela tomará remédio por toda a vida para prevenir novas tromboses. Os diversos relatos sobre problemas com o uso de anticoncepcional representam importante alerta para que os médicos tenham mais atenção ao prescrever as pílulas, opinam especialistas. "As mulheres precisam questionar sobre o método contraceptivo e os riscos. O uso de anticoncepcional é coisa séria e não pode ser tratado como algo inocente. Pelo que acompanho, a quantidade de mulheres com problemas causados pela pílula é muito grande. É preciso estar alerta", declara Luiza. Veja Mais

Por que a dieta promovida por Beyoncé pode não ser tão saudável assim

Glogo - Ciência Programa lançado pela cantora – que perdeu 29 kg após o nascimento dos filhos – em parceria com seu fisiologista pode provocar deficiências nutricionais, segundo o nutricionista britânico Daniel O'Shaughnessy. Beyoncé em foto de 2018: entre 2015 e 2016, a cantora perdeu 29 kg após a gravidez dos gêmeos Rumi e Sir Reprodução/Instagram/ Public A cantora americana Beyoncé perdeu 29 kg após a gravidez dos gêmeos Rumi e Sir. Foram 44 dias de uma dieta rigorosa, baseada em vegetais, frutas, sementes e livre de alimentos processados. O "guru" da estrela foi Marco Borges, fisiologista do exercício e autor de The 22-Day Revolution. Lançado em 2015, o livro defende uma dieta estritamente baseada em plantas e seus derivados – "plant-based diet", como foi batizada em inglês. Borges aparece em um vídeo divulgado em meados de julho na página do YouTube da cantora e intitulado 22 Days Nutrition. O material com dois minutos e meio intercala a voz do especialista e relatos da cantora sobre a dificuldade de perder peso depois do nascimento dos filhos. Mas a Associação Britânica para Nutrição e Medicina do Estilo de Vida (Bant, na sigla em inglês), entretanto, diz que a dieta promovida pelo ícone pop "pode ser perigosa". Ao programa da BBC Victoria Derbyshire, o nutricionista Daniel O'Shaughnessy afirmou que ela poderia provocar "deficiências nutricionais". 'Estou com fome' Beyoncé e Borges lançaram juntos o programa 22 Days Nutrition Meal Planner, uma plataforma com receitas e dicas para planejar as refeições. Um dos programas se chama "Beyoncé's Kitchen", para aqueles que quiserem seguir os passos da cantora em sua preparação para o Festival Coachella no ano passado. A cena inicial do vídeo promocional mostra Beyoncé subindo em uma balança no primeiro dia de ensaios para o festival. "O pior pesadelo de qualquer mulher", afirma a cantora. No documentário Homecoming, da Netflix, ela comenta sobre a dieta e diz que, para atingir seus objetivos, havia cortado pão, carboidrato, açúcar, carne, peixe, álcool... "Estou com fome", diz. 'Sanduíche vegetariano' Beyoncé seguiu o programa por 44 dias, orientada por Borges, a quem ela descreve como "amigo, personal trainer, fisiologista do exercício e autor best-seller baseado em Nova York". O'Shaughnessy questiona o valor nutricional de algumas das receitas – o sanduíche vegetariano que deveria conter 36g de proteína, por exemplo, na verdade só tem 24g. O smoothie verde, por sua vez, leva oito colheres de açúcar. O sistema público de saúde britânico, o NHS, recomenda o consumo de 2.500 calorias por dia para os homens e 2.000 para mulheres. O valor calórico médio diário da dieta, entretanto, é de 1.400 calorias. "Esse é um nível baixo para quem quer que seja. A pessoa vai se sentir cansada – mais ainda quando aliar esse tipo de alimentação com o exercício físico", afirmou o fisiologista O'Shaughnessy. "Pode ser perigoso para uma pessoa sem acompanhamento adequado, sem a equipe de nutricionistas e personal trainers que a Beyoncé tem." Excluir qualquer produto de origem animal sem alertar para a necessidade de suplementação de nutrientes essenciais, como a vitamina B12 ou ferro, por exemplo, também é uma questão problemática, acrescenta o fisiologista. 'Facilmente influenciáveis' O especialista defende que as celebridades deveriam, por outro lado, encorajar as mulheres a se sentirem confortáveis com o próprio corpo. "A Beyoncé está vendendo um sonho", ressalta O'Shaughnessy. "Isso é preocupante porque muitos de seus fãs são adolescentes facilmente influenciáveis. E ela atinge milhões de pessoas." Procurada, a cantora não retornou os pedidos de entrevista do programa Victoria Derbyshire. Borges, por sua vez, declarou que "Beyoncé seguiu uma combinação de uma dieta baseada em plantas e exercícios diários de forma disciplinada, com trabalho duro, para atingir seus objetivos profissionais para a apresentação no Coachella". "Ela atingiu seus objetivos e conseguiu dar 100% de si em uma performance que não exige nada menos que isso." Ainda segundo Borges, Beyoncé "continua consciente da importância de uma alimentação balanceada e da prática regular de exercícios como parte de uma vida feliz e saudável". Veja Mais

Estados dos EUA que legalizaram a maconha reduzem mortes por opioides em 20%

Glogo - Ciência Status da cannabis mudou significativamente nas últimas duas décadas no país: 10 estados e Washington DC agora permitem o uso recreativo. Canabidiol é uma substância presente na maconha e é liberado para uso em medicamentos Marcelo Brandt/G1 Os estados que legalizaram o uso da maconha nos Estados Unidos apresentaram uma redução de pelo menos 20% nas mortes ligadas a overdoses de opioides, de acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira (7). Os opioides foram responsáveis por 47.600 mortes por overdose no país em 2017, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês), e a crise foi declarada uma emergência nacional pelo presidente Donald Trump no mesmo ano. Mortes por overdose nos EUA batem recorde e chegam a quase 72 mil em 2017 O status legal da maconha mudou significativamente nas últimas duas décadas: 10 estados americanos e Washington DC agora permitem seu uso recreativo. Illinois fará a liberação a partir de janeiro, enquanto 34 estados e a capital federal já permitem o uso da maconha com fins medicinais. Ao comparar as taxas de mortes por overdose antes e depois da legalização, e entre os estados em vários pontos de legalização, os autores do estudo, publicado na revista "Economic Inquiry", descobriram o que eles chamaram de "efeito causal", descrito como "altamente robusto" na redução da mortalidade por opioides. Sua análise econométrica coloca a redução na faixa de 20% a 35%, com o efeito particularmente maior para as mortes causadas por opioides sintéticos como o fentanil, a droga mais letal dos Estados Unidos, de acordo com os últimos dados oficiais. Nathan Chan, principal autor do estudo, disse que todos os estados estão afetados pela epidemia de opioides no país. "Os estados onde a maconha foi legalizada não são tão negativamente afetados como os que não a legalizaram" - Nathan Chan, economista da Universidade de Massachusetts Amherst. A legalização sozinha não gera a redução. Mas os estados que têm acesso legal à maconha registraram as maiores reduções de mortalidade, escreveram Chan e seus colegas Jesse Burkhardt e Matthew Flyr, da Universidade Estadual do Colorado. O estudo não analisou quais fatores estavam em jogo junto com a legalização da droga, mas Chan sugeriu que um número crescente de pessoas esteja se automedicando e "lidando com a dor por meio do uso de maconha e, portanto, são menos propensas a tomar opioides viciantes". Alguns estudos anteriores sobre o tema, porém, encontraram o resultado oposto: que o uso de cannabis aumenta, em vez de diminuir, o uso de opioides não prescritos por médicos. Uma hipótese alternativa, de acordo com Chan, é que a legalização da maconha melhora a atividade econômica de um estado e produz outros efeitos sobre o crime, as prisões, o emprego e a saúde de longo prazo, fatores que podem estar ligados a overdoses de opioides. Veja Mais

O papagaio gigante com força descomunal que viveu na Nova Zelândia

Glogo - Ciência Cientistas identificaram fósseis de ave de 1 metro que viveu na região da Oceania há 19 milhões de anos atrás; é improvável que ele tenha sido agressivo. Paleontologistas encontraram fósseis de papagaio gigante na Nova Zelândia Divulgação/PA Media Um papagaio gigante que percorria a Nova Zelândia há cerca de 19 milhões de anos tinha 1 m de altura, segundo um novo estudo - a altura média de um brasileiro gira em torno de 1,73 m. Os restos do papagaio foram encontrados perto de St. Bathans, em Otago, região no sul da Nova Zelândia. Dado seu tamanho, acredita-se que o papagaio tenha sido incapaz de voar e ser carnívoro, diferentemente da maioria das aves hoje em dia. Um estudo sobre essa ave foi publicado nesta semana na revista científica Biology Letters. Pesando pouco mais de 7 kg, o pássaro teria sido duas vezes mais pesado que o kakapo, o maior papagaio no mundo hoje, também endêmico na Nova Zelândia. "Não há outros papagaios gigantes no mundo", disse à BBC o principal autor do estudo, Trevor Worthy, professor e paleontólogo da Universidade Flinders, na Austrália. "Esse achado é muito significativo." Os paleontólogos apelidaram a nova espécie Heracles inexpectatus, em alusão a Héracles, nome grego dado ao semideus Hércules da antiga mitologia greco-romana, em razão de seu tamanho e força incomuns. Os ossos - que inicialmente acreditava-se pertencerem a uma águia ou a um pato - ficaram guardados por 11 anos até o começo deste ano, quando uma equipe de paleontologistas decidiu reanalisá-los. Worthy disse que um de seus alunos encontrou os ossos do papagaio por acaso em seu laboratório durante um projeto de pesquisa. Força para rachar 'qualquer coisa' O bico do papagaio era tão grande que "poderia rachar qualquer coisa pela frente", disse Mike Archer, da Paleontologia da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW), Segundo Worthy, em entrevista à agência de notícias AFP, o papagaio "pode ​​ter comido até outros papagaios". O papagaio gigante, batizado de Hércules, tinha quase metade da altura média de um brasileiro Divulgação/PA Media No entanto, como provavelmente o papagaio não tinha predadores, é improvável que fosse agressivo, disse o pesquisador à BBC. Ele estima que o papagaio gigante se alimentava de sementes e nozes. Paul Scofield, curador sênior de história natural do Museu de Canterbury, na Nova Zelândia, disse à AFP que os pesquisadores apostam que o animal não conseguia voar. A descoberta de grandes aves não é incomum na Nova Zelândia, que abrigou a moa, uma espécie extinta cuja altura chegou a 3.6m (11ft8in). St. Bathans, onde os ossos da perna do papagaio gigante foram escavados, é uma área conhecida por sua abundância de fósseis da época do Mioceno, que se estendeu de 23 milhões a 5,3 milhões de anos atrás. "Mas até agora, ninguém jamais encontrou um papagaio gigante extinto - em qualquer lugar", disse Worthy à AFP. "Temos escavado esses depósitos fósseis há 20 anos e, a cada ano, descobrimos novas aves e outros animais... Sem dúvida, há muitas outras espécies 'inimaginadas' a serem descobertas." Veja Mais

Marcos Pontes anuncia oficial da Força Aérea como presidente interino do Inpe

Glogo - Ciência Ministro da Ciência e Tecnologia divulgou vídeo para informar que Darcton Policarpo Damião comandará o órgão. Segundo o governo, ele é formado em Ciências Aeronáuticas. O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, anunciou nesta segunda-feira (5) o oficial da Força Aérea Darcton Policarpo Damião como novo presidente interino do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em um vídeo publicado em uma rede social, Marcos Pontes afirmou ter levado em conta capacidade de gestão, conhecimento sobre o instituto e conhecimento sobre desmatamento. "Estamos no processo de substituição do presidente do Inpe. Nesse processo, temos de colocar um diretor interino. Depois, fazer a chamada para um comitê de busca, para eleger uma lista tríplice e dessa lista tríplice sai o novo diretor", afirmou o ministro no vídeo. Mais cedo, nesta segunda-feira, Marcos Pontes já havia dito que cogitava nomear um militar da Aeronáutica para o cargo. Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia, o novo presidente do Inpe é formado em Ciências Aeronáuticas pela Academia de Força Aérea. "Ele é doutor na área de desmatamento, tem passagem pelo Inpe, é uma pessoa de confiança logicamente e é uma pessoa que tem capacidade de gestão já demonstrada nos diversos cargos que exerceu", afirmou Marcos Pontes no vídeo em que anunciou a escolha. De acordo com o ministro da Ciência e Tecnologia, o nome de Darcton Policarpo Damião será enviado à Casa Civil, e a substituição deve ser confirmada ainda nesta semana. Governo quer mudar comando do Coaf e mira em militar para o Inpe Troca no comando do Inpe Na semana passada, o então presidente do órgão, Ricardo Magnus Osório Galvão, anunciou que deixaria o cargo. Ele fez o anúncio após ter se reunido com Marcos Pontes e em meio às críticas do presidente Jair Bolsonaro à divulgação, pelo instituto, de dados sobre desmatamento na Amazônia. Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, chegaram a convocar uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto para contestar os dados do Inpe. Poucas horas após essa entrevista coletiva, o subprocurador-geral da República, Nívio de Freitas Filho, divulgou uma nota afirmando que o "inconformismo" do governo com os dados é "inaceitável" porque o Inpe trabalha com "extremo rigor". Comunicado Leia a íntegra do comunicado divulgado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia sobre o assunto: O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações - MCTIC informa que, nesta 2. feira (05), o Dr. Darcton Policarpo Damião foi escolhido para substituir interinamente o Sr. Ricardo Galvão na diretoria do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Darcton Policarpo Damião possui um currículo extenso com graduação em Ciências Aeronáuticas na Academia da Força Aérea - AFA, MBA em Gestão Empreendedora pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica - ITA, mestrado em Sensoriamento Remoto pelo INPE, doutorado em Desenvolvimento Sustentável na Universidade de Brasília - UnB dentre outros cursos. Conheça o currículo completo: http://lattes.cnpq.br/9879305049177191 Com relação ao processo de escolha do diretor definitivo será por comitê de busca com lista tríplice pelo o MCTIC, em data a ser definida. Veja Mais

Pesquisadores de SC desenvolvem solução sustentável que converte luz solar em vapor para produzir energia

Glogo - Ciência Protótipo criado na UFSC pode ser utilizado diretamente na indústria e propõe a redução do consumo de combustíveis fósseis. Pesquisadores da UFSC desenvolvem mecanismo de rastreamento solar Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, uma estrutura com uma área total de espelhos de 54m² e um absorvedor de 12 metros de comprimento e uma altura estimada de 5 metros da base se destaca entre os centros de estudo e pesquisa. Trata-se de um protótipo de um Concentrador Solar do tipo Fresnel Linear (CFL), que parte do esforço para produzir vapor utilizando a energia térmica do sol. O sistema pode ser utilizado tanto para geração de energia elétrica, quanto vapor para processos industriais. A pesquisa, coordenada pelo professor Júlio César Passos, do Departamento de Engenharia Mecânica, está em andamento na universidade desde 2014 e propõe a redução do consumo de combustíveis fósseis, como o petróleo, o gás natural e o carvão. Um dos desafios encarados é desenvolver um concentrador com tecnologia nacional e de baixo custo, que pode ser utilizado em indústrias da área têxtil, alimentos e celulose. No Brasil, a bancada do CFL da UFSC é uma das únicas em operação. Há outros concentradores solares do tipo funcionando no exterior, como na Espanha e na França. Equipamentos da bancada da UFSC LEPTEN UFSC/ Divulgação Como funciona Segundo um dos pesquisadores do protótipo Alexandre Bittencourt de Sá, doutor em Engenharia Mecânica, as fileiras de espelho operam de forma automatizada, acompanhando a movimentação do sol de modo a refletir radiação concentrada em um absorvedor, localizado acima dos espelhos. (Veja vídeo acima) Essa abordagem da energia solar tem grande aplicabilidade para geração de calor para processos industriais "Isso é feito concentrando a radiação solar em tubos que vão esquentar a água e gerar vapor. Este tipo de tecnologia é chamado de geração direta de vapor. A radiação concentrada permite atingir temperaturas mais elevadas, assim como quando se utiliza uma lupa para colocar fogo em um papel", explica. O sistema é projetado para atingir temperaturas de vapor saturado de até 230°C. "Essa abordagem da energia solar tem grande aplicabilidade para geração de calor para processos industriais, tais como secagem, destilação e cozimento. Ao invés de queimar um combustível fóssil, nós estamos utilizando a energia térmica do sol para gerar vapor”, afirma. Protótipo desenvolvido por pesquisadores da UFSC LEPTEN/ UFSC Um dos destaques do protótipo foi a tecnologia de prensas desenvolvida para curvar levemente os espelhos, permitindo uma maior concentração no absorvedor. Para tanto se utilizou peças chamadas de "espinhas de peixe", feitas de chapas de aço galvanizado cortadas a laser. Estrutura dos espelhos curvos do protótipo LEPTEN UFSC/ Divulgação "O sistema de fixação foi capaz de gerar curvaturas satisfatórias e mantidas há quase dois anos com espelhos expostos às intempéries, entretanto a montagem dos espelhos através dele ainda é muito artesanal e trabalhosa. Isto não se apresentou grande problema para o caso de um módulo de CFL para teste, entretanto este sistema de fixação e curvatura necessitará de melhorias para expandir sua aplicação para a indústria", destaca o pesquisador Victor César Pigozzo Filho, doutor em Engenharia Mecânica. Funcionamento do sistema de geração direta de vapor LEPTEN UFSC/ Divulgação Riscos para os pássaros Diferentemente de outras tecnologias de concentração utilizando os raios de sol como a torre solar, que mantém a radiação em um ponto, no alto de uma torre (com alturas em torno de 200 metros), os concentradores de calhas parabólicas e os Fresnel lineares são de concentração linear, com absorvedores em alturas menores, de até 30 metros. "A concentração linear significa concentram a radiação ao longo de uma linha comprida, o que faz com que eles apresentem uma menor taxa de concentração de radiação, atingindo temperaturas mais reduzidas. As torres solares entretanto, são mais caras de fabricar e podem apresentar problemas ambientais como a morte de pássaros que são atraídos pelo grande brilho em seu topo, e ao passar pela radiação concentrada são incinerados", explica Bittencourt de Sá. Espelhos integram a estrutura do sistema LEPTEN UFSC/ Divulgação Meio ambiente e indústrias Para o pesquisador Bittencourt de Sá, o maior impacto ambiental desse tipo de tecnologia está na quantidade de água utilizada para lavar os espelhos, na produção dos tubos e nos materiais utilizados na construção do concentrador e equipamentos. Embora a contribuição do CFL para o setor industrial nacional ainda seja pequena se comparada como cenário internacional, já que atualmente a maior parte dos processos utiliza óleos térmicos, a pesquisa indica uma expectativa de maior viabilidade nos próximos anos, principalmente no setor industrial que visa conciliar desenvolvimento econômico e preservação do meio ambiente. Cada vez mais a indústria busca o uso de tecnologias mais limpas e menos poluentes Entre as indústrias catarinenses que podem ser beneficiadas com esse tipo de tecnologia desenvolvida na UFSC estão a têxtil, no Vale do Itajaí, e de alimentos, concentrada no Oeste catarinense. "Cada vez mais a indústria busca o uso de tecnologias mais limpas e menos poluentes como soluções sustentáveis de captação de energia. Em Santa Catarina, existe uma preocupação que privilegie o uso de iniciativas que tenham eficácia e também levam em consideração às necessidades envolvendo até mesmo o posicionamento geográfico das indústrias por causa da importância do sol no processo", disse o presidente da Câmara de Assuntos de Energia da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Otmar Müller. Veja mais notícias do estado no G1 SC Veja Mais

Por que fumar cigarro é hábito mais comum entre os menos escolarizados

Glogo - Ciência Dados de 2018 mostram que, no país, parcela de fumantes aumenta quanto menor a renda e menos anos de estudo. OMS diz que, no mundo, pobreza e tabagismo formam 'círculo vicioso'. Cigarros apagados em cinzeiro. Em média, fumantes compõem cerca de 10% da população brasileira - entre aqueles com menos anos de estudo, o percentual é maior Pixabay Na meta de reduzir o hábito de fumar, o Brasil recebeu notícias positivas neste mês de julho: foi o segundo país, depois da Turquia, a alcançar patamares da Organização Mundial da Saúde (OMS) em ações como a proibição do tabaco em espaços públicos e a ajuda àqueles que querem largar o vício. Dados recém-divulgados pelo Ministério da Saúde também mostraram que, em 2018, 9,3% dos adultos brasileiros das 27 capitais declararam fumar - uma diminuição significativa em relação a 2006, quando o percentual era de 16,2%. Mas a publicação anual da qual estes dados fazem parte, o Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), mostrou também algo que é uma tendência não só no Brasil, mas no mundo: o hábito de fumar persiste entre aqueles com menor escolaridade e renda. O percentual dos que se declaram fumantes no Brasil cai à medida que os anos de estudo aumentam: tabagistas são 13% entre aqueles que estudaram durante 0 a 8 anos; 8,8% na faixa de 9 a 11 anos de estudo; e 6,2% para aqueles com 12 ou mais anos de estudo. A tendência também é observada entre aqueles que fumam 20 ou mais cigarros por dia: 3,3% na faixa de 0 a 8 anos de estudo; 2,4% de 9 a 11 anos; e 1,7% de 12 ou mais anos. A publicação não traz dados para renda mas, segundo especialistas, o fumo também acompanha os mais pobres - afinal, sobretudo em países desiguais como o Brasil, os mais escolarizados tendem a ser mais ricos. Um boletim do Banco Central publicado no início do ano demonstrou, por exemplo, que em relação a um trabalhador sem instrução, o ensino fundamental adiciona 38% ao rendimento por hora; o nível médio, 66%; e o superior, 243%. Foi anunciado recentemente que o Brasil atingiu metas da OMS para combater o tabagismo Pixabay "A associação entre pobreza e fumo é uma das relações mais consolidadas no conhecimento sobre tabagismo", resume à BBC News Brasil Tânia Cavalcante, médica do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e secretária-executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (Conicq). "Estas pessoas têm menor acesso à informação, como sobre os malefícios do tabagismo, e às escolas, que hoje de uma forma ou de outra abordam o tema. Também têm menos acesso a tratamentos para deixar de fumar." De produto luxuoso a danoso Paula Johns, diretora da organização ACT Promoção em Saúde, lembra também que o acesso à informação foi na história um divisor de águas no perfil de quem fuma. "No pós-guerra, o cigarro era vendido como um produto glamuroso. Tinha um apelo da emancipação, que atingia os formadores de opinião, como as sufragistas. A partir da década de 1960, 70, aumenta o conhecimento sobre os malefícios do produto, e o perfil começa a mudar", explica. "A questão do acesso à informação é a principal explicação para o fato de hoje os mais pobres fumarem mais, globalmente". Johns aponta que isto implica em um maior impacto da participação do tabagismo no orçamento dos mais pobres, que é menor - tomando o lugar de custos com alimentação, educação e saúde. Foi o que demonstrou uma pesquisa publicada em 2016, com o título Tabagismo e pobreza no Brasil: uma análise do perfil da população tabagista a partir da POF 2008-2009. A partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os autores concluíram que 84% da população tabagista recebia entre 1 e 3 salários mínimos per capita; 8,4% de 3 a 5 salários; e 7,5% acima de 5 salários mínimos. A renda média dos tabagistas, segundo cálculos com os dados de 2008 e 2009, foi de R$ 867, enquanto para não tabagistas foi de R$ 957. Foram considerados tabagistas aqueles que consumiram produtos relacionados, como cigarros, charutos, isqueiros e papel para cigarro. Na pesquisa, eles compuseram cerca de 10% da população, com predominância de homens. O consumo com estes produtos comprometeu 1,5% da renda, em média. "Isso mostra porque é uma medida efetiva para prevenir o tabagismo o aumento do preço destes produtos", diz Johns, destacando a importância de taxas e impostos incidindo sobre esses itens, o que é classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como "a ação com melhor custo-benefício" para redução do tabagismo. Se toda mudança de comportamento em relação ao dinheiro é difícil, isto é agravado, no caso do tabagismo, por tratar-se de um vício. Aviso em maço de cigarro G1/G1 Tabaco e pobreza: 'Círculo vicioso' A Organização Mundial da Saúde já intitulou uma de suas campanhas como "Tabaco e pobreza: um círculo vicioso", dizendo que ambos estão "ligados inextricavelmente". Argumentando que o tabagismo é um dos principais fatores de risco para doenças em todo o mundo - o principal no caso daquelas crônicas e não transmissíveis, como diabetes e hipertensão -, a OMS diz em um dos seus comunicados que "fumar mata as pessoas no auge de sua produtividade, privando casas de chefes de família e nações de trabalhadores saudáveis". "Tabagistas também são menos produtivos enquanto estão vivos por conta de uma saúde mais fragilizada", acrescenta. No mundo, isto tem implicações marcantes para países de baixa e média renda - origem de 80% dos 1,1 bilhão de fumantes no mundo. Um relatório publicado no prestigiado periódico Lancet em 2017 diagnosticou: "A prevalência do fumo e consequente morbidade e mortalidade está caindo na maioria (mas não em todos) países ricos, mas a mortalidade futura em países de baixa e média renda tende a ser enorme". Países do primeiro mundo não escapam a esta discussão, como está acontecendo na Inglaterra, onde o governo está escrevendo um novo projeto para alterar a legislação visando tornar o país livre do tabaco até 2030. O país comemora ter uma das menores taxas de fumantes da Europa, mas os dados mostram que o hábito persiste desproporcionalmente em lares de menor renda. Lá, 1 em cada 3 moradores de conjuntos habitacionais fuma; entre trabalhadores manuais, o número é de 1 a cada 4. Para ocupações a nível gerencial, a participação é de 1 para 10. Um estudo já indicou que os homens mais pobres da Inglaterra e do País de Gales tinham duas vezes mais chances de morrer entre 35 e 69 anos do que os mais ricos - e a morte deles foi quase cinco vezes mais provável de ser causada pelo fumo. Na Inglaterra, os dados mostram também maior prevalência do fumo entre pessoas LGBT e com distúrbios mentais. Pesquisadores avaliam que pessoas com mais vulnerabilidades têm níveis mais altos de dependência; são mais propensas a estar perto de outros fumantes, normalizando o comportamento; e também podem ter que lidar com mais fatores de estresse, como instabilidade de renda e moradia precária. Indígenas Paula Johns aponta que outro grupo sabidamente mais propenso a fumar em vários países são indígenas - algo observado em lugares como Estados Unidos, Canadá e Brasil. Estas variáveis não foram consideradas no Vigitel, mas no estudo Tabagismo e pobreza no Brasil: uma análise do perfil da população tabagista a partir da POF 2008-2009 sim. Entre os brancos, o percentual de fumantes foi de 9,4%; pardos, 9,9%; pretos, 12,3%; e indígenas, 12,4%. Em relação à divisão regional, pesquisas indicam maior percentual de tabagistas nas regiões Sul e Sudeste, que ao mesmo tempo apresentam os melhores indicadores socioeconômicos no país. Por que pessoas com menos escolaridade e renda tendem mais ao tabagismo, e as regiões com estas características não? Segundo as entrevistadas, não há explicações consolidadas, mas hipóteses. "No Sul, temos a leitura do impacto da produção de tabaco nestes locais, como no Rio Grande do Sul, onde empresas desta indústria têm grande poder político e econômico. Estados com fronteiras, como perto do Paraguai, também podem ter mais fumantes, por estarem em rotas de contrabando e terem acesso a produtos mais baratos", diz Tânia Cavalcante, acrescentando que experiências locais de políticas públicas de prevenção ao tabagismo também podem explicar diferenças. Johns lembra também de hábitos culturais. "Alguns casos na Europa mostram uma relação entre tabagismo e cidades mais frias. O estilo de vida pode ter um impacto também." Veja Mais

Os três alimentos que ajudam os bebês desnutridos a se recuperar mais rápido 

Glogo - Ciência Estudo sugere que uma dieta a base de banana, grão-de-bico e amendoim pode restaurar a flora intestinal de crianças com desnutrição severa - e essa seria a chave para voltarem a crescer. A dieta a base de banana, grão-de-bico e amendoim foi a que apresentou os melhores resultados _Alicja_/Pixabay Uma alimentação rica em banana, grão-de-bico e amendoim ajuda na recuperação da flora intestinal de crianças desnutridas, de modo a impulsionar seu desenvolvimento. É o que mostra uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Washington, nos EUA, publicada na revista científica "Science". Estes alimentos se revelaram particularmente indicados para estimular as bactérias saudáveis do organismo de crianças gravemente desnutridas em Bangladesh. E essa seria a chave, de acordo com o estudo, para que os ossos, o cérebro e o corpo das crianças, de uma maneira geral, se tornem mais propensos a crescer. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a desnutrição infantil é um problema crítico de saúde global que atinge mais de 150 milhões de crianças em todo o mundo, sendo responsável por quase metade das mortes de crianças menores de cinco anos. Além de serem fracas e pequenas, muitas crianças desnutridas apresentam comunidades de bactérias "incompletas" ou "imaturas" em seus intestinos, em comparação com crianças saudáveis da mesma idade. Estimular as bactérias boas Os pesquisadores responsáveis pelo estudo acreditam que esta microbiota "imatura" pode ser a razão que explica a falta de crescimento das crianças. Mas nem todos os alimentos são igualmente eficientes para resolver o problema. Os cientistas estudaram então os principais tipos de bactérias presentes nos microbiomas de crianças em Bangladesh. E fizeram um experimento para ver que grupos de alimentos estimulavam essas bactérias em camundongos e porcos. Na sequência, testaram por um mês diferentes combinações de dietas em 68 crianças com idades entre 12 e 18 meses em Bangladesh. Após monitorar a recuperação das crianças, uma dieta se destacou entre as demais: a que era composta por pasta de banana, soja, farinha de amendoim e grão-de-bico. Eles descobriram que essa dieta estimulava os micro-organismos presentes no intestino ligados ao crescimento dos ossos, ao desenvolvimento do cérebro e do sistema imunológico. São ingredientes baratos e encontrados em Bangladesh, sendo acessíveis também em outras partes do mundo. Reparação Jeffrey Gordon, professor da Universidade de Washington e principal autor do estudo, explica que o objetivo da pesquisa era "mirar nos micróbios para recuperação" das crianças. "Os micróbios não enxergam bananas ou amendoim, eles só veem uma mistura de nutrientes que podem usar e compartilhar." "Esta foi a fórmula que funcionou melhor em seres humanos e animais, uma vez que gerou uma reparação maior", acrescenta Gordon, que realizou o estudo em parceria com o International Centre for Diarrhoeal Disease Research, em Dhaka. Outras dietas, ricas em arroz ou lentilhas, por exemplo, não funcionaram tão bem. E, em alguns casos, provocaram ainda mais danos à flora intestinal. Gordon explicou que ainda não está totalmente claro por que esses alimentos funcionaram melhor. Um estudo mais completo está em andamento para avaliar se esta dieta tem efeitos no longo prazo sobre o peso e a altura das crianças. "Esta é uma comunidade de micro-organismos que vai muito além do intestino", diz ele. "Está intimamente ligada ao estado de saúde e precisamos entender seus mecanismos para também poder repará-los no futuro". O que é o microbioma? A maior parte do seu corpo não é humana: se você contar todas as células do seu organismo, apenas 43% são humanas. O restante são micro-organismos, o chamado microbioma, que inclui bactérias, vírus, fungos e archaeas (grupo de micro-organismos unicelulares). Não é à toa que o microbioma é conhecido como o nosso "segundo genoma". Os microbiomas diferem imensamente de pessoa para pessoa, dependendo da dieta, estilo de vida e outros fatores. E eles influenciam tudo: saúde, apetite, peso, humor. Cientistas acreditam que o microbioma pode estar relacionado a transtornos como alergias, obesidade, inflamação intestinal, Mal de Parkinson, depressão e autismo. Veja Mais

Novo estudo mostra que nem a Via Láctea é plana

Glogo - Ciência Pesquisa revela que a nossa galáxia é 'torta' nas bordas. Uma nova visão da Via Láctea: torta nas bordas OGLE/Universidade de Varsóvia Nossa galáxia, a Via Láctea, é "torta" e "retorcida", e não plana como se pensava anteriormente. A conclusão é de um estudo publicado na prestigiada revista Science. A análise das estrelas mais brilhantes da galáxia mostra que elas não estão em uma reta plana, como se costuma mostrar em textos acadêmicos e livros de ciências para o público leigo. Astrônomos da Universidade de Varsóvia especulam que ela pode ter sido distorcida por interações passadas com galáxias próximas. A imagem popular da Via Láctea como um disco plano baseia-se na observação de apenas 2,5 milhões de estrelas - de um total que pode chegar a 2,5 bilhões. As representações criadas por artistas são, portanto, aproximações da forma mais verdadeira de nossa galáxia, de acordo com a pesquisadora Dorota Skowron, da Universidade de Varsóvia, na Polônia. "A estrutura interna e a história da Via Láctea ainda estão longe de serem compreendidas, em parte porque é extremamente difícil medir as distâncias das estrelas nas regiões mais externas de nossa galáxia", disse ela. Reproduções artísticas que mostravam a Via Láctea 'reta' terão de ser revistas Rensselaer Polytechnic Institute Novo mapa tridimensional Para obter uma imagem mais precisa, Skowron e seus colegas mediram as distâncias de algumas das estrelas mais brilhantes da Via Láctea, chamadas estrelas Cefeidas. Estas são jovens estrelas massivas que brilham centenas ou milhares de vezes mais que o nosso próprio sol. Elas podem ser tão brilhantes que chegam a ser observadas mesmo na borda da galáxia. Não só isso: elas também pulsam em intervalos regulares a uma taxa que está diretamente relacionada ao seu brilho. Quanto pesa a Via Láctea? Isto permite aos astrônomos calcular as distâncias das Cefeidas com grande precisão. A maioria das estrelas foi identificada usando o telescópio OGLE (Optical Gravitational Lensing Experiment), que fica no observaório de Las Campanas, no deserto do Atacama (Chile). Przemek Mroz, membro da equipe do OGLE, disse que os resultados foram surpreendentes. Um homem observa o céu estrelado com a via láctea em Ormont Valley, na Suíça Anthony Anex/Keystone via AP "Nossos resultados mostram que a galáxia da Via Láctea não é plana. É 'torta' e retorcida nas bordas mais distantes do centro galáctico. A deformação pode ter acontecido através de interações passadas com galáxias satélites, gás intergaláctico ou matéria escura (material invisível presente nas galáxias, e sobre a qual pouco se sabe)." Os resultados da pesquisa polonesa corroboram uma análise das estrelas Cefeidas publicadas em fevereiro na revista Nature Astronomy, por astrônomos da Universidade Macquarie na Austrália e da Academia Chinesa de Ciências. Veja Mais

O que são os 'humano-animais' que o Japão quer começar a desenvolver

Glogo - Ciência Governo japonês dá sinal verde para pesquisa com células-tronco que poderia criar órgãos humanos em animais para transplante. Cientistas japoneses vão tentar criar embriões 'humano-animais' usando inicialmente ratos e camundongos Science Photo Library/AFP Photo Há muito tempo que os cientistas tentam criar embriões de animais com células-tronco humanas. São os chamados "humano-animais" ou "quimeras", como eram conhecidos os seres híbridos na mitologia grega. Mas esta é a primeira vez que um governo apoia expressamente essa tentativa. O governo japonês deu sinal verde, em março deste ano, para que o cientista Hiromitsu Nakauchi, que lidera grupos de pesquisa nas universidades de Tóquio (Japão) e Stanford (EUA), possa desenvolver órgãos humanos em animais a partir de células-tronco humanas. A ideia não é pioneira, mas é a primeira vez que um governo apoia esse tipo de experimento, segundo a revista científica "Nature". Já houve tentativas antes, nos Estados Unidos e outros países, de cultivar células humanas em embriões de camundongos, ratos e até ovelhas para depois transplantar esses embriões em outros animais. Em todos esses casos, no entanto, os experimentos foram interrompidos, seja por obstáculos legais ou por terem sido malsucedidos. Permissão do governo japonês Em março, após um pedido da equipe de Nakauchi, o Ministério da Educação e Ciência do Japão publicou novas diretrizes sobre pesquisas com células-tronco que permitem criar embriões humano-animais, que podem ser transplantados em outros animais e desenvolvidos até o final. A decisão definitiva, no entanto, ainda depende de um comitê de especialistas do ministério e será anunciada neste mês. Mas, segundo Nakauchi, a mudança nas diretrizes já permite a ele avançar em suas pesquisas, cujo objetivo final, assegura ele, é produzir órgãos humanos em falta para transplante, como pâncreas, e que, uma vez desenvolvidos, podem ser transplantados do animal para uma pessoa. Obstáculos Mas esse processo será lento, e não vão faltar obstáculos, científicos e éticos. Os experimentos com células-tronco são, em muitos casos, motivo de controvérsia. Neste caso em particular, como observa a revista Nature, alguns bioeticistas (especialistas em bioética) temem que as células humanas possam ser usadas para algo além do desenvolvimento do órgão em questão e chegar ao cérebro em desenvolvimento do animal, afetando suas capacidades cognitivas. Nakuchi argumenta que o experimento é desenvolvido de modo que "as células-tronco só vão para o pâncreas". E afirma que não tentará, de cara, transplantar nenhum embrião híbrido. A ideia é desenvolver inicialmente embriões de camundongos híbridos por um período de aproximadamente 14 dias, quando quase todos os órgãos do animal estão formados. Na sequência, fará o mesmo com os ratos, diz ele, permitindo que se desenvolvam por até 15 dias. Só depois, será a vez dos porcos, quando precisará de até 70 dias para desenvolver embriões híbridos. Mas ainda assim, nem todos estão convencidos dos planos do cientista japonês. O pesquisador Jun Wu, da Universidade do Texas, nos EUA, afirma que é inútil desenvolver embriões híbridos de humanos e animais usando espécies evolutivamente distantes, como porcos e ovelhas, porque "as células humanas serão eliminadas na fase inicial do experimento". Nesta mesma semana, o jornal espanhol El País publicou uma reportagem mostrando os avanços de um grupo de cientistas espanhóis que afirmam ter conseguido criar um híbrido de humano e macaco num laboratório da China. Muitos detalhes deste experimento ainda não estão claros, no entanto, e só serão conhecidos quando o resultado for publicado, o que deve acontecer em breve. Veja Mais

Como a vida moderna aumentou o estresse – e como podemos evitá-lo

Glogo - Ciência Com a mudança do trabalho físico para atividades que dependem mais da mente, o estresse crônico tem se tornado cada vez mais problemático - alguns estudos estão tentando desvendá-lo. Ficar conectado o tempo todo é um dos principais fatores de estresse Pixabay Em novembro de 2017, dois cirurgiões oftalmológicos de um hospital em Beirute, capital do Líbano, relataram um caso intrigante de um problema de visão sofrido por um colega. Especialista em retina, ele de repente desenvolveu uma mancha na vista. Depois de passar um dia estressante na sala de cirurgia, a visão do médico ficou embaçada em um dos olhos. E não foi a primeira vez que isso tinha acontecido. O cirurgião havia sofrido quatro episódios do tipo em apenas um ano, cada um precedido por um dia estressante. O diagnóstico dele foi de coriorretinopatia serosa central (CSR). Uma pequena quantidade de líquido se acumulou sob uma pequena região da retina do cirurgião, fazendo com que ela se soltasse temporariamente. Ele melhorou depois de algumas semanas, e um plano rígido de controle do estresse no hospital impediu que outro episódio voltasse a ocorrer. Descrita pela primeira vez em 1866, a CSR tem sido ligada a estresse desde a Segunda Guerra Mundial, quando vários casos foram relatados entre militares. Embora pesquisas subsequentes tenham associado a CSR ao estresse, muitas vezes ela é rotulada como "idiopático" (decorrente de uma causa desconhecida). Mas os cirurgiões de Beirute rotularam a condição "CSR da sala de cirurgia", identificando o estresse como causa. Ao refletir sobre o que tornara o colega vulnerável ao estresse, os médicos notaram que novas técnicas cirúrgicas, possibilitadas por uma tecnologia melhor, estenderam os limites físicos do que um cirurgião é capaz de fazer. Embora esse progresso tivesse ampliado o escopo da cirurgia, operar nesses limites colocava uma enorme tensão mental no cirurgião. Em 1959, o especialista em gestão Peter Drucker previu que uma transição dramática na natureza do trabalho ocorreria 50 anos depois. Ele cunhou um termo para este novo tipo de serviço, o "trabalho de conhecimento". Ele antecipou que esse novo modelo envolveria uma mudança do esforço físico para o mental. Mais tarde, Drucker escreveu que o centro de gravidade do trabalho mudaria para "o homem que põe para trabalhar o que tem entre as orelhas, em vez da habilidade de suas mãos". A evolução da cirurgia do olho validou algumas das previsões de Drucker. À medida que a tecnologia avança, ela troca de foco, da habilidade física das mãos do cirurgião para as habilidades mentais de análise e concentração. Uma sala de operações de cirurgia ocular é, até certo ponto, um microcosmo do local de trabalho no mundo de hoje, onde a natureza evolutiva exige menos do corpo e mais da mente. Consequentemente, a mente está se tornando uma grande vítima de riscos ocupacionais. De acordo com o Health and Safety Executive (HSE), agência de incentivo e regulação da saúde do Reino Unido, o estresse, a depressão ou a ansiedade responderam por 57% de todos as faltas no trabalho por doença nos anos de 2017 e 2018. A crescente importância da mente sobre a produtividade tem despertado interesse também sobre os malefícios desse fenômeno. O foco caiu no estresse. Pesquisas revelaram que uma reação aguda de estresse decorre de uma rica tapeçaria de processos BBC/BBC János Hugo Bruno "Hans" Selye, um médico canadense-húngaro, cunhou a primeira definição de "estresse" na década de 1930. Ele pegou emprestada a palavra de Robert Hooke, físico inglês do século 17, que descreveu a relação entre estresse físico sobre um objeto e a consequente tensão. Selye teria se arrependido de ter usado a palavra "estresse" em vez de "tensão", o que deixou o primeiro termo com um legado de certa ambiguidade. Desde a época de Selye, pesquisas revelaram que uma reação aguda de estresse decorre de uma rica tapeçaria de processos. Sabemos hoje que os bungee jumpers se tornam resistentes à insulina imediatamente após um salto. E que o estresse de dar aulas para 200 alunos gera marcadores de inflamações em professores universitários. Esses processos oferecem vantagens quando em situações de perigo. A resistência temporária à insulina, por exemplo, garante que o açúcar atinja um cérebro sob pressão, enquanto a inflamação ergue um escudo protetor contra visitantes indesejados que entram através de ferimentos. Os efeitos de uma reação de estresse aguda e saudável são, em sua maioria, temporários, cessando quando uma experiência estressante termina. E quaisquer efeitos duradouros podem às vezes nos deixar melhor do que antes. Estudos em ratos, por exemplo, descobriram que o estresse por algumas horas pode aumentar o número de células cerebrais "recém-nascidas" em uma parte do cérebro, o que pode corresponder a um melhor desempenho em certos tipos de testes de memória. Porém, o estresse muito frequente, muito intenso ou mesmo constante nos coloca sob tensão prolongada. Vários dos agentes envolvidos no estresse passam a reagir de forma não-linear - seus efeitos mudam de curso com a atividade prolongada. Como resultado, o estresse crônico induz uma mudança gradual e persistente nos parâmetros psicológicos e fisiológicos que tendem a caminhar por rumos incertos e desordenados. Os braços simpáticos e parassimpáticos do sistema nervoso autônomo - uma rede nervosa que controla processos involuntários, como pressão sanguínea, respiração e digestão - desempenham um papel crucial no desenvolvimento da resposta aguda ao estresse. Durante períodos de medo ou raiva, a atividade simpática (responsável pela resposta de "luta ou fuga") sobe temporariamente e a atividade parassimpática (das respostas "repousar e digerir") diminui. Se esse padrão de atividade persistir na ausência de estresse, no entanto, esse processo pode levar a hipertensão e outras doenças. Da mesma forma, enquanto a reatividade emocional temporária sob estresse agudo nos ajuda a prever o perigo, uma mudança sustentada na dinâmica da regulação emocional pode nos levar a transtornos de humor. Mudança estrutural Suspeita-se que o estresse crônico tenha um papel no crescente ônus global da hipertensão e do diabetes tipo 2. Pesquisas apontam que, com os ratos, ele também aumenta a depressão. Outros estudos em animais e mesmo em humanos sugerem que o estresse crônico pode até alterar a estrutura do cérebro. No primeiro estudo do gênero, a professora Ivanka Savic e seus colegas do Instituto Karolinska e da Universidade de Estocolmo, ambos na Suécia, recentemente compararam os cérebros de pessoas que sofrem de estresse crônico relacionado ao trabalho com aquelas saudáveis e menos estressadas. Para isso, eles usaram técnicas de ressonância magnética estrutural. Os pesquisadores encontraram uma diferença nas regiões ativas na alocação de atenção, tomada de decisão, memória e processamento de emoções. Nas pessoas estressadas, o córtex pré-frontal parecia mais fino, a amígdala parecia mais espessa e o núcleo caudado era menor. O afinamento no córtex pré-frontal se correlacionou com a pior regulação emocional. Para estabelecer se o estresse crônico tinha criado essas mudanças ou se simplesmente havia correlação, os pesquisadores fizeram a varredura dos cérebros novamente após um programa de reabilitação de estresse de três meses baseado em terapia cognitiva e exercícios respiratórios. O afinamento no córtex pré-frontal foi revertido. Embora o estudo tivesse limitações (não havia um grupo de controle de pessoas estressadas que não tinham se submetido a tratamento, por exemplo), essa reversão indicava a possibilidade de que o estresse crônico pudesse ter causado o afinamento. Outros estudos descobriram que altos níveis circulantes do hormônio cortisol se correlacionam com a piora da memória e com a diminuição de partes do cérebro, mesmo em uma idade relativamente jovem. Essas mudanças podem ser, em parte, consequência da natureza plástica de nossos cérebros, uma manifestação de seu extraordinário talento para se adaptar ao que quer que seja exigido dele. No meio de um combate, por exemplo, a reatividade emocional aumentada é uma vantagem de sobrevivência, enquanto as funções cognitivas superiores se tornam redundantes. Recalibrar o estado basal do cérebro para aumentar a eficiência poderia salvar a vida de um soldado em combate, por exemplo. No cenário de um local de trabalho que depende do foco e da complexa tomada de decisões, no entanto, a regulação emocional comprometida e o declínio da memória podem limitar a produtividade. A mudança na estrutura do cérebro é mal-adaptativa. O estresse crônico geralmente ataca através de uma rota psicossocial e é influenciado pela percepção. Embora isso torne o estudo empírico do problema desafiador, ele também revela um caminho potencial para o gerenciamento do estresse crônico: a experiência perceptiva de uma pessoa. Um exemplo é o efeito da "ruminação" de pensamentos. Relembrar uma experiência estressante depois que ela termina pode ativar caminhos similares à experiência real. Isso pode manter a reação de estresse "ativada", mesmo que o motor do problema não esteja mais presente. Isso faz com que a experiência seja percebida como mais angustiante do que realmente era quando aconteceu. Assim, prevenir que pessoas "ruminem" momentos negativos reduz a pressão arterial mais rapidamente após o período de estresse agudo. O estresse crônico tem sido associado à hipertensão e, em um pequeno estudo randomizado, pesquisadores americanos, incluindo Lynn Clemow, da Columbia University Medical Center, usaram o treinamento para o controle do estresse (com base em uma oficina cognitivo-comportamental) para efetivamente baixar a pressão arterial sistólica em pacientes com hipertensão. O declínio na pressão se correlacionou com um declínio na ruminação depressiva. O cérebro imita uma máquina de previsão que ativamente infere seu ambiente para criar uma representação da realidade BBC/BBC O elemento perceptivo do estresse pode ser a razão pela qual algumas intervenções entre mente e corpo, como ioga, técnicas de respiração e meditação, podem beneficiar o controle do estresse através de efeitos na melhoria da regulação emocional, reduzindo a reatividade ao estresse e acelerando a recuperação após o problema. Também pode explicar por que algumas técnicas, como a meditação, mostraram resultados mistos em estudos controlados. É possível que a técnica da meditação para atenção plena possa ser suscetível a ruminação e pensamentos negativos repetitivos em algumas pessoas, mas não em outras. O estresse percebido pode variar com fatores genéticos e epigenéticos, traços individuais, padrões de pensamento e comportamento, além da jornada da vida até o momento. Status e controle De certa forma, o cérebro imita uma máquina de previsão que ativamente infere seu ambiente para criar uma representação da realidade. Uma percepção de incerteza, imprevisibilidade ou falta de controle pode sinalizar que há uma falha em seu modelo de realidade e promover o estresse. Uma demonstração prática dessa teoria reside na maneira como o estresse é moderado por status social. Ter um alto status social atenua sua reação ao estresse psicológico. Então, se você acha que esse status pode ser desafiado e diminuído, talvez seja melhor que ele esteja em um patamar mais baixo. Essa sensação de perda de controle pode desempenhar um papel primordial no processo em que a competição, a desigualdade e o sentimento de ser julgado pelos outros geram estresse. Em um mundo previsível sobre o qual você tem controle de tudo, uma causa deve levar a um efeito previsível. Uma incompatibilidade frequente entre o esforço e a recompensa por ele frustra essa sensação de controle percebido. Consequentemente, um "desequilíbrio entre esforço-recompensa" é uma fonte de estresse crônico no local de trabalho. Ou seja, se você acha que faz um ótimo trabalho e não recebe os benefícios por esse esforço, a tendência é que seu estresse aumente. Não é apenas a natureza de nossas interações sociais que podem exacerbar o estresse. O impacto de algumas facetas da vida urbana na reação ao estresse também pode ter sido subestimado. A exposição à natureza, por exemplo, pode acelerar a recuperação após o estresse e diminuir seus marcadores. A luz brilhante ou a exposição noturna a telas de LED podem atrasar a liberação da melatonina, um hormônio que reduz a ansiedade. Exercícios físicos de baixa intensidade, por exemplo, reduzem os níveis circulantes de cortisol. A urbanização está aumentando o consumo de alimentos processados - e uma dieta baseada nesses produtos tem sido associada à incidência de sintomas depressivos em pelo menos dois grandes grupos de pessoas. Os nossos hábitos alimentares modificam os microrganismos que vivem no sistema digestivo. Esses microrganismos, através do contato com células imunitárias e outras vias, podem influenciar a forma como a mente reage ao estresse. Há evidências de que modelar a microbiota intestinal com alimentos específicos ou tomar probióticos podem ajudar a reduzir os sintomas de ansiedade. Os primeiros resultados sugerem que tomar uma única cepa ou uma combinação de probióticos pode reduzir a fadiga mental e melhorar o desempenho cognitivo durante o estresse. Em uma exposição de 2015 no Petit Palais em Paris, o artista belga Thomas Lerooy apresentou uma metáfora visual perceptiva do estresse mental em uma exibição chamada "Não há cérebro suficiente para sobreviver". A escultura de bronze mostrava um corpo classicamente belo, arqueado pelo peso de uma cabeça grotescamente ampliada e bastante triste. Ao contrário da peça de Lerooy, a cabeça humana não se expande e afunda no chão à medida que sua carga de estresse se torna mais pesada. Fadiga mental depois de um procedimento oftálmico complexo é invisível. O quadro pintado pela exaustão mental é abstrato em comparação com os sinais bem reconhecidos de esforço físico. A tensão mental é um fator limitante de desempenho em uma idade em que a carga física é cada vez mais convertida em carga mental. À medida que avançamos na era da informação, é hora de o enigma do estresse crônico finalmente sair das sombras. *Mithu Storoni, cirurgião do olho, estudou doenças que afetam o cérebro visual. Também escreveu o livro "Stress-Proof: o guia definitivo para viver uma vida livre de estresse". Veja Mais

Homens jovens comem poucos vegetais e preferem ganhar músculos, diz estudo britânico

Glogo - Ciência Pesquisa com rapazes de 18 a 24 anos mostra que a maioria não come três porções de frutas e verduras por dia, e estão mais focados no físico do que na saúde. Participantes do estudo sabiam que o consumo de frutas e verduras traz benefícios à saúde Pixabay Rapazes britânicos de 18 a 24 anos estão mais preocupados em ganhar músculos do que em ter uma alimentação saudável, afirma um estudo social da Universidade de East Anglia, no Reino Unido. A pesquisa, publicada nesta quarta-feira (14) na revista científica "Nutrients", mostra que muitos desses jovens não sabem cozinhar e não apreciam o gosto dos vegetais. De acordo com o estudo, do tipo observacional, homens jovens que têm dietas melhores veem de forma mais positiva a ideia de ter uma dieta saudável. Eles gostam de preparar as próprias refeições e consomem uma ampla variedade de frutas e verduras. "Queríamos descobrir por que muitos rapazes não estão comendo as devidas 5 porções de fruta e verdura por dia", diz a cientista social e responsável pelo estudo, Stephanie Howard Wilsher, em comunicado à imprensa. Ela é especialista em questões de saúde e alimentação. "Isso é muito preocupante, porque os homens são mais propensos do que as mulheres a ter problemas no coração em idade mais avançada, como a doença coronariana, por exemplo", afirma. Métodos usados A pesquisa qualitativa foi realizada por meio de vários "focus groups" (grupos focais, em português) envolvendo 34 homens com idade de 18 a 24 anos. Todos tinham peso normal e vinham tanto de áreas urbanas quanto rurais da Inglaterra. Imagens de revistas e campanhas publicitárias foram usadas para estimular as discussões sobre saúde, dieta e boa forma. Os participantes anotavam em um diário suas práticas de nutrição, durante quatro dias, e foram separados em dois grupos: os que comem mais do que quatro porções de frutas e outros vegetais por dia, e os que comem menos de três porções. "Os que consomem mais acreditam em sua capacidade de comprar e preparar esses alimentos. eles sentem que têm um bom controle de sua dieta e de sua saúde", explica a professora. "Já os que não comem o suficiente, não sabiam cozinhar. Alimentos rápidos são mais fáceis para eles, e frutas e vegetais são vistos como produtos caros, cuja preparação demanda mais tempo", diz. Entretanto, os participantes de ambos os grupos sabem que o consumo de frutas e verduras traz benefícios à saúde - ainda que nem sempre soubessem quais tipos de doenças podem ser evitadas. Por isso, segundo Stephanie Howard Wilsher, os governos precisam adotar novas abordagens para chegar a homens jovens com mensagens que os estimulem a se alimentarem melhor. Especialistas dizem que uma dieta variada de frutas, legumes e verduras é mais rica em nutrientes do que consumir sempre o mesmo tipo de alimento. Andrei Lasc/Unsplash Veja Mais

Mulheres ejaculam? As perguntas que levaram à criação da Pussypedia, a enciclopédia online sobre a vagina

Glogo - Ciência Criado por uma ilustradora mexicana e uma jornalista americana, portal almeja apresentar informações de qualidade sobre o corpo feminino, como a forma de lavar a vulva. Foi montado um portal que tem conteúdo em inglês e em espanhol. Desde julho, quando entrou no ar, a enciclopédia recebeu 130 mil visitas. Ali, são respondidas dúvidas que podem ir desde os assuntos mais simples, como a forma de lavar a vulva BBC As mulheres ejaculam? Depois de conversar sobre o assunto com seu namorado da época, em 2016, a jornalista americana Zoe Mendelson decidiu fazer essa pergunta ao Google. "Encontrei um monte de informação boba e de pouca qualidade. Assim, consultei publicações médicas e tentei compreender o que diziam. Mas não entendia nada, porque não sabia de que partes do corpo estavam falando e nem suas localizações e funções", lembra Zoe em uma conversa por telefone com a BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC. "Percebi que era um problema importante o fato de que toda a informação que eu podia acessar ou era besteira ou insuficiente para mim". Outra conclusão: "E que eu não sabia nada sobre o meu próprio corpo." 'Vergonha é perigosa' Dois anos depois desse episódio, ela e uma amiga, a ilustradora mexicana María Conejo, acabam de estrear um projeto fruto dessa busca por - boas - respostas. É a Pussypedia, uma enciclopédia digital gratuita que se propõe a oferecer informações amplas e confiáveis sobre o corpo feminino. Ela é dedicada à pussy, termo coloquial em inglês que se usa para denominar a vulva - mas ao qual as criadoras do portal deram uma definição mais ampla, como explica a página delas: "Uma combinação de vagina, vulva, clitóris, útero, bexiga, reto, ânus e, quem sabe, alguns testículos". Mas, em pleno século 21, com movimentos feministas como o #MeToo e tantos outros na internet e nas ruas, além da educação sexual integrada a muitos currículos escolares e da internet ao alcance de boa parte da população, por que um projeto assim seria necessário? María responde com duas frases: "A vergonha é perigosa" e "Conhecimento é poder". "Acho que superestimamos a quantidade de progresso obtida (na igualdade de gênero). Seguimos vivendo com muitíssima desigualdade e vergonha de nossos corpos. E nossa sexualidade, ainda que mais aceita na sociedade, continua internalizada em nós", diz Zoe. María concorda: "Todos temos uma atitude como se assumíssemos que já sabemos muitas coisas sobre nosso corpo. Por isso mesmo, não fazemos perguntas sobre certas coisas: porque supõe-se que já deveríamos sabê-las. Mas, na verdade, essa mesma atitude nos limita muito". Com colaboradores, Zoe e María montaram um portal que tem conteúdo em inglês e em espanhol. Desde julho, quando entrou no ar, a enciclopédia recebeu 130 mil visitas. Ali, são respondidas dúvidas que podem ir desde os assuntos mais simples, como a forma de lavar a vulva, aos mais complexos, como a relação entre agrotóxicos e fertilidade. Cada artigo inclui uma lista de fontes usadas. Um próximo passo desejado pela dupla é acrescentar mais conteúdo sobre a saúde sexual transgênero. E uma 'penepedia'? Apesar dos objetivos pela transparência e qualidade, às vezes, há perguntas que simplesmente não têm resposta. Segundo as fundadoras da Pussypedia, isso se deve ao fato de que os genitais femininos (deixando de lado sua função reprodutiva) foram menos estudados que os masculinos. "Não pude nem responder à minha pergunta inicial", lamenta Zoe. "Falta muita informação que hoje é desconhecida ou que não tem acordo na comunidade científica. Por exemplo, de que tipo de tecido é feito a maior parte do corpo do clitóris." Por isso, a dupla descarta a necessidade de uma "penepedia", uma enciclopédia sobre o pênis e o sistema reprodutivo masculino. "Se você procurar qualquer livro médico ou de saúde, vai ver muitas seções. Sobre a vagina, menos", diz a jornalista. Mas, destaca María, ter mais informações disponíveis não significa que os homens tenham um interesse proporcional para buscá-las. "Acho que eles sabem menos", diz a artista mexicana. "Apesar de existirem muitas informações sobre os pênis, acho que há na masculinidade uma atitude de não querer se inteirar sobre o que se passa nos corpos deles, e menos ainda nos nossos." Já no caso das mulheres, o interesse foi expresso na vaquinha online que fizeram no Kickstarter para reunir fundos para a Pussypedia: o objetivo de arrecadação foi alcançado em apenas três dias. No final, elas conseguiram três vezes mais do que a meta inicial, chegando a US$ 22 mil (cerca de R$ 87 mil). O dinheiro as ajudou no impulso inicial, mas depois de "dois anos trabalhando de graça", elas agora precisam que o projeto gere renda se quiserem cumprir a ambição de atualizá-lo continuamente e de pagar a colaboradores. Por isso, no site há a opção de patrocinar um artigo ou de comprar ilustrações de María. "Tenho tentado há cinco anos fazer representações do corpo feminino que exploram a sexualidade ou a refletem de uma maneira diferente, como transformar a maneira como percebemos o corpo nu", diz a ilustradora. "Então, acho que a Pussypedia foi um projeto no qual tudo que eu aprendi durante todo esse tempo finalmente se transformou em algo." Veja Mais

A ciência por trás da timidez

Glogo - Ciência A genética ou nossas experiências definem a extroversão ou a introversão? Ser tímido ou introvertido é a mesma coisa? Veja o que os especialistas já sabem. Genética, cultura, ambiente... O que explica a timidez? Pexels A ideia de se enturmar em uma festa te tira a vontade de sair de casa? Ou só de pensar em fazer uma apresentação para uma sala cheia de pessoas te faz ficar angustiado dias antes deste evento de fato acontecer? Se sim, então você não está sozinho. Akindele Michael era um garoto tímido. Crescendo na Nigéria, ele passou muito tempo no interior da casa de seus pais. Estes, aliás, não são tímidos. Michael acredita que sua criação dentro de casa explica sua timidez. Ele está certo? Está em parte, responde Thalia Eley, professora de genética do desenvolvimento e do comportamento no King's College London. "Pensamos na timidez como um traço de temperamento, e temperamento é uma espécie de precursor da personalidade", explica. "Quando crianças muito pequenas começam a se envolver com outras pessoas, você percebe uma variação no conforto que sentem ao falar com um adulto desconhecido." Eley diz que apenas cerca de 30% da timidez como característica se deve à genética; o resto vem como uma resposta ao entorno. A maior parte do que sabemos sobre a genética da timidez vem de estudos que compararam esta característica em gêmeos idênticos – cópias genéticas perfeitas um do outro – com gêmeos não-idênticos – que compartilham apenas metade dos mesmos genes. Na última década, cientistas como Eley começaram a examinar o DNA em si para tentar encontrar variantes genéticas que possam afetar a personalidade e a saúde mental. Cada variante genética individual tem um efeito minúsculo, mas quando você considera as milhares de combinações possíveis, o impacto começa a ser mais perceptível. Mesmo assim, a influência dos genes na timidez não pode ser tomada isoladamente. "Não haverá um, dez ou cem genes envolvidos. Haverá milhares", diz Eley. "Então, se você pensar em todo o genoma de ambos os pais [de uma criança], existem centenas de milhares de variantes genéticas relevantes". Assim, o ambiente é quase mais importante para desenvolver esses tipos de características, ela diz. E uma das coisas interessantes sobre genética é que isso leva a nos conectar com aspectos do ambiente que correspondem às nossas predisposições reais. Especialista destaca que genética e ambiente formam 'sistema dinâmico' na definição da timidez – e, por isso, é passível de ser tratada em terapias Pexels Por exemplo, uma criança tímida pode ser mais propensa a se isolar em um playground e assistir aos outros em vez de se envolver. Isso faz com que crianças assim se sintam mais confortáveis ​​estando sozinhas, porque isso se torna sua experiência recorrente. "Não é que seja um ou outro: são ambos [genética e ambiente] trabalhando juntos ", diz a pesquisadora. "É um sistema dinâmico. E por causa disso, é sempre possível mudá-lo através de terapias psicológicas." A timidez é necessariamente uma coisa ruim? Chloe Foster, psicóloga clínica do Centro de Transtornos de Ansiedade e Trauma em Londres, diz que a timidez em si é bastante comum, normal e não causa problemas - a menos que se transforme em uma ansiedade social maior. Foster diz que as pessoas que trata buscam ajuda quando "estão começando a evitar coisas que precisam fazer", como falar com outras no trabalho, socializar ou estar em uma situação em que acham que serão julgadas. Por sua parte, Eley acredita que pode haver razões evolucionárias para as pessoas desenvolverem traços de personalidade tímidos. "Era útil ter pessoas do grupo lá fora, explorando e participando de novas comunidades; mas também era útil ter pessoas mais avessas ao risco, conscientes das ameaças. Estas faziam um trabalho melhor protegendo os filhotes jovens, por exemplo." A pesquisadora avalia que a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a mais eficaz para pessoas com timidez e ansiedade social. Essa terapia, baseada em evidências, funciona tentando mudar padrões de pensamento e comportamento. A TCC ajuda, por exemplo, a identificar pensamentos negativos ou comportamentos que acreditamos nos ajudar, mas na verdade podem estar gerando mais ansiedade social – como ensaiar com antecedência uma fala ou evitar o contato visual. Fobia social: quando o sofrimento pela timidez é tanto que a saída é se esconder Às vezes, o problema é que pessoas tímidas que sofrem com situações como falar em público muitas vezes estabelecem padrões muito elevados para como essas situações devem se desenrolar, explica Foster. "Elas podem achar que não podem tropeçar nas palavras... ou que têm que ser tão interessantes que todos devem ficar totalmente fascinados no que estão dizendo o tempo todo." Se estas pessoas forem capazes de aliviar um pouco da pressão sobre si mesmos, de fazer curtas pausas para respirar, a ansiedade pode ser um pouco aliviada. 'Quando crianças muito pequenas começam a se envolver com outras pessoas, você percebe uma variação no conforto que sentem ao falar com um adulto desconhecido', diz Eley Pexels Outra coisa que pode ajudar é se concentrar externamente no que está acontecendo ao redor, em vez de internamente em como a ansiedade está fazendo você se sentir fisicamente. Concentrar-se no público, em vez de em si mesmo, pode contribuir. Desafiar-se a estar mais aberto a novas situações também pode ajudar: "Quanto mais você puder se envolver em situações sociais, mais confiante ficará. Mas lembre-se de abordar estas situações sociais de uma maneira nova também". Ou seja: é importante mudar o script (roteiro). Pergunte a si mesmo o que mais teme sobre situações sociais. Você está preocupado em parecer chato? Ou ficar sem coisas para dizer? Quanto mais você conhecer sua ansiedade, mais poderá começar a desafiá-la. Qual é a diferença entre timidez e introversão? Jessie Sun, doutoranda na Universidade da Califórnia em Davis que pesquisa a psicologia por trás da personalidade, destaca que a timidez e a introversão não são a mesma coisa. Enquanto para muitas pessoas a introversão tem a ver com o interesse em explorar pensamentos, para os psicólogos ela faz parte de uma dimensão diferente da personalidade: a abertura a experiências. Pessoas tímidas são comumente introvertidas, mas elas também podem ser extrovertidos cuja ansiedade atrapalhou a sociabilidade. E os introvertidos não-tímidos podem ser socialmente hábeis, mas que preferem a própria companhia. Sun diz que "a personalidade é consistentemente um dos mais fortes indicadores da felicidade, e a extroversão tem associações especialmente consistentes com o bem-estar". "As pessoas que são extrovertidas tendem a experimentar mais sentimentos de entusiasmo e alegria, enquanto as introvertidas tendem a sentir essas coisas com menos frequência", explica. Mas os introvertidos poderiam absorver um pouco dessa alegria e entusiasmo simplesmente agindo de forma extrovertida? Sun e seus colegas fizeram um experimento. Eles pediram para as pessoas agirem com extroversão por uma semana inteira - um tempo demorado para quem é tímido. "Pedimos a elas que agissem de forma ousada, falante, ativa e assertiva o máximo possível", lembra. A equipe descobriu que, para pessoas normalmente extrovertidas, agir consistentemente desse jeito ao longo de uma semana significou que elas experimentaram mais emoções positivas e se sentiram mais "autênticas". Mas as mais introvertidas não experimentaram essa "injeção" de emoções positivas. Aquelas extremamente introvertidas chegaram a se sentir cansadas e experimentaram mais emoções negativas. "Eu acho que a principal lição é: provavelmente é demais pedir a pessoas introvertidas ou muito tímidas que ajam de forma extrovertida por uma semana inteira. Mas elas podem considerar 'atuar' extrovertidamente em algumas poucas ocasiões", diz Sun. E a cultura? A depender do lugar no planeta, extroversão pode ser mais valorizada que reserva, e vice-versa Pexels Vimos como o ambiente desempenha um papel importante no fato de sermos tímidos ou não. Mas a cultura também pode influenciar? Diz-se que os Estados Unidos valorizam o comportamento confiante e extrovertido em detrimento da introversão, enquanto estudos descobriram que em partes da Ásia, como no Japão e na China, é mais desejável ser quieto e reservado. Atitudes em relação ao contato visual também variam enormemente de país para país. Kris Rugsaken, professor aposentado de estudos asiáticos na Ball State University, diz que "enquanto um bom contato visual é esperado e valorizado no Ocidente, é visto como sinal de desrespeito e desafio em outras culturas, incluindo asiáticas e africanas". "Quanto menos contato visual esses grupos tiverem com um indivíduo, mais respeito eles demonstram." Apesar dessas diferenças culturais, Sun diz que a pesquisa parece mostrar que os extrovertidos tendem a ser mais felizes mesmo nos países onde a introversão é mais respeitada, mas o grau de felicidade é menos acentuado nesses lugares. Assim, embora a pesquisa sugira que os extrovertidos acabam sendo mais felizes onde quer que estejam no mundo, ser introvertido não é necessariamente negativo - assim como ser extrovertido nem sempre é positivo. "Não pense na introversão como algo a ser curado", escreve Susan Cain em seu livro O poder dos quietos. "Há uma correlação zero entre ser o mais falante e ter as melhores ideias". Veja Mais

Como o Twitter ajudou vítima de abuso sexual a enfrentar exame ginecológico

Glogo - Ciência Anneli Roberts nunca tinha feito exame de papanicolau e compartilhou seus receios no Twitter; inúmeras mensagens de apoio e dicas de usuários da rede social a ajudaram a se submeter a procedimento, usado para rastrear câncer de colo de útero. Anneli Roberts, vítima de abuso sexual, nunca tinha feito um exame de papanicolau e compartilhou isso no Twitter Anneli Roberts/Divulgação "Acabei de marcar meu primeiro exame de papanicolau. Demorou anos para ter coragem. Tenho 29 anos e sobrevivi a abusos sexuais. Hoje tive um estalo e marquei a consulta. Que tal um abraço coletivo?". A mensagem foi publicada no dia 5 de agosto por Anneli Roberts, do País de Gales, no Reino Unido. Dinamarca prescreve ‘vitamina de cultura’ para pacientes com depressão 8 testes simples de saúde que você pode fazer em casa Com mais de 55 mil curtidas, 3 mil comentários e 1 mil retuítes, ela logo descobriu que o pedido por um abraço coletivo deu início a algo muito maior: uma grande conversa global, repleta de conselhos, apoio e confissões sobre o exame ginecológico usado na prevenção do câncer de colo de útero. Anneli diz que ficou chocada com a quantidade de pessoas que entraram em contato com ela e a repercussão do tuíte, publicado três dias antes da consulta. Pessoas opinaram de diferentes lugares do mundo sobre por que algumas mulheres evitam o papanicolau ou como fazer para reduzir a ansiedade e preocupação com o procedimento. "Eu costumo conversar muito no Twitter. Dou apoio a campanhas por saúde mental e o retorno na plataforma realmente ajuda", diz Anneli. "Tuitei sobre a consulta porque queria prestar contas com meus seguidores. Tinha agendado uma outra vez, mas cancelei", conta ela. Anneli diz que ficou surpresa com a reação, uma vez que as pessoas estão sempre com medo de falar sobre o tema. "Você pensa: sou a única que está tendo dificuldade?". Ela conta que recebeu muitos conselhos bons que acabou adotando. "Muitas mulheres me disseram para falar com a enfermeira e eu não imaginei como isso ia ser importante e útil antes de ter tuitado". Anneli escreveu um post mais detalhado num blog sobre a experiência na consulta, contando que vestiu uma saia, acatando o conselho dado por várias pessoas, de que isso a ajudaria a encarar o procedimento. Ela também contou à enfermeira o seu histórico de vítima de abuso sexual íntimo. No Reino Unido, normalmente são enfermeiras e não médicos quem fazem o exame de papanicolau, no qual é introduzido um pequeno instrumento - chamado espéculo - na vagina, para manter o canal vaginal aberto e permitir a observação do colo do útero. Em seguida são coletadas amostras de células da parede vaginal e do colo do útero - para análise em laboratório. Anneli conta que recebeu mensagens de profissionais da área de saúde. Médicos lhe disseram que jamais pensaram que mulheres poderiam estar evitando fazer o exame de papanicolau - não porque se sentiam constrangidas, mas porque havia muitas outras razões para impedi-las de querer serem examinadas. Initial plugin text Initial plugin text Alguns homens e mulheres responderam ao tuíte de Anneli revelando as próprias histórias de abuso sexual e como pensaram duas vezes antes de se submeter a certos exames e procedimentos. Homens escreveram sobre os desafios de fazer o exame de toque retal, também conhecido como exame de próstata, e algumas mulheres admitiram que não sabiam o que esperar do primeiro exame de papanicolau que estavam prestes a fazer. Heather Sales, de 44 anos, é uma das que respondeu ao tuíte original de Anneli. Ela aconselhou a pedir que a enfermeira usasse um espéculo menor, o que faria o exame parecer menos intrusivo. À BBC, Heather disse que ela também teve problemas em fazer exames de papanicolau e que ficava ansiosa por motivos parecidos. "Isso foi anos antes de uma enfermeira me perguntar se eu preferia um espéculo menor", conta. Heather diz que antes disso acontecer, ela nem sabia que podia escolher o tamanho do espéculo. Achou que não ofereciam a alternativa porque seria mais difícil coletar o material com espéculos menores. "Elas são, com certeza, menos assustadoras que os espéculos grandes. Acho que deveriam ser uma opção para mulheres que claramente estão ansiosas". Outra usuária do Twitter compartilhou a própria experiência dizendo que sempre achou que os exames de papanicolau eram muito desconfortáveis. "Na hora do exame, digo firmemente 'acho esse procedimento difícil e às vezes fico com os músculos tensos. Por favor, pare quando eu lhe pedir e só reinicie quando eu disser (que pode)'". "Eles são geralmente muito, muito legais e conversam sobre o tempo, feriados ou algo que me distraia." "Eu queria oferecer apoio fraterno à jovem corajosa e dar a ela palavras que às vezes você não tem quando está estressado. Eu tive boas e más experiências de teste de papanicolau, e tudo isso depende muito da forma que as pessoas fazem o exame". Essa usuária contou que, uma vez, uma enfermeira disse "vou ter que fazer isso" na hora em que os músculos da vagina estavam tensos, provocando dor ao forçar o espéculo. "Me senti violada e com dor. Agora sou muito clara em falar (como quero que o exame seja feito)". Anneli disse que, embora não tenha sido capaz de responder a todos, era animador ver estranhos conversando sobre o assunto. "Toda vez que eu senti que não era capaz de ir em frente, olhei para as respostas e isso me fez sentir mais forte", disse ela. Em seu blog pessoal, Anneli acrescentou que se sentiu aliviada depois de tudo, mas que pessoas que sofreram agressão sexual podem ter um longo caminho pela frente antes de se sentir preparadas para um exame tão íntimo. Ela disse: "O procedimento não foi doloroso ou realmente desconfortável. A enfermeira era simpática e incrivelmente compreensiva. Não demorou muito e, sim, estou feliz por ter ido". "Mas dizer essas coisas e esperar que outras vítimas de agressão sexual, abuso e estupro se convençam de que não há razões para se preocupar seria fazer um desserviço a essas mulheres." Veja Mais

Em parceria com USP e HC, startup testa nanotecnologia para eliminar remédios em cápsulas

Glogo - Ciência Tecnologia deve ajudar pessoas com dificuldade para engolir comprimidos e pode ser usada em cosméticos e suplementos. Processo pode baratear custos dos medicamentos no Brasil. Técnica reduz tamanho de comprimidos e melhora absorção de remédios Há um mês, o aposentado Hélio do Nascimento precisou ser hospitalizado porque ficou engasgado com um comprimido. O remédio acabou preso no esôfago dele e causou um susto para a família. “Chegou a um ponto que a água voltava pela boca e pelo nariz. Fiquei internado por dois dias. Passei por um sufoco, pensei que não fosse sair daquele problema”, diz. A dificuldade do idoso em engolir medicamentos levou uma startup de Ribeirão Preto (SP) a desenvolver uma técnica capaz de eliminar cápsulas e até produzir colírios que podem ser absorvidos mesmo com as pálpebras fechadas. Em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e o Hospital das Clínicas (HC), pesquisadores utilizam a nanotecnologia para produzir remédios, sem perdas à ação dos compostos farmacêuticos. Uso da tecnologia nano pode ajudar pessoas que têm dificuldade para engolir comprimidos Reprodução/EPTV Submetida a uma máquina que trabalha com alta pressão, a molécula do princípio ativo - como, por exemplo, a vitamina C - fica um bilhão de vezes menor e pode ser misturada na água ou no suco, facilitando a ingestão pelo paciente. “Um óleo nutriente, utilizado para prevenção de doenças cardíacas, a gente consegue solubilizar na água. Ele tem um tamanho de partícula bem pequenininho. Isso facilita a ingestão por crianças, idosos e outras pessoas que utilizam”, explica o farmacêutico Gustavo Cadurim. A startup, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), acaba de receber a licença da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para desenvolver alimentos, remédios e cosméticos em versão nano. O investimento é de R$ 1 milhão. Colírios com nano tecnologia podem ser borrifados nos olhos com as pálpebras fechadas Reprodução/EPTV Até colírios podem ser borrifados com as pálpebras fechadas, sem perder a eficácia. Cápsulas de ômega três, um óleo encontrado em peixes e indicado para doenças do coração e do cérebro, viram gotas. “Ele facilita a ingestão por quem não consegue tomar as cápsulas oleosas, porque eles podem causar problemas na hora da deglutição. Com essa forma hidrossolúvel, a gente consegue colocar na água ou em qualquer outra bebida” , afirma. Além disso, ainda de acordo com o farmacêutico, a absorção das substâncias pelo organismo chega a ser dez vezes maior do que a obtida com a ingestão de cápsulas. Máquina submete princípios ativos à alta pressão Reprodução/EPTV Segundo Guilherme Spuri Bernardi, CEO da startup, o processo de nanotecnologia deve baratear o custo dos produtos feitos no Brasil. “Esse investimento que está sendo realizado vai propiciar nossa indústria a trazer tecnologias que só existem lá fora, o que vai baratear o produto para o consumidor final, além de geração de empregos e impostos. É coisa que a gente deixa de importar para fabricar aqui”, diz. A tecnologia da miniatura também ajuda a deixar o gosto e o cheiro dos medicamentos mais agradáveis. Os pesquisadores dizem que o processo de fabricação só usa produtos naturais. Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca Veja Mais

CNPq já usou 88% da verba para pagamento de bolsas de pesquisa em 2019

Glogo - Ciência Faltando mais de um terço do ano, crédito extra de R$ 330 milhões, aprovado em junho pelo Congresso, ainda não foi liberado pelo Ministério da Economia, que diz estar avaliando o pedido. Passados pouco menos de dois terços do ano, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) já usou 88% da verba que tem disponível em 2019 para o pagamento de bolsas de pesquisa. Segundo os dados do Portal do Orçamento levantados pelo G1, R$ 690.618.881 já haviam sido pagos até sexta-feira (9) – o total previsto até dezembro é de R$ 784.787.619. O CNPq estima que o restante só será suficiente para garantir as bolsas de quase 80 mil pesquisadores em agosto e setembro. A contrapartida das bolsas é que os beneficiados não mantenham outro trabalho remunerado e se dediquem exclusivamente à pesquisa. Desde o ano passado, o CNPq alerta que necessita de pelo menos R$ 300 milhões para conseguir honrar os pagamentos referentes a outubro, novembro e dezembro. Crédito extra ainda não foi garantido Usado como condição do governo federal para a aprovação de R$ 248,9 bilhões em crédito suplementar no Congresso Nacional, há dois meses, o repasse de R$ 330 milhões para resolver esse problema ainda não está garantido. Ele ainda depende que o Ministério da Economia autorize a abertura do crédito extra, mas a pasta diz que ainda "avalia o pedido". O crédito suplementar é um reforço no orçamento aprovado na Lei Orçamentária Anual (LOA). Trata-se de uma forma de o governo federal conseguir contrair dívidas para poder pagar as despesas já previstas na lei, mas isso só não configura crime de responsabilidade caso o Congresso Nacional autorize a medida. Isso aconteceu em 11 de junho, com quase unanimidade dos parlamentares, depois que o Poder Executivo entrou em um acordo com os parlamentares e se comprometeu a liberar R$ 330 milhões ao pagamento das bolsas do CNPq, além de outros itens. "O governo cedeu naquilo que podia. Fez conta, estica e puxa, então o acordo está feito, vamos em frente", afirmou na época a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), líder do governo na Câmara (assista ao vídeo abaixo). Congresso aprova pedido do Governo de crédito extra de quase R$ 250 bilhões A partir dessa aprovação, o crédito ainda precisa ser aberto pelo Ministério da Economia, que em janeiro absorveu o antigo Ministério do Planejamento. Sessão do Congresso Nacional que aprovou R$ 248,9 bilhões em crédito suplementar para o Poder Executivo Luis Macedo/Câmara dos Deputados Crédito extra x contingenciamento As bolsas do CNPq, ao contrário de outras ações não obrigatórias do governo federal, não tem problemas com os contingenciamentos anunciados durante o ano. O valor de R$ 330 milhões não era um investimento previsto na lei orçamentária, e que foi bloqueado no decorrer do ano. Mas, em entrevista ao G1 em abril, o presidente do órgão, João Luiz Filgueiras de Azevedo, explicou que o valor previsto no orçamento aprovado em 2018 já não seria suficiente para cobrir as despesas programadas. O único jeito de resolver esse problema é por meio do crédito suplementar. Desde abril, o ministro Marcos Pontes determinou que essa ação do conselho fosse poupada de bloqueios, já que o valor estava previsto para acabar em setembro. Em julho, ele afirmou, em agenda em Mato Grosso do Sul, que queria resolver a questão do crédito extra "ainda este mês". Sessão do Congresso Nacional que aprovou R$ 248,9 bilhões em crédito suplementar para o Poder Executivo Luis Macedo/Câmara dos Deputados Avaliação desde março Ao G1, o Ministério da Economia disse, nesta sexta, que avalia desde 1º de março "a suplementação de dotação orçamentária para pagamento de bolsas do CNPq". O pedido de avaliação foi feito pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTIC), ao qual o CNPq está vinculado. Ainda segundo o ministério, em março deste ano o MCTIC fez um primeiro pedido à Junta de Execução Orçamentária (JEO) da Economia referente a R$ 310 milhões em crédito extra. Mas, em 30 de julho, a equipe do ministro Marcos Pontes atualizou a necessidade de crédito para o pagamento de bolsas para R$ 330 milhões. O Ministério da Economia disse que não existe prazo para que essa análise seja concluída, e não informou quantos pedidos semelhantes já foram analisados por outros órgãos, nem o período médio que a JEO leva para fazer essa avaliação. As aberturas de crédito suplementar são publicadas no "Diário Oficial da União". Desde 11 de junho, o Ministério da Economia já autorizou a abertura de crédito extra para diversos orgãos, como R$ 450 milhões em favor do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em 3 de julho, ou R$ 45 milhões em favor de ações dos ministérios da Educação, da Justiça e Segurança Pública, da Saúde e do Desenvolvimento Regional, em 26 de junho. O MCTIC já recebeu abertura de crédito extra para outras atividades. Também em 26 de junho, foram liberados, por exemplo, R$ 5,5 milhões para "desenvolvimento, lançamento e operação de satélites" e R$ 2 milhões para "manutenção de contrato de gestão com Organizações Sociais". Veja Mais

Cubanos que quiserem trabalhar como médico no Brasil terão que revalidar diploma, diz ministro da Saúde

Glogo - Ciência Após visto de permanência, profissionais que atuaram no programa Mais Médicos terão que fazer revalidação 'como qualquer médico formado no exterior', segundo Mandetta. Ministro da Saúde participou de evento em Florianópolis Reprodução/NSC TV O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse nesta sexta-feira (9) em evento em Florianópolis que os médicos cubanos que permanecem no país terão que revalidar o diploma para continuar atuando na profissão. Ainda em junho, antes do lançamento do programa Médicos Pelo Brasil para substituir o Mais Médicos, o Ministério da Saúde chegou a informar que estava discutindo "alternativas para o exercício profissional" dos médicos de Cuba. "Os médicos cubanos eles deixaram [o programa Mais Médicos], Cuba rompeu. Eles receberam nesta semana o visto permanente, agora precisa ter todo o trabalho de revalidação de diploma como qualquer médico formado no exterior precisa ter para exercer a profissão no Brasil", afirmou o ministro Mandetta. Em novembro de 2018, o governo de Cuba decidiu sair do programa Mais Médicos. Na época, o país citou "referências diretas, depreciativas e ameaçadoras" feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro à presença dos médicos cubanos no Brasil. O país caribenho enviou profissionais para atuar no Sistema Único de Saúde desde o ano de 2013, quando o governo da então presidente Dilma Rousseff criou o programa para atender regiões carentes sem cobertura médica. Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, participou de evento em Florianópolis Cristiano Andujar/Divulgação Mais Médicos prorrogado sem contemplar SC Na quarta-feira (7) foi divulgada uma lista oficial de médicos aptos à prorrogação do programa Mais Médicos. Não há profissionais lotados em Santa Catarina nesta nova listagem. O ministro rebateu a situação falando de outros programas que estariam reforçando o atendimento médico à população. "O que a gente fez foi primeiro lançar um programa chamado 'Saúde na Hora' que é tipicamente para as cidades com maior IDH, cidades médias e cidades grandes. A cidade que mais aderiu, que tem maior volume de unidades, é Florianópolis. Que é você triplicar o valor do custeio, o maior custeio era R$ 40 mil para R$ 116 mil, para que elas possam trabalhar das 7h até as 22h. Inclusive flexibilizando o vínculo de horário dos médicos, que era 40 horas para 20 horas. Facilitar os jogos de cobertura", completou o ministro. Ainda segundo Mandetta, Santa Catarina tem condições de atrair profissionais por conta própria. "O programa que lançamos agora, na semana passada, chamado 'Médicos pelo Brasil', ele utiliza os critérios da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), do IBGE, que classifica os diferentes ambientes. Não existe nenhum critério político, sim critério técnico. Às vezes você não tem a dificuldade de colocar, você precisa do recurso para colocar o profissional. Eu acho que Santa Catarina é um estado que tem total condição, com os recursos que nós estamos colocando a mais na atenção básica, tem condições de atrair profissionais para cá", finalizou. Veja mais notícias do estado no G1 SC Veja Mais

Ação da Bayer dispara após notícia de que propôs pagar US$ 8 bilhões em acordos por Roundup

Glogo - Ciência Empresa enfrenta mais de 18 mil processos judiciais nos EUA relacionadas ao herbicida mais usado no mundo. Agrotóxico Roundup, da Monsanto, comprada pela Bayer, é visto em prateleira de varejista próximo a Bruxelas Yves Herman/Reuters As ações da Bayer subiram até 11% nesta sexta-feira após a publicação de uma notícia que aponta que a empresa alemã propôs pagar até US$ 8 bilhões para encerrar mais de 18 mil processos judiciais nos EUA relacionadas ao herbicida Roundup, feito com glifosato. A ação da Bayer estava a caminho de seu maior ganho em um único dia em uma década, conforme operadores disseram que o movimento, noticiado pela Bloomberg, poderia aliviar a pressão sobre a companhia. As ações da Bayer perderam mais de um terço, ou cerca de 30 bilhões de euros, em valor de mercado desde agosto do ano passado, quando um júri da Califórnia concluiu que a Monsanto deveria ter alertado sobre os supostos riscos de câncer do Roundup. A Bayer adquiriu a Monsanto em um acordo de US$ 63 bilhões no ano passado. A Bayer não quis comentar o assunto. O glifosato é o herbicida mais usado no mundo. O Roundup da Monsanto foi o primeiro herbicida à base de glifosato, mas não é mais protegido por patente e muitas outras versões já estão disponíveis. Glifosato: mitos e verdades sobre um dos agrotóxicos mais usados do mundo Veja Mais

As 3 características que fazem de alguém uma boa pessoa

Glogo - Ciência A 'tríade obscura' nos torna mais criativos, mas também mais propensos a trapacear. Acontece que há uma faceta oposta – a 'tríade de luz' – que poderia explicar por que alguns de nós são naturalmente bons. Um grupo de psicólogos criou uma nova maneira de categorizar traços de personalidade benéficos Pixabay Você tende a ver o melhor das pessoas ou presume que os outros estão querendo te trapacear? Prioriza a honestidade na conversa ou prefere manter o charme a qualquer custo? Suas respostas determinam em parte o quanto você é um "santo cotidiano", de acordo com um grupo de psicólogos que surgiu com uma nova maneira de categorizar traços de personalidade benéficos. Ajuda a entrar nesse grupo se você vê os humanos, e a humanidade em geral, como fundamentalmente bons - e os trata dessa maneira também. Duas décadas atrás, psicólogos surgiram com a agora infame "tríade obscura" dos traços de personalidade para entender pessoas como as que não pensam duas vezes antes de trapacear em um teste ou aquelas que caem em cima de alguém mais fraco. Desde então, os pesquisadores se apoderaram desse trio - narcisismo, maquiavelismo e psicopatia -, relacionando-o a uma variedade de coisas, como sucesso no trabalho, problemas de relacionamento e até mesmo os "sete pecados capitais". É exatamente por isso que Scott Barry Kaufman, psicólogo da Universidade Columbia, nos EUA, decidiu que era hora de recompor o equilíbrio em favor do lado positivo de nossas vidas. "Fiquei bastante frustrado com o fato de as pessoas serem tão fascinadas com o lado sombrio, enquanto o lado da luz da personalidade estava sendo negligenciado", explica. Como sua contraparte sombria, a "tríade de luz" investigada por Kaufman e seus colegas compreende três traços de personalidade. Cada um deles destaca um aspecto diferente de como você interage com os outros: de ver o melhor nas pessoas a ser rápido em perdoar, do aplaudir o sucesso dos outros a ficar desconfortável manipulando as pessoas. Afinal, que características são essas? O que os 'santos do cotidiano' precisam ter O primeiro traço, o humanismo, é definido como acreditar na dignidade inerente e no valor de outros seres humanos. O segundo, o kantismo, recebe o nome do filósofo Immanuel Kant, e neste caso indica tratar as pessoas como fins em si mesmas, não apenas como peões involuntários em seu jogo pessoal de xadrez. Finalmente, a "fé na humanidade" é sobre acreditar que os outros humanos são fundamentalmente bons e não querem tirar vantagem de você. William Fleeson, psicólogo da Universidade Wake Forest, nos EUA, diz que as três características se encaixam bem na pesquisa existente sobre o que faz de alguém uma boa pessoa. Em particular, acreditar que outras pessoas são boas parece ser fundamental. "Quanto mais alguém acredita que os outros são bons, menos sente a necessidade de proteger-se e de punir os outros quando estes fazem algo ruim", detalha. Os "santos do cotidiano" não estão apenas beneficiando o resto do mundo com sua gentileza. Kaufman descobriu que aqueles que têm uma alta classificação nestes traços apresentam maior autoestima, senso de identidade e satisfação com seus relacionamentos e com a vida em geral. Uma série de características fortes também se mostraram ligadas a pontuações altas, como curiosidade, entusiasmo, amor, bondade, trabalho em equipe, perdão e gratidão. Um pouco de luz, um pouco de sombra Em vez de ser apenas luz ou obscuridade, a maioria das pessoas será uma mistura. Você pode fazer um teste que mostrará seus níveis de personalidade leve e sombria no site de Kaufman (em inglês). Enquanto alguém que tem uma pontuação alta em traços de personalidade leve provavelmente terá uma pontuação baixa para os obscuros, ficou claro durante os estudos de Kaufman que estas facetas não estão realmente em oposição direta uma à outra, apoiando a ideia de que somos todos um pouco ambos. Isso pode ser uma coisa boa. Aqueles com personalidades mais sombrias tendem a ser mais corajosos e assertivos, por exemplo - dois traços que são úteis quando se tenta colocar as coisas em prática. Personalidades mais obscuras também estão correlacionadas com a criatividade e a habilidade de liderança. "Eu acho que essa dualidade está em todos nós", diz ele. "Abraçar o lado obscuro é realmente uma coisa muito boa, e aproveitá-lo de forma saudável por seu potencial criativo é mais importante do que fingir que ele não está ali." Mesmo se você se virar para o lado da luz, isso não significa que sua vida será toda iluminada. Uma faceta do kantismo, por exemplo, é o preceito de permanecer autêntico, mesmo que isso possa prejudicar sua reputação. Alguém que vive assim poderá, em nome de permanecer fiel a si mesmo, acabar em uma posição controversa. "Às vezes, a autenticidade exige tomar uma posição", diz Kaufman. "Mas você não está fazendo isso de uma maneira que está tentando manipular alguém." Tomemos o exemplo de Dorothy Day, uma jornalista e ativista americana que morreu em 1980. Ela dedicou sua vida à justiça social e à assistência aos pobres, fundando abrigos, por exemplo. Por sua trajetória de doação, alguns defendem que ela seja canonizada pela Igreja Católica. Mas ela nem sempre teria sido considerada agradável por todos. "Ela era extremamente moralista, viveu na pobreza e muitas vezes perdeu amizades por conta de sua postura", diz Fleeson. Aqueles com personalidades mais leves também tendem a se sentir mais culpados - o que não é necessariamente uma coisa ruim, diz Taya Cohen, da Tepper School of Business da Universidade Carnegie Mellon, nos EUA. Há uma diferença entre sentimentos saudáveis ​​de culpa desencadeados por nossas próprias ações e ruminações nocivas que poderiam ser classificadas como vergonha, diz ela. "Mesmo que o sentimento de culpa seja desagradável, em geral, ele ajuda as pessoas a se comportarem de maneiras mais apropriadas". De fato, a pesquisa vinculou a tendência à culpa a uma variedade de comportamentos positivos em diferentes aspectos da vida das pessoas. Por exemplo, se você derramasse acidentalmente vinho sobre o tapete novo e claro de um amigo e depois movesse uma cadeira para cobrir a mancha, como você se sentiria no dia seguinte? Metamorfoses ambulantes Aqueles que sentem que agiram mal são mais propensos à culpa. Mas essa culpa é, na verdade, apenas sentir uma profunda responsabilidade pelos outros, diz Cohen – uma luz interior que nos guia para fazer a coisa certa. Se você tem medo de não se sair muito bem no teste da "tríade de luz", considere que nossas personalidades são mais mutáveis ​​do que você imagina. Embora o trabalho feito por Fleeson e seus colegas tenha constatado que as pessoas tendem a ser moralmente consistentes a curto prazo, durante um período mais longo, pode haver espaço para manobras. Day - que está a caminho de se tornar uma santa oficial – acreditava que alguém poderia escolher tornar-se uma pessoa melhor também, forçando-se a mudar de forma lenta mas consistente ao longo do tempo. Enquanto ainda não há pesquisas para mostrar que a sua ideia funciona para todos, há evidências de que a personalidade é um tanto maleável ao longo de nossas vidas. "Eu acho que a personalidade é apenas uma combinação de hábitos, estados de pensamento, ação e sentimento no mundo, e que podemos mudar esses hábitos", diz Kaufman. Estudos também mostram que a tendência à culpa tende a aumentar ao longo da vida adulta, dos 20 aos 60 anos, então há uma chance de você acabar se tornando mais "santo" à medida que envelhece, quer você goste disso ou não. O trabalho de Kaufman com a tríade de luz traz uma mensagem esperançosa sobre os humanos em geral. Mais de mil pessoas realizaram os dois testes para revelar seus traços de personalidade leves e obscuros - e em média, os testados inclinaram-se mais para o lado da luz. "Isso é uma espécie de verificação de que, apesar dos horrores do mundo, as pessoas são por padrão basicamente inclinadas para o lado da luz", aponta. Se mais trabalhos sobre esta tríade encontrarem a mesma coisa, isto reforçará a ideia de que, apesar de todas as nossas falhas, as pessoas são basicamente boas. Talvez isso seja suficiente para estimular a fé na humanidade de qualquer um que esteja oscilando entre o lado sombrio e o lado leve de sua personalidade, e incline a balança a favor da "santidade" cotidiana. Veja Mais

Caminhar libera 'superpoderes', diz neurocientista

Glogo - Ciência “Precisamos nos manter mais ativos ao longo do dia todo”, afirma Shane O´Mara Caminhar nos deixa mais saudáveis, felizes e “afia” o cérebro. O neurocientista Shane O´Mara, que acabou de lançar o livro “In praise of walking” (em tradução livre, “Um elogio à caminhada”), garante que o hábito de perambular equivale a liberar superpoderes dentro de nosso corpo. Portanto, para quem se recusa a frequentar uma academia, ele sugere algo simples, mas, ao mesmo tempo, eficiente: calçar um par de tênis confortáveis e sair por aí. O cerne da tese de O´Mara, professor do Trinity College Dublin, é que o cérebro precisa de movimento para funcionar bem. “Nosso sistema sensorial funciona melhor quando nos movimentamos”, declarou à repórter Amy Fleming, do jornal “The Guardian” – a entrevista, claro, foi dada enquanto eles andavam pela cidade de Dublin. Para ele, é o que mantém ativo o que chama de nosso GPS interno, o “mapa cognitivo” que armazena e organiza as informações. O neurocientista Shane O´Mara, autor do livro “In praise of walking”, enfatiza as vantagens de caminhar Wikimedia Commons O entusiasmo pelas caminhadas se relaciona com seus estudos na área de pesquisa experimental do cérebro. Ele ensina que os circuitos cerebrais associados à capacidade de aprendizado, memória e cognição são os mesmos afetados por estresse, depressão e ansiedade – e afirma que, quando estamos em movimento, ondas cerebrais neutralizam esses efeitos negativos. “Apesar de não termos ainda um volume de dados suficiente, é razoável supor que, em determinados casos de lesões no cérebro, haverá grandes benefícios se o paciente puder andar, devidamente supervisionado”, explica. A atividade aeróbica também estimula os fatores neurotróficos, que são moléculas relacionadas ao crescimento e à sobrevivência dos neurônios. “Você pode pensar neles como fertilizantes moleculares, que aumentam a resiliência para fazer frente ao envelhecimento”, diz O´Mara, que considera um “erro terrível” que o simples ato de caminhar não seja encarado como exercício. “O que precisamos é ser mais ativos ao longo do dia todo”, enfatiza. Veja Mais

Governo divulga lista oficial com profissionais aptos à prorrogação do programa Mais Médicos

Glogo - Ciência O Ministério da Saúde prorrogou por mais três anos o tempo de serviço dos profissionais listados pelo "Diário Oficial da União". Programa Mais Médicos foi criado em 2013 no Brasil Karina Zambrana /ASCOM/MS O Ministério da Saúde divulgou nesta quarta-feira (7) a lista oficial de profissionais que poderão seguir participando do programa Mais Médicos. A decisão anunciada pelo "Diário Oficial da União" é o resultado de edital publicado em 31 de julho que prevê a prorroga automática do tempo de trabalho por mais três anos, até 2022. Esse tipo de renovação está prevista nas normas do programa, criado em outubro de 2013. Estão aptos médicos formados em universidades brasileiras ou com diploma do exterior e profissionais estrangeiros. Eles precisam estar alocados em municípios do grupo de atenção básica, em áreas vulneráveis, de extrema pobreza ou de saúde indígena. Veja a lista oficial de médicos contemplados pela prorrogação automática A chamada pública referente a esses profissionais foi feita no dia 21 de julho de 2016. Aqueles com o prazo de três anos vencido terão o contrato renovado automaticamente. Os que têm o vencimento previsto para os próximos dias terão o contrato prorrogado no primeiro dia após a data de encerramento do ciclo. Os médicos que não estiverem interessados na renovação do contrato deverão entrar no Sistema de Gerenciamento de Programas do ministério e fazer o comunicado nos próximos dois dias. O mesmo prazo vale para os gestores dos municípios sem interesse em prorrogar o trabalho de algum de seus profissionais. 'Novo' Mais Médicos O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, assinaram em 1º de agosto uma medida provisória que cria o programa Médicos pelo Brasil, um substituto ao Mais Médicos. Os profissionais que atuam no momento no Mais Médicos poderão trabalhar até o final de seus contratos. Para ingressar no Médicos pelo Brasil, será preciso passar pelo processo seletivo. O governo informou que pretende ampliar em cerca de 7 mil vagas a oferta de médicos para municípios com "maiores vazios assistenciais". Segundo a pasta, 4 mil novas vagas serão prioritárias para as regiões Norte e Nordeste. No caso dos médicos estrangeiros que trabalharam no Mais Médicos, Mandetta explicou que, neste momento, só trabalharão aqueles revalidaram diploma de medicina no Brasil. Regulamentação dos cubanos Em 29 de julho, o governo federal decidiu regulamentar a concessão de residência a cubanos que participaram do programa com o objetivo de aumentar o número de profissionais na rede pública de saúde em regiões carentes. O texto foi assinado pelos ministros Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores). Em 2018, Jair Bolsonaro, então candidato à presidência, prometeu expulsar os médicos cubanos do país. Depois disso, o governo da ilha caribenha anunciou a saída do programa brasileiro. Em resposta, Bolsonaro afirmou, após ser eleito presidente, que concederia, a todo cubano que o solicitasse, o status de asilado — um título diferente do de refugiado. Initial plugin text Veja Mais

O que há de verdade e exagero sobre os benefícios do canabidiol

Glogo - Ciência Pesquisa feito no Reino Unido revelou que alguns produtos com CBD contêm muito pouco do ingrediente anunciado. Pesquisa feito no Reino Unido revelou que alguns produtos com CBD contêm muito pouco do ingrediente anunciado Marcelo Brandt/G1 As vendas do extrato de cannabis conhecido como canabidiol (CBD) praticamente dobraram nos últimos dois anos no Reino Unido. Mas alguns dizem que os produtos com CBD não são tudo aquilo que afirmam ser. Juntamente com vendedores de renome, o rápido crescimento da indústria atraiu os chamados "caubóis do CBD" - oportunistas que tentam lucrar rapidamente - de acordo com Mark Reinders, presidente da associação canábica European Hemp Industry Association. Existem dois compostos principais encontrados na cannabis - o CBD e o THC (tetrahidrocanabinol). Ao contrário do THC, o CBD é legal, não "dá barato" e, no Reino Unido, está disponível em lojas de rua e na internet. A estimativa é que cerca de 250 mil pessoas no Reino Unido recorram regularmente ao CBD para tratar doenças em geral, aliviar a ansiedade, problemas de sono, dores crônicas etc. Mas o que há nesses produtos? O CBD é comumente encontrado na forma de óleo a ser borrifado sob a língua ou como líquido para ser usado em dispositivos vaporizadores. Com a ajuda de celebridades como Kim Kardashian, que fez um chá de bebê com o tema CBD em abril de 2019, ele também é encontrado em produtos de batom a homus, de cappuccinos até água com gás. Anvisa realiza audiência pública para discutir a liberação do cultivo de maconha medicinal 'Precisamos oferecer produtos de acesso mais simples', diz diretor da Anvisa sobre uso medicinal de cannabis Uma pesquisa recente do Centre for Medical Cannabis, a única associação da indústria de produtos de uso médico feitos à base de cannabis no Reino Unido, testou 30 produtos anunciados como ricos em CBD, comprados em lojas físicas e online. Constatou-se que quase metade (45%) tinha níveis mensuráveis ​​de THC, tornando-os tecnicamente ilegais no Reino Unido. Os pesquisadores também descobriram a presença em sete produtos do solvente diclorometano, que pode causar chiado no peito e falta de ar em níveis acima dos limites considerados seguros. Alguns produtos com CBD também contêm muito pouco do ingrediente anunciado. Uma amostra comprada em uma conhecida rede de farmácias não tinha nada de CBD e estava sendo vendida por mais de 50 libras (cerca de R$ 235). Apenas 38% dos produtos testados tinham níveis de CBD em até 10 pontos percentuais a menos do que a proporção anunciada na embalagem. Outros 39% tinham menos de 50% de CBD do que a proporção indicada. Não há exigência legal para que esses produtos sejam testados, embora algumas empresas afirmem que fazem testes rigorosos. O professor Saoirse O'Sullivan, da Universidade Nottingham, recomenda que os consumidores procurem marcas que possam fornecer um certificado de análise de seus produtos. Charlotte Caldwell tornou-se uma defensora do acesso à cannabis medicinal (contendo CBD e THC) depois de lutar para obtê-la para seu filho Billy, que tem epilepsia grave. Ela lançou sua própria linha de produtos ricos em CBD chamada Billy's Bud, mas encerrou a produção por não poder rastrear exatamente o que havia neles. Ela achava que tinha sido "ingênua" e queria que os produtos de CBD fossem mais bem pesquisados ​​e mais claramente regulados. Quais são os benefícios à saúde anunciados pelos vendedores? A menos que tenham licenciado os produtos como medicamentos, os vendedores não podem prometer benefícios à saúde. Apesar disso, mais e mais pessoas no Reino Unido estão procurando produtos com CBD na crença de que irão aliviar sua ansiedade, problemas de sono e dores. Caldwell diz que tem "centenas, talvez milhares" de pacientes e pais estão procurando-a com dúvidas sobre o uso de CBD - em alguns casos, para condições graves e crônicas. A atriz de Good Place, Kristen Bell, disse que achou o CBD útil para controlar sua ansiedade KEVIN WINTER / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP Uma busca simples no Instagram mostra diversas postagens de vendedores e promotores de produtos com CBD com promessas de aliviar a dor, melhorar o humor e até mesmo ser uma "alternativa eficaz aos antidepressivos". A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do governo britânico entrou em contato com 180 marcas desde 2016 devido a preocupações de que eles estavam fazendo propaganda não autorizada sobre o CBD. Para anunciar benefícios à saúde, os fabricantes precisam licenciar os produtos pela Agência Europeia de Medicamentos. Apenas o Epidiolex, um medicamento feito de CBD usado para prevenir convulsões, iniciou este processo. Ele está perto de obter a autorização e já está sendo prescrito para pacientes do NHS (serviço nacional de saúde britânico) como um medicamento não licenciado. O Instituto Nacional para a Saúde e Excelência em Cuidados (Nice, na sigla em inglês) também está avaliando clinicamente a relação custo-benefício do Epidiolex para duas formas de epilepsia - síndromes de Dravet e Lennox-Gastaut. Ele tomará uma decisão sobre se, uma vez licenciado, deve ser prescrito integralmente no NHS. O NHS não recomenda o CBD para quaisquer outras condições. Quais são as evidências? "O CBD tem sido usado para tratar muitas doenças para as quais sua eficácia ainda não foi testada", segundo um estudo da Universidade Nottingham, publicado em fevereiro. E para aqueles que foram estudados em humanos "geralmente tem eficácia fraca ou muito fraca", com a notável exceção das convulsões. Há evidências pré-clínicas de que o CBD pode aliviar a dor e a inflamação em camundongos, mas isso não foi confirmado em humanos. Testes em humanos conduzidos até agora tiveram pequenas amostragens, produzindo resultados mistos. A sonolência é um efeito colateral conhecido, portanto, o CBD pode ter algum resultado quando se trata de problemas relacionado ao sono. Quanto à ansiedade, há algumas evidências de estudos controlados que podem ser eficazes em doses de cerca de 300mg de uma só vez. Nas lojas físicas, um produto contendo 250 mg pode custar cerca de 50 libras (R$ 235). Esses estudos analisaram o tratamento de sintomas de curto prazo antes de eventos provocadores de ansiedade, como falar em público. O uso diário de CBD para gerenciar os sintomas de ansiedade contínua não foi estudado. No entanto, uma rápida pesquisa no Google traz à tona sites sugerindo a medicação prescrita para ansiedade usando o óleo de CBD. Maconha: droga ou remédio? Entenda os efeitos do uso da maconha no organismo humano E há preocupações de que consumidores ainda mais casuais estejam sendo roubados. O professor O'Sullivan aponta que produtos inovadores como os cappuccinos e sorvetes de CBD, frequentemente vendidos a um preço alto, têm tão pouco CBD neles que "simplesmente não há possibilidade de ter qualquer efeito biológico". Isso, diz ela, pode levar as pessoas a ficarem sobrecarregadas, enquanto os vendedores capitalizam sua aura de bem-estar para elevar o preço. Quanto à ideia de que o CBD pode ser uma solução para uma gama cada vez maior de problemas de saúde, ela diz que "o futuro parece ser muito diferente". Há sinais promissores para algumas condições, mas, por ora, os consumidores são aconselhados a agir com cautela, fazer suas pesquisas e esperar por mais evidências. Veja Mais

Projeto de lei na França quer estender reprodução assistida para mulheres solteiras e lésbicas

Glogo - Ciência Se aprovada, a lei de bioética, do governo de Emmanuel Macron, vai estender procedimentos como a inseminação artificial e a fertilização in vitro para essas mulheres; hoje, eles são limitados a casais heterossexuais com problemas de fertilidade. A foto, de julho de 2016, mostra um casal de mulheres se abraçando durante a marcha do Orgulho Gay em Paris, na França. Thibault Camus/AP Um projeto de lei de bioética, elaborado pelo governo do presidente da França, Emmanuel Macron, quer incluir mulheres solteiras e lésbicas na lista de quem tem direito a procedimentos de reprodução assistida. Se aprovado, elas teriam acesso a tratamentos como fertilização in vitro e inseminação artificial, hoje limitados a casais heterossexuais com problemas de fertilidade. O projeto prevê que o sistema nacional de saúde da França financie quatro tentativas de gravidez por reprodução assistida para todas as mulheres, até um limite de idade ainda a ser estabelecido. O texto também permite que crianças concebidas com esperma doado descubram a identidade do doador, caso desejem, quando chegarem aos 18 anos. A medida seria uma mudança em relação às rigorosas proteções de anonimato dos doadores que a França tem atualmente. No entanto, ele não retiraria a proibição aos arranjos de barriga de aluguel - em que uma mulher engravida e tem um bebê por outra pessoa. Enquanto o governo francês diz que está respondendo a mudanças na sociedade, o projeto certamente gerará debate quando for colocado em pauta no Parlamento, no mês que vem. Depois que a França legalizou, em 2013, que casais do mesmo sexo se casassem e adotassem crianças juntos, centenas de milhares de manifestantes marcharam em Paris. Grupos franceses de direitos LGBT fizeram campanha para as propostas de mudança. Para eles, permitir que mulheres solteiras e lésbicas façam fertilização in vitro e outros procedimentos ajudaria mães e bebês a não entrarem em conflito com o sistema legal francês. Além disso, também lhes daria acesso ao sistema de saúde do país. "Isso é simplesmente uma medida de igualdade para as mulheres francesas, qualquer que seja sua orientação sexual", declarou a Associação de Pais e Mães Gays e Lésbicas em comunicado. Vinte grupos conservadores já estão organizando, entretanto, um protesto para outubro para denunciar o projeto, alegando que ele levará a mais crianças criadas sem pais. Os grupos também temem que o acesso ampliado a procedimentos de gravidez leve, ao final, à legalização de gestações de aluguel. "Dizer que você está criando novos direitos... enquanto ignora, de propósito, as consequências para as crianças é um processo revoltante e desprezível", declarou Alberic Dumont, vice-presidente do Protesto para Todos, grupo que está entre os críticos do projeto. Tratamento em outros países Casais de lésbicas, mulheres solteiras ou ambos já têm acesso legal à reprodução assistida em 18 dos 28 países da União Europeia. Mulheres francesas que não conseguem procedimentos em casa muitas vezes vão para a Espanha ou Bélgica - onde uma única rodada de rodada de fertilização in vitro custa milhares de euros. Virginie, 36 anos, que mora na cidade de Marselha, no sul da França, casou-se com a esposa, Cecile, em junho. As duas decidiram não esperar pela aprovação da proposta de lei do governo para tentar se tornarem mães - temendo que o debate no Parlamento durasse meses. Em vez disso, elas escolheram usar esperma de doador enviado da Dinamarca por 1.000 euros (cerca de R$ 4,3 mil). Esse processo é ilegal na França - é por isso que Virginie, que planeja gestar o bebê, não quis se identificar com o sobrenome. "Se essa primeira tentativa não funcionar, estamos considerando usar a nova lei francesa", disse Virgnie à Associated Press. Ela afirmou que é difícil fazer algo ilegal, e acha que a lei proposta ajudaria muitas mulheres francesas. Mas também teme que isso desencadeie uma reação contra gays ou, ainda, cair nas mãos de equipes de saúde que se recusem a servir casais do mesmo sexo. Já Amandine Zevolino, de 35 anos, foi para a Espanha para tentar engravidar, mas não se sentiu à vontade com o anonimato e o aspecto comercial de usar um doador de esperma. Ela e sua esposa, Camille, são casadas há um ano e meio e moram em Montpellier, também no sul da França. Ela finalmente decidiu realizar a inseminação em casa, com a ajuda de um amigo que concordou em doar o esperma. "Nós fizemos um contrato, mesmo sabendo que não tem valor legal", disse Amandine. "Se funcionar, a criança saberá como veio ao mundo." Ela ainda hesita em contar aos médicos franceses a verdade. A situação "nos força a mentir", lamentou. Amandine acredita que o debate no Parlamento vai aumentar as tensões políticas, mas espera que a nova lei ajude a sociedade francesa a aceitar mais as mães lésbicas e solteiras. "Geralmente, na França, quando a lei é aprovada, é definitivo", disse. Veja Mais

Anvisa reclassifica mais de 1.900 agrotóxicos e tira 600 produtos dos rótulos de maior risco

Glogo - Ciência Mudança na embalagem seguirá padrão internacional e produtos com tarja vermelha levarão em conta apenas o potencial de morte do pesticida. Com a mudança, dos 698 produtos reclassificados que utilizam a tarja vermelha nos rótulos, apenas 98 vão manter essa coloração Reprodução/TV Globo A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou na última quinta-feira (1º) a reclassificação de 1.924 agrotóxicos registrados no Brasil. Com base no novo marco regulatório, 600 produtos que tinham tarja vermelha no rótulo, que indica maior risco, foram redistribuídos para categorias inferiores. Agora, só vai receber o título de "extremamente tóxico" (tarja vermelha) ou "altamente tóxico" (vermelha) o produto que levar à morte se ingerido ou entrar em contato com pele e olhos. Os que podem causar intoxicação, sem risco de morte, levarão a classificação "moderadamente tóxico" (amarela), "pouco tóxico" (azul) ou "improvável de causar dano agudo" (azul). As empresas terão um ano para se adaptar à nova embalagem. No total, 1.942 produtos foram avaliados pela agência, sendo que 1.924 foram reclassificados e os outros 18 não tiveram informações suficientes para serem redistribuídos e poderão ser classificados futuramente. Anvisa redistribuiu os agrotóxicos conforme o padrão internacional GHS Wagner Magalhães/G1 No novo padrão adotado pela Anvisa, as classificações para cores de rótulos passarão de 4 para 6 e que só levarão em conta a toxicidade do produto, ou seja, o risco que o produto tem de matar. Com essa redistribuição: 860 agrotóxicos vão ter as cores de seus rótulos rebaixadas; 842 mantiveram a coloração das tarjas; 222 subirão para uma categoria mais rígida. O número de reavaliações desta quinta-feira equivale a 87,4% dos 2.201 pesticidas disponíveis para comercialização no país, segundo dados do Ministério da Agricultura. Para Carlos Raetano, professor de ciências agronômicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), é importante para o país seguir uma padronização internacional, mas ele considera preocupante a quantidade de itens que tiveram as classificações rebaixadas. "O número impressiona. Não tem como comparar com a classificação antiga, que se baseava em diversos testes [dermatológicos, respiratórios e oculares] e se algum deles tivesse restrição, ele ia para a categoria máxima", disse ao G1. "A reclassificação não leva em consideração muitos testes que foram feitos. Só se baseia na classificação de risco [de morte], vamos perder informações importantes sobre outros perigos", apontou o professor da Unesp. O professor da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq-USP) José Otávio Menten, avalia que as novas categorias aproximam o Brasil de países que são referência no uso de defensivos agrícolas, como os membros da União Europeia. "A grande vantagem do GHS é que ele comunica o risco de uma maneira mais clara. Não adianta você ter uma série de informações, mas isso não chegar ao público alvo, no caso o trabalhador rural." "Não vejo nada de negativo, apenas colocou a legislação no patamar internacional", continua Menten, da Esalq-USP. Em entrevista ao G1 no fim de julho, o diretor da Anvisa, Renato Porto, explicou que essa mudança pode tornar mais rígido o registro de futuros produtos no país. Segundo ele, a lei diz que empresas que desenvolvem agrotóxicos só podem registrar itens de ação parecida se eles tiverem um risco menor ou igual do que os que já estão no mercado. “Quando eu baixo essa régua dos produtos [já registrados], eu imponho que o próximo produto tenha um risco ainda menor. Assim, nós conseguimos espremer para baixo o nível de toxicidade”, afirmou à época. Tarja vermelha No entendimento anterior da Anvisa, agrotóxicos podiam ser classificados como "extremamente tóxicos" (tarja vermelha) produtos que não necessariamente levariam à morte, mas causariam lesões ou irritação severa se ingeridos ou entrassem em contato com a pele ou olhos. Ou seja, risco de morte ou de graves lesões ou intoxicação eram tratados da mesma maneira. De acordo com o novo marco, duas classificações de produtos receberão tarja vermelha nos rótulos: "extremamente tóxico" e "altamente tóxico". Com a modificação, 98 pesticidas continuarão com a mesma cor de rótulo e 24 virão de classes inferiores (rótulos amarelo e azul). Na categoria "extremamente tóxico", a mais alta de todas, 43 agrotóxicos permanecerão com o mesmo status. A maior parte desse total será rebaixada para as classificações "pouco tóxico" (277) e "improvável de causar dano agudo" (243), de tarja azul. Um exemplo disso é o fungicida brometo de metila, utilizado para controle de pragas nos grãos de café após a colheita, que sairá da categoria "extremamente tóxica" (tarja vermelha) para "pouco tóxico" (tarja azul). Para Raetano, da Unesp, apesar de seguir a recomendação internacional, a reclassificação deste defensivo não é positiva. "É um exemplo do que não deveria ser alterado. É um gás que interfere na camada de ozônio e era restringido. É um gás inodoro [sem cheiro], a pessoa só percebe a exposição a ele quando começa a lacrimejar, isso depois de muito tempo exposta", argumenta. Menten, da Esalq-USP, ponderou que o produto já possui um uso bastante restrito e que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) está reavaliando a autorização do produto. "O maior problema dele não é toxicológico, é o ambiental. Do ponto de vista toxicológico, eu acho que a mudança era de se esperar." Na segunda categoria dentro do novo padrão, chamada "altamente tóxico", que tem rótulo amarelo e passará a ser vermelho, são 79 produtos. Sendo 55 vindo da classificação maior ("extremamente tóxico") e 3 de uma categoria inferior ("medianamente tóxico"). Outros 21 produtos manterão o mesmo nível de avaliação e trocarão apenas a coloração do rótulo. Antes da mudança anunciada nesta quinta-feira, 698 produtos estavam no patamar mais alto de classificação de rótulos. Outros 4 produtos não tiveram informações suficientes para serem reclassificados. Veja a distribuição dos pesticidas de rótulo vermelho que vão mudar de categoria Wagner Magalhães/G1 Tarja amarela A terceira classificação para agrotóxicos é nova e receberá uma tarja amarela no rótulo. Ela terá o nome de "moderadamente tóxico". Daqui um ano, 136 pesticidas estarão nesta categoria. Do total, 75 migrarão de uma classe mais alta ("extremamente tóxico"). Outros 43 pesticidas que tem a mesma cor de rótulo, mas que são nomeados de “altamente tóxicos” irão para essa faixa. Outros 18 defensivos que tem rotulagens mais brandas (azul e verde) mudarão para esta categoria. Atualmente o amarelo do rótulo se refere ao item "altamente tóxico" e reúne 290 produtos, que serão redistribuídos. Veja a distribuição dos pesticidas de rótulo amarelo que vão mudar de categoria Wagner Magalhães/G1 Tarja azul Para agrotóxicos de menor risco toxicológico, segundo a Anvisa, duas categorias de produtos receberão uma tarja azul no rótulo: "pouco tóxico" e "improvável de causar dano agudo". No item "pouco tóxico", que tem rótulo verde e passará a ser azul, são 599 produtos, sendo que 361 virão de classificações mais altas (rótulos vermelho e amarelo). Do total, além dos 277 que serão rebaixados da categoria "extremamente tóxico", 84 sairão da classe "altamente tóxico". Se comparar a mesma cor de rótulo, que é da classe "medianamente tóxico", que será extinta, 209 manterão o mesmo patamar e 29 que têm coloração verde vão para a tarja azul. Na nova categoria "improvável de causar dano agudo", também com rótulo azul, serão 899 agrotóxicos. Serão rebaixados 763 defensivos de tarjas vermelha e amarela e 136 pesticidas subirão de categoria (tarja verde para azul). Atualmente apenas uma categoria, chamada "medianamente tóxico", que deixará de existir, reunia 657 produtos. Outros 2 produtos não tiveram informações suficientes para serem reclassificados. Veja a distribuição dos pesticidas de rótulo azul que vão mudar de categoria Wagner Magalhães/G1 Tarja verde No último item da lista, chamado "não classificado", de rótulo verde, serão 168 agroxóticos. Desse total, 55 virão de categorias mais altas (tarjas vermelha, amarela e azul). Manterão a cor do rótulo 98 produtos, mas eles mudarão o nome da classificação, que até então tinha o nome de "pouco tóxico". Outros 15 pesticidas que não têm cor de rótulo vão passar a seguir essa classificação. Atualmente, são 264 produtos com a cor verde nos rótulos que serão redistribuídos. O nome "pouco tóxico" passa a valer para a categoria de defensivos com rótulo azul. Outros 4 produtos não tiveram informações suficientes para serem reclassificados. Veja a distribuição dos pesticidas de rótulo verde que vão mudar de categoria Wagner Magalhães/G1 O novo método tem como base o Sistema de Classificação Globalmente Unificado (Globally Harmozed System of Classification and Labelling of Chemicals — GHS, em inglês), padrão internacional endossado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Outros perigos como lesões graves na pele, oculares e respiratórias e exposição em dose única ou repetida, por exemplo, receberão avisos nos rótulos, mas não vão interferir nas cores das tarjas. Advertências sobre riscos à saúde terão novos símbolos nos rótulos dos agrotóxicos Wagner Magalhães/G1 "Era uma mudança pedida por acadêmicos e setor produtivo. Alguns produtos de baixa toxicidade tinham uma classificação muito rigorosa, mas não traziam risco de morte", disse Menten, da Esalq-USP. O ritmo de liberações de agrotóxicos neste ano é o mais alto já registrado para o período. Para um produto ser aprovado, ele tem que ter o aval da Anvisa, do Ibama e do Ministério da Agricultura. Veja Mais

App que detecta doença renal em minutos é testado no Reino Unido

Glogo - Ciência Tecnologia permite que médicos e enfermeiras recebam sinais de alerta quando exames de sangue dos pacientes indicam doença. A lesão renal aguda é causada por problemas graves de saúde, incluindo a sepse - também conhecida como infecção generalizada - e afeta uma em cada cinco pessoas que dão entrada em hospitais no Reino Unido. BBC Um aplicativo de celular acelerou a detecção de uma doença renal que pode ser fatal em pacientes hospitalizados. A equipe descreve a tecnologia como um "salva-vidas em potencial", já que fornece diagnósticos em minutos, em vez de horas. A lesão renal aguda é causada por problemas graves de saúde, incluindo a sepse - também conhecida como infecção generalizada - e afeta uma em cada cinco pessoas que dão entrada em hospitais no Reino Unido. A lesão é mais comum em pacientes idosos e, se não for tratada rapidamente, pode afetar outros órgãos. No Reino Unido, onde o aplicativo é testado, a condição é responsável por cerca de 100 mil mortes todos os anos. Durante um teste no Royal Free Hospital de Londres, médicos e enfermeiras receberam sinais de alerta por meio de um aplicativo de celular - em uma média de 14 minutos - quando os exames de sangue dos pacientes indicaram a doença. Normalmente, isso levaria algumas horas. O novo sistema de alerta, conhecido como Streams, desenvolvido pelo hospital com a empresa de tecnologia DeepMind - que foca em pesquisas e desenvolvimento de máquinas de inteligência artificial - envia resultados diretamente para os médicos em um formato com dados e gráficos fáceis de ler. Um dos exames de sangue procura por altos níveis de creatinina, uma substância que normalmente é filtrada pelos rins. Informações sobre outros indicadores do exame de sangue que podem ajudar a tratar pacientes também são disponibilizadas rapidamente para os especialistas por meio do aplicativo. A empresa DeepMind é parte do conglomerado Alphabet, que controla o Google. Os administradores do hospital disseram que houve uma redução no custo do tratamento. Mary Emerson, chefe de enfermagem do Royal Free, disse à BBC que o sistema fez uma grande diferença em seu trabalho e que é o primeiro sistema que se encaixa com a forma que os profissionais dessa área atuam. "É uma grande mudança poder receber alertas sobre pacientes em qualquer parte do hospital", disse ela. "Este é o primeiro dispositivo que me permitiu ver os resultados de uma forma móvel e em tempo real. O que é a lesão renal aguda? Fonte: NHS UK A University College London avaliou dados de cerca de 12 mil alertas sobre lesão renal aguda usando o novo sistema. Os resultados, publicados na revista Nature Digital Medicine, apontam que não houve "mudança radical" nas taxas de recuperação dos pacientes, mas houve "melhora significativa" no reconhecimento da lesão renal aguda rapidamente. Os autores do estudo pediram uma avaliação mais aprofundada do sistema em vários hospitais. Especialista em rins do Royal Free, Sally Hamour disse que ainda precisa examinar o sistema por mais tempo, mas afirmou que o projeto tem "potencial para salvar vidas". "Precisamos coletar muito mais informações sobre essa tecnologia e precisamos examiná-la por um longo período de tempo", disse ela. "Mas certamente, no caso de alguns pacientes que estão muito doentes, a informação chega à equipe correta muito rapidamente e, em seguida, podemos implementar medidas para ajudar esse paciente e reverter o impacto sobre a função renal." Um passo além O Royal Free Hospital foi repreendido pela Comissão de Informação (ICO, na sigla em inglês) em 2017 por ter cedido dados de mais de 1,7 milhão de pacientes à empresa DeepMind. O argumento é que não houve preocupação com a proteção de dados dos pacientes. A administração do hospital disse que resolveria as falhas apontadas no gerenciamento dos dados. A publicação da nova pesquisa foi programada para coincidir com um relatório sobre outra pesquisa envolvendo a DeepMind e publicada na revista Nature. Registros de mais de 700 mil pacientes do Departamento de Assuntos de Veteranos dos Estados Unidos foram analisados ​​retrospectivamente por um sistema de inteligência artificial, que vai um passo além do aplicativo. Usando centenas de milhares de dados, incluindo exames de sangue e frequência cardíaca, foi possível descobrir se um paciente desenvolveria uma lesão renal aguda até 48 horas antes de ela ser realmente diagnosticada. A empresa argumentou que isso representa uma "mudança significativa em como a medicina é praticada". Veja Mais

Remuneração e formação específica: veja diferenças entre o Mais Médicos e o novo programa Médicos Pelo Brasil

Glogo - Ciência Medida Provisória que cria o programa Médicos pelo Brasil foi assinada nesta quinta-feira (1º) pelo governo federal. O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em cerimônia de lançamento do Programa Médicos pelo Brasil Marcos Corrêa/ Presidência da República O governo federal lançou nesta quinta-feira (1º) o programa Médicos Pelo Brasil, para substituir o Mais Médicos na fixação de profissionais em áreas carentes do país. Entre o programa lançado em 2013 em parceria com o governo de Cuba e o novo projeto, divulgado nesta quinta, há duas principais diferenças: a remuneração, que antes era uma bolsa de R$ 11 mil e agora pode chegar a um salário de até R$ 31 mil mensais; e a formação obrigatória dos profissionais selecionados. O Médicos Pelo Brasil só vai aceitar profissionais com registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) brasileiro. Além disso, eles serão contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e terão que passar por uma formação obrigatória em Medicina de Família nos dois primeiros anos de participação. Os profissionais que já atuam como médicos de família podem pular a formação e são contratados diretamente no regime CLT para supervisionar os médicos em especialização. No Mais Médicos as vagas foram ofertadas a estrangeiros e também a médicos brasileiros formados no exterior, sem a necessidade de revalidação do diploma para registro no CRM. Além disso, não era necessária a especialização em Medicina de Família, e os profissionais recebiam bolsas, e não salário. Veja abaixo as principais diferenças entre os dois programas: Médicos Pelo Brasil Vagas oferecidas: São 18 mil vagas, sendo cerca de 13 mil em cidades com dificuldade para conseguir médico e 4 mil prioritárias para as regiões Norte e Nordeste. Seleção: Processo seletivo será feito com critérios técnicos, não será apenas uma inscrição online. Quem pode participar: Para ser contratado, o médico brasileiro ou estrangeiro precisará ter registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) e ser aprovado em um curso de formação supervisionado, com duração de dois anos. Durante este período o profissional receberá uma bolsa-formação. Ao fim do curso, fará uma prova para ser especialista em Medicina de Família e Comunidade. Médicos que já possuem título de Médico de Família podem pular o curso de dois anos e ficam a cargo da supervisão dos profissionais em especialização. Salário: Nos dois primeiros anos do programa, bolsa de R$ 12 mil mensais, com gratificação de R$ 3 mil para locais considerados remotos e de R$ 6 mil para atuação com indígenas e localidades ribeirinhas e fluviais. Depois, contratação CLT com quatro níveis salariais com progressão a cada três anos de participação no programa. O primeiro nível salarial poderá chegar a R$ 21 mil e a R$ 31 mil, conforme a localidade de atuação. Área de atuação: Os municípios serão divididos em cinco categorias (Rurais remotos; Rurais adjacentes; Intermediários remotos; Intermediários adjacentes; Urbanos). O objetivo é priorizar os lugares onde a fixação de médicos é mais difícil, oferecendo salários maiores nessas áreas. Podem aderir ao programa municípios de "pequeno tamanho populacional, baixa densidade demográfica e distância relevante de centros urbanos, com base em classificação definida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, incluídos os distritos sanitários especiais indígenas ou comunidades ribeirinhas" e também as cidades de alta vulnerabilidade, "com alta proporção de pessoas cadastradas nas equipes de saúde da família que recebam benefício financeiro do Programa Bolsa Família, benefício de prestação continuada ou qualquer benefício previdenciário até o limite de dois salários-mínimos". Municípios atendidos: 3,4 mil municípios pelo país, divididos em cinco categorias. Regime de contratação: Durante os dois primeiros anos, o profissional recebe uma bolsa-formação. Depois de concluído esse período, passa para o regime CLT, com quatro níveis salariais e progressão a cada três anos. Regulamentação jurídica: Lançado como Medida Provisória (MP) em 1º de agosto de 2019, tem 120 dias para ser aprovado no Congresso Nacional e virar lei federal. Formação: Os profissionais inscritos precisarão obrigatoriamente passar por uma formação de dois anos em Medicina de Família e Comunidade. Só depois disso haverá contratação no regime CLT. Mais Médicos Vagas oferecidas: Em 2013, quando o programa nasceu, foram lançadas 10 mil vagas. Em novembro de 2018, quando Cuba anunciou sua saída, eram 16 mil participantes - metade deles cubanos. No mesmo mês, foi publicado um edital com 8.517 vagas para o programa para substituir os profissionais de Cuba. Seleção: A inscrição era feita online e a seleção era baseada apenas nos critérios dos editais. Não havia processo seletivo com entrevistas ou avaliações. No último edital, lançado em maio de 2019, passou a haver um sistema de pontuação para classificar os candidatos conforme titulação e experiência. Médicos com título de especialista em Medicina de Família ou com experiência profissional na área ganhavam mais pontos. Quem pode participar: Em 2013, médicos brasileiros com CRM válido ou estrangeiros sem registro funcional no Brasil que passavam por um período de avaliação e treinamento. Os estrangeiros tinham que preencher os seguintes requisitos: ter estudado em faculdades de medicina com grade curricular equivalente à brasileira; ser proficiente na língua portuguesa; ter recebido de seu país de origem a autorização para livre exercício da medicina; ser de nações onde a proporção de médicos é de, pelo menos, 1,8 médicos para cada mil habitantes. Depois da saída de Cuba, em 2018, passaram a poder participar do programa médicos brasileiros formados no exterior, com ou sem CRM, a depender da fase do edital. Salário: Em 2013, quando o programa nasceu, a bolsa federal era de R$ 10 mil por mês, mais ajuda de custo de valor variável. Os cubanos recebiam cerca de 30% da bolsa, já que a maior parte ficava com o governo de Cuba. Em 2018, o edital para selecionar médicos substitutos oferecia bolsa de R$ 11.800. Municípios atendidos: Em 2013, 3.511 municípios aderiram ao Mais Médicos. No edital de novembro de 2018, realizado para substituir os médicos cubanos, foram contemplados 2.824 municípios. Área de atuação: Segundo o primeiro edital, de 2013, os municípios elegíveis ao programa seriam aqueles de difícil acesso, de difícil provimento de médicos ou que possuam populações em situação de maior vulnerabilidade e que se enquadrassem em pelo menos uma das seguintes condições: ter mais de 20% da população vivendo em extrema pobreza; estar entre os 100 municípios com mais de 80 mil habitantes com os mais baixos níveis de receita pública per capita; estar situado em área de atuação de Distrito Sanitário Especial Indígena; estar nas áreas referentes aos 40% dos setores censitários com os maiores percentuais de população em extrema pobreza. No último edital de seleção de municípios, publicado em maio de 2019, eram aproximadamente 790 municípios com altos índices de vulnerabilidade elegíveis de acordo com os critérios do programa. Regime de contratação: Os médicos do programa recebiam uma bolsa do governo federal, mais ajuda de custo para compensar eventuais despesas de instalação e auxílio do município para alimentação. Regulamentação jurídica: Lançado em 8 de julho de 2013 como Medida Provisória (MP), convertido em lei em 16 de outubro de 2013. Formação: Não havia exigência de formação em especialidades específicas. Os médicos sem registro profissional no Brasil passavam por um período de treinamento e qualificação obrigatório. Cronologia do Mais Médicos O programa Mais Médicos foi criado em julho de 2013 pelo governo federal para fixar profissionais em regiões mal atendidas. Em novembro de 2018, após a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições, Cuba anunciou sua saída do programa, citando declarações 'ameaçadoras' de Bolsonaro. Em agosto, ainda em campanha, Bolsonaro declarou que ele "expulsaria" os médicos cubanos do Brasil. A promessa também estava em seu plano de governo. Ainda em novembro de 2018, governo Michel Temer publicou um edital com 8.517 vagas para o programa, ofertadas a médicos com registro no Conselho Regional de Medicina do Brasil. O Ministério da Saúde disse, em fevereiro, que todas as vagas disponíveis haviam sido preenchidas. No entanto, cerca de 19% dos médicos brasileiros que entraram no Mais Médicos desistiram de participar do programa até o mês de maio. Em dezembro de 2018, um segundo edital foi lançado para preencher 1.397 vagas remanescentes com brasileiros formados no exterior. No começo de março de 2019, esses médicos sem diploma brasileiro iniciaram a fase de acolhimento obrigatória. No início de maio de 2018, um terceiro edital foi lançado com 2.000 vagas para municípios vulneráveis. Veja Mais

A hora de cortar o cordão umbilical financeiro dos filhos

Glogo - Ciência Não se trata de ficar indiferente aos problemas, e sim de estabelecer limites, porque a dependência vai fazer mais mal do que bem Num cenário de desemprego alto e de estagnação econômica em muitos setores, é difícil encontrar uma família que não tenha enfrentado algum perrengue. Nessas horas, quando os laços são fortes, todos se juntam num esforço solidário. Afinal, nenhum pai ou mãe gosta de ver os filhos no aperto. No entanto, quando é que a ajuda legítima acaba se transformando numa armadilha que pode inclusive comprometer a segurança financeira dos pais? Socorro financeiro para os filhos: excesso de ajuda impacta na autoestima Mariza Tavares O Bankrate.com, um site de educação financeira dos Estados Unidos, divulgou em março uma pesquisa na qual metade dos casais afirmava que estava sacrificando sua poupança para ajudar os filhos. Quem pode oferecer uma educação mais sólida sabe que a independência dos rebentos demora: pode ir além do fim do curso universitário, se o estudante fizer algum tipo de pós-gradução. Lá, um em cada cinco norte-americanos declara não fazer uma reserva para a aposentadoria – aqui, são oito em cada dez, e o orçamento apertado é sempre a principal justificativa. Vale lembrar: comissários de bordo orientam os passageiros a, em caso de emergência, colocar a máscara de oxigênio primeiro em si mesmos, para só depois socorrer os demais... A questão é que não se trata de ficar indiferente aos problemas dos filhos, e sim de estabelecer limites porque, do contrário, essa dependência vai fazer mais mal do que bem. É o que defende a psiquiatra Laura Debney, especializada em relacionamentos, que diz que, embora esta seja uma conversa indigesta, a situação só piora quando a postergamos, criando ressentimentos dos dois lados. Uma pergunta incômoda tem que ser feita: a ajuda vai ser para atender a uma necessidade ou a um desejo? “O primeiro passo é ser honesto e transparente: por exemplo, se for o caso de a reserva financeira dos pais estar em risco. Depois é importante ouvir esses jovens adultos e estabelecer pontos de compromisso que façam sentido para ambas as partes, para que haja um roteiro cujo objetivo seja encerrar a dependência. Para obter autoestima, um adulto deve conseguir superar os desafios e obstáculo que surgem. O excesso de ajuda impede que isso aconteça”, explica. Veja Mais

Encontrado na Nova Zelândia fóssil de pinguim gigante

Glogo - Ciência Apelidado de 'pinguim monstro', ave tinha 1,6 metros, pesava cerca de 80 kg e viveu há 60 milhões de anos; ossos das pernas foram encontrados no sul do país. Apelidado de 'pinguim monstro', ele tinha 1,6 metros e cerca de 80 kg Canterbury Museum Fósseis de um pinguim gigante, do tamanho de um ser humano, foram descobertos na Nova Zelândia. O animal devia ter 1,6 metros de altura e pesava 80 kg. Ele viveu no período Paleoceno, entre 60 e 56 milhões de anos atrás. Apelidado de "pinguim monstro" pelo Museu Canterbury, ele agora se soma aos bichos da fauna da Nova Zelândia que hoje estão extintos. Papagaios, águias, morcegos e o moa, um pássaro de 3,6 metros, também integram essa lista. Por que o pinguim era tão grande Segundo Paul Scofield, curador do Museu Canterbury, em Christchurch, os pinguins conseguiram alcançar esse tamanho porque répteis marinhos gigantes (que seriam potenciais predadores e competidores) desapareceram dos oceanos na mesma época em que os dinossauros desapareceram. "Aí, por 30 milhões de anos, foi a era dos pinguins gigantes", disse Scofield. A maior espécie de pinguim existente hoje, o pinguim-imperador, alcança até 1,2 metros. "Acreditamos que, naquela época, os animais estavam evoluindo muito rapidamente. A temperatura da água na Nova Zelândia era ideal para isso. Era de 25ºC, enquanto a média atualmente é de 8ºC", diz. O fóssil encontrado é de um pequeno pedaço de osso, mas a descoberta tem enorme valor científico Canterbury Museum Durante o período de existência do pinguim gigante, a Nova Zelândia ainda estava conectada à Austrália que, por sua vez, estava ligada à Antártida. O fóssil encontrado se assemelha a outro pinguim pré-histórico gigante, o Crossvallia unienwillia, cujos restos foram encontrados na Antártida. Centenas de fósseis de predador primitivo estranho são descobertos no Canadá Nova espécie de pássaro pré-histórico é encontrada preservada em âmbar De acordo com os pesquisadores, os pés dos pinguins Crossvallia cumpriam um papel mais importante no nado do que os dos pinguins que existem hoje. É possível que esse animal compartilhasse as águas da Nova Zelândia com "tartarugas e corais gigantes, além de tubarões de aspecto diferente", diz Scofield. E por que esse pinguim gigante não existe mais A razão para o desaparecimento dos pinguins gigantes das águas do hemisfério sul não está totalmente clara. A teoria mais comum é a de que a extinção se deu na competição com outros animais marinhos que surgiram depois. "Na época em que os pinguins evoluíram, grandes répteis marinhos tinham acabado de ser extintos", disse o pesquisador Gerald Mayr à BBC. "Na Antártida e na Nova Zelândia, não havia grandes animais que pudessem ser competidores ou predadores até a chegada das baleias com arcadas dentárias e das focas." A extinção dos pinguins gigantes parece coincidir com a chegada desses competidores, mas a razão exata para o desaparecimento do animal ainda está em discussão, diz Mayr. Onde ele foi encontrado Ossos das pernas dessa espécie de pinguim foram descobertos em Canterbury, no sul da Nova Zelândia. "O local onde os fósseis foram achados é bem peculiar", diz Scofield. "Tem um berço de rio cortando um despenhadeiro." Essa região tem sido local de descobertas de fósseis desde 1980. Muitos achados, como os fósseis do pinguim gigante, foram obra de paleontólogos amadores. Veja Mais

Pesquisadores recriam rosto da múmia egípcia de mais de 2,5 mil anos encontrada em Cerro Largo

Glogo - Ciência Designer recriou as feições de Iret-Neferet com técnicas empregadas em reconstituições forenses. Estudiosos comprovaram em maio que crânio encontrado em museu no interior do RS é de mulher que viveu no Egito há 2,5 mil anos. Veja a reconstrução virtual do rosto da múmia egípcia Iret-Neferet Com técnicas empregadas em reconstituições forenses, o designer Cícero Moraes reconstruiu, com bases nas pesquisas do grupo que estuda o crânio, a face da primeira múmia egípcia descoberta no Brasil no século 21. Iret-Neferet, como foi batizada, estava no Centro Cultural 25 de Julho, em Cerro Largo, Noroeste do Rio Grande do Sul, e teve a identidade confirmada neste ano pelos estudiosos. Para fazer a reconstituição em três dimensões, Moraes seguiu os seguintes passos: Marcar as espessuras da pele, em diversos pontos do crânio, com base nas medidas médias de seres humanos; Fazer projeções em linhas, que apontaram o tamanho e posicionamento dos lábios, nariz, olhos, orelhas; Pigmentar a projeção, a partir de uma paleta de cores baseada na população em questão; Incluir a peruca, uma vez que os estudos antropológicos demonstram que o hábito da época era raspar o cabelo, para evitar pragas; E, por fim, elaborar a roupa, também com bases nos estudos. O resultado foi a projeção em tamanho natural, que pode ser impressa em 3D. "Quando a gente faz reconstrução facial é uma forma de humanizar o trabalho e permitir que as pessoas se identifiquem", acredita Cícero, autor de projetos como a reconstrução do rosto da múmia Tothmea, de Curitiba, de Dom Pedro I e de Santo Antônio com técnicas de 3D. Imagem elaborada em software de 3D mostra como seria o rosto de Iret-Neferet, múmia egípcia descoberta em Cerro Largo Reprodução/Cícero Moraes Sem medo da morte O professor Édison Hüttner acredita que a reconstrução do rosto de Iret-Neferet ajuda a cumprir um dos objetivos do povo egípcio antigo. "Eles queriam preservar as múmias, para que a alma voltasse. A reconstrução da face dela é significativo quanto a isso, pois, na prática, a gente está preservando [a múmia]. Mostrar à população como era o rosto de uma pessoa que viveu há 2,5 mil anos tem também um significado antropológico para o professor. "Todos temos medo da morte, que associamos com a imagem do crânio, da caveira. Mas na prática, é a nossa face. Somos nós. Ela [a múmia] nos traz uma mensagem de não ter medo da morte." Foi Édison quem descobriu a múmia, durante uma visita ao museu em Cerro Largo. O crânio estava no local há mais de 30 anos, sem que sua origem fosse pesquisada. Na ocasião, obteve a permissão para trazer a múmia para Porto Alegre, onde começou a pesquisar, com um grupo da PUCRS e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). Múmia poderá ser visitada, a partir do mês que vem, na PUCRS Divulgação/PUCRS O objeto e seus materiais foram analisados para que se chegasse à conclusão de que se trata de uma múmia egípcia. Uma tomografia chegou a ser feita, para mostrar as características internas da peça. O crânio pode ser visitado até esta sexta-feira (16), na biblioteca da PUCRS. Depois, voltará para Cerro Largo, onde ficará em exposição, dentro de uma caixa preparada especialmente para ela, relata Hüttner. As pesquisas de Iret-Neferet, no entanto, não terminam. O professor afirma que tem a intenção de imprimir o modelo elaborado por Cícero, para exposição tanto em Cerro Largo quanto em Porto Alegre. Além disso, os estudiosos do grupo atualmente pesquisam as origens de fungos e bactérias localizados na múmia. "Podemos descobrir o tipo de doença que ela pode ter tido. Quanto mais resultados tivermos, vamos ter outras características sobre elas", afirma. Veja Mais

Vida social depois dos 60 diminui risco de demência, reforça nova pesquisa

Glogo - Ciência Estudo colheu dados de mais de 10 mil britânicos e poderá servir para criar estratégias contra o isolamento A demência é um desafio global. Estima-se que pelo menos 50 milhões de pessoas tenham a doença, mas esse número vai aumentar com o rápido envelhecimento da população. Para se ter uma ideia, entre 1990 e 2016, dobrou o contingente de gente afetada pela enfermidade e a expectativa é de que sejam 150 milhões em 2050. Pesquisadores do University College London publicaram estudo longitudinal – que analisa um grande volume de dados ao longo de anos – na revista científica “PLOS Medicine” que mostra que ter uma vida social desempenha um papel importante para evitar a demência. O médico Andrew Sommerlad, professor da University College London Divulgação “Na Grã-Bretanha, teremos cerca de um milhão de pessoas com demência até 2021, mas também sabemos que um em cada três casos pode ser evitado”, afirmou o médico Andrew Sommerlad, autor do trabalho. “Descobrimos que o convívio social na meia-idade e na velhice diminui o risco da doença. Temos que pensar em estratégias para promover maior conexão dentro das comunidades e combater o isolamento”, acrescentou. O estudo se debruçou sobre dados de mais de 10 mil pessoas que foram entrevistadas em seis ocasiões, entre 1985 e 2013. Os participantes falavam sobre a frequência dos contatos sociais que mantinham com amigos e parentes. Além disso, a partir de 1997, submeteram-se a testes de cognição. Os pesquisadores checaram os registros de saúde desses indivíduos até 2017, para ver quantos haviam sido diagnosticados com demência. O foco era checar a relação entre o convívio de gente na faixa dos 50, 60 e 70 anos com outras pessoas e uma proteção contra o declínio cognitivo – outros fatores, como escolaridade, estado civil e status socioeconômico também foram computados. O resultado foi claro: o aumento de convívio social fazia diferença. Uma pessoa na faixa dos 60 que encontrasse amigos quase diariamente tinha 12% menos chances de desenvolver demência do que uma que só visse um ou dois amigos em intervalos de meses. Nos grupos de 50 e 70 anos, a estatística não era tão significativa, mas os pesquisadores avaliam que os benefícios são os mesmos. “Quem se engaja socialmente exercita suas habilidades cognitivas, como linguagem e memória, o que pode ajudar a criar uma espécie de ‘reserva’ mental”, explicou Gil Livingston, também professor da universidade. Veja Mais

Número de casos de sarampo no 1º semestre é o mais alto em 13 anos, diz OMS

Glogo - Ciência Surto continua a se espalhar rapidamente pelo planeta, de acordo com relatório publicado nesta segunda (12). Relatório destaca também a eficácia das vacinas para controlar surtos de sarampo Nayara de Paula/G1 O número de casos de sarampo registrados nos seis primeiros meses deste ano em todo o mundo é o mais alto desde 2006. A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou nesta segunda-feira (12) um relatório preliminar apontando que a incidência da doença triplicou em relação ao mesmo período do ano anterior. O número de casos de sarampo vem aumentando desde 2016, de acordo com a organização. A OMS lista República Democrática do Congo, Ucrânia e Madagascar como os países que mais registraram casos da doença em 2019. O relatório destaca também a eficácia das vacinas para controlar os surtos de sarampo que nos últimos meses atingiram Angola, Camarões, Chade, Cazaquistão, Nigéria, Filipinas, Sudão do Sul, Sudão e Tailândia. "O sarampo é quase totalmente evitável com duas doses da vacina, que é altamente eficaz e segura. São necessárias altas taxas de cobertura vacinal, por volta de 95% do país e das comunidades, para garantir que o sarampo não seja capaz de se espalhar." Infectologista tira dúvidas sobre o sarampo Surto de sarampo no Brasil Entre 5 de maio e 3 de agosto, 907 casos de sarampo foram confirmados no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. Os casos estão concentrados em três estados: São Paulo (901), Rio de Janeiro (5) e Bahia (1). A epidemia de sarampo é um fenômeno global. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) mostram que, em 2017, a doença foi responsável por 110 mil mortes. Este ano, ainda segundo as entidades, casos notificados no mundo cresceram 300% nos primeiros três meses em comparação com o mesmo período de 2018. O Brasil, diz o Ministério da Saúde, vinha de um histórico de não registrar casos autóctones (adquiridos dentro do país) desde o ano 2000 - entre 2013 e 2015, ocorreram dois surtos, um no Ceará e outro em Pernambuco, a partir de casos importados. Entenda o que é sarampo, quais os sintomas, como é o tratamento e quem deve se vacinar Infografia: Karina Almeida/G1 Quais são os sintomas do sarampo? Os primeiros sintomas do sarampo são febre alta que dura por volta de uma semana e manchas avermelhadas na pele. Os sintomas aparecem entre 10 e 12 dias após o contato com o vírus e podem vir acompanhados de tosse persistente, irritação ocular, coriza e congestão nasal. Há tratamento contra o sarampo? Não existe tratamento específico para o sarampo. Para os casos sem complicação, é importante manter uma boa hidratação, suporte nutricional e diminuir a hipertermia. Quando o quadro se agrava e surgem, por exemplo, diarreia, pneumonia e otite média, essas situações devem ser tratadas, normalmente, com o uso de antibioticoterapia. No caso de crianças acometidas pela enfermidade, a OMS recomenda a administração de vitamina A, a fim de reduzir a ocorrência de casos graves e fatais. Sarampo: quem pode tomar a vacina? Sarampo: quem pode tomar a vacina? Initial plugin text Veja Mais

Unicamp cria fórmula para combater mosquito da dengue com partícula de amido de milho e óleo de tomilho

Glogo - Ciência Produto é biodegradável e pode ser produzido em grande escala para a população por ter baixo custo, diz coordenadora do projeto. Óleo é agente larvicida letal para Aedes aegypti. Partículas de combate ao mosquito Aedes aegypti são feitas de amido de milho e óleo de tomilho Patrícia Cardoso/Unicamp Pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram uma partícula biodegradável, feita de amido de milho e óleo essencial de tomilho, capaz de combater as larvas do mosquito Aedes aegypti. O óleo de tomilho é um agente larvicida letal para o transmissor de doenças como dengue, zika e chikungunya. Através da combinação dos dois compostos, foi criada uma partícula com liberação controlada de larvicida para pequenos volumes hídricos, como vasos de planta, pneus, garrafas e entulhos que podem servir de criadouro para o Aedes aegypti. "Conseguimos obter uma partícula que se comporta exatamente como os ovos do mosquito. Enquanto o ambiente está seco, ela se mantém inerte e conserva o agente ativo protegido. A partir do momento em que entra em contato com a água, começa a inchar para permitir a liberação do larvicida", explica a professora Ana Silvia Prata, coordenadora do estudo. Após três dias, segundo ela, no período em que os ovos eclodem e tem início a fase larval, a partícula passa a liberar quantidades letais do princípio ativo na água. Amido de milho garante estratégia A base partícula de amido de milho tem a função de envolver o óleo de tomilho, que é liberado lentamente quando entra em contato com a água. "Enquanto a água estiver com a concentração do óleo, ele não será liberado. Secou e molhou de novo, aí que vai liberar mais óleo", explicou a professora. Larvas do Aedes aegypti em laboratório de Campinas (SP). Mosquito é transmissor da dengue, chikungunya e zika Paulo Whitaker/Reuters Para chegar até estes produtos, o grupo testou outros ingredientes igualmente sustentáveis, como o extrato de jambu. A vantagem dos elementos escolhidos para os descartados foi o custo, cerca de 15 vezes menor. A partícula de combate ao mosquito transmissor da dengue é capaz de eliminar as larvas do mosquito mais de uma vez em contato com a água. "A gente projetou a partícula para ela ser seca e durar, ficar estocada. Não fizemos teste sistemático, mas, mesmo depois de um ano de produção, elas funcionaram", disse Ana Silvia. “A gente acredita que, sem molhar, a partícula pode ter uma vida de prateleira bem alta. Em relação à aplicação, temos uma ideia de que ela possa durar mais que cinco ciclos de chuva”, contou a coordenadora do estudo. Partícula não é tóxica A professora da FEA explicou que a concentração do óleo essencial de tomilho na partícula é muito baixa e, por isso, não afetaria a saúde de animais e seres humanos. "A taxa é muito inferior ao limite de toxicidade para um animal ou uma criança que venha a ingerir acidentalmente". Campinas (SP) registra junho com maior número de casos de dengue em 21 anos EPTV Sustentável e barato Ana Silvia explicou que a partícula desenvolvida pela FEA é barata e poderia ser produzida em grande escala para distribuição à população. Segundo ela, esta seria uma medida complementar às campanhas que já têm sido feitas no país. "A partícula teria o preço de R$ 30 o quilo, sendo R$ 15 a matéria-prima e R$ 15 o custo de produção", apontou a professora. Apesar de ser feita de produtos presentes na cozinha, a partícula não pode ser confeccionada em casa. Segundo a professora, o formato e as características não seriam alcançados sem auxílio de métodos feitos em laboratório. "O óleo essencial de tomilho é um material altamente disponível, vendido comercialmente e representa apenas 5% da composição da partícula. Os outros 95% são amido de milho, que é muito barato", pontuou a professora. Veja mais notícias da região no G1 Campinas Veja Mais

Dinamarca prescreve ‘vitamina de cultura’ para pacientes com depressão

Glogo - Ciência Tratamento lançado em 2016 dura dez semanas e coloca pessoas com depressão, ansiedade ou estresse em contato com guias culturais profissionais. Mikael Odder Nielsen (esquerda) coordena o projeto de 'vitamina cultural' da cidade dinamarquesa de Aalborg, voltado a pacientes com depressão Divulgação/Kulturvitaminer Mikael Odder Nielsen não tem formação profissional em saúde, mas desde 1º de outubro de 2016 coordena um tratamento para pessoas com depressão, ansiedade e estresse na cidade de Aalborg, na Dinamarca. Batizado de Kulturvitaminer, ou "vitaminas de cultura", o programa oferece aos pacientes encontros com profissionais de diversas áreas artísticas que os ajudam a tirar o foco da doença e incentivar a autoconfiança. Nesse quesito, Nielsen tem muita experiência: formado em musicologia, ele já trabalhou durante oito anos com jovens vulneráveis. "Usei a cultura, e a música em particular, para renovar a energia deles, construir a autoconfiança e fortalecer a abilidade deles em serem mestres de suas próprias vidas", contou o dinamarquês, em entrevista ao G1. Desde que foi lançada, a iniciativa já recebeu 260 pacientes, principalmente por indicação de centros de empregabilidade locais, e a ideia é que ele atenda cerca de 100 pessoas por ano. "A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que o estresse e a depressão serão duas das maiores causas de doença no ano 2020. Mais e mais pessoas têm saúde mental precária. Por isso é importante fazer esse trabalho, disse Mikael Nielsen. Uma das 'pílulas de cultura' introduzidas no tratamento dinamarquês é visitar os bastidores de uma orquestra de música clássica Divulgação/Kulturvitaminer 'Pílulas de cultura' No projeto mantido pelo Centro de Saúde Mental do Departamento de Saúde e Cultura de Aarlborg, as atividades do Kulturvitaminer acontecem três vezes por semana durante um período de dez semanas. "Os cidadãos conhecem guias culturais muito competentes, bem preparados e dedicados que oferecem uma 'pílula de cultura' para botar de novo um sorriso no rostos deles, conseguir apoio e fé em si mesmos", explicou o musicólogo. Nielsen diz que são oito as atividades principais: Em uma biblioteca, os pacientes fazem leituras coletivas e compartilham de forma aberta seus pensamentos, memórias, ética e moral da história lida. "Não existe resposta errada", diz o coordenador. O grupo também integra um coral, cantando junto e compartilhando da sensação de estar em comunidade e pertencer a um grupo. Nielsen ressalta que cantar estimula o cérebro a promover dopamina, um antídoto para os hormônios do estresse. As visitas também levam os pacientes ao arquivo histórico da cidade, com passeios pelas ruas e uma introdução à genealogia dos moradores. "Isso lhes dá uma filiação, o sentimento de que pertencem a um lugar." Escutar música é outra das atividades, usando um app com músicas calmantes que levam as pessoas a "fazer uma pausa, aprofundar a ponderação e as ajudam a pegar no sono". Um tour de um teatro também está dentro do programa, incluindo subir ao palco, conhecer as coxias e bastidores e acompanhar oficinas por trás dos panos, incluindo uma de linguagem corporal com dois atores. O grupo ainda assiste à experiência de ver uma sinfonia de música clássica ao vivo. "Isso se encaixa com muitas emoções dos participantes", diz Nielsen. "Aqui, falamos sobre a catarse – um refinamento do cérebro produzido pela arte." Museu de arte é outro destino do cronograma, incluindo explicações sobre arte moderna, onde o tema é a arte que se vê e o efeito que ela tem nos pacientes, e quais emoções ela desperta. O tratamento não deixa, ainda, de promover a conexão com a natureza, incluindo caminhadas pelas áreas naturais da cidade. Trata-se, segundo o coordenador, de "experimentar a natureza como um espaço livre, onde você não precisa pensar em coisas cotidianas, você pode apenas ser". No projeto de 'vitamina cultural', pacientes com estresse, depressão ou ansiedade conseguem formas laços e reforçar sua autoconfiança e sentimento de pertencimento Divulgação/Kulturvitaminer Resultados Todo o processo é voltado a despertar nos pacientes sentimentos ligados à autoconfiança e ao pertencimento a um grupo, para que eles renovem sua energia de participar da sociedade. Isso ajuda a tirá-los de círculos viciosos como o isolamento, que os faz perderem empregos e amigos, e os afunda ainda mais na solidão e no sentimento de inaptidão. "Os resultados são promissores", diz Nielsen. "Muitos deles voltaram a se aproximar novamente do mercado de trabalho e completaram estágios." O processo, continua o especialista, "ajuda a remover o foco na doença e, em vez disso, cria novas imagens deles mesmos, de pessoas com habilidades, que conseguem fazer algo de suas vidas". Desde 2016, o coordenador do Kulturvitaminer diz que o governo da Dinamarca já investiu o equivalente a mais de R$ 4 milhões em projetos do tipo, dos quais a prefeitura de Aalborg recebeu R$ 1 milhão, além de ter desembolsado o mesmo valor para manter o projeto. Depressão é a doença que mais rouba anos saudáveis dos brasileiros Os pacientes do projeto dinamarquês de 'vitamina cultural' sobem ao palco de um teatro e participam de oficina de linguagem corporal com dois atores Divulgação/Kulturvitaminer Trabalhos manuais também fazem parte do projeto de 'vitamina cultural' de Aalborg, na Dinamarca Divulgação/Kulturvitaminer Veja Mais

Missão da Nasa detecta primeiro 'choque' de partículas interplanetário

Glogo - Ciência Magnetospheric Multiscale, projeto da agência espacial que estuda campos magnéticos, foi lançada há 4 anos. Ventos solares são partículas que saem constantemente do Sol A Missão Magnetospheric Multiscale (MMS, em inglês) detectou seu primeiro choque interplanetário, segundo estudo publicado nesta quinta-feira (8). Essas interações não têm uma colisão - são partículas que transferem energia por meio dos campos magnéticos. Supernovas, buracos negros e estrelas distantes também têm esse tipo de interação. Inclusive, esses choques sem colisão começam no Sol, que constantemente emite o vento solar, fluxo de partículas feito basicamente de prótons e elétrons. Animação da Nasa mostra ventos solares do nosso Sistema Nasa O vento solar pode ser mais lento ou mais rápido. Quando um fluxo mais ágil ultrapassa o mais devagar, cria uma onda de choque – mais ou menos quando um barco ultrapassa uma onda, por exemplo. A missão da agência espacial americana (Nasa) conseguiu medir a colisão dessas partículas com a ajuda de dois instrumentos de alta resolução. Eles medem íons e elétrons em uma frequência de até seis vezes por segundo – as ondas de choque podem passar pela nave espacial em apenas meio segundo. No ano passado, a MMS anunciou que descobriu o processo importante que explica o destino da energia dos campos magnéticos que envolvem a Terra. A energia é transferida para partículas, criando jatos de elétrons. Os achados foram publicados na revista "Nature". Ilustração mostra corrente elétrica (parte brilhante) em campo magnético. Campo terrestre transforma vento solar em rajadas de elétrons Colby Haggerty/Universidade de Chicago e Tulasi Parashar/Universidade de Delaware Os campos magnéticos ao redor da Terra protegem o planeta do vento solar. Essas correntes, também chamadas de plasma, eram transferidas para algum lugar, mas até agora os cientistas não sabiam exatamente como. Períodos intensos de vento solar também causam "tempestades magnéticas" na Terra que perturbam satélites de GPS e de comunicações terrestres. Por isso, a contribuição do fenômeno é tão importante e deve ser estudada, dizem pesquisadores. Veja Mais

Médicos fazem alerta após mulher se queimar durante ‘vaporização vaginal’

Glogo - Ciência Paciente de 62 anos recorreu a terapia alternativa e acabou na emergência com queimaduras de segundo grau. Técnica recomendada por Gwyneth Paltrow em site provou queimaduras na vagina de uma mulher no Canadá e levou médicos a soarem alerta Jason Merritt A história de uma mulher canadense de 62 anos que se queimou após recorrer à chamada "vaporização vaginal" está sendo usada por médicos como exemplo dos riscos para a saúde desta terapia alternativa. O estudo deste caso foi detalhado e publicado no periódico Journal of Obstetrics and Gynecology Canada. A mulher tinha um prolapso genital e seguiu o conselho de um médico chinês tradicional para recorrer à vaporização como uma alternativa a ter que fazer cirurgia. Esta terapia envolve sentar-se sobre uma mistura de água quente e ervas e tem crescido em popularidade. A médica Magali Robert, autora do artigo, disse que a mulher ferida, que deu permissão para a divulgação de seu caso, agachou-se sobre a água fervente durante 20 minutos por dois dias consecutivos. Depois, ela precisou recorrer ao atendimento de emergência para tratar dos ferimentos decorrentes. Ela sofreu queimaduras de segundo grau e teve que adiar a cirurgia reconstrutiva enquanto trata os ferimentos. 'Detox' Esta terapia e outros tratamentos para áreas íntimas, com máscara para vulvas, estão disponíveis na internet, em salões de beleza e spas. Nos Estados Unidos, o jornal Los Angeles Times mencionou a vaporização vaginal pela primeira vez em 2010, e mais tarde o procedimento foi impulsionado quando a marca Goop, da atriz Gwyneth Paltrow, o recomendou. A celebridade tem um site sobre estilo de vida que frequentemente dá dicas sobre tendências de saúde - muitas delas controversas. No ano passado, a modelo norte-americana Chrissy Teigen também compartilhou uma fotografia de si mesma fazendo a vaporização. Initial plugin text Defensores da prática alegam que ela tem sido usada ao longo da história em países da Ásia e da África. Segundo eles, o procedimento, às vezes chamado de vaporização Yoni, faz um "detox" da vagina. Especialistas, no entanto, alertam que a intervenção pode ser perigosa e não há comprovação de sua eficácia ou de seus supostos benefícios para a saúde, como alívio dos sintomas da menstruação ou melhoras na fertilidade. Vanessa Mackay, consultora e porta-voz do Colégio Real de Obstetras e Ginecologistas, no Reino Unido, diz ser um "mito" que a vagina precise de limpeza ou tratamento intensos. Ela recomenda o uso de sabonetes simples e não perfumados apenas na área da vulva externa. É importante não confundir a vagina (parte interna que liga o útero com o exterior) com a vulva e os lábios, que ficam do lado de fora - estes sim, precisam de limpeza com produtos neutros, conforme recomenda Mackay. "A vagina contém as bactérias boas, que estão lá para protegê-la", disse ela em nota. "O vapor na vagina pode afetar este equilíbrio saudável de bactérias e níveis de pH, além de causar irritação, infecção (como vaginose bacteriana ou candidíase) e inflamação. A pele delicada ao redor da vagina (a vulva) também pode ser machucada." Robert, pesquisadora na universidade canadense de Calgary na área de medicina pélvica e cirurgia reconstrutiva, diz que terapias não convencionais, como a vaporização, espalham-se pela internet e pelo boca-a-boca. "Os profissionais de saúde precisam estar cientes das terapias alternativas para que possam ajudar as mulheres a fazer escolhas informadas e evitar possíveis danos", escreve ela no artigo. Veja Mais

Como a Lua afeta o seu humor

Glogo - Ciência A ideia de que o ciclo lunar pode influenciar o comportamento das pessoas remonta a milhares de anos, mas foi amplamente descartada pela medicina moderna. No entanto, novas pesquisas sugerem que pode haver mesmo alguma verdade nessas antigas teorias. Desde a antiguidade, diversas sociedades acreditaram na influência da Lua no humor; mas o que diz a ciência moderna? Julio Cortez/AP Aficionado por resolver enigmas, um engenheiro de 35 anos que chegou à clínica psiquiátrica de David Avery precisou quebrar a cabeça para resolver uma questão que estava tirando ele mesmo do sério. Seu humor oscilava fortemente de um extremo a outro, às vezes envolvendo pensamentos extremamente negativos ou vendo e ouvindo coisas que não estavam ali. Seu padrão de sono era igualmente irregular, indo da insônia quase total a 12 horas de descanso profundo em uma noite. Sendo um solucionador de problemas, o homem mantinha registros meticulosos desses padrões - uma tentativa de encontrar algum sentido na questão. Avery, que trabalhava na clínica onde o paciente foi internado em 2005, mergulhou nesses registros. "A periodicidade dos ciclos me intrigava", lembra. Veio um palpite de que os padrões de sono do paciente acompanhavam o movimento dos oceanos - estes sabidamente impulsionados pela atração gravitacional da Lua -, mas isso logo lhe pareceu uma loucura. "Parecia haver uma associação entre marés altas e as noites em que a duração do sono era curta", lembra Avery. Mesmo que os ciclos de humor do paciente estivessem em sincronia com a Lua, Avery não tinha nenhum mecanismo para explicá-los, nem qualquer ideia sobre o que fazer a respeito. Os ciclos mensais e anuais da Lua mostraram notáveis similaridades com os padrões de humor em alguns pacientes Marcos Serra Lima/G1 O paciente recebeu a prescrição de medicamentos e fototerapia e, posteriormente, teve alta. Já Avery colocou as anotações do engenheiro em uma gaveta e as esqueceu. Filósofos gregos relacionavam distúrbios à Lua Doze anos depois, o renomado psiquiatra Thomas Wehr publicou um artigo descrevendo os casos de 17 pacientes com transtorno bipolar de ciclos rápidos - em que a alternância entre depressão e mania acontece de forma mais veloz que o habitual. Como o paciente de Avery, eles também apresentavam uma certa regularidade no padrão de manifestação dos sintomas. "O que me impressionou nesses ciclos foi que eles pareciam surpreendentemente precisos, de uma forma que você não esperaria necessariamente de um processo biológico", diz Wehr, professor emérito de psiquiatria do Instituto Nacional de Saúde Mental em Bethesda, nos Estados Unidos. "Isso me levou a questionar se havia algum tipo de influência externa orientando esses ciclos." Considerando a antiga crença de que a Lua afeta o comportamento humano, "a coisa óbvia a considerar era se havia alguma influência lunar", avaliou o professor. Vídeo: saiba o que acontece com o cérebro de quem salta de paraquedas pela primeira vez Sua memória anda ruim? Cinco perguntas e respostas para você saber se precisa se preocupar Durante séculos, as pessoas acreditaram que a Lua afeta o comportamento humano. A palavra lunação deriva do latim lunaticus, que significa algo como uma alucinação. Tanto o filósofo grego Aristóteles quanto o naturalista romano Plínio, o Velho, acreditavam que a loucura e a epilepsia eram causadas pela Lua. Acredita-se também que mulheres grávidas têm mais chances de dar à luz na Lua cheia, mas as evidências científicas para comprovar isso ainda são inconsistentes. Da mesma forma, ainda carecem de maior consistência indícios de que o ciclo lunar influencia a violência entre pacientes psiquiátricos ou presos reclusos. Um estudo recente, por exemplo, indicou que ações criminosas ao ar livre, como nas ruas ou praias, podem aumentar quando há mais luz da Lua. As evidências são mais fortes na indicação de que o sono varia ao longo do ciclo lunar, mas também há carência de mais estudos. Um dos principais problemas, diz Vladyslav Vyazovskiy, pesquisador do sono da Universidade Oxford, na Inglaterra, é que nenhuma das pesquisas monitorou o sono de um paciente durante um mês lunar inteiro, ou por muitos meses. "A única maneira de alcançar isso é com uma abordagem sistemática, gravando o mesmo indivíduo ao longo do tempo e continuamente em diferentes fases", explica. É exatamente isso que Wehr fez em seu estudo com pacientes bipolares - em alguns casos, acompanhando as datas de suas flutuações de humor por anos. Ao fazer isso, Wehr descobriu que seus pacientes se enquadravam em duas categorias: na primeira, o humor parecia seguir um ciclo de 14,8 dias; no segundo, o ciclo era de 13,7 dias - embora algumas vezes essas fases se alternassem. Filósofos antigos acreditavam que a Lua impulsionava a loucura Rede Globo O que é fato no poder da Lua sobre a Terra Em contraposição às muitas coisas que não sabemos sobre a influência lunar, há outras sobre as quais o conhecimento é consolidado. A primeira e mais óbvia é sobre o luar, com uma Lua cheia chegando a cada 29,5 dias e uma Lua nova aparecendo 14,8 dias depois disso. Depois, há a atração gravitacional da Lua, motor do movimento das marés - que sobem e descem a cada 12,4 horas. A altura dessas marés também segue aproximadamente ciclos de duas semanas: um, de 14,8 dias, é impulsionado pela atração combinada da Lua e do Sol, que formam uma linha e configuram a chamada maré viva ou de cabeça; no outro, de 13,7 dias, a Lua fica em posição perpendicular em relação ao equador da Terra, o que faz a atração exercida ser menor e, por isso, essa etapa é conhecida como maré morta. O humor dos pacientes de Wehr parecia estar em sincronia com estes ciclos de aproximadamente duas semanas. Não é que eles necessariamente mudassem da depressão para um comportamento de mania a cada 13,7 ou 14,8 dias, mas que estas alterações tendiam a ocorrer em certas fases. Depois de ler este trabalho, Avery ligou para Wehr e ambos se debruçaram novamente sobre as anotações do engenheiro de 35 anos - descobrindo que este, também, tinha um padrão de 14,8 dias em seus ciclos de humor. Outra evidência para a influência da Lua no humor desses pacientes vem da descoberta de que, a cada 206 dias, esses ritmos regulares parecem ser interrompidos por outro ciclo lunar - aquele responsável pela "superlua", quando a órbita elíptica (ou oval) da Lua chega particularmente mais perto da Terra. Anne Wirz-Justice, cronobiólogo do Hospital Psiquiátrico da Universidade de Basel, na Suíça, descreve as associações entre humor e ciclos lunares de Wehr como "críveis", mas "complexas". "Não se tem ideia de quais são os mecanismos por trás (desta relação)", aponta. Sono, Lua e humor Já a associação entre dormir e as fases lunares, que parece existir, poderia fazer pressupor que o sono por tabela influencia o humor. A importância do sono é particularmente relevante para pessoas bipolares, cujos episódios de alteração do humor são frequentemente precipitados pela interrupção do sono ou dos ritmos circadianos (ciclo fisiológico de aproximadamente 24 horas que ocorre na maioria dos organismos vivos). Considerando a ideia de que a Lua poderia de alguma forma afetar o sono dos pacientes, Wehr descobriu que à medida que os dias passam, a hora do despertar fica a cada vez um pouquinho mais tarde, enquanto o tempo de sono permanece o mesmo. Isso significa que a duração do descanso aumenta progressivamente, até ser abruptamente encurtada. Este ponto de virada é frequentemente relacionado ao início da mania. Alguns estudos indicam que o luar no auge do ciclo lunar pode pertubar o sono de algumas pessoas Unsplash Mas qual propriedade da Lua poderia afetar o pobre sono dos mortais? Wehr acha difícil que seja a sua luz. "No mundo moderno, há muita poluição e passamos tanto tempo dentro de casa expostos à luz artificial que os sinais de mudança da iluminação da Lua foram obscurecidos", argumenta. Em vez disso, o psiquiatra suspeita que um outro aspecto da influência lunar esteja perturbando o sono de seus pacientes, com consequências implacáveis ​​para o humor: a atração gravitacional exercida pela Lua. Uma hipótese é que isso desencadeia flutuações sutis no campo magnético da Terra, às quais algumas pessoas podem ser sensíveis. "Os oceanos são condutores elétricos porque são compostos de água salgada, e conforme eles fluem com as marés, há um campo magnético associado aí", explica Robert Wickes, especialista em clima espacial da University College London, na Inglaterra. No entanto, permanece a questão se o efeito da Lua no campo magnético da Terra é forte o suficiente para induzir mudanças biológicas. O que é mito sobre a influência da lua? A possibilidade magnética Alguns estudos já ligaram a atividade solar ao aumento de ataques cardíacos, derrames, crises epiléticas, esquizofrenia e até suicídios. Quando erupções solares atingem o campo magnético da Terra, isso induz correntes elétricas invisíveis fortes o suficiente para derrubar redes de abastecimento inteiras. Outras pesquisas sugeriram também que a atividade solar pode afetar células eletricamente sensíveis no coração e no cérebro. "O problema não é que não seja possível que essas coisas aconteçam, é que a pesquisa é muito limitada - por isso, é muito difícil dizer algo definitivo", explica Wickes. Por um lado, diferente de certos pássaros, peixes e insetos, os humanos não são considerados portadores de um senso magnético. Mas por outro, um estudo publicado no início deste ano desafiou essa afirmação. Descobriu-se que pessoas expostas a mudanças no campo magnético - equivalentes àquelas que experimentamos à medida que nos movemos no nosso entorno - tiveram fortes reduções na atividade das ondas alfa cerebrais. Enquanto já sabemos de muitas formas com que a Lua influência fenômenos na Terra, há ainda muitos mistérios sobre seu papel na vida humana, por exemplo Ariel Adorno/Divulgação As ondas alfa são produzidas quando estamos acordados, mas não realizando qualquer tarefa específica. O alcance dessas manifestações detectadas ainda não está claro - podem ser um subproduto irrelevante da evolução ou, em um quadro mais complexo, o campo magnético pode estar alterando sutilmente nossa química cerebral de maneiras que desconhecemos. A teoria magnética é atraente para Wehr porque, ao longo da última década, vários estudos sugeriram que, em certos organismos, como moscas da fruta, uma proteína chamada criptocromo pode também funcionar como um sensor magnético. O criptocromo é um componente chave para o controle dos ritmos circadianos de 24 horas em nossas células e tecidos, incluindo o cérebro. Quando o criptocromo se liga a uma molécula que absorve luz, chamada flavina, isso não só sinaliza para o organismo que é dia, mas desencadeia uma reação que faz com que o complexo molecular se torne magneticamente sensível. Bambos Kyriacou, um geneticista comportamental da Universidade de Leicester, na Inglaterra, e sua equipe já mostraram que a exposição a campos eletromagnéticos de baixa frequência pode redefinir o tempo dos ciclos circadianos das moscas-das-frutas, levando a alterações na duração do sono. Se isso fosse verdade também para os humanos, poderia ser uma explicação para as mudanças bruscas de humor observadas nos pacientes bipolares de Wehr e Avery. No entanto, embora o criptocromo seja também um componente essencial do relógio circadiano humano, ele funciona de maneira ligeiramente diferente da versão que opera nas moscas-das-frutas. "Parece que o criptocromo de humanos e outros mamíferos já não se liga à flavina. Sem a flavina, não sabemos como a química magneticamente sensível seria desencadeada", diz Alex Jones, físico do National Physical Laboratory em Teddington, na Inglaterra. A água dentro de nós poderia ser afetada como as marés? A Lua afeta as marés - será que, por tabela, a água que existe dentro de nós também poderia ser influenciada? Marcos Serra Lima/G1 Outra possibilidade é que os pacientes de Wehr e Avery estejam respondendo à atração gravitacional da Lua da mesma forma que as marés. Afinal, nós humanos somos constituídos em 75% de água. Muitos estudiosos refutam esta possibilidade, porém, lembrando que a quantidade de água que carregamos é ínfima perto dos oceanos. "Os seres humanos são feitos de água, mas a força (exercida sobre este componente líquido) é tão fraca que seria difícil ver como isso seria afetado do ponto de vista físico", diz Kyriacou. Ainda que estes mecanismos nos escapem por enquanto, nenhum dos cientistas contatados para este artigo contesta as descobertas básicas de Wehr: que seus pacientes bipolares são rítmicos e que esses ritmos parecem correlacionar-se com certos ciclos da Lua. 5 provas irrefutáveis de que o homem pisou na Lua Veja Mais

O acidente espacial que espalhou milhares de animais microscópicos da Terra na Lua

Glogo - Ciência Acredita-se que os pequenos animais chamados tardígrados sobreviveram a um pouso forçado na Lua. Para pesquisadores, tardígrados estão mais próximos das minhocas do que dos insetos Kazuharu Arakawa and Hiroki Higashiyama A Lua pode ser o novo lar de milhares de indivíduos considerados como alguns dos mais indestrutíveis do planeta Terra. Os tardígrados - frequentemente chamados de ursos da água - são criaturas com menos de um milímetro de comprimento que podem sobreviver a temperaturas de 150ºC e congeladas até quase zero absoluto. Eles estavam viajando em uma espaçonave israelense que se acidentou ao pousar na Lua em abril. E o cofundador da organização que os colocou lá acredita que eles ainda estejam vivos. Os ursos da água foram desidratados, colocados em animação suspensa e depois envoltos em âmbar artificial. "Acreditamos que as chances de sobrevivência para os tardígrados são extremamente altas", disse Nova Spivack, chefe da Arch Mission Foundation. A Arch Mission Foundation mantém uma espécie de "backup" do planeta Terra - com o conhecimento humano e a biologia do planeta armazenados e enviados para vários locais do espaço no caso de a vida ser extinta por aqui. A "biblioteca lunar" - algo parecido com um DVD que contém um arquivo de 30 milhões de páginas da história dos seres humanos visível sob microscópios, assim como o DNA humano - foi levada à Lua pelo robô Beresheet. E, ao lado de tudo isso, estavam os tardígrados desidratados - havia alguns em âmbar e outros presos em uma fita. Chances de sobrevivência Para a maioria das criaturas, não haveria volta para o estado de desidratação - a vida sem água é quase impossível. Os tardígrados podem passar até décadas desidratados e depois serem trazidos de volta à vida. Os cientistas descobriram que eles têm o que se assemelha quase a um super poder. Quando secos, eles retraem a cabeça e as oito patas, se encolhem em uma minúscula bola e entram em um estado profundo de animação suspensa parecido com a morte. Eles perdem quase toda a água do corpo e seu metabolismo diminui para 0,01% da taxa normal. E, caso sejam reintroduzidos na água décadas mais tarde, podem se reanimar. Os tardígrados foram os primeiros animais a sobreviver sem proteção no espaço, em 2007, e esse feito fez deles candidatos perfeitos para a biblioteca lunar do Arch Mission. "Os tardígrados são ideais porque são microscópicos, multicelulares e uma das formas mais duráveis ​​de vida no planeta Terra", disse Nova. Mesmo que esse seres tenham sobrevivido ao impacto na Lua, esse fato pode não ser tão bom assim, segundo alguns especialistas. "O que isso significa é que o chamado 'ambiente intocado' da Lua foi quebrado", disse Monica Grady, professora da Open University. Quando as espaçonaves saem da Terra, elas são obrigadas pelo Tratado do Espaço Exterior a não contaminar seu ambiente. "Você pode dizer que foi quebrado em 1969 quando Neil Armstrong e Buzz Aldrin estavam lá, o que é verdade, mas desde então nos tornamos muito mais conscientes de como devemos preservar esses corpos planetários", disse. "Não acho que alguém tenha permissão para distribuir tardígrados desidratados sobre a superfície da Lua. Então, isso não é uma coisa boa." Se os tardígrados estão na Lua, é muito improvável que eles possam voltar à vida sem serem reintroduzidos na água. Mas seria teoricamente possível que os tardígrados fossem coletados, trazidos de volta à Terra, reanimados e estudados. Ainda assim, é bom pensar que da próxima vez que você olhar para a Lua, pode haver milhares de ursos de água (desidratados) ali. Initial plugin text Veja Mais

Pelo menos um em cada dez idosos bebe sem moderação

Glogo - Ciência Homens, fumantes e usuários de maconha são os que apresentam comportamento de maior risco Consumo de álcool: os pesquisadores estimaram que 10.6% dos idosos bebem em excesso, até cinco drinques de uma vez só Wikimedia Commons De acordo com pesquisa realizada pela escola de medicina da NYU (New York University), cerca de 10% dos indivíduos acima de 65 anos bebem pesadamente, se expondo a uma série de doenças. O estudo, feito em parceria com o Center for Drug Use e publicado no “Journal of the American Geriatrics Society”, também mostrou que homens, fumantes e usuários de maconha são os que mais apresentam esse tipo de comportamento. Beber sem moderação é ruim em todas as idades, mas as complicações são maiores na velhice, a começar pelo risco aumentado para quedas. Some-se a isso a presença de doenças crônicas e o uso de medicamentos. Ainda assim, são poucas as pesquisas sobre o tema. Para o médico Benjamin Han, autor do estudo e professor de geriatria e cuidados paliativos, “beber em grande quantidade, mesmo que episodicamente, pode ter um efeito negativo significativo para os mais velhos, por causa da interação com a medicação e o risco de exacerbar as enfermidades existentes”. Os pesquisadores analisaram os dados de dez mil adultos acima dos 65 anos que participaram de levantamentos nacionais sobre saúde entre 2015 e 2017. O critério utilizado foi a prevalência de uso pesado de álcool numa só ocasião no mês anterior: o equivalente a cinco drinques para os homens e quatro para as mulheres. Os autores estimaram em 10.6% os idosos que beberam em excesso de uma tacada, o que representou um aumento em relação a estudos anteriores: entre 2005 e 2014, essa porcentagem ficava entre 7.7% e 9%. A doença crônica mais comum entre os bebedores era a hipertensão (41,4%), seguida de cardiopatia (23.1%) e diabetes (17,7%). Esse é o tipo de achado que deve servir de alerta para os clínicos, porque o uso do álcool pode agravar o quadro. Os pesquisadores acreditam que boa parte dos idosos não tem uma noção precisa de que isso significa um risco maior em sua idade e ainda se depararam com o crescimento do consumo de bebida e maconha. “Essa é uma associação com implicações sérias”, afirmou o médico Joseph Palamar. Veja Mais

Circuncisão: 'Meu pênis é causa de dor constante'

Glogo - Ciência Rapaz britânico diz que gostaria de reverter o procedimento, realizado logo após seu nascimento. Avon sente dor a cada passo que dá. Mas quando tem relações sexuais, quase não tem sensibilidade. "As pessoas devem se informar mais antes de arruinar a vida de um recém-nascido dessa maneira", diz ele à BBC. Avon foi circuncidado logo após o nascimento e buscou ajuda médica para tentar reverter o procedimento. "É repugnante que isso ainda aconteça hoje. Realmente é", diz o britânico, acrescentando que ficaria feliz apenas em poder andar na rua confortavelmente. "Minha experiência de ter sido circuncidado combina transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) com desconforto físico real", explica. Pontadas e formigamento Na circuncisão, o prepúcio – que protege a cabeça do pênis – é removido cirurgicamente. Isso faz geralmente com que a cabeça do pênis, também chamada de glande, fique mais sensível, embora com o passar do tempo essa sensação acabe sendo reduzida. No caso de Avon, não foi bem assim. E ele tampouco tinha essa informação. "Só no fim da minha adolescência descobri que havia uma coisa chamada prepúcio", diz ele. "Me fizeram um corte C1, que é o tipo mais baixo de circuncisão", explica. "O pênis está muito exposto, não tem pele cobrindo a coroa da glande que circunda a cabeça do pênis ou a parte da pele que fica logo depois dela." Avon descreve sua dor como "uma pontada muito incômoda ou formigamento sob a pele que sente a cada passo que dá". "Mas quando tenho relações sexuais com alguém, simplesmente não tenho sensibilidade." "Atualmente estou saindo com uma pessoa, mas ser circuncidado trouxe alguns problemas para nosso relacionamento." "E isso é apenas uma parte de como alguém pode ser afetado após cortarem parte de um órgão sem o seu consentimento." Avon acredita que o "efeito dominó psicológico" que esse procedimento pode ter não é levado em conta. "Eu senti muita dor e lacerações na pele enquanto crescia. Percebi que isso afetava boa parte da minha vida." Ele também diz que aos 22 anos, quando já era sexualmente ativo, foi prejudicado "pelo fato de ser completamente insensível a estímulos". Cerca de 38% dos homens são circuncidados em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), embora no caso da América Latina a prática não seja muito difundida - e esse percentual seja bem inferior à media global. A Nigéria e as Filipinas são os países em que mais se realiza o procedimento, com taxas superiores a 90%. A instituição britânica 15Square, especializada na saúde dos órgão sexuais - com enfoque particular no prepúcio e na luta contra a "circuncisão desnecessária" - diz que os principais problemas que costumam estar relacionados a essa prática são desconforto contínuo e falta de sensibilidade. Avon recorreu a um "kit reparador", que comprou pela internet. O kit consiste em um dispositivo estranho para colocar na cabeça do pênis com o objetivo de "restaurar" o prepúcio. Mas não surtiu efeito. É possível inverter a circuncisão? Avon consultou o urologista Sudhanshu Chitale – que tem uma clínica particular em Londres e mais de 20 anos de experiência - para ver se era possível reverter sua circuncisão e se poderia recuperar a sensibilidade. "As circuncisões neonatais são feitas de maneira muito diferente. Às vezes, é radical e remove praticamente toda a pele do prepúcio", explica Chitale. "Quem passou por uma circuncisão neonatal raramente sente falta do prepúcio porque não conhece nenhuma outra sensação. Mas se você perder (o prepúcio) na adolescência ou na idade adulta, é mais provável que sinta." No entanto, apesar de ter sido circuncidado no nascimento, Avon sente desconforto. Após examiná-lo, a conclusão do médico foi a seguinte: "A falta de sensibilidade na glande, infelizmente, é muito difícil de recuperar". Chitale também o desaconselhou a usar o dispositivo comprado na internet, que não foi desenvolvido por cientistas "e tampouco foi comprovado que funciona". "Você pode continuar usando se quiser, mas não há muito o que possa fazer." Além disso, o médico disse que, no caso dele, qualquer intervenção permitiria ganhar apenas alguns milímetros de pele que não aliviariam seu problema. "A glande é hipersensível, bastante delicada, e tem o prepúcio como um gorro. Depois, a camada que a cobre endurece tanto quanto o resto da pele, por isso que a hipersensibilidade inicial é neutralizada, e logo volta à sensação normal", explicou o urologista. "Mas nunca vai ser equivalente à sensibilidade do prepúcio porque ele tem um propósito especial." Quais são os benefícios médicos da circuncisão? Menos risco de contágio de HIV, vírus causador da Aids. Menos chance de contrair doenças sexualmente transmissíveis. Menos risco de infecções do trato urinário e câncer de pênis (ambos são raros). Quais são os riscos? Hemorragia e infecção. Dor. Qual a recomendação? A Academia Americana de Pediatria não recomenda circuncisões rotineiras. Mas, dados seus possíveis benefícios, afirma que os pais devem ter a opção de circuncidar seus filhos, se quiserem. Também recomenda que os pais conversem com um médico sobre a circuncisão. Eles devem tomar essa decisão levando em consideração os benefícios, riscos e suas crenças religiosas, culturais e pessoais. Fonte: Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos. Esta reportagem é baseada em um vídeo produzido, filmado e editado por Shane Fennelly e Tom Beal, da BBC News. Veja Mais

'Temos que nos livrar da carga negativa que envolve o fato de ser velho', diz geriatra

Glogo - Ciência Estereótipos e preconceitos podem inclusive levar a distorções nos tratamentos de saúde A médica geriatra Louise Aronson tem uma missão: incentivar a visão de que as décadas de vida depois dos 60 anos devem ser celebradas, em vez de temidas. Isso inclui as faculdades de medicina e os profissionais de saúde, que precisam entender e apoiar as muitas fases que compõem a velhice. Afinal, se há diferentes abordagens para tratar um ser humano do nascimento à adolescência, o mesmo se aplica quando somos velhos. Essa é a tese do livro “Elderhood: redifining age, transforming medicine, reimagining life” (“Velhice: redefinindo idade, transformando a medicina, reimaginando a vida”, em tradução livre), lançado em junho. Preconceito contra idosos pode ser combatido com educação Fobia contra idosos: por que o ageísmo ainda é uma regra nas sociedades? Louise também é professora na Universidade da Califórnia, em São Francisco, e tem mais de 20 anos de experiência em geriatria, o que a transformou numa militante da causa de que devemos encarar o envelhecimento com outros olhos. No livro, ela se vale de História, literatura e antropologia para mostrar como o preconceito está impregnado em nossa cultura. “Temos que nos livrar da carga negativa que envolve o fato de ser velho. Há muita coisa boa acontecendo nesse período da vida e é importante lembrar que todas as fases têm seus prós e contras. Quem está na casa dos 60 e 70 apresenta menos estresse e mais satisfação do que os adultos mais jovens. Dos 60 aos 100 anos, há inúmeros estágios, a velhice não pode ser vista como um bloco. Há alegrias, prazeres, contribuições e prioridades que não podem ser esquecidos!”, enfatiza. A médica geriatra Louise Aronson, autora de “Elderhood: redifining age, transforming medicine, reimagining life” Divulgação Dentro da medicina, aponta duas distorções graves. “Os estereótipos relacionados à velhice podem levar a excessos no tratamento (“overtreatment”) ou, na ponta oposta, a subtratamentos (“undertreatment”). Ela gosta de contar a história de um homem de 90 anos que, ao se queixar de dor num joelho, ouviu do médico que o problema era compatível com a sua idade. “No entanto”, respondeu o paciente, “meu outro joelho tem a mesma idade e não me incomoda”. Um outro idoso foi levado às pressas para a emergência por causa de uma trombose, deixando para trás seu aparelho de surdez. No hospital, foi diagnosticado com demência porque não respondia às perguntas que, obviamente, não ouvia. “O sistema tem falhado com os mais velhos”, sentencia. “Os corpos se comportam de outra forma com a progressão dos anos, o que deve ser levado em conta na hora da prescrição de medicamentos. O fígado e os rins mudam, o cérebro muda, o risco de efeitos adversos cresce. É essencial considerar o que o paciente quer e como a intervenção vai impactar em sua qualidade de vida”, afirma. Uma de suas preocupações é o pouco treinamento que os médicos recebem para lidar com os mais velhos, embora eles representem 40% dos pacientes tratados por esses profissionais. Nos EUA, por exemplo, há cerca de 7 mil geriatras para 49 milhões de idosos. No Brasil, esse número não chega a 2 mil, para um contingente de 30 milhões. A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda um especialista para cada mil idosos, ou seja, temos um déficit de 28 mil profissionais. Veja Mais

Cientistas dos EUA imprimem válvula de coração 3D feita de colágeno

Glogo - Ciência Técnica, publicada na revista 'Science', replica estruturas biológicas complexas do corpo e poderá usada para substituir órgãos no futuro. Partes do coração são feitas de colágeno Carnegie Mellon University College of Engineering/AFP Cientistas americanos usaram uma bioimpressora 3D para criar partes de um coração feitas com colágeno. Eles garantem que a tecnologia é um avanço para montar órgãos inteiros no futuro. A técnica, publicada na revista "Science" desta quinta-feira (1º), replica as estruturas biológicas complexas do corpo, que são responsáveis pela configuração e pelos sinais bioquímicos necessários para que os órgãos funcionem. "Podemos mostrar que é factível imprimir em 3D uma válvula do coração em colágeno e que funcione" - Adam Feinberg, um dos coautores. As tentativas anteriores de criar essas estruturas, conhecidas como matrizes extracelulares, falharam porque as impressões tinham resolução baixa ou o tecido não era válido. O colágeno, que é um biomaterial perfeito para estes projetos, é encontrado em todos os tecidos do corpo humano. Ele é fluido e, por isso, se tornava em um material gelatinoso na hora da impressão 3D. Os cientistas da Universidade Carnegie Mellon foram capazes de lidar com esse problema fazendo mudanças rápidas do pH para que o colágeno solidificasse de forma controlada e rápida. "Esta é a primeira versão de uma válvula, pelo que tudo o que conseguirmos será melhor e melhor", disse Feinberg. A técnica pode ajudar pacientes que esperam por um transplante cardíaco, mas primeiro terá que ser validada com testes em animais e, eventualmente, em seres humanos. "Acho que a curto prazo, servirá para reparar um órgão já existente", como um coração com perda de funcionamento por um infarto ou um fígado degradado, explicou Feinberg. Veja Mais

Lightsail 2, o 'veleiro solar' da Sociedade Planetária

Glogo - Ciência O satélite Lightsail 2 tem propulsão a partir da luz do Sol e pode representar um novo paradigma para viagens espaciais. Deploy: Sequência de desdobramento da vela solar do LightSail. Divulgação/The Planet Society A gente aprende em história que o final do século XV e o início do século XVI são o período das grandes navegações. Inclusive com as expedições de Fernão de Magalhães provando, mais uma vez, que a Terra não é plana. Esse período representou uma grande expansão de fronteiras de países europeus em direção a novas terras. Essa expansão se deu em frágeis embarcações à mercê dos humores do tempo, em especial do vento. Antes que você se pergunte se está no blog certo, eu digo que nós estamos a um passo de reviver a era das grandes navegações. E novamente com ajuda do Sol... Em 25 de junho deste ano, a Sociedade Planetária, uma entidade sem fins lucrativos fundada por Carl Sagan, entre outros, lançou seu terceiro protótipo de um veleiro solar. Em 2005, a sociedade lançou o Cosmos 1, ou pelo menos tentou, uma vez que o foguete que o carregava explodiu em voo. Dez anos depois, em 2015, foi lançado o LightSail 1 (um jogo de palavras que brinca com o fato dele ser impulsionado por luz ao mesmo tempo que ele é leve) e nessa oportunidade o veleiro conseguiu alcançar a órbita terrestre. A luz como "combustível" O LightSail 1 veio provar que o conceito de veleiro solar é, de fato, viável. Veleiro solar pode ser qualquer artefato, satélite, sonda ou nave tripulada, que viaje movido pela luz solar. Como assim? A luz, na verdade qualquer radiação, carrega momento linear. Ao se chocar com uma superfície, ela transfere esse momento e pode colocar a superfície em movimento. A física é praticamente a mesma que explica quando uma bola de bilhar começa a se mover ao sofrer uma colisão com outra bola. É claro que, com a luz, o resultado é imperceptível em um primeiro momento, pois não só a luz carrega pouco momento, mas também porque um satélite tem muita massa. Em teoria isso pode ser contornado diminuindo-se a massa do artefato lançado e também aumentando a área da superfície coletora, a vela solar. Bom, isso em teoria. LightSail 2 com sua vela aberta em laboratório Divulgação/The Planetary Society Para provar que a teoria está certa, a Sociedade Planetária lançou seu protótipo completamente financiado por doações de aproximadamente 40 mil aficionados pelo espaço. O LightSail 1 foi um experimento em que um cubesat de 3 elementos foi lançado com uma vela feita de Mylar, um poliéster metálico altamente reflexivo. A missão do LightSail 1 era tão somente mostrar a viabilidade técnica de se mandar uma carga útil, como o cubesat, acoplada a uma vela que pudesse se desdobrar no espaço para “capturar” mais luz do Sol. Tanto foi que o primeiro protótipo foi colocado em uma órbita baixa, onde o arrasto da atmosfera terrestre iria fazer sua reentrada em menos de 15 dias. Apesar de alguns sustos, a manobra de lançamento e desdobramento da vela ocorreu perfeitamente, abrindo o caminho para outra sonda com responsabilidade um tanto maior: provar que a luz do Sol é capaz de impulsionar o cubesat para ele alterar sua órbita. Essa é a missão do LightSail 2, lançado por um foguete Falcon Heavy no fim de junho. Quase um mês depois, no dia 23 de julho, o cubesat acionou seu mecanismo para liberar as velas e, algum tempo depois, elas estavam totalmente abertas! Com essa configuração, a área coletora de luz atingiu 32 metros quadrados, mais ou menos a área de um quadrado de 5,5 metros de lado. Como eu disse lá no começo, manobras com o uso da pressão da radiação solar levam tempo, pois o efeito da luz é muito sutil, então era preciso aguardar. O cubesat foi colocado em uma órbita circular de 720 km de altura, muito mais alto que seu predecessor, já que, nesse caso, é fundamental ficar longe da ação da atmosfera. Cubesat do LightSail 2 Divulgação/The Planetary Society Mudança na órbita do satélite Fazendo com que as velas fiquem a maior quantidade de tempo apontadas para o Sol, a ideia é que o LightSail 2 altere de uma órbita circular para uma órbita mais ovalada, ou seja, elíptica. Com essa manobra, a Terra deixa de ser o centro da órbita e se torna um dos focos da elipse, e a ação da luz solar é fazer a distância maior entre o satélite e a Terra (chamada apogeu) aumentar gradativamente. Por outro lado, a menor distância entre os corpos (chamada perigeu) diminui do mesmo tanto. A distância média fica na mesma, mas a órbita é outra, com uma dinâmica bem diferente. Resultados já apareceram E até que não foi preciso esperar muito para que os resultados aparecessem. Na última quarta-feira (31), a Sociedade Planetária anunciou que conseguiu detectar que a órbita do LightSail 2 de fato se ovalou um pouco, fazendo com que o apogeu ficasse 2 km mais alto do que o raio da órbita inicial, que era circular. Essa distância é bem pequena em termos de navegação espacial, mas reprenta muito em termos de conceito: é verdadeira a ideia de que uma nave possa alterar sua trajetória no espaço (nesse caso, mudar sua órbita) usando somente a luz do Sol. Isso representa uma mudança de paradigma muito almejada, uma vez que, atualmente, estamos quase totalmente dependentes de foguetes movidos a reações químicas. Temos naves que manobram com o uso de propulsão iônica, mas nunca antes isso foi feito com a luz solar, o que deve colocar a exploração espacial em outro patamar. Com o uso da luz solar para manobras no espaço, não será necessário agregar motores e combustível. Uma nova maneira de viajar pelo Sistema Solar foi confirmada como factível e, nas palavras do gerente do projeto: “Se 40 mil aficionados financiaram os dois LightSail com US$ 7,5 milhões, imagine o que poderíamos fazer se esse número chegar a 500 mil pessoas? Ou 5 milhões?” Pois é, só esperando para saber! Veja Mais

Menino tem 526 dentes removidos da boca

Glogo - Ciência Ravindran, de 7 anos, foi submetido a uma cirurgia de 5 horas na Índia para a retirada de um tumor. Mais de 500 dentes foram removidos da boca de Ravindran, de 7 anos BBC Ravindran, de 7 anos, teve mais de 500 dentes retirados da boca na Índia. (Assista ao vídeo) Ele sofreu por quatro anos com um inchaço no rosto. Quando os pais o levaram ao hospital, descobriram que o menino tinha um tumor na mandíbula. Os médicos descobriram 526 dentes dentro do tumor, que foi removido uma cirurgia de cinco horas de duração. Um dos médicos explicou que o tumor era uma espécie de saco, que tinha dentes dentro. Isolaram o tumor do osso e o removeram com sucesso. Um caso similar aconteceu em 2014, também na Índia. Na ocasião, foram retirados mais de 200 dentes da boca de um adolescente. Veja Mais

Estudo relaciona exploração de gás natural por 'fracking' a aumento nas emissões de gases estufa

Glogo - Ciência Técnica de 'fraturamento hidráulico' é usada para retirar gás natural de camadas de difícil acesso nas rochas. Pesquisa indica participação dessa atividade no aumento da concentração de gás metano no ar na última década. Torre queima gás em unidade de fracking nos Estados Unidos Wcn247/Visualhunt Um estudo divulgado nesta quarta-feira (12) aponta que o aumento da concentração de gás metano na atmosfera nos últimos anos vem, em grande parte, da exploração do gás de xisto por meio de "fracking" (técnica também conhecida como "fraturamento hidráulico"). A conclusão dos pesquisadores da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, foi publicada em artigo publicado na revista científica "Biogeosciences". Eles analisam o aumento da concentração de gás metano na atmosfera ao longo da última década e sua relação com a crescente utilização do fracking como prática de produção de gás natural. O metano é um dos principais gases causadores do efeito estufa. E o fracking é uma técnica de produção de gás natural considerada não convencional: uma espécie de sonda é inserida a mais de 3 mil metros de profundidade, "fraturando" as rochas para a retirada do gás natural presente em camadas quase inacessíveis. Emissão de gases estufa atingiu novo recorde histórico em 2018 Aquecimento do planeta já é o maior evento climático em 2 mil anos Como foi feito o estudo Os cientistas fizeram uma análise química da composição do metano que vem sendo emitido na atmosfera nos últimos anos. Dessa forma, conseguiram encontrar rastros de suas origens. Essa espécie de "impressão digital química" do gás metano indica que uma grande proporção dele agora vem sendo emitida por meio do fracking. A concentração de metano na atmosfera vem aumentando especialmente desde 2008, mas também sua composição está ficando diferente. Isso porque o metano proveniente do fracking tem características diferentes daquele emitido pelas técnicas convencionais de produção de gás natural. E também é diferente daquele metano liberado na queima de outros combustíveis fósseis, como o carvão. A pesquisa indica que a proporção de moléculas de carbono-13 em relação ao carbono-12 é menor no metano emitido por fracking. Assim como o metano emitido por fontes biológicas, como aquele presente nos gases de animais ou exalado por terras úmidas, tem concentração de carbono-13 mais baixa do que o metano que vem dos combustíveis fósseis. Mudanças climáticas podem afetar produção de alimentos O metano proveniente do fracking tem características diferentes daquele emitido pelas técnicas convencionais de produção de gás natural Tim Evanson/Visualhunt Participação do gás metano no aquecimento global Segundo o autor do artigo, Robert Howarth, que é professor de ecologia e biologia ambiental, os níveis de gás metano no ar aumentaram muito durante as últimas duas décadas do século 20 e depois se estabilizaram na primeira década do século 21. Depois, houve um aumento dramático no metano atmosférico entre 2008 e 2014, passando de 570 bilhões de toneladas anuais para 595 bilhões de toneladas, por causa das emissões por atividades humanas nos últimos 11 anos. "Reduzir as emissões de metano agora pode ser uma forma imediata de desacelerar o aquecimento global e cumprir com as metas das Nações Unidas, de manter o aumento da temperatura do planeta abaixo de 2ºC", afirma o cientista, em nota de divulgação da pesquisa. "Se pararmos de jogar metano na atmosfera, ele vai se dissipar", acrescenta. "Ele vai embora rapidamente, se comparado com o dióxido de carbono (CO2). Reduzir o metano é a forma mais fácil de conter o aquecimento global." Howarth avalia que é um erro atribuir às fontes biológicas o aumento da concentração de metano no ar. Pesquisas anteriores vêm associando essa elevação, principalmente, a atividades como a pecuária para produção de carne bovina. O cientista também diz que, ao longo da última década, cerca de dois terços de toda a nova produção de gás natural vem dos Estados Unidos e do Canadá. Veja Mais

Antinatalistas: as pessoas que querem que paremos de ter bebês

Glogo - Ciência Pode ser por questões existenciais, biológicas ou ambientais - motivações variadas reúnem grupos nas redes sociais que debatem e fomentam ideia de que humanos devem parar de procriar. Antinatalistas: as pessoas que querem que paremos de ter bebês Ilustrações de Gerard Groves "Não seria melhor fazer um buraco na Terra e acabar com tudo?". Quem se pergunta é Thomas, 29 anos, morador do leste da Inglaterra e um antinatalista - ou seja, alguém que defende que os humanos não deveriam mais ter filhos. Embora sua ideia de explodir o mundo seja um pensamento fantasioso, ele tem uma convicção mais concreta: a de que nossa espécie deve gradualmente se extinguir. A filosofia antinatalista, que remonta à Grécia antiga, teve um impulso recente com as mídias sociais. No Facebook e no Reddit, por exemplo, há dezenas de grupos e fóruns, alguns com milhares de membros. No Reddit, a comunidade "r/antinatalism" tem cerca de 35 mil membros, enquanto apenas um das dezenas de grupos do Facebook com esta pauta tem mais de 6 mil participantes. Os antinatalistas estão espalhados pelo mundo e têm uma variedade de razões para suas reivindicações. Entre elas, estão a preocupação com a herança genética, com a superpopulação do planeta, com o meio ambiente, de não querer que crianças sofram - e com a falta de "consentimento", a noção de que as pessoas são colocadas no mundo sem poderem opinar sobre isso. Antinatalistas: as pessoas que querem que paremos de ter bebês Ilustrações de Gerard Groves Todos, porém, têm a convicção de que a procriação humana deve ser detida. E embora façam parte de um movimento pequeno, algumas de suas opiniões, particularmente sobre o uso de recursos do planeta, estão cada vez mais ganhando espaço entre os grandes temas em discussão no mundo. Embora não seja um antinatalista, o príncipe Harry disse recentemente que ele e sua esposa planejavam ter no máximo dois filhos, devido à preocupação com o meio ambiente. Chat filosófico Thomas não tinha ouvido falar do antinatalismo antes de alguém usar o termo para expor sua opinião nos comentários de um vídeo no YouTube. Desde então, ele se tornou um membro ativo de um grupo do tipo no Facebook. Para ele, a pauta fornece um estímulo intelectual e um lugar para testar suas habilidades de debate. "Acho incrível, você está discutindo problemas da vida real", diz ele. "Você tem uma ideia: digamos, por exemplo, a de que os humanos podem ser extintos. E se eles evoluírem de novo? Então, você não resolveu o problema". "Há muita discussão, algumas são bem delicadas." Mas sua paixão pelo antinatalismo não é apenas teórica. Thomas acredita que toda a vida humana é despropositada e por isso tentou, embora sem sucesso, fazer uma vasectomia no sistema público de saúde britânico. Os médicos da rede podem se recusar a realizar operações de esterilização se acreditarem que o procedimento não é do melhor interesse do paciente. Não violência e consentimento Apesar da retórica niilista (relativa ao niilismo, ponto de vista que considera não haver sentido na existência) em alguns desses grupos, não há indicação de que eles estejam dispostos a atos radicais. Quando falam sobre extinção, muitas vezes parece ser um exercício retórico. A ideia de Thomas de abrir um buraco na Terra - ele imagina um grande botão vermelho que acabaria com a vida humana e diz que "pressionaria isso imediatamente" - é na verdade altamente controversa por causa de um princípio antinatalista chave: consentimento. Simplificando, esta é a ideia de que criar ou destruir a vida requer o consentimento da pessoa que nascerá ou morrerá. Kirk mora em San Antonio, nos Estados Unidos. Ele diz que se lembra de uma conversa com a mãe quando tinha apenas quatro anos de idade. Ela disse que ter filhos era uma escolha. "Isso não faz sentido para mim: voluntariamente colocar alguém que não tem, antes da concepção, necessidade ou desejo de estar neste mundo, sofrer e morrer", diz ele. Kirk diz que, mesmo nessa idade precoce, se tornou um antinatalista. Ele se opõe à concepção da vida humana porque nenhum de nós foi explicitamente perguntado se queríamos estar aqui. "Se toda pessoa desse consentimento para jogar o jogo da vida, eu pessoalmente não teria nenhuma objeção a isso", ele admite. "Depende do consentimento ou da falta dele". Antinatalistas: as pessoas que querem que paremos de ter bebês Ilustrações de Gerard Groves O conceito também funciona ao contrário. O problema com esse grande botão vermelho apagador da humanidade é que muitas pessoas aproveitam a vida - e nem todo mundo concordaria em sair dela. Diante deste dilema, Kirk e a maioria dos antinatalistas querem que as pessoas se voluntariem para parar de dar à luz. Problemas de saúde mental Há outro tema comum em grupos antinatalistas. As postagens frequentemente criticam pessoas que admitem sofrer de problemas de saúde mental por terem filhos. Um post por exemplo reproduziu a publicação de um outro internauta que dizia: "Tenho um transtorno de personalidade limítrofe, além de ansiedade bipolar e generalizada". O antinatalista acrescentou o seu comentário: "Este indivíduo tem dois filhos. Sinto-me mal pelos pequenos". Em outro grupo, havia também um comentário atrelado à postagem de alguém que claramente estava pensando em suicídio. "Tive esquizofrenia e depressão", explica Thomas. "A depressão também está na minha família. Acho que, se eu tiver filhos, há uma grande probabilidade de eles ficarem deprimidos e não gostarem da vida deles." Mas ele também diz que a comunidade é muitas vezes rotulada de forma errada por pessoas de fora. "As pessoas começam a nos rotular como psicopatas malucos", diz ele. A verdade, diz ele, é muito mais complexa. Salvando a Terra? Os argumentos antinatalistas foram impulsionados recentemente por outra pauta, a preocupação com o meio ambiente e os efeitos potencialmente devastadores das mudanças climáticas. A julgar pelos posts nos grupos antinatalistas, há uma evidente sobreposição entre suas ideias e o ativismo ambiental. "Sinto que é egoísta ter filhos neste momento", diz Nancy, uma vegana e entusiasta dos direitos dos animais, livre de plástico e instrutora de ioga das Filipinas. "A realidade é que as crianças nascidas no mundo estão trazendo mais destruição para o meio ambiente". Em um grupo no Facebook chamado "Antinatalistas muito irritados", uma petição está sendo compartilhada com o objetivo de ser enviada às Nações Unidas. Seu título é "Superpopulação como raíz da catástrofe climática: parem os nascimentos no mundo agora". Até aqui, a campanha tem 27 mil assinaturas. A ideia de evitar filhos para beneficiar o meio ambiente não é nova. Na Grã-Bretanha, uma instituição de caridade chamada Population Matters propõe isso há anos, embora não seja antinatalista. Na verdade, eles argumentam em favor da sustentabilidade entre os humanos, e não por sua extinção. "Nosso objetivo é alcançar a harmonia entre os humanos e o planeta, que temos a sorte de habitar", diz Robin Maynard, diretor do grupo. "Se temos menos filhos em todo o mundo e famílias menores, podemos alcançar uma população muito mais sustentável." Mas uma população crescente necessariamente levará diretamente ao desastre ambiental? De acordo com Stephanie Hegarty, repórter da BBC especializada em crescimento populacional, é difícil dizer, porque o futuro é muito difícil de prever. "De acordo com projeções, devido ao desenvolvimento econômico e à queda das taxas de fecundidade, a população mundial provavelmente ficará em 11 bilhões daqui a 80 anos", diz ela. "Se o planeta pode sustentar isso ou não, não sabemos." "Também é muito difícil prever quantas pessoas o planeta pode sustentar porque é tudo sobre consumo. E isso significa tudo: de ar, água, comida, combustíveis fósseis, madeira, plástico... A lista continua", diz. "É óbvio que alguns de nós estão consumindo muito mais do que outros. Uma família de 12 pessoas em um país como Burundi (na África) consumirá menos, em média, do que uma família de três no Texas (Estado americano)." "Há muitos fatores que vão mudar na próxima década e no próximo século que não podemos prever agora." Insultos e críticas Entre os intensos debates filosóficos e éticos em curso sobre os antinatalistas, há uma corrente subjacente mais obscura e menos edificante: os que rotineiramente insultam pais. Alguns insultos chegam a ser dirigidos a crianças. "Sempre que vejo uma mulher grávida, sinto um desgosto", escreveu um usuário ao lado de uma foto que dizia: "Eu odeio barriga de grávida". Mas isso não significa que todos os antinatalistas odeiem crianças, ao menos de acordo com aqueles que falaram com a BBC. "Eu diria que pessoalmente gosto de crianças - e é porque eu gosto delas que não quero que sofram", diz Nancy. "Talvez trazê-los para o mundo me daria algum prazer, mas a possível ameaça é tão grande que não tenho certeza se vale à pena." Em alguns grupos antinatalistas, usuários especificam que os bebês não devem nascer em zonas de guerra, se houver uma grande chance de danos, ou mesmo em famílias de baixa renda. Às vezes, a retórica soa como reprodução seletiva - ou eugenia. Os antinatalistas com quem falamos tinham sentimentos contraditórios sobre essas ideias. "Quais são seus motivos para ter um filho?" questiona Thomas, quando perguntado se está preocupado com as crianças que nascem em áreas devastadas pela guerra. "Em tais países, há menos esperança de que as coisas mudem." Ele tem menos preocupações com as crianças que nascem em lares de baixa renda. "Obviamente, sou contra ter filhos... Mas acho que você pode ser feliz vivendo em uma área de baixa renda." Já Nancy diz que seu antinatalismo é "generalizado". Ela diz se opor a eugenia. "Por que estamos escolhendo alguns grupos só porque eles estão em posição de desvantagem?" Então, há uma filosofia de vida antinatalista? "Faça o melhor que puder", diz Kirk. "Seja gentil – e não procrie." Veja Mais

Pompeia: objetos encontrados nas ruínas poderiam ser 'tesouro oculto' de feiticeira

Glogo - Ciência Arqueólogos descobrem caixa com 'artefatos preciosos' - como amuletos, espelhos e contas de vidro - que seriam usados em rituais. Dezenas de amuletos e contas de vidro foram encontradas entre as ruínas de Pompeia Divulgação/EPA Arqueólogos descobriram novas relíquias sob as ruínas da cidade de Pompeia, destruída pela erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.C. Após uma escavação no sítio arqueológico, ao sul de Nápoles, na Itália, eles encontraram um baú repleto de "objetos preciosos" - que podem ter pertencido a feiticeiras no passado. De acordo com a agência de notícias italiana Ansa, entre os artefatos, havia cristais, pedras de âmbar e ametistas, botões feitos de ossos, amuletos, bonecos, esculturas de punhos e pênis em miniatura, espelhos e até um crânio minúsculo. A escavação foi realizada em uma casa onde foram encontradas 10 vítimas da erupção vulcânica, incluindo mulheres e crianças. O trágico fenômeno natural deixou a cidade, que pertencia ao então Império Romano, soterrada sob as cinzas do vulcão, se tornando um dos lugares mais fascinantes para os arqueólogos da atualidade. Massimo Osanna, diretor do parque arqueológico, explicou que os artefatos provavelmente pertenciam a mulheres e podem ser "o tesouro escondido de uma feiticeira". Segundo ele, os objetos podem ter sido usados ​​em rituais - e não apenas para fins de ornamentação. Entre as relíquias, havia ainda amuletos em forma de escaravelho, incluindo uma de cornalina com a imagem de um artesão - e uma conta de vidro com a figura de Dionísio, deus romano do vinho e da fertilidade, gravada. Vida cotidiana Osanna afirmou à Ansa que é mais provável que os objetos tenham pertencido a um serva ou escrava do que à dona da propriedade. Isso se deve ao fato de nenhum dos artefatos ser feito de ouro, um dos metais preferidos dos ricos de Pompeia. Entre os objetos, não havia ouro, o que indica que não pertenciam a um membro da alta sociedade Divulgação/EPA Além disso, os objetos foram encontrados em uma área de serviço, longe do quarto da proprietária e do átrio da casa. "Se fosse de uma jovem rica, haveriam joias no baú, principalmente porque na parede de uma das salas foi encontrado um retrato da proprietária da residência usando um par de brincos brilhantes e refinados", acrescenta a agência de notícias. De acordo com especialistas, citados pela agência Ansa, esta coleção de objetos, de alguma forma relacionados à magia, poderia ter sido de uma escrava "dotada de habilidades milagrosas particulares, com uma relação privilegiada com os aspectos mais mágicos da via cotidiana". "São objetos da vida cotidiana do universo feminino e são extraordinários porque contam microhistórias, biografias dos habitantes da cidade que tentaram escapar da erupção", diz Osanna. Ainda de acordo com a Ansa, os artefatos já foram limpos e restaurados, e, a partir de agora, poderão ser analisados e estudados a fundo. Os arqueólogos também estão tentando estabelecer relações de parentesco entre os corpos encontrados na casa por meio de testes de DNA. "Entre eles, talvez houvesse uma mulher a quem a família, ou até mesmo a comunidade, reconhecesse poderes que eram, de algum modo, mágicos, talento para ajudar os outros, em particular as meninas e as damas, e uma capacidade de atrair o bem e evitar a má sorte", afirmou Osanna, segundo a Ansa. "Talvez a caixa de preciosidades pertença a uma dessas vítimas", especula. O baú foi encontrado na chamada Casa del Giardino, na Região V do parque arqueológico. É a mesma área onde uma inscrição foi descoberta no ano passado, indicando que a erupção pode ter ocorrido em outubro de 79 d.C., dois meses depois do que se pensava inicialmente. A maioria das pessoas em Pompeia não morreu em contato com a lava derretida, que se move muito lentamente, mas em decorrência de fluxos piroclásticos (nuvem de cinzas em altíssima temperatura e gases venenosos). A nuvem pousou sobre a cidade, matando seus moradores onde quer que estivessem e soterrando-os sob cinzas. Veja Mais

Como evitar as cólicas e as dores abdominais

Glogo - Ciência Alimentação adequada é um dos principais fatores que ajudam a pessoa a escapar da sensação de aperto no estômago. Dor abdominal Pixabay/Divulgação Sabe aquela sensação de incômodo crescente no estômago, que não passa, vai e volta? É assim que a maioria das pessoas percebe a cólica abdominal, como uma dor tipo aperto, que piora e alivia, de intensidade variável. Muitas vezes, é sinal de má digestão, intestino preso ou excesso de gases, mas só um diagnóstico completo pode determinar a causa. Por que a dieta promovida por Beyoncé pode não ser tão saudável assim “É importante que se faça o diagnóstico diferencial, isto é, temos que observar a localização da dor, se melhora ou piora com a alimentação, se melhora ou piora com a evacuação, antecedentes do paciente, entre outros fatores”, lembra o gastroenterologista clínico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Ricardo Barbuti. Isso porque existem inúmeras causas de dor abdominal, como a cólica. Se for recorrente, mesmo que não intensa, o recomendado é procurar ajuda e investigar o que está acontecendo. “Alguns tipos de dor abdominal sugerem determinadas origens, mas apenas o médico é capaz de diferenciá-las com segurança”, lembra a gastroenterologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Paula Novais Zdanowski. Queimação e pontada Além das cólicas, outras dores abdominais causam desconforto. Em geral, as dores de estômago podem ser pontada ou queimação. A pontada é aquela sensação de “facada”, uma dor mais localizada. Como diz o nome, a queimação traz uma lembrança de queima, e a cólica dói, depois melhora, em uma percepção de “vai e volta”. Elas são diferentes da cólica, que normalmente está relacionada a órgãos que contraem, como intestino e estômago. “No caso do estômago, o tipo de dor mais comum é a queimação, que sugere doenças como gastrites e úlceras. No entanto, algumas vezes a dor nestas situações também pode se manifestar como cólica, geralmente no andar superior do abdômen, que muitos chamam de ‘boca do estômago’”, explica Paula. A médica lembra também que, quando existe dor tipo cólica no andar superior do abdômen, é importante pensar em outros diagnósticos como pancreatite e cálculos biliares. “Esses são órgãos muito próximos ao estômago e os sintomas podem confundir o diagnóstico”, observa, reforçando a importância da consulta com um médico sempre que as dores forem recorrentes. Cuide bem do estômago Veja alguns hábitos que ajudam a evitar cólicas e outras dores: Procure se alimentar sempre em tempo adequado (de três em três horas). Evite ficar muito tempo sem comer e procure fazer refeições regulares. Evite excesso de alimentos de uma vez só. Procure manter as refeições equilibradas, juntando carboidratos, gorduras e proteínas em quantidades adequadas. Evite esforço físico em excesso após as refeições muito pesadas (aquele clássico “churrasco e futebol” fica melhor quando a pelada ocorre antes do almoço ou jantar). Não fume: o cigarro está diretamente relacionado com aumento de refluxo e úlceras, entre outras doenças. Não exagere na cervejinha: o álcool é um irritante do estômago e do esôfago. Então, deve ser consumido em quantidades modestas Tipo de alimentação influencia a saúde do estômago Veja Mais

Como o Instagram recompensa nossos cérebros

Glogo - Ciência "Influencer" faz terapia para lidar com depressão, em mais um exemplo de que o mundo irreal mostrado pelas redes sociais causa danos. "Centro de recompensas não é só ativado quando recebemos curtidas", diz pesquisador. Mais de 500 milhões de pessoas utilizam o Instagram todos os dias Divulgação "Quase 200 mil pessoas seguem a conta no Instagram de Victoria van Violence, de Berlim. Os seguidores veem belas fotos da alemã na praia, em festivais, em casa ou com seu cachorro. Mas ao lado das fotos com o maior número de curtidas há frequentemente textos que não se encaixam no mundo perfeito do Instagram. "Todo mundo tem um tempo ruim, nós simplesmente não falamos sobre isso", escreve ela. "Sentimentos negativos, fracassos, separações, perdas de emprego etc são vistas em nossa sociedade como imperfeições. Elas não se encaixam bem na foto, nem na vida real, nem aqui. Mas isso é bastante normal", continua. A influenciadora, cujo nome verdade é Victoria Müller, faz visitas regulares à psicoterapeuta, porque teve que superar a depressão há alguns anos. "Um nível de estresse constantemente alto, não ser capaz de se desligar, ter que estar sempre produzindo – o 'burnout' é conhecido em muitas profissões", afirma. Mas no Instagram há a constante comparação direta com os outros, não apenas em número de seguidores e curtidas. "As outras pessoas têm a parceria mais bacana, a vida mais interessante, porém, você pode também ter resultados piores em outras áreas da sua vida", completa a influenciadora. Vida perfeita Anteriormente, eu costumava fazer mais trabalhos de modelo e compartilhar as fotos profissionais, mas notei que não tinha mais vontade de estar somente neste mundo perfeito", conta. "Não quero ir a eventos e me perguntar se as pessoas pensam: 'Oh, ela não se parece pessoalmente como em suas fotos'." Há algum tempo, ela aborda temas cada vez mais sérios em suas postagens no Instagram, como proteção do clima, ódio na internet e saúde mental. Agora, ela também aborda esses tópicos também em eventos. E seus seguidores gostam muito disso. Mas a maior parte do Instagram continua sendo ainda um mundo perfeito, com imagens nem sempre reais. Cenas encenadas, fotos retocadas e cirurgias plásticas pertencem ao mundo dos influenciadores e usuários da plataforma. Quando o sistema de recompensa se ativa Mais de 500 milhões de pessoas usam a plataforma todos os dias – e esse número corresponde à população da União Europeia. Por que esta rede social é tão fascinante? O que acontece no nosso cérebro quando a usamos? "Nós somos seres sociais", diz Dar Meshi, neurocientista da Universidade Michigan State. Mesmo na Idade da Pedra era mais fácil sobreviver em grupo, obter recursos e se reproduzir. Pela primeira vez, ele examinou pessoas de todo o mundo na Universidade Livre de Berlim que usam mídias sociais usando a ressonância magnética. O scanner cerebral mostrou quais regiões cerebrais são ativadas durante a postagem, a curtida e quando se é curtido. Quando a pessoa tem uma foto curtida, ativa-se o sistema de recompensa, que fica ativo geralmente ao se alimentar, beber, em situações envolvendo dinheiro ou ao consumir drogas. Nas redes sociais é fácil ativar essas pequenas recompensas sociais. A qualquer hora do dia podemos nos conectar com centenas ou milhares de pessoas e para isso não precisamos nem mesmo se levantar do sofá. Para isso, Meshi não dá o nome de vício, pois, segundo ele, a palavra é muito forte. Nunca houve ninguém que tenha sido privado da custódia de seus filhos devido a demasiada dependência de redes sociais, como acontece com os viciados em heroína, diz. Mas ele cita estudos e casos em que as pessoas tinham um sono de baixa qualidade, notas baixas na escola ou até perdiam seus empregos porque não conseguiam se afastar das mídias sociais por tempo suficiente. Meshi descobriu em um estudo que as pessoas mais propensas a correr riscos são também as mais propensas a serem viciadas em drogas e em mídias sociais. Usuários ativos mais satisfeitos do que usuários passivos Em outros dois estudos, os pesquisadores perguntaram aos indivíduos várias vezes por dia por SMS se eles tinham usado o Facebook nos últimos cinco minutos e como eles se sentiam. Caso houvessem usado o Facebook, eles se sentiam piores. Porém, os pesquisadores não conseguiram dizer se isso devia ao fato de terem de refletir sobre seu comportamento perante os pesquisadores. Mas eles descobriram que os usuários – que eram mais ativos, postaram mais e receberam mais curtidas – se sentiam melhores do que os usuários passivos. Os pesquisadores suspeitaram que os usuários passivos comparam constantemente suas vidas reais com as vidas perfeitamente retratadas dos outros sem receber curtidas, até porque eles não postaram nada. Mas também pode ser que as pessoas, que já não estão em um dia bom, geralmente postam menos na rede social. O mito da dopamina Um neurotransmissor no cérebro, que é frequentemente associado às redes sociais, é a dopamina. Experimentos com dinheiro mostram que ele é espalhado já quando o indivíduo está esperando pelo sucesso. É assim que os pesquisadores explicam por que você continua agarrado às máquinas de jogos – ou por que você continua olhando para seu aplicativo no celular. Meshi não pode confirmar se estão conectados a dopamina e o uso das mídias sociais. Mas ele também suspeita que a esperança de ativar o centro de recompensas torna a mídia social muito atraente. Nosso centro de recompensas não é só ativado quando recebemos curtidas, mas também quando curtimos fotos ou simplesmente estimulamos nossa curiosidade em descobrir o que nossos amigos estão fazendo. Meshi explica isso afirmando que nosso status no grupo é muito importante para nós e queremos ser apreciados pelos outros. Sempre em comparação A professora de ética na mídia, Petra Grimm, também se pergunta se a vontade de comparar é inata ou cultural. Nós nos comparamos constantemente em plataformas como o Instagram. "Torna-se problemática quando a comparação leva à desvalorização ou é marcada pela superioridade", sublinha. A comparação permanente também pode impedir que jovens descubram realmente quem são. "Seu eu sigo influenciadores para receber orientações deles, por exemplo, sobre que roupa vestir, o que consumir ou como devo viver, e ao mesmo tempo tento me apresentar como único, eu dificilmente me concentro naquilo que são meus próprios desejos." Uma nova visão do mundo das redes sociais Mas quem deve ser responsável pela saúde mental dos usuários das plataformas? As próprias redes sociais estão interessadas em manter os usuários em seus aplicativos nos celulares o maior tempo possível e ganhar dinheiro com isso. Dessa forma, elas fazem constantes testes para descobrir como manter a atenção dos usuários por mais tempo. Grimm vê as plataformas como responsáveis. Mas ela diz que seria ingênuo esperar que elas mudassem algo por si mesmas e, assim, colocassem em risco seus modelos de negócios. É por isso que ela tem uma visão diferente. "Deveria haver algum tipo de modelo de direito público, de preferência em uma associação europeia", afirma. "Uma plataforma que protegesse a privacidade, a proteção dos dados e a saúde mental." "Não podemos deixar que esses grandes players americanos nos ditem as regras", sublinha. Ela espera que se consiga conquistar os influenciadores, que preferem se tornar ativos em uma nova plataforma segura e com regras claras – de acordo com o lema "Nós escolhemos o nosso próprio caminho". E os influenciadores? A influenciadora Victoria van Violence conta que os algoritmos pouco confiáveis são o que mais a incomoda no Instagram – o aplicativo está sempre a mudá-los. "É frustrante quando outro novo algorítimo impede as pessoas de verem as minhas imagens", conta. A jovem de 30 anos também está certa de que a plataforma irá mudar novamente, assim como a própria profissão de influenciador. Ela conta que, atualmente, os influenciadores são mais ativos no Instagram do que no Facebook. Perguntada sobre de quem deve ser a responsabilidade, ela responde: dos influenciadores. "As pessoas que criam conteúdo em um ambiente profissional precisam se tornar mais transparentes", relata, relatando mais uma vez sobre quanto no Instagram é falso. Já a especialista em ética midiática, Grimm, gostaria de ver mais influenciadores que defendem uma abordagem consciente das mídias sociais. O que é bom para nós? Grimm vê as escolas como um lugar essencial. "Há uma grande necessidade de trabalho de prevenção nas escolas", afirma. Por um lado, os professores devem explicar as estratégias de negócios das empresas, e os alunos devem ter mais oportunidades para trocar ideias e refletir sobre o que o consumo das redes sociais lhes faz. É importante que cada um possa encontrar seu próprio equilíbrio para saber exatamente o que é bom, acrescenta. A influenciadora Müller, que diariamente passa de duas a seis horas no Instagram no trabalho, fica menos tempo na plataforma nos dias em que não está se sentindo bem. E, como contrapartida, procura passar mais tempo com seus amigos e familiares. "Estou ciente de que isso na internet não é real. Hoje, mil pessoas lhe dizem como você é incrível. Mas amanhã já pode ser totalmente diferente. Se você não tem uma vida estável no mundo real, você não tem mais nada", frisa. Assim, a influenciadora acredita que seu trabalho em tempo parcial como moderadora de rádio é mais sustentável. Mas nem Grimm nem Müller ou Dar Meshi demonizam as redes sociais. Eles dizem que é uma oportunidade única para entrar em contato com as pessoas. "Eu posso obter informações de uma forma não convencional e trocar informações e aprender com pessoas muito diferentes", argumenta Müller. "A mídia social é um lugar onde você pode se moldar", explica. "Se as pessoas que eu sigo me dão uma sensação ruim, então eu não deveria mais segui-las." Veja Mais

'Nossas mentes estão programadas para ter prazer com o sofrimento dos outros': psicóloga explica a lógica dos assassinos e criminosos

Glogo - Ciência Embora as palavras 'monstro' ou 'perverso' sejam algumas das mais usadas para descrever assassinos, para dar a ideia de que são pessoas completamente diferentes de nós, todos temos a capacidade de matar, diz a psicóloga criminal Julia Shaw. 'Em vez de chamar pessoas ou atos de maldosos, por que não descrever o ato, suas consequências e, idealmente, tentar entender por que isso aconteceu?', diz Shaw Getty Images via BBC Quando falamos sobre assassinos, é comum usarmos as palavras "monstros" ou "perversos" para qualificá-los, como se eles fossem seres de outra espécie, absolutamente diferentes de nós. No entanto, todos somos capazes de matar, segundo Julia Shaw, uma psicóloga criminal alemã que vive em Londres e que passou anos explorando os cantos mais sombrios da mente humana. Doutora em Psicologia pela Universidade de British Columbia, no Canadá, e atualmente pesquisadora na London College University, Shaw é autora do livro "Making Evil" (Fazendo o mal, em tradução livre) que traz um estudo detalhado sobre nossa infinita capacidade de ferir - e mostra como você é pior do que você imagina. Confira a entrevista à BBC News Mundo: BBC News: Nós, humanos, gostamos de matar. De fato, somos superpredadores, matamos mais animais e em maior número do que qualquer outra espécie. Estamos programados para matar? Julia Shaw: Os seres humanos sempre tiveram que matar para sobreviver: nossos corpos matam bactérias que ameaçam nossas vidas, nós sempre matamos plantas e animais para a alimentação e, certamente, desde os tempos antigos matamos quando nos sentimos ameaçados ou temos algo a ganhar. Por incrível que pareça, matar é essencial para a condição humana. BBC News: Todos nós temos um assassino dentro de nós e somos capazes de matar em um determinado momento? Ou seja, vivemos cercados por muitos assassinos em potencial? Julia Shaw: Para todos nós, apenas uma má decisão nos separa de prejudicar os outros de forma trágica. Um momento de loucura em nossos carros, uma faca que desliza, um empurrão. Isso não significa que é provável que todos nós possamos, igualmente, agir de maneira horrível, mas significa que todos devemos assumir que somos capazes de causar um grande dano aos outros. E quando começamos a entender o que pode nos levar a esses caminhos ruins, podemos começar a entender por que os outros os escolheram. Podemos começar a quebrar o "mal" em seus componentes, separar cada peça e estudá-la. No meu livro, trato de vários estudos sobre esse tema. Em um deles, a maioria dos participantes (homens e mulheres) confessou que tinha fantasias sobre o assassinato - matar pessoas como seus colegas ou mesmo seus entes queridos. Esses pensamentos são normais e, felizmente, trazê-los para a realidade não é. De fato, pensar nessas coisas pode nos ajudar a tomar decisões melhores, porque, uma vez que tenhamos pensado no horror em nossas mentes, é provável que decidamos que realmente não queremos as consequências terríveis. Muitas vezes vemos que aqueles que acabam cometendo assassinatos não fantasiam com isso, como fazem os bandidos do cinema. Em vez disso, muitas vezes é o resultado de uma briga que vai longe demais. Na maioria das vezes, o assassinato não é o resultado de um planejamento meticuloso por um sádico ou psicopata. É muito mais provável que seja uma decisão ruim da qual a pessoa se arrepende imediatamente e que a persegue pelo resto da vida. BBC News: Se matar é da nossa natureza, por que consideramos o assassinato de um ser humano nas mãos de outro como algo terrível, monstruoso e contrário à natureza? Julia Shaw: Nós não veríamos dessa maneira se fossemos honestos com nós mesmos e se nos aprofundássemos no assunto. Nós não vemos todos os assassinatos como ruins. Quando alguém mata para se defender, quando nossos soldados matam as tropas "inimigas", quando os combatentes enfrentam o fascismo, não vemos essas pessoas como más. Podemos até chamá-los de heróis. O que as pessoas concordam em se qualificar como mal é o assassinato de pessoas consideradas "inocentes" e, particularmente, quando esse ato parece motivado pelo sadismo. Mas esse tipo de assassinato é muito raro - tão raro que vive quase exclusivamente em nossa imaginação e em filmes. BBC News: Em seu livro, você revela que muitos assassinos são "pessoas normais", pessoas com aspecto agradável... Julia Shaw: Nós temos a imagem de que pessoas que julgamos ter aspecto ruim são más, o que é conhecido como "o efeito demoníaco". Mas precisamos aprender a usar mais nossos cérebros para avaliar se há evidências de que uma pessoa em particular é realmente perigosa para nós. Isso pode nos ajudar a combater problemas como a xenofobia e ajudar a parar com a estigmatização de pessoas com deficiências físicas ou mentais. Um estudo mostra que temos todos os tipos de suposições sobre a aparência daqueles que rotulamos como "mal". No meu livro, dedico um capítulo inteiro ao que é horripilante. E o que a pesquisa mostra é que coisas como dedos longos, risadas estranhas, falar demais sobre determinados assuntos ou estar perto demais são frequentemente percebidas como "assustadoras". O problema é que essas suposições são enviesadas. Estudos mostram que aqueles que percebemos que têm doenças mentais, ou cicatrizes no rosto ou deficiências visíveis - ou que são de uma parte diferente do mundo e têm costumes diferentes ou um aspecto diferente do nosso - são mais propensos a disparar nossos radares como algo "assustador", embora não sejam realmente uma ameaça para nós. BBC News: Subestimamos nossa capacidade de prejudicar os outros? Julia Shaw: Pensamos em nós mesmos como "bons", e isso torna muito difícil percebermos nossa própria capacidade de causar danos. Precisamos urgentemente nos conhecer melhor. BBC News: Bem e mal são categorias absolutas? Existe maldade e bondade dentro de todos nós? Julia Shaw: Eu acredito que o mal só existe em nossos medos. Acredito que não devemos usar o termo "maldoso" para descrever os seres humanos ou seus atos, porque isso faz parecer que eles nunca poderiam ser compreendidos, que eles são quase sobrenaturais. O mal também é um rótulo que usamos quase que universalmente para desumanizar os outros e, quando fazemos isso, podemos facilmente nos tornar os monstros que tememos. Em vez de chamar pessoas ou atos de maldosos, por que não descrever o ato, suas consequências e, idealmente, tentar entender por que isso aconteceu? Somente se trabalharmos para entender por que as pessoas causam grande dano podemos começar a evitá-lo. BBC News: Até o pior assassino tem alguma bondade por dentro? Julia Shaw: Tem uma citação maravilhosa sobre a qual venho pensando, de Aleksandr Solzhenitsyn, um escritor que sobreviveu às horrendas condições do gulag (campo de concentração) soviético, sobre os guardas da prisão que trabalhavam nos campos. "A linha que divide o bem e o mal atravessa o coração de cada ser humano. E quem está disposto a destruir um pedaço do seu próprio coração?" BBC News: Normalmente classificamos assassinos como pessoas sem empatia. Mas, ao mesmo tempo, não sentimos empatia pelos assassinos - talvez para tentar deixar bem claro que somos absolutamente diferentes deles? Julia Shaw: Sim, é bem hipócrita. Mas nós, humanos, somos ótimos em hipocrisia. Certamente, a maioria das pessoas que matam têm empatia. Eles podem não ter em relação a suas vítimas. Geralmente, temos mais empatia com as vítimas do que com os agressores, o que facilita a construção de diferenças artificiais entre nós, "as pessoas boas", e "as pessoas más". E não gostamos de pensar que "nós" podemos nos tornar as pessoas que tememos ou odiamos. Podemos ter medo de nós mesmos. No entanto, como cientista, acho esse lado fascinante. E acredito que a popularidade de filmes e livros de crimes de ficção ou reais mostra que muitas pessoas também estão intrigadas com pessoas que fazem coisas terríveis. BBC News: Existem vários estudos que mostram como quase todos nós podemos ser sádicos, e no seu livro você cita alguns deles. É normal ser sádico? Julia Shaw: No que alguns cientistas chamam de "sadismo do dia a dia", os participantes de um experimento foram solicitados a prejudicar outras pessoas por meio de vários métodos, como administrar ruídos muito altos, matar insetos ou fazer outras coisas prejudiciais. A pesquisa revelou que, enquanto muitos de nós estariam dispostos a prejudicar uma vítima inocente, apenas aqueles que têm uma pontuação mais alta no sadismo o fazem quando percebem que a outra pessoa não se defende. Nossas mentes estão programadas para ter prazer com o sofrimento dos outros, como quando sentimos alegria quando um colega que odiamos falha em algo importante, mas felizmente só acontece às vezes. BBC News: Em seu livro, você menciona alguns comportamentos considerados como agressões passivas (como não retornar o telefonema para uma pessoa, não responder às suas mensagens ou não falar com ela) que, no entanto, a maioria das pessoas realiza em maior ou menor extensão. Por que fazemos essas coisas? Julia Shaw: Acredito que um dos tipos mais interessantes de agressão, e certamente o mais comum, envolve machucar alguém por não responder: agressão passiva. Com os amigos, podemos intencionalmente ignorar uma mensagem de texto de desculpas. Com nossos pais, podemos nos atrasar para frustrá-los e, com os namorados ou namoradas, podemos nos recusar a fazer sexo para puni-los pelo mau comportamento que percebemos que tiveram. Por que fazemos essas coisas? Uma razão pode ser que esse tipo de comportamento seja fácil de negar. Se eles descobrirem você e acusarem você de se comportar passivamente de forma agressiva em uma discussão, você sempre pode dizer: "O que? Eu não fiz nada". Podemos dizer a nós mesmos que, como é agressão devido à inação em vez de ação, não somos culpados. No entanto, na realidade, a agressão passiva pode ser tão prejudicial para as relações e o bem-estar psicológico dos outros quanto outros tipos de agressão. A agressão é um comportamento humano normal: devemos ter cuidado apenas para controlar a raiva ou a frustração para que possamos minimizar o dano o máximo possível. BBC News: Várias investigações mostram como os assassinos têm cérebros diferentes. Em seu livro, ele menciona o caso de James Fallon. Poderia explicar isso? Julia Shaw: Existem pesquisas fascinantes, por meio de neuroimagem nos cérebros das pessoas que assassinaram e das pessoas que são psicopatas. Os estudos mostram de forma reiterada que provavelmente existem algumas diferenças ​​entre os cérebros dessas pessoas e aqueles que não prejudicam os outros. No entanto, muitas vezes não está claro o que veio primeiro: o cérebro ou o mau comportamento. E é ainda mais complicado, porque mesmo aqueles com o cérebro de psicopata podem nunca ter um mau comportamento. Um exemplo fascinante de pesquisa é o Dr. Fallon, que estuda os cérebros dos psicopatas. Depois de examinar os cérebros de muitos dos participantes, ele segurou em suas mãos a imagem de um cérebro claramente patológico. E, no final, descobriu-se que esse cérebro era dele. Fallon classificou ele mesmo como "psicopata pró-social", alguém que tem dificuldade em sentir empatia, mas se comporta de maneira socialmente aceitável. Acontece que nem todos os psicopatas são iguais, e certamente nem todos os psicopatas são criminosos. Mesmo alguém nascido com o cérebro de um assassino poderia nunca matar ninguém, embora seja mais provável que ele faça isso. BBC News: A maioria dos assassinos só mata uma vez. É justo chamá-los de assassinos pelo resto de suas vidas? Julia Shaw: Eu acho que devemos ser muito cuidadosos ao julgar as pessoas e fazer isso com base em toda a sua complexidade, e não apenas com base no pior que elas fizeram. Devemos ter muito cuidado quando usamos termos como "assassino", para que não nos esqueçamos da humanidade das pessoas. Penso que a razão pela qual precisamos conversar de maneira muito mais estruturada sobre isso é que, se não discutirmos, nunca poderemos impedir que coisas terríveis aconteçam. Veja Mais

Precisamos realmente dar 10 mil passos por dia?

Glogo - Ciência A maioria de nós já ouviu falar que devemos dar 10 mil passos por dia para nos manter saudáveis ​​e em forma. Mas a pesquisa por trás desse objetivo pode te surpreender. Correr ou caminhar em volta do quarteirão no horário de almoço é uma boa maneira de se exercitar Free-Photos/Pixabay Muitos de nós contamos nossos passos com relógios inteligentes, podômetros ou aplicativos de telefone e, é claro, ficamos felizes quando atingimos o objetivo diário de 10 mil passos. Com o aplicativo que eu uso, confetes verdes caem na tela em sinal de parabéns. O aplicativo também me desafia a ver com que frequência consigo manter um ritmo de mais 10 mil passos por dia. Resposta: raramente. A precisão de alguns contadores de passos é discutível e é óbvio que eles são um instrumento tosco em termos de medição de exercícios. Se você correr, sua pontuação não será maior do que se você trotar, mas há uma diferença real entre as duas atividades em termos de benefícios para o condicionamento físico. Ainda assim, eles fornecem um guia aproximado de quão ativo você tem sido. Números incertos Se você vai contar passos, o tamanho do seu objetivo é importante. A maioria dos dispositivos de rastreamento tem uma meta padrão de 10 mil passos - o famoso número que todos nós sabemos que devemos alcançar. Você pode supor que esse número surgiu após anos de pesquisa para determinar se 8 mil, 10 mil ou talvez 12 mil seriam ideais para a saúde a longo prazo. Na verdade, não existe muita pesquisa sobre isso. O número mágico "10 mil" remonta a uma campanha de marketing realizada pouco antes do início dos Jogos Olímpicos de Tóquio de 1964. Uma empresa japonesa começou a vender um podômetro chamado Manpo-kei: "man" significando 10 mil, "po" significando passos e "kei" significando metros. Foi um enorme sucesso e o número colou. Desde então, estudos compararam os benefícios para a saúde de 5 mil contra 10 mil passos e, não surpreendentemente, o número mais alto é melhor. Mas até recentemente, todos os números entre 5 mil e 10 mil não haviam sido estudados. Questionando a meta Nova pesquisa de I-Min Lee, professora de medicina da Harvard Medical School, e sua equipe concentrou-se em um grupo de mais de 16 mil mulheres em seus setenta anos, comparando o número de passos dados todos os dias com a probabilidade de morrer por qualquer causa. Cada mulher passou uma semana usando um dispositivo para medir o movimento durante as horas acordadas. Então, os pesquisadores esperaram. Quando eles foram verificar, quatro anos e três meses depois, 504 tinham morrido. Quantos passos você acha que as sobreviventes tinham dado? Foi o mágico número de 10 mil passos por dia? De fato, a média de sobreviventes era de apenas 5.500 passos - e quanto mais passos, melhor. As mulheres que deram mais de 4 mil passos por dia tinham uma probabilidade significativamente maior de ainda estarem vivas do que aquelas que deram apenas 2.700 passos. É surpreendente que uma diferença tão pequena possa ter consequências para algo tão crítico quanto a longevidade. Por essa lógica, você pode supor que quanto mais passos elas deram, melhor. Até certo ponto, sim – mas apenas até 7.500 passos por dia, após os quais os benefícios se estabilizavam. Mais do que isso não fazia diferença na expectativa de vida. É claro, uma desvantagem deste estudo é que não podemos ter certeza de que os passos precederam a doença que as matou. Os pesquisadores incluíram apenas mulheres que estavam em condições de andar ao ar livre e pediram às pessoas que avaliassem sua própria saúde, mas talvez houvesse alguns participantes que estivessem bem o suficiente para andar, mas que já não estivessem bem o suficiente para caminhar muito. Em outras palavras, eles deram menos passos porque já estavam doentes e os próprios passos não faziam diferença. Mas para essa faixa etária, este estudo sugere que talvez 7.500 sejam suficientes - embora seja possível que etapas extras possam conferir proteção adicional contra condições específicas. A maior contagem de passos também poderia ter sido um indicador de mulheres que geralmente tinham sido mais ativas ao longo da vida, e foi isso que as ajudou a viver mais tempo. Por esse motivo, é difícil desvendar os benefícios exatos da saúde dos passos extras. Além disso, há a questão do número ideal de passos em termos psicológicos. O alvo de 10 mil pode parecer um objetivo difícil para alcançar todos os dias, o que pode tentar as pessoas a nem tentarem. Consistentemente falhar em alcançar seu objetivo dia após dia é desanimador. Em um estudo com adolescentes britânicos, a princípio os jovens de 13 e 14 anos gostaram da novidade de ter um objetivo, mas logo perceberam como era difícil de manter e reclamaram que não era justo. Sem preocupação Eu fiz o meu próprio experimento psicológico alterando a meta padrão do meu aplicativo para 9 mil passos. Eu brinco que eu ando os outros mil andando em casa quando não estou carregando meu telefone, mas na verdade eu só quero me encorajar por atingir a meta mais vezes. Para aumentar a contagem de passos dos mais sedentários, um objetivo menor pode ser melhor psicologicamente. Mas, mesmo assim, contar passos nos tira o prazer intrínseco de andar. Jordan Etkin, psicólogo da Duke University, nos Estados Unidos, descobriu que as pessoas que rastreavam seus passos caminhavam ainda mais, mas gostavam menos, dizendo que parecia trabalho. Quando eles foram avaliados no final de um dia contando passos, seus níveis de felicidade estavam menores do que naqueles em que andaram sem que seus passos fossem rastreados. As metas de contagem também podem ser contraproducentes para os mais aptos, sinalizando que devem parar quando alcançarem o número mágico de 10 mil, em vez de ficarem mais em forma, digamos, fazendo mais. O que podemos concluir de tudo isso? Conte se achar que isso o motiva, mas lembre-se de que não há nada especial em andar 10 mil passos. Defina o objetivo certo para você. Pode ser mais, pode ser menos – ou talvez o melhor seja se livrar do rastreador. Aviso Todo o conteúdo desta coluna é apenas para informação geral e não deve ser tratado como um substituto para o aconselhamento do seu próprio médico ou de qualquer outro profissional de saúde. A BBC não é responsável por nenhum diagnóstico feito por um usuário com base no conteúdo deste site. 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'Ele não me batia, mas deixou cicatrizes': atriz, vítima de abuso emocional, narra sua história

Glogo - Ciência Atriz que ficou noiva de ator mais velho e bem-sucedido relata como foi seduzida por 'homem perfeito' que como, aos poucos, passou a ter os próprios pensamentos controlados por ele. Atriz se apaixonou por homem mais velho e bem-sucedido Freya Lowy Clark Quando Anna*, que é atriz, se apaixonou por um ator mais velho e mais bem-sucedido, ele pareceria ser o homem perfeito. O noivado foi selado rapidamente – foi então que ele começou a mudar. Demorou um tempo para ela perceber que o romance que, no princípio, parecia um conto de fadas, havia se transformado numa relação abusiva. Leia o depoimento de Anna à BBC News. "Muita gente pensa que abuso emocional não é tão ruim quanto abuso físico, mas eu posso te dizer que deixa cicatrizes. Meu relacionamento com Tom* parecia um conto de fadas, daqueles que você só vê em filmes. Nos encontramos pouco antes do meu aniversário de 30 anos, quando eu estava cheia de dúvidas sobre o que fazer na vida: ainda estava solteira, sem filhos e sem uma casa para chamar de minha. Estava trabalhando numa peça e uma das outras atrizes me disse que Tom viria assistir à nossa apresentação naquela noite. Ela o conhecia há 14 anos, e tinha trabalhado com ele antes. Eu tinha acabado de terminar um relacionamento. Minha amiga tinha dito que Tom talvez fosse bom para esse meu momento pós-término. Trocamos números de telefone logo de cara. Ele já me seguia no Twitter, depois de ter me visto num show – descobri depois que esse é a primeira jogada dele quando se sente atraído por alguém e quer se aproximar. Poucos dias depois, nos encontramos para um café e ele foi encantador. Lembro-me de ter pensado "uau, isso é tão incrível". E então, começamos a trocar mensagens. Olhando para trás, isso deveria ter sido um grande alerta vermelho. Eu recebia de 50 a 100 mensagens por dia, mensagens longas. Em determinado momento, ele me disse: "Te mandei um textão e só recebo uma frase como resposta". Eu estava muito ocupada com minha peça e outras coisas, e pensei que qualquer pessoa teria dificuldade em manter esse volume de mensagens. Ele costumava dizer ter percebido que estava apaixonado por mim após nosso segundo almoço. Tom assistia minhas apresentações, me levava para jantar e demonstrava um enorme interesse sobre minha vida, minha infância e minha família. Pensei que ele era diferente dos outros caras com quem tinha saído antes. Duas semanas depois do dia em que nos conhecemos, era meu aniversário. Eu o convidei, mas ele disse que não iria e que eu deveria passar tempo com meus amigos. Ele parecia respeitar meu espaço pessoal. Num curto período de tempo, sabia que ele tinha todas as qualidades que eu sempre quis numa pessoa. Ele era gentil e atencioso, sem eu pedir – fazia coisas que eu sempre fiz para os meus ex-namorados, mas que nunca tinham sido retribuídas. Em pouco tempo, Anna* viu que ele tinha tudo que queria em um homem Freya Lowy Clark Como resultado, ele foi me atraindo, criando um mundo do qual não queria sair. É como quando você tem uma primeira experiência com drogas maravilhosa e depois segue tomando a mesma droga sempre perseguindo os efeitos da primeira vez – mas nunca é a mesma coisa. Com ele era isso. No final, me sentia uma viciada, esperando que nossa relação voltasse a ser como era no começo, quando tudo era divertido e bom demais para ser verdade. Dois dias depois do meu aniversário, passei a noite na casa dele e dormirmos juntos pela primeira vez. Tivemos outras chances antes, mas ele não me pressionou - isso foi algo que me fez pensar como ele era bom. Ele me pediu para ser a namorada dele na manhã seguinte. Eu disse sim. No mesmo dia, ele fez uma espécie de discurso dizendo que, como eu estava com ele, a imprensa ficaria interessada e que as pessoas diriam coisas ruins sobre ele para mim por causa de quem ele era. Tom me perguntou se eu tinha lido o que a Wikipedia dizia sobre ele, porque eu ainda não conhecia o trabalho dele e deveria saber o que ele já tinha feito. Eu disse: "Você está sentado bem na minha frente, vou saber tudo isso de você mesmo". Dias depois, ele me disse que estava ficando com ciúmes dos meus ex-namorados e do meu passado. Me disse que precisava de tempo para trabalhar isso e que gostaria que eu não falasse sobre o assunto. Parecia que estava tentando ser aberto e honesto, então concordei. Sentada num parque no dia seguinte, antes de ir ao trabalho, ele disse o quanto desejava que eu fosse para a casa dele naquela noite. Eu disse que sentia o mesmo. Ele, então, me chamou para morar com ele. Isso aconteceu três semanas depois que nos conhecemos. Eu disse sim. No começo, ele me levava café na cama com comidinhas e flores. Deixava recados antes de sair para o trabalho. Ia me ver quando estávamos próximos, mesmo que por cinco minutos, só para dar um "oi". Para mim, ele se mostrava um homem perfeito. Mas uma pessoa me disse, que, anos antes, Tom tinha mandado e-mails abusivos para uma amiga dele. Essa pessoa me advertiu para ser cautelosa, dizendo que tinha ouvido que Tom era problemático. Lembro-me de ter pensando que não parecia ser coisa da pessoa que eu conhecia. Amiga disse que Tom* havia tido um relacionamento abusivo com outra pessoa Freya Lowy Clark Quando perguntei a Tom sobre isso, ele soltou um xingamento e mudou de assunto rapidamente. Começou a me culpar por fazer com que negligenciasse sua própria família. Me disse que, por estar concentrando toda energia em nosso relacionamento, sentia falta de coisas realmente importantes em casa. Entrei em pânico e me desculpei. Mas, olhando para trás, está claro que isso era apenas uma maneira de desviar a atenção do assunto dos emails abusivos. Ele me dava muitos presentes, apesar de me dar coisas que não queria - coisas que ele queria que eu usasse, algumas delas muito caras. Era quase como se ele quisesse por em prática a ideia que fazia de como a namorada deveria ser. Havia tantos alertas, mas acabei deixando passar no momento. Ele não tinha ciúmes apenas de meus ex-namorados. Se eu falava sobre alguma experiência que tinha me feito feliz, ele me dizia que estava com ciúme porque não esteve lá comigo. Estava o tempo todo tentando controlar o que eu dizia. Quando não estávamos juntos, o contato era opressivo. Tinha que responder as mensagens dele muito rápido. Era como se ele não quisesse deixar espaço para eu pensar em outra coisa senão ele. As discussões começaram meses depois do início do relacionamento. Tudo tinha sido tão perfeito até ali que brigar foi completamente inesperado. Mas, de repente, parecia que, se estivesse de bom humor ou se as coisas estivessem bem entre nós, ele instigava uma briga - duas ou três vezes por semana. Foi realmente horrível e desgastante, fiquei em estado de choque. Apesar disso, três meses depois do primeiro encontro, ele se ajoelhou na minha frente e me pediu em casamento. Fiquei superfeliz. Falávamos sobre nosso futuro, sobre filhos, e tudo parecia tão natural, maravilhoso e certo. Foi nesse momento, contudo, quando prometi me casar com ele e já estava morando com ele, que nosso mundo perfeito começou a se desintegrar. Discussões começaram meses depois do início do relacionamento Freya Lowy Clark O anel de noivado foi inspirado em uma joia que ele tinha visto cinco anos antes, antes mesmo de a gente ter se encontrado. Eu odiei. O anel tinha a pedra favorita dele. Eu me senti como se estivesse me encaixando no anel, na imagem idealizada na cabeça dele, ao invés de ele ter escolhido algo para mim. Eu estava tendo problemas em conseguir trabalho e me irritava com o paternalismo e a indiferença dele em relação a minha carreira. Ele falava comigo como se eu não soubesse o que estava fazendo. Mas eu estava há anos no mercado e ia bem - só não tinha tido o mesmo sucesso comercial que ele. Na noite da nossa festa de noivado, ele não fez o mínimo esforço para conhecer meus amigos. Depois que todo mundo já tinha embora e estávamos abrindo os cartões, eu disse: "Obrigada por não ter esquentado pela presença do Robbie". Robbie era um amigo com quem tive uma breve aventura no passado. Nesse dia, ele estava com uma taça de champanhe na mão. Foi a primeira vez em que ele realmente bebeu álcool perto de mim, e ficou bêbado. Pegou um livro e jogou em minha direção no quarto. Jogou um enfeite de mármore da sacada e começou a gritar e a me xingar. Ele me chamou de vagabunda e me disse para tirar o anel e sair da casa dele. Devia ter saído, mas não pude. Não queria acreditar que aquele era ele – achava que era o álcool ou outra coisa. Não fazia sentido abandoná-lo quando estávamos justamente celebrando a decisão de nos casar, de ficar juntos para sempre. Sinais de abuso emocional Adina Claire, Co-Chefe Executiva da ONG Women's Aid, diz ser "crucial que todos nós aprendamos os primeiros sinais de alerta e identifiquemos o comportamento controlador e coercivo quando o vemos". Os sinais clássicos de alerta incluem: 'Bombardeio de amor' (quando seu novo parceiro está excessivamente atento e ansioso para se apressar nos estágios iniciais de um novo relacionamento) Ciúme extremo; Comentários depreciativos e insultos; Destruir objetos da casa; Culpar o parceiro/a por coisas que ele/a não fez Depreciar as conquistas do/a parceiro/a Manipular psicologicamente "Se você se sente como se estivesse andando em ovos ou mudando o próprio comportamento (por exemplo, isolando-se da família e amigos) para manter o parceiro feliz, então você pode estar em um relacionamento abusivo. Relacionamentos saudáveis são construídos em confiança e respeito mútuos, não em poder e controle." Na semana seguinte, ele chegou em casa do trabalho e disse que eu tinha feito com que ele tivesse vontade de se matar. Falou em ir ao hospital, mas não foi porque teria de trabalhar no dia seguinte. Àquela altura, isso já não foi exatamente uma surpresa. Toda vez que a gente tinha uma discussão, ele ficava agressivo e abusivo, ia me destruindo aos poucos e, então, ficava aos prantos. Aos olhos dele, ele era sempre a vítima. Eu não estava pronta para deixá-lo, mas comecei a ficar com medo dele. Isso começou a me afetar psicologicamente e eu parei de comer. Contei a uma pessoa o que tinha acontecido, mas estava com vergonha de falar com mais gente. Tom era meu noivo e eu não queria que ninguém criasse uma imagem negativa dele. Mas ele começou a beber muito e as brigas, o controle excessivo e os abusos continuaram. Ele usava tudo o que tinha descoberto sobre minha família contra mim. Disse que meu irmão era um viciado em drogas, que meu pai tinha me abandonado, que minha mãe não era boa. Falou coisas que, mais tarde, afirmou jamais ter dito. Dizia para mim mesma que todo casal tem discussões, que nenhum relacionamento é perfeito. Mas não é qualquer um namorado que te chama de vagabunda e manda você sair de casa. Se eu tinha uma visita, ficava muito nervosa pensando na hora que ele ia chegar em casa. Não sabia o que poderia acontecer, não queria que os outros vissem os momentos de raiva, e não queria irritar Tom por ter recebido um amigo em casa. Isso se transformou num problema diário. O que ele vai fazer hoje? Quais "campos minados"' preciso evitar? É como se eu tivesse uma "bola" de ansiedade no estômago. Se a intenção dele era me isolar dos meus amigos, estava funcionando. Por alguma razão, comecei a não querer a presença da minha família no casamento. Ainda não sei como ele conseguiu fazer com que me sentisse dessa forma. Fiz com que minha carreira girasse em torno da dele e arrumava trabalhos próximos da agenda dele para ir visitá-lo se estivesse fora. Depois que ficamos noivos, ele me disse para sair de um bico que eu fazia - do qual gostava pelo lado social. Ele disse que colocaria 2 mil libras (o equivalente a R$ 9,5 mil ) em minha conta bancária. Mandei uma mensagem de texto para uma amiga sobre isso e ela me disse pra não aceitar porque eu precisava da minha independência. Não aceitei na hora, mas, dois meses depois, acabei aceitando a oferta - ele passou o tempo todo me dizendo argumentos para aceitar, e foi o que fiz. Olhando para trás, isso me faz sentir muito louca. Durante uma briga feia, disse a ele que me sentia como se estivesse numa prisão e que tinha perdido minha noção de individualidade. Ele quis saber o que poderia ser feito para corrigir isso, e eu disse que precisava passar um tempo com uma amiga por alguns dias. Ele estava com tanta raiva que disse: "Não posso acreditar que você vai abandonar esse relacionamento". 'Hoje, na cabeça do Tom, eu não o deixei porque ele estava abusando de mim. Para ele, eu o abandonei' Freya Lowy Clark Até hoje, na cabeça do Tom, eu não o deixei porque ele estava abusando de mim. Para ele, eu o abandonei. Semanas depois, ouvi de um amigo que Tom tinha mandado um email abusivo para uma ex-namorada. Liguei pra ele e perguntei sobre isso. Ele me disse: "Disse a ela que era uma f*lha da p*ta porque ela precisava saber". Perguntei se ele ia me contar que tinha entrado em contato com ela e ele falou que não porque achou que eu não ia descobrir. Perguntei se ele me pediria desculpas; ele disse que não tinha que se desculpar por nada. Vê-lo abusar de outra pessoa me fez perceber que o que ele estava fazendo comigo era errado. Foi quando disse: "Você me perdeu. Chega. Não posso fazer isso mais. Você precisa de ajuda". Eu acho que foi a única vez em que o peitei. Sabia que tinha que sair de casa antes de ele voltar porque, se ficássemos cara a cara, ele me convenceria a ficar. Ele teria me dito que podíamos tentar de novo fazer a coisa dar certo. Não acho que ele pensou que eu fosse embora. Do dia em que nos conhecemos até o dia que o deixei, não haviam passado nem seis meses. Por sorte tenho pessoas incríveis ao meu redor que me fizeram ver o que estava acontecendo e me tiraram daquilo, apesar de não ter sido fácil sair. A coisa mais difícil era tentar diferenciar o Tom verdadeiro do falso - questionava se esse cara que eu conheci era apenas um personagem que ele interpretava para me atrair. Eu também tinha que aceitar o fato de que estava em um relacionamento abusivo. No final, nada mais parecia ser meu, nem mesmo meus pensamentos. Desde o dia que o conheci, passava um bom tempo pensando nele, meus pensamentos voltavam para ele o tempo todo, até mesmo agora. Eu odeio que ele tenha tido esse poder sobre mim. Muitas pessoas não queriam acreditar que alguém pudesse se comportar dessa forma, principalmente alguém que elas achavam conhecer. Até mesmo meu irmão me disse: "É normal o jeito como ele trata você - você só tem que aguentar - é apenas um relacionamento". Isso é uma coisa sobre a qual é preciso falar. Lembro-me de ter procurado no Google "estou num relacionamento abusivo?", de ler uma lista com as características disso e pensar "sim, aconteceu comigo". Mas muitas pessoas acham que abuso é apenas algo físico. Algumas vezes, quando ainda estava no relacionamento com Tom, quis ligar para o Women's Aid (ONG de ajuda para mulheres) para entender o que estava acontecendo comigo. Mas não sentia que havia justificativa. O abuso não parecia "ruim o suficiente" porque Tom não me batia. Mas é por isso que foi criada, no Reino Unido, a lei sobre comportamento coercitivo ou controlador - porque abuso emocional é abuso. Com raiva e com o calor do momento, eu queria expô-lo publicamente, para que as pessoas soubessem que ele é capaz de machucar mulheres de maneira calculada e proposital. Pra mim, é difícil vê-lo sendo celebrado na mídia, sabendo quem ele realmente é. Mas não sinto que possa vir a público sobre isso. Eu tenho que pensar na minha carreira. Se eu o expusesse, as pessoas me associariam a ele para sempre - e a culpa é minha, porque abri nosso relacionamento nas redes sociais, porque estava feliz. Por fim, sinto-me triste por ele. Não consigo imaginar como seja dentro da cabeça dele, viver a vida dele. Mas, independentemente disso, isso não é desculpa para tratar alguém do jeito que me tratou, as mulheres antes de mim e, tenho certeza, as mulheres que ainda virão. *Nomes fictícios. Depoimento a Natasha Lipman. Veja Mais

Nasa faz racionamento de energia para manter sondas da década de 70 em funcionamento

Glogo - Ciência Campeãs de resistência, Voyager 1 e 2 foram lançadas em direção ao Sistema Solar exterior para estudar os planetas gigantes e enviaram à Terra fotos históricas do espaço. Modelo de engenharia da Voyager 1 em exposição JPL-NASA Há quase 45 anos em operação e campeãs de resistência e quilometragem, as sondas Voyager 1 e 2 entraram em sistema de racionamento de energia para continuarem em ação no espaço. Elas foram lançadas em 1977 pela Nasa, a agência especial americana, em direção ao Sistema Solar exterior para estudarem os planetas gigantes. O impacto causado pelas imagens das duas sondas marcou uma geração inteira – a minha por sinal – e foram parar em filmes, série e quadrinhos. As descobertas das Voyagers só foram equiparadas em importância na década de 1990 com o lançamento da sonda Galileo para Júpiter, e da Cassini para Saturno. Com o passar do tempo, pouca coisa ainda é mantida operacionalmente nas naves. Fazer isso requer eletricidade, que está ficando cada vez mais escassa. Além de energia para fazer os instrumentos funcionarem, é preciso usar aquecedores para mantê-los à temperatura operacional. No espaço profundo, muito distante do Sol, a temperatura chega a menos de 200 graus Celsius abaixo de zero. Nada funciona a essa temperatura. As duas naves tiram sua energia de um dispositivo radioativo, a partir do calor gerado pelo decaimento de plutônio, e justamente os aquecedores são as peças que mais consomem energia. Desde que as sondas foram lançadas, a produção de energia caiu 40% e, a cada ano, ela diminui em torno de 4W. Descoberto o objeto mais distante objeto do Sistema Solar Netuno, visto pela câmera da Voyager 2. A foto foi tirada a uma distância de 7,1 milhões de quilômetros e mostra a Grande Mancha Escura e ao seu lado um ponto brilhante Nasa/JPL Então, para manter a Voyager 2 em funcionamento, a Nasa decidiu desligar o aquecedor do seu detector de raios cósmicos, justamente o instrumento que revelou que ela tinha deixado o Sistema Solar. Com esse plano de racionamento, a agência americana pretende manter os aquecedores dos outros instrumentos, que estão estudando o plasma interestelar e a interação dele com o plasma emitido pelo Sol. Mais importante do que manter os instrumentos funcionais – mesmo porque o detector de raios cósmicos continua funcionando mesmo a temperaturas de -60 graus Celsius – é manter os propulsores operacionais. De vez em quando é preciso fazer disparos curtos dos foguetes com a finalidade de manter a antena das naves apontadas para a Terra. Sem isso, nada de comunicação. Susto em 2017 Em 2017 foi preciso fazer uma dessas correções dessas com a Voyager 1, e por pouco não foi possível reposicionar a antena, depois que os motores principais não responderam e foi necessário passar para um sistema auxiliar. Para evitar o mesmo problema com a Voyager 2, os engenheiros da Nasa também fizeram essa troca de sistema, já que os motores principais foram usados pela última vez em 1989, após o encontro com Netuno. O trabalho das duas, no entanto, começou antes: a Voyager 1 fez um sobrevoo de Júpiter e Saturno antes de começar sua jornada aos confins do Sistema Solar. A ideia era passar por Titã, uma vez que as imagens das sondas Pioneers tinham se mostrado muito interessantes. Esse desvio fez com que a Voyager 1 assumisse uma trajetória que a impediu de visitar os demais planetas. A honra de pesquisar os planetas Urano e Netuno ficou com a Voyager 2, depois de ela ter dado uma passadinha por Júpiter e Saturno também. Atualmente, ambas já deixaram o Sistema Solar e estão a uma distância de quase 22 bilhões de quilômetros. Para se ter uma ideia da imensidão dessa distância, as transmissões de rádio, que viajam na velocidade da luz, demoram quase 22 horas para alcançá-las. Para comparação, a luz do Sol leva apenas oito minutos para chegar à Terra e a luz de Plutão leva por volta de cinco horas e meia. Depois de completarem a missão, os instrumentos de ambas foram desligados pouco a pouco. Não fazia sentido manter as câmeras ativas, por exemplo, já que, depois de Netuno, não se esperava nenhum encontro com qualquer objeto. Mas, antes disso acontecer, em 1990, a Voyager 1 se virou para “trás” e tirou a icônica foto de família do Sistema Solar. No meio dela, a mais de 6 bilhões de quilômetros, a Terra aparece como um “pálido ponto azul”. Essa foto até hoje é usada para mostrar quão insignificantes a Terra, e nós mesmos, somos em relação à imensidão do universo. Retrato de família feito pela sonda Voyager 1 mostrando os planetas do Sistema Solar JPL-NASA Depois disso o controle da missão decidiu manter apenas poucos instrumentos, medindo o fluxo de raios cósmicos e plasma espacial. Foi com esses instrumentos que ficou determinado que ambas as naves tinham escapado do Sistema Solar – a Voyager 1 em agosto de 2012, e a Voyager 2 em novembro de 2018. Com esse plano de contingência, espera-se que as Voyagers permaneçam operacionais ainda por um bom tempo, talvez por mais de uma década. Como disse o gerente científico do projeto, ambas as naves estão em um lugar nunca antes visitado. Todos os dias chegam dados inéditos, então todo dia é dia de descoberta. Initial plugin text Veja Mais

Unicamp perde amostras da área médica estudadas há 15 anos após furto de quase 1km de cabos de energia: 'Inestimável'

Glogo - Ciência Equipamentos que mantinham amostras a -180ºC foram desligados. Estudos feitos em animais também foram perdidos. Furto de 900 metros de cabos de cobre e 60 metros de fios de alumínio aconteceu no fim de semana. Polícia Civil investiga. Local onde eram armazenados animais que precisaram ser descartados após furto de cabos de energia da Unicamp em Campinas Carina Rocco/EPTV Amostras de diversas doenças estudadas há cerca de 15 anos pela Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp em Campinas (SP) foram perdidas após o núcleo de pesquisas da universidade sofrer um furto de quase um quilômetro de cabos de energia elétrica no fim de semana. Em entrevista ao G1 nesta quinta-feira (8), o coordenador de pesquisa, Andrei Carvalho Spósito, afirmou que a perda para a comunidade científica é inestimável. "Alguns materiais biológicos vinham sendo guardados há cerca de 10, 15 anos. Para serem guardados de forma íntegra, estavam a menos de 180 ºC. [...] A perda foi inestimável para a pesquisa na área de ciências médicas", afirma o professor e doutor Spósito. O núcleo de pesquisa funciona em vários prédios e a energia de todo o complexo foi desligada. Equipamentos que processavam dados há dias perderam seus registros. No biotério, onde ficam animais registrados e adquiridos exclusivamente para pesquisa acadêmica, alguns morreram e outros foram descartados, pois perderam as condições ideais de temperatura e qualidade do ar em que eram mantidos. "Todas as condições que garantem um cuidado ético com os animais se perdeu", explica o professor. "Quem vai avaliar o efeito de um medicamento em um animal, não vai saber se a alteração foi efeito da medicação ou do tempo que ele passou sem as condições adequadas. O prejuízo foi enorme", completa. Prédios do núcleo de pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, localizada em Campinas. Carina Rocco/EPTV Cerca de 40 pesquisadores docentes trabalham no núcleo, além de residentes e estudantes de pós-graduação, e dedicam tempo e o investimento de financiamentos de pesquisas. Estudos financiados pelo Capes, Fapesp e CNPq, e também os realizados em parcerias com universidades europeias e americanas, foram prejudicados. "Na prática, o prejuízo que se tem é de cada uma das pessoas, funcionários públicos que trabalharam, investimento de pesquisa, informações que revertem em bens públicos", diz Spósito. Segurança na Unicamp Em nota, a Unicamp informou que "está atenta às ocorrências registradas no campus e estuda medidas para aumentar a segurança no local". A universidade possui um aplicativo de celular chamado "Botão do pânico" para comunicação rápida de ocorrências aos seguranças da universidade. Também fez convênio com a Prefeitura de Campinas para a implantação e operação de 21 câmeras nas portarias do campus, que integram o sistema de monitoramento por câmeras da central da cidade (Cimcamp). O núcleo de pesquisas afetado, no entanto, também tem monitoramento por câmeras, informou o coordenador ao G1. As imagens deverão ser analisadas pela Polícia Civil. Vista aérea do campus da Unicamp, em Campinas (SP) Reprodução/EPTV Polícia Civil investiga A ocorrência aconteceu entre domingo (4) e segunda (5), mas só foi registrada na Polícia Civil nesta quarta-feira (7) no 7º Distrito Policial de Campinas, no distrito de Barão Geraldo, onde fica a universidade. O boletim de ocorrência foi feito por um representante da FCM e um responsável pela manutenção na Unicamp. O G1 pediu posicionamento sobre a investigação à Secretaria de Segurança Pública de SP (SSP), mas não teve retorno. Veja mais notícias da região no G1 Campinas Veja Mais

Casal posta fotos 'antes e depois' da recuperação do vício em metanfetamina

Glogo - Ciência Brent e Ashely estão há três anos sem usar a droga e publicaram duas fotos para mostrar a vida depois que decidiram tratar a dependência; imagens viralizaram em rede social. Brent e Ashley Walker no ápice do vício e na comemoração dos três anos sem metanfetamina Arquivo Pessoal/Brent Walker Quando Brent Walker postou duas fotos dele e da mulher no Facebook, esperava que as imagens que mostravam o casal antes e depois da recuperação do vício em "crystalmeth" (metanfetamina) pudessem servir de inspiração para velhos amigos. Mas, dez dias depois, as fotos já tinham sido compartilhadas quase 200 mil vezes. Brent, que é do Tennessee (EUA), diz ter ficado positivamente surpreso. Na foto que mostra o "antes", Brent e Ashely estavam no ápice do vício. Já o "depois", foi tirado há pouco mais de um mês, quando eles comemoravam três anos sem usar drogas. "Espero que minha transformação possa encorajar um viciado em algum lugar", afirmou. "A recuperação é possível", escreveu ele na postagem das fotos. Em entrevista à BBC News, ele disse que publicou a foto pensando nas pessoas mais próximas ao casal. "A foto era apenas para familiares e amigos, alguns deles são viciados em recuperação. No dia seguinte, meu telefone estava explodindo." "Queria dizer às pessoas que elas não precisam viver desse jeito. Somos provas vivas", completou. A dependência Brent e Ashley se encontraram em 2010, quando ele começou a fornecer drogas a ela. Ashley conheceu Brent em 2010, quando ele fornecia drogas para ela Arquivo Pessoal/Ashley Walker "A metanfetamina bagunça seu cérebro, deixa você paranoico, faz com que perca a memória e tenha alucinações", conta ele. "Eu não conseguia comer. Ficava sem dormir por dias." O casal perdeu a guarda dos cinco filhos. Ashley foi para a reabilitação, mas teve uma recaída. Brent, por sua vez, entrava e saída da prisão por tráfico e posse de drogas. Os dois decidiram que não queriam mais isso. "Decidimos que iríamos à igreja e que nos livraríamos de qualquer coisa associada à vida das drogas", conta. "Isso incluiu cortar relacionamentos e fazer novos amigos." Brent admite que um dos maiores problemas de quem está em recuperação são as lembranças dos "bons momentos" com amigos e a volta para eles. "Então, tínhamos de parar de ver essas pessoas." Brent perdeu muito peso devido à dependência Arquivo Pessoal/Brent Walker O casal sabia que ficar sem usar drogas seria uma longa e difícil jornada. Os dois decidiram que traçariam marcos e metas para a nova vida. Primeiro, se casariam depois de 30 dias sóbrios. Em seguida, escolheriam um lugar para viver, já que estavam dormindo no chão do apartamento de um amigo. A terceira meta foi comprar um carro. Vida conturbada Apesar da dependência, os dois conseguiam trabalhar. Brent trabalhava num lava-rápido e Ashley, numa fábrica. Mas os dois gastavam todo o dinheiro em drogas. O casal estabeleceu metas para se tratar dos vícios Arquivo Pessoal/Ashley Walker "Andávamos distâncias longas até o mercado e também íamos a pé ao trabalho", recorda Brent, dizendo que guardavam as roupas em sacos de lixo. Agora, o casal tem novas metas, entre elas melhorar o próprio histórico de crédito para conseguir comprar uma casa. Também planejam recuperar a guarda dos filhos de Ashley. "É difícil, demora um tempo para ficar saudável, mas, no final, o resultado é incrível. Minha mensagem para qualquer pessoa que esteja lutando contra o vício de qualquer coisa é que é possível." Brent diz seu lema agora é "que a vida é uma aventura para desfrutar, não um problema a ser resolvido". De férias na Flórida, sem metanfetamina Arquivo Pessoal/Brent Walker No Facebook, o post do casal contabilizou mais de 18 mil comentários, alguns de pessoas que disseram ser dependentes em recuperação. Cynthia, uma usuária do Facebook, escreveu: "Eles merecem uma medalha porque é uma luta diária quando se tenta ficar limpo". "Ficar livre das drogas é apenas o começo. Ex-usuários de drogas têm de aprender a viver sóbrios, precisam ter um plano. Brent e Ashley, obrigada por compartilhar isso", completou. Uma pessoa que se identifica como Stephanie comentou: "Bom trabalho, estou sóbria há cinco anos. Leva muito tempo para largar, você tem que desistir de um monte de gente, amigos, família etc. Sem mencionar o mal que você passa. Tem que se esforçar pra isso. Bom trabalho, vocês estão muito bem". A metanfetamina é uma droga sintética. Pode ser fumada, consumida por via oral, e, transformada em pó, ser cheirada e até injetada. Entre os sintomas mais imediatos estão euforia, diminuição do apetite, do sono e da fadiga, alterações da libido e emoções intensificadas. O uso constante leva rapidamente à dependência, acompanhada de sintomas como distúrbios de humor, ansiedade e agressividade. É uma droga que, além de danos neurológicos, provoca perda de peso e complicações odontológicas. Veja Mais

Governo quer acelerar aprovação de produtos veterinários

Glogo - Ciência Ministra vê gargalo para a pecuária e diz que ideia é agilizar a liberação como foi feito com os agrotóxicos. Entre os tipos de produtos estão aditivos, suplementos promotores de crescimento, medicamentos e vacinas, entre outros. Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, participa de evento em São Paulo nesta segunda (5) Rikardy Tooge/G1 A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou nesta segunda-feira (5) que o governo quer garantir a aprovação mais rápida de produtos veterinários para a pecuária de corte, a exemplo do que já é feito na liberação de agrotóxicos. “São um outro gargalo que nós temos: os produtos veterinários. Nós temos uma fila enorme que precisa caminhar, para entrarem novos produtos, mais modernos. Nós estamos na batalha no Ministério da Agricultura para fazer a mesma coisa que foi feita lá atrás com os defensivos da área vegetal”, disse Tereza em um evento do setor em São Paulo. A ministra não especificou um prazo para que isso aconteça. Produto de uso veterinário, segundo o governo, é toda substância química ou biológica destinada à prevenção, ao diagnóstico, à cura ou ao tratamento de doenças, incluindo aditivos, suplementos promotores de crescimento, medicamentos, vacinas, entre outros produtos para garantir saúde e qualidade para o animal. A ideia, de acordo com Tereza, é agilizar a liberação de produtos genéricos de fórmulas que já estão no mercado. "É necessário e urgente que se faça. A pecuária poderá ser beneficiada tendo uma diminuição de custos, que é o que está tendo na agricultura. É a mesma coisa que um remédio genérico para gente, para plantas e vegetais. Tratar com a mesma segurança que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) trata também os produtos humanos”, completou. Agrotóxicos X remédios A ministra disse ainda que espera que a ação relacionada aos produtos veterinários "não comece uma nova guerra", se referindo a críticas recebidas pela liberação de agrotóxicos, cujo ritmo é o mais alto já registrado. "Não mudou nada (na aprovação de agrotóxicos), o que mudou foi a celeridade", reafirmou. Colocamos mais gente no Ministério da Agricultura, gente que veio da Embrapa, que veio ajudar nessa fila. Mais gente no Ministério do Meio Ambiente. E a Anvisa que resolveu pegar esse assunto", reafirmou. Um agrotóxico precisa ser aprovado pelo ministério, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e pela Anvisa para chegar ao mercado. "Todos os produtos (agrotóxicos) que se usa no Brasil são usados lá fora. Outra coisa: não é (por) liberar mais, (ter) mais registros de produtos que o agricultor vai usar mais produto porque está barato. Não é assim", avaliou Tereza. "Você compra mais remédio porque o genérico é mais barato? Não é diferente, de jeito nenhum." "Talvez seja mais fácil hoje comprar um remédio... a dificuldade é a mesma coisa de se comprar um defensivo. Com uma diferença: é muito caro e ainda tem um problema de segurança", comparou. "Como é um produto caríssimo, as pessoas não armazenam nas suas propriedades porque corre risco de serem assaltadas no fim de semana." Veja Mais

Marcos Pontes diz que cogita nomear oficial da Aeronáutica à direção do Inpe

Glogo - Ciência Ministro da Ciência e Tecnologia afirmou que irá 'trabalhar com números e fatos' e que vai 'mudar o sistema como um todo'. Ministro Marcos Pontes, em premiação em Salvador Alan Tiago Alves/G1 O ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, disse nesta segunda-feira (5) que cogita escolher um oficial da Aeronáutica para a direção do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mas não quis informar o nome do candidato. Na última sexta-feira (2), Ricardo Galvão foi avisado da exoneração do cargo após imbróglio com o governo federal à respeito dos dados de desmatamento. Pontes foi entrevistado pela rádio "Eldorado". Ao ser questionado a respeito da nomeação de um oficial da Aeronáutica, ele confirmou que está avaliando a possibilidade e disse que o candidato é um "doutor em desmatamento". O ministro informou que o novo nome para a direção do instituto será divulgado no início desta semana. Cronologia: reação do governo ao uso de dados sobre desmatamento leva a exoneração de diretor do Inpe Além disso, o ministro também confirmou que recebeu as indicações de Galvão ao cargo, mas não disse se levará em conta algum desses pesquisadores. À respeito dos dados de desmatamento divulgados pelo Inpe, disse que "vai mudar o sistema como um todo". Após a exoneração, Ricardo Galvão indicou cinco nomes para assumir a direção do Inpe. O agora ex-diretor disse que o ministro de Ciência se comprometeu a não interferir no instituto e a investir mais recursos. Nesta segunda, Pontes disse que irá "criar um sistema melhor": "Vamos criar um sistema melhor, colocar mais satélites e, em conjunto, fazer as análises para demonstrar como está sendo feito", disse. O ministro lembrou que, antigamente, os dados eram enviados primeiro ao Ibama e, depois de cinco dias, disponibilizados ao público. Segundo ele, esse é um possível formato para a divulgação dos índices de desmatamento no futuro. "Vamos fazer um relatório técnico. A gente gosta de trabalhar com números e fatos para ver como eles são calculados e como servem. Tudo começou com o uso incorreto dos dados do Inpe. Os dados do Deter não podem ser usados para índices de desmatamento consolidados, isso é o Prodes. E é isso o que foi feito". Pontes informou que o consolidado do desmatamento da Amazônia Legal será divulgado até o final de agosto. Mesmo após ter citado esse "uso incorreto", o ministro diz que geralmente os dados do Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) seguem as tendências apontadas mês a mês pelo índice de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). O governo afirma que a medição do Deter não deve ser usada para gerar percentuais e comparações mensais e que os dados consolidados de desmatamento são divulgados pelo Prodes. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, admitiu que há aumento no desmate e diz que vai licitar um novo sistema de monitoramento. Governo contesta dados de desmatamento, mas diz que não iria alardear se julgasse corretos Os alertas do desmatamento no Brasil registraram alta de 88% em junho e de 212% em julho, segundo análise feita com base em dados compilados pelo sistema Deter. Os percentuais levam em conta a comparação de junho e julho com os mesmos meses do ano passado. A exoneração Ricardo Galvão recebeu a notícia da própria exoneração em reunião na manhã da última sexta. No início da tarde, Pontes elogiou Galvão. "Agradeço, pela dedicação e empenho do Ricardo Galvão à frente do Inpe. Tenho certeza que sua dedicação deixa um grande legado para a instituição e para o país", escreveu o ministro em uma rede social. Mais cedo, no pronunciamento em que anunciou sua própria demissão, Ricardo Galvão afirmou que não teve de "defender" os dados sobre desmatamento para o ministro. "Frente ao ministro Pontes, eu não tive que defender nada. Ele concorda inteiramente com os dados do Inpe e sabe como são os dados do Inpe. O ministro é uma pessoa de alta capacidade técnica, um engenheiro." – Ricardo Galvão Durante a tarde, servidores do Inpe protestaram contra exoneração de Galvão na frente da sede do órgão, em São José dos Campos (SP). Bolsonaro acusa o Inpe de mentir Bolsonaro acusou o Inpe de mentir sobre dados de desmatamento e de estar "agindo a serviço de uma ONG". As primeiras declarações do presidente contrárias ao instituto foram dadas na sexta-feira (19), durante café da manhã com jornalistas estrangeiros. As críticas do governo aos dados sobre o desmatamento continuaram, e nesta quinta-feira (dia 1°) Bolsonaro voltou a se voltar contra o Inpe. O presidente defendeu uma apuração para identificar se os responsáveis pela divulgação dos dados sobre desmatamento. "Acho até que, aprofundando os estudos, ver se as pessoas divulgaram de má-fé esses informes para prejudicar o governo atual e desgastar a imagem do Brasil", disse Bolsonaro nesta quinta. Logo após as primeiras declarações do presidente, Galvão declarou: "Ao fazer acusações sobre os dados do Inpe, na verdade ele faz em duas partes. Na primeira, ele me acusa de estar a serviço de uma ONG internacional. Ele já disse que os dados do Inpe não estavam corretos segundo a avaliação dele, como se ele tivesse qualidade ou qualificação de fazer análise de dados". Destaque fora do Brasil Além de ganhar destaque no Brasil, o avanço do desmatamento foi noticiado pela revista "The Economist" e por outras publicações estrangeiras. Entenda como o Inpe monitora e gera taxas de desmatamento da Amazônia O governo afirma que a medição do Deter não deve ser usada para gerar percentuais e comparações mensais e que os dados consolidados de desmatamento são divulgados pelo Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes). O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, admitiu que há aumento no desmate e diz que vai licitar um novo sistema de monitoramento. Especialistas rebatem o governo e afirmam que o Deter mostra a real tendência de aumento, com precisão de cerca de 90%. Argumentam que as medições parciais do sistema sempre foram confirmadas posteriormente pelo Prodes em um balanço anual. Initial plugin text Veja Mais

8 testes simples de saúde que você pode fazer em casa

Glogo - Ciência Eles têm a função de rastrear sinais de anormalidades e doenças - mas atenção, estão longe de ser um diagnóstico, certo? Usar um relógio inteligente para monitorar os sinais vitais pode servir como uma espécie de rastreio, dizem especialistas Unsplash Vivemos em uma época em que avanços da ciência ampliam nossa longevidade média. Mas a tecnologia também pode ter nos afastado de sinais que nosso próprio corpo dá analógica e organicamente, indicativos esses que eram boa parte do que nossos antepassados tinham para detectar alterações e problemas de saúde. A própria internet traz "receitas" para que alguns desses sinais sejam identificados em testes simples, individuais e domésticos. A BBC News Brasil apresentou a diversos médicos alguns testes sugeridos nos mundos online e offline e reuniu aqueles que, na opinião dos especialistas, são verdadeiramente úteis e têm embasamento técnico - alguns deles, inclusive, são usados nas próprias consultas. "Autotestes" que recorrem a desenhos, movimentos simples com o corpo ou varreduras na pele podem indicar desde inchaços nas pernas a alterações em capacidades cognitivas decorrentes do envelhecimento ou uma predisposição a cânceres. Mas vale um alerta importante: todos os médicos entrevistados citaram as palavras "rastreio", "rastreamento" ou screening para definir esses testes. Ou seja, muito longe de ser um diagnóstico avaliado por um profissional, eles servem para fazer pacientes ficarem mais atentos a possíveis sintomas que, aí sim, devem ser levados ao médico. Isto porque a generalidade e simplicidade dos testes podem levar a coisas como falsos positivos ou negativos, ou ainda à confusão de sintomas que podem refletir doenças diferentes. Por isso, a consulta com um médico é fundamental para que o rastreio se transforme em um diagnóstico. Por outro lado, estas checagens "autoadministradas" podem ser uma forma de cada um de nós registramos um histórico - e de ficarmos mais conscientes da nossa própria saúde. Desenhar relógios é útil para verificar a capacidade cognitiva. Pixabay Desenhar relógios Uma folha de papel, uma caneta e um desenho simples podem despertar o alarme para alterações importantes na capacidade cognitiva. Este teste, uma tarefa que faz parte de algumas baterias de avaliações conduzidas por neurologistas nos consultórios, consiste no seguinte: de preferência acompanhada, a pessoa testada deve desenhar um relógio em uma folha de papel. Primeiro o círculo, depois os números na ordem correta; e por último os ponteiros - há diversas versões para qual horário eles devem apontar, mas o neurologista Fabio Porto, do Hospital das Clínicas de São Paulo, recomenda 2h45 ou 11h10. Também há pelo mundo diferentes estudos e versões sobre como os resultados devem ser medidos mas, em geral, um relógio "anormal" deve chamar a atenção - quando aparece, por exemplo, com números repetidos ou fora de ordem; ponteiros fora de lugar; ou horário diferente do pedido. Demora, dificuldades na compreensão da instrução ou na execução podem indicar alterações na memória e cognição - principalmente com o envelhecimento, quando essas alterações se manifestam mais e podem ser sintomas de Alzheimer e demência. "É um teste que envolve as funções visuais e também as funções do lobo frontal (uma parte do cérebro), como planejamento, raciocínio lógico e abstração", explica Porto. "Inicialmente, o ideal é que o desenho seja espontâneo. Se a pessoa não conseguir, outra pode pedir que ela copie um desenho já feito. Se a função visual estiver ruim, a cópia também ficará ruim; se a parte frontal estiver mais debilitada, possivelmente a cópia não ficará ruim." Outras pequenas e fáceis tarefas que podem manifestar desvios importantes são, segundo recomenda o neurologista, falar os meses do ano de trás para frente; ou, em um minuto, pronunciar aproximadamente mais de 11 palavras com uma mesma letra inicial (exemplo: F ou P) ou parte de uma mesma categoria (como animais ou objetos de cozinha). "É importante lembrar, porém, que esses testes podem levar a resultados influenciados por outros fatores, como desatenção, ansiedade, depressão, escolaridade e não compreensão do enunciado", ressalta. Sentar com as pernas cruzadas e depois levantar-se sem cambalear é outro teste de saúde simples. Pixabay Sentar e levantar Desenvolvido por dois pesquisadores brasileiros, o Teste Sentar e Levantar (TSL) ganhou o mundo como uma ferramenta simples para avaliar a combinação de quatro componentes da saúde de uma pessoa: peso, flexibilidade, equilíbrio e potência muscular. O teste deve ser feito com roupas confortáveis, pés descalços, em superfície plana e de preferência acompanhado - ainda mais em grupos com condições especiais de saúde, como grávidas e idosos. A proposta é basicamente que a pessoa testada, em posição de quem vai se sentar (com os pés cruzados), abaixe-se e levante-se sem encostar qualquer outra parte do corpo que não as solas dos pés. Não há preocupação com a velocidade dos movimentos. Em uma pontuação total de dez, considerando as duas etapas (sentar e levantar), perde-se um ponto a cada parte do corpo encostada no chão - como uma das mãos, o antebraço, o joelho e a face lateral da perna. Um ponto é perdido também se a pessoa usar uma mão para apoiar-se sobre o joelho ou a coxa. Se cambalear, a pessoa tem subtraído ainda 0,5 ponto. Exemplo: se uma pessoa se desequilibra ao abaixar (0,5 ponto) e, na hora de levantar, desequilibrar mais uma vez (0,5 ponto) e usar uma das mãos (1 ponto) como impulso, sua pontuação é 8. A pontuação ideal está na faixa de 8 a 10 pontos, mas varia por sexo e idade. "É muito raro pessoas com mais de 65 anos conseguirem ter a pontuação total", exemplifica Claudio Gil Araújo, autor do método e pós-doutor em Medicina do Exercício. Monitorando o histórico de saúde de 2.000 pessoas por anos, os pesquisadores brasileiros perceberam que boas pontuações eram poderosas ferramentas de previsão da qualidade e expectativa de vida. Pessoas que tiveram menos de entre 6 e 7,5 pontos apresentaram probabilidade duas vezes maior de morrer nos próximos seis anos do que aqueles acima desse limiar; aqueles com 3 ou menos pontos tiveram essa chance aumentada em cinco vezes. Segundo o médico, cada componente presente no teste tem ligação com problemas de saúde: na literatura, o excesso de peso está associado a certos tipos de câncer, AVCs e infartos; já a falta de equilíbrio, flexibilidade e potência muscular podem levar a fraturas e quedas. "Não é uma relação direta, mas os fatores que estão sendo medidos no teste mostram uma predisposição a alguns problemas de saúde." A boa notícia é que aqueles com pontuações relativamente baixas podem buscar melhorar a nota - e consequentemente, a sua saúde. Por exemplo, com exercícios físicos. Assim, o teste pode ser feito e registrado sucessivas vezes, construindo um histórico. Sinal de cacifo Este teste tem até um nome na literatura médica: o sinal de cacifo, que consiste em usar o polegar ou dois dedos juntos e pressionar, por 5 a 10 segundos, a pele da perna, na região entre o joelho e o tornozelo, ou o peito do pé. Caso a marca do dedo fique na pele "afundada" depois de alguns poucos segundos, pode ser um sinal de retenção de líquido, um problema na circulação. O normal é que a pele volte ao normal quase imediatamente. A retenção de líquido pode ser resultado de situações cotidianas, como ficar muito tempo em pé; do uso de tratamentos hormonais, como anticoncepcionais; ou ainda de condições de saúde mais sérias, como insuficiência cardíaca e cirrose. Refil capilar nos dedos Os dedos podem ser usados mais uma vez para avaliar a circulação (de sangue e outros fluidos através das veias, artérias e vasos linfáticos), dessa vez usando um deles para pressionar a unha de outro dedo, deixando-a mais clara. Ao soltar, caso a cor embaixo da unha demore mais de aproximadamente 2 segundos para voltar à cor normal, pode ser sinal de alguma anormalidade. "Pessoas com doenças vasculares periféricas têm esse mecanismo um pouco mais lentificado", exemplifica o cardiologista Guilherme Renke, do Instituto Nacional de Laranjeiras (INC). Um "refil" mais lento pode indicar ainda desidratação ou choque, inclusive em crianças. "A vascularização (irrigação) dos dedos ocorre em microcapilares. Quando a gente pressiona o dedo e ele fica mais claro, estamos expulsando o sangue; então, quando soltamos, a velocidade com que esse enchimento volta indica o quanto uma pessoa é mais saudável do ponto de vista vascular", explica. Acompanhar o aumento de pintas e manchas na pele é uma tarefa indicada por dermatologistas. Pixabay Contar pintas e manchas Muitos estudos já buscaram associar um número determinado de pintas e manchas no corpo a um maior risco de melanoma, um câncer de pele agressivo. Levando em consideração um consenso de que cerca de 100 nevos (pintas ou sinais na pele de tamanho, cor e saliência variadas) pelo corpo indicam uma maior predisposição à doença, os autores de um estudo publicado em 2015 no periódico British Journal of Dermatology procuraram alguma parte do corpo que pudesse representar esse número em uma escala menor - para que pacientes não precisassem gastar muito tempo e esforço fazendo uma busca de dezenas de marcas em toda parte. Considerando um grupo de milhares de mulheres inglesas e brancas, os cientistas definiram que a presença de 11 nevos (com no mínimo 2mm de diâmetro) no braço direito é um indicativo de maior risco deste câncer - e, logo, da necessidade de mais precaução, como uso de protetor solar e consultas com especialistas. O dermatologista oncológico Aldo Toschi, do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer, afirma que este tipo de busca pelo próprio paciente ajuda na compreensão dos riscos da doença pelos leigos e pode fazer com que estes cheguem mais cedo ao especialista caso haja algum motivo de desconfiança. Mas, claro, esta tarefa caseira não deve levar nem a um relaxamento no caso daqueles que não verificam tantos nevos, nem a um desespero para os que encontram. "É fundamental considerar outros aspectos, como o histórico familiar da doença, a exposição ao sol e o tipo de pele, já que pessoas com peles, cabelos e olhos claros têm maior risco", explica. Ele diz ainda que, no consultório, é comum que especialistas avaliem também o número, concentração e características de marcas na pele em partes do corpo como as costas, os ombros e as mãos. Com a experiência, estes profissionais não precisam fazer contagens exatas, mas estão acostumados a ficar alertas com nevos assimétricos, com bordas irregulares e cores variadas em uma mesma mancha. Em seguida, essa análise no contato direto com o paciente é aprimorada com exames como a dermatoscopia e mapeamento corporal. Toschi acrescenta ainda que, hoje, os médicos tendem a ficar mais alertas com manchas com a partir de 6mm de diâmetro. Após enfrentar câncer de mama, mulheres falam sobre importância do autoexame em Varginha Reprodução EPTV Autoexames No Google Trends, que capta as principais pesquisas no buscador, o autoexame mais procurado no Brasil é de longe o de mama - um sinal do sucesso de campanhas de conscientização pela prevenção do tipo de câncer mais incidente nas mulheres no país depois do de pele não melanoma. Mas é importante lembrar que a maior parte dos nódulos e secreções que podem ser encontrados nessa busca não estão necessariamente relacionados ao câncer. Recomenda-se que o autoexame de mama seja feito mensalmente, depois da menstruação, em frente ao espelho, em pé e depois deitada - e, claro, sem roupa, pelo menos na parte de cima do corpo. Em 2018, a BBC News Brasil publicou um vídeo orientando como fazer o autoexame de mama e por que ele é importante. O site do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC) traz ainda arquivos com outros tipos de autoexames: da boca, pele, testículos e tireoide; confira aqui. Bolsa de água quente para buscar origem da dor No caso da desconfiança de que uma dor seja muscular, colocar uma bolsa de água quente na região pode confirmar a hipótese, se a dor for aliviada ou passar - pois o objeto quente tem o efeito de relaxar os músculos. Diante de uma dor no pescoço, por exemplo, o alívio com a bolsa de água pode separar o torcicolo (de origem muscular) de algo mais sério, como uma hérnia. Mas André Salgado, clínico geral, destaca que isso serve mais para dores superficiais - aquelas agudas, como decorrentes de um infarto ou uma apendicite, requerem uma intervenção mais urgente. Ele aponta ainda que outros tipos de dor não musculares também podem ser aliviados com a bolsa, como cólicas. "É um teste mais válido quando você parte do princípio que é uma dor muscular, que costuma piorar quando você mexe aquela parte do corpo, ou esta se apresenta dura e tensa", acrescenta. É possível usar fones de ouvido para realizar testes auditivos online Altieres Rohr/Especial para o G1 Testes auditivos A internet e as lojas de aplicativos para celular estão cheias de opções de testes auditivos online - gratuitos ou não. Em geral, eles duram alguns poucos minutos e devem ser feitos em locais silenciosos, já que reproduzem arquivos de áudio através do fone ou do alto-falante de computadores. Eles costumam incluir também breves questionários, com perguntas sobre idade e sexo do testado. O formato dos testes varia, mas em geral inclui a avaliação da sensibilidade para tons graves, médios e agudos, além de pedir para que o usuário detecte palavras faladas em ambientes ruidosos. Depois, uma pontuação ou nível são apresentados de acordo com o desempenho. Considerando uma escala de perdas auditivas leves, moderadas, graves e profundas, Fausto Nakandakari, otorrino no Hospital Sírio Libanês, diz que os níveis "do moderado para cima" provavelmente podem aparecer em autotestes. O médico diz que diversos pacientes já chegaram ao seu consultório relatando ter feito estes testes - e compartilha com a BBC News Brasil o comentário que costuma dividir com eles. "Estes testes têm a sua validade para, por exemplo, rastrear alguma queda na audição. Mas a perda auditiva deve ser confirmada com um exame mais detalhado, como a audiometria", explica Nakandakari. O otorrino destaca também algumas limitações dos testes, com a influência de sons externos e a qualidade do som emitido por celulares, por exemplo. "Na audiometria, o exame é feito dentro de uma sala acústica, e os equipamentos são calibrados e regulados." Veja Mais

4 coisas que queria ter sabido sobre amamentação antes de virar mãe

Glogo - Ciência Aleitamento traz benefícios para bebês e mães, mas, para muitas, a prática é muito mais complicada do que apenas levar o mamilo à boca do bebê; uma mãe compartilha sua experiência. Não acredite apenas nas imagens: amamentar não é só carinhos e beijinhos Haillyn Heiviny/Gcom-MT Fiz aulas de pré-natal, brinquei com seios de crochê, comprei sutiãs especiais - eu estava absolutamente pronta para ser a mãe que amamenta. Mas dois dias depois do nascimento do meu bebê, meu leite ainda estava saindo em gotas preciosas. Tentei massagear, comi comidas gordurosas, bebi litros de leite de vaca. Mas, no terceiro dia, com a visita de uma parteira, ela me mandou de volta ao hospital: meu bebê estava morrendo de fome. Descobri várias coisas sobre amamentação que gostaria que tivessem compartilhado comigo antes. Eu divido elas com você. Não é fácil Quando colocaram em mim uma bomba tira-leite no hospital, saiu sangue em vez de leite. "O que há de errado comigo? Meu corpo está rejeitando fisicamente a ideia da maternidade?", eu me perguntava. Acontece que meu bebezinho estava chupando tanto para tentar pegar um pouco de leite que meus mamilos racharam. Gostaria de ter sabido antes que a amamentação não acontece naturalmente. É um processo de tentativa e erro. Você pode melhorar com a prática e não faltam truques para ajudar as coisas. Mas nem sempre é fácil e pode ser muito doloroso. É solitário Uma vez que meu corpo passou a responder à nova realidade e meu bebê começou a mamar, me encontrei constantemente coberta de todos os tipos de fluidos corporais. Eu mal tinha tempo para dormir, quanto mais tomar banho ou olhar no espelho. Sair raramente parecia uma boa ideia: "O que os vizinhos pensariam? O que meus amigos pensariam?" Meus lugares favoritos tornaram-se áreas a serem evitadas porque não me sentia confortável em amamentar em público. Então lá estava eu, no meio da noite, sozinha com o bebê, me sentindo completamente isolada do resto do mundo. Eu estava à beira da depressão pós-parto, sem ninguém por perto para pedir ajuda. Eu gostaria de ter sabido que cuidar de si é tão importante – se não mais – do que cuidar do bebê. Uma mãe saudável e descansada é muito melhor que ansiosa e deprimida. A culpa não vai embora Quando meu bebê recebeu fórmula pela primeira vez, no hospital, ela dormiu pelo que pareceram horas. Lembro-me de fazer uma anotação mental para mim mesma de que, se algum dia precisasse dormir, poderia dar-lhe uma fórmula em vez de amamentar. Não demorou muito para que fosse afetada por uma enorme sensação de culpa. A fórmula deixava um resíduo branco na língua do meu bebê - cheirava a algo revoltante e não natural. Parecia que eu estava dando à minha filha comida processada e ruim em vez do delicioso e nutritivo leite materno. Toda vez que eu me liberava, a culpa me assombrava: "Eu poderia ter tentado com mais afinco. Eu realmente não precisava daquela hora extra de sono". Eu gostaria de ter sabido que a culpa não vai embora. Mas é também injustificada. Todo mundo vai desenvolver sua própria rotina e descobrir o que funciona melhor para a família - o leite materno ou não. Você não vai deixar de se sentir culpada - é a maldição de uma mãe responsável, não uma mãe ruim. Ter ajuda é importante A amamentação é uma indústria multibilionária. Para quase todo pequeno soluço, há uma solução pronta para levar seu dinheiro em troca de algum alívio. Descobri um corredor totalmente novo em meu supermercado local voltado para lactantes - com itens como aquecedores de seios (esquentados em micro-ondas) a cremes para mamilos. Mas a ajuda mais importante para mim era ir a oficinas de amamentação e obter ajuda de pessoas com mais experiência e especialização. Se eu pudesse, gostaria de ter sabido antes que não estava sozinha na luta para amamentar. Há suporte disponível e pedir ajuda quando você está precisando é a melhor coisa a fazer. A amamentação é uma escolha. Eu acho que deveria ser a opção padrão, mas falhar ou mesmo não querer amamentar não faz de você uma mãe ruim. Veja Mais

A polêmica sobre o vulcão no Havaí que pode ser chave para encontrar vida extraterrestre

Glogo - Ciência Os planos para construir um poderoso telescópio em um vulcão havaiano causaram disputas entre a população local, que acredita que a região é sagrada. A polêmica sobre o vulcão no Havaí que pode ser chave para encontrar vida extraterrestre Science Photo Library A discussão sobre um vulcão adormecido no Havaí ressurgiu nos últimos dias, colocando manifestantes pela cultura e a história do Estado americano contra a ambição de muitos cientistas e políticos. Planos para um novo e poderoso telescópio perto do cume do vulcão Mauna Kea prometem levar centenas de empregos e impulsionar a ciência e a economia. Mas alguns havaianos nativos insistem que o local é sagrado e que não se pode fazer obras ali. Na semana retrasada, alguns manifestantes bloquearam o acesso ao canteiro da obra do telescópio em Mauna Kea, a montanha mais alta do mundo, quando medida a partir de sua base submarina. Pelo menos 33 pessoas foram presas durantes os atos - depois, elas foram libertadas. O governador do Havaí emitiu uma "proclamação de emergência" que aumenta poderes da polícia para romper barricadas, mas disse que queria encontrar uma solução "pacífica e satisfatória" para os dois lados. A BBC ouviu manifestantes e cientistas que estão no centro do debate para entender porque a montanha Mauna Kea e o projeto Thirty Meter Telescope (TMT, na sigla em inglês, e Telescópio de Trinta Metros, em tradução livre) é tão importante. 'Ele pode nos levar à vida extraterrestre' O telescópio de US$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 5,3 bilhões) poderia ajudar a responder uma das maiores questões da humanidade: existe vida em outros planetas? Isso de acordo com Roy Gal, astrônomo associado da Universidade do Havaí. "Pela primeira vez seremos capazes de fazer medições das atmosferas de planetas do tamanho da Terra na zona habitável em torno de outras estrelas", disse ele. "Vamos ver se as atmosferas desses planetas têm água e moléculas que podem tornar possível a atividade biológica." "Estudo galáxias e como elas evoluem ao longo do tempo em diferentes tipos de ambientes no universo. O TMT nos permitiria ampliar esses estudos para galáxias mais distantes. Isso nos permitiria pintar uma história de vida mais completa das galáxias, desde a infância até a idade adulta." "Com os atuais telescópios, é como se estudássemos seres humanos quando eles já são são adolescentes. O TMT nos permitiria vê-los como bebês." Roy afirma que o vulcão Mauna Kea tem as condições ideais para ver o cosmos e que os telescópios que já existem no local contribuíram para as principais descobertas sobre o espaço, incluindo a observação de que a expansão do universo estava se acelerando. "Sempre que existe uma nova capacidade de telescópio, encontramos algo novo que não esperávamos descobrir", disse ele. 'É o nosso templo' O vulcão é um templo para os havaianos, oferecendo uma conexão entre "criação e criador", disse Kealoha Pisciotta, presidente do Mauna Kea Anaina Hou, um dos principais grupos que se opõem ao TMT. "Ele contém alguns dos nossos ancestrais mais amados e mais reverenciados. É um símbolo de paz", disse ela. Vários telescópios já foram construídos no Mauna Kea. E Kealoha e outros ativistas dizem não acreditar em promessas de que o TMT será o último. "Nós permitimos que a astronomia tivesse um lugar no Mauna Kea, mas eles (os cientistas) continuam a pedir mais e mais. Nós temos de dizer 'não' neste momento. Porque quando dizemos 'sim', significa dizer sim à destruição de nossas terras ameaçadas", disse. Construir em Mauna Kea seria como "destruir o interior de uma igreja, porque a paisagem do local faz parte da celebração religiosa", acrescentou Kealoha. "Todas essas estruturas feitas pelo homem estão bem no meio do nosso ambiente de crença." Ela afirma que o plano de construção do TMT é um sinal de que a economia tem mais importância do que os direitos humanos dos moradores e que, além de ser uma paisagem sagrada, a montanha tem importância ambiental por ser uma fonte de água. Kealoha pediu aos grupos por trás do TMT que avaliem transferi-lo para um local nas Ilhas Canárias. Também afirmou que os protestos continuariam até que isso acontecesse. A favor: 'A astronomia me ajuda a me conectar com minha cultura' O vulcão é um "lugar sagrado e especial que deve ser tratado com o maior respeito", disse Alexis Acohido, uma havaiana nativa que trabalha há mais de quatro anos em observatórios no Mauna Kea. "Sou a favor do projeto do telescópio por causa das oportunidades educacionais que ele pode oferecer", afirma ela. "A astronomia é uma das maneiras pelas quais me sinto mais ligada à minha cultura. Os havaianos são incríveis cientistas, engenheiros e solucionadores de problemas em geral. Para mim, é inspiradora a maneira que eles foram capazes de navegar no vasto Pacífico, observando os ventos, ondas e estrelas." "Acredito que a ciência que estamos fazendo no Mauna Kea é uma extensão desse legado, e ela me deixa orgulhoso de ser havaiana." Alexis disse que a construção do TMT não atrapalharia o culto dos moradores. Contra: 'Não é uma posição contra a ciência' "O Mauna Kea é reconhecido como o lar de várias divindades, todas associadas à água", disse Noelani Goodyear-Kaopua, professora de ciência política com foco em política havaiana. "Eles estão incorporados nas formas de precipitação que cercam a montanha." A montanha faz parte das "terras cedidas" do Havaí, que já pertenceram ao reino havaiano e agora são mantidas pelo Estado. A terra em que os telescópios são construídos é alugada para a Universidade do Havaí, onde Noelani trabalha. Ela disse que a controvérsia chegou à própria universidade, que foi questionada sobre a ética da pesquisa no projeto. Centenas de cientistas e astrônomos, incluindo muitos de instituições ligadas ao projeto, também condenaram a "criminalização" de pessoas que se opõem ao TMT. Noelani ressaltou que os protestos contra o TMT não foram "uma oposição à ciência". "É realmente uma oposição ao desenvolvimento industrial e à destruição de terras e recursos naturais, e à preciosa e frágil ecologia", disse ela. "Nós ficamos parados enquanto muitos de nossos preciosos recursos do meio ambiente foram degradados e prejudicados. Não vamos mais apoiar isso." Veja Mais

Governo anuncia 18 mil vagas com salários de até R$ 31 mil no novo Mais Médicos

Glogo - Ciência Profissionais do programa passarão por curso de dois anos e, se aprovados, contratação será regida pela CLT. MP entra em vigor na publicação, mas precisa ser aprovada pelo Congresso. O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, assinaram nesta quinta-feira (1º) a Medida Provisória que cria o programa Médicos pelo Brasil, que vai substituir o Mais Médicos. No total, o programa terá 18 mil vagas, sendo cerca de 13 mil em cidades com dificuldade de acesso a médico. O governo informou que pretende ampliar em cerca de 7 mil vagas a oferta de médicos para municípios com "maiores vazios assistenciais". Segundo a pasta, 4 mil novas vagas serão prioritárias para as regiões Norte e Nordeste. A MP, assinada em cerimônia no Palácio do Planalto, entra em vigor assim que publicada no "Diário Oficial da União". Para se tornar lei, o texto precisará ser aprovado pelo Congresso Nacional em até 120 dias. O programa Médicos pelo Brasil deve substituir o programa Mais Médicos, criado em julho de 2013 pelo governo federal para fixar profissionais em regiões mal atendidas. O programa admite médicos formados em universidades brasileiras ou com diploma do exterior e profissionais estrangeiros. De acordo com o ministro Luiz Henrique Mandetta, o Mais Médicos e o Médicos Pelo Brasil funcionarão de forma paralela, inclusive em mesmos municípios, até os finais dos contratos do primeiro programa. Nesta quarta-feira (31), o Ministério da Saúde renovou por mais três anos a participação de profissionais brasileiros e estrangeiros do Mais Médicos aprovados pelo programa em julho de 2016. Os profissionais que atuam no momento no Mais Médicos poderão trabalhar até o final de seus contratos. Para ingressar no Médicos pelo Brasil, será preciso passar pelo processo seletivo. No caso dos médicos cubanos que trabalharam no Mais Médicos, Mandetta explicou que, neste momento, só trabalharão estrangeiros que revalidaram diploma de Medicina no Brasil. "Neste texto que nós mandamos [da MP] não há nada que trate sobre revalidação de diplomas, nem para estes médicos [cubanos] e nem para os milhares de brasileiros que foram fazer medicina no Paraguai ou Bolívia", afirmou o ministro. Conforme Mandetta, o governo não encerrará o Mais Médicos para evitar um "vazio" no atendimento dos municípios beneficiados. O governo fará a seleção para o novo programa após a aprovação da MP no Congresso Nacional e a sanção da lei pelo presidente da República. O ministro acredita que até novembro será possível ter a lei sancionada e a seleção dos profissionais estruturada. Ele, contudo, não estabeleceu uma data para a primeira seleção. Mandetta estimou eu ao final de 2020 será possível ter quase todas as 18 mil vagas do Médicos Pelo Brasil ocupadas. "Vamos conviver com o programa anterior e o programa novo, porque eu não vou anular a lei anterior [do Mais Médicos] de uma vez. Eu poderia criar um vazio até se fazer todo o processo seletivo. Então, a gente vai coexistir", afirmou o ministro. O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante cerimônia de lançamento do Programa Médicos pelo Brasil Marcos Corrêa/ Presidência da República Novo programa De acordo com o ministro da Saúde, o programa Médicos pelo Brasil terá como foco o envio de profissionais para as cidades mais vulneráveis do país e a formação de médicos especialistas em Medicina de Família e Comunidade. O texto da MP diz que podem aderir voluntariamente ao programa os municípios de "pequeno tamanho populacional, baixa densidade demográfica e distância relevante de centros urbanos, com base em classificação definida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, incluídos os distritos sanitários especiais indígenas ou comunidades ribeirinhas". Ainda de acordo com o texto, também poderão se inscrever os municípios de alta vulnerabilidade, "com alta proporção de pessoas cadastradas nas equipes de saúde da família que recebam benefício financeiro do Programa Bolsa Família, benefício de prestação continuada ou qualquer benefício previdenciário até o limite de dois salários-mínimos". Segundo o governo, 3,4 mil municípios no país, serão divididos em cinco categorias no novo programa: Rurais remotos Rurais adjacentes Intermediários remotos Intermediários adjacentes Urbanos Entenda as principais mudanças Processo seletivo: antes, os profissionais se inscreviam pela internet. Agora, haverá um processo seletivo com critérios técnicos, não será apenas uma inscrição. Só podem participar médicos com registro em Conselho Regional de Medicina. Formação: os profissionais inscritos precisarão obrigatoriamente passar por uma formação de dois anos em Medicina de Família e Comunidade. Só depois disso haverá contratação. Antes, a exigência de especialidade não existia. Curso: para concluírem a especialização, os profissionais precisarão apresentar, como Trabalho de Conclusão de Curso, uma análise da saúde local no lugar onde estão atuando. A ideia do Ministério da Saúde é que sejam feitos planos de avaliação e ação em todos os locais em que esses profissionais atuarão. Contração: será feita só após a obtenção do certificado de especialista em Medicina de Família e Comunidade, e no regime CLT. Antes, era paga apenas uma bolsa, sem vínculo empregatício, e por tempo determinado. Contratações Conforme o Ministério da Saúde, o processo seletivo para contratação de médicos será eliminatório e classificatório. O processo será para duas funções diferentes: Médicos de família e comunidade: médico com registro profissional (CRM), que será alocado em unidades de saúde da família para fazer curso de especialização em medicina de família e comunidade. Tutor médico: profissionais especialistas em medicina de família e comunidade ou de clínica médica, ambos com registro profissional, que serão contratados via CLT e atenderão em unidade de saúde da família. Para ser contratado, o médico precisará ter registro no Conselho Regional de Medicina e ser aprovado em um curso de formação supervisionado, com duração de dois anos. Durante este período o profissional receberá uma bolsa-formação. Ao fim do curso, será feita uma prova para obtenção do título de especialista em Medicina de Família e Comunidade. Só quem conseguir o título é que poderá ser contratado pelo programa Médicos pelo Brasil, com vínculo empregatício pelo regime da CLT. Isso vai garantir, por exemplo, que os profissionais tenham 13º salário e tenham mais estabilidade. O Ministério da Saúde informou que nos dois primeiros anos do programa, os profissionais que fizeram curso de especialização receberão uma bolsa no valor de R$ 12 mil mensais, com gratificação de R$ 3 mil para locais considerados remotos e de R$ 6 mil para atuação com indígenas e localidades ribeirinhas e fluviais. Segundo o Ministério da Saúde, os médicos que farão o curso de especialização terão jornada semanal de 60 horas, das quais: 40 horas de atendimento direto à população 20 horas de atividades teóricas O médicos serão supervisionados por seus tutores, que atuam no programa, durante uma semana a cada dois meses. Os médicos aprovados no curso farão prova para obter título de especialista em medicina de família e comunidade, o que permitirá a contratação com carteira assinada no programa. A contratação via CLT terá quatro níveis salariais com progressão a cada três anos de participação no programa. Também haverá gratificações, assim, o primeiro nível salarial poderá chegar a R$ 21 mil e a R$ 31 mil, conforme a localidade de atuação. A contratação será feita no âmbito Agência para o Desenvolvimento da Atenção Primária à Saúde (Adaps), criada pela MP assinada nesta quinta. A entrada dos médicos no programa acontecerá por processo seletivo, coordenado pela agência. A Adaps atuará como serviço social autônomo, promovendo a execução de políticas de desenvolvimento da atenção primária à saúde, no âmbito do SUS, e incentivando o desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa e extensão, integrando ensino e serviço. Índices de saúde Com o novo programa, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, explicou que indicadores de saúde como mortalidade infantil, amputações de pé diabético e tempo médio de amamentação serão levados em consideração na distribuição de recursos para a atenção primária no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo Mandetta, o assunto está em discussão com o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. "Hoje sempre é pago, pelo modelo atual, pelo que tem, número de pessoas e equipes. A gente vai partir agora não pelo que tem, vai dar garantia para eles receberem pelo que têm, mas vai também por indicadores. Aonde você vai ter também flutuação, vai ser variável também", disse Mandetta. Veja Mais