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Glogo - Ciência Critérios de Beers relaciona medicamentos inapropriados para pacientes idosos Conforme envelhecemos, ou assistimos ao envelhecimento de parentes e amigos próximos, aprendemos a conviver com uma lista de remédios para controlar doenças crônicas e outras mazelas sorrateiras que surgem pelo caminho. No entanto, nunca conversamos com os médicos sobre outra lista, conhecida no Brasil como Critérios de Beers, que relaciona os medicamentos inapropriados ou pouco seguros para serem administrados a pacientes idosos. Criada em 1991 pela Sociedade Americana de Geriatria, a lista passa por atualizações periódicas, e a última foi divulgada no começo deste ano. Um grupo de especialistas revisou mais de 1.400 artigos e fez alterações nas orientações que estavam vigentes desde 2015. Por exemplo, atualmente deve se evitar o uso de AAS para prevenção primária de doença cardiovascular acima de 70 anos, por causa do risco de sangramento, assim como não fazer uso de opioides com benzodiazepínicos. A Lista de Beers relaciona os medicamentos inapropriados ou pouco seguros para serem administrados a pacientes idosos https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=48794651 Há os medicamentos potencialmente inapropriados; aqueles que devem ser utilizados com precaução; os que podem provocar interação medicamentosa; e os a serem evitados em determinadas condições, ou seja, é preciso ter uma visão do paciente como um todo. No X Congresso de Geriatria e Gerontologia do Rio de Janeiro, a médica Roberta Barros da Costa Parreira, mestre em epidemiologia e geriatra da Policlínica Piquet Carneiro, da Uerj, citou o caso de uma paciente de 80 anos que levou quatro receitas diferentes para a consulta com o geriatra com um pedido singelo: gostaria de tomar menos remédios. “O desafio da geriatria é justamente evitar o risco da polifarmácia e a desprescrição pode ser o caminho”, afirmou durante o evento. Quando o idoso vai a diferentes especialistas e não há comunicação entre eles, o perigo de uma interação medicamentosa aumenta. Além disso, há uma lista extensa de drogas cuja utilização está associada ao risco de quedas, uma das principais causas de perda de mobilidade e independência. Entre eles estão os benzodiazepínicos, receitados para quem tem problemas de ansiedade e insônia; antipsicóticos, para dificuldades de comportamento que ocorrem no Alzheimer e outras demências; antidepressivos; opioides; anti-hipertensivos; e medicamentos para baixar as taxas de açúcar no sangue, que podem levar a um quadro de hipoglicemia. De acordo com estudo da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, os anticolinérgicos são drogas prescritas com frequência que aumentam o risco de demência. São medicamentos da classe dos anti-histamínicos, ou antialérgicos, relaxantes musculares ou para o controle de bexiga hiperativa. Segundo a pesquisa, há um aumento de 50% para o risco de demência em pacientes acima dos 55 anos que utilizem altas doses desse tipo de medicação por mais de três anos. Veja Mais

Últimos dias

Aumento das temperaturas tem acelerado redução do oxigênio nos oceanos, alertam cientistas

Glogo - Ciência Estudo divulgado pela União Internacional para Conservação da Natureza durante a COP 25 afirma que cenário põe em risco espécies como atum e marlim-azul. Algumas espécies de tubarão e outros peixes com gasto energético elevado serão prejudicados pela menor disponibilidade de oxigênio dissolvido na água, aponta estudo Divulgação/IUCN/BBC As mudanças climáticas e a chamada "poluição por nutrientes" estão reduzindo a concentração de oxigênio nos oceanos e colocando a risco a existência de várias espécies marinhas. Essa é a conclusão de um dos maiores estudos já realizados sobre esse tema, conduzido pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) e divulgado neste sábado (7) na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP 25, que está sendo realizada em Madri, na Espanha. O que são as zonas mortas dos oceanos - e por que elas estão cada vez maiores A 'Ilha Inacessível' no meio do oceano que virou um depósito de plástico A poluição por nutrientes é conhecida há décadas e é apontada como um dos principais responsáveis pelo surgimento de "zonas mortas" nos oceanos - locais com concentrações tão baixas de oxigênio que praticamente inviabilizam a existência de vida. Ela ocorre quando substâncias contendo elementos como fósforo e nitrogênio - usados em fertilizantes agrícolas, por exemplo - são arrastados da terra pela chuva para os rios e chegam ao mar. Ali, provocam o crescimento excessivo da população de algas, fenômeno batizado de eutrofização. Quando esses organismos morrem, seu processo de decomposição consome oxigênio, diminuindo sua disponibilidade na água. Oceanos estão perdendo oxigênio devido às mudanças climáticas, alerta pesquisa A mudança climática, por sua vez, tem agravado o problema: o aumento da temperatura da água é outro fator que contribui para a redução dos níveis de oxigênio. De acordo com o estudo, cerca de 700 pontos nos oceanos vêm sofrendo com a redução da concentração de oxigênio. Na década de 1960, esse número não passava de 45. O aumento das concentrações de gás carbônico na atmosfera intensifica o efeito estufa - os gases absorvem uma parcela da radiação que deveria ser dissipada para o espaço e a mantém dentro do planeta. Os oceanos, por sua vez, absorvem parte do calor. E a concentração de oxigênio na água é sensível à temperatura: quanto mais quente, menor a concentração desse gás, que é fundamental para a manutenção de boa parte da vida marinha. Mares com menos oxigênio favorecem a proliferação de águas vivas, mas são um habitat hostil para espécie maiores e que se movimentam rápido, como o atum. Cientistas estimam que, entre 1960 e 2010, o volume de oxigênio dissolvido na água recuou em 2%. O percentual pode não parecer significativo, já que é uma média - em algumas regiões tropicais, entretanto, a queda chegou a 40%. Peixes maiores têm maior gasto energético - e, portanto, precisam de mais oxigênio para sobreviver Divulgação/IUCN/BBC "Já conhecíamos o problema da redução da concentração de oxigênio, mas não sabíamos da ligação que ele tem com a mudança climática - o que é bastante preocupante", afirma Minna Epps, coordenadora da IUCN. "E, mesmo no melhor cenário de redução de emissões (de gases de efeito estufa), o oxigênio nos oceanos vai continuar a diminuir." Além do atum, algumas espécies de tubarão e o marlim-azul entram em risco nesse cenário. Isso porque peixes maiores têm maior gasto energético - e, portanto, precisam de mais oxigênio para sobreviver. De acordo com os autores do estudo, a situação atual tem feito com que esses animais se movimentem mais próximos da superfície do que de costume - onde há mais oxigênio dissolvido na água -, o que também os deixa mais vulneráveis para a pesca. A estimativa é que, no ritmo atual de emissões, os oceanos terão perdido em média entre 3% e 4% do oxigênio por volta de 2100. A maior parte da perda esperada se concentra a até mil metros de profundidade - faixa que concentra maior biodiversidade. A tendência é que o quadro seja pior nas regiões tropicais, onde as águas são mais quentes. O atum está entre as espécies que sofrem com a redução da concentração de oxigênio nos oceanos, conforme a IUCN Divulgação/IUCN/BBC "A redução do oxigênio significa perda de habitat e de biodiversidade - e uma ladeira perigosa rumo a um oceano com mais lodo e mais águas vivas", destaca Minna Epps. "Ela também pode alterar o ciclo energético e bioquímico nos oceanos - e não sabemos exatamente o que uma mudança como essa pode provocar." "A depleção de oxigênio [termo técnico usado para descrever o processo] está ameaçando ecossistemas marinhos que já estão sob pressão com a acidificação e o aquecimento dos oceanos", acrescentou Dan Laffoley, coeditor do estudo e também membro da IUCN. "Para barrar a expansão dessas zonas com baixa concentração de oxigênio [nos mares], precisamos de uma vez por todas frear as emissões de gases de efeito estufa, assim como a poluição por nutrientes, causada pela agricultra e outras atividades." Veja Mais

3 números que revelam o assustador avanço do sarampo no mundo

Glogo - Ciência Em 2018, 140 mil pessoas morreram em decorrência da doença, que estava prestes a ser erradicada. A causa do aumento em casos de sarampo é a redução das taxas de vacinação a nível mundial. Mais de 140 mil pessoas morreram por complicações do sarampo no mundo em 2018 Os especialistas chamam o quadro de "atrocidade" e de "um fracasso coletivo": crianças continuam morrendo em decorrência do sarampo, uma doença que pode ser prevenida por meio de vacina. O mundo esteve perto de erradicar a enfermidade, mas, diante da queda nas taxas de vacinação nos últimos anos, ela voltou a aparecer. Segundo novas estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) e dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, 140 mil pessoas morreram em decorrência do sarampo em 2018, como resultado de "surtos devastadores" em todas as regiões do mundo. "O fato de um menino morrer por uma enfermidade como o sarampo, que pode ser prevenida com uma vacina, é realmente uma atrocidade e um fracasso coletivo em proteger as crianças mais vulneráveis do mundo", declarou o médico Tedros Adhanom Ghebreysus, diretor-geral da OMS. O número de pessoas acometidas pelo sarampo também cresceu no Brasil. Em 2018, o país perdeu o certificado de eliminação da doença, concedido em 2016 pela OMS, e registrou mais de 10 mil casos, com quatro mortes confirmadas. Conheça três estatísticas que mostram as dimensões gigantescas do sarampo no mundo. 1) 9.769.400 casos de sarampo em 2018 No ano passado, 142.300 mortes causadas pelo sarampo foram registradas. Ao todo, houve 9,7 milhões de casos no mundo. Em 2017, de acordo com o relatório, houve 7.585.900 casos e 124.000 mortes, o que demonstra o avanço da doença nos últimos anos. Número de casos e mortes por região (2018) 2) Apenas 70% das crianças no mundo receberam a segunda dose da vacina (é necessária uma cobertura de 95% para proteger a população) Os bebês e as crianças pequenas são os que estão em maior risco de infecção, com complicações em potencial como pneumonia e encefalite (inflamação do cérebro), além de sequelas a longo prazo, como dano cerebral permanente, cegueira e surdez. Como destaca o informe da OMS e do CDC, "evidências recém-publicadas mostram que contrair o vírus do sarampo pode ter um impacto mais extenso na saúde a longo prazo, já que depois de uma infecção o vírus danifica a memória do sistema imune durante meses ou mesmo anos". É isso que os médicos chamam de "amnésia imunológica", que deixa os sobreviventes vulneráveis a outras doenças potencialmente mortais, como o vírus influenza (causador da gripe) e diarreia severa, uma vez que a infecção compromete as defesas do paciente. Os especialistas calculam que, durante os últimos 18 anos, mais de 23 milhões de vidas foram salvas graças aos programas de imunização contra o sarampo. O problema está justamente nas taxas de vacinação em todo o mundo, que estagnaram na última década. São necessárias duas doses da vacina para que uma pessoa fique protegida. A OMS calcula que, em 2018, 86% das crianças receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo, como parte dos serviços de saúde de seus países. Entretanto, menos de 70% delas receberam a segunda dose recomendada. Segundo a OMS, é necessário que haja uma cobertura de 95% em cada país, com duas doses em todas as comunidades, para que toda a população esteja protegida da infecção. Entretanto, quando um número significativo de crianças fica sem a imunização, toda a comunidade ao redor acaba em risco de infecção — principalmente bebês pequenos, que não podem ser imunizados. As cifras do relatório mostram que os maiores surtos de sarampo dos últimos anos ocorreram em países e comunidades com programas de imunização deficientes. "Tivemos uma vacinação contra o sarampo efetiva e segura durante mais de 50 anos", afirma o médico Robert Linkins, presidente da Iniciativa contra Sarampo e Rubéola do CDC. "Esses cálculos nos mostram que toda criança, em qualquer lugar do mundo, necessita e merece essa vacina que salva vidas. É necessário mudar essa tendência e deter as mortes preveníveis, melhorando o acesso e a cobertura da vacinação contra o sarampo." 3) 5 países concentram quase 50% dos casos Ainda que os países mais pobres sejam os mais afetados por surtos de sarampo, o problema é global, como destacam especialistas. O informe da OMS e do CDC constatou que o sarampo está tendo um impacto mais grave nos países da África Subsaariana, onde muitas crianças não têm acesso à imunização. Mas, em 2018, a metade de todos os casos de sarampo no mundo ocorreram em cinco países: República Democrática do Congo, Libéria, Madagascar, Somália e Ucrânia. O problema, entretanto, também impactou gravemente países ricos. Nos Estados Unidos, o sarampo fora declarado eliminado em 2000. Mas a enfermidade ressurgiu e se transformou em um problema preocupante de saúde pública, chegando aos números mais altos de casos de sarampo em 25 anos. Quatro países da Europa — Albânia, República Tcheca, Grécia e Reino Unido — também perderam o certificado que dizia estarem livres do sarampo, depois de terem surtos da doença em 2018. Veja Mais

Missão espacial tenta descobrir por que o plasma ao redor do Sol é 300 vezes mais quente do que a superfície dele

Glogo - Ciência Entre 26 de dezembro e 2024, Missão Parker vai fazer diversas manobras de aproximação do Sol para estudar como a 'coroa solar' ao redor da estrela pode ser tão quente quanto o interior dela. Coroa solar registrada durante eclipse de 2019. Arquivo pessoal/Marcelo Domingues O Sol, a nossa estrela particular, guarda muitos segredos. Mesmo estando a uma distância de "apenas" 150 milhões de quilômetros, ainda temos muitas perguntas sem respostas. E não preciso mencionar que, sendo a fonte vital de energia que faz o ciclo de vida na Terra se manter, essa é uma situação incômoda. Com a dependência cada vez maior de tecnologias ligadas às redes de satélites, como comunicação e geoposicionamento, ou mesmo a extensa malha de distribuição de energia elétrica, entender os humores do Sol é fundamental. Vale lembrar que, nas épocas em que a atividade magnética do Sol é intensa, tempestades solares podem arruinar satélites em órbita da Terra, ou mesmo estações de geração de energia em sua superfície. Por causa disso, as agências espaciais e os institutos de pesquisa mantêm um programa contínuo de estudos do Sol. Seja na Terra, seja no espaço. Por exemplo, a Nasa, a agência espacial americana, mantém pelo menos quatro satélites monitorando o Sol o tempo todo. O intuito dessa flotilha é registrar o comportamento do Sol, como o aparecimento de novas manchas solares e o surgimento de protuberâncias, por exemplo. Com o tempo e com o registro contínuo, os modelos que descrevem o comportamento do Sol e que ajudam a prever a ocorrência de tempestades violentas vão se aprimorando e vamos aprendendo a evitar situações catastróficas. Mas, mesmo com tanto monitoramento, uma das perguntas mais antigas e intrigantes sobre o Sol permanece sem resposta. Os modelos físicos e dados indiretos permitem deduzir que o Sol é mais quente no seu núcleo. Claro, é lá que ocorre a fusão nuclear que gera sua energia. Conforme nos distanciamos do seu núcleo, ou seja, indo em direção a sua superfície, a temperatura diminui. Partindo do núcleo com uns 15 milhões de graus Celsius, chegamos à superfície do Sol (a parte que de fato enxergamos) a uma temperatura um pouco menor que 6 mil graus. A partir deste ponto, a temperatura cai abruptamente, pois, afinal, saímos do Sol e estamos no espaço sideral. Mas a história não é exatamente assim. A partir da fotosfera do Sol (o termo correto para “superfície” que eu mencionei antes) existe uma estrutura muito extensa, composta por um “vento” de plasma e chamada de coroa solar. Essa coroa se espalha por milhões de quilômetros ao redor do Sol, muitas vezes mais concentrada em alguns pontos do que em outros. Essa parte se revela sempre nos eclipses solares. Até aí, beleza, mas sabe qual é a temperatura ao longo dessa estrutura? Entre 1 e 5 milhões de graus Celsius! Pois é, o Sol tem uma parte estendida no espaço que é mais quente que seu ponto de partida: a coroa surge em um ponto da fotosfera onde a temperatura é de 6 mil graus, para se projetar no espaço e misteriosamente esquentar a mais de 1 milhão de graus. Coroa solar capturada durante eclipse de 2017 Arquivo pessoal/Marcelo Domingues Como pode? Um dos objetivos da missão Parkes, a sonda que está estudando o Sol a uma distância atual de 25 milhões de quilômetros, cerca de metade da distância Sol-Mercúrio, é justamente tentar entender como a coroa solar consegue ser tão quente quanto as regiões mais centrais do Sol. A suspeita recai nas chamadas “ondas magnéticas” geradas no interior do Sol e que se propagam pelo Sistema Solar. A origem dessas ondas ainda é motivo de debate entre os físicos solares. Sabe-se que ela deve ser gerada a partir de vibrações do campo magnético do Sol. O processo é o mesmo de quando uma corda de guitarra elétrica é tocada, fazendo o campo magnético ao seu redor vibrar. A ideia básica é que a energia que essas ondas carregam faria a cora solar se aquecer. As tais ondas magnéticas acontecem frequentemente e são registradas por instrumentos a bordo dos satélites em órbita da Terra, por exemplo. Mas, depois de percorrer 150 milhões de quilômetros, as ondas já chegam embaralhadas, por assim dizer, impedindo uma análise mais precisa. Por isso mesmo a sonda foi mandada para tão perto do Sol. A missão da Parker prevê se aproximar ainda mais do Sol nos próximos anos, executando manobras de sobrevoo em Vênus. A próxima delas está agendada para 26 de dezembro deste ano e, como consequência, a distância da sonda até o Sol deve encolher para 19 milhões de quilômetros. Depois disso, a sonda executará mais cinco manobras deste tipo, fazendo a sua distância até o Sol se reduzir a menos de 7 milhões de quilômetros na véspera do Natal de 2024! A essa distância, podemos dizer que ela estará tocando o Sol, pois estará posicionada nas partes mais externas de sua coroa. A posição privilegiada da Parker vai permitir estudar as ondas magnéticas do Sol a uma distância em que elas não se sobreponham e não interfiram umas na outras. Com esses dados, esperamos, o time que comanda a sonda vai tentar entender como o plasma solar se aquece mais de 300 vezes fora do Sol e assim responder a essa pergunta de quase 100 anos. Veja Mais

A descoberta do novo planeta que pode dar pistas sobre a morte do Sol

Glogo - Ciência Um planeta recém-descoberto mostra o que ocorreria com nosso astro daqui a 5 ou 6 bilhões de anos. Ilustração: planeta gigante está perdendo sua atmosfera para estrela anã branca ESO/M KORNMESSER Um planeta recém-descoberto forneceu pistas sobre o futuro do Sistema Solar quando o Sol chegar ao fim do seu ciclo de vida, daqui a 5 ou 6 bilhões de anos. Astrônomos observaram um planeta gigante orbitando uma anã branca - os objetos menores e densos em que as estrelas se transformam quando esgotam seu combustível nuclear. Essa é a primeira evidência direta de que planetas podem sobreviver ao processo cataclísmico que cria um objeto do tipo. Os detalhes da descoberta aparecem na revista científica Nature. Missão inédita da Nasa confirma a existência de poeira fina de asteroides e cometas ao redor do Sol O Sistema Solar como conhecemos não vai durar para sempre. Em cerca de seis bilhões de anos, o Sol, uma estrela amarela de tamanho médio, terá inchado e estará cerca de duzentas vezes maior do que hoje. Nessa fase, será o que chamamos de Gigante Vermelha. Enquanto se expande, o astro vai engolir e destruir a Terra, antes de entrar em colapso e se transformar nesse núcleo pequeno, a chamada anã branca. Os pesquisadores descobriram que uma anã branca, localizada a dois mil anos luz de distância, tinha um planeta gigante em sua órbita. As estimativas dão conta de que o planeta teria o tamanho aproximado de Netuno - mas ele pode ser maior ainda. "A anã branca que observamos tem [temperaturas de] cerca de 30 mil graus Kelvin, ou 30 mil graus Celsius. Então se compararmos com o Sol, que tem 6 mil, é quase cinco vezes mais quente. Isso significa que está produzindo muito mais radiação UV do que o Sol", disse Christopher Manser, da Universidade de Warwick, no Reino Unido. "As forças gravitacionais são muito grandes, então, se um corpo, como um asteroide, chegasse perto demais de uma anã branca, a gravidade seria tão forte que ele acabaria destruído". De olho no futuro O planeta gigante está perdendo sua atmosfera para essa relíquia estelar, gerando uma cauda semelhante à de um cometa como resultado. A anã branca está bombardeando esse mundo com fótons (partículas de luz) de alta energia e "puxando" o gás para si em um ritmo de 3 mil toneladas por segundo. "Nós usamos o Very Large Telescope, no Chile, que é um telescópio de classe 8m... para coletar a espectroscopia da anã branca. A espectroscopia mostra, em separado, as cores que compõem a luz", disse Manser à BBC News. "Ao olharmos para as diferentes cores que o sistema produz, identificamos aspectos interessantes, mostrando que havia um disco de gás em torno da anã branca - que nós deduzimos ter sido produzido por um planeta com o tamanho de Netuno ou Urano". Os cientistas querem estudar melhor o sistema e esclarecer o que poderia acontecer com o nosso Sistema Solar, quando o Sol chegar ao fim da vida. "Quando o Sol chegar à sua fase de Gigante Vermelha, ele se expandirá aproximadamente até a órbita da Terra. Mercúrio, Vênus e a própria Terra serão engolidos por ele. Mas Marte, o cinturão de asteroides, Júpiter e o restante dos planetas do Sistema Solar vão se expandir para fora de suas órbitas, conforme o Sol perde sua massa - porque terá menos atração gravitacional para esses planetas". "Por fim, o Sol vai se tornar uma anã branca e ainda terá Marte, o cinturão de asteroides e Júpiter em sua órbita. Conforme orbitam ao redor, esses planetas podem ser dispersos ou forçados para perto da anã branca". Mas a radiação emitida pelo Sol, quando chegar a tal estágio, vai ser poderosa o suficiente para evaporar as atmosferas de Júpiter, Saturno e Urano onde orbitam atualmente. Isso deixaria intacto apenas o seu núcleo rochoso. VÍDEOS: PESQUISAS SOBRE O SOL Nasa lança sonda para estudar o sol Nasa divulga imagens em alta definição de explosões do Sol Vídeo da Nasa resume três anos de imagens do Sol Veja Mais

Missão inédita da Nasa confirma a existência de poeira fina de asteroides e cometas ao redor do Sol

Glogo - Ciência Missão foi enviada para 'tocar' a estrela mais importante do nosso sistema em agosto de 2018. Primeiras descobertas foram publicadas em quatro artigos na revista 'Nature'. Ilustração mostra uma representação da Parker Solar Probe se aproximando do Sol Nasa/Johns Hopkins APL/Steve Gribben A agência espacial americana (Nasa) divulgou nesta quarta-feira (4) as primeiras descobertas de sua missão inédita enviada para "tocar" o Sol. A sonda Parker Solar Probe (PSP) encontrou uma poeira fina ao redor da estrela. Os cientistas acreditam estar mais perto de uma zona livre desses detritos, devido às altas temperaturas e radiação. As novidades descobertas pela Nasa foram publicadas na revista científica "Nature": Uma poeira fina foi encontrada ao redor do Sol. Os pesquisadores dizem que são restos de asteroides ou cometas. A presença de partículas ocorre em todo o nosso sistema, mas os cientistas acreditam que há menos poeira ao chegar mais perto do Sol, até existir uma zona livre dessas partículas. A missão conseguiu chegar na parte em que os restos de cometas e asteroides ficam mais finos, comprovação e esperança de um dia chegar ao "espaço limpo" próximo ao Sol. "A zona livre de poeira foi prevista há décadas mas nunca foi vista", disse Russ Howard, pesquisador do instrumento WISPR, que captou as imagens. "Conseguimos ver o que está acontecendo com a poeira perto do Sol". Parker Solar Probe detecta poeira fina e busca confirmar área livre ao redor do Sol Nasa Os cientistas encontraram oscilações nos ventos solares (entenda o que são eles abaixo). O fluxo liberado pelo Sol é contínuo, mas distúrbios na viagem feita pelos ventos solares fazem que o campo magnético "se dobre". O fenômeno ainda é inexplicável pelos cientistas. Parker Solar Probe observou distúrbios durante a viagem dos ventos solares Adriana Manrique Gutierrez/Centro de Voos Espaciais Goddard/Nasa A missão A Parker Solar Probe foi lançada em agosto de 2018 em uma primeira viagem da Nasa para “tocar o Sol”. A missão enfrenta milhares de graus Celsius para chegar até a estrela mais importante do nosso sistema e, até então, cumpriu três das 24 etapas planejadas para pesquisas na atmosfera do Sol. A nave da missão foi projetada para suportar condições brutais de calor e radiação, com uma blindagem que é resultado de anos de pesquisas. A PSP chegou sete vezes mais perto do Sol do que qualquer outra espaçonave; Para suportar as altas temperaturas, ela tem um escudo especial com 11,43 centímetros de espessura; O material suporta temperaturas que passam de 1,3 mil ºC – a superfície do Sol pode chegar a 5,5 mil ºC. A coroa, atmosfera externa, pode ter milhares de graus Celsius. Por isso, a missão irá chegar até um certo limite; Parker Solar Probe, missão da Nasa para o Sol Claudia Ferreira/G1 O nome da missão – Parker Solar Probe – é uma homenagem a Eugene Newman Parker, astrofísco de Michigan. Foi ele quem descobriu uma solução matemática para comprovar os ventos solares. Parker recebeu a honra de ter uma missão com seu nome ainda vivo, uma raridade na história da Nasa. Os primeiros dados sobre o Sol foram enviados há pouco mais de 1 ano. Entre 31 de outubro e 11 de novembro de 2018, a sonda completou a primeira fase de aproximação do Sol pela atmosfera externa (coroa). Em uma das imagens enviadas, é possível ver o brilho de Júpiter em meio aos ventos solares (veja imagem abaixo). A Parker Solar Probe estava a cerca de 16,9 milhões de quilômetros da superfície do Sol quando esta imagem foi tirada, em 8 de novembro. O objeto brilhante perto do centro da imagem é Júpiter, e as manchas escuras são resultado da correção de fundo. NAsa/NRL/Parker Solar Probe Ventos solares Mas o que são os ventos solares e por que é importante entender mais sobre eles? Os ventos solares são um fluxo de partículas que sai constantemente do Sol. Essas partículas, basicamente prótons e elétrons, têm uma energia cinética (velocidade) muito grande, como diz a astrofísica Adriana Valio. Animação da Nasa mostra ventos solares do nosso Sistema Nasa Ela explica que essa energia supera a energia gravitacional do Sol. Ou seja: a atração gravitacional, da massa do Sol, é menor na parte da coroa solar - topo da atmosfera da estrela - local de onde saem as partículas. É a mesma lei que nos segura no chão da Terra e não nos deixa sair flutuando pelo espaço: nosso planeta também tem sua força gravitacional, e é ela que nos prende aqui. No Sol, na parte da coroa, as partículas têm tanta energia que conseguem "escapar" dessa força em um fluxo que é eterno. Isso cria o que chamamos de ventos solares, que são constantes e banham todo o Sistema. "As partículas acabam então sendo perdidas para o meio interplanetário. E isso é o vento solar. Isso é constante.", disse Adriana. A Terra, com suas particularidades e seu campo magnético, é em maior parte protegida pelos ventos solares. Mas as auroras boreais, por exemplo, são as partículas cheias de energia dos ventos solares que conseguem escapar e entrar pelos polos do nosso planeta. Aurora Boreal ilumina o céu da região da Lapônia, em Inari, na Finlândia Lehtikuva/Irene Stachon/Reuters Veja Mais

Cannabis medicinal no Brasil: veja o que muda com as novas regras da Anvisa

Glogo - Ciência Agência reguladora aprovou regulamentação de produtos à base de cannabis nesta terça-feira. Venda será feita apenas sob prescrição médica. Folhas da planta cannabis sativa, conhecida como maconha, que dá origem ao canabidiol Unsplash A regulamentação de produtos à base de maconha no Brasil foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta terça-feira (3). Com a decisão, produtos feitos com cannabis para uso medicinal podem ser vendidos em farmácias, mediante prescrição médica, e ficam sujeitos à fiscalização da agência. O cultivo da planta em território brasileiro foi rejeitado. Entenda o que mudou com a nova regra a partir das principais dúvidas: Como era? Como ficou? Empresas brasileiras poderão produzir? O plantio também está autorizado? Quando passa a valer a decisão? Produto ou medicamento? Veja as respostas a seguir: Como era? O paciente com autorização médica para o uso de produtos à base de maconha precisava de autorização para importação. As farmácias não podiam vender os medicamentos, mesmo que produzidos pela indústria internacional. O paciente precisava preencher um formulário no site da Anvisa; Apresentar um relatório médico e uma receita médica; Importar o produto; Médicos ouvidos pelo G1 informam que o processo para o tratamento de epilepsia, por exemplo, chegava a custar R$ 1 mil por mês. Como ficou? Pacientes com recomendação e receita médica para o uso de produtos com THC e/ou CBD, substâncias presentes na planta, poderão comprar os medicamentos direto nas farmácias. O regulamento exige que as empresas fabricantes tenham: Certificado de Boas Práticas de Fabricação (emitido pela Anvisa); Autorização especial para seu funcionamento; Conhecimento da concentração dos principais canabinoides presentes na fórmula do produto; Documentação técnica da qualidade dos produtos; Condições operacionais para realizar análises de controle de qualidade dos produtos em território brasileiro. Empresas brasileiras poderão produzir? Sim. Os fabricantes que optarem por importar o substrato da cannabis para fabricação do produto deverão comprar matéria-prima estrangeira semielaborada, e não da planta ou parte dela. A proposta submete a importação de produtos à base de cannabis para as farmácias às atuais regras relacionadas ao controle de entrada e saída de qualquer outro entorpecente, psicotrópico ou precursor, independentemente de se tratar de matéria-prima ou produto acabado. Para viabilizar o monitoramento integral dos lotes de produtos e medicamentos à base de cannabis importados, foram limitados os pontos de entrada em território nacional. O plantio também está autorizado? Não. O cultivo de maconha para fins medicinais no Brasil foi rejeitado. Por 3 votos a 1, proposta foi arquivada pela agência reguladora. Com a decisão, fabricantes que desejarem entrar no mercado precisarão importar o extrato da planta. Quando passa a valer a decisão? A norma deve entrar em vigor 90 dias depois de ser publicada. Aprovada por unanimidade pelos diretores da Anvisa, a regulamentação é temporária, com validade de três anos. Nesse período, a eficácia e a segurança será testada e uma nova resolução deverá ser editada ao final do ciclo. Cannabis como remédio: quais os riscos e benefícios da planta? Produto ou medicamento? A resolução da Anvisa cria uma nova classe de produto sujeito à vigilância sanitária: "produto à base de cannabis". Ou seja, durante os três anos de validade, os produtos ainda não serão classificados como medicamentos. A medida aprovada diz que os produtos à base de cannabis ainda precisam passar por testes técnicos-científicos que assegurem sua eficácia, segurança e possíveis danos, antes de serem elevados ao patamar de medicamentos. A delimitação do intervalo de três anos para validar a norma foi sugerida pelo diretor Fernando Mendes, sob a justificativa de que ainda não há comprovação da eficácia dos tratamentos a base dos produtos. "Não há qualquer evidência de baixo risco no uso desses produtos", afirmou ele. Initial plugin text Veja Mais

Renato Porto, um dos diretores da Anvisa, renuncia ao cargo

Glogo - Ciência Membro da diretoria colegiada, ele era visto como favorável à aprovação do plantio de cannabis para uso medicinal. Ex-diretor alega 'compromissos pessoais' e nega relação entre votação polêmica e renúncia. Renato Porto em reunião da diretoria colegiada da Anvisa no dia 28 de novembro Reprodução/YouTube Anvisa Um dos diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Renato Porto, renunciou ao cargo na última sexta-feira (29). Porto é um dos cinco membros do colegiado do órgão que deve votar, nesta terça-feira (3), sobre o plantio de maconha para uso medicinal no Brasil. Ele era visto como favorável à aprovação do projeto. O mandato de Renato Porto terminaria em 12 de dezembro. Em contato com o G1 nesta segunda-feira (2), Porto afirmou que resolveu antecipar a saída por compromissos pessoais e que sua renúncia não tem relação com a votação desta semana. "Nenhum sentido. Especulação pura", disse Porto, sobre a possibilidade de relação entre a renúncia e a votação. Em sua carta de despedida, o ex-diretor da Anvisa não explica o motivo da saída, mas diz que deixar a Anvisa, sua "casa e escola desde 2005", é como sair da casa dos pais. Procurada pelo G1, a assessoria de imprensa da Anvisa confirmou a renúncia. "O diretor Renato realmente renunciou, mas trata-se de procedimento discricionário e burocrático", disse em nota. Posição de Renato Porto Renato Porto era considerado um dos nomes favoráveis à aprovação do plantio de cannabis medicinal dentro do colegiado da Anvisa. Na última reunião da diretoria colegiada, na quinta-feira (28), Porto falou que está na Anvisa mais do que pretendia. "Eu estou aqui um mês a mais do que era minha pretensão, na reunião de diretoria colegiada. O meu relatório está pronto há um mês. Os meus documentos, para minha ausência da diretoria colegiada, estão prontos há um mês", disse Porto. Em uma audiência pública sobre a maconha medicinal, no dia 31 de julho, Porto disse que a Anvisa não pode negligenciar nenhuma demanda da sociedade e deve ouvir todos os atores que interferem na saúde e no tratamento das pessoas. “Acho que o mais importante nesse processo todo é que a gente comprova para todos os atores que a Anvisa é permeável às necessidades e às demandas da sociedade brasileira”, afirmou à época. Votação da cannabis medicinal No dia 15 de outubro a diretoria colegiada da Anvisa adiou a decisão sobre a permissão do cultivo de cannabis para fins medicinais no Brasil, após pedido de vista por parte de dois diretores. Na ocasião, Antônio Barra pediu mais tempo para analisar o processo referente ao cultivo e Fernando Mendes sobre o processo referente ao registro e monitoramento de medicamentos produzidos à base da planta. Durante a reunião foram apresentadas duas minutas de Resoluções da Diretoria Colegiada (RDCs) que passaram por consultas públicas entre 21 de junho e 19 de agosto deste ano. Uma das propostas é focada nos requisitos técnicos para o cultivo industrial e controlado da Cannabis medicinal por empresas autorizadas ou por instituições de pesquisa. A outra trata do procedimento específico para o registro de medicamentos. Pés de Cannabis sativa (maconha) são utilizados para a produção de Canabidiol Carlos Brito O que propõem as duas resoluções Cultivo Uma das resoluções a serem avaliadas tem como objetivo a regulamentação dos requisitos técnicos e administrativos para o cultivo da planta com fins medicinais e científicos – desde o plantio até a fase de secagem e distribuição. A resolução prevê o cultivo somente em sistemas de ambiente fechado e por pessoas jurídicas. O cidadão comum (pessoa física) não poderia ter pés de maconha em casa. Também fica proibido a venda a distribuidoras ou a farmácias de manipulação. A venda e entrega só poderia ser realizada para instituições de pesquisa, fabricantes de insumos farmacêuticos, fabricantes de medicamentos e produtos de cannabis notificados. Para cultivar, seria preciso ter uma autorização especial da Anvisa e supervisão da Polícia Federal. Essa inspeção da agência reguladora exigiria, entre outras coisas, um rígido sistema de segurança com controle de acesso por biometria, alarmes e proteção de janelas duplas. Além disso, o local não pode ter identificação externa. Medicamentos A segunda resolução tem como objetivo definir procedimentos específicos para registro e monitoramento de medicamentos à base de cannabis, seus derivados e análogos sintéticos. Isso inclui os fitoterápicos. A regulamentação se aplica aos medicamentos nas formas de cápsula, comprimido, pó, líquido, solução ou suspensão (misturas) com administração por via oral. A resolução proíbe qualquer publicidade dos produtos de Cannabis e a prescrição dos produtos só poderia ser feita por profissionais habilitados para o tratamento da saúde. As próprias empresas deveriam pedir à Anvisa o registro para produção desses medicamentos. Atualmente, há somente um medicamento com cannabis registrado no Brasil, o Mevatyl. Cannabis como remédio: quais os riscos e benefícios da planta? Veja Mais

Sífilis, a doença evitável e de tratamento barato que mata um número crescente de bebês no Brasil

Glogo - Ciência Atendimento pré-natal inadequado, machismo e tabus são obstáculos para evitar que recém-nascidos sejam afetados pela doença; mesmo conhecida há séculos, ela infectou 26 mil bebês no país em 2018 e matou 241. Número de mortes de bebês infectados com sífilis tem se mantido em alta na última década Leonardo Rattes/Ascom Sesab Enquanto esteve grávida de cada um de seus dois filhos — um menino que tem hoje 2 anos e uma menina de 1 — a alagoana Luisa (nome fictício), 38 anos, precisou tomar um total de 21 injeções de benzetacil, antibiótico da família da penicilina. Mesmo assim, sua caçula, Tainá, nasceu com atrasos no desenvolvimento que persistem até hoje. "Notei que ela não sentava sozinha, caía para trás, tinha a função motora enfraquecida", lembra a mãe, que mora em Maceió. Ela ainda se lembra do dia em que recebeu do médico a notícia de que tinha sífilis, doença transmitida sexualmente e cercada de tabu e estigma, e que poderia afetar também o bebê que ela esperava. "Na hora eu me abalei. Chorei na sala, o médico ficou conversando comigo". Relatos como o de Luisa, marcados por culpa e sofrimento, são comuns entre as mães que têm a vida transformada pela sífilis, cuja incidência em grávidas e bebês vem aumentando no Brasil na última década, especialmente a partir de 2010. Nos adultos, a doença tem sintomas que podem evoluir de feridas genitais e manchas no corpo, febre, mal-estar e até lesões na pele, nos ossos e nos sistemas nervoso e cardiovascular, podendo também desenvolver quadros semelhantes à demência e à depressão. Em bebês, os efeitos são ainda mais catastróficos: malformações, microcefalia, comprometimento do sistema nervoso, sequelas na visão, nos músculos, coração e fígado, até aborto ou morte ao nascer, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Infecções sexualmente transmissíveis ainda são problema endêmico global, diz OMS 'Pensei que fosse doença da Idade Média': o novo avanço da sífilis no mundo - e no Brasil No ano passado, 241 bebês brasileiros com menos de um ano de idade morreram em decorrência da sífilis congênita, em que a infecção é passada pela mãe, durante a gestação. O boletim mais recente do Ministério da Saúde, divulgado em outubro, aponta que, em 2018, foram registrados 26,3 mil casos de sífilis congênita no país. Desde 2010, quando a doença passou a ser de notificação obrigatória, o aumento foi de 3,8 vezes — passando de 2,4 para 9 casos a cada mil nascidos vivos. O aumento de uma doença tão antiga e vista como superada pela ciência surpreende, já que a sífilis é considerada pelos médicos um mal de diagnóstico fácil e tratamento barato. Como é possível que uma infecção facilmente detectável, que existe há pelo menos 500 anos e cujo tratamento, inventado em 1928, é um dos mais simples e baratos da medicina, atinja um número tão grande de pessoas — e crianças — no Brasil e no mundo? "A ciência já resolveu essa doença. O tratamento é à base de penicilina, extremamente barato. Não teria por que ter crianças nascendo com sífilis congênita", afirma a enfermeira Ana Rita Paulo Cardoso, mestre em Saúde Coletiva pela Universidade de Fortaleza com uma tese que analisou casos de sífilis gestacional e congênita nos anos de 2008 a 2010, em Fortaleza. A pesquisa mostrou que a maior parte das mães teve acesso a consultas de pré-natal, mas o que falta, segundo Cardoso, é melhorar a qualidade das consultas. No caso de mulheres grávidas, é possível detectar a doença com um teste rápido de sangue. Feito o diagnóstico, é preciso tomar uma dose semanal de penicilina benzatina (benzetacil), durante três semanas. Se o tratamento for seguido no início da gravidez, as chances de infecção do bebê são mínimas. Um outro obstáculo ao tratamento adequado da sífilis parece ainda mais difícil de superar: a resistência dos homens em relação ao tema, negando-se a comparecer às consultas para receber tanto o diagnóstico quanto o tratamento adequados. Para que a doença seja erradicada com sucesso, mesmo em gestantes, precisam ser medicados tanto a mulher quanto todos os seus parceiros sexuais. Veja os males causados pela sífilis, uma doença perigosa e silenciosa Rotina pesada e falta de dinheiro Luisa descobriu a doença na gestação de seu primeiro filho, Thiago. O diagnóstico foi precoce, ainda no primeiro trimestre, e ela tomou 13 injeções de antibiótico. Ficou aliviada quando, ao nascer, os exames mostraram que o menino estava livre da doença. Na volta da licença-maternidade em seu trabalho, como auxiliar de cozinha em um hotel em Maceió (AL), Luisa foi demitida. No exame demissional, um novo susto: a notícia de que estava grávida novamente, embora acreditasse estar prevenida por usar pílulas anticoncepcionais e camisinha. E, apesar do tratamento, ela ainda tinha sífilis. "O obstetra falou que provavelmente foi a quantidade de benzetacil que eu tomei que cortou o efeito do anticoncepcional." Alguns médicos e estudos apontam que pode haver interferência de antibióticos no efeito de anticoncepcionais, embora haja discrepâncias entre a dimensão dessa interferência. O marido de Luisa, o pai da criança, nunca foi contaminado. A suspeita é de que ela tenha recebido a infecção do ex-marido, de quem estava separada há mais de um ano quando engravidou, e com quem não tem mais contato. Com um ano de idade, a filha de Luisa tem uma rotina pesada de atendimentos com fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicólogo e enfermeiro. A mãe, que cuida da menina em tempo integral, não voltou a procurar emprego. O pai trabalha como ambulante, vendendo óculos e chinelos na beira da praia de Pajuçara, em Maceió, mas o movimento anda bem fraco neste ano, apesar do calor. "Como houve vazamento de óleo em praias aqui perto, como Maragogi e Japaratinga, os turistas ficam achando que Maceió todinha está poluída." A sogra ajuda Luisa a pagar as despesas com alimentação desde que acabaram-se as parcelas do seguro-desemprego. O resto das contas começa a se acumular. Por que os casos de sífilis não param de crescer? Entre 2017 e 2018, a detecção da sífilis adquirida — ou seja, contraída por adultos em relações sexuais desprotegidas com pessoas contaminadas — aumentou 28,3% no Brasil, também segundo o Ministério da Saúde. Os sintomas podem evoluir de feridas iniciais na região do contágio e manchas no corpo, febre ou mal-estar para lesões na pele, nos ossos e nos sistemas nervoso e cardiovascular, e até mesmo desenvolvimento de quadros semelhantes à demência e à depressão. A doença está distribuída por todas as regiões do país, aponta a coordenadora de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, Angélica Miranda. Das 241 mortes de bebês por sífilis congênita, 101 foram no Sudeste, 77 no Nordeste, 27 no Norte, 21 no Sul e 15 no Centro-Oeste. Os maiores percentuais de casos de sífilis congênita em 2018 ocorreram em crianças cujas mães tinham entre 20 e 29 anos de idade (53,6%); a maior parte possuía da 5ª à 8ª série incompleta (22,2%). Em relação à cor de pele das mães, a maioria se declarou como pardas (58,4%). Além disso, 81,8% das mães de crianças com sífilis congênita fizeram pré-natal, o que indica que não é o acesso a consultas o maior problema. Para Daniela Mendes, enfermeira da área técnica de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, é possível que parte do aumento do número de casos registrados pelo Ministério da Saúde se explique pela melhora na detecção e nos pré-natais sendo realizados no país. Mas, em outra parte, esse crescimento reflete uma "lacuna na prática sexual segura". Entre 2017 e 2018, a detecção da sífilis adquirida — ou seja, contraída por adultos em relações sexuais desprotegidas com pessoas contaminadas — aumentou 28,3% no Brasil, também segundo o Ministério da Saúde. "É uma doença que existe desde a era pré-colombiana e o tratamento é muito barato. A detecção é feita com um furinho no dedo, de livre acesso (nos postos de saúde), até para adolescentes. Mas mesmo assim a gente não consegue controlar nem erradicar a doença. A conta não fecha", afirma Mendes. "Temos uma baixa adesão das pessoas ao uso de preservativos (camisinha) e a se testar regularmente para as infecções sexualmente transmissíveis." O caminho, dizem os especialistas e o Ministério da Saúde, é conscientizar a população em relação à saúde sexual: reforçar a consciência de que quem tem vida sexual ativa precisa usar camisinha, e se tratar quando alguma doença aparecer. "Na população jovem, o que se observa é que as pessoas estão parando de usar camisinha. E, no caso da sífilis, é preciso ainda mais cuidado: a relação sexual não é só penetração, e você pode contrair sífilis por sexo oral, o que não é tão fácil com o HIV", diz Ana Rita Cardoso. A resistência dos homens ao tratamento Existem, também, dois entraves significativos no tratamento: o primeiro é que se houver atrasos longos nas doses, ele se torna ineficaz. O segundo é que, se a mulher voltar a praticar sexo inseguro com um parceiro infectado, voltará a contrair a sífilis. O jeito, então, é tratar também os parceiros. Mas isso não costuma ser fácil. Muitos estudos científicos mostram que os homens são mais reticentes a tratamentos médicos em geral, e mais ainda quando se trata de uma doença ligada à sexualidade. "Existe um tabu, tanto das mulheres quanto dos profissionais de saúde no momento do pré-natal, de se falar (com as gestantes) sobre parceiros sexuais", afirma Mendes. "Às vezes, as mulheres que vão chamar seu parceiro para se tratar acabam sofrendo violência por parte deles. Mas, se eu não o trato, a chance de a mulher se reinfectar é muito alta." "A reinfecção mostra a importância em se fazer também o pré-natal do parceiro", afirma Angélica Miranda, do Ministério da Saúde. O diagnóstico de sífilis é rápido Rodrigo Nunes/MS Nas orientações para a prevenção, a responsabilidade recai mais sobre a mulher: a recomendação é que ela pense em fazer o exame para sífilis antes de engravidar, como parte das consultas de rotina. "Tem uma questão do machismo que bloqueia todo o tratamento", diz Ana Rita Cardoso. "O homem tem que participar, não é o tratamento mais fácil porque é injetável, mas não é questão de escolha". A pesquisa "Compreendendo a sífilis congênita a partir do olhar materno", das pesquisadoras Martha Helena Teixeira de Souza e Elisiane Quatrin Beck, da Universidade Franciscana de Santa Maria, entrevistou 15 mães de bebês portadores de sífilis congênita em Brasília. Nove dessas mulheres receberam as três doses da medicação preconizada pelo Ministério da Saúde. No entanto, apenas três parceiros realizaram conjuntamente o tratamento. "A reinfecção mostra a importância em se fazer também o pré-natal do parceiro", afirma Angélica Miranda, do Ministério da Saúde. Ela diz que 100 municípios brasileiros com o maior número de casos de sífilis participam, desde 2017, de um programa especial da pasta, em que as prefeituras recebem mais testes, e os esforços de pré-natal são intensificados, para aumentar a detecção precoce da sífilis. No momento, estão sendo analisados os dados para verificar se a ação teve impacto real e se levou a reduções nos números da sífilis. No Brasil em geral, Miranda afirma que os números mostram que "houve uma desaceleração, a doença continua a crescer, mas não com a mesma frequência". A taxa de casos notificados de sífilis congênita em bebês entre 2018 e 2019 (segundo casos registrados até junho deste ano), por exemplo, subiu de 7 para 7,1. "Na sífilis congênita, o desafio principal é aumentar a quantidade de diagnósticos ainda no primeiro trimestre da gestação — incluir mais mulheres no pré-natal e mais precocemente, com mais consultas. Quanto antes essa gestante for tratada, mais se evitará a transmissão da doença pela placenta", agrega Miranda. Para além do Brasil, a sífilis é uma preocupação global, aponta a OMS, que registra 6 milhões de novos casos da doença a cada ano. A incidência da sífilis congênita caiu globalmente entre 2012 e 2016, mas isso ainda representa cerca de 660 mil casos anuais da doença em crianças. "É a segunda principal causa evitável de natimortos, precedida apenas pela malária", diz boletim da organização. Por que as consultas de pré-natal falham em detectar a sífilis? Daniela Mendes, da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, afirma que alguns profissionais da saúde têm dificuldade tanto em discutir o tema com os pacientes quanto em registrar corretamente a doença nos prontuários, o que dificulta o tratamento subsequente. Em sua tese de mestrado em Fortaleza, a enfermeira Ana Rita Paulo Cardoso analisou 175 casos de grávidas que tiveram bebês com sífilis congênita. Chamou atenção da pesquisadora o fato de que, mesmo quando o diagnóstico da sífilis na gestante ocorria durante o pré-natal, é possível que a maioria dos testes tenham sido aplicados tarde demais, considerando que a maioria dos relatórios de notificação da doença foi feito durante o segundo e terceiro trimestres da gestação. "Estudos mostram a importância de prever atendimento pré-natal de qualidade com diagnóstico precoce em grávidas, e destacam que a evolução inadequada do tratamento dado à mãe têm relação com a mortalidade das crianças", diz o estudo de Cardoso. Vergonha, tabu e exames atrasados Os casos no Brasil são, provavelmente, subnotificados. Nos registros oficiais, a informação de que uma criança morreu por sífilis só é registrada quando o médico escreve no obituário, o que muitas vezes não acontece a pedido da própria família, diz a pesquisadora, que cita o exemplo do Ceará, onde realizou a pesquisa. "Para dizer 'essa criança morreu por sífilis' é preciso que o médico coloque isso no atestado de óbito. E a maioria das vezes passa batido, coloca 'causa desconhecida' para a morte. Há resistência, vergonha de falar, estão cercadas de tabu. DST é muito associada à promiscuidade", diz. O estudo explica que a sífilis pode ser transmitida ao bebê a partir da nona semana de gravidez, embora a transmissão seja mais frequente entre a 16ª e a 28ª semanas. É fundamental que a evolução do tratamento seja monitorada atentamente pelos médicos, para evitar possíveis reinfecções. Entre os principais problemas das consultas, a pesquisadora aponta testes realizados com atrasos e com resultados defasados; mulheres que abandonam o pré-natal; falta de acompanhamento para chamar de volta as mulheres que abandonam o pré-natal; dificuldades em trazer o parceiro e convencê-lo a seguir o tratamento. "Podemos concluir que as mulheres grávidas e os recém-nascidos com sífilis congênita não estão recebendo tratamento adequado. Os recém-nascidos não recebem testes de rotina para investigar a neurosífilis, como é a recomendação do Ministério da Saúde, e muitas mortes e abortos poderiam ter sido evitados com a administração adequada." A filha de Luisa já demonstra melhoras desde que começou o tratamento, conta a mãe. Já está mais firme ao sentar, mas, com um ano de idade, ainda não dá sinais de falar ou engatinhar. A menina fez exames mais precisos no dia 26 de julho para saber quais os efeitos neurológicos da sífilis congênita, mas o resultado não saiu até hoje. "Eu ainda não sei se ela tem microcefalia porque estou esperando os exames, que não estão prontos por falta de material aqui", lamenta. "Me mandam ligar de 15 em 15 dias e ficar aguardando. Quando eu ligo, dizem: daqui a 15 dias a senhora liga novamente, daí eu ligo. Desde julho". A esperança de Luisa é conseguir respostas positivas sobre os pedidos de Bolsa Família, que ela fez no mês passado, e do Benefício de Prestação Continuada, salário mínimo pago pelo governo federal para pessoas de baixa renda "com deficiência que apresentem impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial". "Tenho vontade de voltar a trabalhar, mas minha vida parou. Minha rotina é toda dedicada a ela", diz Luisa. Veja Mais

Pesquisa aponta alto risco de contaminação cruzada em 7 itens de pias de cozinhas; veja ranking

Glogo - Ciência Estudo feito em Campinas encontrou milhões de bactérias e fungos em panos de pia, panos de prato, rodinhos, ralos, lixeiras de pia e outros produtos. Micro-organismos podem causar de diarreia a infecção urinária. Pesquisa de Campinas analisa contaminação de 7 itens de pias de cozinhas; ranking Se você é daqueles que acham que só trocar o saco da lixeirinha da pia, dar uma lavada rápida no paninho de pia, na esponja e na tábua de carne são suficientes, fique atento aos riscos de contaminação cruzada na sua cozinha. Uma pesquisa feita em Campinas (SP) analisou esses e outros produtos e encontrou milhões de fungos e bactérias prejudiciais à saúde, que podem causar desde diarreia a infecção urinária. O estudo durou três meses e foi conduzido pelo curso de biomedicina do Centro Universitário UniMetrocamp Wyden. Nove cozinhas de casas escolhidas aleatoriamente receberam as pesquisadoras para coleta de amostras de sete itens que ficam na bancada da pia. Ranking da contaminação Lixeira - 1,744 milhão de bactérias e 1.180 fungos Esponja de lavar louça - 1,322 milhão de bactérias e 440 fungos Ralo - 1,302 milhão de bactérias e 801 mil fungos Pano de pia - 1,200 milhão de bactérias e 4 mil fungos Pano de prato - 975 mil bactérias Rodo de pia - 242,7 mil bactérias e 15.750 fungos Tábua de carne - 16,4 mil bactérias e 8.170 fungos Milhões de fungos e bactérias encontrados em itens que ficam sobre a pia de cozinhas domésticas. Pesquisa foi feita em Campinas. Patrícia Teixeira/G1 Alguns dos micro-organismos identificados pela pesquisa foram E.Coli, Pseudomonas aeruginosa, Staphylococcus aureus, Klebsiella pneumoniae, Enterobacter aerogenes, Candida e Rhodotorula. "Se você esquece de lavar as mãos, isso acaba passando para o alimento. Se muitas vezes você vai consumir aquele alimento cru, que é uma verdura, um legume, que não vai sofrer cozimento, essas bactérias vão ser ingeridas por você durante a alimentação, e pode causar problemas desagradáveis", afirma a orientadora da pesquisa e doutora em ciências de alimentos Rosana Siqueira. Pessoas com imunidade baixa, crianças e idosos estão mais sujeitos a problemas de saúde por conta da exposição aos micro-organismos, segundo o estudo. Lixeira de pia de cozinha e rodo podem conter bactérias e fungos, aponta estudo de Campinas. Arquivo pessoal Os sintomas de contaminação pelos agentes identificados são: diarreia febre vômitos dores abdominais intoxicação alimentar dor de garganta infecção urinária Tábua de alimentos e ralo de pia merecem atenção quando o assunto é contaminação na cozinha. Pesquisa de Campinas encontrou bactérias e fungos. Patrícia Teixeira/G1 Ideal é lixeira no chão A lixeirinha chamou a atenção pela falta de higiene. Foram analisadas as partes externa, interna e a tampa. "Às vezes a gente passa a semana, meses, sem limpar o lixinho com água sanitária ou álcool, por falta de tempo e por não saber que tem tanto micro-organismo. Às vezes fica úmido e favorece bastante o crescimento. A maioria das pessoas acaba só trocando o saquinho", afirma a graduanda Fernanda Baptista. Fernanda também explica que o ideal é que as cozinhas domiciliares tenham a lixeira no chão, com pedal, para evitar o uso das mãos. Se for na pia, precisa ser bem limpa. "O lixinho fica no local onde é feita a manipulação do alimento, então a gente pode contaminar a mão e, assim, contaminar o alimento", explica a aluna Sarah Stocco, que também realizou as coletas e análises. A terceira integrante do estudo é a graduanda Julie Aki Mashima. Análise de amostra retirada de um dos itens contaminados na cozinha durante pesquisa feita em Campinas. Patrícia Teixeira/G1 Hora certa de descartar Cada item deve ser observado para verificar o momento de fazer o descarte. O ralo precisa ser lavado com água quente e, em caso de ficar muito desgastado, precisa trocar, segundo orientação da professora Rosana. "A tábua, quando você vê a presença de ranhuras, manchas, está na hora de trocar. As bactérias podem ficar acumuladas nessas ranhuras. E você usa para carne, para legumes". "As bactérias não resistem muito à água quente", explica. Aquele paninho "limpa tudo" deve ser descartado após o uso. Rosana orienta que, se for usado, ele seja recortado em tamanhos pequenos. "A gente acaba deixando úmido, isso favorece o desenvolvimento de micro-organismos. A gente não usa só na pia, mas para limpar o fogão e outros objetos. A gente fica trocando de lugar, da pia vai para a mesa, da mesa para o fogão". O pano de prato usado para secar a louça não deve ser o mesmo que enxuga as mãos. "Ficou úmido, já troque seu pano de prato para não ter o problema de contaminação". Pano de prato, esponja e paninho de pia concentram fungos e bactérias se não forem higienizados, segundo pesquisa de Campinas. Patrícia Teixeira/G1 Tanto o rodo quanto a esponja devem ser limpos e guardados secos. Rosana também alerta para que a louça não fique muito tempo acumulada na pia, principalmente em dias de calor. A alta temperatura aumenta a proliferação de fungos e bactérias. "Esses micro-organismos estão presentes no nosso dia a dia, na água, no solo, nos alimentos que a gente traz para a nossa casa. O importante é controlar esse crescimento", ressalta a pesquisadora. Como evitar a contaminação cruzada Higienização dos objetos precisa ser regular para reduzir a proliferação de bactérias e fungos na cozinha. Lixo deve ser retirado todos os dias da lixeira, principalmente à noite, para evitar ficar muito tempo armazenado. Sempre que possível, lavar a lixeira e a tampa (com água quente ou água sanitária) e deixar secar antes de colocar o saquinho. Ferver a esponja de lavar louça, ou colocar por 1 minuto em um pote de vidro com água no micro-ondas. Lavar tábua de carne, pia e ralo com água quente. Trocar os produtos de limpeza eventualmente. O uso excessivo do mesmo produto pode gerar maior resistência dos micro-organismos, que ficam imunes com o tempo. Da esq. para dir., a graduanda Fernanda Baptista, a orientadora Rosana Siqueira e a graduanda Sarah Stocco, da UniMetrocamp, em Campinas. Patrícia Teixeira/G1 Veja mais notícias da região no G1 Campinas Veja Mais

'Espero voltar a escalar logo', diz mulher que foi ressuscitada após parada cardíaca de 6 horas

Glogo - Ciência Audrey Marsh, de 34 anos, sofreu hipotermia quando subia os Pirineus na Catalunha. Equipe médica usou, pela primeira vez, um dispositivo de ressuscitação chamado ECMO, que aquece e oxigena o sangue. Audrey Mash e seu marido Rohan Schoeman em coletiva de imprensa no hospital Vall d'Hebron, em Barcelona, em 5 de dezembro de 2019. Stringer/Reuters A mulher britânica de 34 anos que sofreu uma parada cardíaca de seis horas e foi ressuscitada por médicos de um hospital de Barcelona disse que pretende voltar a escalar já na próxima primavera europeia. "Não quero que essa situação tire esse hobby de mim", afirmou, em entrevista à rede de televisão TV3, na quinta-feira (5). "Provavelmente neste inverno não vou mais às montanhas, mas espero que na primavera eu já possa voltar a escalar novamente", declarou. Audrey Mash teve uma grave hipotermia (queda da temperatura do corpo) enquanto fazia uma trilha nos montes Pirineus da Catalunha, na Espanha. As baixas temperaturas do local, por causa de uma tempestade, fizeram com que ela se sentisse mal. Mash começou a ter dificuldades para falar e se mover, conforme informações da agência Reuters. A temperatura de seu corpo caiu para apenas 18ºC, enquanto a temperatura normal é em torno de 36ºC. Os médicos do hospital Vall d’Hebron, de Barcelona, explicaram em coletiva de imprensa que Audrey Mash sofreu a maior parada cardíaca já registrada na Espanha. Saiba como fazer a manobra de ressuscitação cardíaca Sem hipotermia, ela estaria morta "É um caso excepcional em todo o mundo", declarou o médico Eduard Argudo. "Ela parecia estar morta. Mas nós sabíamos que, num contexto de hipotermia, Audrey tinha chance de sobreviver." Embora a hipotermia quase a tenha matado, foi também isso que protegeu o corpo de Audrey da deterioração por causa do frio. "Se ela tivesse tido uma parada cardíaca tão longa assim com a temperatura normal do corpo, ela estaria morta", comentou o médico. Médicos espanhóis reanimam mulher após mais de seis horas de parada cardíaca "Incrível. É como um milagre, mas tenho que pensar que foi tudo por causa dos médicos", disse ela. "Eu realmente não sabia o que estava acontecendo nos primeiros dias em que acordei na UTI." O marido de Mash, Rohan Schoeman, pensou que a esposa já tinha morrido. "Eu tentava sentir o seu pulso, mas meus dedos também estavam dormentes. Por isso, eu não tinha certeza se eram meus dedos, mas eu não conseguia sentir sua respiração e conseguia sentir seus batimentos", disse ele. As primeiras manobras de ressuscitação realizadas pelos médicos não tiveram efeito e Mash foi levada de helicóptero para o hospital de Barcelona, que possui um dispositivo inovador chamado ECMO. Usada pela primeira vez na Espanha para ressuscitação, a máquina se conecta ao sistema cardíaco do paciente para substituir a função pulmonar e cardíaca. "Estávamos preocupados com possíveis danos neurológicos", disse o médico Argudo, que comemorou a superação de Audrey Mash. Veja Mais

Brasil tem 3 casos de danos no pulmão por cigarro eletrônico com substância da maconha, diz sociedade médica

Glogo - Ciência Sociedade de Pneumologia diz que pacientes vaporizam tetrahidrocanabinol (THC) em dispositivos comprados nos Estados Unidos. Usuário de cigarro eletrônico; doença pulmonar não identificada está ligada ao produto Christopher Pike/Reuters Três pessoas foram diagnosticadas no Brasil com danos nos pulmões associadas ao uso de cigarros eletrônicos, de acordo com alerta da Sociedade Brasileira de Pneumologia Torácica (SBPT). Na terça-feira (3), a SBPT comunicou os diagnósticos e alertou para os riscos do uso do equipamento. A venda dos dispositivos é vetada no país. A SBPT confirmou que os casos identificados no Brasil são decorrentes da vaporização de tetrahidrocanabinol (THC) e que todos os pacientes adquiriram o dispositivo nos Estados Unidos. O G1 entrou em contato com a Anvisa em busca de balanços oficiais do governo e, até a última atualização desta reportagem, não obteve resposta. Cigarro eletrônico: 7 respostas sobre mortes, legislação e maconha Entenda os perigos de cigarros eletrônico e tradicional "Foram confirmados três casos até agora", disse ao G1 Jose Miguel Chatkin, presidente da SBPC. "Mas a pedido dos médicos e dos próprios pacientes, não podemos identificá-los. O que fazemos é um alerta para que profissionais da saúde saibam identificar este problema." 'Injúria pulmonar' Os sintomas decorrentes do uso destes equipamentos costumam incluir tosse, dor torácica e dispneia, disse a SBPT em um comunicado. A instituição destacou também dores abdominais, náusea, febre, calafrios e até perda de peso. O especialista explicou que ainda não há um termo brasileiro para identificar os danos causados pelo uso de cigarros eletrônicos e que os médicos usam o conceito importado dos EUA Injuria Pulmonar Relacionada ao Uso de Cigarro eletrônico (Evali, da sigla em inglês). "Falamos em, injúria ou agressão, porque há uma substância ainda indefinida que essa substancia que agride algumas partes do aparelho respiratório, perincipalmente o interstício, que é um tecido pulmonar que conecta vasos e brônquios, é ele que está sofrendo com essa agressão", definiu Chatkin. No Brasil, o tratamento indicado prevê a suspensão imediata do uso do cigarro eletrônico, uso de corticoides e até mesmo a internação para acompanhamento em casos de pacientes dispneicos ou com a respiração prejudicada. Hospitais devem notificar Anvisa Em outubro deste ano a Anvisa pediu que instituições de saúde do Brasil enviassem alertas sobre relatos de problemas relacionados ao uso de cigarros eletrônicos. Ao todo, 252 instituições de saúde do país farão parte da "Rede Sentinela", que contribuirão para a criação de um diagnóstico nacional. Para a agência, esta ação deve reduzir os riscos de que aconteça no país o mesmo que nos Estados Unidos, onde pelo menos onze pessoas morreram por causa de doenças pulmonares severas relacionados a esse hábito. Veja abaixo, em vídeo, como esta rede vai operar: Anvisa decide enviar alertas sobre efeitos causados pelo cigarro eletrônico Em nota, a Anvisa disse naquela ocasião que ação tem como objetivo reunir informações para antecipar e prevenir uma crise de saúde como a que tem sido noticiada nos Estados Unidos, onde há casos de uma doença respiratória grave, levando a óbitos, associada ao uso desses dispositivos. A SBPT reforçou que todos os casos que chegarem à instituição e forem confirmados serão encaminhados para a agência sanitária brasileira, e Chatkin destacou a dificuldade que os profissionais da saúde têm em identificar possíveis casos de danos nos pulmões. "Muitos passam despercebidos, por canta de ter sintomas muito parecidos com uma gripe. Apenas aqueles pacientes que evoluíram mal e acabam indo para o hospital é que recebem uma melhor avaliação e podem ter essa situação confirmada", disse o pneumologista. Mortes registradas nos EUA Autoridades de saúde pública dos EUA confirmaram até o final de novembro ao menos 47 mortes e 2.290 casos de hospitalizações no país. Várias das doenças registradas podem ter relação com produtos contendo acetato de vitamina E, um óleo que pode ser perigoso se inalado. Entre esses componentes, estão derivados da cannabis. "Nos EUA, se aponta que essa agressão possa estar relacionada ao uso de maconha, que tem que seer misturada com a vitamina E. Há registros de que essa substância foi encontrada dentro de células de defesa do corpo, indicando que há uma relação entre os casos com a vaporização", disse o presidente da SBPT. A Food and Drug Administration (FDA), a "Anvisa" norte-americana, ainda não determinou a regulação do produto e jogou essa resolução para 2022, algo que gerou muitas críticas internas. Cigarro eletrônico surgiu como promessa de auxílio para quem deseja parar de fumar Isabella Mendes/Pexels Mais de 9 milhões de pessoas fumam os e-cigarettes nos Estados Unidos, de acordo com o Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Embora o produto seja proibido no país desde 2009, sem nunca ter sido registrado por aqui, seu uso já é observado em várias cidades brasileiras. Em um parecer de 2017, a Anvisa informou que o cigarro eletrônico transmite uma falsa sensação de segurança ao fumante. A Anvisa justifica essa decisão com "a falta de comprovação científica sobre a eficácia e segurança do produto", especialmente quando apresentado como instrumento para parar de fumar. Também está vetada a publicidade e a importação do produto. Cigarro comum x cigarro eletrônico: compare o funcionamento de cada um Roberta Jaworski/G1 VÍDEOS SOBRE O CIGARRO ELETRÔNICO Veja vídeos do Bem Estar sobre o tema: Cigarro eletrônico é tão ruim quanto o tradicional Teste mostra que índice de nicotina em cigarro eletrônico é o mesmo do cigarro comum Doutora Ana Responde: Cigarro eletrônico ajuda a parar de fumar? Initial plugin text Veja Mais

Drogas que agem sobre inflamação no cérebro podem reverter demência

Glogo - Ciência Com o envelhecimento, estrutura que protege o sistema nervoso central, bloqueando substâncias tóxicas, perde eficiência O declínio cognitivo que ameaça o envelhecimento poderá ser detido, ou pelo menos retardado, através de drogas que eliminariam processos inflamatórios no cérebro. A incrível novidade foi publicada ontem na revista médica “Science Translational Medicine”, criada pela Associação Americana para o Avanço da Ciência. Trata-se de um trabalho conjunto dos pesquisadores Daniela Kaufer, da Universidade de Berkeley, Califórnia, e Alon Friedman, das universidades Ben-Gurion do Negev (Israel) e Dalhousie (Canadá). Embora ainda restrito a experiências feitas com camundongos, tem grande potencial de aplicação em humanos. A pesquisadora Daniela Kaufer, da Universidade de Berkeley Divulgação: Berkeley University Os cérebros de ratinhos senis que receberam a droga passaram a se assemelhar aos de cobaias mais jovens o que, segundo a cientista, é promissor. “Nossa tendência é pensar o cérebro mais velho da mesma forma como encaramos a degeneração neurológica: como se a idade avançada envolvesse a perda de funções e a morte das células. No entanto, essa descoberta nos conta uma nova história sobre por que o cérebro não está funcionando bem: é por causa de uma carga inflamatória que pode ser combatida”, afirmou a doutora Kaufer. Para entender o alcance do achado desses cientistas, uma breve explicação: a “blood-brain barrier”, ou barreira hematoencefálica, é uma estrutura que protege o sistema nervoso central, bloqueando o acesso de substâncias tóxicas. No entanto, com a idade, esse “escudo” natural vai perdendo eficiência e toxinas e patógenos acabam chegando ao cérebro, desenvolvendo um quadro inflamatório que pode estar associado aos sintomas de demência. Depois dos 70 anos, quase 60% dos adultos começam a apresentar falhas nessa barreira – foi o que mostraram os exames de ressonância magnética realizados por Friedman. Aí entra em cena o também cientista Barry Hart, que sintetizou uma molécula, chamada IPW, que bloqueia os receptores que dão início à inflamação. Além de aliviar os sintomas, a droga consegue reparar a barreira danificada. “Quando eliminamos esse ‘nevoeiro’ da inflamação, em questão de dias o cérebro senil rejuvenesceu. É um achado que nos deixa muito otimistas porque mostra a plasticidade do cérebro e sua capacidade de recuperação”, completou a doutora Kaufer. Veja Mais

O que são os fractais, padrões matemáticos infinitos apelidados de 'impressão digital de Deus'

Glogo - Ciência Os fractais são ferramentas importantes em diversas áreas — desde estudos sobre as mudanças climáticas e a trajetória de meteoritos até pesquisas sobre o câncer. Computação gráfica mostra uma imagem fractal tridimensional 'espiral', derivada do conjunto de Julia, inventado e estudado durante a Primeira Guerra Mundial pelos matemáticos franceses Gaston Julia e Pierre Fatou Science Photo Library/BBC O que as galáxias, as nuvens, o sistema nervoso, as montanhas e o litoral têm em comum? Todos contêm padrões intermináveis conhecidos como fractais. Os fractais são ferramentas importantes em diversas áreas — desde estudos sobre as mudanças climáticas e a trajetória de meteoritos até pesquisas sobre o câncer (ajudando a identificar o crescimento de células mutantes) e a criação de filmes de animação. O que é a matemática? Um modelo da realidade ou a própria realidade? Por que você deve parar de acreditar que 'não nasceu pra matemática' Estes são apenas alguns exemplos e há quem acredite que, devido à sua natureza altamente complexa e misteriosa, ainda não foi descoberto todo seu potencial. Infelizmente, não existe uma definição simples e precisa dos fractais. Como tantas outras questões na ciência e na matemática moderna, discussões sobre a "geometria fractal" podem gerar confusão para quem não está imerso nesse universo. O que é uma pena, porque há um poder e uma beleza profunda no conceito dos fractais. O pai da geometria fractal O termo foi cunhado por um cientista pouco convencional chamado Benoit Mandelbrot, um matemático polonês nacionalizado francês e, depois, americano. Mandelbrot não cursou os dois primeiros anos de escola e, como judeu na Europa devastada pela guerra, sua educação sofreu interrupções graves. Em grande parte, ele foi autodidata ou ensinado por familiares. Nunca aprendeu formalmente o alfabeto, tampouco foi além da tabuada de multiplicação por 5. Mas tinha um dom para enxergar os padrões ocultos da natureza. Benoit Mandelbrot tinha um dom com o qual revolucionou nossa compreensão do mundo Getty Images/BBC Era capaz de ver regras onde todo mundo vê anarquia. Era capaz de ver forma e estrutura onde todo mundo vê apenas uma bagunça disforme. E, acima de tudo, era capaz de ver que um novo e estranho tipo de matemática sustentava toda a natureza. Celebrando o caos Mandelbrot passou a vida inteira procurando uma base matemática simples para as formas irregulares do mundo real. Parecia cruel para ele que os matemáticos tivessem passado séculos contemplando formas idealizadas, como linhas retas ou círculos perfeitos. "As nuvens não são esferas, as montanhas não são cones, os litorais não são círculos e as cascas das árvores não são lisas, tampouco os raios se deslocam em linha reta", escreveu Mandelbrot. A forma das nuvens é complicada e irregular: o tipo de forma que os matemáticos costumavam evitar, privilegiando as regulares, como as esferas, que eles eram capazes de domar com equações Getty Images/BBC O caos e a irregularidade do mundo — que chamava de "aspereza" — era algo a ser celebrado. Para ele, seria uma pena se as nuvens fossem realmente esferas e as montanhas, cones. No entanto, ele não tinha uma maneira adequada ou sistemática de descrever as formas ásperas e imperfeitas que dominam o mundo real. Ele se perguntou, então, se haveria algo único que poderia definir todas as formas variadas da natureza. Será que as superfícies esponjosas das nuvens, os galhos das árvores e os rios compartilhavam alguma característica matemática comum? Pois parece que sim. Autossimilaridade Imagine nuvens, montanhas, brócolis e samambaias... suas formas têm algo em comum, algo intuitivo, acessível e estético. Se você observar com atenção, vai descobrir que a complexidade deles ainda está presente em uma escala menor. Subjacente a quase todas as formas no mundo natural, existe um princípio matemático conhecido como autossimilaridade, que descreve qualquer coisa em que a mesma forma se repete sucessivamente em escalas cada vez menores. Um bom exemplo disso são os galhos de árvores. À esquerda, a silhueta de uma árvore. À direita, as figuras de Lichtenberg, que nada mais são que descargas elétricas ramificadas... Curiosamente são parecidas, não? Science Photo Library/BBC Eles se bifurcam várias vezes, repetindo esse simples processo sucessivamente em escalas cada vez menores. O mesmo princípio de ramificação se aplica à estrutura dos nossos pulmões e à maneira como os vasos sanguíneos são distribuídos pelo nosso corpo. E a natureza pode repetir todos os tipos de formas dessa maneira. Veja este brócolis romanesco. Sua estrutura geral é composta por uma série de cones repetidos em escalas cada vez menores. A estrutura geral do brócolis romanesco é composta por uma série de cones repetidos Getty Images/BBC Mandelbrot percebeu que a autossimilaridade era a base de um tipo completamente novo de geometria, a que deu o nome de fractal, mas que também costuma ser chamada de "a impressão digital de Deus". O fim é o começo O que aconteceria se essa propriedade da natureza pudesse ser representada na matemática? O que aconteceria se você pudesse capturar sua essência para fazer um desenho? Como seria esse desenho? A resposta viria do próprio Mandelbrot, que aceitou um emprego na IBM no final da década de 1950 para obter acesso ao incrível poder de processamento da companhia e deixar fluir sua obsessão pela matemática da natureza. Munido de um supercomputador de última geração, ele começou a estudar uma equação muito curiosa e estranhamente simples que poderia ser usada para desenhar uma forma bastante incomum. A ilustração a seguir é uma das imagens matemáticas mais notáveis ​​já descobertas. É o Conjunto Mandelbrot. Este é o fractal mais famoso gerado por computador: uma paisagem turbulenta, emplumada e aparentemente orgânica que lembra o mundo natural, mas é completamente virtual Science Photo Library/BBC Quanto mais de perto você examinar esta imagem, mais detalhes verá. Cada forma dentro do conjunto contém um número de formas menores, que contêm um número de outras formas ainda menores... e, assim por diante, sem fim. Uma das coisas mais surpreendentes sobre o conjunto de Mandelbrot é que, em teoria, ele continuaria criando infinitamente novos padrões a partir da estrutura original, o que demonstra que algo poderia ser ampliado para sempre. No entanto, toda essa complexidade vem de uma equação incrivelmente simples. E isso nos obriga a repensar a relação entre simplicidade e complexidade. Há algo em nossas mentes que diz que a complexidade não surge da simplicidade, que deve surgir de algo complicado. Mas o que a matemática nos diz em toda essa área é que regras muito simples dão origem naturalmente a objetos muito complexos. Essa é a grande revelação. É um conceito surpreendente. E isso parece se aplicar ao nosso mundo como um todo. Algo para ter em mente Pense nas revoadas de pássaros. Cada pássaro obedece a regras muito simples. Mas o grupo como um todo faz coisas incrivelmente complicadas, como evitar obstáculos e viajar pelo planeta sem um líder específico ou um plano consciente. É impossível prever como a revoada vai se comportar. Ela nunca repete exatamente o que faz, mesmo em circunstâncias aparentemente idênticas. Os padrões das revoadas de pássaros são semelhantes, mas não idênticos Getty Images/BBC Cada vez que partem em revoada, os padrões são ligeiramente diferentes: semelhantes, mas nunca idênticos. O mesmo vale para as árvores. Sabemos que elas vão produzir um certo tipo de padrão, mas isso não significa que somos capazes de prever as formas exatas, pois algumas variações naturais, causadas pelas diferentes estações do ano, pelo vento ou por um acidente ocasional, as tornam únicas. Isso quer dizer que a matemática fractal não pode ser usada para prever grandes eventos em sistemas caóticos, mas pode nos dizer que tais eventos acontecerão. A matemática fractal, juntamente com o campo relacionado da teoria do caos, revelou a beleza oculta do mundo e inspirou cientistas de muitas áreas, incluindo cosmologia, medicina, engenharia e genética, além de artistas e músicos. Mostrou que o universo é fractal e intrinsecamente imprevisível. Veja Mais

Ministério da Saúde anuncia R$ 70 milhões em projetos para pessoas com deficiência

Glogo - Ciência Luiz Henrique Mandetta apresentou nesta terça-feira (3) um conjunto de medidas nas áreas de ortopedia e saúde bucal. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, anunciou nesta terça-feira (3) um conjunto de medidas voltadas a pessoas com deficiência. Em evento que comemora o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, o ministério afirmou que pretende repassar R$ 70,1 milhões por ano para custear serviços nas áreas de ortopedia e saúde bucal por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Com as medidas, o governo federal promete atender 100% dos pedidos de serviços ortopédicos e odontológicos desse público que estavam pendentes desde 2018. Em evento realizado em Brasília, com a presença da primeira-dama, Michele Bolsonaro, o ministério disse que serão instituídos 66 novos serviços de odontologia e ortopedia com atendimento especializado para pessoas com deficiência no SUS. O ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, em evento sobre pessoas com deficiência, em Brasília (DF) Aline Ramos/G1 DF Além disso, entre as medidas estão, segundo o ministério: 20 Centros Especializados em Reabilitação (CER), que receberão R$ 41 milhões por ano; 8 centros especializados para pacientes com doenças raras, com R$ 17,6 milhões por ano; 7 oficinas ortopédicas, que receberão R$ 4,5 milhões ao ano; 31 centros odontológicos, com R$ 2,2 milhões ao ano. A pasta também afirma que irá qualificar os profissionais da saúde com materiais e treinamento. De acordo com o governo, mais de 1 milhão de pessoas serão beneficiadas. Veja Mais

O menino 'com 2% do cérebro' que desafia prognósticos com terapia inovadora

Glogo - Ciência O menino inglês Noah Wall, de sete anos, nasceu com espinha bífida e uma grave hidrocefalia. Agora, já consegue mexer o pé. Noah Wall nasceu com 2% do cérebro, mas depois cresceu para 80% BBC O menino inglês Noah Wall, de sete anos, nasceu com com espinha bífida e só uma pequena parte de seu cérebro por causa de uma grave hidrocefalia. (Assista ao vídeo) Quando nasceu, os médicos disseram que ele viveria apenas alguns dias. Agora, ele fez uma pioneira fisioterapia neurológica na Austrália, com a esperança de que algum dia ele volte a caminhar. Ele já conseguiu mexer o pé. Todos os anos, ele distribui presentes em um hospital na Inglaterra. Nos próximos anos, ele espera fazer isso caminhando. De presente de Natal, ele diz querer uma caixa de ferramentas. E o que ele quer construir? "Uma prateleira", ri. Veja Mais

A misteriosa epidemia de HIV que atingiu centenas de crianças no Paquistão

Glogo - Ciência O episódio trouxe à tona uma das maiores epidemias de HIV no país e uma das maiores envolvendo crianças na Ásia. Província no Paquistão testemunhou uma das maiores epidemias de HIV entre crianças na Ásia BBC Há uma pequena cidade no Paquistão onde quase 900 crianças são HIV positivas. Tudo começou em abril deste ano, quando um médico local suspeitou dos sintomas de garotos que foram levados até a sua clínica. Ele recomendou que elas passassem por testes de HIV. Em apenas oito dias, mais de mil pessoas foram diagnosticadas como soropositivas. O episódio trouxe à tona uma das maiores epidemias de HIV no país e uma das maiores envolvendo crianças na Ásia. No olho do furacão O mais estranho era que a maioria das crianças afetadas tinha menos de 12 anos, sem histórico familiar da doença. A BBC foi a Ratodero, epicentro do surto. Em um pequeno centro de saúde, o doutor Muzaffar Ghangro examina uma criança de sete anos, sentada quieta no colo do pai. Fora da sala, cerca de uma dúzia de pacientes aguardam sua vez; alguns têm apenas algumas semanas de idade. Ghangro era o principal pediatra da região, e a opção mais barata. Mas tudo mudou depois que ele foi preso. Ele veio falar comigo do lado de fora, mancando um pouco na perna protética. Ghangro foi acusado de reutilizar seringas e infectar crianças com HIV de propósito e acabou preso sob acusação de homicídio culposo. Ao conversar com a reportagem, parecia relaxado e até sorria, mas no momento em que começou a falar sobre o surto, o rosto ficou tenso e sua voz, mais alta. Ele nega as acusações contra si. "Não fiz nada errado", afirma. "As autoridades de saúde estavam sob pressão, e precisavam de um bode expiatório para acobertar a incompetência deles." Algumas semanas depois, uma investigação conjunta do governo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) mudou a acusação contra o médico para negligência criminosa. "Eu exerço medicina há dez anos. Nenhuma pessoa jamais reclamou que eu estava reutilizando seringas. Minha prática é popular", disse ele. O médico, que também é soropositivo, foi solto sob fiança. 'As pessoas odeiam nossos filhos' Epidemia começou em abril, quando um médico local desconfiou de sintomas de crianças que atendeu BBC A alguns quilômetros da clínica de Ghangro, na vila de Subhana Khan, 32 crianças foram diagnosticadas como soropositivas. Nenhum dos membros de suas família tem histórico da doença. A reportagem da BBC conversa com algumas mãe, que parecem perturbadas. Seus filhos estão desnutridos e com baixo peso, e choram constantemente. "Pedi que pesassem meu filho e lhe dessem vitaminas", diz uma mãe, chateada. "Só que eles me disseram que só podiam receitar remédios e que eu teria que comprá-los por conta própria. Mas eles custam centenas de rúpias e não posso pagar por isso." O governo está fornecendo medicamentos gratuitos para tratamento, mas a maioria dos pais não pode comprar os remédios que tratam outras infecções que frequentemente se manifestam como consequência do HIV. A vergonha e o trauma, porém, são o que mais atormentam os pais em Ratodero. "As pessoas odeiam nossos filhos", um deles me diz. "Eles até nos discriminam; nos pedem para não apertar as mãos e não visitarmos suas casas, porque temem que também fiquem doentes. O que podemos fazer?" Ela diz que as crianças da aldeia não querem brincar com as crianças afetadas pelo HIV, e que as escolas estão, de certa maneira, sugerindo que elas deixem de frequentar os locais. Pânico generalizado Médico Muzaffar Ghangro é acusado de negligência criminosa; ele nega as acusações e se diz um bode expiatório BBC Fátima Mir foi a primeira médica a chegar ao local após o surto. "Houve pânico generalizado. Os diagnósticos de HIV estavam sendo comparados com a morte, eles sentiram que essas crianças morreriam nos próximos dias", lembra ela. O Paquistão é um dos 11 países onde o HIV é mais prevalente, de acordo com um relatório da ONU divulgado em julho de 2019. E menos da metade das pessoas que vivem com HIV sabem que tem a doença. Os casos quase dobraram desde 2010, para 160 mil, segundo a ONU. Depois das Filipinas, este é o país asiático onde a epidemia está avançando mais rapidamente, diz Maria Elena Borromeo, diretora nacional da ONU para a Aids. Sinais de alerta O HIV estava relegado pelas autoridades, mas o atual surto foi um alerta para o governo, admite o ministro da Saúde do Paquistão, Azra Pechuho. Ele estima que cerca de 600 mil médicos sem qualificação operem ilegalmente no país. "Falta ética à prática em muitos hospitais do Paquistão. Os médicos geralmente não pensam no bem-estar de seus pacientes. Eles dão injeções mesmo quando não são necessárias, como uma solução rápida. E quanto mais injeções você der, maior será risco de propagação de infecções." Em agosto, o assistente especial de saúde do primeiro-ministro, Zafar Mirza, afirmou no Twitter que o Paquistão tem a maior taxa de injeções per capita do mundo e que 95% delas são desnecessárias. "É o fator mais alto associado à propagação de infecções transmitidas pelo sangue no país, como a hepatite C e o HIV/Aids. Vamos tratar efetivamente a questão", escreveu. Ao jornal The New York Times, o médico Baseer Khan Achakzai, que comanda um programa estatal de controle de Aids, afirmou que cenários como o de Ratodero não são incomuns no restante do país, por conta da difusão de clínicas ilegais e do reuso de seringas (que são reembaladas e revendidas como se fossem novas). Conscientização O governo, com a ajuda de ONGs, tem adotado programas para aumentar a conscientização entre as pessoas em risco de HIV. Mas o sexo fora do casamento e a homossexualidade são ilegais no Paquistão, portanto essas ONGs têm dificuldade para chegar a uma grande parte da população. Grupos de alto risco se sentem vulneráveis devido ao estigma associado à doença e têm medo de buscar tratamento por medo de serem "encontradas". Mir, porém, espera que as jovens vítimas de Ratodero ajudem a se livrar do estigma. "Ficar quieto sobre as coisas não faz com que elas vão embora. Elas voltam maiores e mais fortes", diz ela. "É importante que resolvamos esse surto de maneira adequada e tomemos medidas agora. Caso contrário, o próximo surto será ainda maior e provavelmente incontrolável." Veja Mais

Bayer consegue adiar 2 processos ligados ao glifosato nos EUA

Glogo - Ciência Companhia enfrenta 42.700 ações naquele país que relacionam o pesticida a câncer. É o agrotóxico mais vendido no mundo. A alemã Bayer chegou a um acordo com reclamantes para adiar seus próximos dois processos nos Estados Unidos relacionados a alegações de que pesticidas baseados em glifosato tenham efeito causador de câncer. Isso garante à companhia mais tempo para negociar possíveis acordos. Glifosato é o agrotóxico mais vendido do mundo Em São Francisco, Justiça associou glifosato a câncer Há 11 anos, Anvisa está reavaliando o produto Espera-se que a empresa, que enfrenta 42.700 processos nos EUA, eventualmente pague para deixar os litígios. Analistas estimam um futuro acordo em torno de US$ 8 bilhões a US$ 12 bilhões. A Bayer acertou com um dos reclamantes um adiamento de cerca de seis meses em um caso no Tribunal Superior da Califórnia do condado de Lake, que estava marcado para 15 de janeiro, disse um porta-voz da empresa. Um segundo caso, que teria início em 21 de janeiro, também na Califórnia, foi adiado para uma data ainda a ser determinada. A Bayer afirmou que os adiamentos geram mais tempo para que a empresa e os representantes dos reclamantes "se engajem construtivamente no processo de mediação". Outros processos com início marcado para este ano já haviam sido postergados. Initial plugin text Veja Mais

Estudo liga tintura e alongamento para cabelos com incidência de câncer de mama em comunidade negra dos EUA

Glogo - Ciência Procedimentos estéticos feitos em salões de beleza fazem uso de produtos cancerígenos e aumentam a probabilidade de que as mulheres desenvolvam a doença; mulheres negras tendem a usar produtos para alongamento capilar e estão mais vulneráveis aos riscos. Tingir e alisar os cabelos com frequência pode ser perigoso. É o que sugere um estudo publicado na terça-feira (3) pela revista "International Journal of Cancer", que investigou a relação destes procedimentos com o aumento de casos de câncer de mama nos EUA; cientistas disseram que mulheres afro-americanas estão em grupo de risco. "Observamos um risco aumentado de câncer de mama associado ao uso de químicos para alisamento e tintura, especialmente entre mulheres negras. Estes resultados sugerem que o uso destes produtos podem ter um papel importante no desenvolvimento da doença", disseram os pesquisadores em um comunicado. O estudo avaliou a relação entre o risco da doença com o uso de produtos colorantes e responsáveis por fazer alisamentos ou permanentes nos cabelos em mais de 50 mil mulheres norte-americanas com idades entre 35 e 74 anos. Alisamento químico pode estar relacionado ao aumento de casos de câncer nos EUA Pixabay Frequência no uso Mais da metade das participantes da pesquisa disse ter passado por algum destes procedimentos estéticos no último ano. Entre as mulheres negras, a concentração é maior: ao menos três quartos disseram ter alisado os cabelos com química no mesmo período. Durante o período da pesquisa, que durou 6 anos, 2.794 participantes foram diagnosticadas com câncer de mama e destas, ao menos 55% disseram aos pesquisadores que usavam produtos para estética capilar com frequência. A frequência com que os procedimentos eram feitos foi apontado como chave pelos cientistas: mulheres que tingiram o cabelo uma vez a cada um ou dois meses apresentaram um risco de 60% de ter câncer de mama. 18% dos casos investigados foram relacionados com o uso de produtos para alisamento, que segundo o estudo, são mais usados por mulheres negras, ao menos 74% delas disseram usar o produto enquanto apenas 3% das mulheres brancas reconheceram alisar os cabelos com química. Tipo mais comum O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo, dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostraram que no ano passado, foram quase 60 mil novos casos. Ele é relativamente raro antes dos 35 anos. Acima desta idade, sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. A prevenção do câncer de mama não é totalmente possível em função da multiplicidade de fatores relacionados ao surgimento da doença e ao fato de vários deles não serem modificáveis. De modo geral, a prevenção baseia-se no controle dos fatores de risco e no estímulo aos fatores protetores. Alimentação, controle do peso e atividade física podem reduzir em até 28% o risco de a mulher desenvolver o câncer de mama. Diagnóstico O diagnóstico precoce é fundamental. Isso porque o câncer de mama metastático pode ocorrer em decorrência da evolução de um câncer de mama detectado e tratado em estágio anterior ou em função do diagnóstico tardio da doença. A realização anual da mamografia para mulheres a partir de 40 anos é importante para que o câncer seja diagnosticado precocemente. Médicos indicam que as mulheres façam exames de toque para evitar o câncer de mama Unsplash O autoexame é muito importante para que a mulher conheça bem o seu corpo e perceba com facilidade qualquer alteração nas mamas e assim procure rapidamente um médico. Vale lembrar que o autoexame não substitui exames como mamografia, ultrassom, ressonância magnética e biopsia, que podem definir o tipo de câncer e a localização dele. Tratamento O câncer de mama tem pelo menos quatro tipos mais comuns e alguns outros mais raros. Por isso, o tratamento não deve ser padrão. Cada tipo de tumor tem um tratamento específico, prescrito pelo médico oncologista. Entre os tratamentos estão a quimioterapia e radioterapia, a terapia alvo e a imunoterapia. VÍDEOS SOBRE CÂNCER DE MAMA Veja abaixo vídeos do Bem Estar sobre a doença Câncer de mama tem 95% de chance de cura se for detectado precocemente Paciente com câncer doa lenços a outras mulheres que enfrentam a doença Menos de 10% dos casos de câncer de mama são de origem hereditária Veja Mais

Como manter uma alimentação balanceada sem carne, com preços em alta no Brasil

Glogo - Ciência Combinadas, proteínas de origem vegetal podem nos fornecer a quantidade ideal de nutrientes para o corpo funcionar bem. Legumes e verduras à venda em um supermercado de Sâo Paulo Celso Tavares/G1 No típico prato feito do brasileiro temos arroz, feijão, carne, farofa, às vezes ovo, às vezes batata frita. Mas o que fazer se esse prato estiver ameaçado? Ele pode estar, e a culpa é da carne. O produto sofreu um forte reajuste nas últimas semanas e, em menos de três meses, o custo do contra-filé subiu 50% para os supermercados e o do coxão mole, 46%, segundo a a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Praro de comida inclui arroz, feijão, legumes e vegetais Victória Cócolo/G1 Campinas e Região O aumento foi repassado aos consumidores, que podem se preparar para uma continuidade da alta desses preços em 2020. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse que os preços mais altos vieram para ficar, enquanto o presidente Jair Bolsonaro disse achar que o preço da carne bovina diminuirá no futuro. Diante do cenário de dificuldade, muitos brasileiros devem estar se perguntando como vão conseguir manter um mínimo de equilíbrio no prato com a alta no preço de uma das principais proteínas animais consumidas no país. Mesmo quem não esteja pensando em adotar de vez uma dieta vegetariana ou vegana (que exclui totalmente o consumo de produtos de origem animal) pode reduzir o consumo de carne acrescentando outros elementos na composição das refeições. As proteínas são substâncias importantes para quase todas as funções do nosso organismo. "Formam nossa massa muscular, fazem parte dos nossos tecidos corporais, da pele, ajudam a manter sua elasticidade. É importante para o crescimento, para a reparação de tecidos. Fazem parte de algumas enzimas que usamos para a digestão, e os hormônios também são formados por proteínas", enumera a nutricionista Lara Natacci, mestre e doutora pela Faculdade de Medicina da USP e integrante da Comissão de Comunicação da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição. Rick Miller, nutricionista clínico e especializado em esportes do King Edward VII's Hospital, em Londres, observa que, quanto mais velhos formos, mais precisamos de proteínas. "Nós diminuimos o ritmo e perdemos massa muscular. Acabamos ficando mais frágeis. Além disso, nossos músculos não respondem às proteínas da mesma maneira", diz. Por isso, brinca ele, são as avós, e não os netos, que provavelmente precisam mais daquele shake de proteínas. Veja dicas para substituir a carne nas refeições Natacci explica como funciona a ingestão de proteínas no corpo. "O que acontece é o seguinte: a gente ingere a proteína e no nosso estômago ela começa a ser quebrada. Então, ela é transformada em porções menores que são os aminoácidos, que se juntam para formar novas proteínas e que então vão para diferentes partes do nosso organismo, dependendo da nossa necessidade." Normalmente, diz ela, uma pessoa deve consumir cerca de 0,8g a 1g de proteína para cada quilo de seu peso em sua alimentação diária. Ou seja, uma pessoa que pese 70kg deve consumir cerca de 70 gramas de proteína por dia. Com uma dieta balanceada e variada, "não é difícil atingir isso", diz ela. "A carne era vista como status na mesa. É um alimento que antes era muito mais caro. Com o tempo, ficou mais barata. Mas agora com o aumento do preço talvez seja inviável manter. É complicado ter carne todos os dias", afirma. O gasto com carnes, vísceras e pescados pesa no bolso do brasileiro. A Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017 e 2018 realizada pelo IBGE e publicada neste ano mostra que é o grupo com que os brasileiros mais gastam seu dinheiro dentro do orçamento para a alimentação em casa. Do total gasto, 20,2% vai para essas carnes. Para a região Norte, pesa mais: 27,1% do orçamento para alimentação vai para carnes, vísceras e pescados. Para o Nordeste, 22,3%. A pesquisa foi feita em 58 mil domicílios brasileiros em 1,9 mil cidades durante um ano. Segundo um estudo conjunto da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o brasileiro consumiu 24,5 kg de carne vermelha em 2018. O consumo de frango, uma carne muito mais barata que a bovina, foi be, maior: 39,8 kg. Não há distinção por região. "Mas temos uma variedade de produtos muito grande", observa Natacci. "A gente pode lançar mão dessas alternativas." E quais são elas? Ovo Ovo frito é fonte de proteínas na alimentação vegetariana Unsplash "A proteína de origem animal é chamada de proteína completa porque contém todos os aminoácidos que nossos organismos não têm a capacidade de produzir e na quantidade que a gente precisa", explica Natacci. Ou seja, um só alimento contém os aminoácidos essenciais para nosso organismo. O ovo, bastante falado quando se pensa em substitutos para a carne, também é uma proteína completa — embora não faça parte do cardápio de quem segue uma dieta vegana, já que também é de origem animal. Um filé de carne de 100 gramas tem entre 22 a 25 gramas de proteína. Um ovo, por sua vez, tem entre 6 e 7 gramas de proteína. Ou seja, mais ou menos três ovos podem substituir um filé de carne. Segundo a nutricionista, uma pessoa sem contraindicações, com boa saúde e sem tendência ou histórico familiar de colesterol mais alto pode comer três ovos por dia sem problema nenhum. No entanto, diante de um quadro de colestoral alto, esse consumo precisa ser avaliado individualmente. "É importante verificar se ela toma algum medicamento, quão alto está esse colesterol, e consultar um cardiologista", aponta Natacci, agregando que é preciso levar em conta o resto da alimentação — ou seja, se a pessoa está ingerindo muita quantidade de gordura saturada e trans. "Se a gente controlar a alimentação, pode ser que até uma pessoa com o colesterol mais alto consiga consumir essa quantidade (de ovo) por dia, mas vai depender da adaptação individual." Soja Soja é um alimento fonte de proteína na alimentação Ouro Safra/Divulgação Proteínas estão presentes predominantemente em alimentos de origem animal: podemos citar carnes, laticínios como queijos e iogurtes etc. Mas também podem ser encontradas em alimentos de origem vegetal. Uma delas é uma leguminosa: a soja. "A soja é única", diz Miller, "porque contém todos os aminoácidos de que precisamos, assim como a carne". Ele lembra que esse também é o caso da chia, "mas realisticamente, ninguém vai comer 100 gramas de chia, e nem isso será suficiente". A soja, seja em grãos ou a proteína de soja, ou então o tofu, que é um alimento produzido a partir da soja, são perfeitos substitutos para a carne. Em 100 gramas de soja, há 36 gramas de proteína. Combinação entre cereais e leguminosas Consumo de feijão é recomendado na alimentação vegetariana Whaun/Visual Hunt Outras leguminosas, como o feijão, a lentilha e o grão de bico, entre outros, também contêm bastante proteína. E o segredo para driblar aquela "proteína completa" do alimento de origem animal que contém todos os aminoácidos de que nosso corpo precisa é combinar leguminosas — que são grãos ou sementes que crescem em vagens — com cereais, como quinoa ou arroz. Essa combinação também providencia uma "proteína completa". "O que acontece é uma complementação. Quando a gente ingere os dois, não tem diferença entre consumir isso ou carne para a ingestão de proteínas", afirma Natacci. Segundo Miller, nosso fígado guarda aminoácidos, então caso um dos alimentos seja consumido sozinho, o fígado pode providenciar os aminoácidos, sem problemas. Ou seja, a combinação entre os dois alimentos é perfeita para nos dar as proteínas de que precisamos, mas também não tem problema consumir só um deles ocasionalmente. Alguns exemplos da proteína presente nas leguminosas, lembrando da quantidade de proteínas que precisamos por dia (0,8g e 1g de proteína para cada quilo): uma xícara de ervilha tem 8 gramas de proteína, uma xícara de tremoço tem 11 gramas de proteína, uma concha de feijão tem 8 gramas de proteína e uma uma concha de soja cozida tem 12 gramas de proteína. Em menor grau, os cereais também são ricos em proteínas. Em uma xícara de quinoa, um cereal muito rico em nutrientes e proteínas, há cerca de 8 gramas de proteína. O cereal, no entanto, não é barato como o ovo, por exemplo, ou outros produtos proteicos. Um quilo de quinoa pode variar entre R$ 20 e R$ 45, o que signfica que, ainda que com preços altos, a carne pode compensar mais para o bolso do brasileiro, considerando a quantidade de proteína que um pedaço de 100 gramas fornece (22 a 25 gramas) e seu preço atual. "Muita gente não vai ter acesso a esses substitutos, mas vai ter acesso a outros produtos, como o feijão, por exemplo", sugere Natacci. Nozes Nozes são alimentos considerados bons para o cérebro Unsplash Por fim, oleaginosas como castanhas do caju, castanhas do Pará, amendoim, entre outras, embora também às vezes mais caras, contêm uma boa quantidade de proteína e podem ajudar complementando a dieta alimentar. Miller destaca que todos os alimentos têm proteínas, em menor ou maior grau. É o caso de verduras como brócolis e couve, por exemplo. Mas nesses alimentos há mais fibra e água e menos proteína. O ideal, no final das contas, é seguir uma dieta balanceada e equilibrada. E um prato bastante equilibrado, segundo Natacci, é um cuja metade seja de verduras e legumes e a outra metade de carboidrato e proteínas — um quarto pode ser uma proteína de origem vegetal ou ovos e outro quarto pode ser de quinoa ou de um tubérculo, como batata. Veja o preço médio de cortes de carne em três capitais Veja Mais

Maconha medicinal é usada no tratamento de epilepsia e dor crônica; estudos sobre efeitos ainda avançam

Glogo - Ciência Anvisa regulamentou comércio e fabricação de produtos à base de cannabis no Brasil nesta terça-feira (3). Veja o que estudos e médicos dizem sobre os efeitos de substâncias derivadas da maconha no corpo humano. Cannabis: entenda como será a venda dos produtos A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na terça-feira (3) a venda de produtos à base de cannabis para uso medicinal no Brasil, mediante prescrição médica. O tipo de prescrição médica indicada para cada tratamento vai depender da concentração de tetra-hidrocanabidiol (THC), que é o principal elemento tóxico e psicotrópico da planta, ao lado do canabidiol (CBD), conhecido por seus efeitos analgésicos e anticonvulsivantes. Estudos científicos já mostraram como essas duas substâncias atuam no combate a doenças como epilepsia e dores crônicas. No entanto, o uso dos derivados de maconha para outras condições, como enxaqueca e Mal de Parkinson, por exemplo, ainda precisa ser estudado mais a fundo, de acordo com especialistas ouvidos pelo G1. Por isso, entidades médicas como Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) se posicionaram contra a regulamentação do plantio de cannabis no Brasil. Já a agência reguladora de medicamentos norte-americana (FDA) autoriza, desde junho de 2018, o uso de CBD no tratamento de epilepsia. Abaixo, entenda quais são os principais efeitos dos produtos derivados de maconha, como as principais substâncias agem no organismo e quais doenças elas podem combater: Indicações médicas As principais indicações médicas dos produtos derivados de cannabis são para tratar: Crises epiléticas, especialmente em crianças; Dores neuropáticas; Náuseas decorrentes de quimioterapia; Sintomas do autismo; Agitação noturna em pacientes com demência; Espasmos decorrentes da esclerose múltipla. Segundo Alexandre Kaup, neurologista do hospital Albert Einstein, esses são os usos "comprovadamente eficientes" das substâncias CBD e THC. Além dessas utilizações, também há estudos preliminares que trazem indícios de que o CBD e o THC têm efeitos positivos para controle de: Mal de Parkinson; Alzheimer; Enxaqueca crônica; Sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC); Glaucoma; Ansiedade; Artrite. Para Kaup, ainda faltam estudos com grande amostragem de pacientes para comprovar que os derivados de maconha também podem ser usados no tratamento dessas doenças. Segundo o analista de desenvolvimento regulatório e projetos científicos da HempMeds Brasil, Gabriel Barbosa, a maior parte das importações de substâncias derivadas da maconha para tratamento são as do óleo de canabidiol, que contém tanto CBD quanto uma pequena quantidade de THC. "Trata-se de uma mistura de um óleo integral com o extrato da planta", explicou. "Os canabinoides são lipossolúveis, o que significa que se diluem na gordura e não na água e é um produto que não tem somente o CBD, mas mais de 500 componentes." Com esta forma de extração, o canabidiol atua em conjunto com outros componentes para melhores resultados. "Além das propriedades do CBD, há na solução flavonoides, que têm efeitos anti-inflamatórios", ressaltou Barbosa. No país, pacientes com quadro de epilepsia são os que mais buscam o medicamento, segundo a HempMeds. No entanto, o cenários é diferente nos Estados Unidos, onde o maior uso de medicamentos à base de maconha é feito por pacientes em tratamento de transtorno pós-traumático. Planta de 'Cannabis sativa', da qual é possível extrair o canabidiol Kimzy Nanney/Unsplash Efeitos das substâncias Enquanto o THC presente na maconha é considerado um perturbador do sistema nervoso central, o CBD é um depressor do sistema nervoso central. Por isso, eles têm efeitos muito diferentes no organismo. "O THC age em três receptores do sistema nervoso e tem atividade analgésica e anti espasmódica. Ele também ajuda na redução de náuseas e vômito e provoca a estimulação do apetite", explica Alexandre Kaup, neurologista do hospital Albert Einstein. É o THC que altera as funções cerebrais e provoca os mais conhecidos efeitos do consumo da maconha, droga cujo consumo recreativo é ilegal no Brasil. Entretanto, estudos indicam que o THC também pode ser usado como princípio ativo para fins medicinais. "Ele tem uma má fama, mas não é vilão. Se criou uma impressão de que o THC é ruim, mas há benefícios, ele só não pode ser usado indiscriminadamente, porque há mais riscos", explica Kraup. Segundo o neurologista, produtos com THC não devem ser receitados para pessoas com menos de 25 anos, porque existe uma maior indução de efeitos colaterais, como quadros psicóticos. Óleo extraído da cannabis ajuda a combater epilepsia Reprodução De acordo com a Anvisa, produtos com dosagem de THC superior a 0,2% precisarão de receita médica restrita para serem vendidos nas farmácias. Nas formulações com concentração de THC inferior a 0,2%, o produto deverá ser prescrito por meio de receituário tipo B e renovação de receita em até 60 dias. Já os produtos com concentração superior a 0,2% só poderão ser prescritos a pacientes terminais ou que tenham esgotado as alternativas terapêuticas de tratamento. Neste caso, o receituário para prescrição será do tipo A, mais restrito, padrão semelhante ao da morfina. Enquanto o THC é considerado mais polêmico, o CBD é o principal ingrediente dos produtos derivados de maconha mais populares no exterior e não causa dependência nem tem efeitos colaterais significativos. Ele tem propriedades anticonvulsivas, ansiolíticas e anti inflamatórias, além de também agir como analgésico. "No Brasil são cinco patologias principais que buscam tratamento com CBD: epilepsia, Parkinson, Alzheimer, dor crônica e autismo", afirmou Barbosa, da HempMeds. "No entanto, a Anvisa já autorizou a importação para mais de 60 patologias diferentes." Segundo ele, os principais efeitos adversos dos produtos a base de cannabis são conhecidos: tonturas, fadiga, euforia e depressão, além de dependência, são as mais citadas. Por isso, é importante que a dosagem e o perfil de cada paciente seja levado em consideração na hora da prescrição médica. Estudos científicos Diversos estudos comprovaram que o CBD pode ser usado no tratamento de crises epiléticas, especialmente as que ocorrem em crianças. Pesquisadores da Universidade da Califórnia anunciaram em maio deste ano que puderam sintetizar uma substância análoga ao canabidiol (CBD) e obter bons resultados em cobaias no tratamento da epilepsia. A alternativa sintetizada é, segundo o estudo, mais fácil de se manipular que a substância retirada da planta. A molécula sintética recebeu a identificação 8,9-Dihydrocannabidiol (H2CBD) e, diferente da versão natural, não pode ser convertido para THC, composto com características tóxicas. A Sociedade Americana de Química anunciou em abril deste ano que há evidências que apontam para o uso de CBD no "transporte" de medicamentos para o cérebro. A substância atuaria como um "cavalo de Troia" e conseguiria vencer a barreira hematoencefálica, que protege o sistema nervoso central. Entre os riscos para o uso de CBD em tratamentos, cientistas dos EUA alertaram no ano passado que a substância pode piorar casos de glaucoma e também aumentar a pressão intra-ocular em outro estudo científico. Na Inglaterra, cientistas da Universidade de Londres observaram em abril deste ano que o CBD atua para reduzir os efeitos danosos do consumo de maconha, que libera o composto tóxico tetrahydrocannabinol (THC), responsável pela aumento do vício e por casos de psicose relacionados ao uso da droga. A descoberta foi corroborada pelos pesquisadores da Universidade de Indiana, nos EUA, que apresentaram em setembro de 2019 as descobertas de ensaios em cobaias que mostraram o CBD atuando para proteger os danos cerebrais causados pelo THC. Além disso, usuários de heroína podem encontrar no uso de produtos derivados de CBD uma forma de poder controlar os efeitos da droga. Médicos do hospital Monte Sinai, nos EUA, registraram uma redução em surtos e casos extremos de ansiedade em viciados. Folhas da planta cannabis sativa, conhecida como maconha, que dá origem ao canabidiol Unsplash Posição de entidades médicas A discussão sobre a regulamentação da maconha medicinal começou há quatro anos, quando a Anvisa retirou um importante derivado de maconha da lista de substâncias proibidas no país. Em 2017 foi registrado o primeiro medicamento com derivado de cannabis no Brasil. Desde então, os médicos brasileiros podem receitar produtos a base de cannabis para seus pacientes, mas eles tinham que importar o produto, porque a Anvisa ainda não havia regulamentado sua venda no país. Nos Estados Unidos, a FDA aprovou o consumo da planta em seu estado natural apenas para alguns casos, porque a agência defende que ainda faltam evidências de qualidade que comprovem a eficácia da planta em outros usos. Outras instituições, como a Sociedade Americana de Medicina de Dependência, argumentam que não existe "cannabis medicinal", porque as partes em questão da planta não cumprem os requisitos das normas para medicamentos aprovados. Já no Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) se posicionaram contra a regulamentação do plantio de cannabis no Brasil. Eles pediram a revogação e o cancelamento da abertura de consulta pública sobre o tema. Salomão Rodrigues Filho, psiquiatra e integrante do Conselho Federal de Medicina (CFM), diz que a instituição é favorável ao uso do canabidiol, mas que "é necessário ter cautela". O Conselho diz que a esclerose múltipla é uma doença, assim como o Parkinson, que ainda está em fase experimental de pesquisa em outros países. "Ainda não há evidência científica que recomende o uso. Não há segurança. Além de não fazer o bem, não pode fazer o mal". Initial plugin text Veja Mais

Manter cultivo de maconha medicinal proibido multiplicará ações na Justiça, diz presidente da Anvisa

Glogo - Ciência A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou a regulamentação do uso medicinal de produtos feitos à base de maconha no país, que poderão ser produzidos no país e vendidos em farmácias, mas rejeitou a proposta de regulamentar o plantio da maconha para fins terapêuticos e científicos. Presidente da Anvisa, William Dib, foi o único a votar a favor da regulamentação do plantio de maconha para fins terapêuticos e científicos ABR A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira (3) a regulamentação do uso medicinal de produtos feitos à base de maconha, que poderão ser produzidos no país e vendidos em farmácias. Ao mesmo tempo, a maioria da diretoria da agência rejeitou a proposta de regulamentar o plantio da maconha para fins terapêuticos e científicos, ponto contra o qual havia forte oposição por parte do governo de Jair Bolsonaro. Anvisa libera venda de produtos à base de cannabis em farmácias Anvisa rejeita cultivo de maconha para fins medicinais no Brasil Três dos quatro diretores da Anvisa presentes na sessão de deliberação votaram por arquivar este ponto da regulamentação — e o único voto a favor da medida foi do diretor-presidente da agência, William Dib. Em entrevista à BBC News Brasil, Dib afirma que as decisões tomadas pela Anvisa hoje devem facilitar e desburocratizar o acesso a estas medicamentos por parte da população. Mas, ao mesmo tempo, devem levar a uma maior judicialização da questão no país, com um aumento de processos movidos por associações e cidadãos para obterem permissão para plantar cannabis sob a alegação de que não têm condições econômicas para custear o tratamento de outra forma. No últimos anos, diversos estudos científicos apontaram que substâncias extraídas da Cannabis sativa, como o canabidiol (CBD) e o tetra-hidrocanabidiol (THC), seu princípio psicoativo, podem ser usados para fins medicinais, em terapias para pacientes com epilepsia, câncer e outras enfermidades graves. Hoje, quem deseja ter acesso a produtos a base de maconha no país deve pedir à Anvisa uma autorização de importação. Desde janeiro de 2015, a agência permite que estes produtos sejam trazidos do exterior quando comprovada a necessidade do paciente. Hoje, mais de 4,6 mil pessoas têm autorização. Mas, há cinco anos, a Anvisa começou a estudar uma mudança nas suas regras, com base no que diz a lei 11.343, de 2006, que institui o sistema nacional de políticas públicas sobre drogas. A legislação proíbe "o plantio, a cultura, a colheita e a exploração de vegetais e substratos dos quais possam ser extraídas ou produzidas drogas". Mas diz que a União pode autorizar essas práticas, "exclusivamente para fins medicinais ou científicos". A proposta da agência era regulamentar tanto a produção e a venda de medicamentos quanto o plantio da maconha para fins medicinais e científicos, um processo que culminou com as decisões tomadas nesta terça-feira. Sem manipulação A nova regulamentação estabelece as regras para a fabricação e a importação desses produtos, sua comercialização, prescrição, dispensação, monitoramento e fiscalização. Agora, estas mercadorias passarão a fazer parte de uma nova classe — "produto à base de cannabis", ou seja, ainda não serão classificados como medicamentos. Poderão ser adquiridos em farmácias, mas não será possível manipulá-los em drogarias. Só será permitida a venda do produto pronto, sob prescrição médica. A norma entra em vigor em 90 dias a partir da publicação da decisão da diretoria da Anvisa no Diário Oficial e será revista pela própria agência daqui a três anos a fim de avaliar os progressos de pesquisas sobre o tema. Essa mudança deve fazer com que estes produtos cheguem mais baratos ao cidadão, afirma William Dib, uma vez que haverá mais opções no mercado nacional, e a concorrência deve levar a uma redução do seu preço dentro de um prazo de mais ou menos um ano. Hoje, há apenas um produto à base de cannabis registrado e vendido no país, o Mevatyl, indicado para espasmos musculares em quem tem esclerose múltipla. Ele é fabricado por uma empresa do Reino Unido e comercializado a um custo médio de R$ 2,8 mil para sua dose mensal. Mas Dib acredita que a não regulamentação do plantio deixa aberta a brecha que leva muitas pessoas a pedir à Justiça a permissão para plantar maconha. "O remédio vai ficar mais conhecido, mais médicos vão prescrever, vai haver debate e pesquisa científica. Então, isso aumenta o número de consumidores e podem se multiplicar as autorizações judiciais para o plantio. Pode chegar a um momento de total descontrole social, não só do aspecto quantitativo e qualitativo e de segurança", diz. A avaliação vai de encontro à visão de Emilio Figueiredo, advogado da Rede Reforma, uma organização sem fins lucrativos que reúne profissionais desta área a favor de uma reforma da politica de drogas brasileira, para quem o número de processos deve aumentar. O advogado diz que a decisão da Anvisa de não regulamentar o plantio foi "adequada", por entender que se trata de uma competência do governo federal. Mas ele afirma que a decisão da Anvisa não resolve os entraves econômicos ao acesso à droga. "O acesso vai ficar mais fácil, mas para quem? Hoje, enquanto a dose mensal da única organização autorizada a plantar maconha no país custa cerca de R$ 400, o produto vendido em farmácias tem um preço sete vezes maior. E, mesmo com mais opções, vai continuar a ser um produto muito caro e inacessível para a maioria da população", diz Figueiredo, que atuou em 26 das 51 ações que obtiveram permissão judicial para plantio de maconha para fins terapêuticos. "O direito fundamental à saúde destas pessoas continuará a ser violado. Vamos fazer uma tsunami de ações judiciais para fixar no país o reconhecimento do cultivo como acesso a ferramenta terapêutica para graves moléstias." No entanto, o presidente da Anvisa acredita que a decisão da agência abrirá caminho para que o governo, o Congresso ou a própria agência revejam no futuro a decisão de não regulamentar o plantio, a partir do momento que mais brasileiros usem produtos à base de maconha e haja um debate mais amplo sobre a questão no país. Leia a seguir os principais trechos da entrevista com o presidente da Anvisa, que deixa o cargo e a diretoria do órgão no próximo dia 20 deste mês e diz "estar contando os dias" para que isso aconteça. BBC News Brasil - Como o sr. recebe essa decisão da Anvisa? William Dib - Em parte, com muita alegria, porque, por unanimidade, aprovamos o registro, a comercialização e a produção de produtos de cannabis. Com registro ágil e com previsão de se rever em três anos. Com isso, o acesso, tanto da classe médica quanto dos pacientes, vai ser facilitado. E há também a questão de pesquisa: vai ser muito mais fácil e ágil desenvolver pesquisas no país. Nesse aspecto, vi positivamente. No aspecto do plantio, que foi separado por uma questão estratégica, não passou por maioria absoluta. Fui o único a votar a favor. Os argumentos para o não plantio não me convenceram. Ele vai permitir a multiplicação de autorizações judiciais para o plantio. Pode chegar a um momento de total descontrole social, não só do aspecto quantitativo e qualitativo e de segurança. Mas o governo está preocupado em ele não autorizar (o plantio). Agora, o Judiciário autorizando, parece que está tudo bem. BBC News Brasil - Por que o sr. acredita que pode haver uma judicialização maior por parte de pacientes e associações? Dib - As pessoas alegam que o remédio é caro e que, plantando, há um barateamento do custo (do tratamento) de doenças, pois os remédios são de uso contínuo. Esse argumento tem feito grande parte do Judiciário ficar do lado das famílias e das associações de pais de crianças que precisam da cannabis e de outros pacientes, autorizando o plantio. Já existem muitas autorizações. Em teoria, regulamentando, isso tende a diminuir, porque você vai criar acesso ao medicamento. Mas, por outro lado, pode aumentar, porque o remédio vai ficar mais conhecido, mais médicos vão prescrever, vai haver debate e pesquisa científica. Então, isso aumenta o número de consumidores e podem se multiplicar as autorizações judiciais. Existe gente do bem, gente que não sabe (sobre o assunto) e gente mal informada. Quando você cria uma associação de 50 pais para plantar cannabis, você acha que eles vão abrir mão de cultivar para comprar o produto? Não, eles vão continuar querendo plantar. Se a gente regulamentasse o plantio, a Justiça poderia cassar essas autorizações individuais e para associações. A Justiça primeiro não vai cassar esse direito de ninguém, porque não está regulamentado. Vai ter mais médicos receitando. Então, não vai ficar igual, as ações só podem crescer. Na teoria, é isso que vai acontecer. BBC News Brasil - Por que o senhor fala em 'descontrole social'? Dib - O número de receitas vai crescer exponencialmente. A ideia de que o fulano consegue o produto porque ele planta pode se estabelecer, caso o Judiciário mantenha as decisões de hoje, de que é um direito de todos o acesso ao medicamento. A Justiça vai dar mais autorizações. Se hoje tem mil, vão ter 10 mil daqui a três anos e assim por diante. BBC News Brasil - Esses habeas corpus que autorizam o plantio são baseados no direito das pessoas à saúde e ao tratamento… Dib - Não sei como o Judiciário vai ver o acesso com a produção aqui. A Justiça pode baixar uma norma dizendo: 'está proibido dar novas autorizações de cultivo'. Isso não depende da Anvisa nem do governo. O Judiciário é outro poder. BBC News Brasil - Quais foram as alegações dos seus colegas para rejeitar a regulamentação do plantio? Dib - (Risos) Você não prefere perguntar para eles? Eu teria dificuldade de explicar para você, pois eu mesmo não entendi as alegações deles. Tive dificuldade de entender. BBC News Brasil - Por quê? Dib - É igual procurar pelo em ovo. São ponderações que… É que não querem que tenha o projeto. Então, alega-se tudo. Disseram que precisaria consultar a polícia local. Como se faria isso se eu não sei qual local vai haver o plantio? São alegações difíceis de entender. BBC News Brasil - Na sessão, o senhor disse que achava muito curioso que para concessão de autorizações da Anvisa não haveria problemas. O que o senhor quis dizer? Dib - Meus colegas disseram que o Ministério da Agricultura afirma que as sementes de cannabis precisam ficar em quarentena, pois poderia conter vírus e fungos. Mas e o cara que tem autorização judicial para plantar? Ele compra a semente pelo correio, e ninguém sabe o que ele está plantando. E aí não tem problema nenhum? BBC News Brasil - Com isso o senhor quer dizer buscaram qualquer motivo para que esse fosse o resultado? Dib - Sim, vários motivos. BBC News Brasil - E o senhor acha que esses motivos são inconsistentes? Dib - Me parece que poderiam ser aprimorados ou corrigidos. Quem quer fazer, faz. BBC News Brasil - O senhor acredita que a Anvisa errou ao não regulamentar o plantio? Dib - Não vou dizer que é erro ou não. Acho que perdemos a oportunidade. Mas ela vai ser recuperada logo mais, via Congresso. Ou a própria Anvisa pode rever seus conceitos. O mais importante é que o produto vai estar acessível à população. Isso vai acabar gerando uma discussão. A experiência vai fazer muita gente rever seu posicionamento. BBC News Brasil - Não tem problema por parte de quem? Dib - A Anvisa nem o Ministério da Agricultura não tem autorização judicial para questionar. Chega a semente, e ele planta. E aí? Aí, não tem importância, porque são milhares de pessoas? Quantas empresas iriam cultivar a cannabis no Brasil? Umas cinco ou seis, não mais que isso. Agora, com a decisão, essas seis não podem plantar, mas milhares de pessoas podem (risos). BBC News Brasil - Qual outro argumento o senhor acha incoerente? Dib - Como esse processo é muito velho, várias instâncias foram ouvidas. Mas se perderam no meio disso. Mas não ouvimos todo mundo que poderia ter sido ouvido. BBC News Brasil - O senhor acredita que isso teve influência no resultado? Dib - Olha, o resultado é esse. Então, agora vamos escrever por que o resultado é esse. Você faz uma equação em que o resultado é 8. Como você vai fazer? 4 + 4? 5 + 3? 7 + 1? O resultado é 8. Não importa como você vai escrever, o resultado é: não pode fazer o plantio. BBC News Brasil - O senhor acha que a não autorização do plantio pode encarecer o remédio em comparação com um cenário em que o cultivo fosse permitido? Pois as empresas que queiram produzir o remédio terão que importar a matéria-prima… Dib - Com a permissão da venda do remédio em farmácia, o preço do medicamento vai cair, pois as pessoas não vão precisar mais importar individualmente. Uma coisa é você trazer o produto para a Dona Maria. Outra coisa é você trazer para 3 mil Marias. Então, a compra do produto em quantidade maior deve baratear o custo na origem e aqui. E vai ter concorrência: a farmácia A contra a farmácia B. A tendência é reduzir custos. BBC News Brasil - Vai ser um preço acessível para a população em geral? Dib - Vai ser mais acessível que hoje. E outra coisa: com vai existir registro, o SUS e o Ministério da Saúde pode autorizar a distribuição, como é feito com outros produtos. BBC Brasil - Mas, pensando em uma empresa que pretende produzir o medicamento, ela terá que importar a matéria prima. Caso ela cultivasse a cannabis aqui no Brasil, esse remédio não ficaria ainda mais barato para o consumidor? Dib - Na teoria, sim. Hoje, me espantei com o voto do almirante (Antonio Barra, diretor da Anvisa indicado por Bolsonaro). Ele disse que está sobrando produto no exterior. Pode ser que o custo caia, não sei, não acompanho o mercado de cannabis. Não sei se está no ponto de curva mais alto ou mais baixo do preço. BBC News Brasil - Hoje, o único medicamento vendido com base de cannabis custa cerca de R$ 2.800 por mês. A sua expectativa, com a regulamentação, é que eles cheguem no mercado em qual patamar de preço? Dib - Acredito que a concorrência vai reduzir rapidamente esse custo, quando houver concorrência. Vou fazer uma brincadeira: quando o Viagra foi lançado, ele custava uma fábula. Hoje, o genérico custa dez vez menos em comparação quando foi lançado o produto. Os produtos farmacêuticos tendem a reduzir o preço conforme aumenta o consumo. BBC News Brasil - O senhor estima qual será a redução do preço? Dib - Não sou muito bom nesse aspecto econômico. Mas as pessoas que conhecem esse assunto dizem que há uma curva descendente (de preço) que dura um ano, um ano e meio, até que o valor seja estabelecido. Ele vai caindo conforme aumenta a concorrência. Não é uma queda súbita. BBC News Brasil - As pessoas comuns, além das classes médias e alta, vão ter acesso? Dib - Com certeza. Já há projetos para que prefeituras e governos estaduais possam pagar pelos medicamentos. Na hora que o laboratório e a distribuidora estiverem em território nacional, muitos municípios e Estados vão agregar os medicamentos. O SUS também pode fazer isso. No Brasil, infelizmente ou felizmente, há judicialização: se o seu filho está doente, precisa de cannabis e você não tem dinheiro, você entra na Justiça e o Estado tem de pagar. BBC News Brasil - O senhor acredita que essa restrição ao plantio ocorre por uma falta de conhecimento ou até preconceito em relação à cannabis? Dib - É difícil julgar as pessoas. Acredito que eles misturam a questão da droga e do consumo recreativo, ou do uso como entorpecente, e não separam a questão medicinal. Veem risco e misturam conversa de droga com o produto medicinal. O produto medicinal não tem efeito de droga. Por via oral, não dá barato, as pessoas não ficam entorpecidas. Não dá isso. BBC News Brasil - O sr. disse que o plantio foi discutido na Anvisa em separado da produção medicinal por uma questão estratégica. Por que isso ocorreu? Dib - Quando cheguei aqui, o governo de plantão, da Dilma Rousseff, queria liberar o plantio totalmente. Quem estivesse doente e precisasse de cannabis poderia plantar. Nesse caso, você não conseguiria distinguir quem plantaria para fins medicinais e quem cultivaria para recreação. Você não sabe o que ele estaria plantando, porque não há controle da semente. Você não saberia se ele está cultivando plantas com mais CBD (canabidiol) ou THC (tetrahidrocanabinol). Não daria para controlar o que é produzido domesticamente, não há laboratório nem fiscalização possível para monitorar isso. Agora, o governo Bolsonaro assumiu e, como eles são conservadores, não querem discutir em hipótese nenhuma a questão do plantio. Paciência… BBC News Brasil - Até quando o sr. fica na Anvisa? Dib - Hoje é dia 3? São mais 17 dias, estou contando um por um. BBC News Brasil - Por quê? Dib - Ah, porque está difícil (risos). BBC News Brasil - O que está difícil? Muita pressão do governo? Dib - Você imagina, essa questão da cannabis é fichinha, é só o troco. BBC News Brasil - Quais são as dificuldades o senhor tem enfrentado? Dib - Não, não. Não posso falar sobre isso com repórteres. Veja Mais

Longevidade entra no radar de feira internacional de eletrônicos

Glogo - Ciência Sensores serão destaque na Consumer Eletronics Show, que ocorrerá em janeiro em Las Vegas A CES (Consumer Eletronics Show) é uma feira internacional de eletrônicos que existe desde 1967 e reúne o que há de mais moderno em tecnologia, com cerca de 4.500 expositores. Realizada em Las Vegas, a edição de 2020, que ocorrerá entre 7 e 10 de janeiro, reconheceu a relevância do fenômeno da longevidade, embora este ainda não seja o foco do evento. Entretanto, cresceu bastante o número de produtos sob a rubrica “agetech”, que abrange de aplicativos a chatbots, que são programas de computador que simulam um ser humano na conversa, respondendo a perguntas como se o interlocutor fosse uma pessoa, e não uma máquina. A Consumer Eletronics Show é uma feira internacional de eletrônicos que reúne o que há de mais moderno em tecnologia https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=76960351 Mas são os sensores, de todos os tipos, que ocuparão lugar de destaque nos estandes. Eles monitoram o estado geral do idoso, mapeiam padrões e criam um banco de dados, alertam sobre incidentes e desvios e até conseguem prevê-los. O CarePredict, por exemplo, é uma espécie de pulseira que aciona um serviço de emergência em caso de quedas. Tem concorrentes: Kytera e Essence, ambas empresas israelenses, disponibilizam produtos semelhantes. Há outros tipos de sensores que não precisam ser usados pelo indivíduo: são instalados nas tomadas e acompanham a movimentação dentro de casa, como o Sensorcall ou o Vayyar. O Industrial Technology Research Institute, de Taiwan, que fabrica de sistemas portáteis de purificação de água a drones utilizados pela polícia, criou o Pecola (Personal Companion Robot for Older People Living Alone), que, como o nome diz, está presente o tempo todo nas atividades diárias, o que inclui fazer alertas caso a pessoa não coma ou pareça estar deprimida. O Pecola (Personal Companion Robot for Older People Living Alone): robô que monitora o idoso dentro de casa Divulgação Além de produtos para os portadores de diabetes, se expandiu também o leque de opções para quem tem problemas de visão. Empresas como Vispero e Orcam oferecem lentes de aumento especiais. Há ainda óculos inteligentes com reconhecimento de voz e dotados de câmeras. Já o Access Explorer é um aplicativo que facilita a identificação de entradas, elevadores ou banheiros em qualquer edifício. Para os que se encontram num estado de maior fragilidade, a Smardii criou fraldas com sensores que fazem um exame da urina em tempo real. A japonesa Triple W vai além: um aparelhinho com ultrassom que monitora a bexiga alerta o usuário ou seu cuidador de que está na hora de ir ao banheiro. Quanto mais crescer e se diversificar, mais competidores o setor terá, o que levará ao barateamento dessas tecnologias Veja Mais

Buraco negro inexplicável por ser ‘grande demais para existir’ intriga astrônomos

Glogo - Ciência Um grupo de cientistas encontrou evidências de um buraco negro tão grande que obrigará a redefinir o sistema que mede fenômenos astronômicos, além de questionar a explicação atual sobre como se formam. Liu Jifeng, do Observatório Astronômico Nacional da China, é o coordenador de um grupo de cientistas que publicou um estudo sobre as descobertas do maior buraco negro já visto Getty Images via BBC Ele é grande demais para existir. Essa é a conclusão que intriga os astrônomos depois de encontrar o LB-1, nome que eles deram a um buraco negro que, de acordo com suas estimativas, é 70 vezes maior que o nosso Sol. As possibilidades de observação remota do telescópio Espectroscópico de Fibra de Objetos Múltiplos da Grande Área no Céu (LAMOST, na sigla em inglês), da Academia Chinesa de Ciências, e do Observatório Keck, localizado no Havaí, Estados Unidos, permitiram obter dados conclusivos sobre esse super buraco negro. Eles estudaram a enorme massa por várias noites, de 9 de dezembro de 2017 a 6 de janeiro de 2018, e publicaram suas principais descobertas na revista Nature. Os 100 milhões de buracos negros que podem ser encontrados na Via Láctea podem ser classificados como: supermassivo, médio, estelar e micro buraco negro. Mas o LB-1, que fica a cerca de 13.800 anos-luz de distância, é duas vezes maior do que os cientistas pensavam ser possível e gera muitas perguntas. Por que é tão diferente dos outros? Um buraco negro "é um monte de matéria presa em um espaço tão pequeno que nada pode sair, nem mesmo a luz", explicou o cosmólogo Andrews Pontzen à BBC em entrevista em 2017. Eles são formados a partir da contração de núcleos estelares. Como a revista científica Quanta esclarece, o processo de formação de um buraco negro dependerá do tamanho dessa estrela. Em 1967, três físicos da Universidade Hebraica de Jerusalém descobriram que quando o núcleo de uma estrela é muito pesado, ele não se torna um buraco negro, mas explode sem deixar vestígios de sua existência. Se a estrela tivesse um núcleo com massa entre 65 e 130 vezes maior que a do Sol, ela explodiria dessa maneira. É por isso que os astrônomos afirmavam que "não deveria haver" buracos negros com massas na faixa de 50 a 130 massas solares, porque essas estrelas deveriam ter explodido. De tempos em tempos, porém, surgem novas teorias ou evidências de observação astronômica de que existem buracos negros desse tamanho, porque a implosão dos núcleos pode gerar essa massa densa que engole até a luz. A outra razão pela qual os astrônomos têm tantas dúvidas sobre isso é porque acreditam que as estrelas vão "perdendo" parte de sua massa ao longo de suas vidas, que vão diminuindo de tamanho e são significativamente menores no momento que "morrem". Uma estrela teria que nascer com um tamanho enorme, de pelo menos 300 sóis, para morrer com um número de 130 massas solares. É tão difícil que isso aconteça que os astrônomos afirmaram que apenas detectariam buracos negros que não excederiam 50 sóis. Mais perguntas do que respostas Os experimentos físicos e os observatórios científicos LIGO e Virgo haviam revelado a possibilidade de que esses buracos negros existissem. Agora, o LB-1 confirma a existência desses buracos enormes, conforme explicado no estudo publicado pela Nature. "Uma possibilidade muito interessante é que essa matéria escura contenha dois buracos negros orbitando entre si", os autores do estudo se aventuram a conjecturar e depois esclarecem que isso levaria a uma formação de buracos negros binários. A confirmação da existência de um buraco negro desse tamanho parece ser o começo de outras formas de observação e medidas para esse fenômeno que deixa astrônomos e físicos intrigados. Em abril deste ano, telescópios conseguiram captar a imagem de um buraco negro pela primeira vez Reprodução Veja Mais

Por que o HIV ainda devasta regiões do país mais rico do mundo

Glogo - Ciência Avanços médicos e tratamentos que surgiram nas últimas décadas derrubaram taxas de transmissão da doença, mas progresso não ocorreu de maneira igual em todas as regiões do país. No ano passado, 37.832 pessoas receberam diagnóstico de HIV nos Estados Unidos Getty Images via BBC Para muitos americanos, a epidemia de Aids que devastou comunidades a partir dos anos 1980 é uma lembrança do passado. Graças a avanços médicos e novos tratamentos surgidos nas últimas décadas, as taxas de transmissão caíram e, se antes um diagnóstico de HIV era considerado uma sentença de morte, hoje portadores do vírus podem levar uma vida longa e saudável. Mas esse progresso não ocorreu de forma igual em todo o país, e no sul dos Estados Unidos, especialmente entre a população negra, a doença representa uma crise de saúde pública. Na metade dos anos 1980, os Estados Unidos registravam mais de 130 mil novos diagnósticos de HIV por ano. Desde o auge da epidemia, esse número caiu drasticamente e, a partir de 2013, se estabilizou abaixo de 40 mil. No ano passado, 37.832 pessoas receberam diagnóstico de HIV nos Estados Unidos, segundo o Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), agência de pesquisa em saúde pública ligada ao Departamento de Saúde. Apesar de abrigar apenas 38% da população americana, o sul respondeu por 52% desses novos casos. "Nas décadas desde que os primeiros casos de Aids foram documentados em Los Angeles e Nova York, em 1981, o epicentro da epidemia de HIV se deslocou dos centros urbanos para os 16 Estados que compõem o sul e o Distrito de Columbia (onde fica a capital, Washington)", diz o CDC em relatório divulgado em setembro. Disparidade racial A população negra é "desproporcionalmente impactada", aponta o relatório, e em 2017 respondia por 53% dos novos diagnósticos de HIV na região. De acordo com o CDC, 67% dos novos diagnósticos em mulheres que vivem no sul são registrados em mulheres negras. Foram 2.584 diagnósticos nesse grupo em 2017. O impacto é ainda maior entre homens negros que fazem sexo com outros homens, com 6.218 novos diagnósticos na região em 2017, o dobro do que o registrado entre homens gays e bissexuais brancos ou latinos e equivalente a 59% de todos os novos diagnósticos na população negra nos Estados do Sul. Segundo o CDC, em todo o país, um em cada dois homens negros gays e bissexuais corre o risco de ser diagnosticado com HIV ao longo da vida. Entre homens brancos no mesmo grupo, esse risco é de um em cada 11. Na população geral, uma em cada 99 pessoas corre o risco. O sul tem o maior percentual de pessoas que vivem com HIV e menor taxa de sobrevivência entre portadores do vírus. Em alguns Estados da região, a taxa de mortalidade em pessoas com HIV chega a ser três vezes mais alta do que no resto do país. Das 15.807 pessoas com diagnóstico de HIV que morreram nos Estados Unidos em 2016, quase metade (47%) vivia no sul. Além disso, em comparação com o resto do país, menos pessoas com HIV na região sabem que são portadoras do vírus. "Consequentemente, menos pessoas com HIV no Sul recebem tratamento ou cuidados médicos em tempo hábil", salienta o CDC. O uso de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), método de prevenção para quem não tem HIV mas corre o risco de contrair o vírus, que consiste em um comprimido diário, também é limitado na região. Pobreza "Apesar de os Estados Unidos serem o país mais rico do mundo, no sul ainda há muitas vezes dificuldade de acesso a serviços de saúde", diz à BBC News Brasil Mardrequs Harris, gerente da Southern AIDS Coalition, organização sem fins lucrativos que atua nos 16 Estados do sul do país. A região tem a taxa de pobreza mais alta e a menor renda média do país, e abriga quase metade dos americanos que não têm plano de saúde. Muitos Estados do Sul têm exigências mais rigorosas sobre quem pode ter acesso ao Medicaid, programa de saúde para pessoas de baixa renda, o que limita o número de beneficiados. Sem plano de saúde ou acesso gratuito a prevenção e tratamento, muitas pessoas nem são testadas e só descobrem que têm o vírus quando ficam doentes. A dificuldade é ainda maior em áreas rurais, onde além da oferta limitada de médicos e clínicas com experiência e infraestrutura para tratamento de HIV, há também escassez de transporte público. De acordo com o CDC, assim como no resto do país, no sul a maioria dos diagnósticos de HIV ocorre em áreas urbanas. Mas a parcela de novos diagnósticos fora dos grandes centros urbanos e em áreas rurais nesses estados é de 24%, maior do que nas outras regiões. Nessas áreas, muitas vezes é necessário viajar centenas de quilômetros para ter acesso a serviços especializados. "Isso significa que é menos provável que essas pessoas recebam tratamento, mesmo se tiverem acesso a plano de saúde", diz à BBC News Brasil o vice-presidente e diretor de políticas públicas da amfAR, fundação para pesquisa sobre Aids, Greg Millett. "E, obviamente, quando você não está em tratamento, se você não tem um médico que entende sobre HIV, é menos provável que você esteja recebendo medicação para HIV, e é mais provável que você transmita (o vírus)", observa Millett. John Ouderkirk, diretor médico em Atlanta (Geórgia) da AIDS Healthcare Foundation (AHF), organização global sem fins lucrativos que oferece serviços de saúde para pacientes com HIV e Aids em mais de 40 países, ressalta que mesmo que recebam medicamentos de forma gratuita, muitos pacientes ainda assim enfrentam dificuldades de comparecer às consultas. "Falta de transporte, falta de moradia, depressão, abuso de drogas são (algumas das) razões pelas quais muitas pessoas não levam adiante o tratamento", diz Ouderkirk à BBC News Brasil. População negra é desproporcionalmente mais afetada pelo HIV nos EUA Getty Images via BBC Estigma Fatores culturais também contribuem para a epidemia de HIV na região, que é profundamente religiosa e conservadora e onde há forte estigma tanto em relação ao HIV quanto a homens gays e bissexuais. "Algumas pessoas consideram o HIV um julgamento de Deus", afirma Harris. Ele diz que o estigma e o medo de sofrer discriminação acabam fazendo com que muitas pessoas evitem fazer buscar tratamento ou até mesmo fazer teste para saber se são portadoras do vírus. Millett ressalta que o estigma é maior no sul do que no resto do país, e em cidades pequenas e áreas rurais. Nesses locais, muitas vezes há apenas uma clínica e todos se conhecem, então pessoas com HIV podem se sentir intimidadas a buscar ajuda. "Se você vai à (única) clínica, todos ficam sabendo que você tem HIV. É diferente de áreas urbanas, onde você entra em determinado lugar e ninguém nota", diz Millett. O diretor do programa de doenças sexualmente transmissíveis, HIV e hepatite do Departamento de Saúde da Louisiana, Samuel Burgess, lembra que a educação sobre saúde sexual costuma ser deficiente em muitas partes do sul. "Não se ensina educação sexual de forma consistente nas escolas", diz Burgess à BBC News Brasil. "E, quando se ensina, muitas vezes a homossexualidade não é discutida." Além disso, alguns estados do sul ainda têm leis que criminalizam a exposição ao HIV e punem com prisão quem souber que é portador e expuser outra pessoa ao vírus. "São leis antigas, existentes desde os anos 1980, quando havia histeria em relação ao HIV", destaca Millett. "Infelizmente, algumas dessas leis não foram revisadas apesar de todos os avanços médicos que mostram que pessoas que vivem com HIV não vão transmitir o vírus a ninguém se estiverem sob medicação. Podem viver vidas longas e felizes, ter filhos e não transmitir o vírus a seus parceiros." Futuro O uso de terapia antiretroviral pode reduzir os níveis de HIV até que sejam indetectáveis. Especialistas ressaltam o conceito de que "indetectável é igual a intransmissível". "Há evidências científicas de que quando pessoas com HIV atingem e mantêm supressão viral a níveis indetectáveis elas não transmitem o vírus aos parceiros", diz Burgess. Timothy Webb recebeu seu diagnóstico de HIV há quase 10 anos, quando morava na Filadélfia. Logo depois, ele se mudou para o sul, e hoje vive em Atlanta, na Geórgia. Ele conta que, no início, enfrentou dificuldades para aprender sobre como acessar os serviços de que precisava. Webb acabou recebendo apoio da AID Atlanta, organização que oferece serviços de saúde, prevenção e educação relacionados a HIV/Aids, e hoje trabalha com comunidades afetadas pela epidemia e usa sua história para ajudar outras pessoas com HIV a vencer o estigma e acessar serviços de saúde o quanto antes. "Quando as pessoas veem alguém na mesma situação que elas, que está prosperando e seguindo em frente, tentam fazer o mesmo", diz Webb à BBC News Brasil. "Cabe a nós dizer que sua vida não acaba (com o diagnóstico), você está apenas começando um novo capítulo. Você pode ser bem sucedido, ter uma vida, uma família." De acordo com especialistas, a solução para a epidemia de HIV no sul passa por uma abordagem multidisciplinar, que além de ampliar o acesso à saúde, envolva também educação, moradia, emprego e outros aspectos. "Para ser bem-sucedido, um programa de HIV deve olhar para o paciente de forma global, avaliar questões sociais, de abuso de drogas, depressão, instabilidade doméstica, etc", diz à BBC News Brasil o médico Waref Azmeh, diretor médico da AHF em Baton Rouge, na Louisiana. Estados Unidos: em cidades pequenas, muitas vezes as pessoas se sentem inibidas a buscar atendimento médico Getty Images via BBC Millett salienta que há exemplos de sucesso e várias clínicas e líderes locais em estados do sul que "estão fazendo a coisa certa". "Há partes do Sul que são líderes na abordagem ao HIV e em demonstrar respeito às pessoas que vivem com HIV." Ele diz que a iniciativa anunciada pelo presidente Donald Trump no início do ano de reduzir novos casos de HIV em pelo menos 90% até 2030 pode ser uma oportunidade para os Estados do Sul, onde Trump tem grande base de apoio. O plano prevê recursos adicionais para ampliar prevenção e tratamento de HIV, com foco inicial nas regiões mais afetadas. Harris também diz ver progresso. "Sou otimista", afirma. "Quando pintamos o retrato do sul, deve ser não apenas como uma história triste, mas também (é importante) ressaltar que, apesar de tudo o que leva muitas pessoas a desistirem, existe força e resiliência." Veja Mais

O que é melhor para a saúde, leite de vaca ou 'alternativos'?

Glogo - Ciência Organizações como o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido recomendam que crianças entre um e três anos consumam 350 miligramas de cálcio por dia - pouco mais de meio litro de leite. Quando se trata de adultos, entretanto, as pesquisas sobre o efeito do leite de vaca são conflitantes. Intolerância à lactose e alergia ao leite, restrições que ainda causam confusão. Shutterstock Os humanos são os únicos seres vivos que bebem o leite de outra espécie. A maioria dos animais para de tomar leite ainda filhotes, quando começam a precisar de alimentos mais complexos. Por que com os humanos é diferente? As pessoas que vivem em partes do mundo onde as vacas foram domesticadas - começando no sudoeste da Ásia e se espalhando pela Europa - só passaram a serem capazes de digerir a lactose cerca de 10 mil anos atrás. O resultado é que apenas cerca de 30% da população mundial continua produzindo lactase, a enzima necessária para ser capaz de digerir lactose até a idade adulta. O restante reduz sua produção após a fase de desmame da infância. Cápsulas imitam o funcionamento da lactase; enzima que já temos no corpo A maioria das pessoas torna-se intolerante à lactose, tornando os europeus que bebem leite, junto com algumas populações africanas, do Oriente Médio e do sul da Ásia, a exceção - e não a regra. Mesmo aqueles que conseguem digeri-la podem querer reduzir a ingestão de leite por causa de outras preocupações, como saúde e os custos ambientais da pecuária, que têm impulsionado o crescimento do consumo de alternativas ao leite de vaca. Mas existem benefícios para a saúde de trocar o leite de vaca por outra bebida, ou o leite de vaca fornece nutrientes vitais que não podemos obter de outras fontes? E o leite realmente agrava a intolerância à lactose da maioria das pessoas? O leite de vaca é uma boa fonte de proteína e cálcio, além de nutrientes, incluindo vitamina B12 e iodo. Ele também contém magnésio, que é importante para o desenvolvimento ósseo e para a função muscular, e soro e caseína, que desempenham um papel importante na redução da pressão arterial. O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido recomenda que crianças entre um e três anos consumam 350 miligramas de cálcio por dia, o que significa pouco mais de meio litro de leite. Mas quando se trata de adultos, as pesquisas sobre o efeito do leite de vaca são conflitantes. Embora o cálcio seja necessário para manter os ossos saudáveis, não está claro se uma dieta rica em cálcio aumenta a resistência a fraturas, por exemplo. Vários estudos não encontraram redução significativa no risco de fratura por beber leite, enquanto alguns indicam que o leite pode, na verdade, aumentar a probabilidade. Uma pesquisa realizada na Suécia descobriu que mulheres que bebiam mais de 200 mililitros de leite por dia - menos de um copo - apresentavam maior risco de fraturas. Nesse caso, entretanto, os autores ponderaram que as descobertas não necessariamente indicavam uma relação de causalidade. Pode ser que pessoas mais propensas a fraturas tendam a beber mais leite, alertam. Mas o cálcio é crucial durante a adolescência para o desenvolvimento da força óssea, diz Ian Givens, especialista em nutrição da Universidade de Reading, na Inglaterra. "Se você não tem o desenvolvimento ósseo correto na adolescência, corre um risco maior de ter fraqueza óssea mais adiante na vida, principalmente mulheres após a menopausa, quando perdem os benefícios do estrogênio", diz Givens. Preocupações com a saúde Outra preocupação com o leite nas últimas décadas são os hormônios que ele tem. As vacas são ordenhadas durante a gravidez, quando seus níveis de estrogênio aumentam 20 vezes. Embora um estudo tenha vinculado esses níveis de estrogênio ao câncer de mama, de ovário e uterino, Laura Hernandez, que estuda biologia da lactação na Universidade de Wisconsin, nos EUA, diz que a ingestão de hormônios através do leite de vaca não é motivo de preocupação. Afinal, "o leite humano também contém hormônios - faz parte de ser um mamífero", diz ela. Uma revisão mais recente de estudos que investigam se a quantidade de estrogênio consumida via leite é prejudicial não encontrou motivo para preocupação. Os pesquisadores descobriram que os níveis de estrogênio só começam a afetar os sistemas reprodutivos dos ratos quando estão presentes em 100 vezes os níveis encontrados no leite de vaca. Os pesquisadores só detectaram um aumento nos níveis de estrogênio em camundongos fêmeas e uma diminuição dos níveis de testosterona em camundongos machos após a dosagem atingir mil vezes os níveis normais. É muito improvável que os humanos sejam mil vezes mais sensíveis aos níveis de estrogênio no leite do que os ratos, diz o autor do estudo, Gregor Majdic, pesquisador do Centro de Genômica Animal da Universidade de Liubliana, na Eslovênia. Estudos também descobriram uma ligação entre a ingestão de leite e doenças cardíacas, devido ao conteúdo de gordura saturada. Mas o leite integral contém apenas cerca de 3,5% de gordura, o semidesnatado, em torno de 1,5% e o leite desnatado, 0,3%. As bebidas sem açúcar feitas de soja, amêndoa, cânhamo, coco, aveia e arroz têm níveis mais baixos de gordura que o leite integral. Em um estudo, os pesquisadores dividiram os participantes em quatro grupos com base na quantidade de leite que consumiam e descobriram que apenas aqueles que bebiam mais - quase um litro por dia - tinham um risco aumentado de doença cardíaca. A associação pode ser porque aqueles que bebem tanto leite não têm uma dieta saudável, diz Jyrkia Virtanen, epidemiologista nutricional da Universidade do Leste da Finlândia. "Apenas uma ingestão muito alta de leite pode ser ruim, não há pesquisas sugerindo que a ingestão moderada seja prejudicial", diz ele. Também é possível que aqueles com intolerância à lactose possam beber pequenas quantidades de leite de vaca. Alguns especialistas argumentam que sintomas adversos - como inchaço e cólicas estomacais - são uma resposta ao acúmulo de lactose no corpo, e cada indivíduo tem um limiar diferente antes de sentir os sintomas. Christopher Gardner, cientista de nutrição do Stanford Prevention Research Center, na Califórnia, realizou um estudo comparando os sintomas de pessoas com intolerância à lactose quando bebiam duas xícaras de leite de soja, leite cru ou leite comum todos os dias. Ele descobriu que muitos deles não apresentavam sintomas graves. "Descobrimos que a intolerância à lactose é menos uma dicotomia do que uma coisa gradual, e que muitas pessoas podem tolerar quantidades modestas de laticínios", diz ele. A crescente demanda por alternativas Embora existam muitas pesquisas analisando os efeitos do leite de vaca em nossa saúde, há menos pesquisas sobre alternativas ao leite. Uma olhada no corredor de leite de qualquer supermercado sugere uma demanda crescente por essas alternativas, feitas com soja, amêndoas, castanha de caju, avelã, coco, macadâmia, arroz, aveia ou cânhamo. O ingrediente principal é processado e diluído com água e outros ingredientes, incluindo estabilizadores, como goma de gelana e goma de alfarroba. O leite de soja é o melhor substituto para o leite de vaca em termos de proteína, pois é o único com conteúdo de proteína comparável. Mas as proteínas em bebidas alternativas podem não ser proteínas "verdadeiras", diz Givens. "Pode ser uma proteína de qualidade substancialmente mais baixa que o leite, que é um ponto crítico para crianças e idosos em particular, que têm uma necessidade absoluta de proteína de alta qualidade para o desenvolvimento ósseo", diz ele. Não há pesquisas que sugiram que possamos obter muita nutrição dos principais ingredientes dessas bebidas, diz Sina Gallo, cientista em nutrição do departamento de estudos nutricionais e alimentares da George Mason University, na Virgínia, EUA. Eles podem conter outros micronutrientes, ela acrescenta, mas você não obtém os mesmos benefícios de uma bebida de amêndoa que obteria se comesse amêndoas. As alternativas ao leite geralmente são enriquecidas com os nutrientes que ocorrem naturalmente no leite de vaca, como o cálcio. Mas os cientistas não sabem se vitaminas e minerais enriquecidos nos dão os mesmos benefícios à saúde que os que ocorrem naturalmente no leite de vaca e afirmam que são necessárias mais pesquisas para estabelecer as consequências da adição de cálcio. Nos EUA, no entanto, o leite de vaca é enriquecido com vitamina D, e as pesquisas sugerem que isso pode ter efeitos benéficos semelhantes ao obter a vitamina naturalmente da exposição ao sol. No entanto, especialistas recomendam que não acreditemos que essas alternativas sejam iguais para crianças, diz a nutricionista Charlotte Stirling-Reed - mesmo quando fortificadas. "O leite de vaca é um alimento muito denso em nutrientes, e o leite vegetal enriquecido nem sempre cobre todos os nutrientes", diz ela. Stirling-Reed argumenta que precisamos de orientações de saúde pública sobre se bebidas alternativas podem ser usadas como substituto do leite de vaca para crianças e idosos. "Mudar as crianças do leite de vaca para outras bebidas pode gerar um problema de saúde pública, mas ainda não temos muita pesquisa sobre isso." Também há preocupações sobre o que as alternativas ao leite contêm e o que elas não têm. Embora o leite de vaca contenha lactose, um açúcar que ocorre naturalmente, as alternativas ao leite geralmente contêm açúcar adicionado, o que é mais prejudicial à nossa saúde. Decidir beber leite de vaca ou uma das muitas alternativas pode nos deixar confusos - em parte porque existem muitas opções. Escolher sua alternativa ao leite deve envolver analisar as informações nutricionais de cada uma e decidir qual bebida é melhor para você individualmente. Alguém que não é intolerante à lactose, com alto risco de desenvolver osteoporose ou doença cardíaca, por exemplo, pode escolher o leite de vaca com baixo teor de gordura, enquanto alguém que se preocupa com o meio ambiente pode escolher aquele com o menor custo ambiental. "Você pode decidir qual bebida combina com você e continuar a refinar sua dieta e tomar as decisões certas para o seu contexto", diz Gardner. Qualquer que seja sua decisão, você não estará perdendo nutrientes vitais se seguir uma dieta equilibrada. Na maioria dos casos, um substituto pode ser usado no lugar do leite. "Embora não seja necessário evitar o leite, também não é necessário que bebamos leite", diz Virtanen. "Ele pode ser substituído por outros produtos - não há um componente alimentar ou alimento absolutamente necessário para a nossa saúde." VÍDEOS: SAIBA MAIS SOBRE LEITE E LACTOSE Quem tem alergia a leite não pode consumir produtos zero lactose Leite de ovelha tem mais proteína e cálcio Veja Mais

A fantástica recuperação da recém-nascida enterrada viva em uma vala 

Glogo - Ciência Em outubro, a menina foi encontrada viva em uma panela de barro que estava enterrada em um terreno na Índia; seu estado era crítico, mas ela sobreviveu. A bebê foi levada ao hospital em estado crítico em outubro, mas agora está saudável Dr. Ravi Khanna/BBC Uma recém-nascida, que havia sido enterrada viva em uma panela de barro no norte da Índia, se recuperou totalmente, segundo o médico que a atendeu. Em meados de outubro, a garota foi levada ao hospital em estado crítico, sofrendo de uma infecção grave. Além disso, ela tinha uma quantidade baixa de plaquetas no sangue. "A criança ganhou peso e melhorou a respiração – a contagem de plaquetas também está normal", disse o pediatra Ravi Khanna à BBC. Seus pais não foram localizados e ela será adotada após um período de espera obrigatório. Por enquanto, a garota está sob custódia das autoridades de bem-estar infantil no distrito de Bareilly, no Estado indiano de Uttar Pradesh. Ela foi encontrada por acaso por um morador que estava enterrando sua própria filha, que tinha nascido morta. Os hindus geralmente cremam seus mortos, mas bebês e crianças pequenas são frequentemente enterrados. O morador disse que havia cavado cerca de 90 centímetros abaixo da superfície quando sua pá bateu em um pote de barro, que se quebrou. Foi então que ele ouviu um choro de bebê. Quando ele puxou a panela, encontrou a criança ainda viva. Inicialmente, ela foi levada ao pronto-socorro do governo local, mas, dois dias depois, foi transferida para o hospital pediátrico de Ravi Khanna, que possui melhores instalações. Os médicos disseram que ela era um bebê prematuro, possivelmente nascido com 30 semanas de gestação. A garota pesava apenas 1,1 quilo. Encolhida, ela estava em estado de hipotermia e apresentava hipoglicemia (baixo nível de açúcar no sangue). "Quando a entregamos às autoridades do hospital distrital, ela pesava 2,57 quilos. Ela está aceitando mamadeira e agora está totalmente saudável", disse Khanna, nesta semana. Não se sabe quanto tempo o bebê ficou enterrado. Os médicos dizem que não sabem exatamente como ela conseguiu sobreviveu. Khanna disse que o bebê pode ter sido enterrado "de três a quatro dias antes de ser encontrada, sobrevivendo com sua gordura marrom". Os bebês nascem com gordura no abdômen, na coxa e na bochecha e podem sobreviver em caso de emergência por algum tempo. Mas outros especialistas dão uma estimativa mais conservadora: dizem que ela só se manteve viva porque ficou embaixo da terra por "duas a três horas". Segundo eles, a garota poderia ter sobrevivido por "mais uma ou duas horas" se não tivesse sido resgatada. O pediatra Ravi Khanna diz que a garota já aceita mamadeira e agora está totalmente saudável Dr. Ravi Khanna/BBC Uma bolsa de ar dentro da panela deve ter fornecido oxigênio para ela. Ou o ar poderia ter entrado no solo através de uma rachadura, segundo especialistas. Em outubro, a polícia iniciou um processo criminal para procurar os pais da recém-nascida ou alguma outra pessoa que possa ter enterrado o bebê. A polícia afirmou acreditar que os pais da criança eram cúmplices do crime, porque, mesmo depois do caso ser amplamente divulgado na Índia, ninguém se apresentou para reencontrar o bebê. As autoridades não especularam sobre possíveis motivos para o crime, mas a discriminação de gênero da Índia é uma das piores do mundo. As mulheres são frequentemente discriminadas socialmente e as meninas são vistas como um fardo financeiro, especialmente nas comunidades mais pobres. OUTRO CASO: BEBÊ ABANDONADO EM CAIXA DE PAPELÃO Polícia investiga o abandono de um bebê recém-nascido no interior de São Paulo Veja Mais

Médicos espanhóis revivem mulher após mais de seis horas de parada cardíaca

Glogo - Ciência Dispositivo de ressuscitação usado pela primeira vez na Espanha possibilitou que médicos recuperassem os sinais vitais da paciente mesmo após longo tempo sem sinais vitais. Médicos espanhóis explicam procedimento de ressuscitação de parada cardíaca no hospital de Vall d'Hebron Reprodução Twitter/Vall d’Hebron Barcelona Hospital Campus Médicos espanhóis conseguiram salvar a vida de uma britânica que passou mais de seis horas em parada cardíaca após sofrer hipotermia durante uma excursão nas montanhas, informaram nesta quinta-feira (5) em entrevista coletiva. "É como um milagre", reconheceu Audrey Marsh, de 34 anos, em entrevista coletiva em Barcelona com os médicos que conseguiram salvar sua vida em 3 de novembro. "É a parada cardíaca mais longa com recuperação já documentada na Espanha. Nos Alpes e na Escandinávia existem casos documentados semelhantes", disse à AFP o médico Eduard Argudo, responsável pela reanimação no hospital Vall d'Hebron de Barcelona. Audrey Marsh ao lado dos médicos e socorristas que participaram de seu atendimento, em evento para a imprensa Reprodução Twitter/Vall d’Hebron Barcelona Hospital Campus A mulher, residente nesta cidade, perdeu a consciência por volta das 13h00 quando foi surpreendida por uma tempestade de neve durante uma travessia pelos Pireneus (cordilheira no norte da Espanha) com o marido. Quando a equipe de resgate os alcançou às 15h35, a mulher não apresentava sinais vitais ou atividade cardíaca e sua temperatura corporal era de 18 graus. Dispositivo inédito As primeiras manobras de ressuscitação não tiveram efeito e ela foi levada de helicóptero para o hospital de Barcelona, que possui um dispositivo inovador chamado ECMO. Este dispositivo, usado pela primeira vez na Espanha para ressuscitação, consiste em uma máquina que se conecta ao sistema cardíaco do paciente para substituir a função pulmonar e cardíaca. A máquina retira o sangue de uma veia, o aquece, o oxigena e o reintroduz no corpo através de uma artéria. Por volta das 21h45, mais de seis horas depois que as equipes de resgate a encontraram em parada cardíaca e quando seu corpo já havia atingido 30 graus, os médicos tentaram ressuscitá-la. "Decidimos realizar uma descarga elétrica para tentar despertar seu coração e foi assim que aconteceu", disse Argudo. Segundo o médico, parte do sucesso se deve à hipotermia. "A hipotermia mata e salva ao mesmo tempo. Com o frio, o metabolismo diminui, os órgãos precisam de menos sangue e menos oxigênio e isso permite que o cérebro fique bem", explicou. A recuperação foi extraordinariamente rápida e, seis dias depois, ela já havia deixado a unidade de terapia intensiva sem sequelas neurológicas. Suas mãos ainda não recuperaram toda a mobilidade, mas "ela tem vida praticamente normal" e "voltará ao trabalho nos próximos dias", informou o hospital em comunicado. Veja Mais

Pesquisadora italiana recebe prêmio de instituto brasileiro por estudo sobre Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

Glogo - Ciência Instituto Paulo Gontijo (IPG) seleciona pesquisas de excelência que buscam a cura ou a melhora da qualidade de vida de portadores da ELA. Marcela Gontijo, Presidente do IPG, e Laura Ferraioulo, vencedora do prêmio. Divulgação A cientista italiana Laura Ferraioulo, do Sheffield Institute of Translational Neuroscience, da Universidade de Sheffield recebeu nesta quarta-feira (4), na Austrália, o prêmio Paulo Gontijo, dedicado a pesquisas sobre as causas e a cura da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). A vencedora receberá a quantia de 20 mil dólares. Brasileiros participam de pesquisa sobre genes da ELA Anualmente, o Instituto Paulo Gontijo, com parcerias internacionais, destaca trabalhos que visam encontrar respostas para a doença que atinge o sistema nervoso de forma progressiva e degenerativa. O trabalho premiado foi realizado por um grupo de neurocientistas que têm se dedicado a identificar como a comunicação entre moléculas que estão no interior das células podem ajudar na sobrevivência dos neurônios. A descoberta da cientista pode influenciar no tratamento da ELA. Brasil participa de pesquisa internacional para desvendar a esclerose lateral amiotrófica Segundo a Associação Pró-crua da ELA, existem cerca de 12 a 15 mil pessoas com a doença no Brasil e quase 5 mil pessoas são diagnosticadas com ELA, anualmente, no país. Estima-se, também, que cerca de 200 mil pessoas tenham a doença no mundo. De acordo com o Ministério da Saúde, não há cura para a Esclerose Lateral Amiotrófica e, desde 2009, o Sistema Único de Saúde (SUS), oferece assistência e medicamentos gratuitos, de forma integral, aos pacientes diagnosticados com a doença. Infografia: Karina Almeida/G1 Especialista tira dúvidas sobre esclerose lateral amiotrófica Veja Mais

Brancos nos EUA recebem mais tratamento preventivo contra HIV que negros e latinos

Glogo - Ciência Dados são dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), órgão de saúde americano. Pílula do medicamento Truvada, usado na profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV Paul Sakuma/AP Um estudo divulgado nesta terça-feira (3) pelas autoridades sanitárias norte-americanas aponta que os médicos do país prescrevem mais tratamentos preventivos contra o vírus HIV para pessoas brancas. Mesmo se protocolos como a PrEP são autorizados nos Estados Unidos desde 2012, negros e latinos têm bem menos acesso ao dispositivo. Total de cadastrados para usar a PrEP, pílula para evitar HIV, sobe 38% no Brasil em cinco meses Os números publicados pelos Centros de Controle e de Prevenção de Doenças (CDC) ilustram as disparidades que persistem no país, apesar da promessa do presidente norte-americano Donald Trump de erradicar a epidemia da Aids até 2030. Os dados confirmam um alerta que já havia sido feito por especialistas: as desigualdades raciais e sociais estão entre os principais obstáculos na luta contra a doença. A profilaxia pré-exposição, conhecida como PrEP, é recomendada sistematicamente nos Estados Unidos aos homens que mantêm relações sexuais com outros homens, aos heterossexuais que adotam comportamentos de risco ou pessoas que utilizam seringas para se drogar. Atualmente, 18% dessa população já estaria se beneficiando do protocolo, contra 9% em 2016. No entanto, essa estatística, que poderia ser vista como um avanço, esconde as disparidades sociais, pois entre esses usuários da PrEP, 42% são brancos, 11% são latinos e apenas 6% são negros. Além disso, em locais que concentram pessoas com maior poder aquisitivo, como Nova York, 41% da população considerada em risco usa o tratamento, enquanto nos estados mais pobres e rurais do sul do país, essa proporção cai para 15%. Negros soropositivos nem sempre têm acesso a tratamentos O estudo também chama a atenção para o número de negros soropositivos que nem sempre têm acesso aos antirretrovirais. Esses tratamentos permitem atingir uma carga viral indetectável (impossibilidade de transmitir o vírus) após seis meses de aplicação. Mas, para isso, o paciente tem que usar os medicamentos diariamente. No entanto, apontam os peritos dos CDC, muitos dos negros soropositivos nos Estados Unidos não têm nenhum tipo de plano de saúde, o que torna mais difícil seguir o rigor do tratamento. Em 2018, mais de dois terços dos novos casos de HIV dos Estados Unidos foram registrados em negros ou hispânicos. Veja Mais

Por que foi o azar, e não a ação do 'Homo sapiens', que acabou com os neandertais

Glogo - Ciência Teoria apontava que os neandertais começaram a desaparecer quando uma onda de humanos modernos emigrou da África, cerca de 60 mil anos atrás, e assumiu uma competição que os levou a desaparecer da face da Terra. Os neandertais morreram 40 mil anos atrás, de acordo com as estimativas científicas Getty Images via BBC Aparentemente, a culpa pelo fim de nossos 'primos' neandertais não foi nossa, mas do fato de eles terem muito azar na vida e no amor. De acordo com um certo consenso que existia até agora entre os cientistas, foi responsabilidade do Homo sapiens a extinção de nossos parentes corpulentos de sobrancelhas grossas, 40 mil anos atrás. Essa teoria diz que os neandertais começaram a desaparecer quando uma onda de humanos modernos emigrou da África, cerca de 60 mil anos atrás, e iniciou uma competição que os levou a desaparecer da face da Terra. Mas, de acordo com uma pesquisa de uma equipe de cientistas da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, na Holanda, parece essa ideia estava errada. De acordo com o estudo publicado esta semana na revista científica "PLOS One", quando os sapiens chegaram à Eurásia a população dos pobres neandertais estava despencando por algum misterioso movimento de evolução... ou destino. "A principal conclusão do nosso trabalho é que não eram necessários humanos para a extinção dos neandertais. É possível que tenha sido apenas azar", indicam os autores. Eles afirmam ainda que as simulações de computador realizadas pela equipe sugerem que os neandertais estavam à beira da extinção, e já estavam havia centenas de milhares de anos, quando o Homo sapiens os encontrou. Segundo arqueólogos, mais que a chegada dos sapiens da África, é provável que uma série de eventos infelizes tenha conspirado contra eles e os tenha levado ao limite. Como eles chegaram a essa conclusão? Durante o estudo, os pesquisadores fizeram modelos de computador para tentar determinar como a população de neandertais evoluiu ao longo de um período de 10 mil anos, levando em consideração três fatores diferentes: Consanguinidade (sabe-se que eles eram tão poucos que acabaram se reproduzindo entre os membros de sua comunidade) Os chamados efeitos Allee (explicando por que algumas pequenas populações não crescem devido à escolha limitada de casais e porque têm muito poucas pessoas para caçar, proteger alimentos de outros animais e criar os filhos do grupo) Flutuações naturais nas taxas de natalidade, nas mortes e nas relações sexuais. Neandertais e 'Homo sapiens' se alimentavam principalmente de plantas e mamutes Getty Images via BBC No final, os resultados mostraram que, quando o Homo sapiens chegou à Europa, a população de neandertais era tão pequena que os três elementos anteriores poderiam explicar sua extinção: tantos fatores de "má sorte demográfica" estavam unidos que, por si só, os teriam os levado a desaparecer. O pequeno número de indivíduos e a reprodução entre eles, que limitou a variabilidade genética, podem ter fadado a espécie à extinção, indica o estudo. Segundo os acadêmicos, portanto, foi necessário apenas um grupo de flutuações demográficas aleatórias para que eles desaparecem para sempre. Então, o 'Homo sapiens' não teve nenhuma culpa? O estudo não "absolve" completamente os seres humanos. Especialistas acreditam que a chegada do Homo sapiens pode ter dificultado a migração de neandertais e sua reprodução com outras populações e, portanto, exacerbado os problemas existentes, como endogamia e efeitos Allee. No entanto, eles duvidam que isso tenha ocorrido devido à competição entre as duas espécies, como se acreditava até hoje. Pelo contrário, o estudo aponta que se trata mais da maneira pela qual os humanos que chegavam reformaram as populações existentes de neandertais em seus habitats. Assim, a hipótese sugere que humanos primitivos poderiam ter "acelerado o processo de declínio", embora não tivessem um impacto direto na extinção. Veja Mais

Por que o tempo sempre anda para a frente, nunca para trás

Glogo - Ciência Algo que todos nós sabemos é que o tempo se move em uma direção. Mas você já se perguntou sobre qual é o motivo? Os cientistas já fizeram esse questionamento, e encontraram a resposta em um motor a vapor. Reflexões sobre o tempo existem desde a Antiguidade VisualHunt Assim como comprimento, altura e largura, o tempo é uma dimensão. Mas, ainda que possamos nos mover em qualquer sentido nas outras três opções, só podemos avançar em uma direção no tempo: adiante e sem parar. Por quê? Por que não podemos voltar atrás? Por muito tempo, os cientistas não conseguiram encontrar uma explicação convincente. Uma das complicações era que as leis da física funcionavam bem, seja indo adiante ou para trás no tempo. Finalmente, a resposta veio de um lugar inesperado: os motores a vapor. No início da Revolução Industrial, os engenheiros tentavam compreender como fazer com que as máquinas a vapor fossem mais eficientes. Ao examinar como todo esse calor e energia se moviam em um motor, desenvolveram um campo completamente novo da ciência que chamaram, adequadamente, de termodinâmica. A força do calor Acontece que a termodinâmica pode explicar muito mais do que o comportamento das máquinas a vapor. Em especial, a segunda lei da termodinâmica ajudou a compreender por que as coisas acontecem em uma ordem determinada. Tal lei aponta que um sistema isolado pode ou permanecer fechado ou evoluir para um estado mais caótico, mas nunca para outro mais ordenado. Uma xícara cai no chão, por exemplo, e todo o seu conteúdo se espalha. Intuitivamente, nós sabemos que o processo é irreversível. As coisas têm uma forma de se desorganizar, mas algumas delas podem voltar à ordem, e a segunda lei da termodinâmica diz o porquê. Outra forma de comprovar isso é em termos de desordem. Uma xícara está em ordem e, ao quebrar, se desordena, se bagunça. A palavra em física para isso é... ...Entropia Quanto mais entropia há em um lugar, mais desordenado, bagunçado e inútil ele é. Assim estabelece a segunda lei da termodinâmica. O "S" representa a entropia e o "d" é uma forma matemática de representar mudança. Portanto, "dS" equivale a uma mudança na entropia. Quanto mais entropia há em um lugar, mais desordenado, bagunçado e inútil ele é. BBC Agora, ao observar essa equação da esquerda para a direita, o que ela diz é que a entropia de um sistema tem sempre que aumentar. Quando uma xícara se estilhaça, ou quando o leite se mistura com o café, isso também está de acordo com a segunda lei da termodinâmica porque a entropia dessas coisas aumenta. Mas se a expectativa for de que a xícara se reconstitua, ou que o leite e o café se separem, isso significaria uma queda em entropia. E, portanto, violaria a segunda lei. A segunda lei da termodinâmica indica em que ordem as coisas podem acontecer no Universo. Ela nos dá uma direção clara de como o fluxo que nós chamamos de tempo se move: adiante. O tempo simplesmente não pode fluir de forma diferente porque isso diminuiria a entropia e, consequentemente, violaria a segunda lei. Mas para onde nos leva a marcha implacável do tempo? A entropia do Universo — ou seja, a desordem — está sempre aumentando. Sempre. Isso significa que, em algum momento em um futuro distante, o nosso Universo chegará a um estado de desordem total, de entropia máxima. Os cientistas chamam isso de "morte térmica". Pesquiadores da UEM ganharam reconhecimento internacional com uma pesquisa da Física Apesar do nome, a morte por calor não será um inferno ardente em que todos serão reduzidos a cinzas. Será pior. O que acontecerá, segundo essa previsão vinda da física, é que todas as diferenças térmicas desaparecerão, fazendo com que tudo tenha a mesma temperatura e que não haja mais vida. Todas as estrelas morrerão, quase toda a matéria vai se decompor, deixando apenas um amálgama de partículas e radiação. Com o tempo, também essa energia desaparecerá, devido à expansão do Universo, que, por fim, se tornará gelado, morto e vazio. É isso que se chama de "Big Freeze": o Grande Congelamento. Assim acabará o nosso Universo. Mas não se preocupe: faltam bilhões e bilhões de anos para que esse destino sombrio chegue e, até lá, não haverá humanos para testemunhar como o tempo e a entropia terão devastado nosso Universo. Veja Mais

Livro mostra que economia da longevidade pode ser saída para o crescimento

Glogo - Ciência “Criou-se uma percepção de que, depois da reforma da Previdência, tudo estará resolvido e poderemos envelhecer tranquilamente”, diz autor “Economia da longevidade – o envelhecimento populacional muito além da previdência” é uma obra que amplia e aprofunda o debate sobre o tema que vem mobilizando o país. Seu autor, Jorge Felix, é jornalista e professor de empreendedorismo, economia e finanças para a gerontologia na USP. O livro foi baseado em sua tese de doutorado, mas pode ser lido sem dificuldade pelo público em geral. O primeiro ponto abordado por Felix já causa desconforto. Ele afirma que a discussão sobre a previdência vem sendo intencionalmente confinada à necessidade de solvência das contas do sistema previdenciário, para que não quebre. Isso é verdade, mas não esgota a complexidade do tema, explica: “criou-se uma percepção de que, depois da reforma, tudo estará resolvido e poderemos envelhecer tranquilamente”. No entanto, o contexto histórico da dinâmica demográfica ficou fora dessa narrativa. Cito uma frase presente em muitas discussões sobre a longevidade: “países ricos ficaram ricos antes de envelhecer e os pobres, Brasil incluído, envelhecerão antes de ficar ricos”. A tese foi replicada por publicações de diversos organismos internacionais, como o Banco Mundial. Acontece que os países ricos começaram a envelhecer sob as bênçãos de um Estado de bem-estar social que buscava garantir os direitos de seus cidadãos. Pelo menos durante três décadas, depois da 2a. Guerra Mundial, forjou-se um capitalismo de construção, ou reconstrução, que previa um “seguro coletivo” para os indivíduos e acabou se traduzindo em maior distribuição de renda. O mundo do trabalho contava com promoções regulares e estabilidade. Para Jorge Felix, é como abrir a caixa preta da História, que desmonta a teoria de que primeiro é preciso que o bolo cresça para depois dividi-lo. “Esses países cresceram enquanto proporcionavam uma rede de proteção social para os cidadãos”. Jorge Felix, autor do livro “Economia da longevidade – o envelhecimento populacional muito além da previdência” Divulgação: Décio Figueiredo Entretanto, o que se vê hoje é uma quebra do antigo pacto ou, como aponta o autor, a era do “capitalismo de desconstrução”. No lugar do antigo seguro social, assistimos à ascensão do liberalismo, da ampliação do Estado mínimo, da desregulamentação financeira. “Não é um fenômeno restrito ao Brasil, a rede de proteção social vem diminuindo em outros países”, avalia. A longevidade também é desafio para as nações ricas, principalmente onde a desigualdade cresceu, como nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha. Os britânicos vêm perdendo expectativa de vida: as mulheres passaram de de 87,1 para 86,2 anos; os homens, de 84,3 para 83,4 anos – um ano a menos para cada indivíduo. O Brasil envelhece dentro desse quadro de capitalismo de desconstrução. No livro, ressalta que a falta amparo à criança na fase pré-escolar e a dívida com a escravidão, jamais paga, comprometem a qualificação de mão de obra – o que vai gerar um impacto negativo na longevidade. “O envelhecimento é diverso e está diretamente ligado à desigualdade. Sou otimista ao constatar que vivemos mais que as gerações passadas, mas isso não significa que as pessoas vão envelhecer bem”, diz. E acrescenta: “o capitalismo quer indivíduos produtivos. Por isso utilizou crianças como mão de obra durante bastante tempo e demorou a absorver a infância como um grupo a ser protegido. Agora, será preciso percorrer caminho semelhante em relação aos velhos”. O autor enfatiza que o mercado de poupança para a aposentadoria é extremamente atraente para players internacionais, mas lembra que 73% dos brasileiros não têm qualquer capacidade de poupar. Na sua opinião, vivemos hoje uma “corrida populacional”, na qual os países com maior habilidade para solucionar esse desafio estão aptos a manter ou alcançar um estágio satisfatório de desenvolvimento. Para ele, a saída será apostar na economia da longevidade como um mercado transversal, e não de nicho, porque envolve uma ampla gama de indústrias e serviços. O papel do setor público nesse debate é crucial, para estimular o engajamento das empresas. Segundo Felix, é preciso “entrar na lógica capitalista e garantir que a economia da longevidade seja impulsionada”. Veja Mais

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Campanha de vacinação contra sarampo para adultos de 20 a 29 anos termina neste sábado

Glogo - Ciência No mesmo dia, acontece o Dia D de vacinação para este público, que tem a maioria dos casos registrados. Dia D da vacinação contra o sarampo Divulgação/SES A campanha nacional de vacinação contra sarampo para adultos de 20 a 29 anos termina neste sábado (30). Na mesma data acontece o Dia “D” da campanha para este público. Jovens na faixa etária desta fase da campanha são maioria entre os casos registrados. Segundo dados recentes, eles respondem por 30,6% do número total de casos de sarampo no Brasil. Nesta fase, o Ministério da Saúde espera vacinar 9,4 milhões de pessoas. A campanha nacional de vacinação contra sarampo teve início em 18 de novembro. Segundo o Ministério da Saúde, 11.896 casos da doença e 15 óbitos foram confirmados no país até o começo de novembro. A maioria deles (93,2%) estão concentrados no estado de São Paulo. Este sábado é dia nacional de vacinação contra o sarampo Doença altamente contagiosa O sarampo é uma doença altamente contagiosa que pode evoluir para complicações e levar à morte; Os principais sintomas são febre, manchas avermelhadas na pele do rosto e tosse persistente; A prevenção da doença é feita por meio da vacinação, e os especialistas reforçam que não há relação entre a vacina e o autismo. Entenda o que é sarampo, quais os sintomas, como é o tratamento e quem deve se vacinar Infografia: Karina Almeida/G1 Initial plugin text Veja Mais

O cachorro-lobo de 18 mil anos que intriga os cientistas

Glogo - Ciência Pesquisadores investigam se espécime, encontrado praticamente intacto no solo congelado, representa um elo evolucionário entre cachorros e lobos. Cachorro ou lobo? A pergunta intriga cientistas que estudam um filhote de 18 mil anos que foi encontrado praticamente intacto na Sibéria, região da Rússia. O corpo do animal, que tinha dois meses quando morreu, foi preservado graças ao permafrost (solo composto por terra, gelo e rochas congelados) da região da Rússia, com pelo, nariz e dentes intactos. Afirma-se que os cachorros modernos sejam descendentes dos lobos, mas não há consenso sobre o início da domesticação dos cachorros Sergey Fedorov/BBC A técnica de datação por radiocarbono permitiu determinar tanto a idade do animal ao morrer quanto o período em que ele esteve congelado. Já a análise genética, por outro lado, indicou que o filhote era macho. Mas Love Dalén, do Centro de Paleogenética da Suécia, levanta a questão em aberto: "Era um membro de uma alcateia ou o cachorro mais antigo já encontrado?". Os especialistas realizaram um sequenciamento do DNA, mas ainda assim não foi possível determinar a espécie. Uma hipótese levantada foi a de que o animal seria um elo evolucionário entre lobos e cachorros modernos. Dave Stanton, do mesmo centro sueco de paleogenética, afirmou à CNN que o sequenciamento genético indicava que o animal teria vindo de uma população que é ancestral comum de cachorros e lobos. O sequenciamento do DNA deve continuar a fim de revelar mais informações sobre a evolução dos cachorros e dos lobos. Cachorro ou lobo? A pergunta intriga cientistas que estudam um filhote de 18 mil anos que foi encontrado praticamente intacto na Sibéria, região da Rússia Love Dalén/BBC O filhote foi apelidado de "Dogor", que significa "Amigo" na linguagem yakut, falada na Sibéria. Afirma-se que os cachorros modernos sejam descendentes dos lobos, mas não há consenso sobre o início da domesticação dos cachorros. Um estudo publicado em 2017 sugere que esse processo tenha ocorrido entre 20 mil e 40 mil anos atrás. Veja Mais

Meteoros 'carregados' com açúcar podem ter sido fundamentais para o surgimento da vida na Terra

Glogo - Ciência Ilustração artística de como teria sido a Terra na época do 'Grande Bombardeio' Nasa Mas como é? Sim, é mais ou menos isso, de acordo com pesquisadores da Universidade Tohoku no Japão e da Nasa. No fim da semana passada, pesquisadores das duas instituições publicaram os resultados de um estudo que afirma ter encontrado um tipo de açúcar essencial para a criação de vida em fragmentos de meteoritos. Os meteoritos foram recolhidos em diversos lugares da Terra e o açúcar em questão é a ribose, um constituinte essencial do ácido ribonucleico, ou RNA. O RNA é um tipo de ácido nucleico formado por unidades menores chamadas nucleotídeos. Mas o mais importante é que o RNA participa de várias funções biológicas, como a codificação genética e a o reconhecimento de proteínas. O RNA é uma das macromoléculas essenciais à vida, como é o ácido desoxirribonucleico (DNA), as proteínas, os lipídeos e os carboidratos. O RNA “informa” ao DNA como os organismos devem produzir as proteínas, por exemplo. Estrutura de uma molécula de ribose e um meteorito estudado Yoshihiro Furukawa/Arquivo Pessoal De acordo com Yoshihiro Furukawa, o líder desse estudo, o RNA deve ter sido o responsável pelo surgimento e desenvolvimento inicial da vida na Terra: ele tem uma molécula muito mais simples e que tem a capacidade de se replicar sem a ajuda de outras moléculas, ao contrário do DNA. Além disso, os açúcares que compõem o DNA ainda não foram encontrados em meteoritos. Ou seja, muito antes da formação da molécula de DNA, já havia condições para a formação da molécula de RNA. Uma das consequências deste estudo é que a química essencial à vida tem condições de ser processada em asteroides e meteoros ao longo de bilhões de anos. Os asteroides e meteoros, assim como cometas também, poderiam transportar esses ingredientes pelo espaço e ao atingir um planeta com condições favoráveis, fazer com que a vida surja, ou se desenvolva mais rápido. No início do Sistema Solar, havia muitos objetos como meteoros e asteroides vagando por entre os planetas ainda em formação. Nessa época a Terra passou por um período de intenso bombardeio sendo alvo desses asteroides de diversos tamanhos. Concepção artística de um asteroide no cinturão de Kuiper, no limite do nosso Sistema Solar NASA Por essa época a vida pode ter surgido na Terra, ou mesmo ter sido trazida de fora, mas a frequência e a violência desses impactos impediram que ela florescesse. A isso soma-se o fato de não haver, ainda, uma substância essencial à vida: a água. A própria água deve ter sido trazida de carona em cometas na época do ‘Grande Bombardeio’, de acordo com as teorias mais aceitas. Assim que a frequência e a violência dos impactos se reduziram, a água pode se condensar formando lagos e oceanos. Com a entrega da ribose através de asteroides, teria sido possível formar RNA numa época pré biótica na Terra e a partir disso a vida pode surgir e evoluir. Essa é uma questão fundamental da astrobiologia, se a vida surgiu na Terra a partir de elementos disponíveis, digamos, naturalmente, ou surgiu com a contaminação de substâncias vindas de fora. Ainda vai demorar muito tempo até que se tenha certeza de qual situação deve ter prevalecido, mas ao que tudo indica, tivemos uma ajudinha de um açúcar extraterrestre! Cientistas anunciam descoberta de água na atmosfera de um planeta fora do sistema solar Veja Mais

O inovador método de imunoterapia que traz esperanças para pacientes com câncer avançado na próstata

Glogo - Ciência Embora número de beneficiados seja relativamente pequeno, estudo constatou que alguns homens ganharam anos extras de vida. Um amplo estudo clínico para testar um medicamento de imunoterapia mostrou que a droga pode ser eficaz em alguns homens com câncer de próstata avançado. Os pacientes que participaram da pesquisa tinham parado de responder às principais opções de tratamento. E o estudo, publicado na revista científica "Journal of Clinical Oncology", mostrou que uma pequena parcela dos participantes permaneceu bem mesmo após o término dos testes, apesar de ter recebido um prognóstico pessimista antes do tratamento. Na semana passada, foi divulgado que o mesmo medicamento se mostrou eficaz no tratamento de câncer de cabeça e pescoço avançado. Campanha Novembro Azul Uberaba Sebastião Santos/PMU O que é imunoterapia? A imunoterapia usa nosso próprio sistema imunológico para reconhecer e atacar células cancerígenas. Já é usada como tratamento padrão para alguns tipos de câncer, como melanomas — e está sendo testada também como medicamento para muitas outras formas de câncer. O tratamento parte da premissa de que o desenvolvimento de um câncer promove uma redução da atividade do sistema imunológico, uma vez que as células tumorais não são reconhecidas por ele e começam a crescer de forma descontrolada. Para superar isso, pesquisadores descobriram maneiras de reverter o processo, ou seja, de ajudar o sistema imunológico a reconhecer as células tumorais e, ao mesmo tempo, aumentar sua resposta, causando a morte das "invasoras". O que o estudo descobriu? A pesquisa mostrou que um em cada 20 homens com câncer de próstata avançado respondeu ao medicamento pembrolizumabe — seus tumores diminuíram ou desapareceram por completo. Embora o número seja relativamente pequeno, o estudo constatou que alguns pacientes ganharam anos extras de vida. Outros 19% apresentaram alguma evidência de melhora. Mas a maioria dos pacientes do estudo viveu em média oito meses usando o medicamento. O ensaio clínico de fase II, conduzido pelo "Institute of Cancer Research" e pela fundação Royal Marsden, ambos no Reino Unido, contou com a participação de 258 homens com câncer de próstata avançado que não respondiam mais a outras opções de tratamento. Qual o próximo passo? As respostas mais satisfatórias foram observadas em pacientes cujos tumores apresentavam mutações nos genes envolvidos na reparação do DNA. Os pesquisadores estão investigando agora se esse grupo pode se beneficiar mais da imunoterapia em um ensaio clínico mais amplo. Mas, antes de tudo, será necessário realizar um teste para identificar que pacientes responderão melhor à medicação. O que os especialistas dizem? "A imunoterapia apresentou enormes benefícios para alguns pacientes com câncer, e é uma notícia fantástica saber que, até no caso do câncer de próstata, em que não vemos muita atividade imunológica, uma proporção de homens tenha respondido bem ao tratamento", diz o professor Paul Workman, diretor-executivo do Institute of Cancer Research. "Uma limitação da imunoterapia é que não existe um teste ideal para selecionar aqueles com maior probabilidade de resposta (ao tratamento)." "É encorajador saber que testes para mutações na reparação do DNA podem identificar pacientes com maior probabilidade de responder (ao tratamento). Estou ansioso para ver como será o estudo mais amplo que vai ser realizado com esse grupo de pacientes", acrescenta. O professor Johann de Bono, oncologista da fundação Royal Marsden, do sistema de saúde público do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês), foi um dos responsáveis ​​pelo estudo. "Não vemos muita atividade do sistema imunológico em tumores da próstata, por isso muitos oncologistas pensavam que a imunoterapia não funcionaria para esse tipo de câncer", diz Bono. "Mas nosso estudo mostra que uma pequena proporção de homens com câncer em estágio final responde (à imunoterapia) e, essencialmente, que alguns desses homens se saíram muito bem de fato." "Descobrimos que homens com mutações nos genes de reparação do DNA respondem especialmente bem à imunoterapia, incluindo dois pacientes meus que agora estão tomando o medicamento há mais de dois anos", completa. Na semana passada, um outro estudo mostrou que o mesmo medicamento manteve sob controle o câncer de cabeça e pescoço em estágio avançado de alguns pacientes por uma média de dois anos — cinco vezes mais que a quimioterapia. Ambos os estudos fazem parte de um campo de pesquisa em ascensão que sugere que a imunoterapia pode oferecer esperança a um número cada vez maior de pacientes com câncer. Especialista alerta sobre importância da prevenção do câncer de próstata O que é a próstata? A próstata é uma glândula do tamanho de uma bola de pingue-pongue, localizada dentro da virilha, entre a base do pênis e o reto. Sua principal função é fornecer o líquido prostático ou seminal que se mistura com o esperma nos testículos, para que os espermatozoides possam sobreviver e serem expulsos durante a ejaculação. E o câncer de próstata? O câncer de próstata se desenvolve quando ocorre crescimento e reprodução anormais de células da glândula. Uma vez que o tumor se desenvolve, se alimenta dos hormônios masculinos. No Brasil, é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca) — ficando atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. O número de pessoas diagnosticadas com a doença tem crescido nos últimos anos. Isso se deve parcialmente ao aumento da expectativa de vida e à evolução dos exames de rotina para diagnosticar o tumor. Cerca de 30% dos homens com câncer de próstata avançado ou estágio 4 sobrevivem por cinco anos ou mais após o diagnóstico. Exames de rotina Ao se aproximar dos 50 anos — ou a partir dos 40, se houver histórico familiar da doença — todos os homens devem começar a fazer exames de rotina para a detecção de câncer de próstata. De acordo com a Prostate Cancer Foundation, há dois tipos simples e relativamente indolores: o exame retal, em que o médico insere um dedo lubrificado e protegido por uma luva no reto para verificar se a glândula tem um crescimento ou forma irregular; e a coleta de sangue, usada para medir níveis de uma proteína produzida pela próstata — se estiverem elevados, pode ser um sinal de câncer. Veja Mais

Maioria dos brasileiros não sabe como funciona a reciclagem, diz pesquisa

Glogo - Ciência Além das regras para reciclagem não serem claras para a maioria dos brasileiros, também há falta de informações sobre os materiais que não podem ser reciclados. Você sabia que nem todo tipo de plástico pode ir para a coleta seletiva? Mulher separa itens de plástico de pilhas de lixo para serem vendidos em lojas de reciclagem em Manila, nas Filipinas Maria Tan/AFP A maioria dos brasileiros não sabe como funciona a coleta seletiva de lixo reciclável e desconhece informações sobre os tipos de materiais plásticos que são reaproveitáveis, segundo uma pesquisa da consultoria global Ipsos feita em 28 países. A pesquisa Um Mundo Descartável — O Desafio das Embalagens e do Lixo Plástico perguntou se as pessoas acham que as regras de reciclagem de lixo doméstico são claras. No Brasil, 54% dos entrevistados disseram que não, ou seja, menos da metade das pessoas entendem o funcionamento da coleta seletiva em sua região. O Brasil está atrás dos outros países pesquisados nesse aspecto: no resto do mundo, a média está em 47%. Crédito de reciclagem: resíduos viram moeda e têm destino rastreado No país, 65% dos entrevistados acreditavam que todos os plásticos podem ser reciclados, o que não é real: alguns tipos, como embalagens metalizadas, adesivos e papel celofane, não podem ir para a coleta seletiva. Em outros países, o desconhecimento é um pouco menor: 55% das pessoas acreditavam que qualquer plástico pode ser reciclado, segundo a pesquisa da Ipsos. Para a diretora da Ipsos Sandra Pessini, a falta de informação é um desafio, mas o Brasil está na frente em outros aspectos. "Os brasileiros estão mais abertos a mudanças, mais dispostos a mudar seus hábitos", afirma ela. Na pesquisa, 68% dos entrevistados no Brasil disseram que mudariam o local onde compram produtos se isso significasse usar menos embalagens. "Quando você olha países desenvolvidos, como o Japão, percebe que, embora eles tenham uma cultura muito forte de coleta seletiva, eles estão menos dispostos a mudar seu comportamento de consumo", diz Pessini. Veja dicas de reciclagem do lixo Os brasileiros também afirmam que os plásticos descartáveis deveriam ser banidos completamente o mais rápido possível — 71% concordam com a afirmação, mesma média mundial. A diretora da Ipsos também uma forte consciência no Brasil sobre a responsabilidade da indústria e do comércio na poluição: a grande maioria dos brasileiros (77%) concorda que as empresas deveriam ser obrigadas a ajudar com a reciclagem e o reuso das embalagens que produzem. "Existe uma expectativa grande do brasileiro em relação a isso. Marcas que conseguirem proporcionar embalagens mais sustentáveis serão beneficiadas", diz a diretora da Ipsos. No Brasil, 76% dos entrevistados disseram que veem com bons olhos as marcas que fazem mudanças para alcançar melhores resultados ambientais. Cobertura da coleta seletiva A pesquisa mostra também uma grande discrepância entre o número de entrevistados que consideram o serviço de reciclagem bom (47%) e a cobertura real de coletiva seletiva no Brasil. Os dados mais recentes, de 2018, mostram que a coleta seletiva atendia, no ano passado, apenas 17% da população brasileira, de acordo com o relatório do Cempre (Compromisso Empresarial de Reciclagem). Os serviços também estão muito concentrados — 83% das cidades com coleta seletiva estão nas regiões Sudeste e Sul do país. Pessini explica que, apesar da cobertura de coletiva seletiva ser muito baixa no país, a diferença existe porque a pesquisa é baseada na percepção das pessoas, não na prática real de fazer a separação. Lixeiras coloridas para coleta seletiva de lixo doméstico Unsplash Em outros países, a média dos entrevistados que consideram bom o serviço de reciclagem nas residências é de 52%. O índice é bem alto no Canadá (70%), na Suécia (70%) e nos Países Baixos (65%). A pesquisa da Ipsos Global Advisor foi realizada em 28 países entre 26 de julho e 9 de agosto. Foram entrevistadas mil pessoas em cada país e a margem de erro para o Brasil é de 3,5 pontos percentuais. Como a pesquisa foi feita online, ela é representativa da população conectada, que no Brasil equivale a 70% da população. Regras de reciclagem O funcionamento da coleta seletiva varia de cidade para cidade, e cabe aos municípios fazer a divulgação correta do serviço. A separação do lixo reciclável do não-reciclável precisa ser feita de acordo com alguns parâmetros, segundo entidades ambientais como o WWF: Embalagens plásticas que contém líquidos ou alimentos precisam ser levadas e colocadas no lixo reciclável sem tampa Vidros também precisam ser lavados e, se tiverem quebrados, precisam ser separados em caixas de papelão ou envoltos em jornal para não ferir o coletor Metais, como latas de de alumínio, precisam ser prensados, se possível Caixas de papelão precisam ser desmontadas Papeis não podem ser metalizados e precisam estar secos Resíduos orgânicos, papeis engordurados ou sujos e embalagens plásticas metalizadas não são recicláveis. O tipo de material que pode ser reciclado também depende da capacidade de processamento de materiais em cada região - alguns locais têm capacidade de reciclar materiais que não são aceitos em outros centros de processamento. Para mais detalhes, procure a Secretaria de Meio Ambiente ou área responsável na prefeitura de sua cidade. Veja Mais

Câmara aprova MP que cria programa Médicos pelo Brasil

Glogo - Ciência Programa substitui o Mais Médicos e prevê envio de profissionais a locais de difícil acesso e alta vulnerabilidade. Texto perde validade nesta quinta (28) e ainda precisa ser analisado pelo Senado. Deputados reunidos no plenário da Câmara durante a sessão desta terça-feira (26) Luis Macedo/Câmara dos Deputados A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (26) a medida provisória (MP) que cria o programa Médicos pelo Brasil. O texto segue para o Senado. A MP foi assinada pelo presidente Jair Bolsonaro em agosto e perderá a validade nesta quinta (28) se não for aprovada pelo Congresso. Na primeira parte da sessão desta terça, os deputados aprovaram o texto-base por 391 votos a 6. Depois, passaram à análise dos destaques, isto é, propostas que visam alterar a redação da medida provisória. Esta etapa foi concluída por volta das 23h30. O Médicos pelo Brasil substitui o programa Mais Médicos, criado no governo Dilma Rousseff, e prevê o envio de profissionais a locais difícil acesso e alta vulnerabilidade. O texto aprovado Além do envio dos profissionais, a MP também visa formar médicos e especialistas em medicina de família e comunidade na atenção primária à saúde por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda de acordo com a MP: o programa será implementado pela Agência para o Desenvolvimento da Atenção Primária à Saúde (Adaps); o Conselho Deliberativo da Adaps contará com integrantes do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, da Associação Médica Brasileira, do Conselho Federal de Medicina, da Federação Nacional dos Médicos e do Conselho Nacional de Saúde. A escolha dos médicos: será por processo seletivo, com provas escritas e curso de formação de dois anos; o interessado deverá apresentar: registro em Conselho Regional de Medicina; demonstrar que é especialista em medicina de família e comunidade ou em clínica médica; cubanos que atuavam no programa Mais Médicos e permaneceram no Brasil após o fim do contrato com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) poderão ser contratados pelo novo programa por um período de até dois anos. Revalida Os deputados também aprovaram um projeto de lei específico sobre as regras para o exame Revalida, que avalia os conhecimentos dos médicos que obtiveram diploma no exterior. A medida fez parte de um acordo entre os líderes para viabilizar a votação da MP sobre o programa Médicos pelo Brasil. A proposta prevê a aplicação do exame Revalida duas vezes por ano. Além disso, permite que cursos de medicina com avaliação 4 e 5 no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior participem do exame. Este projeto será analisado agora pelo Senado. Veja Mais

Por que a oncologia é um braço da geriatria

Glogo - Ciência Acima dos 65 anos, o risco de um diagnóstico de câncer aumenta 11 vezes Quando se trata de câncer, a idade é um fator de risco não modificável: traduzindo em números, acima dos 65 anos, a chance de ser diagnosticado com a doença aumenta 11 vezes. Em palestra proferida no VII Congresso Internacional de Oncologia Rede D´Or, realizado semana passada no Rio de Janeiro, o geriatra José Elias Soares Pinheiro, ex-presidente da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), enfatizou que, de todos os casos de câncer no mundo, 70% ocorrem em pessoas idosas. “Entre 60 e 79 anos, um em cada quatro homens vai desenvolver uma doença neoplásica. Entre as mulheres, uma em cada três, o que reforça a necessidade urgente de mudanças nas políticas públicas voltadas para a prevenção e o diagnóstico precoce, já que mais de 70% dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde”, afirmou. Apenas lembrando que, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil tem 30 milhões de idosos, isto é, gente com mais de 60 anos. Acima dos 80, são 4 milhões – e há quase 30 mil centenários! No entanto, apesar da prevalência do câncer entre os mais velhos, eles não são o foco nas especialidades que compõem a oncologia. Daí a importância do artigo “Todos os oncologistas são oncologistas geriátricos... Eles apenas ainda não sabem disso” (“All oncologists are geriatric oncologists... They just don´t know it yet”), do médico Stuart Lichtman, do Memorial Sloan Kettering Cancer Center. O médico Stuart Lichtman, autor do artigo “Todos os oncologistas são oncologistas geriátricos... Eles apenas ainda não sabem disso” Divulgação O oncologista Luiz Gustavo Torres, membro da American Society for Clinical Oncology, ressaltou que, no caso do idoso, as variáveis se relacionam a seu estado de fragilidade e tolerância ao tratamento. “A população mais velha está subrepresentada nos estudos clínicos, por isso o médico tem que levar em conta o risco de toxicidade da medicação”, disse. Como um número muito pequeno de idosos participa de testes clínicos, cria-se um círculo vicioso: os médicos não dispõem de informações seguras sobre o efeito das drogas nas faixas etárias avançadas. O doutor Torres ilustrou sua argumentação com a história de “dona Lucia”, de 78 anos, com câncer de cólon em estágio III. “Ela me fez perguntas da maior relevância: ficarei curada com a quimioterapia? Há chance de ficar curada sem quimio? O tratamento pode comprometer minha independência? Todas essas questões pesaram na escolha do melhor tratamento”, contou. Acrescentou que ainda é raro que oncologistas discutam os prognósticos com seus pacientes, que têm o direito de conduzir a própria vida. Afinal, se para os profissionais de saúde a enfermidade está atrelada a protocolos e intervenções, para o doente esta é uma experiência pessoal, cujo significado está ligado à sua biografia – e a idade tem um peso enorme na hora da tomada de decisões. Veja Mais

Doação de órgãos: seis respostas sobre transplantes que salvam vidas

Glogo - Ciência Mais de 19 mil pacientes foram transplantados no Brasil entre janeiro e setembro de 2019, número ainda é inferior ao de pacientes que esperam por procedimentos, segundo dados mais recentes da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). Equipe médica em sala se cirurgia do Instituto do Coração (Incor) em São Paulo Incor/Divulgação/Arquivo Entre janeiro e setembro deste ano, ao menos 19.331 pacientes tiveram órgãos, tecidos ou medula óssea transplantados no país. Esta cifra não chega à metade dos brasileiros que ainda esperam por um transplante. De acordo com o último levantamento da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), são 36.468 pacientes na lista de espera. Entenda o transplante e doação de órgãos em seis pontos Há dois tipos de doações possíveis, a de doadores vivos ou a doação após a morte Em caso de doação após a morte, no Brasil, é obrigatória a autorização da família Santa Catarina e Paraná são os estados com maior número de transplantes no país Órgãos retirados têm tempos variáveis de espera máxima para o transplante O transplante de rins é o transplante de órgãos sólidos mais realizado no país A Espanha é o país com maior número de doações de órgãos no mundo 1. Tipos de doadores Segundo o Ministério da Saúde, existem dois tipos de doador, o primeiro é o doador vivo, que pode ser qualquer pessoa que concorde com a doação, contanto que este procedimento seja seguro. Um doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea ou parte do pulmão. O presidente da ABTO, Paulo Pêgo, disse ao G1 que este tipo de transplante ainda representa a menor parcela dos procedimentos realizados no país, ficando entre 5% e 7% de todos os realizados no Brasil. A maior parte dos transplantes é feita com doadores falecidos, em pacientes que tiveram morte encefálica, geralmente vítimas de catástrofes cerebrais, como traumatismo craniano ou Acidente Vascular Cerebral (AVC). Pêgo explicou que a morte tem que ser verificada pela equipe médica e comprovada clinicamente a partir de exames laboratoriais. 2. Autorização da família Ainda segundo o Ministério da Saúde, a doação de órgãos só é feita no Brasil após a autorização familiar e os órgãos são enviados para pacientes que esperam em uma lista única, definida pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada estado e controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT). A pasta ressaltou em um comunicado que a "conversa" é importante e recomendou que se converse sobre a doação ainda em vida. Destacou ainda que mesmo que o doador registre oficialmente sua vontade, ela apenas será validada – sem a autorização familiar – em caso de decisão judicial. Equipe médica realiza procedimento cirúrgico em hospital cearense Thiago Gadelha/Arquivo 3. Estados com mais transplantes Segundo o levantamento da ABTO, os estados de Santa Catarina e Paraná foram os que mais acumularam doadores a cada milhão de habitantes. Foram respectivamente, entre janeiro e setembro de 2019, 44,5 e 41,4 por milhão. Pêgo explicou que os dois estados aparecem "tradicionalmente" entre os maiores doadores. Para ele, essa é uma "questão cultural". Por outro lado, este especialista comentou que a homogeneidade dos estados e as pequenas extensões contribuem para a captação e distribuição dos órgãos na região. "Há quatro ou cinco anos, o Paraná não tinha tantas doações assim, mas eles mudaram a forma de lidar com este problema e as doações aumentaram significativamente", ressaltou. Brasil registra aumento de transplantes de medula óssea e coração 4. Tempo 'fora do corpo' O Ministério da Saúde listou o tempo de isquemia, ou seja, o tempo que cada órgão pode sobreviver fora do corpo humano antes de um transplante. Os rins conseguem se manter por até dois dias antes de serem transplantados, o coração, apenas quatro horas. Tempo de isquemia 5. Transplante de rins No Brasil, o maior número de transplantes de órgãos foi o de rins. Em nove meses deste ano, 4.617 pacientes foram transplantados e essa é a tendência é mundial, explicou Pêgo. "A demanda de transplante de rins é muito alta, e o receptor não morre durante a espera por conta da diálise", disse este especialista. "Pacientes que esperam por um coração ou por um pulmão têm mais chances de morrer na fila." O médico comentou que este órgão tem maior resistência após a morte encefálica e que cada doador pode atender a dois pacientes. 6. Espanha é maior doador A Espanha é o país que teve em 2018 o maior número de doações de órgãos a cada milhão de habitantes e atingiu uma taxa de 48,3 doadores por milhão. Dados da Organização Espanhola de Transplantes, entidade vinculada ao Ministério da Saúde do país ibérico, os coloca acima da média dos por Estados Unidos (32,8) e da União Europeia (22,2). "Os espanhóis são referencia para a doação de órgãos, com os maiores índices do mundo. E isso pode ser explicado por várias formas, como por exemplo a legislação local que institui a doação compulsória. Após a morte, o corpo pertence ao Estado", disse Pêgo. Brasil atende 23% da demanda para transplantes de coração Veja Mais

Empresa que preza diversidade emprega mão de obra madura

Glogo - Ciência Na Alemanha, indústria investe em ergonomia para dar conforto aos trabalhadores mais velhos Enquanto por aqui as empresas continuam descartando sua mão de obra mais velha, em outros países o trabalhador maduro vem se tornando um ativo indispensável. De acordo com reportagem publicada em outubro pela BBC, essa é uma questão crucial para a Alemanha, onde 21% da população têm mais de 65 anos. Um sessentão alemão se encontra numa faixa etária ainda bastante produtiva e as companhias têm investido em ergonomia para adaptar o ambiente para seus funcionários veteranos. Na indústria, onde há grande demanda física, a tecnologia está sendo utilizada para facilitar a vida desses colaboradores e retê-los por mais tempo. É por isso que a expressão “age ready”, que significa estar pronto para o envelhecimento, vem entrando no menu das discussões de diretoria de empresas antenadas. A consultoria Mercer tem inclusive um teste para avaliar quem está preparado para os desafios de acolher e motivar seus colaboradores experientes, que serão cada vez mais importantes com a mudança do perfil demográfico da população. Esse ainda é um movimento tímido, porque a maioria das organizações não consegue enxergar que esses novos velhos dispõem de um capital intelectual que não deveria ser desperdiçado. A expressão “age ready” se refere a empresas que prontas para o envelhecimento, ou seja, que vão aproveitar o capital intelectual de seus trabalhadores mais velhos Mike Weston https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=26910357 Além disso, para ter diversidade, será preciso garantir que essa mão de obra faça parte da companhia. É bom não esquecer a força crescente do poder de consumo do segmento, um público que certamente não verá com bons olhos as organizações que demonstram preconceito contra os mais velhos. A Mercer tem um decálogo para as empresas se tornarem “age ready”. Elegi os tópicos que considerei mais relevantes. 1) Faça um levantamento interno para entender a dinâmica demográfica da mão de obra da companhia. Evite suposições sobre a relação do desempenho com a idade dentro da organização. Funcionários mais velhos podem ser menos rápidos, mas cometem menos erros. As evidências sugerem que times intergeracionais têm melhor performance. 2) Não exclua os trabalhadores mais velhos de planos de carreira: se são relevantes para a organização, devem ter iguais oportunidades de desenvolvimento. 3) O trabalho hoje é muito diferente daquele que as pessoas que têm mais de 50 anos conheceram quando deram seus primeiros passos profissionais. A empresa que se dispuser a conversar com esses colaboradores provavelmente vai descobrir que muitos gostariam de fazer outras coisas, como trabalhar em casa, ou poderiam ser aproveitados como coaches. 4) Implemente horários mais flexíveis e fique atento às necessidades de funcionários que também são cuidadores, porque eles precisam de suporte: podem estar cuidando de pais frágeis, ou mesmo dos netos. 5) Mapeie os sinais de ageísmo, ou seja, de preconceito contra os velhos, que possam existir dentro da empresa. Certifique-se de que a diversidade seja de gênero, raça, orientação sexual e idade. Embora, no mundo todo, boa parte continue trabalhando por necessidade, uma pesquisa recente realizada na Inglaterra mostrou que um quarto dos entrevistados achava que tinha parado muito cedo – em torno dos 62 anos. Um terço se queixava de que havia perdido seu propósito de vida. O primeiro mês da aposentadoria se assemelhava ao paraíso, mas, depois de algum tempo, uma parcela consistente das pessoas se ressentia da falta do ambiente de camaradagem do trabalho e das muitas horas passadas dentro de casa, que podem levar à solidão. Veja Mais

Sirius: primeira volta de elétrons no acelerador principal demonstra funcionalidade de laboratório

Glogo - Ciência Teste realizado nesta sexta-feira (22) validou o funcionamento do equipamento usado para criar luz síncrotron, que será usada para analisar diversos tipos de materiais em escalas de átomos e moléculas. Sirius: maior estrutura científica do país, instalada em Campinas (SP). CNPEM/Sirius/Divulgação Principal projeto de pesquisa científica do governo federal, o Sirius, em Campinas (SP), registrou um importante avanço nesta sexta-feira (22). Pesquisadores concluíram com sucesso a 1ª volta de elétrons no terceiro e principal acelerador, demonstrando a funcionalidade do equipamento. Diretor do projeto, Antônio José Roque da Silva classificou o teste como um "grande marco" e projetou que as primeiras linhas de luz da estrutura possam realizar experimentos no segundo semestre de 2020 - o atraso no orçamento, no entanto, impede a conclusão das 13 linhas de pesquisa previstas para o ano que vem. Entenda o Sirius, o novo acelerador de partículas do Brasil O Sirius é um laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, que atua como uma espécie de "raio X superpotente" que analisa diversos tipos de materiais em escalas de átomos e moléculas. Atualmente, há apenas um laboratório de 4ª geração de luz síncrotron operando no mundo: o MAX-IV, na Suécia. No Brasil, essa tecnologia só está disponível em equipamentos de 2ª geração, em funcionamento há 30 anos. Funcional A volta do feixe de elétrons no terceiro e principal acelerador concluída com sucesso pelos pesquisadores atestou, na prática, o funcionamento sincronizado de diversos componentes, como imãs e câmaras de ultra-alto vácuo, que passaram por ajustes micrométricos para que o giro fosse completo. Segundo os cientistas, os ajustes são até cinco vezes menores que um fio de cabelo. "É um grande marco. Isso permite acertar o acelerador por inteiro. Deram uma volta completa pelo equipamento, comprovaram que tudo é funcional. Entre as próximas etapas está uma elevação da corrente e sustentar um feixe capaz de gerar luz síncrotron", explica José Roque. Segundo Silva, que é diretor-geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização social responsável pelo Sirius, a previsão que no início de 2020 o conjunto receba um dispositivo responsável por direcionar a luz síncrotron às linhas de luz e, a partir daí, comissionar as primeiras três estações de pesquisa. "Ao longo do segundo semestre esperamos fazer os primeiros experimentos e testar a funcionalidade global", aponta. Antônio José Roque da Silva, diretor do projeto Sirius Fernando Evans/G1 Orçamento O avanço conquistado pelos pesquisadores nesta sexta ocorreu sem que o governo federal tenha liberado os R$ 180 milhões que faltam ser pagos do orçamento previsto para este ano. Segundo o diretor, a verba recebida em 2018 e no início de 2019 foram essenciais para a montagem e teste do terceiro e acelerador principal. Apesar do importante marco, Silva destacou que aguarda a liberação dos recursos até o final deste ano. O valor foi empenhado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) junto ao Ministério da Economia ainda não foi depositado. Um plano de trabalho foi enviado ao MCTIC, que analisa a liberação do recurso. "Somos uma organização social, e todos os profissionais são contratados por CLT. Quando chega janeiro, não recebo recursos como da administração direta. O orçamento demora para sair. Então esse recurso é essencial para garantir a sustentabilidade da minha equipe, não só dos equipamentos. "O grande ganho do país, além de ter o equipamento, é ter as pessoas, o material humano. O maior risco do projeto é perda de pessoal altamente especializado. Perder isso é perder pessoas com décadas de experiência e jovens que aprenderam com o que foi desenvolvido aqui", destacou José Roque. Ao pontuar a preocupação com o recurso humano do Sirius, o diretor disse que viu o Ministério de Ciência e Tecnologia empenhado em resolver a questão. "Agora é uma questão de tramitação interna, para receber os recursos quanto antes, mas estamos confiantes." Entenda como funciona o Sirius, o Laboratório de Luz Síncrotron Infográfico: Juliane Monteiro, Igor Estrella e Rodrigo Cunha/G1 Veja mais notícias da região no G1 Campinas Veja Mais

Apenas 15% dos adolescentes brasileiros se exercitam o suficiente, diz OMS

Glogo - Ciência Relatório da Organização Mundial da Saúde mostra que 89% das adolescentes entre 11 e 17 anos brasileiras não praticam atividade física suficiente, contra 78% dos garotos. Para autora do estudo, falta de segurança e iniciativas pouco atrativas para as meninas explicam diferença. Crianças se divertem brincando com a água espirrada de uma fonte no Parque Battersea, em Londres Simon Dawson/Reuters Oito em cada dez crianças e adolescentes de 11 a 17 anos não realizam atividade física suficiente. No Brasil, o percentual é ainda maior: 84% dos adolescentes nessa faixa etária são menos ativos do que deveriam. Os dados mostram ainda que não houve nenhuma melhora significativa nesses níveis nos últimos 15 anos. A conclusão é do primeiro estudo comparativo sobre o tema, lançado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quinta-feira (21). Os dados são de 2016 e analisam 1,6 milhões de jovens em 146 países. Para a OMS, o ideal é que jovens nessa faixa etária façam pelo menos 60 minutos de atividade física moderada cinco vezes por semana. A organização destacou a diferença nos níveis de atividade física de meninas e meninos no país: Para Leanne Riley, analista da OMS e co-autora do estudo, é preciso estimular atividades físicas que despertem o interesse feminino e também investir na criação de espaços onde as meninas se sintam seguras para praticar esportes. Enquanto 78% dos meninos brasileiros fazem menos exercício do que deveriam, o percentual é de 89% entre as meninas – uma diferença de 11 pontos percentuais. Apenas um em cada três países pesquisados registraram diferença de mais de 10 pontos percentuais entre os sexos. Diferença entre meninos e meninas Em relação a 2001, a OMS registrou no Brasil uma pequena melhora nos índices de atividade física nos meninos e uma piora entre as meninas. Naquele ano, 80% dos meninos faziam menos exercício do que o recomendado; em 2016, eram 78%. Entre as meninas o índice subiu de 89,1% que não seguem as recomendações em 2001 para 89,4% em 2016. Mais de 70% dos países analisados registraram um aumento na diferença entre meninos e meninas na comparação ente 2001 e 2016. No Brasil, a diferença foi de 9 para 11 pontos percentuais. Exercício físico entre os jovens, segundo OMS Roberta Jaworski/G1 Falta de opções Para Leanne Riley, da OMS, o aumento da diferença entre os sexos pode ocorrer por conta da desigualdade nas opções de lazer e esporte oferecidas para meninas e meninos. "Nós suspeitamos que esses países estejam fazendo um esforço para aumentar a atividade física entre os jovens, mas essas iniciativas parecem ter um impacto somente nos meninos, e não nas meninas". - Leanne Riley, da OMS. Segundo Riley, a promoção de atividade física tende a focar esportes que não interessam tanto as meninas quanto os meninos. "Houve uma pequena melhora na oferta de esportes para os jovens, mas em atividades que as meninas não estão necessariamente interessadas, como esportes coletivos", diz. Para que aumente a participação das garotas nas atividades físicas é preciso que elas sejam incluídas nas discussões para que apontem quais são as atividades físcias que despertam maior interesse, segundo a especialista. Jovem praticante de skate, um dos esportes que pode aumentar a atividade física entre adolescentes Unsplash Razões para o sedentarismo Entre os motivos que podem estar por trás da inatividade está o aumento no uso de equipamentos eletrônicos pelos jovens, segundo a OMS. "Houve uma enorme revolução eletrônica nos últimos anos. Os jovens dessa idade estão mais envolvidos na recreação digital do que na recreação ativa, e isso precisa ser resolvido", afirma a analista da OMS, Leanne Riley. Menores de 5 anos devem passar no máximo uma hora por dia diante de telas, diz OMS Outra possibilidade é a falta de estímulo para o exercício no ambiente escolar, que tem um papel importante na vida de jovens entre 11 e 17 anos. "O que observamos é que eles muitas vezes passam muito tempo sentados em uma cadeira na escola ou fazendo a lição de casa. Se eles estão inativos quando estão na escola, eles serão inativos em geral", diz Riley. Novo estudo alerta para exposição de crianças a telas de equipamentos eletrônicos No caso das meninas, há outras razões apontadas pela analista que podem justificar a piora nos níveis de atividade física. "Se as meninas não se sentirem seguras o suficiente para correr e andar de bicicleta, por exemplo, essa pode ser uma das razões pelas quais elas são menos ativas que os meninos. E isso pode ser o caso também no Brasil", explica Riley, da OMS. Para isso, é necessário investir não apenas em educação ou infraestrutura, mas também em políticas públicas de segurança e planejamento urbano, segundo a pesquisadora. "É preciso haver um arranjo de soluções. Não há apenas uma solução mágica. Não é apenas a educação, mas também o transporte que precisa melhorar para privilegiar a caminhada e a bicicleta, por exemplo, ou até mesmo o planejamento urbano, que precisa ser focado na criação de espaços seguros e atraentes para a comunidade de adolescentes", conclui Leanne Riley. Veja Mais

5 FATOS SOBRE O SARCASMO

5 FATOS SOBRE O SARCASMO

 Minutos Psíquicos Um comentário sarcástico pode estimular risadas ou constrangimento. Hoje quero te contar o que algumas pesquisas na psicologia têm revelado sobre o sarcasmo. Agradecimento especial aos nossos apoiadores no YouTube, no Patreon e no APOIA.SE: Mathias Gheno Azzolini Marco Aurélio Roncatti Eloa Gabriele Paulo André Batista Araújo Daniel Francener Marcia V Pinto Carlos Henrique Oliveira Elisangela de Moura Gonçalves Carla Nascimento Renan Fernandes Vinícius Xavier do Amaral Mathias Gheno Azzolini Uriel Marx Jose Caetano Fernando da Silva Trevisan Victor Augusto Martins Ribeiro Ingrid Philigret Inoue Elisangela Da Silva Cláudio Toma Monique Aguilar Estefânia Dias Jussara Robson Túlio Furtado Rodrigues Inês Cozzo Olivares Nildson de Avila Thaís Amaral do Canto Sanderson Quixabeira Da Silva Nildson de Avila Silva Integrity Assessoria em Auditoria e Compliance Kaissés Costa Sedrês Raquel Alves de Sene Josue Spier do Nascimento Guinevere Ingrid Barcellos Soares Odair Silva Carmen Adell Gordinho 90 Luciana Xavier Felipe Gandra Katyanne Melo Kleber Pereira de Souza Caio Henrique Cupertino Guarido Karen Castro Safira Atiele Pereira Cunha Maneirinho Diniz Eduardo Valença Mateus Mtsl Marisa Silva Danielle Lima Lucas Aciole Gustavo Barros ERICA VITORIA DE SOUZA FAGUNDES Juliana Belko Barros Jorge Gomes John Darceno Maria Betânia Ferreira Itamar Koling Bruno Andrade Silva Gustavo de Brito Gomes Itamar Koling Tania Cristina Gomes Molinari Cíntia da Silva Pereira Pedro Lucas dos Santos Você pode apoiar a gente no Patreon: http://www.patreon.com/minutospsiquicos Ou no APOIA.se: https://apoia.se/minutospsiquicos Ou no YouTube (clica no botão "SEJA MEMBRO" logo abaixo do vídeo ou no link a seguir): https://www.youtube.com/channel/UCFiEI1kDHlO9UQtxx0wj-XA/join Se gostou do vídeo, curta, compartilhe ele com mais pessoas e inscreva-se no nosso canal! Siga as páginas do Minutos Psíquicos nas redes sociais para acompanhar os próximos vídeos e falar com a gente: Facebook: https://www.facebook.com/minutospsiquicos/ Twitter: https://twitter.com/minutopsiquicos Instagram: https://www.instagram.com/minutospsiquicos/ Créditos Pesquisa, roteiro e narração: André Rabelo (http://minutospsiquicos.com/) Edição: Lucas Carvalho (https://www.instagram.com/lucascarvc_/) Ilustração: Pedro Tavares (Chicão) (https://www.facebook.com/pfranciscotavares/?fref=ts) Música: You are not funny - Borrtex Puddles - Stanley Gurvich Para ver nossas referências e mais informações sobre o tema do vídeo, como artigos, livros e materiais de referência, acesse: http://www.minutospsiquicos.com/2019/11/21/video-novo:-5-fatos-sobre-o-sarcasmo/ #psicologia #sarcasmo Veja Mais

Astrônomos captam luz de explosão cósmica mais forte do que toda a energia que o Sol é capaz de emitir

Glogo - Ciência Equipe de cientistas usaram telescópios e encontraram explosão de raios gama, tipo que acredita-se ser um dos mais violentos desde o 'Big Bang'. Concepção artística de um telescópio Magic com detecção de luz de raios gama Gabriel Pérez Díaz/IAC Uma equipe internacional de astrônomos conseguiu registrar em janeiro deste ano os efeitos da mais poderosa explosão cósmica já flagrada em pesquisas sobre nosso universo. De acordo com o estudo publicado nesta terça (19) na "Nature", os raios gama registrados atingiram o equivalente a cerca de 100 bilhões de vezes a energia visível da luz. O estudo contou com a observação de dois telescópios distintos - um deles em solo e outro no espaço. A publicação é resultado da cooperação entre a agência espacial americana (Nasa), a University College London (UCL), os institutos Max Planck e outros pesquisadores. As explosões de raios gama são fenômenos tão luminosos que causam uma forte liberação de energia em milissegundos (0,001 seg.), comparável com a emitida na "vida inteira" do Sol. “As explosões de raios gama são as explosões mais poderosas conhecidas no universo e normalmente liberam mais energia em apenas alguns segundos do que o nosso Sol durante toda a sua vida - elas podem brilhar em quase todo o universo visível”, explicou David Berge, chefe de astronomia de raios gama do DESY, instituto de física alemão. Origem distante A explosão detectada ocorreu em janeiro de 2019, por volta das 17h (horário de Brasília). Apelidada de "GRB 190114C", está a uma distância de 7 bilhões de anos-luz. As explosões cósmicas não têm uma distância determinada da Terra, mas acontecem fora da nossa galáxia, de acordo com o astrofísico Rodrigo Picanco Negreiros, da Universidade Federal Fluminense (UFF). "A gente só consegue detectar os eventos fora da nossa galáxia porque eles têm uma grande quantidade de luz. Existem muitos eventos que detectamos dentro da Via Láctea, mas que não conseguiríamos encontrar fora dela", disse Negreiros. O raio gama é uma radiação eletromagnética como a luz visível, mas com um comprimento de onda muito pequeno. Enquanto uma onda de rádio tem metros, um raio gama tem o tamanho de um núcleo atômico. "Muito do que aprendemos sobre os raios gama nas últimas décadas vem da observação de seus rastros em energias mais baixas", disse Elizabeth Hays, da Nasa, em Maryland, nos Estados Unidos. Ela fala de uma fase pós-explosão, momento em que muitas vezes eles também são detectados. Ilustração de uma erupção de raios gama NASA/D.Berry Mais violentos desde o 'Big Bang' A grande quantidade de energia liberada está associada à energia gravitacional dos objetos envolvidos, que são extremamente potentes. Por isso, acredita-se que esses fenômenos estejam entre os mais violentos desde o "Big Bang". "O modelo mais aceito é que a explosão seja o final da vida de uma ou mais estrelas de massa muito grande. O mecanismo envolvido é que uma ou duas estrelas, que têm um massa absurda, dezenas de vezes maior que a do Sol, entram em colisão, uma com a outra, ou ocorre uma implosão da própria estrela. O final dessa explosão é o jato de luz de raios gama", explica Luiz Vitor de Souza Filho, do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP). O pesquisador da USP lembra que as atuais pesquisas só são possíveis porque nas décadas de 60 e 70 os Estados Unidos passaram a criar telescópios para fazer detecções de raios gama dentro da Terra. Eles foram pensados para buscar testes com armas nucleares feitos pela União Soviética e, depois de algum tempo, passaram a encontrar a luz de explosões cósmicas. No caso do estudo publicado nesta quarta-feira, o cientista brasileiro chama a atenção para o fato de dois observatórios terem conseguido detectar a mesma explosão em questão de segundos. O Observatório Swift, da Nasa, que na verdade é um satélite ao redor da Terra encontrou primeiro. O Magic, colaboração que usa dois telescópios, mirou a "GRB B 190114C" 27 segundos depois do primeiro alerta. "O que é extraordinário é que logo depois que o Swift viu que estava acontecendo esta explosão de raios gama, o outro observatório, que é o Magic, apontou na mesma direção segundos depois e continuou medindo este mesmo sinal", disse Souza Filho. "É um fenômeno que conseguimos detectar com frequência, mas o Magic é um negócio enorme e tem 17 metros de diâmetro, e essa dupla detecção é muito rara. Foi bem energético e foi de uma sorte incrível." Com esta medição mais rápida, os pesquisadores acreditam coletar mais detalhes e com mais precisão do momento exato da explosão cósmica. "Esses são, de longe, os fótons de maior energia já descobertos em uma explosão de raios gama", disse Elisa Bernardini, do grupo Magic. Foram registrados raios gama com energias entre 200 e 100 bilhões de elétron-volts (0,2 a 1 teraeletrons-volt) - para comparar, a luz visível tem cerca de 1 a 3 elétron-volts, uma unidade de medida de energia. Veja Mais

PepsiCo faz recall de salgadinho Fandangos sabor presunto

Glogo - Ciência De acordo com a empresa, produto contém proteína de leite, mas aviso na embalagem diz apenas que 'pode conter leite'. Salgadinho não é recomendado para pessoas alérgicas. Procon diz que consumidor prejudicado pode pedir ressarcimento. Fandagos passa por recall Divulgação/PepsiCo A empresa do setor de alimentos PepsiCo Brasil anunciou um recall de alguns lotes do salgadinho Fandangos sabor presunto. Em comunicado, a empresa diz que o produto não pode ser consumido por pessoas alérgicas à proteína de leite. O Procon-SP afirmou nesta terça (19), que "consumidores que sofreram algum problema pela ingestão do produto poderão solicitar, por meio do Judiciário, a reparação dos danos". Turistas acham no mar salgadinho vencido há 20 anos e post viraliza Segundo a PepsiCo, as unidades do produto prejudicadas são aquelas com validade entre 02/12/2019 e 17/02/2020, dos seguintes lotes: Embalagens 164g: Lotes LA 258 a LA 303, Lotes LB 260 a LB 296, Lotes LC 261 a LC 269, Lotes LD 261 a LD 288 Embalagem 59g: Lotes LA 236 a LA 306, Lotes LC 226 a LC 273, Lotes LD 232 a LD 288 Embalagem 22g: Lotes LA 290 a LA 300 Embalagem 23g: Lotes LC 237 Embalagem 54g: Lotes LC 268 a LC 273 Embalagem 280g: Lotes LB 238 a LB 296 e Lotes LD 269 a LD 289 Embalagem 44g: Lotes LB 285 a LB 296 e Lotes LD 282 a LD 283 Lanchinho Sortido 101g: Lotes LA 284 a LA 308 e Lotes LD 273 a LD 298 O recall se deve ao fato de que as embalagens dos produtos dizem apenas que "Pode conter leite", em vez de "Contém leite". De acordo com o Procon-SP, a PepsiCo Brasil deve apresentar os esclarecimentos que se fizerem necessários, conforme determina o Código de Defesa do Consumidor. "A PepsiCo esclarece que os produtos estão perfeitos ao consumo do público em geral e não apresentam problemas de fabricação. Contudo, caso você seja alérgico às proteínas do leite, a PepsiCo orienta a não consumir o produto, pois este pode causar reações alérgicas com riscos à sua saúde", afirma a empresa, em nota. Ainda segundo a empresa, "todos os demais itens e lotes da linha Fandangos estão com informações corretas em suas embalagens". Consumidores podem contatar a PepsiCo pelo telefone 0800 703 4444 e pelo e-mail sacfandangos@pepsico.com. Veja Mais

Obesidade traz fatores de risco diferentes para homens e mulheres

Glogo - Ciência Para elas, diabetes é a maior preocupação; para eles, doenças crônicas nos pulmões e nos rins O assunto é recorrente, mas bater nessa tecla significa salvar vidas. A obesidade é a segunda causa de morte evitável no mundo, perdendo somente para o cigarro. No Brasil, mais de 50% da população têm excesso de peso e mais de 40 milhões sofrem de obesidade. O que há de novo é que essa condição traz riscos diferentes para homens e mulheres, como mostra pesquisa liderada por Cecilia Lindgren, professora de endocrinologia da Universidade de Oxford, e publicada no fim de outubro na revista científica “PLOS Genetics”. Obesidade feminina: maiores chances de diabetes By Mallinaltzin - https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=9374350 Como a epidemia se tornou global, os cientistas passaram a investigar se o excesso de peso poderia levar – ou exacerbar – a outras causas de morte além de diabetes e doença cardiovascular. No Reino Unido, a equipe da doutora Lindgren se debruçou sobre dados de quase 230 mil mulheres e 195 mil homens e confirmou que a obesidade contribui para uma lista considerável de enfermidades: doença arterial coronariana (ou aterosclerose coronariana); diabetes tipos 1 e 2; acidente vascular cerebral; doença pulmonar obstrutiva crônica; câncer de pulmão; doença hepática gordurosa não alcoólica, ou seja, ocorre em pessoas que bebem pouco ou nem isso; doença hepática crônica; e insuficiência renal. O interessante é que, embora o diabetes tipo 2 provocado pela obesidade ocorra nos dois gêneros, as mulheres enfrentam um risco aumentado em relação aos homens. Eles, em compensação, têm mais chances de sofrer com doença obstrutiva pulmonar e problemas renais. De acordo com Jenny Censin, integrante da equipe, “o estudo deixou claro o perigo do sobrepeso para a saúde e como homens e mulheres experimentam diferentes enfermidades como resultado da obesidade”. Michael Holmes, que supervisionou o trabalho ao lado de Cecilia Lindgren, acrescentou: “esses achados reforçam a necessidade de adoção de medidas de saúde pública para frear essa epidemia”. Veja Mais

'Passei minha vida com medo de ser chamada de gorda, até descobrir o movimento Body Positivity'

Glogo - Ciência Megan Jayne Crabbe tinha cinco anos quando ela entrou em uma guerra com seu corpo. Hoje, ela uma ativista de um movimento de positividade corporal. Megan Jayne Crabbe diz que o movimento de positividade sobre o corpo abriu seus olhos Natalie Lam Megan Jayne Crabbe tinha cinco anos de idade quando entrou em guerra com seu corpo. Em vez de fazer amigos em seu primeiro dia de aula, ela ficou se comparando a suas colegas e dizendo para si mesma que ela era "gorda". Agora, com mais de um milhão de seguidores no Instagram, ela recentemente foi ao Parlamento britânico defender que a gordofobia deve ser reconhecida como uma forma de preconceito. Demorou quase duas décadas para que Megan aceitasse seu corpo. Até então, ela saía e entrava de dietas, passou por anorexia e ficou um tempo internada em um hospital psiquiátrico. Aos 21, tendo abandonado a faculdade, ela chegou ao peso que queria. Mesmo assim, "odiava tudo" sobre si mesma. "Sabia que não importava o peso que eu atingisse, nunca seria o suficiente", diz Megan, agora com 26 anos. "Não podia continuar com aquela vida. Eu sabia que tinha de ter mais. Meu distúrbio alimentar tomou tanto de mim — perdi muito tempo, e me recusei a permitir que meu distúrbio tomasse mais de mim." "Deparei com a imagem de uma mulher no Instagram usando um biquíni e falando sobre aceitar seu corpo, sem fazer dietas e vivendo sua vida como ela era. Nunca tinha pensado que tinha essa opção." Initial plugin text Megan começou a publicar mensagens e fotos de positividade sobre seu corpo na conta de Instagram Bodyposipanda, ganhando milhares de seguidores. Ela se refere a si mesma como "chubby" (algo como "gordinha") nas publicações e quer que seguidores abracem esse tipo de linguagem. "A palavra "gorda" tinha o poder de me derrubar. Passei a vida toda com medo de ser chamada de gorda, não conseguia nem ver essa palavra", ela diz. "Quando eu encontrei o movimento 'body positivity', meus olhos se abriram para toda uma forma de ver isso. É só uma palavra, uma forma de descrever seu corpo e precisamos nos apropriar disso." "Body positivity" significa "positividade sobre o corpo". Megan passou a maior parte da sua vida odiando seu próprio corpo Megan Jayne Crabbe Mudança de percepção Megan começou a fazer dieta aos 10 anos de idade, dizendo a seus pais que ela queria ser mais saudável. Mas logo eles descobriram que isso se tornou algo perigoso. Quando ela tinha 14 anos, foi diagnosticada com um distúrbio alimentar. Aos 20, odiar seu corpo ocupou tanto a cabeça que ela abandonou sua formação e passou só a cuidar de sua irmã Gemma, que tem paralisia cerebral. Ela agora se descreve como uma ativista, modelo e autora que recentemente completou uma turnê pelo Reino Unido em que cantou, dançou e debateu a cultura de dietas para um público total de 2 mil pessoas. Recentemente, ela foi entrevistada por Fearne Cotton, uma apresentadora de TV e rádio inglesa. Cotton disse depois que sua conversa com Megan mudou como ela vê a vida. "Não consigo descrever como aquela conversa me transformou." "Eu fiquei refletindo sobre cada palavra sua e foi uma mudança na minha percepção. Percebi o quão cruel eu estava sendo comigo mesma", afirmou Fearne ao podcast britânico How to Fail With Elizabeth Day. "Fui passar férias na praia depois por uma semana e normalmente eu odiaria usar biquíni, me penitenciando sobre isso ou aquilo, mas apenas não liguei. Foi tão maravilhoso." Megan foi recentemente convidada para ir ao Parlamento debater com o departamento de Igualdade do Governo britânico sobre imagem corporal, chamando a atenção para a gordofobia, que ela defende que seja reconhecida como uma forma de preconceito. "Não podemos ter uma conversa sobre imagem corporal sem discutir a gordofobia. Tantas das nossas inseguranças nascem do medo de sermos muito gordos, e para as pessoas que existem em corpos maiores a gordofobia resulta em discriminação e assédio na vida real todos os dias." Megan às vezes recebe críticas online de pessoas que dizem acreditar que fotos de gordura e celulite promovem uma vida pouco saudável. Ela diz que debates sobre saúde não devem girar em torno de peso, e defende o fim do IMC (índice de massa corporal), que faz um cálculo que indica a gordura corporal total de uma pessoa. Para ela, esse cálculo não está correto. Ela diz, também, que pesar as crianças em escolas é "assustador e humilhante". "Não espero que as pessoas necessariamente amem seus corpos, mas ao menos tentem respeitá-los. Eu me sinto sortuda por ter encontrado o movimento de positividade sobre o corpo na idade em que encontrei, porque recebi muitas mensagens de mulheres mais velhas que passaram suas vidas odiando seus corpos e só agora aprenderam a se aceitar." Embora algumas pessoas categorizem Megan como uma "influencer", ela prefere evitar essa descrição porque "muitas pessoas fazem isso só para seu próprio benefício". Acima de tudo, ela quer mudar a cultura de dietas e espera ajudar as pessoas a construírem uma vida baseada em mais do que só aparência. Megan trabalha como cuidadora de sua irmã Gemma, que tem paralisia cerebral Megan Jayne Crabbe "Foi um processo muito longo pegar tudo o que eu acreditava sobre peso, beleza e valor e me forçar a questionar isso. Tive de chegar a um ponto de respeito básico pelo meu corpo. Agora quero ajudar meu corpo a alcançar isso." "Aos cinco anos, pensei que ser gorda fosse a pior coisa possível. Internalizei isso quando era muito jovem e hoje sei que foi um longo caminho até aqui. Passei a vida com ódio de mim mesma e não quero que mais ninguém se sinta assim." Megan recebe mensagens de mulheres mais velhas que passaram a vida odiando seus corpos e só agora aprenderam a se aceitar Megan Jayne Crabbe Veja Mais

Diabetes é desconhecido por 46% dos brasileiros com doença, alerta membro de órgão internacional

Glogo - Ciência Doença que atinge 16,8 milhões no país está associada a hábitos não saudáveis e aumento da longevidade, diz professor da USP de Ribeirão Preto (SP) que integra Federação Internacional. Atlas do Diabetes: estudo internacional aponta aumento de 300% em 20 anos Em torno de 7,7 milhões de pacientes do Brasil têm diabetes e não sabem, alerta o representante brasileiro da Federação Internacional de Diabetes (IDF), o professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP) Laércio Franco. O número, que coloca o país na sexta colocação do ranking mundial nessa contagem, equivale quase à metade - 46% - dos 16,8 milhões de adultos entre 20 e 79 anos com a doença, segundo o Atlas do Diabetes de 2019, publicado pela IDF na quinta-feira (14), considerado o dia mundial da doença. O diagnóstico tardio, segundo o especialista, vem acompanhado de complicações que podem ser irreversíveis. "Só vai saber que tem diabetes quando aparecer uma complicação tipo doença cardíaca, lesão na retina, lesão do rim, disfunção erétil, ou seja, o diabetes já evoluiu quase dez anos silenciosamente e não foi detectado. Então precisa ter um alerta para as pessoas buscarem o diagnóstico precoce porque se pode prevenir ou retardar o crescimento dessas complicações", afirma. Laércio Franco, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP) e integrante da Federação Internacional de Diabetes Reprodução/EPTV Atlas do Diabetes Divulgado a cada dois anos pela IDF, o Atlas apresenta dados de 138 países e aponta que 463 milhões de pessoas têm a doença no mundo, um crescimento de 300% desde o início da pesquisa em 2000. Com um a cada nove adultos com diabetes, o Brasil aparece como um dos 50 em que a doença tem apresentado crescimento e um dos cinco onde a incidência mais se elevou, perdendo apenas para China, Índia, Estados Unidos e Paquistão. O documento estima que 16,8 milhões de adultos, o equivalente a 11,4% desse público, sejam portadores da doença, uma alta de 31% em comparação com o estudo anterior realizado em 2017. Para 2030, a projeção do Atlas é de que 21,5 milhões de pessoas sejam diabéticas. Paciente com diabetes monitora glicemia em Ribeirão Preto (SP) Reprodução/EPTV Segundo Franco, esse crescimento está atrelado a hábitos de vida não saudáveis e à maior longevidade da população, o que afeta diretamente o atendimento em saúde, que hoje concentra 24,2% dos gastos com a doença no país. "Estamos com a vida mais sedentária, uma alimentação não saudável e estamos cada vez desenvolvendo menos atividade física. Com isso, pelo progresso da medicina, estamos vivendo mais, estamos tendo uma sobrevida maior, inclusive as pessoas com diabetes também estão vivendo mais. O conjunto disso tudo faz com que seja um aspecto epidêmico do diabetes nos dias atuais. É um importante problema pra se pensar em cuidados com a saúde, uma carga muito grande para o nosso sistema de saúde", afirma. A jornalista Sâmara de Jesus Azevedo descobriu há 14 anos que é diabética. Por causa de um diagnóstico tardio, ela conta que quase perdeu a visão, além de ter outras complicações no organismo. "Se eu tivesse tido diagnóstico precoce eu não teria passado mal no início da descoberta. Eu fiquei com a visão confusa, conturbada, quase fiquei cega, tive alguns problemas que tive que reverter ao longo do tempo e graças a Deus consegui ficar 14 anos sem nenhuma complicação", diz. Hoje, ela tem uma rotina regrada e saudável para lidar com a doença. "Não depende só de alimentação e exercício físico. Depende também de uma série de fatores como a gestão da emoção, o estresse, o dia a dia", conta. Diabetes em crianças e jovens O Atlas também aponta que o Brasil é o terceiro país do mundo tanto em prevalência do diabetes tipo 1 entre crianças e jovens, com 51,5 milhões de casos, quanto em novas incidências, com 7,3 milhões, somente atrás de Índia e Estados Unidos. O professor da Faculdade de Medicina também demonstra preocupação com relação à elevação nos casos relacionados ao tipo 2 da doença, antes considerado mais comum entre adultos. "Até duas décadas atrás o diabetes tipo 2 era chamado o diabetes da maturidade, que aparecia após os 40, 45 anos de idade, mas atualmente já estamos observando diabetes tipo 2 em adolescentes e mesmo crianças. Nesses casos a gente vê que está associada a pessoas com excesso de peso, muito sedentárias, e com um agravante: quando o diabetes começa a aparecer muito precocemente, o risco de apresentar complicações é muito maior", diz. Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca Veja Mais

'É só ter força de vontade' e outros 6 mitos que atrapalham a luta contra a obesidade

Glogo - Ciência De 'obesidade é uma escolha' a 'gordura é sinônimo de doença', os esforços para lidar com a condição esbarram em uma série de ideias equivocadas e preconceitos. Número de obesos no mundo quase triplicou desde 1975 Getty Images/BBC A obesidade quase triplicou no mundo desde 1975, de acordo com os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS). A agência da ONU estima que mais de 1,9 bilhão de adultos estavam acima do peso em 2016. Deste total, mais de 650 milhões eram obesos. Esses números ajudam a entender por que autoridades de várias áreas alertam sobre uma "epidemia de obesidade", que a OMS afirma estar matando quase três milhões de pessoas todos os anos — e cujo custo econômico anual pode chegar a US$ 2 trilhões, de acordo com uma estimativa de 2014 da consultoria americana McKinsey. Cientistas e formuladores de políticas públicas alertam que os esforços para combater a obesidade têm sido prejudicados por ideias equivocadas e preconceitos. Mas, afinal, o que é mito ou verdade na luta contra a obesidade? Você pode ficar surpreso com as respostas. 'A obesidade é uma escolha, e não uma doença' Os Estados Unidos são um dos países mais afetados pela epidemia de obesidade. As autoridades de saúde americanas estimam que mais de 36% da população seja obesa. Desde 2013, a obesidade é considerada uma doença pela American Medical Association. A 'força de vontade' pode não ter qualquer relação com a obesidade, como indicam evidências científicas Getty Images/BBC Ainda assim, uma pesquisa de 2018 realizada pelo Medscape, site de notícias voltado para profissionais de saúde, revelou que 36% dos médicos e 46% dos enfermeiros do país pensavam o contrário. E 80% dos médicos responderam que as escolhas de estilo de vida eram "sempre ou frequentemente" a causa básica da obesidade. Mas um relatório divulgado no fim de setembro pela British Psychological Society declarou veementemente que "a obesidade não é uma 'escolha'". "As pessoas ficam acima do peso ou obesas como resultado de uma combinação complexa de fatores biológicos e psicológicos combinados com influências ambientais e sociais", diz o relatório. "A obesidade não se deve simplesmente à falta de 'força de vontade' de um indivíduo." 'Não é uma questão genética' Pesquisas científicas identificaram uma relação entre genética e obesidade desde os anos 1990. Em julho, uma equipe de pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia mostrou que pessoas predispostas geneticamente correm um risco maior de ter um índice de massa corporal (IMC) elevado. Pesquisa mostrou ligação entre genética e obesidade nos anos 1990 Getty Images/BBC O IMC, calculado com base na nossa altura e no peso, é um dos indicadores mais comuns para avaliar se nosso peso é saudável. Os cientistas analisaram uma amostra de quase 119 mil pessoas que tiveram seus IMCs medidos repetidas vezes. E descobriram que o IMC da população norueguesa, de uma maneira geral, aumentou substancialmente ao longo das décadas, mas a genética contribuiu para alguns noruegueses ganharem mais peso. "Hoje, a predisposição genética faz com que, em média, um homem norueguês de 35 anos e altura mediana tenha 6,8 kg a mais que seus pares (protegidos geneticamente)", afirmou Maria Brandkvist, uma das pesquisadoras, à BBC. 'Estar acima do peso nunca é saudável' A correlação entre excesso de peso e complicações de saúde é bem conhecida e comprovada. Mas há uma linha de pesquisa em ascensão que está questionando se o excesso de peso/obesidade é sempre perigoso para a saúde de alguém. Em 2012, a Sociedade Europeia de Cardiologia publicou o maior estudo sobre o tema realizado até o momento — e revelou um "paradoxo da obesidade". A pesquisa mostrou que algumas pessoas podem ser obesas, mas metabolicamente saudáveis, sem apresentar um risco maior de desenvolver ou morrer de doenças cardiovasculares e câncer do que indivíduos com peso normal — elas não sofrem de condições como colesterol alto ou hipertensão, além de ter um condicionamento físico melhor que o de outras pessoas obesas. "É sabido que a obesidade está ligada a um grande número de doenças crônicas, como problemas cardiovasculares e câncer. No entanto, parece haver um subconjunto de pessoas obesas que parecem estar protegidas de complicações metabólicas relacionadas à obesidade", escreveu Francisco Ortega, da Universidade de Granada, na Espanha, principal autor do estudo. "Os médicos devem levar em consideração que nem todas as pessoas obesas têm o mesmo prognóstico." 'Todas as calorias são iguais' Não comer demais é uma regra básica para o controle de peso, mas o foco de uma dieta não deveria ser a qualidade das calorias, em vez da quantidade? Em sua definição de dieta saudável, a OMS sugere uma ingestão diária de 2 mil calorias para adultos. Mas há algumas ressalvas — a agência recomenda, por exemplo, que menos de 30% da ingestão total de calorias seja proveniente de gorduras. Um estudo de 2011 da Universidade de Harvard, nos EUA, mostrou que "uma caloria não é uma caloria", e que certos alimentos têm maior probabilidade de promover ganho de peso no longo prazo. Os pesquisadores acompanharam mais de 120 mil homens e mulheres saudáveis ​​por até 20 anos. Em média, os participantes ganharam 1,52 kg a cada quatro anos, acumulando ganho de peso total de 7,6 kg em 20 anos. O consumo de alimentos processados ​​ricos em amido, grãos refinados, gorduras e açúcares aumentou o ganho de peso: só comer batatas fritas resultou em ganho de peso médio de cerca de 1,5 kg a cada quatro anos, enquanto consumir mais legumes e verduras levou a uma perda de peso de 0,09 kg . "Estratégias para ajudar as pessoas a consumirem menos calorias podem ser mais eficazes quando há o consumo reduzido (ou maior) de determinados alimentos e bebidas", diz o estudo. 'Devemos ter metas realistas de perda de peso para evitar frustrações' Evitar criar muita expectativa pode ser um princípio básico para a vida. No entanto, estudos indicam que não há uma associação negativa entre metas ambiciosas e perda de peso. De acordo com uma pesquisa de 2017 publicada no Journal of the American Academy of Nutrition and Dietetics, quem tinha as expectativas mais altas em relação à perda de peso obteve os melhores resultados em um grupo de 88 pessoas com obesidade severa. 'A obesidade é um problema apenas nos países ricos' Embora muitas nações desenvolvidas apresentem de fato altas taxas de obesidade, você pode ficar surpreso se der uma olhada no ranking mundial. Em termos de incidência, os países mais afetados pela obesidade são as Ilhas do Pacífico — na Samoa Americana, quase 75% da população é considerada obesa. O preço mais baixo de alimentos que não são saudáveis está associado a um risco maior de obesidade para os mais pobres Getty Images/BBC É verdade que essas nações insulares têm populações muito pequenas, mas os países em desenvolvimento com populações maiores também apresentam problemas crescentes de obesidade — no Egito e na Turquia, 32% da população é obesa, segundo dados da OMS de 2016. Na verdade, estudos mostram que indivíduos com renda mais baixa são os mais vulneráveis ​​à obesidade. "A obesidade é um produto da desigualdade social. Nos EUA, o estado mais 'obeso', o Arkansas, também é o quarto estado mais pobre, e o estado mais pobre, o Mississippi, também é o terceiro com mais sobrepeso", diz Martin Cohen, autor do livro I Think Therefore I Eat ("Penso, logo como", em tradução livre), sobre a sociologia da alimentação. No Reino Unido, dados do sistema público de saúde (NHS, na sigla em inglês) de 2015 a 2016 mostram que a incidência da obesidade em crianças que vivem em áreas mais carentes é mais que o dobro daquelas que vivem em regiões menos desfavorecidas. Especialistas afirmam que o principal motivo dessa disparidade está relacionado ao fato de que alimentos mais saudáveis ​​são mais caros. 'A amamentação não está relacionada à obesidade' Nas últimas décadas, as fórmulas infantis têm sido ativamente anunciadas como complemento ao leite materno. No entanto, dados de um amplo estudo da OMS publicado em abril mostram que a amamentação também pode reduzir as chances de a criança ficar obesa. Após analisar 30 mil crianças em 16 países europeus, os cientistas constataram que crianças que nunca foram amamentadas tinham 22% mais chances de serem obesas. Especialistas foram rápidos em apontar, no entanto, que fatores como um estilo de vida mais saudável nas famílias em que as mulheres amamentavam também podem ter tido um papel importante na proteção contra a obesidade. João Breda, autor sênior do estudo, afirma que os benefícios do leite materno contra a obesidade são irrefutáveis. "A amamentação tem um efeito protetor muito forte. As evidências estão aí. O benefício é excepcional, devemos informar isso às pessoas." Obesidade atinge uma em cada três crianças de 5 a 9 anos, aponta relatório Veja Mais

'Peguei HIV na minha primeira relação sexual'

Glogo - Ciência Jovem foi diagnosticada aos 17 anos de idade e desde então toma medicação diária. Ela conta à BBC como é viver com o vírus. Jovem tinha apenas 17 anos quando foi diagnosticada com HIV – Ilustração: Debie Loizou/BBC "Eu só havia me relacionado com uma pessoa quando contraí HIV. Eu sei que as pessoas ouvem isso e acham que é uma história triste que eu conto, mas é a verdade." Jane (nome fictício), uma jovem nascida na Irlanda do Norte, está entre as 1.100 pessoas que vivem hoje com HIV no país, que faz parte do Reino Unido. Ela foi uma das mais jovens na região a receber o diagnóstico. Nova cepa do vírus HIV é identificada por cientistas norte-americanos Cientista testa terapia gênica para impedir replicação do HIV Fundo internacional alerta para 'desafios colossais' no combate a Aids Os dados mostram que a proporção de pessoas afetadas é maior entre homens que mantêm relações com homens. Entretanto, como alerta a instituição de caridade Positive Life — a única no país que presta assistência às pessoas soropositivas — associar o HIV a tal população é um erro. A organização explica que não se trata de uma "doença que só afeta homens gays". Na Irlanda do Norte, o número de mulheres que acessam serviços de apoio a quem vive com HIV ultrapassa 200. No país, um terço dos testes de anticorpos do HIV são conduzidos durante os exames pré-natais. Outra estatística local ajuda a questionar o mito sobre HIV: 40% das pessoas soropositivas contraíram o vírus por meio de relações heterossexuais. 'Coloque-se no meu lugar' "Eu sei que as pessoas que me ouvem podem até julgar, mas eu pediria para que se colocassem no meu lugar." A primeira reação de Jane ao receber seu diagnóstico foi buscar informações sobre o HIV, tanto na internet quanto em filmes sobre o assunto. "Isso me assustou muito. (Os filmes) mostravam pessoas ficando muito doentes, com a pele ficando feia, e pessoas morrendo", conta ela. "Eu pensava 'é isso que vai acontecer comigo?'." Símbolo da luta contra a Aids DIPTENDU DUTTA / AFP O estigma sobre as pessoas que vivem com o vírus também assustou a família de Jane. Sua mãe conta que também associava a condição a um comportamento sexual específico. "No começo, eu tinha todos os tipos de estereótipos e de estigmas na cabeça que você pode imaginar. Eu só conseguia pensar 'isso não poderia estar acontecendo com ela, com alguém da idade dela, com alguém que não é promíscua'", diz a mãe, que falou em condição de anonimato. "Mas agora eu sei que não importa se você é promíscuo ou não, basta uma vez para que sua vida mude para sempre." Recomeço Um teste de HIV com resultado positivo não significa o fim da linha para os afetados pela condição. Pelo contrário: medicamentos atuam para baixar a carga viral e garantem mais qualidade de vida a quem vive com o vírus. Jane explica que toma medicamentos diariamente, que servem para suprimir o vírus. Como resultado, no caso dela, eles já impedem que o HIV seja transmitido, mesmo em relações sexuais. Células do vírus HIV (viriões), em imagem microscópica produzida em 2011 Maureen Metcalfe, Tom Hodge/CDC/AP "Depois do diagnóstico, eu comecei a usar a medicação, que deixou os níveis de HIV no meu sangue bem baixos. Chegaram ao ponto de serem indetectáveis e eu engravidei." "Durante a gravidez, tive de tomar três tipos diferentes de comprimidos, para ter certeza de que o bebê não contrairia HIV. Agora, tenho um filho pequeno e a medicação funcionou. Sim, eu tenho HIV, mas isso não vai me impedir de cuidar do meu filho. Eu ainda tenho um teto para morar, eu tenho apoio familiar." Para a mãe de Jane, o caso pode servir de exemplo para repensar os debates sobre HIV e as pessoas que vivem com o vírus. "Eu acho importante pensar positivo, mas isso não significa ignorar a questão. A gente precisa falar sobre o assunto e sobre como evitar que se chegue nesse estágio." Instituto Emílio Ribas solta balões para lembrar do Dia Internacional de Combate à Aids "Para mim, é daí que vem a importância da educação sexual, porque o HIV ainda é um grande tabu. A história da minha filha mostra que é possível que uma garota jovem, que está na melhor fase da vida, contrair o HIV." Como Jane reconhece, não é possível "mudar o passado", mas ela passa adiante o que aprendeu. "Eu diria para qualquer um: se você faz sexo com alguém, seja a primeira vez ou não, faça com segurança. E você deve perguntar àquela pessoa: 'você já fez o teste?', 'você já passou pelos exames?'." Ela defende que essas são "perguntas simples" que devem ser feitas por qualquer pessoa sexualmente ativa, e que as escolas deveriam ensinar sobre a importância do teste de HIV. "Tenho de viver com o fato de ser HIV-positiva. Isso significa tomar medicamentos pelo resto da vida, fazer exames de sangue regularmente. Mas não vou deixar que arruíne a minha vida." Veja Mais

'Voltei a andar 5 anos após fazer uma cirurgia bariátrica'

Glogo - Ciência Sem conseguir se alimentar e com a deficiência de vitaminas do complexo B, Raquel perdeu o movimento das pernas e chegou a pesar menos de 40 kg. Cinco anos depois do procedimento, começou a dar os primeiros passos: 'Momento mais feliz da vida'. "Foi o momento mais feliz da vida": Raquel voltou a caminhar sozinha 5 anos após passar por uma cirurgia bariátrica Arquivo pessoal/BBC Pouco menos de dois anos após fazer uma cirurgia bariátrica, a estudante carioca Raquel Guimarães, então com 22 anos, já tinha perdido mais de 70 kg. Mas o que podia parecer uma história de recuperação bem sucedida, na verdade, era o início de um pesadelo que levou médicos a desenganá-la e a obrigou a reaprender a andar. Raquel saiu dos seus 120 kg para um quadro de desnutrição grave, com menos de 40 kg. Sem conseguir se alimentar, sofreu deficiência das vitaminas B1 e B12 — e, com isso, perdeu o movimento das pernas, apresentou quadro de confusão mental e até problemas de visão. O pai da estudante – que àquela altura, em 2016, via a filha sobreviver graças a transfusões de sangue e alimentação por sonda — ouviu dos médicos a pior notícia: que a filha "não teria mais jeito". Em 2019, cinco anos após o procedimento em um hospital particular na zona oeste do Rio de Janeiro, a jovem voltou a dar os primeiros passos sozinha, compartilhando as conquistas nas redes sociais: "Foi o momento mais feliz da minha vida". O procedimento a que Raquel foi submetida é conhecido como bypass gástrico, o tipo de cirurgia bariátrica mais comum no Brasil e que provoca uma grande alteração no sistema digestivo, com a redução do estômago e efeitos sobre os intestinos. Com problemas para se alimentar no pós-operatório, Raquel acabou desenvolvendo a chamada encefalopatia de Wernicke, provocada pela deficiência grave de vitaminas do complexo B. Initial plugin text O caso da jovem é considerado raro pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). O presidente da organização, o médico Marcos Vilas Bôas, diz que a evolução da paciente é algo totalmente "atípico" e mais raro até do que óbitos decorrentes do procedimento. No Brasil, foram realizadas em 2018 cerca de 65 mil cirurgias bariátricas, segundo a SBCBM — e mais de 13 milhões de brasileiros são considerados "elegíveis" para o procedimento. O índice de mortalidade, segundo Vilas Bôas, é de cerca de 0,2% dos casos. Mas o médico alerta para cuidados no pós-operatório. "Hoje a cirurgia é muito segura. Mas é extremamente importante que todos façam um acompanhamento com equipes multidisciplinares, com aconselhamento médico, nutricionistas. E precisam informar imediatamente se sentirem qualquer coisa que não esteja adequada com a recuperação", diz. 'Queria comprar a roupa que eu quisesse' Para Raquel, que durante anos lutou com a balança, a decisão de realizar a cirurgia aconteceu naturalmente. "Pagava personal (trainer), ia na academia certinho, ia para o endocrinologista. Quando começava a emagrecer, dava problema no tornozelo e precisava imobilizar. Sem ir à academia, engordava tudo de novo. Poxa, uma jovem de 20 anos, se esforçava tanto, mas o resultado não vinha." Assim, a mãe de Raquel, a professora Valdinere Guimarães, explica por que o assunto da cirurgia bariátrica chegou à mesa de jantar da casa da família, em Bangu, zona oeste do Rio. Os casos bem-sucedidos estavam por todos os lados. Na família e na vizinhança, os Guimarães tinham exemplos do bem que o procedimento poderia fazer a Raquel. "Eu queria comprar não uma roupa que coubesse mim, mas a roupa que eu quisesse vestir", argumentava Raquel. "Por que não fazer, então?", concluiu Valdirene ao apoiar a filha, então com 20 anos e estudante de fisioterapia. Raquel chegou a pesar menos de 40 kg e passou meses internada no hospital Arquivo pessoal/BBC De acordo com a SBCBM, pessoas entre 18 e 65 anos estão em uma faixa etária sem restrições para o procedimento. Além da perda de peso, a cirurgia é indicada para a remissão de doenças associadas à obesidade, como diabetes e hipertensão, e diminuição do risco de mortalidade. "Muitos não veem a obesidade como uma doença grave, mas é grave", alerta Vilas Bôas. Com a decisão tomada, a família Guimarães conseguiu os R$ 22 mil necessários para o procedimento particular. Em setembro de 2014, a cirurgia foi feita, sem complicações iniciais. Mas tudo mudou dois meses depois. "Eu não conseguia comer nada, com vômitos e diarreia. Comecei a ter formigamentos, cãibras, dormência nas pernas. Esquecia das coisas, falava coisas confusas. Os médicos chegaram a dizer que era falta de potássio e que não tinha a ver com cirurgia. Então, voltei para casa", conta Raquel. Os sintomas que a estudante sentia já eram sinais de que algo não ia bem na recuperação. Faltava a Raquel, segundo os relatos da família e de um médico que a acompanhou o caso consultado pela BBC News Brasil, tiamina (a vitamina B1) e vitamina B12. A deficiência vitamínica havia evoluído para um caso de encefalopatia de Wernicke, frequentemente causada pela má alimentação ou pelo consumo excessivo de álcool, e para uma polineuropatia, um distúrbio simultâneo de nervos periféricos em todo o organismo que pode ser causado pela falta desses nutrientes. Em dezembro de 2014, Raquel estava em casa, em pé, quando desabou, sem força nas pernas. Levada ao hospital, foi identificada a falta de vitaminas, segundo a família. A jovem foi internada no CTI para repor os nutrientes, mas recebeu um diagnóstico que assustou: já não voltaria a andar. "Esse foi o começo da nossa luta", conta Raquel. Após um mês internada, mas ainda sem andar, a jovem teve alta. Em casa, não conseguia se alimentar. O que comia, vomitava. E chegou a pesar menos de 40kg no momento mais crítico. "Eu olhava para ela e pensava: "minha filha não está viva. Eu estava vendo uma caveira na cama", relata a mãe. O quadro se agravou para anemia grave e desnutrição. Em dezembro de 2015, Raquel foi novamente internada para receber transfusões de sangue e passou a se alimentar por meio de sonda. Ao pai da estudante, os médicos chegaram a pedir que reunisse a família porque a jovem "não teria mais jeito". "Eu ouvi uma voz dizer 'vai salvar sua filha'. Eu obedeci e me prometi que faria de tudo para salvá-la", contou a mãe, Valdirene. Novo pai, nova filha Foram incontáveis os exames realizados em Raquel para tentar descobrir por que ela não conseguia se alimentar, mesmo mais de um ano após a cirurgia. A jovem definhava na cama do hospital, ao ponto de não conseguir mais levantar o braço. A mãe dormia todos os dias num sofá, ao lado do leito, vivendo à base de analgésicos para dores causadas por noites mal dormidas. "Quando vi uma menina tão nova com um quadro daquele, numa cama, vi que algo não batia. Aquela complicação não era normal. Muitos exames foram feitos, a anatomia da cirurgia estava correta. Mas eu resolvi insistir", relata o clínico médico Edward Pinto de Lima Júnior, que até hoje chama Raquel de "filha" e é chamado por ela de "pai". Contrariando sugestões de outros colegas, que falavam que não havia mais nada a ser feito, o clínico resolveu investigar. As idas ao hospital passaram e ser diárias, e a relação com os Guimarães virou quase familiar. "É algo muito raro de acontecer na profissão, mas eu passei a amar essa menina. Eu apenas não podia perder ela", conta Lima Júnior. Um exame chamado enterografia mostrou que Raquel havia tido uma resposta de estenose exacerbada — quando ocorre um estreitamento do trato digestivo no momento da cicatrização interna da cirurgia. No caso da jovem, o problema, que é como se fosse a formação de uma "queloide" interna que impedia a passagem de alimentos, estava no intestino delgado. O estudante compartilha o 'antes e depois' da cirurgia nas redes sociais Arquivo pessoal/BBC "A estenose não é fixa, ela vai acontecendo. Os outros exames não identificaram esse problema e, infelizmente, não dá para saber se a estenose não existia na ocasião ou se apenas as imagens não mostraram", explica Lima Júnior. Segundo o presidente da SBCBM, o médico Marcos Vilas Bôas, quando identificada uma estenose, procedimentos simples de dilatação da região costumam resolver o problema. Para Raquel, o procedimento foi o início de uma nova fase. Ela voltou a se alimentar pela boca, tomar água e, finalmente, iniciou a recuperação. Ganhou peso e voltou a sentir as pernas. ""Eu achava que não ia conseguir, estava exausta. Pensava: 'não vou andar mesmo, não adianta nem fazer fisioterapia'. A virada foi quando comecei a sentir as pernas. Eu pensei: 'espera aí, tem chance sim de eu começar a voltar a andar'", conta. Apesar de sentir os membros inferiores, Raquel não conseguia mais andar. Sem movimento e sem fisioterapia durante o período de internação no hospital e da recuperação, as pernas ficaram atrofiadas. "Primeiro cuidamos de uma coisa e aí passamos a precisar cuidar de outra", conta Valdirene. Dos clínicos e nutricionistas, a jovem passou a frequentar mais agora consultórios de ortopedistas. Até que, em setembro de 2017, passou por um procedimento cirúgico para colocar um fixador externo na perna direita. Um ano depois, foi a vez da perna esquerda. A fisioterapia virou rotina em casa. Movimentos na cama, na piscina, com um andador… Com o tratamento, em julho de 2019, Raquel conseguiu se soltar do apoio e ficar em pé sozinha, pela primeira vez desde o dia em que caiu no meio de casa — quase 5 anos depois de passar pela cirurgia e pelo "martírio" que se seguiu. "Depois de cinco anos sem abraçar minha filha em pé, eu consegui. Foi a coisa mais emocionante. Eu não queria soltar. Fiquei agarrada com ela, uma sensação maravilhosa", relembra Valdirene. Um dos primeiros a receber o vídeo com a conquista foi o "pai" Edward Júnior, que recebe até hoje frequentemente mensagens sobre a evolução de sua "filha". "Foi um espetáculo de obstinação, não só dela mas de toda família. Ela ensinou todo mundo, mesmo quando fraquejava." Initial plugin text Nas redes sociais, Raquel hoje mostra, além de sua recuperação, aquilo que muitos jovens que se submetem ao tipo de procedimento costumam fazer: o "antes e depois". Não só da perda de peso, mas também o antes e depois de "dar ruim", como ela mesma se refere às complicações. "Parece que eu bebi a noite inteira? Sim... porém, são cinco anos sem saber como é andar, então peguem leve", escreveu num vídeo em que mostra os primeiros passos sozinha. Aos 25 anos, com 1,72 meto e 58 kg, Raquel prepara um livro de memórias, com o título Caminhando nas Estrelas. Nele, vai relatar o momento do qual poucos podem se lembrar: qual é a sensação de aprender a andar? "Um passo de cada vez e a gente chega lá." 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Expectativa de vida do brasileiro ao nascer foi de 76,3 anos em 2018, diz IBGE

Glogo - Ciência O dado foi divulgado nesta quinta-feira (28); é uma alta de 0,3 ano em comparação ao número de 2017, que era de 76. A expectativa de vida ao nascer dos brasileiros era de 76,3 em 2018, de acordo com dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (28). São 76 anos, 3 meses e 18 dias. É uma alta de 0,4% em relação ao dado do ano anterior, que se referia a 2017. Esse número vem crescendo desde 1940: naquele ano, a expectativa de vida ao nascer era de apenas 45,5 anos. A tabela abaixo, publicada pelo IBGE, indica qual é a expectativa de vida, em média, conforme a idade das pessoas em 2018. Expectativa por idade em 2018 Esta reportagem está em atualização. Veja Mais

As raras múmias de bichos em exposição no Egito

Glogo - Ciência Pela primeira vez, o país exibe uma grande coleção de animais mumificados – como crocodilos, cobras, pássaros e gatos. Os arqueólogos acreditam que dois dos animais mumificados podem ser filhotes de leão Reuters/BBC Pela primeira vez, o Egito exibe uma grande coleção de animais mumificados que foram encontrados em uma necrópole perto do Cairo. Os arqueólogos descobriram a relíquia no ano passado, perto da pirâmide de degraus do faraó Djoser, em Saqqara, ao sul da capital. Eles acharam centenas de artefatos, incluindo máscaras e estátuas, além de gatos, crocodilos, cobras e pássaros mumificados. As autoridades egípcias apresentaram as descobertas no último fim de semana durante uma exposição perto da necrópole de Saqqara. Pesquisadores do Rio Grande do Sul descobrem múmia egípcia no interior do estado Descoberta rara O Ministério de Antiguidades informou que está analisando duas múmias para verificar se podem ser de filhotes de leão. Diferentemente dos gatos mumificados, que os arqueólogos costumam encontrar com frequência, a descoberta de leões intactos é considerada rara. As múmias de animais foram encontradas em Saqqara, um importante cemitério antigo perto do Cairo Reuters/BBC Em entrevista coletiva, uma das autoridades indicou que a estátua de um escaravelho era uma das descobertas mais importantes. "Este escaravelho é a descoberta mais encantadora entre centenas de outras", disse Mostafa Waziri, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito. "É o maior escaravelho do mundo", acrescentou. Saqqara é um antigo cemitério que serviu como necrópole de Memphis, capital do Egito antigo por mais de 2 mil anos. Localizado a cerca de 30 quilômetros ao sul do Cairo, o cemitério de Saqqara ficou ativo por mais de 3 mil anos — e foi designado Patrimônio Mundial pela Unesco. A estátua de um escaravelho foi considerada 'a descoberta mais encantadora' Reuters/BBC Nos últimos anos, o Egito vem promovendo com mais intensidade suas descobertas arqueológicas na tentativa de reaquecer a indústria do turismo, que está em crise desde a Primavera Árabe, devido à instabilidade política e a uma série de ataques terroristas. Veja Mais

A partícula descoberta por cientistas que pode mudar nossa compreensão do Universo

Glogo - Ciência Uma partícula batizada como X17 pode ser evidência da existência de uma quinta força da natureza e um elo entre com a matéria escura, de acordo com um grupo de cientistas húngaros. Imagem da Via Láctea, galáxia na qual se encontra o sistema solar. A partícula X17 poderia ser um vínculo com a matéria escura Getty Images/BBC Durante décadas, a comunidade científica reconheceu a existência de quatro forças fundamentais que controlam o Universo: eletromagnetismo, gravidade, força nuclear fraca e força nuclear forte. Mas, agora, um estudo publicado por cientistas húngaros diz ter observado evidências de uma quinta força da natureza, o que pode revolucionar nossa compreensão de como o mundo funciona. A análise foi realizada por cientistas do Instituto de Pesquisa Nuclear da Academia Húngara de Ciências (Atomki), que estudaram o comportamento de um átomo de hélio e como ele emite luz quando se decompõe. Astrônomos apresentam a primeira imagem de um buraco negro já registrada O que é um buraco negro? G1 ouviu um dos astrônomos do projeto Os átomos estudados estavam em um estado chamado "excitado", quado um de seus elétrons, tendo maior energia, salta da órbita que ocupava para uma órbita externa, mais distante do núcleo. Durante o experimento, a equipe liderada por Attila Krasznahorkay observou que as partículas do átomo foram divididas em ângulos de 115 graus, muito mais do que o esperado. Acredita-se que, no momento em que o átomo decai, o excesso de energia produzido cria brevemente uma nova partícula desconhecida, que se decompõe rapidamente em pósitrons e elétrons. É um fenômeno que não pode ser explicado no atual modelo padrão da física de partículas, a teoria científica que descreve a estrutura fundamental da matéria e do vácuo, levando em consideração as partículas elementares. Qualificado como um "bóson X protofóbico", porque teria "medo de prótons", acredita-se que essa nova partícula, batizada como X17, seja capaz de transportar forças que atuam a pequenas distâncias e seria evidência da existência de uma quinta força da natureza. 33 vezes mais massa que um elétron De acordo com a equipe de Krasznahorkay, que publicou sua análise no site da Universidade Cornell, essa partícula desconhecida teria uma massa de cerca de 17 megaeletronvolts, que é aproximadamente 33 vezes mais do que um elétron, e daí vem seu nome. As descobertas do Instituto Atomki ocorrem três anos após a publicação de um resultado similar de um experimento realizado com a decomposição de um átomo de berílio-8, durante o qual uma anomalia foi observada. De acordo com a lei de conservação de energia, à medida que a energia da luz produzida pelo berílio aumenta quando libera um elétron e um pósitron, o ângulo entre os dois deve diminuir. Mas não foi o que aconteceu no experimento de 2016. De fato, houve um aumento inesperado na quantidade de elétrons e pósitrons que se afastaram um do outro em um ângulo de 140 graus, muito mais do que o esperado. Uma irregularidade que teria sido causada pela partícula X17. Possível ligação entre mundo visível e matéria escura A equipe de Krasznahorkay acredita que esse novo experimento produziu resultados semelhantes à "anomalia" observada quando o berílio-8 foi analisado, o que parece seguir o "cenário de decomposição do bóson X17", diz o estudo. Os cientistas húngaros também acreditam que a partícula poderia ser o elo entre o mundo visível e a matéria escura. A matéria escura é uma entidade invisível, mas essencial, que compõe cerca de um quarto de toda a matéria do Universo, cuja existência é prevista no modelo científico que usamos, mas que nunca foi encontrada. Se a existência da partícula X17 for comprovada, ela poderia ajudar a resolver esse mistério que persiste por décadas. Estudos experimentais independentes sobre a partícula X17 são esperados nos próximos anos. Buraco negro: saiba o que é, como a imagem foi feita e as simulações do fenômeno Veja Mais

Teoria da Evolução: por que é errado dizer que viemos dos macacos e outras 4 questões sobre nossa origem

Glogo - Ciência Livro 'A Origem das Espécies', em que naturalista britânico estabeleceu a base da teoria da evolução pela seleção natural, completa 160 anos. Livro 'A Origem das Espécies', de Darwin Domínio público A publicação do livro A Origem das Espécies, em que Charles Darwin estabeleceu a base da teoria da evolução pela seleção natural, completa 160 anos neste 24 de novembro. Mas o quanto sabemos de fato sobre a história da nossa espécie? E por que é um erro dizer que "descendemos dos macacos"? A BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, apresenta cinco questões que podem te surpreender sobre a evolução humana. 1. Não descendemos de macacos Os homens modernos, da espécie Homo sapiens sapiens, não evoluíram dos macacos, mas compartilham de um ancestral comum com eles. "Um erro muito comum é pensar que 'viemos dos macacos'. Esse erro faz com que muita gente negue a teoria da evolução", afirmou à BBC News Mundo o paleoantropólogo espanhol José María Bermúdez de Castro. "Para começar, é melhor afirmar que somos mais uma espécie da ordem dos primatas", diz o coordenador do Programa de Paleobiologia do Centro Nacional de Pesquisa sobre a Evolução Humana, em Burgos, na Espanha, e codiretor do projeto de pesquisa e escavação nos sítios arqueológicos da Serra de Atapuerca, também na Espanha. Essa linhagem de primatas "começa sua história evolutiva há cerca de 7 milhões de anos. Naquela época, um ancestral comum com os chimpanzés divergiu em duas linhagens diferentes, provavelmente por razões climáticas". "A linhagem que deu origem aos chimpanzés, Pan paniscus e Pan troglodytes, permaneceu no oeste da África. A linhagem que acabou dando origem à humanidade atual evoluiu no sul e no leste da África." Bermúdez de Castro acrescenta que compartilhamos cerca de 99% de nossos genes com os chimpanzés, mas a diferença (de aproximadamente 1,2%) é importante, uma vez que temos entre 20 mil e 25 mil genes operacionais. "Deveríamos refletir sobre nossa relação próxima com esses primatas, nossos primos em primeiro grau", completa o cientista espanhol. 2. Mais da metade do seu corpo não é humano Estima-se que cerca da metade do nosso corpo seja composto de células humanas, mas o restante é uma mistura de bactérias, vírus e fungos que compõem o que é conhecido como microbioma. Esse microbioma, que é tão particular quanto a impressão digital de cada um, tem influência sobre uma ampla variedade de funções — da digestão ao sistema imunológico. "Você é 43% humano de acordo com as estimativas mais recentes, se contar todas as células", afirmou à BBC em 2018 o professor Rob Knight, da Universidade da Califórnia, em San Diego, nos EUA. Se pensarmos em termos genéticos, os números são ainda mais surpreendentes. Microbiólogos da escola de medicina da Universidade Harvard e do Joslin Diabetes Center, ambos nos EUA, analisaram o DNA de cerca de 3,5 mil amostras da boca e intestinos. Os resultados do estudo, publicado neste ano na revista científica Cell Host & Microbe, indicam que havia cerca de 46 milhões de genes bacterianos, sendo 24 milhões no microbioma da boca e 22 milhões no dos intestinos. 3. Estamos repletos de vestígios evolutivos A evolução é um processo que pode ser muito lento — e alguns de seus vestígios podem permanecer por muito tempo depois que deixam de cumprir uma função. Um exemplo é o apêndice, que teria desempenhado uma função relacionada à digestão da celulose das plantas em nossos ancestrais. Os dentes do siso, que foram úteis para moer alimentos fibrosos, são outro exemplo. O cóccix também é considerado um vestígio evolutivo, que no passado contribuiu para manter o equilíbrio. É o vestígio de uma cauda que, no caso de embriões humanos, aparece no final da quarta semana de desenvolvimento embrionário e desaparece no início da oitava semana. E se você fica arrepiado quando sente frio ou medo, isso significa que suas fibras musculares conhecidas como arrectores pilorum (arrector pili, no singular) estão se contraindo involuntariamente, o que provavelmente causará arrepios. Se você é um animal selvagem, pode ser útil ter os pelos arrepiados, há que assim podem capturar mais ar para reter o calor. Ou você pode parecer maior do que é, o que poderia desencorajar seus predadores. Mas, no caso dos seres humanos, nossos arrectores pilorum não oferecem nenhum desses benefícios. 4. Nossa espécie surgiu há cerca de 300 mil anos A história da nossa origem tem mudado constantemente à medida que novos fósseis são descobertos. "Nossa espécie, Homo sapiens, surgiu na África há pouco mais de 200 mil anos. Alguns pesquisadores acreditam que certos fósseis de um sítio arqueológico no Marrocos (Jebel Irhoud) já pertenciam à nossa espécie. Esses fósseis têm 315 mil anos", explica Bermúdez de Castro. "Independentemente deste debate sobre datas, não se sabe de nenhuma mudança importante no ambiente da África na época do Pleistoceno." As eras glaciais afetaram o hemisfério norte e tiveram impacto no enfraquecimento da espécie Homo neanderthalensis. "Mas na África subsaariana e no norte da África o clima não sofreu mudanças significativas. Portanto, nos escapa saber que circunstâncias favoreceram o surgimento dos primeiros hominídeos semelhantes a nós na maior parte de sua anatomia." "Certos aspectos culturais, como a arte ou o simbolismo, ainda levariam algum tempo para serem consolidados no Homo sapiens. Mas, do ponto de vista da anatomia, os homens africanos de 200 mil anos atrás eram praticamente indistinguíveis de nós." Atualmente, há muita discussão sobre a possibilidade de ter havido diferentes rotas de expansão do Homo sapiens para fora da África e por dois lugares diferentes: o Levante e o Estreito de Bab El-Mandeb, no Chifre da África. "Não seria estranho. Os dados não são contraditórios e não afetam o resultado final: agora somos a única espécie de hominídeo do planeta." 5. Não paramos de evoluir Ainda estamos nos adaptando ao mundo ao nosso redor. Um exemplo é o rápido aumento, nas últimas 100 gerações do Reino Unido, do gene de tolerância à lactose, o açúcar do leite. Estima-se que há cerca de 11 mil anos, os homens adultos não eram capazes de digerir a lactose. À medida que os seres humanos começaram a depender da produção de leite em certas regiões para se alimentar, seus corpos se adaptaram para digerir este alimento, que antes era tolerado apenas por crianças. Em regiões com uma longa tradição de produção de laticínios, como a Europa, a população é muito mais tolerante à lactose do que na Ásia. "É claro que não deixamos de evoluir e nunca deixaremos, enquanto continuarmos sendo uma espécie na Terra", diz Bermúdez de Castro. "A própria cultura está influenciando de maneira decisiva a nossa evolução. E essa influência será cada vez mais importante, no momento em que a tecnologia nos permitir manipular com segurança o genoma humano." "Pode ser que os experimentos de que temos notícia não sejam muito éticos e tenham riscos. Mas, ao longo dos anos, vai ser possível realizar essas manipulações. Se chegarmos a esse ponto, a mudança evolutiva será extremamente rápida", avalia. Veja Mais

O cientista que precisou brigar na Justiça para receber por seu invento revolucionário

Glogo - Ciência Ian Shanks era funcionário da multinacional Unilever quando, usando um brinquedo da filha, desenvolveu uma tecnologia que mudou a vida de milhões de diabéticos. Sua batalha legal durou 13 anos. Shanks trabalhava em uma multinacional quando criou sua invenção, a partir de um brinquedo da filha Ian Shanks/Arquivo Pessoal/BBC Sua invenção já foi usada por milhões de pessoas. Mas ele só foi compensado por isso décadas depois. Em outubro, a Suprema Corte do Reino Unido decidiu que Ian Shanks, de 72 anos, deve receber 2 milhões de libras (R$ 10 milhões) por ter inventado uma tecnologia pioneira para medir os níveis de açúcar no sangue. Ele o fez em 1982, quando trabalhava em uma filial da multinacional Unilever em Bedfordshire, na Inglaterra, e teve como matéria-prima um brinquedo da filha. Émile du Châtelet, a matemática que correu contra morte para terminar seu legado científico O que Charles Darwin achou do Brasil do século 19 Usando filme plástico e tiras de vidro do kit infantil de microscópio da menina, ele criou o primeiro protótipo da tecnologia ECFD, que hoje é aplicada em grande parte dos aparelhos de testes de glicemia. Ele havia iniciado uma batalha legal em busca de reconhecimento em 2006, mas perdeu em todas as instâncias até que o caso chegou à Suprema Corte — esta decidiu, por unanimidade, que a invenção de Shanks deu a seu ex-empregador um "benefício extraordinário" pelo qual ele deveria ser recompensado. Orgulho da invenção Shanks afirmou, após o julgamento, se sentir aliviado que sua "batalha de 13 anos" tenha terminado, mas lembrou que arcou com muitos custos financeiros no processo, além de custos emocionais. "Em 2007, sofri um ataque cardíaco, e o fato de eu estar sob estresse não ajudava." A Unilever, por sua vez, afirmou por meio de um porta-voz que estava "desapontada" com a decisão judicial que deu a Shanks "direito a uma fatia de lucros obtida pela Unilever para além dos salários, bônus e benefícios que ele recebera enquanto empregado para desenvolver novos produtos para a empresa". Tecnologia criada por Shanks é usada em aparelhos de medição de glicose Divulgação Ele diz ter persistido porque sente orgulho do papel que sua invenção tem para os diabéticos e para inspirar futuros inventores. "Quero que funcionários inventores acreditem que, se eles inventarem algo que se torne muito rentável e significativo, terão uma chance de serem recompensados por isso", afirmou. Shanks conta que em 2006, quando entrou na Justiça, nenhum funcionário havia ainda se beneficiado da lei britânica de patentes, criada 30 anos antes. A lei afirma que inventores que criarem algo que dê "benefício extraordinário" a seus empregadores têm direito a uma "fatia justa" desse benefício. O juiz da Suprema Corte Lord Kitchin afirmou, em sua decisão, que Shanks aceitava que os direitos da invenção pertencem à Unilever, mas argumentava que mesmo assim merecia uma compensação. Veja Mais

Émile du Châtelet, a matemática grávida que correu contra ‘sentença de morte’ para terminar seu maior legado científico

Glogo - Ciência Cientista e intelectual parisiense marcou toda uma geração de matemáticos e físicos franceses ao difundir e elaborar ideias filosóficas que se converterram em peça-chave do Iluminismo europeu. Mas, 270 anos depois de sua morte, ela é mais lembrada por ter sido amante de Voltaire. Émilie du Châtelet foi uma talentosa cientista e intelectual Getty Images/BBC Quando Émilie du Châtelet descobriu que estava grávida, sabia que estava com os dias contados. Era 1749 e a marquesa tinha 42 anos. Naquela época, a expectativa de vida na França não chegava a 30 anos e o parto tazia sempre um risco enorme. Mas longe de se resignar ao que considerava sua "sentença de morte", a descoberta da gravidez a levou a se dedicar incansavelmente ao trabalho tido como o seu maior legado científico. Ela trabalhava por 18 horas diárias, com apenas dois intervalos de uma hora cada, e dormia cerca de quatro horas. Émilie havia abandonado toda a vida social aristocrática e só interrompia sua produção para ver seu jovem amante e pai de sua quarta e última filha. Em 4 de setembro de 1749, Du Châtelet deu à luz seu bebê. Seis dias depois, ela morreu de embolia pulmonar. Se o mau presságio se concretizou, o mesmo aconteceu com sua missão. Du Châtelet terminou seu trabalho dias antes do parto. O que começou como uma tradução francesa do famoso livro de Isaac Newton Princípios Matemáticos da Filosofia Natual, mais conhecido como Principia, acabou se tornando um volume de mais de 500 páginas com contestações e checagens próprias e de terceiros às teorias do físico inglês. O livro seria publicado 10 anos depois e marcaria toda uma geração de matemáticos e físicos franceses, e suas ideias filosóficas o tornariam peça-chave no Iluminismo europeu. Essa ainda é a única tradução completa em francês desse texto revolucionário e ao mesmo tempo sombrio de Newton. No entanto, 270 anos após sua morte, Émilie du Châtelet é lembrada quase exclusivamente por ter sido amante de Voltaire por 15 anos (que, aliás, não era o amante mencionado acima). É verdade que, em vida, ele era o autor mais famoso da França. Mas, como mostram sua produção intelectual e estudos recentes, ela era uma cientista talentosa e intelectual com mérito próprio. Autodidata Gabrielle Émilie le Tonnelier de Breteuil nasceu em 17 de dezembro de 1706 em Paris, no seio de uma família aristocrática francesa. Era a única menina entre seis irmãos. Se por um lado teve aulas com professores prestigiados e aos 12 anos falava seis línguas, de outro, por ser mulher, não lhe foi permitido continuar os estudos e teve que se tornar autodidata para, com a ajuda de amigos, aprender os dois temas que mais a atraíam: matemática e física. Ela tinha tanto talento para a matemática que em Versalhes era famosa por seu dom como apostadora. O dinheiro obtido era gasto com livros e equipamentos científicos. "Se eu fosse rei, reformaria esse abuso que encolhe metade da humanidade. Eu gostaria que as mulheres participassem de todos os direitos humanos, sobretudo, os da mente", afirmou. Nunca chegou a ser rei, ou rainha, mas se tornou marquesa. "Quando completou 18 anos, sabia que teria que se casar e aceitou a proposta do marquês Florent-Claude du Châtelet, um distinto oficial do Exército", relata a biografia publicada pela Sociedade Americana de Física em 2008. "Esse acabou sendo um arranjo conveniente para Émilie", continua o texto, "porque o marido estava frequentemente longe de casa, deixando-a livre para satisfazer seus próprios interesses em estudar matemática e ciências por sua própria conta." Livro de Robyn Arianrhod aborda a influência de Émilie du Châtelet na 'revolução newtoniana' Oxford University Press/BBC Nos primeiros anos de casamento, tiveram três filhos e ela exercia seu papel de mãe e dama da alta sociedade que as normas sociais exigiam. Mas aos 26 anos ela deu um basta. Émilie questionava os anos em que "gastou seu tempo" com "coisas inúteis". "Dedicava um tempo extremo ao cuidado dos meus dentes, do meu cabelo, e ao descuido de minha mente e de meu conhecimento", escreveu ela. Uma mente livre Du Châtelet não era apenas passional em sua trajetória intelectual, mas também na amorosa, diz Robyn Arianrhod, matemática e historiadora da ciência, na revista Cosmos em 2015. "Ela era demais para a maioria das pessoas do seu tempo: ambiciosa demais, intelectual demais, emocional demais e liberada sexualmente demais", afirma a pesquisadora. Tanto foi que durante toda sua vida foi alvo de fofocas. Dizia-se, por exemplo, que a matemática não lhe interessava tanto quanto ter romances com os homens que lhe ensinavam. Mas, no caso dela, a realidade superou a ficção. Quando Du Châtelet e Voltaire começaram a se relacionar, ela tinha 26 anos e ele, 38. À época, era normal que pessoas em casamentos arranjados de famílias aristocráticas vivessem separadas e tivessem amantes, acrescenta Arianrhod, que em 2011 publicou um livro sobre Du Châtelet e outra cientista, Mary Somerville, chamado Seduzidas pela Lógica (em tradução livre). O incomum é que a marquesa não tinha um relacionamento discreto com Voltaire, já que eles moravam juntos. E, embora ele fosse uma celebridade, ainda era um plebeu. Romance da marquesa com Voltaire foi escandaloso em mais de um aspecto Getty Images/BBC Como se não bastasse o escândalo para a sociedade da época, o marido de Du Châtelet apoiou o romance dos amantes e até se tornou amigo de Voltaire. Tanto que o marido, Voltaire e o amante citado acima, o poeta e soldado Jean François de Saint-Lambert, estavam com ela no dia de sua morte. Madame Newton A casa de campo para onde Du Châtelet e Voltaire se mudaram tornou-se um local de encontro para intelectuais e cientistas, além de um laboratório para diversas experiências. A biblioteca tinha mais de 20 mil livros, mais do que muitas universidades da época, diz o texto da Sociedade Americana de Física. Segundo a entidade, uma das contribuições mais importantes dela à ciência está ligada à conservação de energia, com base em experimentos com bolas de chumbo caindo sobre um leito de argila. "Ela mostrou que as bolas que atingiram o barro com o dobro da velocidade penetraram quatro vezes mais profundamente no barro; aquelas com três vezes a velocidade atingiram uma profundidade nove vezes maior. Isso sugeriu que a energia é proporcional ao mv², não ao mv, como Newton sugerira", explica. Sua profunda admiração por Newton não a impediu de mostrar as limitações da teoria que ela defendia tanto publicamente e que lhe valeu o apelido "Madame Newton". Du Châtelet e Voltaire promoveram as teorias do britânico Newton em um momento em que a comunidade científica e intelectual francesa privilegiava as ideias filosóficas do francês René Descartes. Eles foram os primeiros a perceber que "Principia havia mudado não apenas a maneira como vemos o mundo, mas a maneira como vemos a ciência", escreveu Arianrhod em Seduzidas pela Lógica. Com Newton, a ciência deixou de ser qualitativa e ligada a especulações metafísicas e religiosas, ganhando teorias e métodos quantitativos. "Desde então, esse estilo de física matemática teve um impacto tão impressionante na maneira como vivemos e como olhamos no universo que Newton é provavelmente o cientista mais importante de todos os tempos e Émilie era uma das primeiras estudiosas a promover ativamente sua nova maneira radical de pensar", afirma Arianrhod. Principia abrangeu muitos dos valores do Iluminismo, e o texto final de Châtelet (que elogiava a teoria newtoniana e, ao mesmo tempo, a criticava usando as mesmas ferramentas) era como a iluminação quadrada. É por isso que Arianrhod escreve em seu livro que du Châtelet "quebrava estereótipos sobre mulheres e matemáticos, estereótipos que duraram até as vésperas do século 21". "Em particular, mostrou que é possível ser emocional e racional, intelectual e sexy." Veja Mais

Usina solar patrocinada por Bill Gates alcança potência inédita em sistema que pode levar energia para indústrias

Glogo - Ciência Sistemas de energia solar comuns atingem até 600°C, temperatura insuficiente para alguns processos industriais. Especialista diz que tecnologia é promissora e pode ser aplicada no Brasil. Usina de energia solar da Heliogen em Lancaster, na Califórnia Reprodução/Heliogen Uma empresa de energia solar patrocinada por Bill Gates conseguiu produzir energia solar térmica suficiente para atingir altas temperaturas, superando a marca de 1,5 mil graus Celsius. Até então, sistemas similares eram capazes de produzir calor de no máximo 600°C. As temperaturas elevadas permitem que a energia produzida seja usada para processos industriais. O feito foi atingido pela Heliogen, empresa que é presidida pelo criador da Microsoft, na terça-feira (19). A usina, localizada em Lancaster, no estado americano da Califórnia, utiliza um sistema de espelhos que concentra a incidência dos raios de sol. O principal objetivo é produzir calor suficiente para quebrar moléculas de água e assim produzir gás hidrogênio sem emitir poluentes. O hidrogênio é considerado chave para a transição mundial dos combustíveis fósseis para uma matriz energética limpa, segundo um estudo da Agência Internacional de Energia (AIE) publicado em junho. Energia solar térmica O sistema usado pela Heliogen para chegar a altas temperaturas é muito diferente do utilizado por placas de energia solar. As placas fotovoltaicas, que no Brasil viraram praticamente sinônimo de energia solar, criam energia elétrica a partir da diferença de potencial elétrico por ação da luminosidade solar. Placas fotovoltaicas produzem energia elétrica Michael Schwarzenberger/Pixabay Já o sistema usado pela empresa Heliogen produz energia solar térmica, e não energia elétrica. Para isso, são usados espelhos para "concentrar" os raios solares. Esse equipamento transforma irradiação solar direta em energia térmica. Espelhos usados pela usina da Heliogen para refletir a luz do Sol Divulgação/Heliogen Enquanto as placas fotovoltaicas são usadas em residências para diminuir o consumo da rede elétrica comum, as tecnologias de energia solar térmica têm mais usos fora de casa, embora sejam usadas para aquecer a água encanada em alguns países. O brasileiro José Simões-Moreira, professora de engenharia da Poli-USP e chefe do Laboratório de Sistemas Energéticos Alternativos (SISEA, na sigla em inglês), explica que usar o sistema empregado pela Heliogen não é novo, mas ainda é pouco utilizado em grande escala. "Essa forma de energia solar concentrada ainda não tem sido explorada no Brasil e merece ser testada Há locais no país onde a incidência solar pode ser suficiente para esse tipo de projeto", explica o professor. Sistema de espelhos da usina de energia solar térmica da Heliogen Divulgação/Heliogen Diferente das placas fotovoltaicas, os sistemas de espelhos precisam de incidência direta de sol, não apenas luminosidade, para funcionar. "O que essa empresa está propondo de diferente é trabalhar com temperaturas mais elevadas, para levar a energia solar térmica para outros objetivos. É uma promessa que muitos outros grupos pelo mundo também estão apostando", avalia Simões-Moreira, da Poli. Como funciona Na usina da Heliogen na Califórnia, os raios de sol incidem sobre um sistema complexo de espelhos, cujas posições são controladas digitalmente. Esses espelhos direcionam os raios de sol para um mesmo ponto, localizado em uma torre receptora. Nessa torre chega um feixe de luz 1.200 vezes superior à luz do sol. Torre receptora concentra feixe de luz equivalente a 1.200 sóis Divulgação/Heliogen É essa energia solar concentrada que é capaz de atingir altas temperaturas. O calor gerado pelo sistema, de até 1.500°C, é capaz de suprir necessidades de indústrias de cimento e aço, além de fornecer calor para processos usados por mineradoras e petroquímicas na separação de materiais. Outra função do calor é transformar água em gás hidrogênio, um poderoso combustível limpo que promete ser o segredo para o desenvolvimento sustentável. "É uma rota muito promissora porque o gás hidrogênio pode ser obtido a partir da própria água. Depois, usando as chamadas células de combustível, você transforma esse hidrogênio em eletricidade", explica Simões-Moreira, da Poli-USP. Além do hidrogênio, o processo também produz vapor de água, subproduto que pode ser aproveitado para calefação, segundo o professor. O hidrogênio produzido a partir da energia verde ainda é caro. No entanto, a Agência Internacional de Energia (AIE) estima que seus custos de produção poderiam diminuir em 30% até o final de 2030. Hoje, o hidrogênio é produzido quase inteiramente com base em gás e carvão, o que provoca a emissão de 830 milhões toneladas de CO2 por ano. Esse total equivale às emissões combinadas de Reino Unido e Indonésia. Aneel quer reduzir incentivos a energia solar Veja Mais

Soluços em bebês podem ter papel no desenvolvimento do cérebro, indica estudo

Glogo - Ciência Experimento observou mudanças nas ondas cerebrais a partir da contração do diafragma, o que indica um processo de aprendizado 'multissensorial'. Mulher segura bebê no colo BBC/Getty Images Por trás do que pode parecer um incômodo ou apenas um barulhinho fofo, está possivelmente um sofisticado sistema de aprendizado que conecta os soluços, a respiração e o cérebro de bebês muito pequenos. É o que sugere um estudo publicado na última semana por pesquisadores da University College London, na Inglaterra, no periódico Clinical Neurophysiology. Em uma abordagem inédita, os cientistas observaram a atividade cerebral de 13 bebês prematuros e recém-nascidos não prematuros por meio da eletroencefalografia e conseguiram notar mudanças nas ondas cerebrais a cada soluço. "As razões pelas quais soluçamos não são totalmente evidentes, mas pode haver uma função no desenvolvimento, uma vez que os fetos e os recém-nascidos soluçam com tanta frequência", explicou em um comunicado à imprensa Kimberley Whitehead, pesquisadora na área de neurofisiologia e líder do estudo. Segundo o artigo, bebês prematuros são particularmente inclinados a soluçar mais — em média, 15 minutos por dia somando todos os episódios. Atividade precoce Soluços, ou contrações do diafragma (músculo entre o peito e o abdômen com papel fundamental na respiração), começam ainda no útero, a partir de aproximadamente nove semanas de gestação e são um dos padrões de atividade fisiológica mais precoces do feto. Ao envolver bebês de 30 a 42 semanas de gestação, o objetivo do experimento foi observar precisamente o que ocorre no último trimestre de gravidez. A partir das 30 semanas, portanto na fase final da gestação, parece haver uma relação entre soluços e uma codificação da atividade no cérebro. O estabelecimento de circuitos multissensoriais é um marco crucial para o desenvolvimento de recém-nascidos. Bebê sorri deitado em lençol Unsplash Neles, soluços costumam ocorrer enquanto os bebês estão acordados ou no sono do tipo ativo; e vêm normalmente em sequências de aproximadamente 8 minutos. No experimento, pesquisadores observaram nos bebês, a partir das contrações involuntárias do diafragma, respostas no córtex (camada mais externa do cérebro e repleta de neurônios): duas grandes ondas cerebrais seguidas por uma terceira. Como a terceira onda se apresentou semelhante à despertada por um ruído, o cérebro de um bebê recém-nascido pode ser capaz de vincular o som "hic" do soluço à sensação da contração muscular do diafragma. "A atividade resultante de um soluço pode estar ajudando o cérebro do bebê a aprender como monitorar os músculos respiratórios, para que eventualmente a respiração possa ser controlada voluntariamente, movendo o diafragma para cima e para baixo", acrescentou Lorenzo Fabrizi, coautor do artigo. "Quando nascemos, os circuitos que processam as sensações corporais não são totalmente desenvolvidos; portanto, o estabelecimento de tais redes é um marco crucial no desenvolvimento de recém-nascidos." Os mesmos pesquisadores já sugeriram em outro estudo, por exemplo, que ao chutar o útero os bebês podem estar criando mapas mentais de seus próprios corpos — algo análogo ao que pode estar sendo observado agora quanto aos soluços, mas na parte interna do corpo. Movimentos involuntários em extremidades do corpo são comuns em recém-nascidos, o que provavelmente indica outras conexões em desenvolvimento no córtex. "Nossas descobertas fizeram nos perguntar se os soluços em adultos, que parecem à primeira vista apenas um incômodo, podem na verdade ser um resquício da infância, quando tiveram uma função importante", acrescentou Whitehead. Veja Mais

É verdade que as mulheres têm mais dificuldade de perder peso do que os homens?

Glogo - Ciência Suspeita é antiga, mas é realidade ou mito? E, se for verdade, os planos de perda de peso não deveriam ser adaptados de acordo com o gênero? 'Na medicina, em geral, muito do que fazemos na prática é baseado em estudos realizados em homens', diz o pesquisador E. Dale Abel. Getty Images via BBC Já aconteceu com você de seguir à risca uma dieta durante toda a semana e, ao subir na balança, ter uma decepção? Se o efeito não foi o esperado, você sente frustação. Mas mais frustrante ainda é se você está seguindo uma dieta junto com um homem que perdeu mais peso do que você. A reclamação é conhecida: "Ele só precisa parar de comer pão e já emagrece, mas eu...". É verdade que é mais fácil para os homens perder peso do que para as mulheres? E que, portanto, os planos de perda de peso devem ser adaptados dependendo do gênero? As respostas podem ser mais complicadas do que parece. História completa No ano passado, a Universidade de Copenhague, junto com outras 8 instituições de pesquisa, iniciou um estudo que colocou 2,5 mil pessoas pré-diabéticas e com sobrepeso em uma rigorosa dieta de controle de calorias por 8 semanas. O resultado? Em média, os homens perderam 11,8 kg, e as mulheres perderam 10,2 kg. Finalmente, havia evidências de que os homens teriam mais facilidade de perder peso do que as mulheres. No entanto, as estatísticas não contam a história completa. Homens têm um déficit energético maior Getty Images via BBC "Foi decepcionante que a imprensa tenha focado nessa diferença sem entender bem a matemática", disse à BBC o professor Ian Macdonald, da Universidade de Nottingham, que participou do estudo. Simplesmente focar nas diferenças no peso final foi, segundo ele, "infeliz". A razão é que todos os participantes do estudo receberam a mesma quantidade de alimentos (810 calorias), sem considerar que os homens tinham um déficit energético maior. Em primeiro lugar, os homens eram maiores (pesavam 109 kg em média, em comparação aos 96 kg das mulheres) e, portanto, tinham mais peso a perder. Portanto, a diferença no resultado "foi apenas uma consequência da diferença no tamanho do corpo. Se tivéssemos homens menores e mulheres maiores, seria o contrário", explica o professor. Isso não foi um descuido por parte dos cientistas. Na pesquisa, se as mulheres estivessem mais pesadas que os homens no início da dieta, o resultado teria sido o contrário. Getty Images via BBC O plano de oito semanas não foi o foco principal da pesquisa, mas o começo de outro estudo de três anos. "Os participantes tiveram que perder 8% do peso corporal nesse período de 8 semanas para serem recrutados na dieta aleatória e no período de manutenção do exercício nos próximos 3 anos, como parte de um estudo de prevenção de diabetes", diz Macdonald. Também houve relatos de que os homens perderam peso "melhor" que as mulheres: a pressão sanguínea e a frequência cardíaca diminuíram mais e houve diferenças no nível de queda de colesterol. Mas Macdonald esclarece: "Embora houvesse algumas diferenças estatísticas, em termos de relevância clínica, elas não eram significativas. Homens e mulheres experimentaram benefícios com a perda de peso". Então não há diferença? O professor admite, no entanto, que existem diferenças na perda de peso entre homens e mulheres. "Para o mesmo índice de massa corporal, os homens tendem a ter mais massa livre de gordura (músculo) e menor massa gorda. Isso se deve ao efeito dos hormônios sexuais na massa de gordura corporal, bem como na distribuição de gordura." Por isso, "as mulheres geralmente acham um pouco mais difícil perder peso", segundo Tom Little, nutricionista e fundador da Color-Fit, empresa especializada em dietas para atletas profissionais. "Os homens têm mais testosterona e são geneticamente projetados para ter uma porcentagem maior de músculo e menos gordura. A massa muscular tem um metabolismo maior que a gordura e, portanto, quanto mais músculo você tem, mais calorias você pode queimar, mesmo quando você não se exercita", diz ele. "No entanto, a maioria dos estudos mostra que, embora os homens inicialmente percam peso mais rapidamente, as diferenças são compensadas ao longo do tempo." Existem dietas mais adequadas para homens ou mulheres? Neste ano, uma nova pesquisa da Universidade de Iowa examinou se os homens têm mais probabilidade que as mulheres de ter sucesso na dieta cetogênica — um plano alimentar com pouco carboidrato e alto teor de gordura. A pesquisa é tão nova que ainda não foi publicada oficialmente: "Até agora, a apresentamos apenas em reuniões científicas", explica o pesquisador principal E. Dale Abel. O estudo foi realizado "por acaso". Os pesquisadores estavam investigando o impacto da dieta cetogênica como tratamento para insuficiência cardíaca. Eles notaram que os ratos machos da dieta perderam peso, mas as fêmeas ganharam. "Percebemos que essa diferença era significativa entre machos e fêmeas na dieta cetogênica. Pensamos 'uau, que drástico!'. Portanto, a próxima pergunta era se isso era reproduzível", explica Jesse Cochran, coordenador da pesquisa. "Toda vez, era a mesma coisa: ratos machos perdiam peso, fêmeas ganhavam." Entre os ratos, as fêmeas engordaram e os machos perderam peso. Getty Images via BBC Para descobrir se as diferenças se deviam aos hormônios sexuais, eles estudaram fêmeas que tiveram seus ovários removidos para simular um estado pós-menopáusico. Eles descobriram que, embora ganhassem peso (devido à deficiência de estrogênio, normalmente produzida pelos ovários), a dieta ceto não intensificava essa tendência. Alerta! Apesar de tudo, os cientistas universitários alertam que, em primeiro lugar, embora os ratos tenham perdido músculos e gorduras, isso pode ser porque a versão dessa dieta para ratos é restrita em proteínas (o que é necessário para que os ratos nesta dieta produzam as substâncias necessárias para transformar glicose em energia). A dieta cetogênica para humanos contém proteínas, portanto, pode não haver perda muscular. Abel e a equipe já receberam atenção da imprensa sobre o estudo, depois de apresentá-lo em reuniões científicas. "Recebi muitos relatos de mulheres ou de seus profissionais de saúde que disseram: 'Faz sentido, eu sempre me perguntei por que (não funcionou para mim)'", diz ele. "No entanto, quero advertir, em letras maiúsculas, que um rato não é uma pessoa. Eles podem nos dar uma ideia, e certamente estamos explorando questões moleculares e outros hormônios que podem nos ajudar a entender a diferença entre homens e mulheres", disse. "O que é fundamental é que, se testes em humanos forem realizados, uma pesquisa cuidadosa deve ser feita para determinar se há diferenças no efeito dessas dietas devido ao gênero", acrescenta. Uma razão pela qual ainda não temos uma resposta clara sobre se algumas dietas são mais adequadas para cada gênero é que a ciência em geral foi adaptada a apenas um deles. "Na medicina, em geral, muito do que fazemos na prática é baseado em estudos realizados em homens. Há uma conscientização crescente de que é por isso que acho que uma observação como Jesse fez é crucial, pois destaca que existem diferenças fundamentais na biologia ", explica Abel. Você deve escolher uma dieta baseada no gênero? A resposta é: Não. Pelo menos até que haja mais pesquisas que esclareçam bem as coisas. O especialista alerta: 'um rato não é uma pessoa'. Getty Images via BBC No entanto, Rick Miller, nutricionista do Hospital King Edward VII em Londres, explica que há algumas considerações que você pode ter em mente. "Os planos baseados no gênero podem oferecer alguma personalização em relação às opções ou variações de exercícios que melhor se adequam a homens ou mulheres. Mas, em termos de nutrição, os requisitos gerais para proteínas, carboidratos e gorduras são baseados na composição corporal (proporções de massa gorda e massa magra). Portanto, um homem e uma mulher das mesmas proporções terão necessidades semelhantes de calorias e nutrientes por dia." "Quando se trata de micronutrientes (vitaminas e minerais), existem algumas diferenças entre homens e mulheres. Por exemplo, a menstruação aumenta as necessidades de ferro da mulher devido à perda de sangue". A chave para o sucesso de qualquer plano de nutrição, segundo ele, "é a personalização do estilo de vida, histórico médico e objetivos". Recomendações Embora (ainda) não tenhamos respostas definitivas para as perguntas, os especialistas com quem conversamos têm alguns conselhos para quem faz dieta, independentemente do gênero. Todos concordam que, em vez de adotar uma dieta muito restritiva, é melhor optar pela abordagem "lenta e constante": fazer mudanças na alimentação saudável que sejam sustentáveis ​​a longo prazo. "Pergunte a si mesmo: 'Posso manter essa mudança por toda a vida?'. Se a resposta for 'não', é possível que você pudesse ser um pouco mais flexível e ver o que mais poderia trocar. Isso impede você de tomar decisões drásticas que você não conseguiria manter." A ideia, diz Millar, é que "não se sinta em uma 'dieta', mas sim que você está apenas fazendo pequenas alterações". Veja Mais

Base de Alcântara: decreto que aprova acordo do Brasil com os EUA é publicado no 'Diário Oficial'

Glogo - Ciência Acordo assinado em março, quando Bolsonaro viajou a Washington, permitirá aos norte-americanos lançarem foguetes e satélites da base de Alcântara, no Maranhão. O "Diário Oficial da União" publicou nesta quarta-feira (20) a promulgação do decreto legislativo que aprova o acordo entre os governos de Brasil e Estados Unidos que permitirá aos norte-americanos lançarem foguetes e satélites da base de Alcântara, no Maranhão. O acordo foi assinado em março, durante a viagem do presidente Jair Bolsonaro a Washington, na qual ele se encontrou com o presidente dos EUA, Donald Trump (veja no vídeo abaixo). O Acordo de Salvaguardas Tecnológicas precisava do aval da Câmara e do Senado. As duas Casas aprovaram decreto legislativo que chancela o texto. A promulgação foi assinada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). O acordo permite o uso comercial da base de Alcântara. Em troca, o governo brasileiro receberá recursos para investir no desenvolvimento e no aperfeiçoamento do Programa Espacial Brasileiro. O território onde a base está localizada permanece sob jurisdição do governo brasileiro. Brasil e EUA fecham acordo sobre uso da base de lançamentos de Alcântara, no Maranhão Uso da base Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), a Agência Espacial Brasileira e o Ministério da Defesa poderão entrar na próxima fase do projeto em Alcântara, com a elaboração do plano de operações comerciais da base, com a expectativa de iniciar os lançamentos em 2021. O presidente Jair Bolsonaro comentou a promulgação do acordo durante entrevista nesta quarta no Palácio da Alvorada. Ele afirmou que Alcântara chama atenção de outros países por ser um local mais barato para lançamentos. “Estamos em condições de fazer lançamentos. O mundo se interessa porque é mais barato trabalhar com esse material lá, lançamento sai muito mais barato”, avaliou. O Acordo de Salvaguardas Tecnológicas proíbe o lançamento de mísseis da base de Alcântara, assim como a produção, a compra e o teste desses. Será permitido somente o lançamento de equipamentos civis de países signatários do Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis (MCTR). O MCTR busca limitar a proliferação de mísseis e de tecnologia para a fabricação. Portanto, não só os EUA estarão aptos a operar na base. Países que utilizam a tecnologia norte-americana têm a possibilidade de aderir ao acordo. Sem Fronteiras fala da exploração espacial e a base de Alcântara Veja Mais

Crianças transgênero se sentem tão meninas ou meninos quanto as cisgênero, diz estudo

Glogo - Ciência Cientistas recrutaram 317 crianças trans e 316 crianças cisgênero (aqueles cuja identidade de gênero corresponde ao sexo ao qual foram designados no nascimento) para comparar o desenvolvimento do gênero entre os indivíduos. Uma pessoa segura bandeira do movimento trans Brendan McDermid/Reuters/Arquivo Crianças transgênero se sentem tão meninas ou meninos quanto seus equivalentes não transgênero, de acordo com um grande estudo realizado com crianças americanas que permitiu que observadores vissem como os jovens se enquadram nas normas sociais de gênero. Os autores do estudo, pesquisadores da Universidade de Washington que publicaram suas descobertas nesta segunda-feira (18) na revista científica "Pnas", recrutaram 317 crianças trans com entre três e 12 anos, que compararam com seus irmãos e irmãs, assim como 316 crianças cisgênero (aqueles cuja identidade de gênero corresponde ao sexo ao qual foram designados no nascimento). O objetivo do estudo era comparar o desenvolvimento do gênero de crianças trans e cisgênero para ver se as crianças que haviam feito a transição para outro gênero diferiam daquelas que haviam vivido a vida inteira se identificando como menino ou menina. O processo de transição para crianças geralmente envolve uma mudança de pronome, e com frequência de roupas, corte de cabelo e nome. Transgênero é a pessoa que se identifica com o gênero oposto ao qual ela nasceu. Não há relação com orientação sexual. Alexandre Mauro / G1 Os pesquisadores estudaram os brinquedos que as crianças preferiam, quem eram seus principais companheiros de brincadeira e se suas roupas eram mais femininas ou masculinas. Eles observaram uma forte consistência entre as crianças. "As pessoas questionam se essas crianças estão fingindo ou se é apenas uma fase", disse à AFP Selin Gulgoz, o primeiro autor do estudo. Ela disse que na realidade "as crianças transgênero não apenas mostram preferências de identidade e tipo de gênero consistentes com sua atual identidade de gênero, mas também as mostram na mesma medida que as crianças cisgênero". Em outras palavras, um garoto trans de 10 anos, que pode ter passado nove anos de sua vida sendo tratado como uma garota por causa de seu sexo de nascimento, em geral se comporta como qualquer outro garoto de 10 anos, a julgar por suas escolhas de amigos e brinquedos, disseram os pesquisadores. Uma pequena diferença foi observada na escolha das roupas - as crianças trans tendiam a estar mais dispostas a se adequar a roupas estereotipadas masculinas ou femininas do que seus pares cisgênero. Veja Mais

Brasileira na Nasa revela que Titã, uma lua de Saturno, tem ciclo hidrológico parecido com o da Terra

Glogo - Ciência Maior lua do planeta é a única a ter uma atmosfera densa no Sistema Solar. Missão Cassini e Voyager 2 fizeram pesquisas em um dos lugares mais estudados pelos astrônomos. Mapa geológico de Titã Nasa/JPL-CalTech/ASU Desde que a sondas Pionner 10 e 11 visitaram os gigantes gasosos na década de 1970, a maior lua de Saturno, Titã, é um dos lugares mais estudados do Sistema Solar. Isso porque nas imagens das duas sondas, nenhum detalhe de sua superfície pode ser visto. Tudo bem que as câmeras eram meio tosquinhas até em comparação com outras de sua época, mas outras luas revelaram características de suas superfícies. Ao invés de crateras e penhascos, Titã exibia uma pálida coloração amarela-alaranjada. A conclusão, depois confirmada pelas sondas Voyagers, era que Titã é coberta por uma espessa atmosfera. A única lua do Sistema Solar a ter uma atmosfera densa. Foi por esse motivo que a sonda Voyager 1 foi planejada para fazer um sobrevoo exclusivo em Titã, abrindo mão de todo o resto do Sistema Solar exterior. Essa tarefa acabou ficando para sua irmã gêmea, a Voyager 2. Maior lua de Saturno, Titã orbita o planeta em imagem captada pela sonda Cassini, da Nasa. Os anéis de Saturno são planos e vistos como uma linha fina, parecendo 'espetar' Titã. NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute/J. Major Quando a Nasa decidiu por uma missão a orbitar Saturno, uma das missões principais da sonda Cassini foi estudar Titã fazendo diversos sobrevoos. Nessas rasantes, a sonda utilizou seu radar para penetrar na atmosfera e mapear o solo do satélite. Além disso, seus instrumentos no infravermelho também ajudaram a entender o que havia por baixo das nuvens. A atmosfera de Titã é composta basicamente por metano e nitrogênio e sua pressão chega a ser 45% maior do que a pressão atmosférica. Sendo densa assim, seria possível manter algumas substâncias em estado líquido. Não há água, já que a temperatura por lá é de -180 graus Celsius! Mas com metano na atmosfera, as chances de haver metano líquido não são pequenas, já que a essa temperatura ele pode se condensar. Quando a Cassini começou suas observações com seu radar, encontrou de fato metano líquido, talvez até etano, mas mais do que isso, encontrou lagos e até mares dessa substância! Com o passar dos anos - a missão Cassini durou 13 anos – a superfície de Titã foi sendo mapeada aos poucos, combinando-se as informações de radar e de infravermelho. Ilustração do orbitador Cassini cruzando o plano do anel de Saturno. Novas medidas da massa dos anéis dão aos cientistas a melhor resposta até agora sobre a idade deles. Nasa/JPL-Caltech Depois de 13 anos de dados coletados e mais de 2 anos analisando todas as imagens, a geóloga planetária brasileira radicada nos EUA, Rosaly Lopes, do Laboratório de Propulsão à Jato da NASA, publicou nesta semana um estudo com o mapa mais completo de Titã até hoje conhecido. Esse mapa geológico global permite identificar lagos, mares, planícies e dunas de areia. O mapa é tão detalhado que é possível identificar a ação do ciclo hidrológico de Titã, que é igual ao da Terra, com a diferença que aqui o elemento ativo do ciclo é a água. Durante todos esses anos de mapeamento foi possível ver lagos diminuírem de tamanho até desaparecerem totalmente durante épocas em que a lua se aquecia. Para depois reaparecer em épocas de temperaturas mais amenas. Em outras palavras, era possível o ciclo de evaporação e chuva do metano em Titã! Foi possível, inclusive, ver a ação desse ciclo hidrológico no terreno, através da erosão provocada no leito dos rios de metano e na mudança nos campos de dunas. As imagens da Cassini por vezes mostravam a formação de nuvens de metano que iam desaparecendo aos poucos, conforme se dissipava com o vento ou mesmo com a precipitação. "Titã tem um ciclo hidrológico ativo baseado em metano que formou uma paisagem geológica complexa, fazendo de sua superfície a mais diversa em termos geológicos do Sistema Solar," disse Lopes em entrevista. Ela acrescentou ainda que mesmo com diferenças grandes de temperatura, pressão, gravidade e principalmente de substância ativa, as semelhanças entre rios, lagos e vales encontrados na Terra e em Titã mostram que o processo geológico que os criou deve ser o mesmo. Fotos mostram pedaço de ilha desaparecendo em lago de metano em Titã Nasa/ESA Além do interesse geológico, Titã também é de interesse na busca por vida. Para que ela surja e se desenvolva, um dos pré-requisitos é haver um meio líquido. A vida como se conhece é baseada na água, mas metano e etano líquidos poderiam ser esse meio aquoso. É claro que a vida baseada em hidrocarbonetos líquidos seria muito diferente da vida baseada em água e provavelmente não haveria estruturas muito mais complexas do que seres unicelulares. Ainda assim, seria vida e motivo de todo o interesse da ciência. Veja Mais

'Fiz laqueadura aos 25 anos e realizei um sonho'

Glogo - Ciência Auxiliar administrativa carioca Karoline Alves compartilhou história para incentivar outras mulheres que desejam fazer procedimento 'a correr atrás dos direitos'; legislação obriga planos de saúde e SUS a oferecerem cirurgia. A laqueadura é um metódo anticoncepcional praticamente irreversível Getty Images/BBC A assistente administrativa Karoline Alves queria fazer uma laqueadura — cirurgia para não ter mais filhos — desde que soube que o procedimento existia, quando ainda era adolescente. "Sempre tive a certeza de que não queria ter filhos", conta ela à BBC News Brasil. "Mesmo usando outros métodos anticoncepcionais, toda vez que atrasa a menstruação a gente fica preocupada." "Nunca me vi sendo mãe, nunca me vi tendo filhos, e fazer uma cirurgia para isso seria uma preocupação a menos na vida", afirma. No entanto todas as histórias que ela ouvia sobre a dificuldade de fazer o procedimento a desanimavam. "Eu sempre ouvia que tinha que ter dois filhos para poder fazer. Mas não faz sentido. E quem não quer ter filho nenhum?", diz ela, hoje com 26 anos. Quando tinha 25 anos, Karoline resolveu checar por si mesma quais eram, de fato, os requisitos legais para o procedimento. E descobriu que 25 anos é justamente a idade mínima exigida pela legislação para mulheres que quiserem fazer a cirurgia de esterilização — e que mulheres mais jovens também podem fazer o pedido se tiverem pelo menos dois filhos. "Eu até levei a lei impressa na médica caso algum dos médicos fosse mal informado", diz ela, que ficou positivamente surpreendida ao perceber que não teria resistência. "Era a primeira vez que eu ia nessa médica, do plano de saúde que tenho no trabalho. Demora, mas nenhum dos médicos que eu passei falou que eu não poderia fazer por causa da minha idade ou por não ter filhos", diz Karoline. "Foi um alívio. Eu achei sinceramente que seria mais difícil." Depois de fazer a cirurgia, a jovem compartilhou seu relato no Facebook. O post teve 20 mil curtidas e mais de 16 mil comentários — boa parte dos quais fazendo perguntas sobre o caminho para o procedimento ou querendo tirar dúvidas sobre como é passar por ele. "Eu quis compartilhar minha história para que outras mulheres com o mesmo desejo saibam que é possível, para que elas não desanimem", diz a jovem. "A gente tem que correr atrás dos nossos direitos." "Teve alguns comentários criticando, mas, para ser sincera, depois de um tempo eu parei de acompanhar, estou só respondendo quem me mandou dúvidas por mensagem." Quais as exigências para fazer laqueadura? A Lei de Planejamento Familiar, de 1996, estabelece que a esterilização só é permitida em pessoas capazes, maiores de 25 anos, ou, se forem mais jovens, que tenham pelo menos dois filhos vivos. "Como é um ato definitivo, praticamente sem volta, existe uma cautela na lei para evitar a realização em mulheres muito jovens", explica a advogada Renata Farah, presidente da Comissão de Direito à Saúde da OAB-PR (Ordem dos Advogados do Brasil). "Mas a maioria das dificuldades que as pessoas encontram não são entraves legais, mas da cultura do hospital, do Estado, etc", afirma. A partir dessa idade, as únicas exigências são quanto aos procedimentos que precisam ser seguidos: é preciso um intervalo mínimo de 60 dias entre a pessoa manifestar a vontade ao médico pela primeira vez (por escrito) e o procedimento, e a pessoa precisa ser informada dos riscos da cirurgia, dos possíveis efeitos colaterais, da dificuldade de revertê-la e das outras opções de contracepção existentes. "A médica conversou comigo, perguntou se eu tinha certeza, disse que é um método muito radical e a reversão é difícil, eles explicam tudo", conta Karoline. "Ela explicou que, mesmo com a cirurgia, ainda há chance de falha, já que nenhum método é 100% seguro." "Mas como eu tinha muita certeza ela me encaminhou para a cirurgia", diz Karoline, que também precisou se submeter aos vários exames pré-cirúrgicos de praxe e passou por um atendimento psicológico nesses dois meses. "O que eu digo para quem me pergunta é que é preciso ter muita certeza, porque a psicóloga vai te questionar muito." Initial plugin text Como mora com namorado, a auxiliar administrativa teve a opção de pedir o procedimento como solteira ou como parte de uma união estável. "Acabei fazendo como pessoa em união estável porque achei que seria mais fácil de ser aprovado", diz ela. "Durante o procedimento, ficaram me perguntando qual a opinião do meu namorado, o que ele acha. Ele também não quer ter filhos, mas esse não é o ponto, é uma decisão que é minha." Em casos de homens e mulheres casados ou com união estável, a lei exige que se apresente também a autorização do cônjuge para a realização da cirurgia. "Eu acho super errado, porque o corpo é meu, a decisão é minha, mas como queria evitar ter problemas e tinha essa opção, acabei levando a autorização do meu namorado", diz ela. Após o encaminhamento da ginecologista, da psicóloga e do cirurgião, o plano de saúde aprovou o procedimento. Após todas as burocracias, Karoline foi levada pelo pai e pelo namorado ao hospital, onde ficou um dia internada para a cirurgia. "Meus pais sempre aceitaram de boa que eu não quero ter filhos, é algo que eles sempre souberam e sempre me deram muito apoio", conta. "É gente de fora [da família] que diz, 'ah, mas você vai se arrepender, vai mudar de ideia'. Pessoas que acham que a verdade delas é a verdade de todo mundo." "Eu tenho amigas que têm filhos e não queriam ter, é uma situação muito difícil", diz. "O corpo é meu, a vida é minha, eu sempre tive certeza. Não acho que vou me arrepender", afirma ela, que diz que realizar o procedimento foi a "realização de um sonho". A laqueadura é uma cirurgia um pouco mais complicada que a vasectomia, procedimento de esterilização feito em homens. É caracterizada pelo corte e ligamento cirúrgico das tubas uterinas, impedindo o processo de fecundação. Mas Karoline não teve problemas na recuperação. "No dia, eu não podia levantar e tive um pouco de dor, mas passou com os remédios", diz a jovem, que continuou tomando remédios e anti-inflamatórios nos dias seguintes. "Também tive que limpar os pontos três vezes ao dia, mas foi só. Saí andando do hospital." Karoline diz que sempre ouvia relatos de pessoas que não conseguiram fazer o procedimento Isadora Alves/Arquivo pessoal Teoria e Prática Karoline fez o procedimento pelo plano de saúde — os planos são obrigados por determinação da Agência Nacional de Saúde a oferecer laqueadura, vasectomia e implantação do DIU desde 2008, quando foram incluídos na lista de cobertura mínima obrigatória. Mas nem todo mundo tem a mesma facilidade que ela, com relatos de pessoas que tiveram o procedimento negado por motivos não relacionados a questões médicas ou legais, como "questões religiosas". Uma resolução da ANS determina que mesmo que não haja médico ou hospital no plano que esteja disponível para realizar o procedimento, a operadora do plano é obrigada a indicar um "profissional ou estabelecimento mesmo fora da rede conveniada do plano e custear o atendimento". O Estado também tem, por lei, o dever de oferecer o procedimento de esterilização através do Sistema Único de Saúde — o SUS realizou mais de 67 mil laqueaduras em 2018 e um número parecido em 2017. Pelas regras do Ministério da Saúde, a cirurgia pode ser feita de graça em qualquer hospital público que tenha serviço de obstetrícia e ginecologia. Em 2017, foram realizadas 67.525 laqueaduras, e, em 2018, 67.056 procedimentos. No entanto, são frequentes os relatos de pacientes que tiveram muita dificuldade de conseguir fazer a cirurgia e diversos que não conseguiram. Um estudo publicado neste ano pela pesquisadora Amanda Muniz Oliveira, da Universidade Federal de Santa Catarina, mostra que, embora o procedimento seja garantido por lei, há frequentes recusas na realização da cirurgia no Estado, o que "gerou judicialização de diversos pedidos". A pesquisa mostra que decisões judiciais sobre o assunto em Santa Catarina ora ignoram e ora salientam os requisitos da lei. Segundo o estudo, frequentemente, quando o procedimento é garantido pela Justiça, não é "sob o fundamento de que se trata da vontade da mulher, e, sim, porque a mulher é hipossuficiente financeiramente", diz Oliveira, na pesquisa. "Os Estados, municípios e hospitais podem ter procedimentos locais diferentes, mas não podem restringir direitos que são garantidos pela legislação nacional", afirma a advogada Renata Farah. Veja Mais

Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto usa prótese alemã para tratar aneurisma cerebral

Glogo - Ciência Stent fabricado com material especial permite ao paciente usar menos medicamentos para "afinar o sangue". Ao todo, 140 pacientes passarão por procedimento gratuitamente pelo SUS. Um estudo realizado pelo Hospital das Clínicas (HC-RP) da USP em Ribeirão Preto (SP) em parceria com cientistas alemães permitirá que 140 pacientes com aneurisma cerebral sejam submetidos a um procedimento que promete ser revolucionária e ainda não está disponível no país. O tratamento consiste na utilização de um stent, uma espécie de prótese – fabricada em material especial e diferente da que existe hoje – sobre o coágulo no interior da veia. Com isso, o paciente usará uma quantidade menor dos conhecidos medicamentos para “afinar” o sangue. Coordenador do serviço de Neurorradiologia Terapêutica e Radiologia Intervencionista do HC-RP, Daniel Abud explica que essa “nova geração” de stents poderá ser aplicada em situações mais complexas, como, por exemplo, quando o aneurisma cerebral se rompe. “Para esses pacientes a gente não pode, geralmente, colocar uma carga muito grande de um remédio que vai afinar mais o sangue porque tem risco de sangrar de novo. Com essa nova geração de dispositivo, isso vai ser possível”, afirma. A dona de casa Maria Auxiliadora Montana Bressiani passa por procedimento no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto Ronaldo Gomes/EPTV Abud destaca que não se trata de um material experimental, mas já aprovado e também sendo testado na Europa. A equipe brasileira, inclusive, conta com a colaboração do professor Hans Henkes, chefe do serviço de neurorradiologia intervencionista de Stuttgart, na Alemanha. “Ele [o stent] tem um revestimento especial na malha metálica que é hidrofílico. Então, o sangue adere menos ao metal do que no dispositivo direcionador de fluxo normal, convencional. O sangue não trombosa quando passa por ele”, explica o médico. Abud afirma que a implantação do stent alemão é feita da mesma forma dos demais: um cateter extremamente fino é colocado no vaso sanguíneo pela virilha do paciente e levado ao local do aneurisma no cérebro, onde a prótese é aplicada. Stent é implantado com cateter em vaso sanguíneo no cérebro do paciente no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto Ronaldo Gomes/EPTV Os pesquisadores estimam que, usando uma quantidade menor de antiagregante plaquetário, popularmente chamado de “remédio para afinar o sangue”, o paciente terá menos complicações, como sangramentos e hematomas frequentes. “Outra limitação é que durante esse primeiro ano [a pessoa] fica limitada para realização de cirurgias, como tirar um dente, porque pode causar um sangramento mais volumoso, porque o paciente está tomando remédio para finar o sangue”, diz. Otimismo O HC-RP selecionou pacientes cujos diagnósticos são considerados mais complexos e de maior risco para serem submetidos ao novo tratamento. Desde a última semana, 11 pessoas já passaram pelo procedimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Estou bem, mas vou sair melhor ainda, com a certeza de que vai dar tudo certo. Como estou em tratamento no HC, confio na equipe e tinha certeza de que iriam dar um jeito nessa situação. Estou muito satisfeita e ansiosa”, diz a dona de casa Mara Regina Brasil. A dona de casa Maria Auxiliadora Montana Bressiani estava em um pesqueiro, quando uma folha de coqueiro caiu sobre a cabeça dela. Uma tomografia apontou dois aneurismas cerebrais. Ela foi submetida ao novo tratamento e está otimista com os resultados. “Um [aneurisma] tem dois milímetros e o outro tem três. Se não caísse a folha, não descobriria”, diz. “Estou bem otimista, tenho muita fé. Aqui eu me sinto bem, já estive internada, fui muito bem tratada”, completa. Implantação de stent em vaso sanguíneo no cérebro do paciente no Hospital das Clínicas em Ribeirão Preto Ronaldo Gomes/EPTV Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca Veja Mais

Provou, já era: como identificar os alimentos hiperpalatáveis, dos quais é (quase) impossível fugir

Glogo - Ciência Objeto de dezenas de estudos na nutrição, estes produtos ganharam agora uma 'receita' feita por pesquisadores para melhor identificá-los através das informações nutricionais. Diante deles, não há dúvidas: são alimentos difíceis de resistir. Mas como classificar os alimentos hiperpalatáveis com maior exatidão? Getty Images (Via BBC) Você vai ao cinema e pede uma pipoca. Enquanto o filme dura duas horas, o petisco não dura nem dez minutos. É um exemplo de como ficamos diante dos alimentos chamados "hiperpalatáveis", cuja composição ativa mecanismos nos cérebro que postergam a sensação de saciedade — fazendo com que simplesmente não consigamos parar de comê-los. Já foram feitos muitos artigos científicos e documentários sobre eles, mas um novo estudo publicado no periódico científico Obesity destaca que estes alimentos "têm sido definidos com termos descritivos, mas sem uma definição padrão". Enquanto isso, no mundo dos leigos, é fácil identificar alguns alimentos com esse poder: batatas fritas, pizzas, hambúrgueres e sorvetes, entre muitos outros. De 2000 a 2018, segundo o artigo na Obesity, o número anual de publicações sobre os alimentos palatáveis aumentou 550%, demonstrando o alto interesse pelo tema nas pesquisas sobre nutrição. Os autores do estudo, da Universidade do Kansas, nos EUA, propõem agora um método mais certeiro para identificação dos hiperpalatáveis, focando nas informações nutricionais que podem ser observadas durante a compra. Pipoqueiro faz sucesso ao vender pipoca no mesmo lugar há 45 anos Afinal, como identificar esses alimentos? "As descrições das comidas hiperpalatáveis são ao mesmo tempo muito genéricas ou muito restritivas. Por exemplo, uma descrição sugere que se trata de qualquer alimento adquirido em uma rede de fast food. No entanto, alguns desses lugares também vendem saladas ou alimentos grelhados, que não são o mesmo que um hambúrguer com queijo", diz um trecho da publicação. Assim, com definições tão genéricas, há alimentos hiperpalatáveis que acabam não entrando na categoria de perigosos ou viciantes porque não estão em redes de fast food. Os autores criaram três categorias combinando informações sobre a presença de gorduras, açúcares e sódio. Assim, alimentos hiperpalatáveis são aqueles com: Os alimentos ricos em sódio, açúcar e gorduras aumentam a propensão a obesidade, hipertensão arterial e diabetes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Com a categorização, os pesquisadores analisaram mais de 8 mil alimentos vendidos nos Estados Unidos. Destes, 62% preenchiam os requisitos destas categorias, como pizzas, alimentos fritos e doces. Os pesquisadores também destacaram que alimentos pouco gordurosos também podem ser hiperpalatáveis, como os vegetais preparados em molhos ou cremes. "Os resultados sugerem que o método de preparação e processamento da comida é chave para determinar sua hiperpalatabilidade, e não apenas o produto em si", diz o estudo. Nesse sentido, os autores advertem para o uso do sal como realçador de sabor, mas que tem como consequência a provável maior dependência disso. Eles também apontam que a combinação de ingredientes é o que muitas vezes determina a hiperpalatabilidade de um produto. O estudo reconhece algumas de suas limitações, como a concentração em alimentos sólidos, mas desta que serve para que "as pesquisas validem uma definição específica e quantitativa dos hiperpalatáveis". Conheça o segredo da batata frita perfeita, uma paixão belga Veja Mais

O extraordinário fóssil do Peru que mostra como baleias de 4 patas chegaram à América do Sul

Glogo - Ciência Esqueleto encontrado em área desértica na costa sul do Peru é o primeiro fóssil bem preservado de cetáceo quadrúpede de toda a região do Pacífico. O fóssil encontrado no Peru é o único de uma baleia quadrúpede descoberta na América do Sul até o momento. Alberto Gennari/BBC O Museu de História Natural de Lima abriga os restos de uma rara criatura que viveu há 42 milhões de anos, quando o mundo era bem diferente do que é hoje. O esqueleto de uma baleia anfíbia descoberto em 2011 na costa sul do Peru pelo paleontólogo Mario Urbina, do Museu de História Natural de Lima, não foi exibido ao público porque as pesquisas sobre ele ainda não foram concluídas. A espécie foi batizada de Peregocetus pacificus, um termo que vem do latim pereger (viajante) e cetus (baleia). "Este fóssil é o único remanescente de uma baleia quadrúpede descoberto na América do Sul até o momento", disse à BBC Mundo Rodolfo Salas-Gismondi, do Departamento de Paleontologia de Vertebrados do Museu de História Natural de Lima. O fóssil de baleia também é "o primeiro esqueleto bem preservado de um cetáceo quadrúpede de toda a região do Pacífico", disse Olivier Lambert, pesquisador do Instituto Real Belga de Ciências Naturais que liderou os estudos e que recentemente apresentou as descobertas da equipe na reunião da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados, na Austrália. Pergocetus pacificus é extraordinário também por ajudar os cientistas a entender como as baleias evoluíram desde suas origens na Ásia, há mais de 50 milhões de anos. Onde o fóssil foi encontrado e por que está tão bem preservado? O esqueleto está bastante completo, com as duas mandíbulas, grande parte da coluna vertebral, incluindo a cauda, ​​numerosas costelas, a pelve e as pernas da frente e de trás. O fóssil foi encontrado nas rochas de Yumaque, na área desértica em frente à praia Media Luna, na costa sul do Peru. "Naquela época, as condições existentes eram favoráveis ​​ao enterro e subsequente fossilização dos restos esqueléticos dos animais que ali viviam, seja porque os corpos foram enterrados rapidamente ou porque a decomposição e desmembramento dos corpos ocorreu lentamente", explicou Salas-Gismondi. "Para que esses fenômenos acontecessem, poder ter ocorrido algum fenômeno de tixotropia (fenômeno que produz areia movediça) ou talvez fossem ambientes com pouco oxigênio, o que pode ter sido essencial para atrasar a decomposição das partes moles dos cadáveres." O paleontólogo disse que depois que os restos foram enterrados e fossilizados, e que os sedimentos que cobriam os restos se tornaram estratos ou camadas de rochas sedimentares, toda essa área subaquática teve que emergir. Os movimentos tectônicos ligados ao nascimento dos Andes elevaram os estratos rochosos por vários metros até a superfície do deserto, que agora é um dos locais mais importantes do mundo para estudar a evolução dos ecossistemas marinhos e sua diversidade. O que o fóssil revela sobre a evolução das baleias? "Os fósseis mais antigos de cetáceos são da Índia e do Paquistão, não tiveram muitas adaptações ao ambiente aquático e eram relativamente pequenos, do tamanho de um cachorro", disse Lambert à BBC Mundo. Algumas linhagens desses primeiros cetáceos se adaptaram à vida na água, mas mantiveram os membros e começaram a se dispersar. Primeiro eles migraram para o oeste e alcançaram as costas do norte e leste da África. E de lá, atravessaram o Atlântico para chegar ao continente americano, explicou o cientista belga. "Durante muito tempo, não tínhamos pistas sobre o caminho que seguiram, mas o fóssil do Peru indica que as baleias quadrúpedes cruzaram o Atlântico Sul da África para a América do Sul antes de migrar para o norte". Salas-Gismondi explicou que "não se sabia que esses tipos de cetáceos arcaicos haviam chegado à costa da América do Sul". O cientista peruano explicou que , há 42 milhões de anos, a América do Sul era um continente-ilha, sem conexões terrestres com nenhum outro continente, e a única forma de chegar a ele era através do oceano. "É surpreendente que um cetáceo arcaico, capaz de nadar, mas ainda não completamente separado da vida em áreas terrestres e costeiras, tenha atravessado grandes distâncias no oceano". O fóssil foi encontrado nas rochas de Yumaque, na área desértica em frente à Praia Media Luna, na costa sul do Peru. Gentileza Olivier Lambert/BBC Como eram os ancestrais das baleias? "Os cetáceos têm um ancestral totalmente terrestre, de um grupo extinto de mamíferos com pernas entre os artiodáctilos, o grupo que agora inclui hipopótamos, veados, vacas e lhamas", explicou Lambert. A conservação das patas traseiras permitiu que os cetáceos antigos retornassem à terra para descansar e dar à luz. Algumas baleias começaram a usar predominantemente a cauda para nadar, e as patas podem ter se tornado um obstáculo para movimentos mais eficientes, segundo o cientista. As patas da frente gradualmente se transformaram nas barbatanas, usadas para determinar a direção do nado. "Nesse ponto, os cetáceos não podiam mais voltar à terra e precisavam dar à luz na água." Quais outras perguntas os cientistas querem responder? "Uma investigação completa da anatomia funcional do Peregocetus começará nos próximos meses", disse Salas-Gismondi. "Cada osso do esqueleto pós-craniano será estudado em detalhes para entender como se movia, como usava as pernas durante a natação ou, eventualmente, quando estava em terra." "Já podemos mostrar que o Perregocetus tinha uma pelve e as patas traseiras fortes o suficiente para suportar seu próprio peso no chão. Agora queremos ir além e entender que tipo de locomoção usava — e comparar com mamíferos semiaquáticos modernos, como lontras, para testar diferentes hipóteses sobre o uso da cauda durante a natação." Veja Mais

USP de São Carlos terá núcleo que vai desenvolver pesquisas sobre inteligência artificial

Glogo - Ciência Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) fará parte de centro que terá mais de 60 pesquisadores e vai receber financiamento da IBM e da Fapesp. Bloco 6 do ICMC da USP, em São Carlos (SP), onde núcleo de pesquisa em Inteligência Artificial será apresentado nesta quinta-feira (28). Pedro Spadoni/G1 O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos fará parte de um centro de pesquisa especializado em inteligência artificial. O projeto contará com a participação de mais de 60 pesquisadores e receberá US$ 2 milhões por ano da USP, da IBM e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O Centro de Pesquisa em Engenharia em Inteligência Artificial do Brasil irá começar suas atividades em 2020. Além de pesquisas da USP, irá englobar projetos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), do Centro Universitário FEI e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). O novo núcleo de pesquisa será apresentado a pesquisadores, docentes e população nesta quinta-feira (28), às 17h, em evento no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano. A explicação será feita pelo professor da Escola Politécnica da USP e coordenador do projeto, Fabio Cozman. O auditório fica no bloco 6 do ICMC. Baseados em inteligência artificial, assistentes virtuais respondem às perguntas dos usuários e realizam tarefas básicas. Divulgação Objetivo O Centro de Pesquisa em Engenharia em Inteligência Artificial do Brasil foi criado por meio de uma parceria entre a IBM e da Fapesp. Muito presente no dia a dia, a inteligência artificial pode ser encontrada, por exemplo, em assistentes virtuais, nas sugestões do que assistir ou ouvir feitas por aplicativos e nos corretores ortográficos. O professor do ICMC e coordenador de difusão e comunicação do núcleo de São Carlos, Fernando Osório, explicou ao G1 que o objetivo é desenvolver pesquisas de aprendizado de máquina e processamento de linguagem em "eixos temáticos", como agronegócio, meio ambiente e finanças. "Vamos trabalhar em cima de temas importantes para o país para colocar a inteligência artificial a serviço da sociedade", afirmou. Ele ressalta que o campus de São Carlos tem tradição em desenvolver pesquisas e projetos na área de tecnologia envolvendo IA e agora, o novo centro vai promover atividades de integração entre os núcleos de pesquisa, como reuniões e oficinas. "Normalmente, os grupos de pesquisa atuam cada um na sua área. A gente quer integrar esses pesquisadores", disse o professor. De acordo com Osório, os alunos irão receber bolsas da IBM e da Fapesp para desenvolver seus projetos de pesquisa. Sede do centro de pesquisa de Inteligência Artificial ficará no InovaUSP, em São Paulo (SP). Isabella Velleda/Divulgação Projeto O centro de pesquisa é resultado de uma parceria entre o setor acadêmico e uma empresa de tecnologia da informação para a colaboração em inteligência artificial. A IBM e a Fapesp reservarão, cada uma, até US$ 500 mil anualmente para implementar o projeto, que terá financiamento de até 10 anos. Já a USP vai investir até US$ 1 milhão por ano em instalações físicas, laboratórios, professores, técnicos e administradores para o centro. O centro terá sede no InovaUSP, centro de pesquisa e inovação localizado na cidade universitária, em São Paulo (SP) e núcleos espalhados por outros campis da universidade: São Paulo Escola Politécnica Faculdade de Medicina (FMUSP) Instituto de Estudos Avançados (IEA) Instituto de Matemática e Estatística (IME) São Carlos Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) Ribeirão Preto Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCLRP) Faculdade de Medicina (FMRP) Piracicaba Escola Superior de Agricultura 'Luiz de Queiroz' (Esalq) Lateral de um dos blocos do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos (SP). Pedro Spadoni/G1 Veja mais notícias da região no G1 São Carlos e Araraquara. Veja Mais

Inteligência artificial na medicina: foco é unir tecnologia e o cuidado com as pessoas

Glogo - Ciência Especialista da Universidade de Stanford ressalta importância das responsabilidades morais relacionadas à interação entre seres humanos e máquinas Ainda como rescaldo do que pude acompanhar no VII Congresso Internacional de Oncologia Rede D´Or, realizado semana passada no Rio de Janeiro e objeto da coluna de terça-feira, acho importante registrar a palestra de Sonoo Thadaney, no começo da noite de sexta-feira. Diretora-executiva do Presence, centro ligado à faculdade de medicina de Stanford (EUA), ela se apresenta como uma facilitadora para conectar áreas interdisciplinares, mas seu principal foco é promover o equilíbrio entre tecnologia e o cuidado com as pessoas. Durante duas décadas teve uma trajetória como empreendedora digital no Vale do Silício, que incorporou às atuais preocupações em busca do bem-estar de médicos e pacientes. Sonoo Thadaney, diretora-executiva do Presence, centro ligado à faculdade de medicina em Stanford Divulgação Sua apresentação, longe de incensar as conquistas tecnológicas, focou em seus perigos, a começar pela falta de representatividade de todos os segmentos da população em pesquisas e, por extensão, em projetos de grande envergadura da área digital. “Ainda nos guiamos por dados relativos a homens brancos, na faixa dos 50 anos, deixando de lado a maior parte da população”, afirmou. Reportagem de meados deste mês no jornal britânico “The Guardian” bate na mesma tecla: durante séculos, a mulher foi excluída dos estudos médicos e científicos, levando a um quadro de diagnósticos incompletos e falta de conhecimento sobre as doenças que afetam metade da espécie humana. Segundo Sonoo Thadaney, se a diversidade humana não estiver devidamente espelhada nos algoritmos que dão sustentação ao mundo digital, teremos uma desigualdade cada vez maior. Para ela, outro grande desafio é “humanizar” a tecnologia, por isso seu trabalho se baseia num tripé onde a experiência do indivíduo e o impacto positivo de uma inovação para a população têm o mesmo peso que o custo. Em sua palestra, a história de um paciente que recebeu o diagnóstico de que teria pouco tempo de vida através de um vídeo gerado por um robô é um exemplo do que deve ser evitado a qualquer custo. “Temos responsabilidades morais e éticas em relação aos desdobramentos da interação entre seres humanos e máquinas. O design de qualquer sistema de inteligência artificial deve ser centrado na pessoa. Assim conseguiremos melhorar a relação médico-paciente, ou diminuir a síndrome de burnout de profissionais da saúde. Por isso, a pergunta que devemos nos fazer é: ‘podemos fazer isso, mas devemos fazê-lo’?”, resumiu. Veja Mais

Como dormir melhor (e em menos tempo)

Glogo - Ciência Você já ouviu falar nas técnicas de 'otimização do sono'? Existe todo um novo segmento de mercado investindo nisso. É comum o pouco tempo de sono ser usado como motivo de orgulho, como uma espécie de prova de que se leva uma vida extremamente agitada. Personalidades como Thomas Edison, Margaret Thatcher, Martha Stewart e Donald Trump relataram dormir de quatro a cinco horas por noite — muito menos que o período de sete a nove horas de sono recomendado para adultos. A gigante da eletrônica Philips também está entrando no jogo da assistência ao sono Getty Images/BBC Muitos de nós estão seguindo o exemplo daquelas personalidades: de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, mais de um terço dos adultos americanos não conseguem dormir o suficiente regularmente. As consequências disso, como problemas de memória e maior propensão a infecções e obesidade, são bem conhecidas — mas fáceis de ignorar. Quando há muito o que fazer durante o dia, o sono ainda é o principal sacrificado. Mas e se pudéssemos simplesmente otimizar a experiência do sono para que desfrutássemos da maioria dos benefícios do sono profundo, só que em menos tempo? Essa possibilidade pode estar mais próxima do que parece, graças a novas técnicas de "otimização do sono". Algumas experiências em diferentes partes do mundo mostraram que é possível aumentar a eficiência da atividade noturna do cérebro — acelerando a chegada ao sono profundo e melhorando o descanso quando chegamos lá. Parece quase bom demais para ser verdade. Mas é isso mesmo? Uma batida mais lenta Em uma noite normal, o cérebro passa por estágios diferentes do sono, cada um com um padrão característico de ondas cerebrais, em que neurônios de diferentes regiões do cérebro atuam juntos, em sincronia, em um ritmo específico. É como uma multidão cantando ou tocando alguma batida em uníssono. Durante a fase R.E.M., do "movimento rápido dos olhos" (tradução livre), esse ritmo é bastante rápido. É também este o período mais provável em que sonhemos. Mas, em certos momentos, nossos olhos deixam de se mover, nossos sonhos desaparecem e o ritmo das ondas cerebrais cai para menos de uma "batida" por segundo — momento em que entramos em nosso estado de inconsciência mais profundo, chamado "sono de ondas lentas". É este estágio que tem sido de particular interesse para os cientistas que investigam a possibilidade da otimização do sono. Algumas experiências já mostraram que é possível aumentar a eficiência da atividade noturna do cérebro Getty Images/BBC Desde os anos 1980, pesquisas vêm mostrando que o sono de ondas lentas é essencial para a manutenção do cérebro. Ele permite que as regiões cerebrais transmitam nossas memórias do armazenamento de curto ao longo prazo — para que não esqueçamos o que aprendemos. "As ondas lentas facilitam a transmissão de informações", diz Jan Born, diretor do Departamento de Psicologia Médica e Neurobiologia Comportamental da Universidade de Tübingen, Alemanha. As ondas lentas também podem desencadear o fluxo de sangue e líquido cefalorraquidiano (material que circula entre o cérebro e a medula espinhal) pelo cérebro, liberando detritos potencialmente prejudiciais que poderiam causar danos neurais. Elas também reduzem o hormônio associado ao estresse, o cortisol, e ajudam a rejuvenescer o sistema imunológico. Tais resultados levaram cientistas, incluindo Born, a considerar que aumentar a produção dessas ondas lentas poderia impulsionar os benefícios do sono e melhorar nossa atividade diurna. Uma das técnicas mais promissoras para isso funciona um pouco como um metrônomo que conduz a atividade no cérebro ao ritmo certo. Em experimento, participantes dormem usando um dispositivo preso à cabeça que acompanha a atividade cerebral e é capaz de notar o início da produção de ondas lentas. Nesse momento, o dispositivo emite pulsos curtos de som suave em intervalos regulares durante a noite, em sincronia com as ondas lentas naturais do cérebro. Os sons são silenciosos o suficiente para evitar acordar o participante, mas altos o suficiente para serem registrados, inconscientemente, pelo cérebro. Born liderou grande parte do trabalho experimental, descobrindo que esse estímulo auditivo suave é apenas o suficiente para reforçar os ritmos cerebrais necessários. Os participantes que usaram o dispositivo tiveram um desempenho melhor nos testes de memória, mostrando uma melhor capacidade de recordar o que haviam aprendido no dia anterior. Também foram observadas melhoras no equilíbrio hormonal, com redução nos níveis de cortisol; e no sistema imunológico. Nos testes realizados até agora, os participantes ainda não relataram consequências indesejadas. "Não podemos ter certeza, mas até agora não há efeitos colaterais óbvios", diz Born. Dormir melhor em uma loja perto de você A maioria dos estudos que tentam incrementar o sono de ondas lentas foi realizada em pequenos grupos de participantes jovens e saudáveis. Para ter certeza dos benefícios dessas técnicas, precisaríamos assistir a experimentos maiores em grupos mais diversos. Mas essas evidências já existentes permitiram à chegada ao mercado de um punhado de dispositivos para auxiliar o sono, principalmente na forma de faixas de cabeça para serem usadas durante a noite. A start-up francesa Dreem, por exemplo, produziu uma faixa (disponível por cerca de € 400 ou R$ 1,8 mil) que também usa a estimulação auditiva para estimular o sono de ondas lentas, com uma configuração semelhante à dos experimentos científicos — que foram confirmados por outros estudos. O Dreem também se conecta a um aplicativo que analisa os padrões de sono e oferece conselhos e exercícios práticos, como meditação, para favorecer uma melhor noite de sono. A faixa de cabeça para sono profundo SmartSleep, da Philips, explicita buscar contornar os efeitos negativos da privação de sono — para pessoas "que, por qualquer que seja o motivo, simplesmente não estão se dando uma oportunidade adequada de sono", diz David White, diretor científico da Philips. Esse produto foi lançado pela primeira vez em 2018 e, como o Dreem, trata-se de uma faixa para a cabeça que detecta a atividade elétrica do cérebro e reproduz periodicamente pequenos impulsos de som para estimular as oscilações lentas que são características do sono profundo. O dispositivo conta com um software que controla cuidadosamente o volume do som ao longo do tempo para garantir que ele dê o nível ideal de estímulo para cada usuário. Hoje, o produto está disponível apenas nos EUA por cerca de US$ 399 (cerca de R$ 1,6 mil). Mais empresas estão buscando ferramentas para facilitar o acesso ao sono profundo, essencial para a manutenção da memória e do cérebro Getty Images/BBC White concorda que o dispositivo não pode substituir completamente uma noite de sono, mas lembra que é notoriamente difícil convencer as pessoas que costumam dormir pouco a fazer as mudanças necessárias no estilo de vida. Ao ampliar os benefícios do sono, esse aparelho ao menos contribui para a atividade cotidiana. Nesse sentido, as próprias experiências da Philips confirmaram que o SmartSleep aumenta o sono de ondas lentas em pessoas privadas de sono e atenua alguns dos efeitos imediatos dessa situação, como uma pior consolidação da memória. Pesquisas futuras podem sugerir ainda mais maneiras inovadoras de otimizar o sono. Aurore Perrault, da Universidade de Concordia, no Canadá, testou recentemente uma cama de balanço suave que oscilava para frente e para trás a cada quatro segundos. Ela diz que a técnica foi inspirada no bebê recém-nascido de um colega sendo ninado para dormir, levando a equipe a se perguntar se os adultos também podem se beneficiar desses movimentos suaves. Eles descobriram que participantes de testes entravam mais rápido na fase das ondas lentas e passavam mais tempo nela quando as ondas cerebrais se sincronizavam com o movimento externo. Como era de se esperar, eles também relataram sentir-se mais relaxados no final da noite, e isso foi novamente acompanhado pelos benefícios esperados para sua memória e aprendizado. Como diferenciar uma dificuldade para dormir e a insônia? "Essa foi a cereja do bolo", diz Perrault. Se uma cama desse tipo for lançada no mercado, ela deverá ter um propósito semelhante às faixas de cabeça que estimulam sons. Perrault está particularmente interessado em ajudar as pessoas mais velhas, já que a quantidade de tempo no sono profundo parece diminuir à medida que envelhecemos, contribuindo potencialmente para alguns problemas de memória relacionados à idade. Ainda assim, procure dormir Embora o campo ainda esteja em sua infância, esses estudos mostram que há muitas promessas no ramo da otimização do sono. Perrault e Born são otimistas quanto ao potencial dos produtos comerciais que recorrem a pulsos sonoros para estimular essas ondas lentas regenerativas. Perrault enfatiza que ainda precisamos de estudos mais amplos para garantir sua eficácia fora das condições controladas do laboratório — mas ela comemora a perspectiva de beneficiar uma população maior. No futuro, será interessante ver se a otimização do sono também pode trazer benefícios a longo prazo. Sabemos que a perda crônica de sono pode aumentar o risco de doenças como diabetes e até Alzheimer — mas não está claro se essas novas técnicas ajudarão a reduzir tais riscos. Por enquanto, a única maneira garantida de colher todos os benefícios do sono — tanto a curto quanto a longo prazo — é garantir que você tenha o suficiente dele. Independentemente de você decidir experimentar esses dispositivos, é desejável ir dormir mais cedo e evitar álcool, cafeína e uso de telas antes de dormir, fatores esses conhecidos por prejudicar a qualidade do sono. Nosso cérebro não pode funcionar sem recarga — e qualquer pessoa que deseje viver uma vida feliz, saudável e produtiva precisa acordar para esse fato. Veja Mais

Homem com rim gigante de 7,4 kg passa por cirurgia na Índia

Glogo - Ciência Órgão normal pesa, em média, cerca de 120 a 150 gramas. Paciente de 56 anos sofria de doença renal policística autossômica dominante; 'Era um caroço enorme que ocupava metade do abdômen', disse membro da equipe cirúrgica. Médicos exibem rim com 7,4 quilos, retirado de paciente no Sir Ganga Ram Hospital, em Nova Déli, na Índia, em foto de 29 de outubro Handout / Sir Ganga Ram Hospital / AFP Cirurgiões indianos retiraram um rim com o mesmo peso de uma bola de boliche de um homem com uma condição genética que apresentava risco de vida, afirmou um cirurgião nesta segunda-feira (26). O rim de 7,4 kg é um dos maiores já removidos em uma operação. "Era um caroço enorme que ocupava metade do abdômen. Sabíamos que era um rim grande, mas nunca pensamos que seria tão pesado", disse à AFP Sachin Kathuria, membro da equipe cirúrgica. O paciente de 56 anos, que sofria de doença renal policística autossômica dominante, passou por uma operação de duas horas no hospital Sir Ganga Ram, em Nova Délhi, no mês passado. Um rim normal pesa cerca de 120 a 150 gramas e possui 12 centímetros (quatro polegadas) de comprimento. Kathuria disse que o rim tirado do homem tem quase 45 centímetros (18 polegadas) de comprimento. O Livro Guinness de Recordes Mundiais afirmou que o maior rim removido de um ser humano foi de 4,25kg em uma operação em Dubai, em 2017. Médicos do hospital de Nova Délhi disseram, no entanto, que encontraram relatos médicos de um rim pesando nove quilos sendo tirado de um paciente. A doença que o homem não identificado estava sofrendo causa cistos cheios de fluidos que começam a crescer nos rins. Os médicos pediram a operação quando detectaram sangramento interno e propagação de infecções. Kathuria afirmou que o homem está agora em boas condições e em diálise aguardando um transplante de rim. Veja Mais

Relatório da ONU indica que violência de gênero atinge 1 de cada 5 mulheres

Glogo - Ciência Essa é a média global de mulheres com idades entre 15 e 49 anos que sofreram violências física ou sexual de seus companheiros nos últimos 12 meses. Grupo de mulheres faz protesto em Eldorado (SP) para conscientizar sobre a violência doméstica Reprodução/TV Tribuna A ONU Mulheres apresentou nesta terça-feira o relatório "O Progresso das Mulheres no Mundo 2019-2020: Famílias em um mundo em mudança" que mostra que 17,8% das mulheres no planeta, ou cerca de uma de cada cinco, relataram violências física ou sexual de seus companheiros nos últimos 12 meses. Casos de feminicídio aumentam 44% no 1º semestre de 2019 em SP Essa é a média global de mulheres que sofreram violência com idades entre 15 e 49 anos. A maior porcentagem foi registrada na Oceania (sem Austrália e Nova Zelândia), com 34,7% (uma a cada três mulheres). A menor, por sua vez, foi registrada na Europa e na América do Norte, 6,1% (uma de cada 16). O relatório, dividido por regiões, mostra ainda que a Oceania é seguida pelas partes central e sul da Ásia, com 23% de mulheres agredidas, África, com 21,5%, e pelo norte da África e pela Ásia oriental, com 12,3%. Campanha Dia Internacional da Não-violência contra a Mulher Por sua parte, a América Latina e o Caribe respondem por 11,8% dos casos, enquanto o leste e o sudeste da Ásia totalizam 9%. O documento ressalta a diversidade familiar existente no mundo e faz recomendações para garantir políticas para responder às necessidades dos seus membros mais vulneráveis, especialmente mulheres e meninas, já que as famílias são "locais de profunda insegurança" para elas e é também onde existem mais chances de viver agressões. 25 de novembro marca o Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher O texto defende que as leis deveriam ser reformadas para reconhecer os direitos das mulheres no casamento, no divórcio e na custódia dos filhos, de forma que tenham maior e melhor garantia para sair de situações violentas ou abusivas. No que se refere à migração, um dos contextos nos quais estes efeitos podem ser vistos com maior clareza, a ONU vê como "fundamental" que as permissões de residência para elas não dependam da situação dos seus parceiros. Além disso, propõe assegurar o acesso feminino à renda independente. "Hoje em dia, há muitos indicadores de que as mulheres são cada vez mais capazes de exercer sua vontade e sua voz dentro das suas famílias", contextualiza a ONU, logo no início do relatório, citando na explicação o aumento da idade para casamento, o reconhecimento de outras formas de família e a redução da taxa de natalidade. Além disso, de acordo com os dados da ONU Mulheres, só 38% das famílias atuais no mundo são formadas por um casal com filhos, enquanto as ampliadas - com outros parentes, como avôs - representam 27%. As famílias monoparentais (8% do total) são na grande maioria lideradas por mulheres e cada vez há mais famílias formadas por casais homossexuais. "A partir das nossas pesquisas e das provas que dispomos, sabemos que não existe uma forma de família 'normal' e que, de fato, nunca existiu", destacou a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka. O relatório sugere diferentes campos nos quais avançar para se adaptar a estes tempos em transformação. Entre eles, criar leis familiares baseadas na diversidade e na igualdade de oportunidades, assegurar a igualdade de gênero e serviços bons e acessíveis de apoio a famílias, garantir o acesso feminino a uma renda independente dos homens e diminuir as diferenças no tempo dedicado às tarefas domésticas, majoritariamente feitas por elas. Veja Mais

Por que alguns especialistas dizem que os EUA estão errados ao banir a soneca no trabalho

Glogo - Ciência Agência americana emitiu norma vetando que se durma em prédios federais, mas médico afirma que ambientes profissionais devem levar em conta o aumento da privação de sono em toda a população - e o impacto disso na produtividade. Privação de sono tem impacto na produtividade Getty Images/BBC Sonecas durante o expediente já costumavam ser malvistas na maioria dos ambientes, mas agora são alvo de um veto explícito do governo americano para os funcionários da administração federal: "todas as pessoas estão proibidas de dormir em edifícios federais, exceto quando essa atividade for expressamente autorizada por um oficial", diz uma norma emitida no início deste mês pela Administração dos Serviços Gerais dos EUA. Não está claro por que a norma foi editada, uma vez que a agência se recusou a comentá-la. E não é a primeira vez que autoridades americanas investem contra a soneca: em 2018, uma agência de auditoria do Estado da Califórnia apontou que uma funcionária passava até três horas por dia dormindo, forçando os colegas a cobrir sua ausência e gerando perdas de até US$ 40 mil em produtividade ao longo de quatro anos. Como a gentileza no dia a dia pode fazer você viver mais e servir de antídoto à polarização Uma ressalva, porém: o supervisor da funcionária não quis puni-la pela soneca, uma vez que havia a preocupação de que ela tivesse um problema de saúde que causava a sonolência. Uma segunda ressalva: embora cause preocupação em chefes a ideia de os funcionários passarem tempo de trabalho dormindo, alguns cientistas têm argumentado que a soneca aumenta sua produtividade, em vez de diminuir. Momento em que a juíza da Corte Suprema dos EUA Ruth Ginsburg dorme durante discurso de Barack Obama em 2015 Getty Images/BBC O médico Lawrence Epstein, diretor da Clínica de Medicina do Sono no Brigham and Women's Hospital, em Boston (EUA), estima que cerca de 70 milhões de americanos sofram de distúrbios do sono. No Brasil, a estatística é semelhante: diferentes pesquisas estimam que cerca de um terço da população sofra de algum grau de insônia recorrente. E tem crescido o número de pessoas se queixando de não dormir o suficiente, bem como as que sentem que seu sono é afetado pelo uso constante de telas de TV, celular e tablets. "Algumas empresas estão mais atentas a isso e criando formas de lidar. Infelizmente, não acho que nossas agências governamentais estão na liderança desse movimento", disse Epstein à BBC. "É algo que pode e precisa ser cuidado, mas infelizmente não costuma ser." O argumento é de que a privação de sono cobra seu preço da saúde das pessoas — e, por consequência, de sua produtividade econômica. Pesquisas apontam elos entre problemas de sono e males de saúde como obesidade, diabetes, problemas cardiovasculares e derrames, além de ansiedade e depressão. Em 2016, uma análise conduzida pela empresa de pesquisas Rand Corporation estimou em US$ 411 bilhões o impacto anual da privação de sono na economia americana, por problemas que vão desde acidentes de trânsito, acidentes industriais, erros médicos e baixa produtividade. Sala de descanso da empresa Ben & Jerry's foi criada para sonecas de até 20 minutos BIM/BBC Por isso, Epstein e outros especialistas em sono têm defendido que funcionários possam tirar pequenas sonecas durante o expediente. "Pessoas em privação de sono não trabalham em sua capacidade máxima e têm um risco maior de passar por acidentes de trabalho, custando mais caro às empresas porque têm mais problemas de saúde", diz o médico. Existem, porém, algumas iniciativas em favor da soneca. No Japão (onde, por outro lado, existe uma preocupação com jornadas excessivamente longas e seu impacto na vida das pessoas), algumas empresas estão instalando cápsulas à prova de ruído para encorajar os funcionários a descansar. E empresas americanas como a fabricante de sorvetes Ben & Jerry's têm criado salas de descanso simples, com uma cama e um leve cobertor. Na Ben & Jerry's, as sonecas são limitadas a 20 minutos por pessoa, e funcionários que não estejam se sentindo bem e precisem de descanso adicional são orientados a voltar para casa. Mas ainda existe um estigma, por parte dos próprios funcionários, quanto ao uso da sala, afirma Laura Peterson, porta-voz da empresa. "Poucas pessoas admitem usar a sala", diz ela. "Eu às vezes a uso. Acho que é um bom intervalo (na jornada) e de fato me sinto mais produtiva." Outro funcionário da Ben & Jerry's concorda. "Na primeira vez que usei a sala me senti estranho, mas o resultado foi tão sensacional que foi fácil deixar essa sensação de lado", diz Rob Michalak. "Na segunda vez, sabia que me sentiria renovado e pronto para mergulhar de volta na tela do computador e nos documentos em que estava trabalhando." Em um estudo de 2002 publicado pela Nature Neuroscience, cientistas testaram o desempenho de pessoas quatro vezes ao longo do dia — e esse desempenho foi piorando a cada teste. No entanto, essa piora era interrompida depois de as pessoas tirarem uma soneca de 30 minutos, ou revertida depois de uma soneca maior, de 60 minutos. Nesses casos, disse ao The New York Times Sara Mednick, coautora do estudo, "as sonecas tiveram a mesma magnitude de benefícios de uma noite de sono". Governo do Japão recomenda que empresas ofereçam momento de soneca para os funcionários Veja Mais

Encantado com a biodiversidade e indignado com a corrupção: o que Charles Darwin achou do Brasil do século 19

Glogo - Ciência Nos quatro meses em que passou no país, em 1832 e 1836, o futuro pai da Teoria da Evolução se encantou com a natureza, mas também mencionou em seus relatos muita irritação com a corrupção e a burocracia. Legenda- 'Darwin ficou encantado com a nossa biodiversidade. A Mata Atlântica foi o bioma mais rico que ele conheceu. Por outro lado, ficou revoltado com a escravidão. Sua família lutava contra o comércio de escravos', afirma o biólogo Nélio Bizzo Getty Images/BBC No dia 29 de agosto de 1831, o jovem Charles Robert Darwin, então com 22 anos, recebeu uma carta que mudaria sua vida. Um de seus professores na Universidade de Cambridge, o botânico John Stevens Henslow, indicara seu nome para participar de uma expedição científica ao redor do mundo. O governo britânico, explicava a carta, faria um levantamento cartográfico da costa da América do Sul e pedira a ele que recomendasse alguém para atuar como naturalista. Sua missão a bordo seria observar, registrar e coletar tudo o que achasse interessante, incluindo fauna, flora e geologia, nas terras visitadas pelo navio. Henslow escolheu Darwin por ser quatro anos mais novo que o capitão Robert FitzRoy, de 26. "Darwin não tinha aptidão para a medicina, nem interesse pelo sacerdócio. Mas, depois de ler a obra do naturalista alemão Alexander Von Humboldt, adotou a história natural como 'hobby' e aceitou embarcar na missão", explica a física Silvia Moreira Goulart, doutora em História da Ciência pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Não foi fácil convencer o pai do rapaz, Robert, a deixá-lo viajar. Mas, com a ajuda de um tio, Josiah, o patriarca da família não só reconsiderou sua decisão, como aceitou custear as despesas do filho. Consentimento dado, o navio inglês H.M.S. Beagle zarpou de Devonport, no distrito de Plymouth, no sul da Inglaterra, em 27 de dezembro de 1831. "A viagem do Beagle foi, de longe, o acontecimento mais importante na minha vida", escreveu o pai da Teoria da Evolução na autobiografia editada por seu filho, Francis, em 1887. "As maravilhas dos trópicos erguem-se hoje em minha lembrança de maneira mais vívida do que qualquer outra coisa". Prevista para durar pouco mais de três anos, a viagem de circum-navegação levou quase cinco. Nesse período, a tripulação do Beagle enfrentou abalo sísmico no Chile, doença misteriosa na Argentina — alguns especialistas cogitam a hipótese de Doença de Chagas — e tempestade tropical no Brasil. Sim, o Brasil estava entre os mais de dez países, como Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, visitados pelo navio de pesquisa da Marinha Real Britânica — o HMS, a propósito, significa His Majesty's Ship ("Navio de Sua Majestade") —, ao longo de quatro anos e nove meses. "Por um lado, Darwin ficou encantado com a nossa biodiversidade. A Mata Atlântica foi o bioma mais rico que ele conheceu. Por outro, ficou revoltado com a escravidão. Sua família lutava contra o comércio de escravos", afirma o biólogo Nélio Bizzo, doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Darwin - Do Telhado das Américas à Teoria da Evolução (2009). Tem inglês no samba O navio chegou a Salvador (BA) em 28 de fevereiro de 1832. Antes de ancorar na Bahia, passou pelos arquipélagos de São Pedro e São Paulo, a 1.000 km de Natal (RN), e de Fernando de Noronha, a 345 km de Recife (PE). Já no primeiro dia de sua estadia no Brasil, Darwin encantou-se com a exuberância da floresta tropical. "Luxuriante" foi um dos adjetivos que usou para descrever a paisagem local. "O dia passou deliciosamente", escreveu no diário que levou a bordo. "Delícia, no entanto, é um termo vago para exprimir os sentimentos de um naturalista que, pela primeira vez, se viu perambulando por uma floresta brasileira." Em terra firme, o jovem cientista gostava de embrenhar-se pelas matas úmidas e coletar bichos, plantas e rochas. A cada novo porto onde o Beagle atracava, Darwin enviava suas amostras, desidratadas ou conservadas em álcool, aos cuidados de seu tutor, John Henslow, em Londres. Ao todo, catalogou mais de 5,4 mil peças, entre espécies fósseis e espécimes preservados. "Seus professores em Cambridge recebiam o material e distribuíam-no entre os maiores especialistas da época. Resultado: ao voltar à Inglaterra, em 1836, Charles Darwin já era um cientista famoso", observa a geóloga Kátia Leite Mansur, doutora em Geologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenadora do projeto turístico-científico Caminhos de Darwin, que mapeou a região por onde o naturalista passou em sua expedição pelo interior do Rio de Janeiro. O navio inglês H.M.S. Beagle zarpou da Inglaterra em dezembro de 1831 e dois meses depois chegou a Salvador Divulgação/BBC Na Bahia, a estadia foi relativamente curta: 18 dias. Tempo suficiente para Darwin testemunhar uma tromba d'água, sofrer um corte no joelho — que lhe deixou de molho por seis dias — e brincar de carnaval pelas ruas de Salvador. Bem, brincar não é exatamente a palavra. Hospedado no Hotel do Universo, no antigo Largo do Theatro (atual Praça Castro Alves), Darwin teve, no dia 4 de março de 1832, uma segunda-feira de Carnaval, a infeliz ideia de passear pela cidade. Infeliz porque um dos passatempos dos foliões era arremessar "bolas de cera cheias de água", apelidadas de "limões de cheiro", nos incautos transeuntes. De quebra, ainda lambuzavam suas roupas com sacos de farinha. "Difícil manter nossa dignidade", resmungou, em seu diário. O desagrado com a burocracia – e com os brasileiros De Salvador, o capitão FitzRoy seguiu para o Rio de Janeiro, onde chegou no dia 4 de abril. Dessa vez, passou mais tempo: 93 dias. "Em maio de 1832, Darwin escapou da morte ao se recusar a participar de uma caçada no rio Macacu, que deságua na Baía de Guanabara. Três dos marinheiros que participaram da caçada morreram vítimas de uma febre fulminante", relata o físico Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Na cidade, o naturalista fixou residência em Botafogo, aos pés do Corcovado. Apenas dois dias depois de sua chegada, não disfarçou seu aborrecimento ao tecer críticas à burocracia local. Segundo consta em suas anotações, Darwin levou um dia inteiro até conseguir autorização para excursionar pelo interior fluminense. "Nunca é agradável submeter-se à insolência de homens de escritório, mas aos brasileiros, que são tão desprezíveis mentalmente quanto são miseráveis as suas pessoas, é quase intolerável", reclamou, em 6 de abril de 1832. "Contudo, a perspectiva de florestas selvagens zeladas por lindas aves, macacos e preguiças fará um naturalista lamber o pó da sola dos pés de um brasileiro". "Ao desembarcar em Salvador, a relação de Darwin com o Brasil era positiva. Mas, ao chegar ao Rio, pareceu azedar. Darwin reclama muito da burocracia e chega a dizer que é interminável", diz o biólogo Charbel El-Hani, coordenador do Laboratório de Ensino, Filosofia e História da Biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A cavalo, Darwin e uma comitiva de seis homens empreenderam uma viagem de 16 dias, entre 8 e 24 de abril, até Conceição de Macabu, a 227 km da capital. De maneira geral, a impressão deixada pelos donos de pousada não foi das melhores. Alguns demoravam até duas horas para servir a refeição. "A comida estará pronta quando estiver", respondiam os mais atrevidos. Outros, sequer, tinham garfos, facas ou colheres para oferecer. Na Fazenda Campos Novos, em Cabo Frio, os viajantes deram pela falta de uma bolsa com alguns de seus pertences. "Por que não cuidam do que levam?", retrucou o hospedeiro, mal-humorado. "Talvez tenha sido comida pelos cachorros". Escravidão, nunca mais Em sua travessia pelo norte fluminense, Darwin deparou-se também com os horrores da escravidão. Dois episódios lhe marcaram profundamente. Um deles aconteceu na Fazenda Itaocaia, em Maricá, a 60 km do Rio, no dia 8 de abril, quando um grupo de caçadores saiu no encalço de alguns escravos. A certa altura, os foragidos se viram encurralados em um precipício. Uma escrava, de certa idade, preferiu atirar-se no abismo a ser capturada pelo capitão do mato. "Praticado por uma matrona romana, esse ato seria interpretado como amor à liberdade", relatou Darwin. "Mas, vindo de uma negra pobre, disseram que tudo não passou de um gesto bruto". Legenda- Darwin tinha 22 anos quando recebeu uma carta que mudaria sua vida: era um convite para uma viagem à América do Sul Divulgação/BBC O outro episódio ocorreu na Fazenda Sossego, em Conceição de Macabu, no dia 18. Um capataz ameaçou separar 30 famílias de escravos e, em seguida, vendê-los separadamente como forma de punição. Darwin ficou tão indignado com a cena que a descreveu como "infame". "Os avós de Darwin participaram ativamente dos movimentos abolicionistas do século 17. Desembarcar em um país onde ainda vigorava o comércio de escravos foi um choque para ele. Darwin chegou a se desentender com o capitão do Beagle sobre o assunto e, por muito pouco, não voltou mais cedo para a Inglaterra", explica a bióloga Maria Isabel Landim, doutora em Biologia pela USP e organizadora de Charles Darwin - Em um Futuro Não Tão Distante (2009). Não bastassem os maus-tratos aos escravos, Darwin também se escandalizou com a corrupção. No dia 3 de julho, chegou a rotular os brasileiros de "ignorantes", "covardes" e "indolentes". "Até onde posso julgar, possuem apenas uma fração daquelas qualidades que dão dignidade ao homem", queixou-se. "Não importa o tamanho das acusações que possam existir contra um homem de posses, é seguro que, em pouco tempo, ele estará livre. Todos aqui podem ser subornados." Adeus também foi feito pra se dizer A primeira parte da passagem de Darwin pelo Brasil chegou ao fim em 5 de julho de 1832. Daqui, a expedição seguiu para o Uruguai e, de lá, para a Argentina. Em setembro de 1835, chegou às Ilhas Galápagos, no Oceano Pacífico, o ponto mais famoso da viagem. Darwin não teria colocado mais os pés no Brasil se, em agosto de 1836, ventos contrários não tivessem obrigado o capitão FitzRoy a atracar novamente no país: de 1 a 6 de agosto em Salvador e de 7 a 12 no Recife. Apesar de agnóstico, Darwin deu "graças a Deus" por estar, finalmente, deixando as costas do Brasil. "Espero nunca mais visitar um país de escravos", escreveu no dia 19 de agosto. O Beagle retornou à Inglaterra no dia 2 de outubro de 1836. Vinte e três anos depois, em 24 de novembro de 1859, seu tripulante mais ilustre publicaria A Origem das Espécies. Mas, será que a viagem exerceu algum tipo de influência sobre a obra? Na opinião dos especialistas, a passagem de Darwin pelo Brasil foi mais importante para a Teoria da Evolução das Espécies do que podemos imaginar. O próprio Darwin é o primeiro a admitir isso. Logo no primeiro parágrafo da introdução, reconhece a importância da expedição para a elaboração de uma das mais revolucionárias teorias da ciência moderna. "A natureza brasileira, com sua grandeza e diversidade, teve um impacto muito grande sobre Darwin e sua Teoria da Seleção Natural", afirma a bióloga Magali Romero Sá, vice-diretora de pesquisa e divulgação científica da Fiocruz, e curadora da exposição Darwin - Origens & Evolução, que reúne 295 peças, entre fotos, documentos e fósseis. Ildeu de Castro Moreira assina embaixo: "A passagem de Darwin pelo Brasil foi o passo inicial que o levou, anos depois, a desenvolver A Teoria da Seleção Natural". O diário de bordo e as anotações de viagem de Darwin, ricos tanto em descrições geográficas quanto em comentários sociológicos, não se perderam no caminho. Em 1839, viraram livro, Viagem de Um Naturalista ao Redor do Mundo, e, em 2015, ganharam uma edição brasileira, O Diário do Beagle, um calhamaço de 528 páginas lançado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Já o capitão FitzRoy, que comandou o Beagle em duas de suas três viagens, teve um fim trágico. Aos 59 anos, endividado e sofrendo de um transtorno mental, tirou a própria vida, cortando a garganta com uma navalha. Veja Mais

'Crise do sentido da vida' pode ter saída na união de ciência e saberes antigos, propõe professor

Glogo - Ciência Canadense John Vervaeke tem série no YouTube que trata do momento de esgotamento mental, ansiedade e depressão na sociedade que ficou em grande evidência na década de 2010. Angústia existencial, instabilidade emocional e descontentamento com a vida já estão no mundo há alguns milênios. Mas existe uma percepção coletiva de que estamos chegando ao fim desta década especialmente esgotados, raivosos, deprimidos e desorientados - uma sensação lá no fundo de que as peças não se encaixam direito como antes. Os preocupantes números sobre transtornos mentais em países como Estados Unidos e Brasil deixam visível um problema que até há pouco tempo era mais tratado como "questão da alma" do que de saúde pública. O canadense John Vervaeke, professor da Universidade de Toronto nas áreas de ciência cognitiva, psicologia e psicologia budista, afirma que o sistema onde encontrávamos sentido no mundo começou a falhar de tempos para cá. Vervaeke é autor de uma série de vídeos no YouTube chamada "Despertando da Crise do Significado", que já tem 44 episódios, cada um com 55 minutos em média. Quando falamos sobre significado, sobre sentido da vida, nós estamos falando sobre como as pessoas entendem o seu lugar no mundo, entendem o lugar das outras pessoas e como funciona o próprio mundo. E, dentro disso, as pessoas tentam resolver seus problemas e alcançar seus objetivos na vida" As religiões e seus rituais definiram por muito tempo como as coisas funcionavam, quais eram os passos a serem seguidos e também deram coesão a comunidades. Filósofos na Antiguidade produziram antídotos para conflitos internos, comportamentos autodestrutivos e ilusões que criamos e nos enganam. "Religião e filosofia antiga forneceram por muito tempo uma imagem de mundo que explicava por que certas ações deveriam ser adotadas e como as pessoas se encaixavam na estrutura da realidade", disse. "Em todas as culturas foram inventadas práticas que transformaram a cognição, a consciência, o caráter e a comunidade para enfrentar problemas perenes. Elas tratam de cultivo da sabedoria e de melhoria das habilidades para alguém se conectar consigo mesmo e com o mundo de forma profunda", disse ele em entrevista ao G1. Mudanças históricas Vervaeke afirma que grandes eventos históricos ao longo dos últimos séculos como a reforma protestante, a revolução científica, a revolução industrial e a revolução computacional fizeram com que essas práticas se perdessem ou se fragmentassem, e o cultivo do significado fosse deixado de lado. O professor da Universidade de Toronto diz que não está advogando um retorno a esse mundo antigo mais simples de compreensão e nem é nostálgico desse período. Seu ponto é estudar a estrutura anterior para restabelecermos uma funcionalidade que está faltando nos dias atuais. E aí que entra a ciência. “Ela complementa a análise histórica. Entender o funcionamento do cérebro e da mente nos ajuda a perceber os processos que dão sentido à nossa existência e o que acontece quando há um desarranjo neles. Assim, podemos entender como as práticas das velhas instituições funcionavam e assim criar e legitimar novas, e talvez melhores, versões dessas antigas práticas." O professor da Universidade de Toronto John Vervaeke, que tem a série no YouTube 'O Despertar da Crise do Significado' Divulgação Vervaeke conta que cresceu em uma família cristã fundamentalista no Canadá. “Um jeito bem traumático de ser criado”, diz. No ensino médio, entrou em contato com filosofia e religião oriental: “Teve um efeito libertador muito forte em mim”. Quando descobriu Carl Jung (suíço que fundou a psicologia analítica), “isso me colocou no caminho da exploração das profundezas da minha psique para entender a minha complicada e conflituosa relação com religião e espiritualidade. Durante este tempo eu entrei em uma profunda crise pessoal, de sentido da vida, em um espaço de incerteza. Quando entrei na faculdade e descobri Sócrates dentro da obra de Platão eu continuei, e continuo a encontrar, um caminho para obter transformação e significado no cultivo da sabedoria”. A jornada teve novo impulso quando Vervaeke começou a praticar tai chi chuan, meditação e contemplação - algo que mais tarde se mostraria valioso quando a comunidade universitária e científica começaram a expressar um interesse mais sério sobre essas técnicas. Por outro lado, ele vê com reservas a onda do mindfulness, que vem sendo explorada em apps e cursos de meditação “deluxe”. “[O mercado] torna mais fácil vender coisas que prometem que vamos nos tornar a pessoa que queremos ser. Também desejamos ter cada vez mais objetos, mas a frustração e a confusão persistem sob um desespero crescente. Não há nada de errado em possuir coisas. Nós precisamos de objetos para sobreviver". O perigo é quando nós confundimos transcendência pessoal com adquirir e possuir coisas" Transcendência sem $ Aliás, “transcendência pessoal” é possível para o trabalhador de poucos recursos e longas jornadas diárias, em que nas poucas horas de folga precisa cuidar da família ou resolver outras incômodas pendências? Vervaeke não nega essas limitações: “As pessoas precisam de tempo e de moradia, precisam assegurar comida e recursos antes de buscar significado em profundidade. Não fale para alguém cultivar sabedoria se ela está primeiro precisando de roupa. A crescente disparidade socioeconômica e a ameaça de problemas ambientais não vão ser resolvidas se as pessoas não acordarem justamente para a questão de que alguém não se torna o que deseja apenas adquirindo coisas, ou seja, tenta acumular muito ao mesmo tempo em que se ‘torna’ tão pouco”, afirma. Independente de privilégios ou dificuldades, o professor da Universidade de Toronto aponta uma dificuldade que sociedade ocidentais têm de forma geral: aceitar que não há uma “resposta final”, uma “solução final” para as nossas batalhas internas. “Eu uso de propósito a expressão ‘solução final’ [termo se refere ao plano de genocídio da população judia] para fazer alusão aos nazistas e ao Holocausto porque eu quero destacar o lado sombrio de visões utópicas. A ideia de que não há um propósito final é contra-intuitivo para os ocidentais porque fomos moldados pelo conceito judaico-cristão de progresso cosmológico. A ideia de progresso até uma terra prometida foi um mito poderoso para organizar nações e inspirar indivíduos em busca de transcendência moral. Mas esse conceito tem sido largamente invalidado. Nós precisamos de representações de transcendência pessoal que não estejam ligadas a uma narrativa cosmo-política”, afirma. Vervaeke compara esse processo a paixão. "Não há estado ou objetivo final quando você está apaixonado por alguém. Em inglês, dizemos 'falling in love' [literalmente 'caindo no amor']. Essa queda pode nos levar ao que está profundamente dentro de nós mesmos e de quem amamos. Nós podemos nos tornar mais e mais conectados. Eu estou propondo que alcancemos isso quando temos um cultivo apaixonado da sabedoria. " Sugestões de John Vervaeke para encarar a crise do significado no dia a dia: incluir o cultivo de uma mente aberta, em que se tenta identificar vieses cognitivos (as nossas visões pessoais que às vezes não se apoiam em fatos e podem levar a decisões irracionais) práticas meditativas e contemplativas práticas com movimento, com exercício físico, como tai chi chuan, artes marciais ou ioga leituras de filosofia clássica (ele recomenda "O que é filosofia antiga", de Pierre Hadot) envolvimento com a sua comunidade práticas de discussões como os "círculos de diálogo" procurar comunidades on-line que analisem obras relacionadas à crise do significado Veja Mais

Chuva de meteoros poderá ser vista na madrugada desta sexta em todas as regiões do Brasil

Glogo - Ciência 'Alfa monocerotids' ocorre entre 1h e 2h e será mais ativa do que qualquer uma das outras chuvas mais conhecidas, como a Perseids e a Orionids. Foto tirada com longa exposição mostra um meteoro Perseid cruzando o céu na vertical e o rastro das estrelas acima das ruínas de um castelo medieval na vila de Kreva, a cerca de 100 km a noroeste de Minsk, na Bielorrússia Sergei Gapon/AFP A chuva de meteoros "Alfa monocerotids" poderá ser vista na madrugada desta sexta-feira (22) em todas as regiões do Brasil. De acordo com o projeto científico "Exoss Citizen", que faz o monitoramento deste tipo de objeto espacial, ela poderá ser ainda mais ativa do que a Perseids, a Taurids, e a Orionids, tipos mais conhecidos. Brasileira na Nasa revela que Titã, uma lua de Saturno, tem ciclo hidrológico parecido com o da Terra Robô da Nasa faz nova selfie após 2,5 mil dias marcianos em missão O cientista do Instituto SETIS, Peter Jenniskens, atua na observação do céu do planeta Terra e registra esses meteoros. Ele indica que a maior chance é de uma chuva intensa e em um curto espaço de tempo na madrugada, entre 1h e 2h da manhã, horário de Brasília. As taxas previstas apontam de 100 a 400 meteoros por hora. Um estudo assinado por Jenniskens, que atua em parceria com agência espacial americana (Nasa), aponta chance de uma hiperatividade, um "outburst" ou explosão, quando são esperados centenas de meteoros por hora. O pico da chuva monocerotids deve durar 15 minutos, e terminar em 40 minutos. O ponto central - o radiante - da chuva de meteoros fica na constelação de Monoceros, que inspira o próprio nome. Está perto da estrela Procyon e de outra constelação, a de Cão Menor. O importante é olhar para o alto e para o Leste, onde ocorre o nascer do Sol. A Lua estará em fase crescente, o facilita a visualização. Boa sorte! Veja Mais

Antes do diagnóstico, Alzheimer pode representar risco financeiro

Glogo - Ciência Há maiores chances de o paciente estar tomando decisões equivocadas por causa da doença Pacientes que se encontrem nos estágios iniciais da Doença de Alzheimer apresentam um risco maior de reveses financeiros. Trata-se de uma consequência de decisões equivocadas, provocadas pela enfermidade, no manejo do dinheiro. No entanto, como ainda não há o diagnóstico, os enganos não chamam a atenção dos que estão à volta da pessoa. As chances de o indivíduo se tornar vítima de fraudes ou algum tipo de exploração também aumentam, de acordo com um estudo inquietante publicado no fim do mês passado na revista “Health Economics”. “Trabalhos anteriores mostram que, no início do Alzheimer, as pessoas já perdem sua habilidade de cuidar do dinheiro. Por exemplo, ter controle de cheques e débitos feitos com cartão, ou pagar contas. Há também mudanças nos gastos habituais”, explica a economista PhD Carole Roan Gresenz, professora de administração de sistemas de saúde da Universidade de Georgetown (EUA). A economista Carole Roan Gresenz, responsável pelo estudo sobre as pessoas nos estágios iniciais da Doença de Alzheimer apresentarem um risco maior de reveses financeiros Divulgação O Alzheimer normalmente só é diagnosticado quando os sintomas se tornam mais aparentes, mas sua progressão envolve um processo de declínio cognitivo que se agrava ao longo dos anos. A equipe da doutora Gresenz queria investigar seu impacto no orçamento durante o período que antecede o diagnóstico. Para isso, utilizou duas importantes fontes de dados: um amplo estudo longitudinal de norte-americanos acima dos 50 anos, que é conduzido pelo Instituto Nacional de Envelhecimento (National Institute on Aging) e inclui informações sobre os bens e ativos financeiros das pessoas; e registros do Medicare, o sistema de seguros de saúde gerido pelo governo dos Estados Unidos, que identifica a data da confirmação da doença. “Ao cruzar os dados, pudemos mapear o que aconteceu antes do diagnóstico. Descobrimos que, nas famílias onde havia alguém nos estágios iniciais do Alzheimer, aumentava a vulnerabilidade em relação a perdas até substanciais de ativos e economias. Esses são achados preocupantes, porque há danos financeiros justamente no período anterior a uma fase em que as famílias vão precisar de recursos adicionais, já que a doença demanda gastos extras”, completou a pesquisadora. O passo seguinte do trabalho será tentar identificar que tipo de decisões relacionados ao dinheiro são mais frequentes nessa etapa, para que sirvam de subsídio para ações governamentais e de instituições financeiras para reduzir a vulnerabilidade desse grupo. Veja Mais

Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto registra 1º parto de quadrigêmeos em 20 anos

Glogo - Ciência Benício, Arthur, Heitor e Alice nasceram prematuros. Mas, saudáveis, já se preparam para ir para casa com os pais. Caso ocorre uma vez a cada 700 mil gestações, dizem especialistas. HC de Ribeirão Preto registra o primeiro parto de quadrigêmeos nos últimos 20 anos O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HC-RP) registrou o primeiro parto de quadrigêmeos em 20 anos. Há um mês, Benício, Arthur, Heitor e Alice chegaram ao mundo, prematuros de 31 semanas. Agora, eles se prepararam para deixar o quarto da unidade de saúde e ir para casa com os pais, Priscila Fenato e Alexandre Fenato. “A maior preocupação era com a saúde, para saírem bem daqui. A hora que forem para casa, vamos dar conta, com a ajuda da família”, diz o pai. A gestação de quadrigêmeos, considerada rara pela medicina, ocorreu de forma natural, segundo o casal. Especialistas relatam que o fenômeno na reprodução humana acontece em uma gravidez a cada 700 mil. Pais dos quadrigêmeos demonstram a alegria com a chegada dos bebês Luciano Tolentino/EPTV Preparação Alexandre é professor e Priscila é auxiliar administrativa. Os dois planejavam ter filhos, mas o exame que confirmou os quatro bebês superou todas as expectativas do casal. “Às vezes, a gente para e pensa. Tem dia que caiu a ficha, mas tem dia que não caiu a ficha ainda. Eu queria dois filhos e ela queria um filho. Aí a gente viu que, na verdade, a gente não manda muito nisso, né?”, diz Alexandre. Aos poucos, o susto foi sendo compensado pela perspectiva da chegada dos bebês. Priscila passou a ser acompanhada por uma equipe médica, mas havia riscos por causa da complexidade do quadro. Por causa disso, ela passou a ser acompanhada no HC. “Quando começamos com o caso da Priscila, todos ficaram preocupados. Mas vimos que, com o empenho dela e de toda a equipe, conseguimos ter uma gestação e nascimentos satisfatórios. Foi um exemplo para todos”, afirma Ricardo Cavalli, médico e professor de obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Há um mês, Benício, Arthur, Heitor e Alice chegaram ao mundo, prematuros de 31 semanas. Luciano Tolentino/EPTV “Fomos tranquilizados pelos médicos e curtimos a gestação, seguindo tudo que tinha que fazer para a saúde das crianças e da mãe”, diz Alexandre. Nascimento Segundo o médico, o parto das crianças aconteceu sem nenhuma intervenção anormal, há um mês. "Foi preparado para que o processo fosse bem sucedido. Nós tínhamos a preocupação da prematuridade, pois os bebês eram de 31 semanas. Mas, todos os profissionais estavam prontos para recebê-los", diz Cavalli. Desde o nascimento, os quatro irmãos receberam cuidados intensivos para que pudessem se desenvolver de forma saudável. Hoje, pesando dois quilos cada um, eles conseguem mamar de três em três horas. “No terceiro dia de vida, eles não dependiam de aparelhos mecânicos. Posteriormente, veio a batalha do ganho de peso. Eles foram ganhando peso e, consequentemente, vieram para o quarto com a Priscila”, afirma o médico. Pais de primeira viagem cuidam dos quadrigêmeos recém-nascidos no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, SP Luciano Tolentino/EPTV Quatro berços lotam o espaço reservado para a família no hospital. “É inexplicável, não dá para acreditar que quatro crianças estavam dentro da minha barriga. Nunca imaginei ser mãe de quatro, sempre comentava que teria apenas um filho. Agora, é só alegria”, diz a mãe. Amor não vai faltar Os bebês são aguardados ansiosamente pelos avós em casa e os pais já contam com aquele apoio na hora de cuidar de meninada. “De três em três horas é preciso alimentá-los com leite, além disso, são, pelo menos, 30 fraldas por dia. Por isso, vamos precisar de ajuda dos avós. No final, tudo dá certo”, diz Priscila. A avó Maria Aparecida Betiatti Fenato diz que o coração está cheio de amor e que os quatro pequenos são um grande presente. “Tem quatro bebês para dar todo esse amor. São meus primeiros netos e nunca imaginei ter quatro de uma vez só. É uma felicidade imensa e uma graça de Deus infinita”. Pais e avós seguram quadrigêmeos no colo em Ribeirão Preto, SP Luciano Tolentino/EPTV Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca Veja Mais

'Masculinidade tóxica' reduz expectativa de vida de homens na América, diz Opas

Glogo - Ciência Comportamentos "machistas" contribuem para maiores taxas de mortalidade por suicídio, homicídio, vícios e acidentes de trânsito, além de doenças não transmissíveis, dizem os especialistas. A "masculinidade tóxica" reduz expectativa de vida de homens na América Winner01/Pixabay Em todo o continente, os homens vivem 5,8 anos a menos que as mulheres devido a comportamentos associados às expectativas sociais de seu gênero, afirma a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) no relatório "Masculinidades e saúde na Região das Américas", publicado nesta segunda-feira (18). "Existe uma estreita relação entre masculinidade e saúde. Os papéis, normas e práticas impostas socialmente aos homens exigem ou reforçam sua falta de autocuidado e até negligenciam sua própria saúde física e mental", aponta o relatório. 'É preciso combater a masculinidade tóxica', diz médico vencedor do Nobel da Paz A identidade de gênero se reflete em problemas diários específicos, como a adoção de riscos ocupacionais ou de direção, o sexo desprotegido, o consumo excessivo de álcool ou a falta de ajuda em face de distúrbios emocionais. Esses comportamentos "machistas" contribuem para maiores taxas de mortalidade por suicídio, homicídio, vícios e acidentes de trânsito, além de doenças não transmissíveis, dizem os especialistas. Segundo o relatório, um em cada cinco homens na região morre antes dos 50 anos, um número que eles consideram "alarmante". No caso das mulheres, esse percentual só é alcançado quando completam 60 anos. Homens e mulheres morrem de forma semelhante por problemas respiratórios e diabetes. Mas existem causas importantes de morte relacionadas à maneira como a masculinidade é exercida: violência interpessoal (na qual se destacam os homicídios, à taxa de sete homens por mulher), trauma devido ao trânsito (três por um) e cirrose hepática causada pelo álcool, que é duas vezes maior entre os homens do que entre as mulheres. Afrodescendentes e indígenas, mais afetados Os homens morrem nas Américas principalmente devido a doenças cardíacas, violência interpessoal e trauma devido ao trânsito, mas outras causas de morte surgem predominantemente dependendo da área. No Caribe, destaca-se a Aids, enquanto no caso latino-americano há mais cirrose hepática e violência interpessoal, e na América do Norte se destacam a doença de Alzheimer e outras demências, além de suicídio e câncer de próstata, cólon e reto. 'É importante que homens se engajem na luta contra violência sexual', diz Nobel da Paz A discriminação com base na idade, etnia, pobreza, tipo de emprego e sexualidade agrava ainda mais esses resultados negativos para a saúde dos homens, segundo o relatório. A população LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, travestis e transexuais), bem como os afrodescendentes e os indígenas apresentam mais problemas de saúde do que o restante da população. Esses homens morrem mais e têm uma menor expectativa de vida. O estudo enfatiza que essa análise da saúde masculina na perspectiva de gênero seria "impensável" sem o antecedente do feminismo e exige "mobilizar a vontade política e os recursos necessários" para contemplar as necessidades de homens e mulheres. "O termo gênero foi assumido como sinônimo de 'mulher'. As masculinidades tornaram-se invisíveis ou naturalizadas, e as diferenças e desigualdades entre ambos os sexos e em cada um deles não foram abordadas", alerta. Como remediar o impacto negativo das "masculinidades tóxicas"? Algumas das recomendações incluem melhorar a divulgação de dados, desenvolver políticas públicas e programas específicos de saúde, remover barreiras ao acesso aos cuidados, promover educação em saúde, capacitar trabalhadores do setor e direcionar a prevenção para crianças e jovens. Veja Mais

Conferência internacional discute mudanças no acesso ao aborto legal nos últimos 25 anos

Glogo - Ciência No período, alguns países legalizaram aborto enquanto outros criminalizaram a prática. 97% dos abortos não seguros acontecem em países em desenvolvimento da África, Ásia e América Latina. Manifestantes protestam contra legalização do aborto durante ICPD25, em Nairóbi, no Quênia AFP O acesso ao aborto seguro progrediu no mundo desde a década de 1990, mas também deu alguns passos atrás em países onde a prática é criminalizada. Na Conferência Internacional de População e Desenvolvimento (ICPD25, na sigla em inglês), organizada em Nairóbi, no Quênia, ativistas e pesquisadoras apresentaram estimativas sobre o aborto no mundo. Um dos objetivos da conferência é estabelecer medidas para reduzir a mortalidade materna. Em 1994, 179 países adotavam um programa sobre direitos reprodutivos das mulheres, segundo dados da ICPD organizada no Cairo naquele ano. Hoje, o número de países com acesso ao aborto legal aumentou, mas as organizações não possuem dados precisos de quantos lugares legalizaram a prática. Grupo pró legalização do aborto monta tenda após vítima de estupro ser agredida em frente a hospital público em SP 41% dos brasileiros são contra qualquer tipo de aborto, diz pesquisa "Vinte e cinco anos se passaram desde a conferência do Cairo e o aborto seguro segue sendo uma meta incompleta", disse Shilpa Shroff, da ONG Campanha Internacional pelo Direito das Mulheres ao Aborto Seguro, durante o evento. "Muitos países legalizaram o aborto, eu diria então que sim", responde a epidemiologista indiana quando questionada se a situação melhorou em relação ao acesso ao aborto seguro um quarto de século atrás. No entanto, "algumas leis foram revogadas", afirma. "Mas pelo menos as pessoas começaram a falar sobre isso, neste ponto avançamos. (Há 25 anos) era um tabu". Aborto pelo mundo Manifestantes pró e contra o direito ao aborto fazem manifestação em frente à Suprema Corte em Washington, nos Estados Unidos, em janeiro deste ano. Saul Loeb/AFP Segundo estimativas da organização, 56 milhões de abortos foram realizados todos os anos no mundo entre 2010 e 2014, dos quais cerca de metade - aproximadamente 25 milhões - ocorreu sem segurança. Essas práticas, realizadas por pessoas não qualificadas ou com poucas equipes médicas, contribuem para a mortalidade materna, cuja erradicação é um dos principais objetivos da ICPD25. A grande maioria desses abortos "não seguros" (97%) ocorre em países em desenvolvimento da África, Ásia e América Latina, acrescenta Shilpa Shroff. A ativista afirma que "tornar o aborto ilegal não reduz o número de abortos, só faz com que sejam mais perigosos". Na América Latina, o aborto só é totalmente descriminalizado no Uruguai, Cuba e na Cidade do México. Em outros países, como o Brasil, o acesso é limitado e só é possível interromper a gravidez em caso de estupro, risco de vida para a mãe ou malformação grave do feto. Primavera árabe Desde 1994, o saldo é desigual na Ásia, onde apenas cinco países, incluindo a China, legalizaram totalmente a interrupção da gravidez. A situação também é inconstante no Norte da África e no Oriente Médio onde, por exemplo, o Iraque e a Argélia aumentaram as restrições ao aborto, dizem especialistas. Atualmente, no Oriente Médio, "80% das mulheres em idade fértil vivem em um país que restringiu o acesso ao aborto", declarou Hedia Belhadj, presidente da associação tunisiana Tawhida Bem Cheikh, que milita pela defesa da saúde das mulheres. Segundo ela, a primavera árabe, apesar de autorizar maior liberdade de expressão, também permitiu que "lobbies conservadores" usassem redes sociais contra os direitos das mulheres. Na África, as leis em torno desse assunto são consideradas muito restritivas em um quarto dos países. Seis deles, como a República Democrática do Congo e o Senegal, proibiram a prática completamente, independentemente das circunstâncias, de acordo com um relatório da Federação Internacional para o Planejamento Familiar (IPPF, na sigla em inglês), publicado em junho de 2018. "Nosso maior desafio é que o aborto está criminalizado. Uma mulher pode ser presa por isso. O que nós procuramos não é a legalização, mas a descriminalização", conta à AFP Ernest Nyamato, responsável para a África da ONG IPAS. "A barreira mais importante é a religião", assegura o médico queniano. "Outra luta é que, mesmo em países onde é legalizado, como na África do Sul, existem obstáculos: o sistema de saúde não oferece esse serviço, os profissionais não são qualificados." Veja Mais

Por que o uso de antibióticos na agropecuária preocupa médicos e cientistas

Glogo - Ciência Estudo global revela que o Brasil é um dos países com situação preocupante no monitoramento e resistência a antibióticos em alimentos de origem animal. Cientistas têm tentado detalhar os caminhos pelos quais bactérias resistentes passam dos alimentos de origem animal aos humanos Getty Images Há quatro anos, em uma fazenda de criação intensiva em Xangai, na China, um exame feito em um porco prestes a ser abatido encontrou uma bactéria resistente ao antibiótico colistina. O achado acendeu um alerta que ecoou pelo mundo — cada vez mais temeroso com a capacidade que micro-organismos têm demonstrado em driblar tratamentos à base de antibióticos. Como reduzir a ingestão de resíduos de antibióticos nas carnes A bactéria resistente encontrada no suíno, uma Escherichia coli, levou os cientistas da China a aprofundar os exames — agora, também em frangos de fazendas de quatro províncias chinesas, nas carnes cruas desses animais à venda em mercados de Guangzhou, e em amostras de pessoas hospitalizadas com infecções nas províncias de Guangdong e Zhejiang. Eles encontraram uma "alta prevalência" do Escherichia coli com o gene MCR-1, que dá às bactérias uma alta resistência à colistina e tem potencial de se alastrar para outras bactérias, como a Klebsiella pneumoniae e Pseudomonas aeruginosa. O MCR-1 foi encontrado em 166 de 804 animais analisados, e em 78 de 523 amostras de carne crua. Já nos humanos, a incidência foi menor, mas se mostrou presente — em 16 amostras de 1.322 pacientes hospitalizados. "Por causa da proporção relativamente baixa de amostras positivas coletadas em humanos na comparação com animais, é provável que a resistência à colistina mediada pelo MCR-1 tenha se originado em animais e posteriormente se alastrado para os humanos", explicou em 2015 Jianzhong Shen, da Universidade de Agricultura em Pequim, um dos autores do estudo, cujos resultados foram publicados no periódico The Lancet Infectious Diseases. Mas como esse material genético resistente pode ter passado dos animais para os humanos? O caminho de "transmissão" de microrganismos (bactérias, parasitas, fungos e etc) resistentes é uma incógnita não só para o caso dos porcos, frangos e pacientes na China, mas para o uso veterinário e médico de antibióticos como um todo. Pode ser que esses microrganismos ou resquícios de antibióticos (restos dos medicamentos que, em contato com os micróbios, podem estimular sua resistência) possam estar se alastrando pelos alimentos, ou ainda através do lixo hospitalar, lençóis freáticos, rios e canais de esgoto — e a investigação para desvendar as rotas de bactérias tem motivado inúmeras pesquisas no Brasil e no mundo (veja detalhes sobre esses estudos abaixo). "As bactérias não têm fronteiras: a resistência pode passar de um lugar a outro sem passaporte e de várias formas", explica Flávia Rossi, doutora em patologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e integrante do Grupo Consultivo da OMS para a Vigilância Integrada da Resistência Antimicrobiana (WHO-Agisar). "Com a globalização, não só o transporte de pessoas é rápido, como os alimentos da China chegam ao Brasil e vice-versa. Essa cadeia mimetiza o que acontece com o clima: estamos todos interligados. Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem trabalhando com o enfoque de 'One Health' ('Saúde única' em português, a perspectiva de que a saúde das pessoas, dos animais e o ambiente estão conectados)." Agora, a dimensão global do problema ganhou um mapeamento inédito juntando pesquisas já feitas medindo a presença de microrganismos resistentes em alimentos de origem animal em países de baixa e média renda — e o Brasil aparece no grupo de lugares com situação preocupante. Não quer dizer que o estudo considere o país como um todo, mas pontos que já foram submetidos a pesquisas, como abatedouros de bois em cidades gaúchas ou em uma fazenda produtora de leite e queijo em Goiás. Sul brasileiro: foco de resistência microbiana Ovos, leite, carnes... A ciência tem hoje métodos para detectar microrganismos resistentes nos alimentos, mas poucos países fazem esse monitoramento sistematicamente Getty Images China e Índia foram, segundo os autores do estudo, publicado na revista Science, "claramente" os lugares em que os maiores níveis de resistência foram encontrados. Mas o Sul do Brasil, leste da Turquia, os arredores da Cidade do México e Johanesburgo (África do Sul), entre outros, se destacaram também como hotspots, ou focos de resistência microbiana em animais destinados à alimentação, principalmente bovinos, porcos e frangos (com níveis elevados de P50, percentual acima de 50% de amostras de microrganismos resistentes a determinados antibióticos). As maiores resistências observadas foram relacionadas a alguns dos antibióticos mais usados na produção animal, como as tetraciclinas, sulfonamidas e penicilinas. Entre aqueles importantes para tratamento também em humanos, destacaram-se a resistência à ciprofloxacina e eritromicina. Os autores reuniram ainda dados que apontam para focos de resistência emergentes, ou seja, em que a resistência dos microrganismos a antibióticos está crescendo. Aí, o Brasil também aparece, tanto o Sul quanto o Centro-Oeste. Após ler o estudo, a pesquisadora brasileira Silvana Lima Gorniak, professora titular da Faculdade de Medicina Veterinária da USP, liga o destaque ao Sul justamente a uma maior criação de aves e suínos na região, animais para os quais há maior uso de antimicrobianos com a finalidade de promover o crescimento (entenda os diferentes usos de antibióticos veterinários e seus impactos abaixo). A situação da América do Sul é particularmente preocupante por causa da carência de dados, diz o estudo: "Considerando que Uruguai, Paraguai, Argentina e Brasil são exportadores de carne, é preocupante que haja pouca vigilância epidemiológica da resistência microbiana disponível publicamente para esses países. Muitos países africanos de baixa renda têm mais pesquisas desse tipo do que os países de renda média na América do Sul. Globalmente, o número de pesquisas per capita não se correlacionou com o PIB per capita, sugerindo que a capacidade de vigilância não é impulsionada apenas por recursos financeiros." Buscando ampliar, em partes, o acesso a esse tipo de informação, os autores do estudo lançaram um banco de dados colaborativo para cadastro de pesquisas sobre o tema em todo o mundo, o "Resistance Bank". "O Brasil precisa urgentemente de dados de vigilância disponíveis publicamente sobre a resistência microbiana. É um grande exportador de carne, todos comemos frango brasileiro, seria bom saber o que há nele", escreveu por e-mail à BBC News Brasil Thomas Van Boeckel, um dos autores do estudo e pesquisador do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurich), na Suíça. Em nota enviada à BBC News Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) afirmou que, "em relação ao estudo da revista Science", está "ciente sobre a importância da resistência aos antimicrobianos". "Trata-se de um dos maiores desafios globais de saúde pública e que deve ser abordado pelos países atendendo ao conceito de Saúde Única, exigindo ações imediatas de todos os envolvidos". A pasta garante que o país está correndo atrás para ter um sistema de vigilância, por meio do Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no âmbito da Agropecuária (PAN-BR AGRO), cujo prazo previsto para implementação vai de 2018 a 2022. Segundo fontes consultadas pela reportagem, o cronograma do plano tem sido cumprido. Já foram detectadas em alimentos de origem animal bactérias resistentes que representam grandes riscos para os humanos Getty Images Um de seus pontos-chave, e já o colocado em prática, é a realização de testes oficiais de rotina para detecção de micróbios resistentes em animais e alimentos com essa origem. São amostragens aleatórias de ovos, leite, mel e de animais encaminhados para abate sob inspeção federal, mas o que se busca são resquícios de antibióticos, e não microrganismos resistentes. Em 2018, o relatório apresentado pelo ministério mostra que o percentual de amostras com resquícios de antibióticos em conformidade ficou na casa dos 99%. "Para ser seguro para consumo alimentar, a presença de determinadas bactérias tem que estar dentro de limites estabelecidos pelas agências de saúde de cada país, o que já é feito. Mas mais do que saber, por exemplo, a presença de Salmonella (gênero de bactérias) em galinhas ou porcos, é possível testar sistematicamente a suscetibilidade dela aos antibióticos — que é realmente o que nos permite saber se as bactérias são ou não resistentes", aponta João Pedro do Couto Pires, também coautor do estudo e pesquisador do ETH Zurich. Frangos com Salmonella resistente em Estados brasileiros Ainda que não tenha hoje um levantamento sistematizado, o Brasil já teve experiências pontuais na medição da resistência microbiana em alimentos de origem animal. Uma análise feita entre 2004 e 2006 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em amostras de frangos congelados vendidos em 14 Estados brasileiros, detectou bactérias Salmonella e Enterococcus resistentes a vários antimicrobianos. Das 250 cepas de Salmonella analisadas, por exemplo, 77% foram consideradas multirresistentes (resistentes a duas ou mais classes de antibióticos). O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento destacou ainda que vem progressivamente proibindo medicamentos veterinários usados com o objetivo principal de fazer os animais engordarem, os chamados melhoradores de desempenho. Já foram proibidas substâncias do tipo como os anfenicóis, as tetraciclinas e as quinolonas. "Na criação animal, há basicamente três tipos de uso de antimicrobianos. O primeiro é o terapêutico, como ocorre com o ser humano. A segunda maneira é a preventiva, como no desmame dos suínos — esse animal provavelmente vai passar por estresse, vai ter uma imunossupressão (redução da atividade do sistema imunológico), e ela pode levar à infecção por várias bactérias, então se faz preventivamente o tratamento", explica Silvana Lima Gorniak, da USP. "A terceira maneira é a mais polêmica, a mais discutida na ciência, que é a administração (de antimicrobianos) como melhorador de desempenho. Nesse caso, o animal não tem nenhuma doença, provavelmente não vai ficar doente, e o antimicrobiano é empregado com a finalidade de promover o crescimento. Não se sabe exatamente como, mas o animal de fato cresce." A colistina, aquela a que bactérias em porcos na China mostraram resistência no estudo publicado no The Lancet Infectious Diseases em 2015, foi uma das substâncias proibidas para uso como melhorador de desempenho em rações no Brasil, em 2016. Seu uso para o tratamento de doenças, como diarreias, continua, no entanto, permitido por aqui. Proibições foram impostas também em outros países, como a própria China, Índia e Argentina. Ao mesmo tempo, esta substância é colocada pela OMS no grupo mais crítico entre os antibióticos que precisam urgentemente de substitutos — já que são o último recurso para o tratamento de algumas doenças para as quais outros antibióticos não funcionam mais, são amplamente usados na medicina humana e já se mostraram altamente vulneráveis à resistência microbiana. Antimicrobianos passaram a ser mais significativamente usados na criação de animais para consumo nos anos 1950 em países de alta renda, algo que foi se estendendo para países de baixa e média renda — onde hoje, inclusive, projeções mostram que o uso desses medicamentos aumentará, já que a produção e consumo de carne nesses países tem crescido. O elo entre precariedade e uso de antibióticos Produção em larga escala de animais com fins alimentícios está associada ao uso de antibióticos Getty Images Thomas Van Boeckel destaca que, no mundo, o uso excessivo de antibióticos está associado à criação intensiva de animais, a produção industrial, "mas não em todos os países, algumas exceções existem, como a Holanda e a Dinamarca", aponta. Sandra Lopes, diretora da organização Mercy for Animals no Brasil, vê o uso de antibióticos como uma das práticas degradantes impostas aos animais. "O uso de antibióticos força esses animais a seguirem produzindo em um sistema completamente cruel, onde os animais não podem exercer nenhum de seus comportamentos naturais", aponta a representante da ONG, dedicada ao bem estar de animais ditos de produção, aqueles destinados ao consumo alimentício. Como exemplos, ela menciona criações com confinamento intensivo em gaiolas. As galinhas poedeiras, confinadas em uma área análoga ao que seria passar a vida inteira dividindo um elevador com outras 12 pessoas, segundo a ONG, não têm espaço para exercer comportamentos naturais como abrir as asas ou ciscar. Sem forças nas pernas por não movimentá-las, essas galinhas podem sofrer fraturas com o peso do próprio corpo. Isso leva a um ciclo em que o uso de antibióticos se faz necessário. Há ainda a debicagem, quando os bicos dessas aves são retirados para evitar, entre outros, o canibalismo — intensificado pelo estresse vivido pelos animais. É algo que leva também ao corte dos rabos dos porcos, procedimentos esses que muitas vezes exigem também o emprego de antibióticos. Lopes menciona ainda a falta de ventilação, a lotação de animais ou ainda o contato com excrementos como características da realidade da produção em escala que podem debilitar a saúde dos animais. Por isso, a ONG defende, entre outras medidas, a melhor regulamentação de várias etapas da criação de animais, a certificação de produtos gerados em práticas consideradas satisfatórias (como existe no caso das galinhas poedeiras criadas fora de gaiolas) e, como recomendação aos clientes, a redução do consumo de produtos de origem animal. Silvana Lima Gorniak destaca que a ligação entre precariedade na produção e uso excessivo de antibióticos fica mais evidente, uma vez mais, no caso dos melhoradores de desempenho. "As condições sanitárias impactam diretamente no uso de antimicrobianos. Os melhoradores de desempenho têm um efeito muito benéfico naqueles lugares onde as condições sanitárias não são tão adequadas. Em locais com higiene adequada, é claro que há benefícios, mas ele é diluído", explica a pesquisadora. Já os autores do artigo publicado na Science destacam que o cenário de precariedade e consequente uso de antibióticos pode ser uma faca de dois gumes para os produtores: "Uma consequência fundamental desta tendência é um esgotamento do portfólio de tratamento para animais doentes. Essa perda tem consequências econômicas para os agricultores, porque os antimicrobianos acessíveis são usados como tratamento de primeira linha, e isso pode eventualmente se refletir em alimentos com preços mais altos." Entidade veterinária pede maior controle de vendas de medicamentos no setor "É como para a gente, humanos: os antibióticos resolveram muitas questões, mas se a gente abusa, vai chegar uma hora que eles não serão mais eficazes", resume Fernando Zacchi, assessor técnico da presidência do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). Zacchi diz que a entidade está empenhada em educar a categoria para um uso mais racional de antibióticos e tornar mais rigoroso o acesso a antimicrobianos veterinários — hoje, ele explica ser necessária a apresentação, mas não retenção, da receita. "Aí está uma fragilidade: estamos trabalhando com outros órgãos para a obrigatoriedade da retenção e escrituração", aponta, lembrando que entra na questão ainda o uso de antimicrobianos em animais domésticos. Outro ponto é o cumprimento da exigência de um responsável técnico nos pontos de venda destes medicamentos, algo que é fiscalizado pelo próprio CFMV — a BBC News Brasil pediu dados sobre multas e autuações relacionadas a essas regras, mas não teve a solicitação atendida. "Embora o conselho e o Mapa entendam que deve haver um responsável técnico nesses estabelecimentos, o Judiciário está eventualmente dispensando este profissional, cuja presença garante mais controle e rastreabilidade." Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), nos últimos cinco anos, os antimicrobianos abocanharam cerca de 16% das vendas de tratamentos veterinários (que incluem ainda as categorias antiparasitários; biológicos; suplementos e aditivos; terapêuticos). A reportagem pediu valores — e não apenas percentuais — por categoria, mas não teve a demanda atendida. Em nota enviada à BBC News Brasil, a Aliança para Uso Responsável de Antimicrobianos, que representa várias entidades do setor produtivo, afirmou também que no ramo a questão "é tratada com responsabilidade por todos os elos da cadeia produtiva". "Contra achismos, a Aliança busca construir um debate pautado pelo pensamento científico e pela transparência. É formada por organizações nacionais da bovinocultura de corte e leite, avicultura, suinocultura, aquicultura e pescado." A Aliança defende que há controle interno, com análises diárias feitas pelas próprias empresas sobre a questão e que o "Brasil cumpre rigorosamente as determinações técnicas de todas as nações importadoras". Em relação à produção em escala, a entidade aponta que o país "segue as diretrizes estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para o alojamento dos animais". "Na produção industrial, o sistema produtivo é isolado em controles restritivos de acesso, o que evita a circulação de doenças. Em situações de produção precária, sem as devidas salvaguardas técnico-veterinárias, os riscos de enfermidades e o uso inadequado de antibióticos são maiores", acrescentou. E agora, o que fazemos em casa? Estudo recém-publicado na Science alerta: uso de antibiótiocos em países de baixa e média renda como o Brasil deve aumentar nos próximos anos Getty Images "Sou um cavaleiro do apocalipse", brinca Victor Augustus Marin, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). À frente do Laboratório de Controle Microbiológico de Alimentos da Escola de Nutrição (Lacomen), ele e seus alunos e orientandos têm desenvolvido uma metodologia própria para encontrar bactérias resistentes em alimentos minimamente processados, aqueles prontos para consumo, como frutas e queijos. Um resumo do que eles têm encontrado até aqui: muitas bactérias resistentes. Em sua dissertação de mestrado orientada por Marin, Cristiane Rodrigues Silva, por exemplo, buscou bactérias resistentes em amostras de queijo minas frescal. Todos exemplares estudados apresentaram algum conjunto de bactérias resistentes — em 13%, a resistência foi constatada para todos os antibióticos testados e em 80%, para 8 a 10 diferentes antibióticos. Foi constatada ainda resistência em 87% dos queijos aos carbapanêmicos, tipo de antibiótico potente que é considerado uma das últimas alternativas na luta contra microrganismos muito resistentes. Agora, Silva, Marin e o resto da equipe estão estudando outros tipos de queijo, como minas padrão, parmesão, ricota e cottage; além de frutas compradas no comércio comum, como manga, laranja e caju. Eles também querem verificar se outras formas de produção, como a orgânica, podem alterar a presença de microrganismos resistentes. "Comprovamos não só que as bactérias nos alimentos estudados até agora têm alguma resistência, como genes de resistência", aponta Marin, acrescentando que, embora em escala muito menor do que na pecuária ou entre humanos, antibióticos são usados também na agricultura. "Como essa bactéria chegou ao queijo? Tem que voltar ao campo: a vaca come capim, que tem dentro dela bactérias endofíticas, que vivem dentro das plantas. A vaca ingere a planta, produz leite e o leite vai para o queijo. Mas é difícil falar quem originou a bactéria primeiro — elas evoluem junto com os humanos e animais. Também são promíscuas: trocam material genético." As diversas variáveis que influenciam a resistência dos micróbios são justamente o que representa um desafio para as pesquisas: para traçar o caminho dos microrganismos através dos animais, humanos e do ambiente, seriam necessários grandes volumes de amostras desses elementos. E em tempo real, lembra João Pedro do Couto Pires, já que muitas vezes é diagnosticada alguma infecção em uma ponta, mas sua origem muitas vezes já se perdeu no tempo. Por isso, o alarme tocado pelo artigo na Science traz um porém: "Está além do escopo deste estudo tirar conclusões sobre a intensidade e a direcionalidade da transferência de resistência microbiana entre animais e humanos — aspectos que devem ser investigados com métodos genômicos robustos". Enquanto a ciência busca decifrar o caminho percorrido pelas bactérias, o que nós, humanos e consumidores de alimentos podemos fazer? Flávia Rossi, patologista da USP, lembra de procedimentos básicos de saneamento e higiene que cortam a circulação de microrganismos, como lavar as mãos; o uso de água potável na cozinha; e o armazenamento adequado de alimentos. O cuidado deve ser redobrado com pessoas mais vulneráveis, como hospitalizados, imunossuprimidos ou transplantados. "As bactérias também nos protegem, estão no nosso intestino, na nossa pele... Mas elas nos atacam quando há um desequilíbrio", diz. João Pedro do Couto Pires brinca que, hoje, nossas casas são mais perigosas do que restaurantes por haver menos cuidado com questões sanitárias. Ele destaca ações a serem evitadas: misturar alimentos crus e cozidos; ou carnes e vegetais, como, por exemplo, no refrigerador ou no uso de uma mesma faca ou tábua para esses dois tipos de alimentos. Essas misturas levam a fluxos de microrganismos que, no caso de alimentos crus, como vegetais em uma salada, acabam sendo ingeridos pela pessoa que está comendo. Marin garante que não se trata de parar de comer alimentos como os estudados por sua equipe, como queijos e frutas, mas de aprofundar investigações sobre como a resistência microbiana se expressa neles — para, aí sim, fazer-se uma escolha entre custos e benefícios. Por exemplo, algo a ser levado em conta, segundo descobriu sua equipe, é que queijos mais úmidos exigem maior cuidado no assunto. "O queijo, além de ter bactérias com resistência, também tem outra microbiota — outras bactérias — que combatem as que têm resistência. Ninguém é demônio e ninguém é anjo, inclusive entre as bactérias. Por isso a visão holística (multifatorial) é tão importante", diz. Veja Mais

Infecções sexualmente transmissíveis estão em alta no Brasil; saiba quais são e como se proteger

Glogo - Ciência Sífilis, HIV/Aids e hepatites estão entre as doenças 'silenciosas' com índices crescentes no país; 'por não sentirem nada, as pessoas não procuram o médico e não descobrem que estão infectadas'. Segundo a OMS, todos os dias são contabilizados no mundo mais de 1 milhão de casos de ISTs curáveis entre pessoas de 15 a 49 anos Getty Images via BBC Todos os dias, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), são contabilizados no mundo mais de 1 milhão de casos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) curáveis entre pessoas de 15 a 49 anos. E essas doenças estão em alta no Brasil, segundo dados coletados pelo Ministério da Saúde. A sífilis é o caso mais gritante: foram 158 mil notificações da doença em 2018, levando a uma taxa de 75,8 casos para cada 100 mil habitantes — em 2017, eram 59,1 casos/100 mil habitantes. Mas há indicativos também de que estejam aumentando as hepatites virais, enfermidades altamente perigosas, pois podem evoluir para cirrose e câncer de fígado e até levar à morte. Se de 2008 até 2018 o Brasil registrou quase 633 mil casos dessas infecções, só no ano passado foram cerca de 43 mil, somadas as hepatites A, B C e D. Dados do Unaids, programa das Nações Unidas especializado na epidemia, indicam que o Brasil apresentou aumento de 21% no número de novos casos de infecções por HIV de 2010 a 2018, o que vai na contramão mundial, já que, no mesmo período, a queda foi de 16% no planeta. E não são apenas essas ISTs que estão em alta. As que que não são de notificação obrigatória, como gonorreia e HPV, também estão crescendo no país. Para Mauro Romero Leal Passos, coordenador do setor de DST da Universidade Federal Fluminense (UFF) e fundador da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis (SBDST), a principal razão é que muitas dessas doenças são silenciosas, podendo ficar meses ou anos sem apresentarem sinais e sintomas. "Por não sentirem nada, as pessoas não procuram o médico e não descobrem que estão infectadas. Sem saberem, a chance de transmissão do vírus ou da bactéria para os parceiros, com sexo sem proteção, é muito maior", comenta o médico. O melhor método de prevenção ao HPV é a vacina Rodrigo Nunes/Ministério da Saúde Outro ponto importante, segundo ele, é a diminuição no uso dos preservativos, sobretudo entre os jovens. Para se ter uma ideia, pesquisa realizada em 2017, com 1,5 mil pessoas em todo o Brasil, pela organização sem fins lucrativos DKT International, identificou que 47% dos entrevistados com idade entre 14 e 24 anos não usam camisinha nas relações sexuais. Essa negligência acontece porque os tratamentos contra as doenças sexualmente transmissíveis estão mais eficazes e porque muita gente não acredita estar em perigo e nem se considera parte de grupos de risco. Ainda persistem as desculpas de que camisinha reduz o prazer, prejudica a ereção e é difícil de colocar. "E não adianta usar o preservativo uma vez ou até se sentir seguro com o parceiro. É preciso se proteger em todas as relações", acrescenta Passos. Outros fatores apontados por especialistas para a alta incidência de ISTs são os baixos índices de educação sexual e de cobertura vacinal (no caso de doenças que podem ser prevenidas por vacinas). O que são infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)? As ISTs são causadas por mais de 30 vírus e bactérias e transmitidas, principalmente, por relação sexual vaginal, anal e oral desprotegida, ou seja, sem o uso de preservativo, com uma pessoa infectada. Também podem ser passadas da mãe para a criança durante a gestação, no parto ou na amamentação. Algumas são transmitidas pelo contato de mucosas e pele com secreções corporais contaminadas, sangue infectado e uso de drogas injetáveis. No geral, essas doenças causam lesões nos órgãos genitais. Mas também podem provocar câncer, complicações na gravidez e no parto, aborto, infertilidade, problemas neurológicos e cardiovasculares e até a morte. "Há ainda as sequelas emocionais e sociais, que muita gente esquece. Não é incomum o portador desenvolver distúrbios psiquiátricos e ter problemas no relacionamento", analisa Passos. Outro fator bem preocupante é que essas patologias deixam os pacientes mais vulneráveis a adquirir o HIV. A estimativa é que elevam em até 18 vezes a chance de infecção pelo vírus da Aids. Tanto clamídia quanto gonorreia são curadas com o uso de antibióticos - os parceiros também devem tomar o medicamento, mesmo que não apresentem sinais e sintomas Getty Images via BBC Isso porque quem já tem alguma IST tem mais risco de contrair outra. "Se a pessoa tem uma inflamação, ferida, tumor, verruga, laceração ou secreção, sua resistência geral ou local está diminuída, então, quando ela entra em contato com outro agente, a entrada é facilitada", complementa o coordenador do setor de DST da UFF. A seguir, saiba mais sobre as ISTs que estão em alta no Brasil, de sintomas à prevenção: Clamídia e gonorreia Causadas por bactérias, essas doenças estão associadas, e ambas podem atingir os órgãos genitais, a garganta e os olhos. As duas doenças são quase sempre assintomáticas. Porém, quando apresentam sintomas, os mais frequentes, nas mulheres, são corrimento vaginal com dor no baixo ventre e dor ou sangramento durante a relação sexual. Nos homens, é corrimento no pênis, com ou sem pus, ardor e esquentamento ao urinar e dor nos testículos. Se não tratadas corretamente, podem evoluir para Doença Inflamatória Pélvica (DIP) e ainda causar infertilidade, dor crônica, gravidez tubária (nas trompas), aborto, endometrite e parto precoce. Tanto a clamídia quanto a gonorreia são curadas com o uso de antibióticos - os parceiros também devem tomar o medicamento, mesmo que não apresentem sinais. Durante o período de infecção, é aconselhável evitar contato sexual desprotegido, e a melhor forma de prevenção é justamente o uso de camisinha. 4 - A melhor maneira de evitar a contaminação pelo vírus HIV é adotar técnicas de prevenção, incluindo uso de preservativos e redução do risco de exposição Rodrigo Nunes/Ministério da Saúde Hepatite viral Trata-se da inflamação do fígado, causada por vírus e classificada em A, B, C, D e E. Os tipos transmitidos por relação sexual são B, C e D. As hepatites B e D têm como sintomas principais dor abdominal, diarreia, náusea, vômito, intolerância a cheiros, pele e olhos amarelados, urina escura, fezes claras, mal-estar e dor no corpo. O tratamento de ambas é feito com medicamentos antivirais, fundamentais para que a doença não evolua para cirrose e câncer de fígado. Geralmente silenciosa, até que atinja maior gravidade (mais uma vez, cirrose ou câncer), a hepatite C é tratada com antivirais de administração oral. A terapia é realizada de três meses a um ano e tem excelentes chances de cura, passando de 95%. A hepatite B tem vacina, oferecida para crianças (quatro doses; ao nascer, 2,4 e 6 meses) e adultos (três doses a depender da situação vacinal). Quem tem algum tipo de imunodepressão ou o vírus HIV precisa de um esquema especial, com dose em dobro. No caso da C, por não haver vacina, a melhor forma de se prevenir é não compartilhar objetos de uso pessoal e cortantes ou perfurantes (como alicates em salões de manicure), usar preservativo e, ao se submeter a qualquer procedimento, certificar-se de que os materiais usados são esterilizados e os descartáveis não estão sendo reaproveitados. No caso da D, a recomendação é evitar contrair a hepatite B, já que elas estão relacionadas. Herpes genital É provocada pelo vírus do herpes simples (HSV) e gera lesões na pele e nas mucosas dos órgãos genitais masculinos e femininos. Os sintomas começam com ardor, coceira, formigamento e gânglios inflamados. Depois, surgem as bolhas, dolorosas e cheias de líquido. Quando elas estouram, viram feridas, que criam casca e cicatrizam. A doença não tem cura e aparece e desaparece espontaneamente, estando ligada a fatores desencadeantes, como estresse, traumas na região genital, exposição ao sol, alterações hormonais, febre, infecção e uso de certos medicamentos. Também não existe uma droga específica para o seu tratamento. O que se usa, basicamente, são antivirais para reduzir os sintomas e o risco de surto. Fora isso, evitando os gatilhos é possível manter o herpes genital sob controle. Quanto à prevenção, o mais indicado é usar preservativo nas relações sexuais. HIV HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana, causador da Aids, doença que ataca o sistema de defesa do organismo. É bom lembrar que ter o HIV não é a mesma coisa que ter Aids. O Ministério da Saúde comenta que "há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença", mas ainda assim podem transmitir o vírus para outras pessoas. A patologia tem várias fases. A primeira, chamada de aguda, se dá entre duas e quatro semanas após a infecção. Seus sintomas são muito parecidos com os de uma gripe, incluindo febre e mal-estar. O próximo período é o assintomático. Nele, o HIV está ativo, mas reproduz em níveis muito baixos, assim, o paciente pode não apresentar nenhum dos sintomas e nem ficar doente. Com o frequente ataque do agressor, as células de defesa passam a funcionar com menos eficiência até serem destruídas. Os sinais mais comuns nesse estágio são febre, diarreia, suores noturnos e emagrecimento. A fase da infecção, a da Aids propriamente dita, ocorre quando o sistema imunológico está seriamente comprometido, permitindo o aparecimento de doenças oportunistas, como hepatites virais, tuberculose, pneumonia, toxoplasmose e alguns tipos de câncer. A doença não tem cura, mas tem tratamento, com medicamentos antirretrovirais (ARV), que agem inibindo a multiplicação do vírus no organismo e, consequentemente, evitam o enfraquecimento do sistema imunológico. A melhor maneira de evitar a contaminação é a prevenção, incluindo o uso de preservativos e redução do risco de exposição. HPV O HPV (sigla em inglês para Papilomavírus Humano) é um vírus que infecta pele ou mucosas (oral, genital ou anal), tanto de homens quanto de mulheres, e pode causar câncer de boca, esôfago, ânus, pênis, vulva, vagina e colo do útero. Em muitos casos não apresenta sintomas, ficando latente de meses a anos — as manifestações costumam ser mais comuns em gestantes e pessoas com imunidade baixa. O Ministério da Saúde explica que a diminuição da resistência do organismo desencadeia a sua multiplicação e, como consequência, provoca o aparecimento de lesões. Elas se apresentam como verrugas anogenitais (na região genital e no ânus), únicas ou múltiplas, de tamanho variável, achatadas ou papulosas (elevadas e sólidas). Em geral, são assintomáticas, mas é possível haver coceira no local. Há ainda as lesões subclínicas, não visíveis ao olho nu. Essas acometem vulva, vagina, colo do útero, região perianal, ânus, pênis (geralmente na glande), bolsa escrotal e/ou região pubiana. Menos frequentemente, aparecem em áreas extragenitais, como conjuntivas e mucosas nasal, oral e laríngea. O tratamento, cujo objetivo é destruir as feridas, é feito de acordo com suas características, como extensão, quantidade e localização. Ele pode ser químico ou cirúrgico. Às vezes também se faz necessário o uso de estimuladores da imunidade. Vale destacar que esses procedimentos não eliminam o vírus e, por isso, as lesões podem reaparecer. O melhor método de prevenção é a vacina, ressaltando que ela não é um tratamento e não apresenta eficácia contra infecções já existentes. É distribuída gratuitamente pelo SUS e indicada para meninas de 9 a 14 anos, meninos de 11 a 14 anos, pessoas que vivem com HIV na faixa etária de 9 a 26 anos e transplantados na faixa etária de 9 a 26 anos. Além disso, é importante o uso de preservativo e a realização anual, no caso das mulheres, do exame papanicolau. Sífilis Causada pela bactéria Treponema pallidum, apresenta várias manifestações clínicas e diferentes fases. Na primária, o principal sintoma é uma ferida, geralmente única, que aparece entre 10 e 90 dias após o contágio no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus e boca, por exemplo). A lesão não dói, não coça, não arde e não tem pus, e pode ser acompanhada de ínguas (caroços) na virilha. No estágio secundário, as manifestações se dão entre seis semanas e seis meses do surgimento e cicatrização da ferida inicial. Elas incluem manchas no corpo, febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas. A fase seguinte, a latente, é assintomática e dividida em latente recente (menos de dois anos de infecção) e latente tardia (mais de dois anos de infecção). A última é a terciária, que pode surgir de dois a 40 anos depois do início da infecção. Nela, costumam ocorrer lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas. Se não tratada, pode levar à morte. A boa notícia é que a doença tem cura, com aplicação de penicilina benzatina (benzetacil). O uso correto e regular da camisinha feminina e/ou masculina é a medida mais importante de prevenção, e o acompanhamento das gestantes e das parcerias sexuais durante o pré-natal contribui para o controle da sífilis congênita. Tricomoníase Seu causador é o protozoário Trichomonas vaginalis, encontrado com mais frequência na genitália feminina. Na lista de sintomas estão corrimento amarelado, amarelo-esverdeado ou acinzentado, com mau cheiro. Às vezes também ocorre prurido, dor durante a relação sexual e sangramento após e dor ao urinar. Nos homens, costuma ser assintomática, mas pode provocar uretrite, com secreção espumosa ou purulenta. Facilitadora para a transmissão de outros agentes infecciosos agressivos, como gonorreia e clamídia — e, na gestação, quando não tratada, causadora de rompimento prematuro da bolsa —, a tricomoníase é tratada com antibióticos (via oral, creme vaginal ou óvulo). A terapia deve ser realizada pelo casal, independentemente de o parceiro ter ou não sintomas. A prevenção, mais uma vez, é o uso de preservativo. Veja Mais

1 em cada 4 jovens está viciado em celular, aponta estudo britânico

Glogo - Ciência Um estudo realizado por pesquisadores do King's College de Londres afirma que esse comportamento viciante significa que as pessoas ficam 'em pânico' ou 'chateadas' se lhes for negado acesso constante. Dependência dos celulares pode ser descrita como vício, indica pesquisa britânica Getty Images/BBC Quase um quarto dos jovens é tão dependente dos próprios celulares que eles passaram a ser considerados viciados nos dispositivos. Passar muito tempo usando tablets e celulares pode prejudicar crianças pequenas Casos de miopia em crianças aumentam com uso de celulares Um estudo, realizado por pesquisadores do King's College de Londres, afirma que esse comportamento viciante significa que as pessoas ficam "em pânico" ou "chateadas" se lhes for negado acesso constante aos aparelhos. Os jovens também não conseguem, segundo a pesquisa, controlar a quantidade de tempo que passam diante dos smartphones. Para os pesquisadores, esse vício está associado a problemas de saúde mental. O levantamento publicado na BMC Psychiatry analisou 41 estudos anteriores envolvendo 42 mil jovens em investigações sobre o "uso problemático de smartphones". O estudo constatou que 23% tinham comportamento classificável como vício, como ansiedade por não poder usar o telefone, por não conseguir moderar o tempo gasto e passar tanto tempo usando o smartphone que isso prejudicava a realização de outras atividades. Pesquisa 'culpa' comportamento dos pais por crianças aficionadas por celular 'Chegou para ficar' Esse comportamento viciante pode estar ligado a outros problemas, diz o estudo do King's College, como estresse, tristeza, falta de sono e problemas de desempenho na escola. "Não sabemos se é o próprio smartphone que pode ser viciante ou os aplicativos que as pessoas usam", diz Nicola Kalk, um dos autores do relatório e integrante do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência da instituição. "Há, no entanto, uma necessidade de conscientização pública sobre o uso de smartphones por crianças e jovens, e os pais devem estar cientes de quanto tempo seus filhos passam em seus telefones." Segundo Samantha Sohn, coautora do estudo, os vícios "podem ter sérias consequências sobre a saúde mental e o cotidiano". Amy Orben, pesquisadora do setor de Cognição e Ciências do Cérebro da Universidade de Cambridge, afirmou que não é possível determinar uma relação de causa e consequência entre depressão e o uso excessivo de smartphones, por exemplo. "Já foi demonstrado anteriormente que os efeitos dos celulares não são uma via de mão única, mas esse humor (causado pela depressão) pode ter um impacto na quantidade de uso de smartphones também", disse Orben. Veja Mais

França e Alemanha avançam para proibir 'cura gay', em meio a alta da homofobia

Glogo - Ciência Desde que o Parlamento Europeu adotou texto para incentivar proibição da prática, apenas Malta e algumas regiões da Espanha criminalizaram as chamadas 'terapias de conversão'. Já faz um ano e meio que o Parlamento Europeu adotou um texto para incitar os países membros a proibirem as práticas de “cura gay” no bloco. Entretanto, até hoje apenas a pequena ilha de Malta transformou a questão em delito, além de algumas comunidades autônomas espanholas, como Valência. França e Alemanha preparam projetos de lei para incriminar a chamada “terapia de conversão”. Na França, a deputada centrista Laurence Vanceunebrock-Mialon, ex-policial, assumiu o comando desse combate, depois de tomar conhecimento sobre o quanto as sessões de suposta cura da homossexualidade, inclusive por exorcismo, são frequentes no país. Essas sessões são promovidas por alas ultraconservadoras da Igreja Católica ou por grupos evangélicos pentecostais. Desde o início de novembro, uma comissão de investigação parlamentar criada para identificar a realidade da situação na França ouve supostos terapeutas e vítimas. “Essas práticas não só existem como estão se desenvolvendo”, disse Timothée de Rauglaudre, jornalista e escritor, coautor de Dieu est Amour (“Deus é Amor”, em tradução livre). Durante mais de um ano, Rauglaudre e o também jornalista Jean-Loup Adénor se infiltraram nos dois principais grupos de “cura gay em atuação na França, Courage e Torrents de Vie. As imagens da apuração se tornaram um documentário, Homothérapies – Guérisons forcées (Homoterapias: curas forçadas”, em tradução livre), de Bernard Nicolas, que causa polêmica no país. “A sessão se inspira nos Alcoólicos Anônimos. Os encontros começam com ‘Bom dia, me chamo Fulano e tenho atração por pessoas do mesmo sexo’”, relatou Adénor, em sua audiência na Assembleia francesa. “Eu perguntei se eu tinha chances de voltar a ser hétero e me responderam, um pouco embaraçados, que sim.” 'Gritos horríveis' em exorcismo Em um dado momento, Adénor é convidado a participar de uma semana de “terapia intensiva” em uma localidade remota da França. Foi quando o jornalista ouviu a realização de um exorcismo para “reverter” a homossexualidade de uma mulher. “Eram gritos horríveis. A equipe veio imediatamente me ver e dizer para eu não me preocupar, porque ‘quando o Cristo tira um demônio de um corpo, não é para ir morar em outro’”, conta o repórter. A atividade não é ilegal, mas tolerada. A associação David & Jonathan, formada há quase 50 anos por LGBTs cristãos, afirma que as “curas gays” realizam atividades dissimuladas, sob a forma de “acompanhamento” ou “ajuda à construção da identidade”, com um viés de consulta psicológica – no entanto, não conta nem com psicólogos, nem psiquiatras. Os fiéis que se sentem desconfortáveis em assumir a homossexualidade, com frequência praticantes, são os mais suscetíveis a procurar o serviço, em geral voluntariamente. Essa atuação velada faz com que o problema seja ignorado pela maioria dos países e tolerado pela igreja. Com o título 'as terapias de conversão em questão', jornal católico francês 'La Croix' fez um balanço sobre 'terapias de cura gay', consideradas 'abusivas' Fotomontagem RFI Posição da igreja “Ainda hoje, o catecismo diz que os ‘atos homossexuais são intrinsecamente desordenados’, e isso estimula a existência dessas terapias de conversão”, comenta Cyrille de Compiègne, porta-voz da entidade. Desde 1990, a homossexualidade não é mais considerada uma patologia pela OMS (Organização Mundial da Saúde) – portanto, a palavra “cura” é inadequada. “Enquanto houver uma condenação da homossexualidade pela igreja católica, haverá pessoas que utilizarão isso para convencer outras, fiéis praticantes, de que elas podem ‘entrar na norma’ da sociedade.” Modelo americano de 'libertação' Associada ao Fórum Europeu dos Grupos Cristãos LGBT, a David & Jonathan avalia que o aumento do populismo de extrema direita na Europa fez com que, em muitos países, em especial do leste europeu, a alta da homofobia se transformasse em terreno fértil para novas práticas de “cura gay”, inspiradas no modelo evangélico americano. “Não há necessariamente um aumento das terapias de conversão, mas há uma reconfiguração, importada dos Estados Unidos, com os evangélicos que vêm dos Estados Unidos e praticam sessões de culto de libertação”, relata Compiègne. Em setembro, o governo da Suíça se recusou a criminalizar as terapias de conversão, embora considere este tipo de tratamento ilegal. “Toda terapia que tenha o objetivo de modificar uma orientação homossexual é rejeitável do ponto de vista humano, cientifico e jurídico. A homossexualidade não é uma doença e não necessita qualquer terapia”, argumentou o Conselho Federal, acrescentando que, por não ser tipificada como um crime, não pode ser condenada. Já a Alemanha, a exemplo da França, está com o assunto na pauta. O ministro conservador Jens Spahn, homossexual assumido, prometeu apresentar até o fim do ano um projeto de lei sobre a questão. “Desejo a proibição dessas terapias, porque a homossexualidade não é uma doença, portanto não precisa de tratamento”, frisou, em julho. Veja Mais

6 FATOS SOBRE FOBIAS ESPECÍFICAS

6 FATOS SOBRE FOBIAS ESPECÍFICAS

 Minutos Psíquicos Conheça hoje alguns fatos sobre um dos transtornos mentais mais comuns: as fobias específicas. Essa é a nossa playlist com todos os vídeos ligados a ansiedade: https://www.youtube.com/playlist?list=PLz9YPnVwCgDnS0G7xr1HqZvAh_UqxafDn MEDO E FOBIA: https://youtu.be/5FhPe6Z5SEE Ansiedade: https://youtu.be/Tv0gJTBmVuc Fobia social: https://youtu.be/Uf5Bx-Zwlik Ansiedade generalizada: https://youtu.be/Gl7Xc6QqHU4 Trauma: https://youtu.be/zd8dvHHfCF0 Pânico: https://youtu.be/Q1j3zobrNYE Agradecimento especial aos nossos apoiadores no YouTube, no Patreon e no APOIA.SE: Mathias Gheno Azzolini Marco Aurélio Roncatti Eloa Gabriele Paulo André Batista Araújo Daniel Francener Marcia V Pinto Carlos Henrique Oliveira Elisangela de Moura Gonçalves Carla Nascimento Renan Fernandes Vinícius Xavier do Amaral Mathias Gheno Azzolini Uriel Marx Jose Caetano Fernando da Silva Trevisan Victor Augusto Martins Ribeiro Ingrid Philigret Inoue Elisangela Da Silva Cláudio Toma Monique Aguilar Estefânia Dias Jussara Robson Túlio Furtado Rodrigues Inês Cozzo Olivares Nildson de Avila Thaís Amaral do Canto Sanderson Quixabeira Da Silva Nildson de Avila Silva Integrity Assessoria em Auditoria e Compliance Kaissés Costa Sedrês Raquel Alves de Sene Josue Spier do Nascimento Guinevere Ingrid Barcellos Soares Odair Silva Carmen Adell Gordinho 90 Luciana Xavier Felipe Gandra Katyanne Melo Kleber Pereira de Souza Caio Henrique Cupertino Guarido Karen Castro Safira Atiele Pereira Cunha Maneirinho Diniz Eduardo Valença Mateus Mtsl Marisa Silva Danielle Lima Lucas Aciole Gustavo Barros ERICA VITORIA DE SOUZA FAGUNDES Juliana Belko Barros Jorge Gomes John Darceno Maria Betânia Ferreira Itamar Koling Bruno Andrade Silva Gustavo de Brito Gomes Itamar Koling Tania Cristina Gomes Molinari Cíntia da Silva Pereira Pedro Lucas dos Santos Você pode apoiar a gente no Patreon: http://www.patreon.com/minutospsiquicos Ou no APOIA.se: https://apoia.se/minutospsiquicos Ou no YouTube (clica no botão "SEJA MEMBRO" logo abaixo do vídeo ou no link a seguir): https://www.youtube.com/channel/UCFiEI1kDHlO9UQtxx0wj-XA/join Se gostou do vídeo, curta, compartilhe ele com mais pessoas e inscreva-se no nosso canal! Siga as páginas do Minutos Psíquicos nas redes sociais para acompanhar os próximos vídeos e falar com a gente: Facebook: https://www.facebook.com/minutospsiquicos/ Twitter: https://twitter.com/minutopsiquicos Instagram: https://www.instagram.com/minutospsiquicos/ Créditos Pesquisa, roteiro e narração: André Rabelo (http://minutospsiquicos.com/) Edição: Lucas Carvalho (https://www.instagram.com/lucascarvc_/) Ilustração: Pedro Tavares (Chicão) (https://www.facebook.com/pfranciscotavares/?fref=ts) Música: Trespass - Gunnar Olsen Shoulder Closures - Gunnar Olsen Para ver nossas referências e mais informações sobre o tema do vídeo, como artigos, livros e materiais de referência, acesse: http://www.minutospsiquicos.com/2019/11/28/video-novo-6-fatos-sobre-fobias-especificas/ #medo #fobia #ansiedade Veja Mais

Por que é TÃO DIFÍCIL para um adulto aprender um novo idioma? | Minuto da Terra

Por que é TÃO DIFÍCIL para um adulto aprender um novo idioma? | Minuto da Terra

 Minuto da Terra Por que crianças tem mais facilidade em aprender coisas novas? Aprender um novo idioma depois de adulto é mais difícil do que quando criança, mas NÃO pelo motivo que você tá pensando! Contato: leonardo@escarlatte.com Ajude o Minuto da Terra a continuar existindo por apenas R$ 7,99 por mês! https://www.youtube.com/channel/UCB0zinWfy-dS_NqcOINYo3A/join Quer aprender mais sobre esse assunto? Vamos lá! - Aquisição de segundo idioma: o processo de um idioma que não é o idioma nativo do falante. - Bilinguismo: a capacidade de falar e entender dois idiomas. - Modelo de Monitor: Um grupo de hipóteses que propõem que a competência linguística só é avançada quando a linguagem é subconscientemente adquirida. - Sociolinguística: é o ramo da linguística que estuda a relação entre a língua e a sociedade. É o estudo descritivo do efeito de qualquer e todos os aspectos da sociedade, incluindo as normas culturais, expectativas e contexto, na maneira como a língua é usada, e os efeitos do uso da língua na sociedade. - Investimento linguístico: uma motivação para aprender um idioma com base no entendimento de que o falante adquirirá uma gama mais ampla de recursos simbólicos e materiais, o que, por sua vez, aumentará o valor de seu capital cultural e poder social. - Hiperpoliglota: Uma pessoa que pode falar e entender mais de seis idiomas. Patrocine o Minuto da Terra! https://apoia.se/minutodaterra Faça uma doação e ajude o canal a crescer: http://bit.ly/doarMDT Vídeo anterior: Como a vida moderna faz com que o nosso corpo se ataque? https://www.youtube.com/watch?v=L-Af0Tuzf0k Vídeo original: Why Are Adults Bad At New Languages? https://www.youtube.com/watch?v=gTgbDXYG_OY Tradução e dublagem: Leonardo Gonçalves Souza Edição de vídeo: Ricardo Gonçalves Souza Tradução oficial e autorizada do canal Minute Earth, criado por Henry Reich: http://www.youtube.com/user/minuteearth Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne os divulgadores de ciência mais confiáveis do Brasil. Conheça-os em https://youtube.com/c/sciencevlogsbrasil Fontes (em Inglês) Hartshorne, J., Tenenbaum, J. e Pinker, S. (2018). Um período crítico para a aquisição de um segundo idioma: evidências de 2/3 milhões de falantes de inglês. Conhecimento. 177: 263-277. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0010027718300994 Bigelow, M. e Tarone, E. (2004). O papel do nível de alfabetização na aquisição de segunda língua: quem estudamos não determina o que sabemos? TESOL Trimestralmente. 38 (4): 689-700. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/3588285?seq=1 Darvin, R. e Norton, B. (2015). Identidade e um modelo de investimento em linguística aplicada. Revisão Anual de Linguística Aplicada. 35: 36-56. Obtido em: https://www.cambridge.org/core/journals/annual-review-of-applied-linguistics/article/identity-and-a-model-of-investment-in-applied-linguistics/91EE4C7572272B233A16286768E0E5B8 Pierce, B. (2015). Identidade social, investimento e aprendizado de idiomas. TESOL Trimestralmente. 29 (1): 9-31. Recuperado em: https://www.jstor.org/stable/3587803?seq=1 Derakshan, A. (2015). A interferência da aquisição da primeira língua e da segunda língua. Teoria e Prática em Estudos da Linguagem. 5 (10): 2112-211. Recuperado em: https://www.researchgate.net/publication/283524046_The_Interference_of_First_Language_and_Second_Language_Acquisition Rao, P. e Knaus, E. (2008). Evolução dos fármacos anti-inflamatórios não esteróides (AINEs): Inibição da ciclo-oxigenase (COX) e além. Journal of Pharmaceutical Science. 11 (2): 81-110. Recuperado em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19203472 Bigelow, M. (2019). Comunicação pessoal. Departamento de Currículo e Instrução. Universidade de Minnesota. Paesani, K. (2019). Comunicação pessoal. O Centro de Pesquisa Avançada em Aquisição de Idiomas. Universidade de Minnesota. Veja Mais

Governo autoriza mais 57 agrotóxicos, sendo 2 inéditos; total de registros em 2019 chega a 439

Glogo - Ciência Com o anúncio, número de registros chega próximo aos 450 novos agrotóxicos autorizados em 2018, até então o maior número da série histórica, iniciada em 2005. Aplicação de agrotóxicos Agência Brasil O Ministério da Agricultura publicou nesta quarta-feira (27) a autorização do registro de mais 57 agrotóxicos. Já são 439 novos produtos liberados em 2019, permanecendo como o maior ritmo de liberação da história.. Por que a produção de alimentos depende tanto de agrotóxicos? LISTA: os agrotóxicos mais vendidos no Brasil e como eles agem Como reduzir a ingestão de resíduos Do total liberado nesta quarta, são 55 genéricos de princípios ativos já autorizados no Brasil e 2 produtos inéditos (um biológico e outro com baixa toxicidade). Segundo o ministério, entre os pesticidas genéricos que tiveram o registro publicado hoje, 12 são produtos biológicos ou orgânicos, que podem ser usados tanto na agricultura orgânica quanto na tradicional. Um dos genéricos autorizados tem como ingrediente ativo o glifosato, o agrotóxico mais vendido no mundo e que está sendo questionado ao redor em outros países por uma possível relação com o câncer. Na União Europeia, a Áustria e Alemanha, decidiram bani-lo. De acordo com o governo, o objetivo da aprovação de produtos genéricos é aumentar a concorrência no mercado e diminuir o preço dos defensivos, o que faz cair o custo de produção. Com o anúncio desta quarta-feira, o número de registros chega próximo aos 450 novos agrotóxicos autorizados em 2018, até então o maior número da série histórica, iniciada em 2005. No mesmo período do ano passado, o governo havia registrado 374 agrotóxicos. Produtos novos Entre as novidades anunciadas pelo Ministério da Agricultura, está um defensivo agrícola biológico à base da vespa Telenomus podisi, que poderá ser usado na agricultura brasileira para combater o percevejo marrom, uma importante praga da cultura de soja. “O percevejo marrom é uma praga de grande importância na cultura da soja, que só contava com opções químicas para o seu controle. Esta vespa parasita ovos do percevejo marrom favorecendo uma diminuição populacional da praga e aumentando o número de inimigos naturais no campo”, explicou, em nota, o coordenador de Agrotóxicos do Ministério da Agricultura, Carlos Venâncio. Outro novo agrotóxico aprovado é um produto de baixa toxicidade formulado à base de óleo de casca de laranja, que poderá ser usado para combater o pulgão em pequenas culturas como alface. Como funciona o registro O aval para um novo agrotóxico no país passa por 3 órgãos reguladores: Anvisa, que avalia os riscos à saúde; Ibama, que analisa os perigos ambientais; Ministério da Agricultura, que analisa se ele é eficaz para matar pragas e doenças no campo. É a pasta que formaliza o registro, desde que o produto tenha sido aprovado por todos os órgãos. Tipos de registros de agrotóxicos: Produto técnico: princípio ativo novo; não comercializado, vai na composição de produtos que serão vendidos. Produto técnico equivalente: "cópias" de princípios ativos inéditos, que podem ser feitas quando caem as patentes e vão ser usadas na formulação de produtos comerciais. É comum as empresas registrarem um mesmo princípio ativo várias vezes, para poder fabricar venenos específicos para plantações diferentes, por exemplo; Produto formulado: é o produto final, aquilo que chega para o agricultor; Produto formulado equivalente: produto final "genérico". Acompanhe a cobertura de Agronegócios do G1 Initial plugin text Veja Mais

'Minha mãe tem síndrome de Down'

Glogo - Ciência Hoje, quase 30 anos após Izabel Rodrigues ter se tornado mãe, os parentes ainda se surpreendem por ela ter conseguido criar a filha: 'Eles ficam admirados por ela ter dado conta de cuidar de mim'. Foto tirada na colação de grau da Cristinna, em fevereiro deste ano Arquivo pessoal/BBC Nas fotografias da colação de grau da atendente Cristinna Maria da Silva, o largo sorriso da mãe dela, a dona de casa Izabel Rodrigues, de 66 anos, se destaca. A alegria da idosa demonstra o orgulho que ela sentiu ao ver a única filha concluir o ensino superior. Junto delas e com um sorriso tímido, o pai de Cristinna, o aposentado José Ribeiro, de 78 anos, também demonstrou felicidade com a conquista da filha, que se formou em Administração. Síndrome de Down não é doença: entenda Conheça a história de pessoas que vivem sem se preocupar com limitações ou preconceito A conclusão do ensino superior foi algo distante para os pais de Cristinna, que cresceram na região rural do pequeno município de Morrinhos (GO) — hoje a família vive na área urbana da cidade. Eles estudaram somente até as primeiras séries do ensino fundamental. O diploma de Cristinna foi também uma conquista para a mãe dela. Izabel tem síndrome de Down e um dos principais desafios que enfrentou na vida foi provar para os parentes que seria capaz de criar a filha. Muitos duvidavam que a mulher, que tinha amigos imaginários e parecia alheia a tudo, poderia cuidar de uma criança. A síndrome de Down de Izabel foi descoberta somente quando ela tinha 35 anos. A idosa, que é a caçula de 19 filhos, passou parte da vida sendo considerada pelos familiares como alguém que vivia "no mundo da lua". No passado, parentes e conhecidos não desconfiavam que ela pudesse ter uma alteração genética. Para eles, tratava-se do jeito dela. Para provar que conseguiria criar a filha, Izabel foi uma mãe extremamente cuidadosa. "Sempre que eu me sujava, ela corria para me limpar. Mesmo que estivesse perto da lama, com as outras crianças sujas, eu sempre estava limpa", diz Cristinna, hoje com 29 anos. "Ela era a minha bonequinha. Cuidei muito bem dela. Ela era um xodó para mim", conta Izabel, que é de poucas palavras, mas sempre está sorridente. Modelo brasileira com síndrome de Down é capa de revista australiana Hoje, quase 30 anos após a dona de casa ter se tornado mãe, os parentes ainda se surpreendem por ela ter conseguido criar a filha. "Eles ficam admirados por ela ter dado conta de cuidar de mim", comenta Cristinna. A síndrome de Down Izabel nasceu por meio de uma parteira, que era responsável pelos nascimentos dos bebês da região rural de Morrinhos. Na infância, demorou mais que os outros irmãos para aprender a falar e a andar. "Percebiam que ela era mais lenta que os outros, mas achavam que não era nada. Pensavam que era preguiça dela", diz Cristinna. Desde pequena, a idosa tem dificuldades de compreensão. Logo nos primeiros anos da escola, os pais decidiram retirá-la de lá, porque ela tinha extrema dificuldade de aprendizado. Izabel sabe ler e escrever muito pouco. Desde o início do casamento, Izabel e José queriam ter filhos Reprodução/Alex Duarte/BBC Na adolescência e no início da vida adulta, os parentes notaram que Izabel tinha atitudes diferentes. "Por um período, a minha mãe trabalhou. Ela falava que ia ao banheiro, mas quando iam atrás dela, ela estava no pomar, brincando com amigos imaginários. Diziam que ela não era certa da cabeça", conta Cristinna. Aos 25 anos, Izabel começou a namorar com José Ribeiro. Eles são primos de segundo grau e moravam em regiões próximas. Com cerca de seis meses de namoro, ele pediu permissão para se casar com ela. "Alguns dos meus tios não queriam deixar a minha mãe se casar, porque falavam que ela não era muito certa. Mas a minha avó permitiu." Desde o início do casamento, Izabel e José queriam ter filhos. Dez anos depois, parentes do casal levaram a mulher ao médico, para descobrir o motivo de ela não conseguir, até então, engravidar. "Nessa consulta, o médico descobriu a síndrome de Down da minha mãe. Ele disse que ela nunca poderia ter filhos, porque pessoas assim são inférteis", diz Cristinna. A síndrome de Down é uma alteração genética caracterizada pela presença de três cromossomos 21 nas células do indivíduo. Aqueles que possuem a síndrome têm, ao todo, 47 cromossomos nas células, enquanto a maior parte da população tem 46. No Brasil, estima-se que haja cerca de 300 mil pessoas com a trissomia do cromossomo 21, como também é conhecida a síndrome de Down. Em todo o mundo, estudos apontam que um a cada 700 mil bebês nascidos vivos possui a característica genética. Uma das características da síndrome é a infertilidade. Estudos apontam que metade das mulheres que possuem a alteração genética são inférteis. Entre os homens com a síndrome, a infertilidade chega a atingir 80% deles. Apesar do prognóstico desanimador, Izabel conseguiu engravidar meses após descobrir a síndrome. "Foi uma grande felicidade descobrir que ela estava grávida", comenta José. Há considerável possibilidade de que o bebê de uma pessoa com síndrome de Down nasça com a mesma característica genética. Em casos de mãe e pai com a síndrome, as chances de a criança ter a alteração genética chegam a 80%. No caso de Izabel e José, como somente ela possui a síndrome de Down, as chances de a criança ter a mesma característica eram de 50%. Apesar da possibilidade considerável, Cristinna nasceu sem nenhuma alteração genética. Casos de filhos de pai ou mãe com síndrome de Down que nascem sem a alteração genética são considerados incomuns. O nascimento da filha Desde o início da gravidez, os parentes de Izabel tinham receio sobre a capacidade dela para cuidar de um bebê. Em razão disso, logo após o nascimento de Cristinna, uma irmã da dona de casa a auxiliou nos cuidados com a recém-nascida. "Os meus tios não queriam deixar a minha mãe sozinha comigo e decidiram que alguém precisava acompanhá-la nos primeiros dias, depois que ela saísse do hospital. Essa minha tia, que já tinha filhos, ficou na minha casa durante o meu primeiro mês de vida. Depois ela foi embora, porque a minha mãe já tinha aprendido o que tinha que aprender", relata Cristinna. "Meu pai passava o dia trabalhando, então ficávamos eu e a minha mãe. Ela é muito determinada quando quer alguma coisa e sempre quis mostrar que poderia cuidar de mim. Ela teve muita capacidade para me criar", declara. Casamento de Izabel e José Reprodução/Alex Duarte/BBC Uma das grandes dificuldades enfrentadas pelas pessoas com síndrome de Down é a crença de que são incapazes. Apesar da deficiência intelectual, que pode se manifestar em diferentes níveis, especialistas orientam que é importante estimular o desenvolvimento dessas pessoas para que elas possam se tornar cada vez mais independentes. "Hoje, a deficiência intelectual e as dificuldades de desenvolvimento das pessoas com síndrome de Down são condições acolhidas de forma melhor pela sociedade. Mas a gente percebe que muitas pessoas não querem que o indivíduo com síndrome de Down se desenvolva, porque têm a crença de que serão eternas crianças", afirma a neuropsicóloga Karyny Ferro, que atua no Instituto Jô Clemente (antiga Apae de São Paulo). "A deficiência intelectual é uma questão genética. Mas existe uma questão social. É importante que as pessoas tratem o indivíduo com Down conforme a idade cronológica dele, para que culturalmente ele consiga lidar com a autoimagem, porque querendo ou não, é uma pessoa que está envelhecendo", acrescenta. Especialistas frisam que uma pessoa com síndrome de Down pode ser capaz de criar um filho. Em alguns casos, pode necessitar de maior apoio externo, mas é fundamental que não menosprezem a capacidade daquele indivíduo e estimulem a independência. Questões referentes à autonomia e desenvolvimento de uma pessoa com síndrome de Down tornam-se ainda mais importantes atualmente. Isso porque a expectativa de vida deles, que em décadas atrás era de 35 anos, hoje corresponde a, aproximadamente, 63 anos. Entre os pontos de desenvolvimento de pessoas com a síndrome de Down, o geneticista e pediatra Zan Mustacchi ressalta a importância de entender que esses indivíduos podem ter uma vida sexual comum. Ele afirma que é fundamental falar sobre sexualidade com eles. "O problema é que a sociedade não assumiu esse tipo de abertura. Dizem que por eles terem dificuldades intelectuais, não podem ter uma vida sexual. Isso faz com que esse indivíduo seja despreparado e, consequentemente, possa até sofrer abusos. A sexualidade deles é comum, como qualquer outra", pontua Mustacchi. Especialistas afirmam que para que o indivíduo com síndrome de Down tenha uma vida produtiva e inclusiva em todos os aspectos, é preciso haver apoio dos familiares e de diferentes profissionais, como fonoaudiólogo e psicólogo. Uma mãe extremamente zelosa Diferente do que costuma ser orientado por especialistas, Izabel nunca teve nenhum tipo de acompanhamento em razão da síndrome de Down. "Ela nunca procurou ajuda ou quis algum acompanhamento, até porque a gente mora em uma cidade pequena. Ela diz que esse diagnóstico não mudou em nada a vida dela", conta Cristinna. A síndrome de Down não afetou a criação que recebeu da mãe, afirma Cristinna. "Ela sempre foi muito amorosa e cuidadosa. Muita gente me pergunta qual é a diferença em ter uma mãe com síndrome de Down, mas para mim isso nunca mudou nada." Os pais e Cristinna quando era bebê Reprodução/Alex Duarte/BBC "Sempre cuidei muito bem da minha filha. Eu a levava e buscava na escola. Gostava muito de passear com ela", diz Izabel. Um dos poucos momentos em que Cristinna se viu com medo em relação à alteração genética da mãe foi durante a adolescência. "Eu estava na sétima série. Estávamos estudando sobre cromossomos e uma professora explicou sobre a síndrome de Down. Na época, eu desconhecia sobre o assunto e disse que minha mãe tinha. Nisso, minha professora garantiu que a minha mãe não tinha, porque as pessoas com essa síndrome são inférteis." "Eu fiquei abalada, porque comecei a pensar que pudesse ser adotada. Procurei meu tio, que tinha me falado sobre a síndrome, e ele me mostrou fotos da minha mãe grávida. Até falei com um médico da cidade e ele também me disse que, apesar de ser incomum uma pessoa com síndrome de Down ter filhos, eu era filha da minha mãe", relembra. Os netos Há alguns anos, Cristinna deixou a casa dos pais para morar com o marido. Hoje, ela é mãe de dois garotos, de seis e 10 anos, e está grávida de seis meses. A atendente se recorda que o primeiro momento em que duvidou da capacidade da mãe, em razão da síndrome de Down, foi logo após o nascimento do primogênito. "Eu não deixei que ela desse banho no meu filho nos primeiros meses dele, porque fiquei pensando que ela não fosse capaz. Para que ela não ficasse magoada, também não deixei que a outra avó fizesse isso. Eu mesma dei os banhos nele", diz. Cristinna confessa que se arrependeu da atitude. "Eu fiquei pensando: a minha mãe conseguiu cuidar de mim e me deu banho sozinha. Por que não conseguiria fazer isso com meu filho? Então, quando tive meu segundo filho, o primeiro banho, fora do hospital, foi dado por ela. Foi uma forma de me redimir", conta. Atualmente, Izabel cuida dos netos durante o período da manhã, enquanto a filha trabalha. "Ela é uma avó muito carinhosa", comenta Cristinna. Olhar Em Pauta: Jovem dedica diploma de odontologia para pai com síndrome de Down na Síria 'Fiz questão de dar esse orgulho para eles' Izabel e José moram na mesma casa, em um conjunto habitacional de Morrinhos, há mais de 30 anos. Hoje, vivem com a aposentadoria do idoso, que é um salário mínimo, e com a renda de tapetes que fazem para vender. "O dinheiro deles é escasso, mas nunca passaram necessidade. Eu ajudo quando eles precisam de algo. Como a família deles é muito grande, sempre ajuda também", conta Cristinna. "Nós tentamos aposentar a minha mãe por invalidez, mas não conseguimos, porque a Justiça alega que o benefício só pode ser concedido se a renda familiar for inferior a 1/4 do salário mínimo por pessoa. Como ela é casada com o meu pai e eles têm o salário mínimo dele, o juiz entendeu que a renda dela é maior que 1/4", diz Cristinna. Segundo ela, o caso segue na Justiça. A preocupação de Cristinna com Izabel e José é constante. Ela conta que desde criança soube que teria que ter muito cuidado com eles. "Os meus tios sempre falaram que vim ao mundo para ajudar os meus pais." Ao relembrar tudo o que viveu com os pais até hoje, ela cita que um dos momentos mais importantes foi o dia da sua colação de grau, em fevereiro deste ano. Orgulhosos, Izabel e José posaram para diversas fotos ao lado da filha. O momento especial causou comoção em parentes ao ser compartilhado por Cristinna nas redes sociais. "Uma prima, muito mais velha que eu, comentou que ninguém acreditava que meus pais dariam conta de cuidar de mim, muito menos de me formar. Ninguém nunca acreditou que eles fossem capazes. Mas fiz questão de dar esse orgulho para eles." Veja Mais

Futebol x ataques cardíacos: entenda em quais casos as fortes emoções de um jogo podem até levar à morte

Glogo - Ciência Cardiologistas explicam porque partidas emocionantes podem ser gatilhos para infarto e AVC. Após título do Flamengo na Libertadores, dois torcedores morreram por problemas cardíacos. Termina o primeiro tempo entre River e Flamengo Jorge Soares / G1 Eventos que provocam grande estresse emocional são considerados gatilhos para doenças do coração, como infarto, AVC e arritmia. Neste final de semana, dois torcedores do Flamengo morreram em decorrência de problemas cardíacos após o time conquistar o título da Copa Libertadores da América no sábado (24). Mas, afinal, por que torcedores morrem do coração? No Ceará, torcedor infarta e morre no gol da virada do Flamengo sobre o River Motorista de ônibus do Mato Grosso morre ao comemorar gol do Flamengo As fortes emoções, como as causadas por uma partida de futebol, levam a uma grande descarga de adrenalina no corpo, segundo o médico José Francisco Kerr Saraiva, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). É essa adrenalina que aumenta a frequência cardíaca, a pressão arterial e a força de contração do músculo cardíaco e pode desencadear problemas do coração. Além disso, o estresse pode provocar arritmias cardíacas e promover uma espécie de reação inflamatória no interior das artérias que favorece a formação de coágulos de sangue e de gordura pré-existente. "Quando esse aumento de batimentos e de pressão acontece em um indivíduo saudável, o normal é que ele seja tolerável. No entanto, em idosos ou em pessoas com histórico de doença cardíacas, pode aumentar a incidência de infartos, inclusive fatais", explica José Saraiva, cardiologista. Rubro-negros cantam e comemoram chegada do Flamengo na final da Libertadores Jorge Soares / G1 As respostas do organismo ao estresse emocional dependem também da liberação de hormônios cerebrais. A concentração desses hormônios costuma variar de acordo com o grau de emoção experimentado pelo indivíduo, ou seja, aspectos como a importância do jogo, a rivalidade do adversário e o resultado da partida podem ter grande influência nos efeitos do estresse sobre o corpo. Para Leopoldo Piegas, coordenador do Programa de Infarto Agudo do Miocárdio no hospital HCor, a alimentação rica em gordura e sódio e o consumo de bebida alcoólica, que costumam acompanhar partidas de futebol, também favorecem a ocorrência de problemas cardíacos. Futebol aumenta infartos Pesquisadores brasileiros analisaram o número de internações no Sistema Único de Saúde (SUS) em decorrência de doenças do coração e descobriram que os jogos da Copa do Mundo estão associados a um aumento de 4% a 8% na ocorrência de infarto entre brasileiros. O estudo analisou as internações no SUS no período de maio a agosto de 1998 a 2010 e comparou a incidência de infarto e óbito entre os dias sem copa, dias de copa sem jogos do Brasil e dias de jogos do Brasil. A conclusão foi que a Copa do Mundo e, especialmente, os jogos da seleção brasileira, implicam maior incidência de infarto agudo do miocárdio na população. Outro estudo, realizado na Copa do Mundo da Alemanha de 2006, revelou um aumento de 3,26 vezes no número de emergências por causas cardiovasculares nos homens e 1,82 vezes nas mulheres durante o período. Os dados mostram que o aumento foi ainda maior quando os jogos eram dos anfitriões ou quando definidos nos pênaltis. A análise foi feita com moradores de Munique, uma das cidades sede do evento de 2006. "Ver uma partida de futebol estressante mais do que duplica o risco de um evento cardiovascular agudo. Em vista desse risco excessivo, principalmente em homens com doença cardíaca conhecida, são urgentes medidas preventivas", conclui o estudo realizado na Alemanha. No entanto, os médicos destacam que o estresse causado pelo esporte só costuma afetar pessoas que já têm problemas cardíacos prévios. "O esporte e a emoção por si só causam infarto? Não. Normalmente as pessoas que vão a uma partida de futebol e sofrem um infarto depois de uma situação de estresse violento já têm a doença cardíaca antes", afirma Leopoldo Piegas, cardiologista do Hcor. Torcedores lamentam derrota do Brasil por 2x1 para a Bélgica e eliminação da Copa do Mundo no Vale do Anhangabaú, em São Paulo Celso Tavares/G1 Recomendações para torcedores O aumento no risco de problemas cardiovasculares durante jogos de futebol é conhecido dos médicos e comprovado por meio de estudos científicos. Por isso, cardiologistas aconselham que os torcedores sigam algumas dicas para evitar que o futebol se torne uma fonte de sustos. "A minha primeira recomendação é que a pessoa não se deixe levar pela emoção. Futebol é pra gente brincar, não pra gente morrer do coração", afirma o cardiologista José Francisco Kerr Saraiva. Para ele, torcedores fanáticos devem se preparar para assistir um jogo importante. "Quando alguém quer começar a praticar um esporte, como corrida, por exemplo, é importante fazer uma avaliação cardiológica. A mesma coisa vale para quem é torcedor roxo e tem diabetes ou hipertensão: tem que fazer um check-up antes de viver uma situação de estresse", defende Saraiva. Leopoldo Piegas, do HCor, avalia que o ideal é evitar situações de estresse quando há propensão para problemas cardíacos. "Você não recomenda a um flamenguista que já teve um infarto ir assistir uma partida do Flamengo contra o River Plate. Não é bom isso aí. A não ser que ele seja um torcedor muito frio, porque a emoção aflora", afirma Piegas. Outras dicas dos médicos para os torcedores são: Evite beber álcool durante as partidas Prefira petiscos saudáveis ao invés de alimentos com alto teor de gordura e sódio Evite fumar Pratique atividades físicas para preparar o coração para fortes emoções Se tiver problemas cardíacos ou pressão alta, assista o jogo em ambientes tranquilos Não se exponha ao sol durante o jogo Os médicos destacam ainda alguns sintomas que surgem durante as partidas e devem servir de alerta para que os torcedores procurem acompanhamento médico: Palpitação Formigamento Falta de ar Dor no peito Sensação de coração disparando Suor excessivo Náuseas Tontura forte Bombou no Bem Estar: infarto Veja Mais

Geração de jovens que quer beber menos impulsiona mercado de cervejas sem álcool

Glogo - Ciência No Reino Unido, multiplicam-se os estilos e cresce o número de cervejarias artesanais especializadas apenas nessa categoria. Becky Kean e o cunhado Andrew Keresey decidiram apostar nos rótulos sem álcool para que o pai dela, alcoólatra em recuperação, pudesse tomar uma boa cerveja BBC Se a britânica Becky Kean quiser algum dia organizar uma festa com álcool em sua cervejaria, ela vai ter que comprar bebidas em algum outro lugar. Isso porque a empresa da jovem, a Nirvana Brewery, localizada em Londres, só produz cervejas sem álcool. No cardápio há sete tipos deferentes da bebida, de pale ale a stout, até uma com chá verde. Nenhuma delas, entretanto, capaz de deixar os clientes bêbados. Um década atrás, bares como o Nirvana talvez fossem incompreendidos ou ridicularizados. Sim, a cerveja sem álcool existe há bastante tempo - uma das pioneiras, a Kaliber, da cervejaria Guinness, foi lançada em 1986 -, mas costumavam vender pouco e, por isso, não chegavam a ganhar destaque no portfólio das marcas. Em geral, elas eram do estilo pale lager, de um dourado pálido, e não muito agradáveis ao paladar dos bebedores - que quase sempre se restringiam ao motorista da rodada ou a grávidas. Mas tudo isso mudou nos últimos anos, diante de um aumento expressivo no volume de cervejarias artesanais dos dois lados do Atlântico e do crescimento no número de pessoas que decidem beber menos ou eliminar completamente o álcool da vida. Essa combinação permitiu que se multiplicassem nos últimos anos os rótulos de cervejas com baixo teor alcoólico ou sem álcool de diferentes estilos. A tendência aparece nos indicadores de vendas. Segundo a consultoria britânica CGA, o comércio de cervejas com baixo teor alcoólico ou sem álcool no Reino Unido avançou 28% em volume nos 12 meses até fevereiro deste ano, na comparação com os 12 meses imediatamente anteriores. A Alemanha também vive momento parecido, onde, de acordo com a Associação Alemã de Produtores de Cerveja (DBB), uma em cada 15 cervejas vendidas hoje no país não tem álcool. Número cada vez maior de cervejarias no Reino Unido tem se especializado em cervejas de baixo teor alcoólico ou sem álcool BBC Não surpreende, portanto, que uma quantidade cada vez maior de cervejarias artesanais como a Nirvana venha optando por produzir apenas cervejas sem álcool ou com baixo teor alcoólico. "Abrimos o negócio em 2017 e já estamos fabricando perto de meio milhão de garrafas por ano", diz Becky, de 29 anos. "Há pouco tempo começamos a exportar para a Escandinávia e para a Suíça e estamos de olho nos mercados da Ásia e da América do Sul." A jovem conta que o pai é alcoólatra em recuperação - e ela queria que ele também pudesse frequentar seu bar e beber uma boa cerveja. "Pra muitas cervejarias a bebida sem álcool é algo complementar, que vem depois, mas nós queríamos que este fosse nosso único foco." Mas o que é exatamente uma cerveja sem álcool? A pergunta pode soar estúpida, mas no Reino Unido ela não tem uma resposta tão óbvia - é preciso olhar para dois percentuais que parecem semelhantes, mas são bem diferentes. A cervejaria Big Drop Brewing hoje exporta cerca de 40% da produção BBC Em boa parte da União Europeia e nos Estados Unidos, uma cerveja é considerada sem álcool quando tem teor alcoólico igual ou menor que 0,5%. Já no Reino Unido, esse percentual limite é menor, de 0,05%. Lá, uma cerveja com 0,5% de álcool só pode ser chamada de "desalcoolizada". Como a terminologia não é das mais simpáticas, a maior parte das cervejarias britânicas opta por classificar as bebidas como "de baixo teor alcoólico". As cervejas estrangeiras com teor alcoólico entre 0,05% e 0,5%, entretanto, podem sem vendidas como "sem álcool" no Reino Unido - elas não precisam adaptar o rótulo às normas locais. "Um sujeito não consegue ficar bêbado com uma cerveja com 0,5% de álcool não importa o quanto ele beba", diz Rob Fink, cofundador da Big Drop Brewing Company. "Para você ter uma ideia, uma banana madura ou uma fatia de pão podem conter 0,5% de álcool." "Isso é importante, porque é possível fazer cerveja de excelente qualidade com um teor alcoólico de 0,5%, mas é bem mais difícil fazer o mesmo com teor alcoólico de 0,05% - é preciso arrancar o álcool quase que completamente, o que acaba comprometendo muito do sabor", afirma o produtor. Também baseada em Londres, a cervejaria de Fink só produz cervejas com baixo teor ou sem álcool - e exporta 40% da produção para Noruega, Dinamarca, Finlândia, Suécia e Canadá. O cervejeiro Rob Fink (esq.) critica os critérios usados no Reino Unido para definir o que é cerveja sem álcool BBC Comparada à europeia, a indústria mundial de cerveja sem álcool ainda está engatinhando, diz Bill Shufelt, cofounder da cervejaria americana Athletic Brewing. Mas está expandindo rápido. Quando montou sua empresa em Connecticut em 2017 com a proposta de produzir apenas bebida sem álcool, o cervejeiro ouviu de muita gente que estava louco. "As pessoas faziam piada - mas isso sempre mudava quando elas experimentavam nossas cervejas." Bill Shufelt, da Athletic Brewing, aposta no crescimento do mercado de cerveja sem álcool dos EUA BBC A Athletic vende hoje seus produtos em todo o país e recentemente começou a exportar também para o Reino Unido. Lá, o aumento do consumo de cervejas com baixo teor ou sem álcool também vem sendo puxado pelas gerações mais jovens, diz o jornalista britânico Jeff Evans, especializado em cerveja. "Bebedores mais jovens têm uma relação diferente com o álcool", afirma. "Eles bebem quando estão afim, mas muitas vezes não se importam de se divertir sem álcool" "Eles também estão mais ligados à indústria de cervejas artesanais, marcada pela experimentação e pelo foco no sabor. Junte as duas coisas e a combinação é o que estamos vendo hoje: uma expansão do setor de bebidas de baixo teor alcoólico ou álcool zero." A isso ele acrescenta ainda o fato de que as cervejarias têm cada vez mais conseguido desenvolver métodos de fabricação que preservam o sabor da bebida sem álcool e criar bebidas que são uma "excelente alternativa" às tradicionais. A participação das cervejas sem álcool no Brasil ainda é pequena, mas o mercado também tem assistido à chegada de novos rótulos em paralelo ao crescimento das cervejarias artesanais - que saltaram de 70 para 700 no país nos últimos 10 anos, de acordo com a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva). Veja Mais

A mãe que virou artista para se comunicar melhor com o filho portador de síndrome rara

Glogo - Ciência Luca é portador da Síndrome de Jacobsen, doença de pouquíssimos casos conhecidos no mundo; desenhos feitos pela mãe autodidata ajudam-na a explicar sentimentos e fatos cotidianos para ele. Manuela faz desenhos e gravuras para melhorar sua própria comunicação com o filho Luca: explicar-lhe sentimentos e conceitos do dia a dia, ampliar seu vocabulário e simplesmente entretê-lo Arquivo pessoal/BBC Entre outubro e novembro, a médica carioca Manuela Tasca lançou um desafio a si mesma. Em meio aos preparativos para uma cirurgia auditiva do filho Luca, 5, ela resolveu fazer um desenho por dia, entre corujas, ursos e luas coloridas. "Lulu está perdendo a audição gradativamente pelo acúmulo de muco nos ouvidos", contou Manuela para seus seguidores no Instagram. "Para tornar a espera (pela cirurgia) mais leve, ocupar a minha mente e fazer algo produtivo, resolvi embarcar em um desafio criativo. (...) Os desenhos serão um presente para Lulu se divertir quando chegar ao hospital." Luca é portador da raríssima Síndrome de Jacobsen, identificada apenas em 1973 e que afeta uma criança a cada estimados 100 mil nascimentos — há registros de apenas cerca de 300 pessoas diagnosticadas no mundo inteiro. A cirurgia auditiva (que correu bem) visava implantar tubos de ventilação nos ouvidos de Luca, para impedir o acúmulo de muco, que é comum entre portadores da síndrome. Há outras questões relacionadas à condição, em diferentes graus: atrasos no desenvolvimento motor e cognitivo, dificuldades de fala e aprendizado, baixa imunidade, problemas cardíacos em cerca de metade dos casos e, em mais de 90% dos casos, uma disfunção de plaquetas no sangue que pode causar sangramentos excessivos no caso de ferimentos simples. Parte dos portadores de Jacobsen (não é o caso de Luca) são, também, do espectro autista. "Mas a história de Lulu não é triste. Ao contrário, a história de Lulu é cheia de amor e arte", escreveu Manuela em 15 de dezembro de 2018, ao lançar sua conta de Instagram @artepralulu, no qual começou a postar os desenhos e gravuras que usa para melhorar sua própria comunicação com o filho: explicar-lhe sentimentos e conceitos do dia a dia, ampliar seu vocabulário e simplesmente entretê-lo. Obras de arte produzidas pela artista para seu filho portador de síndrome rara @arteparalulu/BBC O barulho causado por um carro de bombeiros passando na rua, por exemplo, pode deixar Luca nervoso. Mas quando a mãe mostra a ele um desenho desse tipo de carro, Luca consegue associar os bombeiros ao motivo do seu incômodo. "O incômodo sensorial continua, mas ao saber de onde vem o barulho ele sabe melhor como lidar", explica Manuela. Os desenhos ajudam também a orientar Luca no cumprimento de tarefas muitas vezes desafiadoras com qualquer criança pequena, como seguir o horário das refeições ou do banho. E, para Manuela, eles também ajudaram seu filho a dar um salto de desenvolvimento no último ano, quando Luca passou a falar. "Quando entendemos que ele é muito visual (em seu aprendizado), vimos que esse (o desenho) é um recurso que faz diferença", conta ela à BBC News Brasil. "Primeiro, inventamos uma linguagem própria de sinais para conversar com ele, já que ele tinha dificuldades motoras em fazer os sinais da linguagem de Libras. Mas queria que isso fosse uma ponte para ele aprender a usar as palavras. E hoje ele comunica suas necessidades e fala palavras-chave, como obrigado e por favor. Mas é incrível: ele foi de (falar) nada para isso. Sua fala se desenvolveu muito." Initial plugin text Autodidata O curioso é que Manuela, que é cardiologista, nunca teve qualquer educação formal em arte — e foi desenvolvendo sua técnica intuitivamente, a partir dos desafios do dia a dia e dos pedidos feitos pelo próprio Luca. "Comecei a desenhar primariamente, primeiro imitando desenhos que via (na rede social) Pinterest e depois desenvolvendo meus próprios desenhos. Estou me divertindo muito, e comecei a trazer outros materiais, como aquarela e canetinhas", conta. A arte também a ajudou na própria transição entre ter a carreira médica em tempo integral e passar a dedicar mais tempo aos cuidados com o filho. "No começo, foi difícil o processo de entender que a minha criança é atípica. Pensava que precisaria me anular (para cuidar dele). Depois comecei a usar a arte e a me divertir, então estaria mentindo se dissesse que foi doloroso (fazer essa transição)", conta. Hoje, Manuela dedica dois dias por semana à Medicina e, nos restantes, faz trabalhos esporádicos como fotógrafa e ilustração — a venda de algumas das artes autorais feitas para Luca ajudou a família a financiar terapias do menino. A síndrome rara A Síndrome de Jacobsen é causada pela deleção (ou apagamento) de um pedaço de um dos cromossomos de seus portadores, o de número 11. Manuela aprendeu que "pode ser algo aleatório ou transmitido pelos pais, e a gravidade (da síndrome) depende do tamanho da deleção" desse cromossomo. "É algo muito novo: temos poucos estudos a respeito, e todos são financiados por um médico e pelas próprias famílias, que arrecadam dinheiro", conta. Initial plugin text No Brasil, o grupo de apoio à síndrome frequentado por Manuela tem conhecimento de apenas 20 casos. Por isso, alguns pais afirmam que, assim como Manuela, acabam aprendendo na prática a desenvolver as habilidades das crianças e a lidar com os desafios rotineiros. Ao mesmo tempo, existem estudos internacionais documentando o papel das artes visuais em ajudar crianças com dificuldades cognitivas a interagir, se desenvolver, se expressar e aprimorar seu entendimento de noções de espaço e de conceitos abstratos. Nos Estados Unidos, um guia para professores da Universidade Estadual de Ohio aponta que, para crianças do espectro autista, por exemplo, as artes oferecem possibilidades para fomentar "independência e colaboração, autoexpressão, imaginação e criatividade, além de criar um modo de se entender abstrações difíceis". Também melhoram as habilidades de comunicação e interação social dessas crianças. Há estudos que apontam benefícios das artes para o desenvolvimento cognitivo, social e de linguagem para crianças em geral — a ideia é que, ao fortalecer o sistema de atenção do cérebro, as artes ajudariam a melhorar a cognição. "Crianças em todas as culturas rapidamente se engajam em atividades artísticas e, no entanto, as artes (dança, teatro, desenho e música) tradicionalmente são tópicos marginais na disciplina da ciência do desenvolvimento", afirmam três cientistas de universidades americanas que revisaram a literatura sobre o tema em um estudo publicado em 2017 na Society for Research in Child Development. "Argumentamos que psicólogos não podem ignorar essas atividades que envolvem tantos fenômenos básicos — atenção, engajamento, motivação, regulação emocional, entendimento dos demais etc. Apesar de questões históricas relacionadas a metodologias de pesquisa (...), uma onda recente de estudos rigorosos mostra a profundidade do aprendizado das artes e como o engajamento artístico pode ser usado na transferência para outras habilidades (nas crianças)." Manuela não teve nenhum embasamento científico em seus desenhos, mas percebeu que a tática a ajudou a estreitar seu elo com o filho. "Fomos bem experimentais, indo de acordo com o que sentíamos (que funcionava) com o Luca", conta. "Com certeza aumentou o nosso vínculo, e criamos uma dinâmica própria: ele faz encomendas dos desenhos que quer ou me pede versões diferentes." Veja Mais

Estudo confirma existência de água em Europa, uma das luas de Júpiter

Glogo - Ciência Imagem composta mostrando pluma observada em Europa. Ilustração/Nasa No começo da semana saiu a notícia sobre o mapa geológico de Titã, a maior lua de Saturno e a segunda maior de todo o Sistema Solar. Na mesma edição da revista "Nature Astronomy" em que foi publicada essa pesquisa, um outro resultado tão importante quanto o mapa de Titã também foi publicado. Nesse caso, um resultado sobre uma das luas de Júpiter. Há algumas décadas que se especula a existência de água em Europa, a menor das luas descobertas por Galileu Galilei em 1609. Em 1999, a sonda Galileo que orbitou o sistema Joviano determinou que havia uma substância fluida de condutividade elétrica muito alta. Levantamentos gravimétricos, pesquisa que mede a intensidade da gravidade, mostraram que Europa não deveria ter um núcleo rochoso simples. Ao invés disso, deveria ter um núcleo rochoso muito provavelmente recoberto por uma capa de uma substância líquida. Mais tarde, observações em Terra e no espaço feitas pelo Hubble mostraram plumas enormes sendo expelidas em Europa. Europa vista pela sonda Galileo Nasa O cenário apontava mesmo para um oceano subterrâneo e sobre ele, uma crosta de gelo com espessura de 10-15 km que protegeria o oceano de evaporar para o espaço. De tempos em tempos uma fratura, ou rachadura, nesta crosta faria a água jorrar violentamente para o espaço, formando gêiseres. Assim que escapasse da proteção da crosta a água evaporaria formando uma pluma de neve e vapor. Bom, você sabe que um cenário montado com hipóteses razoáveis e que se encaixam é muito bom para se explicar um fenômeno, mas nada se compara a uma comprovação direta. E era isso que faltava para o cenário de Europa. Nessa segunda feira, Lucas Paganini e um time de mais 6 pesquisadores publicaram os resultados de uma campanha de 17 observações de Europa feitas no Havaí. Usando um espectrômetro, um instrumento que separa as componentes da luz, Paganini e seus colaboradores conseguiram identificar a presença de vapor d’água em uma das plumas de Europa. A identificação foi bem sutil, das 17 observações feitas isso só foi possível em uma delas. Ainda assim, o volume calculado de água expelida na forma de vapor seria suficiente para encher uma piscina olímpica em poucos minutos! E se você nos acompanha aqui no blog já sabe o porquê de tanto alvoroço com esse resultado. Se alguém quiser detectar vida fora da Terra deve começar sua procura por locais que tenham água. Não gelo e nem vapor, água líquida mesmo. O motivo é muito simples, a vida como conhecemos se desenvolveu com a água como o meio líquido que, entre outras coisas, intermedeia as trocas de substâncias ao nível celular. Então um bom começo para a procura é justamente “ir atrás da água”, ou “follow the water” como aparece nas páginas de astrobiologia da NASA. Representação artística da sonda Europa Clipper sobrevoando a capa de gelo de Europa. Nasa Não é por coincidência que a vida na Terra tenha se baseado em água, ela deve ser a substância mais abundante do universo. Hidrogênio e oxigênio são os elementos mais abundantes no universo. Na verdade, o hélio é o segundo mais abundante, depois do hidrogênio, mas ele não se combina com nenhum outro elemento para formar uma molécula estável. Uma outra possibilidade é ter metano ou etano líquido para fazer o mesmo papel, como eu mencionei no post abaixo. Como Europa tem um oceano abaixo da crosta de gelo, a sonda Galileo foi jogada contra Júpiter ao fim de sua missão, justamente para evitar qualquer tipo de contaminação. Estratégia igual foi usada com a sonda Cassini, para evitar que Titã fosse contaminado. Esse resultado é fantástico, principalmente considerando que em 2023 a sonda Europa Clipper deve partir para estudar essa lua intrigante. A sonda vai carregar um conjunto de câmeras, espectrômetros e radares para investigar a camada de gelo de Europa em 45 voos rasantes. Essa estratégia deve dar a oportunidade de a sonda presenciar um evento de gêiser levantando uma pluma de vapor para ser estudada. Quando isso acontecer, seus espectrógrafos poderão identificar uma miríade de substâncias, inclusive alguma que identifique atividade de seres vivos abaixo do gelo. Veja Mais

Justiça suspende registro de 63 agrotóxicos autorizados em setembro

Glogo - Ciência Juiz afirmou que pesticidas oferecem risco à saúde e ao meio ambiente. Decisão é provisória e cabe recurso. Ministério da Agricultura disse que ainda não foi notificado. A Justiça Federal do Ceará suspendeu o registro de 63 agrotóxicos feito pelo Ministério da Agricultura em setembro. A decisão é provisória e ainda cabe recurso e o governo disse que ainda não foi notificado. O pedido foi feito por meio de uma Ação Popular movida pelo deputado federal Célio Studart (PV-CE). A decisão foi publicada na segunda-feira (19) e o juiz responsável pela ação, Luís Praxedes Vieira da Silva, entendeu que a comercialização destes produtos pode trazer riscos à saúde e ao meio ambiente. Por que a produção de alimentos depende tanto de agrotóxicos? Como reduzir a ingestão de resíduos os produtos registrados em setembro, os mais polêmicos são os que têm como base o sulfoxaflor, que é relacionado à redução de enxames de abelhas e está em estudo no exterior (veja a lista completa abaixo). Outros produtos que tiveram o registro suspensos estão princípios ativos fluopiram, que é usado para matar fungos, e o dinotefuram, um inseticida. O registro dos 63 agrotóxicos suspensos pela Justiça ocorreu no dia 17 de setembro. Desse total, 2 são princípios ativos (que servirão de base para produtos inéditos) e 5 são novos produtos que estarão à venda. Os demais 56 são genéricos de pesticidas que já existem no mercado. “A permissão para livre comercialização dos agrotóxicos com alta taxa de toxibilidade (sic) é incompatível com os princípios que regem a atividade econômica [...] De nada adiante um país economicamente rico com uma população gradativamente doente, o que será desencadeado dentro em breve se não combatermos hoje a prática inclusiva de tais agentes químicos e biológicos nocivos ao nosso meio ambiente”, disse o magistrado na decisão. Procurado pelo G1, o Ministério da Agricultura disse que ainda não foi notificado da decisão e que "oportunamente, irá analisar as medidas cabíveis". O governo tem 15 dias para contestar a medida após sua publicação. No ano, o governo registrou 382 novos pesticidas. Agrotóxicos suspensos O dinotefuram é utilizado no controle de insetos sugadores, como percevejos. Ele poderá ser aplicado em 16 atividades: arroz, aveia, batata, café, cana-de-açúcar, centeio, cevada, citros, feijão, milheto, milho, pastagem, soja, tomate, trigo e triticale. Ele é considerado extremamente tóxico pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O pesticida não tem registro para uso agrícola na União Europeia (apenas doméstico) e está em reavaliação nos Estados Unidos, onde o primeiro registro consta de 1985. Para uso agrícola, o produto tem aval desde 2004. Já o fungicida fluopiram é um produto indicado para combater parasitas que atacam a raízes das plantas (nematoides) e terá autorização para 7 culturas: algodão, batata, café, cana-de-açúcar, feijão, milho e soja. O Ministério da Agricultura afirmou que o produto estava na fila para registro no Brasil havia 10 anos. Ele possui registro na União Europeia e também está autorizado nos Estados Unidos desde 2012 (e em análise para uso residencial). Lista dos novos princípios ativos registrados no Brasil Rikardy Tooge/G1 Na época, o Ministério da Agricultura também autorizou 56 novos produtos genéricos, sendo 47 para quebra de patentes para a indústria (produto técnico equivalente) e 9 para utilização dos produtores rurais (produto formulado equivalente). Veja a lista dos outros princípios ativos registrados no dia: Lista de princípios ativos que foram utilizados na formulação de agrotóxicos genéricos Rikardy Tooge/G1 Initial plugin text Veja Mais

Câncer de pâncreas: a combinação de drogas que pode 'matar de fome' as células do câncer

Glogo - Ciência Cientistas da Califórnia testaram com êxito a combinação de dois tratamentos que permitiriam reduzir o tamanho dos tumores; ainda que mais estudos sejam necessários, experimento foi descrito como promissor. Cientistas observaram que, misturando dois medicamentos, conseguiam resultados positivos para redução de tumores Getty Images via BBC Uma equipe de cientistas acaba de demonstrar a eficácia de um tratamento contra uma das doenças mais letais que afetam os seres humanos: o câncer de pâncreas. A enfermidade representa apenas 3% de todos os diagnósticos, mas os médicos classificam esse tipo de câncer como o mais agressivo, com uma taxa de mortalidade de 99%. E a porcentagem de pessoas afetadas aumentou na última década. Mas a combinação de dois medicamentos pode vir a oferecer uma nova esperança a quem sofre com a doença. Pesquisadores do Sanford Burnham Prebys Medical Discovery Institute, localizado na Califórnia, nos Estados Unidos, descobriram que uma combinação de dois fármacos usados atualmente para tratar leucemia e tumores como melanoma pode ser a chave para tratar o câncer de pâncreas. De acordo com seus resultados, tais medicamentos combinados "podem reduzir tumores". Os estudiosos comprovaram que o tratamento reduziu com êxito os tumores pancreáticos em ratos e pretendem respaldar esse achado com testes clínicos, segundo artigo publicado na revista científica "Nature Cell Biology". Os fármacos em questão são L-asparaginasa — uma enzima com potencial terapêutico usada para combater a leucemia — e um inibidor de MEK (um tipo de proteína). Eles deixam os tumores sem os nutrientes necessários para que cresçam, além de impedir que se adaptem para sobreviver. Em outras palavras, a técnica "mata de fome" as células com câncer. Sem tratamento efetivo As versões dos dois compostos são aprovadas pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (Food and Drug Administration, ou FDA, em inglês). "A triste realidade é que, hoje em dia, o tratamento para o câncer de pâncreas está atrasado (em relação a outras terapias) porque não existe um que seja efetivo para esses tumores", disse Ze'ev Ronai, professor do Programa de Iniciação e Manutenção de Tumores, do Sanford Burnham Prebys, o principal autor do estudo. O diagnóstico dessa enfermidade é difícil e só acontece quando já está em estado avançado. Um quarto dos pacientes morre em até um mês após o diagnóstico e o restante, no prazo de um ano. "Nossa pesquisa identifica um possível tratamento combinado que pode ser testado imediatamente contra esses tumores agressivos." "Já estamos nos reunindo com os oncologistas da Universidade de Ciências e Saúde do Oregon (Estados Unidos) para discutir como levar essa descoberta para avaliação clínica", completou o especialista. 'Promissor' "É evidente que não encontraremos uma varinha mágica que cure o câncer", afirmou Rosalie C. Sears, da Universidade de Ciências e Saúde do Oregon. "Precisaremos de vários medicamentos que ataquem múltiplas vulnerabilidades." "Esse estudo identifica um tratamento duplo promissor para o câncer de pâncreas, um dos mais mortíferos. Espero ver esses medicamentos testados em pacientes", explicou Sears, especializada em genética molecular e codiretora do centro Brenden-Colson para Saúde Pancreática. Os cientistas esperam abrir caminho para que o teste clínico em humanos ocorra em breve. O experimento demonstrou que a terapia não só reduziria os tumores pancreáticos, mas também os melanomas. Entretanto, os responsáveis pela pesquisa focaram no câncer de pâncreas, devido à falta de medicações eficazes existentes. Sinais e sintomas do câncer de pâncreas Icterícia: coloração amarelada na pele aparece quando o tumor se origina na cabeça do pâncreas e causa a compressão do duto biliar; Alteração dos níveis de glicose no sangue: o pâncreas é responsável por gerar a insulina que por controlar os níveis de glicose do sangue. Se o tumor afeta tal função, pode haver alterações; Má digestão: dor abdominal originada na região do estômago e irradiada até as costas ou regiões laterais; Perda de peso: acontece em poucos meses, acompanhada da perda de apetite. Fonte: Fundação para Excelência e Qualidade da Oncologia (ECO), na Espanha. Veja Mais

Por que as pessoas mentem mais quando pensam em sexo?

Glogo - Ciência Segundo estudo, tendemos a 'distorcer' a verdade para que pessoas em que estamos interessados tenham opinião mais favorável sobre nós. Por que as pessoas mentem mais quando pensam em sexo? BBC Pensar em sexo nos torna mais propensos a mentir? Uma pesquisa da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, e do Centro Interdisciplinar Herzliya, em Israel, fez uma descoberta reveladora: quando pensamos em sexo, nosso barômetro de honestidade fica distorcido, e tendemos a "ajustar" a verdade para que as pessoas em que estamos interessados tenham uma opinião mais favorável sobre nós. Veja aqui o vídeo Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores conduziram experimentos com pessoas heterossexuais de 21 a 32 anos. Infecções sexualmente transmissíveis estão em alta; saiba como se proteger 'Fiz laqueadura aos 25 anos e realizei um sonho' Eles dividiram os participantes em dois grupos. Um deles foi submetido a um processo que os pesquisadores descreveram como 'condicionamento sexual' e outro que não. O estudo constatou que as pessoas do primeiro grupo, quando falavam deles próprios a possíveis parceiros sexuais, tinham 30% mais chances de mentir para “ajustar” seus interesses aos do possível parceiro. Elas também diziam que o número de pessoas com as quais fizeram sexo era menor do que o real. Os pesquisadores concluíram que "as pessoas vão fazer e dizer praticamente qualquer coisa para criar um vínculo com alguém em que estejam interessadas". Veja Mais

Pressão por sucesso e agenda cheia pode gerar burnout em crianças, diz psicóloga francesa

Glogo - Ciência A especialista francesa Aline Nativel Id Hammou, que se prepara para lançar um livro sobre o 'burnout' infantil, recebe em seu consultório jovens pacientes exaustos, muitas vezes em depressão. Crianças podem dar sinais por meio de desenhos Reprodução/TV Cabo Branco Uma criança sem problemas de saúde pode se sentir tão cansada, a ponto de não ser mais capaz de dar continuidade a suas atividades cotidianas? Esse sentimento, descrito por profissionais que viveram um burnout, não se restringe aos adultos. Escola, aulas de reforço, inglês, balé, judô, natação, música e muitos eventos sociais sobrecarrega meninos e meninas de idades variadas. Entenda diferenças entre burnout, estresse e depressão “Recebi em meu consultório, durante mais de um ano, uma menina de oito anos que, por pelo menos seis meses, a cada 15 dias, vinha sábado de manhã e dormia no tapete. Eu a deixava dormir. Quando ela ia embora, me dizia: obrigada”, diz a psicóloga francesa Aline Id Hammou, especialista em burnout infantil. Esse é um dos relatos surpreendentes que a especialista francesa faz em seu novo livro, que será lançado no início de janeiro na França. O título é "La charge mentale chez l’enfant quand nos exigences les épuisent" (“A carga mental nas crianças quando nós exigimos demais delas”, em tradução livre). A obra, contou a psicóloga à RFI, é resultado de mais de cinco anos de experiência profissional com jovens pacientes que vivenciaram uma situação de exaustão generalizada. “Hoje em dia, ser criança é uma profissão de gente grande, com expectativas, exigências, metas e atribuição de funções”, explica. De acordo com a psicóloga, a sociedade, que inclui pais, escolas e família, cobra um esforço que muitas vezes ultrapassa os limites das crianças, esperando, dessa maneira, garantir o sucesso delas no futuro - a chamada réussite, em francês. Essa pressão, ressentida no cotidiano, é muita parecida com a sensação descrita pelos adultos que vivenciaram um burnout profissional – um nível de exaustão tão profundo que torna a pessoa incapaz de dar continuidade a suas atividades cotidianas, com efeitos diretos na saúde mental e física. O excesso de tarefas no dia a dia, ressalta Aline Nativel, exige esforço, concentração e dedicação. As exigências e obrigações são tantas que geram sobrecarga mental. “Tudo isso é repetitivo, tem efeito cumulativo e, principalmente, a criança não vê sentido”, diz. O resultado, como em um adulto estressado, é um cansaço generalizado que leva a uma exaustão física e mental. Fenômeno ocidental Essa tendência, diz a psicóloga, é relativamente recente e atinge, do seu ponto de vista e experiência, principalmente as culturas ocidentais. Este comportamento é um reflexo da ansiedade em relação ao futuro e seus desafios: transformação do mercado do trabalho, crise econômica e aquecimento global, que provocam um sentimento de insegurança generalizado. Essa sensação, vivida pelos adultos, é projetada nas crianças. “Elas acumulam solicitações sociais, físicas, cognitivas e emocionais. Esperamos que sejam bem-sucedidas. Os adultos, com frequência, não veem a diferença entre o sucesso e a felicidade”, observa. A pressão em excesso impossibilita à criança evoluir por etapas – o mundo exige rapidez, resistência e bom desempenho. Muitos pais, observa a especialista, não aceitam a ideia de que seus filhos possam, em algum momento, fracassar.  Esse comportamento incita uma busca pelo perfeccionismo que está na origem do burnout, muitas vezes extremamente precoce. Síndrome de burnout é um esgotamento físico e mental Os sintomas do stress nessa idade incluem, além do cansaço, a falta de disposição para brincar, de concentração, pouco apetite e dificuldades para dormir. “Sobretudo, essa criança vai sorrir cada vez menos e se transformar em um adulto em miniatura”, descreve Aline Nativel. Este é o caso do mais jovem paciente da psicóloga, de apenas quatro anos. Vítima de um excesso de estímulos por parte dos pais, a especialista o incita a brincar em seu consultório, porque, para ele, isso “é coisa de criança.” Extremamente intelectualizado, o menino se preocupa o tempo todo em agradar os pais e denota uma seriedade atípica para a idade. “Sempre digo que ele tem direito de fazer besteiras”, declara a psicóloga. “E ele responde que não pode, porque é grande, e os grandes não fazem besteira.” No caso desse paciente, foi a própria escola que notou um comportamento diferente e sugeriu que os pais buscassem ajuda. Em situações como essa, o tratamento se estende à toda a família, que muitas vezes não aceita o diagnóstico. A tendência, explica a especialista francesa, é os pais acreditarem que o filho é superdotado, e por isso excessivamente intelectualizado para a idade. Ideal de perfeição Na adolescência, o burnout se expressa através de uma perda de confiança e tendência à autodestruição. “Eles vão fazer de tudo para mascarar seu proprio mal-estar. Às vezes, por exemplo, não vão dormir para acabar uma tarefa, o que gera sonolência durante o dia. Vão fazer coisas demais, o que causa problemas de concentração, além da depressão e da fobia, que pode se manifestar em crianças de 11 ou 12 anos”, alerta. Em algumas situações, as pequenas vítimas de burnout, inclusive no jardim de infância, devem também ser acompanhadas por um psiquiatra e tomar antidepressivos e ansiolíticos. Uma das pistas para evitar o problema, acredita a psicóloga, é sensibilizar e conscientizar as escolas e os pais, criando, por exemplo, atividades de relaxamento dentro dos estabelecimentos. Relativizar a ideia do “sucesso” também seria um bom caminho. De qualquer maneira, lembra, em qualquer idade, a busca pelo perfeccionismo gera angústias que podem desencadear doenças mentais. “É impossível ser você mesmo quando se quer encarnar um ideal de perfeição”, conclui a psicóloga. Veja Mais

'Vícios têm origem em traumas e não estamos atacando as causas do problema', diz médico canadense

Glogo - Ciência O médico Gabor Maté acredita que nossa abordagem sobre a dependência química está errada e precisa mudar. Ele explica à BBC o porquê. Gabor Maté defende abordagem que procure causas da dor emocional que leva ao abuso de substâncias e outros vícios BBC Qual é a sua opinião sobre dependência química? O médico canadense Gabor Maté acredita que precisamos repensar nossa abordagem ao assunto. O especialista e escritor best-seller ficou conhecido por seu trabalho sobre saúde mental com pacientes que sofrem com abuso de substâncias na área central de Vancouver. Alcoolismo: como o álcool altera nosso DNA e nos faz querer beber ainda mais Vício em videogame? Saiba como identificar Essa região da cidade canadense apresenta a maior concentração de uso de drogas na América do Norte. Em 2018, ele recebeu a Ordem do Canadá, a mais alta condecoração civil do país, por seu trabalho. No centro de sua abordagem, está a ideia de que todo vício tem origem em um trauma — e nem sempre é possível identificá-lo. Maté elenca, em suas próprias palavras, cinco pontos que nós não entendemos sobre o problema. 'Nós não estamos tratando a causa real do problema' Falta de vínculos, sentimento de isolamento, excesso de estresse são alguns dos estados emocionais que Gabor Maté relaciona ao alcoolismo BBC Para entender o que leva ao vício, é necessário observar seus benefícios. O que ele faz por você? As pessoas costumam dizer que o vício "oferecia um alívio para a dor, uma saída para o estresse, dava um senso de conexão, uma noção de controle, de significado, a sensação de estar vivo, entusiasmo, vitalidade". Em outras palavras, o vício preencheu uma necessidade humana que era essencial, mas que não tinha sido satisfeita na vida daquela pessoa. Todos esses estados — da ausência de conexão e do isolamento até o estresse no dia a dia — eram de dor emocional. Então, o que se deve perguntar sobre dependência química não é "qual é o vício?" mas sim "qual é a dor?". Quando se olha para uma população de dependentes químicos, o que se observa é que quanto mais adversidades na infância, maior o risco de dependência. Então, o vício está sempre relacionada ao trauma e às adversidades na infância — o que não significa que todas as pessoas traumatizadas se tornarão dependentes, mas que todos os dependentes passaram por traumas. O tratamento para isso exige muita compaixão, muita ajuda e muita compreensão, em vez de consequências severas, medidas punitivas e exclusão. Você imaginaria que, com a falha da maioria dos tratamentos, nós tomaríamos consciência e nos perguntaríamos, "será que entendemos de fato essa condição?". Mas isso não acontece muito no mundo médico. Nós não estamos encarando sua real natureza, como resposta ao sofrimento humano. Não estamos ajudando as pessoas a lidar com seus traumas e resolvê-los. O típico estudante de medicina nos Estados Unidos não participa de uma aula sequer sobre trauma emocional. Nós continuamos a perguntar "o que está errado com você?", quando deveríamos perguntar "o que aconteceu com você?". O vício não é uma escolha Gabor Maté afirma que 'ninguém escolhe sentir dor' BBC Outro mito sobre dependência química é de que seria uma escolha das pessoas que sofrem com ela. Todo o sistema legal baseia-se nessa ideia, então vamos puni-las para impedir outras de fazer essa escolha. Ninguém que eu conheça acordou em uma manhã e disse "meu objetivo é me tornar um dependente químico". O vício não é uma escolha que se faça, é uma resposta à dor emocional. E ninguém escolhe sentir dor. O vício não é genético O vício não é genético BBC Um dos maiores mitos sobre dependência é de que seria algo genético. Sim, isso vem de família. Mas por quê? Se eu sou alcoólatra e grito com meus filhos, que crescem e também recorrem ao álcool, eu transmiti isso a eles geneticamente? Ou isso se trata de um comportamento que eles desenvolveram porque eu reproduzi as mesmas condições em que cresci? Ter algo do tipo na família não diz nada sobre uma causa genética. Pode haver uma predisposição genética, mas isso não é o mesmo que uma predeterminação — ou seja, não significa que você seja geneticamente programado para ter um vício. Dependência química é comum A dependência química é comum e alarmante em nossa cultura, diz Gabor Maté BBC Outro mito é o de que o vício está restrito ao dependente químico, ou a alguns fracassados na nossa sociedade. Mas ela é comum e alarmante em nossa cultura. Quando observo essa sociedade, vejo vícios em quase todos os níveis, diversas compulsões. Mais do que isso, vejo toda uma economia baseada em atender a esses vícios. Você pode se viciar em praticamente qualquer coisa — até mesmo em música clássica 'Em um único dia, gastei 8 mil dólares em CDs', admite Maté BBC A dependência se manifesta em qualquer comportamento em que a pessoa encontre um prazer ou alívio temporário, e que passe a desejar intensamente. A pessoa, então, sofre as consequências negativas como resultado, mas não para — ou não consegue parar — apesar dos desdobramentos ruins. Isso pode incluir drogas, álcool, substâncias de todos os tipos. Também pode se relacionar a sexo, a jogos de azar, a compras, ao trabalho, a poder político, a jogos online... Praticamente todas as atividades podem ser viciantes, dependendo da nossa relação com elas. Contanto que haja constante desejo e alívio, com consequências negativas a longo prazo, e dificuldade de simplesmente parar, você tem um vício. Eu tive dois grandes vícios. Um deles era o trabalho, que me levou a ignorar minhas próprias necessidades e as da minha família para buscar sucesso e satisfação profissional. Essa dependência baseava-se em um sentimento profundo de que eu não era bom o bastante, de que precisava me provar, e em uma crença inconsciente de que eu não poderia ser amado e querido. O mundo, então, recompensa esse "workaholic altruísta". Eu também tive um vício em compras, em especial de CDs de música clássica. Em um único dia, gastei 8 mil dólares em CDs. Meu vício não era a música em si. Sim, eu amava a música, mas era viciado no ato de comprar. Não importava quantas coleções eu tivesse de um determinado compositor, eu tinha de comprar outra e mais outra. Por esse vício, eu cheguei a deixar uma das minhas pacientes em trabalho de parto, fui comprar um CD e perdi o nascimento do bebê. Esse era o impacto que a dependência tinha em mim. Talvez você pense que essa comparação é risível — como poderia comparar tal vício ao de pacientes dependentes de heroína? Mas meus próprios pacientes não riam quando eu contava a eles sobre isso. Eles balançavam a cabeça e diziam "é, doutor, a gente entende, você é como todos nós". O ponto é que assim somos todos nós. Ilustrações feitas por Neil Evan/easyanimal Veja Mais

Pessoas passam cada vez mais tempo sozinhas e isso afeta comportamento social, diz estudo

Glogo - Ciência Segundo os pesquisadores, a tendência é um fenômeno cultural crescente que pode ter um impacto prejudicial e aumentar o problema da alienação social. Quando se sentem sozinhos, indivíduos experimentam uma capacidade reduzida de confiar nos outros Wikimedia Cada vez mais as pessoas passam muito tempo sozinhas e isso está causando um impacto no comportamento social, de acordo com um estudo científico da Universidade Israelense de Bar Ilan, divulgado pela agência Efe. Esse fenômeno pode afetar especialmente as pessoas com pouca estabilidade emocional. "Na sociedade de hoje, pesquisas mostram que as pessoas passam entre um terço e metade do tempo sozinhas por dia", informou a universidade em comunicado. O estudo, baseado em testes realizados com 700 pessoas, revela que algumas pessoas que passam muito tempo sozinhas sentem-se negligenciadas pelo seu entorno social. Assim, elas se sentem mal e são induzidas a pensar que só podem confiar em si mesmas, o que leva a um comportamento cada vez mais egocêntrico e egoísta. Isso dificulta a capacidade de reintegração em atividades sociais e aumenta as chances de essas pessoas serem rejeitadas. Segundo os pesquisadores, a tendência é um fenômeno cultural crescente que pode ter um impacto prejudicial e aumentar o problema da alienação social. "Quando se sentem sozinhos, esses indivíduos experimentam uma capacidade reduzida de confiar nos outros, o que aumenta seu nível de desconfiança em relação ao mundo social", argumenta Liad Uziel, médica do Departamento de Psicologia da Universidade de Bar Ilán e co-autora do estudo Para reverter essa situação, apontam os pesquisadores, é importante reconhecer a dinâmica entre a necessidade de se relacionar socialmente e a experiência de estar sozinho entre aqueles com um equilíbrio emocional bastante baixo, o que pode ajudar a criar mecanismos para melhorar seu bem-estar pessoal. Veja Mais